Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina se juntam para turnê pela América do Sul

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Francisco El Hombre - Foto: Rodrigo Gianesi

Quem conseguiu comprar ingressos para ver o show da Francisco el Hombre junto com a Cuatro Pesos de Propina nesta sexta-feira (21), no Sesc Belenzinho, vai ver uma big band com dezesseis músicos no palco, numa junção de ritmos latinos e punk rock. Esse encontro entre brasileiros e uruguaios será o primeiro da turnê “Rompe Frontera”, que vai passar por 18 cidades e três países em apenas 30 dias.

As bandas se conheceram de forma inusitada. Na época a Francisco El Hombre ainda era uma banda de estradeiros que faziam apresentações nas ruas da América Latina. Certo dia, em uma cidade do litoral uruguaio, a apresentação dos brasileiros teve que ser interrompida por uma razão não convencional. “Tivemos que parar de tocar por conta de um barulhão que vinha de uma quadra de futebol próxima dali. Corremos para lá e vimos um palco enorme, com cinco mil pessoas cantando e foi ali o nosso primeiro contato com eles”, conta Mateo Piracés- Ugarte, violonista da FEH.

Depois desse encontro inicial as duas bandas estreitaram relações e fizeram alguns trabalhos juntos. Sempre uma convidando a outra para tocar em seu país. Foi assim quando a Cuatro Pesos de Propina veio tocar em Porto Alegre e a FEH em Montevidéu. “Nossos públicos se casam. Nesses shows sempre rola uma energia incrível”, comenta Mateo.


(Cuatro Pesos de Propina – Foto: Yenifer Piaza)

Inicialmente, a impressão é que musicalmente as bandas não tenham muito a ver. A Francisco El Hombre faz um som mais gipsy-folk, enquanto os uruguaios têm uma pegada mais de ska e punk rock. Mas segunda Mateo, há similaridade nos discursos que ambas as bandas fazem. “Todos nós da Francisco somos da escola do hardcore e nossa proposta tem muito de transmissão de mensagem através da música e se você ouve o CPP percebe logo isso também em suas letras”.

Unir quase duas dezenas de pessoas em cima de um palco não é tarefa fácil. Os dois grupos há um tempo vêm se inteirando do repertório do outro, mas para o violonista da Francisco El Hombre a sintonia e a parte orgânica vem falando mais forte nos ensaios. “Está rolando tudo com o coração e com paciência. Trabalhar com banda é aprender a construir coisas juntos. As duas bandas se admiram e confiam muito uma na outra e isso está fazendo brotar coisas incríveis”.

Como registro dessa parceria a Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina lançaram esta semana um EP com o mesmo nome da turnê onde uma banda escolheu uma música da outra para fazer um cover. O resultado você confere nos vídeos abaixo.

Duo de Fortaleza Intuición mostra sua selvageria frenética cheia de raiva e deboche no EP “Drugui”

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Intuición
Intuición

Os drugues estão à solta! Utilizando a linguagem nadsat criada por Anthony Burgess no clássico “Laranja Mecânica”, o duo de Fortaleza Intuición batizou seu mais recente EP, lançado em 2016, de “Drugui”. Formada por Clapt Bloom (vocais) e Lua Underwood (synths, guitarra e eletrônicos), a banda faz shows arrebatadores e é impossível não ser impactado depois de ver uma de suas alucinadas e viscerais apresentações ao vivo.

A atitude grrrl power de Clapt no electropunk da dupla já rendeu muitos comentários. Os que entendem o que o rock significa ficam maravilhados e batem palmas para a atitude selvagem da vocalista no palco. Já os conservadores com mentalidade antiquada, que corariam ao ver Iggy Pop se jogando no chão, enchem (e muito) o saco da banda. “Estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte…”, lamenta. Mesmo com essas pedras retrógradas no caminho, o duo segue sua selvageria punk e prepara seu primeiro disco, que deve ser lançado em breve mostrando um pouco de influências setentistas no alucinado som da banda.

Conversei com Clapt sobre a carreira do duo, o disco “Drugui”, as impressionantes e desenfreadas apresentações ao vivo, a cena independente de Fortaleza e muito mais:

– Como a banda começou?

Eu tinha acabado com minha primeira banda e tava sem saber o que fazer. Eu e o Lua já éramos amigos desde o colégio, na época ele tava produzindo uns remixes muito bons, ouvi e perguntei a ele se não dava pra compor pelo programa que ele usava, ele disse que sim e aí decidimos formar esse duo eletrônico.

– Quando foi esse início?

No final de 2012, ai logo no comecinho de 2013 começamos a divulgar o som que a gente tava fazendo/experimentando.

– Quais as maiores influências musicais de vocês para este projeto?

Eu sempre fui inspirada na cena riot grrrl dos anos 90, desde a minha primeira banda. Acho que independente do projeto que eu esteja, sempre vai transparecer essa minha influência… Em relação à música/composição, eu e o Lua temos praticamente as mesmas influências e ideias pro Intuición, a gente se baseia em bandas como Sonic Youth, Le Tigre, Vive La Fête, David Bowie, CSS, entre outros.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem ainda não conhece?

Electropunk… é uma definição vaga mas acho que é a que mais se encaixa!

– Me contem um pouco mais sobre o material que você já lançaram.

O último material que a gente lançou foi o “DRUGUI”, em fevereiro de 2016. Fizemos o mesmo esquema de sempre: gravação caseira, com um PC fodido e um celular. A gente queria fazer músicas que dessem uma energia maior nos lives, e esse EP foi praticamente todo pensado pra funcionar ao vivo. Acho que isso se encaixa na temática do EP também, que foi inspirado na comunidade/estética nadsat criada no Laranja Mecânica.

– Por falar em shows ao vivo, este ano vocês tiveram que bater de frente com pessoas conservadoras e retrógadas que ficaram irritadas por sua performance em shows. Como rolou isso?

Na hora em que estávamos tocando rolou tudo de boa, nenhuma reclamação aparente, foi OK. Eu só cheguei a ver esse “linchamento” virtualmente: estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte… Tive que ir até a delegacia da mulher por medo. Fiz o B.O., mas eles não tratam esses casos pela delegacia da mulher e eu fiquei completamente desconfortável de saber que eu teria que contar com policiais homens pra “resolver” essa situação, então desisti de levar o processo adiante.

Intuición

– Esse tipo de comportamento virtual ainda acontece constantemente com bandas com mulheres na formação, ou com integrantes LGBTQ. Como as bandas podem lutar contra este tipo de agressão?

Batendo de frente, não tem muito o que fazer… O lance é mostrar o seu trabalho a qualquer custo e passar a vida toda se esquivando dessas barreiras, gritar o mais alto que puder, ninguém vai querer te ouvir, nem te dar credibilidade por nada.

– Como está a cena independente de Fortaleza hoje em dia?

Tem um tempinho que começou ressurgir bandas com uma identidade autoral muito massa, sem medo de experimentar. Eu acho a cena independente hoje em dia bem representada aqui em Fortaleza.

– Porque o formato duo, antes raro no rock, se tornou tão popular?

Não sei… Acho que com o avanço da tecnologia, as pessoas optaram trabalhar umas com as outras cada vez menos. Eu prefiro trabalhar com o mínimo de gente possível, quando tem muitas ideias surge uma confusão… Enfim, lidar com gente é bem complicado!

– Aliás, deixa eu voltar um pouco: como surgiu o nome da banda?

Foi do nada… Fiquei escrevendo uns nomes aleatórios num papel até que pensei em Intuición, o Lua gostou e deixamos assim mesmo!

Intuición

– E antes do “Drugui” vocês lançaram bastante coisa. Me conta mais dessa trajetória!

No começo a gente só soltava umas músicas aleatórias, até que a gente decidiu dar uma revisada no nosso set e se focar em fazer um EP. Então em 2014 a gente lançou o “Desperate | Silver Lining” e começamos a fazer shows (nosso primeiro show foi em 2013, na verdade, mas depois disso passamos um tempo parados), era muito ruim na época (na verdade hoje em dia não mudou muita coisa). Ninguém entendia como funcionava o nosso live e a gente também não tinha equipamento… Pra completar na época o PC que a gente usou pra construir o EP inteiro pifou e perdemos todos os projetos das músicas. Acabou que trabalhamos num EP e nunca tivemos a chance de tocar ele ao vivo. Então no final de 2014 a gente começou a fazer um segundo EP, o Lua tava ganhando mais experiência como produtor e conseguiu fazer nosso EP soar bem profissional pra pouca coisa que tínhamos na época. Acabou que uma galera gostou do “Sad Frequencies” e começamos a fazer mais shows, algumas pessoas apostaram na gente e a nossa estrutura como banda tava pegando maturidade. Em 2016 lançamos o “DRUGUI”.

– Os shows de vocês são conhecidos por serem inesquecíveis. Como você descreveria um show da banda para quem ainda não viu?

(Risos) Eu nao sabia disso, massa. Pra quem ainda não viu o show, acho que posso descrever como frenético, cheio de raiva e deboche, eu e o Lua nos sentimos assim a maioria das vezes que pisamos no palco.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende lançar um single ainda esse ano e começar a trabalhar no nosso primeiro álbum.

– Pode adiantar algo sobre o que vem no álbum?

Humm… Pelas experimentações que a gente vem fazendo, creio que o álbum vá vir com uma vibe setentista, é a única coisa que posso afirmar!

– Recomende bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vou citar a galera daqui, que a gente sempre cita nas entrevistas, bandas como Monquiboy-Boo, Miss Jane, Lascaux, são bandas independentes que fazem um som muito massa aqui por Fortaleza!

Maíra Baldaia mostra afrobrasilidade à flor da pele em seu primeiro disco, “Poente e Outras Paisagens”

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Maíra Baldaia

No final de 2016 a cantora Maíra Baldaia lançou seu primeiro disco, “Poente e Outras Paisagens”, recheado de influências da afro-mineiridade e da cultura brasileira. Formada em música pela Bituca – Universidade de Música Popular e em teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela inclui sempre que possível elementos cênicos e teatrais em suas apresentações ao vivo.

Com influências que vão do jazz ao congado, Maíra começou sua carreira cedo, com 5 anos de idade, cantando no disco do mineiro Tony Primo. Em sua carreira solo, investe na inclusão de sonoridades africanas, já que tem contato com religiões de matriz africana desde criança. “Mais que uma questão musical, é uma questão de identidade, filosofia de vida, de onda toca a minha verdade. Também o contato com o congado e os tambores de Minas Gerais sempre me envolveram e me tocaram de forma muito forte. As africanidades influenciam meu modo de compor, de me comportar e posicionar no palco e na vida, de olhar e vivenciar o mundo”, explica.

Conversei com ela sobre o disco “Poente e Outras Paisagens”, sua carreira desde a infância até hoje, a vida de cantora independente e um pouco sobre o próximo álbum:

– Como você começou sua carreira?

Minha primeira participação na música foi aos cinco anos de idade em que cantei no disco do compositor mineiro Tony Primo, na ocasião participei dos shows de lançamento e das gravações em estúdio. Desde então, fui brincando com arte, seja no teatro ou na música. Inclusive, foi no teatro que aos 12 anos eu descobri (ou redescobri) que cantava de verdade. Fazíamos um espetáculo que começava comigo cantando “Rosa” do Pixinguinha. Até que aos 15 anos participei da minha primeira banda em Itabira, minha cidade natal, era uma banda de rock autoral chamada Phado. Paralelamente à banda de rock autoral eu cantava e ouvia muito também um vasto e diverso repertório da Música Popular Brasileira. Aos 16, através da enRede – Rede Internacional de Municípios pela Cultura, viajei para Serpa/ Portugal para participar do Concerto enRede (shows com artistas de diversos países) e o Mineirada – projeto idealizado pelo produtor Cleber Camargo (meu pai). Apesar de já estar em atividade há algum tempo, considero essa viagem para Portugal a primeira oportunidade profissional que tive na música. E desde então, segui nessa estrada…

– Quais as suas principais influências musicais em seu trabalho solo?

O meu trabalho solo traz um repertório autoral carregado de influências e isso deságua no meu primeiro disco “Poente” e outras paisagens e nos meus shows. Desde criança minha mãe e meu pai ouviam muita música, eram produtores culturais e isso me possibilitou conhecer muito de perto a música mineira e brasileira. Em meio à tantas referências eu acho até difícil essa tarefa de separar as principais influências, mas vamos lá… Em Minas Titane, Maurício Tizumba, Marku Ribas, Déa Trancoso e Milton Nascimento me influenciaram com um som que traz identidade e uma veia ancestral. Ainda ouvia quase todos os dias eternos Bethânia, Caetano, Gal, Gil, Cássia Eller. Tinha ainda os internacionais Michael Jackson e Janis Joplin. Essas artistas são influências fortes no meu trabalho solo que se mistura ainda à minha vivência desde criança em religiões de matriz africana, à poesia e dramaturgia que influenciam nas texturas e letras, ao meu olhar feminino, poético e crítico de uma sociedade, às mulheres e matriarcas da minha caminhada, às ruas e aos encontros pelo caminho.

– Já que você falou nele, vamos falar um pouco sobre seu primeiro disco, “Poente”. Como foi a produção deste álbum?

Gravado por mim e pelas parceiras Débora Costa, Larissa Horta e Verônica Zanella, com as participações especiais de Alysson Salvador, Bia Nogueira, Caetano Brasil, Nath Rodrigues e do mestre Maurício Tizumba, “Poente” e outras paisagens cumpre o papel de um primeiro disco e traz uma coletânea de composições minhas que abrangem influências e experiências diversas, algumas mais antigas feitas a seis anos/ três anos e outras feitas um mês antes de entrarmos pro estúdio. É uma produção totalmente independente em que conto com a direção musical de Clayton Neri, com arranjos de Verônica Zanella, Alysson Salvador, Clayton Neri e assino a direção artística. Eu trago no disco um conceito dramatúrgico presente nas letras principalmente, todas as músicas são minhas composições e há algumas das parcerias com cantautoras mineiras. Foi gravado, mixado e masterizado pelo mago Andre Cabelo no Estúdio Engenho em Belo Horizonte. Fizemos muitos ensaios e preparamos tudo na pré-produção, assim o processo em estúdio foi bem leve e rápido. Ainda estiveram na equipe desse álbum Camila França, que assina a produção executiva comigo, Gabriela Brasileiro e Matheus Fleming no projeto gráfico e Jenfs Martins na fotografia.

– No disco dá pra perceber muita inspiração de ritmos africanos. Como esse tipo de som te influencia?

A afro brasilidade é algo muito forte em minha vida. Como falei anteriormente, isso vem de vivências pessoais em religiões de matriz africana desde criança, mais que uma questão musical é uma questão de identidade, filosofia de vida, de onda toca a minha verdade. Também o contato com o congado e os tambores de Minas Gerais sempre me envolveram e me tocaram de forma muito forte até que fui trabalhar Maurício Tizumba, Titane e João das Neves e mergulhei mais profundamente na cultura afro mineira. As africanidades influenciam meu modo de compor, de me comportar e posicionar no palco e na vida, de olhar e vivenciar o mundo.

Maíra Baldaia

– Como você definiria o seu som?

Meu som é bastante eclético, devido às diversas influências presentes nele, no meu disco tem Canto Afro, tem Tambor Mineiro, tem Jazz, tem Samba, tem Blues e tudo isso vem numa costura pela MPB e pela World Music.

– Como você vê a vida de artista independente hoje em dia? Quais os maiores desafios?

Falo a partir do cenário em que vivo e trabalho: Belo Horizonte/MG. Ser artista independente no Brasil é sinônimo de muito trabalho, ainda mais dobrado agora no atual cenário político do país. Pra mim, o grande desafio é não perder o brilho no olho e a sensibilidade que a arte necessita devido a ser uma caminhada árdua e às vezes inconstante, mas não impossível. Temos que batalhar por nosso espaço, pela sobrevivência e pela valorização da arte independente e ainda temos que ser, além de artista, uma equipe inteira muitas vezes… entender de produção, de social media, de assessoria de imprensa, de audiovisual, de formatação de projetos e por aí vai. Ser empreendedora, pensar e planejar a carreira, estabelecer metas, executar múltiplas funções e buscar as parcerias certas ajudam muito nessa caminhada e eu sigo nessa busca.

– Como você acha que esse cenário pode melhorar no futuro?

Com trabalho, com união da classe artística, com pensamento de gestão de carreiras, com espaços e oportunidades, com ações da classe e também com a valorização por parte de quem nos contrata e do governo. É preciso mais investimento na cultura e na educação, investimentos que gerem resultados duradouros, pois a arte tem a qualidade de trazer pensamento crítico através do conteúdo ou do sensorial, a arte pode transformar as pessoas em seres mais empoderados, pensadores, criativos, motivados e transforma também nas questões da representatividade e quebra de preconceitos e padrões.

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Eu tenho trabalhado em novas músicas sim! Na verdade estou em processo de seleção do repertório do meu próximo álbum. Já tenho canções que dariam mais dois discos, algumas incompletas e outras já arranjadas. Sempre que crio uma música vem uma ansiedade de vê-la nascer, de colocar nos shows, mas ainda estou estudando e planejando o caminho a percorrer nos novos projetos.

Maíra Baldaia

– Pode adiantar algo sobre o próximo disco?

Ainda não (risos)! Estou trabalhando no conceito do disco, mas posso adiantar que será um trabalho mais carregado das influências afro brasileira do que o primeiro, com essas referências um pouco mais na cara e com mais momentos swingados!

– Recomende bandas ou artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Aqui em Minas tem muita gente boa e contemporânea fazendo arte independente de muita qualidade e que, acima de tudo, me tocam como Alysson Salvador, Guilherme Ventura, Bia Nogueira, Rodrigo Jerônimo, Raphael Sales, Natália Avelar, Nath Rodrigues, Negras Autoras, Flávia Ellen, Deh Mussulini, Octávio Cardozzo, Izza, Amorina, Josi Lopes, Cristiano Cunha, Graveola, Meninos de Minas, entre outros tantos… E ainda adentrando pelo Brasil tem muito mais como Anna Tréa, Nina Oliveira, Luedji Luna, LaBaq, Camila Garófalo. Sandyalê, François Muleka e tantos mais. Eu poderia ficar aqui horas escrevendo e pensando em artistas dessa cena que me chamam atenção, é muito rica a criação brasileira.

Her Name Was Fire mostra que o stoner rock também vive em terras lusitanas

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Her Name Was Fire
Her Name Was Fire

2016 foi o ano do primeiro grito stoner lisboeta do duo Her Name Was Fire. Das mentes de João Campos (Gula, ex-Rejects United, ex-Summer of Damien) e Tiago Lopes (ex-Rejects United, ex-Witchbreed, ex-Parasomnia Noise) surgiu o duo que enche seu stoner rock de groove, grunge e pitadas de blues em seu som garageiro.

Em fevereiro deste ano eles lançaram seu primeiro disco, “Road Antics”, que gerou dois belíssimos clipes: “Way To Control” e “Gone In A Haze”. Gravado, mixado e masterizado no G Spot Studios por Miguel Camilo, o disco tem 10 faixas que geraram na página do bandcamp da banda comentários como “uma paulada bluesy Black Keys-meets-QOTSA absolutamente incrível. Esta dupla absolutamente manda ver!”.

Conversei com a dupla sobre seu primeiro trabalho, sua carreira, a vida de banda independente hoje em dia e não traduzi nenhuma das expressões lusitanas utilizadas:

– Como a banda começou?

Eu andava com vontade de fazer um projecto diferente de tudo o que tinha feito até ao momento, porque não tentar fazer uma banda de rock só com um baterista? Numa noite de copos perguntei ao Tiago se ele estaria interessado em experimentar e passado uns dias fizemos a primeira jam sem compromissos. A química foi imediata, tanto é que algumas das ideias que saíram dessa primeira jam viriam a ser músicas do “Road Antics”.

– De onde surgiu o nome da banda?

Tínhamos varias possibilidades em cima da mesa mas Her Name Was Fire foi o nome que transmitia mais o que queríamos passar com a música…aquele lado sexy, sleazy e perigoso. No fundo o nome é uma homenagem à femme fatale, intensa e destrutiva, o tipo de mulher que todos nós numa altura ou outra já tivemos na nossa vida.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Bem entre nós os dois há uma panóplia gigante de influências, mas falando das influências comuns penso que será justo falarmos de bandas como Queens of the Stone Age, Alice in Chains, Led Zeppelin, Black Sabbath, All The Witches, Rival Sons, Sleepy Sun…só para falar de algumas.

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Em fevereiro de 2016 lançamos o nosso EP de apresentação com 3 músicas que nos permitiu dar vários concertos de Norte a Sul de Portugal inclusive festivais, este ano em Fevereiro lançamos o nosso longa duração, “Road Antics”, do qual estamos bastante orgulhosos pois foi fruto de muito trabalho e que pensamos ter ficado como queríamos. Com o álbum também lançamos 2 videos que revelam o universo da banda, o primeiro para o tema “Gone In A Haze” e o segundo video lançado à uns dias que é um misto de curta e videoclip para o tema “Way To Control” sendo uma verdadeira tripe visual, que pode ser visualizado no nosso canal de youtube.

Her Name Was Fire

– Como vocês definiriam o som da banda?

Bem isso é sempre uma pergunta ingrata que provavelmente alguém externo à banda poderá responder melhor, mas tentando dar uma resposta simples, somos um duo de rock, que se move entre o stoner rock, grunge e algum psicadelismo.

– A internet ajudou a unir a cena independente mundial ou atrapalha por oferecer muitas opções para quem quer ouvir música?

Penso que é exactamente essa moeda com 2 lados, por um lado as bandas hoje em dia não precisam das antigas estruturas colossais que eram as gravadoras para mostrar o seu trabalho, por outro lado com a “liberalização” de lançamentos, acaba por haver tanta coisa a sair ao mesmo tempo que às vezes, é mais difícil de encontrar as bandas que realmente valem a pena no meio de tanto “ruído”. Para mim pessoalmente, com todos os prós e contras acho que a internet veio ajudar a cena independente sem dúvida.

– A mudança na forma das pessoas ouvirem música, preferindo serviços de streaming à discos físicos, ajuda ou atrapalha a música, na sua opinião?

Tendo eu crescido na época pré-internet, penso que se perdeu algo no sentido de apreciar um álbum como um todo, realmente dedicar tempo para ouvi-lo duma ponta à outra. Parece que demos a volta completa e voltamos à era do single como era nos anos 50, mas duma forma digital e ainda mais efêmera. Outra coisa que se perdeu a meu ver (e este ponto a mim toca-me bastante pois sou designer e ilustrador de formação) foi a importância do artwork. Já não se passa horas a tentar decifrar o artwork, ler a letras etc…para mim os álbuns são esses os 2 mundos, a parte musical e a parte visual. Felizmente parece-me que a recente re-aparição do culto ao vinil está a balançar isso.

– Como a mídia poderia ajudar a dar mais força para a cena independente hoje em dia, com a queda das grandes gravadoras?

Penso que quando falas de mídia, falas dos novos meios possíveis através da internet (blogs, facebook, instagram) pois os meios tradicionais como a tv e imprensa ainda continuam apenas acessíveis a bandas e estruturas (gravadoras) com poder monetário…Penso que até nisso a internet proporcionou às bandas a possibilidade de se promoverem de forma autônoma, sem precisar de gravadoras ou agências.

Her Name Was Fire

– Quais os próximos passos da banda?

Assim no topo da lista é tocar o máximo possível fora e dentro de Portugal para mostrar a nossa música…a nossa ambição é tornar-nos realmente uma banda internacional e quem sabe um dia se não iremos tocar uns shows no Brasil? seria ótimo. De resto é continuar a fazer a música que nós gostamos, esperamos em 2018 estarmos a lançar um novo trabalho assim como novos videos.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Podemos falar de de algumas bandas portuguesas, dos nossos amigos e excelente banda Souq, do irmãos Correia ou dos L Mina que acabaram de lançar um excelente álbum, procurem todos eles porque vale a pena!

My Magical Glowing Lens se destaca com seu “pop místico, neo-Tropicália, prog-lisérgico”

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My Magical Glowing Lens

A capixaba Gabriela Deptulski é a mente e força motriz do My Magical Glowing Lens, projeto que começou compondo e gravando sozinha todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo todas as músicas que renderam um EP auto intitulado em 2013. Em 2015, ela, que toca guitarra, baixo, bateria e sintetizador, se uniu a Gil Mello (baixo), Henrique Paoli (bateria) e Pedro Moscardi (sintetizador) para firmar a atual formação da banda, responsável por seu primeiro disco, “Cosmos”, lançado este ano pela Honey Bomb Records.

As 11 faixas do álbum mostram um pouco do que ela define como “pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico” e “Pink Floyd com beats”: uma viagem psicodélica com muitas influências de música brasileira, bandas de rock progressivo e um pouco de pop eletrônico para dar o toque final. “A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo”, explica a líder do grupo.

Conversei com ela sobre a recente passagem da banda por São Paulo, sua carreira, influências, o disco “Cosmos” e a cena independente do Espírito Santo:

– Como a banda começou?

O My Magical começou comigo gravando todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo sozinha também. Em 2015 que a estrutura de banda começou a se formar. Desde lá passamos por várias formações, até chegar nessa.

– E em que ano você começou esse trampo solo? Como foi essa transição para o formato banda?

Comecei a compor e gravar para o MMGL em meados de 2013. A transição para o formato banda começou quando eu comecei a querer algo mais abrangente e coletivo na estrutura do My Magical. Estou numa fase de desapego com relação às coisas do ego, gostando muito de trabalhar em conjunto, isso me fez ter vontade de montar uma banda, para podermos reinterpretar em conjunto as composições e termos uma variedade maior de ideias na hora dos arranjos.

– E de onde surgiu o nome da banda?

O nome da banda surgiu de uma vontade de mudar o mundo, de tirar toda a monotonia e mesmice que existe nas imposições e comodismos que vão aparecendo pra gente. É uma lente transformadora, que nos tira da zona de conforto e nos leva além!

– Vocês acabaram de fazer uma mini turnê aqui em São Paulo, né? Como foi?

Foi incrível, o público paulista é sempre muito atento. Prestam muita atenção em tudo. e ao mesmo tempo são muito livres, entendem com uma facilidade absurda as coisas que queremos passar. São Paulo é uma cidade incrível.

My Magical Glowing Lens

– Quais as principais influências musicais da banda?

Flaming Lips, M.I.A, Rihanna, Lorde, Mutantes, Secos e Molhados, Melody’s Echo Chamber, Tame Impala, Son House, Sonic Youth…. Muita coisa, viu! (Risos) Alceu Valença, Pink Floyd e Beatles também!

– Me conta um pouco mais sobre o “Cosmos”. Como foi criado este álbum?

A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo… muita coisa, viu. Difícil citar tudo, mas talvez tenha a ver principalmente com o fato de que acredito que somente o amor e a compreensão pode nos salvar da depressão e do egoísmo que estamos nos enclausurando cada vez mais.

– E como foi a gravação desse trabalho?

O primeiro EP gravei completamente sozinha, em casa, talvez volte a gravar sozinha no futuro, não sei, é tudo muito incerto. O My Magical é projeto muito livre, a atuação dele como banda agora não determina em nada seu futuro, ele é um projeto mutante e fluido, nenhuma imposição social vai tirar a liberdade que ele necessita. Mas Cosmos foi gravado como banda, na Casa Verde, sede da gravadora e produtora Subtrópico, em Vitória-ES. Eu tinha 11 demos, algumas com arranjos prontos, outras apenas voz e violão. Isso foi levado para os meninos e começamos a trabalhar nessas músicas, rearranjando, criando arranjos e fazendo partes novas para as músicas. Foi um processo lindo, estávamos no início do outono quando começamos a gravar, céu azul, vento por toda parte, folhas secas despencando da árvores. Houve muita união e trabalho duro.

– Como você definiria o som da banda pra quem ainda não conhece?

Pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico, Pink Floyd com beats 🙂

– Como anda a cena independente do Espírito Santo?

Acontecendo, mas acho que tem que rolar mais coisa. A Casa Verde tem ajudado muito no processo de evolução da cena, trazendo referências diversificadas para a cidade e ajudando o fortalecimento da pluralidade de ideias. Mas infelizmente ainda acho a cena de Vitória muito tradicionalista e fechada. Os artistas se mantém muito em posição de conforto, não enfrentam a condição do artista com a toda a coragem que poderiam enfrentar (falo de mim também). Temos que entrar mais em contato com coisas que nos transformem de verdade e nos façam sair da posição de conforto que estamos há anos e anos enclausuradas. Me sinto muito sortuda por ter encontrado a equipe que formamos para o My Magical! Todo mundo que se envolveu nisso é absurdamente corajoso e livre! Os artistas que mais me identifico fora a galera que tá comigo são o Kevin Fraisleben e o Caio Moré, que são muito novos, ainda muito escondidos. Me sinto bastante sozinha na cena capixaba, meio extra-terrestre, sabe? Mas sei também que há ali um grande potencial criativo e faço de tudo para fomentar isso. E tem muita gente fazendo o mesmo. Existem poucas mulheres fazendo música também, estou atuando intensamente para mudar isso.

My Magical Glowing Lens

– Isso você acha que se deve ao machismo que permanece vivo no mundo da música? Ou acha que aos poucos isto está melhorando?

As duas coisas, os homens ainda são muito privilegiados na música e em também em outras instâncias. Mas sinto de verdade que estamos com mais espaço!

– Quais os próximos passos da banda?

Começar a compor novas músicas, fazer dois vídeos para álbum, tirar o “Piper at The Gates of Dawn” inteiro, fazer parcerias com artistas que amamos, amar, amar a tudo e todos incondicionalmente 😉

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Pensando… Catavento, Bike, OkLou, Hierofante Púrpura, Antiprisma, Tagore, VentreBoogarins. Boogarins mãe e pai de todos, né? Melhor banda. O TernoKatze. Ah, Supervão e Musa Híbrida, são bandas muito boas!!

Venus Café traz seu rock ultrajante e vigoroso pela primeira vez para São Paulo neste final de semana

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Eu sei que pode parecer preguiçoso colocar parte do release da banda na abertura da matéria, mas é impossível não reproduzir este texto que define muito bem a orgia musical cheia de bom humor que é o Venus Café: “Com palhaçadas ultrajantes que incluem um figurino roubado do guarda-roupa de Steven Tyler, pulos e trejeitos emprestados de David Lee Roth e uma voz estridente apanhada do próprio Freddie Mercury, o irresponsável vocalista Dangerous Dan tem liderado o quarteto que vem há anos batalhando no circuito alternativo carioca. A conjunção de alta energia, refrões cativantes e culto sem remorso do rock clássico gradualmente tem lhes valido seguidores fanáticos simplesmente no boca-a-boca. Afinal de contas, pra quê pedir um bolo sem cobertura se ele pode vir cheio de glacê, cerejas e enfeites?”, diz o texto da página dos cariocas.

Formada por Dangerous Dan (vocal), Captain Love (baixo), Frankie Goes (guitarra) e Jules Brasa (bateria), a banda lançou em 2016 o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, que segundo Dan define bem o som da banda. Juntando quatro faixas compostas desde os primórdios da banda, o disquinho é apenas um aperitivo do que vem por aí no começo de 2017, quando lançarão um novo trabalho. Nos dias 23 e 24 de junho o quarteto carioca invadirá a selva de pedra paulistana com quatro shows, sendo três deles em uma maratona hercúlea no sábado, Dia da Música.

Conversei com Dan sobre a carreira da banda, o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, o duvidoso nome anterior do grupo, a cena musical independente e muito mais:

– Como a banda começou?

A banda vem da infância. Eu e o Gabriel (Captain Love, baixista) somos primos, e fazemos isso desde que nos entendemos por gente. Começamos fazendo videos engraçados dublando nossas bandas favoritas. Depois, na adolescência, começamos a aprender música e compor nossas primeiras canções (algumas que tocamos até hoje!). Isso tudo foi em Volta Redonda, interior do RJ. Mais tarde, viemos pro Rio de Janeiro ganhar a vida, e a banda naturalmente veio junto. Começamos a levar a parada mais a sério, correr atrás de shows e etc.

– E como surgiu o nome Vênus Café?

Pô, vou me permitir uma rara sinceridade aqui. Nos primeiros a primeira fase da banda era bem esculachada, e atendia pelo jocoso nome de Dakocaga. Para bons entendedores, dá pra sacar. Horrível, né? (Risos). Daí vimos que isso era um empecilho para o crescimento da banda, e eu e Captain ficamos um mês insanos até chegarmos a este nome. Legal, soa bem, passou bem o conceito que redesenhamos para a banda. E funciona bem em qualquer idioma! 😛

– Mas ele tem alguma inspiração em específico ou foi nos testes mesmo? Como ele se liga com o conceito da banda?

Seu curioso…. Eu querendo fazer um misterinho aqui (risos). Levantamos umas 50 hipóteses, refinamos pra 5
daí numa bela noite, comendo um podrão na esquina após um ensaio, eu chego para o Captain e falo “cara, já sei: um puteiro!”. Fala um nome bom, mas que não dê na pinta e pelamordedeus não seja politicamente incorreto – já havíamos gasto dez vezes esta cota com o nome anterior. Um, dois, três palpites e aí veio o Venus Café
que se alia às keywords da banda, que são basicamente o Rock e o Tupiniquim. E ainda mantém um claro elo com amor e/ou safadeza, que é outra temática favorita nossa! Colei até uma Venus de Botticelli na minha guitarra (risos)!

– Agora me conta qual é o conceito da banda. O lado do humor continua em pauta ou foi embora junto com o nome fecal?

(Risos) lembrando que “Caga” era a parte mais leve do nome antigo… Anyway: sobre o humor, demos uma filtrada sim. Pra tornar o projeto mais vendável, sim 😊 Ao mesmo tempo em que a gente foi desenvolvendo em laboratório o nosso que, modéstia às favas, é explosivo. Daí demos uma bandeada do “pastelão + Jackass” para uma coisa “rockão pressão + amor”, mas isso funciona mais no conceito mesmo. A parada é que somos primos e melhores amigos infantilóides que veneram toda a filmografia do Will Ferrell. Então o lance da piada continua forte mesmo
nos shows, sobretudo. É o meu lado entertainer, stand up comedian (sei lá se já te falei desse trampo). Não dá pra correr disso, afinal.

Venus Café

– Então vamos fazer um parênteses e falar desse negócio de stand up comedian. Explica isso aí.

Digamos q eu tenha uma formação de “curioso” em artes cênicas. Fiz um cursinho de interpretação aqui, uma oficina ali. Não manjo nada, num põe aí q eu sou ator não, pelamordedeus! Entre um trampo e outro, o mais massa que tem rolado é com o Rock in Real, que começou como um evento da banda Balba, aqui do RJ. Daí o David Obadia, baterista da Balba e um completo gênio do audiovisual + amante latino vegano, me chamou pra fazer os teasers do evento. E esses teasers bombam no FB, a produção cresceu, os eventos lotam. Daí eu entrei pra produção com ele também, e a última ideia do patrão Dave foi fazer um canal do YouTube. Que eu não to nem um pouco à vontade ainda, admito. Mas vamos apurando o produto… Ah, eu faço os intervalos do evento também. É fácil: quanto mais bêbado eu fico, mais eu falo merda, mais a galera ri. É irado 😛

– Voltando à banda: me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

‘Rock n’ Roll Tupiniquim’ é de certa forma um símbolo desta primeira fase nossa. Tem músicas que foram feitas ao longo de dez anos, em VR (as mais adolescentes) e no RJ (as mais “rock n’ roll pra dançar”) a gravação foi uma obra de igreja, se estendeu de 2014 até 2016. Passaram uma três formações da banda lá. A mix trocou de mãos algumas vezes até parar no Celo Oliveira, um cara fabuloso e um belo pai de família. Gravamos umas 15 músicas, mas a real é eu sou tão exigente que só fiquei feliz com as quatro que publicamos. Então saiu como EP mesmo, porque depois de tanto tempo tinha que sair alguma coisa, né? E essas que saíram eu sou MUITO orgulhoso delas. Estão exatamente do jeito que estavam na minha cabeça neste tempo todo. O que eu nunca imaginei q seria possível (risos)! Outra parada de que eu me orgulho é que nessas mudanças, eu é que gravei a bateria! Outro fun fact: bateria é o meu instrumento predileto, o primeiro que aprendi a tocar aos 9 anos (quando eu ouço uma música pela primeira vez, é o q eu presto atenção e começo a fazer air drums). Fechando o lance do EP, a repercussão foi ótima, fizemos um PUTA show de lançamento no Imperator, uma casa gigante aqui do RJ onde já tocaram Ramones, Pantera, Megadeth e Mara Maravilha (true story!)

– Como você vê a cena independente hoje em dia, especialmente aí no RJ?

Cara….. Pra essa dá pra ser mais sintético. Obviamente sou um insider na cena, mas sempre tento olhar com o viés de público ou um businessman de fora. Existem zilhões de bandas, muitas muito boas, muitas são talentos desperdiçados, porque se perdem nos mais variados motivos. Muita porcaria genérica-carioca-filho-bastardo-do-Barão-Vermelho-com-o-Emerson-Nogueira, zero criatividade e relevância. Mas a minha opinião sintética é: pra se configurar de fato uma cena, falta apenas uma componente, só que é a fundamental: PÚ-BLI-CO. Todo e qualquer movimento artístico que se prezou, que se sustentou em algum lugar ou em alguma época, era eminentemente um movimento de massa. É puxado pelo público, e não empurrado. Pensa aí em qualquer um: Manchester nos 80, o britpop, o punk, Seattle, os Beatles, o iê-iê-iê, o funk, o renascimento, a pop art do Warhol, o indie sem sangue de NYC que virou o indie britânico dos Arctic Monkeys e as cenas brasileiras, porque não? BR Rock nos 80, Brasilia, punk xixi em SP… Enfim, tudo sempre teve como base o público, e essa componente infelizmente falta aqui, e é com pesar que eu te digo isso. É uma solução que eu não sei, se eu soubesse eu aplicaria imediatamente à minha banda. Adicione a isso alguns fatos como: pessoal aqui no RJ não tem cultura, o hábito de sair de casa pra consumir cultura, e muito menos de pagar por isso. Pra ir de chinelo na praça vagabundo vai e gasta 100 reais num chopp com sobrepreço nas alturas, agora pra pagar 20 contos e ver uma banda fuderosa que investiu pra caralho, ou uma peça independente de um grupo que estudou pra caramba, uma mostra de artes plásticas… Enfim. Apesar destes pesares, eu vou morrer um entusiasta e tentando. Tem mil pessoas boas, talentosas e de coração muito bom trabalhando muito pelos seus projetos. Isso faz tudo valer a pena.

– Quais são os próximos passos da banda?

Em agosto lançamos um single + video desse EP. Na virada do ano sai o álbum novo, já em fase avançada de pré-produção. Ou melhor, joguei ele pra janeiro/fevereiro pra aproveitar o buzz do Carnaval, que tem de tudo pra ser novamente os nossos 15 milissegundos de fama. Daí dá um boost na divulgação do trabalho.

Venus Café

– Dá pra adiantar algo sobre o novo disco?

Pooooooô, esse aí tá meio segredo! (Risos) Só te digo que tem de tudo pra ser maior e melhor. E que eu não vou descansar até essa parada fazer um barulho bacana. É o crescimento do projeto, em todos os sentidos: produção, composição, execução, novos temas. E também comunicação e marketing, por supuesto 😉

– Aliás, cês vão fazer uma passagem relâmpago por São Paulo agora, né?

Hell yeah! Estaremos aí entre os dias 23 e 25/06, inicialmente iríamos para tocar no Dia Da Música, mas algumas gigs caíram, outras surgiram. Teremos: sexta, 23/06, na Golden Line Tattoo, um rolé na Zona Leste. Dizem que é massa, rock n’ roll pra caramba. Sábado, 24/06, é jornada tripla (e heróica): começamos no palco que o coletivo Voz do Undergound monta na Praça Eugene Bodin, em Pinheiros. Punk porrada. Depois descemos a Rebouças até o Ouvidor 63, estou doido pra ver como é essa ocupação que rola lá. Daí partimos pra Santo André, onde tocaremos num Pub rockão de lá, o Jailhouse 2. Em todos estes rolés, só fiz contato com gente maravilhosa
estou impressionado com o profissionalismo e o bom caráter da galera aí de SP. Como sempre digo, SP é primeiro mundo. (Se isso for uma opinião distorcida, por favor não tira ela da minha cabeça! (Risos) Eu adoro pensar e sentir isso)

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos e todo mundo devia ouvir!

Hmmm, tarefa árdua! Vou me ater ao RJ pra conseguir fechar uma lista: Mobile Drink, um rockão forte, alto e bom, Balba, indie rock pra dançar com refrões de hino, pra cantarolar amarradão, Ricochet, anos 90 na veia, vai direto no coração, Carbo, stoner pesado de Volta Redonda. Molecada novinha mas parece q eles já nasceram sabendo TUDO! The Bunker Band, um britpop mais bem-feito que 90% das bandas da Inglaterra hoje em dia fazem. Detalhe: eu simplesmente não os conheço pessoalmente, nunca fui a um show, mas ouvi e pirei.
é isso. Um top five (risos)!

A cantora paulistana Mary Luz mistura a MPB com influências de indie rock em “Velejando No Afeto”

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Mary Luz
Mary Luz

Começando de forma despretensiosa colocando seus vídeos de covers ao violão no Youtube, Mary Luz viu que podia ir além e começou a pensar em trabalhar seu projeto autoral. Foi daí que surgiu “Velejando No Afeto”, seu primeiro EP, realizado com a ajuda de amigos e disponível para streaming. São quatro músicas de autoria da cantora, que faz MPB com influências de indie rock. “Eu pego muitas referências do universo indie/MPB, aleatoriamente”, explica.

Conversei com ela sobre o primeiro EP, sua carreira de artista independente, a cena atual da música e planos para o próximo trabalho:

– Como você começou sua carreira?

Comecei por volta de 2010, quando comecei a aprender a tocar violão. Só que depois comecei a sentir a a necessidade de cantar também, então comecei a me apresentar em saraus que eram realizados na escola que fiz o ensino médio e a fazer alguns vídeos covers pro meu canal do YouTube. Daí, a partir de 2013, comecei a compor e produzir um trabalho autoral, que foi lançado em 2015!

– Então você começou já nessa nova pegada de utilizar as redes sociais e o Youtube como força para seu trabalho.

Exatamente, pra tentar ter mais visibilidade.

– Quais as suas principais influências musicais pro seu trabalho autoral?

A Adriana Calcanhotto é minha principal influência, embora não seja nítido nas minhas produções (risos). Eu pego muitas referências do universo indie/MPB, aleatoriamente (risos).

– Me fala um pouco mais sobre o trabalho que você já lançou!

O EP é o “Velejando no Afeto”, foi lançado em 2015, e é composto por 4 faixas autorais: “Me Ensina”; “Menina Luz”; “Acorde” e “Martírio”. O EP foi produzido de forma independente, em um home estúdio de um amigo, produtor (Enéas Lemes). Então juntei uma grana e investi nesse trabalho 😊

– E como foi lançar esse trabalho independente?

Quando ficou tudo pronto, foi emocionante. Ouvia cada faixa e chorava (sou muito chorona!), pois não conseguia acreditar que eu tinha conseguido dar vida aquelas composições. Depois que lancei, saia procurando páginas do Facebook que pudessem me ajudar a divulgar algumas das faixas, pedi pros meus amigos mostrarem pra outras pessoas… Foi bem difícil a disseminação desse EP, por muitos fatores (falta de grana, instruções, contatos, estratégias), mas sempre me senti muito grata e realizada com as poucas pessoas que me ajudaram, que ouviram e acompanham meu trabalho até hoje 🙂

– Como você definiria seu som?

Ele tá mais pro indie MPB.

– Você acha que nova MPB é vista com certo preconceito pelo público atual?

Por algumas pessoas, pode ser que sim, mas no geral, acredito que a aceitação dessa nova MPB é boa, embora ela ainda não seja predominante (risos).

– E porque você acha que ela não têm tanto apelo mainstream quanto a MPB tinha nos anos 60, 70 e 80?

Acho que nos anos 60, 70 e 80, a MPB de bem forte, assim como o rock nacional, pelo contexto político daquele período, que resultava em canções críticas e reflexivas sobre o que acontecia. Atualmente, o sertanejo, funk carioca, pop/dance-pop, por exemplo, são os gêneros que estão tendo mais espaço, mas não quero com isso ser demagógica, e dizer que essa visibilidade é negativa, pelo contrário, mas sim que todos os gêneros precisam ter esse espaço.

– E como a cena independente pode fazer para alcançar mais seu público?

Quando​ você é um artista independente, acredito que precisa reconhecer o seu trabalho, valorizar os trabalhos de pessoas que também seguem essa cena, as pessoas que te ajudam e acreditam em você, e os ouvintes que apreciam e se sensibilizam por sua arte. Além disso, é preciso investir, focar e se dedicar nas produções, de acordo com o seu momento de vida. Creio que dessa forma as coisas vão fluindo, de modo que mais pessoas possam ter contato com essa produção Independente.

Mary Luz

– Quais os seus próximos passos musicalmente?

Disseminar mais o EP “Velejando no Afeto”, pois embora tenha sido lançado em 2015, ele ainda é novidade pra muita gente. Estou produzindo um clipe para a faixa “Martírio”, com previsão de lançamento ainda pra esse ano.
Em paralelo, estou trabalhando no meu segundo EP, com calma, para que em breve eu possa lançá-lo.
E também estou fechando algumas apresentações pros próximos meses, e assim vou seguindo (risos)!

– Pode me falar um pouco sobre o que vem por aí no segundo EP?

Posso dizer que esse segundo EP traz consigo outros olhares, sentimentos e reflexões a respeito da vida em geral 🙂

– Por fim: recomende bandas e artistas independentes que você ouviu nos últimos tempos e chamaram sua atenção!

Tenho escutado bastante Daniel Silva (artista do Grajaú), Luiz Semblantes (artista do Grajaú), Yannick aka Afro Samurai, Oma Uê (dupla que vem se consolidando), Caio Moura, Gê de Lima, Geo Mantovani, Luana Bayô… Vários! 😂

Zav estreia seu projeto solo mostrando influências de Lana Del Rey no clipe de “Música Esquecida”

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Zav

Victória Zav começou a cantar quando era ainda criança, e graças à um show de talentos na escola nunca mais parou. Além de fazer parte da banda Serapicos, agora Zav lança o primeiro single de sua carreira solo, “Música Esquecida”, com influências de Lana Del ReyHiatus Kaiyote, Chet Faker e “um pouco de rap”, segundo ela. A música, com pegada eletrônica e indie, ganhou um videoclipe cheio de colagens. “Me inspirei faz tempo com esse conceito com o clipe “Video Games” da Lana Del Rey. Inclusive quando eu tava buscando stock footage pra colagem achei a fonte de alguns excertos que ela usou (risos)”, conta.

Conversei com a cantora sobre o primeiro single, suas influências, o EP que vem por aí, a carreira solo e a cena independente atual:

– Bom, primeiro, me fala um pouco mais sobre este single que você acabou de lançar!

Esse som de início eu gravei bem acusticão, home-studio! Ele tinha linhas de tarka, uma flauta boliviana (ainda tem na introdução), gravei pau de chuva também, umas coisas bem étnicas. Depois fui formando esse conceito de timbre que eu queria e acabou numa pegada eletrônica. O clipe é uma video colagem, me inspirei faz tempo com esse conceito com o clipe “Video Games” da Lana Del Rey. Inclusive quando eu tava buscando stock footage pra colagem achei a fonte de alguns excertos que ela usou (risos).

– E vem um disco completo por aí?

De início estou preparando alguns singles, mas pretendo lançar um EP em breve.

– E o que podemos esperar nesse EP?

Serão músicas bem diferentes entre si, mas com um contexto em comum. Nele eu pretendo seguir nessa pegada eletrônica.

– Qual a diferença do seu trampo solo com o que você faz no Serapicos?

Eu poderia dizer que todas possíveis! (risos) O Serapicos tem um formato banda, enquanto meu projeto tem essa coisa de eu como frontwoman e um backing track rolando. As músicas do Serapicos são compostas pelo Gabriel e eu entro como intérprete. Pra Zav eu tô ali a compôr, arranjar e idealizar meu próprio projeto. A única coisa que vejo em comum é que são ambos projetos independentes de música autoral.

– Quais as suas principais influências musicais nesse trabalho solo?

Eu ando altamente interessada numa influência lo-fi, trip-hop, mas gostaria de manter minha matriz brasileira na linha, se é que me entende. Falando em bandas, não diria pelo gênero em si (pela mistura que pretendo), mas talvez pela timbragem eu diria: Hiatus Kaiyote, Chet Faker, Lana Del Rey, Gorillaz, um tanto de Jamiroquai e algumas batidas pontuais de rap.

– Como você começou sua carreira?

Comecei bem cedo, com 14 anos, num show de talentos da escola. Já tinha alguma noção musical mas jamais havia subido num palco até então. Fiz uma apresentação com meu pai (que também é músico) e no backstage conheci o Phillip Nutt, o qual me iniciou nos palcos e estúdios. Ele compunha, eramos um duo folk autoral.
Por meio desse projeto conheci a Serapicos, também.

Zav

– Conta mais desse projeto folk do começo!

Esse projeto era incrível! Tive oportunidade de tocar em lugares como o Café da Mata, que já recebeu vários artistas bacanas do MPB. Também fizemos um programa especial pro circuito Sesc onde interpretamos repertórios clássicos do Folk como Joan Baez e Bob Dylan, com uma formação de banda absurda. Além de todo o circuito underground onde fazíamos apresentações acústicas intimistas. Também gravamos um disco, “To Whom it May Concern”, com produção do Luiz de Boni, d’O Terço, que faleceu recentemente. Ele chegou a tocar teclado conosco em algumas apresentações, foi meu primeiro produtor. Agradeço até hoje pela honra de ter trampado com ele, ainda mais nova que eu era.

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Pô, tem uma galera incrível nela. E ainda tem gente que tem a coragem de me dizer que “não existe mais música boa, estacionou nos anos 90”. Existe sim, mas tá todo mundo no independente, tocando no underground e precisando do apoio do público. Mas esse apoio tá crescendo e eu vejo um futuro promissor pro cenário independente, até por isso que boto fé em fazer parte dele. A galera se une e faz um som, e a internet fortalece isso. Tá começando a ficar obsoleta essa ligação com gravadora que existia antigamente.

– E como você acha que essa cena independente pode crescer e atingir mais público?

É duro dizer e pode até ser mal interpretado como chatice de músico, mas costumo dizer que existem algumas verdades nas chatices que os músicos tentam te dizer: Precisamos que as pessoas consumam música com mais consciência. Consciência de que aquilo é uma obra de arte pensada e estruturada com muito sentimento e trabalho árduo pra você escutar. Não tenho nada contra música produto, contra quem toca na rádio, na TV; mas as pessoas precisam saber que existe vida musical pulsando além disso. Vá em shows de artistas independentes, aprecie e fale sobre o trabalho de quem ainda não pertence a grande mídia. Acredite em quem está tentando mostrar algo novo em termos musicais.

– Ou seja: não adianta ficar reclamando que a música boa parou nos anos 90 se você não prestigia quem faz música boa fora do radar do mainstream hoje em dia.

Exato. Amém, brother! A música precisa parar de ser vista como um produto a ser consumido e mais como uma manifestação artística.

Zav

– Quais são seus próximos passos musicais?

Me trancar no estúdio, gravar mais alguns singles e depois idealizar meu EP. Depois do EP acredito que haverá um show de lançamento. E em breve sai mais um clipe! Eu prometo aparecer nesse. 😛

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vamos lá: Marina Melo, Cynthia Luz, Lay Dirty, Camila Garófalo, Luiza Lian, Molodoys, Picanha de Chernobill, Malli, Rafael Castro, Viratempo.

“Sou e continuarei sendo resistência no rap e na música, campo minado de machista”, brada a rapper BrisaFlow

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BrisaFlow
BrisaFlow

Filha de chilenos e nascida em Belo Horizonte, Brisa De La Cordillera é conhecida como Brisa Flow e apesar de se focar no hip hop, tem uma musicalidade livre, misturando em seu caldeirão sonoro música latinoamericana, rap, reggae, eletrônica e até pitadas de punk rock. Sua carreira começou em 2010, participando da cena cultural mineira, mudando-se em 2012 para São Paulo, onde participou de diversos projetos e eventos relacionados a música e aos direitos das mulheres. Sua música “As de Cem” ficou entre as virais do Spotify em 2015 e ela recebeu o prêmio Olga “Mulheres Inspiradoras”.

Em 2016 lançou seu primeiro disco completo, “Newen”, de forma independente. O trabalho, com direção musical de Dia Chocolate Studio, mixagem de Givnt e masterização de Luis, da Flapc4, apareceu nas listas de melhores discos do ano do Estadão, Brasileiríssimos e Noticiário Periférico. Agora, Brisa prepara um novo projeto para os próximos meses. “Quero misturar os instrumentos que toco com meu som e mais uns parceiros”, conta. “Quero usar o que estou aprendendo na facul pra mesclar com o rap”.

Conversei com ela sobre a mulher no universo do hip hop, o disco “Newen”, o rap no topo das paradas e mais:

– Como você começou sua carreira?

Comecei cantar pequena como diversão, transformava umas músicas em rap e gostava de pegar os rap e cantarolar. Aos 13 me envolvi com a cena underground de BH, punk e rap. Tive uma banda, fiz parte de grupo e coletivo. Comecei a cantar rap sozinha aos 19. Passei por várias quebradas pelo Brasil e aos poucos minha carreira solo criou asas.

– Quais as suas principais influências musicais?

Minhas influências são diversas e mutantes. Escuto muita música latinoamericana de protesto: fui criada ouvindo Mercedes Sosa, Silvio Rodriguez, Violeta Parra, Victor Jara, Bob Marley, The Doors, Janis Joplin. Lauryn Hill, Badu e Sade fizeram minha cabeça e ainda fazem desde a adolescência. Atualmente tô viajando ouvindo o novo do Kendrick, o disco “Djonga”, a Sza, psicodelia e uns discos de jazz. Amo muito a Alice Coltrane, ela pra mim é uma grande inspiração, compositora braba e infelizmente pouco conhecida por ter sido casada com o Coltrane. Recomendo o “Journey to Satchidananda”, discaço!

– Me fala mais sobre o trampo que você já lançou.

Ano passado lancei o “Newen”, disco com referências ameríndias e bases que misturam boom bap trap e música eletrônica. O Dia Chocolatee Studio foi o diretor musical, o Givnt fez a mix e o Luis da Flapc4 a master. Eu tentei juntar beatmakers que eu curtia espalhados pelo Brasil e minhas letras sobre a liberdade de poder ser quem somos, sendo mulheres e sendo plurais. O disco está disponível para download gratuito no site do One Rpm e pra ouvir em todas plataformas digitais.

– A internet hoje em dia é uma grande força para MCs e rappers independentes. Como você vê isso?

Acredito que com a internet podemos divulgar melhor nosso trabalho e nossa luta não é tão censurada e barrada por macho como antigamente, quando não tínhamos internet.

BrisaFlow

– Tenho visto um levante feminino no rap, um estilo que, como muitos outros, é conhecido por ter uma grande carga de machismo. Como é isso pra você?

Fui, sou e continuarei sendo resistência no rap e na música em geral, campo minado de machista!

– Como é seu processo de composição?

Depende do tipo de composição. Quando tô com a energia em baixa e sinto que preciso escrever, me fecho um pouco na minha casa, passo o dia na quebrada, ligo uns beats, instrumentos, briso na brisa. Tem dia que a música já vem com a bala na agulha, é só começar escrever que sai umas letras loucas, às vezes a beat no meio da rua ou no metrô/busão…

– Porque as letras mais politizadas e com posição não chegam tanto ao mainstream?

Letras politizadas fazem as pessoas refletirem. Imagina a rádio e a TV propagando discurso de desconstrução contra algo que eles mesmos construíram. Revolução pero no mucho. Porque será que eles não tão afim que essa mensagem chegue muito?

– Como você vê o rap voltando ao topo das paradas nos últimos anos?

Rap merece o topo. Música completa pelo tráfico de informação, fácil comunicação, cultura ao mesclar samples de outros estilos musicais e por aí vai. Fico feliz, a cultura hip hop tem muito a conquistar.

BrisaFlow

– Quais seus próximos passos?

Músicas novas estão pra sair logo mais no Spotify e tô com um projeto de misturar os instrumentos que toco com meu som e mais uns parceiros. Logo mais, novidades! Quero usar o que estou aprendendo na facul pra mesclar com o rap. Sigam o Instagram que lá rola vários livros desse projeto no embrião!

– Recomende artistas e bandas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Gosto de manas atuais da nossa cena que estão fazendo um lindo trabalho: Anna Trea e Tati Botelho!

“Mulheres do mundo do rock, uni-vos!”, proclama o trio paulistano The Zasters

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The Zasters

O power trio paulistano The Zasters foi formado em 2015 por Juliana Altoé (guitarra, voz), Barbara Chela (baixo e voz) e Nabila Sukrieh (bateria e voz). O grupo acaba de lançar seu primeiro EP ‘This is a Disaster’, produzido por Alexandre Capilé (Sugar Kane e Water Rats) no Estúdio Costella. Agora, a banda ainda prepara-se para lançar o clipe de seu primeiro single “Awesome Dance Moves”.

Conversei com elas sobre a carreira da banda, o primeiro lançamento e o machismo recorrente no mundo da música e fora dele:

  • – Como a banda começou?

Juliana: Eu e a Barbara (Babs pros íntimos) nos conhecemos praticamente desde sempre, e sempre gostamos de música e desde a sexta série decidimos formar uma banda na escola, porém faltavam mais pessoas que quisessem o mesmo. No ensino médio, formamos uma banda para tocar nos eventos da escola e continuamos com esse hobby por mais um tempo, até que decidimos que queríamos algo mais sério. Nesse ponto a formação mudou e a The Zasters que conhecemos hoje foi formada com a entrada da Nabila na batera!

– De onde surgiu o nome da banda?

Babs: É um trocadilho sonoro com a palavra ‘disaster’, desastre em inglês… Claramente o contrário do que somos. 😉

– Quais são as suas principais influências musicais?

Juliana: Sempre tivemos influências bem distintas (risos). Eu, particularmente, gosto de rock dos anos 70, e a Babs e a Na curtem mais sons atuais. Mas algumas bandas que ouvimos em comum são Arctic Monkeys, The Kills, Franz Ferdinand, entre outras do indie dos anos 2000.

– Me contem um pouco mais sobre o material que já lançaram.

Nabila: Já lançamos nosso EP ‘This is a Disaster’ em abril/2017 nas plataformas digitais (Spotify, Apple Music, Deezer, etc.) e também no Soundcloud, Bandcamp e YouTube! É o nosso primeiro EP e estamos muito animadas em fazer mais músicas e tocar por aí. 🙂

– Como é seu processo criativo?

Babs: Normalmente, escolhemos qual o estilo que cada música vai seguir, buscamos algumas referências, e vamos para o estúdio testar (e testamos muitas possibilidades até sair do jeito que a gente quer). Em relação às letras, é comum montarmos toda a estrutura instrumental, depois colocamos letra e melodia.

The Zasters

– Como vocês veem a cena independente autoral hoje em dia? Como é a vida de uma banda independente?

Nabila: A cena independente, como o nome já diz, depende muito dos próprios artistas para sobreviver. Por um lado, cada vez menos pessoas estão interessadas em descobrir músicas novas indo a shows, mas por outro está tudo na disponível na internet, então acontece uma certa divulgação, mesmo que pequena, principalmente por parte dos blogs. Mas ainda assim, o investimento é muito alto e é difícil ver bandas que tenham algum retorno financeiro. Uma banda atualmente tem que ter muita perseverança para tentar conseguir divulgar o seu trabalho e tem que correr atrás, promovendo os próprios eventos, pois poucos produtores acreditam no potencial a longo prazo que uma banda independente pode gerar.

– O machismo continua muito forte no meio musical? Vocês já sofreram com isso?

Babs: Infelizmente, sim. É comum subirmos no palco e encontrar pessoas que acham que estamos pra brincadeira. A parte boa é que, no final, essas pessoas saem do show com outra impressão.

– Vocês acreditam que o número de bandas formadas somente por mulheres têm aumentado? Aquele negócio de “rock é só para meninos” já passou (finalmente)?

Juliana: Estamos vendo, sim, um aumento das bandas formadas por mulheres, mas uma banda exclusivamente de mulheres está muito longe de ser 5% de todo o cenário musical atual. O preconceito de que mulher não sabe fazer rock ainda é muito forte. Existem vocalistas muito boas na cena, mas ainda vemos poucas instrumentistas por aí. MULHERES DO NOSSO ROCK, UNI-VOS! Vamos mostrar que mulher sabe SIM fazer rock!

The Zasters

– Quais os próximos passos da banda?

Nabila: Estamos programando uma festa de lançamento do EP em julho (fiquem atentos nas mídias sociais da banda para mais infos). Depois da festa faremos um clipe de uma das tracks do EP, e quem sabe mais pra frente tenham mais clipes por aí e gravar um CD! Vamos também tentar buscar mais shows para nos estabelecermos na cena.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Todas: Como as bandas independentes tem cada vez menos espaço nas casas de show e na mídia em geral, é bem difícil indicar artistas independentes (no sentido literal da palavra) aqui. Até mesmo os menores artistas que ouvimos, principalmente de fora, tem uma gravadora por trás, acreditando no trabalho deles. Indicamos então a Grimes, uma musicista muito interessante que sempre grava suas músicas no estilo DIY, a banda Franklyn e a Der Baum.