Antiprisma aponta para novas direções e viagens com “Fogo Mais Fogo”, primeiro single de seu novo disco

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foto por Elisa Moreira

O duo Antiprisma dá um passo em direção à novas direções e sonoridades com seu sigle “Fogo Mais Fogo”, com muita influência de psicodelia e o rock dos anos 60, sem deixar de mostrar a veia folk da banda. “A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas”, conta Elisa Moreira.

“Estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers”, explica Victor José. Em breve a banda lançará um clipe para o single, dirigido por Elisa, e um novo disco, que mostrará as diversas facetas que a fase 2018 do Antiprisma possui. “‘Fogo Mais Fogo’ mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro”.

– Primeiro eu queria falar mais sobre “Fogo Mais Fogo”. Como surgiu essa música, como ela foi composta?

Elisa: A levada e os riffs da “Fogo Mais Fogo” surgiram meio despretensiosamente, estávamos na casa do Victor tocando um banjo véio que ele tem lá com a afinação aberta em sol, e a música acabou tomando forma, com melodia e tudo. Nós estávamos viciados em um vídeo do youtube de um cara da Mongólia tocando uma música folclórica em instrumento típico deles, e aquele som meio mântrico e meio hipnotizante acabou nos inspirando, e também era um som bastante pop. Nesse meio tempo, estávamos conversando com a Gabriela Deptulski, do My Magical Glowing Lens e sempre pintava o assunto de fazermos uma parceria. Então quando estávamos já na pré-produção da gravação, lembramos disso e pensamos que aquela guitarra trippy que ela faz ia combinar muito com a música, então um dia que ela estava aqui em SP marcamos um estúdio e gravamos a guitarra dela com o notebook, foi bem massa. A guitarra dela tem uma personalidade e um som bem característico, nós adoramos, e acho que casou muito bem com a nossa vibe! Depois surgiu a letra e vimos que ficou uma música bem forte, resolvemos gravá-la para o disco e lançar como single.

– E do que trata a letra?

Victor: De certa forma ela fala de retorno de Saturno, aquela fase em que tudo muda de forma quase violenta nas nossas vidas. Quem entende do assunto sabe bem do que se trata! ‘Fogo Mais Fogo’ fala de todo um movimento que te leva para uma outra etapa desconhecida, e que é preciso coragem pra encarar de frente. Talvez signifique outra coisa para outros… está em aberto!

Elisa: A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas. E as mudanças geralmente são meio dolorosas, e isso tem super a ver com o momento que estamos passando em nossas vidas – o retorno de Saturno, o momento de tomar umas porradas da vida e ficarmos mais fortes e conscientes. A vibe é essa.

– Então esse single tem a ver com essa nova fase que a banda tá entrando. Com a adição de um baixista e um baterista na formação? Como isso vai rolar nos próximos sons do Antiprisma?

Elisa: É, estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers… Eu e o Victor gostamos muito de guitarra, então ficamos felizes em colocar mais guitarras nas músicas, cada um com seu estilo próprio. Nós estamos animados com essa nova fase da banda, estamos experimentando a sonoridade ao vivo também.

Victor: Mas pretendemos continuar com o formato de sempre também. Gostamos muito do fato de haver essa troca entre nós dois.

Elisa: Verdade, importante dizer!

Ag Massinhan

– Podem me falar de quem tá tocando com vocês? Essa formação é fixa ou vai variando?

Elisa: Nós fizemos o show de lançamento do single “Fogo Mais Fogo” com o Mariô Onofre (Mescalines) na bateria e o Paulo Akio (Fábrica de Animais) no baixo, dois caras que admiramos muito como pessoas e instrumentistas, e foi bem legal. Nós ainda não sabemos exatamente como vai ser essa parte da nova fase do Antiprisma, porque ainda estamos experimentando, mesmo! Vamos ver o que acontece, o futuro está em aberto – que bom!

– E esse som então mostra que o Antiprisma pretende visitar novos caminhos, talvez um pouco mais viajantes ainda que o do disco anterior?

Elisa: Não sei se mais viajantes, talvez sim! No “Planos Para Esta Encarnação” nós estávamos muito com a ideia de soar o máximo possível como soamos ao vivo, fizemos a produção de uma forma bem minimalista, focada nos violões e nas vozes. Agora, talvez pelo fato de nós mesmos estarmos produzindo tudo (tudo mesmo, até o clipe que vai sair em breve – spoiler!), acabamos experimentando mais e, claro, viajando bem mais também (risos)! A produção ainda está soando fiel ao que fazemos ao vivo, mas não estamos nos preocupando em comedir os elementos que saem do eixo voz e violão/guitarras.

Victor: Acho que tanto no nosso EP quanto no nosso álbum demos algumas pistas de que podemos soar de maneira livre. Acho que podem esperar um Antiprisma mais dinâmico e com outras variações de humor. De certa forma, podem esperar um trabalho de terra, água, fogo, ar e éter. Vários climas, quem sabe.

Elisa: Siiim! Os elementos da natureza estão sendo centrais para a idéia do disco (assim como são para as nossas vidas, na verdade – nos ligamos muito nisso).

Victor: Acho que estamos mais intensos, algo que te a ver com o momento que vivemos, né? Todo mundo meio tempestuoso, procurando (ou não) um sentido.

– “Fogo Mais Fogo” dá uma pista do que virá no novo álbum? Podem adiantar um pouco mais sobre os sons nele?

Victor: De fato “Fogo Mais Fogo” mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro. A ideia é que esse trabalho seja bem variado, com momentos de melodia pop, timbres estranhos, experimentos, formatos tradicionais, reflexões e paisagens.

– O que vocês têm ouvido e que podem citar como inspiração para este novo trabalho?

Victor: Olha, pra dizer a verdade, pelo menos da minha parte, poderia citar quase tudo o que ouço desde sempre. Digo isso porque algumas das composições desse disco a gente vem lapidando desde o primeiro trabalho, sabe? Então a criação dele tem sido bem gradual, de modo que acaba esbarrando em muita coisa, de Led Zeppelin a Tião Carreiro… mantras orientais, pós punk, rock rural, blues. Achamos que este é um bom momento pra criar alguns híbridos e ao mesmo tempo tentar recriar fórmulas clássicas, mesmo porque, na real, meio que enche o saco focar toda a sua energia na fritação sem fim, né? Acho que o momento que a gente vive carece de um pouco de delírio, mas para alguns casos também pede os pés no chão, mensagens concretas, e a gente está buscando encontrar esse equilíbrio.

Elisa: É, acho que nesse disco algumas influências nossas que sempre estiveram ali talvez fiquem mais gritantes, como o pós punk, o indie anos 90…

– Podem me adiantar qual será o próximo single? 🙂

Elisa: Acho que já está certo que vai ser aquele mesmo, né Victor?

Victor: Sim, é aquele!

Elisa: Dá pra adiantar que ele será diferente da “Fogo Mais Fogo”, é outra pegada. E a letra tem uma mensagem um pouco azeda (risos)!

– Por falar em spoiler, deixa eu voltar em algo que quase deixei passar: quando vem esse clipe aí e o que podemos esperar nele?

Elisa: Nós queremos lançar o clipe em breve, tipo logo logo mesmo! Estamos muito na pegada faça você mesmo, inclusive com coisas que nunca fizemos antes, então eu resolvi fazer o clipe da Fogo Mais Fogo, aprendendo enquanto faço (risos). Então a pegada do clipe é experimental, dá pra esperar uma coisa meio doidona e despretensiosa!

Construindo Falso Coral: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o disco “Delta”

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Falso CoralBela Moschkovich (vocal), Bemti (vocal e viola caipira), Pedro Lauletta (bateria), Guilherme Giacomini (sintetizadores) e Henrique Vital (baixo) escolheram 20 faixas que inspiraram as 10 faixas inéditas que estarão no disco “Delta”, que sai no segundo semestre.

Em 2016 a banda Falso Coral lançou o EP “Folia” onde apresentava pela primeira vez a mistura característica da banda: rock alternativo, viola caipira, sintetizadores e vocais duetados. Depois de dois anos rodando com o EP, a banda está pronta pra colocar no mundo o primeiro álbum, que se chama “Delta” e está sendo produzido por André Whoong (que também produziu o álbum “Gaya” de Tiê). Pra viabilizar o disco a banda abriu uma campanha no Benfeitoria, com várias recompensas,  precisando atingir a meta até o final de junho. Para contribuir com a produção e lançamento do disco, acesse agora: http://benfeitoria.com/falsocoral.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Castello Branco“Necessidade”
Bemti: Melodia incrível e produção impecável. Tudo com um senso de grandeza e simplicidade misturados que fazem o Castello Branco ser um dos grandes artistas da “nova geração”. O Falso Coral começou fazendo músicas em inglês e eu só comecei a compor mais em português do que inglês porque eu me reafundei em clássicos como Clube da Esquina e discos como o “Serviço” do Castello Branco e de outras pessoas dessa mesma geração lá pelos idos de 2014/2015.

Joan Baez“It’s All Over Now, Baby Blue”
Bela: Essa canção (que é do Bob Dylan) interpretada pela Joan Baez é linda demais! Os dois são uma inspiração enorme para mim, mas a Joan é especialmente nos vocais.

Florence + The Machine“Delilah” 
Bela: A Florence é outra referência de voz que eu uso muito. Ela alterna com frequência entre uma voz potente e agudos muito bem colocados, coisa que com a música do Falso Coral eu gosto de fazer também. As linhas de backing vocals também são um material de estudo interessantíssimo!

Guillemots“Made-up Love Song #43”
Bemti: Guillemots era uma banda mestre em mesclar nostalgia com melodias épicas. “Made-up Love Song #43” não fez eles estourarem à toa, é toda a fórmula deles resumida em 3 minutos e meio de euforia e cores. Quem prestar atenção no nosso disco vai ouvir uma influência direta dessa música e de toda a vibe Guillemots em pelo menos 2 faixas.

Chico Buarque“Até o Fim”
Bemti: “Faísca” é uma música que estará no disco “Delta” e é a que mais se aproxima do meu trabalho solo. É a que tem a linha de viola mais complexa e um ritmo extraído da catira, que é uma dança bem típica que eu via quando eu era criança em Minas Gerais. Ela tem uma vibe “música brasileira atemporal”. O André Whoong, produtor do disco, disse que pra ele lembrou muito Maurício Pereira. Pra mim ela é uma nuvem de tudo de brasileiro que eu ouço desde criança. Pensando na lista eu lembrei de “Até o Fim” que é um meio samba, com piano, triângulo etc e uma cadência melódica super divertida e elegante ao mesmo tempo com a qual eu consigo traçar paralelos com “Faísca”. Também vale mencionar como influência todo o trabalho do violeiro Ivan Vilela, principalmente as parcerias dele com o extraordinário pianista Benjamim Taubkin (sério, escutem).

Vandaveer“A Mighty Leviathan of Old”
Bela: Vandaveer é uma das minhas bandas favoritas e uma enorme referência de um folk contemporâneo que ainda tem um pé no caipira – ainda que nesse caso seja o caipira norte-americano. Essa música, de um disco de 2009, é uma das mais memoráveis deles,  me assombrou desde o dia que eu escutei pela primeira vez e com certeza influencia muito do meu estilo de composição. O refrão sem letra e as harmonias vocais são duas coisas que aparecem no Delta.

A Fine Frenzy“Come On, Come Out”
Bemti: De toda a geração de bandas indie com vocais femininos, A Fine Frenzy (projeto da Alison Sudol, que hoje em dia está milionária como uma das protagonistas de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”) é uma das melhores pra mim. Com um refinamento extraordinário pra composições e sem medo de soar “soft” demais. O primeiro disco dela, “One Cell in the Sea”, é uma obra-prima de pop alternativo e abre com essa maravilha de música que é “Come On, Come Out”.

Editors“Push Your Head Towards the Air”
Bemti: Quando eu comecei a compor “A Heart for Rent” (uma das duas músicas em inglês que vão estar no disco e a mais antiga de todas), ela tinha uma linha vocal saída diretamente dessa música. Depois entreguei a melodia pra Bela e ela compôs uma letra com uma linha completamente diferente por cima, foi a primeira música que a gente compôs junto. Mas a música ainda continua com essa atmosfera grave que eu amo no Editors e que sempre aparece nas coisas que eu componho aqui e ali.

Fiona Apple“Every Single Night”
Bela: Quando essa música saiu, depois de tanto tempo sem nenhum álbum da Fiona, meu coração explodiu um pouco! O estilo de escrita confessional dela me influencia muito e isso passa, sem dúvidas, pras composições minhas que foram para o “Delta”. Além disso, tentei trazer um pouco da referência dela com a voz meio falada misturada ao canto, que eu adoro.

Björk“Wanderlust”
Bemti: Eu sou louco por melodias grandiosas. Ainda quero fazer mil coisas orquestradas que nem muita coisa que a Björk faz. Enquanto essa hora não chega, dá pra ouvir bastante dessas linhas vocais e melodias “larger than life” ao longo do “Delta”. Nessa hora ajuda ter uma banda com 5 pessoas onde as 5 pessoas não se seguram pra pesar a mão na intensidade.

Violeta Parra“Gracias a La Vida”
Bela: Cresci ouvindo música latinoamericana em casa e volta e meia isso aparece em alguma música. Com certeza, faz parte do DNA de “Delta” e dá para ouvir a referência em uma das faixas inéditas que vamos lançar! Essa canção linda, na versão da Violeta Parra, me comove demais.

Mew – “Am I Wry? No”
Bemti: Mew é a minha banda favorita do universo. Tudo que eu faço vai ter algum traço de Mew invariavelmente. É difícil escolher uma música mas acho que quando eu fiz “Waltz of the Great” (a outra música em inglês do disco) eu provavelmente estava tentando fazer uma versão caipira de “Am I Wry? No” que é indie do começo dos anos 2000 mas com uma nostalgia deliciosa pelo shoegaze e rockzinhos alternativos dos anos 90 em geral.

Keane“Bedshaped”
Bemti: Keane é a minha segunda banda favorita do universo e também é difícil escolher só uma música. Mas pra mim “Bedshaped” é uma explosão de melodia e melancolia que me “contaminou” pra sempre desde a primeira vez que eu a ouvi. Keane é muito inspirado por Beatles e eu sempre reconheço algumas “Beatlezices” que eu componho onde na verdade eu estava me espelhando no Keane. É o caso especialmente de uma das músicas do disco que se chama “A Hora Chega”.

Kings of Leon“Knocked Up”
Henrique: Escolhi essa faixa porque o baixo da música é basicamente tônica e oitava a música toda, e é algo que eu acho bem característico das minhas linhas. As linhas que o Jared Followill usa nas músicas da banda são sempre muito simples, mas igualmente eficientes e poderosas. Acho que, modestamente, minhas linhas são parecidas neste sentido!

Disasterpeace“Home” (Trilha sonora de Fez)
Guilherme: O Disasterpeace é um dos mais conhecidos e admirados compositores de trilha de games atualmente e me influencia bastante nas minhas composições de synth.

Fleetwood Mac “Dreams”
Pedro: O “Rumours” do Fleetwood Mac um dos meus discos preferidos, e eu acho que um dos pontos altos dele é a sonoridade e a timbragem que os instrumentos tem. Nessa música tudo soa bonito e nada está fora do lugar, é uma aula de arranjo. Eu queria um som de bateria parecido com o do Mick Fleetwood pro nosso disco, e acho que conseguimos!

Midlake“The Old and the Young”
Pedro: Eu descobri essa banda por acaso e é uma das que eu mais ouvi nos últimos dois anos, e acho o som deles muito próximo do nosso. Consigo ouvir a voz do Bemti e da Bela nessa música.

O Terço “Queimada” 
Pedro: Resposta pra pergunta “Como colocar viola num disco de rock?”.

Beatles“Strawberry Fields Forever”
Pedro: Enquanto a gente ensaiava a minha canção preferida do “Delta”, a sonoridade dessa música sempre me vinha à mente. E bom, Beatles é sempre uma influência né?

Pearl Jam“Given to Fly”
Pedro: No “Delta” eu uso bastante os tons da bateria pra fazer grooves, e em uma música em particular eu quis ir na onda dessa, que é a minha preferida do Pearl Jam (e olha que não é fácil pra um pisciano fazer esse tipo de escolha). Além disso, uma das músicas no disco é minha e eu fiz ela numa época que eu estava ouvindo o Into the Wild todo dia, e foi uma influência muito marcante.

Com uma pequena ajuda dos amigos: David Crosby – “If I Could Only Remember My Name” (1971)

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Todo mundo que curte música pra valer tem uma lista mental daqueles discos considerados “xodó”. Normalmente nem são aqueles mais badalados de sempre, os mais citados em publicações, mas ainda assim aquilo tem um valor quase que inestimável. Não é assim? Poderia dizer que If I Could Only Remember My Name” (1971), de David Crosby, é um dos meus queridos.

Motivos não faltam para que esse LP não seja no mínimo curioso. Primeiro porque ele é o primeiro trabalho solo do músico (e que só lançaria seu sucessor em 1989); segundo porque não é bem um trabalho solo, levando em consideração o time avassalador que toca no disco; terceiro porque Crosby sempre obteve destaque sendo um cantor de harmonia, e nesse caso podemos ver como seria se ele tivesse seguido um caminho de frontman.

Resultado de imagem para david crosby 1971Outra coisa que deve ser ressaltada é que David Crosby, mesmo sendo um coadjuvante inato, é uma das pessoas mais importantes da história do rock. Um caso raríssimo de alguém que sempre esteve por perto de projetos fantásticos (vide The Byrds e Crosby, Stills, Nash & Young) e que manteve sua visibilidade com o carisma de sua figura, seu discurso e, claro, com o dom que é sua voz.

Embora ele soe incrível como sempre, dá para dizer que neste trabalho o instrumental feito pelos convidados divide a cena. Poucas vezes alguém conseguiu juntar tantos nomes relevantes de uma mesma cena em um disco. Os participantes são: Graham Nash e Neil Young (Crosby, Stills, Nash & Young); Jerry Garcia, Phil Lesh, Bill Kreutzmann e Mickey Hart (Grateful Dead); Joni Mitchell; Grace Slick, Paul Kantner, Jack Casady e Jorma Kaukonen (Jefferson Airplane); Gregg Hollie e Michael Shrieve (Santana); David Freiberg (Quicksilver Mesenger Service) e Laura Allan.

Mesmo que o título remeta à psicodelia e músicas chapadas de ácido, “If I Could Only Remember My Name” é um disco sério. Crosby tem esse ar de seriedade em seu som. Sua música sempre tem conteúdo e é repleta de sentimento verdadeiro, o que faz dele um dos mais notáveis e respeitados vocalistas e compositores de seu tempo. Aqui o clima é de maturidade hippie, como se essa galera tivesse passado (e passou mesmo) por muitas experiências transformadoras, mesmo que o folk ingênuo que abra a tracklist, “Music Is Love”, esteja aí para quase me desmentir.

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Mas sim, Crosby prefere seguir uma linha introspectiva e emocional, mais lúcida. Um exemplo disso é a belíssima “Traction in The Rain”. Ali percebe-se ecos de The Byrds, mas com uma roupagem adulta. Arrisco dizer que o disco está nesse grupo de trabalhos da mesma época que moldaram o que a gente chama hoje de adult compemporary, ou “música de pai”, se preferir. Mas neste caso não há maneirismos e nem cafonice do que essa vertente se tornou, é só coisa fina e de primeira.

A delicadeza é o tom de quase todo o disco, mas em “Cowboy Movie” Crosby destila a raiva de tempos turbulentos e canta uma letra cheia de críticas, embalada por uma levada improvisada por alguns dos membros do Grateful Dead. Jerry Garcia faz belos contrapontos com sua guitarra, aliás, sua presença é bastante forte no trabalho todo, em várias faixas percebe-se sua presença.

Em “Tamalpais High (At About 3)” David Crosby prova ser um monstro nas harmonias. Uma canção sem letra, apenas vocalização, que ele faz questão de dividir com seu parceiro Graham Nash. Essa combinação de alto nível de composição com o ar sério e misterioso me remete ao Milton Nascimento de Milagre dos Peixes”. Embora não se pareçam em quase nada, esse respeito pelos vocais é semelhante.

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“Laughing” cumpre seu papel de melhor canção do álbum. É absurdamente linda. Folk rock sem falhas, feito por quem ajudou a construir o que de fato é esse som. Uma aula de como soar bem. “What Are Their Names” é por si só um marco obscuro da história do rock. Isso porque está praticamente todas aquelas pessoas que citei antes fazendo um coro, o que é algo curioso de ouvir. Além disso, a faixa conta com uma trama interessante de guitarras feita por Garcia e Neil Young.

Resultado de imagem para david crosby nash 1971Ponto alto do disco, “Song with No Words (Tree with No Leaves)”, como o próprio nome já diz, traz uma melodia sem palavras. É outra obra-prima. O clima que ela transmite talvez seja único; equilíbrio perfeito entre delicadeza, emoção, melodia, harmonia e improviso. Ouça esse disco pelo menos por esta música.

A versão para a tradicional “Orleans” remete aos melhores momentos do Crosby, Stills, Nash & Young, porém construído por uma única pessoa. Já obscura “I’d Swear There Was Somebody Here” é um experimento vocal dedicado à sua namorada, que havia falecido. Talvez esse seja o mote que transforma esse disco tão introspectivo.

Na época do lançamento o disco foi bem recebido pela crítica e público, conseguindo a 12ª posição na Billboard e vendendo mais de 500 mil cópias. Apesar disso, o disco foi se tornando uma lenda cult, talvez pelo pouco apelo comercial. Porém com o passar dos anos a obra foi revisitada e mencionada por artistas, até mesmo o jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, talvez o mais famoso periódico católico, colocou este álbum na segunda colocação em uma lista dos “Melhores Álbuns Pop de Todos os Tempos”. Aí você percebe como esse disco realmente agrada públicos distintos.

David Crosby merece ser escutado com mais atenção, e “If I Could Only Remember My Name” é um retrato fiel do que ele significa para a música pop em geral. Obra fundamental.

“Procurando Sugar Man” (2013): o verdadeiro significado do sucesso

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Rodriguez

Ano: 2013
Direção: Malik Bendjelloul
Duração: 1h26min

Já imaginou como seria se Bob Dylan jamais tivesse alcançado sucesso? Ou se por alguma razão, ele seguisse por outros caminhos que não o mundo da música? É possível se ter uma ideia ao assistir “Procurando por Sugar Man” (“Searching for Sugar Man”, 2013), documentário vencedor do Oscar, que retrata a lenda em torno do músico Sixto Rodriguez, até então era um quase total desconhecido. Quase!

Existe um mito em torno de não ser reconhecido em sua época. Grandes artistas foram obliterados por inúmeras razões e circunstâncias. Mas no a grande particularidade no caso de Rodriguez é que ele foi reconhecido, ao menos parcialmente…

Na África do Sul, durante o Apartheid, o disco “Cold Fact”, que havia vendido nos Estados Unidos algumas poucas cópias, tornou-se um fenômeno aparentemente após uma versão K7 pirata cair na graças do público. A distribuidora então encomendou os discos e a febre se instalou. Com letras fortes, reflexivas e melodias maravilhosas, o artista parecia existir apenas na imaginação dos fãs sul-africanos, pois ninguém sabia quem era Rodriguez. A única notícia que se tinha era que ele havia cometido suicido, colocando fogo em si mesmo em cima do palco. A lenda estava formada.

Contar mais seria estragar a experiência. Basta de dizer que “Procurando por Sugar Man”, além de ser uma divertida investigação musical, é um retrato sobre o que é ser reconhecido, do verdadeiro valor do sucesso e o que é de fato ser um artista. Teria Rodriguez feito sucesso no mundo todo se na capa do seu disco aparecesse um homem branco e não ele próprio, um filho de imigrantes mexicanos? Essa é apenas uma das perguntas levantadas por esse excelente documentário. Para se ver e ouvir muito depois.

Reunimos uma porrada de gente pra eleger as melhores músicas nacionais e internacionais de 2017

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Chegou aquele momento do ano em que todo mundo faz suas listas, retrospectivas e tentamos eleger o que aconteceu de melhor nos últimos 365 dias. Aqui no Crush em Hi-Fi eu deixei a tarefa de escolher os grandes sons de 2017 com os próprios colaboradores do blog, músicos, jornalistas, produtores, DJs e apaixonados por música. São mais de 70 pessoas que nos contaram quais foram os grandes sons nacionais e internacionais deste conturbado ano.

Na música nacional, Tim Bernardes, Renato Godá, Molho Negro, Letrux e Far From Alaska foram os mais lembrados pelos entrevistados, enquanto King Gizzard & The Lizard Wizard, Kendrick Lamar, Bjork Liam Gallagher foram os artistas estrangeiros que mais mexeram com o coração das pessoas consultadas. Confira as escolhas e sigam as playlists dos Melhores do Ano 2017 no Spotify do Crush em Hi-Fi!

Nacionais

Luccas Carlos“Neblina”
Rashid: O Luccas é um dos artistas mais talentosos que surgiram nos últimos tempos, na minha opinião. Tem um potencial gigantesco pra bater pesado nas rádios. Gosto bastante desse som, letra boa, refrãozão, melodia da hora. Sou fã.

Jr Black“Arrendado”
Gil Mendes (Baião de Dois/Crush em Hi-Fi): A multiartista pernambucano manda nessa samba bem balançado uma crônica sobre o atual cenário do país abusando das metáforas, fazendo uma analogia de como o Brasil fosse uma grande e abandonado parque de diversões pronto para ser destruído. A faixa ainda conta com a participação de Fred 04, do Mundo Livre S/A.

NP Vocal – “Veja Bem”
Kamau: Com certeza essa é a música que mais ouvi num certo período de tempo em 2017. Veio como uma surpresa, já que conhecia o NP de vista mas não tinha ouvido ainda nada dele. O beat cabuloso do DJ Fire serviu bem pra sua narrativa entrelaçada que nitidamente remete ao Sabotage mas tem seu DNA, suas características próprias. A facilidade com que NP passa do rimado ao melódico também chamou-me bastante a atenção. Talvez não seja o melhor som em nenhuma lista mas, com certeza, deve ser ouvido por quem ainda não teve a oportunidade de fazê-lo.

Far From Alaska “Bear”
Chris Lopo (Crush em Hi-Fi): “Unlikely” soa muito diferente de seu antecessor, “ModeHuman”, mostrando uma evolução tanto na pegada quanto na produção e no vocal de Emmily Barreto. “Cobra”, a música de trabalho, é legal mas, quando chegou “Bear”, a segunda do disco, meu mundo parou. Eu fiquei, sem mentira, uma tarde inteira e amanhã do dia seguinte com essa música no repeat. Sempre que rolava o comecinho de “Flamingo” eu voltava uma faixa. Valeu a pena ter enfrentado a neve, desta vez mais perto do Alasca, para gravar com a Sylvia Massy.
Ian Veiga (Der Baum): Muita coisa de qualidade lançada e se teve algo que marcou foi o álbum do Far From Alaska, “Unlikely”. O single “Cobra” foi matador e manteve muito o estilão do primeiro álbum, mas a música “Bear” mostra a verdadeira faceta atual da banda. Com muito experimentalismo na masterização e sonoridade diferentona, o resultado é incrível e adoro quando a banda se arrisca sem medo assim.

Rimas e Melodias – “Coroação”
Mariângela Carvalho (Supernova): Tava no aguarde do debut do Rimas e assim que ouvi pela primeira vez, no final minha sensação resumida era: uma experiência ultra empoderada. Nunca poderei sentir na pele, literalmente falando, o que elas compartilham e, por isso mesmo, pra mim esse álbum veio acrescentar mais visões sobre o feminismo;  musicalmente a produção é muito fina, várias escolas do ritmo e poesia revisitadas nos 30 e poucos minutos de duração. A segunda faixa, “Coroação”, tem um tema bem forte, o refrão + coro me fazem arrepiar toda vez que ouço.

Francisco El Hombre“Triste, Louca Ou Má”
Alexandre Becker Klein (Lamusia): Acho que “Triste, Louca ou Má”, do Francisco El Hombre, devido a música ter acordes tristes e bonitos, sem falar da letra com uma importância bem grande pro público feminino.

Projeto Rivera“Zeravida”
Caike Falcão (Empire): Além de eu ter achado uma música foda, ela é muito representativa. Projeto Rivera vem em uma crescente linda, e eu consegui ver de perto a luta dos meninos. É uma banda que me orgulha e inspira, e envolve quem tá por perto. E essa música é o ponta-pé inicial do segundo disco deles, que é um novo marco na carreira da banda. O Brasil ainda vai ouvir falar muito deles.

Guilhemoso Wild – “Caos, Caos”
Douglas Mam (Douglas Mam & Os Famigerados): Indico! A letra falado tudo sobre a situação da humanidade.

Figueroas“Boneca Selvagem”
Fabrício Bizu (Psico BR) – Por trazer música pra cima e dançante como flamingos rosas em ponche psicodélico.
Alê Lima (Aletrix): Figueroas tem o vantajoso diferencial de lançar músicas viciantes. O aguardado segundo disco é contagiante e igualmente grudento. “Boneca Selvagem” é uma música para se ouvir várias vezes seguidas, suando e mexendo partes do corpo.

Arnaldo Tifu“O Rap Salva”
Carol Tavares (Jazz House): Acho difícil dizer a melhor de todas. A produção nacional está fervilhando. Muitos estilos, muita gente nova e boa. Eu sempre tive um lance secreto com rap e, trabalhando mais de perto com o Tifu, fiquei arrepiada com “O Rap Salva”. Tem força, letra e aquele pé no peito. Fica minha sugestão.

Merda“O Diabo Está Sempre Ao Meu Lado”
Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula): A gang do Merda e suas cagadas magníficas. Em tempos de Reich evangélico nada melhor que essa bela canção sobre amizade.

Rico Dalasam – “Fogo em Mim”
Guilherme Tintel (It Pop): O Carnaval se foi, mas o fogo de Rico Dalasam não se apagou. No ano em que o pop brasileiro emplacou até hits internacionais, “Fogo em Mim” se garante pela singularidade de sua letra e batida, sob a produção de Mahal Pita, do sempre incrível BaianaSystem.

Deltafoxx “Fade Away”
Diego Veríssimo (Outro Indie): O mais recente lançamento do duo brasiliense que vem crescendo em destaque na cena independente com suas faixas originais e remixes.

Molho Negro“Escrevo Mal”
Pedro Spadoni (Cat Vids): A Molho representa bem demais a cena independente do país em tudo o que fazem, e essa música é a cara deles porque tira sarro deles mesmos e de mim e de você e de qualquer um que se meta a fazer música. Eu vejo esse tipo de proposta como um recado legal pra cena de não se levar tão a sério assim e só, sei lá, se divertir. Sem contar que o João é o cara mais legal do rock (risos).

Bike“A Montanha Sagrada”
Denão Fonseca (3 Olhos Festival): Depois de ouvir esse som, você só tem vontade de subir a montanha para ficar mais perto do céu. Hino da psicodelia moderna.

Letrux“Que Estrago”
Hanilton Medeiros (Crush em Hi-Fi): “Letrux em Noite de Climão” é de longe o melhor álbum de 2017. A canção conta a história e a experiência após um encontro entre duas mulheres. Com letra provocativa e video clipe psicodélico, “Que Estrago” é a faixa perfeita para resumir esse trabalho, premiado como “Melhor Disco do Ano” pelo Prêmio Multishow.

Preta Gil & Gal Costa “Vá Se Benzer”
Hanilton Medeiros (Crush em Hi-Fi): Preta Gil declarou em várias entrevistas a emoção que foi cantar com sua madrinha, a diva da MPB, Gal Costa. A canção tem um teor político, que foi potencializado ao ganhar um clipe manifesto, cuja repercussão na internet garantiu a colocação entre os mais vídeos no YouTube no dia de seu lançamento.

Skrotes“Procissão dos Ossos”
Michelle Mendez (Petit Mort): Melhor banda catarinense, e uma das melhores do brasil sem duvida. Admiro muito o talento dos musicos da banda e as suas composições, musica pra voar a mente, sem limites.

ProjetoNave “Revolução Humana”
Claudio Cox (Giallos): “20 Voltas” celebra os 20 anos de uma das bandas mais importantes aqui do ABC Paulista, o Projetonave. Não bastasse isso (20 ANOS caralho!), o disco também marca a volta de um dos letristas mais importantes da minha geração, um cara que me influenciou, me influencia e me influenciará para todo o sempre, Marcopablo. Escolhi uma porque não posso escolher todas. “Revolução Humana” tem uma frase que define bem essa nova fase da banda e da minha vida também: “amanhece cedo, o sol fortalece”.

Jazz Beat“Loud Owl”
Pedro H. Rabelo (Bang Bang Babies): Delta blues com punk primitivo (isso existe?). Pra mim soa desse jeito.

Quasar“Aurora”
Ari Holtz Neto (Medrar): Tem um caos espontâneo, digno de um ser humano qualquer andando desgovernado pela cidade olhando pra própria nuca. Um recorte que me fisga da produção autoral brasileira, fala comigo na poesia, na melodia, nas distorções, na impertinência e no desacerto.

Renato Godá“Longe Eu Vou”
Calvin Kilivitz (Thrills & the Chase): Quando o Goda surgiu, disseram que ele era o Tom Waits brasileiro. Com esse disco novo, ele também é o Johnny Cash brasileiro, e muito mais.

Ralo“Mais”
André Astro (O Grande Ogro): A banda de São Paulo de rock instrumental Ralo lançou esse ano o disco “Hell is Real” com a música “Mais”, tem tem um belo vídeo da produção do disco.

Hammerhead Blues“Rat”
Rê Becca Tavares: A banda paulistana Hammerhead Blues lançou seu primeiro álbum este ano e “Rat”, uma das faixas mais poderosas, ganhou um clipe sensacional para acompanhar. Rock com pegada setentista para ouvir no máximo!

Tagore“Apocalipse Jeans”
Adriano Eliezer (Pampas Deer): O Tagore só melhora na escrita e na interpretação. É uma lapa de talento. E o João Felipe Cavalcanti, como produtor e realizador da coisa sônica, tem baixos lindos, ambientações e texturas que pra mim são fora de série.

Raquel Reis“Sorte”
Ana Júlia Tolentino (Tenho Mais Discos Que Amigos): Eu esperei por um bom tempo o lançamento desse disco e ele tem uma produção visual impecável (sério, olha no canal dela)! Essa música particularmente me remete a tudo que aconteceu esse ano, 2017 foi um ano de contemplação. No trecho “No seu silêncio, eu escuto o infinito” é como se o silêncio fosse meu, também.

Tim Bernardes“Tanto Faz”
Laura Damasceno (Música Tem Vídeo): Foi a primeira música de trabalho do disco solo do Tim Bernardes e mesmo sendo lentinha, tem aquela letra chiclete à la O Terno que não sai da cabeça por nada. Além disso, chama atenção por retratar bem o Brasil de 2017, com sua população apática diante do mar de problemas políticos e sociais: “Vai ter Copa, vai ter carnaval, mas continua errado / Nada é justo ou injusto se não há justiça de fato / Tanto faz, tanto faz”. Sério, genial.
Bruna Manfre (Shelter): Em meio à apatia e escapismo atuais, Tim Bernardes trouxe seu “Tanto Faz” – música que pode ser interpretada de diversas formas, inclusive como crítica à política. O desassossego lírico, que por si só já garantiria seu posto como melhor do ano, é acompanhado por violão de cordas de aço, surdo e violinos.

Renato Godá“Chegada”
Zé Menezes (Thrills & The Chase): Simplesmente a declaração de amor mais bonita dos últimos tempos. Se não conhece, vá atrás que você não vai se arrepender.

Ludovic“Inexorcizável (Um Zumbido Ensurdecedor)”
Shamil Carlos (Stay Free): Tinha um grande medo do que viria, ainda mais por saber que o Jair passa por uma fase de vida bem diferente da época do “Idioma Morto” mas a música é foda! Letra desesperançosa e melancólica, do jeito que a gente ama.

Luedji Luna“Banho de Folhas”
Bárbara Monteiro (Wabi Sabi): Eu tô completamente apaixonada pela Luedji Luna! Ela é baiana e fica numa ponte Salvador – São Paulo. Acabou de lançar seu primeiro disco, que se chama “Um Corpo no Mundo” e é maravilhoso. Ela é compositora e tem uma voz incrível. Eu já era muito fã quando um dia, do nada, encontrei com ela num boteco em Pinheiros almoçando PF. Não resisti, tietei e ela foi tão simpática que só me fez admirar mais ainda.

Tim Bernardes“Ela”
Carolina Santos (Noize Media/Crush em Hi-Fi): O Tim já vem fazendo um trabalho excelente na banda O Terno, e agora em disco solo, denominado “Recomeçar”, lançado em setembro, pode soltar a mão em composições um pouco mais melancólicas e lindas. Ela é muito suave, quase um abraço para dias difíceis. O álbum todo é lindíssimo, um dos grandes destaques do ano.
Fernando Sanches (CPM22/O Inimigo): Porque é super simples e linda. E toda acústica, nesse mundo eletrônico, né?

Black Cold Bottles“Black Bones Blues”
Alejandro Cadena (The Ash Tre): Mesmo que a letra não fale necessariamente disso, eu sempre ouço essa música e me imagino no velho oeste, andando num cavalo rumo ao horizonte. Os vocais do Bruno Carnovale e da Larissa Lobo derretem e se misturam trazendo uma sensação de paz que se preenche com essas guitarras maravilhosas.

Yesomar“Pra Sempre”
Wendell Pivetta (Metal Etílico/Crush em Hi-Fi): Boa parte dos gigantes aqui é um resgate inovador do Rock Gaúcho da capital. Yesomar vem com o “Vol.2” de um super projeto que merece respeito e ouvidos atentos em um discão! Uma banda que faz uma correria gigante para agitar a cena da capital. Destaco a faixa “Pra Sempre” que para mim, já nasceu clássico! Firme e especial.

Negro Leo“Action Lekking A”
Uiu Lopes: Nacional foi o Negro Léo que eu sempre piro nas ideias dele e esse ano ele lançou um álbum chamado “Action Lekking A” que tá com um time pesado, vale muito a pena escutar no meio de uma multidão na Avenida Paulista ou qualquer outro lugar cheio de gente (risos).

Nevilton“Melhorar”
Millena Kreutzfeld (GDL – Tudo Sobre Música): Esperança e melancolia é o que traduz essa faixa do novo disco do Nevilton lançado recentemente. Apesar da vida caótica que a maioria leva na cidade maluca que é SP, precisamos ser conscientes com o todo pra vida melhorar e pra felicidade vir beber a estante dos vinhos que guardamos. ha-ha.

Paulo Miklos“Vou Te Encontrar”
Jéssica Mar (A Menina Que Colecionava Discos): O cantor fez um mergulho na música brasileira e lançou o que considera, de fato, seu primeiro trabalho individual na música. Gravado entre março e abril de 2017 e lançado oficialmente em agosto, veio após uma série de acontecimentos marcantes na vida do cantor (a morte de seus pais e de sua esposa, além da própria saída dos Titãs) e tem elementos de autobiografia, o álbum é um dos melhores discos brasileiros lançados esse ano.

Sepultura“Phantom Self”
Jéssica Mar (A Menina Que Colecionava Discos): Gravado na Suécia, é o primeiro álbum de estúdio da banda em mais de três anos desde “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013), marcando a maior distância entre dois álbuns de estúdio em sua carreira. Conceito do álbum, segundo a banda: “A principal inspiração em torno de “Machine Messiah” é a robotização da sociedade hoje em dia. O conceito de uma ‘Máquina Divina’ que criou a humanidade e agora parece que este ciclo está se fechando, retornando ao ponto de partida. Nós viemos de máquinas e estamos indo de volta para de onde viemos. O Messias, quando ele voltar, vai ser um robô, ou um humanóide, nosso salvador biomecânico”.

Gagged“Cidade Sem Lugar”
Sérgio Costa (Vinyl Style): Primeiro single do álbum que saí no ano que vem. Hardcore bem tocado, bem gravado e com letras fodas (coisa que tem faltado em boa parte da nova geração de bandas dessa cena).
Não é de hoje que conheço o trabalho da Gagged e aposto muito nesse álbum que vem aí. Não é por acaso que eles vão abrir o aguardado show do Strung Out em Dezembro em São Paulo ao lado do Statues on Fire.

NDR“O Homem Comum”
Thiagones (Wiseman): Soco no estômago! Música rápida e texto agressivo, sem soar “Culto Intangível” ou “Simplista pânque”.

Pitty e Elza Soares“Na Pele”
Carol Marinho (Trilha Sonora da Carol): Como feminista, não poderia deixar de citar esse encontro entre duas mulheres que admiro muito. Elza Soares é a deusa da música brasileira e a letra elaborada da Pitty descreve não só a história de Elza mas a de muitas mulheres: “Se essas são marcas externas / Imagine as de dentro”. Imaginemos juntas!

Letrux“Ninguém Perguntou Por Você”
Siso: Letícia Novaes é pessoa gênia e isso ficou claro pra muita gente com “Letrux em Noite de Climão”. Nessa faixa, ela faz um inventário maravilhoso da intimidade de um casal imaginário, indo do romântico ao hilário sobre uma batida disco.
Lara Aufranc: Essa foi a música escolhida pra gente cantar juntas no meu show, adoro. Me identifico com a letra, que escancara as projeções. Porque às vezes só acontece na minha cabeça mesmo.
Ana Maria Nakaza (Azoofa): A gente ama a Letícia Novaes e tudo o que ela faz, seja na música ou na escrita, ela sempre tem muita coisa pra dizer. “Ninguém Perguntou Por Você” é a cara dela, mostra a potência da sua voz e o poder das palavras. Dá vontade de soltar a voz junto com ela e continuar cantarolando aquele refrão o resto do dia. Ela fez uma versão acústica no nosso live e arrasou!

Maquinamente“Voar Alto”
Crys Gonçalves (Guitar Talks): O Maquinamente colocou essa música na boca de todo mundo em 2017. Música boa, refrão pegajoso e uma qualidade vocal incrível.

Ciro e a Cidade“Lascado”
Karina Moritzen (Brasinha Discos): Ciro e a Cidade é das bandas mais impressionantes do cenário alternativo do RN. letras e melodias envolventes que te fazem sentir coisas que você nem sabia que estavam lá. Vale a pena o EP inteiro, que foi lançado no início de 2017 produzido pelos também potiguares do Mahmed.

Sudário“Baden Powell”
Karina Moritzen (Brasinha Discos): Sudário é o primeiro lançamento da Brasinha Discos. Adriano traz toda a introspectividade e sensibilidade dele e te entrega de bandeja. é como se ele te pegasse pela mão e te mostrasse o quarto dele. o disco foi produzido por Walter Nazário, e demorou anos pra sair, era uma lenda urbana na cidade. ainda bem que saiu, e foi um dos melhores lançamentos potiguares do ano.

Criolo“Menino Mimado”
Bruno Carnovale (Black Cold Bottles): O ano de 2017 nos rendeu muitas reflexões a respeito de vários momentos que o nosso país atravessa. e em “Espiral de Ilusão”, um disco tão bonito quanto inusitado, Criolo diz muito sobre o que se deveria pensar a respeito do que tem sido feito na política do Brasil.

Rincon Sapiência“A Coisa Tá Preta”
Alessandra Braz (Favorite): Para mim, o Rincon fez o melhor disco de 2017 no âmbito nacional, “Galanga Livre”. A grande sacada desse disco é falar de racismo exaltando a beleza negra essa música em específico é genial, porque ela pega uma expressão racista, que ficou conhecida por explicitar que as coisas não vão bem e troca o seu significado. Rincon canta: “Se eu te falar que a coisa tá preta, a coisa tá boa, pode acreditar”.

Boogarins“Foimal”
Sand Lêycia (Supervibe): Enfim, Boogarins é a banda nacional que mais me atrai. “Foimal” segue o tipo de composição simples que tanto gosto, o synth bass casou demais com a textura da banda.

Maglore“Aquela Força”
Raul Zanardo (Dum Brothers): Fui no show de lançamento que rolou no Sesc Pompeia e quando tocaram essa musica a galera, inclusive eu, pirou demais.

Ekena“Todxs Putxs”
Dani Buarque (BBGG): Esse ano se criou um grupo no Whatsapp com as minas da música. Conheci muita coisa foda mas um som que me fez derramar lágrimas e meu coraçãozinho bater mais forte foi o som “Todxs Putxs” da Ekena. A letra é maravilhosa, a voz dela é incrível e a música como um todo umas das melhores coisas que já ouvi no Brasil. Fui DJ de um evento What Design Can Do e a Ekena entrou pra tocar essa música. Me arrepia só de lembrar. Era ela e o violão. As pessoas começaram aplaudir no meio da música e depois no final de novo. Eu nunca vi isso na vida. Que força essa mulher tem, eu tô A-P-A-I–X-O-N-A-D-A pelo som dela. É muito nítido como ela se entrega pra arte e isso inevitavelmente toca a gente.

Cinnamon Tapes“Cinnamon Sea”
Camila Mazzini (Garotas no Poder): Acompanhei o comecinho da carreira da Susan e a delicadeza com que ela cuida de tudo, desde a sonoridade até o visual. Tudo doce e lindo.

Satiro“Flúor”
Bruno Trchmnn (Leila): Dá pra ouvir pelo menos 20 vezes em 1 hora, o que é sempre bom. Esse disco tem duas coisas que eu curto: aquela ponta de Urinals e o Matias Picon (Animal Cracker, Sonora Scotch). Ouvi milhares de vezes (em umas 2 horas e meia).

Miêta“Messenger Bling”
André Luiz Souza Silva (Fita): A “Messenger Bling” do Miêta tem um que de nostalgia pra mim. Tbm é o tipo de som que cria umas cenas na minha cabeça, já imaginei um mega video de downhill numa estrada na Califórnia e a mistura desse baixão e essa voz suave ficaram perfeitas.

Porcas Borboletas“Cara Pra Casar”
Gabriel Serapicos (Serapicos): O álbum todo é a mais pura e sincera poesia. Cadê esses meninos do programa da Fátima Bernardes?

Tati Góis “Mãe Preta”
Tânia Seles (Sopa Alternativa): A líder da banda Útero Punk saiu em carreira solo com o álbum “Negra e Favelada”. O seu primeiro single fala de racismo e violência, denunciando o sofrimento das mães da favela. Essencial para o momento que estamos vivendo.

Deb And The Mentals“Bleeding”
Paula Holanda (Crush em Hi-Fi): Como é bom um som direto, sem firulas, filho do punk, do grunge e do garage. Eu não costumo gostar de bandas brasileiras que compõem em inglês, mas “Mess” foi um dos meus discos nacionais preferidos de 2017 (e Deb And The Mentals, anotem esse nome, um dos melhores shows que vi). “Bleeding” foi uma ótima escolha para a faixa de abertura — é a música mais crua e urgente do disco, ou seja, um excelente cartão de visitas para quem quiser conhecê-lo.

Maglore“Calma”
Alinne Anno (Chuchu): 2017 não foi dos mais fáceis, creio que pra mim e a muitos por ai. Minhas escolhas refletem muito no que eu passei e vi outros passando nesse longo ano. “Calma” da Maglore, virou um mantra que me fez/faz chorar, dançar, refletir… É difícil descrever com poucas palavras, sem contextualizar a parada, sem citar mais do que um ou dois momentos, sem que outras músicas entrem no meio. Vai parecer piegas esse papo todo, mas é real. O Lucas, baixista da Maglore e guitarra/vocais da Vitreaux, tocou pra mim, voz e violão, num momento muito sensível e eu senti toda a emoção. Fez muito sentido naquele momento, mas a bala no peito veio mesmo uns meses depois. Essa música me ajudou sair das fossas desse segundo semestre e a entender coisas que passei no primeiro. Foi uma luta ouvir uma música tão pra cima em momentos que você só quer ouvir uns emo/shoegaze. E de volta a pieguice: eu acredito profundamente no poder da música (gente como eu sou brega).

Whatever Happened to Baby Jane“Deixa Ela em Paz”
Lúcia Vulcano (Pata): Conheci Whatever Happened to Baby Jane esse ano e é uma das bandas que eu mais gostei de descobrir. Essa música é um belo hino de resistência e eu gostaria que cantassem para 2017: Deixa ela em paz!

Marginal Attack“I Want You”
Matheus Krempel (The Bombers): O Marginal Attack resgata aquele sabor do Punk rock do meio dos anos 90 com bastante propriedade. “I Want You” é uma balada punk com um dos refrões mais gostosos do ano.

Muddy Brothers“What I Want”
Bruno Agnoletti (Dum Brothers): Muddy é uma das melhores do cenário nacional e eles tem uma pegada 70’s que eu curto pra caramba sem contar que o vocal, guitarra e batera do Muddy é sensacional.

Old Kitchen“Outra Voz”
Dan Menezes (Vênus Café): Saindo do internacional mainstream para o underground nacional. Essa canção é uma pérola, de ficar cantarolarando por dias. No dia em que foi lançada, fiquei ouvindo ela no repeat umas dez vezes, e fiquei esse tempo todo arrepiado (isso é sério). Disparada a canção que mais ouvi em 2017.

Corazones Muertos“Spikes & Dogs”
Cristiano Vicente (Crasso Records): Apesar de não ser 100% nacional, dá pra considerar. Faixa do disco “Carnival Killers” lançado pela Crasso Records, além de ser uma BAITA faixa e um BAITA refrão, a música e o clipe são uma grande homenagem (em vida) ao ratodeporão/forgottenboy/lobotomizado/porcocego: Fralda!

Baco Exu do Blues – “Te Amo Disgraça”
Amauri Eugênio Jr. (Yahoo): “Esú”, do Baco Exu do Blues, é uma das mais bem-vindas novidades da cena musical brasileira, a começar pela origem, que rompe o eixo Centro-Sul: o cara mostrou que tem rap de qualidade na Bahia. O álbum é coeso, transgressor, erótico e com groove pesado, e tem a faixa “Te Amo Disgraça” como uma espécie de síntese e um de seus melhores momentos. Dá para dizer, parafraseando um verso, que essa música e o álbum são manifestos contra o tédio de domingo e dos demais dias da semana.

Electro Bromance“Supermodel”
Bruno Romani (S.E.T.I.): Esse aqui é o Depeche Mode do Nordeste! Um duo de João Pessoa fazendo synthpop clássico numa região onde o senso comum jamais esperaria que isso fosse possível. Eles lançaram um disco no começo do ano, “We Are Like a Bomb!”, que tem outras vertentes eletrônicas. Mas eu curti muito esse single, que saiu no último mês de setembro mas poderia ser de 1987.

Sereno“Se Tudo Der Errado”
Paloma Vasconcellos (LuvBugs): Os irmãos Victor e Vinícius Damazio arrebentaram com esse lançamento de estreia deles e do selo Violeta Discos. “Adivinhar o Futuro das Estrelas” é lindo do início ao fim. Eu escolhi a faixa de número 4 em particular porque ela transmite uma melancolia e ao mesmo tempo uma alegria gostosa de sentir que remete direto aos anos 90.

Scalene“Cartão Postal”
Ingrid Natalie (Female Rock Squad): Já para o destaque nacional indico a banda Scalene. O quarteto de Brasília fez uma performance impecável no Rock in Rio, provando que o rock brasileiro está mais vivo que nunca e lançou o álbum “Magnetite” que traz novos elementos ao som post-hardcore da banda. A música “Cartão Postal” é uma reflexão linda sobre a carreira da banda.

Matheus Flemming“1985”
Sara Não Tem Nome: Conhecia o trabalho do Matheus no Câmera e esse ano ele lançou seu trabalho solo com o disco “O Estado das Coisas”. As músicas são construídas por meio de várias camadas/ linhas de guitarra, sons sutis e ruídosos. No show do disco, é muito interessante acompanhar a construção das músicas feitas por Matheus. O show é super intimista e conta com projeções lindas.

Tantão e os Fita“Espectro”
Sara Não Tem Nome: Tantão é artista plástico e músico. Nos anos 80 fez parte do Black Future, banda de pós punk da cena no wave. Em 2017 lançou o ‘Espectro’, seu primeiro álbum autoral. Me impressionaram sua performance em palco, a força de sua voz e sua letras impactantes.

Beto Cupertino“Memes”
Dija Dijones (Penhasco, Chabad, Loyal Gun, O Apátrida): Não bastasse o fato de grandes discos como “Grandes Infiéis”, “Tribunal Surdo” e “Greve Das Navalhas”, do Violins, terem tido menos repercussão do que deveriam, “Tudo Arbitrário”, belo disco do Beto Cupertino, a voz e a guitarra da banda goiana, parece trilhar o mesmo caminho. Em tempos de redes sociais como arena para embates, debates e inutilidades mil, esta é uma letra que poderia estar na língua de muita gente por aí. Na minha, pelo menos, está.

Cinnamon Tapes“Sol”
Victor José (Antiprisma/Crush em Hi-Fi): Já falei aqui espontaneamente sobre o álbum de estreia da Susan. E realmente, continuo com a mesma sensação de que esse disco (principalmente este single) tem algo especial. É simples, honesto, melodioso, estético e confessional. Muito difícil entrar três minutos de música essas cinco qualidades juntas e de modo convincente. É óbvio que em “Sol” está uma artista de mão cheia que muito tem a oferecer. A cena alternativa local só tem a comemorar.

Molho Negro“Mainstream”
Helder Sampedro (RockALT/Crush em Hi-Fi): Curto, cru, rápido e direto ao ponto. É o que podemos falar desse som dos Paraenses do Molho Negro. As letras irreverentes e cruelmente verdadeiras dessa música são característica do álbum lançado esse ano, mas não se engane, a banda é bem versátil e as músicas são bem diferentes entre si. Essa variedade musical do álbum foi justamente o que me atraiu e é um dos meus favoritos do ano.

Pablo Vittar“K.O.”
Micaela Alvariza (Micadélica): Acho incrível ver uma drag fazendo um estilo bem tipico daqui, com letra em português e batida brasileira, sem se sentir na necessidade de se regufiar na cultura gringa. Isso faz a mensagem ser mais democrática, afinal, quem fez ela famosa foi o pessoal daqui, e acho legal ela manter esse interesse pela aprovação do povo.

Negro Leo“Lek Lover”
Pedro Pastoriz: Se eu tivesse um minuto para escolher um disco brasileiro feito nesse ano pra lançar em um foguete pra lua, eu acho que seria esse: “Action Lekking” do Negro Leo tem essa tal coisa LEK, arranjos, banda, composições muito boas! “Lek Lover” é uma faixa que ficou na minha cabeça.

Curumim“Boca de Groselha”
Pedro Vivas (Crush em Hi-Fi): Diálogos com o corpo, diálogos com a “Boca”. Diálogos com a GROSELHA – groselha que às vezes é bacana, quiçá necessária, para sair da seriedade do dia-dia, mas, que também é ruim – que enche o saco e estraga nossos dias. “Boca de Groselha” fica no campo da primeira, é groselha boa, da mais alta qualidade, que pode acompanhar tranquilamente bons drinks (risos). Curumin (junto com os aipins) inova mais uma vez. Nacionalmente foi um dos sons, entre vários outros, que mais me chamaram atenção nesse ano. Com certeza merece menção.

LAY –  “Daraxaclan”
Yannick aka Afrosamurai: LAY é uma grande artista, destemida, ousada e explicita. O rap nacional precisa de uma mulher assim.

Bratislava“Enterro”
Lennon Fernandes: O crime ambiental ocorrido em Mariana/MG deveria ser tema de composição para todas as bandas. Parabéns pra Bratislava pela sensibilidade.

Castello Branco“Do Interior” (feat. Verônica Bonfim)
Otavio Cardoso (Carinae): A gente acompanha Castello Branco desde o primeiro lançamento, em 2013. Essa música em especial foi lançada no segundo álbum e tem um ritmo que encaixa muito bem com a melodia forte do refrão. A letra tem uma interpretação mais aberta e passa uma sensação boa, cantada junto com essa melodia.
Marcos Xi (Brasileiríssimos): Num período onde a nova MPB ou desata totalmente para o comercial ou descampa para uma auto provação de genialidade desnecessária, Lucas resolveu se inspirar na sua própria terra para chegar num material que envolve, emociona e liberta. “Sintoma” pode não ter os singles matadores e clássicos instantâneos que seu irmão “Serviço”, mas entrega um material muito mais coeso, conciso e inteligente que seu autor já conseguiu mostrar.

Monstros do Ula Ula“Não Posso Ficar”
Bacalhau (Monstros do Ula Ula): Banda mitológica que voltou com um disco ótimo.

menores atos“Pressa”
Enzo Marco di Berardo (Crush em Hi-Fi): Após 3 anos sem lançar material novo, a banda nos presenteou esse ano com o single “Pressa”. É importante destacar aqui que em nenhum momento a banda soa como um trio. Com a quantidade de riffs, efeitos, mudanças bruscas no andamento e backing vocais das músicas, eles ressoam como um grupo que tem no mínimo dois integrantes a mais. A sonoridade do single permeia simultaneamente a calmaria e o caos. O peso das guitarras de Cyro Sampaio (voz e guitarra) remete melodias de hardcore, ao mesmo tempo, as viagens dos pedais de efeito se assemelha às bandas: Circa Survive e Brand New. O papel do baixo de Celso Lehneman – por se tratar de um power trio — , tem mais presença e linhas consistentes do que normalmente dispõem as bandas de rock. A bateria Ricardo Mello (voz e bateria) além de somar na dosagem final da porrada, também passeia por linhas quebradas e incertas. Além do instrumental devastador, as letras das composições – a maioria discorre sobre relacionamentos — , causam uma identificação sem igual no público que sempre entoa os versos das músicas junto da banda.

Elza Soares“Maria da Vila Matilde” (Remix)
Rodrigo Reis e Bárbara Ribeiro (Crush em Hi-Fi): Elza finalmente recebendo o devido respeito. Artista que melhor representa o país lá fora não é a Anitta não, tá? É a Elza.

Felipe S“Anedota Yanomami”
Cainan Willy (Pacóvios): Depois de tanto tempo admirando de longe o trabalho da Mombojó, fiquei empolgado ao saber que o Felipe divulgaria seu primeiro disco solo. Quando saiu fiquei apaixonado pela forma que ele misturou o samba e pagode ao psicodélico em “Anedota Yanomami”, uma faixa que confronta realidades do imaginário com a realidade. Escutei muito esse ano.

André Whoong“Herói”
Flávio Juliano (FingerFingerrr): No Brasil, a que mais gostei esse ano foi a música ‘Herói’, do André Whoong. Lançada agora em dezembro, foi a que me impactou mais. Tem sentido pessoal, porque ouvi a demo em outubro(?) num momento marcante, e saquei o que ele queria dizer de primeira. Ela é aquela categoria de música que parece que você já ouviu, mas quanto mais elementos debaixo das pedras vão saindo, você se transporta um pouco. Você dá um shift pro lado, e quando uma música faz isso comigo, é especial.

The Bombers“Exodus”
João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi): Eu já gostava muito do “All About Love”, disco anterior dos Bombers, mas o “Embracing The Sun”, deste ano, mostrou a banda abrindo os braços e topando todo tipo de mistura musical que viesse à cabeça. Em “Exodus” eles misturam o punk rock que é a base do som da banda com um forró acelerado e o negócio casa tão bem que fica difícil não amar.

Internacionais

Jay Z“Story Of O.J.”
Rashid: O retorno do Jay Z por si só já é um bom motivo, mas nessa faixa ele vem falando do dinheiro dentro da comunidade negra, usando a situação do O.J Simpson como uma metáfora pro ponto de onde todos partimos nessa corrida, de um jeito (e uma perspectiva) que só ele pode e sabe falar.

Próxima Parada“Errs, Trials & Trials”
Gil Mendes (Baião de Dois/Crush em Hi-Fi): Apesar do nome, a banda é da Califórnia e mescla R&B, jazz e música pop. “Errs Trials & Trials” é uma música que parece harmônica simples, mas é de uma complexidade ímpar. A letra é sobre um belo pé na bunda. Um lindo clichê.

Rapsody– “Black & Ugly”
Kamau: Acompanho a carreira da Rapsody desde o Kooley High, seu primeiro grupo. (O produtor) 9th Wonder tomou como missão apresentar essa mulher pro mundo e o fez de maneira magistral no álbum Laila’s Wisdom. Rapsody rima à sua maneira pra certamente figurar entre os melhores discos desse ano. “Black & Ugly” é um desabafo em grande estilo de quem agora é percebidx por quem antes desprezava. Na minha lista, sem dúvida, é uma das melhores do ano, junto com o restante do álbum.

Depeche Mode“Going Backwards”
Chris Lopo (Crush em Hi-Fi): Se tem uma banda velha, com quase 40 anos de estrada, que consegue se manter criativa nos dias de hoje, esta é o Depeche Mode. “Going Backwards” é a faixa de abertura de “Spirit”, último álbum do trio inglês, e fala muito bem sobre o retrocesso que a sociedade está vivenciando. Tudo é muito redondo e muito bem produzido. O espírito da banda, liderada por Dave Gahan, dá o aviso que todo mundo já sabe: “ainda não chegamos lá / onde precisamos estar / estamos em débito / para com nossas insanidades.”

girlSperm“Theme from girSperm”/”I’m supposed to be alone”
Mariângela Carvalho (Supernova): Essa é a banda nova da Tobi Vail, muito musa e inspiração pra mim. Quem poderia saber que ela voltaria com uma banda f*da em 2017?! O girlSperm me deixou fascinada por condensar um monte de estilos que curto muito: post-punk, noise, tosco, gritado, letras insanas e sarcásticas, com uns agudos de guitarra que deixam uma tensão no ar. Punk no talo, na indumentária e no som. O nome da banda acho simplesmente genial. As músicas são tão rápidas que tive que escolher as duas primeiras do EP porque são complementares, o tema da segunda é bem anárquico e rolam uns gritos bem noventeiros. Indispensável.

At The Drive-In“Hostage Stamps”
Alexandre Becker Klein (Lamusia): No ramo do rock mainstream internacional, acho que é um dos sons mais complexos e bem trampados que saíram esse ano.

Roger Waters“Is This The Life We Really Want?”
Caike Falcão (Empire): Eu sei que o ideal seria falar de uma galera mais nova e tal, mas o Roger veio com uma pancada impossível de deixar passar. Acho que o disco todo veio com um peso reflexivo, que considero super importante com o eterno anos 80 que estamos vivendo hoje.

Lady Gaga“Joanne”
Douglas Mam (Douglas Mam & Os Famigerados): Assisti o documentário sobre a Gaga no Netflix e ela mostra a música para sua avó que perdeu a filha que sofreu de lúpus e morreu.

King Gizzard & The Lizard Wizard“Gamma Knife”
Fabricio Bizu (Psico BR): Por estar criando um inusitado novo gênero: o Medieval Espacial!

Walk The Moon“Kamizake”
Carol Tavares (Jazz House): Eu tenho mania de deixar rolando o flow sem saber ao certo o que está rolando. Mas Walk The Moon, com a faixa “Kamikaze”, tem a minha receita preferida de sucesso, que é esse timbre metalizado em todas as sonoridades. Aquele som a la Lollapalooza.

Cosmic Psychos“Fuckwit City”
Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula): Aussie rock colosso feito por cabras que amam tratores e cervejas. Tiozão Power! Uma aula de como ficar velho sem ser um bunda mole de sapatênis.

J. Balvin“Mi Gente”
Guilherme Tintel (It Pop): Mesmo antes da bênção de Beyoncé, o cantor colombiano já nos fazia dançar sobre diversidade e união dos povos, no que se tornou um dos maiores hits do ano em plena América de Trump. Genial.

Pond“Paint Me Silver”
Diego Veríssimo (Outro Indie): A arte de samplear com maestria e ainda assim criar uma atmosférica cósmica única.

Alex G“Proud”
Pedro Spadoni (Cat Vids): Eu amo o “Trick” e toda a atmosfera meio triste meio bonita do Alex, mas o disco desse ano trouxe um outro lado dele mais otimista, às vezes upbeat, mais “quente” e feliz. Essa música marcou muito o que vem sendo o meu ano, bem pra cima e do lado de gente que eu gosto. A letra é massa também porque toda vez que ouço penso em amigos próximos e pessoas especiais que conheci ultimamente e tenho orgulho demais da conta.

Benjamin Booker“Witness”
Denão Fonseca (3 Olhos Festival): Depois de um belo disco de estréia, o americano nos brindou com um segundo disco maduro e bem produzido. “Witness” foi o primeiro single do disco. O som é cheio de groove e a voz rouca de Benjamin Booker é um caso a parte.

The Black Angels“Comanche Moon”
Claudio Cox (Giallos): Ando meio out de lançamentos gringos (nacionais também), não fico procurando, esperando ansiosamente, essas coisas, geralmente alguém dá um toque quando é uma parada que sabem que eu gosto, enfim. Esse Black Angels é uma dessas, mas fui ouvir o disco por causa do show, não tinha parado ainda para uma audição descente. Deuzépai, que disco bonito! O show foi uma maravilha também, os mano são zica ao vivo. “Comanche Moon” é a minha preferida, fala sobre a invasão da América, coincidência ou não, é um tema que também estou abordando no próximo do Giallos.

Billy Corgan“Aeronaut”
Ari Holtz Neto (Medrar): Billy Corgan é o tipo de gente que é massa ouvir hoje em dia, depois de tudo foi um pouco tocante ouvir essa música e sacar o quanto a incerteza espreita todas pessoas sob o céu, ele soa sincero e selvagem como só uma puta insegurança tremenda pode fazer soar.

Kimbra“Everybody Knows”
Calvin Kilivitz (Thrills & the Chase): Num mundo justo, a Kimbra seria a diva pop do momento. “Everybody Knows” é aquela combinação rara de gema pop com uma personalidade fortíssima. Ela é um gênio.

Tera Melos“System Preferences”
André Astro (O Grande Ogro): O disco “Trash Generator” da bandas Tera Melos, depois dos discos que eram instrumentais a banda incluiu a voz em seu últimos discos, sendo esse disco que conseguiram sincronizar voz com o instrumental da banda.

Greta Van Fleet “Highway Tune”
Rê Becca Tavares: O primeiro EP dos americanos da Greta Van Fleet veio cheio de referências ao hard rock e uma inspiração inegável em Led Zeppelin. Música boa para ouvir na estrada.

Temples“Certainty”

Adriano Eliezer (Pampas Deer): Eu acho que nesse disco inteiro eles conseguiram chegar em sons e melodias com assinaturas muito fortes. Você escuta qualquer instrumento e sabe que sao eles. E essa música parece ser a síntese de onde o disco todo deriva. Além disso, as letras meio rebuscadas do James Bagshaw deixam o pop espacial ainda mais curioso.

Queens Of The Stone Age“Fortress”
Ana Júlia Tolentino (Tenho Mais Discos Que Amigos):  Por eu ter me identificado 100% inteiramente na letra, e o instrumental ser tão bom quanto. Foi a música que mais me tocou esse ano, e por eu ter esperado tanto esse disco depois do “rasga-peito” que foi o “Like Clockwork” pra mim (risos).

Pink“What About Us”
Laura Damasceno (Música Tem Vídeo): Primeiro single do sétimo álbum de estúdio da cantora, “Beautiful Trauma”, a música é oficialmente uma critica ao atual cenário político norte-americano e com seu refrão simples e forte que questiona: “What about love? What about trust? What about us?” consegue ser, ao mesmo tempo, uma canção de protesto e uma canção sobre amor, confiança e responsabilidade.

Noel Gallagher’s High Flying Birds“Holy Mountain”
Zé Menezes (Thrills & The Chase): Absurdo como o Noel consegue se reinventar de um álbum para outro. Composição, produção e timbres incríveis.

Quicksand“Illuminant”
Shamil Carlos (Stay Free): A volta quase de secreta da banda pra mim foi um choque, essa foi a primeira musica que lançaram do discasso novo gravado sem nenhum alarde de midia me bateu em cheio. É pesado, denso e lindo! Walther > Deus

The Regrettes“Hot”
Bárbara Monteiro (Wabi Sabi): Depois de alguns EPs independentes, esse ano a banda californiana The Regrettes assinou com a Warner e lançou seu primeiro álbum cheio, que se chama “Feel Your Feelings, Fool!”. Essa banda foi uma das melhores descobertas musicais que eu tive recentemente. O grupo é formado por 3 garotas e um cara e o que eles não têm de idade, têm de talento. A líder da banda, vocalista e guitarrista Lydia, tem só 16 anos e já escreve canções geniais, com letras feministas e um som que mistura punk, grunge e anos 60. Os clipes também são sensacionais!

Lorde“Liability”
Carolina Santos (Noize Media/Crush em Hi-Fi): Todo o “Melodrama” é incrível, composições muito boas, observar o crescimento da Lorde e como todas as canções parecem ter sido cuidadosamente adicionadas ao álbum. É uma cantora tão diferenciada quanto a Sia, habitando o território do pop e conseguindo se diferenciar pela profundidade das músicas.

Gorillaz“Sleeping Powder”
Alejandro Cadena (The Ash Tre): Depois do lançamento do “Humanz”, por conta da má recepção do público, Damon Albarn e Jamie Hewlett lançaram essa música alegando que 2D, o cantor virtual da banda, não tinha se sentido representado nesse ultimo disco e compôs uma faixa extra. “Sleeping Powder” me saciou como fã doente de Gorillaz. Foi bom ouvir de novo essa vibe antiga da banda.

Kali Uchis“Hit Rewind”
Uiu Lopes: Eu gostei muito de ter conhecido uma cantora colombiana, a Kali Uchis, que pra mim tem uma voz de cantora dos anos 50, repertório dela é ótimo!

Liam Gallagher“Wall Of Glass”
Wendell Pivetta (Metal Etílico/Crush em Hi-Fi): Um dos lados marrentos do rock retorna com um grande álbum. A música “Wall Of Glass” faz parte da nova geração do rock com elementos eletrônicos deste belo 2017.

Vacations“Movin Out”
Millena Kreutzfeld (GDL – Tudo Sobre Música): Música escrita após a saída do vocalista e mais dois amigos da casa dos pais para uma casa deles. Na letra, Campbell (vocalista) diz que teve suas dúvidas na época, mas que um menino tem que se tornar o homem da casa eventualmente e que não podemos ficar pra sempre embaixo das asas dos pais. Traz uma melancolia e uma certa esperança, que apesar das dificuldades enfrentadas, tudo acabará bem. A melodia nos leva aos anos 90, com uma guitarra poderosa e muito reverb, além da voz de Campbell que nos deixa com o refrão na cabeça, por ser uma voz agradável, traquila e ter uma letra franca.

Propagandhi“Failed Imagineer”
Sérgio Costa (Vinyl Style): Depois de 5 anos sem lançar nada, o Propagandhi volta com essa pedrada. Minha música favorita do disco novo (Victory Lap”) que marca a estreia da nova guitarrista da banda Sulynn Hago.

At The Drive-In“Incurably Innocent”
Thiagones (Wiseman): Pegada caótica, guitarras dissonantes e as letras fortes do At the Drive-In, mas somando também a parte melódica (principalmente no refrão) desenvolvida no Mars Volta. Gênios!

Luis Fonsi e Daddy Yankee“Despacito”
Carol Marinho (Trilha Sonora da Carol): Sou obrigada a mencionar “Despacito” por uma série de razões. A música é mais reproduzida em streaming da história, o vídeo tem quase 5 bilhões de visualizações no Youtube e é uma música que escuto em absolutamente todos os lugares a que vou (academia, salão de beleza, restaurante, balada). E ainda tem remix com Justin Bieber!

Lomelda“Thx”
Marcos Xi (Brasileiríssimos): Aquela máxima do ‘pouco é muito’ vale muito neste disco. Dotado de nuances de voz e melodias simples, sem muitos efeitos ou firulas, “Thx” é um chill-indie gostoso e repleto de hits. A promissora banda vai te seduzindo aos poucos com as canções de seu disco de estreia e, automaticamente, você deixa o trabalho repetir por conta do seu gostinho infinito de ‘quero mais’.

Sampha“(No One Knows Me Like) The Piano”
Siso: Sampha cometeu um álbum emocionantíssimo com o “Process”, em que ele lida com perdas e questões de família nas letras. “(No One Knows Me) Like the Piano” é a peça central, em que ele lembra de como o piano na casa da mãe era seu refúgio infantil e de como ele acabou retornando para esse lugar com a doença da mãe, falecida pouco antes do lançamento do disco.

The Killers“Run For Cover”
Crys Gonçalves (Guitar Talks): Depois de um tempo sem lançar algo novo, os Killers apresentaram em 2017 a animada “Run For Cover” e me fez relembrar um pouco os discos mais antigos.

Kendrick Lamar“DNA”
Bruno Carnovale (Black Cold Bottles): Talvez a música mais visceral e mais significativa de “DAMN.”, de abril desse ano. num ano em que a discussão a respeito do racismo esteve tanto em voga como em 2017, essa música se torna ainda mais relevante – não apenas para esse ano, mas também para os próximos.

Khalid“Location”
Alessandra Braz (Favorite): Poderia usar esse espaço para falar do Kendrick Lamar, porque, nossa! Que disco! Mas vou aproveitar para dar uma dica. Uma das coisas que mais gosto na música internacional é como
o R&B vai se renovando e um dos artistas que vem com esse sangue novo e com um discáço é o Khalid. O cara tem apenas 19 anos e já estreou com “American Dream”, álbum cheio de suingue, que inclusive virou aposta da Apple Music e eu só o conheci no programa do Elton “fucking” John! “Location” é uma daquelas canções que são feitas para dançar coladinho, rebolando gostoso, com um vinhozinho, ou seja lá qual for a sua fantasia. Escute!

Twin Peaks“Tossing Tears”
Sand Lêycia (Supervibe): Descobri a banda recentemente (vergonha minha) e me impressionei bastante com a sonoridade e textura dessa música: simples e direta. As vocalizações me agradam muito, junta isso tudo com lindos arranjos de piano e violino, emocionante.

Elder“The Falling Veil”
Raul Zanardo (Dum Brothers): O disco inteiro é foda, mas essa musica saiu primeiro como single ai fiquei ouvindo bastante, tipo varias vezes por dia, até sair o disco, ai ouvia o disco varias vezes por dia.

Nine Inch Nails“Less Than”
Dani Buarque (BBGG): NIN é uma daquelas bandas que não tem nada que já lançou que não me agrade. Toda vez que vejo um lançamento chegando meio que já me preparo pra aceitar caso eu não goste pela primeira vez hahah E esse ano de novo não foi o caso. O EP todo é foda. A faixa que mais curto é “Less Than”. Vida longa ao NIN.

Laura Marling“Nouel”
Camila Mazzini (Garotas no Poder): Voz e melodias encantadoras se unem nessa garota super talentosa e jovem. É muito gostoso de ouvir e de ver.

Arcade Fire“Electric Blue”
Ian Veiga (Der Baum): Pessoalmente esperei muito pelo lançamento do álbum “Everything Now” do Arcade Fire. Depois de toda pirotecnia no lançamento, que teve até sites de notícias fake que a própria banda fez para “vazar” o álbum antes da estreia mundial (risos), no fim pra mim decepcionou, sendo que metade do álbum não me interessou muito. Mas além da faixa que leva o nome do álbum o som “Eletric Blue” que canta sobre a luz que os smartphones emite é incrível. Com uma voz quase angelical e alcance impossível de atingir, a base que me lembrou muito Ton Ton Club a junção das referencias é incrível e apaixonante.

Priests“Lelia 20”
Bruno Trchmnn (Leila): Amo tudo aqui, as guitarras, a voz, as letras (que geralmente eu nem ligo) e é dançante, de um jeito meio B’52’s, sei lá, é agressivo e acolhedor. Queria tocar nessa banda. Ouvi milhares de vezes.

John Maus“The Combine”
André Luiz Souza Silva (Fita): Pra mim a melhor música internacional do ano é “The Combine” do John Maus, porque junto do clipe, a música cria uma atmosfera muito foda. Quando ouvi, queria muito ter sido eu a pessoa que compôs. É um som foda. Épico.

Secret Sisters“Tennessee River Runs Low”
Gabriel Serapicos (Serapicos): Duo vocal feminino bem no estilo country americano. Melodias e harmonias de cortar o coração.

The New Respects“Money”
Tânia Seles (Sopa Alternativa): The New Respects é a nova banda para ficar de olho nos próximos anos. O grupo faz um blues-rock de respeito, a música “Money” fala das armadilhas do dinheiro fácil. E dinheiro é uma coisa que estamos precisando no momento.

Aborted Tortoise“Responsabilities”
Paula Holanda (Crush em Hi-Fi): Eu ouvi muitos lançamentos em 2017 — entre EPs e LPs, posso dizer seguramente que foram mais de 50 — e, sem dúvida alguma, o disco de estreia do Aborted Tortoise, homônimo, foi o melhor deles. “Responsabilities” é seu ápice, por mostrar o melhor dos vários lados da banda
(punk, garage, surf) em uma única faixa. Influenciados pelos célebres Ramones, Black FlagStooges, além de ícones do “lado B” como Sonics, Mummies e Dick Dale (tem como isso dar errado?), os australianos têm também dois EPs em sua discografia.

Ian Sweet“If You’re Crying”
Alinne Anno (Chuchu): Se eu tivesse um disco deles, teria gasto, riscado, com respingo de tinta… Ian Sweet em “If You’re Crying”. Gosto muito do primeiro EP, que leva o mesmo nome da banda, por completo, só que essa música em especial veio com algumas coisas que se desfizeram, por muita teimosia e falta de comunicação, e não no momento que rolaram as tretas, mas quando as coisas fizeram sentido na minha cabeça tempos depois. Fala muito também da minha amizade com o Steve, Moblins, e nossa casa, do meu relacionamento com a família… É uma música sobre relacionamentos próximo, que foi uma das pautas principais desse ano. É esse ano foi treta (risos).

Bjork“The Gate”
Lúcia Vulcano (Pata): Tudo o que a Bjork faz me encanta.

Kasabian“You’re In Love With a Psycho”
Matheus Krempel (The Bombers): O Kasabian com seu disco novo e em especial com essa musica, me ganharam desde os primeiros acordes. Rock com batidas dançantes estreitando os limites entre os gêneros.

Kadavar“Die Baby Die”
Bruno Agnoletti (Dum Brothers): Essa musica eu achei foda desde a primeira vez que ouvir os caras mandam muito.

The Darkness“All the Pretty Girls”
Dan Menezes (Vênus Café): Ano estranho, onde todas as minhas bandas favoritas lançaram álbum, mas todos os álbuns foram uma bosta. O único que se salvou foi o do fabuloso Darkness, com essa canção rápida, divertida e old-fashioned. Ou seja, Darkness.

King Gizzard and the Lizard Wizard“Rattlesnake”
Julito Cavalcante (Bike): É a banda do ano no mundo, lançaram 4 discos, fizeram inúmeras turnês, tem um selo e um festival itinerante na Austrália. É a banda que mais trampa.
Bacalhau (Monstros do Ula Ula): Ouvi esse riff e fiquei hipnotizado.

Salsa Big Band“Nadie Sabe”
Cristiano Vicente (Crasso Records): Do disco que levou o Grammy Latino do ano mas parece que veio de outra época. Nem só de “Despacito” vivem os latinos, mas esse ano, o Salsa Big Band mostrou que o brasileiro “nadie sabe” sobre seus vizinhos…

Liam Gallagher – “For What It’s Worth”
Amauri Eugênio Jr. (Yahoo Brasil): Liam Gallagher dispensa qualquer tipo de apresentação, pompa e circunstância. Assim como nos últimos anos, ele atraiu os holofotes graças às intermináveis brigas e desentendimentos com Noel Gallagher – ele ter colocado um fã para descascar batatas como uma provocação ao irmão, que incluiu sons de tesouras em seu novo trabalho, foi o ápice cômico e galhofeiro dessa história. Mas quando ele decide entrar em estúdio, o resultado é muito bom. O álbum “As You Were” e a faixa “For What It’s Worth”, em particular, são grandes exemplos disso. A música em questão chega a remeter os fãs do Oasis ao auge da banda, mas por causa do DNA de Liam – é algo próximo do que seria o Beady Eye se tivesse melhor sorte. Em defesa do Gallagher caçula, suas intenções musicais foram boas, ao menos. Os fãs reconhecem que a demora e a galhofa valeram a pena no fim das contas.

IAMX “Hysteria”
Bruno Romani (S.E.T.I.): Na minha opinião, Chris Corner, a mente por trás do IAMX, é um dos artistas mais subestimados dos últimos 15 anos. Esse ano, ele resolveu lançar um disco instrumental, no qual valoriza todo o seu trampo com bases eletrônicas. Li por aí que ele criou um disco de techno do inferno. Concordo plenamente. É dark, melancólico, esquisito. E tudo isso é feito sem ele dizer uma única palavra. Gênio. Escolhi esse som para representar o disco, mas poderia ser qualquer uma das 13 faixas.

Courtney Barnett & Kurt Vile – “Over Everything”
Paloma Vasconcellos (LuvBugs): Escolhi a da Courtney & Kurt Vile porque além de já ser fã da carreira dos dois, nesse trabalho juntos, eles conseguiram alcançar um patamar lindo de sutileza e timbres tão perfeitos que ao ouvir a gente reconhece bem a individualidade de cada um ainda mantida.

Hanson“I Was Born”
Ingrid Natalie (Female Rock Squad): Meu lado noventista e saudosista indica a banda Hanson como um dos destaques de 2017. Os irmãos Isaac, Taylor e Zac lançaram no início do ano o single “I Was Born” que encanta com a sua letra positiva e melodia agitada. O vídeo da música já conta com mais de 1 milhão de visualizações no Youtube.

Chicano Batman“Freedom Is Free”
Lara Aufranc: Eu ouvi esse disco compulsivamente esse ano. Essa é a música título. Gosto muito das texturas no som dessa banda. É despretensioso, criativo, vale a pena conhecer.

Partner“Comfort Zone”
Dija Dijones (Penhasco, Chabad, Loyal Gun, O Apátrida): Escolher essa foi bastante difícil, há muitas opções, mas vou ficar com este duo canadense por vários motivos: porque eu sou muito fã de bom pop com guitarras e isto não é lá algo fácil de se fazer; e porque não dá para resistir a uma banda que se descreve como parte banda, parte diário adolescente e 100% queer. Juntar estes elementos e fazer um tremendo disco de estreia não é para quaisquer umas ou uns. Para mim, estas garotas foram das melhores novidades que ouvi da gringa neste ano.

Robert Plant“The May Queen”
Victor José (Antiprisma/Crush em Hi-Fi): Gostaria de ter selecionado alguma banda nova, mas neste caso Plant prova mais uma vez que é um cara foda sem ajuda da gigantesca sombra do Led, e isso nem Page conseguiu. “The May Queen”, faixa que abre o ótimo “Carry Fire”, é um folk totalmente renovado, moderno, com peso e um monte de texturas interessantes. Vale a pena.

Wolf Alice“Don’t Delete The Kisses”
Helder Sampedro (RockALT/Crush em Hi-Fi): Eis uma música que ficou na minha cabeça por muito tempo, o vocal da Ellie Rowsell é angelical nesse som e dá um clima surreal a essa faixa. Esse porém é mais um som que engana, o álbum tem músicas carregadas de peso e energia que deixam qualquer roqueirão no chinelo. Uma das bandas que mais se destacou pra mim no cenário internacional.

Paramore“Rose Colored Boy”
Micaela Alvariza (Micadélica): Além de ser parte de um álbum que considero muito bacana e uma grande surpresa do Paramore, consegue ser um popzinho um pouquinho mais profundo e complicadinho em sua melodia ainda chiclete, que tô ató sentindo um pouco de saudades depois de passar anos escutando coisas mais simples e chicletes. Também porque curto muito a estética dos anos 80, então meio que sou o público target (risos).

Kendrick Lamar“HUMBLE”
Bruna Manfre (Shelter): Não se deixe enganar pelo título, que de “humble” essa música do Kendrick Lamar não tem nada. Ela é o centro de um álbum todo muito bem construído (e com uma veia pop maior, se comparado com os demais de sua discografia) e fez o rapper disparar para o topo das paradas por um bom tempo. Mas talvez o que tenha me pego mesmo é a linha de piano.

King Gizzard and the Lizard Wizard“Flying Microtonal Banana”
Pedro Pastoriz: Dessa banda de nome difícil que eu tive que recorrer ao site wikipedia para escrever (King Gizzard and the Lizard Wizard), também é imprevisível e interessante. Os caras mudaram as afinações das guitarras, foram a algum luthier em alguma quebrada de Melbourne pra recolocar os trastes no lugar e as músicas tem essas escalas microtonais. Até a metade do disco parece tudo desafinado na real, mas é autêntico. Você ouve duas vezes o disco e quando vai ouvir outra coisa parece que tudo fica meio afinadinho demais, meio natalino. “Nuclear Fusion” é uma baita faixa. Essa banda deve ser um exemplo para novas bandas que pensam muito para acertar na escolha do nome, esqueçam! Se for bom as pessoas acham.

Mac DeMarco“Still Beating”
Pedro Vivas (Crush em Hi-Fi): Um álbum em que Mac dialoga mais com a esfera familiar, com os conflitos vividos com o pai e com os tradicionais sintetizadores e instrumentalidade que produzem um som espetacular. “Still Beating”, em especial, é uma das minhas favoritas do disco. Uma das melhores músicas de 2017 na gringa, que gruda na mente, e que se destacou na minha memória entre tantas outras que poderiam merecer menção.

Benjamim Clementine“God Save The Jungle”
Yannick aka Afrosamurai: Benjamim Clementine é um artista único, honesto e extremamente sentimental, ouço todos os dias, queria ser ele por um dia (risos)”

Gov’t Mule“Stone Cold Rage”
Lennon Fernandes: Sem segredo. Timbres clássicos em 2017. Uma aula de seis minutos. Guitarra, baixo, bateria e hammond em perfeita sintonia.

Manchester Orchestra “The Gold”
Otavio Cardoso (Carinae): É uma banda que a gente acompanha há algum tempo. Essa música tem um andamento diferente do comum 4/4. O que mais chamou a atenção foi a presença dos acordes vocais, que fizeram essa música se destacar e se tornar um dos lançamentos mais legais desse ano, dentro dessa proposta de som.

Bjork“Utopia”
Ana Maria Nakaza (Azoofa): Antes, uma confissão: em 2017 a quantidade de música nacional ouvida por aqui foi exponencialmente maior do que a de lançamentos internacionais. Escolhemos a Letrux em 2 minutos e levamos 2 semanas para escolher uma internacional, e finalmente a escolha foi para uma outra mulher, a Björk com a música “Utopia’, tema do seu último álbum de mesmo nome.

Grizzly Bear“Neighbors”
Enzo Marco Di Berardo (Crush em Hi-Fi): Definitivamente 2017 foi o ano do Grizzly Bear com o lançamento de seu aclamado disco “Painted Ruins”. O nível de popularidade dos norte-americanos certamente ultrapassou as
expectativas da banda quando eles se depararam, em agosto, com um enorme outdoor no prédio do Spotify, na cidade de Toronto, divulgando seu novo trabalho de estúdio. Segundo uma publicação do quarteto em seu perfil no Instagram “Nós nunca estivemos em um outdoor”. Não à toa, as paisagens sonoras contidas em “Neighbors” – single do disco que ganhou um belo videoclipe — , sintetiza a evolução sonora do grupo em relação ao álbum antecessor, “Shields” (2012). “Neighbors” é densa e composta por um começo orquestrado seguido de uma camada de vozes em coro. O que traz uma atmosfera celeste à música. A bateria fragmentada aliada a guitarra de Daniel Rossen — que possui um timbre acústico característico — , serve de cama para as viagens psicodélicas dos sintetizadores. Os backing vocais do refrão passeiam pela música de forma intrínseca. Texturas únicas e mudanças de tempo fazem parte da canção que vai do pop ao folk. Lembre-se, quando estiver disposto a conhecer o som do Grizzly Bear, a audição de “Neighbors” é obrigatória.

John Carpenter“The Thing”
Bárbara Ribeiro (Crush em Hi-Fi): O trabalho de John Carpenter em trilhas sonoras aos longos dos anos é abismal e este ano saiu a bela coletânea
“John Carpenter – Anthology: Movie Themes 1974 – 1998”
. Sua turnê deveria vir ao Brasil.

Queens of Stone Age“Villains of Circumstance”
Rodrigo Reis (Crush em Hi-Fi): Música que fecha um álbum bom, de uma banda boa, capitaneada por, ao que tudo indica um idiota, que curiosamente se diz “vilão das circunstâncias”. Talvez a música que mais represente esse ano de 2017.

Arcade Fire“Everything Now”
Cainan Willy (Pacóvios): Eles ficaram um tempão sem novidades, dai lançaram um disco novo que destoa totalmente da discografia. Valorizo essa coragem em inovar, é um registro bem dançante e funciona maravilhosamente bem ao vivo.

Descendents“Who We Are”
Fernando Sanches (CPM22/O Inimigo): Além de eles serem a minha banda favorita da vida, quando vieram aqui no ano passado conversamos muito sobre política e alguns meses depois veio essa música. Acho que de alguma forma contar o que nós sentimos sobre toda a onda Trump inspirou eles.

Circus Devils“Do The Nixon”
Alê Lima (Aletrix): Excelente primeiro single do álbum de despedida do Circus Devils, seu 14. Impressionavam a cada lançamento pelas composições e também pelo sempre notável aprimoramento na produção. É uma pena o fim da banda, o Circus Devils era uma união de mentes brilhantes. A voz, a letra e a forma como as guitarras se comunicam são meus destaques preferidos em “Do the Nixon”.

Jonwayne“Afraid of Us” (feat. Zeroh)
Flavio Juliano (FingerFingerrr): 2017 passou tão rápido e foi tão intenso que tive que lembrar o que saiu e o que ouvi. Foi mais rápido que 2016, acho que pra muita gente! Vou colocar uma descoberta recente que não paro de ouvir. Essa música do Jonwayne não é revolucionária, mas é feel-good e me ajuda a refletir sobre umas coisas na minha vida. Nesses momentos intensos no mundo, curto ouvir coisas que me jogam de volta para mim mesmo. A simplicidade do beat e a letra biográfica é perfeito pra isso.

Skating Polly feat. Louise Post and Nina Gordon “Louder In Outer Space”
João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi): Uma das bandas mais legais que eu descobri graças ao blog e que não cansa de surpreender. As irmãs do Skating Polly agora contam com o irmão na bateria e fizeram esse belo EP em parceria com Louise Post e Nina Gordon (do Veruca Salt). Essa é a primeira música do álbum e já começa maravilhosamente bem. Ano que vem tem disco novo!

O som caleidoscópico do Jefferson Airplane

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Um dos motivos pelo qual estou falando sobre o Jefferson Airplane é porque aqui no Brasil parece que a banda ainda não foi completamente assimilada. É um caso muito parecido com o de outros grupos como Allman Brothers Band ou Roxy Music, que pra música pop mundial são tão influentes como aqui é pra nós os Novos Baianos ou Titãs.

Formado em 1965, em São Francisco, o grupo liderado por Marty Balin (vocais) e Paul Kantner (guitarra e vocais) foi um dos precursores do que mais tarde viria a ser chamado de rock psicodélico. Na época do “Verão do Amor”, em 1967, a banda esteve no auge e conseguiu emplacar no rádio sucessos como “Somebody to Love” e “White Rabbit”, clássicos que hoje são praticamente as únicas músicas lembradas pelo público em geral.

O Airplane sempre foi inventivo, tanto em estúdio quanto ao vivo. Jorma Kaukonen (guitarra), Jack Cassady (baixo) e Spencer Dryden (bateria) tinham inclinação para improvisos e enriqueciam o som do grupo com influências do jazz e do blues enquanto Balin e Grace Slick entrelaçavam suas vozes com a guitarra Rickenbaker de 12 cordas de Kantner. Era como se estivessem reinventando harmonias incessantemente. Considerando a influência do LSD no período, essa estranha junção soava como um casamento entre The Byrds com Cream e mais alguma coisa levemente caótica.

O grupo durou até 1974. Por conta da relativa vida curta, pode-se dizer que muitos músicos passaram pelo Jefferson Airplane, e com essa constante entrada e saída de integrantes, gradativamente, o grupo se transformou no Jefferson Starship, o qual não vale muito a pena perder tempo, com exceção de alguns poucos momentos de inspiração.

A fase áurea da banda vai de 1966 a 1969.

“Jefferson Airplane Takes Off” (1966)

O debut da banda ainda não contava com Grace Slick nos vocais e Spencer Dryden na bateria. Signe Anderson e Skip Spence (mais tarde fundador do Moby Grape) eram os donos das posições, respectivamente. Quanto à sonoridade do disco, é notável a predominância do folk rock nas canções, o que acabou resultando num ponto positivo. “Takes Off” é agradável do início ao fim e, como em grande parte das estreias musicais, é um pouco contido se comparado aos demais trabalhos. A ótima “Let Me In” mostra exatamente pra qual direção o rock‘n’roll americano estava apontando naquela época de transição, enquanto “It’s No Secret” revela a competência de Marty Balin como vocalista e fazedor de melodias pegajosas. Destaque também para a elegante “Come Up the Years”.

“Surrealistic Pillow” (1967)

Muitos são os motivos pra este trabalho ser considerado o ponto alto do Jefferson Airplane. A cena de São Francisco estava ainda mais efervescente, as composições eram mais coesas, o então novo baterista Spencer Dryden era mais adequado à sonoridade dos demais músicos e a entrada de Grace Slick de fato transformou o grupo em algo maior. O disco é excelente de ponta a ponta e não é exagero afirmar que o resultado final é um dos melhores da história do rock. Basta escutar o início de “She Has Funny Cars” e se entregar ao repertório, que vai da sutileza acústica de “How Do You Feel” e “Comin’ Back To Me”, às mais roqueiras “1/3 of a Mile in 10 Seconds” e o hit “Somebody to Love”, que chegou a entrar no Top 10 das rádios. Tem a também clássica “Plastic Fantastic Lover”, com participação de Jerry Garcia, do The Grateful Dead, no violão, e a obra-prima “White Rabbit”, onde a banda – sobretudo Grace – alcança um resultado ímpar que sobreviveu ao tempo. “Surrealistic Pillow” foi um grande sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias na época do lançamento e transformando o Jefferson Airplane numa sensação nos EUA. Referência de um dos períodos mais prolíferos da música Pop. Perfeito.

“After Bathing at Baxter’s” (1967)

Quando se fala de alternative rock é fácil vir em mente grupos como Sonic Youth. Por que não Jefferson Airplane? Contradizendo ao título do álbum anterior, “After Bathing at Baxter’s” é mais surrealista e pode ser tido como exemplo de como um produto de sucesso pode se transformar em algo mais difícil de digerir, no bom sentido. Tirando “Martha”, que de certa forma repete a fórmula dos dois primeiros, este LP é muito mais agressivo que os anteriores e é mais próximo de como soavam nos palcos, talvez por isso seja o favorito de muita gente. E desta vez está escancarada nas músicas a influência do LSD sobre a banda, basta ouvir “Two Heads” ou a muito bem construída “Won’t You Try/Saturday Afternoon”, que divide com “The Ballad of You & Me & Pooneil” o posto de melhor canção do álbum. Vale lembrar também de “Young Girl Sunday Blues”, que é um rock irresistível. Outro ponto a favor é o baixo de Jack Cassady, que se destaca ao longo das canções e culmina na “Watch Her Ride”, um dos singles escolhidos pra promover o disco. Tem umas doideiras que muita gente desacostumada com sons psicodélicos julgará pura bobagem, como a colagem de bizarrices em “A Small Package of Value Will Come to You, Shortly” e o improviso “Spare Chaynge”, mas em “Baxter’s” o Airplane definitivamente está mais solto.

“Crown of Creation” (1968)

A faixa-título é um bom pretexto pra apresentar a banda a alguém que nunca escutou nada deles. “The House at Pooneil Corners” tem uma atmosfera furiosa e densa, enquanto por outro lado há algumas canções com a roupagem mais enxuta, o que dá pra notar em “Lather” – com direito a solo de nariz – e na ótima balada “Triad”, composta por David Crosby. “Greasy Heart” é uma daquelas que agradam logo na primeira audição, sem muitas firulas. Há também um pouco da estranheza, como em “Would You Like a Snack” e “The Saga of Sydney Spacepig”. “Crown of Creation” segue a linha de “Baxter’s”, apesar de parecer um pouco menos caleidoscópico.

“Volunteers” (1969)

A essa altura o Airplane havia alcançado o topo da maturidade, e ao mesmo tempo iniciara o processo de auto-destruição. Jorma Kaukonen e Jack Cassady já tinham começado a tocar paralelamente com o Hot Tuna, Marty Balin há tempos não contribuía tanto nas composições e Spencer Dryden já estava de saída pra dar lugar a Joey Covington. Apesar do clima tempestuoso, a banda lançou um dos seus trabalhos mais aclamados pela crítica e público. Dá vontade de escutá-lo novamente assim que termina. “We Can Be Together” é um hino pacifista que para alguns pode parecer meio datado, mas a melodia arrebatadora fala mais alto. “Wooden Ships” é especial por ser de longe o momento mais emotivo da carreira do Jefferson Airplane. Outras faixas, como “Eskimo Blue Day” e “The Farm” mantém o ouvinte satisfeito, mas o ponto alto é a faixa-título. Escrita por Balin, “Volunteers” é dois minutos de um rock direto e que curiosamente tem como base praticamente o mesmo riff de “We Can Be Together”, uma espécie de auto-homenagem. A banda soa mais habilidosa do que em qualquer outro disco anterior a esse, e a guitarra de Jorma Kaukonen tem presença decisiva em praticamente todas as faixas.

Após esses LPs, o Airplane começaria a se desmantelar, a começar pela saída de Marty Balin, um dos fundadores. Lançariam “Bark” (1971) e “Long John Silver” (1972), que também são bacanas, mas aí a banda já não era mais a mesma. No início de 1974 foi anunciado oficialmente o fim. Em 1989 houve uma reunião do grupo com a formação clássica e o lançamento de um álbum homônimo, o qual jamais deveria ter sido lançado.

Além dos trabalhos de estúdio, a banda tem bons discos ao vivo lançados oficialmente: “Bless It’s Pointed Little Head” (1969), “Thirty Seconds Over Winterland” (1973), “2400 Fulton Street” (1987) e “Live at The Fillmore East” (1998).

Pra conhecer melhor a banda, vale a pena o DVD “Fly Jefferson Airplane”, com entrevistas, apresentações de TV e clipes, além da leitura da biografia escrita por Jeff Tamarkin chamada “Got a Revolution! – The Turbulent Flight of Jefferson Airplane”.

Construindo Juvenil Silva: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o cantor e compositor pernambucano Juvenil Silva, que indica suas 20 canções indispensáveis. “Minha lista fala de primeiros impactos e encontros com obras e artistas que viriam muito, de modo geral, me influenciar na música. Fazer essa listinha foi revirar um baú de memórias saborosas que há tempos não mexia. Foi um prazer. Algumas coisas ficaram de fora mas é a vida… Ninguém vai morrer”. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Bob Dylan “Mr Tambourine Man”
Era um atípico dia cinza e de chuva em Recife, a capital tropical do país. Eu havia trazido pra casa uma fita k7 com uma coletânea de Dylan. Seria nosso primeiro encontro. Quando “Mr Tambourine Man” ecoou, algo além daquela voz de areia e mel me transpassou o corpo. Eu sabia que eu nunca mais seria o mesmo depois daquilo. Prossegui meu caminho deglutindo tudo que me era possível encontrar da obra dele. Nunca me senti tão bem alimentado, preenchido.

The Who“My Generation”
Quando conheci The Who, através dessa bomba, fudeu, eu queria ser mod! (Risos) Mesmo morando em Hellcife, que é a porra de um lugar super quente. Eu catava terninhos coloridos em brechós e outros acessórios que me remetia aquela vibe. Logo além da grande influência sonora, se falando principalmente pelo modo de tocar e compor de Pete Townshend, abria-se pra mim todo um novo e maravilhoso universo estético que abracei por uma determinada época.

Ave Sangria“Dois Navegantes”
Meus amigos haviam alugado um CD que era um CD gravado de um vinil, tinha um som todo meio agudo e havia chiado de vinil. Quando o play foi dado e a introdução de Dois Navegantes, faixa abre alas do único disco da banda mais fantástica de minha terrinha, aquele som divino me embebedou, me enfumeceu embelezando minhas asas com novas e coloridas penugens. Ave Sangria.

Mutantes“Don Quixote”
Um vinil, na contra capa, seres do outro mundo… Era o segundo dos Mutantes, o que na frente Rita tá de noiva. Por intermédio dele me entrou Arnaldo Baptista, todo aquele universo de arranjos genias de orquestras, as guitarras lindas e inimagináveis de Serginho, Rita Lee e suas potências criativas. Toda aquela orgia sonora embaralhava de forma maravilhosa minha cabeça. “Palmas para Don Quixote que ele merece”.

The Beatles“I’m Only Sleeping”
Conhecia a fase “iê iê iê” dos Beatles, quando o “Revolver” entrou na jogada, me expandiu para um outro universo Beatle. “I’m Only Sleeping” vinha com aquela preguiça e falsa despretensão de ser uma das minhas canções preferidas deles. Fiquei fissurado na brincadeira de guitarras reversas e nessas harmonias derretidas. Amo a melodia vocal!

Love“Alone Again Or”
Num certo e idiota momento em que eu achava que nada mais me surpreenderia tanto… Em que eu já achava que conhecia todos meus deuses… Me aparece Arthur Lee. “ Alone Again Or” abre a porta pra “Mudanças Eternas”.

Sá, Rodrix e Guarabyra“Desenhos no Jornal”
Lembro como hoje, era noite, havia saído de um ensaio num estúdio do centro. Um amigo estava com uns vinis na mão, entre eles o “Terra” de Sá, Rodrix e Guarabyra. Nunca vou entender o porque, até porque ele gostava de som bom. Talvez ele quiser legal comigo ou estivesse afim de comer um cachorro quente, ou estava sem passagem pra voltar pra casa. Bem, não sei. Mas ele me vendeu o vinil por três reais. E foi assim que eu adentrei no mundo maravilhoso do que chamam “Rock Rural”. Essa música me deita num cama bem fofinha e decola pra mim pelo cosmo entre sensações orgasmáticas e delírios de amores.

Serge Gainsbourg “Intoxicated Man”
Sem perceber a gente vai se apegando ao habitual, o que nos vem. Em relação a música, a gente fica meio que nessa, musica em português, musica em inglês… Serge chegou trazendo outro idioma, sonoridade, dimensão… “Intoxicated Man“ me chapa, me dilui e me funde a cores mais opacas com duras e finas texturas. Abordagens peculiares em outras estéticas sonoras e melódicas.

T.Rex“Jeepster”
Com essa Marc Bolan me seduziu, me excitou e me desflorou pro seu universo glam e peculiar. Gosto como soa e é usada a voz, como funciona a fusão percussão + guitarras, a produção e tudo que envolve essa e outras tantas do T.Rex, que definitivamente é uma de minhas maiores influências.

David Bowie “Life On Mars”
Lembro de ter em meu walkman uma fita abafada do “Hunky Dory” quando saí pleno livre das garras do quartel. Fui dispensado. Saí, era cedo dia, desci numa praça antes da minha parada habitual. Quando terminava essa música eu rebobinava e ouvia de novo, olhando sempre por nada específico que era o tudo de bonito que aquela manhã me proporcionava. “Life on Mars” é uma composição incrível, amo a forma como cresce, explode, surpreende mirando e acertando em cheio num infinito de beleza me fazendo bem. Eu me lasco todo de emoção!

Gilberto Gil – “Cérebro Eletrônico”
Gil arregaçando o irreal entre o balanço na viola, aqueles órgãos pastosos e alucinantes, guitarras futuristas, letras que me levavam além e no geral ter a convicção que ouvir Gilberto Gil era ter uma aula intensa de composição. Esse disco de 69, e o de 68 me fez conhecer uma outra faceta do Baiano e da música brasileira em si. Foi a tal da Tropicália e suas bananas ao vento que me sopraram por novos caminhos também.

Sérgio Sampaio“Eu Sou Aquele Que Disse”
Sampaio entrou na minha vida pra ficar e me arrastar pra universos ainda mais belos e sombrios em termos de poesia e canção. “Eu Sou Aquele Que Disse” está no primeiro álbum que tive contato, o primeiro de sua carreira, produzido por ninguém menos que Raul Seixas. Assim como essa, enumeras outras composições de Sérgio me fazem a cabeça e o coração.

Itamar Assumpção “Presadíssimos Ouvintes”
A dimensão de um groove totalmente novo e único pra mim. Entre a voz, baixo, batidas, escalas nas guitarras… Aquela narrativa peculiar contida na letra e acompanhada por arranjos incríveis e super complexos mesmo dendro, passeando numa harmonia simples. Piro em Itamar e em toda uma turma da chamada Lira Paulistana.

Reginaldo Rossi“Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”
A real é a seguinte, tem coisa que se entranha em sua essência quando você é criança e em relação a música, o brega era algo que meu pai ouvia muito nos fim de semanas em casa. Seja tomando umas ou se arrumando pra sair para dançar nas gafieiras.“Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme” é só uma entre um enxurrada de hits de Rossi que habitam em mim desde sempre, que por muito ficou guardado mas que depois voltou a tona.

Chet Baker“But Not For Me”
Uma pluma que me envolve em ligeiros e sutis encantamentos. Baker é meu prefiro no universo do jazz. Amo como ele usa a voz e o trompete, amo “But Not For Me” e outras tantas desse esplendor.

MC5“Kick Out The Jams”
Dos tempos de furia e algazarra juvenis. Eu alucino na energia e na violência proferida em cada fragmento de kick out the jams.

Belchior“Coração Selvagem”
Meu beeem… Essa sim eu posso dizer sem titubear que é a minha canção preferida desse filosofo foda que é Belchior. Cruel e amável, primitivo e a frente do tempo ao mesmo tempo. A letra dessa música é um manifesto da paixão pela simples alegria de ser.

Nick Drake“Pink Moon”
Eu já conheço Drake há um certo tempo, mas do ano passado pra cá se intensificou meu amor pela obra dele. Lembro de dias em que todas as noites antes de dormir eu o colocava pra tocar, embalar minha mente me lubrificando para sonhos doces e fantásticos. Essa canção e de um beleza harmônica e estética sonora muito peculiar do universo dele.

Sly and the Family Stone“I Want To Take You Higher”
Foi através dessa pedrada que embarquei no mundo de Sly e outras tantas pérolas do soul, como as do Stevie Wonder e no Brasil, Tim Maia, Toni Tornado… Sou apaixonado por soul music e essa música em especifico me deu o estalo pra compor uma canção que se tornou uma espécie de hino no underground que se chama “Eu Vou Tirar Você Da Cara”, que é foi até regravada e adentrou na trilha sonora do filme “Tatuagem”. Sly é um Deus demônio genial!

Raul Seixas“A Maçã”
Por último, mas poderia está em primeiro, Raul Seixas. Algo que levo carimbado em meu dna sonoro. É incrível que até hoje em dia (que escuto bem menos Raul, por ser algo que ouvia muito na adolescência) quando mostro canções minhas pra algumas pessoas, elas percebam Raul ali no meio… “A Maçã” é um hino do amor livre de padrões. Amo essa letra, harmonia, arranjo e a impecável interpretação do Raul.

Kera and the Lesbians tenta ver o mundo com otimismo no single “Bright Future Ahead”

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Quando Kera Armendariz ganhou seu primeiro violão e começou a arranhar o instrumento no seu quarto, com 13 anos de idade, o embrião da banda californiana Kera and the Lesbians já estava formado. Em sua adolescência em San Diego, procurava criar uma banda punk só de mulheres, mas quem cruzou seu caminho foi Phil MacNitt, que começou imediatamente a trabalhar em músicas junto com ela. Logo apareceu Michael Delaney, um baterista que além de destruir na percussão ainda ajudou a criar os clipes e o logo da banda. E assim, estava formada a banda, que a líder descreve como “bipolar folk”.

 

O trio já lançou um EP em 2014, “Year Past 23”e um disco, auto-intitulado, em 2016. Agora, a banda prepara um curta-metragem, “Fall. Apart” para o começo do ano que vem, com três novas músicas. A LA Weekly chegou a falar que a banda era uma das principais da cena de Los Angeles para ficar de olho em 2015, o que catapultou Kera para shows dividindo o palco com Heathers, Girlpool e Devendra Banhart, que ela diz ser seu “guru”. Conversei com ela sobre a carreira da banda, o novo single “Bright Future Ahead” e os planos para o futuro:

 

 

– Como você começou sua carreira?
Eu acho que poderia dizer que começou no dia em que meus pais me compraram meu primeiro violão de Natal, daí eu tive meu começo precoce em vários projetos. Na verdade não existe dinheiro na música, então eu acho que você poderia dizer que este é meu projeto de paixão por enquanto. No entanto, estou esperando fazer mais turnês sob meu nome em um futuro próximo!

– Quais são suas principais influências musicais?
Isso varia e é muito difícil para mim escolher em um gênero. O que encontrei com artistas que admiro não é necessariamente a música, mas mais do que eles representam e como eles optam por expressá-la.

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?
No passado descrevi minha música como bi-polar folk, mas sinto que meu som ainda está evoluindo. É tudo subjetivo, então deixarei o indivíduo decidir.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até agora.
Eu lancei muito poucas coisas, mas tudo o que lancei me deixam muito orgulhosa. Eu nunca quero me sentir obrigada a escrever uma música. Até agora, eu lancei o EP “Year Past 23”, um disco completo e no início do próximo ano vou lançar meu primeiro curta, intitulado “Fall. Apart”, com três músicas novas!

– Você acabou de lançar “Bright Future Ahead”. O que você pode nos contar sobre essa música?
Eu escrevi essa música em um momento em que me senti mais vulnerável e sem esperança. Eu posso ser muito difícil para mim mesma, e de certa forma me lembrou de ter mais auto-compaixão para mim e para os outros. Eu escrevi isso como uma lembrança do empoderamento, especialmente nestes tempos sombrios.

– Você vê um futuro brilhante à nossa frente?
É tudo uma escolha de acreditar ou não na esperança ou sucumbir a ela. Eu escolho acreditar na esperança e no futuro brilhante.

– O mundo está mostrando aos poucos sua pior face e vemos muito preconceito se espalhando hoje em dia. Como você luta contra isso?
Esses preconceitos sempre existiram, e a retórica do racismo neste país, especialmente, nunca foi abordada diretamente. Eu tive que me perguntar em qual moral escolho viver, e como eu acho que os outros devem ser tratados. Eu não sou perfeita. É tudo um processo, mas eu escolho lutar contra isso tudo tentando o meu melhor para viver apaixonada.

– O que você acha sobre a indústria musical hoje em dia?
Uma piada.

– Quais são os seus próximos passos?
Eu adoro tocar com os outros, então vou fazer mais disso, e também lançar alguns singles novos.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Miya Folick, Molly Burch, Szalt (Companhia de Dança) e Jackie Shane.

Desperte a lua em você com Linda Perhacs, “Moons and Cattails” (1970)

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Linda Perhacs
Linda Perhacs

A canção cantarolada de hoje, “Moons and Cattails”, está em um dos discos mais femininos que já ouvi, o Parallelograms” (1970), de Linda Perhacs. É o primeiro disco dela, que, assim como a Vashti Bunyan, só lançaria seu próximo álbum mais de 40 anos depois, em 2014.

Uma das coisas que mais gosto desse disco é que a energia feminina nas músicas é escancarada e colocada como protagonista. Mas antes de falar da música em si, só vou esclarecer rápida e superficialmente o que será considerado aqui neste texto como “energia feminina” ou “energia masculina”.

Lembremos que todos nós – assim como todas as coisas na Natureza – carregamos tanto energias masculinas quanto femininas. Algumas características de cada energia podem aparecer mais ou aparecer menos em cada indivíduo, o que não tem nada a ver com gênero ou sexualidade. Nossos aspectos masculinos, associados ao arquétipo do Sol, ou energia yang, seriam no sentido da iniciativa, ação, objetividade, proteção, poder, inteligência intelectual. Em desequilíbrio, podem levar à agressividade, opressão, violência, frieza, rigidez, etc. Já nossos aspectos femininos, representados pela Lua, ou energia yin, têm a ver com a nutrição, beleza, receptividade, sedução, acolhimento, sensibilidade, conexão com a Natureza. O desequilíbrio da energia feminina pode nos levar à fúria absoluta e irracional, assim como a uma excessiva passividade.

Logo de cara, dá para perceber que o nosso modo de vida, baseado no patriarcado, faz com que essas energias sejam desequilibradas em cada um de nós, de modo que temos essas energias polarizadas e em conflito. No caso, vivemos em uma lógica que tem em vista e prestigia muito mais aspectos masculinos do que femininos, resultando nos problemas todos que conhecemos muito bem, desde a opressão do machismo, até a nossa desconexão com a natureza.

Mas o que isso tem a ver com a canção “Moons and Cattails”, da Linda Perhacs? Primeiro, porque sua voz é completamente feminina, sem medo de parecer frágil e sem grandes arrobos técnicos, e ainda assim é forte e acolhedora. Mas, principalmente, esta canção remete tipicamente ao universo da “bruxaria”, ou de rituais ancestrais pagãos. A ideia da “bruxa” – historicamente atribuída como algo pejorativo, reforçando o desequilíbrio que falei acima – é tipicamente feminina, e vive em total congruência com a natureza, observando seus fenômenos e os aplicando na vida. Não à toa, as canções desse disco foram escritas por ela após um período de imersão no mato.

Nessa canção, talvez nem intencionalmente, ela lembra do aspecto cíclico da luz e da sombra, o Sol e a Lua, pela pedra basalto. Basalto é uma pedra vulcânica negra, formada a partir do magma, ou seja, do fogo.

Come along Back to dark nights… To the heavy sleep of fire To the naked blackness Of basalt [“Venha de volta às noites escuras, para o sono profundo do fogo, para a escuridão pura do basalto”]

 

Essa canção representa muito bem o que seria um som intimamente feminino. Nesse sentido, a pioneira foi Joni Mitchell, que abriu o campo para as outras cantoras/compositoras da época, fora do estilo country e soul, segundo afirma a própria Linda. Para competir com Joni Mitchell, a Warner Bros. assinou com Linda Perhacs, porém esta não alcançou o sucesso comercial esperado.

Por aqui, 40 anos depois, no cenário da música independente, muitas artistas estão surgindo com uma proposta voltada para um sentido parecido com esse: o do autoconhecimento atrelado à busca da valorização do feminino, a conexão com a natureza e os aspectos místicos e lunares da vida. É o caso de artistas como a Ava Rocha, a Papisa e o disco da Cinnamon Tapes.

Daniel Johnston e a sublime arte de domar demônios

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Conheci Daniel Johnston não exatamente ouvindo ele. “Speeding Motorcycle”, uma das faixas mais bonitas do álbum de covers do Yo La Tengo (“Fakebook”, 1990), é delicada e fofa como tudo que Ira Kaplan e companhia costumam criar. Mas aquela canção com acordes simples dedilhados tinha uma coisa a mais. Um je ne sais quoi. Era inocente. Não tinha a pretensão de fazer uma metáfora rebuscada sobre a vida ou sobre o amor. Era um cara cantando sobre sua lambreta veloz. Esse cara e esse charme ingênuo (pelo menos aparente), era Daniel.

“Speeding Motorcycle” foi o mais próximo que Daniel Johnston chegou de um hit. Em julho deste ano, o músico anunciou sua última turnê – que termina em novembro –, mas deixou bem claro que vai continuar escrevendo. Sua esperança é de que ainda saia “o grande sucesso”, confessou em entrevista recente ao New York Times. Mas quem conhece a história dele sabe que seu impulso criativo incessante tem outras razões.

No documentário The Devil and Daniel Johnston”, de 2006, conhecemos um artista divido entre extremos: de um lado uma pureza quase infantil, de outro uma confusão típica de quem não se sente adequado. Para Daniel, se encaixar no tal ‘mundo adulto’ sempre foi um desafio muito maior do que esse de fazer música. A arte, na verdade, foi a forma que encontrou para passar por tudo isso. O documentário deixa isso claro; não se trata de um relato sobre um músico dando duro para se lançar, mas sobre enfrentar seus próprios demônios. No caso de Daniel, um diagnóstico de transtorno bipolar e esquizofrenia.

Suas músicas sempre refletiram muito isso. As letras de Johnston são cartas abertas. Recortes curtos, diretos e de uma honestidade crua e certeira. Há quem o chame de gênio – pessoalmente, acho que não combina com a despretensão de sua essência artística. Há quem considere suas composições ‘rasas’ demais –  eu acho ótimo, para variar, ouvir um músico despido de ‘bandeiras’ e de peito escancarado.

No documentário, somos apresentados a algumas das inspirações de Daniel. A motocicleta foi uma delas. Sem avisar a família, Johnston partiu para um rolê pelo país e se juntou a uma companhia de circo. Em flashes de filmes originais gravados com sua super 8, conhecemos o grande amor da vida do cantor, quem o inspirou a compor. Foi para Laurie Allen um tímido, corajoso e apaixonado “Hi, How Are You?” que marcou sua história como músico.

Seu amor  não correspondido nunca foi encarado com amargura. Daniel não escolheu o caminho mais fácil, o da sofrência. Mesmo de coração partido, se preocupou em aquietar os corações melindrosos de um bando de adultos desiludidos, com uma promessa em forma de canção. “True Love Will Find You In The End” é a cantiga de ninar de uma geração teimosa que ainda acredita no amor em tempos de Tinder.

A música, como todas dele, tem acordes simples, mas inconfundíveis. Você percebe pelas batidas urgentes e às vezes dessincronizadas sua inquietação. No palco, sem o violão, suas mãos dançam dentro do bolso. Cantar ao vivo, aliás, é sempre um grande passo para Daniel. Curvado e acanhado, sua presença diante do público está longe de ser de rock star. Mas nem por isso encanta menos. A apresentação que fez em São Paulo em 2013 recebeu uma porrada de críticas positivas. Sua turnê atual, segundo o The Guardian, “decolou depois de um começo atrapalhado”.

Herói lo-fi de músicos como Jeff Tweedy, Beck e Kurt Cobain, Daniel Johnston tem inspirado como pode. Alguns com a sinceridade de seu trabalho, outros com a simplicidade com que cria, e muitos (como eu), com tudo isso mais a forma como lida com seus monstros. Quisera eu transformar os meus em música. Por enquanto, conto com a poesia dele (e de tantos outros talentosos e corajosos) para mantê-los longe. Obrigada, Daniel <3