Weekend Recovery mostra que o novo punk rock inglês não tem medo de flertar com o pop

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Weekend Recovery

O Weekend Recovery é um quarteto inglês que tem sua origem em uma garagem suja em Kent. O punk rock é a base do som do grupo, que já ganhou elogios da BBC no programa Introducing, além de serem bem falados por veículos como a Radio X e a NME. Recentemente, entraram no time da Headcheck Records e da Super Scurry Music e estão preparando seu primeiro EP, “In The Mourning”a ser lançado em setembro.

Formada por Lorin Jane Forster (vocal/guitarra), Owen Barnwell (guitarra), Josh (baixo) e Marcus (bateria), a banda já tem alguns singles na bagagem: “Focus”, “Don’t Try and Stop Me”, “New Tattoo” “Why Don’t You Love Me”, e dizem não ter medo de mostrar uma veia mais pop em seus próximos trabalhos. “Eu não gosto de coisas que não sejam maleáveis. Boa música é boa música para mim, qualquer que seja o gênero”, explica Lorin.

– Como a banda começou?
Bem, originalmente eu comecei como um artista solo, então eu pensei que algo estava faltando. Decidi pegar alguns músicos enquanto precisava desse crescimento! Então trabalhei com alguns músicos contratados um pouco, mas queria algo um pouco mais sólido – então decidi transformar o que era meu projeto solo em uma banda. Depois de pesquisar e descobrir o que era melhor, me deparei com Owen, Josh e Marcus, e pela primeira vez estou em uma banda com pessoas que entendem e vão dar tudo de si para esse mundo louco da música!

– Como surgiu o nome Weekend Recovery? O que ele significa para você?
É na verdade uma letra da banda The Darkness, da música “Friday Night”. Nós costumávamos ouvi-la muito na turnê e meu antigo guitarrista Jordan disse “sim, este é o nome!”. Eu queria “Ninja Pandas”, mas eu fui vencida!

– Conte suas maiores influências musicais.
Pessoalmente eu amo Paramore e Katy Perry – mas eu também sou uma grande fã do Sonic Youth, The Vines e do incrível White Stripes!

– Me conte mais sobre os singles que vocês lançaram até agora.
Nosso primeiro single foi “Focus”, muito pop, sobre cometer erros e aprender a excluí-los. Então trouxemos “Don’t Try and Stop Me”, que teve uma influência mais rock, que é sobre manter a força quando as pessoas tentam acabar com você, e então veio “New Tattoo”, sobre se apaixonar por alguém e então descobrir que eles estão muito apaixonados por outra pessoa, e finalmente “Why Don’t You Love Me”, que é sobre essa sensação do que todos queremos na vida.

– Vocês estão trabalhando em um álbum completo? A cultura do álbum ainda está viva?
Na verdade, decidimos fazer um EP, no momento. Não tenho certeza se a cultura do álbum está morta, é difícil dizer. Mas acho que uma banda do nosso nível precisa trabalhar para criar um single ou EP, em vez de jogar centenas de libras em algo que pode ou não funcionar… Talvez eu esteja errada, mas prefiro lançar uma música errada do que doze.

– Como vocês veem a cena do punk rock no Reino Unido hoje em dia?
Eu acho que é próspera, com bandas como Slaves tocando no rádio. Eu acho que a cena sempre esteve lá, mas está ficando cada vez menos underground, com muitas bandas incríveis!

– O que você acha sobre as bandas de rock que estão indo em um som mais “pop”, como Weezer, Arctic Monkeys e Imagine Dragons, e deixando as guitarras de lado?
Bem, eu sou fã de pop, então estou amando! Eu acho que é sobre tentar coisas diferentes – as pessoas ficam entediadas tão rapidamente. Especialmente com bandas como Arctic Monkeys, certamente causa uma reação. Se isso é bom ou ruim, eu não tenho certeza, mas as pessoas certamente estão falando e isso está chamando atenção. Eu não gosto de coisas que não sejam maleáveis. Boa música é boa música para mim, qualquer que seja o gênero.

– Vocês estão atualmente trabalhando em novas músicas?
Nós estamos! Estamos prontos para lançar o nosso mais recente EP, “In The Mourning”, no final de setembro.

– Quais são os próximos passos?
Lançar este EP. Temos uma grande campanha de relações públicas por trás que mostra do que se trata… Estamos integrando um estilo ligeiramente diferente em nossa música para isso, então estou muito empolgada!4

– Recomende bandas independentes e artistas que chamaram sua atenção ultimamente.
Oh meu Deus! São tantos para escolher… Healthy Junkies, Minatore, Vertigo Violet, Salvation Jayne e Bexatron são todas muito boas!

Como São Paulo inspirou o Corona Kings a se reinventar no disco “Death Rides a Crazy Horse”

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Corona Kings

A guitarra é a força motriz que faz o Corona Kings funcionar. A banda de Maringá chegou em São Paulo e assim que botaram os pés na selva de pedra cinza, o som da banda se transformou. Isso fica claro em “Death Rides a Crazy Horse”, um álbum espontâneo, barulhento, guitarreiro, sem freios e sem um monte de overdubs. O negócio é mostrar como o som é ao vivo, com tudo o que tem direito.

Formada por Caique Fermentão (guitarra/vocal), Murilo Benites (baixo), Felipe Dantas (guitarra) e Antonio Fermentão (bateria), a banda está na ativa desde 2012 e já participou de grandes festivais no Brasil e no exterior, e em projetos de marcas importantes como Fender, Jägermeister e Levis. Conversei com Caíque sobre a carreira da banda desde que era apenas um projeto solo descompromissado até a chegada em São Paulo e o renascimento em “Death Rides a Crazy Horse”: 

– Vamos começar do jeito clichê, mas que eu curto sempre saber: como a banda começou?

É meio difícil ate de responder isso (risos). Eu, meu irmão e o Felipe tocamos juntos desde moleques, mas começou mesmo há uns 6 anos atrás. Eu ganhei uma gravação em um estúdio lá em Maringá, aí tinha umas músicas, fui lá e gravei. Nem tinha banda na época. Aí, quando tava ficando pronto, eu resolvi juntar a galera que era mais chegada pra tocar aquelas músicas. É bizarro que o Corona já tinha disco pronto e não tinha banda pra tocar (risos)!

– Então o Corona basicamente começou como um projeto solo seu, só que sem pretensão e sem nome.

Isso. Mas eu queria ter banda sim. Pra caralho!

– E depois dessa gravação cê já percebeu que esses sons podiam ser a fagulha pra uma banda rolar.

Ah, sim. Nosso som mudou bastante. Mas eu acho o nosso primeiro disco bem legal.

– E como rolou a formação e esse primeiro disco? Já foi gravado com o nome Corona Kings? Como o nome surgiu e o que ele significa?

Cara, a gente sofreu pra caralho pra achar um nome. Todas as idéias boas que a gente tinha já existia alguma banda com o nome. Eu sabia só que queria dois nomes, e não sei porque fiquei pensando que tinha que ser alguma coisa “kings”. Aí depois de muito tempo rolou o Corona Kings. E nem tem porque (risos). Só foi o primeiro nome aceitável que ninguém usava!

– Fala mais sobre os sons que estão no disco e como o som era nesse começo

Cara, eu meio que copiei as bandas que mais ouvia na época. Tem muita coisa boa no disco, mas hoje eu vejo que tem muita música que parece com alguma música (risos). Tá ligado? E nem era por querer, é porque eu fiz as músicas pra mim mesmo, nem pensava em ter alguém escutando meu som. Mas foi o melhor que eu pude fazer na época, e já que gravei sozinho tive muito tempo pra criar o que eu quisesse, gravar quantas guitarras eu queria… Foi uma escola, eu curti muito na época.

– Quais eram essas bandas que você se inspirava na época e quais inspiram o Corona hoje?

Na época era principalmente o Nirvana, Foo Fighters, Queens of the Stone Age e Pearl Jam. Claro que tem mais, tudo influencia, mas eu queria soar como essas bandas. Hoje em dia é muita coisa que influencia, agora com Spotify você descobre bandas diariamente, se quiser. Mas eu particularmente vou mais pra onda das bandas que a guitarra meio que “manda” no som, o ultimo disco do Corona eu sempre falava no estúdio que a guitarra era o principal e depois a voz. Ouvi muito Hellacopters, muito Kiss, Stooges, AC/DC, The Who… Mas queria pegar essa pira da guitarra rock’n roll e misturar com Nirvana (risos).

– Um negócio que hoje em dia talvez tenha sido deixado meio de lado, esse “rockão” movido à guitarra no tímpano, né.

Sim, mano, pra caralho. Tem uma galera q escuta o corona e as bandas do nosso rolê forever vacation e fala “caramba, eu nem sabia que ainda tinha banda assim”. É bizarro o quanto de gente vem me falar isso. Sinto que a galera quer produzir demais a parada hoje em dia e não se preocupa tanto em ter “veneno” no som, tá ligado.

– Tem aquela coisa de “limpar” o som na produção, né.

Sim, mas ao mesmo tempo tem muita banda foda. É que tem tanta banda que é difícil a galera descobrir que existe (risos).

– Aí veio o “Dark Sun”, já como banda, né. Como foi a produção desse disco? Como ele evoluiu do primeiro?

Foi bem diferente, primeira vez que eu só gravei a minha parte, fiquei até meio nervoso no começo! Mas acabou sendo legal. Eu tava numa época meio deprê quando fiz as músicas e gravamos o disco, não sabia se queria continuar a tocar. Aí dá pra ouvir um pouco disso no som. As músicas são bem mais “pesadas” nas letras e tal.
Nos primeiros 30 segundos do disco você já vê que eu não tava muito feliz (risos).

– É um disco mais “dark” do Corona, menos “forever vacation”.

Pra caralho! Eu queria que fosse meio ópera rock mesmo, meio progressivo. Bom de não ter fã é isso né, pode fazer o som que quiser (risos)!

Corona Kings

– E agora temos o “Death Rides a Crazy Horse”, um puta disco de rock que me lembrou muito o Supersuckers e o Turbonegro. Como foi a criação desse? Uma retomada ao rock mais puro e pé na porta?

Exatamente! Quando a gente veio pra são paulo saíram dois caras da banda (sim, eramos em três guitarras!), trocou o baixista… Aí em duas guitas pela primeira vez a gente meio que foi obrigado a ser mais cru. A gente aproveitou que ninguém conhecia a gente aqui pra meio que virar uma banda nova. E principalmente ao vivo, funciona muito melhor o som novo.

– E como esse renascimento do Corona Kings refletiu no disco?

A gente só quis se divertir e tentar passar isso no som. Eu lembro que saía pra correr e ficava pensando que queria ter um som que fosse legal pra dar uma corrida (risos). Ou que desse pra dar play numa festa e todo mundo curtisse. O terceiro disco é mais leve em vários sentidos… Eu quase considero ele um primeiro disco de novo.
A banda ao invés de morrer lá no Paraná renasceu aqui em SP!

– Ele é leve porque aposta na diversão, mas pesado porque é praticamente uma guitarrada na orelha.

Exatamente (risos)! Juntei o corona com o Capilé e o Zander, né, e nem precisei falar o som que queria tirar. E cara, é bem cru o disco. A gente não queria mascarar nada, tem que soar como a banda soa ao vivo. Não tem dobra de guita, mano, e olha o som que os caras tiraram! Tenho que agradecer muito ao Costella!

– Eu sempre quis saber de onde saiu o nome desse disco!

(Risos) Foi durante a gravação! Tem um monte de música que começa e o Felipe já entra solando loucamente, aí a gente falava que ele parecia cavalo de corrida esperando abrir a portinha, tá ligado? (risos) Hora que abria a porta vinha babando! (risos) Aí a gente chamava ele de “crazy horse” na época que tava gravando. Eu queria que o disco chamasse só “Crazy Horse”, aí meu irmão deu a ideia do “death rides” e tem uma música que fala meio disso no disco.

– Como você vê a música independente hoje em dia?

Cara, eu acho que quem fica no rolê é porque ama muito a parada, porque 99% da galera não ganha porra nenhuma. Na real gasta pra caralho, não é barato ter banda. Mas isso tem um lado bom: já que só fica quem ama mesmo, aparece muita gente talentosa, você faz amigos no mundo inteiro (porque todo mundo é muito parecido com você), um torce pelo outro e por aí vai.

– Quem estaria nessa pela grana tá ferrada.

Sim. Acho que vai ser muito difícil aparecer AQUELA banda, sabe. Porque com a internet é muito som novo todo dia, não tem mais uma Mtv que vai passar o clipe do Nirvana e o mundo inteiro vai mudar, não vai mais ter um Beatles, um Nirvana, esse tipo de coisa. Mas tem espaço pra TODO MUNDO. Eu aprendi uma coisa muito importante aqui em SP: que você tem que tá nessa porque gosta do rolê e ponto. A hora que você aceita isso, que não vai ter fama, não vai ter grana, tudo fica mais legal. Você acumula experiências e amizades e acabou.

– Então um ressurgimento do rock no mainstream é algo que você acha que não vai mais rolar.

Ah, aqui no Brasil se for aparecer algo vai ser feito pra grande massa, né. Vai ser aquele rock pra tocar na Globo. Brasileiro não é roqueiro, rock no brasil é década de 80 até hoje, tanto que Capital Inicial tá aí, toca no Rock in Rio e pá. Mas no undergound vai rolar pra sempre, e é da hora ser underground. E só quem gosta mesmo vai atrás.
E cara, dá pra fazer turnê, dá pra gravar disco, dá pra conhecer gente, fazer festa. Pô, tá tudo aí!

– Aliás, esqueci de citar o clipe de Death Proof! Baita clipe divertido. A morte da Mtv foi um pouco decisiva pra saída do rock do mainstream?

Eu acredito que sim. É a internet, né, mano. TUDO na sua mão ao mesmo tempo!

– Quais os próximos passos do Corona Kings?

Cara, continuar enquanto for legal, gravar, tocar, viajar… A corona kings é a minha filha do coração: ela sempre vai estar ali. Sem problema todo mundo da banda ter outros projetos, eu inclusive. Acho que o Corona tem muita lenha pra queimar ainda!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Cara, eu vi uma banda (não lembro de onde são) chamada Cattarse (eu acho que escreve assim). PQP, que banda foda. Power triozaço, o guitarrista toca e canta pra caralho! Outra banda que é muito foda, principalmente ao vivo, é o Molho Negro. O show deles é um acontecimento (risos)! E não é porque são meus amigos , mas eu sempre achei o Water Rats muito foda também. Recomendo absurdamente! Tem muita banda de Maringá foda também: Stolen Byrds, Fusage… pô, Maringá faz bandas bem boas!

Antiprisma aponta para novas direções e viagens com “Fogo Mais Fogo”, primeiro single de seu novo disco

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foto por Elisa Moreira

O duo Antiprisma dá um passo em direção à novas direções e sonoridades com seu sigle “Fogo Mais Fogo”, com muita influência de psicodelia e o rock dos anos 60, sem deixar de mostrar a veia folk da banda. “A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas”, conta Elisa Moreira.

“Estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers”, explica Victor José. Em breve a banda lançará um clipe para o single, dirigido por Elisa, e um novo disco, que mostrará as diversas facetas que a fase 2018 do Antiprisma possui. “‘Fogo Mais Fogo’ mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro”.

– Primeiro eu queria falar mais sobre “Fogo Mais Fogo”. Como surgiu essa música, como ela foi composta?

Elisa: A levada e os riffs da “Fogo Mais Fogo” surgiram meio despretensiosamente, estávamos na casa do Victor tocando um banjo véio que ele tem lá com a afinação aberta em sol, e a música acabou tomando forma, com melodia e tudo. Nós estávamos viciados em um vídeo do youtube de um cara da Mongólia tocando uma música folclórica em instrumento típico deles, e aquele som meio mântrico e meio hipnotizante acabou nos inspirando, e também era um som bastante pop. Nesse meio tempo, estávamos conversando com a Gabriela Deptulski, do My Magical Glowing Lens e sempre pintava o assunto de fazermos uma parceria. Então quando estávamos já na pré-produção da gravação, lembramos disso e pensamos que aquela guitarra trippy que ela faz ia combinar muito com a música, então um dia que ela estava aqui em SP marcamos um estúdio e gravamos a guitarra dela com o notebook, foi bem massa. A guitarra dela tem uma personalidade e um som bem característico, nós adoramos, e acho que casou muito bem com a nossa vibe! Depois surgiu a letra e vimos que ficou uma música bem forte, resolvemos gravá-la para o disco e lançar como single.

– E do que trata a letra?

Victor: De certa forma ela fala de retorno de Saturno, aquela fase em que tudo muda de forma quase violenta nas nossas vidas. Quem entende do assunto sabe bem do que se trata! ‘Fogo Mais Fogo’ fala de todo um movimento que te leva para uma outra etapa desconhecida, e que é preciso coragem pra encarar de frente. Talvez signifique outra coisa para outros… está em aberto!

Elisa: A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas. E as mudanças geralmente são meio dolorosas, e isso tem super a ver com o momento que estamos passando em nossas vidas – o retorno de Saturno, o momento de tomar umas porradas da vida e ficarmos mais fortes e conscientes. A vibe é essa.

– Então esse single tem a ver com essa nova fase que a banda tá entrando. Com a adição de um baixista e um baterista na formação? Como isso vai rolar nos próximos sons do Antiprisma?

Elisa: É, estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers… Eu e o Victor gostamos muito de guitarra, então ficamos felizes em colocar mais guitarras nas músicas, cada um com seu estilo próprio. Nós estamos animados com essa nova fase da banda, estamos experimentando a sonoridade ao vivo também.

Victor: Mas pretendemos continuar com o formato de sempre também. Gostamos muito do fato de haver essa troca entre nós dois.

Elisa: Verdade, importante dizer!

Ag Massinhan

– Podem me falar de quem tá tocando com vocês? Essa formação é fixa ou vai variando?

Elisa: Nós fizemos o show de lançamento do single “Fogo Mais Fogo” com o Mariô Onofre (Mescalines) na bateria e o Paulo Akio (Fábrica de Animais) no baixo, dois caras que admiramos muito como pessoas e instrumentistas, e foi bem legal. Nós ainda não sabemos exatamente como vai ser essa parte da nova fase do Antiprisma, porque ainda estamos experimentando, mesmo! Vamos ver o que acontece, o futuro está em aberto – que bom!

– E esse som então mostra que o Antiprisma pretende visitar novos caminhos, talvez um pouco mais viajantes ainda que o do disco anterior?

Elisa: Não sei se mais viajantes, talvez sim! No “Planos Para Esta Encarnação” nós estávamos muito com a ideia de soar o máximo possível como soamos ao vivo, fizemos a produção de uma forma bem minimalista, focada nos violões e nas vozes. Agora, talvez pelo fato de nós mesmos estarmos produzindo tudo (tudo mesmo, até o clipe que vai sair em breve – spoiler!), acabamos experimentando mais e, claro, viajando bem mais também (risos)! A produção ainda está soando fiel ao que fazemos ao vivo, mas não estamos nos preocupando em comedir os elementos que saem do eixo voz e violão/guitarras.

Victor: Acho que tanto no nosso EP quanto no nosso álbum demos algumas pistas de que podemos soar de maneira livre. Acho que podem esperar um Antiprisma mais dinâmico e com outras variações de humor. De certa forma, podem esperar um trabalho de terra, água, fogo, ar e éter. Vários climas, quem sabe.

Elisa: Siiim! Os elementos da natureza estão sendo centrais para a idéia do disco (assim como são para as nossas vidas, na verdade – nos ligamos muito nisso).

Victor: Acho que estamos mais intensos, algo que te a ver com o momento que vivemos, né? Todo mundo meio tempestuoso, procurando (ou não) um sentido.

– “Fogo Mais Fogo” dá uma pista do que virá no novo álbum? Podem adiantar um pouco mais sobre os sons nele?

Victor: De fato “Fogo Mais Fogo” mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro. A ideia é que esse trabalho seja bem variado, com momentos de melodia pop, timbres estranhos, experimentos, formatos tradicionais, reflexões e paisagens.

– O que vocês têm ouvido e que podem citar como inspiração para este novo trabalho?

Victor: Olha, pra dizer a verdade, pelo menos da minha parte, poderia citar quase tudo o que ouço desde sempre. Digo isso porque algumas das composições desse disco a gente vem lapidando desde o primeiro trabalho, sabe? Então a criação dele tem sido bem gradual, de modo que acaba esbarrando em muita coisa, de Led Zeppelin a Tião Carreiro… mantras orientais, pós punk, rock rural, blues. Achamos que este é um bom momento pra criar alguns híbridos e ao mesmo tempo tentar recriar fórmulas clássicas, mesmo porque, na real, meio que enche o saco focar toda a sua energia na fritação sem fim, né? Acho que o momento que a gente vive carece de um pouco de delírio, mas para alguns casos também pede os pés no chão, mensagens concretas, e a gente está buscando encontrar esse equilíbrio.

Elisa: É, acho que nesse disco algumas influências nossas que sempre estiveram ali talvez fiquem mais gritantes, como o pós punk, o indie anos 90…

– Podem me adiantar qual será o próximo single? 🙂

Elisa: Acho que já está certo que vai ser aquele mesmo, né Victor?

Victor: Sim, é aquele!

Elisa: Dá pra adiantar que ele será diferente da “Fogo Mais Fogo”, é outra pegada. E a letra tem uma mensagem um pouco azeda (risos)!

– Por falar em spoiler, deixa eu voltar em algo que quase deixei passar: quando vem esse clipe aí e o que podemos esperar nele?

Elisa: Nós queremos lançar o clipe em breve, tipo logo logo mesmo! Estamos muito na pegada faça você mesmo, inclusive com coisas que nunca fizemos antes, então eu resolvi fazer o clipe da Fogo Mais Fogo, aprendendo enquanto faço (risos). Então a pegada do clipe é experimental, dá pra esperar uma coisa meio doidona e despretensiosa!

“Por sorte sempre vai ter alguém pra dar vazão aos sentimentos”, conta Cyro, da menores atos, em entrevista

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O trio carioca menores atos. (Foto por: Fernando Valle).

O trio carioca menores atos lançou no último dia oito de julho o segundo disco da carreira “Lapso”, que foi bem recebido pelo público, confirmando a banda como uma das proeminentes do atual rolê do rock nacional.

Mais maduros, musicalmente ou pessoalmente, os caras buscaram em suas experiências de vida, moldes e conexões para lançar o novo trampo, tentando montá-lo com outras conexões, outras partes e peças.

Cyro Sampaio, o vocalista e guitarrista da banda, trocou uma ideia com o Crush em Hi-Fi e conversou sobre o novo álbum e sua produção, interação com os fãs e as mudanças que são inerentes.

– 4 anos foi o tempo entre “Animalia” e “Lapso”. Vocês parecem gostar de lançar os discos em ano de Copa do Mundo. Depois do 7×1, assim como a seleção, o que mudou e evoluiu desde então para o novo álbum?

Foram 4 anos tocando bastante, mas principalmente vivendo as nossas vidas; e tudo que rolou nesse meio tempo foi essencial pra gente construir o novo disco. Acho que o “Lapso” é um disco de certa forma mais maduro, principalmente musicalmente. A gente continua fazendo música como antes, mas acho que as peças agora se encaixam de uma maneira um pouco diferente. Eu amo o “Animalia” e tudo que ele trouxe, e o “Lapso” também traz essa carga emocional forte, que é uma das nossas principais características, naturalmente.

– A parceria com a Flecha Discos, além de vocês, incluindo Zander, Chuva Negra e Bullet Bane, resultou no quê para o Lapso?

Resultou no melhor trabalho de produção e gravação com o qual a gente já teve contato. Conseguimos fazer tudo de acordo com o planejado e atingimos o resultado que a gente esperava.

– Gabriel Zander foi quem gravou, mixou e masterizou o álbum. Vocês já o conheciam antes do rolê da Flecha? Como é a experiência de gravar com ele, em estúdio?

A gente já se conhece há muito tempo, na verdade. O “Animalia” também foi feito com ele e mesmo antes disso já éramos amigos e já tínhamos trabalhado juntos em outros projetos. Na real, não imagino a gente gravando com outro profissional. Pro Lapso, ainda contamos com a produção minuciosa do Gabriel Arbex, que esteve com a gente desde o início.

– A galera e o público que interagem com vocês parecem ser tanto um percentual novo na cena quanto um público contínuo a ela desde os anos 2000. Como vocês acompanharam essas mudanças dentro do cenário do rock brasileiro?

A música – e o rock, especialmente – é um lance muito forte pra algumas pessoas. A idade pode chegar, os meios podem mudar, o estilo musical que conversa mais com o público também, mas “É sempre amor, mesmo que mude”, já dizia o Bidê ou Balde em 2004. Sempre vai rolar, sempre vai ter alguém pra se identificar, e por sorte sempre vai ter alguém pra dar vazão aos sentimentos.

– Fotolog; My Space; Orkut e agora Facebook, Twitter e Bandcamp. A forma não só de falar com o público mudou como também a forma de “vender o peixe”. Como lidam com esse diálogo mais direto e recíproco entre artista/banda e público?

Então, tá tudo sempre mudando, a gente vai se adaptando, mas pra quem vem do underground o diálogo sempre foi mais direto mesmo, a gente conhece grande parte dos nossos fãs e faz questão de sempre se fazer presente. A troca de energia no show continua sendo o principal, as redes sociais só ajudam a espalhar as informações de uma maneira mais rápida.

– Vai rolar turnê com o “Lapso”? Sei que vocês estão confirmados em festivais em junho/julho, mas vai ter uma leva de shows própria de lançamento?

Vai rolar turnê sim, já estamos fechando as datas. Por enquanto:

05/7: Teatro da UFF_Niterói
13/7: Imperator_Rio de Janeiro
28/7: Circadélica_Sorocaba
11/8: Festival CoMA_Brasília
12/8: Matriz_Belo Horizonte
19/8: Locomotiva Festival_Piracicaba

O novo álbum da menores atos, “Lapso”, já se encontra nas plataformas de streaming, como Spotify, Deezer, entre outros.

Venus Wave leva o DIY a sério e prepara seu primeiro EP recheado de psicodelia

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foto: Ilka Rehder

O quarteto paulistano Venus Wave é uma banda independente e autossuficiente, produzindo todo seu próprio material com as próprias mãos e questionamentos sobre o mundo. Formada por Julia Danesi (vocal), Manu Rodrigues (guitarra), Camilla Araújo (baixo) e Carol Flores (bateria), o grupo tem muita influência do rock psicodélico dos anos 60 e 70 e do stoner rock, com ecos de Led Zeppelin, Blues Pills, Jimi Hendrix, Purson, Black Sabbath, Rival Sons, Cream e Janis Joplin. Seu primeiro EP está em produção e é previsto para o segundo semestre de 2018. Segundo elas, o disco fecha um ciclo: “Ele contêm músicas que vem sendo desenvolvidas desde 2016. Elas tiveram muitas mudanças desde os primeiros rascunhos, e acreditamos que irão representar o fim de um ciclo passado e o começo de um novo, com a sonoridade agora bem diferente”, contam.

– Como surgiu a banda?
A Venus surgiu no começo de 2016, com uma formação completamente diferente. A banda foi formada pela nossa vocalista, a Julia, e a baixista da época, a Giovana. Elas se conheceram por amigas em comum e ambas tinham uma vontade grande de formar uma banda feminina. A Julia tocava com a Lara (baterista) e depois encontraram a Juliana (guitarrista). Naquela época estava todo mundo começando, e a banda não tinha uma ideia própria de como seria o som, cada uma tinha um gosto musical muito diferente, que transitava entre um rock mais pesado, o indie, psicodélico e o rock clássico. As referências aos poucos foram se misturando, a mensagem e a identidade também foram sendo lapidadas, até que, depois de algumas mudanças de formação, a banda se consolidou em harmonia com a Manu nas guitarras, a Carol na bateria, a Camilla no baixo e a Julia continuou nos vocais.

– Vocês estão preparando o primeiro EP para os próximos meses. Podem adiantar algo sobre ele?
Esse EP contêm músicas que vem sendo desenvolvidas desde 2016. Elas tiveram muitas mudanças desde os primeiros rascunhos, e acreditamos que irão representar o fim de um ciclo passado e o começo de um novo, com a sonoridade agora bem diferente. As músicas conversam entre si, uma vez que falam sobre temas similares: questionamentos sobre sentimentos internos, misticismo (temos uma relação muito forte com o que está por aí, no universo e fazendo parte de nós, que nos parece tão distante e inexplicável), como também sobre deixar a sua mente fluir e aceitar novas ideias. Ao mesmo tempo que as músicas também são muito diferentes, falando sobre a sonoridade de cada uma delas. Rolou muita experimentação para buscarmos uma identidade sonora. Queremos trazer uma experiência transcendental para o ouvinte, como se ele viajasse numa onda de Venus.

Falando um pouco sobre a produção, somos uma banda independente e autossuficiente. Produzimos nosso próprio material gráfico, nossa divulgação, e não seria diferente com nosso primeiro EP. Estamos fazendo tudo em um estúdio construído na casa da guitarrista, Manu, ao lado do produtor João Nin. Ele está nos ajudando a lapidar detalhes, gravar, mixar e masterizar as faixas. É bem bacana ter a liberdade de produzir tudo em casa hoje em dia, em um ambiente confortável para nos expressar, repensar ideias e acompanhar tudo de pertinho.

foto: Ilka Rehder

– Como pensaram no nome Venus Wave e como ele reflete o som da banda?
O nome da banda surgiu de uma conversa de bar, na frente do estúdio que a gente ensaiava na época, ali em Pinheiros. Literalmente sentamos no bar e nos comprometemos a não levantar da mesa até que pensássemos em um nome. Sempre tivemos uma relação muito forte com o espaço, com a astronomia, com elementos que fogem do nosso alcance como seres humanos. Achamos que esse nome representa a banda de forma que: nunca sentimos que fazíamos parte dessa realidade, sempre fomos pessoas estranhas, com mensagens divergentes, que pareciam pertencer a outro lugar. Além de existir um simbolismo direto do planeta Venus com o feminino. Talvez tenhamos vindo de Venus mesmo, quem sabe?

– Como vocês veem esse retorno da psicodelia na música hoje em dia?
Acho que bandas como o Tame Impala, Temples, até a The Outs e o Boogarins, que são da cena brasileira, representam bem essa sinestesia provinda da música. Rola um tabu grande sobre esse tipo de som ser diretamente ligado ao uso de substâncias que possam alterar seu estado corporal, mas a real é que as músicas por si só já representam um universo gigante de cores, texturas e sentimentos. A psicodelia representa esse estado de transe, de viver o momento, de sentir o seu corpo. Se você fechar os olhos escutando esse tipo de música, vai poder sair da onde está sem nem precisar se mover. Sentimos que o momento atual pede por isso, por um escape, por um gatilho que distorça a realidade.

– Quais as principais influências para o som da banda?
Cada membro da banda têm influências próprias, naturalmente. Mas o interessante da Venus foi a mistura: a Camilla é muito ligada em rock psicodélico, músicas mais descontruídas sonoramente, MPB. A Carol já gosta de artistas indie, de músicas minimalistas. A Manu tem uma influência dos “grandes” guitarristas da história, Jimmy Page, Toni Iommi, Jimi Hendrix, com riffs bem marcados e característicos. E a Julia passeia por referências vocais que vêm também de grandes ícones como a Janis Joplin, ou da música brasileira, Rita Lee, mas é muito ligada na sonoridade psicodélica. O nosso som como um todo mistura os anos 60 e 70 com influências mais atuais, tornando as músicas mais contemporâneas.

foto: Ilka Rehder

– Vocês são uma banda 100% feminina. Até hoje o número de mulheres no palco em festivais e eventos musicais ainda é muito menor que o de homens. Como vocês veem isso? Apesar de estarmos progredindo, ainda há muitos problemas?
Ainda há problemas de aceitação. Essa rotulação de “banda feminina”, é muito complicada, na verdade. Nós somos uma banda de mulheres, assim como existem bandas de homens e bandas mistas. Existem subjulgamentos por isso? Sim. Somos parte de um movimento de resistência? Sim. Mas acreditamos que o que queremos acima de tudo é nos expressar e desenvolver nosso trabalho. É uma pena não podermos fazer isso naturalmente, sem nos preocupar com essa segregação, e termos que lutar para mudar isso. Mas a luta por esse espaço já faz parte da nossa realidade enquanto mulheres em todos os âmbitos da sociedade, não só na música. E aos poucos, muitas mulheres, felizmente, vêm ganhando destaque nos palcos.

– Qual a opinião da banda sobre a cena musical independente hoje em dia?
Existe uma diversidade de elementos e estilos que se dão dentro do contexto musical que temos no independente. É tanta coisa boa e diversa acontecendo ao mesmo tempo que só conseguimos associar a uma tela imensa cheia de elementos construindo uma coisa única, por vários lados. Além do rock como um todo e a neopsicodelia, o rap por exemplo, também ganhou uma força imensa, inclusive com as mulheres cis/trans (tem aí a Flora Matos, a Linn da Quebrada, a Tassia Reis e isso só falando das que já são enormes). E diríamos mais que isso, além dos projetos musicais, tem uma galera enorme que contribui demais para a construção de todo esse contexto pelas vias do jornalismo e do entretenimento. A galera dos blogs de música como o próprio Crush, o Cansei do Mainstream, o Minuto Indie, RockALT, são fundamentais para a difusão dos projetos. A galera de iniciativas como A Porta Maldita, o Contramão Gig também são exemplos de espaços justos para o autoral. Além de todos os festivais independentes (que estão cada dia maiores). Vemos com otimismo o que está rolando, principalmente pela integração entre os meios e os projetos, por saber que além de bons músicos e projetos florescendo, temos um público cada vez mais interessado e uma galera de outros lados somando para a construção desse cenário todo. Isso é lindo demais.

– Quais os próximos passos da banda?
Após a finalização desse EP, pretendemos lançar um single acompanhado de um clipe. Enquanto isso, vamos continuar subindo aos palcos e conhecendo novas bandas, fazendo novas parcerias por aí, para divulgar nosso som. Adoramos saber de novos projetos, novos festivais! É um sonho fazer uma turnê fora de São Paulo, também.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
As Bahias e a Cozinha Mineira, As Despejadas, Ventre, Céu, Carne Doce, Six Kicks, Antiprisma, O Grande Grupo Viajante, Andirá, Letrux, Madame Mim, The Mönic (todas possuem mulheres na formação). Também gostamos muito da Leza (que tivemos o prazer de dividir o palco), d’O Terno, Maglore, etc. De bandas gringas, nos ligamos muito ao Blues Pills (que tem a Elin Larsson como vocalista, uma voz poderosíssima), a Maidavale da Suécia (que também é composta por mulheres), o Rival Sons, Temples, Radio Moscow, etc. Tem muita coisa boa pra ser descoberta por aí.

We're BACK!

Nesta sexta-feira, dia 09/03, subiremos aos palcos novamente. Após um longo ano de muito estudo, mudanças e desafios, nosso retorno está marcado no Bar da Avareza, na Rua Augusta! E que lugar seria melhor para nosso retorno que o bar da Cervejaria Mea Culpa, com chopp no tap? Além de comemorar o mês da mulher com um evento feito POR mulheres: na discotecagem, no som ao vivo comandado por nós, além de flash tattoo. E aí, cê não vai perder, né? ;)Comemoramos também o primeiro show da nova formação da Venus, com Manu Rodrigues na guitarra, Caroline Flores na bateria, Camilla Araújo no baixo e Julia Danesi nos vocais.Serviço: Venus Wave no Bar da Avareza | Rua Augusta, 591 | Evento à partir das 19h, show às 23hConfirme presença no evento: ⊙ Pink Friday ⊙ Minas no Rock ⊙

Posted by Venus Wave on Tuesday, March 6, 2018

Demonia, de Natal, prepara-se para dominar o mundo com single “Reptilianos Malditos”

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Demonia

“Reptilianos Malditos” é o pontapé inicial do quinteto de Natal Demonia, formada por Karina Moritzen (vocal), Nanda Fagundes (guitarra), Isabela Graça (guitarra), Karla Farias (baixo) e Quel Soares (bateria). O som fala sobre assuntos conspiratórios como os Iluminatti, a Nova Ordem Mundial e a Elite Oculta, coisas que sempre aparecem na internet em teorias interessantíssimas, mesmo que muitas vezes malucas.

O quinteto está atualmente trabalhando em novas músicas que em breve serão lançadas. “Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso”, conta Quel. “Estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos”, completa.

– Como a banda começou?

Quel: A banda começou de uma ideia de Karina, ela queria montar uma banda só de meninas. Antes disso ela teve um outro projeto (também de meninas) que era a Monstra, porém não deu certo e acabou que ela nos convidou para fazer parte dessa banda, o que acabou dando certo.

Karina: Amanda Lisboa, uma amiga minha aqui de Natal, fez um post no Facebook querendo montar uma banda só de minas. Chamava Monstra e ensaiamos algumas vezes, mas não tava indo muito pra frente, então eu puxei a Karla, que tava na Monstra e chamei as outras meninas. Eu conhecia Quel da Joseph Little Drop porque sempre curti muito a banda, e a Karla e Quel são amigas de longa data. Não conhecia muito bem a Nanda, porque ela é bem mais nova (tem 19, eu acho), mas sabia que ela tocava guitarra e chamei pra tocar. A Isa eu sabia que tocava baixo e ela tava falando no Twitter que queria tocar, mas como precisávamos de guitarrista, chamei ela e ela topou também.

– Agora me expliquem um pouco da letra do primeiro single, “Reptilianos Malditos”!

Isa: A música foi feita porque eu sempre gostei do assunto, Iluminatti e Nova Ordem Mundial, Elite Oculta e etc… Eu vi um site sobre isso chamado Danizudo, onde ele expõe essa galera, faz uns videos e textos sobre isso e com base nisso eu decidi fazer uma música com essa temática, que é meio que expondo a raça dos reptilianos, que eles vieram pra cá há muito tempo atrás e construíram as pirâmides e até hoje eles formam a Nova Ordem Mundial, que controla todas as pessoas.

– E vão rolar outras músicas falando sobre temas conspiratórios assim? O que podemos esperar das próximas músicas do Demonia?

Quel: Estamos em processo de gravação de mais umas músicas nossas.

– Podem adiantar alguma coisa?

Quel: Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso. e estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos.

– Isso me leva a perguntar: como vocês veem a cena musical independente hoje em dia?

Quel: Ainda está caminhando devagar, porem a gente ver que a cena vem de um certo modo avançando. Tem uma galera ai fazendo o rolê acontecer. Karina também tem um selo (Brasinha Discos) no qual produz muitos eventos, e esses eventos sempre são abertos a bandas novas, isso ajuda a incentivar mais a galera a produzir musica própria e dar o gás para continuar também.

– Como chegaram ao nome Demonia e o que ele significa para a banda?

Quel: O nome Demonia é mais uma afronta, vivemos em um mundo bem machista e o nome é bem impactante, e como falamos sobre machismo e outros assuntos o nome é mais pra afrontar essa galera mesmo. Mostrar que somos mesmo as demônias que irão tocar nesses assuntos aí, quer queira, quer não. E isso é muito foda, porque as meninas se sentem bem confortáveis em nossos shows, às vezes falamos o que elas gostariam de falar e não tem coragem.

– Como vocês veem esse crescimento do conservadorismo e o machismo ainda presente no mundo da música (e fora dele)?

Quel: Isso é um puta retrocesso na humanidade, e vemos isso na política e infelizmente alguns desses personagem políticos acabam influenciando a sociedade, é tanto que a gente pode ver um candidatos a presidência do Brasil que é basicamente isso, o Bolsolixo. Um machista conservador que vem tendo muita visibilidade… É foda, e muita gente cai nas conversas desse bicho. Isso reflete muito na sociedade, quando você tem uma mídia que também é manipulada, a maioria da sociedade que tem acesso a esses canais acabam sendo influenciados.

Karina: Quanto a isso de conservadorismo e machismo, a gente vê com muita raiva e tristeza. É um tema muito recorrente nas nossas músicas, falamos sobre o golpe parlamentar, sobre o abuso no Supremo Tribunal Federal de Gilmar Mendes, sobre como é difícil nos sentir seguras em um mundo de homens. Ao mesmo tempo usamos bom humor pra deixar tudo mais leve, porque a gente não pode deixar essas pessoas ruins ganharem e tornarem o mundo da gente escuro como o deles é. A banda tem esse objetivo: afrontar quem quer defender retrocesso e entreter quem quer progredir se divertindo.

Demonia

– Como anda a cena independente em Natal?

Quel: A cena independente de Natal tá crescendo, podemos ver muitas bandas se sobressaindo, muitos nomes do meio underground fazendo sucesso, atingindo públicos. Nós somos uma dessas bandas e é muito lindo de ver esse progresso conjunto. Tem muito o que crescer, mas tá acontecendo devagar.

Karina: Faço mestrado em estudos da mídia e estudo como a internet tem dado destaque a nova música independente nacional. Eu sou bem otimista quanto à isso, acho muito massa ver os selos independentes ganhando espaço em festivais pelo brasil e arrematando cada vez mais público. A cena independente de Natal é linda. a gente tem muita história, tem um livro chamado “100 Discos Potiguares Pra Ouvir Sem Precisar Morrer” que documenta o rock daqui desde os anos 60.

– Quais são as principais influências do som da Demonia?

Quel: Então, somos 5 pessoas com estilos bem diferentes. Eu e Karla temos alguns gostos em comum: gostamos de umas tosqueiras como Os Pedrero, Mukeka di Rato, Skate Aranha e uns punk lo-fizão. A Nanda gosta de uns hardcore melódico e emo. A Karina é mais pro indie, e Isa tem muita influência afro e ritmos tropicais… E assim somos as Demônias!

Karina: A Isa eu acho que tá mais pro pop do que pra música afro (risos). Uma das bandas preferidas ela é Alabama Shakes. A Karla curte punk mas também ouve rap, ela coloca às vezes lá na casa dela, né, Quel? Atualmente eu tô bem empolgada com a Botoboy, acho incrível a performance do vocalista no palco. Mas temos artistas e bandas incríveis que nós somos muito fãs e são uma espécie de mainstream daqui, que o resto do Brasil não faz nem ideia que existe. Calistoga, Koogu, Fukai, são todas bandas incríveis que a gente acompanha há tempos a própria Joseph Little Drop que Quel toca é irada também.

– Quais os próximos passos da Demonia?

Karina: No momento estamos bolando uma session, mas tentando fazer com ajuda de amigos, pois não temos essa grana pra investir. É ralado, mas esperamos trazer um material profissional pro Youtube, que é onde a música está sendo mais popularidade hoje em dia. Queremos tocar em festivais também! Esse ano tocamos no Guaiamum Treloso em Recife e ainda não foi anunciado, mas vamos tocar no MADA aqui em Natal!

– Como vocês veem isso dos serviços de streaming e Youtube tomando conta?

Karina: Eu vejo com muito entusiasmo! Na minha pesquisa eu falo sobre como o Napster tirou o poder das grandes gravadoras e democratizou o mundo da música. Foi uma coisa incrível, um cara de um dormitório de faculdade criar um programa que destruiu toda uma indústria que era baseada em vendas de discos, obrigando-os a se remodelar. Antigamente você precisava que uma gravadora apostasse em você pra chegar em algum lugar. Hoje em dia
você tem total liberdade criativa pra criar o que quiser e jogar na internet, pra que pessoas que se identificam com o que você produz possam te ouvir e te acompanhar. Isso mudou tudo! É claro que as gravadoras se reformularam e não é nada um paraíso perfeito, mas que melhorou muito pro artista independente, melhorou. O Eduardo Vicente da USP tem um artigo chamado “A Vez dos Independentes” onde ele fala da cena de música independente do Brasil antes da internet. Era ralado, o músico independente precisava bater na porta das lojas de discos e pedir pra venderem o disco dele, coisas assim. Hoje em dia não tem mais isso, tá tudo muito mais horizontalizado, isso faz com que MC Loma, por exemplo, saia do interior de Pernambuco e vire o hit do Carnaval que produtores passam o ano inteiro tentando criar. Enfim, é tudo bem incrível e eu acho que esse retrocesso e conservadorismo é em parte uma reação do avanço rápido e repentino das pautas progressistas trazido pela internet.

– Tudo depende do “viralizar”, né.

Karina: Depende e não depende. Essa é uma discussão que tivemos num curso que fiz na UFRJ com o Jeder Janotti Jr da UFPE. Eu acho que existe hoje uma espécie de mainstream de nicho, onde você não precisa ter o alcance da MC Loma pra conseguir atingir seu objetivo como músico independente. Como exemplo disso eu cito o Boogarins. É uma banda que não tá na Globo, mas tá rodando o Brasil inteiro e enche casas de show por onde passa. Eu suponho que eles estejam bem satisfeitos onde estão, são a banda mais bem sucedida dessa cena atualmente, mas não são exatamente “virais”. Mas sim, com certeza os vídeos no Youtube deles terem varias visualizações é algo que ajudou a eles chegarem onde estão, a popularizar a banda. O Boogarins na minha opinião seria mainstream nesse nosso nicho dessa cena independente específica.

– Por fim: recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Karina: O disco d’O Grande Babaca tá sensacional, não vi falarem muito sobre mas tá com certeza um dos melhores da cena atual. O novo do menores atos também tá a coisa mais maravilhosa do mundo. Internacional eu sou apaixonada pelo Kane Strang e o Cosmo Pyke, mas eu acho que o Cosmo assinou com gravadora. Eu sou muito fã do Raça também, tô super ansiosa pelo disco novo. Letrux nós amamos e tivemos a oportunidade de conhecer no Guaiamum, foi genial! Bex, artista potiguar! Ela é paulista mas mora aqui em Natal Potyguara Bardo, uma drag que em breve sai um EP dela. Ela tem um talento absurdo, tem várias musicas no Soundcloud. Potyguara Bardo é uma drag que tem um hit no youtube (100k visualizações) chamado “Você Não Existe”, é uma lombra e Poty é uma fofa amamos muito. Ela gravou um EP recentemente e vai soltar muito em breve! Luan Battes, Joseph Little Drop. Bex, que é uma voz assim que sinceramente você vê ao vivo e parece coisa de outro mundo. E a Concílio de Trento, a outra banda de Nanda, hardcore melódico lindíssimo, acabaram de soltar um EP que tá com uma qualidade animal chamado “Tomara Que Não Chova”. Eu queria só agradecer você por se interessar na gente e se dispor a nos entrevistar! Você foi um dos primeiros a nos notar então muito obrigada por estar atento e buscando bandas novas pra fortalecer a cena!

Fluhe prepara para julho o EP “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, com influências de soul, trip hop e música africana

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Chico Leibholz já passou por diversos projetos musicais, mas o Boom Project foi o pontapé inicial para o seu trabalho mais autoral e pessoal, o Fluhe, que lançará seu primeiro EP, “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, em julho pela Alcalina Records.

Com influências de soul, trip hop, música africana, glitch e muito mais, ele compôs as canções do projeto sem muita pretensão para extravasar noites de insônia, depressão e ansiedade que lhe acometiam há algum tempo. Daí saíram músicas dedicadas às suas filhas, Luna e Helena, em um estilo que ele define como instrumental trip noise.

– Como surgiu esse novo projeto e como seus projetos anteriores influem no som?

Cara, surgiu de uma forma muito despretensiosa. Eu havia feito os rascunhos das músicas durante a segunda gravidez da minha esposa, e a princípio iria deixar no meu HD. Tirar a depressão, noites sem dormir e fadiga mental da minha cabeça. Nesse meio tempo fui chamado para tocar bateria em dois projetos, um com o Jimi Arrj e outro com o Rafa Bulleto. Basicamente juntei todos pra formar minha banda. O único projeto anterior que de fato influencia a Fluhe é a Boom Project, que era instrumental. Na real foi com a Boom que aprendi a fazer música instrumental, que hoje é o que (acho) (risos) sei fazer.

– E de onde surgiu o nome?

O nome é uma homenagem bem paternal. Fluhe é “for Luna and Helena “, que são minhas filhas.

– Pelo que entendi, elas são basicamente o motivo do projeto existir, certo?

Diria que o motivo é minha esposa. Elas são as melhores consequências disso tudo.

– E como você definiria o som desse projeto?

Instrumental trip noise. Peguei influências de soul, trip hop, música africana, glitch e fiz músicas sem pretensão. O noise vem de noites sem dormir e muita estafa.

– Me fala um pouco sobre as músicas desse projeto que você tem e como foram compostas. Pode ser tipo faixa a faixa, se quiser.

Massa!

01 – “Além das Bandeiras” – Numa dessas buscas infinitas madrugada adentro sobre eu mesmo caí em uma entrevista do John Lennon, de 1968. Ele fala como via o mundo naquela época, e basicamente parece semana passada. Fiquei com aquilo ecoando na cabeça e fiz um sample e depois criei a estrutura inteira.

02 – “Soturno Soturno” foi uma das músicas mais dolorosas durante o processo de gravação do EP ”Leve Devaneio Sobre Ansiedade” que sai em julho, via Alcalina Records. É a faixa que expressa um momento entre a véspera do nascimento da minha segunda filha, uma estafa mental, cansaço, noites sem dormir e um círculo vicioso com álcool.

03 – “A Segunda Casa” – Eu me mudei para São paulo em 2006 e fiquei até 2016. Essa música reflete tudo o que vivi na cidade. O caos, a solidão, aquele medinho que todo mundo que sai de uma cidade do interior e muda para a capital sente. O lance de estar solteiro, suscetível a conhecer alguém, de conhecer. Passar perrengue, se foder, Casar, ter filhos, crescer, sofrer, resistir, e se ludibriar. Esse é um leve devaneio da minha relação com sp. Pra mim é um trip hop gordo com sobras.

04 – “O Golpe” – Não sei para você, mas pra mim desde o golpe piorou. O sample é um trecho de uma entrevista do Tim Maia. Graças à Boom Project aprendi groovar com distorção..

05 – “874 C” – Essa é uma demo resgatada de um dos últimos ensaios com a Boom Project. Foi quando eu havia engrenado a tocar com dois guitarristas. Quase a melhor formação, e a que menos durou. Era o Nirso no baixo, André Zaccarelli na guitarra, Lucas Oliveira (Vitreaux, Maglore) na outra guitarra e eu na bateria. Perguntei se podia torná-la minha e eles liberaram. Groovão. Regravei a versão da demo mudando algumas coisas.

06 – “Alone and Empty” – o riff veio de alguma das vezes que tocava violao para minha filha mais nova, depois que ela nasceu. Foi a última música a entrar no EP. Essa música sintetiza minha compreensão sobre depressão. Você sempre se sente só e vazio entre momentos caóticos quase felizes. Ela conta com a participação de Luka Funes nas guitarras.

– Você pretende continuar com o projeto ou foi algo pensado apenas para o EP?

A partir do momento que essas músicas viraram parte de um todo, e um projeto meu virou uma banda, o plano é continuar. Tenho rascunhos de um próximo ep e de um primeiro full.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos temspo!

Confesso que tenho escutado muito menos que que gostaria, mas é pelo fato de eu estar morando no interior de São Paulo e a grande maioria dos rolês aqui é de banda cover. Mas o que me mostraram e eu curti bastante foram: o duo Antiprisma que é folk psicodélico, a Leza que além de ser do brother Gustavo, pra mim é um stonerzão bem psicodélio, mais pra psico que stoner, mas é chapado. O disco “Vol 2” da Sheila Cretina também é fodão. Indico também as meninas do Obinrin Trio e o som do Giovani que nem é tão mais independente assim.

Ouça o single “A Segunda Casa”:

Quinteto suíço Miss Rabbit quer trazer seu barulho sônico para o Brasil

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Miss Rabbit

A banda suíça Miss Rabbit começou como cover e aos poucos foi inserindo suas músicas próprias nos shows, misturando influências diversas de punk, pós-punk, reggae, blues e muito mais para criarem seu som vulcânico e cheio de potência. Por isso,  Angela Bösch (vocal), Melanie Curiger (guitarra), Fabienne Curiger (baixo), Roger Köppel (guitarra) e Thomas Frei (bateria) não fazem um som muito fácil de definir, já que cada música segue um caminho que reflete a personalidade de seus integrantes.

Mesmo nos álbuns que lançaram até agora, “Miss Rabbit” (2013) e “Tales From The Burrow”(2016), o som continua mostrando todas as experimentações sonoras que o quinteto desenvolveu desde seu início. “Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver”, explica Fabienne, com quem conversei um pouco:

– Como a banda começou?

Foi em uma noite engraçada no nosso bar favorito. Quatro amigas decidiram que era hora de começar uma girlband.

– Por que o nome Miss Rabbit?

Miss Rabbit era o nome do coelho do nosso guitarrista. Como uma banda cover, nos chamávamos Wotan’s Hasen (Coelhos de Wotan), Wotan era o nome do nosso primeiro baterista. Então, tem algo nostálgico por trás disso também.

Miss Rabbit

– Quais as maiores influências musicais da banda?

Somos muito abertos a todos os tipos de música, mas especialmente Nirvana, Juliette Lewis e Danko Jones, alguns dos nossos grandes ídolos.

– Quando vocês decidiram mudar do cover para fazer suas próprias músicas?

Nós nos divertimos muito como cover e quando nosso ex-baterista começou sua jornada pelo mundo, decidimos continuar e escrever nossas próprias músicas.

– Como o seu público reagiu a isso?

Colocamos mais músicas próprias em nossos shows pouco a pouco, então o público teve tempo suficiente para se acostumar.

Miss Rabbit

– Como está a cena do rock hoje na Suíça?

A cena musical aqui é, infelizmente, um pouco sobrecarregada, com bandas sem fim e infinitas possibilidades de ver uma banda online via streaming. É difícil tirar as pessoas de suas casas para assistir bandas ao vivo.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Começamos a escrever nossas próprias músicas em 2010. Estávamos tentando encontrar nosso próprio estilo, experimentando gêneros diferentes como punk rock, ska, reggae, blues, baladas e também escrevemos algumas letras em alemão. Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver.

– Vocês já estão trabalhando em novas músicas? Você pode nos dar alguns spoilers?

Sim, na verdade nós trabalhamos no nosso terceiro álbum, que esperamos lançar no final de 2018. No momento, não podemos dar spoilers, mas nos siga no Facebook e você vai ficar sabendo!

– Quais são os próximos passos da banda?

O mundo! (risos) Brincadeira. Sua alma! Honestamente, nós adoraríamos tocar em todo o mundo, especialmente na América do Sul. O nosso guitarrista tocou no Brasil antes e ele adorou o público incrível daí.

– Recomendem bandas independentes e artistas que chamaram sua atenção ultimamente.

Nós tocamos dois grandes shows com The Soapgirls (ZA) – www.soapgirls.com. Nós logo nos tornamos amigos
e ficamos impressionados com a paixão delas pelo que estão fazendo. Outras bandas que merecem ser
ouvidas são:
Skafari (CH) www.skafari.ch
Never Say Die (AT) www.neversaydie.at
Nachtschatten (DE) www.nachtschatten-band.com
Crossed (CH) www.crossed.ch

Violins – O retorno do hiato e a “Era do Vacilo”

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Beto Cupertino - voz e guitarra Pedro Saddi - teclado Gustavo Vazquez - baixo Fred Valle - bateria

Há aproximadamente um mês, entrevistei o vocalista e compositor de uma de minhas bandas nacionais preferidas que, após quase 10 anos de hiato, lançou uma música nova. Quando o Violins anunciou em sua página do Facebook que voltara do hiato e lançaria um disco novo neste ano, no mesmo dia comentei com alguns amigos: “poucas vezes me arrisco a dizer isso, mas acredito que esse vai ser um dos melhores álbuns de 2018”.

Pouco tempo depois, saiu o line-up completo do Festival Bananada, um dos grandes festivais de música do Brasil, que aconteceu nesse mês em Goiânia – GO, cidade natal da banda e, lá estava o nome deles. Outro ponto que me deixou surpresa foi o anúncio de clipes, eles nunca foram de produzir videoclipes.

Quem não conhece a banda deve se perguntar porque me surpreendi tanto com coisas que artistas fazem o tempo todo, ainda mais em tempos onde produções audiovisuais estão em alta, onde as redes sociais são uma vitrine comum e tocar em festivais também. Mas o Violins nunca seguiu regras, sempre foram o verdadeiro Lado B. Não de uma maneira hipster e proposital, mas de forma genuína, simples, pé no chão.

Depois de conversar com o vocalista e compositor Beto Cupertino, entendi que Violins é o que é, é porque é, sem mais complicações, estratégias ou pretensões.

Hoje em dia vemos muitas bandas com excelentes apresentações, técnicas impecáveis, execução perfeita das músicas, palcos maravilhosos, discos muito bem produzidos, mas não trazem verdade nenhuma no que fazem, algumas nem mesmo na mensagem, é um teatro bem feito, sem genuinidade, não transmitem verdade alguma. Violins anda na contramão do excesso de profissionalismo das bandas atuais e ressignifica a palavra amadorismo. Faz porque ama.

Outra coisa interessante sobre a banda, é que apesar de diversos fãs fiéis espalhados por todos os cantos, a grande maioria acima de 25 anos (devido ao contexto, cronologia e tempo do último hiato), existem poucas entrevistas com eles, nenhuma após a última pausa. Eu que sempre quis ficar de frente com um dos compositores que mais me influenciaram no fim da minha adolescência e que até hoje é um dos meus favoritos da música nacional, não sabia por onde começar as perguntas. Conheci Violins em um período conturbado e aquelas letras, aquele sentimento cru expressado nas músicas repletas de existencialismo, me mostrou que eu poderia colocar beleza em qualquer coisa. Não me fizeram mudar a forma de ver algumas questões, me fizeram mudar a forma de lidar com elas. Eu lia as letras do Violins como quem lia contos, mesmo sem áudio. A forma metafórica e o realismo que Beto Cupertino utilizava para abordar coisas aparentemente complexas era genial. Então, o que eu iria perguntar para esse cara? Lembrei que alguns amigos e músicos também tinham a curiosidade de saber várias coisas que ainda não haviam sido esclarecidas pela banda. Por fim, com todas as perguntas em mãos, procurei Beto, que foi muito gentil e extremamente receptivo.

Beto diz não saber nada sobre internet e esse é um dos motivos pelos quais a banda ainda não é tão presente nas redes sociais (ainda). Comprovei a veracidade disso, porque foi uma dificuldade para que ele entendesse como funcionava uma entrevista por vídeo no Skype, mas no fim das contas, deu tudo certo e aqui está:

– A pergunta que todos querem saber: qual foi o motivo do hiato, por que tanto tempo?

Beto: Foi uma coisa natural da vida de cada um. A gente vai ficando velho, as contas chegam e desde o começo da banda eu tenho uma vida profissional que me sustenta, até porque mexer com música é só prejuízo, né (risos)? Então por essas ocupações cotidianas das pessoas da banda e até por já ter gravado muitos discos, naturalmente começamos a parar de ensaiar, fazer shows e aí ficou assim por um bom tempo. Desde 2012 que não lançávamos um disco e agora vamos lançar um neste ano. Nunca ficamos parados por tanto tempo. Mas fizemos alguns shows, poucas vezes. Fizemos há pouco tempo um show em comemoração aos 10 anos de “Tribunal Surdo” aqui em Goiânia.

– Hoje vemos muitas bandas utilizando um contexto nas letras como vocês faziam há muitos anos atrás, conteúdo com mais “tristeza”, mais carregados de conflitos, em paralelo a uma ascensão de bandas psicodélicas e positivas. A Violins e outros grupos da mesma época influenciaram muitos dos grupos de hoje com certeza. A quê você acha que se dá essa nova leva de compositores?

Beto: Sendo sincero, estou acompanhando pouco a cena musical e escutando pouca música. Não conheço muito o que está acontecendo agora, então sou muito displicente para analisar essas coisas. Mas acho que tem a ver com a própria situação social e política do país, mais acirrada, então acho que esse sentimento de frustração, de irritação, de revolta e a vontade de usar as coisas mais marginais da vida para fazer alguma representação em músicas tem a ver com os ciclos da vida, faz parte da história do lugar onde você está vivendo, isso te influencia de alguma forma e as pessoas têm mais necessidade de escrever sobre isso. Eu sinto essas coisas muito presentes na minha realidade, então falar sobre isso faz parte de uma manifestação natural minha. Talvez tenham muitas pessoas que não têm interesse em falar sobre isso, mas tem muita coisa para ser falada. Faz parte do meu cotidiano, das coisas que eu gosto de escrever e acho interessante. Mas na discografia da banda tem muita coisa muito diferente também, sobre relacionamentos, sobre paixões e amores, até coisas mais otimistas, então a banda não é só a parte politica e ‘’baixo-astral’’, varia de acordo com o que passamos enquanto pessoas.

– Me parece que a discografia do Violins realmente é um reflexo das fases dos compositores. Os últimos dois álbuns tinham algum ar mais “positivo”, Aurora Prisma soava mais romântico, Grandes Fiéis já trazia sentimentos em uma perspectiva mais amarga e conflituosa. Tribunal Surdo foi mais social e marcante para muita gente, inclusive a música ‘’Grupo de Extermínio de Aberrações’’ que causou muita polêmica na época por abordar o fascismo com uma ironia enorme, sem dizer que era uma ironia e naquele tempo não discutíamos alguns temas (racismo, homofobia, elitismo social, etc.) como hoje…

Beto: O “Tribunal Surdo” foi feito para ter essa musicalidade mais suja, falando sobre coisas meio feias, mas eu acho que ele tem uma beleza justamente nessa visão de que sempre que você denuncia alguma coisa ruim, de alguma forma você esta tentando olhar para alguma coisa melhor. Então, no fundo dele, em algum lugar, ele tem essa esperança meio suja. Esses dias estava conversando sobre as pessoas das minhas redes sociais, como muitas têm pensamentos completamente diferentes dos meus mas estão nas minhas redes sociais por causa da música, eu fico pensando porque essa música atrai uma pessoa que pensa tão diferente de mim. Por exemplo, um disco como o Tribunal Surdo. Será que a pessoa ouviu e não entendeu como uma ironia? Que eu realmente penso como diz na ‘“Grupo de Extermínio de Aberrações’’ e algumas outras? Eu lembro que quando saiu o encarte do disco, até colocamos na capa que as letras eram ficções e tudo mais, porque eu sabia que esse tipo de interpretação poderia vir. Mas lançamos porque achamos que seria importante falar das coisas que falamos e da forma que falamos lá. E que bom que existem pessoas que reconhecem tanto esse disco, se uma pessoa gostou desse disco, já justifica o motivo dele existir.

– Ainda sobre Tribunal Surdo e aproveitando para trazer algumas perguntas de outras pessoas, o Ian Black, publicitário e também grande fã da banda, perguntou qual a possibilidade de vocês terem um álbum mais conceitual e político como foi o Tribunal Surdo.

Beto: Esse disco novo tem muitas músicas que vão por essa vertente. Algumas músicas dão uma “quebrada” para não ficar muito monotemático, mas tem muitas músicas que refletem esse ambiente político. É um disco que vai ter muita ligação com os discos anteriores que também faziam esse tipo de abordagem. Então sim, ele vai mais pela linha do “Tribunal Surdo”. A diferença é que ele é mais “acessível”, musicalmente falando. As músicas vão entrar de forma mais suave aos ouvidos, o Tribunal Surdo tinha uma sonoridade mais fechada. Esse disco é fácil de entender, tem um apelo mais “pop”. É um álbum mais “palatável”, mas ainda com as letras mais agressivas, as vezes irônicas, meio na linha do Tribunal Surdo mesmo.

– Vocês não são muito ativos nas redes sociais e na internet em geral, por que?

Beto: A banda sempre foi meio das sombras. Esses dias eu estava até perguntando se tínhamos Instagram, fui procurar e não encontrei, acho que tenho que procurar saber com alguém se existe, porque eu realmente não me lembro. O site está fora do ar. A banda também estava sem ensaiar, sem tocar, acho que quando estávamos mais ativos havia um preocupação maior, faz parte também do nosso afastamento da rotina de banda que foi diluindo as “manifestações internéticas”.

– Hoje a internet vai além de “baixar musicas”, ela forma opiniões, ela comunica diretamente com quase todos os públicos. É muito difícil para uma banda atingir algum público sem ter presença na internet, principalmente com os mais jovens. Como vocês pensam em atingir essas pessoas mais novas que ainda não tiveram contato com a banda? É intencional esse “desaparecimento”? Tem quem pense que é uma estratégia para a banda continuar sendo considerada “Lado B”.

Beto: Agora nós já temos uma pagina no Facebook, mas pretendemos sim começar a atuar mais nesses canais de comunicação. Temos a consciência que hoje a internet é o maior canal e vamos revigorar tudo para inserir as novas músicas e a nova fase. Não existe nenhuma pretensão “cult” em se manter escondido, não é intencional, é na maioria das vezes pela nossa correria de vida individual mesmo, falta de tempo. Eu, por exemplo, trabalho o dia inteiro e depois vou para a faculdade. Muitas vezes não consigo me dedicar como gostaria. Ser desconhecido não traz nenhum benefício para a banda.

– Vocês anunciaram recentemente que lançariam videoclipes nesse ano. De onde veio a vontade de começar a trabalhar com audiovisual?

Beto: Temos pouco material audiovisual, clipes mesmo temos só dois. Mas também vem dessa necessidade de se fazer mais presente em outras mídias.

– E porque voltar aos palcos agora? Tem algum motivo específico?

Beto: O mesmo motivo que gerou todas as nossas manifestações: foi instintivo, não foi nada planejado. Eu achei que depois de 2012 a gente nunca mais iria gravar um disco, que já havíamos feito o suficiente. Mas recentemente me bateu uma vontade de escrever músicas e como eu sei que a banda tem uma história, falei com o pessoal que seria interessante fazer algumas coisas novas, sem nenhuma pretensão, só para fazer as músicas acontecerem. Eu acho que a parte mais legal de ter banda é ir para o estúdio gravar, compor os arranjos, gravar as vozes. Eu acho isso muito mais legal do que tocar ao vivo. Tocar ao vivo é muito ruim as vezes, algumas coisas escapam do nosso controle, ainda mais quando se trata de uma banda independente, você depende muito de outras coisas, não sabe se o palco vai ser bom, se a estrutura vai ser boa. Já a parte criativa está mais dentro do nosso controle e é a parte que mais me dá prazer em ter banda. Então dentro dessa filosofia eu procurei os meninos para gravar, o Tiago (ex-baixista) não animou muito e sugeriu colocar outra pessoa no lugar. O Gustavo Vasquez produziu nossos discos e agora esta com a gente no baixo. Eu já tinha muitas musicas feitas e algumas surgiram durante o processo, agora temos dez musicas inéditas para lançar.

– O nome “Era do Vacilo” é muito bom. De quem foi a ideia de usar essa ironia cômica no título do álbum?

Beto: Foi uma ideia minha. É um nome cômico ao mesmo tempo que é realista. Diante dos últimos tempos, das relações das pessoas na internet, da situação política no Brasil, acho que realmente estamos na “Era do Vacilo”. É um nome bem simbólico sobre a era em que o disco será lançado. A ironia sempre tem uma comicidade por trás. Tem muita coisa tragicômica por trás das musicas do Violins, até exagerando em alguma coisa para deixar ridículo. Eu acho legal utilizar essa figura de linguagem nas letras porque ela abre um leque de interpretação.

– E o álbum está previsto para sair quando?

Beto: Estamos trabalhando nele com calma, sem atropelos, para ficar exatamente como queremos, mas acredito que nesse semestre ele será lançado.

– Vocês voltaram à ativa em um período muito conturbado, socialmente e ideologicamente. Estamos em um caos social, onde todos estão divididos e existe muito extremismo, isso torna mais difícil compor e se expor, existe um risco que não existia antes. Quem viveu entre os anos 90 e 2000, se encaixa muito bem naquele trecho de Clube da Luta: “Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Não tivemos uma guerra mundial, não temos uma grande depressão. Nossa guerra é espiritual, nossa depressão são nossas vidas”. Essa ausência de conflitos marcantes fez a nossa geração se tornar terrível. A geração que vem agora, consegue presenciar mais conflitos sociais, tem mais necessidade de lutar, mas ao mesmo tempo tem grandes dificuldades de se relacionar e se comunicar, não tem hábitos de leitura, nem de desenvolver um raciocínio aprofundado, escrevem em apenas 140 caracteres, se comunicam na maioria das vezes pelo WhatsApp, é tudo muito superficial. Já o Violins tem uma linguagem mais complexa, temas mais profundos e contestações sociais, então como vocês acham que será a aceitação das novas músicas perante a nova geração? Como vocês vão se posicionar liricamente e dentro dos temas abordados para atingir essas pessoas?

Beto: Eu acho que as músicas estão escritas de uma forma clara. Não tem muita complexidade em termos de letra. Contudo, cada um tem o seu jeito de escrever e eu acho que o meu não vai mudar muito. As letras desse disco vão ser mais parecidas com as do Tribunal Surdo, seja com metáforas, ironias ou narrando uma estória. Uma das músicas narra a estória de um cara que tomou uma bala perdida. É mais ou menos como o “Tribunal Surdo” fazia também.

– Você tem um pouco dessa ‘“pegada” storyteller, né?

Beto: Eu acho muito interessante isso de contar uma pequena estória dentro de uma letra. Claro que existe uma limitação muito grande porque letra de música é uma coisa muito achatada, tem que respeitar métricas e tudo mais, então as coisas são mais limitadas. Mas esse também é um desafio legal. Quando as composições se tratam de uma estória, elas têm que ser escritas de uma forma que seja muito clara, com começo, meio e fim e com a mensagem que você quer passar. Mas acho que as letras dessa vez estarão fáceis de compreender, apesar de não serem tão diretas. Elas estão dentro de toda a temática atual, claro que dentro da minha perspectiva de ver o mundo, algumas pessoas vão se identificar e outras não, mas é normal, tudo bem.

– O Ian Alves, guitarrista da Brvnks, também de Goiânia, perguntou quais as referências que você utiliza na hora de compor e se você tem alguma dica para quem quer compor bem em português.

Beto: É muito difícil falar em referências porque muitas pessoas e coisas te influenciam sempre. Existem as referências de texto, existem as referências na hora de compor uma sequência de acordes na guitarra que são diferentes das utilizadas para criar melodias. As vezes tem uma referência vocal dos Beach Boys, da década de 60, com aquele monte de vocalistas e tudo mais, mas ao mesmo tempo gosto de guitarras de rock inglês. E além disso tem as influências da minha infância, de Clube da Esquina, misturado com coisas da adolescência como Deftones (que tem uma melodia e peso que gosto também). É meio que um caleidoscópio de influências que monta uma pessoa, cada uma vai ter as suas, então acho difícil dar referências porque são minhas referências baseadas no que eu passei, estudei e aprendi, da cultura que eu cresci, essas características formam cada compositor. Provavelmente o cara que cresceu em um bairro diferente do meu vai ter outra visão do mundo e outras influências. Por isso acho muito difícil dar receitas prontas para composição, é algo muito individual. O meu método é muito caótico, não sigo uma ordem de escrever primeiro e depois compor a melodia, geralmente faço os dois ao mesmo tempo, mas isso também não funciona para todos.

– Ele também perguntou se você tem alguma influencia de Sunny Day Real Estate, porque viu que você tem até tatuagem da banda.

Beto: Muitos discos do final da década de 90 me influenciaram bastante, dentro das bandas americanas que eu gosto muito está o Sunny Day Real Estate, com certeza me influenciou muito, principalmente no inicio da Violins.

– E quais outras bandas ou artistas que o Violins tem como referência? Porque sempre tenho dificuldade para classificar a banda em algum gênero ou descrevê-la. Você também tem essa dificuldade?

Beto: Eu considero uma banda de rock e pra mim isso é o suficiente. Mas se precisar detalhar eu também tenho dificuldade em dizer, até porque eu não domino muito essas “classificações”. Então somos uma banda de rock, ou rock independente, as vezes “rock alternativo” por ser mais elaborado, ou mais melódico, ou mais difícil de compreender. Sendo só de rock pra mim tá legal. Posso citar algumas bandas como o Radiohead, os primeiros álbuns deles dos anos 90 me influenciaram bastante, o próprio Sunny Day Real Estate e as bandas chamadas de “emo” na década de 90. Também gosto muito de rock inglês, ouvi muito Beatles e Pink Floyd na infância. E gosto muito de música pop, escuto muito.

– O Douglas Carlos, da Sick, banda de rock instrumental experimental do Triângulo Mineiro (banda ótima por sinal e que recomendo bastante), perguntou como você se sente ao ver algumas composições antigas, se tem alguma que você se arrepende, ou que não faz mais sentido nenhum e se tem alguma que hoje faz mais sentido ainda.

Beto: Olha… tem muita coisa que eu escrevi que eu não gosto mais hoje em dia, que eu não faria novamente. Tem coisas do Aurora Prisma mesmo que hoje não gosto mais em termos de letra (vou falar só do disco e não da musica, tá? risos). Mas também tem esse lado de escutar coisas antigas que hoje fazem muito mais sentido do que na época, acontece isso às vezes. O legal da musica é isso. A partir do momento que você grava uma música e ela fica eternizada, ela passa pelo tempo e a interpretação sobre ela também muda. Por isso é bom escrever coisas mais abstratas, porque elas permitem interpretações diferentes que você pode sempre revisitar de formas diferentes.

– Vocês vão tocar no Festival Bananada, que além de ser um dos maiores festivais de música alternativa do Brasil, acontece na cidade de vocês. Muitos consideram essa apresentação como o grande retorno da banda. Vocês também enxergam dessa forma? Qual a expectativa para esse show?

Beto: Tocar no Bananada é massa demais, a gente toca no festival desde o começo dos anos 2000 quando começou a crescer esses festivais aqui em Goiânia, junto Goiânia Noise, depois o Vaca Amarela, mas esses dois festivais, o Bananada e o Goiânia Noise são muito tradicionais, o Bananada tem 20 anos. A gente ficou por um tempo sem tocar nesses festivais mas nesse ano estamos muito animados, principalmente porque vamos tocar as músicas novas pela primeira vez ao vivo, a gente ainda nem ensaiou essas músicas juntos com a nova formação da banda. A gente foi construindo as músicas no estúdio, então eu nunca toquei elas com o Gustavo na banda, por exemplo. Então pra nós vai ser uma coisa nova, porque nunca tivemos isso na nossa história. Sempre que a gente ia gravar um disco, já tínhamos ensaiado pra caramba, aí entrava no estúdio e gravava, mas dessa vez não, fomos meio que fazendo as músicas separadamente, juntou tudo e gravou. Ficou muito legal, foi muito bom esse processo porque as músicas ainda são muito novas pra gente, então não tem aquele sentimento de tocar ao vivo e já estar cansado da música, no nosso caso ainda nem ensaiamos, inclusive temos que fazer isso logo porque o show está perto, mas vamos tentar ensaiar pelo menos uma semana antes pra não passar muita vergonha (risos). Mas vai ser ótimo, é um público grande, uma oportunidade boa pra divulgar as músicas novas.

– Você sabe quem tem pessoas que vão ao festival só para ver vocês tocarem, certo?

Beto: Uma pessoa me falou no Facebook esses dias que sairia do Rio de Janeiro só para ver o nosso show no Bananada. Toda vez que tocamos em algum lugar e alguém me diz que viajou só para ver a gente tocando, pra mim é o auge de realização de uma pessoa que faz música, quando alguém vem te falar que saiu da cidade dela só para ver o show da sua banda, pra mim é a coisa mais foda que pode acontecer. Na primeira vez que isso aconteceu comigo eu não acreditei, eu achei que a pessoa estava tirando onda com a minha cara, foi difícil acreditar que era verdade. A gente toca na maioria das vezes em capitais, então quando a gente vai tocar em Belo Horizonte por exemplo, tem muitas pessoas das cidades próximas que vão, até pessoas de São Paulo, isso é muito mais do que a gente pensou quando começou a banda, lá em 2001, no quartinho da minha casa. Na época a gente queria ter uma chance de tocar no Goiânia Noise apenas, era o nosso “auge”, então isso pra mim é uma realização como compositor. Ter uma pessoa que viaja pra te ver tocar é uma coisa muito foda.

– E vai acontecer turnê nova com o disco novo?

Beto: O problema de fazer shows é a agenda de cada um, aí já fica uma complicação, a gente não tem essa flexibilidade de horários nas nossas vidas profissionais pra ficar uma semana viajando. Então não tem como fazer turnê porque não tem como ficar vários dias fora, cada um tem um trabalho fixo aqui e dependemos deles. Os shows que fazemos geralmente são em fins de semana, bate e volta, não conseguimos emendar dias e dias de show. Fazemos um show pontual aqui ou ali mas não vai acontecer uma sequência enorme de apresentações porque não temos condições mesmo de fazer isso por inúmeros fatores. Mas claro que pretendemos tocar várias vezes e em vários lugares para divulgar o disco.

– Ok, mas suponhamos que apareçam boas oportunidades, o álbum estoura, vira um sucesso, aparecem várias propostas, inclusive financeiras, e aí? Vocês estão preparados pra isso?

Beto:  Eu não tenho isso como objetivo. Se isso acontecer provavelmente eu vou negar.

– É sério? Você negaria?

Beto: Eu não tenho nenhuma vontade de viver só ganhando dinheiro com shows e música. Minha vida já está construída em outra carreira, eu não trocaria o que eu tenho hoje pra ficar vivendo com um pouquinho só para fazer música, eu não consigo. Eu me cansaria de ter que viajar e tocar toda hora, eu não gosto desse ritmo, sou muito caseiro, não é pra mim esse tipo de coisa. Eu já considero que eu vivo de música justamente porque eu não dependo dela para pagar minhas contas, então eu posso realmente viver o que eu quiser na música porque eu não dependo dela, essa liberdade pra mim é muito legal.

– Algumas bandas que surgiram na mesma época que vocês estão voltando aos palcos também, isso é muito interessante. E ainda dentro desse tema, o Luden Viana da banda E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante perguntou como vocês conseguiram permanecer ativos durante tanto tempo, tendo em vista que a banda chegou a acabar e voltou devido a pedidos do público na época do Orkut. Como é ser uma das poucas bandas independentes remanescentes do começo dos anos 2000?

Beto: Eu acho que houve um ciclo. Acho que muitas bandas dessa época ficaram muito presas dentro do que estávamos falando, do objetivo de ter que fazer a banda “virar alguma coisa”. Houve uma euforia no começo dos anos 2000, muita coisa sendo construída, as bandas independentes começaram a tocar nas rádios, mais estrutura para as bandas, festivais rolando no Brasil inteiro, mas aí as pessoas viram que dali pra frente não caminharia muito mais e eu acho que isso gerou uma ressaca em muitas bandas, que inclusive desapareceram nessa época. Eu acho muito bom que os integrantes das bandas que estão voltando agora tenham amadurecido enquanto pessoas e estão voltando a fazer música de uma forma despretenciosa (no sentido do “profissionalismo” da banda), fazendo as coisas por amadorismo no sentido de fazer porque ama, no bom sentido da palavra amador. E isso não significa fazer mal-feito e sim fazer com carinho, porque gosta, com um sentimento legal, sem aquela pressão de ter que fazer a banda ser isso ou aquilo. Essa pressão acaba com a banda, acaba com a credibilidade dos artistas, acaba com a espontaneidade da música. E alguns dos integrantes das bandas que passaram por essa ressaca agora já estão mais decididos na vida pessoal mesmo e decidiram voltar a ter banda porque gostam de tocar juntos, gostam de gravar, gostam de fazer shows e se só 10 pessoas ouvirem e gostarem, foda-se. O importante é fazer parte disso e é isso que vale.

– Depois de conversar com você, percebe-se que realmente vocês tem pouca noção do simbolismo que o Violins tem para muita gente e a influência que é para muitas outras bandas, é interessante ver essa forma verdadeira e despretensiosa de levar a banda e o que vocês fazem.

Beto: Talvez eu não tenha essa noção, mas eu fico muito feliz de imaginar que possa acontecer isso, de achar que tem quem nos tenha como referência. Esses dias eu estava lendo uma entrevista com uma banda aqui de Goiânia, o Components, e eles estavam citando o Violins como influência e eu pensei como isso é legal, ter uma banda que influenciou uma outra banda, um músico ou uma pessoa na vida mesmo, que foi tocada por aquilo. Isso é o mais legal de fazer música, essa conexão que é gerada com as pessoas, pessoas que vêm conversar com você e parece que você conhece há muitos anos porque vocês estão conectados à música, pela frequência das músicas que as pessoas têm em comum. Eu tenho amigos no Brasil inteiro por causa da banda, isso é uma das coisas que move muito essa missão de fazer música.

– Pra finalizar, eu sempre coloco Violins como uma das minhas bandas nacionais favoritas e muitas pessoas me pedem pra apresentar a banda, sugerir músicas ou algum álbum e eu geralmente não sei o que fazer porque os discos são muito diferentes, as músicas também. Eu tenho as minhas preferidas mas entendo que podem não agradar tanto quem nunca escutou a banda. Se você tivesse que separar algumas músicas para quem nunca ouviu Violins conhecer a banda, quais músicas ou álbum você sugere?

Beto: Nossa, isso é muito difícil, difícil demais! Acho que o disco que eu mais apresento para as pessoas que eu vejo que não são de ouvir música independente, mais do senso comum da música, de ouvir rádio, que não são muito pesquisadoras, é o Direito de Ser Nada”, tem o clipe de “Rumo de Tudo”, então eu acho que é uma boa para começar a conhecer a banda de uma forma mais acessível.

– Mas sem falar apenas de acessibilidade, mais para dizer “isso aqui é Violins, isso é o que o Violins quer transmitir”.

Beto: Tem algumas músicas que são representativas de cada disco. Do Greve Das Navalhas” tem “Tsunami” e “Do Tempo”, de Grandes Infiéis” tem “Atriz” e “Glória”, do “Tribunal Surdo” tem “Anti-Herói Pt. 1″ e “Manicômio”… essas músicas são as que geralmente nos pedem para tocar nos shows. Do Redenção dos Corpos” tem “Entre o Céu e o Inferno”, “Festa Universal da Queda”

– Desculpa interromper, mas é que “Redenção dos Corpos” é um dos meus álbuns preferidos da vida e “Entre o Céu e o Inferno” é uma das minhas favoritas da banda. Esse álbum me pegou justamente num período de conflitos espirituais e existenciais também, na linha entre a fé e as questões humanas individuais, esse álbum aborda muito isso, então tem um lugar importante pra mim. Eu precisava falar sobre ele!

Beto: É bom demais ouvir isso porque é um disco que eu tenho um grande carinho por ele, foi muito legal de fazer, gosto das músicas, das letras. É que tem discos que eu escuto e me dá uma certa vergonha, sabe? Eu penso: “Ah! Nunca mais quero ouvir esse disco na minha vida”. Mas o “Redenção dos Corpos” não, é um disco que eu ouço e penso que não fiz muita cagada ali. Ele é um disco que tem um cunho pessoal grande porque ele traz o questionamento existencial. Na minha casa eu fui o único que não fez primeira comunhão, eu sempre tive o questionamento de nunca conseguir me entregar a uma religião, a um corpo fechado de dogmas, sempre tem uma coisa ou outra que eu não consigo aceitar, tem coisas que eu concordo mas eu nunca consegui dar aquele salto de fé necessário, então eu sempre me vi nessa condição vulnerável de pesquisador e investigador. Eu não tenho religião mas não sou totalmente despido de religiosidade. Eu não consigo explicar todas as questões, fico na condição de ficar só com a pergunta.

……………………………………….

Enquanto eu transcrevia o áudio da entrevista, foi divulgada a primeira musica do álbum “Era do Vacilo”: “Herói Fabricado”. Foi lançada em formato de videoclipe, praticamente um “lyric video”, objetivo, bem feito, com simbologias sutis e com o foco naquilo que talvez seja o ponto mais forte da banda: a lírica e a mensagem. Não precisava de mais.

“Herói Fabricado”, a priori, parecia somente uma crítica aos ícones conservadores que supostamente podem salvar a pátria, mas foi além, é um questionamento para todos. Ataca, inclusive, as tentativas de amenizar os conflitos sociais entre oprimido e opressor. Sem falso moralismo, sem idealismos pacifistas utópicos. Violins trouxe com essa música o lado social de Tribunal Surdo com a sutilidade de Redenção dos Corpos, que, pra mim, são os dois melhores álbuns da banda. A opção de fazer um clipe com foco na lírica foi brilhante. Violins é para escutar com o encarte do disco em mãos, acompanhando as letras, absorvendo e tentando digerir aos poucos cada palavra, cada entrelinha, toda a semântica. O instrumental traduz perfeitamente o sentimento de cada trecho, te faz sentir o que deve ser sentido em cada parte da mensagem. Com mais peso que a maioria das canções dos dois últimos álbuns, Herói Fabricado nos deixa na expectativa de mais um álbum marcante, mais dias escutando as mesmas musicas com afinco, em uma agradável e lenta digestão.
Que venha “Era do Vacilo”.

Caburé Canela faz som que junta baião, samba, bossa, rock, blues, afro-beat, semba “e até Black Sabbath”

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Macumba-Erudita. Samba-Cigano. Reggae-Jazz. Punk-Baião. Essas são algumas das muitas formas de tentar descrever um pouco do som da banda Caburé Canela, de Londrina, apesar de nenhuma delas ser muito certeira em definir a mistureba brasileira que o sexteto faz.
Formada em 2013 por Carolina Sanches (voz), Lucas Oliveira (voz, guitarra e violino), Maria Carolina Thomé (percussão), Mariana Franco (contrabaixo), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (voz e guitarra), a banda une influências de ritmos populares como baião, samba, bossa nova, rock, blues, afro-beat, semba de Angola e rumba “e talvez até um pouco de Black Sabbath“, segundo Lucas.
Em fevereiro de 2018 lançaram o primeiro trabalho, “Cabra Cega”, no Espaço Cultural SESI de Londrina. Da campanha de financiamento coletivo à produção do show de lançamento, da escolha das músicas à arte da capa do disco, tudo foi realizado de forma independente e unindo as forças dos seis membros e toda sua criatividade. Conversei um pouco com a banda sobre sua carreira e o disco:

– Como a banda começou?

Lucas: A banda começou em 2013, comigo, o Paulo que é o batera e a Maria, que é percussionista. Eu morava em Angola, estava dando aula por lá, e quando voltei, queria montar uma banda autoral. Daí chamei os dois, que já haviam tocado comigo antes em outros projetos. Fomos construindo a ideia, e chamando outras pessoas. A Maria chamou a Carolina, que é cantora e compositora, e a Mariana, que é baixista. O último membro a entrar foi o Pedro, que era um amigo nosso, e que acompanhava a banda também. Ele é guitarrista, cantor e compositor.

– E quando foi isso?

Lucas: Foi mais ou menos no meio de 2013. Daí até o Pedro entrar foi quase um ano.

Carolina: Em 2013 o grupo foi se formando, mas o lançamento oficial foi em setembro de 2014, com um ensaio aberto no Grafatório e outro oficial em outubro numa festa grande chamada “Quizomba: O Samba e outros Batuques”, aqui de Londrina.

– E como surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Carolina: Bom, Caburé Canela é uma coruja, de pequeno porte, do Sul da América do Sul (risos).
Lucas um dia veio com essa ideia, e achamos interessante pensar que é uma ave arisca – que não se deixa decifrar. Tem o símbolos que expressa certos traços poéticos do grupo: o olhar agudo sobre as cenas do mundo, o caráter notívago, o gosto pelo mistério. A coisa noturna que a coruja tem.

Lucas: Estavamos na loucura de achar um nome, que é algo bem difícil… Aí fui atrás de vários nomes de plantas, de bichos, de aves, etc, e achei esse, que é uma espécie de coruja que habita a América Latina. Fui pesquisando mais a fundo, e vi que as palavras “Caburé” e “Canela”, também tinham significados muito especiais. Caburé, além de ser coruja de modo genérico, também quer dizer mestiço de Nativo Americano e Africano. Remetendo a questão da ancestralidade brasileira. Canela tem a ver com especiaria do oriente, uma coisa longínqua, mística, exótica.

Carolina: E caburé também significa mestiço de negro com índio… o que seria o cafuzo. e mestiço de branco com índio caboclo.

– O som de vocês tem bastante de música africana e brasileira, além de jazz, rock, e até punk. Dá pra definir o som de vocês? Eu acho que é bem difícil, né…

Carolina: (risos) Os dois!

Lucas: Acho que é Música Brasileira. A gente brinca com essa coisa de gênero faz tempo, tentando saber o que é de verdade. Punk-Baião, Macumba-Erudita, Igapó-Beat, etc. Igapó é um lago aqui da nossa cidade!

– Quais bandas e artistas vocês citariam como influências no som de vocês?

Lucas: Como somos em seis pessoas, cada um traz múltiplas influências, aí vai longe (risos), mas posso citar algumas mais diretas, como Itamar Assumpção e a Anelis, sua filha; Jards Macalé; os tropicalistas todos; bandas como Chico Science e Nação Zumbi, Otto, Chico César, Hermeto. Isso do Brasil, daí tem influências de rumba, semba, blues, rock, afrobeat, reggae, e alista segue (risos). Vai achar até um Black Sabbath.

Carolina: Tem coisas que remete aos procedimentos que o Arrigo Barnabé usava e a vanguarda paulista no geral também né.. Um grupo atual acho que talvez seja o Metá Metá.

Lucas: Olha, esqueci deles (risos).

Carolina: É, acho que é isso!

– Me falem um pouco mais do disco que vocês lançaram!

Lucas: Foi nosso primeiro disco. Depois de quase cinco anos. Já havíamos gravados as faixas, mas queríamos o CD físico também. Daí fizemos uma promoção pré-venda, que viabilizou a prensagem. São sete musicas no disco, que refletem um pouco nossa trajetória, a busca para se firmar, o auto conhecimento, e a tentativa de se enquadrar nos padrões pré-estabelecidos. O disco gira em torno do personagem “andarilho”, que busca algo que ele não sabe o que é. Nessa trajetória, se depara com lugares, medos, frustrações, amores, perdas. No final percebe que a vida é apenas um fluxo, e que só se pode fluir por onde há espaço. No caso, é o encontro com o nada.

Carolina: A música que abre o álbum é a “Andarilho” e tem uma frase dela que dá nome ao disco “Como cabra cega, algo que nega e não vê, e procura sem saber o quê”.

– Então no fundo o disco tem um conceito e um personagem… quase uma ópera-rock!

Lucas: Sim. Não chega a ser uma ópera-(MPB?), Mas tá quase lá!

Maria Carolina: É interessante que composições de diferentes autores se amarrarem tao bem. Mostra bem o quanto o grupo dialoga bem entre inquietações e formas de perceber a vida. Quando nos reunimos (eu por Skype) pra fechar a sequência das musicas parecia q era tudo bem planejado. Mas na verdade não foi, não conscientemente. Fiquei bem impressionada com a amarração que as composições fizeram.

Carolina: É legal pensar no conceito do ópera-rock né, acho que inconscientemente vai meio por aí mesmo. Se formos pensar a sequência, esse enredo que inventamos para o andarilho caminhar.. e que mesmo depois de gravado e mixado, mantemos a ideia inicial e ainda começamos a utilizar de outras coisas, né… Desde o figurino, iluminação, também as projeções do lançamento até as próprias falas que eliminamos entre uma música e outra…. Perpassa sim por esse lugar que a ópera-rock caminhou (risos).

– Como é o processo de composição da banda?

Lucas: Algumas vezes a música vem quase pronta. Outras vezes construimos tudo juntos. Nas minhas músicas, geralmente tenho bastante clareza do que imagino que vai ficar bom, mas sempre vem uma ideia de alguém e vamos incorporando. Cada um trás sua própria linguagem, e é bem interessante tentar fazer essa junção das ideias. Algumas musicas são construídas quase que inteiramente de maneira coletiva. Cada um construído uma parte e dando ideias para o todo da música.

– Os shows da banda são um espetáculo à parte. Vocês podem descrever uma apresentação pra quem nunca viu?

Carolina: Temos músicas do Lucas, do Pedro José, minhas e por enquanto, uma do Paulo. Eu funciono meio esquisitamente… Escrevo e depois invento a melodia, gravo e levo pro grupo. Daí a gente começa a pirar com os instrumentos. A música do Paulo (Faixa 5, “Sem”) surgiu meio assim também, ele me enviou a letra, fiz um riff no violão, o que hoje é a base do baixo, e inventei a melodia. Depois foi a construção coletiva, desenvolvendo o todo.

Maria Carolina: É uma experimentação corpórea. Nos preocupamos muito com as dinâmicas, e as vezes jogamos uns blocos de informação pro publico absorver. Pedro definiu bem no ultimo show, musica pra quem não “sabe” dançar. É de se ouvir com o corpo todo, vejo que quando conseguimos essa entrega total no palco o publico também corresponde. Considerando a cozinha, que é o meu lugar,rs somos bem livres… A regra é focar as notas verdadeiras. E é isso que espero que nossa apresentação seja, livre verdadeira e intensa.

– Então é muito mais que apenas uma experiência musical!

Maria Carolina: É pra ser! Muita pretensão?

– Lógico que não!

Carolina: É o desejo né, pode parecer pretensioso mas parte da verdade mesmo. Não consigo descrever… No show de sexta a Suy Correa veio me dizer que ela achou sinestésico e curador..
Acho interessante o olhar do outro, porque do palco vemos uma coisa mas no fundo não sabemos o que acontece no outro, como estão recebendo aquilo tudo né…

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Carolina: Antes mesmo de lançar o álbum já fazíamos shows com mais músicas. Músicas fechadas, arranjadas e que podemos fazer sempre, temos 22. E tem outras que estão em processo, amadurecidas aos poucos. Na maioria das vezes pedem pra gente encurtar um pouco o show (risos)
mas dá pra tocar umas duas horas!

– Essas músicas farão parte de um disco, EP, sairão como singles? Aliás, o que vocês acham do conceito de “‘álbum” hoje em dia, com as pessoas ouvindo música em serviços de streaming e muitas vezes ouvindo mais as músicas “soltas” do que o disco completo e na ordem?

Maria Carolina: Essa pergunta é nosso grande ponto de interrogação do momento. Estamos aprendendo, descobrindo os caminhos. Essa tal de independência faz com que percorramos um caminho mais cheio pedras.. Pra mim é tudo muito novo, ainda gosto do lado a e do lado B.

Carolina: Ainda temos dúvidas. Estamos loucos pra gravar outro disco (tem um sonho aí de vinil também), mas como o “Cabra Cega” acabou de sair, ainda estamos no processo de apresentar esse primeiro CD pro mundo. Estamos tentando fechar shows fora de Londrina, enfim… Provavelmente entraremos nesse processo no segundo semestre. É esquisito pensar a música hoje né, é tudo muito imediato. Ou viraliza ou está a margem. A imagem é bastante influenciadora e é tudo tão híbrido que não dá pra saber com que peso pisar ou como tatear esse território. Gravamos duas músicas recentemente, uma vai entrar numa coletânea e a outra estamos pensando em soltar um single daqui uns meses, ou um vídeo com ela. Vamos amadurecer a ideia. Acho que assim, por exemplo, soltamos o álbum completo no youtube, e ali tem muito menos visualizações do que no Spotify ou outras plataformas… Por essa perspectiva, não ouvir o álbum inteiro, sequencial e tal, “destrói” um pouco todo o trabalho que foi realizado na produção dele, no sentido da construção do personagem, os caminhos por onde ele passa e tudo mais. Mas por outro lado, não dá pra reclamar. Vivemos nesse imediato, gostamos de poder escolher o que queremos ouvir, mesmo que isso exclua outras faixas. É uma evolução poder escolher a música certa, né?! Mas o conceito de álbum acho que ainda funciona e tem sido cada vez mais explorado pelos artistas. Sendo recriado.

Lucas: Pensamos nesse primeiro álbum como uma obra “fechada”. Acho que, como artistas, precisamos pensar no conceito de obra, seja ela um álbum, um single, um vídeo, etc. Hoje em dia tem muita música apenas para o entretenimento. Isso não é ruim, mas parece que música é apenas isso. Gosto da ideia de criar, e acho que isso as vezes fica de lado, principalmente no mundo extremamente consumista que vivemos.

– Aliás, falando nisso… Hoje em dia o clipe voltou a ter uma grande importância. Como vocês veem esse tipo de formato?

Carolina: Eu adoro! Sou formada em artes visuais, então a visualidade, o audiovisual me pega bastante. Era muito massa nos anos 90 quando ficava a tarde toda assistindo Mtv. O meio mudou né, nesse caso a TV foi deixada de lado e o Youtube dominou nessa parte, por que podemos assistir em qualquer lugar e hora. Mas poxa, tenho visto tanta produção bacana da galera. Tenho curtido os que tem menos produção, os que dá pra ver que foram feitos na raça e que carregam uma essência meio roots, que é feito com verdade e de forma simples… Estamos produzindo dois clipes do álbum, e entendo que o formato visual é uma ferramenta muita expansiva, tanto de divulgação quanto de possibilidade de desdobramento musical.

– E o que podemos esperar nesses clipes? Dá pra adiantar algo?

Lucas: Muitos nudes (risos)! Brincadeira.

Carolina: (Risos) Olha só! (Risos). Estamos fugindo da literalidade. Acho que é uma das únicas coisas que temos definido. Na manga tem o clipe do “Andarilho”, que nós mesmos estamos filmando. Acho que vai sair uma coisa bem densa, obscura. Nosso olhar pros detalhes e movimentos da rua, pro ritmo dela. Captando os rastros que passam desapercebidos no cotidiano. Um processo novo pra nós, e é massa pensar que vai ser coletivo. E o outro é da música “Vaso”, que chamamos um coletivo aqui de Londrina que chama Cãosemplumas. Eles estão fazendo uma animação, nada literal, com muita variação de traços, alguns desenhos que remete as garatujas das crianças, e outros, bem detalhados. Nesse processo deles estamos tentando não interferir não, lançamos a ideia e estamos nos segurando pra não pressionar, na tentativa de deixar-los dizer mais um pouco sobre o que já construimos com a música! Mas agora vamos incluir um só com nudes mesmo, pra ver se ficamos famosos! (risos)

– Quais os próximos passos da banda?

Carolina: Temos tentando trabalhar um pouco as expectativas, pra não ficar frustado demais né. Não tá muito fácil ser artista independente e ainda produzir tudo. Estamos em busca de produtores que nos ajudem a criar um ritmo pra nossa agenda de shows. Porque é necessário sair da casinha e adentrar o universo dos festivais, estrada e tudo mais. E continuar produzindo/criando sem perder a essência inicial, que é a de pirar a cabeça mesmo, continuar saindo do quadrado, das convenções… inventando e ao mesmo tempo se divertir fazendo o que a gente acredita.

Lucas: Próximos passos são de expandir os territórios.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Lucas: Cara, tem muita gente boa. Aqui de Londrina tem a galera do Aminoácidos, tipo música brasileira progressiva (MBP?). Tem também o pessoal do Maracajá, que faz um som bem diferente, incorporando bastante do funk proibidão. É bom interessante. Gosto bastante da Anelis Assumpção. Tem um trabalho bem conciso. Tem também a galera de Sampa, do selo Risco, bem legal todos eles. A música brasileira é bem rica, e parece que nestes tempos de crise aparece muita gente boa. Em Londrina tem uma onda boa de música autoral. Já vou adiantando que logo logo vai sair uma coletânea só com artistas londrinenses.

Carolina: BaianaSystem, Carne Doce, Francisco El Hombre, Mulamba, Bixiga 70, Far From Alaska, Cidadão Instigado, Curumin, Metá Metá, Kiko Dinucci – “Cortes Curtos” (fodão), os da Juçara Marçal.

Lucas: Tem também o Abacate Contemporâneo, uma banda bem legal daqui. Amigos nossos também, já fizemos alguns shows juntos.

Carolina: Fernanda Branco Polse com o Bicho Branco Polse… e por aí vai!

Lucas: Queria acrescentar que o disco pode ser comprado físico com a gente ou então da pra pedir pela página no Facebook. Estamos no Spotify, SoundCloud, Deezer e todo o resto. Quem quiser segue a gente lá no Instagram, curte a página no Facebook, se inscreve no nosso canal, me liga no whats!