Caio Bars lança a 100ª canção de seu projeto “100 Dias De Canções” hoje

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Caio Bars
Caio Bars

O vocalista da banda 5PRAStANtAS e apresentador do programa Outra Frequência da USP FM, Caio Bars, começou este ano seu projeto #100DiasdeCanções, onde munido apenas de um violão e um ocasional teclado, apresenta 100 canções de sua autoria. Hoje será lançada a última, criada especialmente para fechar o projeto. O nome da música, claro, é “100 Dias de Canções”, e foi gravada no Estúdio Espaço Som, em São Paulo. O vídeo da canção irá ao ar hoje (25 de maio) às 22h em sua fanpage no endereço: https://www.facebook.com/CaioBarsOficial

Conversei com ele sobre o projeto:

– Como surgiu a ideia desse projeto?

Bom, começou quando eu estava quebrando a cabeça pensando em como dar uma agitada na minha fanpage do Facebook sem ter que gastar muito (ou quase nada) com impulsionamentos pagos. A ideia de postar um vídeo por dia veio daí. Minha intenção também era que as pessoas me conhecessem como compositor, além de cantor. Na verdade, sou bem mais compositor do que cantor… Canto mais para mostrar minhas músicas.

– E como conseguiu material para 100 dias de música? De onde saíram as músicas?

Acho que 98 delas já existiam. Se não me engano, compus uma durante esse tempo! Além da 100, que tive a ideia de fazer enquanto o projeto já rolava, eu tenho umas 200 canções escritas, mas acho que metade delas são mais estudos do que canções boas e prontas mesmo. As outras 100 coloquei no projeto!

– Como será a comemoração da música de número 100?

Farei duas lives: às 20h30 no meu Instagram @barscaio e das 21h às 22h o esquenta oficial na fanpage para aguardar junto com o pessoal o encerramento do projeto com o lançamento da canção “100 Dias De Canções” às 22h. Depois quero montar um show com as mais bem recebidas pelo público. Então, irei investir em vídeos mais bem produzidos das mais bem recebidas para colocar no meu canal no Youtube. Por fim, a reação do pessoal também deve nortear o repertório do meu próximo disco!

O paulistano Limonge mistura doses de grunge em seu folk rock de um homem só

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Limonge

O paulista Limonge começou sua carreira musical como quase todos: fazendo parte de diversas bandas de garagem. Como em todos projetos havia as tradicionais discussões entre membros, sua paciência se esgotou e ele resolveu, então, que a carreira solo seria seu melhor caminho. O cantor, compositor e multi-instrumentista de 29 anos leva o conceito de “one man band” ao extremo, assinando a produção total de todos os seus trabalhos lançados até hoje (da gravação de todos os instrumentos até a concepção artística dos álbuns). Para facilitar o processo de criação musical, montou um pequeno estúdio em casa para produzir e lançar seu primeiro álbum completo intitulado “É A Nossa Voz (Éramos Nós, Sempre Seremos)”, sucessor dos EPs “Tão Normal” (2015) e “O Tempo” (2016).

Ao vivo, ele é acompanhado por PC na guitarra e Mau na bateria e percussão, tendo se apresentado em festivais independentes como NIG Time 4 Music, Ponto Pro Rock e chegando à final do concurso “Energia Me Ouve” da rádio Energia 97. Com influências de Pearl Jam, Neil Young, Oasis, Beatles, The Who, Gin Blossoms, Foo Fighters, Nirvana, Soundgarden, Dave Matthews Band, Alanis Morissette, Bruce Springsteen, KT Tunstall, Lenine, Lulu Santos, Legião Urbana e Cazuza, ele define seu som como um folk rock com um pouco de grunge, um de seus estilos preferidos. Conversei um pouco com ele sobre sua carreira, os trabalhos já lançados e a sempre polêmica cena independente atual:

– Como começou sua carreira?

Foi algo bem natural. Música é algo que me mantem de pé desde que me conheço por gente, então o objetivo de ter uma carreira é sonho de criança. Tive algumas bandas no meio do caminho mas acabei me encontrando mesmo na carreira solo, que pouco a pouco vem crescendo muito bem!

– E como decidiu sair da vida de bandas e seguir solo?

Engraçado que não foi algo muito “pensado”; as bandas sempre acabaram naquele chavão de ” horários não batem” ou “idéias não batem”… Como minha rotina apertou também, resolvi montar um home studio pra produzir minhas coisas sozinho, no meu tempo, acabei gostando do resultado e publiquei algumas músicas. A aceitação foi muito boa, tanto que me fez assumir essa faceta e querer cada vez mais…

– Me conta mais sobre o trabalho que você já lançou.

Esse primeiro álbum nasceu da junção de 2 EPs que lancei anteriormente mais algumas músicas que deixei na gaveta por algum tempo. Como gravei todos os instrumentos, voz, editei, produzi, mixei e masterizei, não foi tão difícil fazer soar uniforme (risos). E tentei ser coeso também ao explorar um tema central que passa de forma direta e indireta por todas as faixas, que é a percepção da passagem do tempo. Sou fã de LPs, então esse lance de ter um álbum com uma historia por trás é uma necessidade latente.

– Algo que não anda tão em alta hoje em dia, né. A cultura do álbum. Com o streaming o povo tem a tendência a ouvir mais músicas soltas.

Exato, hoje existe a supervalorização do single. Pouca gente da valor a uma obra completa, degustar uma ideia de cabo a rabo, e algumas bandas já seguem essa tendencia. Eu insisto em remar contra essa maré, acho que a música pode ser muito mais do que algo supérfluo, e um single também é muito mais do que uma música solta, mas uma degustação do que você pode consumir do artista como um todo

Limonge

– Quais as suas principais influências musicais para sua carreira solo?

Diria que eu bebo muito de muitos lugares. Pra citar alguns exemplos, os solos de Eddie Vedder, Noel Gallagher, Chris Cornell (um dos meus maiores ídolos, que nos deixou há pouco, infelizmente), Dave Matthews, Bob Dylan e muito de pop/rock nacional, de Lulu Santos a Skank.

– E como você definiria seu som pra quem nunca ouviu?

Diria que um MPB pop/rock grunge com pitadas de folk talvez (risos).

– Como você vê a cena independente hoje em dia? Como você se desdobra nesse cenário atual?

Tem muita vertente, muita gente boa, muita opção pro público, mas ao meu ver, falta um pouco de união entre as bandas. Isso inclusive é uma das minhas conversas recorrentes com a Pri da Geração Y, como fazer para criar um movimento em que as bandas se abracem e não comecem a competir umas com as outras.

– Você acha que ainda existe essa mentalidade de que uma banda tira espaço da outra?

Confesso até pouco tempo achava isso babaquice, mas senti na pele alguns casos bem bizarros, então me soa como um preconceito velado. não é algo que ocorre a todo instante, mas temos 2 pontos pra explorar nisso:
1. Bandas que querem surfar na carona das outras mas não necessariamente agregam em algo.
2. Bandas que realmente acham que público é dividido e entendem gosto como competição.
Nos dois casos, precisamos buscar soluções pois, no fim, os prejudicados somos nós mesmos.

– Então uma das maneiras de fazer essa cena crescer seria uma maior união entre as bandas, na sua opinião. Como isso pode ser alcançado?

A criação de uma cena acho que passa por inúmeros pontos. Desde a aproximação para eventos como um auxílio para a expansão mútua do som. Você fazer o público rodar entre as bandas através de eventos em diversas partes do país já é algo que pode estimular um alcance maior pra todos, e de quebra, aumentar as chances de expansão. Mas tudo isso começa em uma cena, uma união, que até existe, mas de forma bem segmentada… dá pra ser muito mais.

Limonge

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Sim, iniciei o processo pra um novo álbum há cerca de um mês… tenho já demos das músicas fechadas, em breve vou entrar em estúdio (dessa vez terá produção e será um pouco mais rebuscado) pra começar as gravações, acredito que até agosto deva pintar algo por aí.

– Pode adiantar alguma coisa sobre esse novo trabalho? 

Diria que é uma evolução/continuação do primeiro trabalho, mais maduro, um tema ainda mais firme, to bem feliz com o que rolou até aqui. Posso adiantar que serão 9 músicas, mas ainda tem um bom caminho até mostrar algo mais concreto… assim que tiver prometo que solto pra você com exclusividade (risos)!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer!

Gosto muito de Zimbra, Capela, BTRX, Caike Falcão, Supercolisor, Gabi e os Supersônicos, Guilherme Eddino, LTDA… ufa… tem muita gente boa, acho que essa nova leva tá incrível, temos muito o que conhecer ainda!

Zé Bigode trabalha sem parar em seu jazz alternativo com influências de ritmos nordestinos, americanos e até marroquinos

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Zé Bigode

José Roberto Rocha é um quase nômade entre a boemia desvairada da Vila Isabel e do esfumaçado Grajaú. Estes dois locais foram apenas algumas das inspirações para que o músico e compositor idealizasse o projeto Zé Bigode, que conta com repertório de música instrumental que passeia entre diversos estilos, indo do afrobeat ao jazz, passando por ritmos brasileiros como maracatu e baião. “É um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!”, tenta definir.

Em 2016, a banda lançou seu primeiro EP, auto-intitulado, que se desenrolou no primeiro disco da banda, “Fluxo”, lançado este ano. No disco, José Roberto toca guitarra acompanhado por Daniel Bento (baixo), Eric Brandão (bateria), Jayant Victor (guitarra), Victor Lemos (sax alto e tenor), Thiago Garcia (trompete), Rodrigo Maré (timbal, percussão), Bruno Durans (bongas) e Pedro Guinu (Rhodes, piano, clavinete, moog, orgão). O álbum também conta com a participação de Belle Nascimento, Alexandre Berreldi, Eduardo Rezende, Reubem Neto, Ingra da Rosa e Victor Hugo e foi gravado no Estúdio Cia dos Técnicos, no Rio de Janeiro. O prolífico grupo já está trabalhando em novas faixas, que devem sair em breve.

Conversei com o líder do Zé Bigode sobre a banda, a cena instrumental, a dificuldade em definir um gênero para sua música e o disco “Fluxo”:

– Como a banda começou?

Surgiu no final de 2015, eu estava cansado de sempre entrar em projetos e eles não irem pra frente por motivos diversos… Mas sempre esbarrando naquele problema de que não rolava concordância entre as partes e as coisas não andavam. Me cansei disso e resolvi montar um projeto “solo” em que eu fosse a principal cabeça. Aí fui reunindo uns amigos e gravamos um EP, lançado em maio de 2016.

– Me fala mais desse EP. Como ele foi composto e criado?

Algumas idéias eu já tinha pra esse EP, de temas que havia escrito, como de “7 Caminhos”, que deve ser o tema mais antigo que tenho. O conceito desse EP foi mais de apresentar o projeto ao mundo, ter algum material pra poder dialogar com as pessoas, foi algo mais “solitário” e menos coletivo que o Fluxo”. No EP não era uma banda fixa, e sim convidados, rolou até uma galera boa na gravação como o Carlos Malta, Leandro Joaquim, que tocava na Abayomy e o Pedro Selector, que toca com o Bnegão.

  • – Como rolou o disco “Fluxo”?
  • Assim que lancei o EP no ano passado formei a banda e começamos a ensaiar e fazer shows, fui adicionando temas novos ao repertório. No fim de 2016 decidi que era uma boa hora de registrar esses temas e fomos para o Cia Dos Técnicos em Copacabana no RJ. Minha ideia foi de fazer algo mais próximo da experiência ao vivo, então basicamente 80% do disco foi gravado ao vivo. Como este estúdio é grande, rolou de conseguir botar cada musico em uma sala e gravar ao vivo, mas sem vazamento. O nome “Fluxo” vem basicamente desse contexto, de deixar fluir as coisas. Vejo que as gravações atualmente estão cada vez mais frias, e música é feita pra ser tocada em conjunto e ao vivo.

– E porque investir em música instrumental?

A forma que me expresso melhor é com a guitarra, some a isso o fator que canto terrivelmente mal (risos). Mas acho que a música instrumental virou algo elitista ou técnica demais, música pra músico, música gourmet, e isso é coisa do mercado. O mercado inventou isso e acabou ficando… Mas eu discordo: música instrumental é música, pode entrar na cabeça do ouvinte tão facilmente quanto uma canção.

– Nos últimos tempos muitas bandas independentes instrumentais têm aparecido e feito barulho, como o Mescalines, por exemplo. Essa é uma tendência que deve crescer?

Acredito que sim, o publico tem se mostrado afim de curtir música instrumental, vendo que nem sempre música com letra tem algo a dizer e que é possível passar uma mensagem com o instrumental. E essa turma nova tem uma linguagem mais democrática, não repete os clichês nem quer fazer música só pra músico.

Zé Bigode

– Mas porque esse tipo de música não chega ao mainstream, na sua opinião? Porque o instrumental é praticamente ignorado, salvo casos como “Misrlou” do Dick Dale, que estourou graças à Pulp Fiction?

Indústria, musica instrumental já foi mainstream, vide o jazz, o bebop… Mas acredito que um dos motivos é o padrão radiofônico que foi inventado de música de curta duração, 3 minutos e meio em média, e a música instrumental foi cada vez mais ficando complexa e com longa duração… Mas o instrumental sempre esteve aí, Pink Floyd apesar de ter voz tem mais instrumental que canto (risos). “Weather Report”… Claro que não na mesma proporção, mas se garimpar ela esteve presente.

– Esse projeto você considera como solo ou tem membros fixos na banda?

Um pouco dos dois, os membros são fixos mas como tem meu nome e eu que escrevo os temas, acaba tendo mais a minha cara. Mas rola uma democracia, pessoal opina também, e somos bem amigos, quase uma família, numerosa e barulhenta por sinal (risos)!

– Como você definiria o som da banda para quem ainda não conhece?

Vixe… Um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!

– World music?

Isso é que os gringos inventaram, né (risos). Jazz alternativo?

– Quais suas principais influências musicais para esse projeto?

Nação Zumbi, Wayne Shorter, Miles Davis, Daymé Arocena, Heraldo Do Monte, Criolo, Fela Kuti, Kamasi Washington, Elza Soares, bastante coisa que as vezes nem esta diretamente no som…

Zé Bigode

– Já estão trabalhando em novos sons?

Sim, lançamos o “Fluxo” agora em maio, mas já estamos com novos temas. A produção não para (risos)!

– Dá pra adiantar alguma coisa?

Em breve uma das musicas novas vai entrar no set do show, uma rumba com influências de jazz modal.

– Quais os próximos passos da banda?

Iremos prensar o disco em CD, e iremos circular por ai com o disco.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Hmm… Tem o Bixiga 70, Nômade Orquestra, Metá Metá, Mahmed, Negro Leo… Tem uma galera boa aqui do Rio também: Os Camelos, Foli Griô Orquestra, Kosmo Coletivo UrbanoRelógio de Dali

The Scuba Divers absorve influências de rock oitentista em sua incessante máquina de composições

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The Scuba Divers

The Scuba Divers foi criada em 2014 pelos irmãos Maurício Teles (Baixo e Vocais) e Daniel Teles (Guitarra e Vocais), que desde então, nunca pararam de compor. A banda começou como um projeto de covers de músicas dos anos 80 que acabou se desenvolvendo e estabelecendo a atual formação, contando com Iury Cascaes (Guitarra e Vocais) e Gabriel Ramacciotti (Bateria). As influências oitentistas de pós-punk e new wave se misturaram então ao rock alternativo, grunge e shoegaze e resultaram no primeiro disco do quarteto, lançado este ano.

No álbum, as 11 faixas demonstram bem a salada musical rocker que inspira o grupo santista. “Desde o dia que criamos a banda eu já comecei a compor as primeiras tracks, “Snowflake” e “Fish People”, que estão no disco”, explica. “Diferente de muitas bandas, que acabam descartando o primeiro material como ‘experimental’ ou ‘imaturo’, a gente gostava pra caralho de todas as músicas e ficaríamos bem tristes de não incluir elas em release oficial, sabe? É o resultado do nosso primeiro ano de composição”.

Conversei com a banda sobre sua trajetória, a gravação do primeiro trabalho e suas impressões sobre a cena independente atual:

– Como a banda começou?

Maurício: Então, eu e meu irmão tínhamos uma banda juntos que tocava só covers dos anos 80, coisas de new wave, post punk, synthpop, essas coisas. Éramos em 4, eu no baixo e vocal, ele guitarra e vocal e mais 2 amigos no teclado e bateria. A gente chegou a tocar alguns showzinhos, mas depois de um tempo a banda acabou por que não ia rolar mais pra tecladista e tal. Daí a partir disso a gente pensou ”pô, por que não começamos a tocar coisas nossas mesmo?”

Daniel: Na verdade a vontade de tocar material próprio era algo que já rolava mesmo nessa banda tributo, mas nunca chegamos a colocar em prática. Aí quando os outros membros saíram e sobrou nós dois, a gente resolveu reestruturar tudo e discutir qual seria a proposta da banda. De começo nós sabíamos apenas que seria som autoral e que seguiria uma direção voltada para o rock alternativo. Foi nesse momento que a banda, pelo menos como ela está agora, nasceu. Mas a semente dela vem desde antes, todos os projetos que tive com meu irmão e etc.

– E de onde surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Maurício: Então, como eu falei lá em cima, a tecladista saiu e ficamos em três. A gente brincava muito com os nomes que a banda ia ter e um dia brincamos com o nome do baterista, que é Lucas Bacci, e usamos Lucas Bacci and The Scuba Divers, uma sátira àquelas bandas que são ”não sei quem e os não sei o que lá”.

Daniel: Tipo Lobão E Os Ronaldos.

Maurício: Sim. Só que aí o Lucas Bacci saiu (risos)! Aí sobrou The Scuba Divers, e analisando melhor depois a gente percebeu q além de sonoro, o nome era perfeito pra gente.

Daniel: Apesar de ele ter surgido meio aleatoriamente, combinou bastante, tanto pelo sentido literal, porque gostamos de ambiências submarinas, várias de nossas músicas remetem ao mar e etc, como “Fish People”, “Crabs”, “Bioluminesce”, é um tema recorrente… Ao mesmo tempo, também pelo sentido subjetivo de mergulho, você pode mergulhar no que você quiser, sentimentos, sonhos, ou no próprio som.

Iury: O fundo do mar remete a um mistério legal de ser explorado.

Daniel: Sim, exatamente. Então combinou legal pra caramba com muita coisa que a gente gosta de escrever sobre.

Iury: Sim, tem similaridade com o universo e o espaço, que são inóspitos também, o fundo do mar é uma coisa cabreira. Um scuba diver então é um explorador de coisas profundas. Temos muitas músicas que narram sonhos também e etc..

– Deixa eu voltar um pouco a algo que vocês falaram: como é ter banda com irmãos? A gente ouve que é algo 8 ou 80, ou se dão muito bem (como no AC/DC) ou é só quebra-pau (como no Oasis)…

Daniel: Acho que é ótimo ter um membro da banda que simplesmente mora comigo. Eu tenho uma ideia, já mostro pra ele, ai a gente acaba produzindo bastante coisa aqui. Na parte administrativa ajuda bastante, porque um lembra o outro das coisas pra fazer, a gente pratica músicas juntos e tal.

Maurício: Sim, e além disso não temos meias palavras um com o outro: se a gente acha q algo tá uma merda já falamos na lata. Não tem rodeio. Às vezes a verdade chateia um pouco, mas é bem melhor assim. Somos bem transparentes um com o outro pra que tudo flua da melhor forma possível.

– Quais as principais influências do som da banda?

Daniel: Herdamos bastante coisa repertório que tínhamos na banda 80’s. The Smiths, The Cure, Tears For Fears, toda essa cena post punk e new wave, Devo e tudo mais. Mas a banda começou bem na época que comecei a me ligar em alternativo, noise, indie e eu comecei a mostrar muito disso pro meu irmão. Estávamos numa fase muito Placebo e Smashing Pumpkins, eu também estava ouvindo muito Pixies, Weezer, então começamos a misturar tudo isso. Quando o Iury entrou na banda ele acabou trazendo mais 90’s pra equação. Hoje em dia meio que bebemos de várias fontes, gostamos de coisas progressivas, experimentais, tanto quanto de punk rock e coisas mais diretas.

The Scuba Divers

– Como vocês definiriam o som da banda hoje em dia?

Iury: Então, existem mais influências no nosso som…

Maurício: Meio difícil rotular.

Iury: Eu gosto muito de música dos anos noventa. Tipo, gosto muito de Nirvana.

Maurício: Acho que a forma mais fácil e chamando de rock alternativo, que é meio q um gênero extremamente amplo. É um emaranhado de muita coisa!

Iury: E quando entrei na banda eu trouxe uma música, chamada “Dazed”, que tem muito do Nirvana, propriamente.
E o Rama que entrou agora na banda também tá trazendo influências novas… Daí quando você pega tudo isso, acaba refletindo no nosso som autoral. A gente tem músicas desde um punk rock safado até umas coisas mais post-punk.

Maurício: Sim, temos coisas que vão desde o noise rock, com um pouco de grunge até músicas mais românticas, shoegaze.

Iury: E pro futuro eu não duvido nada rolar umas músicas meio progão. (Risos)

Maurício: Provavelmente vá rolar um dia. Claro que não umas suítes de 20 minutos, mas a gente segue uma linha de pensamento que é não nos rotularmos, não colocar uma cerca na nossa criatividade.

Iury: A gente tem planos de fazer umas cosias mais intrincadas, mas estamos num trabalho contínuo de estudo e pesquisa, de composição, de evolução mesmo.

Maurício: Cada dia surgem músicas mais diferentes!

– Me contem um pouco mais sobre o disco.

Daniel: Desde o dia que criamos a banda eu já comecei a compor as primeiras tracks, “Snowflake” e “Fish People”, que estão no disco. Diferente de muitas bandas, que acabam descartando o primeiro material como “experimental” ou “imaturo”, a gente gostava pra caralho de todas as músicas e ficaríamos bem tristes de não incluir elas em release oficial, sabe? Então descartamos a possibilidade de um EP, onde muitas ficariam de fora. Esse disco é meio que as primeiras tracks nossas, mesmo. É o resultado do nosso primeiro ano de composição. As tracks são bem variadas, não existia um conceito ou fio condutor, tanto que é um dos motivos da capa ser uma colagem
são vários climas que interagem entre si, mesmo que o único fio condutor seja que todas saíram do mesmo conjunto de pessoas pensando e compondo.

– A banda toda trabalhou na composição das faixas ou elas já estavam prontas antes do disco começar a ser concebido?

Iury: Depende da música!

Maurício: Provavelmente metade do CD já estava composto quando a formação que gravou foi fixada.
A maioria delas são do Daniel Teles.

Maurício: Composto em partes, digo que já existiam as músicas, mas não completamente finalizadas. Quando o Iury entrou, ele adicionou todas as guitas novas nas músicas e tal, porque no começo era um trio, não tinha arranjo pra uma segunda guitarra.

Daniel: Exatamente, então apesar de eu ser quem assina autoria da maioria das tracks, todos contribuíram de alguma fora pro resultado final.

Maurício: Então em questão de música todos trabalharam nelas, mas em letra foi mais individual.

Daniel: E as ultimas tracks compostas já foram mais como banda e menos “eu compondo no meu quarto”.

Maurício: Exatamente, como o próprio Iury falou, ele chegou com “Dazed” pra trabalharmos… Acho que “The Stalker” foi a mais colaborativa de todas: o Iury chegou com uma ideia pra guitarra, o Daniel escreveu uma letra, eu criei um baixo logo no primeiro dia e tal. Foi bem bacana o processo.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Iury: Sempre! Na verdade a gente nunca parou de compor.

Daniel: Cara, temos material pra mais uns dois discos, nunca paramos de compor material.

Maurício: Até demais (risos).

Iury: Trabalhar em novas músicas é uma constante pra gente.

Daniel: Chegamos num ponto que o ensaio semanal não dá conta de ensaiar, arranjar, finalizar tudo, então nos reunimos às quintas aqui em casa para gravar demos e etc.

Iury: Com essas demos a gente vai experimentando um monte de coisas!

Daniel: Eu, meu irmão e o Iury sempre compusemos muito, agora o Rama entrou e ele compõe também, então a tendência é ter mais material ainda!

Iury: É que a gente se expressa com a música, né, então é algo bem natural ter sempre uma música saindo! Porque não é uma questão de sentar e compor “pra um novo CD ou EP”… E sim de botar pra fora o que temos em mente sob a forma de música!

Daniel: Acho que é ótimo como banda, a gente vai se aperfeiçoando, a parte triste é que vai demorar demais pra gravarmos tudo, vai doer no coração montar a tracklist do próximo disco!

Maurício: Pois é, a gente gosta muito de 95% das músicas que fazemos, esperamos que o publico também goste quando um próximo álbum for lançado. Mal lançamos esse e já ansiamos pro próximo! (Risos)

– E vocês acreditam ainda na aceitação do formato álbum? Hoje em dia, com o streaming, muitos artistas estão apostando em singles, EPs e etc, já que as playlists estão sendo mais procuradas do que discos completos.

Iury: Nós também lançamos singles, só que a gente não reduziu nossos lançamentos a somente esse formato. Não sei, eu particularmente “acredito” no formato álbum: eu gosto de pegar um álbum pra escutar, ver a capa, dar uma olhada nas artes e tudo mais. Só que de acordo com a indústria não é tão funcional assim…

Daniel: A gente tem um background que sabemos que não é o do público comum, de apreciar o álbum como uma obra completa, conceitual e não um aglomerado de faixas.

Iury: Mas mesmo assim “acredito” também que tem muita gente que ainda curte um álbum inteiro, e que as pessoas que vão gostar do nosso som provavelmente são assim. Mas também não tem problema se ouvirem as músicas soltas – ficamos felizes que entrem em contato com o nosso trampo e que nos mandem feedback de qualquer maneira.

Daniel: Então optamos pelo disco por questões artísticas antes de levar em consideração o marketing da coisa. Ainda assim, como o Iury falou, lançamos os singles individualmente, planejamos gravar clipe, estamos nas plataformas de streaming… Ter o disco completo não impede de focar o marketing num grupo delas.

Daniel: Dá quase na mesma para fins práticos, mesmo que muitos ouvintes não passem da 5ª track, se ele curtir, ele vai ter mais.

The Scuba Divers

– Como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Daniel: Comecei a ter mais contato com ela de uns tempos pra cá quando comecei a organizar o festival Alternapalooza, que foca em som alternativo, indie, autoral. Inicialmente eu era meio pessimista, mas muita gente começou a me procurar, eu mesmo comecei a ir atrás de coisas novas e comecei a descobrir muita gente com trampo foda interessada. Acho que com a internet a gente acabou só decentralizando a cena local, física sabe Lançamos o disco por selos do RJ, de BH. Esse tipo de cena interestadual tá ganhando bastante força. Chamamos bandas de outra cidade pra tocar aqui, eles chamam a gente, vai todo mundo se acertando e as coisas rolam.
No festival rolou banda de Recife, que doideira, sabe? Acho que a cena underground como ela geralmente é vista meio que deu uma esfriada, mas só porque ela acabou escoando para outros meios, não porque falta vontade das bandas ou as bandas não correm atrás e etc.

– Mas é utopia pensar em uma nova dominação do alternativo, como aconteceu aqui nos anos 90, com bandas como Planet Hemp e Raimundos indo até no Faustão?

Daniel: Ninguém poderia prever que o Nirvana seria um sucesso mundial, as tendências da moda são algo que como músico eu não tenho como analisar, é mais um lance de sociologia. Acredito que tentar replicar o que aconteceu não vai dar certo. Se o alternativo emergir dessa forma novamente, com certeza será de maneira espontânea e por outras razões. Vejo muita gente “vou fazer igual tal banda pra dar certo também”, mas o contexto que essas bandas estouraram era completamente outro.

Maurício: Pois é, não existe fórmula pra dar certo. Por mais que, por exemplo, você queira estourar a todo custo e sua banda comece a fazer um som comercial que está super na moda, até dessa forma não é certeza de você vingar. Acho que o lance é você ir fazendo um trabalho que faça sentido pra você, que seja sincero e que você não desista. Acho que não existe sorte na música, existe força de vontade e perseverança. E talento, claro (risos). Quando alguma oportunidade surgir, tem que estar preparado pra lidar com ela!

– Quais são os próximos passos da Scuba Divers?

Maurício: Agora com o nosso primeiro álbum lançado e com a troca de baterista, nosso objetivo é ir divulgando nosso som, estamos atrás de casas de show, divulgando a notícia pela internet. Temos ideias para videoclipes e estamos vendo meios de viabilizar a produção deles!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Maurício: Uma banda que foi uma boa surpresa pra mim foi a eliminadorzinho, de SP. A conheci em uma edição do Alternapalooza, a banda é formada por um ex-membro da Calvin Voichoski & The Hello Titos.

Daniel: Gosto do Não Ao Futebol Moderno, do gorduratrans, a Amandinho é uma banda bem divertida também.

Maurício: A eliminadorzinho tem um som shoegaze muito gostoso de ouvir, muito feeling!

Boogarins faz mistério sobre a língua de seu próximo disco

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Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

Ainda estamos no primeiro semestre de 2017 e a Boogarins já se prepara para a sua segunda turnê internacional deste ano. Não está errado em dizer que hoje eles são a banda independente brasileira com maior notabilidade no mercado internacional. Além de terem contrato com a gravadora norte-americana Other Music, os goianos já tem no currículo participação em grandes festivais como Primavera Sound e Rock in Rio Lisboa.

E internacionalização da banda parece um caminho sem volta. Prova disso é o single “A Pattern Repeated On” lançado na semana passada e que conta com a participação de John Schmersal, do Brainiac, nos vocais. Por ser a primeira vez que lançam uma música autoral em outra língua, cresce a expectativa para saber se o disco que vai suceder o aclamado “Manual” terá composições em inglês.

Em uma conversa minutos antes da banda subir ao palco da 19ª edição do Festival Bananada, o baterista Ynaiã Benthroldo fez mistério sobre como será esse novo disco do Boogarins. Na entrevista ele também fala que os shows dessa nova turnê servirão como teste para as novas músicas e da relação da banda com a cena fora do país.

– O lançamento do single “A Pattern Repeated On” é um sinal que o próximo disco da banda terá canções em inglês?

A gente vem experimentando novas coisas. Se eu responder essa pergunta vou acabar falando tudo de como será o próximo disco. É bom deixar uma curiosidade.

– Como está a carreira internacional da Boogarins?

A melhor coisa é essa relação que a gente faz com outras pessoas, de outros lugares. Já fizemos muitas parceiras aqui no Brasil com outras bandas e estamos fazendo isso também com gente lá de fora e criando essa relação.

  • – Como será essa nova turnê gringa que começa no próximo mês?

Banda meio que nasceu de verdade depois de gravar o primeiro disco e ele ser lançado por uma gravadora dos EUA. A partir daí que tivemos uma agenda de show e uma postura mais profissional. Já passamos dois meses nos EUA esse ano, fazendo alguns festivais e agora estamos voltando para tocar durante o verão e fazer toda Costa Oeste, parte da Leste e pode voltar ao Texas onde a gente adora tocar. Depois vamos direto para Portugal e Espanha onde estamos criando uma relação boa.

  • – O show do Bananada vai ser o mesmo desta turnê?

Não. A gente já toca esse single que lançamos a pouco, mas estamos encerrando esse ciclo do disco “Manual”. A gente já gravou muita coisa e quer experimentar isso no palco agora com outros elementos e um outro set de instrumentos.

Components e a clássica história de rock’n’roll no Festival Bananada 2017

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Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

A história é até bem conhecida. Ter amigos de infância, compartilhar com eles os mesmos gostos e influências de diferentes coisas, e ali pela adolescência despretensiosamente juntar parte da turma e montar uma banda de rock para passar o tempo. Esse roteiro deve ter se repetido em vários lugares do mundo e não seria diferente em Goiânia, onde nasceu a Components.

Os quatro garotos cabeludos fazem um som de gente grande, mesmo que ao olhar para eles tenha-se a sensação que acabaram de sair de uma aula do cursinho pré-vestibular. Com a formação atual tocando desde 2013 a banda tem dois singles lançados e está acertando os últimos detalhes para lançar seu primeiro disco, previsto para sair ainda no segundo semestre deste ano.

Conversamos com eles, no Cafofo Estúdio, pouco depois do show que fizeram na segunda noite do Bananada 2017. Gabriel Santana (Guitarra e Backing Vocals), Hugo Bittencourt (Bateria), Matheus Azevedo (Vocais), Miguel Rojas (Baixo e Backing Vocals). falaram sobre a cena goiana, referências, videoclipes e uma possível turnê junto com o disco de estreia.

Começo

Nos conhecemos desde crianças. As mães do Miguel e do Hugo se conhecem desde antes deles nascerem. São quase vinte anos de convivência. No início tocávamos músicas e inglês e a primeira formação não tinha o Matheus, que entrou na banda para substituir o Miguel quando ele foi fazer intercâmbio. A partir de 2015 passamos a fazer músicas e português porque fazia mais sentido pra gente e para o nosso público e assim passávamos melhor a nossa mensagem.

Referências

Sempre é complicado falar sobre referência, mas se tem uma banda que a gente se identifica e gosta muito é a Violins, aqui de Goiânia. Tanto que o Beto Cupertino faz uma participação no nosso disco. E como esse disco vem sendo feito há, pelo menos, dois anos pegou várias fases nossas em que ouvimos várias coisas diferentes. No ínício ouvíamos muito Foo Figthers, hoje não escutamos tanto. As primeiras músicas que fizemos pro disco são muito mais pesadas do que as que fizemos no final.

Cena Goiana
É uma das mais legal do Brasil. O Bananada é uma prova disso. Estamos tocando pela terceira vez no festival. Mas ainda não é uma cena sustentável, como nenhuma é no Brasil se for comparar com as lá de fora onde existe um mercado para a música alternativa. Mas os várias festivais que existem na cidade mostra que temos uma cena forte.

Tocar fora
Já fizemos dois shows, com o festival Vaca Amarela, no Rio e no Móveis Convida, em Brasília. Mas temos a intenção que quando o disco sair a gente entre num carro e caia na estrada para um turnê rodando cidades entre Minas Gerais e São Paulo.

Clipes
A culpado por fazer nossos clipes é o Hugo. É incrível que com apenas duas músicas lançadas e dois clipes a gente tenha alcançado um público que ultrapassa as fronteiras de Goiás. Tudo isso se deve a internet. Tem gente de locais muito distantes como Guanabi, na Bahia, e São Luis, no Maranhão.

Globelamp tira de seu diário um som que transita entre a psicodelia, o rock e o pop “trevoso”

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Globelamp

O som expressivo e etéreo de Elizabeth Le Fey e seu Globelamp caminha entre a psicodelia de Syd Barett e o pop sombrio de Lana Del Rey. A cantora e compositora, que antes participava dos shows do Foxygen, faz músicas que remetem a um clima cinzento e outonal, com influências que vão de Grace Slick a Stevie Nicks.

Com “The Orange Glow”, seu mais recente disco, ela cunha seu estilo que transita entre o rock, o shoegaze, o pop e até o grunge. Além deste álbum, lançado em 2016 pela Wichita Records, Elizabeth já lançou “Star Dust” (2014), “Covers Album” (2014), com versões de gente como Beatles, Velvet Underground, Blondie, Lana Del Rey, David Bowie e Elliott Smith, e sua estreia, “Globelamp EP”, de 2011. No momento ela trabalha em novas músicas, sempre baseadas em suas experiências pessoais e seu inseparável diário.

Conversei um pouco com ela sobre sua carreira como Globelamp:

– Como a banda começou?
Começou como um projeto solo no meu quarto com meu violão e meu diário.

– E como surgiu o nome Globelamp?
Foi inspirado por um capítulo do livro “Witch Baby”, da Francesca Lia Block, chamado “Globe Lamp”.

– Quais são suas principais influências musicais?
Ainda é difícil identificar artistas individuais! Eu amo tanta música. Devendra Banhart, Nico, Joni Mitchell, Kimya Dawson, Cat Stevens

– Me conta mais sobre o material que você lançou até agora!
Primeiro eu lancei um EP em 2011. Regravei algumas dessas músicas como “Crocodile” e “Crystal” para o meu primeiro álbum completo, “Star Dust”. Meu álbum mais recente, “The Orange Glow”, foi lançado em todo o mundo pela Wichita Recordings em 2016. É a primeira vez que eu tenho um vinil gravado com a minha música!

– Como você se sente sobre a cena independente hoje em dia?
Sem comentários.

– Como é o seu processo de composição?
Escrevo muito no meu diário e de lá eu pego idéias para as letras!

– Você está trabalhando em novo material?
Sim, eu já escrevi o próximo álbum … Eu só preciso começar a gravá-lo!

– Quais são os próximos passos da banda?
Bem, eu toco sozinha, então acho que o próximo passo para a minha banda é encontrar membros da banda!

– Recomende bandas (especialmente se forem independentes) que chamou sua atenção ultimamente!
Acho que os mais jovens deveriam procurar artistas dos anos 90 como Tracy Chapman, Belly e Alanis Morissette!

BTRX investe em experimentalismo e discute a coletividade em seu mais recente álbum, “Motirõ”

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BTRX

Em uma fase mais política e engajada, a BTRX (lê-se “Beatrix”) está a 300 km/h na divulgação de seu mais recente disco, “Motirõ”, produzido por Martin Mendez e o Duda Machado, que tocam com a cantora Pitty. Formada por Lize Borba (vocal e guitarra), Bruno Espindola (baixo), Vinicius Souza (guitarra) e Thiago Augustini (bateria), a banda é a atual vencedora do programa “Temos Vagas” da 89FM Rádio Rock, que aposta em bandas independentes e as divulga na programação da rádio. No disco, lançado em 2016, eles abordam alguns dos temas mais discutidos no momento, a coletividade. “‘Motirõ’ é uma palavra indígena que significa o ato de várias pessoas se unirem para resolver algo em comum. Foi uma inspiração da Lize numa viagem que ela fez pra uma aldeia em Roraima. Isso foi ditando os tons do disco, tanto na mistura de sonoridade, a gente agregou muito de percussão nesse disco, hoje até viajamos com um percussionista”, conta o guitarrista.

Conversei com ele e o baterista Thiago sobre a carreira da banda, suas influências, o disco “Motirõ”, Quentin Tarantino e a cena independente atual:

– Como a banda começou?

Souza: A banda nasceu de uma vontade do baixista Bruno em fazer um som com uma mina no vocal. Na época tanto o Thiago quanto a Lize e o Bruno moravam na mesma cidade, no interior de SP, Cachoeira Paulista, trampavam por lá, e na primeira formação todos se encontraram ocasionalmente e a coisa começou; existiam identificações entre as ideias em comum, tanto pra sonoridade quanto pra temáticas, formas de expor, aí foi um processo natural, gravamos um primeiro disco ainda moleques mesmo, a Lize passou assumiu o vocal no segundo disco que é um disco mais sólido, que já tem uns traços mais maduros, até agora pro “Motirô” que é o disco mais sério e desenvolvido da banda.

– E porque a escolha de ter uma mulher no vocal especificamente?

Souza: Cara, creio que a ideia a princípio era somente um desejo pessoal mesmo do Bruno, tanto influenciado por algumas referências na época do mainstream, a Pitty tava começando a se destacar, havia a ascensão do Evanescence, acho que foi aquela empolgação geral, pela novidade, pelo impacto que dava ter um figura feminina cantando rock… Porém hoje analisando, já com a formação da Lize no vocal, a formação que agente considera a mais sólida e definitiva que agente teve, pro segundo álbum no caso quase considerado o “primeiro”, agente vê que a Lize era a pessoa certa manja, independente dos esteriótipos e muito além de uma questão de gênero, a pessoa da lize e tudo o que isso embarca era o ideal e assim que naturalmente foi, hoje mais maduros nós vemos que de certa forma, a questão dela ser mulher ou não se tornou sem sentido perante a figura do que ela é pra banda assim, e talvez estejamos num momento hoje onde a sociedade está mais consciente das questões, ao ponto que creio que daqui uns anos a própria pergunta sobre “qual o impacto de ter uma mulher na banda” vai perder o sentido, e se tornar algo natural….

– Quais são as principais influências da banda?

Souza: Pô, essa é uma questão interessante, a gente gosta de dizer que as nossas influências vão além do universo da música, e obviamente que cada um da banda, em suas particularidades, traz um pouco do pessoal na hora de compor e pensar as coisas da banda. O cinema é um fator que nos influencia bastante, muito pelo fato da Lize trabalhar com cinema, (é diretora de arte) mas também por um gosto geral mesmo de todos, da banda ter uma identidade visual, agente gosta muito de trabalhar com o abstrato com simbologias sejam poéticas ou de linguagem, nisso entra um pouco de tudo, Literatura influencia muito, Filosofia particularmente é um ponto que agente sempre está discutindo, eu sou formado em filosofia, estudo, enfim… mas especificamente no campo da música, agente tem se inspirado muito em sonoridades como Arcade Fire, principalmente nesse último álbum, o “Reflector”, Radiohead é uma influencia gritante, (acho que pra qualquer um né?) mas também gostamos muito de música brazuca, a Lize estuda muito a forma de compor do Tom Zé, eu adoro as misturas de sonoridade do Lenine, em “Chão” principalmente… e várias outras bandas indiretas afora.

– Então vocês não se consideram uma banda apenas de rock, correto?

Souza: Pô, agente é daquelas bandas que quando perguntadas que tipo de som fazem se enroscam pra responder (risos). Eu acho que por tudo aquilo que implica no “ser uma banda de rock”, agente é apenas uma banda de rock sim, alternativo acho que se encaixa, experimental em alguns pontos…

BTRX

– Antes de falarmos do “Motirõ”, me conta um pouco mais sobre o primeiro disco.

Souza: Então, “Motirõ” é o nosso terceiro albúm de estúdio, mas com essa formação, é o segundo, antes dele veio o álbum chamado “Lugar Comum”, que é um disco muito significativo pra todos da banda, foi um disco de transição, de passagem, não só de vocalista, antes era outra mulher, mas também esteticamente mesmo, a temática já girava em torno do que agente pretendia enquanto banda, que são questionamentos acerca da nossa condição social, existencial, é um disco em alguns pontos mais críticos; e sonoramente ainda é um disco agressivo no sentido de ter mais guitarras, mais distorção, o que diz um pouco da época, agente ainda era bem jovens, eu tinha uns 22 anos se não me engano. Num geral agente tende a ser bastante crítico em relação a esse primeiro disco, como qualquer banda q se analisa normalmente, mas ao mesmo tempo é um disco que foi importante, onde agente conseguiu trabalhar e amadurecer um pouco da sonoridade nossa, e refinar a poética e o teor mais politico da banda.

– E como rolou essa transição entre o primeiro e segundo discos? O que mudou?

Souza: A principio foi um mini caos organizado, depois que agente fecho a formação mesmo com a Lize assumindo o vocal não só a guitarra, existiam algumas ideias já, agente vinha trabalhado em algumas prés alguns arranjos crus, mas tudo teve um ar diferente, de passagem mesmo, porque quando agente mudou a formação mudou-se também a forma de trabalhar né, o jeito que a Lize assimilava as coisas era diferente, a forma como ela propunha e argumentava estimulou agente e procurar outras maneiras de expressão, e o disco é um retrato disso, agente ainda fazia um som que era pesado como na origem da banda com dobras de guitarra, também mais diretamente politico, mas já transitava um pouco no que viria a ser a sonoridade do atual “Motirõ”, mais clean, com arranjos mais trabalhados, enfim…

– Então me conta mais sobre a produção de “Motirõ”. De onde saiu o conceito do disco e porque ele tem esse nome?

Souza: A produção do “Motirõ” foi um divisor de águas, foi o primeiro disco que agente conseguiu trabalhar com um produtor, no caso dois, O Martin Mendez e o Duda Machado, que são os músicos que tocam com a Pitty, que a gente conheceu por intermédio do Rafael Ramos, que fez um ponte com eles e tal, e que também acompanhou com a pré produção, foi um cara muito importante nesse processo todo… Aí poderia falar horas sobre a produção em si, a vibe foi sensacional, o Estúdio Madeira do Duda é um lugar muito propício a coisas mais intimistas, agente se isolou lá pra esse álbum, e foi um ambiente exatamente da forma como a ideia do disco pretendia, de coletivo, de compartilhamento, de arte; Motirõ é uma palavra indígena que significa o ato de várias pessoas se unirem para resolver algo em comum, é a origem etimológica da palavra mutirão. foi uma inspiração da Lize numa viagem que ela fez pra uma aldeia em Roraima, na época ela voltou muito empolgada, e isso foi ditando os tons do disco, tanto na mistura de sonoridade, agente agregou muito de percussão nesse disco, hoje até viajamos com um percussionista… Foi um divisor de águas justamente pela dimensão que a produção se tornou, o disco foi financiado por uma campanha de financiamento coletivo no Catarse, foi uma experiência incrível pra todos e o trabalha nos agrada muito.

– Falando nisso, o que vocês acham da utilização de financiamento coletivo por bandas? É a melhor maneira depois da queda das grandes indústrias da música?

Thiago: Financiamento coletivo não é foda só por conta da grana, mas eu diria que é uma experiência de vida para as bandas. A proximidade que você cria com os fãs é algo incrível. Já fazem alguns anos que gravadora não significa investimento garantido, e o financiamento coletivo veio pra selar essa independência de vez.

– Qual a opinião de vocês sobre a cena independente atualmente? O mainstream não é mais o objetivo?

Souza: Eu acredito que vivemos uns dos melhores períodos da música independente no Brasil, acho que as novas possibilidades abertas pelas novas ferramentas de acesso deram um suporte, uma base para que as bandas pudessem ser levadas mais a sério, ter mais espaço e criar suas próprias formas de divulgação e organização… Embora ainda os meios estejam um pouco misturados o independente constamente se relaciona com os tradicionais meios do mainstream, as vezes como meta de sucesso, as vezes como pura possibilidade aberta, eu acho que no futuro isso tende a ser mais consolidado, os cenários mais estabelecidos e os nichos mais organizados, mas é difícil dizer, tudo é muito orgânico hoje né? A velocidade com que tudo acontece e se transforma é impressionante, na mesma pegada o mainstream também está se adaptando, vendo o que dá mais certo, observando como as coisas fluem. Eu acho um sintoma muito interessante acerca disso, o fato dos grandes veículos de midia se renderem ao poder dos streamings, dos youtubers etc., isso diz muito sobre o atual momento, mas eu creio que de fato o mainstream não é mais objetivo no sentido de que não detêm mais o controle sobre a relevância dos conteúdos e a forma de manifestação dos mesmos, mas o tempo dirá como sempre…

– Aliás, por curiosidade, o que significa o nome da banda?

Souza: Cara, agente já achou vários significados ao longo da banda e tal, descobrimos a origem do nome Beatrix, que é do latin beatrice, ou beatitude, alegria né, o que leva felicidade, mas pra ser honesto o nome nasceu mesmo quando a Lize terminou de ver o Volume 2 do filme do Quentin Tarantino “Kill Bill”, onde a personagem da Uma Thurman finalmente releva o seu nome que é “Beatrix Kiddo”, ela ficou extremamente empolgada com o nome e tal haha ai acabou ficando todo mundo curtiu e tal e tá ai até hoje. Agora agente mudou a grafia só por questões estéticas, e por dizer um pouco mais, pra salientar a mudança natural entre os discos, quase uma aliteração, na verdade uma remoção das vogais em BTRX, mas é isso aí.

BTRX

– Quais os próximos passos da banda em 2017?

Thiago: O foco ainda é na divulgação do “Motirõ” que ainda é bem recente. Vamos lançar o primeiro clipe do álbum nas próximas semanas, focar em continuar construindo uma agenda bacana, iniciar novas produções de clipes e mais pra frente iremos lançar um documentário sobre a gravação do Motirõ.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Souza: Pô, dá pra fazer uma lista boa hein. Eu tenho gostado muito do som de bandas como a Baiana System, o som da Baleia, gosto da Mahmundi, Mombojó, Vivendo do Ócio, Medulla… a lista pode continuar ad infinitum!

Thiago: Tô mais colado em Francisco el Hombre e Carne Doce no momento.

Orgânica e setentista, Não Alimente Os Animais prepara seu segundo disco para o segundo semestre

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Não Alimente Os Animais

Vinda da junção de diversos projetos paralelos, a Não Alimente Os Animais surgiu em 2014 buscando fazer um som orgânico e recheado de influências do rock dos anos 70 e o groove do funk da época. Os gaúchos Alexandre Alles (teclados e voz), Felipe Magon (teclados e voz), Lucas Ceconi (bateria), Lucas Chini (baixo e voz) e Luis Fernando Alles (guitarras e voz), conterrâneos de Caxias do Sul, lançaram em agosto do ano passado seu primeiro disco, gravado em dezembro de 2015 nos estúdios da ACIT, em Caxias do Sul, em um estúdio inspirado no lendário Abbey Road, e preparam seu sucessor, que deve ser lançado no segundo semestre deste ano. “Nesse semestre também vamos lançar nosso primeiro videoclipe, também produzido pela Rayza Roveda, que fez a capa do disco homônimo”, conta Luis Fernando.

Conversei com ele sobre a carreira da banda, suas influências, o primeiro disco e sua ótima capa e a queda da cultura do álbum:

– Como a banda começou?
A banda começou em meados de 2014 quando os tecladistas Alexandre e Felipe começaram a se reunir para trocar ideias de timbres e arranjos de teclados. Eles começaram a mostrar um para o outro suas composições e dai surgiu a ideia de montar um novo grupo para compor. Em seguida entraram os dois Lucas, baixo e bateria, e por último eu me juntei à formação para tocar guitarra.

– De onde surgiu o nome da banda?
Surgiu em algum ensaio, onde provavelmente alguém fez alguma besteira ou brincadeira e outro alguém disse “não alimente os animais”. Daí ficou esse nome, mas, na verdade nós interpretamos o nome como sendo para não alimentar os atos irracionais que muitas vezes cometemos e acabam prejudicando a nós mesmos e aos outros. E como o ser humano tem muito disso, achamos que o nome encaixou bem com a proposta da banda.

– Quais suas principais influências musicais?
A banda como um todo puxou influências principalmente do rock dos anos 70 e final dos anos 60. Então a gente tem essa pegada “setentona”, onde ficam evidentes os timbres orgânicos e a espontaneidade de uma banda tocando ao vivo. Acredito que Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin, The Band são nomes fortes para nossas influências, mas, aliado ao rock, temos muito gosto pelo funk e soul norte-americano, e ritmos latinos e brasileiros, o que acabou influenciando também na sonoridade da banda. Nós costumamos dizer que fazemos um “rock groovado”.

– Me contem mais sobre o primeiro disco da banda.
A banda começou em meados de 2014, mas somente em agosto de 2015 começamos a nos apresentar ao vivo, então nós ficamos mais de um ano só compondo e ensaiando. Chegamos a um ponto de ter em torno de 25 músicas para trabalhar, mas dessas, somente oito foram para o primeiro disco. Foi bem difícil escolher essas faixas para o álbum, mas optamos por aquelas que estavam mais prontas e se encaixavam melhor para o conceito de lado A e lado B, como se fosse um LP. Nós gravamos as bases do disco em dezembro de 2015, de forma totalmente independente, mas do jeito que queríamos, com Hammond B3, caixa Leslie, Fender Rhodes, Piano acústico, bateria Ludwig, amplificadores valvulados… enfim, toda aquela sonoridade orgânica que almejávamos, e de forma bem espontânea, com poucos takes e overdubs. Em abril de 2016 voltamos ao estúdio para gravar as vozes e todos os arranjos que haviam faltado. Vale ressaltar a participação dos amigos Alisson Witt, na faixa “King Kong”, Marte Fros em “Um Espejo em Cada Mirada”, e as queridas Bruna Toledo e Mari Mussoi, backing vocals nas faixas “Unforgettable”, “And I Try” e “Big Guy”. Enfim, o disco foi construído de uma maneira bem participativa e amigável, com muita gente nos apoiando. O álbum saiu pelo selo Retrola, do nosso camarada Vini Lazzari, que foi quem coproduziu e mixou o disco.

Não Alimente Os Animais

– Como foi criada a capa?
A capa é obra da Rayza Roveda, uma amiga e fotógrafa muito talentosa que está conosco desde o início da banda produzindo as fotos e algumas artes. O conceito é todo dela, nós só chegamos no set, que na verdade era um galpão lá na casa do Lucas em Antônio Prado, e posamos de modelo. As máscaras também são criação dela, então o mérito é da Rayza que conseguiu criar essa capa que fechou exatamente como pensávamos, algo meio sombrio, sarcástico e divertido.

– Como anda a cena de rock gaúcha hoje em dia?
A cena no Rio Grande do Sul está boa, mas ainda em crescimento e em constante formação de público. Existem muitos artistas e bandas, mas muito mesmo, de muita qualidade, que a cada ano lançam álbuns cada vez melhores. A grande dificuldade ainda é formar um público. Existem excelentes festivais voltados para a música como o Morrostock e o Pira Rural, que trazem atrações de todo o Brasil, e acaba rolando muita troca de informação. Mas, fora desses festivais específicos, á mais difícil alcançar as pessoas. Eu diria que o Rio Grande tem quantidade e qualidade de bandas e artistas, mas falta dar aquele passo, circular, expandir seu público. Com certeza é algo que vai melhorar se depender de nós artistas e dos produtores culturais, há um grande esforço para isso. E a cena rock do Rio Grande do Sul é algo maravilhoso, com muitas novidades a cada ano, vale a pena olhar para os artistas daqui.

– Como vocês veem a atual cultura do streaming? Ela atrapalha ou ajuda?
O streaming veio para ficar e nós artistas temos que nos adaptar a isso. Veio para ajudar, pois o acesso à sua obra é muito mais fácil, e a divulgação enorme, mesmo para quem nunca ouviu falar de você, às vezes aparece em uma playlist no Spotify, por exemplo, e você acaba sendo conhecido por um público que nem te procurou (obrigado algoritmos). Veio para atrapalhar um pouquinho também, pois dificulta e muito a vendagem das mídias físicas, que bandas independentes como nós ainda precisamos.

– Vocês fizeram um disco com um conceito, começo meio e fim. A cultura do álbum ainda existe? As pessoas ainda param para ouvir um álbum de cabo a rabo? Qual a importância disso?
Pois é, isso meio que vai de contramão ao que a sociedade vive nos dias atuais, aquela coisa rápida, volátil, muita informação. Nós amamos música e acreditamos que existem muitas pessoas que pensam que nem nós, que a música não é descartável, e sim, é algo sentimental, que nos faz rir, chorar e sonhar. Então acho que precisamos desacelerar, ouvir o disco de cabo a rabo sim, pegar o LP na mão, manuseá-lo, olhar a capa e o encarte, escutar um lado, depois o outro, é quase uma terapia. A Não Alimente os Animais faz música para nós mesmos e para as pessoas que gostam de curtir a música como um todo, e não apenas um pedacinho.

Não Alimente Os Animais

– Quais os próximos passos da banda?
Nesse semestre vamos lançar nosso primeiro videoclipe, também produzido pela Rayza. Pretendemos gravar nosso segundo álbum a partir de julho, e se tudo der certo, lançá-lo ainda esse ano. Nós já temos uma assessoria de imprensa em São Paulo, que trabalhou na divulgação do primeiro disco, dando aquela semeada inicial, e partir dai pretendemos circular pelo Brasil e o que mais vier.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Bom, vou começar citando nomes daqui da nossa cidade, de muita qualidade, que já tem discos gravados e vêm fazendo um belo trabalho: Cuscobayo, Catavento, Yangos, Mindgarden, Spangled Shore, Natural Dread, GrandFuria, Velho Hippie, Magabarat, Maragá, JL, Ária Trio… Enfim, são apenas alguns nomes de artistas de diversos gêneros aqui de Caxias do Sul que vem fazendo música boa. Também acho que selos independentes vêm fazendo um excelente trabalho, então vou citar alguns artistas que têm nos representado bem pelo Brasil e mundo afora, a Mahmed do RN e a Boogarins de GO são bandas independentes que já saíram do Brasil algumas vezes. Esses dias a Carne Doce, também de Goiás, tocou aqui e me encantei com o show deles. E por fim vou citar alguns nomes que assisti no último Festival Pira Rural, do qual participamos, e me chamou muita atenção pela qualidade: Quarto Sensorial, Guantánamo Groove, Solo Fértil, Kiai Grupo, Kula Jazz, Pata de Elefante, Tagore. A música brasileira é muito rica!

Sheila Cretina destila seu veneno rocker enquanto prepara seu segundo disco

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Sheila Cretina

A banda Sheila Cretina está desde 2008 na ativa misturando todo tipo de rock que possa vir a influenciar Gustavo McNair (voz e guitarra), Rodrigo Ramos (guitarra e voz), Jairo Fajersztajn (baixo e voz) e Caio Casemiro da Rocha (bateria). “Todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo”, explica Jairo. “Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa”.

A banda lançou em 2011 seu primeiro álbum, “Vol I”, gravado no Red Mob Studio por Gianni Dias e Piettro Torchio entre 2009 e 2010 com masterização por Michael Fossenkemper, no Turtle Tone Studios, em Nova Iorque. As 7 faixas do disco mostram um pouco da mistureba rocker que a banda representa, com letras em português e a quantidade ideal de barulho para ser ouvida no último volume. Para este ano eles estão preparando o segundo trabalho, gravado no Estúdio Aurora, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre.

Conversei com Jairo sobre a carreira da banda, o primeiro disco, a cena independente e a dicotomia da música nos tempos de internet e streaming:

– Como começou a banda?

A banda começou, se não em engano, em 2008… Estávamos na faculdade. Eu tocava com Caio (batera) desde criança e estávamos sem banda, conheci o Gustavo na facu e resolvemos montar uma, chamamos o Caio que já estava afim de tocar e começamos assim. Rodrigo entrou dois ensaios depois na segunda guitarra e assim estamos até hoje.

– De onde surgiu o nome Sheila Cretina?

O nome surgiu a partir na necessidade de uma banda ter um nome (risos). A gente precisava de um nome e Sheila Cretina veio naturalmente como se soasse como a sonoridade que fazemos.

– E o que significa?

Não tem significado. Sheila Cretina é uma banda desesperada de São Paulo, que grita em português o rock que quer ouvir.

– Quais as principais influências da banda?

Cada um tem sua linha de som, influência e inspiração A gente não se prende a rótulos ou estilos. Todo mundo gosta de rock, todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo. No nosso som você vai encontrar influências de Ramones, Mudhoney, Sonic Youth, Black Flag, Dead Kennedys, Nick Cave, Stooges, MC5, Led, Nirvana, Sabbath, Jards Macalé, Cólera, Humble Pie… Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa.

Sheila Cretina

– Me fala um pouco mais sobre o que vocês já lançaram.

Lançar é uma novela nessa banda (risos). Temos um álbum lançado chamado “Vol. I”. Foi lançado em 2011, se não me engano. Lançamos um clipe oficial desse álbum, e um clipe ao vivo. Fizemos bastante shows por aí, divulgamos bastante esse álbum, que está quase esgotado, e agora finalmente depois de muito trabalho estamos perto de lançar o segundo álbum.

– E como é o “Vol I”? Como foi a gravação dele e o que temos no disco?

O “Vol. I” a gente gravou no extinto Estudio RedMob. Foi uma experiência bem bacana. Gianni Dias ficou a cargo da gravação, e como é nosso amigo, foi tudo muito engraçado e tranquilo de fazer. No disco tem apenas músicas autorais, todas as letras do Gustavo, cada uma de um estilo de rock sem muito rótulo. Cada música a sua maneira. Ele é bem urgente, enérgico, juvenil, excitante, explosivo, sujo… Eu acho que é rock do bom (risos). Ah! super chique, foi masterizado em NYC nos Esteites.

– E como está sendo essa preparação pro segundo disco? O que podemos esperar?

Está sendo uma grande novela, mas finalmente conseguimos entrar no eixos. Fechamos com o Estúdio Aurora e estamos sendo produzidos pelo Billy Comodoro, um cara que conseguiu nos dar um norte dentro do estúdio, clarear nossas ideias e facilitar os arranjos das músicas. Podemos esperar coisa boa, pra quem gosta, claro. Rock autêntico, sujo, com atitude e aquela pitada de barulho de sempre.

– Já tem previsão para lançamento?

Olha, previsão exata assim não tem. Mas tenho muita fé que vai sair ainda esse semestre.

– Como você vê a cena independente do rock hoje em dia?

Cara, isso é uma coisa muito complicada. A gente sempre ouve que “no meu tempo era melhor”. e eu acho que realmente era. Vejo muita gente falando que a cena é desunida, só tem vaidade. E eu até concordo. Mas eu to cheio de camarada que faz a cena acontecer, ta cheio de gente querendo se unir, dando o sangue pela cena. Seja no hardcore, no punk rock, no hard rock, no ska, no instrumental, surf music. Acho que o que fodeu com a cena foi a internet e a forma de consumir musica. Banalizaram a musica, por isso acredito não termos mais espaços que tínhamos antes. A cena independente sempre vai existir. Acho que temos uma herança dos anos 90 onde o mainstream comprou o underground. Você tinha programas na TV aberta durante a tarde em dias de semana ou domingos, com bandas autorais ao vivo. Hoje isso já diminuiu bastante… Mas como disse, o underground sempre existe, cheio de banda fazendo corre ha milianos, tipo Cólera, RDP, Dead Fish, Dance of Days, o próprio Autoramas, Hurtmold… E tem muita coisa nova boa com gente que corre atrás, tipo Não Há Mais Volta, Der Baum, Horace Green, Emicaeli, Chalk Outlines, Poltergat, Rakta, Fingerfingerrr, entre TANTAS outras… Acho que estamos num momento diferente, mas que sempre devemos nos unir e nos ajudar. Nunca separar, segregar.

Sheila Cretina

– Mas a internet ao mesmo tempo criou uma facilidade para as bandas independentes divulgarem seu trabalho… Ou não?

Facilidade pra divulgar sim… Mas com a facilidade em baixar músicas, ouvir no Youtube, a música virou algo descartável. Uma capa não é algo mais totalmente importante. Guardar o CD nao é mais importante, é só baixar. E nunca mais ouve. Quando eu era moleque, o cara mais legal do rolê era aquele que tinha fitinha demo da banda que ninguém conhecia, essa banda ia tocar 4 bandas antes do Dead Fish e neguinho sabia cantar a música. Hoje não existe mais demo quase. Hoje não existe mais muito público pra ver banda de abertura em show underground. Assim como a cena é ruim, mas é boa. A internet faz bem, mas fez mal… Faca de dois gumes.

– Quais os próximos passos da banda?

Difícil prever, mas queremos trabalhar esse disco novo, fazer algum material legal com ele e já partir para novas composições e produções.

– Pra finalizar: recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamara sua atenção nos últimos tempos!

Tem MUITA coisa boa por aí. Já citei alguns em outra resposta nessa entrevista: Emicaeli, FingerFingerrr, Futuro, BloodMary Una Chica Band, Gogo Boy From Alabama, Repeat Repeat, Otoboke Beaver, Chalk Outlines, Der Baum, Câimbra, Faca Preta, disco solo do Saico, Combover, Rakta, Comodoro, Lloyd, O Inimigo, Twist Connection, Winteryard e tem a Desiree do Harmônicos do Universo, ela também faz participações em outros shows. Mas meu preferido hoje é a carreira solo do Lee Ranaldo e Human Trash. Muita coisa mesmo!

– Aliás, deixa eu estender a pergunta: já que você tem viajado bastante, tem algumas do exterior que você recomenda?

Les Deuxluxes (Canadá), Otoboke Beaver (Japão), Ninet Tayeb (Israel), Tokyo Ska Paradise Orchestra (Japão) e tem duas que não consigo lembrar o nome (risos). Ah, e Novedades Carmiña (Espanha)!