The Weeknd pegou emprestado o please please dos Smiths em “Enemy” (2012)

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Amanhã Johnny Marr, ex-guitarrista do The Smiths, está de aniversário. A banda inglesa é uma das mais influentes dos anos 80, apresentou Morrissey para o mundo, e já foi sampleada por alguns artistas. Vamos falar de um deles?

Quando o assunto é samples, normalmente acabamos focando no que aparece mais, no que é jogado na cara, aquele que você não sabe se é da música original ou da nova. Só que, muitas vezes, um sample que fica em segundo plano, quase imperceptível, e mesmo assim pode ser a base para a parte mais portante da música: o refrão.

E assim fez The Weeknd, quando lançou “Enemy”. O artista canadense, único a ter 3 músicas nas 3 primeiras colocações na tabela Billboard Hot R&B, publicou a música em sua conta do Youtube no ano de 2012. Nela, Abel Makkonen Tesfaye, nome de batismo do artista, se apropriou de um pedaço de “Please, Please, Please, Let Me Get What I Want”, dos ingleses.

A baladinha começa com um sonzinho meio sinistro até entrar um sintetizador bem seco, talvez misturado com um cravo ou piano. O pré-refrão é recheado de “girl I’m just trying to get you high without a word”, até chegar no ápice da música, “Please, please, please / Let me, let me, let me / Let me, get what I want this time”, cantado em cima do sample dos Smiths. Preste atenção na adição do “this time”. “Me deixe ter o que eu quero… desta vez”. Abel parece meio cansado de pedir e quer, ao menos desta vez, ter sucesso.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Lucas Scaliza, do Escuta Essa Review

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Lucas Scaliza
Lucas Scaliza

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Lucas Scaliza, do Escuta Essa Review.

Emma Ruth Rundle“The Distance”
Não faz muito tempo que conheci os discos da Emma Ruth Rundle e “The Distance”, climática e melancólica, com uma harmonia que funciona com pares de acordes, caiu muito bem ao meu ouvido e ao meu humor. Mostrei a faixa a um amigo e ele disse que “The Distance” não disse nada a ele, mas dizia muito sobre mim. Acho que pode dizer mais sobre você também.

Mulatu Astatke“Yekermo Sew”
Conheci o Mulatu Astatke em um dos meus filmes preferidos do Jim Jarmusch: “Flores Partidas”. É jazz da Etiópia. Quem diria que um dos países mais pobres da África produziria um músico tão talentoso e reconhecido? Mulatu é praticamente o Pelé de lá e eu simplesmente passei a adorar a forma como ele combina o ritmo e o formato do jazz com os ritmos e fraseados melódicos africanos. “Yekermo Sew” é tão sensual quanto misteriosa. “Faz o sangue circular”, como diz um dos personagens do filme.

Olafur Arnalds“Particles”
Olafur Arnalds é um cara que vai da música eletrônica (Kiasmos) à música clássica contemporânea. Em um disco audiovisual chamado “Island Songs” (2016), tentando captar as diversas particularidades de sua ilha natal – a Islândia – ele fez uma balada pop: “Particles”, com participação da vocalista da banda indie islandesa Of Monters And Men. Nem só de vanguarda vive a ilha viking, mas de doçura também.

Astor Piazzola & Gerry Mulligan“Hace Veinte Años”
Uma parceria para guardar no coração: o argentino Astor Piazzola, que revolucionou o tango ao lhe dar ares mais jazzísticos, e o cool jazzista americano Gerry Mulligan. É uma faixa que coloca o bandoneon de um para dialogar com o sax barítono do outro, como se fosse um casal se reencontrando e lembrando com doçura, melancolia e paixão de tempos passados. É muito sentimento em uma composição só.

Beyond Twilight“Shadowland”
Metal progressivo escandinavo lento, arrastado, carregado pelos teclados do dinamarquês Finn Zierler e não pelas seis cordas do sueco Anders “Exo” Erickson Kragh (que é superdotado em música e toca em uma orquestra também). O vocalista norueguês Jørn Lande mostra uma versatilidade incrível, interpretando os versos de formas distintas, tanto como metaleiro quanto melódico e doce. São três variações para a mesma garganta. A atmosfera da música é como estar sendo abduzido. O Beyond Twilight fez apenas três álbuns. Uma pena.

OZU traz para a cena paulistana o downbeat, vertente do trip hop em ascenção em Tóquio

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OZU
OZU

Formada em 2015, a banda OZU resgata em seu som o trip hop inglês que tomou o mundo nos anos 90, trazendo à cena paulistana o downbeat, gênero que está em ascenção na cena musical de Tóquio. “Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio em que vários DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som”, contam.

O quinteto, formado por Felipe Pagliato (bateria), Kiko Cabral (picapes/teclado), Gustavo Santos (guitarra), João Amaral (baixo), Juliana (voz) e o DJ RTA, três vezes campeão nacional de Scratch Freestyle, lançou em agosto seu primeiro EP, “The DownBeat Sessions Vol. 01”, com quatro faixas que remetem à obra de grupos como Portishead e Goldfrapp. Ah, e The DownBeat Sessions Vol. 02″ já está em pré-produção. Confira a entrevista que fiz com Kiko:

– Como a banda começou?
A banda começa lá por 2015 quando eu \volto de Manaus e mando um e-mail pro Gustavo (guitarrista), já com intenções de reunir um pessoal pra tocar alguns beats que eu já vinha fazendo. Depois, conheci a Juliana (vocalista) quando trabalhamos juntos numa websérie e ficamos ensaiando lá em Cotia (nossa cidade natal) por um tempo nessa formação mesmo – teclado/programação, guitarra e voz. Quando a coisa já estava mais consolidada chamamos o Felipe (baterista) e o João (baixista) que já conhecia da faculdade e fizemos alguns shows com essa formação. No começo desse ano o Ronan (DJ) entrou na banda.

– O que significa OZU e como o nome surgiu?
Ozu vem do cineasta japonês Yasujiro Ozu, um cineasta que nos inspira muito na questão de ritmo/composição.

– Me fala mais desse último trabalho que vocês lançaram! Tá sendo elogiado pra caramba.

Resolvemos lançar esse vídeo para disponibilizar um material mais orgânico e ao vivo da banda. Como instrumentistas temos um passado e uma relação forte com o jazz e, por isso, quando tocamos ao vivo nos damos algumas liberdades em questão de dinâmica e arranjo o que, por motivos óbvios, soa bem diferente de um material gravado em estúdio. Quem assina á direção é Os Carcassone, com a produção de Breno Zaccaro e Andre Natali.

– Porque seguir o trip-hop? O que esse estilo diz pra vocês? Ou vocês definiriam a banda com outro estilo?
O trip-hop inglês é o começo de tudo e é o que o pessoal mais conhece e por isso é a primeira associação que fazem com o nosso som. Mas se procurarem saber sobre DJ Krush, Kemuri Productions ou os mais atuais Pretty Lights, Jhfly e Flughand vão ver que a nossa influencia apesar de ser sim bem forte no trip-hop inglês ela não acaba por ai.

– Me fala um pouco mais sobre esse downbeat que vocês falaram que tá rolando em Tóquio.
Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio que varios DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som.
OZU
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– Como vocês veem a cena independente brasileira hoje em dia?

Não sei se sou a pessoa certa pra responder essa pergunta. A OZU é o primeiro contato que eu tenho com a cena independente mas pelo pouco que vi percebi que existem uns heróis aí que com pouquíssimo retorno financeiro e praticamente nenhum apoio publico fazem um trabalho enorme pra coisa se movimentar e que se a gente não ficar ligado esses heróis não vão durar muito. É bom ficar ligado também que geralmente as mesmas cabeças que lutam pela cultura lutam também pelas mudanças e renovações da nossa sociedade. Se deixarmos esses cabeças desaparecerem, conservadores aparecem de uma forma oportunista e hipócrita e se apropriam do discurso de renovação, veja aí o prefeito de São Paulo.

– O mainstream ainda é necessário? As bandas ainda devem procurar alcançar o mainstream?
Depende do que você esta classificando como mainstream. Existe sim a necessidade da banda pertencer a um nicho que receba um mínimo de atenção e retorno financeiro pra que ela possa sobreviver.

– Qual o processo de composição da banda?
Eu faço os Beats, letras e linhas de voz e passo pra banda. Daí a gente toca elas algumas vezes e ajusta o que precisa..

OZU
OZU

– Quais os próximos passos da banda?
A agenda de shows está bem movimentada mas temos mais dois clipes a caminho e o disco já está quase pronto.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Recentemente tocamos com um projeto chamado The Smell Of Dust. O som deles é incrível.

Os retalhos de samplers de Liam Howlett chamado “The Dirtchamber Sessions” (1999)

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O Prodigy, filho querido de Liam Howlett, já foi assunto aqui no Crush em HiFi em 2016, quando mostramos como foi feita a música “Smack My Bitch Up”. Em 1999, Liam resolveu dar um tempo na banda e trilhou um caminho um pouco diferente em “The Dirtchamber Sessions Volume One”. Ainda trabalhando com muitos samples, dessa vez não houve uma deformação das músicas para produzir novas composições. A ideia era fazer uma colcha de retalhos, naquele estilão DJ, de colar uma música na outra. Cada colcha foi chamada de Session, e o álbum possui 8 Sessions.

A primeira Session termina com um sample do Chic, sobre o qual a gente também já escreveu aqui e aqui, mas vamos começar do começo.

O encarte do disco é bem direto e mostra o que você vai ter pelos próximos 42 minutos: uma mesinha de som de 8 canais, um sintetizador e muitos, muitos LPs, de todas as décadas. Sem se preocupar em limpar os plic-plocs do vinil, Liam passeia pela história do sample, através de uma pesquisa na qual ele acaba “cortando a própria carne para expor os ossos”, mostrando além daquele recorte de 5 segundos, que todo mundo conhece, mas que poucos sabem a origem. Um grande exemplo dessa exposição é, já na primeira faixa, ter “Give the Drummer Some”, do Ultramagnetic MC’s, origem do refrão “change my pitch up / smack my bitch up”, da música “Smack My Bitch Up”, um dos maiores hits do Prodigy. Antes disso, ele também brinca com “Different Strokes”, de gravada por Sly Johnson em 1967; “Apache”,  gravada em 1973 pela Incredible Bongo Band, e “Chemical Beats”, gravada em 1994 pelo Chemical Brothers, entre outras músicas das mais diferentes idades.

A segunda faixa, ou Session 2, já vem na cola mostrando o quanto Howlett sabe que sua criação é influente, até pra ele mesmo. Ao lado de “Bomb The Bass” e “Trouble Funk”, ele puxa do próprio Prodigy com “Poison”, do disco “Music for the Jilted Generation”, de 1994, para, logo em seguida, botar “Been Caught Stealing”, do Jane’s Addiction, uma das bandas que ganhou os holofotes na década de 90. Pra quem não sabe, Perry Farrell, vocalista do Jane’s, é o fundador e curador do festival Lollapalooza.

O restante do disco é tão diverso que daria uma bela dissertação de mestrado, ou até mesmo um livro, devido ao tratamento que tantas músicas históricas receberam. É “Babe Ruth” misturada com o já comentado Chemical Brothers, três faixas do Frankie Bones coladas com Meat Beat Manifesto e Public Enemy. A Session 5 fica entre Sex Pistols, Fatboy Slim e Medicine, banda da filha do Bruce Lee, Shannon, aquela que aparece tocando no “O Corvo”, estrelado por Brandon Lee.

Se você tem interesse na história da música, precisa fazer uma pesquisa de samples pra uma composição própria, ou simplesmente quer um monte de hinos compilados, esse disco é perfeito!

“The Dirtchamber Sessions Volume One” foi lançado em 1999. Não seria hora de um Volume Two, Liam?

Construindo Geo: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Construindo Geo

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Geo, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Kimbra“Rescue Him”
A Kimbra é uma cantora neozelandesa que eu acompanho desde o primeiro álbum, mas esse último “The Golden Echo” tá ridículo de bom. Nos inspiramos bastante nos sintetizadores e arpeggios.

Sevdaliza“Hero”
Conheci a Sevdaliza uns dois anos atrás. Ela é israelense e além da voz e da experimentação que ela traz pra música pop, também me inspiro nela em alguns visuais e no palco também.

Roupa Nova“A Viagem”
Tanto eu quanto todo mundo que trabalhou na produção do EP é muito fã de Roupa Nova! (Risos) Nos inspiramos bastante nas harmonias de voz deles.

Sade“Cherish The Day”
Sade maravilhosa demais, a mulher perfeita. Essa track resume bem a vibe de balada que a gente quis trazer em uma faixa do EP em especial.

Tove Lo“True Disaster”
Eu fiquei viciada nesse álbum “Lady Wood” da Tove Lo o começo do ano inteirinho, gosto muito das letras mais ousadas e dessa influência dos anos 80 que ela trouxe nas baterias e nos synths.

Bishop Briggs“Dead Man’s Arms”
A Bishop Briggs é uma menina que eu acompanho desde o primeiro single! A voz dela tem uma potência fudida e ela mistura muito R&B e soul na levada pop/hip-hop que ela faz. Me influencia desde meu primeiro single.

Stromae“Ave Cesaria”
Sou MUITO fã do Stromae. Eu sempre acompanhei desde o “Alors On Danse”, mas fiquei mais fã ainda na época que morei na França. Eu amo muito esse último disco “Racine Carrée”, foi por causa dele que eu comecei a ter mais curiosidade sobre produção de música eletrônica e comecei a aprender o básico de DAW’s.

Rita Lee“Mania de Você”
A Rita Lee é minha maior inspiração feminina brasileira. Sobre essa música em especial, a harmonia e os arranjos são uma delícia. Nós fazemos até uma versão dela ao vivo!

Qinho“Fullgás”
Eu conheci o Qinho em 2015 ouvindo o álbum “Ímpar” e amei de cara. Ele é um carioca que já misturou vários estilos, mas que lançou esse último EP só de versões da Marina, trazendo esse revival dos anos 80 brasileiro que aparece um pouco no meu EP também.

Daft Punk“Face To Face”
Clássica demais essa track de 2001. Somos fãs demais de Daft Punk, especialmente o Guilherme (Mobilesuit) que produziu o EP todo.

FKA Twigs“Pendulum”
Formada na escola de Bjorkeiras, a FKA Twigs faz um som bem intimista e cheio de FX e modulagem de vozes, coisas que usamos no nosso som também.

Imagination“Just An Illusion”
Essa aqui inspirou muito pelos synths, especialmente os de baixo!

Black Atlass“Jewels”
Outro exemplo de pop alternativo, o Black Atlass é canadense que faz um R&B que também traz sintetizadores mais ácidos.

Kate Bush“Running Up That Hill”
A gente gosta da Kate Bush porque ela é doida. Além do 80’s, é uma inspiração feminina muito forte, até mesmo pro palco.

Lana Del Rey“Yayo”
Eu sou muito fã da Lana Del Rey e acho que ouvir o trabalho dela me deixou mais a vontade de explorar e testar meu próprio jeito de cantar. Trabalhar minha voz em notas mais graves e brincar com a garganta sem ter medo.

Radiohead“Everything In Its Right Place”
Radiohead é minha banda favorita, e é lógico que a gente traz muito das pessoas que a gente respeita no nosso som autoral. Essa track em especial eu escolhi pela bagunça e pelos timbres. Conversa muito com todas as faixas do EP.

MAI LAN“Pas D’amour”
A MAI LAN é uma cantora franco-vietnamita. Conheci ela esse ano por indicação de uns amigos franceses e ela inspirou muito uma vibe mais intimista e minimalista com essa música.

Blank Banshee“Sandclock”
Blank Banshee é um produtor canadense que explora muito a vibe do vaporwave. Foi uma grande inspiração pra toda a equipe de produção pela ambientação e pelos timbres que usam.

Trentemoller“Take Me Into Your Skin”
O Trentemoller é um produtor e multi-instrumentista dinamarquês. O som dele é chill, minimal, mas também traz muitas coisas de synthwave.  

Portishead“Roads”
Classiqueiras demais, Portishead inspirou muito pelo próprio trip-hop, pela voz mais arrastada da Beth Gibbons e toda a vibe downbeat.

Construindo Fu_k the Zeitgeist: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo F_ck the Zeitgeist

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o F_ck the Zeitgeist, de Porto Alegre. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Tobacco“Gods in Heat”
Eu conheci o trabalho do Tom Fec/Black Moth Super Rainbow pelo fantástico podcast “Song Exploder”, justamente dissecando esta faixa. Foi um daqueles sons que mudou meu jeito de produzir. Eu já vidrado em K7/lo-fi, mas aí eu chutei o balde de vez, comprei um Tascam Portastudio e comecei a usar direto nas minhas faixas.

Nine Inch Nails“The Hand That Feeds”
Quando se fala em Nine Inch Nails, geralmente se celebra a fase mais antiga em torno ali do “Downward Spiral”. Curto muito, mas confesso que tenho uma atração forte pelo NIN mais recente, mais eletrônico. Essa faixa me pegou de jeito desde a primeira vez que ouvi. Sempre acabo voltando nela.

Autolux“Soft Scene”
Eu já era super fã da banda desde os outros dois albuns, mas este terceiro acima de tudo me apresentou o trabalho do Boots como produtor. É um cara que venho seguindo a carreira de perto desde então, muito inspirador. Essa foi a primeira faixa que ouvi do “Pussy’s Dead” e nunca mais me saiu da cabeça.

Peter Gabriel“Darkness”
Sendo “do contra” mais uma vez meu album preferido do mestre é o “Up”, o último album de estúdio valendo dele. Essa faixa de abertura acho avassaladora. Mexeu bastante comigo e me abriu a cabeça pro uso de samples estratégicos na minha música.

Silverchair“Across the Night”
O Silverchair “grunge” dos primeiros discos nunca me atraiu, mas quando ouvi o “Diorama” levei uma voadora. Arranjos de cordas de Van Dyke Parks + produção do David Bottrill também não fazem mal algum. Ouvi um podcast com David recentemente onde ele comentou que o Daniel nem sabia tocar piano quando fez este álbum, aprendeu na raça. Abrir um álbum com um épico destes é o sonho de qualquer artista (o meu ao menos).

North Atlantic Oscillation“Drawing Maps From Memory”
Eu já não nutro mais aquela ansiedade da juventude sobre novos discos, mas esta banda foi uma das últimas que eu pré-comprei o primeiro album e esperei babando a chegada tendo ouvindo apenas uma faixa (“Drawing Maps From Memory”). Quando o  CD (“Grappling Hooks”) chegou, viciei instaneamente e eventualmente acabei fazendo até remixes pros caras. O baterista deles até participa numa faixa do meu próximo album.

Genesis“Entangled”
Muita gente me olha torto quando eu digo que minha fase favorita do Genesis é 1975-1980 quando o Phil Collins assume os vocais. “A Trick of the Tail” é um disco maravilhoso e o mellotron de coro do Tony Banks no final dessa faixa é fácil das coisas mais lindas já gravadas. 

Refused“New Noise”
Punk rock é um tipo de som que eu nunca consegui me interessar muito. Mas esta banda é uma bela exceção. “A Shape of Punk to Come” é um album que eu descobri na base da curiosidade. Ele estava destacado no site All Music um determinado dia que eu tive a sorte de passar por lá. Eu resolvi procurar algo na web e tomei um nocaute que ainda não me recuperei. Escolhi essa faixa porque foi a primeira que ouvi. Amo este album de ponta a ponta. 

Som Imaginário“Armina”
Quando faço uma lista de músicas assim sempre tem um camarada pra dizer: “E as bandas brasileiras, cadê?”. Então aqui vai uma faixa do meu disco brazuca predileto de todos os tempos, “A Matança do Porco”. Um sonho: remixar esse disco para um relançamento.

I Mother Earth“Meat Dreams”
Essa é a banda obscura que eu mostro pra todo mundo esperando que todos amem o tanto quanto eu e ninguém liga a mínima. Ele foi produzido/mixado pelo gigante David Bottrill mais ou menos na época que ele também fez o “Lateralus” do Tool. Pra mim é um encontro de Tool com Jane’s Addiction e não tem um milésimo de segundo deste album que eu não adore. Esta faixa é o “épico prog” do disco.

Radiohead“The National Anthem”
Quando eu era bem jovem eu tinha um gosto musical bastante diferente e detestava Radiohead. Felizmente eu amadureci e rapidamente se tornou uma das minhas bandas prediletas. Essa faixa foi uma das primeiras a me fazer mudar de ideia.

King Crimson“Indiscipline”
Eu confesso que as letras das músicas são o último elemento que eu levo em consideração. Mas como o King Crimson é uma banda que acho todos os discos bons (desde 69 nenhuma bola fora!), vou trazer essa faixa que tem minha letra favorita de todos os tempos. Vale muito procurar a história por trás dela! 

St. Vincent“Black Rainbow”
Annie Clark é amor a primeira ouvida, né? Que artista extraordinária! “Black Rainbow” é outra, que assim como “Entangled”, tem uma seção final avassaladora. Uso este aspecto então pra me ajudar a escolher uma faixa apenas num cânone tão rico.

David Bowie“Subterraneans”

Eu me tornei fã do camaleão do jeito mais “errado” possível. Eu vivia meio alheio ao trabalho dele até que um grande amigo e colaborador me sugeriu assistir “O Homem Que Caiu na Terra”, filme que imediatamente se tornou um dos meus favoritos. Pesquisando sobre a obra, descobri que David compusera faixas para a trilha e elas acabaram não sendo usadas. Só que parte do material acabou reciclado no “Low” e aí tava feito o estrago.

Frank Zappa“Florentine Pogen”
Escolher uma do mestre é barra, mas “Florentine Pogen” é uma daquelas que contém tudo que eu adoro na obra dele. Tem um tema lindaço, tem humor, tem vocais destruidores, quebradeira e locuragem. Minha formação favorita dos Mothers e meu disco predileto, o “One Size Fits All”.

Steven Wilson“The Raven That Refused to Sing”
Steven Wilson foi meu “guru” por muitos anos, o cara que me direcionou nesta carreira de artista/produtor/multintrumentista. O meu trabalho favorito dele é o album “Grace For Drowning” de 2011, mas esta faixa pra mim é a mais incrível composição de toda a carreira dele (incluindo o Porcupine Tree).

Chrisma“Sharon Tate”
Esta composição do meu amado Diego Medina neste duo brilhante com o Michel Vontobel é minha composição brasileira favorita dos últimos 30 anos (talvez mais). Não vou nem falar do clipe genial.  Agora que temos uma nova banda juntos, estou na torcida por fazermos uma versão ao vivo desta pepita.

OSI“Wind Won’t Howl”
Sou fã de carteirinha do Kevin Moore desde que ele abandonou o prog metal pra se tornar a mente por trás do Chroma Key e eventualmente metade da identidade do OSI. Uma das minhas maiores frustrações na vida é não saber cantar e se eu soubesse e tivesse um bom timbre, gostaria de usar a voz desta maneira fria e quase monotônica que ele usa. “Wind Won’t Howl” é uma daquelas faixas que eu queria ter composto. 

Susanne Sundfor“The Silicone Veil”
A essa altura já deu pra perceber que composicões/produções “over the top” são minha kryptonita e a parte final desta faixa é incrível. Este clima Kate Bush escandinava deste disco me atrai muito. Ela está mais eletrônica atualmente, mas sigo gostando de tudo que ela lança. Voz belíssima.

Bjork“Bachelorette”
Uma das minhas assinaturas de produção mais recorrentes é usar tímpanos de orquestra nas músicas. Adiciono sempre que possível, sem moderação. Como é muito difícil escolher uma faixa da Bjork, vou me apegar a este aspecto pois este combo beat eletrônico + orquestra deste som é impressionante e uma referência constante pra mim.

Tricky transformou o grunge do Alice in Chains em um trip hop com pitadas globais

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Quando Tricky lançou “Adrian Thaws” em 2014, seu 11º registro fonográfico e que também leva seu nome de nascimento, houve uma tour mundial, que passou pelo Brasil. Convidou Mallu Magalhães pra gravar “Something In The Way”, tomando o lugar de Francesca Belmonte na divulgação de seu álbum por aqui. Ele também já teve um relacionamento amoroso com Bjork e é um dos muitos pais do trip hop, ao ter participado dos dois primeiros álbuns do Massive Attack.

Continuando com a herança do hip hop, suas composições se baseiam em samples, muitas vezes de artistas extremamente consagrados, como Michael Jackson e Alice In Chains. E esse texto é exatamente sobre essa interessante mistura pessoal de Seattle com os guetos londrinos. “Heaven Beside You”, a música sampleada, faz parte do terceiro disco do Alice in Chains. A música que fez sucesso tanto como single, no lançamento do álbum, quanto na participação da banda no “MTV Unplugged”, em 1996.

Essa fusão mostra a genialidade de um artista seguro de si, que sabe extrair o melhor para sua obra, independente do estilo e da exposição da música original, fazendo tudo soar novo, como se fosse feito para ele.

Tricky se apropria dos 5 segundos iniciais em “Keep Me In Your Shake”, fazendo um loop que se repete por 47 segundos enquanto o músico acende um baseado e reclama da segunda (Can’t wait for Sunday / It’s heartbreak Monday). Adicione ao itinerário da nossa viagem a Nigéria, país de Nneka, que divide os vocais e tem, em seu currículo, a música “Viva Africa”, tema da Copa do Mundo de 2010. Perceba que a conexão mundial segue fluindo.

Curiosamente, no canal de You Tube do artista, o sample não está presente. Foi substituído por uma guitarra com melodia parecida com a criação de Jerry Cantrell, mantendo boa parte da sua essência.

Mannequin Trees mescla psicodelia e ares oitentistas no EP “Cavalo Sessions”

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Mannequin Trees
Mannequin Trees

Unindo a atmosfera da música dos anos 80 com ares da retomada da psicodelia atual, a banda Mannequin Trees é um projeto solo do compositor, guitarrista e vocalista sergipano Ícaro Reis que lançou neste ano seu primeiro EP “Cavalo Sessions”, com quatro faixas gravadas ao vivo na Cavalo Estúdio: “Daydream”, com destaque para a linha de baixo, “Remember”, que conta com toda a vibração do rock oitentista, “Tonight”, que fala sobre o futuro em meio à synths, e “Chances and Changes”, com momentos de violência e calmaria.

Para a produção do álbum, Ícaro chamou Gabriel Olivieri (O Grande Babaca), Teago Oliveira (Maglore), Leon Perez e Marco Trintinalha, que se revezaram nos instrumentos. O trabalho teve mixagem do próprio Ícaro. “As letras foram baseadas no meu dia a dia. São rotineiras e contam a história de duas garotas. Tudo sob o ponto de vista do cotidiano de uma pessoa comum. Não pensava em tocar ao vivo. Era apenas para ter o material gravado, mas fui mostrando a amigos e todos foram gostando e apoiando. Com essa resposta, resolvi reunir uma banda”, contou ao site Bolha Musical.

– Como a banda começou?

Comecei a compor as músicas, fui gravando e mostrando pra amigos. eles foram dando apoio, incentivando a formar a banda, e aí resolvi reunir a galera.

– De onde surgiu o nome da banda?

O nome veio a partir de uma visão minha, da padronização de coisas que nasceram pra ser diferentes, diversificadas!


– Quais são as suas principais influências musicais?

John Frusciante, Supertramp, Homeshake.

– Me fale um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Lançamos 4 vídeos inéditos, ao vivo no Cavalo Estúdio. São musicas que farão parte do nosso primeiro CD, e que apresentam um pouco do que a banda é.

– Este trabalho pode ser visto como uma ópera-rock, por contar a história de duas garotas?

Não creio que seja uma ópera rock. São apenas letras que tem ligação uma com a outra.

– A internet ajudou a unir a cena independente mundial ou atrapalha por oferecer muitas opções para quem quer ouvir música?

Ajuda! Tem espaço pra todo mundo. se detalharmos nossa busca pela internet, encontraremos bandas bem especificas pro que procuramos… acho isso muito bacana. Você escuta o que você quiser.

– A mudança na forma das pessoas ouvirem música, preferindo serviços de streaming à discos físicos, ajuda ou atrapalha a música, na sua opinião?

Acho que um pouco dos dois… o processo de impressão do disco físico é bem caro. Mas é onde a banda consegue ter algum lucro, vendas de CD e vinil. Por outro lado, os serviços de streaming são muito mais fáceis de manusear, e de encontrar qualquer banda que queira. 

– Como a mídia poderia ajudar a dar mais força para a cena independente hoje em dia, com a queda das grandes gravadoras?

A mídia poderia focar menos nas bandas que já são autossuficientes, e investir na nova geração. Não digo apenas no quesito música, mas todos que fazem arte. Ligamos a TV e vemos os mesmos rostos há mais de 25 anos. Pra o som independente se manter, não é preciso apenas sair em jornal/revista/site. É necessário união de todas as bandas, das que já estão há muito na estrada, e das que acabaram de começar.

Mannequin Trees

– Quais os próximos passos da banda?

Vamos lançar clipe, lançar CD. ainda não temos datas definidas, mas já tá quase tudo pronto.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Homeshake é o meu vício há mais de 1 ano (risos). E é claro o som dos amigos: Giovani Cidreira, Maglore, Alaska

Construindo And The Night Never Came: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo And The Night Never Came

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda And The Night Never Came, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Chelsea Wolfe“Carrion Flowers”
A Chelsea Wolfe é pra mim um dos artistas ativos mais criativos e interessantes. Essa faixa abre talvez o seu disco mais pesado – “Abyss”. Já começa com um soco na cara com esse baixo que parece os gemidos do próprio satanás. Aliás, o mais interessante dessa música é que todos os sons que se ouve vem de guitarra, bateria, baixo e voz, mas ao mesmo tempo ela soa quase eletrônica de tão meticulosamente esculpidos que são os timbres. Isso é muito importante pra mim porque tento ao máximo fugir de sons muito reconhecíveis, timbre é um dos pilares do que acredito ser o meu som.

Chelsea Wolfe“Feral Love”
Outra dessa diva gótica. O synth que abre essa música tem um timbre (de novo!) inconfundível – qualquer nota tocada nesse synth vai remeter a essa música de tão icônico. Mas acho que o grande charme dessa faixa está na bateria incessante, levemente distorcida, numa cadência incômoda que me deixa sem ar até a música acabar. Esse tipo de incômodo capaz de fazer tudo que é externo aos meus fones sumir pela duração da música é um fenômeno que aprecio muito e tento resgatar a mesma tensão no meu som.

Russian Circles“Xavii”
Talvez seja uma blasfêmia dizer que uma música de menos de 10 minutos é uma das melhores do post rock, mas pra mim é isso mesmo. Um arranjo de guitarra simples, mas muito efetivo, com um reverb que encaixa como uma luva, o synth que entra como apenas uma textura extra mais adiante na música parece ter sido destinado a estar nessa música. Post rock é uma das minhas grandes influências, mas às vezes sinto que certos clichês (como o crescendo, seguido de um estouro) acaba desgastando o gênero. Essa música é um perfeito exemplo de um post rock que soube usar sua melancolia sem se render a essas artimanhas, apesar eu mesmo me ver caindo neles de vez em quando!

Have a Nice Life“Hunter”
Outra banda interessantíssima da atualidade. Quando eu descobri Have a Nice Life, eu senti que pude pela primeira vez visualizar o som que eu queria buscar no “Wolves of Ill Omen”. “Hunter” é uma grande saga – sua letra evoca um ambiente mitológico que me leva com ela, além de conter um “entreguismo do espírito” em trechos como “you can eat my flesh and bones, leave nothing that is needed” que é muito caro a mim, pessoalmente – elemento este que aparece também na minha talvez banda preferida que vai aparecer na lista logo, logo. Atenção especial para a guitarra que soa quase como um synth e para a bateria que alterna nos compassos entre o hi-hat e a caixa – e miraculosamente consegue fazer as duas peças da bateria ter um impacto igualmente forte.

Have a Nice Life“Cropsey”
Outra deles. O sample de voz que inicia a faixa me marcou muito, não tem uma vez que ouço sem repetir as palavras com a boca junto, quase como uma oração. Mas a grande estrela é a bateria, tão processada que somente se sente seu impacto e é difícil definir exatamente o que está acontecendo – mas não é preciso entender, só sentir mesmo. Cada vez mais camadas de distorção são adicionados a este eterno loop de bateria, até que a música se mova como uma só onda sonora resultando em algo que só o Have a Nice Life seria capaz de fazer. Esse foi um desafio que encontrei enquanto compunha o “Wolves of Ill Omen”, um desafio que tentei tornar um ponto forte do álbum – loops que se mantém eficazes por minutos.

Have a Nice Life“A Quick One Before The Eternal One Devours Connecticut”
A última deles, juro! De novo, o tema aqui é repetição, mas dessa vez o mais hipnótico que se pode chegar. Eu costumo dizer que ouvir essa música gera o mesmo sentimento que eu imagino um suicida tendo, uma paz em saber que tudo vai acabar, que chega como um golpe e dura poucos segundos até que o gatilho seja apertado. Nem preciso dizer que é uma música que me afeta muito. Dark, pois é… mas assim que é bom! haha

Portishead“Machine Gun”
O que acontece quando uma das melhores bandas do mundo vai full industrial? Essa belezinha aqui. Um show de timbres e sons irreconhecíveis (lembra do que eu falei antes sobre isso?) onde todos os sons tem a força de uma percussão, como um golpe no peito. E pra acabar, como se já não tivesse perfeita, no final entra aquele synth lindo. Uma música que eu não mudaria nada, uma referência industrial pra mim mesmo que a banda não tenha se aventurado por esse som em nenhum outro momento da discografia.

The Body“Hail to Thee, Everlasting Pain”
Quando eu penso em “música pesada” eu penso nisso aqui. Uma música nada convencional que me prende até o fim com seu intrigante universo sombrio. Com uma progressão bem bizarra, essa música consegue ser extremamente sombria sem recorrer a nenhum caminho fácil pra chegar nesse resultado. Assim como muitas outras nessa lista, um exemplo de música que consegue tirar qualquer um do seu estado natural – ninguém sai dessa a mesma pessoa de antes.

Nine Inch Nails“The Great Below”
Essa aqui é a famosa, a minha “talvez banda preferida”! Eu sou completamente obcecado por Trent Reznor e Nine Inch Nails dos anos 90. NIN tem o poder de me fazer ouvir algo que eu posso jurar que veio de mim mesmo, mesmo que eu nem tivesse sido nascido quando certos álbuns foram concebidos, ou seja, NIN perfeitamente captura minha alma. Todo a auto destruição, o entreguismo, a raiva e a melancolia que formam quem eu sou. Essa faixa eu especial está aqui por conta das suas ricas texturas, de um dos melhores arranjos de bateria que já ouvi e por conta do significado pessoal que eu tiro da letra, uma história que pode ou não ser verídica (defendo com dentes que é), mas que sinto que faz parte de mim, talvez um orgulhinho de ter desvendado a letra mais bonita já escrita na história da música. Pra mim, claro! Se eu tivesse escrito qualquer verso dessa música, eu poderia morrer em paz.

Nine Inch Nails“Reptile”
Faixa do meu álbum favorito de todos os tempos, “The Downward Spiral”. O sentimento de ser seu coração destruído e sua cabeça desgraçada por alguém é devastador e muito mais complexo do que um simples ódio pelo outro – é muito mais um ódio por si próprio. Isso fica muito claro na performance dessa música no Woodstock de 94 – talvez minha performance ao vivo favorita de todos os tempos. Me vejo em cada passo que Trent toma naquele palco, em cada grito, em cada gesto. De forma semelhante a “The Great Below”, se eu fizer uma performance como aquela algum dia na minha vida, posso morrer em paz. Mas uma performance tão boa só pode vir de uma música muito boa, e esse é definitivamente o caso.

Sneaker Pimps“Grazes”
Consider o trip hop um fenômeno musical inesperado – uma junção de tendências que encaixam de forma única. Essa faixa de Sneaker Pimps é, pra mim, um exemplo de trip hop bem utilizado. O solo atrapalhado revela uma fragilidade que combina muito bem com uma das vozes mais intrigantes e doces da música, a de Chris Corner. Mas acho que essa música não seria metade do que é se não fosse pelo sample de voz que aparece logo no começo, onde se pode ouvir os sutis cortes e manipulações feitos na gravação original que trazem uma ótica completamente diferente se aquela melodia tivesse presente na gravação original emitida somente com a voz humana. Um som que me traz arrepios logo no primeiro segundo da faixa!

Radiohead“Everything In It’s Right Place”
Provavelmente a banda de longa data mais surpreendente, consistente e dedicada que eu já conheci. Em cada álbum se pode perceber uma nova fase musical na vida dos membros, o que sempre resulta em discos incríveis como “Kid A”. Essa música foi um choque quando ouvi pela primeira vez, já que ouvi a discografia em ordem cronológica – “onde estão as guitarras?” “Por que a voz dele soa tão estranha?” e outras são perguntas que eu me fiz muitas vezes ouvindo e reouvindo esse disco até entendê-lo. E fico feliz que eventualmente o tenha feito, pois é definitivamente um dos melhores discos da história! Cada faixa um experimento diferente – que funciona. Daria pra dizer que por causa desse disco eu me tornei o viciado em música que sou hoje.

Joy Division“Atmosphere”
Um clássico gótico que estava na minha mente o tempo inteiro enquanto compunha “Don’t Lose Your Mind, Sweetheart”. O jeito que o synth grave encaixa com a bateria evoca um sentimento tão único que eu não pude deixar de referenciar, talvez quase plagiar, na minha música mencionada. A responsável por me fazer amar tanto os tons de uma bateria e buscar sempre incluí-los de alguma forma.

Title Fight“Head in the Ceiling Fan”
Eu amo o contraste entre melancolia e explosão e essa música faz exatamente isso. Esse contraste ficou implícito em todo o álbum, mas é possível fazer uma ligação direta – com as guitarras de “Nimble” tentei conseguir um efeito quase onipresente que sinto que essa faixa consegue obter.

Fever Ray“If I Had a Heart”
O disco de onde essa vem estava na minha cabeça o tempo todo enquanto compunha “A Present Foreseen”. Os vocais graves icônicos de Fever Ray estão presentes nessa faixa, assim como uma tentativa de fazer uma música completamente sintética. Por onde anda Fever Ray? Queremos mais discos!

Low“(That’s How You Sing) Amazing Grace”
Eu confesso – tenho um ponto fraco por caixas de bateria que parecem um soco no meu ouvido. “Amazing Grace” do Low tem um dos timbres mais interessantes de caixa que já ouvi, e não é só isso – colocada numa música calma, soturna! Esse contraste esteve muito em minha mente conforme eu escolhia os timbres de percussão que acabaram no meu álbum.

Sinoia Caves“Sentionauts”
Da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos, “Sentionauts” é um exemplo de sintetizadores retrô sendo usados pra criar algo referenciante e moderno ao mesmo tempo – e eu adoro isso. Se alguém me dissesse que essa trilha sonora veio de uma máquina do tempo que veio dos anos 80 (2080, no caso) eu acreditaria. Outra faixa que é possível traçar um paralelo direto – “Beyond Touch” veio do meu amor por esse disco.

The Soft Moon“Black”
“Darkwave” é um gênero difícil de definir. Muitas vezes acaba passando por goth rock, post punk, new wave… mas o que vem a minha cabeça é isso aqui. Esse synth quase witch house com essa percussão que mais parece uma marcha é assustador, mas ao mesmo tempo me transporta pra algum clube noturno onde eu me perguntaria “será que posso sentar em posição fetal aqui no meio da pista?”. Enfim, uma sonoridade muito difícil de encontrar por aí e que me representa muito!

Sleep Party People“I’m Not Human At All”
Outra música que se apresenta como uma saga, progredindo por vários estágios e conseguindo sucesso em todos eles. Dos tempos de ouro do Sleep Party People, essa música me marcou principalmente na performance que fizeram dela na Copenhagen Sessions de 2010. Aquela guitarra simples, seguindo apenas os acordes da música funciona como uma cereja no bolo. Foi a primeira vez que vi percussão eletrônica sendo incorporada manualmente ao vivo e me deixou muito curioso pra tentar isso, mas ainda não tive oportunidade. Enfim, um grande exemplo de como construir uma música e manter ela interessante do começo ao fim.

Slowdive“Souvlaki Space Station”
Pra fechar a lista não poderia faltar a melhor música de um dos melhores discos da história. Eu realmente acredito que essa música nasceu de um momento em que todos os planetas se alinharam e todos os átomos do universo estavam no lugar certo – um fenômeno simplesmente. Uma música irreproduzível, cada segundo dela é exatamente o que deveria ser e jamais vai ser de novo – até me faz acreditar quando dizem que ela foi gravada em um take, depois de dezenas e dezenas de tentativas. “Mas o que faz dessa música tão especial?”. Aí que está – não sei. Acho que ela tem a própria alma e ela conversa comigo quando a ouço. De qualquer forma, não tem como deixar passar sem comentar o belíssimo uso de delay nas guitarras e baterias que me evocam um cenário espacial como o título sugere (e pela música “My God, It’s Full of Stars!” acho que fica claro que eu tenho uma relação muito forte com o espaço). Essa música é uma experiência que deve ser sentida por todo mundo pelo menos uma vez antes de morrer, é indescritível.

Construindo Não Não Eu: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo Não Não Eu

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o trio de Belo Horizonte Não, Não Eu falando sobre as 20 músicas que mais influenciaram seu som. Não deixe de conferir a playlist com as músicas no Spotify no final do post!

Boy Harsher – “Morphine”
É um dos duos de eletrônico mais dark, intenso e visceral que já conhecemos. Foi uma grande inspiração mórbida e ao mesmo tempo dançante.

Clans Cassino“I’m God”
Devo ter visto esse clipe pelo menos umas 100 vezes durante o processo de composição do disco. Acho que é a música mais sublime e transcendental que já ouvi. Uma pulsão de morte e um desejo pela vida. E esse clipe com mais de 19 milhões de visualizações foi feito por um fã com cenas do filme “Lost in New York” (1989).

Lucas Santtana“Cira, Regina e Nana”
É um dos artistas brasileiros que mais nos influenciaram. Ele transita pelo eletrônico numa brasilidade, sensualidade e minimalismo com caídas precisas e sempre muito profundo. As melodias são simplesmente sensacionais. O show dele é incrível também! Maravilhosoooooo.

Cidadão Instigado “Besouros e Borboletas”
Eles nos estimularam a pensar no rock de novas maneiras, a fugir do óbvio.

Karina Buhr“Eu Sou Um Monstro”
Ela é uma referência de poder da mulher na música e abriu muitos caminhos para toda uma discussão do papel da mulher da música. Essa relação do feminismo foi uma grande inspiração para o disco também.

Jonathan Tadeu“Quase”
Nosso brother que sempre foi uma inspiração sobre como colocar emoções e muita verdade no som que faz.

CAN“Vitamin C”
Não dá para imaginar que eles faziam esse tipo de som já na década de 70. Eu descobri a banda recentemente e fiquei impressionada.

Kraftwerk“Computer World 2”
Não tem como deixar essa clássico de lado. Suas músicas ainda soam muito contemporâneas e tem uma magia que o tempo não é capaz de apagar

The Organ“Love, Love, Love”
É uma banda de mulheres que me fascina muito. Eu descobri o som no início dos anos 00 e desde então nunca parei de ouvir.

Interpol“Obstacle 1”
Quem nunca chorou ouvindo essa música que atire a primeira pedra!

Portishead“Machine Gun”
Me fascina muito a leveza da voz junto ao beat minimalista. Essa música nos ajudou a assumir e a lançar a música “Máquina”, que soa muito estranha ao mesmo tempo em que o vocal mantem uma linha melódica.

Nico“These Days”
É uma das vozes que eu mais amo e uma inspiração para assumir minha própria forma de cantar e fazer com que respirações, erros, desafinações façam parte de todo o conceito do disco.

Alceu Valença“Punhal de Prata”
Essa música traz novas perspectivas para a música brasileira que transcende o tradicional para uma poética visceral e envolvente. Me marcou principalmente a poesia e a relação com a música.

Siba“Preparando o Salto”
É outra grande inspiração para a poesia, a emoção e a visceralidade dos versos. Foi o disco que eu mais escutei em 2014.

Crim3s“Lost”
Como se fosse uma vertente punk do eletrônico, eles foram uma inspiração para explorar sons “estourados”. O que seria um erro foi incorporado como potência estética.

PJ Harvey“Down By The Water”
Ela é minha musa inspiradora principalmente por cantar sobre desejos, obscuridades e subjetividades que muitas vezes tentamos esconder.

Sofi Tukker“Drinkee”
Essa música é muito dançante, com uma guitarra super minimalista e uns beats muito envolventes. Foi uma descoberta recente muito interessante.

Night Drive“Part Time”
Fico chocada o quanto essa música é simples e maravilhosa.

Céu“Perfume do Invisível”
O “Tropix” ganhou vários prêmios e não foi à toa. Muita sensibilidade e muita precisão de arranjos, letra e melodia.

The Dø“Anita No!”
A Olivia Merilahti é maravilhosa e se reinventou no último lançamento da dupla. Vale muito a pena assistir os vídeos ao vivo.