O Grande Grupo Viajante mostra versatilidade dançante com mensagens fortes no disco “Todas As Cores”

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O Grande Grupo Viajante
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Os nove membros d’O Grande Grupo Viajante estão em festa: em setembro lançaram o disco “Todas As Cores”, gravado no estúdio C4, no Bixiga, com produção de Zé Victor Torelli. O álbum anda recebendo muitos elogios por sua diversidade de estilos, criatividade e letras engajadas em diversos assuntos importantes como problemas sociais, habitação, machismo, homofobia e tantos outros.

Formada por Bruno Sanches (guitarra e voz), Stela Nesrine (sax e voz), Érico Alencastro (baixo), Leonardo Schons (teclado), Bruno Trindade (percussão e voz), Celso Rey (bateria), Larissa Oliveira (trompete) e Gustavo Godoy (percussão), a banda costuma se apresentar pelas ruas de SP, frente a frente com o público, algo que contribuiu bastante para que o som da banda continuasse evoluindo com o tempo. Em 2015, lançaram seu primeiro EP, “O Caminho É o Mar”, com 5 músicas, que vendeu cerca de 3.000 cópias durante as apresentações pelas ruas. “Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua”, explica Bruno Sanches.

– Primeiramente, me fala mais do disco que cês acabaram de lançar!

Então, esse é nosso primeiro disco, e é um disco construído ao longo de 2 anos tocando na rua. Então ele reflete muito as situações que vimos e vivemos na rua, principalmente a troca maravilhosa que tivemos com as pessoas.
É um disco mais coletivo do que os outros dois EPs que tínhamos lançado: tem composições minhas, da Stela Nesrine e do Bruno Trindade. Os arranjos foram feitos a maioria em grupo.

– E como essa interação com o público fez parte do disco?

Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua. As pessoas emocionadas com nosso trabalho… São várias historias, isso fez com que nossas composições refletissem muito do que vivemos na rua. E baseada nas pessoas que cruzaram nosso caminho também. A gente sentiu a necessidade de falar de alguns temas da cidade que tivemos contato tocando na rua, problemas sociais, de habitação, machismo, homofobia etc.

– Por falar nisso, me fala um pouco sobre as letras desse trabalho. Vocês resolveram fazer algo mais puxado pro lado político e social da música, né?

É, então… Cada música conta uma historinha e fala sobre um tema, a gente tentou colocar temas que fizessem as pessoas refletirem e saírem da zona de conforto. Achamos importante o artista ser porta voz da mudança que quer no mundo, por isso a escolha de colocar esses temas em algumas letras.

– Me fala algumas músicas que você considera como destaques do disco.

Essa é difícil, hein. Se eu fosse aconselhar alguém, eu diria pra ouvir o disco todo e na ordem, porque só assim ele faz o sentido que a gente pensou. O disco é como um livro. Mas acho que “Malagueta”, “Sistema de Canudos”, “Africa Mãe” e “Persona” são boas pra ouvir e entender a versatilidade da banda.

– Falando nisso, a banda tem 9 integrantes, então acho que versatilidade é algo natural, né. Como vocês fazem para compor com tanta gente participando? Como é o processo?

As letras são feitas por mim, Stela e Brunão. Às vezes um desses três chega com a música meio pronta, mas tem vezes que chega apenas com a ideia, então a gente senta e vai tentando colocar a ideia da pessoa em pratica, o arranjo é sempre respeitando a ideia do compositor. Também fizemos algumas coisas em duplas, eu e Brunão, Eu e a Stela, por exemplo… Tem uma música que foi feita com um cantor amigo nosso do Congo, Leonardo Matumona. Como era uma musica que falava do continente africano, convidamos ele pra compor e gravar conosco.

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– Como a banda começou? Já começou com essa formação enorme?

Então, na verdade da formação atual eu sou o único da original (risos). O projeto era uma ideia minha, teve uma primeira formação que lançou um EP em 2013, mas depois acabou se desfazendo. No final de 2014 eu consegui juntar uma parte dessa turma que está agora, eram Érico (baixo), Léo (teclado) e a Stela (sax e voz) e o Marco na bateria, que depois acabou saindo também. Com essa formação pequena, gravamos outro EP, lançado em 2015, chamado “O Caminho é o Mar”. Aí ao longo de 2015 e 2016 entraram o Brunão (percussâo e voz), o Celso (bateria), Larissa (trompete) e o Gustavo (percussão). O Mike (guitarra) entrou em 2015, ficou com a gente até gravar o disco, mas depois de gravar decidiu seguir outro caminho.

– E como vocês veem a cena independente hoje em dia? Como tá pra vocês?

Olha, a cena tá quentíssima. Linda demais. Temos tantos amigos que admiramos e vendo o crescimento de tantas bandas merecidamente, isso empolga e nos deixa muito felizes. Nós estamos caminhando naturalmente, o primeiro disco é um marco para o crescimento. A gente espera viajar mais e espalhar muito nossa musica

– Como vocês definiriam o som d’O Grande Grupo Viajante?

Cara, é um som brasileiro com pitadas latinas e africanas, mas principalmente é um som multicultural e plural, pensado em fazer o publico dançar, amar e refletir sobre o mundo.

– Aliás, no começo do ano saiu um clipe com a presença de um monte de gente da cena, né. Como foi isso? Quem aparece no clipe?

Sim, então fizemos o clipe de “Obra de Miró”, que está no disco. A gente convidou um monte gente pra embarcar no espírito da musica, que é dançar do jeito que se sentir bem. De migos e migas famosos tivemos o Samuca (Samuca e a Selva), Paula Cavalciuk, o Gomes (Francisco El Hombre), João Perreka, a Camilla e Leo da Molodoys, o Jonata (DJ Obá), e tivemos a participação de mais vários amigos e amigas queridos demais que soltaram o rebolado.

– E como é essa integração entre as bandas da cena independente? Rola bem ou você acha que podia rolar mais?

Rola legal, pelo menos com a galera que temos contato é sempre ótimo. Já fomos pro RJ e nos hospedamos com os amigos da Astrovenga, já recebemos várias bandas em casa também… Rola muito essa troca de hospedagem e show. Participações também e shows conjuntos sempre rolam. Acho que a cena independente, pelo menos a que a gente faz parte, principalmente das bandas de rua, tantos amigos que sempre nos indicam pra trampos e nos ajudam sempre que podem. A Picanha de Chernobill por exemplo é uma banda muito amiga nossa que já nos indicou pra trampos e já fizemos alguns shows juntos, é sempre um prazer, pois admiramos muito eles. Tivemos a oportunidade também de ter participação do Jairo Pereira (Alafia) e da Ekena em nossos shows e foi lindo demais, são 2 artistas que admiramos demais.

– Quais são os próximos passos da banda?

Estamos fazendo shows de lançamento. Os próximas são em Paranapiacaba, dia 13/10 e BH, 14/11. Mês que vem lançaremos um live de coisa fina.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nossa temos sorte de ter amigos talentosos e inspiradores ao nosso redor e são tantos que fica difícil citar todos, mas acho que vocês não podem deixar de conhecer: Picanha de Chernobill, Molodoys, Paula Cavalciuk, Samuca e a Selva, Ekena, Molodoys, Rocartê, Alafia, João Perreka e os Alambiques, Newen (Chile), Astrovenga, Uiu Lopes, Bruno Lima… Ah, tem muitos outros, teria que ficar falando até amanhã!

Italianos do Miss Chain and the Broken Heels preparam novo disco com selvageria power pop

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Miss Chain and the Broken Heels
Miss Chain and the Broken Heels

Astrid Dante sempre teve um certo problema com salto alto, mas isso nunca impediu que ela fizesse rock’n’roll alto, selvagem e sem freios. A banda Miss Chain and the Broken Heels, da Itália, une rock sessentista, power pop e o mais puro rock and roll em seu som e começou como um projeto solo da vocalista e guitarrista, que após lançar o single “Common Shell” pela Jett Records em 2008 resolveu que valia a pena ter uma banda. Os convocados foram Disaster Silva (guitarra), Franz Barcella (baixo) e Miracle Johnny (bateria), os Broken Heels, que junto com ela criaram mais singles e o primeiro LP, “On a Bittersweet Ride”, lançado pela Sonic Jett e pela Burger Records. Em 2013 foi a vez do disco “The Dawn”, que reuniu singles e novas músicas criadas durante as diversas turnês da banda pela Europa, Estados Unidos e México.

Conversei com Astrid sobre a carreira da banda, os singles que lançaram recentemente, a cultura do disco e a profusão do streaming:

– Como a banda começou?
Tudo começou como projeto solo. Eu gravei um monte de músicas com Paolo Dondoli, um amigo e guru de Firenze. Depois de colocá-las no myspace.com, elas viralizaram e o selo Sonic Jett de Portland e RIJAPOV da Brescia decidiram lançá-las como um EP 7″ no final de 2007. Depois de alguns meses, comecei a pensar que seria legar ter uma banda para tocar e magicamente Franz entrou em contato comigo dizendo que ele e seu irmão Bruno queriam formar uma banda. Chamei o Silva como guitarrista e no verão de 2008 estávamos fazendo nossa primeira turnê americana.

– Como surgiu o nome de Miss Chain e os Broken Heels?
Como disse, o projeto começou comigo e Paolo. Quando chegou a hora de escolher um nome, descobrimos que teria sido legal fingir que havia uma banda real atrás, então “The Broken Heels” parecia bom. Escolhi porque não consigo usar sapatos de salto alto e literalmente os quebrei algumas vezes quando estava no palco.
Miss Chain era meu alter ego com a minha outra banda, The Nasties.

– Quais são as suas principais influências musicais?
Nós ouvimos muitos gêneros diferentes. Pérolas antigas e novos artistas. Atualmente, estou ouvindo em loop War On Drugs, Alabama Shakes, Ryan Adams, Dan Auerbach, Fabrizio De Andrè, Ennio Morricone, Vasco Rossi.

– Você acabou de lançar dois novos singles. Pode me contar mais sobre eles?
Um é “Uh Uh”, uma das minhas músicas favoritas, porque é rápida e cativante, e no lado B tem uma balada, “Standing the Night”, que eu escrevi depois de uma turnê na Espanha onde ouvimos muito dos álbuns de Bruce Springsteen. O outro é um single de Natal onde você terá a mente explodida por toneladas de guitarras de 12 cordas. No outro lado, há uma música do Shantih Shantih, a banda super legal que nossa amiga Anna Barattin (Vermillion Sands) começou depois de se mudar para Atlanta. Esse faz parte de uma série única da Wild Honey Records e existem poucas cópias disponíveis. Você não pode comprá-lo, mas você pode obtê-lo gratuitamente se solicitar qualquer um dos seus lançamentos.

Miss Chain and the Broken Heels

– Eu amei “On a Bittersweet Ride”. Como foi produzido esse LP?
Gravamos “On a Bittersweet Ride” em 2010 no Outside Inside Studio com o Matteo Bordin (do Mojomatics). Foi o nosso primeiro álbum e gravamos com muita diversão e entusiasmo. Lembro que tudo foi tranquilo e as gravações surgiram poderosas e frescas. As músicas estavam bem organizadas e tivemos muitos shows antes de entrar no estúdio, então chegamos muito bem preparados e prontos para o rock’n’roll!

– Vocês estão trabalhando em um novo álbum?
Estamos fazendo um forte trabalho para nosso próximo álbum e estamos muito entusiasmados com isso. Acabamos de sair da T.U.P. Studio e gravamos 4 músicas novas, mal podemos esperar para voltar e terminar o trabalho com mais 6 músicas! Temos um novo membro da banda trabalhando como produtor: Riccardo Zamboni. Ele nos trouxe para uma nova maneira de escrever e estruturar a música e está ajudando muito, já que não podemos ensaiar com muita frequência porque vivemos em diferentes partes da Itália.

– A cultura do álbum acabou? Você acha que estamos numa época em que os singles são mais importantes do que um álbum completo?
Bem, isso depende do gênero. Eu acho que o rock’n’roll, o punk, os fãs de garage rock sempre preferirão um álbum completo, em vez de singles e EPs. Nós adoramos álbuns, mas eu pessoalmente acho que os singles, hoje em dia, são uma ótima ferramenta promocional e seria bobo não entender isso e ficar preso no passado. Nós não queremos ser vintage ou retrô e, mesmo que nossa música possa ser influenciada ou inspirada por grandes artistas do passado, tentamos nos envolver com nossos fãs que estão vivendo e respirando em 2017 e não em 1967!

– Como você se sente sobre a cultura de streaming que tomou o mundo nos últimos anos?
Nós somos todos enormes vinilistas e colecionadores de cassetes, mas não negamos o uso de serviços de streaming tanto para ouvir quanto para distribuir nossa música. Adoro fazer playlists no Spotify! Claro que há aspectos bons e ruins, mas, no final, é algo com o que você precisa viver.

Miss Chain and the Broken Heels

– Quais são os próximos passos da banda?
Atualmente estamos gravando nosso novo álbum e tentando nos manter juntos, além de outros projetos musicais e nossos trabalhos. Não é fácil como costumava ser quando éramos mais jovens e muito mais livres, mas todos sentimos que a Miss Chain deve continuar! A paixão e a diversão que temos fazendo o que fazemos pagam o esforço. O próximo passo é planejar outra turnê mundial! América do Sul seria um sonho que se tornaria realidade!

– Recomende artistas e bandas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção ultimamente!
Bee Bee Sea e Freeze da Itália. J.C. Satan da França. E meu super favorito Doug Tuttle de Massachussets, Estados Unidos.

OZU traz para a cena paulistana o downbeat, vertente do trip hop em ascenção em Tóquio

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OZU
OZU

Formada em 2015, a banda OZU resgata em seu som o trip hop inglês que tomou o mundo nos anos 90, trazendo à cena paulistana o downbeat, gênero que está em ascenção na cena musical de Tóquio. “Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio em que vários DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som”, contam.

O quinteto, formado por Felipe Pagliato (bateria), Kiko Cabral (picapes/teclado), Gustavo Santos (guitarra), João Amaral (baixo), Juliana (voz) e o DJ RTA, três vezes campeão nacional de Scratch Freestyle, lançou em agosto seu primeiro EP, “The DownBeat Sessions Vol. 01”, com quatro faixas que remetem à obra de grupos como Portishead e Goldfrapp. Ah, e The DownBeat Sessions Vol. 02″ já está em pré-produção. Confira a entrevista que fiz com Kiko:

– Como a banda começou?
A banda começa lá por 2015 quando eu \volto de Manaus e mando um e-mail pro Gustavo (guitarrista), já com intenções de reunir um pessoal pra tocar alguns beats que eu já vinha fazendo. Depois, conheci a Juliana (vocalista) quando trabalhamos juntos numa websérie e ficamos ensaiando lá em Cotia (nossa cidade natal) por um tempo nessa formação mesmo – teclado/programação, guitarra e voz. Quando a coisa já estava mais consolidada chamamos o Felipe (baterista) e o João (baixista) que já conhecia da faculdade e fizemos alguns shows com essa formação. No começo desse ano o Ronan (DJ) entrou na banda.

– O que significa OZU e como o nome surgiu?
Ozu vem do cineasta japonês Yasujiro Ozu, um cineasta que nos inspira muito na questão de ritmo/composição.

– Me fala mais desse último trabalho que vocês lançaram! Tá sendo elogiado pra caramba.

Resolvemos lançar esse vídeo para disponibilizar um material mais orgânico e ao vivo da banda. Como instrumentistas temos um passado e uma relação forte com o jazz e, por isso, quando tocamos ao vivo nos damos algumas liberdades em questão de dinâmica e arranjo o que, por motivos óbvios, soa bem diferente de um material gravado em estúdio. Quem assina á direção é Os Carcassone, com a produção de Breno Zaccaro e Andre Natali.

– Porque seguir o trip-hop? O que esse estilo diz pra vocês? Ou vocês definiriam a banda com outro estilo?
O trip-hop inglês é o começo de tudo e é o que o pessoal mais conhece e por isso é a primeira associação que fazem com o nosso som. Mas se procurarem saber sobre DJ Krush, Kemuri Productions ou os mais atuais Pretty Lights, Jhfly e Flughand vão ver que a nossa influencia apesar de ser sim bem forte no trip-hop inglês ela não acaba por ai.

– Me fala um pouco mais sobre esse downbeat que vocês falaram que tá rolando em Tóquio.
Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio que varios DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som.
OZU
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– Como vocês veem a cena independente brasileira hoje em dia?

Não sei se sou a pessoa certa pra responder essa pergunta. A OZU é o primeiro contato que eu tenho com a cena independente mas pelo pouco que vi percebi que existem uns heróis aí que com pouquíssimo retorno financeiro e praticamente nenhum apoio publico fazem um trabalho enorme pra coisa se movimentar e que se a gente não ficar ligado esses heróis não vão durar muito. É bom ficar ligado também que geralmente as mesmas cabeças que lutam pela cultura lutam também pelas mudanças e renovações da nossa sociedade. Se deixarmos esses cabeças desaparecerem, conservadores aparecem de uma forma oportunista e hipócrita e se apropriam do discurso de renovação, veja aí o prefeito de São Paulo.

– O mainstream ainda é necessário? As bandas ainda devem procurar alcançar o mainstream?
Depende do que você esta classificando como mainstream. Existe sim a necessidade da banda pertencer a um nicho que receba um mínimo de atenção e retorno financeiro pra que ela possa sobreviver.

– Qual o processo de composição da banda?
Eu faço os Beats, letras e linhas de voz e passo pra banda. Daí a gente toca elas algumas vezes e ajusta o que precisa..

OZU
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– Quais os próximos passos da banda?
A agenda de shows está bem movimentada mas temos mais dois clipes a caminho e o disco já está quase pronto.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Recentemente tocamos com um projeto chamado The Smell Of Dust. O som deles é incrível.

Bifannah faz tropicalismo atlântico com lisergia e fuzz no disco “Maresia”

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Cantando em português, espanhol e galego, a banda Bifannah faz um som que define como tropicalismo atlântico com lisergia e fuzz. Eu bem que tentei achar alguma outra definição para o que a banda faz, mas eles acertaram na mosca: uma mistura de psicodelia, Tropicália, stoner rock, garage e o fuzz sempre ativo. Então pra que eu complicaria algo que a própria banda já havia descomplicado?

Formada por Antía Figueiras (baixo, teclado e vocal), Guille V. Zapata (guitarra e vocal), Antón Martínez (bateria e percussão) e Pablo Valladares (guitarra), a banda surgiu no final de 2015, em algum lugar entre Barcelona, Londres e Galícia. Lançaram um EP auto-intitulado no mesmo ano e em 2017 veio “Maresia”, seu segundo trabalho, com uma dose ainda maior de influências sessentistas e setentistas no som e uma coesão maior entre as faixas.

– Como a banda começou?
Bifannah surgiu em 2015 quando Antía e Guillermo morávamos em Barcelona e Antón em Londres. Um ano mais tarde e depois de gravar nosso primeiro EP, também entra Pablo na banda. Anteriormente os 4 já estivemos em outras bandas, além de ser bons amigos.

– O que significa Bifannah?
A bifana é um prato típico português, uma sandes (sanduíche). Guillermo tirou cinco anos a estudar no Porto, e nesse período, temos uma lembrança, uma noite de festa que acabou com uma bifana a altas horas… O dia a seguir foi terrível, e o conceito de bifana ácida e perigosa foi engraçado, pelo que deu para a alteração do nome a “Bifannah”.

– Quais as suas principais influências musicais?
Há muita coisa que nos influencia: desde o movimento tropicalista, as bandas europeias dos anos 60 e as harmonías vocais da west coast até o afro-beat ou a psicodelia revivalista.

– Como você definiria o som da banda?
Não é fácil, mas podemos falar de pop, psicodelia e garage com reminiscências 60s e 70s.

bifannah

– A banda tem integrantes de diversas nacionalidades. Como isso se reflete no som?
Realmente todos somos de Vigo (Galiza), mas por exemplo Antía tem origens brasileiras e estamos a morar em diferentes cidades. Isso causa que quando nós combinar, ensinamos músicas e bandas novas uns aos outros.
Sempre tentamos investigar novos sons e isso afeta positivamente ao processo de criação.

– Como é seu processo de criação?
Desde o início trabalhamos a distância. Partimos de ideias de guitarra, baixo ou órgão que cada um trabalha individualmente na primeira fase. Depois já com a presença dos 4, partilhamos sensações e trabalhamos de forma muito intensiva para desenvolver e terminar a estrutura definitiva de cada canção.

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
Em 2016 lançamos 5 músicas no “Bifannah EP”. O primeiro trabalho que foi a porta de chegada para os primeiros concertos em Espanha e Portugal. Também foi a apresentação para trabalhar com o selo The John Colby Sect.
A finais de 2016 começamos com a criação do primeiro LP, que foi lançado finalmente em junho de 2017: “Maresia”. Um trabalho gravado na Galiza com Iban Pérez (Selvática, Pantis) e mixado pelo Jasper Geluk (Jacco Gardner, Altin Gün) na Holanda.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?
Hoje é muito mais fácil trabalhar uma cena independente e auto-sustentável pela difusão e possibilidades de Internet. Há muitos estilos a ser escutados e criados por muito pessoal que já também não têm paciência para escutar 10 músicas de uma banda só. Isso é complicado, mas acho que as bandas têm de procurar o seu próprio espaço, ter o seu próprio movimento a todos os níveis para não depender de ninguém mais do que a sua própria música e dos que gostam e partilham. Também acho que a cena independente atual, está a criar mais solidariedade entre bandas, do que nunca foi antes.

bifannah

– Quais os seus próximos passos?
Agora tudo vai ser apresentar “Maresia” em direto por Espanha, Portugal, Holanda e UK. Também já estamos a pensar em novas canções para um novo single, mas sempre tentando levar nossa música o mais longe – artística e físicamente – possível!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Dos últimos tempos gostamos de bandas como Fumaça Preta, Altin Gün, The Babe Rainbow, MØURA, Tess Parks, Mystic Braves, Bruxas

Supervibe aposta em letras em português em seu psicodélico segundo EP, “Autóctone”

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Supervibe
Supervibe
O trio Supervibe surgiu na conturbada capital de nosso país, mas foge do rótulo “rock de Brasília” que se criou nos anos 80. O embrião da banda nasceu em 2013, quando Sand Lêycia (bateria) e João Ramalho (guitarra e vocal) se conheceram na faculdade e formaram um duo de garage rock. Em 2015, decidiram que era hora de reformular o projeto, incluindo, depois de muitas jams, o baixista Deivison Alves.
O power trio de Gama, cidade satélite de Brasília, acaba de lançar seu segundo EP, “Autóctone”, sucessor de “Clarão”, de 2015. Agora somente com letras em português, o novo trabalho conta com cinco faixas que mostram as influências diversas da banda, que vão de Jimi Hendrix a Warpaint, passando por Bruno Mars e The Doors, o que demonstra um pouco a diversidade musical que Brasília possui hoje em dia. “Hoje aqui tem banda de tudo quando jeito! Tem experimental, instrumental, neo-psicodélico ao psicodélico 70, folk, indie, shoegaze. Tá um caldeirão doido”, conta Sand.
– Como a banda começou?

João Ramalho (vocal e guitarra) e eu (bateria) nos conhecemos na faculdade, tínhamos e temos muita afinidade nas bandas. Na época, em 2013 éramos um duo, bem garage rock. Só em 2015, que decidimos reformular tudo, nome, som, idealizamos outra banda, e com essa nova proposta veio a necessidade de colocarmos um baixo porque nos show improvisamos bastante, rola jams, daí com o Deivison (baixo) conseguimos alcançar o que almejávamos.

– De onde surgiu o nome Supervibe?

Pense numa coisa que somos péssimos pra criar: nome de banda (o outro era pior (risos)). Gostávamos muito de um pedal de efeito de chorus na Marshall, o nome era Supervibe, foi daí que veio o nome,

– Quais as suas principais influências musicais?
A banda em comum de nós três é o Jimi Hendrix Experience. João gosta bastante de bandas grunge, o Deivison tem um pé no pop Bruno Mars, Skrillex e tals, e eu gosto de banda esquisita (risos), mas posso citar Warpaint, The Smiths e The Doors.
– Como é o processo de composição da banda?

Nosso maior meio de fazermos as canções são por meio de jams, depois pensamos nas melodias vocais e letras.

Supervibe
– Me falem um pouco mais sobre o material que já lançaram.
O “Clarão”, nosso primeiro EP, saiu um pouco diferente do que somos hoje, tem muito mais efeito, algumas letras em inglês e tals. Eles nos abriu muitas portas, tocamos duas vezes no PicNik, no Groselha ao lado de Carne Doce e Black Drawing Chalks. O ‘Clarão” nos mostrou pro DF. Este ano lançamos o “Autóctone”com cinco faixas e todas as letras em português.

– Vocês lançaram um webclipe de divulgação para uma das faixas. Os clipes ainda são importantes, mesmo com o fim da vitrine musical de clipes que era a Mtv Brasil?

Cara, o Youtube tá aí pra provar que é a nova videoteca do planeta. Pras bandas é ainda mais importante, se você é do Norte e quer ouvir um som do Sul, é por meio do Youtube que vai conhecer a banda, a estética, o visu e tudo. Investir no Youtube é primordial!

– Brasília é um lugar que sempre fervilhou de bandas e artistas de projeção nacional. Como anda a cena por aí?

Anda linda! Na época do Legião, Aborto Elétrico, Capital e todas as outras, a gente via as bandas seguiram um mesmo caminho sonoro. Hoje aqui é BSB e no DF em geral é diferente, tem banda de tudo quando jeito! Tem experimental, instrumental, neo-psicodélico ao psicodélico 70, folk, indie, shoegaze. Tá um caldeirão doido.

– Como é a vida de banda independente em Brasília?

Difícil, já que pouquíssimas são as casas de show. Mas isso não impede as bandas de tocarem, a gente toca na rua, em teatro, em parque.Tá surgindo festivais maneiríssimos como o PicNik, Groselha, CoMa… fora o Porão que já tem décadas de existência. Isso é o maneiro de irmos contra a corrente, a gente busca um outro jeito de divulgar o som.

Supervibe

– Quais os próximos passos da banda?
Queremos sair pra tocar no Brasil. Tomara que ele consiga abrir muitas portas pra gente. Queremos tocar e divulgar cada vez mais o nosso som.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Cara, tem Tertúlia na Lua, Kelton, Oxy, Joe Silhueta, Pollyana is Dead, Toro, Lista de Lily, Vintage Vantage, Quarto Astral e mais uma porrada.

The Sorry Shop lança “Softspoken”, um barulhento caminho de distorções, reverbs e delays

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The Sorry Shop
The Sorry Shop

Misturando a estética dream pop com elementos do shoegaze, “Softspoken” é o terceiro disco da banda gaúcha The Sorry Shop. “O leve paquiderme desfocado da capa, assinada pela talentosa Meire Todão, sumariza a ideia principal do disco: mesmo com todo peso do mundo é possível flutuar. Com letras sempre introspectivas e com algo de melancólico na estética do som, a banda cria um disco de paisagens amenas e despretensiosas, convidando o ouvinte ao imaginativo labirinto de distorções, reverbs e delays”, conta o release do lançamento.

O álbum, lançado pela Lovely Noise Records e pela Crooked Tree Records é um prato cheio para quem gosta de Yuck, Ringo Deathstarr, My Bloody Valentine e Slowdive. A banda é formada por Régis Garcia (guitarra e vocal), Marcos Alaniz (vocal e teclados), Mônica Reguffe (baixo e vocal), Kelvin Tomaz (guitarra e vocal) e Eduardo Custódio (bateria) e nasceu em 2011, no Rio Grande do Sul, lançando seu primeiro single, “Not The One”, no mesmo ano. Em 2012 lançaram seu primeiro disco, “Bloody Fuzzy Cozy”, que recebeu ótimas críticas, e em 2013 o segundo trabalho, “Mnemonic Syncretism”. “Softspoken” é a volta do grupo após um hiato de quatro anos sem novas músicas. “É um disco bem mais suave e cheio de arranjinhos mais discretos, mas sem esquecer das guitarras barulhentas e as microfonias. Antes do disco saiu o clipe pra ‘Queen Of The North’ e já estamos planejando uma pequena turnê e mais vídeos”, contou Marcos.

– Como a banda começou?

A banda começou em 2011, dentro do quarto, de maneira despretensiosa, botando umas ideias pra fora e aproveitando o desejo de fazer coisas bonitas. A ideia era aproveitar as influências do que a gente escutava na juventude, botar tudo num saco, e ver no que dava. Acabamos encontrando uns balizadores, como o Yuck, que tava lançando disco naquele ano, e, então resolvemos que dava pra fazer algo bem legal naquela mesma onda. No início era mais sujão mesmo, mais lo-fi do que qualquer coisa, mas a gente foi investindo num caminho mais voltado pro Shoegaze e Dream Pop e dando uns contornos diferentes para as ideias e pros arranjos.

– De onde surgiu o nome da banda?

Sabe quando a gente faz cagada e não sabe bem o que dizer e deseja que tenha uma maneira fácil de falar isso? Então, é algo assim. É sobre esse desejo de poder comprar, adquirir de maneira simples, uma desculpa. É uma metáfora sobre a banalidade com que a gente pede desculpas hoje em dia, sem se comprometer.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Isso vai longe. Como cada um de nós tem experiências musicais bem variadas, a gente acaba escutando do pop aos barulhos. Cada membro da banda tem algumas influências diferentes, mas acho que todos concordamos com os padrões do shoegaze como My Bloody Valentine, Slowdive e Ride e vamos descobrindo bandas mais novas, como Ringo Deathstarr, Yuck, A Place To Bury Strangers e afins e apresentando uns aos outros. Essa coisa da influência é legal, especialmente pela plasticidade, pela possibilidade de ser influenciado o tempo todo por coisas novas, e não só aquilo que tá no âmago do nosso desenvolvimento musical.

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Lá em 2011 lançamos um EP, o “Thank You Come Again”, que tem 5 músicas, das quais 4 saíram no nosso primeiro disco completo, “Bloody, Fuzzy Cozy”, que saiu em 2012 e foi o nosso grande primeiro movimento pra assumir ser uma banda que flerta com o dream pop e o shoegaze. O disco é bem longo e não é tão homogêneo quanto a gente gostaria. Saímos em turnê com esse disco, e fizemos 2 videoclipes oficiais. O segundo disco completo, “Mnemonic Syncretism”, de 2013, que foi um disco mais coeso na nossa opinião, veio com 1 videoclipe oficial e uma turnê de divulgação que rodou bastante o estado do Rio Grande do Sul. Agora estamos com o “Softspoken” (2017), um disco bem mais suave e cheio de arranjinhos mais discretos, mas sem esquecer das guitarras barulhentas e as microfonias. Antes do disco saiu o clipe pra “Queen Of The North” e já estamos planejando uma pequena turnê e mais vídeos.

The Sorry Shop

– Como vocês definiriam o som da banda?

A gente gosta de pensar em um labirinto de reverb e delay, onde se perder é a regra, bem mais do que achar a saída. A ideia é sempre deixar a escuta flutuante, livre pra pegar aquilo que chamar a atenção no meio de uma massa, uma parede sonora sussurrando no ouvido. Se prestar muita atenção, se for muito focado, se for procurar os detalhes, perde a graça.

– Como é o processo de composição da banda?

Basicamente as músicas saem da cabeça do Régis, que grava todos os instrumentos. Algum extra é adicionado na pós-produção. Nessa fase não tem bem um processo, é tudo muito caótico. Tem vezes que as guitarras são simplesmente açoitadas em uma sala fechada por horas até sair um ou outro ruído ou riff que agrade. É tudo uma grande experimentação de texturas e dinâmicas. Depois nos juntamos para trabalhar as letras, e as melodias de vocal. Então gravamos algo que represente o que sentimos naquele momento, sempre tentando capturar uma atmosfera mais delicada.

– Como a cena independente pode crescer? Ela já está expandida ou precisa de mais força?

Esses dias a gente leu uma discussão sobre isso e também ficou com uma bela pulga atrás da orelha. Não é que a gente não queira se comprometer, mas é que é bem difícil responder isso sem muita subjetividade. A claro que, por um lado, a gente pensa que a cena pode crescer. Mais que isso: a gente deseja que ela cresça e possa acolher toda a ótima produção que tem por aí. Há algo consolidado, há grandes expectativas, mas sempre falta algo que vai além do desejo do artista. Se a gente fala de cena não apenas como a produção do artista, talvez seja mais simples, mas quando envolve todo resto, como, por exemplo, público, lugares, selos e por aí vai, pode ser que falte entender melhor o que estamos fazendo e pra onde vamos. Um lance cruel, por exemplo, é a questão da logística e da movimentação pra circular. Isso, sem dúvida, reduz muito as possibilidades de ter uma cena mais distribuída e menos organizada em pequenos nichos. Honestamente, a gente é bem perdido nessa grande confusão.

– Quais os próximos passos da banda?

Com o disco lançado, começaremos a tirar as músicas (até pouco tempo atrás só o Régis tinha ouvido tudo) e, então, a ensaiar. Hoje, como quinteto (antes era um sexteto, mas o Rafa deu um tempo pra cuidar de outros projetos e fizemos uns rearranjos no qual a Mônica passa a tocar baixo e o Régis sai do baixo e vai pra guitarra, que é algo bem lógico), cabemos todos em um carro. Gostamos da estrada e dos shows. Se tudo der certo, faremos uma pequena turnê e continuaremos trabalhando em estúdio pra não demorar quatro anos pra gravar outro disco de novo!

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

A gente curte demais a produção brasileira e é bem justo destacar o baita trabalho que bandas como The Us, Céus de Abril, Lautmusik, Herod, This Lonely Crowd, Josephines, Justine Never Knew the Rules, Oxy, Loomer e assim por diante. São bandas de gente que faz um trabalho fantástico por aqui e merecem ser reconhecidas mundo afora pela qualidade.

Festival PIB – Produto Instrumental Bruto comemora 10 anos de resistência

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O PIB – Produto Instrumental Bruto é um festival de bandas instrumentais que acontece desde 2007 e visa promover a cultura da música instrumental contemporânea e inovadora em toda a sua diversidade de estilos musicais. Nesses 10 anos, o festival já apresentou 65 shows de 52 novas bandas instrumentais de 14 estados brasileiros e em 2017 completa 10 anos, sempre em busca de um panorama atual da nova música instrumental brasileira. O Festival PIB  desde sua primeira edição trouxe um novo olhar para a música instrumental, fazendo um contraste entre o primitivo e o moderno, o bruto e o lapidado, a natureza e a cultura.

O Festival realizará uma edição comemorativa de 10 anos, que acontecerá no dia 08 de outubro, das 16h as 22h, na Casa das Caldeiras e apresentará os shows das bandas: Amoradia do Som (SP/ SP), E a Terra Nunca me Pareceu tão Distante (SP/SP), Ema Stoned (SP/SP), Mais Valia (Jau / SP) e Rocktrash (Guarulhos / SP). Além dos shows, o festival terá outras atividades ao longo do dia. A exposição deste ano apresentará trabalhos de artistas visuais que também são músicos de bandas da cena: Andre Astro da banda O Grande Ogro apresentará suas fotografias e Yuri Sopa, da banda Kaoll apresenta seu trabalho de ilustrações de lendas brasileiras. Completam o festival: a oficina de percussão em sucata com Loop B e uma feira cultural. Todas as atividades do festival são gratuitas e a censura é livre. Atualmente o festival está em campanha pelo Catarse para arrecadar fundos para realizar esta edição. Apoie: https://www.catarse.me/festival_pib_10_anos_a84d

Desde 2014, a curadoria do projeto é assinada por Inti Queiroz, produtora executiva e criadora do festival e que também participou das curadorias anteriores. Conversamos com ela sobre o festival e o atual momento da produção cultural no Brasil. Confira:

– A música instrumental brasileira sempre teve uma imagem muito tradicional. Como foi criar o Festival Pib e ajudar a desconstruir isso?

Uma das missões quando criamos o Festival era justamente mostrar que existia uma nova música instrumental sendo feita que ia muito além do choro e do jazz brasileiro, ou mesmo do jazz contemporâneo. Em 2006 já existiam algumas bandas deste tipo, então o PIB veio para tentar unir essas bandas que surgiam com essa nova sonoridade. Na primeira edição em 2007, tivemos 45 inscrições de bandas, sendo que metade tinha esse viés novo. Em 2015, tivemos 208 inscrições e 67 bandas com esse novo viés. Nesta edição de 2017, fizemos um mapeamento com sugestões do público. Tivemos mais de 500 sugestões e destas conseguimos extrair 252 bandas com essa nova sonoridade. Isso é um crescimento e tanto. Acho que cooperamos para isso. Não somos contra a música instrumental tradicional longe disso. Mas achamos importante ter esse espaço para essa nova sonoridade. Hoje em dia até os festivais de música instrumental mais tradicional já estão aceitando bandas com essa nova sonoridade. Isso deixa a gente bem feliz. Estamos rompendo a hegemonia.

– Depois de 10 anos recebendo inscrições para a programação, você acha que as bandas evoluíram na forma como apresentam seus trabalhos para esse tipo de curadoria e seleção? Qual o papel da internet nisso?

Sem dúvida a internet ajudou bastante nessa evolução. Em 2007, primeiro ano de festival, ainda estávamos no início do Facebook e de aplicativos de música para bandas independentes. Até 2011 fizemos as inscrições com materiais enviados pelo correio. A partir de 2012 as inscrições eram via internet, ou com formulário ou pelo email. Ficou muito mais fácil e melhor fazer a curadoria e conhecer mais a fundo as bandas. Nem todas as bandas apresentam um material realmente satisfatório. Mas a grande maioria é bastante profissional quanto a isso. Se compararmos a 10 anos atrás fica ainda mais nítida a melhora. Até porque me parece que as bandas puderam conhecer o modelo de divulgação de outras bandas e assim tornar ainda melhor a forma de apresentar seus trabalhos e se divulgar. Com isso ganhamos muito nos materiais recebidos cada vez melhores. Mas a concorrência entre as bandas também aumenta. Pena que a grana é pouca e não dá pra chamar todo mundo pra tocar.

– O Festival Pib está com um projeto de apoio através do Catarse. Quais as dificuldades em se fazer cultura no país? Acha que o financiamento coletivo surge como opção definitiva para suprir uma lacuna criada pelo Estado no setor cultural?

De uns 5 anos para cá ficou bem mais difícil conseguir fazer um festival com apoio público. A primeira edição do PIB em 2007 foi feito via edital do Proac e já tivemos bons patrocínios. Mas isso foi antigamente. Além da concorrência ter aumentado bastante, a verba pública para cultura só tem diminuído. Para quem trabalha com música independente, sem viés comercial é ainda mais difícil. Quando optamos pelo Catarse, pensamos que pelo menos nos ajudaria um pouco. Mas mesmo assim ainda é bem difícil. Raramente as pessoas apoiam. Acaba ficando muito na bolha dos amigos mais próximos. Hoje eu vejo muitas bandas gravando seus CDs via campanhas colaborativas e tem dado certo. Provavelmente esse tipo de campanha seja uma modalidade quase que obrigatória daqui pra frente. Com os cortes no setor da cultura chegando ao patamar quase zero, talvez seja a única alternativa, já que bilheteria não consegue pagar um festival.

– O que podemos esperar para a próxima edição? Alguma mudança com relação as edições anteriores?

Esta é uma edição comemorativa de 10 anos. Será apenas um dia de shows como foi em 2011 e 2014 e tivemos um público bem grande. A grande novidade desta edição é que pela primeira vez teremos uma banda 100% feminina, a Ema Stoned. Era nosso sonho ter uma banda só de mulheres no Festival, afinal o PIB é um festival produzido principalmente por mulheres. Até então nunca tinha aparecido uma com a sonoridade buscada entre as bandas inscritas. Isso pra gente é um presente de 10 anos de batalha! E que surjam outras bandas de mulheres para as próximas edições.

McGee and the Lost Hope reverencia os deuses do rock com o pé na porta no EP “Sensitive Woman”

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McGee and the Lost Hope
McGee and the Lost Hope

Mezzo-carioca, mezzo-norte americana, McGee and the Lost Hope surgiu da união de dois músicos apaixonados pelas raízes do rock and roll e do blues, a vocalista de Seattle Mauren McGee e o guitarrista Bernardo Barbosa, ou B.B, como prefere ser creditado, que já rodou a Europa tocando com o bluesman Gwyn Ashton. Com muitas afinidades musicais, como o amor por Led Zeppelin, The Doors, Creedence Clearwater Revival e Suzi Quatro, entre muitos outros deuses do rock, a dupla firmou a banda no começo deste ano e já saiu em turnê para mostrar seu som em alto volume. O som é uma mistura do classic rock com momentos blueseiros e influências notáveis de psicodelia e stoner rock.

O EP “Sensitive Woman” mostra um pouco disso, com quatro faixas que pisam fundo na melancolia blueseira sem deixar de lado o peso dos pedais do rock e do stoner. A voz de McGee casa perfeitamente com o estilo, transparecendo todo o sentimento que um verdadeiro blues deve ter. A banda já prepara seu segundo trabalho, que deve ser lançado ainda este ano.

– Como a banda começou?

McGee: A banda começou quando nos conhecemos em um show de rock e percebemos instantaneamente a conexão musical entre nós. De lá pra cá fizemos músicas, gravamos e fizemos muitos shows juntos.

– Como surgiu o nome da banda?

McGee: Essa parte do nome da banda foi sugerida pelo B.B, e estou fazendo o meu melhor para que a sua esperança realmente não seja perdida (risos). Mas tenho certeza de que nada está perdido por aqui, muito pelo contrário, estamos embarcando em uma longa estrada cheia de surpresas e conquistas!

BB: Pode ter vários significados, inclusive pra nós que criamos. Mas particularmente pra mim tem um significado muito forte, que remete a quando nos conhecemos, de alguma forma eu sabia que havia encontrado a minha esperança perdida em achar uma grande vocalista capaz de interpretar e representar tão bem essas canções.

– Quais as suas principais influências?

McGee: Os clássicos do rock’n’roll não podem ficar de fora nessa lista: Neil Young, Hendrix, Janis Joplin, Led Zeppelin, Suzi Quatro, The Doors, você sabe… Mas também estamos bem antenados em bandas contemporâneas como os Spiders, Blues Pills, Wucan, Electric Citizen

– Como vocês definiriam o som da banda pra alguém que nunca ouviu?

McGee: Rock and roll, baby! Com umas pitadas de stoner, psicodelia e blues, é o som perfeito pra se divertir. 🙂

McGee and the Lost Hope

– Contem mais sobre o material que vocês já lançaram.

McGee: O EP “Sensitive Woman” foi nosso pontapé inicial, através dele mostramos ao público nossas composições e influências. É um convite para os shows ao vivo, onde todos podem conhecer mais e curtir altas jams com a gente, nenhum show é igual ao outro!

– O que vocês acham da cena independente hoje em dia?

McGee: É demais! Conhecemos ótimas bandas, tocamos em lugares que nos acolhem muito bem e o público sempre se deixa envolver pela atmosfera de rock’n’roll presente nos nossos shows. É claro que poderia ser maior e movimentar mais grana, mas estrutura vem com o tempo.

– Porque o rock está tão fora das paradas de sucesso hoje em dia?

McGee: O eock incomoda. É muito passional, muito agressivo e sempre passa uma mensagem de liberdade e rebeldia e isso não é muito bom para a manutenção do status quo. O que o mainstream prego é justamente o oposto do eock, não nos surpreende que ele esteja longe do mainstream atualmente.

– Vocês estão planejando lançar um disco completo em breve? Vocês acham que a cultura do disco morreu com a chegada dos serviços de streaming?

McGee: Nosso próximo lançamento será um EP. Álbuns ainda são relevantes, mas precisam ser especiais, devem fazer sentido como um todo e não apenas um punhado de canções – queremos lançar um album que faça as pessoas quererem ouvir aquelas músicas como um álbum, seja lá como elas escolherem o formato físico ou serviço de streaming. Independente disso, nossos shows continuarão cheios de energia rock’n’roll e visceralidade, como sempre fazemos!

McGee and the Lost Hope

– Quais os próximos passos da banda?

McGee: O lançamento do nosso próximo single e o nosso próximo EP, que sairá em breve!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos.

McGee: Carbo, Old Shack Band, Blind Horse, LoFi, Deb and The Mentals, Hammerhead Blues, Stone House on Fire, Gods and Punks e todas as outras bandas que trombamos pela estrada, essa galera é demais – pode confiar!

Mannequin Trees mescla psicodelia e ares oitentistas no EP “Cavalo Sessions”

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Mannequin Trees
Mannequin Trees

Unindo a atmosfera da música dos anos 80 com ares da retomada da psicodelia atual, a banda Mannequin Trees é um projeto solo do compositor, guitarrista e vocalista sergipano Ícaro Reis que lançou neste ano seu primeiro EP “Cavalo Sessions”, com quatro faixas gravadas ao vivo na Cavalo Estúdio: “Daydream”, com destaque para a linha de baixo, “Remember”, que conta com toda a vibração do rock oitentista, “Tonight”, que fala sobre o futuro em meio à synths, e “Chances and Changes”, com momentos de violência e calmaria.

Para a produção do álbum, Ícaro chamou Gabriel Olivieri (O Grande Babaca), Teago Oliveira (Maglore), Leon Perez e Marco Trintinalha, que se revezaram nos instrumentos. O trabalho teve mixagem do próprio Ícaro. “As letras foram baseadas no meu dia a dia. São rotineiras e contam a história de duas garotas. Tudo sob o ponto de vista do cotidiano de uma pessoa comum. Não pensava em tocar ao vivo. Era apenas para ter o material gravado, mas fui mostrando a amigos e todos foram gostando e apoiando. Com essa resposta, resolvi reunir uma banda”, contou ao site Bolha Musical.

– Como a banda começou?

Comecei a compor as músicas, fui gravando e mostrando pra amigos. eles foram dando apoio, incentivando a formar a banda, e aí resolvi reunir a galera.

– De onde surgiu o nome da banda?

O nome veio a partir de uma visão minha, da padronização de coisas que nasceram pra ser diferentes, diversificadas!


– Quais são as suas principais influências musicais?

John Frusciante, Supertramp, Homeshake.

– Me fale um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Lançamos 4 vídeos inéditos, ao vivo no Cavalo Estúdio. São musicas que farão parte do nosso primeiro CD, e que apresentam um pouco do que a banda é.

– Este trabalho pode ser visto como uma ópera-rock, por contar a história de duas garotas?

Não creio que seja uma ópera rock. São apenas letras que tem ligação uma com a outra.

– A internet ajudou a unir a cena independente mundial ou atrapalha por oferecer muitas opções para quem quer ouvir música?

Ajuda! Tem espaço pra todo mundo. se detalharmos nossa busca pela internet, encontraremos bandas bem especificas pro que procuramos… acho isso muito bacana. Você escuta o que você quiser.

– A mudança na forma das pessoas ouvirem música, preferindo serviços de streaming à discos físicos, ajuda ou atrapalha a música, na sua opinião?

Acho que um pouco dos dois… o processo de impressão do disco físico é bem caro. Mas é onde a banda consegue ter algum lucro, vendas de CD e vinil. Por outro lado, os serviços de streaming são muito mais fáceis de manusear, e de encontrar qualquer banda que queira. 

– Como a mídia poderia ajudar a dar mais força para a cena independente hoje em dia, com a queda das grandes gravadoras?

A mídia poderia focar menos nas bandas que já são autossuficientes, e investir na nova geração. Não digo apenas no quesito música, mas todos que fazem arte. Ligamos a TV e vemos os mesmos rostos há mais de 25 anos. Pra o som independente se manter, não é preciso apenas sair em jornal/revista/site. É necessário união de todas as bandas, das que já estão há muito na estrada, e das que acabaram de começar.

Mannequin Trees

– Quais os próximos passos da banda?

Vamos lançar clipe, lançar CD. ainda não temos datas definidas, mas já tá quase tudo pronto.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Homeshake é o meu vício há mais de 1 ano (risos). E é claro o som dos amigos: Giovani Cidreira, Maglore, Alaska

Lara Aufranc se desprende das amarras do passado em seu primeiro disco solo, “Passagem”

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Lara Aufranc
Lara Aufranc

Antes líder da banda Lara e os Ultraleves, Lara Aufranc decidiu que era hora de se desprender das amarras do passado e se lançar ao mar para navegar mares mais ousados, com a liberdade que só seu nome permite. O álbum “Passagem” é a primeira amostra dessa nova forma de velejar da cantora, que agora “encara o próprio sobrenome”, segundo o Trabalho Sujo, deixando a introversão natural um pouco de lado e encarando o público de peito aberto.

O primeiro single, “Passagem”, fala sobre o cotidiano do paulistano e o deslocamento de pessoas e vontades. A faixa é a ligação ideal entre o álbum anterior com a banda Os Ultraleves (“Em Boa Hora”) e o novo trabalho, indo organicamente do piano e voz da MPB para os sintetizadores e guitarras do rock. O clipe foi inspirado por filmes soviéticos da década de 20 como ”Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” e retrata a cidade como uma engrenagem formada por pessoas. “Existe uma solidão no movimento circular e repetitivo das cidades, ao mesmo tempo em que estamos cercados de gente”, comenta ela. O clipe foi realizado pela EdMadeira Filmes, dirigido e fotografado por Freddy Leal. A cantora assina o roteiro, a edição e a produção do projeto.

Conversei com ela sobre a nova fase da carreira e o passado com os Ultraleves, o disco “Passagem”, sua introversão e como ela influencia o trabalho e o clipe para a faixa-título:

– Como você resolveu se lançar em carreira solo?

Olha, na verdade eu já estava em carreira solo. Até na matéria do Matias ele usou essa frase, eu achei boa:
“Assume o seu sobrenome, ao invés do nome que fazia seu trabalho solo parecer uma banda”. Desde 2015 já estava claro pra mim e pros meninos que era o meu projeto de vida, a minhas músicas, o meu investimento
mas pro público continuava parecendo uma banda… Por isso resolvi mudar. Isso e o fato de que estava na hora de me aventurar pelo mundo. Eu sou mais pra introvertida. acho que no começo me sentia protegida com esse nome, dava a impressão de não estar sozinha.

– Realmente, pra mim parecia uma banda, mesmo… E como você superou essa introversão para ganhar o mundo nessa nova fase?

Foram 2 anos né? desde o primeiro disco autoral. 2 anos de shows, tive que encontrar o meu lugar no palco. Fui ficando mais forte. Foi ficando mais claro quem eu sou e o que eu quero dizer como artista. Pensando bem, eu não acho que superei uma introversão. Ser introvertido é uma característica, não é um defeito. O Ney é introvertido e tem uma puta performance de palco. Eu acho que eu fui me encontrando como artista. E que esse suporte do nome Lara e os Ultraleves deixou de ser necessário.

– Sim, acredito que o Criolo também. No palco vira outra pessoa.

Exato.  Inclusive a banda continua a mesma. Já faz um tempo que são os mesmos caras.

– Agora, me conta mais sobre esse clipe que saiu agora! A estética P&B, com esse toque de azul… O que ele significa pra você?

Nossa, eu to muito feliz com esse clipe! Eu já conhecia o Freddy (diretor) de um outro programa que a gente gravou juntos, o Mulheres Fora da Caixa. Me lembro de ter visto um vídeo dele com a Sara não tem nome – que tinha só uma guitarra azul. As maiores referências estéticas do clipe são os filmes: “Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” – ambos soviéticos e dos anos 20. Ou seja, os dois são PB e mudos (no youtube você assiste com música). Então de certa forma a estética PB já estava incorporada nesse clipe, depois foi a sacada da maquiagem azul.

Lara Aufranc

– Porque o azul? O que ele simboliza pra vocês?

Eu já tinha usado essa maquiagem numa sessão de fotos como José de Holanda, e gostei demais do resultado. Foi justamente quando resolvi renovar a imagem e o nome. E precisava de novas fotos. Poderia ter sido de outra cor, mas o azul caiu como uma luva. Foi uma escolha estética que eu fiz antes do clipe, antes do single, foi o começo de tudo. Gostei tanto que quis incorporar essa brisa no clipe e na capa do CD. Tô a fim de usar no show de lançamento também. Mais do que o azul, pra mim foi sair de maquiagens “mulherzinha” pra um lance criativo. O meu trabalho não deveria ser sobre beleza, e no entanto tem muita pressão em cima das cantoras.

– Como você vê essa pressão por beleza que ainda rola em cima das cantoras? O machismo continua em alta no mundo da música?

O machismo tá em alta no mundo, e na música não é diferente. Por exemplo, recentemente eu gravei um programa de TV. Você chega lá e tem uma equipe que fica 2 horas brincando de boneca com a sua aparência. Eu me sinto deformada, como se não pudesse aparecer na TV com a minha própria cara. Eu acho engraçado como as pessoas acham que os artistas são sempre pessoas mais legais, esclarecidas. Quando obviamente tem artista de todo jeito, inclusive escroto e machista. Não existe um lugar onde só tem gente legal. O mundo é lugar complexo.

– Algo que não acontece com artistas do sexo masculino.

Sim! Os caras da banda passam um pózinho na cara pra não brilhar e pronto, vai pra câmera. Eu tava cansada de ter que ser diva. Eu fazia os shows de salto e hoje faço descalça. Eu acho que maquiagem pode ser um troço maravilhoso, mas não quando vira obrigação de estar num padrão. Quero poder ser eu mesma, e me sinto muito mais eu nessa flecha azul.

– Me fala um pouco mais sobre esse seu primeiro trabalho como Lara Aufranc.

O disco tá quase pronto. É bem diferente do outro, mais esquisito, ousado. Cheio de synths, guitarras… é um disco mais rock (mas também sem se prender nesse nome – afinal o que é rock hoje em dia?). Eu mesma to experimentando umas distorções na voz, coisa que eu nunca tinha feito antes. Eu gosto muito de soul e fazia sentido lançar um disco mais próximo disso em 2015. Mas hoje estou em outra fase, e as músicas refletem isso.

– O disco já tem nome? Como ele está sendo produzido?

Sim, vai se chamar Passagem. O clipe é a faixa-título. Foi gravado na YB, pela Matarca Records (selo e gravadora). Eu to curtindo muito fazer parte de um selo, ainda mais por ser um grupo relativamente pequeno, próximo. Não tem um produtor contratado. Eu fiz os arranjos e a produção do disco ao lado dos músicos, foi bem coletivo esse processo. Maravilhoso.

Lara Aufranc

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Tem muita coisa. De todos os gêneros musicais. É uma profusão tão grande que o público as vezes fica perdido. Mas é legal que tanta gente tenha a oportunidade de gravar, coisa que teria sido impossível na época das gravadoras. De 2015 pra cá – quando eu oficialmente passei a trabalhar e viver de música – conheci muitas bandas, artistas, tem muita cosa legal rolando. É questão de procurar, ir num show sem saber qualé, tem boas surpresas por aí.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Negro Leo, Letrux, Tika, Giovani Cidreira, Porcas Borboletas… Esses eu vi / ouvi recentemente!