Condessa Safira celebra a vida de Breno Bolan e a história da banda no disco “11”

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Condessa Safira em 2007 (à direita, o baixista Breno Bolan)

“Quando o Breno se foi, a Condessa Safira travou”, explica um post na página oficial da banda, sobre o falecimento do baixista Breno Bolan, peça chave na formação do grupo. “Cada um de nós lidou com o luto de maneiras diferentes, e as músicas que planejávamos gravar com o Breno ficaram ‘on hold’. Aos poucos a gente voltou a trabalhar nelas, mas foi mais difícil do que a gente podia imaginar. Tão difícil que durou anos”. Pois é, 2017 foi o ano em que a banda conseguiu concluir este trabalho, chamado “11”, que já está disponível em todos os serviços de streaming. “Modéstia à parte, fechamos um albão da porra, com participações e colaborações maravilhosas e 14 músicas phodauras”, concluem.

A banda, formada por Júlia Jups (vocal), Bruna Mariani (guitarra) e Zé Menezes (bateria) agora se prepara para uma apresentação especial com as composições do debut da banda. A apresentação acontecerá no dia 03 de dezembro, no Bar da Avareza, e promete fechar o ciclo do grupo. “O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim”, contam.

– Como vocês decidiram voltar e fazer esse show de reunião?
O álbum “11” começou a ser concebido antes de o Breno falecer. Quando ele se foi a gente ficou perdido, não sabíamos se iríamos concluir o álbum, seguir com a banda, nada. O tempo foi passando e chegamos à conclusão que deveríamos ao menos fechar esse trabalho, em memória da banda e do grande amigo e compositor que o Breno foi. O show acabou sendo uma consequência da conclusão desse trabalho. Queremos compartilhar com vocês e fechar esse ciclo de um jeito bacana.

– Como vai ser o disco?
O álbum tem 14 músicas, 12 próprias e 2 versões (“Péssima”, dos Sex Beatles e “Can’t Put Your Arms Around a Memory”, do Johnny Thunders). Algumas composições a gente chegou a tocar nos shows da Condessa lá nos idos de dois-mil-e-pouco, como “Assassina por Natureza”, “Crise 7.7”, “Diga O Que Quiser” e “A Última Canção”. As outras são composições mais “recentes”, que foram tomando corpo e forma nesses 8 anos.

– Esse projeto todo pode ser visto como uma grande homenagem ao Breno Bolan, baixista da banda que infelizmente nos deixou. Vocês podem me falar um pouco dele e como ele ainda permanece no som da banda?
Na verdade o álbum é o filho da Condessa, sem querer soar como uma homenagem. O Breno foi um dos maiores compositores de rock nacional que tivemos o prazer de dividir nossas vidas, e seria puro egoísmo não colocarmos no mundo as letras dele por causa do nosso luto. Por mais difícil que tenha sido, conseguimos fechar esse trabalho com muito orgulho. Temos certeza que ele também estaria orgulhoso do resultado. Grande parte das letras são dele, com exceção de “Sweet Bloody Mary” que ele compôs em parceira com a Cris Braun do Sex Beatles, “Diga O Que Quiser” do nosso ex-guitarrista Rene Dechiare, “Péssima” composta pelo Alvin L. do Sex Beatles e a versão de “You Can’t Put Your Arms Around A Memory”. A sonoridade tem muito da nossa história da Condessa juntos, todas as influências que cada um de nós trazíamos para a banda, e muito do que amadurecemos nesse tempo depois que o Breno se foi.

– Me contem um pouco mais sobre o começo da banda. Como rolou?
O Breno formou a Condessa em 2001, com a ideia de ser uma banda de rock com letras em português e vocal feminino. A Júlia entrou em 2002, A Bruna em 2003 e o Zé em 2005. A gente costumava dizer que demorou um pouco, mas conseguimos a formação perfeita pra banda. Entre idas e vindas de outras pessoas, nós quatro conseguimos a sonoridade que queríamos e trazíamos as mais diversas influências pro som da banda.

– De onde surgiu o nome Condessa Safira?
O Breno costumava dizer que teve um sonho que o nome da banda tinha que ser Princesa “alguma coisa”, mas ele achava princesas tolas na sua grande maioria e mudou para “Condessa”. O “Safira” apareceu porque ele gostava de bandas com 2 nomes, também por influência de bandas dos anos 80.

– Quais as principais influências do som da banda?
A principal banda que influenciou desde o começo é a banda carioca Sex Beatles. Além deles: Marina Lima, Capital Inicial, Guns N’ Roses, The Donnas, Sahara Hotnights, The Ramones, The Rolling Stones, Iggy & The Stooges, The Runaways.

– Quais as principais diferenças do mundo independente da primeira encarnação e dessa reunião? Como vocês veem a cena hoje em dia?
Temos a sensação de que na época tínhamos mais opções de lugar para tocar, e que a galera tinha mais pique para ir a shows. Hoje as (poucas) casas de show são muito boas, mas também são caras, o que dificulta bastante. Hoje temos muitas bandas nacionais excelentes, e da mesma maneira que tínhamos “bandas irmãs” naquela época, temos algumas cenas parecidas atualmente. Mas a impressão que temos é que o famoso “conhecer alguém pra te colocar no circuito” tá cada vez mais difícil.

– Falem um pouco mais de como vai ser o show que está chegando!
Estamos bastante ansiosos e empolgados, ensaiando que nem uns condenados para tirar o atraso de tantos anos! Felizmente estamos contando com a parceria de vários amigos para esse show, o Rodrigo Palmieri (Cyber Jack, Liberta, Drosophila, Pousatigres, Shepherd’s Pie) e o Tavinho (KiLLi) vão comandar o baixo, e teremos participação do Paulo Senoni (KiLLi, Mundo Alto) e do Bob (ex-guitarrista da Condessa e atual Shepherd’s Pie) na guitarra. Podemos dizer que o show vai ser recheado de músicas mais recentes e mais antigas.

– Vocês pretendem continuar com a banda depois dessa reunião? Quais são os planos?
O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Júlia: Acho a banda do Zé, Thrills & the Chase, do caralho. Também piro na Mundo Alto, Miami Tiger e Monocelha. Cada uma com uma vibe diferente, mas que representam muito bem diferentes vertentes do rock nacional.
Zé: Toquei em Santos esse ano com o Thrills e conosco tocou uma banda de lá chamada OZU. Um trip hop pegada Portishead, demais.

Ouça o disco “11” do Condessa Safira:

Exclusivo: assista “Volta Pra Casa”, o novo videoclipe do projeto Massimiliano

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O álbum “Briza”, de Massimiliano, lançado este mês, passeia entre o rock, mas sem deixar de lado o rótulo de gaúcho por mesclar gêneros regionais, em especial a saudosa milonga. O próprio cantor e compositor, Alex Vaz, que chega ao seu terceiro álbum, também abre a possibilidade ao post rock, por conta da estrutura das canções, mas talvez também noise, por conta da sonoridade. Tudo isso já nos mostra o quão diverso e único é o projeto que ele desenvolve desde 2010.

Confira o clipe da música “Volta pra Casa”:

Com uma narrativa em tom de desabafo, ele alia amor e revolução, questionamentos existenciais e políticos, em 12 faixas, que foram gravadas no A Vapor Estúdio, em Pelotas/RS. A masterização foi realizada por Lauro Maia, vencedor do Grammy Latino pelo disco Derivacivilização (2016), de Ian Ramil.  Ao vivo, o projeto Massimiliano se concretiza com uma banda de apoio formada por Daniel Ortiz, Alércio PJ (do Musa Híbrida) e Vini Albernaz (também do Musa Híbrida).

Confira nossa entrevista com Alex, sobre a construção do projeto e seu mais novo lançamento:

Como foi e quanto tempo durou o processo de composição do álbum? 
O álbum começou a ser concebido em 2014. Nesse ano, compus as músicas e delimitei a narrativa do disco. Em 2015, gravei uma pré do mesmo no meu home studio e em 2016 comecei o processo de gravação num estúdio profissional. Entretanto, veio a crise, faltou grana e eu segurei essa etapa. No final do mesmo ano fui convidado para fazer parte do Escápula Records.  Em março de 2017 entrei em estúdio para gravar as guias e em junho do mesmo ano estava entregando o disco para a etapa de mixagem. Apesar de angustiante, foi um processo tranquilo para mim, porque entrei em estúdio já sabendo o que queria fazer.

Quais as suas maiores influências musicais?
Sempre difícil falar sobre isso, portanto vou falar sobre os nomes que usei como referência para gravar esse trabalho. Nomes como Serge Gainsbourg, Chito de Melo, Júpiter Maçã, Jards Macalé, Arrigo Barnabé, Rogério Skylab e Nação Zumbi deram o norte para esse trabalho e posso colocá-los no rol das minhas influências gerais.

Qual a origem do nome Massimiliano para o projeto? 
Massimiliano foi inspirado no personagem do romance “O Ganhador”, do escritor Ignácio de Loyolla Brandão, por quem nutro sincera admiração. No livro, Massimiliano é um suposto ganhador de festivais – que na verdade nunca ganhou nada –  que viaja o Brasil profundo, vivendo situações típicas da vida de músico.

Podes contar um pouco mais sobre os dois álbuns lançados anteriormente? E como começou sua carreira?
“Descontrução” e Orleanza” são dois trabalhos do ano de 2013. “Orleanza” foi lançado primeiro. Gravei o disco de maneira analógica, com produção conjunta do Guilherme Ceron, que hoje trabalha com o Ian Ramil. Na época, juntamos alguns músicos amigos, microfones e uma mesa de fita. Registramos o álbum de 4 canções em uma noite, gravando tudo ao vivo. “Desconstrução”, também do mesmo ano, teve um processo bem diferente. Eu comecei uma campanha que consistia em compor, produzir, gravar e publicar uma música no espaço de uma semana. Fiz isso uma vez por mês, entre março e novembro do mesmo ano. No final do mesmo ano, o disco ficou pronto, como nove canções  e saí em turnê pelo Uruguay para divulgar o trabalho.

Minha carreira começou tocando em bandas do circuito underground aqui de Pelotas. Em 2006, comecei um trabalho junto com outros amigos que durou até 2012 e que foi base e escola para mim e para eles, a banda Canastra Suja, no durante sua existência lançou 2 discos de estúdio, um ao vivo e dois EPs, além de 3 vídeo clipes. Da banda Canastra Suja derivaram o projeto Massimiliano e a banda Musa Híbrida.

Conta mais sobre a ideia e execução do clipe “Volta pra Casa”. De onde surgiu o anseio de dar visibilidade ao estado do Teatro Sete de Abril? 
A ideia do clipe era fazer um audiovisual sobre a canção mais calma do “Briza”. Uma canção que fala sobre partida e o sentimento de ausência e fragilidade que uma despedida bruta causa. Conversei muito com o Felipe Yurgel – videomaker e diretor que já havia dividido a produção do clipe da música O pampa não tem culpa comigo – e chegamos no conceito estético de trabalhar com uma imagem que dialogasse com o resto do álbum. Como locação escolhemos a frente do Theatro Sete de Abril.

Teatro histórico no Brasil. Foi o primeiro teatro construído no Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do Brasil (1834).  Recebeu, nomes importantíssimos da arte e cultura nacionais e internacionais, além de ser um aparelho cultural imprescindível para a comunidade gaúcha e pelotense.  Até o seu fechamento – em dezembro de 2010 – era o Teatro público mais antigo do país em atividade. Por conta disso, o vídeo também vem fazer uma denúncia e um apelo pela volta do palco mais importante do Sul do Brasil que está criminosamente abandonado pelas gestões municipais desde então.

Ouça o disco “Briza” aqui:

Os Chás oferece uma xícara bem cheia de lisergia em seu primeiro disco, “Já Delírio”

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Os Chás
Os Chás

“Já Delírio” é o disco de estreia da banda Os Chás, formada em 2016 em Mogi das Cruzes, em São Paulo. Formada em 2016 por Gabriel Mattos (guitarra e voz), Diogo Menichelli (bateria e percussão) – ambos ex-Hierofante Púrpura, Thiago Fernandes (baixo e voz) e Wesley Franco (baixo), a banda oferece generosas colheradas de lisergia e psicodelia no álbum, gravado e mixado por Taian Cavalca e masterizado por Hugo Falcão no estúdio Mono Mono. O disco, lançado pela Transfusão Noise Records, traz as participações especiais de Priscila Ynoue (piano, órgão e sintetizador) e Mário Gascó (sitar indiano e didgeridoo), colocando mais pitadas alucinógenas nas seis faixas.

– Como a banda começou?
A banda começou com uma idéia que tive com o Thiago Gal de voltarmos a fazer um som juntos, pois tivemos nossa primeira banda, que foi o Agentes, ativa entre 2002 e 2005. Sentimos essa necessidade de voltar a tocar e realmente começar a compor, pensar nas pessoas que podiam fazer parte e de fato começar o projeto novo. O Wesley (guitarra) era um parceiro próximo que naturalmente foi convocado e o Diogo (bateria) é um parceiro que toquei junto no Hierofante Púrpura entre 2005 quando montamos a banda até mais ou menos 2012 quando ele saiu da banda. Assim nasceu a banda, mais ou menos em abril de 2016.

– E como essas bandas anteriores influenciaram o som d’Os Chás?
Acredito que cada banda influencia cada um de nós de formas diferentes. O Agentes eu acredito que seja a base daquele lance de amizade criada a partir de banda, uma coisa descompromissada e isso que nos fez voltar a fazer um som juntos, eu e meu irmão Thiago Gal. Depois do Agentes o Thiago montou uma banda chamada Conte-me Uma Mentira que também faz um som influenciado por anos 60 e isso acaba pegando nas composições que ele apresenta pra gente trabalhar. O Diogo antes do Hierofante Púrpura veio de uma banda de hardcore chamada Noupe, o som em especial que ele fazia creio que hoje em dia não tenha influenciado, já o Hierofante sim, influencia a gente fortemente, já que eu pelo menos estive praticamente 12 anos tocando e isso acaba se mostrando nas composições. O Wesley veio de uma banda chamada Luzco, uma turma mais nova da cidade, já que estamos todos na casa dos 33, 35 anos e Wesley é nosso garotão com seus 25 anos (risos).

– Me fala mais do disco que vocês lançaram este ano!
Até hoje pra ser sincero eu não sei se é um disco de 25 minutos ou um EP (risos). Mas enfim, ele se chama “Já Delírio”, foi gravado nos dias 28 e 29 de janeiro no MonoMono Estudio pelo parceiro Taian Cavalca. O processo de mixagem foi feito por ele também e a masterização, que foi feita pelo Hugo Falcão, rolou entre fevereiro e maio de 2017, então acertamos com a Transfusão Noise Records do RJ pra lançarmos em julho de 2017. O disco tem 6 músicas com letras escritas em parceria entre nós todos, praticamente, e os arranjos também todos feitos entre abril e dezembro de 2016. Esse disco foi concebido em versão física (CD) graças ao edital municipal de prensagem de CD pronto, então recebemos 500 CDs com encarte e tal, é um material bem bonito mesmo que teve toda arte gráfica desenvolvida pelo Thiago Gal. O disco tem participação fundamental nas teclas da Priscila Ynoue em pelo menos 4 músicas e o amigo Mario Gascó também participou na musica “Morocco” tocando didgeridoo e sitar indiano.

– Quais as principais influências musicais da banda?
Basicamente influencia dos anos 60/70 mas também temos nossa escola forte que foi o punk dos anos 80 e toda febre que foi os anos 90. O que acontece agora é maravilhoso também, não somos aqueles caras que só ouvem coisas antigas, estamos sempre ligados no que esta rolando. Eu adoro essa onda de sintetizadores (coisas sempre usadas no Hierofante Púrpura) que está rolando por agora.
Não ficamos presos numa coisa tipo “nosso som só vai ter aquela pegada psicodélica anos 60″, não, nós vamos compondo e naturalmente as coisas vão acontecendo.

Os Chás

– Como vocês veem esse retorno da psicodelia que está rolando nos últimos anos?
Eu vejo como um rótulo, até pra ser bem sincero já me sinto um pouco cansado de tanto falar em psicodelia. Quando começamos o Hierofante em 2005 falávamos em “psicodelia rural” já que somos do interior e aqui você ainda vê charrete e outras coisas bem psicodélicas que só o interior te proporciona. Então convivo com esse rótulo já tem um tempo, mas realmente acho que o Tame Impala é uma banda que trouxe isso de volta com força total. De qualquer forma rótulos aparecem, desaparecem, surgem outros e assim caminhamos. O importante é não parar de produzir discos e boas canções.

– Então em breve podemos esperar a volta de novos rótulos, talvez?
A volta não sei, mas a criação pode ter certeza que sim (risos)!

– Então essa “queda” do rock no mainstream pode ser passageira? Ou você acha que o lugar do rock não é nas paradas de sucesso?
Eu adoraria que o rock fosse o centro das atenções, mas sou bem ciente que nosso país valoriza muito mais outros gêneros musicais (em termos de “mainstream”, como você escreveu). Vou te falar que eu não sei muito bem o que acontece no mainstream brasileiro, essa é a real, eu sou bem alienado em relação a isso. Eu acompanho nosso universo paralelo underground (que nem é tão underground assim hoje em dia, levando em consideração tanta banda que hoje tem assessoria de imprensa, de mídia, produtor exclusivo e afins).

– Já que falamos nisso, como você vê o cenário independente hoje em dia?
Vejo como o mainstream do rock brasileiro (risos). O termo independente é ótimo esta na moda!
Vejo bons discos, boas ideias, bons clipes e a quantidade de disco e de banda que tem por aí é o que mais me impressiona. Como os trabalhos são deixados de lado num piscar de olhos, pois a quantidade de coisa aparecendo é tão grande que praticamente ninguém consegue acompanhar tudo que esta acontecendo. Acredito que a capital poderia ter muito mas muito mais casas de shows abrindo espaço pra bandas que lançam discos autorais, pois enxergo São Paulo como algo muito gigantesco em comparação aos espaços já conhecidos.

– Já estão trabalhando em novas músicas? Dá pra adiantar alguma coisa?
Sim, fechadas temos mais duas músicas e milhares de outras idéias para serem arranjadas.
Estivemos no Rio de Janeiro nos dias 17,18,19 e 20 e fizemos 3 shows e a gravação de uma musica inédita no “Escritório” da Transfusão Noise Records para o projeto “Cassete Club”, que consiste em gravar em fitas cassete faixas inéditas de bandas do selo para, no futuro, organizar tudo num grande disco compilado.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos!
Giovani Cidreira pra mim lançou o disco do ano que é o “Japanese Food”, gosto muito do disco “Vida Ventureira” da Barbara Eugênia/Tatá Aeroplano, o disco de estréia do Oruã chamado “Sem Bênção / Sem Crença” é viajandão também. Tem o disco do meu amigo Gevard do ABC Love que também gostei muito, tem o Leza que é uma banda de SP que em breve vai lançar um disco bem legal também.
Curumin lançou um disco maravilhoso, Kiko Dinucci (“Cortes Curtos”), tem Ema Stoned que é aquela viagem, tem o Bratislava, tem o Negro Leo, O Terno, Boogarins e mais uma porrada de coisa legal.

Festival LGBT Mix Music acontece de 15 a 26 de novembro em São Paulo

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Mix Music é o primeiro festival de música voltado para o público LGBT no Brasil e existe desde 2000, como o braço musical do festival de cinema e artes integradas Mix Brasil. Organizado pela Associação Cultural Dynamite e criado pelo produtor e ativista André Pomba , este ano, o festival completa 18 anos realizados ininterruptamente.

Desde a primeira edição, o festival sempre busca mesclar novos talentos com artistas consagrados como Liniker, que será a atração principal deste ano, num show que promete colorir o Parque do Ibirapuera em pleno feriado da Proclamação da República . Já os novos talentos participam de um concurso com prêmio de 1000 reais para cada uma das categorias: dança / coreografia , cantores(as) e drag queens . Confira a programação completa dessa edição:

15/11 quarta-feira (feriado) 16h- Liniker e os Caramelows @ Auditório do Ibirapuera (platéia externa)
17/11 sexta-feira 19h – Danna Lisboa e Saint-Hills @ CCSP
18/11 sábado 15h – Novos Talentos Coreografia @ CCSP
18/11 sábado 17h – Novos Talentos Cantorxs @ CCSP
18/11 sábado 19h – Novos Talentos Drag Queens @ CCSP
26/11 domingo 18h – Queer Explode, Gisele Almodóvar, Luana Hansen, Tiely Queen e Rimas & Melodias @ CCSP

Todos os eventos são gratuitos! No Centro Cultural São Paulo os ingressos devem ser retirados uma hora antes de cada evento. Aproveitamos a ocasião para conversar com o André Pomba, criador do Mix Music:

– Você idealizou o primeiro festival de música voltado ao público LGBT. Como surgiu essa idéia?

Na realidade a ideia não foi minha. O diretor do festival de cinema Mix Brasil, André Fischer, disse que queria expandir o evento e ter shows musicais. Assumi logo de cara o desafio e em 2000 foi criado o Mix Music.

– Manter um festival por 18 anos deve ser uma tarefa árdua num pais que não valoriza a cultura como deveria. Além dos habituais, quais desafios você enfrenta por se tratar de um evento LGBT?

O desafio é típico de qualquer produtor independente e ainda mais ativista da causa LGBT. Tem anos que temos apoio bom, anos que temos pouca verba, ano que não temos nenhuma verba e até já banquei do bolso algumas edições.

– O Concurso de Novos Talentos é sempre um destaque dentro da programação do Mix Music. Qual a sensação de abrir espaço para novos artistas? Como é a recepção do público?

Hoje em dia é a parte do Mix Music que eu mais me orgulho e me reciclo. No primeiro ano, foram somente 3 drag queens e quase ninguém na plateia e lembro de ter até feio um desabafo pela falta de compreensão. Porém a cada ano, essa parte aumenta de público, de disputa e agora temos 3 categorias (drag queen, cantorxs e coreografia/Dança).

– Eventos como o Mix Music ajudam a difundir o respeito as diferenças. Dentro da Militância LGBT, você enxerga uma união e avanços?

Não tenho dúvida que a cultura é a principal demolidora de preconceitos, é a forma com que tocamos a sociedade mais profundamente e a mudamos. Infelizmente, a militância LGBT se afundou numa guerra entre letrinhas de um lado e ideológicas/partidárias de outro. Num momento em que enfrentamos o conservadorismo nos atacando, sequer estamos unidos para combatê-los.

– Quais momentos você destacaria na trajetória do Mix Music? Sonha com alguma participação que ainda não aconteceu?

A primeira edição foi no próprio Centro Cultural, lembro até hoje do show da Vange Leonel (hoje falecida) que foi no formato piano e voz e só aconteceu lá. Teve os shows no SESC Pompeia com artistas como Perla, Maria Alcina, Ângela Rô Rô, inesquecíveis. Acho que meu sonho seria ter o Ney Matogrosso, por tudo o que ele representa para a música brasileira e a população LGBT. Teve um ano que ele estava de diretor de uma peça no Mix Brasil e assistiu a vários shows do Mix Music, sempre discreto e atento.

O Festival Mix Music é realizado com apoio do Edital de Apoio a Criação Artística Linguagem Música da Prefeitura de São Paulo

Uma viagem ao desconhecido: Barba Ruiva lança disco homônimo com influências de jazz e rock alternativo

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foto: Tai Fonseca

A banda carioca Barba Ruiva lançou recentemente seu primeiro álbum homônimo, que faz um panorama do trabalho em progresso desde sua formação, em 2005, até hoje. O trio Rafael Figueira (lead vocal e guitarra), Leonardo de Castro (baixo e voz) e Aline Vivas (bateria e voz) selecionou algumas canções que criaram desde o começo e que ainda dialogam com o atual momento do grupo, fazendo a gravação em duas etapas.

Primeiro, no Estúdio Superfuzz, em 2013, com Lisciel Franco, eles registraram bateria, vozes e algumas guitarras. Posteriormente, em 2017, com o produtor musical Maurício Negão (Marcelo D2, Frejat) e produtor executivo Dudu Oliveira, que colaboraram na regravação, remixagem e masterização das faixas, e junto do técnico de som Pedro Montano, do Estúdio Kultrix, onde foram gravados o baixo e as demais guitarras. O resultado é um disco diversificado e cheio de personalidade, com influências notáveis de rock alternativo, o popular rock oitentista, com uma pitada de jazz e blues, estilos que a banda adora. Conversei com o trio sobre o primeiro trabalho, a história da banda e suas influências:

– Vocês acabaram de lançar um disco. Podem me contar um pouco mais sobre ele?

Aline: As músicas foram criadas a partir de poesias do Rafael. As composições também são dele. Somente uma música foi em parceria comigo, “Praia”. Gravamos a bateria e vozes no estúdio Superfuzz, com Lisciel Franco e Elton Bozza, depois gravamos baixo e guitarras no estúdio Kultrix, sob a produção musical de Maurício Negão. A mixagem e masterização foram de Pedro Montano.

Leon: As composições são do Rafael e os arranjos e desenvolvimento foi um processo coletivo. Esse álbum é uma compilação de músicas que tocamos desde 2005. Isso faz com que tenhamos um vasto repertório gritando pra ser gravado já!

Aline: A gente compôs muitas músicas nesses anos de banda. Acabamos selecionando essas canções de uma forma bem orgânica. Eu acho que elas são bem diferentes entre si, mas de certa forma têm conexão e afinidade. Ah, tivemos também a produção executiva do Dudu Oliveira, na segunda etapa da gravação do álbum e assessorando nossa divulgação.

– E como vocês descreveriam esse disco pra quem ainda não ouviu?

Aline: Uma viagem pra dentro de si. Difícil essa pergunta! (risos) Eu colocaria para ouvir no carro… Talvez durante uma viagem. Tem momentos bem humorados e outros de introspecção.

– Quais as maiores influências musicais da banda?

Aline: É legal perceber algumas influências de estilos diferentes que se misturam ao rock
nas músicas do álbum. Elas têm uma influência do jazz, blues, samba, rock psicodélico, entre outras.

Leon: Influências bem diversas: eu, por exemplo, me alimento muito mais da MPB raiz, do blues e jazz, do que do rock em si.

Aline: Podemos citar aqui alguns artistas bandas e estilos. Bob Dylan, Nirvana, Doors

Rafael: Sim, minhas influências são bem próximas às da banda, pois também tem o fato de sermos uma “familia”, bebermos nas mesmas fontes.

Aline: Miles Davis!

Leon: Tenho ouvido muita coisa meio rural… Xangai, Marlui Miranda, coisa de índio, João Bosco (risos).

Aline: John Coltrane, Milton Nascimento, Smiths

Leon: Mas eu bebi MUITO da fonte do jazz instrumental.

Aline: Janis Joplin, Nina Simone

Tai Fonseca

– De onde surgiu o nome Barba Ruiva?

Leon: Estávamos procurando um nome quando descobrimos que a BARBA do meu irmão (Rafael) e a minha era RUIVA. Foi uma surpresa. Tava começando a ter barba.

Aline: Quando resolvemos montar uma banda, há muito muito tempo (risos), fizemos uma longa viagem citando nomes possíveis.  Quando eles falaram barba ruiva, acabou a conversa! (risos) Não conseguimos pensar em mais nada! Encaixou como uma luva. Foi amor à primeira ouvida. Tem uma imagem de pirata nesse nome que a gente curte muito. Tem a ver com essa jornada que estamos fazendo na vida rumo ao desconhecido. E também a um certo aspecto bruto que tem a ver com nosso som.

– Então a banda começou faz tempo. Como foi esse começo?

Aline: Nós dividimos uma casa nos Estados Unidos, há muitos anos. Lá mesmo, eu e Rafael estávamos imaginando como seria legal criar uma banda de rock no Brasil. Num impulso, voltamos para o Brasil pra correr atrás de realizar esse sonho. Naquele momento, não podíamos imaginar como seria difícil! (risos) Doideira.

– Me contem um pouco mais sobre o que vocês já lançaram antes do primeiro disco.

Leon: Já havíamos gravado algumas demos que ajudaram a gente a amadurecer musicalmente e em todo o processo de gravação, composição e atitudes de uma banda perante o mercado/cenário musical.

– Então vocês estudaram bastante o cenário independente antes de se jogar de cabeça.

Leon: Não. A gente viveu o cenário independente, um bom tempo, antes de perceber algumas coisas que são necessárias pra de profissionalizar.

Aline: Foi uma imersão mesmo. Estamos vivendo toda a luta de ser uma banda independente.

– E como vocês veem essa cena hoje em dia?

Leon: No Rio de Janeiro rola uma escassez de espaços pra tocar. Falta remuneração. Falta reconhecimento da música autoral como fonte de entretenimento. Por outro lado, vejo bandas e artistas movimentando os próprios eventos, formando coletivos e alguns até conseguindo se bancar com isso, dando mil piruetas. Tocando na rua, dando aulas… Além do mais, estamos vivendo um período de dificuldades, com o prefeito e Governo vetando a cultura.

– Porque vocês acham que isso tem acontecido e como pode melhorar?

Leon: Acredito na profissionalização do trabalho. Acredito que possamos ser valorizados como arte e entretenimento. Mas tenho certeza que isso não pode ser concentrado no Rio de Janeiro somente. Tem que haver um planejamento legal de circulação. Acredito que no mundo inteiro tem gente que se interessaria pelo nosso trabalho. Temos que chegar neles.

– Vocês já estão em turnê do novo disco? O que o público pode esperar de uma apresentação do Barba Ruiva?

Leon: Estamos preparando um novo show e começando a planejar a turnê. O novo show será surpresa, mas certamente esperamos causar emoções, sensações de prazer e reflexão. Nosso show costuma ser bem visceral em termos de interpretação, e até hipnótico em certos pontos. Estamos desenvolvendo essa questão do show, pra tentar seduzir o público e tentar atingir não somente os ouvidos. Assim como eu espero ser arrebatado quando vou a algum espetáculo.

Rafael: Ainda não estamos em turnê. Podem esperar cada dia um novo show, com bastante espontaneidade e muito suor, sempre há muita entrega da banda nos shows. Procuramos não deixar um show muito “fechado” , sempre com possibilidade do inusitado e do imponderável.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Rafael: Apanhador Só, Astrovenga, Facção Caipira, Wagner José.

Leon: Amplexos, Duda Brack.

Aline: Whipallas, Sound Bullet, Taranta, Gabriel Gerszti, Negro Leo, Chico Chico, Ventre, Tacy de Campos

YMA mostra admiração pelo realismo fantástico no clipe de “Vampiro”, faixa de seu novo EP

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foto por Gabriela Schmidt
A cantora e compositora paulistana YMA acaba de lançar “Vampiro”, clipe da faixa produzida por Fernando Rischbieter e lançada pela Matraca Records, gravada nos estúdios da YBmusic. A música fará parte de seu novo EP, que será lançado em breve. O instrumental da faixa mostra uma sonoridade mais orgânica que a ouvida em seu último single, “SABIÁ”, lançado em julho. A banda que acompanha as gravações e shows conta com os integrantes Uiu Lopes (baixo), Marco Trintinalha (bateria), León Perez (teclado) e Dreg Araújo (guitarra). 
“Vampiro está na fantasia de uma subjetividade que foge um pouco da liquidez dos afetos, e é exatamente onde eu gostaria de me perder! (risos)”, conta ela. As gravações do clipe aconteceram em Blumenau – SC no brechó Paradise, organizado por Mayara Cruz (Morgy), que protagoniza o clipe junto com Gustavo Starke (N3fxt). A direção é assinada por YMA e pelo videomaker Daniel RootRider.

– Me conta mais sobre “Vampiro”, que acabou de sair!

“Vampiro” é uma música bem recente, dessas que a gente escreve de uma vez só. Estará presente no meu próximo EP que sairá em breve! Mas surge dessa minha admiração pelo universo do realismo fantástico. Componho de forma muito imagética, geralmente na composição já me vem na cabeça parte do arranjo e também ideias de um possível clipe. Nesse caso de vampiro, o clipe e a música para mim resultam num trabalho só. Como uma mesma obra.

– E do que fala a música? Como ela surgiu?

Pelo que me lembro, começou por uma sensação de querer ser levada para outro lugar, viver algo novo e diferente. Logo surgiram imagens desse lugar, e na música coloco um pouco das sensações que esse lugar me causava. Depois esse universo me apresenta a figura do vampiro que pertencia a esse lugar. Mas a música é basicamente sobre as idiossincrasias de um relacionamento. E de certa forma, os relacionamentos podem criar uma espécie de mundo paralelo criativo. Como uma sinergia pulsante que mora em mim. Mas a fantasia sempre se desvela de maneira intensa comigo.

– Me conta mais da história do clipe!

No fim de semana seguinte da gravação da música, tinha combinado uma viagem pra Blumenau. Durante a semana que passou pensei na possibilidade de fazer o clipe por lá, já que já era fã do trabalho do Daniel RootRider – que assina a direção do clipe comigo. Então fui escrevendo o roteiro na estrada para lá. Montei uma equipe de maneira muito rápida, com os amigos que tinha na cidade. Foram dois dias de gravação, no primeiro fizemos as cenas da festa, que foram no brechó da Mayara Cruz, o Paradise. Mayara protagoniza o clipe junto com o Gustavo Starke, que é um amigo designer. Nenhum dos dois tinham experiência com atuação, mas era perfeito para a intenção despretensiosa do clipe. No segundo dia não sabíamos exatamente onde gravar, e ainda por cima chovia muito. Então acabei gravando na casa da sogra. hehe Mas de modo geral tudo aconteceu muito rápido, as gravações do EP, o clipe, foram muitas trocas intensas em pouco tempo.

– Conta como é a história desse clipe.

Acho que ela já é bastante explícita (risos). Mas tudo começa numa festa embalada nas luzes de neon, onde Morgy encontra N3fxt – um ser cuja respiração está fora de nosso tempo/espaço. Eles saem da festa para um after, e N3fxt se revela um vampiro. E eu vou acompanhando a estória como uma observadora, ou talvez como a pessoa que está sonhando aquilo.

– Pode me contar um pouco mais sobre o EP que está chegando? O que podemos esperar nele?

Estou sempre no processo de transmutação, e vejo nas gravações um laboratório cheio de possibilidades. Os trabalhos são bem diferentes uns dos outros, desde o primeiro EP que lancei em 2012. Serão 4 faixas com essa sonoridade mais orgânica, de banda. Bem diferente do single “SABIÁ” que lancei em julho desse ano. Quem gravou comigo foi a banda que me acompanha nos shows, o Uiu no baixo, Dreg na guitarra, Marco na bateria e Leon nos teclados. O EP está sendo produzido pelo Fernando Rischbieter, que tem trabalhado comigo nos últimos tempos e que também abriu o selo Matraca Records, por onde o EP será lançado. Gravamos nos estúdios da YB, o que é muito especial, poder gravar num espaço onde muitos artistas que eu admiro já passaram.

foto por Gabriela Schmidt

 

– Fala pra gente sobre os trabalhos que lançou antes disso.

2012 foi quando gravei minhas primeiras canções. Fiz amizade com um grupo de músicos incríveis que produziam num espaço chamado Cambuci Roots, que é o pessoal do Saulo Duarte e a unidade, Daniel Groove, Los Porongas e muitos outros artistas que frequentavam o lugar. O EP se chama “Yasm(in) the Sky” e foi produzido por mim e pelo João Leão. Minha música preferida do EP é “Homem Frio”.  Logo após o lançamento engravidei, e fui me dedicar a maternidade. Então não consegui levar esse trabalho adiante. Durante o processo da maternidade, percebi que amadureci em muitos aspectos, principalmente no processo criativo, apesar de não colocar a maternidade como tema em minhas canções. Em 2016 voltei a compor, com mais afinco, o que resultou numa nova leva de inspirações, que abasteceram algumas canções que resultaram nos trabalhos mais recentes. “Sabiá” já tinha composto há um tempo, mas por falar sobre questões ainda muito atuais na minha vida, decidi gravar com uma roupagem mais eletrônica. Também produzimos um clipe pra ela, dirigido pela Nina Kopko, tem uma pegada mais conceitual, e envolvimento de vários artistas que admiro.

– Como começou sua carreira?

Não durou muito tempo o estúdio de música que meu pai havia montado em casa, acho que eu tinha uns 5 anos. Mas foi ali o começo de um contato musical que ao longo dos anos anos se tornou vitalício.
Aos 15 anos me formei em uma escola de iniciação artística, onde tive passagens e experimentos com as mais diversas linguagens durante os 9 anos que vivi na escola. Era muito difícil escolher apenas uma frente, na minha cabeça todas elas dialogavam, e eu simplesmente queria fazer parte de tudo aquilo, então para além da música, sinto pulsos de imagens, movimentos, cores, todo universo artístico colabora muito com o meu processo criativo.

– Como você vê a música independente hoje em dia? O mainstream ainda é necessário?

Acho que se ainda existe um mainstream (investimento pesado de grana e de exposição em alguns artistas), deve estar servindo pra alguém. Mas essa separação tá cada vez mais difusa. Hoje em dia há muitos caminhos pra conhecer música nova e artistas diferentes, e também ferramentas mais acessíveis para esses artistas produzirem seus trabalhos. Agora, a questão da grana realmente é um abismo.
Tem que batalhar pra que os artistas independentes não morram na praia e tenham uma vida mais bacana com o trabalho deles. Quero muito ver as minas maravilhosas que acompanho ganhando uma grana massa com o trabalho delas!

foto por Gabriela Schmidt

 

– Agora, com a queda das gravadoras, o trabalho de mulheres autorais está cada vez mais forte e presente. Como você vê isso e como você vê o machismo que continua presente no mundo da música?

Recentemente gravei com a Elga Bottini, que é produtora musical. isso nunca tinha acontecido antes. Ver uma mulher pilotando um estúdio. A energia da mulher muda completamente o ambiente e a forma de trabalho. Me senti acolhida, e muito a vontade pra gravar e me soltar. Tenho certeza que outras pessoas e sentiriam o mesmo. Quero muito ver as minas ocupando todos os lugares que são ocupados em sua maioria por homens. É uma luta muito importante, fico feliz de acompanhar as mulheres que colocam cara a tapa, e de estar vivendo esse momento da ruptura feminista. Sou muito otimista, sinto que aos poucos as mudanças vão acontecer, e pra isso nós mulheres, devemos nos informar, trocar, exteriorizar e gritar se for preciso.

– Quais os seus próximos passos?

Lançar o EP, fazer mais shows e ir aprimorando as performances, para levar mais mágica pro palco. ❤️

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

De todas as perguntas essa é a mais difícil, tem muita coisa! (Risos). Mas vamos lá! Há pouco tempo conheci a CLAIRO, que tô pirando! Lomboy, Weyes Blood, uiu, PAPISA, Men I trust, cinnamon tapes, mia beraldo, césar lacerda, dolphinkids, Sunflower Bean. Difícil, tentei listar as mais recentes mesmo (risos).

Kera and the Lesbians tenta ver o mundo com otimismo no single “Bright Future Ahead”

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Quando Kera Armendariz ganhou seu primeiro violão e começou a arranhar o instrumento no seu quarto, com 13 anos de idade, o embrião da banda californiana Kera and the Lesbians já estava formado. Em sua adolescência em San Diego, procurava criar uma banda punk só de mulheres, mas quem cruzou seu caminho foi Phil MacNitt, que começou imediatamente a trabalhar em músicas junto com ela. Logo apareceu Michael Delaney, um baterista que além de destruir na percussão ainda ajudou a criar os clipes e o logo da banda. E assim, estava formada a banda, que a líder descreve como “bipolar folk”.

 

O trio já lançou um EP em 2014, “Year Past 23”e um disco, auto-intitulado, em 2016. Agora, a banda prepara um curta-metragem, “Fall. Apart” para o começo do ano que vem, com três novas músicas. A LA Weekly chegou a falar que a banda era uma das principais da cena de Los Angeles para ficar de olho em 2015, o que catapultou Kera para shows dividindo o palco com Heathers, Girlpool e Devendra Banhart, que ela diz ser seu “guru”. Conversei com ela sobre a carreira da banda, o novo single “Bright Future Ahead” e os planos para o futuro:

 

 

– Como você começou sua carreira?
Eu acho que poderia dizer que começou no dia em que meus pais me compraram meu primeiro violão de Natal, daí eu tive meu começo precoce em vários projetos. Na verdade não existe dinheiro na música, então eu acho que você poderia dizer que este é meu projeto de paixão por enquanto. No entanto, estou esperando fazer mais turnês sob meu nome em um futuro próximo!

– Quais são suas principais influências musicais?
Isso varia e é muito difícil para mim escolher em um gênero. O que encontrei com artistas que admiro não é necessariamente a música, mas mais do que eles representam e como eles optam por expressá-la.

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?
No passado descrevi minha música como bi-polar folk, mas sinto que meu som ainda está evoluindo. É tudo subjetivo, então deixarei o indivíduo decidir.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até agora.
Eu lancei muito poucas coisas, mas tudo o que lancei me deixam muito orgulhosa. Eu nunca quero me sentir obrigada a escrever uma música. Até agora, eu lancei o EP “Year Past 23”, um disco completo e no início do próximo ano vou lançar meu primeiro curta, intitulado “Fall. Apart”, com três músicas novas!

– Você acabou de lançar “Bright Future Ahead”. O que você pode nos contar sobre essa música?
Eu escrevi essa música em um momento em que me senti mais vulnerável e sem esperança. Eu posso ser muito difícil para mim mesma, e de certa forma me lembrou de ter mais auto-compaixão para mim e para os outros. Eu escrevi isso como uma lembrança do empoderamento, especialmente nestes tempos sombrios.

– Você vê um futuro brilhante à nossa frente?
É tudo uma escolha de acreditar ou não na esperança ou sucumbir a ela. Eu escolho acreditar na esperança e no futuro brilhante.

– O mundo está mostrando aos poucos sua pior face e vemos muito preconceito se espalhando hoje em dia. Como você luta contra isso?
Esses preconceitos sempre existiram, e a retórica do racismo neste país, especialmente, nunca foi abordada diretamente. Eu tive que me perguntar em qual moral escolho viver, e como eu acho que os outros devem ser tratados. Eu não sou perfeita. É tudo um processo, mas eu escolho lutar contra isso tudo tentando o meu melhor para viver apaixonada.

– O que você acha sobre a indústria musical hoje em dia?
Uma piada.

– Quais são os seus próximos passos?
Eu adoro tocar com os outros, então vou fazer mais disso, e também lançar alguns singles novos.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Miya Folick, Molly Burch, Szalt (Companhia de Dança) e Jackie Shane.

Caio Moura prepara seu primeiro EP calcado na música negra brasileira, “Coração Balança”

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Caio Moura

O cantor, compositor e dançarino Caio Moura prepara um trabalho que transpira música negra. Com seu timbre característico e voz potente, ele lançará em breve seu primeiro disco, “Coração Balança”, com influências de funk, soul, MPB, samba e rock, tudo com muito balanço e suíngue.

Sua carreira começou como parte do coral da escola onde fazia o ensino fundamental. Após isso, fez o teste para ingressar no Coro Juvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, onde trabalhou o canto erudito e se aprofundou mais na técnica vocal. Entrando na faculdade, montou a banda ZumBlack, misturando música brasileira com diversos outros ritmos.

O disco “Coração Balança” é produzido por João Guilherme, músico, compositor e filho da grande sambista Yara Rocha. O álbum conta com músicas que trazem em seu DNA muitas características do samba rock, samba e black music. Além disso, Caio já está começando a trabalhar em novas músicas, em um novo projeto rebuscando músicas regionais e locais, principalmente da periferia.

– Me fala um pouco mais do seu trabalho que está prestes a sair!

Meu trabalho chama “Coração Balança”, onde nas músicas falo de amor em várias formas, com muito swing que a música negra traz.

– Seu foco é principalmente a música negra? Como você definiria seu som?

Sim, pois a música negra permeia todos outros estilos musicais. Defino meu som como “Música Negra Brasileira” (risos).

– Quais as suas maiores influências musicais?

Minhas maiores influências são o samba, samba rock, soul music, black music internacional e a MPB.
Tenho como referência o Tim Maia, Seu Jorge, Djavan, Pedro Mariano, Michael Jackson, Stevie Wonder, Wilson Simonal, Simoninha, Gregory Porter, Walmir Borges, entre outros.

– E como foi a gravação desse disco?

O processo de gravação de meu disco foi bem moroso. Decidi gravar meu disco em 2014, quando fui passar o Reveillon no Rio. Foi tipo pular as 7 ondas e desejar que acontecesse no ano que estava entrando (risos). Logo quando voltei pra São Paulo, liguei para o João Guilherme, músico cantor, produtor musical e filho da grande sambista paulista Yara Rocha, acertamos todos os detalhes e começamos a produzir. Tive a sorte de ganhar a gravação através de um projeto que a Converse Rubber Tracks tinha aqui em São Paulo no Estúdio Family Mob, do baterista Jean Dolabella, ex baterista do Sepultura. Na Family Mob, pude fazer a captação das bases do meu disco. A captação das vozes foi feita no estúdio AMG do Marcelo Rodrigues, a mixagem e masterização também.

– E como foi o processo de composição dele?

O processo de composição dele foi através de parcerias com amigos que tive no passado, com o próprio produtor do meu disco e algumas canções que tinha com bandas que pertenci ao longo da minha carreira.

Caio Moura

– E como você começou sua carreira?

Comecei com 11 anos de idade, no Coral da Escola Marcílio Dias com a professora Léa Gomes Moratelli, escola onde fiz meu ensino fundamental. Devo minha vida artística a esta professora. Logo quando saí do ensino fundamental, pensei em parar de cantar pois via apenas como um hobby, mas meses depois minha tia me avisou sobre um teste que haveria no Coro Juvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Me inscrevi, fiz o teste, passei e aí sim tive a certeza que queria ser cantor. Passei dois anos no coro e sair por conta que tinha que trabalhar , já tinha alcançado a maior idade. Nesse meio tempo entrei para um coral gospel chamado Projeto Afirma, foi quando me apresentaram a black music norte americana, a partir dali que pude firmar a minha característica de canto que utilizo. Fiquei dois anos no gospel e saí por questões ideológicas e de crenças. Anos depois, ingressei na Universidade Zumbi dos Palmares e já no primeiro ano, formei a Banda ZumBlack, com Fábricio Máximo e Moacyr Garrido, tocamos muita música preta naquela época e me ajudou bastante a definir meu estilo. Nesse tempo também fiz parte do coral da universidade. Junto com esse período universitário, comecei a trabalhar na Escola Técnica de Artes e aí foi um divisor de águas na minha vida pois conheci muita gente que contribuiu e contribui no meu trabalho até hoje. Me formei em Técnico em Canto na escola e partir daí comecei a dar andamento ao meu trabalho solo.

– Como você vê a cena independente?

Eu vejo a cena independente muito rica e com uma grande diversidade, tem muita coisa boa na rua mas acho que a galera devia ter um cuidado maior com os trabalhos apresentado.

– Quais os seus próximos passos musicalmente?

Em breve lançarei um single do disco e um clipe, o lançamento oficial do disco seria em dezembro mas vou lançar em março de 2018.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Camila Brasil, Jota Pê, Indy Naíse, Luedji Luna, Nina Oliveira, James Bantu, Ursso e Bruna Black.

Empoderamento feminino, cultura negra e os cenários capixabas no rap das Melanina MCs

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Melanina MCs
Melanina MCs

“Somos mulheres negras, nascidas e criadas em periferia, que fomos entender o feminismo na correria do dia a dia depois de bater muita cabeça”, conta a MC Mary Jane. E foi assim que se formou o grupo Melanina MCs, em 2013, buscando transmitir sua mensagem de empoderamento feminino, respeito à cultura negra e todas as coisas que devem ser valorizadas ou combatidas em sua área, a cidade de Vitória, no Espírito Santo.

Formada por Mary Jane, Lola, Geeh e Afari, a banda acaba de lançar o single “Cenários”, que ganhou clipe dirigido por Juane Vaillant. A música fará parte de “Sistema Feminino”, sucessor do EP “Tesouro Escondido”, lançado no ano passado. O disco de estreia do quarteto tem previsão de lançamento para este mês. “A gente se apresenta no disco, colocamos toda nossa essência nesse projeto e tentamos fazer com que fosse o mais plural possível. As músicas são sensíveis, mas ao mesmo tempo vem um tapa atrás do outro, porque é isso mesmo, sabe? O sistema feminino é uma rede e esperamos que cresça cada vez mais”, explica Geeh.

– Como a banda começou?

Lola: Duas de nós, eu e Mary Jane, através do convívio, descobrimos a cena cultural do rap no estado. Com o tempo formamos um grupo em 2013, a Geeh ja tinha envolvimento na cena, batalhava, somou no grupo e a Afari veio depois pra fechar o bonde (risos).

– Quais as principais influências do grupo?

Mary Jane: Desde que percebemos a importância de reconhecermos nossa identidade na música e ideológica ampliamos muito nossas influências. Somos mulheres negras, nascidas e criadas em periferia, que fomos entender o feminismo na correria do dia a dia depois de bater muita cabeça. Então hoje a gente tem como referência uma diversidade de nomes da música brasileira e internacional, ritmos pra além do rap e bandas da cena independente que conhecemos, mas que sobretudo dialogam com o que somos, gostamos de fazer e acreditamos. Bora citar uns nomes: diva Elza Soares, Flora Matos, Psalm One, Oshun, Ventre, Baco Exu do Blues, RZO.

– Vocês acabam de lançar o single “Cenários”. Podem me falar um pouco mais sobre o que esta música significa para vocês?

Afari: Essa foi uma das músicas mais marcantes pra nós, com certeza! Ali foi o momento de expor nosso cotidiano, o que pensamos, onde moramos e principalmente, nossa opinião mais sincera sobre todas as coisas que devem ser valorizadas e mudadas lá. Rotina mesmo sabe? Convidamos mais mulheres negras da Grande Vitória que são artistas e também vivem a correria de garantir o pouco de cada dia. Tivemos com a gente: dançarina, DJ, estilista, outras minas da música e por aí vai. E também não podemos deixar de citar o trabalho de todas as pessoas maravilhosas que fortaleceram a gente pra o som e o videoclipe. A participação da Anna Tréa, da Thaysa Pizzolato, Jone BL e do Henrique Paoli na faixa do single, além do trabalho do Rodolfo Simor, deram vida ao instrumental da música. O videoclipe nem se fala, né? Produção e equipe de audiovisual pesadona!

– Vocês são um grupo de rap, mas transitam por outros estilos. Quais estilos compõe o som da Melanina MCs?

Mary Jane: Nesse último projeto decidimos partir para músicas com composições mais orgânicas, tanto nos instrumentais, como nas letras. Todos esses detalhes têm influência do funk, do reggae e do rock, soul, músicas de raiz negra.

Melanina MCs

– O que podemos esperar do próximo disco, “Sistema Feminino”? Me falem como tá sendo a produção dele.

Geeh: O projeto desse disco foi muito especial. O disco é voltado pras mulheres, pra cultura negra, fala do cotidiano, o que vemos nele. Até por isso o processo das composições foi muito inspirador, fizemos nossas rimas pensando que poderiam ser de todas as mulheres. Mudou alguns conceitos, a estrutura das musicas, a naturalidade com que são transmitidas, e a pegada é bem mais orgânica do que de costume, isso deu uma nova identidade ao grupo. A gravação foi uma experiência nova, entendemos nesse processo o que era o sistema feminino na busca por autonomia e dia após dia fomos vendo o conceito do disco se materializar na produção, na equipe e entre nós. O que as pessoas podem esperar disso? A gente se apresenta no disco, colocamos toda nossa essência nesse projeto e tentamos fazer com que fosse o mais plural possível. As músicas são sensíveis, mas ao mesmo tempo vem um tapa atrás do outro, porque é isso mesmo, sabe? O sistema feminino é uma rede e esperamos que cresça cada vez mais.

– Podem me contar um pouco mais sobre “Tesouro Escondido”, do ano passado?

Lola: Tesouro Escondido foi nosso primeiro projeto divulgado. Foi ali que entendemos muito sobre nossa vontade de fortalecer nosso trabalho e viver dele. O lançamento foi exclusivamente virtual, mas chamou a atenção de muitas pessoas. Um grande passo pra nós do grupo, por ter marcado o fim de um ciclo, e o início de outro ainda melhor. Chegamos no “Sistema Feminino” através desse EP.

– Vocês são de Vitória, no Espírito Santo. Como é a cena do rap por aí?

Afari: A cena local é bem abrangente, mas é claro que poderia contar com mais investimento e políticas públicas pra fortalecer o rolê. Batalhas de MCs, apresentação de grupos de música, dança de rua, DJs, tudo isso tem enorme importância aqui e a galera reconhece. O público é fiel e comparece em todos os eventos, mobilizações e ações culturais. A cena do rap feminino ta crescendo agora, minas batalhando e se envolvendo cada vez mais, inclusive como grafiteiras e bgirls. Sentimos faltas de minas DJs, mas já temos visto várias botando a cara e aí ninguém vai segurar o bonde.

– Vocês tem uma proximidade com artistas da cena independente que inclusive não são do rap, como Anna Tréa, Larissa Conforto (Ventre), Carol Navarro (Supercombo), Gabriela Deptulski (My Magical Glowing Lens), Henrique Paoli (My Magical Glowing Lens/ André Prando) e Fepaschoal, que participam da gravação do disco. Como é hoje em dia essa miscigenação maior de estilos?

Lola: Durante a produção surgiram muitas influências, fomos da Dinna Di ao Baiana System, muitas referências novas mas sem perder a linha underground do rap. Então o disco passa pelo rap, o trap, o R&B, o soul e ritmos latinos. Nossa parceria com o Paoli vem desde o EP. Além disso, participamos de festivais que não eram da cena hihop e acabamos ficando próximas de minas e bandas de tudo quanto é tipo de música. Foi natural trazer essa galera e influências pro disco. Fizemos o pré-lançamento no SESC Glória aqui em Vitória e fomos acompanhadas por uma banda maravilhosa, a Thaysa Pizzolato nos teclados, a Maria Oliveira na guitarra, a Natalia Arrivabene na bateria e o DJ Jone BL, o único da cena do rap. A real é que essa diversidade somou muito e entendemos isso, então enquanto o Sistema Feminino rodar, nós vamos juntas nessa porrada de sons.

Melanina MCs

– Quais os próximos passos da Melanina MCs?

Geeh: Bom, estamos planejando um lançamento pra logo! O disco ta no processo final, estamos só a ansiedade pra iniciar a circulação e mostrar o que saiu dessa roda de conversa. Estamos estudando alternativas pra apresentar o trabalho em outros estados, começando por São Paulo.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Todas: É muita gente, vamos lembrar de alguns: Rincon Sapiência, Flora Matos, Thassia Reis, Baco Exu do Blues, e tem o trampo novo do Fabriccio aí, sonzera demais!

Quinteto paulistano Grená apresenta ecos de rock e ritmos brasileiros em seu primeiro EP, “Azul”

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Grená

A Grená – formada por Uirá Ozzetti (violão, guitarra e vocal), Rodrigo Lavorato (baixo e vocal), Dau Morelli (teclado e efeitos), Thiago Boemeke (violão, guitarra e vocais) e Leandro Amorim (bateria e percussão) – é o fruto de uma amizade transformada em música. Formada em 2012, a banda lançou seu primeiro trabalho, o EP ‘Azul’ em 2016 e desde então tem se apresentado incansavelmente, levando sua mistura de rock, MPB e ritmos brasileiros a toda e qualquer plateia que esteja disposta a abrir seus ouvidos.

O Grená apareceu nas listas ‘Os Discos de Abril de 2016’ do site Criado Mundo e ‘Melhores Discos’ do Hominis Canidae e já começou a preparar seu primeiro disco. “Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias”, contam.

– Como a banda começou?
A Grená surgiu através da amizade do Rodrigo e Uirá e começou a se tornar projeto nos idos de 2012.

– Porque o nome Grená?
A história é super engraçada! O Uirá e o Rodrigo estavam reunidos, pensando numas músicas mas ainda não tinham um nome e não sabiam o que fazer. Com esses problema nas mãos tiveram uma ideal genial: Abrir o dicionário, numa página aleatória, e o nome da banda seria o primeiro nome que surgisse no canto superior esquerdo. Assim o nome da banda surgiu, a gente jura! (risos). Óbvio que se fosse um nome muito ruim nós não teríamos levado à frente, porém, à partir desse nome muito do universo que criamos para o projeto foi sendo definido.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem nunca ouviu?
Misturamos sons do baião até o rock progressivo, onde elementos timbrísticos que tenham uma personalidade própria são muito bem vindos.

– Quais as principais influências musicais de vocês?
No geral, a música que a gente compõe, enquanto arranjo compartilhado, é ampla e que não estão, as vezes, completamente ligadas a música de forma idiomática. O Dau estuda Engenharia Civil na Politécnica da USP, o Rodrigo é cineasta e já tocou em grupos de jazz, o Thiago é designer e também já tocou em grupos instrumentais, o Leandro além de tocar bateria é percussionista contemporâneo e toca em orquestras, o Uirá é violinista e também já tocou em orquestras. Enfim, talvez a gente veja essa nossa relação com a composição de forma mais ampla, onde a relação do que chega ao público em forma de linguagem musical é essencialmente composta por uma infinitude de interações com outras áreas que podem ou não ser artísticas e, claro, tudo que a gente ouve está inserido nesse ambiente.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
O EP teve um processo natural de criação enquanto foi tomando forma no estúdio. Muito do que foi gravado lá e hoje compõe o que a gente apresenta como resultado do nosso trabalho foi acontecendo durante o tempo de gravação. Nós contamos muito com a ajuda do Bruno Prado na hora de inserir novas relações timbrísticas como as guitarras e a percussão e isso foi fundamental para que ele assinasse também a produção. Quando fizemos o lançamento em 2016, o Lê tinha acabado de entrar na banda e trouxe mais um elemento, a bateria.

– Vocês estão trabalhando em novos sons, é verdade?
Sim, estamos aumentando nosso repertório autoral e estamos com projeto para gravar nosso primeiro disco. Acreditamos que é um processo natural que lateja em meio a esse momento de criação que vem rolando desde o EP até o que estamos compondo agora.

Grená

– Vocês hoje em dia estão em turnê, fazendo shows em vários lugares. Como tá sendo?
Esse ano tem sido bastante especial, estamos rodando bastante com o show que contém as músicas do EP e as canções novas que vão pro disco e, tem sido bastante intenso trabalhar em função de cada show. Agora queremos expandir um pouco, tentar sair das fronteiras de São Paulo e continuar trabalhando.

– Como vocês veem o desenvolvimento da cena independente?
Depois dos anos 2000 essa é a cena que mais se fortaleceu em diversas regiões do País. Muito disso, sem dúvidas, faz parte da conexão imediata que a internet trás. É um percurso natural.

– Qual a opinião de vocês sobre a música mainstream hoje em dia? Porque ela se descolou tanto dos novos artistas que o mundo independente vem lançando?
O mainstream funciona como sempre foi, porém, sem tanto impulso de gravadoras. Ele tá aí e ainda é muito forte, no entanto os artistas que ainda despontam num mercado global são aqueles que trouxeram pra si o papel dessas gravadoras. É difícil definir porque se descolou mas quem já estava no mainstream antes da dissolução das gravadoras soube lidar com um caminho muito particular. Aparentemente, quem tá vindo precisa lidar com a escolha desse caminho e traçar um planejamento para que isso aconteça, não é nada tão de outro mundo assim, basta lembrar de uma entrevista do Cesinha (baterista e produtor de vários artistas independentes) há uns 4 anos atrás, ele falava algo como “faça você mesmo”, o cara fez cursos, se aperfeiçoou, aprendeu a gravar, montou um estúdio e foi seguindo o trabalho dele. A gente vai aprendendo com o mercado porque ele não é estático, ele é composto por todos nós.

Grená

– Quais os próximos passos da banda?
Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Essa é uma bem difícil, e já deu para perceber que nós temos várias direções. Mas ouçam Divina Supernova, Marinho, Necro, Papisa, Versos que Compomos na Estrada, Amanticidas.