Gwyn Ashton faz blues de raiz e deixa sua paixão pela guitarra ser a guia em seus diversos projetos

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O guitarrista e compositor galês Gwyn Ashton foi para Adelaide, Austrália do Sul, na década de 1960, e logo começou sua jornada musical. Passou por diversas bandas, gravou muitos discos solo e dividiu o palco com gente como Mick Fleetwood, Hubert Sumlin, Marc Ford e Canned Heat e abriu para Rory Gallagher, Ray Charles, Robin Trower, Vanilla Fudge, Wishbone Ash, Van Morrison, Jeff Healey, Tony Joe White, Johnny Winter Mick Taylor, Peter Green, John Hammond e Pat Travers.

Este ano, Gwyn lançou “Solo Elektro”, seu primeiro disco como one man band, além de já estar trabalhando em muitos outros projetos, indo da psicodelia ao blues de raiz, passando pelo garage rock e muitos outros estilos. Conversei com ele sobre sua carreira, a paixão pelo blues e como ele vê a música nos dias de hoje:

 

– Como começou sua carreira?
Eu tinha cerca de 16 anos e entrei na minha primeira banda em Adelaide, Austrália do Sul. Não gostava de escola e tudo o que queria era tocar violão. Eu respondi um anúncio para um guitarrista no jornal local e conheci essas pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu. Comecei a escrever músicas e eventualmente me mudei para Sydney, onde entrei em outra banda. Depois de alguns anos tocando com várias bandas, acabei mudando-me para Melbourne e gravando meus dois primeiros álbuns. Sou obcecado com música e a guitarra e isso é tudo o que sempre quis fazer. Eu não queria estar em uma banda cover, o que às vezes significa que sua área local nem sempre é o melhor lugar para trabalhar, então você precisa estar preparado para se mudar um pouco. Foi o que eu fiz e ainda faço.

– Você toca blues e rock old school. Como você se sente sobre o futuro desses gêneros?
Eu tento não apenas ser só um artista retro, é importante manter-se fresco e desenvolver novas idéias. Não é tão saudável como já foi, tantos locais estão fechando em todo o mundo. A internet paralisou muitas coisas, incluindo o valor das pessoas na música. Todo mundo quer isso de graça, então precisamos criar maneiras de ganhar dinheiro com isso. É um negócio difícil de entrar. Eu tento escrever e tocar música que é relevante para os dias de hoje e ainda há pessoas que querem boa música honesta. Você normalmente precisa viajar e levar a música para eles.

– Quais as suas principais influências musicais?
Basicamente todo mundo que toca ou tocou guitarra e gravou discos. Gosto de Son House, Lightnin’ Hopkins, Muddy Waters, Hank Marvin, mas também dos Beatles e muita coisa das bandas de pop e rock dos anos 60. Hendrix, Gallagher, Marriott – Gosto de músicas com melodia e poder. Gosto de compositores como Tom Petty, Steve Earle, Lennon/McCartney. Também gosto de Kenny Burrell, Miles Davis, Buddy Guy e Bob Dylan. É tudo música para mim.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até hoje.
Sempre fiz rock com forte influência de blues, embora eu também tenha gravado dois álbuns acústicos, meio “raízes”. Meus dois primeiros álbuns foram feitos com músicos australianos locais, mas aí me mudei para a Inglaterra e me juntei a um grupo de instrumentistas que estiveram em alguns dos meus discos favoritos e já tocaram em meus álbuns. Eu sou extremamente sortudo por ter gravado com músicos das bandas de Rory Gallagher e Robert Plant e junto com caras do The Fabulous Thunderbirds, Deep Purple, Whitesnake e Rainbow.

– Está trabalhando em novas músicas?
Estou sempre escrevendo e gravando e muito preocupado em manter minha música atual. Meu último projeto é meu álbum de one man band ‘Solo Elektro’ e eu estou tocando esse projeto na Europa e Austrália por cerca de cinco anos. Eu toco violão e canto enquanto toco as linhas de baixo com o meu polegar e piso em um kick drum. Eu desenvolvi um show em torno das limitações de ser solo, mas acho mais gratificante e satisfatório fazer isso do que ter uma banda. Eu posso ser mais experimental e porque escutei muita música diferente, posso misturar elementos de muitos estilos e lugares, incluindo dança e música psicodélica com blues e criar algo mais contemporâneo do que se eu ficasse mais em um ambiente de banda tradicional. Estou vendo muito mais jovens indo aos meus shows e isso é bom.

– Como é seu processo criativo?
Varia. Normalmente eu tenho um riff de guitarra e começo a escrever a partir daí. As letras são importantes. Eu tento não ser muito previsível, mas ainda mantê-las simples o suficiente para as pessoas se relacionarem, especialmente porque muito da minha audiência não fala inglês ou é uma segunda ou terceira língua para eles. Eu tenho um parceiro de composição (Garry Allen) em Melbourne e jogamos muitas idéias no mesmo quarto quando estou na Austrália ou pela internet.

– O que você acha da cena musical independente hoje em dia?
Há música excelente por aí, e na superfície parece saudável, mas muitas bandas jovens são forçadas a fazer muitos shows de graça ou “pagar para tocar”, então a realidade é que eles estão sendo roubados. Isso também não ajuda todos nós que estamos na estrada tentando sobreviver, quando o lugar sabe que eles podem conseguir uma banda de graça. Por sorte, eu tenho um bom público em muitos países, que eu tenho desenvolvido lentamente por muitos anos, mas não ajuda as jovens bandas que querem ganhar a vida com a música deles. Existem mais estações de rádio comunitárias que tocam músicas não convencionais e acho que mais pessoas estão dispostas a aceitar diferentes estilos de música do que no passado. Eu acho que as pessoas estão se tornando mais abertas à música e à arte.

– O que você acha da explosão do streaming no mundo da música?
É um mal necessário. Se você não estiver nos servidores de streaming ninguém vai descobrir você, mas eles não pagam bem. Os principais selos controlam o que todos escutam de qualquer maneira, então as chances de se tornar viral são pequenas se você não estiver sendo promovido por um selo.

– Conta pra gente como é o seu show.
O mais importante é ter uma boa música que as pessoas vão embora cantando em suas cabeças. Eu também sou influenciado por tantas músicas baseadas em guitarra e gosto de pensar que isso está nas minhas músicas, seja um som de slide no estilo delta blues ou um  rock and roll mais pesado. O tom de guitarra e os efeitos sonoros também são importantes para mim. Eu gosto de mexer em alguns sons para se encaixar no material, então meu pedalboard tem uma montagem bastante divertida. As raízes do meu show são blues, mas eu passo através de música elétrica psicodélica com um segmento acústico. Eu uso um monte de guitarras no palco em diferentes afinações. Eu tenho guitarras elétricas, algumas slide, acústicas, 12 cordas, lap slide Weissenborn e instrumentos de ressonância. Eu quero manter as raízes intactas e expandi-las, conhecendo as regras antes de quebrá-las. Eu tento manter as coisas interessantes, seja pensando em Son House, Ry Cooder ou em Black Sabbath no momento.

– Quais os seus próximos passos?
Meu foco principal agora é no meu álbum “Solo Elektro”. Estou trabalhando em alguns projetos, incluindo um álbum novo deste projeto. Eu também tenho um álbum acústico como compositor na minha cabeça agora. Garry e eu temos tantas músicas, estamos apenas ensaiando para ver qual formato elas soam melhor – solo ou como banda. Estou prestes a lançar um álbum acústico de world music que gravei com alguns amigos na Austrália, além de ter um álbum de blues e garage bem bacana pronto pra sair, com Garry Allen nos vocais e o baterista que tocou com o Bon Scott em 1970, John Freeman. Não há escassez de música aqui.

 – Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Eu não vou atrás de ouvir muitos artistas modernos hoje em dia, já que minhas influências são realmente das décadas de 30 a 60, então me vejo mais ouvindo músicas antigas para evitar copiar mais escritores e artistas contemporâneos. Eu tenho que roubar da fonte! Para blues puro, há vários artistas ótimos por aí. Na Califórnia, eu realmente gosto dos The 44s, Kid Ramos, Junior Watson, Chris Cain. Ledfoot (Tim Scott McConnell) é um artista poderoso, meu amigo e ocasional parceiro de jams, e Marc Ford é um monstro. Há tantos grandes compositores e guitarristas em toda a América do Norte, tocando em bares e clubes que ninguém provavelmente nunca ouvirá, o que é um crime. Na Austrália, temos muitos grandes artistas – Chris Finnen, Jeff Lang, Kevin Borich, Ian Moss, Shannon Bourne, Dusty Lee Stephenson, Stefan Hauk podem escrever uma ótima música e tocar para caramba.

Italianos The Devils não economizam na blasfêmia e no rock’n’roll sujo no disco “Iron Butt”

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A ala conservadora e recatada que têm ganhado as ruas do Brasil ia ficar bem brava caso o duo italiano The Devils realmente viesse para cá, como dizem querer. Formada por Erica Toraldo (voz e bateria) e Gianni Pregadio (voz e guitarra), a banda faz shows cheios de esculacho, vestidos de freira e padre, com um nada discreto consolo gigantesco preso à bateria, além de às vezes darem uns amassos nada comportados entre as músicas. Tudo isso ao som de muito rock’n’roll clássico, psychobilly e o fuzz abençoando o barulho.

Recentemente a dupla de Nápoles lançou seu mais novo disco, “Iron Butt”, pela Voodoo Rhythm Records. Produzido por Jim Diamond (The Dirtbombs, White Stripes), o disco mostra a parede monstruosa de fuzz, vocais primitivos e maldosos e uma barulheira que não deixa ninguém sentir falta de um baixo. O duo pecaminoso já tocou em festivais como Azkena Rock Festival, Cosmic Trip Festival, Munster Raving Looney Party, Subsonica Women In Rock, Beaches Brew e Clanx Festival, entre outros, e atualmente está em turnê, além de começando a maquina músicas para seu terceiro álbum. Quem se habilita a trazer os capetas italianos para o país tropical para chocar a família brasileira, hein?

– Me contem sobre o single que vocês lançaram recentemente, “Red Grave”!

Erica: “Red Grave” é nossa homenagem a Vanessa Redgrave, a linda estrela do filme “The Devils” de 1971, de Ken Russell, de onde tiramos o nome da banda. Ele fala dos eventos reais ocorridos em 1634, é um filme que faz você se perguntar como poderia ser possível que em 400 anos nada tenha mudado. Realmente nos impressionou porque é definitivamente realista, e ainda hoje um terço da população do mundo é manipulado por um estado soberano de 605 habitantes que usa um espantalho chamado Satanás para pegar todos pelas bolas e gerenciar seu poder. Sendo ateus e desprezando a educação católica depois de assistir a este filme, não poderíamos deixar de ficar muito animados com o single.

– E o último disco, “Iron Butt”?

Erica: O novo álbum é muito mais selvagem, alto, insano e bem tocado. É uma imagem mais clara do que fazemos, o primeiro registro foi mais uma “wild card”. Não foi tão difícil de conseguir… Na verdade, veio naturalmente. Nós tocamos tanto que as músicas surgiram facilmente. Durante passagens de som ou na estrada, escrevemos muitas idéias. Na verdade, já estamos fazendo algumas músicas para um terceiro álbum.

– E como começou a história do The Devils?

Erica: Nós crescemos em um orfanato católico, então um dia encontramos no porão o filme “The Devils” e desde então começamos a infernizar as irmãs. Então fomos enviados para um colégio interno, mas também fomos expulsos, então eles nos trancaram por muitos anos em uma câmara secreta do Vaticano, mas em 2015 nós saímos e decidimos que não queríamos trabalhar em uma Apple Store ou um bar para sobreviver, então nós apenas roubamos um violão e uma bateria.

– Quais são as principais influências musicais da banda?

Gianni: Sou muito influenciado por blues e pornografia, a Erica é mais influenciada pelo rock’n’roll e pela violência deste mundo.

– Conte-me mais sobre o material que você lançou até agora.

Erica: No início, ‘Sin You Sinners’, nosso primeiro disco, foi mais uma demo registrada em nossa garagem com apenas dois microfones. Então decidimos fazer um álbum real, conhecemos Jim Diamond e, depois de o subornar com algumas garrafas de vinho, ele aceitou trabalhar conosco.

– Como é seu processo de composição?

Gianni: Não temos um processo de composição definido, é algo mágico. Às vezes, apenas assistimos a um filme, lemos um poema, olhamos desenhos ou ouvimos a Radio Maria da Itália ou, obviamente, ouvimos mais músicas. A melhor faísca para criar algo vem quando menos esperamos.

– O que vocês acham da cena musical independente hoje em dia?

Gianni: Somos muito sortudos porque temos o prazer de trabalhar com pessoas que dedicaram todo o seu tempo ao rock’n’roll, ao custo de suas próprias vidas. É autêntico, porque não há negócios de grande dinheiro, então é uma cena feita por pessoas com uma grande paixão por rock’n’roll.

– Qual a sua opinião sobre o mundo musical baseado em streaming?

Gianni: Streaming é uma merda, é o pior áudio de todos os tempos. Mas é útil na estrada, durante a turnê, para que possamos ouvir tudo o que queremos durante algumas viagens infinitas.

– Conte como é um show da banda pra quem ainda não viu. Talvez algum dia possamos ver vocês no Brasil?

Erica: Nosso show consiste em 2 caras que gritam da maneira mais violenta possível seus problemas psicológicos para o universo, até que suas cabeças explodam. Definitivamente, não podemos esperar para ir ao Brasil! Também porque ouvimos dizer que os homens brasileiros são bem dotados e as mulheres brasileiras possuem as bundas mais bonitas do mundo…

– Quais os próximos passos da banda?

Gianni: Estamos fazendo uma turnê européia para o lançamento do próximo álbum e quando ninguém mais quiser entrar em contato para shows e acabarmos sem dinheiro, faremos nossos votos de verdade para que o Vaticano providencie a nossa manutenção.

– Recomendem bandas ou artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Erica: Eu estou apaixonada por uma banda espanhola chamada Guadalupe Plata. Eles são tão maus, um som incrível!

Para os goianenses do Two Wolves, a palavra “pop” não deve ser mais um palavrão

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Two Wolves

Formada por Mauricius Wolf (guitarra) e Lineker Lancellote (vocal), a Two Wolves é uma banda de Senador Canedo, em Goiás. Foi formada em 2011, quando o vocalista compunha em inglês mesmo sem dominar muito bem o idioma. Após uma temporada na Europa, esse obstáculo ficou para trás e a banda se solidificou, deixando de ser um duo e lançando seu primeiro disco, “Just Listen To”, de 2014, pela Monstro Discos.

No final de 2017, agora com o reforço de Sérgio na guitarra, Miguel nos teclados, André na bateria e David no contrabaixo, a Two Wolves lançou o single “Howl”, que fará parte de seu próximo álbum, a ser concluído este ano. “A música é sobre uma pessoa a observar um lobo e sua família. Criando ali uma conexão extra-sensorial com o animal. Mas na verdade, talvez não seja um lobo e talvez não seja uma pessoa que a observa. Cada um vai entender de uma forma”, conta Lineker. O próximo trabalho promete trazer mais da “música triste pra dançar”, como o som do grupo já foi definido, sem medo nenhum de soar pop. “Espero ainda poder tocar no programa da Fátima Bernardes (risos)”.

– Como a banda começou?

A banda começou a partir da aposta de um produtor local, Mauricius Wolf, em um adolescente que compunha letras em inglês, mas não falava inglês, cantava, mas não muito bem, e tocava violão na praça, mas era terrível nisso. De alguma forma, Mauricius, viu potencial no garoto e o ofereceu a gravação de uma música. Com isso se iniciou uma amizade entre Mauricius Wolf e Lineker Lancellote que decidiram fundar a banda com o nome de Two Wolves. Após um ano juntos, Lineker teve a a oportunidade de se mudar para a Europa e se mudou com o intuito de se aperfeiçoar musicalmente e também aprender de verdade a língua que ele gostava de escrever suas músicas. O vocalista viveu alguns anos por lá, tocou em festivais, bares e ruas de alguns países como: Alemanha, França, Bélgica e Holanda, então decidiu-se voltar e tentar algo por aqui. No primeiro ano de volta, a dupla adicionou mais alguns integrantes à banda e gravaram seu primeiro álbum que já foi lançado em parceria com o selo Monstro Discos.

– Você costuma falar de si mesmo na terceira pessoa, assim? (Risos)

Nunca falo assim, mas estou tão acostumado a falar dos outros (meu trabalho é esse) que acabei falando assim (Risos). Esqueci que era uma entrevista (risos).

Two Wolves

– E porque o nome da banda? De onde surgiu?

(Agora falarei na primeira pessoa) Eu, desde criança, fui encantado com lobos. Passava horas desenhando lobos. Meu X-Men favorito era o Wolverine. Assim, quando chegou o momento de escolher o nome para o duo, veio em minha mente aquele ensinamento indígena sobre os dois lobos que vivem em cada um de nós e a importância de saber lidar com isso e escolher bem qual dos dois iremos alimentar. Então escolhemos o nome Two Wolves por causa da minha afinidade com a espécie, por causa do ensinamento e por sermos dois.

– Essa formação de duo ficou bem popular no mundo do rock nos últimos anos… Porque isso aconteceu? Antigamente isso era quase inimaginável!

Na verdade eu acho que não existe um plano por trás disso. Simplesmente acontece. No nosso caso foi o fato de que não conhecíamos ninguém que se encaixasse em nossa proposta. Pois, principalmente antes dessa era hipster, todo adolescente do rock só gostava de metal. O que não era o meu caso. O Mauricius é um músico extremamente virtuoso, mas nunca foi do metal. Ele gostava muito de música instrumental. Eu sempre gostei de algo mais pro lado de pop, post punk e muita música deprê.

– A banda realmente faz uma mistura de diversos estilos. Como você definiria o som do Two Wolves pra quem nunca ouviu?

Então, até hoje, ainda não fiz algo que eu gostasse de verdade. Existe uma música nova a ser lançada dia 20 que acredito ser mais próximo do que eu gostaria de fazer, mas não tenho certeza. É muito difícil definir um estilo, até porque isso acaba limitando a banda, mas baseado na mistura do que já foi feito. Acho que podemos nos chamar de pop. Pop é aquilo que poderia estar no mainstream e que ninguém sabe definir bem o que é, mas que acaba abrangendo um público de vários gostos. É como diria o grupo de rap SPFunk: “bota o nosso CD pra tocar que ele agrada até sua vó.” Estou ansioso por 2018, pois acho que agora eu acertarei a mão nas composições.

– E eu vejo que pra muita gente da dita cena independente, o nome “pop” é praticamente um palavrão, né.

Sim, concordo, por isso gosto de usar (risos). Na verdade eu passei da fase de tentar ser o diferentão da música. Também, acho que é mais fácil definir assim do que ficar procurando vertentes musicais com 6 palavras.

– Me fala mais do trabalho que vocês já lançaram, “Just Listen To”.

“Just Listen To” é a coletânea das músicas que compus enquanto estava na Europa, produzidas de forma diferente do que era pra ser. Eu compus as músicas em uma longa fase de depressão, tanto que a maioria das letras não são das mais felizes, porém, quando decidimos gravar, achamos que seria melhor deixá-las mais pra cima, assim o show seria mais divertido. Além do fato de que eu amo dançar. Isso virou uma mistura de sentimentos, o que já até foi definido por um jornal como: “Two Wolves! Tristeza para dançar.” Eu só posso dizer que adorei essa definição.

– Esse negócio de misturar letras tristes com melodias alegres sempre é interessante… 😃

Sim! Está aí o The Smiths pra não nos deixar mentir.

– E muitas outras, né. E como rola esse processo de composição da banda?

Até hoje, tem partido de mim. Começo com a harmonia, melodia e letra, daí os meninos adicionam os arranjos de acordo com suas identidades e com a proposta que imaginamos. Eu tenho pegado no pé deles para que isso mude, para que tenha mais uma proposta inicial deles, talvez assim a gente faça algo melhor.

– Mas a banda na verdade não é um duo.

É, mas não é, depois que começamos a tocar com banda completa, aceitamos muito as ideias de cada um que faz a banda com a gente. Porém, ainda é originalmente um duo, pois os outros integrantes acabam sendo passageiros. São amigos de outras bandas que fazem uma parceria, ficam por um tempo, depois se vão com seus projetos.
Mudamos de integrantes frequentemente. Só fica mesmo eu e o Mauricius.

– É uma banda transitória.

No momento estamos com Sérgio na guitarra, Miguel nos teclados, André na bateria e David no contra-baixo.
Acredito que esses ficarão um bom tempo com a gente, já que foram realmente selecionados por bons motivos, entre eles o fato de estarem na faixa etária dos 50 anos. Diferente de mim que tenho 23.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Sim, além desse novo single, tem um álbum sendo produzido.

– Me conta mais do single.

O single se chama “Howl” como o uivo de um lobo. A música é sobre uma pessoa a observar um lobo e sua família. Criando ali uma conexão extra-sensorial com o animal. Mas na verdade, talvez não seja um lobo e talvez não seja uma pessoa que a observa. Cada um vai entender de uma forma. Escrevi essa música me baseando ja forma que vejo o mundo. Sou uma pessoa que sofre com TDAH, ansiedade e depressão. Isso fez com que eu nunca visse as coisas e o mundo da forma que a maioria das pessoas o veem. Para esse single, está sendo produzido um videoclipe onde todas as pessoas participantes sofrem com as mesmas condições que eu. Foi feita uma postagem sobre o assunto e com isso recebi mais de cem mensagens de pessoas se voluntariando para participar e também me relatando sobre suas vidas.

– E esse single fará parte do álbum? Como será esse álbum?

Sim, o single fará parte do álbum. O álbum está na fase de produção e ainda pode sofrer algumas mudanças, mas de antemão posso adiantar o uso de muitos elementos eletrônicos e boas batidas.

– Uma coisa que eu normalmente pergunto para as bandas: quais as principais influências musicais do Two Wolves?

Isso também é muito difícil de definir. Eu gosto muito de cantores solos como: Matt Corby, Bon Iver e James V. Mcmorrow. O Mauricius gosta de guitarristas solo como Steve Vai, Satriani e outros. Porém, a banda já foi comparada com U2, Two Door Cinema Club, Kings of Leon, 1975… Então fica por isso aí. Não sei. (risos)

– Como você vê a cena independente hoje em dia e como a banda se encaixa nela (ou não se encaixa)?

Acho que a cena está cada vez mais fraca. Hoje, os jovens se tornam velhos muito rápidos, então já perderam o pique de ir em shows apoiar as bandas locais, já os novos jovens, os que deveriam substituir os que se cansaram, estes já mudaram de gosto musical. Os adolescentes estão ligados nessa cena nova do rap e do funk. Então não existe um público novo para o rock. Também, o independente está se tornando muito parecido com o mainstream. Aparece quem tem recursos e influência seja onde for. O que exclui muita banda boa da quebrada e levanta muita banda ruim de playboy. Eu acho que a gente não se encaixa em lugar nenhum.

– E o mainstream ainda é o objetivo para as bandas independentes ou isso já não faz sentido?

Bom, para mim, ainda é. Mas acho que não é para todos. Hoje eu tenho músicas em três grandes rádios. Gosto disso. Espero ainda poder tocar no programa da Fátima Bernardes (risos). Além do fato de que eu sinto que o mainstream me abraçaria mais do que a cena independente o fez.

– Existe um preconceito dos independentes com essa mídia tradicional?

Acaba que sim. Na verdade, eu acho que todos gostariam de estar lá, mas como não estão, preferem manter a postura de que não gostam. É meio paradoxal. Seria interessante chegar em uma banda e perguntar o que eles acham de tocar em rádio e depois de uma resposta negativa os dizer: que pena, a Jovem Pan quer tocar sua música. Assim, saberíamos por suas reações a verdadeira opinião. Ou talvez seja só eu que gosto de rádio e televisão (risos). Apesar que sempre que participo de programas em rádios ou televisão local, aparecem uma ou duas bandas me pedindo ajuda para participarem também. Com isso, acho que ainda existe quem queira estar na mídia tradicional.

– Recomendem bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Hmmm… Gosto de uma banda nova que se chama Templates. Fazem um rock em português que me agradou muito. Gosto de Almost Down de Goiânia. Também tem a sumida Cambriana que está prestes a lançar um álbum e voltará com tudo. Tive a chance de ouvir o novo disco e garanto que é pedrada. Também gosto de artistas solo como o Caio e o Danny Queiroz. Indico todos esses!

Siso põe pra fora todas suas ideias musicais e devaneios em “Saturno Casa 4”

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Siso

O mineiro Siso lançou em novembro do ano passado seu primeiro disco, “Saturno Casa 4”, mostrando uma mistura sonora que inclui pop, rock, MPB, ritmos regionais e o que mais desse em sua cabeça. “Era muita ideia musical acumulada e muito assunto guardado, e o inconsciente me guiou pra algo muito pessoal e autobiográfico”, conta. Eleito uma das revelações do ano pelo Google, o compositor lançou um álbum que conta com participações de Letrux e Paula Cavalciuk e foi produzido pelo artista ao lado de Christopher Mathi, Lasyten, Alexis Gotsis e Mettabbana.

Natural de Belo Horizonte, Siso subiu no palco pela primeira vez aos 10 anos de idade, continuando na cena independente mineira a partir da adolescência. Além do trabalho solo, que também conta com o EP “Terceiro Molar”, lançado em 2016, ele também integra a banda Cabezas Flutuantes. Conversei com ele sobre o seu primeiro álbum, o EP, a cena independente e as participações e amizades musicais:

– Vamos começar então falando um pouco de “Saturno Casa 4”. Como rolou esse trabalho?

“Saturno Casa 4” foi uma explosão. O álbum foi produzido em 5 meses, que é menos da metade do tempo que levei pra fazer o “Terceiro Molar”, EP do ano passado. Era muita ideia musical acumulada e muito assunto guardado, e o inconsciente me guiou pra algo muito pessoal e autobiográfico. Acaba que fala muito sobre as estruturas que nos guardam/restringem/oprimem diariamente e como a gente pode lidar com elas de uma forma mais leve. A maior parte do repertório compus sozinho, mas também tem uma faixa do Leonardo Onerio, uma parceria minha com ele e uma faixa inédita da Letrux. A produção foi minha em parceria com o Christopher Mathi, com quem já havia feito o “Terceiro Molar”, o Lasyten (que também toca baixo comigo ao vivo), o Alexis Gotsis (grego radicado no Brasil, membro d’Os Amantes Invisíveis e produtor dos dois discos do Ruspô) e do Mettabbana, um produtor do Kosovo radicado nos EUA que desenvolve pesquisas com ritmos brasileiros, como a rasteirinha.

– Me fala mais sobre essas participações. Também teve a Paula Cavalciuk, né?

Sim! Todos os envolvidos, exceto o Mettabana, já eram amigos antes de o disco ser feito. Como é um trabalho muito pessoal, quis chamar só gente cuja afinidade fosse não só musical, mas também da ordem do afeto. Paula foi assim. Ouvi “Morte e Vida” quando saiu e pirei com a voz e as letras dela. Pouco depois a conheci pessoalmente e, quando fiz “Onde Termina a Calçada”, sabia que ela precisava ser participação especial. É uma canção sobre perda e aceitação na leveza, e eu sabia que ela conhecia aquela verdade. Já com a Letrux, eu a conheci em 2015 e, no ano seguinte, ela se mudou por um tempo pra SP e nós fizemos shows juntos. Nessa época ouvi “185 Centímetros” pela primeira vez e pedi pra gravar, colocando minha altura no título da minha versão. Depois, quando fiz “O Amor é 1 Arma de Destruição em Massa”, sabia que a voz dela encaixaria igual a uma luva na canção e na narrativa. E tanto ela quanto a Paula aceitaram de cara, assim que ouviram as canções.

– Como você definiria seu som?

Eu diria que é música pop atravessada por várias coisas. O pop é o centro do que faço – a estrutura, a melodia – e é das coisas que mais ouço desde a infância. Mas é um som que também se deixa influenciar pelo ambiente, pelas coisas, pelas pessoas. Nesse disco essas influências vão desde o funk melody dos anos 1990 até cumbia, ijexá, highlife, folk… Nesse aspecto, eu sou um alvo em movimento, criativamente.

– Uma metamorfose ambulante, se formos ser clichê pra definir.

Sim, certamente. A pessoa é geminiana, tem trocentos planetas em Gêmeos, não tem jeito (risos).

Siso

– Quais as suas principais influências musicais (e não-musicais)?

Tanta coisa já me provocou nessa vida que nem sei mais direito. David Bowie, certamente, muito por esse senso natural de transformação. Patti Smith, Depeche Mode, M.I.A., Alceu Valença, Anohni, Karine Alexandrino, Bruce Springsteen… Num âmbito não-musical, diria que Kubrick, Joan Didion, Jodorowsky, Glauber e David Lynch também. Minhas experiências com budismo acabam pautando muito da minha perspectiva de autor também, assim como o fato de ter crescido num ambiente de grande dificuldade financeira, mas num núcleo que investia pra cacete na minha educação e me incentivava a imergir em toda forma de cultura, além de serem pessoas muito afetuosas e generosas.

– Agora, voltando um pouco: como foi o “Terceiro Molar” e como o novo disco evoluiu dele?

O “Terceiro Molar” foi o resultado de um processo longo de experimentações, afirmações pessoais e reorientações depois de um período bem confuso, quando mudei pra SP. Caí de paraquedas por aqui, sem conhecer ninguém e imergi em experiências artísticas de todo tipo, do teatro à performance, com a música no stand-by. Era eu basicamente entendendo por onde podia transitar, sabendo onde ficavam as paredes, o chão e o teto desse lugar mental e criativo em que eu estava. Fiquei muito feliz com a forma com que ele foi recebido, mas comecei a sentir falta de exercitar narrativa nas minhas canções. As letras eram muito mais sensoriais e filosóficas do que contavam uma história tangível, daí resolvi seguir por esse caminho. De resto, a memória e os desafios grandes e pequenos que a gente precisa encarar pra resolver foram ditando o caminho das coisas.

– Como você vê esse novo formato de divulgação musical, especialmente no meio independente, usando o streaming e as redes sociais?

Gosto do fato de que os independentes têm mais voz e liberdade de ação nesse contexto do que nos anteriores. O modelo do streaming como é hoje, apesar de estar longe de ser perfeito, é satisfatório. Você está chegando a um público potencial enorme e sendo remunerado por isso. E também é uma lógica de consumo de música que me agrada como ouvinte.

– E o mainstream, ainda é um objetivo para os artistas independentes?

Pode ser. O interessante é que hoje é possível dar um bypass em algumas das circunstâncias e chegar a um grande público mesmo assim. No que diz respeito a mim, não tenho nenhuma regra pré-definida quanto a isso. Mas, neste momento em que estou, acredito que é bem melhor permanecer independente. E ver até onde sou levado. Mas não torço o nariz pro mainstream, não. É bom ser escutado por muitas pessoas.

– E como você vê a dita “cena” independente hoje em dia?

Do lado humano da história, tá tudo muito bem – as pessoas dispostas a arregaçar as mangas, fazer e acontecer, trabalhos maravilhosos sendo lançados a todo momento, enfim. O fato de os selos estarem ressurgindo como iniciativas coletivas e haver marcas interessadas em incentivar trabalhos artísticos também é ótimo. A aresta a ser repensada e corrigida agora é a da frente dos shows, penso eu. Cada vez mais casas pequenas e médias têm fechado pelo país por uma crise no modelo, o que torna mais difícil a circulação dos artistas. Claro que a boa vontade contorna muita coisa, mas não cria estruturas que deveriam ser sólidas, preferencialmente. Então taí um ponto que todo o meio independente precisa pensar em como trabalhar melhor. Além da questão dos incentivos públicos para a cultura que vêm minguando nos últimos tempos, mas isso é conjuntura da nossa terrível situação política.

Siso

– Voltando ao seu com: como é seu processo de composição?

Ando sempre com um caderninho, em que anoto impressões, frases, ideias. E volta e meia sento com o computador, o violão ou o teclado e começo a desenvolver harmonias e letras. Uma sequência musical pode me sugerir uma palavra e aí pego o caderninho como guia no desenvolvimento da letra. Tento julgar o mínimo possível o que rola nesse primeiro momento criativo. Se a ideia geral vale a pena, aí sim eu sento, burilo a letra e começo a desenvolver a produção do jeito que ela precisa ficar.

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Sim, constantemente. Mas ainda é cedo pra saber quais delas serão lançadas e quando.

– Quais são seus próximos passos musicalmente?

Quero tocar por tudo quanto é lugar com o repertório do “Saturno Casa 4” em 2018, lançando algumas coisas ao longo do ano também. Devo participar do próximo EP da Letrux, que vai ser só de remixes do “Letrux em Noite de Climão”. Tem umas colaborações alinhadas também, coisas boas hão de rolar muito em breve.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nossa, isso é o que mais tem. Ekena, Natália Matos (tá com um disco novo incrível), Luiza Lian, Baco Exu do Blues, Harmônicos do Universo, GEO, Aloizio, Miêta, Alambradas, Yangos, Quartabê, Renata Rosa, Bruno Vetz, Sessa

Quarteto sorocabano Medrar aposta em novos caminhos para seu “rock torto” em “Luzia”, EP gravado por Guilherme Kastrup

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A criatividade e a evolução do quarteto Medrar é inegável quando se ouve os dois EPs que a banda já lançou, com duas músicas cada. A banda sorocabana, formada por Ari Holtz (baixo), Mya Machado (vocal e guitarra), Zé Aquiles (bateria) e Rafael Ferraz (guitarra), define-se como uma produtora de “rock torto”, que apesar de tentar fugir dos esteriótipos do estilo, continua fazendo rock com muita qualidade e personalidade.

Os primeiros sons, “Labirinto” e “Pai Horácio”, lançados em 2014 são ótimas cartas de intenções da banda, mostrando bem as influências de John Frusciante, Gal Costa, Jair Naves e La Carne e gravadas por João Antunes (John), que já gravou bandas como Wry e Incesto Andar. Já o novo EP, lançado este ano com as músicas “Alarde” e “Luzia”, mostra que o quarteto investe um pouco mais na ambiência e na construção dos climas nas músicas, que aparecem mais soturnas e quebradas (“Luzia” tem quebras de ritmo de tirar o fôlego, aliás), sem deixar de lado o belo trabalho de guitarras e a cozinha poderosa. As canções foram gravadas por Guilherme Kastrup, produtor do elogiado disco “A Mulher Do Fim do Mundo” de Elza Soares.

Conversei um pouco com Ari sobre a carreira da banda, o processo de composição e sua evolução musical:

– Como a banda começou?

Cara, começou de uns encontros meio despretensiosos entre a gente, em 2013… Todo mundo já tocava separado, a Mya tava começando a se aventurar na música, o Zé acabado de chegar em Sorocaba. Mas bastou a gente começar a apresentar uns riffs e as coisas começaram a acontecer… A gente já se conhecia da cena, o Zé mesmo não estando aqui já tocava no Malditas Ovelhas e a gente já tinha se trombado…

– E de onde surgiu o nome da banda? O que significa?

Significa “desenvolver” em catalão. Veio de um trabalho com uma moça grávida de um artista de lá, amigo nosso, chamado Fofonski… ele estava expondo o trampo dele na Mansão Sede do Rasgada Coletiva e a gente ensaiava lá. Num dos trampos estava escrito “Quiero Medrar Las Unas” ou algo assim… Adotamos o Medrar e ele fez também o trampo da capa do nosso primeiro EP!

– E como foi esse primeiro EP?

Ele tem 2 músicas e é de outra fase da banda, mas um recorte que a gente curte bastante também. Nós gravamos e mixamos na casa do Zé, na unha, e depois o Peu Ribeiro (produtor e amigo aqui da cidade) masterizou. Nesse EP tá “Labirinto” e “Pai Horácio”, ambas também tem clipes no YouTube, também gravados em parceria com artistas locais. Nosso trabalho sempre esteve bem vinculado com a produção artista de Sorocaba. A gente sempre teve rodeado de gente que admiramos, na música é em outras linguagens. Por ter participado do Rasgada Coletiva também deu um panorama massa de artistas e produções locais.

– Por falar nisso, quais as maiores influências musicais da banda?

São muitas. A gente tem um gosto bem variado, acho que das minhas referências que mais se refletem na Medrar são os trampos do Kiko Dinucci e Metá Metá, Mars Volta, Ludovic… A gente gosta bastante de Queens of the Stone Age, Patti Smith, Gal, Ventre, La Carne, Hierofante Púrpura… Tanta coisa que vai do rap, samba, rock…

– Como você definiria o som da banda?

Putz (risos). Difícil, né. Rock torto, talvez? Confesso que rola uma dificuldade com o termo rock, é um conceito pesado já, né. Cheio de signos que a gente tenta se afastar… Mas acho que seria injusto a gente falar que nosso som é algo que não seja rock.

– Bom, depois dessa pergunta, vamos voltar: como rolou o desenvolvimento da banda depois desse primeiro EP?

A gente teve umas mudanças, nessa época nos tornamos um trio com a saída do Sidan e depois voltamos a ser quarteto com a entrada do Ferraz… Ficamos num trabalho de composição, de onde acabaram saindo os sons que trabalhamos nesse último EP. AMya também assumiu uma guitarra nesse tempo, que apesar de nos segurar um tempo, abriu diversas possibilidades. Principalmente para a entrada do Ferraz com linhas e desdobramentos novos para as músicas. Daí fomos escolhidos pelo Kastrup no projeto Demorô do Sesc Sorocaba que abriu outras portas, tocamos também no Circadélica aqui em Sorocaba que foi outro momento de celebração dessa cena da cidade e o que permeia esse meio.

E como rolou esse mais recente EP? Pode me falar mais sobre ele?

Ele veio desse projeto Demorô do Sesc, que convidou o Kastrup para produzir e gravar 2 músicas de 2 bandas da cidade, encaminhamos nosso material e fomos escolhidos. Tivemos 2 ensaios com ele, onde apresentamos nossos sons e acabamos por escolher “Luzia” e “Alarde”. “Luzia” ainda era um embrião, um riff é uma letra e acabamos terminando ela nesse processo. Por isso acho que “Luzia” é a música que mais reflete essa parceria pois construimos ela junto com o Kastrup. O processo de gravação foi no Sesc mesmo, no teatro e a finalização no estúdio do Kastrup em São Paulo. Foi louco ter sido escolhido por ele, sacar que nossa estranheza pode ser potencial… Foi tipo uma chancela para experimentar!

– Me fala um pouco mais sobre a composição dessas músicas!

A gente compõe de forma bem variada, geralmente partindo de um riff, uma melodia, uma letra e vamos construindo e desconstruindo em uma jam. Assim nasceram nossos sons: “Luzia” nasceu em um formato que já veio dessa parceria, ela foi montada e concebida antes da gente executar, foi meio o inverso do que estamos acostumados, mas foi importante pra gente se conhecer como músicos… As letras partem muito de uma perspectiva feminina da vida, é sempre de uma relação dúbia com a cidade, a poesia e violência, as relações de poder e todas as contradições dessa relação…

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Não, a gente tá dando um tempo… No início do ano pretendemos gravar nossos outros sons e estamos articulando um clipe de “Alarde” ou “Luzia” para o primeiro trimestre. Estamos também tentando armar alguns shows no início de 2018, vamos ver se rola essa agenda… Em 2018 também pretendemos nos juntar para começar a compor coisas novas. Mas acaba que a gente sempre subverte o planejamento e, pela pilha que a gente tá, capaz de nos encontrarmos para colocar composições no papel já logo no início de 2018. A gente quer muito tocar, sempre, nossa pira é tá no palco, na troca que rola, na catarse e no risco!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Olha, eu gosto bastante do Terno Rei, Ventre, Quasar, Azul Celeste, Rua, Aquasarge (França)… Tenho ouvido isso bastante.

Moxine abraça o pop e continua transpirando influências oitentistas no EP “Passion Pie”

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Moxine

Após participar do Rock In Rio 2017 com sua mistura de rock, ritmos oitentistas, Mônica Agena (vocalista e guitarrista) e Fabiana Lugli (baixista) lançaram em novembro o novo EP do Moxine, “Passion Pie”, abraçando ainda mais as influências da música pop e dos Top 40 da Billboard em seu som, sem deixar de lado as guitarras e o peso característicos da banda.

O EP de quatro faixas conta com a participação de Mario Camelo (Fresno), Paulo Kishimoto (Rivera Gas/Pitty), Luccas Villela (E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante/INKY), entre outros. A produção é da própria Mônica, que já acompanhou artistas como Natiruts, Emicida, Fernanda Takai, Arrigo Barnabé e muitos outros. Após um EP (“Eletric Kiss”, de 2009), um álbum (“Hot December”, de 2013) e uma sequência de singles (“Drive Me Somewhere” (2014), “Marlon” (2015) e “Dois Estranhos” (2016), o duo está atualmente em turnê apresentando as novas músicas, tendo passado por festivais como Liverpool Sound City (Inglaterra) e SxSW (EUA) e nacionais como o Se Rasgum (Belém/PA), Tendencies Rock (Palmas/TO) e MADA (Natal/RN).

– Me contem mais sobre “Passion Pie”! Como foi a composição desse EP?
Fabi: O nome diz muito sobre o processo e as referências. Feito com muita paixão e uma grande mistura de sonoridades, o resultado foi essa torta colorida na capa. A gente compõe o tempo todo, o que fizemos foi peneirar ali na pasta de demos o que ia ou não pro EP.

– E como rolou o processo de gravação? Como foi se desdobrar entre a execução e a produção?
Mônica: Como temos estúdio em casa, a gente fez tudo com muita tranquilidade e a maior parte foi gravada aqui na minha casa mesmo. Já trabalhamos com diversos produtores participando de discos de outros artistas, então acabamos aprendendo muito com toda essa experiência. Se auto produzir é um trabalho dobrado, por outro lado você consegue ter mais controle sobre suas músicas, sobre a estética que você busca, etc.

– Tem uma galera participando do EP. Como rolou esse contato?
Fabi: A maioria são amigos que sempre estiveram de alguma forma envolvidos com a gente. O Paulo Kishimoto, por exemplo, já fez vários shows do Moxine e outras gravações, então ele sempre foi o cara pra quem a gente mostrava as demos e pré-produções, tê-lo no EP foi algo muito natural. Bem no momento quando estávamos pensando em um baterista pra gravar as faixas do EP, vimos o Luccas Villela em uma jam no Bar Secreto, achamos que tinha tudo a ver com a vibe das músicas e fizemos o convite.

– Como o EP se diferencia dos trabalhos anteriores?
Fabi: Em relação a sonoridade, a gente utilizou mais elementos eletrônicos, principalmente nos beats, misturamos bastante bateria acústica com a eletrônica. As composições estão mais darks com melodias mais dramáticas.

Moxine

– Como a banda começou?
Mônica: Eu sempre toquei guitarra com outros artistas e nas minhas bandas, mas eu percebi que a gente sempre dependia muito dos vocalistas (risos), o processo natural foi começar a cantar, assim surgiu o Moxine em 2009 com o EP “Electric Kiss”.

– De onde surgiu o nome Moxine?
Mônica: Eu queria um nome que não remetesse a nada, como o nome de uma pessoa qualquer, um alter ego divertido.

– Quais as principais influências da banda em geral e quais foram as principais desse EP?
Fabi: A gente gosta muito de música pop, aqueles que bombam nas listas da Billboard, MPB e indie. No processo de produção do EP a gente se inspirou em referências bem distintas uma das outras, mas estávamos nesse momento mergulhadas na sonoridade de álbuns recentes das nossas referências indies, como Arcade Fire e The Kills, além da estética 80 de Marina Lima e Kavinsky.

– Como serão as apresentações ao vivo deste EP?
Mônica: Estamos preparando um formato totalmente novo dentro do Moxine, mas os shows que temos até o fim do ano, faremos no formato visceral, baixo, bateria e guitarra.

Moxine

– Quais os próximos passos da banda após o lançamento?
Muitos shows, clipes e muita música nova.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Letrux, Carne Doce, Deb and The Mentals, BTRX, Der Baum, Camila Garófalo…. a lista não acaba!

Baby Budas investe no rock gaúcho com psicodelia e “Jovem Guarda de expansão” no disco “Baby Budas No Jardim da Infância”

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Foto: Fábio Alt

Sonoro e meigo, brincalhão e lúdico. Inspirados pela música “Buda Baby” da Graforreia Xilarmônica e unindo o profano com o sagrado, os Baby Budas fazem algo chamado pop rock psicodélico de retaguarda, ou, segundo Plato Dvorak, “Jovem Guarda de expansão”. Qualquer que deja a denominação do som do quarteto, ele pode ser ouvido em “Baby Budas no Jardim da Infância”, o primeiro álbum dos gaúchos, gravado em diversos estúdios, sempre rodeado de amigos. O disco tem a produção de Pedro Petracco (Cartolas e Ian Ramil) e foi lançado em formato fanzine pelo 180 Selo Fonográfico.

Formada por Henrique Bordini (baixo e voz), Henrique Cardoni (teclado, violão e voz), Bruno Ruffier (guitarra e voz) e Humberto Mohr (bateria), a banda de Porto Alegre mostra influências do rock gaúcho, além de incursões pelo brega, rockabilly, psicodelia e até o kraut rock, segundo eles. Conversei com o tecladista sobre a carreira da banda, o primeiro álbum e a música independente:

– Como a banda começou?

Originalmente, a banda surgiu de um desejo meu e do meu primo (Bruno Cardoni). Sempre tivemos o hábito de tocar e compor. Já tínhamos umas 3 ou 4 canções bem estruturadas quando percebemos que era hora de buscar uma baterista e um baixista para fazer essa canções acontecerem de fato. Nisso surgiu o Bordini, o baixista, que não só se dispôs a tocar baixo como também entrou junto (e muito bem) nas composições. O rapaz é d’ouro. Quanto ao baterista, apareceu numa festa, quando o Bruno e o Bordini falavam sobre música com um cara desconhecido que veio a ser o Richter, o primeiro baterista dos Baby Budas. Estava formada a banda.

– Como chegaram no nome Baby Budas? O que significa para vocês?

Baby Budas surgiu em um brainstorm e pegamos o nome por várias razões. Primeiro, porque gostamos, achamos sonoro e meigo, meio brincalhão e lúdico. Segundo, porque remete à música “Buda Baby”, da Graforreia Xilarmônica, banda gaúcha que crescemos ouvindo. Por último, construímos um sentido filosófico para o nome. É uma espécie de amalgama entre o profano (Baby) e o sagrado (Buda), é esse meio do caminho entre o kitsch do Baby, um termo pop, e a elevação do Buda. Baby Budas seria cantar este desencontro, esse lugar limítrofe entre a sociedade do espetáculo e o além mundo.

– Quais as suas principais influências musicais?

Buscando entender esse mosaico doido de influências, dá para dizer que me criei ouvindo Beatles, dei uma bandinha pelo rock mais pesado através de Led e de uma adolescência de metal melódico, depois descobri Tom Jobim e isso liberou a Caixa de Pandora do som Brasil, depois fui viciado em Bob Dylan, ano passo fiquei obcecado por Gilberto Gil. Nesse momento estou escutando Mac Demarco, Erasmo Carlos, Fleet Foxes, Paul Simon, Zombies. É muita coisa mesmo. Vou ficar por aqui, ok?

– Como você definiria o som da banda?

Pop rock psicodélico de retaguarda. “Jovem Guarda de expansão”, disse Plato Dvorak sobre os Baby Budas. Indie espertalhão. Rock gaúcho tentando fugir de ser rock gaúcho (e não conseguindo). Algo nessa onda.

– Como é seu processo de criação?

Antes de qualquer coisa eu passo um café bem forte. Daí eu escuto uma música que gosto muito e penso como eu poderia fazer algo parecido. A partir daí eu faço plágio dessa música, mas, já que minha musicalidade é muito baixa, meu plágio fica tão ruim que não parece a música original. Meu processo criativo é basicamente tirar músicas mal. Esse sou eu, o resto da banda faz diferente e melhor (mas não muito).

Foto: Gustavo Borges

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

A banda já tem 2 clipes, “Aloha Marciano” e “Pardais”. O primeiro, “Aloha”, é a gente tocando o som no estúdio Thomas Dreher, um lugar afudê de Porto Alegre. Júpiter Maçã e uma pá de gente boa gravou lá, então é legal pegar o espírito do lugar. Nesse dia, eu gravei minha voz num microfone especializado em captar bumbo de bateria, mas ficou bom, sabe? Aí tem “Pardais” que é o clipe mais fofinho que você respeita, porque é só uns cara meio deprê com quase 30 anos brincando no campo. Entre esses dois clipes, tem o nosso disquíneo de oito sons. Grande demais pra ser um EP e curto demais para ser um álbum propriamente dito, mas no nosso coração é um álbum, sim, é o “Baby Budas no Jardim de Infância” e foi todo feito com a ajuda de amigos muito competentes, como o Pedro Petracco e os guris do estúdio Casinha. O disco é um Frankenstein, feito pedaço num quarto, pedaço num sótão, pedaço em Canela, pedaço no Thomas, pedaço na Casinha, mas o resultado foi um troço querido, legítimo. A gente é aquele disco ali mesmo, que custou o que podíamos pagar e que ficou o melhor que deu graças às pessoas competentes que estão ao nosso redor.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?

A cena é feita de gente muito boa e muito corajosa. Fazer da música autoral o centro da sua vida é algo que requer realmente muito esforço, dedicação, capacidade de lidar com incertezas, o cara tem que conseguir lidar com não saber quanto vai tirar no fim do mês ou, na maioria dos casos, trampar de dia e tocar na noite, ou ter uma fonte de renda além da música. É uma pena que seja assim, mas é como vejo. Claro, rola gente boa e profissional que manja de viver disso, faz mais sucesso, sei lá. Os Baby Budas colocam muita elã vital no projeto musical, mas ninguém se vê vivendo disso. Eu trabalhei no IBGE nos últimos 2 anos, o Bruno escreve apostilas pra concurso, o Bordini tá se formando em Direito e também tá aí na batalha pra viver com dignidade.

– Como vocês veem o mundo em que o streaming é a principal forma de ouvir música? Isso é bom ou ruim?

Parafraseando Glória Prires: “não sou capaz de opinar”. Brincadeira, mas realmente entendo pouco da questão mercadológica da música. Basicamente, eu tenho uma banda e toco porque… preciso. Mas creio que a discussão se é bom ou ruim é meio infrutífera, porque essencialmente achar bom ou ruim não vai mudar o que está dado; a música hoje em dia é assim e ponto. Tem que ver o que, dentro do jogo, dá pra construir. A gente tem um arranjo que a arrecadação do Spotify vai para o 180 Selo Fonográfico. O esquema é que a gente não entende nada disso, mas o Garras, dono do Selo, curtiu nosso som e deu um apoio pra banda, pôs o disco no site pra vender, nos dá uma força nos contatos pra shows. Assim, o arranjo ficou com ele.

– Quais os seus próximos passos?

Fazer mestrado em Letras e esperar minha namorada passar no concurso pra diplomata, o que faria com que eu me tornasse Embaixatriz.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Dingo Bells, Ian Ramil, Bordines, Bife Simples, Supervão, Paquetá, Fantomáticos, Sterea, As Aventuras, Karma Dharma, Guto Leite, Croquetes, Grand Bazaar, Charlie e os Marretas, O Terno, Pedro Pastoriz, Renascentes, Ventre, Boogarins, Carne Doce, Akeem, TEM, Plato Dvorak, Os Torto, Ganapo, Gustavo Telles, Allseeone e provavelmente eu esqueci alguém.

Lâmina mostra que o movimento riot grrrl continua com os dois pés na porta no disco “Manifest”

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foto: Vini Bock

Graças à Kathleen Hannah e seu Bikini Kill o quarteto Lâmina surgiu. A banda coloca para fora seus ideais e protestos, falando sobre feminismo, política e questões sociais em suas letras e discurso. As principais influências, além da banda que simboliza o movimento riot grrrl, são L7, Runaways, Babes In Toyland, Sonic Youth e Nirvana. Em meados de 2003, Pryka Almeida (vocal) e Thais Regina (guitarra) começaram o grupo, que se estabilizou na formação atual em 2005, com Dailla Facchini no baixo e Vanessa Ribeiro na bateria. Em 2008, o quarteto entrou em hiato, voltando em 2014 e gravando 2 anos depois seu primeiro EP, “Roll”.

Neste ano lançaram mais um trabalho, “Manifest”, com sete músicas, iniciado com uma gravação no estúdio Family Mob durante o Converse Rubber Tracks e finalizado com uma nova gravação em um estúdio por canal realizada ao vivo e masterizadas por Hugo Silva. Agora, a banda prepara clipes para as músicas “Entertain You” e “Magazines” e a gravação de 5 outras músicas que já estão prontas. Conversei com a vocalista Pryka sobre a carreira da banda, sua ideologia, o disco “Manifest” e os planos para o futuro:

– Como começou a banda?

Por volta dos 13 anos, quando eu comecei minhas primeiras aulas de bateria, formei a banda Princesas Podres com colegas da escola e amigas do prédio, mas a banda não durou muito. Já começando a frequentar festivais e shows, queria muito montar uma banda que participasse dos rolês que eu curtia. Em 2003, juntamos um pessoal para fazer um som na Choque Cultural (que na época ainda estava virando a Choque Cultural. Ensaiávamos lá pois o Jotape, filho dos donos, tinha uma bateria) entre amigos, cada um tocando um instrumento, eu ainda na bateria, e mais ou menos alguns possíveis integrantes pra virar Lâmina. Nessa jam, em um momento assumi o microfone em alguma música do Bikini Kill, e eu nem nunca tinha cantado (risos). Mas todos insistiram que eu tinha que cantar também, porque a minha voz tinha tudo a ver com as músicas que queria fazer. Já tínhamos uma vocalista, então ficamos com duas, eu e a Livia. Daí nosso amigo Henrique assumiu a bateria. Tínhamos a Giuliana no baixo e Pedro e Renata nas guitarras. Uma big band (risos)!

– E de onde surgiu o nome Lâmina? Aliás, adorei o nome Princesas Podres!

Olha, não sei direito, viu (risos). Mas como eu estava atrás de nomes com a pegada punk, me veio Lâmina como algo que cortasse , que ferisse a sociedade sabe? Tipo mostrando as verdades (risos). E sim! Quem sabe um dia remonto uma banda com esse nome!

– Quais são as principais influências da Lâmina? (Além do Bikini Kill, que quase que foi a força propulsora, né.)

Sim, Bikini Kill foi o princípio de tudo (risos). Mas tem muito de Babes in Toyland, Lunachicks, L7, Runaways, Nirvana (que foi onde eu cheguei no Bikini Kill).

– Vocês já tem um trabalho lançado, é isso mesmo?

Isso, levou anos! Mas saiu finalmente nosso primeiro CD, “Manifest”.

– Me conta mais sobre ele!

Quando a banda voltou a se reunir em 2014, o intuito era gravar um CD, mas mil coisas rolaram e não conseguimos. Daí em 2016 conseguimos um dia de estúdio no Family Mob através da Converse Rubber Tracks. Como fazia parte da “promoção”, essa parte durou 1 dia de gravação, que nos rendeu 3 músicas: “My Air”, “How About” e “8 de Março”. Lançamos como o EP e corremos atrás pra gravar mais músicas para poder completar e fazer um CD. Daí só em abril desse ano conseguimos uma graninha pra fazer uma gravação que “cabia no nosso bolso” ao vivo e por canal. Gravamos mais 9 músicas, porém a qualidade que o estúdio nos entregou mixada não foi satisfatória, o que fez com que selecionássemos 4 músicas para o engenheiro musical Hugo Silva, da Family Mob, finalizar. Então tem mais 5 músicas aqui na gaveta pra assim que tivermos uma graninha extra finalizarmos.

– Opa! E o que pode adiantar sobre essas 5 músicas que ainda vão sair?

Temos 3 músicas antigas e 2 músicas que fizemos nesse nosso retorno. Mas elas são tocadas nos shows sempre.

– E como estão sendo os shows? Como está sendo a recepção desse trabalho?

Eu tive um imprevisto que foi quebrar o tornozelo, o que nos deixou de molho já tem 3 meses. Mas que também foram necessários pras meninas da banda que estão em trabalhos de conclusão de curso ou na correria de trampo de fim de ano. Como ainda não tô 100% estamos preferindo esperar um pouco… Porque não adianta, na hora da música a gente se empolga, pula… E pra quem quebrou tornozelo agora não é uma boa (risos). E nós mesmo não temos a proposta de fazer muitos shows quando voltamos, pois com os outros afazeres da vida, embola um pouco tudo. Deixamos o lançamento ser um tanto mais orgânico, mas está tendo um alcance bacana, as próprias meninas inseridas no riot grrrl nos ajudam a divulgar e isso vai fazendo o CD chegar pro nosso público.

– Como você vê essa ascensão conservadora e misógina que tem acontecido nos últimos tempos?

A gente fica chocada como as coisas não vão pra frente. Eu comecei com banda em 2003, tem bandas com integrantes mulheres que tão na estrada antes disso e que não pararam de tocar e ainda assim a gente sofre preconceito. O rock é mega machista, começando no rótulo de colocar mulher como groupie. Mas tamo aí sempre mostrando que a mulher pode ser protagonista da história e que a música não é esse bicho de 7 cabeças. É foda ser chamada pra evento e se tem banda de cara, ter que estudar as outras bandas e o público, porque a gente não quer ir em lugar pra passar raiva e ser a minoria que é apedrejada e sacaneada, sabe. Acho super válido tocar em festivais que não sejam só de minas, mas a gente sabe que tem rolês que pode ser que vá pra passar dor de cabeça.

Pryka Almeida, do Lâmina
foto: Bruno Dicolla

– Essa luta feminina na música permanece forte faz tempo. Dá pra ver que nos últimos tempos, mesmo com todo esse povo misógino, a luta tá sendo ganha cada vez mais, não? 🙂

Tá super! Hoje em dia temos muita banda com mulheres, uma super diversificada. Lá atrás, quando comecei, tinha bastante banda, mas sempre as mesmas. Hoje a gente faz festival e dá uma super diversificada no line up, isso é incrível. Muita menina tocando e aprendendo a tocar. Hoje em dia tem o Girls Rock Camp também, que faz esse movimento se fortalecer e tanto voluntárias quanto campistas se empoderarem.

– Quais os próximos passos da banda?

Nós estamos com 2 roteiros de vídeos mais ou menos prontos que gostaríamos de filmar e esse CDzinho que dá continuidade pra lançar, mas não temos nem prazo pra isso, tudo no papel ainda.

– Clipes do primeiro disco?

Isso! Tem dias músicas desse cd que tão com roteirinhos sendo trabalhados, a “Entertain You” e “Magazines”. Vamos ver se vai rolar sair do papel, né. Mas a ideia é que role!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Tem a Charlotte Matou Um Cara e In Venus que estão com CDs recém lançados. O The Biggs de Sorocaba que tá faz tempo na estrada, que faz um rockão maravilhoso. A Bloody Mary Una Chica Band, que toca sozinha bateria, guitarra e ainda canta. Katze Sound de Curitiba. Miêta de BH, que faz um rockão maravilhoso. Las Fantásticas Pupés da Argentina que faz um som psycho/garagem sensacional.
Ema Stoned que faz um som experimental incrível. Ah, tem a Weedra também, que é a junção da banda Wee com a Hidra, das antigas, e voltou a tocar após uns 10 anos parada. E tem muito mais (risos), então desculpa, que não ter banda com mulheres não existe!

“Fluxo” mostra a força orgânica e colaborativa do som instrumental jazzístico de Zé Bigode

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Zé Bigode
Zé Bigode

“Fluxo”, novo trabalho da banda Zé Bigode, é uma divertida e orgânica junção de jazz com música brasileira pelas mãos de diversos músicos comandados pelo compositor e instrumentista José Roberto Rocha, guitarrista e mentor do projeto. Além dele, a formação atual da big band conta com Daniel Bento (baixo), Thiago DaGotta (bateria), Victor Hugo (percussão), Rodrigo Maré (percussão), Victor Lemos  (saxofone), Thiago Garcia (trompete), Tiago Torres (trombone), Ingra da Rosa (poesia e spoken word), Pedro Guinu (teclados) e Jayan Vitor (guitarra). Ufa!

O disco foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana ao vivo, para capturar toda a essência da banda, que é o trabalho musical em grupo, utilizando a cooperação entre os membros e seus instrumentos se entrelaçando de forma fluida. “O nome do álbum veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo”, explica José. Conversei com ele sobre o trabalho, a carreira da banda, a cena musical hoje em dia e muito mais:

– Me contem um pouco mais sobre “Fluxo”, que vocês lançaram este ano!

José Roberto: “Fluxo” foi o marco inicial da banda, o primeiro trabalho já com a formação que dura até hoje. O nome dele veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo.

– Como foi a gravação desse trabalho?

José Roberto: Foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana. Pegamos duas sessões de 6 horas e gravamos as músicas. Foi tudo ao vivo, pra captar melhor a energia das musicas ao vivo, no nosso caso música instrumental mais voltada ao jazz e raízes populares. A energia está muito concentrada na troca de se tocar junto e isso influencia muito o som final, então era inviável fazer do jeito que a indústria tem feito nos últimos anos, que é um grava de cada vez depois junta tudo e está pronta a música.

– E como foi a criação das músicas que estão no disco?

Victor: O Zé chegava nos ensaios e nos apresentava a ideia inicial da composição, o esqueleto dela e então nós juntos trabalhávamos nela, no arranjo. Acho que todas elas foram feitas mais ou menos dessa maneira. E além disso tem os improvisos que saíram na hora da gravação mesmo.

– E como estão sendo os shows?

Victor: Tão sendo bem maneiros. O repertório é basicamente as músicas do “Fluxo”, quase todas, e algumas novas!

José Roberto: Os shows tem como base de repertório o disco “Fluxo”, porém tem rolado algumas musicas novas que sairão no formado de single no ano que vem. Ao vivo contamos também com a Ingra da Rosa que faz intervenções poéticas.

– Me contem como a banda começou.

José Roberto: A ideia do projeto veio comigo, no final de 2015 numa viagem a Recife, quando senti que era hora de fazer um trabalho que fosse mais na onda das coisas que eu vinha ouvindo e não tentar entrar em uma outra gig ou coisa do tipo. Assim que cheguei no Rio comecei a trabalhar em algumas músicas e gravei um EP chamado “Zé Bigode”, que foi basicamente feito todo por mim e contou com algumas participações como o Lucas Barata, o Rodrigo Maré e o Victor Caldas. Não sabia como o EP ia ser aceito, então deixei pra montar a banda depois do lançamento, e aí fui chamando os amigos dos quais tinha afinidade e vontade de trabalhar. As coisas foram acontecendo, mais gente foi chegando pra somar, até que a banda se formou.

– E como é a dinâmica em uma banda que tem tantos integrantes?

José Roberto: De uma forma geral é tranquila. Nós temos as coisas bem definidas, como dia e hora de ensaio. A grande maioria é parceira de sair pra beber e essas coisas, e todos tem interesses similares em relação ao que a música representa. De um tempo pra cá tem rolado uma formação reduzida pra alguns eventos que se constitui em um quinteto, mas é só quando o local em que vamos tocar não comporta todos da banda, ou caso role alguma viagem que seja mais na correria e dependa de um esforço financeiro maior dos músicos. O famoso “tirar do bolso” (risos).

– Hoje em dia vemos que existe um crescimento das bandas instrumentais no meio independente. Como esse formato foi redescoberto?

José Roberto: É, não sei se redescoberto é a palavra certa, porque sempre rolou som instrumental, só que agora a galera tem investido mais em outras coisas além da música, numa arte legal, num conceito, em como fazer a musica instrumental ser algo rentável… Muita gente tem na cabeça que música sem voz é apenas pra músico, o que às vezes tem um certo fundo de verdade. Muito músico se preocupa apenas em ser um bom músico tecnicamente e afins, e esquece que a música instrumental é também uma forma de expressão. Dá pra você fazer um som instrumental e estar inserido no contexto, afinal é tudo música. Quem vem com esse papo aí de separar as coisas por etiqueta é o mercado, né…

– Quais as principais influências da banda?

José Roberto: Acredito que não tem uma influência soberana, todos procuram escutar bastante música e coisas novas, então as referências estão sempre mudando. Mas rolam os pontos em comum, que é o lance de cultura popular como Maracatu, o Fela Kuti, Miles Davis, Rumpilezz, Moacir Santos, Lauryn Hill, e essa galera que tem feito o som contemporâneo, Abayomi, Nômade Orquestra, Bixiga 70

– Como vocês veem o mundo da música hoje em dia, especialmente no meio independente?

José Roberto: Tem muita coisa rolando, muita coisa boa, o que é ótimo. Hoje qualquer pessoa pode gravar suas musicas, não precisa de uma gravadora nem nada. Democratizou nesse sentido, mas o que acaba rolando é que o fluxo de novos artistas é tão intenso que muitos passam batido e acabam não sendo “visualizados”. Aí volta um pouco a antiga lógica: quem tem grana pra investir é quem aparece mais, ou quem tem os contatos. Se todo dia tem uma pá de disco novo, como é que tu vai aparecer? Claro que a musica é fundamental nesse processo, o independente é mais sincero nesse sentido, mas ainda vale um pouco daquela lógica quem tem grana sai uns passos na frente de quem não tem.

– Ou seja: mesmo sem as gravadoras, ainda continua do mesmo jeito. Quem tem o bom e velho apoio de alguém grande segue uns degraus acima.

José Roberto: Sim, sem contar os filhos de fulano e beltrano que automaticamente já elevam o status a algo que vale a pena, sendo que muitas vezes a pessoa nem tem um trabalho pronto. É complicado, mas acho que faz parte, né? É nesse sistema que nós vivemos, mas da galera que eu tenho visto aí circulando a grande maioria tem uma boa música e uma boa mensagem pra passar. Então, a balança equilibra, coisa que no mainstream é raro encontrar.

– Quais os próximos passos da banda?

José Roberto: Estamos finalizando as datas de show aqui no Rio, iremos participar de uma coletânea em homenagem ao Guilherme Arantes no inicio de 2018, e irão vir uns 2 singles com clipe um no primeiro semestre e outro no segundo semestre e tocar fora do Rio. Alô Recife, alô Nordeste: chama nóis! (risos)

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

José Roberto: Tem o pessoal do O Quadro da Bahia, IFÁ, da Bahia também, Orquestra Contemporânea de Olinda em Pernambuco… Aqui no Rio tem a Foli Griô Orquestra, Relogio de Dali, Amplexos… Em Sampa tem a Nômade Orquestra, a Xenia França, Luedji Luna, Rincon Sapiência, em BH o pessoal do Zimun… Como eu disse, muita coisa rolando.

https://open.spotify.com/album/1ksBypufTDA6n88DP9ZT3U

Um biscoito da sorte foi a faísca do disco “Good Fortune”, do trio The Forty Nineteens

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Um verdadeiro liquidificador que mistura Dramarama, Elvis Costello, Smithereens e Iggy and the Stooges. Este é o The Forty Nineteens, da California, que lançou recentemente seu disco “Good Fortune”, produzido por David Newton do Mighty Lemon Drops, praticamente um membro não-oficial da banda.

Formada por John (vocais), Chuck (guitarra e vocais) e Nick (bateria e vocais), a banda começou sua carreira lançando “No Expiration Date” em 2012, seguido por “Spin It” em 2014 e finalmente “Rebooted” em 2016. A música “I’m Free”, deste último, chegou a ser nomeada a “Música Mais Legal do Mundo” pelo programa de rádio Little Steven’s Underground Garage. Agora, a banda prepare-se para uma turnê em apoio ao lançamento de “Good Fortune” e sonha em vir ao Brasil. “Nos falem mais sobre agentes de ou promotores para irmos atrás!”, falou Nick, com quem conversei um pouco.

– Como você começou sua carreira?
Eu comecei a tocar bateria com 14 anos, depois de assistir bandas tocarem na minha comunidade local em dias de piquenique. Polka, country, rock’n’roll. Fui atraído pela bateria e me sentava atrás dos bateristas observando como eles se apresentavam. Com 10 a 12 anos, juntei-me à banda do ensino médio e aprendi o controle do pescoço e leitura da vista. Nosso professor era o irmão de Henry Mancini. Ele foi paciente e fez com que a música fosse divertida. Nós só tocávamos em almofadas de prática, então, infelizmente, fiquei entediado e encerrei a banda. Dois anos depois, veio a coceira novamente e comprei uma bateria de baixo custo. Eu tocava 3 horas por dia, sete dias por semana. Mamãe e papai saíam de casa por uma hora ou duas para eu poder praticar. Minha família era muito solidária, e também músicos. Papai tocava gaita e bateria, minha mãe e meu irmão tocaram guitarra, minha irmã tocava violão. A música sempre estava em volta da casa. Meu cachorro acabou se acalmando depois de alguns meses e me observava praticar. Aparentemente, me tornei um baterista melhor, e comecei a tocar com bandas pela cidade. Uma coisa levou a outra e me mudei para Los Angeles para começar minha carreira musical.

– Como surgiu o nome The Forty Nineteens?
O vocalista John e o Chuck trabalham no campo legal, e 4019 é o código legal da Califórnia para créditos de bom comportamento. Exemplo: digamos que alguém está cumprindo uma pena de 6 meses por fazer bebidas ilegamente, você recebe um dia de folga em sua sentença por todos os dias que você fica sem problemas. É o nosso lema. “Todo mundo merece algum tempo por bom comportamento”.

– Quais são as maiores influências da banda?
O John curte Graham Parker, The Beatles, The Romantics. Já o Chuck gosta de bandas californianas de punk como Social Distortion. Eu gosto de The Who, rock’n’roll dos 1950s e garage rock.

– Me contem um pouco mais sobre “Good Fortune”.
John estava comendo em um restaurante chinês e seu biscoito da sorte dizia “seu talento musical será exibido em breve”. Com uma mensagem tão positiva, ele sugeriu que “Good Fortune” fosse o título do novo disco. Nós concordamos. A banda não é política, mas promovemos a positividade com nossas músicas e perspectivas em geral. Você não pode esperar que as pessoas mudem, mas você tem a capacidade de se mudar para melhor. Como sugere a faixa 7, “se você deixar amor, o amor ganhará”. O disco tem sido tocando por Genya Ravan e Rodney Bingenheimer na Little Steven’s Underground Garage Sirius XM e no programa de Bill Kelly na WFMU Jersey City.

– E o que vocês já tinham lançado antes desse trabalho, como foi?
Todos os nossos discos foram produzidos por David Newton, do The Mighty Lemon Drops. Ele é um ótimo produtor/engenheiro, além de um grande cara. Ele nos ajuda tremendamente. No ano passado, lançamos “Rebooted”, com 12 músicas que entraram nas paradas das college radios e nas rádios comerciais. Little Steven’s Undergound Garage escolheu “I’m Free” como “Música Mais Legal do Mundo” na semana de 3 de junho de 2016. Nós tocamos no Yankee Stadium neste ano e nos divertimos muito. Em 2014 lançamos “Spin It”, com 8 faixas que também tocaram nas rádios. “No Expiration Date”, de 2012, tem 11 faixas. Este disco é o que fez a bola rolar para nós. Foi nossa primeira gravação com Dave Newton, e também nosso tecladista Kevin McCourt. Ele fez turnês com Stevie Wonder, entre outros. Paul du Greis fez a masterização dos discos. Ele começou sua carreira trabalhando com X, Bruce Springsteen, The Blasters e muitos outros artistas de destaque. Nós sempre estivemos com ele.

– Como é seu processo de composição?
John geralmente vem com os riffs ou ideias de música. Eu costumo levar as músicas e organizá-las. Chuck também acrescenta muito. Nós descobrimos acordes ou arranjos juntos também. Depende apenas de quando a idéia flui. Todos nós tentamos fazemos o melhor que podemos. Dave traz seus muitos anos de experiência e nos oferece essa experiência de uma forma muito fácil e divertida. Nós adoramos gravar com ele, e estamos ansiosos para o próximo projeto.

– O que você acha da a cena musical independente hoje em dia?
As bandas têm ferramentas incríveis disponíveis para a sua criação de música, promoção e outros. A(s) cena(s) são brilhantes. Eu, por exemplo, curto muito os sons indie que saem de Cleveland. Muitas grandes bandas, que espero que sejam ouvidas fora de Cleveland.

– Qual é a sua opinião sobre a era de streaming em que vivemos?
Eu gosto. No passado, fazíamos mixtapes e passávamos para amigos ou vice-versa. Agora você pode chegar ao mundo e ouvir mil bandas diferentes em apenas um dia, se você tiver tempo. É muito legal isso!

– Descreva um show do Forty Nineteens para alguém que nunca viu. Talvez possamos nos ver no Brasil algum dia?
Aprendemos a fazer shows abrindo para bandas como Red Hot Chili Peppers, Bash and Pop, The Blasters, Beat Farmers e muitos outros. Nós tentamos mostrar esse espírito de curtição em nossos shows. A vida é muito curta para se preocupar com as coisas em um show de rock. Só queremos que todos se divirtam, dancem e esqueçam um pouco do mundo. Gostaríamos de apresentar no Brasil, nos falem sobre agentes de ou promotores para irmos atrás. Nós tocamos no Double Nueve no Peru também, então espero que possamos chegar ao seu lindo país! Esperamos em um futuro muito próximo, obrigado por perguntar!

– Quais são os seus próximos passos musicais?
A banda está nos estágios iniciais de escrever o próximo disco. Nós também planejamos fazer uma turnê de nosso novo álbum, e estamos nos preparando para estar em fevereiro para a costa oeste, e abril para o leste dos Estados Unidos e, possivelmente, o Brasil!

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Eu realmente gosto de uma banda de Pittsburgh chamada The Gothees. Eles são um cruzamento entre The Monkees e Joy Division. Vão atrás de ouvir.