Las Puperelles faz a conexão Brasil – Argentina com o pé enfiado no fuzz

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Las Puperelles

A rivalidade entre Brasil e Argentina fica somente no futebol. A ligação entre os dois países é o núcleo do som sessentista e cheio de fuzz das Las Puperelles, formadas pela junção de basicamente duas bandas:  Las Fantásticas Pupés, Lucy Fire (bateria) Solxie (baixo e voz); do ParallèlesAndreia Crispim (baixo fuzz e voz) e Paula Villas (guitarra e voz), e também de Donna Kether (guitarra fuzz e voz), do Sisters Mindtrap. No disco “Selva Latina”, também contaram com a percussão da convidada especial Marianne Crestani, do Bloody Mary Una Chica Band, na faixa “Guajira Sicodélica”.

“É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos”, conta Lucy, com quem conversei um pouco. Confira:

– Como a banda começou? Como rolou essa junção de bandas?
Las Puperelles começou como um projeto das integrantes das bandas Parallèles e Las Fantásticas Pupés, ambas lançadas pelo selo argentino Rastrillo Records. E a partir das oportunidades que tivemos de nos encontrar, tanto no Brasil quanto na Argentina, tivemos a ideia de nos juntar e tocar músicas das duas bandas mais algumas covers. Depois a Donna Kether (Sisters Mindtrap) também passou a fazer parte da patota. Este último verão Cristina Alves (Os Estilhaços) foi nossa invitada especial no teclado fazendo todas juntas aquele barulho que tanto gostamos.

– E o que cada banda trouxe para Las Puperelles?
A influência do 60s punk, do garage rock e das bandas só de mulheres. Também nossas próprias versões em espanhol e português, porque somos garageiras latinas.

– Como é ser de uma banda com integrantes de diversos países?
Nos organizamos com antecedência para aproveitar melhor nosso tempo. Resolvemos o que vamos tocar antes e, quando nos encontramos, geralmente fazemos um ou dois ensaios e estamos prontas pros shows. É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram.
São seis músicas gravadas analogicamente, em rolo, entre covers e versões que fizemos de algumas das bandas que amamos, com produção do Luis Tissot, do Caffeine Sound Studio, e participação da Marianne Crestani (Bloody Mary Una Chica Band).

– Quais as principais influências musicais da banda?
Bandas de garage e punks dos anos 60. Também bandas garageras dos anos 80 e 90 que recuperam o estilo sessenta.

– Como vocês veem o levante feminino no mundo da música?
A palavra levante tem a ver com motim ou surgimento, e não sei se esse é o ponto. As mulheres sempre estiveram presentes na música, assim como em todo o tipo de arte, mas muitas vezes não tinham seu devido reconhecimento. Achamos muito importante e transformador o impacto hoje do movimento de mulheres no mundo inteiro, como uma maneira de nós tomar consciência de nosso próprio poder estando juntas e de visibilizar todo nosso trabalho nas diferentes áreas. Poder se expressar e fazer o que gosta é um direito de todxs. Só queremos respeito e ocupar cada vez mais espaços, poder ser livres de fazer o que queremos fazer.

– Como vocês veem a cena independente do rock hoje?
A internet mudou muito a cena independente. Se antes você tinha que mandar seu material pelo correio, divulgar shows colando cartazes pela cidade ou através de fanzines e revistas com enfoque mais alternativo, hoje qualquer banda pode ser ouvida em qualquer lugar do mundo. Essa facilidade ajuda bastante na hora da divulgação ou de conseguir um selo para lançar material, por exemplo. Mas também faz com que muitos prefiram o conforto do lar com seu Spotify a realmente apoiar a cena independente indo aos shows ou comprando material das bandas.

– Quais os próximos passos da banda?
Gravar músicas próprias, lançar em vinil e continuar fazendo shows em SP e Bs As.

– Recomendem bandas e artistas independentes de seus países que todo mundo deveria conhecer.
Brasil: Sisters Mindtrap, The Diggers, Os Estilhaços, Thee Dirty Rats, Modulares, Blood Mary una Chica Band. Argentina: Zorros Petardos Salvajes, Los Telépatas, Trash Colapso, Sarcófagos Blues Duo, Moretones, The Black Furs.

Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

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Imagine-se no final dos anos 90/começo dos 2000, quando bandas de punk rock divertidas como Blink-182, Sum 41 e Forfun estavam tomando conta da cabeça da juventude roqueira com o chamado “pop punk”. É exatamente nesta época e clima que você se sente ao ouvir “Selfie Entitled”, primeiro trabalho do trio de Curitiba Crazy Bastards, formada por TT (Tiago Oliveira – Vocal/Guitarra), Ge (Geanine Inglat – Vocal/Baixo) e Kiko (Leandro Sousa – Bateria).
O clipe de “Nostalgia”, single do álbum, atesta que a diversão é o principal fator que os três levam em consideração para sua música. Quer coisa mais divertida e cheia de molecagem que gravar em um daqueles parques de diversões de shopping, com direito à pulo na piscina de bolinhas? “A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir”, conta TT.
  • Como a banda começou?

Ti: Minhas outras bandas estavam paradas por vários motivos externos à mim, aí como não consigo ficar sem fazer som acabei montando esse projeto com a ideia de fazer um som que é o meu natural, pop punk divertido. Aí fui atrás de pessoas que tinham a mesma pira aí chamei esses dois arrombados e deu tudo certo.

Quais as maiores influências da banda?

Ti: Cada um tem uma, mas acho que em comum temos Blink 182, Green Day, Sum 41, Neck Deep principalmente. Bandas pop punk zoeira em suma.

Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!

Ge: É o album mais fofinho ever, a capa é um desenho de uma foto nossa e cada música tem uma tirinha com uma interpretação gráfica da música, bem diver. São só 18 minutos de pop punk maloqueiro, super rápido de ouvir. Apostamos nas músicas curtinhas, fica tudo mais fácil (risos). Mais fácil de ouvir, de gravar, de fazer clipe…

Kiko: Tanto as musicas quanto os vídeos foram feitas sem pensar em consequências ou “o que as pessoas vão pensar”. Simples ou trabalhado, cada detalhe veio do coração. O que achamos que ficou legal ou que nos agradou, a gente gravou/fez e fim. Um CD de 18 minutos. As pessoas ironicamente se perguntam “porque?”. Simples: A gente optou pelo diferente… pelo simples.. o suficiente para transmitir uma mensagem da forma direta.

Ti: Inicialmente era pra ser um EP com 6 músicas, mas aí como ia ficar muito curto achamos melhor fazer um CD full de uma vez. Esse álbum a gente focou no “mal uso de celular” pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim.

Como é o processo de composição da banda?

Ge: Normalmente eu ou o Ti (na maioria das vezes o Ti) aparecemos com uma ideia meio pronta, gravamos umas demos na casa do Ti e depois tocamos juntos no ensaio para ver o feeling, se ficar boa levamos pra frente, se não, partimos pra próxima.

Kiko: O Tiago e a Ge são as máquinas de composição da banda. Sendo assim, me resta então entrar com as idéias mais idiotas ou sem sentido. Quanto a parte mais “séria” da composição das músicas, apenas complemento e ajudo na composição das melodias, o que é faácil com esses 2 arrombados visto que o gosto e a sintonia entre a gente é perfeita.

Ti: A músicas são sempre uma expressão de alguma coisa, um sentimento, uma ideia, enfim. Tento ser positivo nas letras, “reclamar” um pouco dos problemas da vida mas com uma atitude positiva e resiliente de “a vida é foda mesmo, mas bola pra frente”.

Como anda o público pop punk hoje em dia?

Kiko: Não só no pop-punk mas em todo estilo rock generalizado, infelizmente as pessoas estão mais preocupadas em ouvir covers ou bandas megamente conhecidas ao invés de abrir a cabeça e dar atenção pra quem compõe o autoral. O novo, o autoral, a novidade é sempre vista como “lixo de garagem, portanto não merece atenção”. De forma natural, o Crazy Bastards procura não se apegar a isso. Afinal, fazemos por amor, por nos divertirmos em trio! Nossos ensaios são recreativos e nos complementa em termos de alegria… as pessoas gostarem é um lucro!

Ti: Eu vejo que tem um publico sim, não a toa começou a rolar vários shows gringos de pop punk aqui ultimamente. Mas concordo que no geral o público dá mais atenção ao cover e tem pouca paciência pra coisa nova, espero estar errado!

Ge: Pop punk’s not dead! Apesar de ter sumido um pouco, a galera true que curte pop punk ta por aí, é só olhar nos lugares certos (risos).

O rock ainda é relevante como antes? Ele tem chances de voltar ao mainstream?

Ge: Relevante como antes não, mas eu acho que é só uma fase, logo volta… Tem bastante banda da hora vindo pro Brasil, bastante banda daqui voltando, fazendo show, album novo, se tudo der certo é só questão de tempo pro rock voltar.

Ti: Acho que rock dificilmente vai ser mainstream como é em outros países, questão de cultura mesmo. O pop punk em Curitiba nunca chegou a explodir, ele começou mas logo na sequencia já veio o emo exagerado que acabou dominando, aí a galera ficou meio órfã de pop punk, pouquíssimas bandas seguiram nessa linha. A gente vai seguir o trabalho, sem muita expectativa, pela diversão mesmo, se voltar a ser mainstream estaremos aqui já.

Como foi a produção do clipe de “Nostalgia”?

Ti: A coisa mais divertida do sul do universo (risos), brincar na piscina de bolinha gigante e fliperama não tem como não ser. A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir. Já fiz muitas coisas com banda e as vezes era chato e maçante, com a Crazy a gente tenta fazer bem feito mas não levando tão a sério também.

Kiko: Simples e pouco planejado. Nada de câmeras sofisticadas, roteiros ou “idéias para conquistar as pessoas”. Uma simples GoPro, rolé no shopping com amigos, cerveja e idéias espontâneas que nossos corações mandaram resumem as filmagens.

Ge: DIVER. Foi bem simples e true na real, pegamos a GoPro do Kiko e partimos pra um shopping aqui em Curitiba. Ficamos brincando junto com as crianças na piscina de bolinhas, jogando nos fliperamas, sendo julgados pelos “adultos” (risos). A banda toda é bem 5a série, então esse clipe saiu bem natural.

O pop punk deve amadurecer ou isso vai contra o que esse estilo representa?

Ti: Acho que as pessoas confundem o conceito de “não levar tão a sério” com ser irresponsável e infantil. O pop punk tem um “lado” que é mais maduro sim, mas a ideia geral é ser divertido mesmo, mas não necessariamente imaturo, apesar de as vezes ser um pouco hehe. É só um momento pra vc não se levar tão a sério, esquecer um pouco dos problemas da vida e “have some fun”.

Kiko: Acho o tema meio confuso.. Cada banda deve falar ou fazer o que quer.. cabe às pessoas gostarem ou não. O Crazy Bastards fala besteira, fala coisa séria e etc.. Mas fala pq quer e não pra se adaptar a um estilo.. Gostamos do estilo do som, as letras são nossa forma de expressar o que realmente pensamos e foda-se.

Ge: Não vejo problemas em amadurecer desde que seja uma coisa natural da banda, as pessoas mudam e tudo bem. Sem graça é quando a galera se leva muito a sério e fica uma parada claramente forçada. Eu sempre achei pop punk divertido pra caralho. Já tem merda o suficiente rolando no mundo, então ensaiar com a banda, tocar músicas divertidas e falar besteira por umas três horinhas é uma das minhas coisas favoritas. Mas essa é minha visão do pop punk, tem galera aí querendo ser madura e séria, deixa eles (risos). Se a música for boa vou ouvir de qualquer forma.

Quais os próximos passos da banda?

Kiko: A vida e a estrada me ensinaram a não criar expectativas… Mas também ensinaram a não cometer erros. É a primeira banda onde me sinto em casa. Onde decidimos fazer ou não um clipe, gravar ou não.. etc. Se todos estão afim, a gente vai la e faz. Pronto! Por hora, a idéia é seguir como sempre fazemos: Criar musicas, ensaiar bêbado, falar muita merda e etc.

Ti e Ge: Em resumo é isso, fazer show, divulgar o CD, comer pizza, fazer clipe, tomar bera, músicas novas pro próximo album.

Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Ge: Crowning Animals, post hardcore de Curitiba, da pesada essa. Phone Trio voltou ano passado, pop punk diver também. Never Too Late abriu pro Four Year aqui em Curitiba e foi tesão. Várias bandas legais aparecendo mais ultimamente.

Kiko: Tenho ouvido bastante Between You and Me e We were Sharks.

Ti: De mais recente tem os amigos do Out in Style, HC melódico de primeiríssima.

Banda espanhola No Crafts mistura garage, surf e pop espanhol dos anos 80

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Formada em Madrid em 2015 por Carlos Núñez (voz e guitarra), Ángel Hontecillas (baixo e synth), Celia Juárez (bateria), a banda No Crafts se conheceu na escola, onde ficaram amigos graças à seu interesse por música. O tédio os levou a começar a tocar e criar sua mistura de garage rock, surf music e o pop espanhol eletrônico dos anos 80. Em janeiro, a banda lançou seu primeiro EP, “No Arts, No Crafts”, e preparam um mini-LP para os próximos meses, de onde saiu seu mais recente single, “Heavy”.

– Como a banda começou?
Nos conhecemos há muito tempo (na escola) e sempre nos interessamos pela música. Também estávamos entediados, então decidimos começar esta aventura. Aprendemos a tocar juntos e, quando ficarmos mais velhos, esqueceremos como tocar juntos. Somos irmãos de pais diferentes.

– E como pensaram no nome No Crafts?
A origem é secreta até que alguém descubra. Um motivo que nos levou a escolher esse nome é que ele não descreve como trabalhamos, porque sempre fizemos as coisas com as mãos e do nosso jeito. Nós apenas pensamos que era engraçado.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Para uma banda, é sempre difícil definir seu som. Nós dizemos que é uma boa mistura de garage, surf, pop espanhol dos anos 80 … Houve uma tendência aqui na Espanha nos anos 80, chamada “La Movida”. Era meio synth pop (tipo Depeche Mode, New Order…) com um toque punk. É engraçado, porque “La Movida” influenciou muitas bandas espanholas atuais, mas ninguém nos anos 90 pareceu gostar.

– Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!
Começamos a lançar alguns singles para ver que tipo de feedback teríamos. Então, decidimos gravar nosso primeiro EP “No Arts, No Crafts”, que foi lançado em 17 de janeiro. Esse disco nos deu a oportunidade de tocar em algumas cidades e festivais aqui na Espanha. Também tocamos em Portugal há alguns meses. O fato de vender merch e discos no exterior, tocar em rádios nacionais e internacionais, e alguém no Brasil vir falar conosco … é muito reconfortante. Nosso último single “Heavy” foi lançado em março e é do nosso próximo álbum (um mini-LP) que provavelmente será lançado depois do verão.

– Eu adoro os vídeos da banda. Como vocês veem o formato videoclipe hoje em dia?
A chave dos nossos videoclipes consiste em fazer um esforço para fazer do nosso jeito. Nós só trabalhamos com nossos amigos, o que facilita o processo de gravação. Isso também se aplica à gravação das músicas e ao design de nossas capas. Nossos próprios amigos em uma festa real: é isso que faz com que vídeos como “Feeling Sick” pareçam naturais. É natural mesmo!

– Quais as suas principais influências musicais?
Estamos descobrindo novas músicas o tempo todo, e isso faz com que nossas músicas variem um pouco, mas não importa o quê, nós sempre permaneceremos fiéis ao nosso som. Cada um de nós ouve diferentes gêneros de música, por isso temos visões diferentes mesmo em nossas próprias ideias. Podemos ser influenciados por uma determinada banda, mas não necessariamente temos que soar como eles. Alguns exemplos podem ser o King Krule, ou até mesmo o Black Eyed Peas.

– Como vocês veem o mundo da música atualmente?
A indústria da música e o mundo mudaram muito nos últimos anos. Hoje em dia, a percepção do que vai fazer sucesso é decidida pelo público, não pelas gravadoras; o que é viral é o que as pessoas consomem, e é isso que a indústria quer, esses artistas virais. Muitos novos artistas, incluindo designers ou dançarinos, são descobertos na internet. Especificamente na indústria da música, é difícil mencionar uma banda que você acha que vai ficar no topo no futuro. As pessoas ganham mais do que querem, o que é bom, mas as tendências mudam muito e o setor também, dificultando o sucesso de uma banda.

– E vocês acham que algum dia o rock pode voltar ao topo das paradas?
Não parece que vai ser em breve, mas na verdade não achamos que seja necessário, porque as mudanças são boas. Os Beatles e Doors fizeram algo novo em seu momento, e hoje em dia é melhor dar chances e ver como alguém pode entender esse rock, deixando-nos descobrir um novo tipo de rock. Diziam que os Strokes eram salvadores do rock do século 21, mas não se pareciam com as coisas que estávamos acostumados a ouvir antes. Talvez precisemos que isso aconteça novamente, um novo tipo de rock pode aparecer em algum lugar que você não espera.

– Vocês conhecem música brasileira? Gostariam de tocar no Brasil?
A música clássica brasileira que conhecemos são Caetano Veloso e João Gilberto. Eles tiveram muito impacto aqui na Espanha e são muito reconhecidos. Na cena indie, mais como nós, devemos admitir que somos grandes fãs de Boogarins e Cansei de Ser Sexy. Na verdade, os Boogarins são muito populares na cena underground espanhola. Talvez quando eles voltarem, seria bom abrir para eles. E claro, nós adoraríamos ir ao Brasil! Seria uma oportunidade incrível. Nós queremos que isso se torne realidade, porque poder fazer uma turnê internacional é um sonho para nós.

– Quais são seus próximos passos?
Como dissemos antes, vamos lançar um novo álbum depois do verão. Esse trabalho é mais pop que o que estamos fazendo até agora. É uma espécie de álbum “emo-pop”, porque a música é feliz e cativante, mas quando você se concentra nas letras, você verá que elas são mais agridoces do que a música. Isso é algo que você pode curtir em nosso último single “Heavy”, mas também em nosso próximo single (pronto sair em maio). Também estamos tentando fazer isso em nosso novo vídeo, como uma evolução completa, mas com a essência do No Crafts.

– Recomendem bandas independentes que chamarem sua atenção ultimamente!
Aqui na Espanha você pode encontrar muitas novas bandas emergentes, e especificamente, o último show que nos impressionou foi o de uma banda chamada Keems, de Barcelona, que faz um tipo de post rock. Nós realmente achamos que eles são incríveis e encorajamos as pessoas ao redor do mundo a darem ouvidos porque realmente vale a pena. Internacionalmente, descobrimos recentemente Gus Dapperton e Cuco. Devemos admitir que o “Lo Que Siento” de Cuco é uma música que nunca falha em nossas festas.

Mattiel investe no visual com seu rock and roll cru e prepara segundo álbum pela Burger Records

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Em setembro de 2017 a Burger Records lançou “Mattiel”, o primeiro disco da banda de Atlanta capitaneada por Mattiel Brown. Além de cantora e compositora, Mattiel também é designer, algo que pode ser notado na parte visual de sua arte, com capas, fotos de divulgação e clipes que chamam a atenção e trazem muito do trabalho diário dela. “Design sempre foi uma parte de tudo”, ela contou em entrevista ao site Immersive Atlanta. “Se eu não tiver controle do visual de um projeto com a minha cara, me sinto muito insegura. Então eu realmente preciso ter a palavra de como tudo fica”.

Seu álbum de 12 faixas foi produzido por Randy Michael e Jonah Swilley e traz basicamente rock and roll básico e cru com influências da música sulista norte-americana, indo do gospel ao folk e blues, tudo com riffs grudentos e a voz potente de Mattiel. Em breve será lançado seu terceiro clipe, “Bye Bye”, novamente em parceria com o videomaker/fotógrafo Jason Travis, que também trabalhou em “Count Your Blessings” e “White Of Their Eyes”. “Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar”, conta Mattiel.

– Como você começou sua carreira na música?
Eu cresci ouvindo discos clássicos dos anos 60/70 da coleção de discos da minha mãe (Peter Paul and Mary, Bob Dylan, Rolling Stones, Joan Baez), mas não comecei a fazer minha própria música até encontrar as pessoas certas para trabalhar comigo. Seus nomes são Randy Michael e Jonah Swilley, e eles produziram o primeiro álbum, “Mattiel”. Eles também são músicos incríveis que viajam comigo na estrada.

– Como você definiria seu som?
Basicamente é rock’n’roll. Mas é melhor as pessoas ouvirem pra definir.

– Conte mais sobre o material que vocês já lançaram!
O disco auto-intitulado, “Mattiel”, traz material que escrevemos há cerca de 3 anos. Demorou bastante para um selo pegar e promover o álbum, mas estamos bem felizes com a recepção do público no ano passado. Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar.

– Eu adorei os clipes da banda. Como seu trabalho com design influencia esse tipo de trabalho?
Obrigada! Eu passei os últimos 5 anos trabalhando em um estúdio de design para uma empresa de tecnologia chamada MailChimp. Pude trabalhar com gente muito talentosa e inteligente que sempre está cuspindo ideias inteligentes, então o treinamento que tive naquela área foi de grande ajuda. Nesse trabalho, eu faço e construo peças, faço o design de propaganda impressa e faço ilustrações. O videomaker/fotógrafo Jason Travis e eu nos conhecemos quando estávamos os dois trabalhando lá (agora ele está em Los Angeles), e trabalhamos juntos nos clipes agora. Acabamos de gravar um novo clipe em LA para “Bye Bye”, estamos muito animados com ele.

– Quais as suas principais influências musicais?
Poeticamente, eu amo Donovan, Bob Dylan, The White Stripes, Lou Reed, Blind Willie McTell, entre muitos outros. No sentido puramente musical, eu amo música gospel sulista – The Staple Singers, Mahalia Jackson, e o bluegrass sulista – Earl Scruggs / Foggy Mountain Boys. Tendo crescido na Georgia, a música sulista americana definitivamente cavou o seu espaço bem fundo no meu coração.

– Como você vê o mundo da música hoje em dia?
É uma paisagem muito vasta e imprevisível de onde estamos hoje em dia. Acho que muito hip hop ótimo está saindo agora, o Kendrick Lamar em particular chamou minha atenção. Sua escrita é incrivelmente boa.

– O rock and roll pode voltar ao topo das paradas algum dia?
Não tenho certeza. Não passo muito tempo olhando as paradas de sucesso. Só tento escrever material interessante o melhor que posso.

– Você conhece algo de música brasileira? Gostaria de tocar no Brasil?
Não! Eu realmente não conheço, mas eu amo trabalhar e ia adorar passar um tempo na América do Sul. O Brasil, pelo que vi e li, parece ter uma cultura enormemente vibrante.

– Quais os seus próximos passos musicais?
Tour, fazer alguns bons contratos, tour, tour, tour.

– Recomende artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Weyes Blood, Juan Wauters, King Krule, Sunflower Bean, The Lemon Twigs, Starcrawler, Tall Juan. Tenho certeza que estou esquecendo algumas. Mas essas são ótimas.

The Knickers reforça todo o poder feminino no mundo do rock em novo clipe

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Formado em 2007, o quinteto de Fortaleza The Knickers se formou com uma proposta de empoderamento feminino e atitude em seu som, calcado no hard rock e heavy metal com influências de bandas como Girlschool e Runaways.
Em 2009 gravaram seu primeiro disco, “Motherfucker”, o que as levou a fazer diversos shows e participar em 2010 de um dos maiores festivais de rock de Fortaleza, o Forcaos. Em 2016, já como quinteto, a banda lançou o EP “Figth For The Life”, que busca traduzir todo o machismo e feminicídio contra os quais lutam todos os dias, em nome de todas as mulheres.

Formada por Alline Madelon (vocal), Paloma Oliveira (guitarra), Tina Paulo (guitarra), Alessandra Castro (baixo) e Crilainy Aposam (bateria), a banda participou da Seletiva Wacken Open Air (2011), do IV Rock Cordel em Juazeiro do Norte (2012) e fizeram a abertura dos shows da banda Crucified Barbara, da Suécia, em 2012, e da banda Steelwing (também da Suécia), em 2014.

– Como rolou esse novo clipe, “Rock and Roll”?
Tina: Lançamos o EP “Fight For The Life” ano passado, e o clipe é importante pra divulgar e essa música, que é uma bônus track. Falamos com o Maurício e conseguimos o teatro do Cuca Mondubim (equipamento cultural de Fortaleza). Contamos com ajuda dos técnicos e produtores do equipamento. Gravamos o clipe em 3 horas e 1 hora para arrumar equipamento e amamos!

– Vocês são uma banda puramente rock. Como vocês veem o estilo hoje em dia?
Tina: Como sempre foi visto, o que muda é que hoje as pessoas tem mais acesso, mais informações sobre bandas e as próprias bandas são mais independentes. Também acho que muitas bandas hoje em dia se preocupam muito com as mensagens que estão passando. Algumas, né?

– Me falem mais sobre o material que vocês já lançaram.
Tina: Temos dois EPs, O “Motherfucker”, lançado em 2010, quando tínhamos outra formação, e em 2017 foi lançado o Ep “Fight For The Life”, com uma pegada mais pesada e com 5 integrantes, formada somente por mulheres. As letras basicamente falam sobre machismos e rock n’roll.

– Como a banda começou?
Paloma: O inicio propriamente dito foi quando eu e a Aline (vocalista) nos encontramos e conversando, descobrimos que tínhamos a mesma ideia. Montar uma banda de heavy metal composta por meninas. Como desde o inicio, nosso foco era ter um projeto de musicas autorais, começamos a buscar outras garotas interessadas na proposta, como é normal em todas as bandas, até chegar nesta formação sólida atual, mudamos de integrantes pelos mais variados motivos.

– De onde surgiu o nome The Knickers?
Paloma: Sendo fã da banda americana Kiss, vi que em alguns shows haviam lingeries jogadas no palco. Então me veio a ideia de usar o nome The Knickers, que também faz uma alusão a uma banda formada por garotas.

– Como é a cena rock da região? Vocês comentaram que ela anda bem em alta…
Tina: Aqui tem muita banda autoral boa ,com trabalhos legais e bem produzidos, mas o investimento das casas e festivais acabam sendo ainda das bandas covers. Elas estão mais nos bares ganhando cachês. Muitas bandas autorais ainda fazem o fluxo de ir para o Sul, pois sabemos que o mercado é outro, então muitos deles são reconhecidos lá primeiro, mesmo estando muito tempo no mercado da música da nossa região.

– Quais as principais influências da banda?
Tina: Vixen, Crucified Barbara, Girlschool, The Runaways.

– Como vocês veem a globalização da cena independente, com o uso das redes sociais? Ela ajuda a tirar o nicho regional?
Tina: Sim, ajuda bastante. Fazer contatos e manter a comunicação ativa com que curte o som é importante, pois mantém a banda em atividade. Com as plataformas digitais, isso está cada vez mais forte (sobre tirar o nicho regional), e estamos passando por um processo de transição sobre a forma que estamos nos dando com tanta informação.

– Já estão trabalhando em novas músicas?
Tina: Sim, estamos trabalhando músicas inéditas que devem estar no nosso primeiro full-lenght, junto a outras musicas que estão no nosso último EP.

– Recomendem bandas e artista independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Tina: Damn Youth, Facada, Manger Cadaver.

Como se os Ramones tocassem sons dos Beatles: Muck and the Mires invade o Brasil

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O Muck and the Mires começou como uma banda fictícia de Evan Shore, que gravou “All Mucked Up” de brincadeira, registrando todos os instrumentos. Após o sucesso do trabalho, ele recrutou o resto da banda e transformou a brincadeira em coisa séria. Garage rock de qualidade, com um pouco de punk rock e o título (dado pelo manager das Runaways Kim Fowley) de “uma mistura de Beatles e Ramones“.

Formada por Muck (Evan) no vocal e guitarra, John Quincy Mire no baixo, Pedro Mire na guitarra e
Jessie Best na bateria, a banda já lançou All Mucked Up (
2001)Beginer’s Muck (2004), 1-2-3-4 (2006), Garage Mayhem (2007), I’m Down With That (2007), Hypnotic (2009), 2day You Love Me (2010), Doreen (2011), Cellarful of Muck (2011), Double White Line (2014), Dial M For Muck (2014) e Creature Double Feature (2016) e prepara um novo disco para 2018.

A banda está no Brasil nos próximos meses e se apresentará em 04 de maio no Villa Blues, em Botucatú, 05 de maio no Garagera, em São Paulo, e dia 06 de maio no Campus 6 Rock Bar, em Mogi das Cruzes, e promete apresentações bem divertidas e barulhentas. Conversei com Evan (ou Muck) sobre a carreira da banda e sua vinda ao Brasil:

– A banda começou com um álbum do Greatest Hits, com um pé na porta com uma série de hits em potencial. Como rolou esse começo?

O Muck and the Mires começou como um divertido projeto paralelo de estúdio. Em 2000, gravei algumas demos caseiras (tocando todos os instrumentos) tentando criar um álbum de sucessos perdidos de uma banda desconhecida dos anos 60 que eu chamei de “Muck and the Mires”. Quando terminei, dei a fita para alguns amigos e eles adoraram, disseram que eu deveria mandar para gravadoras. Eventualmente a AMP Records no Canadá e a Soundflat Records na Alemanha lançaram as demos como “All Mucked Up – The Best of Muck and the Mires”. De repente eu estava recebendo ofertas de turnê, mas não havia banda! Então recrutei Pedro e Jessie Best e um baixista, formando a real Muck and the Mires, e continuamos fortes desde então. John Quincy Mire entrou como baixista permanente em 2006. Pedro deixou o grupo, mas voltou há três anos. Sentimos falta um do outro!

– E como surgiu o nome Muck and the Mires?

Eu estava procurando por um nome que soasse como algo da década de 1960. Como deveria ser uma banda falsa, decidi fazer algo engraçado. “Muck and Mire” significa “sujeira e lama”. Agora que a banda existe realmente, estamos presos ao nome, mas todo mundo gosta dele. Todos pegaram os nomes dos membros da banda que estavam impressos na capa do disco “falso”. Demorou um pouco para me acostumar com as pessoas me chamando de “Muck”, mas eu gosto agora (risos).

– Ei, é um apelido bem legal. Então, vocês foram descritos como uma “mistura de Beatles e Ramones”. Como você se sente sobre isso e como isso acontece?

Bem, são meus dois grupos favoritos, então eu acho que isso aparecen em nossa música. (O manager das Runaways) Kim Fowley que veio com essa descrição. Ele produziu alguns dos nossos discos. Nós escrevemos músicas como os Beatles de 1964 e cantamos a harmonia em três partes, mas tocamos alto e rápido como os Ramones. Punk Rock Beatles!

– Bem, se você pensar, nos dias de Hamburgo, os Beatles eram de fato meio punk rock … De certa forma.

Sim. Acho que somos mais parecidos com os Beatles de 1962 do que com os Beatles de 1964!
Mas nós não usamos as calças de couro. Muito quente!

Muck and the Mires

– Sim, e no Brasil … você derreteria! Então, vocês estão no nosso país para fazer alguns shows. O que está achando do Brasil?

Estamos muito animados em vir ao Brasil. Já fizemos turnê por todo o mundo, Canadá, EUA, Europa, Japão, mas nunca fomos à América do Sul antes. Nós vimos os filmes dos Ramones na América do Sul e dissemos: “Isso é para nós!”

– O que podemos esperar dos shows que vocês farão aqui?

Bem, eles vão ser divertidos! Uma explosão de 18 músicas em 40 minutos. Garage Rock and Roll, Power Pop, um pouco de punk. Tem algo para todos! Adoramos tocar para novas pessoas e a América do Sul sempre foi um lugar que queríamos tocar.

– Além de Ramones e Beatles, quais são suas principais influências musicais?

Realmente qualquer grande compositor, desde Harold Arlen e Cole Porter. Mas para o nosso som, são definitivamente os grupos da Invasão Britânica, como The Dave Clark 5, The Early Three (Beatles), bandas como The Big Three e Gerry and The Pacemakers, bandas de garagem dos anos 60 como The Sonics e The Remains (de Boston) e punk Pop como os Buzzcocks e os Heartbreakers. Nós amamos os anos 60 batendo música, mas gostamos de misturá-lo com a energia e emoção do punk rock.

– Vocês ouvem músicas que tenha sido lançada ultimamente? Tipo de 2000 em diante?

Principalmente rock’n’roll, mas com certeza. O início dos anos 2000 assistiu a um grande renascimento em nosso estilo de rock garage, com bandas como The Hives e The Strokes e ótimas composições de artistas como Amy Winehouse. A internet facilitou a busca de músicas incríveis, mas muitas vezes você precisa mergulhar fundo para encontrar a melhor música. Vá à periferia de qualquer cidade em qualquer final de semana e, se tiver sorte, você encontrará uma grande banda tocando em um palco em um porão escuro em algum lugar. Bandas como Los Chicos, da Espanha, ou Ugly Beats, de Austin, The Real Kids, em Boston, The Ogres, em São Francisco. Você pode não encontrá-los no rádio (pelo menos nos EUA), mas eles estão todos lá esperando para serem descobertos.

– O que você acha do rock and roll hoje? É melhor continuar longe do mainstream?

Eu sinto falta dos dias em que o rock and roll governava as ondas do rádio e fazia parte da cultura mainstream, mas ao mesmo tempo, quando acontecia, havia muito rock ruim rolando, então você ainda tinha que cavar fundo para encontrar as coisas boas. Ainda assim, não importa em que época estamos falando, grandes canções sempre aparecem no mainstream de vez em quando e nos lembram que ainda há esperança!

Muck and the Mires

– Conte-me um pouco mais sobre o material que o Muck and the Mires lançou até agora

Sem contar “All Mucked Up”, a banda gravou 5 álbuns e vários singles de 45RPM. Vários estão fora de catálogo agora, mas graças ao iTunes, eles ainda estão por aí. Acabamos de fazer um novo álbum com o produtor Jim Diamond, que esperamos lançar ainda este ano ou no início do próximo ano. Nós tentamos tocar músicas de cada um dos nossos discos durante os nossos shows, mas há tantas músicas e tão pouco tempo!

– Me conte mais sobre esse novo álbum!

Top secret por enquanto! Mas estamos muito animados para lançar o novo álbum. O produtor Jim Diamond mora na França agora, então, em vez de voar para a França, trouxemos Jim para Boston, já que somos quatro e ele é apenas um. Nós estaremos tocando algumas das músicas na América do Sul. “#Loneliness” ou “Hashtag Loneliness” é uma faixa que apresenta Josh Kantor, o cara que toca órgão do Fenway Park (onde o Red Sox joga) no órgão Farfisa! Há alguns power-pop, alguns garage rock, algumas músicas cantadas e escritas pelo guitarrista Pedro. E claro, nenhum álbum estaria completo sem um bom e velho merseybeat. Eu acho que uma ou duas de nossas músicas realmente quebram a marca de três minutos, mas na maior parte das vezes nós tentamos ficar por volta de 2:07 por música. Tivemos uma daquelas nevascas de Boston no fim de semana em que gravamos, e o avião de Jim foi o último antes de fecharem o aeroporto! Então outra tempestade chegou e seu avião foi o último a sair quando chegou a hora de partir! Nós acabamos gravando 14 músicas em um dia e depois passamos o resto do fim de semana fazendo overdub. Era selvagem, divertido e exaustivo.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Hmmm … Bem, eu já mencionei The Ugly Beats. Os Tiger Bomb de Portland Maine (Ex Fabulous Disaster e The Brood) são bastante surpreendentes. Miriam and Nobodies Babies de NY, The Fleshtones, The Woggles, e praticamente todas as bandas da Dirty Water Records de Londres são ótimas. Ouçam!

Wasadog deixa o nome Moondogs pra trás e continua levando seu rock’n’roll pra frente

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“Se não deu certo para os Beatles, imagina para a gente!” Essa é a justificativa de Johnny Franco (vocalista e guitarrista) para o abandono do nome The Moondogs e o início da jornada como Wasadog. A banda, também formada por Gabriel Gariani (baixo e vocal), Victor Prado (guitarra e vocal) e Gabriel Borsatto (bateria e vocal), esclarece que o som continua o mesmo. A mudança foi puramente para se diferenciar das diversas outras bandas que usam o mesmo nome. Tem um trio de jazz da Itália, uma banda da Suécia, mais algumas no Brasil…

“Gravamos quase tudo ao vivo no Dissenso, ali no Bom Retiro”, conta Johnny, “Não tem click e nem autotune. Tem músicas minhas, com a minha voz, minha guitarra, a guitarra do Cabrito (Victor), o baixo do Véio (Gariani), a batera do Birél (Borsatto) e os teclados do Pedroso (Pedro Montagnana). E na caminhada, tivemos a sorte de ter o Leo Ramos, da Supercombo e Scatolove, nas mixagem”, completa. Conversei com ele sobre a mudança de nome, o novo disco, os singles já lançados e mais:

– Primeiramente, como rolou essa mudança de nome da banda?

Na época do Superstar a gente descobriu que existiam mais um monte de Moondogs pelo mundo. Aí o problema começou a ficar mais sério quando os outros Moondogs começaram a lançar singles e Albums, porque de repente nosso Spotify tinha um monte de coisa que não era nossa. Não podemos reclamar também, porque o som dos caras é bom.. Quem quiser, dar uma conferida tem um trio de jazz da Itália, com um álbum chamado “Outin'” no nosso Spotify e uma banda da Suécia, ou algum lugar desses, que ta lá também. O disco deles chama “No Space For Rockets”, coisa boa.
Enfim mudamos, Moondogs não deu certo nem com os Beatles mesmo… Imagina com a gente.

– Mas a mudança foi só no nome ou inspirou novas direções no som também?

O que estamos lançando é o que a gente tava tocando quando foi a hora de voltar pro estúdio. Não tem um conceito ou inspirações marcantes. Um dia conseguimos juntar um dinheiro pra gravar um disco, daí eu terminei umas músicas, a gente marcou os ensaios e agendou a data. Gravamos quase tudo ao vivo no Dissenso, ali no Bom Retiro. Podia ter qualquer nome…

– Conta mais sobre esse disco!

Não tem muitas faixas, nem muitos instrumentos. Não tem click e nem autotune. Tem músicas minhas, com a minha voz, minha guitarra, a guitarra do Cabrito (Victor Prado), o baixo do Véio (Gabriel Gariani), a batera do Birél (Gabriel Borsatto) e os teclados do Pedroso (Pedro Montagnana).
E na caminhada, tivemos a sorte de ter o Leo Ramos, da Supercombo e Scatolove, nas mixagem. Queria adicionar um adendo aqui, porque apesar das músicas serem minhas. O melhor riff do álbum, da música “Back Up Closer” (nosso próximo single), é do Véio. O bixão é tenebroso nas quatro corda.

– Quais as principais influências do Wasadog? (Além de Beatles, claro.)

Então, a banda só existe porque eu queria fazer tudo que os Beatles fizeram. Mas agora que crescemos um pouco, e eu estou menos prepotente, fazemos o que podemos e gostamos do que fazemos. As influências da Wasadog, estão mais pra The Moondogs (de São Paulo), Alabama Shakes, Mad Caps, Talking Heads e Don Cavalli.

– E como foi esse começo da banda?

Foi em 2011, eu tinha lido a biografia do Paul e depois a do John, uma em seguida da outra, aí quis por a fantasia. Sabe, igual quando a gente é criança e assiste um filme de super-herói. Tive a sorte de ter outros três amigos na mesma pira, quando aconteceu comigo. A princípio a banda era só pra tocar rockabilly e tomar milk shake. Mas ao passar dos anos, umas músicas foram saindo, uns entorpecentes foram entrando e o Gustavo Riviera apareceu na nossa vida. Aí o jogou virou, fomos apresentados pro Roy Cicala e lançamos nosso primeiro disco. Foi mais ou menos assim…

– E quando vem o próximo trabalho da banda, já com o novo nome? Já tem sons prontos?

Na verdade já saiu. Dois singles. “Messing With Me” e “Where And When”, aos poucos mais músicas vão saindo e mais pra frente o álbum completo.

– E o que podemos esperar do álbum completo?

Hits. Sucesso. Vamos arrasar esse ano.

– Como vocês veem a cena independente brasileira atualmente?

Ao vivo. Muita musica boa pra todo lado. Sinistro. A gente torce pra que fique cada vez mais cheia de artista e de gente pra assistir.

– Quais os próximos passos da banda?

Faustão, Silvio Santos, Tonight Show e Jools Holland. Estamos na busca de parceiros ou parceiras do cinema pra produzir uns videoclipes, parceiros ou parceiras bookers pra ajudar na agenda, parceiros ou parceiras bandas pra fazer jam às terças etc.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Lemon Twigs, Mad Caps, Riviera Gaz do Gustavo Riviera, Quasydarks dos parceiros (Murilo Sá e Wallacy Willians), o disco do Pedro Pastoriz e o Adam Green… Coisas que recentemente tocam quando estamos juntos.

Petit Mort comemora 10 anos de carreira em novo formato duo com crueza e peso extra no seu som

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A banda argentina radicada no Brasil Petit Mort está comemorando nada menos que 10 anos de carreira dedicada ao rock, sempre independente e vigoroso. Para celebrar, mudanças na formação da banda, que virou um duo (Juan Racio foi do baixo para a bateria), a aposentadoria do figurino clássico de peruca rosa e vestido da vocalista e guitarrista Michelle Mendez e um som ainda mais pesado e distorcido. “A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo, conta Michu. “O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições”. Conversei com ela sobre a nova formação da banda e as novas músicas que virão no novo trabalho da banda e já estão aparecendo nos shows:

– Como está essa nova fase do Petit Mort, como uma dupla?

Tá muito massa! A gente na real queria ir mais devagarzinho, ficar mais tempo no estúdio testando o duo e ensaiando antes de sair e tocar ao vivo… Mas apareceram muitos convites massa, então estamos nos conhecendo como duo ao vivo mesmo. A gente toca junto há 10 anos, então aquela conexão tá intacta, quem tem mais desafios é o Juan, que mudou do baixo pra bateria, mas ele tá tocando muito e se sentindo muito bem com o novo instrumento. A galera tá nos motivando muito ao vivo!

– E porque você aposentou a peruca rosa, que era uma marca meio “registrada” da banda?

Porque tava me derretendo de calor nos shows! (Risos) Cachoeira de suor! Mas também para acompanhar essa mudança na banda.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas? Vai sair disco ou EP novo?

Sim, compondo muito, muitas musicas novas. A maioria das músicas nos shows são novas. Muita vontade de lançar disco novo este ano, a vida bota muitas dificuldades no meio, mas vamos achar o jeito de fazer!

– O que pode me falar sobre as músicas novas? Conta mais!

Muita energia. Tentamos compor nos ensaios do mesmo jeito que faríamos a música na hora do show, sentindo o que ela vai precisando pra aumentar a energia de nossos corpos ao vivo. A prioridade é fazer músicas pra nos divertir, e pular, rebolar, descarregar as traves do som e toda a raiva e todos os sentimentos fortes que temos dentro por morar neste mundo injusto. A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo. O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições.

– E como o som mudou com essa mudança pro formato duo?

O som virou um só, tudo pra frente, pesado, baixo forte, guita forte, bateria forte, unificado. É muito envolvente.

– Pode falar do nome de algumas músicas novas? Tipo, o nome das músicas, do que elas falam?

As músicas novas que estamos fazendo ao vivo são “Right Now”, “Through the Hill”, “Last Stop”, “Surprise”, “The Sixth Time “, “Breaking Legs”, “Good Days”, “So Deep”, “Get On the Road” e “To My Neighbors”.
Falam de buscas, falta de ar, opressões injustas, a necessidade de fugir para algum lugar e salvar a todos, a resistência, a luta, o desamor, a vida, o mundo. Muitas imagens e paisagens, atmosferas.

– Como o Brasil influenciou o som e as letras da banda?

O Brasil vem mudando a minha vida desde a primeira turnê, lá em 2012. A gente é muito fã das bandas daqui, então com certeza são parte importante da nossa influência no som. Quem vive a cena autoral no dia a dia absorve muito. Admiramos muitas bandas e músicos. O Macaco Bong mudou o meu jeito de sentir a música, me abriu muitos novos universos. A cena stoner e instrumental daqui também. Mas, principalmente o Brasil me mudou como mulher. O machismo aqui é extremamente forte, e isso me fez repensar muitas coisas. O Brasil tem um monte de mulher foda fazendo música que admiro, me empoderam todo dia. Fizemos 135 shows aqui, em 12 estados, e isso tem influenciado em praticamente tudo nas nossas vidas. Ver os contrastes de realidades, ter vivenciado o golpe, o assassinato da Marielle, a luta dos índios em defesa da suas terras e sua identidade, o assassinato de milhões de espécies no Amazonas pela mineração/soja/gado, a tragédia ambiental de Mariana, a intervenção no Rio, etc… Tudo isso influencia na nossa ira, na nossa personalidade, na nossa profunda tristeza e raiva. A gente tá com muita dor do caminho em que o mundo tá indo e é tudo isso é refletido no som, nas letras e na energia do show.

Aiure deixa o Vintage Vantage para trás com sensualidade e melancolia em “Erótica & Bad Vibe”

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foto por Thais Mallon

Antigamente conhecido como Vintage Vantage, o trio do Distrito Federal Aiure entra em uma nova fase, cheia de psicodelia, post rock e brasilidade, com o single “Erótica & Bad Vibe”, uma despedida ao antigo nome de batismo e o primeiro passo em uma direção diferente. A faixa faz parte do primeiro álbum da banda, a ser lançado ainda no primeiro semestre, com produção de Gustavo Halfeld.

Com inspiração no rock progressivo e em diversas viagens musicais, Lucas Pacífico (guitarra), Gabriela Ila (piano) e Renan Magão (bateria) fundem sons e exploram caminhos novos com a adição de instrumentos como a viola caipira, reforçando a introdução da música brasileira no caldeirão sonoro do grupo.

“Assim como a maioria das nossas músicas, o Pacífico trouxe o riff e a ideia em geral e eu e o Magão criamos nossos arranjos em cima dele. Essa música foi relativamente fácil de fazer. Não é sempre que temos facilidade em fechar arranjos, mas ela fluiu fácil desde o começo e trouxe a nós uma nova possibilidade de brincar com outros instrumentos e propostas, como o sintetizador e a mini-música de viola caipira no final. Essa proposta de ‘mini-músicas’ ou ‘músicas pequenas de transição’ é algo que fizemos uma vez no nosso single/clipe de “A Divina Comédia” e pretendemos explorar mais no disco”, conta Gabriela.

“Erótica & Bad Vibe” não só é o nome do single, como também a definição do som que a banda faz, unindo sensualidade e melancolia. “Gostamos tanto desse conceito que adotamos como nosso estilo musical”, completa Gabi.

 

– Como rolou a mudança de Vintage Vantage para Aiure?
Magão: Foi difícil, a banda já tinha 2 EPs, 3 clipes e a gente sempre quis mudar de nome, mas sempre faltava coragem. Mas aí depois que começamos a gravar o disco, decidimos que se a gente não mudasse agora, íamos perder a oportunidade. Depois de alguns meses de brainstorming de possíveis nomes, a ideia do Aiure surgiu. Não acho que mudamos tarde, acho que foi na hora que tinha que ser.

– O que vocês trazem da antiga encarnação da banda?
Magão: Tudo! (risos) A banda é a mesma, com os mesmos integrantes e a mesma proposta mas coincidiu da gente estar explorando sons e texturas novas. Acho que combinou bem com o novo nome. O nosso EP “Neblina” é muito dramático, denso e pesado. Mas as nossas novas composições são mais etéreas e menos viscerais. Um pouco mais felizes, mas igualmente bad vibes hahaha muito violao, viola caipira e sintetizadores.

– Aliás, me expliquem o novo nome, “Aiure”!
Magão: Aiure vem de “alhures” que quer dizer “de outro lugar”. Um dia o Pacífico (guitarrista) ouviu Chico Xavier dizer “alhures” numa entrevista. Ele entendeu “aiure”, contou a história pra gente e curtimos a ideia.

– Me contem mais sobre “Erótica & Bad Vibe”.
Gabi: “Erótica & Bad Vibe” é o single que lançamos junto com a mudança do nome. Ele faz parte do disco novo e abre portas pra essa nova sonoridade que comentei antes. É uma musica mais viajadona, mas bem linear.
Dar nome pra músicas instrumentais é um verdadeiro dilema. Às vezes faz sentido, às vezes não.
“Erótico e bad vibe” foi como um integrante da banda descreveu um sonho que teve. A gente achou engraçado e botamos esse nome na música.

– Quais as principais influências da banda?
Gabi: Rock progressivo e música brasileira em geral. Muitas das influências vem de King Crimson, Mars Volta, Hermeto Pascoal e Pink Floyd. Mas depende bastante do que nós estamos ouvindo na época.
Da minha parte, atualmente tenho ouvido muito Vulfpeck e Kamasi Washington e isso transparece bastante nas minhas linhas de piano

– Como vocês definiriam o som do Aiure?
Gabi: Vou citar o meu “eu” de 2003 lá do falecido Orkut e dizer que “~º~º~º QuEm Se DeFine sE LiMitA ~•~•○” (risos) Difícil definir, mas a gente gosta de dizer que nosso som é erótico e bad vibe.

– Vocês estão preparando um disco. Podem adiantar algo sobre ele?
Gabi: O disco tá lindo. Tá quase pronto, inclusive. Estamos na fase de mixagem e masterização.
Ele tem, além de nós 3, várias participações especiais de músicos amigos tocando trompete, percussão, guitarra, baixo, vocal (Sim. Definitivamente não somos mais uma banda 100% instrumental) e um coral. Esse coral é da música “Pedra Souta”, que fizemos em homenagem ao amigo Pedro Souto que faleceu ano passado. O disco vai ser inteiro dedicado à ele.

foto por Thais Mallon

– Me contem mais sobre o conceito de “mini-músicas” que vocês fazem em alguns momentos.
Gabi: As mini-músicas surgiram da ideia de fazer músicas de transição entre uma e outra. Nesse disco vão ter 3 mini-músicas e todas com viola caipira. Sem guitarras com distorções ou baterias barulhentas. É como se a tempestade passasse e ficasse somente a calmaria. “Erótica & Bad Vibe” e “A Divina Comédia” tem mini-músicas. Você pode ouvir ambas no youtube.

– Como vocês veem a cena independente musical hoje em dia e como vocês trabalham dentro dela?
Gabi: A cena independente musical sofre metamorfoses constantes. Às vezes a cena tá massa, às vezes não. Atualmente vivemos uma época boa na cena de Brasília. Muitas bandas novas aparecendo, vejo muito mais adolescentes indo nos shows. Esse vai ser um ano bom no quesito ‘materiais novos’.

– Quais os próximos passos da banda?
Pacífico: Dominação mundial!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Pacífico: Em Brasília, tem atualmente bandas muito fodas que se preparam pra lançar materiais novos em breve também como Joe Silhueta, Toro, Rios Voadores, Cachimbó, Zéfiro, Tiju, Oxy, Palamar. A cena instrumental de Brasília também ta de parabéns com Muntchako, Os Gatunos, Transquarto, A Engrenagem. Aconselhamos ouvir todas!

Thee Dirty Rats: sobre garage primitivo, guitarras caseiras e gravação analógica

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Fundado em 2014 por Luis Tissot (voz, cigar box) e Fernando Hitman (voz, bateria), o duo paulistano Thee Dirty Rats faz garage rock com influências de punk e new wave. O som da dupla é cru, rudimentar, e considerando sua formação — de um lado, três cordas ligadas em um pedal de fuzz; do outro, o jogo de bateria mais primitivo possível (bumbo, caixa, surdo e chimbal) — não poderia ser diferente.

Na discografia da Thee Dirty Rats, constam os EPs “The Fine Art of Poisoning 1 & 2” (2015) e “Traps and Mass Confusion” (2016), lançado em vinil pelo selo goiano Mandinga Records simultaneamente a uma turnê da banda pela Europa, e o LP “Perfect Tragedy” (2015), lançado em k7 pelos selos Woody Records (Estados Unidos) e Scrap Metal Dealer (Argentina). Duas das sete faixas de “The Fine Art of Poisoning 1 & 2” foram incluídas em um split com a banda argentina Sarcofagos Blues Duo, também lançado pelo Scrap Metal Dealer.

A Thee Dirty Rats ainda tem um outro split com a WI-FI Kills, projeto curitibano do músico e artista visual Klaus Koti (mais conhecido por sua one-man band O Lendário Chucrobillyman) intitulado de “WI-FI Kills on the planet of Thee Dirty Rats”. “Chop Your Fingers” e “Yeah Yeah It’s True”, as duas faixas que compõem a metade dos Dirty Rats, foram produzidas por Jim Diamond, ex-baixista da The Dirt Bombs e conhecido por seu trabalho com Sonics e White Stripes.

Abaixo, uma entrevista feita no Bar da Avareza, em São Paulo, pouco antes de a dupla se apresentar:

Ao longo da história, cigar boxes foram elaboradas por escravos africanos ou trabalhadores rurais norte-americanos em períodos de escassez de recursos e materiais. A construção da cigar box da Thee Dirty Rats vem de um contexto semelhante?

Fernando — Nós também temos e tocamos “instrumentos normais”, então a construção da nossa cigar box não foi por falta de opção. Foi proposital, nós realmente queríamos uma cigar box — mas queríamos criá-la com o que nós tínhamos, então não gastamos quase dinheiro nenhum na fabricação.

Luis — Nossa formação inicial tinha guitarra e bateria, depois começamos a tocar com baixo e bateria. Em se tratando da sonoridade, não ficamos satisfeitos com nenhuma das duas formações, então pensamos em fazer uma cigar box — é um instrumento que tem muita relação com a sonoridade que nós queríamos. Nós tínhamos recurso, então foi mais uma opção estilística.

Fernando — E a gente também queria aprender a construir uma cigar box. Mas queríamos fazer apenas com o que tínhamos, sem comprar nada, gastando o mínimo, sabe? Aí pegamos uma caixa de madeira que encontramos em um lugar aleatório e umas tábuas de janela velhas para o braço — no final das contas, gastamos uns R$8,00 construindo ela.

Luis — É, o captador era de um baixo quebrado e as tarraxas eram de uma guitarra que estava encostada no meu estúdio, o Caffeine Sound, em que gravamos quase todo o nosso material. A gente não gastou praticamente nada!

Vocês já tinham alguma noção de luteria antes de fabricarem o instrumento?

Luis — Não, nenhuma.

Fernando — A gente nunca tinha fabricado instrumento nenhum antes disso.

Luis — Sim, foi a primeira vez que tentamos fazer alguma coisa. Fizemos muito na base da tentativa e erro.

Fernando — Exato.

Vocês tiveram experiências com gravação analógica. Que diferenças vocês percebem entre gravação analógica e digital? Por que a escolha pela fita?

Luis — Nós já experimentamos o digital, mas o analógico tem muito mais a ver com a gente. Acho que tem muita relação com o nosso conceito, com a nossa sonoridade. Essa estética meio lo-fi, sabe? É o som que eu e o Fernando sempre escutamos, na real. Gostamos muito de garage rock, de artistas da década de 1990 que gravavam em gravador de k7 de quatro canais. E também tem a questão da limitação — no digital você pode ir para qualquer lado, porque é tudo muito mais fácil, e consequentemente você pode se perder muito fácil também. Sair do conceito inicial.

Fernando — Sim, você acaba pensando mais e corre o risco de fugir do que você realmente quer.

Luis — Em processos de gravação mais limitados, você tem que se virar para trabalhar no que você está gravando a partir dessa limitação. Isso acaba sendo extremamente criativo, muito mais criativo do que apelar para a perfeição dos processos digitais. No digital, a criação é tão rápida e eficiente que acaba se tornando meio banal.

Fernando — E nos processos analógicos, a gente mexe em pouca coisa depois da gravação. Então todas as decisões são tomadas bem antes.

Luis — Exatamente. As decisões são tomadas antes ou enquanto você está gravando. Isso é muito importante. Depois que o material está lá, gravado, você não vai sair editando, cortando e colando fita.

Luis Tissot

Essas limitações mudaram de alguma maneira a forma como vocês pensaram nas músicas da banda?

Luis — Não, nosso som funciona perfeitamente dentro dessas limitações.

Fernando — Na verdade, a gente já tinha essa ideia de sonoridade minimalista em mente e justamente por isso escolhemos gravar dessa forma, porque era um jeito bom para gravarmos esse tipo de música.

Luis — Exatamente. É óbvio que se você tiver uma orquestra completa, você não vai escolher gravar em quatro canais.

Fernando — Sim. Temos poucos instrumentos, por isso que escolhemos a fita, e não o contrário — nossas músicas são assim, não precisamos adaptá-las ao método de gravação.

Vocês também fizeram lançamentos em formatos analógicos. Lançar em k7 ou vinil tem trazido retorno? Em um contexto em que os consumidores de música estão cada vez mais adeptos às plataformas digitais, qual a importância do material físico para vocês?

Luis — Essa importância para nós é algo muito pessoal, tem mais relação com o nosso histórico de vida. É algo que sempre nos acompanhou no meio do punk e do garage rock. Eu já tive distribuidora de zine e k7, sou colecionador de vinil e o Fernando também, nós fazemos questão de comprar discos das bandas que gostamos. Então esse apego acaba sendo bem natural.

Fernando — É. Para nós, o material físico é muito importante e diferente. Eu gosto de colecionar discos e é muito legal ter um vinil da sua própria banda. Eu não pago por música na internet, então eu só sei consumir música assim. E ainda tem a questão da durabilidade — se você cuidar bem de um vinil, ele vai durar para sempre.

Fernando Hitman

A Thee Dirty Rats tem alguns lançamentos feitos por selos gringos. Me falem sobre a relação da banda com eles.

Luis — O legal é que depois da era do Myspace, uma época em que as pessoas realmente se comunicavam sobre música na internet, a única vez que um selo veio nos contatar do nada foi quando a Woody Records, que é um selo norte-americano de garage rock que lançou o “Perfect Tragedy”, nos mandou uma mensagem pelo Facebook dizendo que queria lançar 100 cópias em k7 do disco. E eles ainda fizeram 10 shapes de skate personalizados para a Dirty Rats, pintados à mão! Quem gerencia a gravadora é um casal, o cara cuida das fitas e a mulher pinta os shapes.

Fernando — É, foi muito louco, eu nunca vi isso na vida. Ganhamos cinco shapes de skate, acho que eles fazem de brinde.

Luis — Na real, o dono do selo tem uma loja de skate e vende as fitas por lá.

Fernando — Os shapes foram uma loucura, o maior sucesso. Vendemos muito rápido, em um segundo, lembra? E a gente nem fez nada, eles vieram do nada falar com a gente.

Que coisa. Vocês também já fizeram uma turnê pela Europa. Como o público europeu reage à Thee Dirty Rats?

Fernando — A recepção foi da hora, bem boa, bem boa. Todos os shows foram bons. O público europeu é bem doido, eles começam parados e de uma hora pra outra começam a fazer danças esquisitas. E os europeus são legais e te pagam muitas bebidas.

Luis — Teve um show que fizemos em uma squat anarcopunk bem interessante, uma das melhores recepções. Foi curioso, porque eles reagiram melhor do que o público dos bares e pubs mais relacionados à nossa sonoridade.

Fernando — Os punks piram na Dirty Rats, sempre curtem. Teve uma vez que a gente tocou numa squat rural, era uma fazenda no meio do nada da França, uma espécie de celeiro de pedra e serragem. Foi um puta show, deu uma galera, o lugar era gelado e virou um forno.

Eu vi que as faixas da Dirty Rats no split com a WI-FI Kills foram produzidas pelo Jim Diamond. Me expliquem como isso aconteceu.

Luis — Então, isso foi outra coisa bizarra. Ele que escreveu pra gente.

Fernando — Pois é, ele que propôs essa parceria.

Caramba! Que moral.

Luis — A gente é uma banda meio preguiçosa, a gente nunca escreve para ninguém. Não, isso nunca acontece. Quase sempre são os outros que vem até nós. Mas enfim, ele é de Detroit, mas estava na França quando nos convidou para fazer um single com ele.

Fernando — Foi muito legal.

Luis — A gente viajou de volta uns 1000 km só para gravar esse single. Mas valeu a pena.

Fernando — Nossa, quê isso. Valeu muito a pena.

Qual o truque de divulgação por trás de tanta gente foda oferecendo propostas para vocês?

Luis — Acho que o segredo é a não-divulgação. Se você não divulgar nada, as pessoas se interessam mais. Acho que o que mais importa é o boca-a-boca. Conversar pessoalmente, se fazer presente no bar. É isso que fica, no final das contas.