Festival LGBT Mix Music acontece de 15 a 26 de novembro em São Paulo

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Mix Music é o primeiro festival de música voltado para o público LGBT no Brasil e existe desde 2000, como o braço musical do festival de cinema e artes integradas Mix Brasil. Organizado pela Associação Cultural Dynamite e criado pelo produtor e ativista André Pomba , este ano, o festival completa 18 anos realizados ininterruptamente.

Desde a primeira edição, o festival sempre busca mesclar novos talentos com artistas consagrados como Liniker, que será a atração principal deste ano, num show que promete colorir o Parque do Ibirapuera em pleno feriado da Proclamação da República . Já os novos talentos participam de um concurso com prêmio de 1000 reais para cada uma das categorias: dança / coreografia , cantores(as) e drag queens . Confira a programação completa dessa edição:

15/11 quarta-feira (feriado) 16h- Liniker e os Caramelows @ Auditório do Ibirapuera (platéia externa)
17/11 sexta-feira 19h – Danna Lisboa e Saint-Hills @ CCSP
18/11 sábado 15h – Novos Talentos Coreografia @ CCSP
18/11 sábado 17h – Novos Talentos Cantorxs @ CCSP
18/11 sábado 19h – Novos Talentos Drag Queens @ CCSP
26/11 domingo 18h – Queer Explode, Gisele Almodóvar, Luana Hansen, Tiely Queen e Rimas & Melodias @ CCSP

Todos os eventos são gratuitos! No Centro Cultural São Paulo os ingressos devem ser retirados uma hora antes de cada evento. Aproveitamos a ocasião para conversar com o André Pomba, criador do Mix Music:

– Você idealizou o primeiro festival de música voltado ao público LGBT. Como surgiu essa idéia?

Na realidade a ideia não foi minha. O diretor do festival de cinema Mix Brasil, André Fischer, disse que queria expandir o evento e ter shows musicais. Assumi logo de cara o desafio e em 2000 foi criado o Mix Music.

– Manter um festival por 18 anos deve ser uma tarefa árdua num pais que não valoriza a cultura como deveria. Além dos habituais, quais desafios você enfrenta por se tratar de um evento LGBT?

O desafio é típico de qualquer produtor independente e ainda mais ativista da causa LGBT. Tem anos que temos apoio bom, anos que temos pouca verba, ano que não temos nenhuma verba e até já banquei do bolso algumas edições.

– O Concurso de Novos Talentos é sempre um destaque dentro da programação do Mix Music. Qual a sensação de abrir espaço para novos artistas? Como é a recepção do público?

Hoje em dia é a parte do Mix Music que eu mais me orgulho e me reciclo. No primeiro ano, foram somente 3 drag queens e quase ninguém na plateia e lembro de ter até feio um desabafo pela falta de compreensão. Porém a cada ano, essa parte aumenta de público, de disputa e agora temos 3 categorias (drag queen, cantorxs e coreografia/Dança).

– Eventos como o Mix Music ajudam a difundir o respeito as diferenças. Dentro da Militância LGBT, você enxerga uma união e avanços?

Não tenho dúvida que a cultura é a principal demolidora de preconceitos, é a forma com que tocamos a sociedade mais profundamente e a mudamos. Infelizmente, a militância LGBT se afundou numa guerra entre letrinhas de um lado e ideológicas/partidárias de outro. Num momento em que enfrentamos o conservadorismo nos atacando, sequer estamos unidos para combatê-los.

– Quais momentos você destacaria na trajetória do Mix Music? Sonha com alguma participação que ainda não aconteceu?

A primeira edição foi no próprio Centro Cultural, lembro até hoje do show da Vange Leonel (hoje falecida) que foi no formato piano e voz e só aconteceu lá. Teve os shows no SESC Pompeia com artistas como Perla, Maria Alcina, Ângela Rô Rô, inesquecíveis. Acho que meu sonho seria ter o Ney Matogrosso, por tudo o que ele representa para a música brasileira e a população LGBT. Teve um ano que ele estava de diretor de uma peça no Mix Brasil e assistiu a vários shows do Mix Music, sempre discreto e atento.

O Festival Mix Music é realizado com apoio do Edital de Apoio a Criação Artística Linguagem Música da Prefeitura de São Paulo

Uma viagem ao desconhecido: Barba Ruiva lança disco homônimo com influências de jazz e rock alternativo

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foto: Tai Fonseca

A banda carioca Barba Ruiva lançou recentemente seu primeiro álbum homônimo, que faz um panorama do trabalho em progresso desde sua formação, em 2005, até hoje. O trio Rafael Figueira (lead vocal e guitarra), Leonardo de Castro (baixo e voz) e Aline Vivas (bateria e voz) selecionou algumas canções que criaram desde o começo e que ainda dialogam com o atual momento do grupo, fazendo a gravação em duas etapas.

Primeiro, no Estúdio Superfuzz, em 2013, com Lisciel Franco, eles registraram bateria, vozes e algumas guitarras. Posteriormente, em 2017, com o produtor musical Maurício Negão (Marcelo D2, Frejat) e produtor executivo Dudu Oliveira, que colaboraram na regravação, remixagem e masterização das faixas, e junto do técnico de som Pedro Montano, do Estúdio Kultrix, onde foram gravados o baixo e as demais guitarras. O resultado é um disco diversificado e cheio de personalidade, com influências notáveis de rock alternativo, o popular rock oitentista, com uma pitada de jazz e blues, estilos que a banda adora. Conversei com o trio sobre o primeiro trabalho, a história da banda e suas influências:

– Vocês acabaram de lançar um disco. Podem me contar um pouco mais sobre ele?

Aline: As músicas foram criadas a partir de poesias do Rafael. As composições também são dele. Somente uma música foi em parceria comigo, “Praia”. Gravamos a bateria e vozes no estúdio Superfuzz, com Lisciel Franco e Elton Bozza, depois gravamos baixo e guitarras no estúdio Kultrix, sob a produção musical de Maurício Negão. A mixagem e masterização foram de Pedro Montano.

Leon: As composições são do Rafael e os arranjos e desenvolvimento foi um processo coletivo. Esse álbum é uma compilação de músicas que tocamos desde 2005. Isso faz com que tenhamos um vasto repertório gritando pra ser gravado já!

Aline: A gente compôs muitas músicas nesses anos de banda. Acabamos selecionando essas canções de uma forma bem orgânica. Eu acho que elas são bem diferentes entre si, mas de certa forma têm conexão e afinidade. Ah, tivemos também a produção executiva do Dudu Oliveira, na segunda etapa da gravação do álbum e assessorando nossa divulgação.

– E como vocês descreveriam esse disco pra quem ainda não ouviu?

Aline: Uma viagem pra dentro de si. Difícil essa pergunta! (risos) Eu colocaria para ouvir no carro… Talvez durante uma viagem. Tem momentos bem humorados e outros de introspecção.

– Quais as maiores influências musicais da banda?

Aline: É legal perceber algumas influências de estilos diferentes que se misturam ao rock
nas músicas do álbum. Elas têm uma influência do jazz, blues, samba, rock psicodélico, entre outras.

Leon: Influências bem diversas: eu, por exemplo, me alimento muito mais da MPB raiz, do blues e jazz, do que do rock em si.

Aline: Podemos citar aqui alguns artistas bandas e estilos. Bob Dylan, Nirvana, Doors

Rafael: Sim, minhas influências são bem próximas às da banda, pois também tem o fato de sermos uma “familia”, bebermos nas mesmas fontes.

Aline: Miles Davis!

Leon: Tenho ouvido muita coisa meio rural… Xangai, Marlui Miranda, coisa de índio, João Bosco (risos).

Aline: John Coltrane, Milton Nascimento, Smiths

Leon: Mas eu bebi MUITO da fonte do jazz instrumental.

Aline: Janis Joplin, Nina Simone

Tai Fonseca

– De onde surgiu o nome Barba Ruiva?

Leon: Estávamos procurando um nome quando descobrimos que a BARBA do meu irmão (Rafael) e a minha era RUIVA. Foi uma surpresa. Tava começando a ter barba.

Aline: Quando resolvemos montar uma banda, há muito muito tempo (risos), fizemos uma longa viagem citando nomes possíveis.  Quando eles falaram barba ruiva, acabou a conversa! (risos) Não conseguimos pensar em mais nada! Encaixou como uma luva. Foi amor à primeira ouvida. Tem uma imagem de pirata nesse nome que a gente curte muito. Tem a ver com essa jornada que estamos fazendo na vida rumo ao desconhecido. E também a um certo aspecto bruto que tem a ver com nosso som.

– Então a banda começou faz tempo. Como foi esse começo?

Aline: Nós dividimos uma casa nos Estados Unidos, há muitos anos. Lá mesmo, eu e Rafael estávamos imaginando como seria legal criar uma banda de rock no Brasil. Num impulso, voltamos para o Brasil pra correr atrás de realizar esse sonho. Naquele momento, não podíamos imaginar como seria difícil! (risos) Doideira.

– Me contem um pouco mais sobre o que vocês já lançaram antes do primeiro disco.

Leon: Já havíamos gravado algumas demos que ajudaram a gente a amadurecer musicalmente e em todo o processo de gravação, composição e atitudes de uma banda perante o mercado/cenário musical.

– Então vocês estudaram bastante o cenário independente antes de se jogar de cabeça.

Leon: Não. A gente viveu o cenário independente, um bom tempo, antes de perceber algumas coisas que são necessárias pra de profissionalizar.

Aline: Foi uma imersão mesmo. Estamos vivendo toda a luta de ser uma banda independente.

– E como vocês veem essa cena hoje em dia?

Leon: No Rio de Janeiro rola uma escassez de espaços pra tocar. Falta remuneração. Falta reconhecimento da música autoral como fonte de entretenimento. Por outro lado, vejo bandas e artistas movimentando os próprios eventos, formando coletivos e alguns até conseguindo se bancar com isso, dando mil piruetas. Tocando na rua, dando aulas… Além do mais, estamos vivendo um período de dificuldades, com o prefeito e Governo vetando a cultura.

– Porque vocês acham que isso tem acontecido e como pode melhorar?

Leon: Acredito na profissionalização do trabalho. Acredito que possamos ser valorizados como arte e entretenimento. Mas tenho certeza que isso não pode ser concentrado no Rio de Janeiro somente. Tem que haver um planejamento legal de circulação. Acredito que no mundo inteiro tem gente que se interessaria pelo nosso trabalho. Temos que chegar neles.

– Vocês já estão em turnê do novo disco? O que o público pode esperar de uma apresentação do Barba Ruiva?

Leon: Estamos preparando um novo show e começando a planejar a turnê. O novo show será surpresa, mas certamente esperamos causar emoções, sensações de prazer e reflexão. Nosso show costuma ser bem visceral em termos de interpretação, e até hipnótico em certos pontos. Estamos desenvolvendo essa questão do show, pra tentar seduzir o público e tentar atingir não somente os ouvidos. Assim como eu espero ser arrebatado quando vou a algum espetáculo.

Rafael: Ainda não estamos em turnê. Podem esperar cada dia um novo show, com bastante espontaneidade e muito suor, sempre há muita entrega da banda nos shows. Procuramos não deixar um show muito “fechado” , sempre com possibilidade do inusitado e do imponderável.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Rafael: Apanhador Só, Astrovenga, Facção Caipira, Wagner José.

Leon: Amplexos, Duda Brack.

Aline: Whipallas, Sound Bullet, Taranta, Gabriel Gerszti, Negro Leo, Chico Chico, Ventre, Tacy de Campos

YMA mostra admiração pelo realismo fantástico no clipe de “Vampiro”, faixa de seu novo EP

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foto por Gabriela Schmidt
A cantora e compositora paulistana YMA acaba de lançar “Vampiro”, clipe da faixa produzida por Fernando Rischbieter e lançada pela Matraca Records, gravada nos estúdios da YBmusic. A música fará parte de seu novo EP, que será lançado em breve. O instrumental da faixa mostra uma sonoridade mais orgânica que a ouvida em seu último single, “SABIÁ”, lançado em julho. A banda que acompanha as gravações e shows conta com os integrantes Uiu Lopes (baixo), Marco Trintinalha (bateria), León Perez (teclado) e Dreg Araújo (guitarra). 
“Vampiro está na fantasia de uma subjetividade que foge um pouco da liquidez dos afetos, e é exatamente onde eu gostaria de me perder! (risos)”, conta ela. As gravações do clipe aconteceram em Blumenau – SC no brechó Paradise, organizado por Mayara Cruz (Morgy), que protagoniza o clipe junto com Gustavo Starke (N3fxt). A direção é assinada por YMA e pelo videomaker Daniel RootRider.

– Me conta mais sobre “Vampiro”, que acabou de sair!

“Vampiro” é uma música bem recente, dessas que a gente escreve de uma vez só. Estará presente no meu próximo EP que sairá em breve! Mas surge dessa minha admiração pelo universo do realismo fantástico. Componho de forma muito imagética, geralmente na composição já me vem na cabeça parte do arranjo e também ideias de um possível clipe. Nesse caso de vampiro, o clipe e a música para mim resultam num trabalho só. Como uma mesma obra.

– E do que fala a música? Como ela surgiu?

Pelo que me lembro, começou por uma sensação de querer ser levada para outro lugar, viver algo novo e diferente. Logo surgiram imagens desse lugar, e na música coloco um pouco das sensações que esse lugar me causava. Depois esse universo me apresenta a figura do vampiro que pertencia a esse lugar. Mas a música é basicamente sobre as idiossincrasias de um relacionamento. E de certa forma, os relacionamentos podem criar uma espécie de mundo paralelo criativo. Como uma sinergia pulsante que mora em mim. Mas a fantasia sempre se desvela de maneira intensa comigo.

– Me conta mais da história do clipe!

No fim de semana seguinte da gravação da música, tinha combinado uma viagem pra Blumenau. Durante a semana que passou pensei na possibilidade de fazer o clipe por lá, já que já era fã do trabalho do Daniel RootRider – que assina a direção do clipe comigo. Então fui escrevendo o roteiro na estrada para lá. Montei uma equipe de maneira muito rápida, com os amigos que tinha na cidade. Foram dois dias de gravação, no primeiro fizemos as cenas da festa, que foram no brechó da Mayara Cruz, o Paradise. Mayara protagoniza o clipe junto com o Gustavo Starke, que é um amigo designer. Nenhum dos dois tinham experiência com atuação, mas era perfeito para a intenção despretensiosa do clipe. No segundo dia não sabíamos exatamente onde gravar, e ainda por cima chovia muito. Então acabei gravando na casa da sogra. hehe Mas de modo geral tudo aconteceu muito rápido, as gravações do EP, o clipe, foram muitas trocas intensas em pouco tempo.

– Conta como é a história desse clipe.

Acho que ela já é bastante explícita (risos). Mas tudo começa numa festa embalada nas luzes de neon, onde Morgy encontra N3fxt – um ser cuja respiração está fora de nosso tempo/espaço. Eles saem da festa para um after, e N3fxt se revela um vampiro. E eu vou acompanhando a estória como uma observadora, ou talvez como a pessoa que está sonhando aquilo.

– Pode me contar um pouco mais sobre o EP que está chegando? O que podemos esperar nele?

Estou sempre no processo de transmutação, e vejo nas gravações um laboratório cheio de possibilidades. Os trabalhos são bem diferentes uns dos outros, desde o primeiro EP que lancei em 2012. Serão 4 faixas com essa sonoridade mais orgânica, de banda. Bem diferente do single “SABIÁ” que lancei em julho desse ano. Quem gravou comigo foi a banda que me acompanha nos shows, o Uiu no baixo, Dreg na guitarra, Marco na bateria e Leon nos teclados. O EP está sendo produzido pelo Fernando Rischbieter, que tem trabalhado comigo nos últimos tempos e que também abriu o selo Matraca Records, por onde o EP será lançado. Gravamos nos estúdios da YB, o que é muito especial, poder gravar num espaço onde muitos artistas que eu admiro já passaram.

foto por Gabriela Schmidt

 

– Fala pra gente sobre os trabalhos que lançou antes disso.

2012 foi quando gravei minhas primeiras canções. Fiz amizade com um grupo de músicos incríveis que produziam num espaço chamado Cambuci Roots, que é o pessoal do Saulo Duarte e a unidade, Daniel Groove, Los Porongas e muitos outros artistas que frequentavam o lugar. O EP se chama “Yasm(in) the Sky” e foi produzido por mim e pelo João Leão. Minha música preferida do EP é “Homem Frio”.  Logo após o lançamento engravidei, e fui me dedicar a maternidade. Então não consegui levar esse trabalho adiante. Durante o processo da maternidade, percebi que amadureci em muitos aspectos, principalmente no processo criativo, apesar de não colocar a maternidade como tema em minhas canções. Em 2016 voltei a compor, com mais afinco, o que resultou numa nova leva de inspirações, que abasteceram algumas canções que resultaram nos trabalhos mais recentes. “Sabiá” já tinha composto há um tempo, mas por falar sobre questões ainda muito atuais na minha vida, decidi gravar com uma roupagem mais eletrônica. Também produzimos um clipe pra ela, dirigido pela Nina Kopko, tem uma pegada mais conceitual, e envolvimento de vários artistas que admiro.

– Como começou sua carreira?

Não durou muito tempo o estúdio de música que meu pai havia montado em casa, acho que eu tinha uns 5 anos. Mas foi ali o começo de um contato musical que ao longo dos anos anos se tornou vitalício.
Aos 15 anos me formei em uma escola de iniciação artística, onde tive passagens e experimentos com as mais diversas linguagens durante os 9 anos que vivi na escola. Era muito difícil escolher apenas uma frente, na minha cabeça todas elas dialogavam, e eu simplesmente queria fazer parte de tudo aquilo, então para além da música, sinto pulsos de imagens, movimentos, cores, todo universo artístico colabora muito com o meu processo criativo.

– Como você vê a música independente hoje em dia? O mainstream ainda é necessário?

Acho que se ainda existe um mainstream (investimento pesado de grana e de exposição em alguns artistas), deve estar servindo pra alguém. Mas essa separação tá cada vez mais difusa. Hoje em dia há muitos caminhos pra conhecer música nova e artistas diferentes, e também ferramentas mais acessíveis para esses artistas produzirem seus trabalhos. Agora, a questão da grana realmente é um abismo.
Tem que batalhar pra que os artistas independentes não morram na praia e tenham uma vida mais bacana com o trabalho deles. Quero muito ver as minas maravilhosas que acompanho ganhando uma grana massa com o trabalho delas!

foto por Gabriela Schmidt

 

– Agora, com a queda das gravadoras, o trabalho de mulheres autorais está cada vez mais forte e presente. Como você vê isso e como você vê o machismo que continua presente no mundo da música?

Recentemente gravei com a Elga Bottini, que é produtora musical. isso nunca tinha acontecido antes. Ver uma mulher pilotando um estúdio. A energia da mulher muda completamente o ambiente e a forma de trabalho. Me senti acolhida, e muito a vontade pra gravar e me soltar. Tenho certeza que outras pessoas e sentiriam o mesmo. Quero muito ver as minas ocupando todos os lugares que são ocupados em sua maioria por homens. É uma luta muito importante, fico feliz de acompanhar as mulheres que colocam cara a tapa, e de estar vivendo esse momento da ruptura feminista. Sou muito otimista, sinto que aos poucos as mudanças vão acontecer, e pra isso nós mulheres, devemos nos informar, trocar, exteriorizar e gritar se for preciso.

– Quais os seus próximos passos?

Lançar o EP, fazer mais shows e ir aprimorando as performances, para levar mais mágica pro palco. ❤️

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

De todas as perguntas essa é a mais difícil, tem muita coisa! (Risos). Mas vamos lá! Há pouco tempo conheci a CLAIRO, que tô pirando! Lomboy, Weyes Blood, uiu, PAPISA, Men I trust, cinnamon tapes, mia beraldo, césar lacerda, dolphinkids, Sunflower Bean. Difícil, tentei listar as mais recentes mesmo (risos).

Kera and the Lesbians tenta ver o mundo com otimismo no single “Bright Future Ahead”

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Quando Kera Armendariz ganhou seu primeiro violão e começou a arranhar o instrumento no seu quarto, com 13 anos de idade, o embrião da banda californiana Kera and the Lesbians já estava formado. Em sua adolescência em San Diego, procurava criar uma banda punk só de mulheres, mas quem cruzou seu caminho foi Phil MacNitt, que começou imediatamente a trabalhar em músicas junto com ela. Logo apareceu Michael Delaney, um baterista que além de destruir na percussão ainda ajudou a criar os clipes e o logo da banda. E assim, estava formada a banda, que a líder descreve como “bipolar folk”.

 

O trio já lançou um EP em 2014, “Year Past 23”e um disco, auto-intitulado, em 2016. Agora, a banda prepara um curta-metragem, “Fall. Apart” para o começo do ano que vem, com três novas músicas. A LA Weekly chegou a falar que a banda era uma das principais da cena de Los Angeles para ficar de olho em 2015, o que catapultou Kera para shows dividindo o palco com Heathers, Girlpool e Devendra Banhart, que ela diz ser seu “guru”. Conversei com ela sobre a carreira da banda, o novo single “Bright Future Ahead” e os planos para o futuro:

 

 

– Como você começou sua carreira?
Eu acho que poderia dizer que começou no dia em que meus pais me compraram meu primeiro violão de Natal, daí eu tive meu começo precoce em vários projetos. Na verdade não existe dinheiro na música, então eu acho que você poderia dizer que este é meu projeto de paixão por enquanto. No entanto, estou esperando fazer mais turnês sob meu nome em um futuro próximo!

– Quais são suas principais influências musicais?
Isso varia e é muito difícil para mim escolher em um gênero. O que encontrei com artistas que admiro não é necessariamente a música, mas mais do que eles representam e como eles optam por expressá-la.

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?
No passado descrevi minha música como bi-polar folk, mas sinto que meu som ainda está evoluindo. É tudo subjetivo, então deixarei o indivíduo decidir.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até agora.
Eu lancei muito poucas coisas, mas tudo o que lancei me deixam muito orgulhosa. Eu nunca quero me sentir obrigada a escrever uma música. Até agora, eu lancei o EP “Year Past 23”, um disco completo e no início do próximo ano vou lançar meu primeiro curta, intitulado “Fall. Apart”, com três músicas novas!

– Você acabou de lançar “Bright Future Ahead”. O que você pode nos contar sobre essa música?
Eu escrevi essa música em um momento em que me senti mais vulnerável e sem esperança. Eu posso ser muito difícil para mim mesma, e de certa forma me lembrou de ter mais auto-compaixão para mim e para os outros. Eu escrevi isso como uma lembrança do empoderamento, especialmente nestes tempos sombrios.

– Você vê um futuro brilhante à nossa frente?
É tudo uma escolha de acreditar ou não na esperança ou sucumbir a ela. Eu escolho acreditar na esperança e no futuro brilhante.

– O mundo está mostrando aos poucos sua pior face e vemos muito preconceito se espalhando hoje em dia. Como você luta contra isso?
Esses preconceitos sempre existiram, e a retórica do racismo neste país, especialmente, nunca foi abordada diretamente. Eu tive que me perguntar em qual moral escolho viver, e como eu acho que os outros devem ser tratados. Eu não sou perfeita. É tudo um processo, mas eu escolho lutar contra isso tudo tentando o meu melhor para viver apaixonada.

– O que você acha sobre a indústria musical hoje em dia?
Uma piada.

– Quais são os seus próximos passos?
Eu adoro tocar com os outros, então vou fazer mais disso, e também lançar alguns singles novos.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Miya Folick, Molly Burch, Szalt (Companhia de Dança) e Jackie Shane.

Caio Moura prepara seu primeiro EP calcado na música negra brasileira, “Coração Balança”

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Caio Moura

O cantor, compositor e dançarino Caio Moura prepara um trabalho que transpira música negra. Com seu timbre característico e voz potente, ele lançará em breve seu primeiro disco, “Coração Balança”, com influências de funk, soul, MPB, samba e rock, tudo com muito balanço e suíngue.

Sua carreira começou como parte do coral da escola onde fazia o ensino fundamental. Após isso, fez o teste para ingressar no Coro Juvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, onde trabalhou o canto erudito e se aprofundou mais na técnica vocal. Entrando na faculdade, montou a banda ZumBlack, misturando música brasileira com diversos outros ritmos.

O disco “Coração Balança” é produzido por João Guilherme, músico, compositor e filho da grande sambista Yara Rocha. O álbum conta com músicas que trazem em seu DNA muitas características do samba rock, samba e black music. Além disso, Caio já está começando a trabalhar em novas músicas, em um novo projeto rebuscando músicas regionais e locais, principalmente da periferia.

– Me fala um pouco mais do seu trabalho que está prestes a sair!

Meu trabalho chama “Coração Balança”, onde nas músicas falo de amor em várias formas, com muito swing que a música negra traz.

– Seu foco é principalmente a música negra? Como você definiria seu som?

Sim, pois a música negra permeia todos outros estilos musicais. Defino meu som como “Música Negra Brasileira” (risos).

– Quais as suas maiores influências musicais?

Minhas maiores influências são o samba, samba rock, soul music, black music internacional e a MPB.
Tenho como referência o Tim Maia, Seu Jorge, Djavan, Pedro Mariano, Michael Jackson, Stevie Wonder, Wilson Simonal, Simoninha, Gregory Porter, Walmir Borges, entre outros.

– E como foi a gravação desse disco?

O processo de gravação de meu disco foi bem moroso. Decidi gravar meu disco em 2014, quando fui passar o Reveillon no Rio. Foi tipo pular as 7 ondas e desejar que acontecesse no ano que estava entrando (risos). Logo quando voltei pra São Paulo, liguei para o João Guilherme, músico cantor, produtor musical e filho da grande sambista paulista Yara Rocha, acertamos todos os detalhes e começamos a produzir. Tive a sorte de ganhar a gravação através de um projeto que a Converse Rubber Tracks tinha aqui em São Paulo no Estúdio Family Mob, do baterista Jean Dolabella, ex baterista do Sepultura. Na Family Mob, pude fazer a captação das bases do meu disco. A captação das vozes foi feita no estúdio AMG do Marcelo Rodrigues, a mixagem e masterização também.

– E como foi o processo de composição dele?

O processo de composição dele foi através de parcerias com amigos que tive no passado, com o próprio produtor do meu disco e algumas canções que tinha com bandas que pertenci ao longo da minha carreira.

Caio Moura

– E como você começou sua carreira?

Comecei com 11 anos de idade, no Coral da Escola Marcílio Dias com a professora Léa Gomes Moratelli, escola onde fiz meu ensino fundamental. Devo minha vida artística a esta professora. Logo quando saí do ensino fundamental, pensei em parar de cantar pois via apenas como um hobby, mas meses depois minha tia me avisou sobre um teste que haveria no Coro Juvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Me inscrevi, fiz o teste, passei e aí sim tive a certeza que queria ser cantor. Passei dois anos no coro e sair por conta que tinha que trabalhar , já tinha alcançado a maior idade. Nesse meio tempo entrei para um coral gospel chamado Projeto Afirma, foi quando me apresentaram a black music norte americana, a partir dali que pude firmar a minha característica de canto que utilizo. Fiquei dois anos no gospel e saí por questões ideológicas e de crenças. Anos depois, ingressei na Universidade Zumbi dos Palmares e já no primeiro ano, formei a Banda ZumBlack, com Fábricio Máximo e Moacyr Garrido, tocamos muita música preta naquela época e me ajudou bastante a definir meu estilo. Nesse tempo também fiz parte do coral da universidade. Junto com esse período universitário, comecei a trabalhar na Escola Técnica de Artes e aí foi um divisor de águas na minha vida pois conheci muita gente que contribuiu e contribui no meu trabalho até hoje. Me formei em Técnico em Canto na escola e partir daí comecei a dar andamento ao meu trabalho solo.

– Como você vê a cena independente?

Eu vejo a cena independente muito rica e com uma grande diversidade, tem muita coisa boa na rua mas acho que a galera devia ter um cuidado maior com os trabalhos apresentado.

– Quais os seus próximos passos musicalmente?

Em breve lançarei um single do disco e um clipe, o lançamento oficial do disco seria em dezembro mas vou lançar em março de 2018.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Camila Brasil, Jota Pê, Indy Naíse, Luedji Luna, Nina Oliveira, James Bantu, Ursso e Bruna Black.

Empoderamento feminino, cultura negra e os cenários capixabas no rap das Melanina MCs

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Melanina MCs
Melanina MCs

“Somos mulheres negras, nascidas e criadas em periferia, que fomos entender o feminismo na correria do dia a dia depois de bater muita cabeça”, conta a MC Mary Jane. E foi assim que se formou o grupo Melanina MCs, em 2013, buscando transmitir sua mensagem de empoderamento feminino, respeito à cultura negra e todas as coisas que devem ser valorizadas ou combatidas em sua área, a cidade de Vitória, no Espírito Santo.

Formada por Mary Jane, Lola, Geeh e Afari, a banda acaba de lançar o single “Cenários”, que ganhou clipe dirigido por Juane Vaillant. A música fará parte de “Sistema Feminino”, sucessor do EP “Tesouro Escondido”, lançado no ano passado. O disco de estreia do quarteto tem previsão de lançamento para este mês. “A gente se apresenta no disco, colocamos toda nossa essência nesse projeto e tentamos fazer com que fosse o mais plural possível. As músicas são sensíveis, mas ao mesmo tempo vem um tapa atrás do outro, porque é isso mesmo, sabe? O sistema feminino é uma rede e esperamos que cresça cada vez mais”, explica Geeh.

– Como a banda começou?

Lola: Duas de nós, eu e Mary Jane, através do convívio, descobrimos a cena cultural do rap no estado. Com o tempo formamos um grupo em 2013, a Geeh ja tinha envolvimento na cena, batalhava, somou no grupo e a Afari veio depois pra fechar o bonde (risos).

– Quais as principais influências do grupo?

Mary Jane: Desde que percebemos a importância de reconhecermos nossa identidade na música e ideológica ampliamos muito nossas influências. Somos mulheres negras, nascidas e criadas em periferia, que fomos entender o feminismo na correria do dia a dia depois de bater muita cabeça. Então hoje a gente tem como referência uma diversidade de nomes da música brasileira e internacional, ritmos pra além do rap e bandas da cena independente que conhecemos, mas que sobretudo dialogam com o que somos, gostamos de fazer e acreditamos. Bora citar uns nomes: diva Elza Soares, Flora Matos, Psalm One, Oshun, Ventre, Baco Exu do Blues, RZO.

– Vocês acabam de lançar o single “Cenários”. Podem me falar um pouco mais sobre o que esta música significa para vocês?

Afari: Essa foi uma das músicas mais marcantes pra nós, com certeza! Ali foi o momento de expor nosso cotidiano, o que pensamos, onde moramos e principalmente, nossa opinião mais sincera sobre todas as coisas que devem ser valorizadas e mudadas lá. Rotina mesmo sabe? Convidamos mais mulheres negras da Grande Vitória que são artistas e também vivem a correria de garantir o pouco de cada dia. Tivemos com a gente: dançarina, DJ, estilista, outras minas da música e por aí vai. E também não podemos deixar de citar o trabalho de todas as pessoas maravilhosas que fortaleceram a gente pra o som e o videoclipe. A participação da Anna Tréa, da Thaysa Pizzolato, Jone BL e do Henrique Paoli na faixa do single, além do trabalho do Rodolfo Simor, deram vida ao instrumental da música. O videoclipe nem se fala, né? Produção e equipe de audiovisual pesadona!

– Vocês são um grupo de rap, mas transitam por outros estilos. Quais estilos compõe o som da Melanina MCs?

Mary Jane: Nesse último projeto decidimos partir para músicas com composições mais orgânicas, tanto nos instrumentais, como nas letras. Todos esses detalhes têm influência do funk, do reggae e do rock, soul, músicas de raiz negra.

Melanina MCs

– O que podemos esperar do próximo disco, “Sistema Feminino”? Me falem como tá sendo a produção dele.

Geeh: O projeto desse disco foi muito especial. O disco é voltado pras mulheres, pra cultura negra, fala do cotidiano, o que vemos nele. Até por isso o processo das composições foi muito inspirador, fizemos nossas rimas pensando que poderiam ser de todas as mulheres. Mudou alguns conceitos, a estrutura das musicas, a naturalidade com que são transmitidas, e a pegada é bem mais orgânica do que de costume, isso deu uma nova identidade ao grupo. A gravação foi uma experiência nova, entendemos nesse processo o que era o sistema feminino na busca por autonomia e dia após dia fomos vendo o conceito do disco se materializar na produção, na equipe e entre nós. O que as pessoas podem esperar disso? A gente se apresenta no disco, colocamos toda nossa essência nesse projeto e tentamos fazer com que fosse o mais plural possível. As músicas são sensíveis, mas ao mesmo tempo vem um tapa atrás do outro, porque é isso mesmo, sabe? O sistema feminino é uma rede e esperamos que cresça cada vez mais.

– Podem me contar um pouco mais sobre “Tesouro Escondido”, do ano passado?

Lola: Tesouro Escondido foi nosso primeiro projeto divulgado. Foi ali que entendemos muito sobre nossa vontade de fortalecer nosso trabalho e viver dele. O lançamento foi exclusivamente virtual, mas chamou a atenção de muitas pessoas. Um grande passo pra nós do grupo, por ter marcado o fim de um ciclo, e o início de outro ainda melhor. Chegamos no “Sistema Feminino” através desse EP.

– Vocês são de Vitória, no Espírito Santo. Como é a cena do rap por aí?

Afari: A cena local é bem abrangente, mas é claro que poderia contar com mais investimento e políticas públicas pra fortalecer o rolê. Batalhas de MCs, apresentação de grupos de música, dança de rua, DJs, tudo isso tem enorme importância aqui e a galera reconhece. O público é fiel e comparece em todos os eventos, mobilizações e ações culturais. A cena do rap feminino ta crescendo agora, minas batalhando e se envolvendo cada vez mais, inclusive como grafiteiras e bgirls. Sentimos faltas de minas DJs, mas já temos visto várias botando a cara e aí ninguém vai segurar o bonde.

– Vocês tem uma proximidade com artistas da cena independente que inclusive não são do rap, como Anna Tréa, Larissa Conforto (Ventre), Carol Navarro (Supercombo), Gabriela Deptulski (My Magical Glowing Lens), Henrique Paoli (My Magical Glowing Lens/ André Prando) e Fepaschoal, que participam da gravação do disco. Como é hoje em dia essa miscigenação maior de estilos?

Lola: Durante a produção surgiram muitas influências, fomos da Dinna Di ao Baiana System, muitas referências novas mas sem perder a linha underground do rap. Então o disco passa pelo rap, o trap, o R&B, o soul e ritmos latinos. Nossa parceria com o Paoli vem desde o EP. Além disso, participamos de festivais que não eram da cena hihop e acabamos ficando próximas de minas e bandas de tudo quanto é tipo de música. Foi natural trazer essa galera e influências pro disco. Fizemos o pré-lançamento no SESC Glória aqui em Vitória e fomos acompanhadas por uma banda maravilhosa, a Thaysa Pizzolato nos teclados, a Maria Oliveira na guitarra, a Natalia Arrivabene na bateria e o DJ Jone BL, o único da cena do rap. A real é que essa diversidade somou muito e entendemos isso, então enquanto o Sistema Feminino rodar, nós vamos juntas nessa porrada de sons.

Melanina MCs

– Quais os próximos passos da Melanina MCs?

Geeh: Bom, estamos planejando um lançamento pra logo! O disco ta no processo final, estamos só a ansiedade pra iniciar a circulação e mostrar o que saiu dessa roda de conversa. Estamos estudando alternativas pra apresentar o trabalho em outros estados, começando por São Paulo.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Todas: É muita gente, vamos lembrar de alguns: Rincon Sapiência, Flora Matos, Thassia Reis, Baco Exu do Blues, e tem o trampo novo do Fabriccio aí, sonzera demais!

Quinteto paulistano Grená apresenta ecos de rock e ritmos brasileiros em seu primeiro EP, “Azul”

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Grená

A Grená – formada por Uirá Ozzetti (violão, guitarra e vocal), Rodrigo Lavorato (baixo e vocal), Dau Morelli (teclado e efeitos), Thiago Boemeke (violão, guitarra e vocais) e Leandro Amorim (bateria e percussão) – é o fruto de uma amizade transformada em música. Formada em 2012, a banda lançou seu primeiro trabalho, o EP ‘Azul’ em 2016 e desde então tem se apresentado incansavelmente, levando sua mistura de rock, MPB e ritmos brasileiros a toda e qualquer plateia que esteja disposta a abrir seus ouvidos.

O Grená apareceu nas listas ‘Os Discos de Abril de 2016’ do site Criado Mundo e ‘Melhores Discos’ do Hominis Canidae e já começou a preparar seu primeiro disco. “Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias”, contam.

– Como a banda começou?
A Grená surgiu através da amizade do Rodrigo e Uirá e começou a se tornar projeto nos idos de 2012.

– Porque o nome Grená?
A história é super engraçada! O Uirá e o Rodrigo estavam reunidos, pensando numas músicas mas ainda não tinham um nome e não sabiam o que fazer. Com esses problema nas mãos tiveram uma ideal genial: Abrir o dicionário, numa página aleatória, e o nome da banda seria o primeiro nome que surgisse no canto superior esquerdo. Assim o nome da banda surgiu, a gente jura! (risos). Óbvio que se fosse um nome muito ruim nós não teríamos levado à frente, porém, à partir desse nome muito do universo que criamos para o projeto foi sendo definido.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem nunca ouviu?
Misturamos sons do baião até o rock progressivo, onde elementos timbrísticos que tenham uma personalidade própria são muito bem vindos.

– Quais as principais influências musicais de vocês?
No geral, a música que a gente compõe, enquanto arranjo compartilhado, é ampla e que não estão, as vezes, completamente ligadas a música de forma idiomática. O Dau estuda Engenharia Civil na Politécnica da USP, o Rodrigo é cineasta e já tocou em grupos de jazz, o Thiago é designer e também já tocou em grupos instrumentais, o Leandro além de tocar bateria é percussionista contemporâneo e toca em orquestras, o Uirá é violinista e também já tocou em orquestras. Enfim, talvez a gente veja essa nossa relação com a composição de forma mais ampla, onde a relação do que chega ao público em forma de linguagem musical é essencialmente composta por uma infinitude de interações com outras áreas que podem ou não ser artísticas e, claro, tudo que a gente ouve está inserido nesse ambiente.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
O EP teve um processo natural de criação enquanto foi tomando forma no estúdio. Muito do que foi gravado lá e hoje compõe o que a gente apresenta como resultado do nosso trabalho foi acontecendo durante o tempo de gravação. Nós contamos muito com a ajuda do Bruno Prado na hora de inserir novas relações timbrísticas como as guitarras e a percussão e isso foi fundamental para que ele assinasse também a produção. Quando fizemos o lançamento em 2016, o Lê tinha acabado de entrar na banda e trouxe mais um elemento, a bateria.

– Vocês estão trabalhando em novos sons, é verdade?
Sim, estamos aumentando nosso repertório autoral e estamos com projeto para gravar nosso primeiro disco. Acreditamos que é um processo natural que lateja em meio a esse momento de criação que vem rolando desde o EP até o que estamos compondo agora.

Grená

– Vocês hoje em dia estão em turnê, fazendo shows em vários lugares. Como tá sendo?
Esse ano tem sido bastante especial, estamos rodando bastante com o show que contém as músicas do EP e as canções novas que vão pro disco e, tem sido bastante intenso trabalhar em função de cada show. Agora queremos expandir um pouco, tentar sair das fronteiras de São Paulo e continuar trabalhando.

– Como vocês veem o desenvolvimento da cena independente?
Depois dos anos 2000 essa é a cena que mais se fortaleceu em diversas regiões do País. Muito disso, sem dúvidas, faz parte da conexão imediata que a internet trás. É um percurso natural.

– Qual a opinião de vocês sobre a música mainstream hoje em dia? Porque ela se descolou tanto dos novos artistas que o mundo independente vem lançando?
O mainstream funciona como sempre foi, porém, sem tanto impulso de gravadoras. Ele tá aí e ainda é muito forte, no entanto os artistas que ainda despontam num mercado global são aqueles que trouxeram pra si o papel dessas gravadoras. É difícil definir porque se descolou mas quem já estava no mainstream antes da dissolução das gravadoras soube lidar com um caminho muito particular. Aparentemente, quem tá vindo precisa lidar com a escolha desse caminho e traçar um planejamento para que isso aconteça, não é nada tão de outro mundo assim, basta lembrar de uma entrevista do Cesinha (baterista e produtor de vários artistas independentes) há uns 4 anos atrás, ele falava algo como “faça você mesmo”, o cara fez cursos, se aperfeiçoou, aprendeu a gravar, montou um estúdio e foi seguindo o trabalho dele. A gente vai aprendendo com o mercado porque ele não é estático, ele é composto por todos nós.

Grená

– Quais os próximos passos da banda?
Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Essa é uma bem difícil, e já deu para perceber que nós temos várias direções. Mas ouçam Divina Supernova, Marinho, Necro, Papisa, Versos que Compomos na Estrada, Amanticidas.

HL Arguments lança o single “Trust Me” e prepara terceiro álbum com influências do rock alternativo noventista

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HL Arguments

Formada por Helio Lima (vocal e guitarra), Marcos Cesar (bateria), Amanda Labruna (vocal), Fernando Silvestre (guitarra) e Wesley Lima (baixo), a banda HL Arguments começou sua carreira lançando em 2011 seu álbum auto-intitulado lançado de maneira independente e com uma proposta mais plural de som. Com o tempo o grupo começou a lapidar e dar um novo direcionamento, mais coeso, a seu trabalho, o que pode ser notado em “HL Arguments II”, de 2013, em canções como “Hook”.

Agora, após o lançamento de um disco e DVD ao vivo com reinterpretações de quase todas músicas de sua carreira, a banda trabalha em um novo disco e acaba de lançar o primeiro single do trabalho, “Trust Me”, que mostra um direcionamento para o rock alternativo dos anos 90. Confira o bate papo que tive com Helio sobre a banda e o novo álbum:

– Como a banda começou?
Entre 2007 e 2009 eu trabalhei com a banda Flat’n Sharp. Lançamos o álbum “Change a Plan” e foi ótimo. Ao término da temporada de shows, eu segui com a HL Arguments, que já tinha em época uma proposta mais plural.
A chegada do Marcos Fernando e Amanda foram naturais já que todos eles de alguma forma já tinham passado pela Flat’n Sharp, em shows pontuais. Só decidimos seguir em frente e fazermos a banda, que ficou um bom tempo sem baixista fixo, até chegar o Wesley, depois de uns 2 anos.

– E porque o nome HL Arguments?
Desde o início gostamos da fonética. Da possibilidade de dar ênfase ao que estamos dizendo, como argumentos.
O HL que outrora era algo sobre meu nome, nem é mais. Ficou algo institucional.

HL Arguments

– Mas ele significa alguma coisa ainda?
Gostaria que significasse várias variáveis, e que todas elas levassem ao que temos por mensagem, como argumentos. Posso dizer que inicialmente, eram as iniciais do meu nome. Já não gosto de pensar assim. A banda ou as músicas já possuem a personalidade de todos os envolvidos. Mas seria definitivamente estranho seguir com Our Arguments (risos).

– Agora me fala um pouco desse single que vocês acabaram de lançar!
Essa música foi um pesadelo pessoal. Mas não só pra mim, para o Fernando também. Ela existe há uns três anos. Tocamos em alguns shows. Jamais, em tempo algum, gostávamos dos resultados. O Fernando não gostava do solo e eu da letra. Ficamos anos nisso. E honestamente, a dúvida permaneceu até o último momento, quando finalmente ela chegou já masterizada e com um trabalho notável do Marcelo (produtor) nas guitarras finais, teclados e trompete. E aí, aconteceu. A recepção dela foi incrível. Ainda estamos comemorando os elogios múltiplos, plurais…
Foi uma grande surpresa. Até pra nós.

– Ela já mostra um pouco o que podemos esperar do novo disco?
Sim, absolutamente! À exemplo dos dois anteriores, ainda variamos em temas mais introspectivos e agressivos. E ela representa bem essa alternância.

– E como vai ser esse novo disco?
Denso. Intenso. Ele olha pra tudo o que nos trouxe até aqui. Foram muitas brigas, momentos muito dificeis, ao passo que foram muitos momentos incríveis e inesquecíveis. Tocamos e levamos nosso show exatamente onde queríamos. E essa bonita história está nessas canções. Seria uma bonita despedida.

– Quais as principais influências musicais da banda?
Somos uma banda grande, no número de integrantes. E definitivamente, cada um olha pra uma direção.
Mas não seria possível montar um quebra cabeça com peças iguais, certo? Então eu olho pra Queen, Simon And Garfunkel, FacesRadiohead. Entre Marcos, Wesley e Fernando há Metallica, OasisDream Theater… A Amanda é mais Motown. E assim vai.

– Me fala um pouco dos trabalhos que vocês já lançaram.
“HL Arguments” em 2011 e “HL Arguments II” em 2013. Do primeiro trabalho, “Hopes and Dreams” e “New Direction” Foram destaques absolutos…. E no segundo, “#JC1”, “Who Can Wait For This” e “Hook”, sendo “Hook” um clássico definitivo em nosso repertório. Em 2015 lançamos um DVD com shows que trouxeram 90% dessas músicas ao vivo em vários shows que fizemos por são Paulo.

– Como você vê a cena independente hoje em dia?
Bem plural, ativa, importante e rica. Acho completamente limitado o papo que “o rock morreu” ou “não há mais bandas como antigamente”. Isso é completamente preguiçoso. A própria HL Arguments é uma das provas que você pode fazer um trabalho honesto, sem querer o tempo todo ser uma banda de massa. E não quer dizer que não queremos que nossa música seja conhecida, só quer dizer que não somos afetados por isso. E eu vejo as bandas unidas também. Eu mesmo participo de festivais organizados por outras bandas, assim como já organizamos o nosso.

– Essa união entre as bandas é a chave para o fortalecimento que tem acontecido? Hoje em dia vejo muito mais shows independentes rolando aqui por SP, todo dia tem algum acontecendo…
Absolutamente. E não é uma questão passageira. É definitiva. São Paulo é uma força da música independente, assim como Rio, Curitiba e outros e outros exemplos. E também é preguiçoso pensar em aproximações por aderência de estilo. Eu já produzi um show com bandas acústicas, eletrônicas e roqueiras, na mesma edição.

– Então hoje em dia essas barreiras de “cena rock”, “cena rap” e etc estão sendo derrubadas.
Com absoluta certeza! Musica é música e acabou. Anos atrás alguém com muitíssima preguiça nos perguntou porque cantamos em inglês, sendo que temos músicas em português, citações em italiano e instrumentais.
Nós fazemos música. Não fazemos estilo ou cena. E de um modo geral, tenho visto esse tipo de movimento.

– E você acha que faz sentido essa cena se tornar algo mais mainstream?
Acho que o que é bom merece espaço. Porque não colocar a música de uma banda independente como um tema de uma novela, uma série, ou um comercial? Acho que os produtores e grandes empresas, podem usar muito mais a cena independente e todos são beneficiados. O problema pra mim é quando o motivo pelo qual a banda existe é esse resultado. Quando o motivo não é a arte e sim a massa. Aí você compromete tudo. E vira uma bosta.

HL Arguments

– Quais são os próximos passos da banda?
Depois de lançar o álbum em poucas semanas, começarmos a produção de um vídeo para o YouTube que traremos todos os temas do álbum em versões ao vivo. Queremos tocar o álbum completo. E em 2018 divulgá-lo nos shows novos, com foco nesse repertório.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Louye, que é a banda do nosso produtor. O Fernando também participa. Ossos de Marfim tem um som mais pesado, enérgico. Eu mesmo (se me permite) indico a Critical Soul Band, que é um projeto que eu tenho com um show mais ao estilo southern rock…. E algumas outras loucuras…. E uma banda que eu gosto muito, que é a UDJC. Som foda!

O punk nu e cru de Sloppy Jane atinge níveis de selvageria que deixariam Iggy Pop orgulhoso

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Sloppy Jane

Sloppy Jane é a persona selvagem e sem nenhuma amarra de Haley Dahl, guitarrista, vocalista e compositora. Na banda, Haley mostra que aprendeu direitinho todas as lições de liberdade musical e estripulias que o punk rock ensinou desde seu início. Em tempos cada vez mais conservadores, Sloppy Jane tira a roupa e demonstra que a arte não tem medo de se mostrar nua e crua. O merchandising da banda conta com camisetas como “Haley Dahl is a mean mean whore”, o que a cantora considera um grande elogio. 

A banda de apoio é constituída por Sara Cath, Kathleen Adams e Vyvyan, multiinstrumentistas que tocam punk cru e sem firulas. A banda acaba de completar seu novo disco com Joel Jerome e lançou recentemente clipes para “Mindy” e “La Cluster”. Na bagagem, Sloppy Jane conta com o EP “Totally Limbless” (2014) os discos “Burger Radio” (2014) e “Sure Tuff” (2015).

Sloppy Jane by Josh Allen

Sloppy Jane por Josh Allen

– Como você começou sua carreira?
Foi em algum momento entre ficar trancada no porão com um piano quando criança e cumprimentar Kim Fowley (com um high five) no Sunset Strip quando adolescente.

– Quais são suas principais influências musicais?
Em uma análise mais recente, sigo o roteiro que Deus desenha para mim. Tento manter meus olhos bem abertos e meus ouvidos bem abertos. Recentemente me falaram que nem todas as minhas ideias são boas e que eu preciso ser contida, e que há muita insegurança ao não conseguir ficar quieta enquanto toco ao vivo. Eu acho que há muito mérito para essa crítica, mas que tudo o que tenho é mais tempo para me tornar mais velha e mais parada. Eu acho que é importante se mover enquanto seus membros te deixam, e enquanto isso é honesto. Estou ansiosa por um dia querer ficar sentada. Da mídia, tenho influência de “The Missing Piece” de Shel Silverstein, tudo do Dr. Seuss, O Pequeno Príncipe e The Point. Também fui muito influenciada pelo Ike para a minha Tina Turner, que também sou eu. Tina Inturnal..

– Conte mais sobre o material que você lançou até agora.
Recentemente lancei o uma música e clipe novos chamados “Mindy”, e estou muito orgulhosa do disco que vou lançar. Não tenho ideia de quando vai sair, e toda vez que alguém me pergunta coloco fogo em todos meus móveis de casa. Tenho outro clipe sendo lançado, “La Cluster”, também.

– Seus shows são selvagens e impressionantes. Como o público reage?
As reações variam, e eu adoraria que elas variassem mais ainda. Acho que o que fazemos é afetado fortemente pela forma do lugar que estamos tocando. Tocando em um porão suado ou em um palco iluminado, o que fazemos é basicamente o mesmo, mas fica bem diferente com a mudança de som e iluminação.

– Em seus shows, às vezes você arranca a roupa e vai pro meio da galera, uma atitude mais “selvagem” que costumava ser mais comum em shows de rock, mas hoje em dia é mais incomum. O rock and roll está ficando “domado”?
Não sei e não me importo com o rock and roll. Eu apenas estou tentando me expressar. Eu adoraria ser domada. Eu quero que alguém me segure e me force a colocar a roupa..

– Como você descreveria seu som para quem nunca ouviu?
Música que está implorando para ser ouvida.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia
No que se refere à negócios, eu cuido dos meus! (“As far as business is concerned, I mind my own!”)

Sloppy Jane
– Como você vê a cena norte-americana independente e undergound hoje em dia? O que está acontecendo por aí e o que você acha disso?
Em todo lugar é diferente. Eu realmente passei muito tempo aqui em Nova York e em Los Angeles, mas eles são como noite e dia. Los Angeles tem uma cena insana de todas as idades (Penniback, The Smell, etc). Os shows são totalmente desengonçados, às vezes é impossível tocar porque todos estão pirando. Nova York é mais adulto, os shows são menos loucos, mas há muito trabalho magistral sendo feito, tenho muita admiração por meus colegas aqui. Quando toco aqui, sinto que as pessoas estão prestando atenção. Ambos são especiais a seus próprios modos. Uma coisa que vou dizer é que eu acho que o formato em que a música ao vivo é apresentada precisa ser alterado em geral. O fato de que ainda estamos fazendo shows da mesma maneira que eles fizeram desde o início dos tempos, quando o mundo mudou tanto, é completamente odioso para mim. É chato. Ninguém gosta, se gostam é porque têm síndrome de estocolmo. Eu não tenho uma solução, mas talvez eu pense em uma. Os shows de rock são chatos, os festivais são chatos.Cerveja não é bom e eu odeio o jeito que me faz sentir quando todos os que bebem agem como se tivessem inventado isso.

Sloppy Jane
– Quando você vem para o Brasil fazer shows e “rock our socks off”?
Eu estive esperando por essas palavras toda minha vida. Assim que alguém me financiar, estarei aí. Mas por favor, fiquem de meias. Eu sou tímida. Eu me mostro, mas fico de olhos fechados. Não estou pronta para ver outras pessoas.

– Quais os seus próximos passos?
Eu quero um ônibus escolar, ser melhor no piano e ser paga. Temos esse disco para lançar, mas ele precisa estar perfeito, e eu estou escrevendo um novo!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Dog, MOURN, Shimmer, Animal Show, Tredicci Bacci, The Cradle, Eyes of Love, Palberta, Matter Room, Insecure Men, Clit Kat, Girl Pusher, Loko Ono, Machine Girl, Trona.

LoveJoy destila garage rock e post punk a favor da diversidade sexual

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The LoveJoy

A união dos quatro elementos do LoveJoy aconteceu em 2015, unindo amigos que se esbarravam sempre, cada um originário de uma experiência musical: Larry Antha e Jhou Rocha (Sex Noise), Vladya Mendes (Verónica Decide Morrer) e Marcelo Renovato “Sanchito” (DooDooDoo). Um dia eles resolveram fazer um som juntos no Coletivo Machina e desta experiência saiu o garage rock misturado com post punk da banda, com muitas influências de Júpiter Maçã, Ty Segall, Placebo e The Gossip.

No final de 2016 foi lançado o primeiro EP da banda com as músicas ‘Superman’, ‘Ódio’, ‘Macaco Monkey Man’ e ‘Sad Eyes’, que ganhou um clipe em uma versão ao vivo. Eles prometem para este ano um clipe de animação para ‘Superman’, com direção de Luka Rebello. Além disso, a LoveJoy prepara um documentário e está finalizando novas músicas como ‘Deus Punk’, ‘Omelete’, ‘Ontem À Noite Lembrei de Você’ e ‘Gritar’, todas já incluídas no set de seus incansáveis e energéticos shows. 

Conversei com Larry Antha sobre a carreira da banda, suas letras, influências, cena independente e mais:

– Como a banda começou?
A LoveJoy começou no final de 2015. Vínhamos de várias experiências musicais anteriores: eu e Jhou Rocha, a baixista do Sex Noise, Vladya Mendes, a baterista do Verónica Decide Morrer (que é radicada em São Paulo) e Sanchito/Marcelo Renovato vindo do DooDooDoo. Nos falamos e nos reunimos no Coletivo Machina pra levar um som e nasceu a LoveJoy.

– E de onde surgiu o nome LoveJoy? Ele me lembra um personagem dos Simpsons…
O nome veio de um cometa que passou pela Terra em 2014 deixando um rastro de gás etílico e açúcar. A piração com o personagem dos Simpsons veio depois. Fizemos até uma camisa!

– Quais as principais influências da banda?
Ty Segall
, Placebo, Júpiter Maçã, The Gossip, Akira S e as Garotas que Erraram

– Como vocês definiriam o som da banda?
Foi meio mágico. A primeira vez que tocamos pareceu que já nos conhecíamos musicalmente. Fizemos música já no primeiro dia. Um mês depois estávamos estreando, abrindo pro Jonnata Doll e os Garotos Solventes em passagem pelo Rio. De lá pra cá, a LoveJoy nunca mais parou. Acho que o som já estava definido em nossas almas.

– Me falem um pouco mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!
Lançamos há pouco um EP com quatro sons: “Macaco Monkey Man”, “Ódio”, “Sad Eyes” e “Superman”. Disponível no Soundcloud. Dessa leva fizemos o clipe de “Sad Eyes” ao vivo no Coletivo Machina. E estamos finalizando com a vídeo maker Luka Rebello um clipe de animação para “Superman”. Nele os outros integrantes da
LoveJoy viraram desenho animado. Nesse meio tempo já gravamos outros sons como “Deus Punk”, “Ontem à Noite Lembrei de Você”, “Gritar” e “Omelete”, que entraram no set dos shows junto com “Bomba no Odeon”, uma versão de um clássico undergroud de uma cult band chamada Sofia Pop.

– E quando vamos poder ouvir o registro dessas próximas músicas?
Estamos trabalhando na mixagem. Faltam só alguns ajustes de timbre e volume. Logo vamos subir estes sons novos.

– Vocês citaram que são uma banda a favor da diversidade sexual. Como vocês veem isso hoje em dia no meio musical?
É tipo a gente faz parte de uma nova geração que acredita que a liberdade de expressão, seja ela sexual ou artística, algo muito importante de ser debatido e quanto mais se falar no assunto melhor. Viva a diferença e o respeito ao próximo. O empoderamento de toda voz seja ela punk, gay, lésbica, trans, hetero e toda sigla LGBT muito nos interessa.

The LoveJoy

– Como você descreveria uma apresentação da LoveJoy para quem ainda não teve a oportunidade de assistir?
O som da LoveJoy é um espécie de beat dançante que vai causando uma catarse no público em que
todo mundo se joga numa jam louca junto com a LoveJoy.

– Qual a opinião de vocês sobre a cena independente brasileira hoje em dia?
Incrível como existem várias bandas e artistas fazendo coisas fantásticas e o público não conhece, assim como a grande mídia ignora ou nem sabe da existência. Hoje em dia as bandas se movimentam por nichos e dentro deles, felizmente se consegue viver e tocar nos centenas de festivais e eventos que correm paralelo ao grande público.

– Mas você acha que a grande mídia deveria investir mais nisso ou esse negócio da cena ficar em outro lugar é algo positivo, já que evita uma influência da grande mídia no som das bandas?
A grande mídia na verdade é acomodada como em todo mundo. Kurt Cobain foi uma voz que tentou difundir o conceito undergroud para tentar pelo menos equilibrar os lados. Acho que o que é bom precisa ser conhecido. Se é undergroud ou não. Felizmente hoje com as redes sociais se consegue viver a parte a grande mídia, como disse; o que é bom precisa ser conhecido, mas não podemos virar produto. É preciso que a cultura undergroud seja respeitada. Acredito numa frase da banda Sofia Pop que diz que a moda nasce nas ruas e morre nas vitrines.

The LoveJoy

– Quais são os próximos passos da banda?
Compor e gravar as novas músicas que estão saindo. Tocar em São Paulo novamente. Participamos do Volume Morto Festival no começo do ano. Em novembro a LoveJoy grava um Cine Doc dirigido pelo cineasta Kadu Burgos. Em outubro tocamos no Machina Festival que acontece dia 14/10. E ainda no dia 21/10 acontece a festa de lançamento do clipe de animação de ‘Superman’, com participação das bandas Gangue Morcego e Dinamite Panda (SP). Os dois show no Coletivo Machina.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Jonnata Doll e os Garotos Solventes
, Verónica Decide Morrer, Fla Mingo, Der Baum, Dinamite Panda, Nicolas Não Tem Banda, Groupies do Papa, Beach Combers, Comandante 22, Apicultores Clandestinos, A Batida Que Seu Coração Pulou, Blasfemme, Enio Berlota e A Noia, Vulcânicos, Os Estudantes, Palomares, Cidade Chumbo, Helga, Astro Venga, Tree, Aura e Lunares, Lê Almeida, Oruã….