Móbile Drink lança seu EP, “(a)morfina”, com quatro faixas cheias de rock carioca

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A banda carioca Móbile Drink disponibilizou recentemente nas plataformas digitais seu novo EP, “(a)morfina”. Buscando contar o cotidiano de muitos relacionamentos e suas tensões amorosas, em uma atmosfera bem rock and roll, o grupo repete sua dose na questão do amor aonde com certeza contam com um ótimo palco de relações quentes: o Rio de Janeiro.

Gravado por Lisciel Franco (ForestLab) e Pablo Rodrigues (MD Estúdio), mixado e masterizado por Lisciel Franco (ForestLab) o EP apresenta sonoridade de letras diretas, grande presença de reverb e riffs marcantes da guitarra que marca quatro faixas sucintas e boêmias com grande qualidade.

Ronan Valadão na voz, Pablo Rodrigues distorcendo a guitarra, Felipe Rodrigues pontuando o baixo e Bruno Valadão nas baquetas com certeza consolidam um ótimo trabalho, do qual deixa os ouvintes esperando novas histórias em, quem sabe, um CD de inéditas do super grupo.

De onde saíram as músicas de “The Spaghetti Incident?” (1993), do Guns N’ Roses

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Guns N' Roses
Guns N' Roses em 1993

“The Spaghetti Incident?” é o quinto disco do Guns N’ Roses e é um daqueles discos de covers, sendo até o momento o último com sua formação clássica, com Slash na guitarra, Duff McKagan no baixo e Axl Rose como vocalista e dono da porra toda. Apesar de fazer um álbum de versões, a banda resolveu investir em um lado que é muito fácil de perceber nas suas atitudes impulsivas da época: o amor pelo punk rock.

Em algumas das faixas, o maior fã de punk da banda, Duff, assume os vocais, deixando Axl Rose meio “de folga”. Durante as gravações do disco, o Guns gravou também uma versão para “Beer and a Cigarrette”, do Hanoi Rocks, mas nem chegaram a gravar os vocais, pois não queriam que a grana dos direitos fossem para o compositor Andy McCoy. Vai saber. Também gravaram uma versão instrumental para “Down In The Street”, dos Stooges, que nunca foi lançada.

No canto da capa do disco tem um código escrito com os símbolos que o assassino do Zodíaco (sim, aquele do filme) usava, com uma singela mensagem, quando decifrado: “Fuck ‘em all”. O título do disco se refere à uma guerra de comida que aconteceu entre Steven Adler e Axl Rose, o que veio a aparecer no processo que Adler abriu contra a banda como “The Spaghetti Incident”.

Vamos dar uma olhada nas músicas que originaram as covers que fazem esse disco:

1 – “Since I Don’t Have You”, dos Skyliners
Foi o grande single do disco e tocou para cacete na época. A música original foi composta por Jackie Taylor, James Beaumont, Janet Vogel, Joseph Rock, Joe Verscharen, Lennie Martin e Wally Lester e foi um hit em 1958 com o grupo de doo-wop the Skyliners, chegando ao Hot 100 da Billboard.

2 – “New Rose”, do The Damned
O primeiro single do grupo de punk rock britânico saiu em outubro de 1976 e foi escrita pelo guitarrista Brian James. Faz parte do clássico disco “Damned Damned Damned”, e a intro “Is she really going out with him?” é uma paródia de “Leader Of The Pack”, das Shangri-Las, de 64. O vocalista, Captain Sensible, disse que nunca ouviu a versão do Guns, pois “não ouve músicas lançadas depois de 1980”.

3 – “Down In The Farm”, dos U.K. Subs
A música do disco “Endangered Species”, de 1982, ganhou uma versão energética com o vigor de Duff e Slash mandando brasa no punk rock.

4 – “Human Being”, dos New York Dolls
A última faixa do segundo disco do New York Dolls, “Too Much Too Soon”, de 1974, ganhou uma versão esporrenta com vocais de Axl Rose e é uma das faixas que mais ficou com cara de música do Guns’N’Roses no disco.

5 – “Raw Power”, dos Stooges
Quem diria que uma faixa tão icônica de uma das maiores bandas do chamado proto-punk ganharia uma versão do Guns? A música que dá nome ao disco dos Stooges de 1973 foi composta por Iggy Pop e James Williamson e aqui ganha vocal de Duff McKagan e Axl Rose .

6 – “Ain’t It Fun”, dos Dead Boys
A banda mais enlouquecida do GBGBs foi homenageada com uma versão da faixa do seu segundo disco, “We Have Come For Your Children”, de 1978. Composta por Cheetah Chrome e Peter Laughner, a música era de uma banda mais antiga the Cheetah, Rocket from the Tombs.

7 – “Buick Makane”, do T.Rex
A versão do Guns para o som do clássico “The Slider” do T.Rex ainda conta com uma citação a “Big Dumb Sex”, do Soundgarden, lançada em “Louder Than Love”, de 1989. Quem disse que eles tocarem “Black Hole Sun” na turnê atual não fazia sentido? Os caras são fãs da banda de Chris Cornell faz tempo!

8 – “Hair Of The Dog”, do Nazareth
A música que dá nome ao disco do Nazareth de 1975 é perfeita para ganhar uma versão do Guns N’ Roses. Desde a letra até a voz de Dan McCafferty, tudo exala algo que a banda faria.

9 – “Attitude”, dos Misfits
Duff deve ter ficado tão contente em gravar esse vocal de um dos maiores clássicos dos Misfits… A música, do disco “Static Age”, de 1978, deu vazão à faceta punk rock da banda e é tocada até hoje na turnê de 2017 do Guns.

10 – “Black Leather”, do The Professionals
De nome a gente pode não lembrar do The Professionals, mas a banda é composta pelos ex-Sex Pistols Steve Jones e Paul Cook. 

11 – “You Can’t Put Your Arms Around A Memory”, do Johnny Thunders
A música de 1978 fala sobre o vício em heroína de Johnny Thunders. Acho que não preciso falar da relação dos membros do Guns and Roses com Mr. Brownstone, né?

12 – “I Don’t Care About You”, do Fear
O Fear é aquela banda punk que tinha como baixista ninguém menos que Flea, dos Red Hot Chili Peppers. “I Don’t Care About You” faz parte de “The Record”, de 1982.

13 (faixa bônus) – “Look At Your Game Girl”, do Charles Manson
Deu polêmica gravar uma faixa de Charles Manson, um dos mais famosos e malucos assassinos do mundo? Claro que deu. Axl Rose adora uma polêmica? É claro.

Confira aqui uma playlist com os sons originais que deram origem ao disco de covers do Guns and Roses:

“Good Times” virou “Rapper’s Delight” e se transformou em “2345Meia78”, “Aserejé” e “Ragatanga”

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O Chic é uma das bandas mais importantes da era disco. Criada pelo super guitarrista Nile Rogers e pelo baixista Bernard Edwards em 1975, o grupo criou vários hinos como “Le Freak” e “Good Times”. No ano de 1979, o trio Sugarhill Gang resolveu usar “Good Times” como base para “Rapper’s Delight”, com um detalhe interessante: ambas as músicas foram lançadas em 1979. A música também virou um hit, chamando a atenção de Rogers e Edwards, que entraram com um processo judicial e ganharam a co-autoria da música.

Com uma letra gigante, que poderia servir inclusive como capítulo de um livro, e 14 minutos na versão original, “Rapper’s Delight” foi um sucesso tão grande que continuou servindo como base para muitas músicas, sendo sampleada por artistas como Gabriel o Pensador, em 2345Meia78″, e virando base para uma língua inventada em 2002 pelo trio de irmãs Las Ketchup em “Aserejé”, também conhecida como “The Ketchup Song”.

A letra de “Aserejé” é muito bem humorada, e conta a história de Diego, uma pessoa nascida na Espanha, que não sabe nada de inglês, tipo a Sol do BBB, esperando sua música preferida na balada. No refrão das Ketchup, o rapaz cantarola “Aserejé, ja deje dejebe tude jebere / Sebiunouba majabi an de bugui an de buididipí” ao invés de “I said a hip hop / Hippie to the hippie / The hip, hip a hop, and you don’t stop, a rock it out / Bubba to the bang bang boogie, boobie to the boogie / To the rhythm of the boogie the beat.” Quem nunca?

No Brasil, a música ganhou uma versão “em portunhol” feita em conjunto com as meninas do Rouge, com o nome de “Ragatanga”, e também foi sucesso absoluto. Essa versão ajudou inclusive a impulsionar as vendas das Ketchup!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Wagner Creoruska, d’O Bardo e o Banjo

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Wagner Creoruska, d'O Bardo e o Banjo
Wagner Creoruska, d'O Bardo e o Banjo

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Wagner Creoruska, também conhecido como Bardo, d’O Bardo e o Banjo!

Hayseed Dixie“Tolerance”
“Como grande apreciador de bluegrass eu não poderia começar de outra forma. Essa é uma própria de uma banda que ficou muito conhecida fazendo covers, o Hayseed Dixie, além de ser minha primeira referência de bluegrass quando comecei a conhecer esse estilo. Foi essa banda que me fez querer comprar um banjo e hoje o Bardo e o Banjo existir. Sobre ‘Tolerance’, é minha música preferida deles, meu clipe preferido também, e um som que nunca pode faltar nas minhas playlists”.

Seasick Steve“Summertime Boy”
“Esse é um som novo de um cara que tem muita história pra contar antes da sua carreira despontar. Seasick Steve têm um pouco de tudo que eu gosto, blues, folk, instrumentos estranhos, rock, espirito do pantano norte-americano. Essa é uma das músicas dele que mais fez sucesso. Enfim, vale o play, vale por na playlist pra pegar a estrada, vale curtir”.

New Riders of the Purple Sage“Panama Red”
“Essa é uma indicação que vale por duas. A música é de uma das bandas mais legais dos anos 70, que misturava rock e country muito bem, o New Riders of the Purple Sage. A banda tinha uma formação incrível com guitar steel, ótimos guitarristas e músicas legais pra caramba. “Panama Red” depois foi regravada pelo Old & in The Way, uma das melhores bandas de bluegrass de todos os tempos (na minha opinião, claro), banda que tinha Jerry Garcia, guitarrista do Grateful Dead, tocando banjo”.

The Flying Burrito Brothers“Six Days On The Road”
“Essa música, gravada nesse programa ao vivo, é FODA! Existe versão de estúdio dela mas essa é a melhor. Ouço ela sempre que vou pegar a estrada. Outra banda que mistura rock e country, de uma forma bem legal, também dos anos 70”.

Wild Cherry“Play That Funky Music”
“Fugindo um pouco do folk/bluegrass esse é um som da década de 70 que foi sucesso nas pistas de dança, na época e até nos dias de hoje. Na verdade é um dos sons mais divertidos pra botar a galera pra dançar, na minha opinião claro. Foi um dos poucos hits do Wild Cherry que lançou apenas 4 discos entre 1976 e 1979 quando a banda acabou”.

Tributo ao Pato Fu “O Mundo Ainda Não Está Pronto” traz 30 versões de bandas independentes

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Em 2017 a banda mineira Pato Fu completa 25 anos trazendo na bagagem 10 discos de estúdio, 2 discos ao vivo, 5 DVDS e 34 singles. Pensando nisso, João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi) e Rafael Chioccarello (Hits Perdidos) decidiram criar seu segundo tributo em parceria, “O Mundo Ainda Não Está Pronto”, homenageando a criativa e divertida banda mineira. Nada como seguir o exemplo dos Patos e criar versões desconstruídas e inovadoras, assim como fizeram em repaginações de hits como “Eu Sei” do Legião Urbana, “Qualquer Bobagem” dos Mutantes e “Eu”, da Graforréia Xilarmônica. O disco duplo pode ser ouvido no www.omundoaindanaoestapronto.com.br

Em 1992, Fernanda Takai (vocal e guitarra) frequentava uma loja de instrumentos musicais e lá fez amizade com dois funcionários, John Ulhoa (vocal e guitarras) e Ricardo Koctus (vocal e baixo). Surgia o Pato Fu, trio que abusava do experimentalismo pop com influências que iam da psicodelia ao punk rock, passando pela new wave, bossa nova e rock and roll. “Fazemos muitos sons diferentes, mas, no fim, podemos dizer que somos uma banda do universo pop, que vai de Beatles a Sepultura. Tudo isso vale”, explicou John Ulhoa. Desde então, a banda só cresceu, lançando os discos “Rotomusic de Liquidificapum” (1993), “Gol de Quem?” (1995), “Tem Mas Acabou” (1996), “Televisão de Cachorro” (1998), “Isopor” (1999), “Ruído Rosa” (2001), “Toda Cura Para Todo Mal” (2005), “Daqui Pro Futuro” (2007), “Música de Brinquedo” (2010) e “Não Pare Pra Pensar” (2014) e colecionando hits como “Sobre O Tempo”, “Perdendo Dentes”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Pinga” e muitas outras. Hoje, a banda conta também em sua formação com Glauco Mendes na bateria e Richards Neves nos teclados.

A coletânea reúne diversos artistas do cenário independente nacional dando seu toque em versões para as canções do Pato Fu, as recriando em passeios por estilos como rock, tecnobrega, forró, rap, MPB, folk, stoner rock, psicodelia, experimentalismo…

Participam do tributo Antiprisma (São Paulo/SP), Berg Menezes (Recife/PE), Capotes Pretos na Terra Marfim (Fortaleza/CE), Der Baum (Santo André/SP) , Djamblê (Limeira/SP), Eden (Salvador/BA), Dum Brothers (São Paulo/SP), Estranhos Românticos (Rio de Janeiro/RJ), FELAPPI e Marcelo Callado (Rio de Janeiro/RJ), Floreosso (São Paulo/SP), Gabriel Coelho e Renan Devoll (São Bernardo do Campo/SP), Gilber T e os Latinos Dançantes (Rio de Janeiro/RJ), Horror Deluxe (Pouso Alegre/MG), João Perreka e os Alambiques (Guarulhos/SP), Lucas Adon (São Paulo/SP), Lerina (Santo André/SP), Mel Azul (São Paulo/SP), Molodoys (São Paulo/SP), Paula Cavalciuk (Sorocaba/SP), Pedroluts (São Paulo/SP), Serapicos (São Paulo/SP), Silvia Sant’anna (São Paulo/SP), Subcelebs (Fortaleza/CE), The Cabin Fever Club (São Paulo/SP), The Outs (Rio de Janeiro/RJ), Theuzitz (Jandira/SP), TucA e Thaís Sanchez (Campina Grande/PB), Valciãn Calixto (Teresina/PI), Venus Café (Volta Redonda/RJ) e Yannick com Camila Brumatti (São Paulo/SP).

A arte da capa, inspirada nos robôs gigantes do clipe de “Made In Japan”, foi feita pelo designer Pedro Gesualdi, que também é músico e atualmente toca nas bandas DERCY, Japanese Bondage e Danger City.

Otto inaugurou a conexão Recife-Espaço Sideral com seu álbum de estreia, “Samba Pra Burro”

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No Walkman, por Luis Bortotti

Otto caminha em direção a câmera por um calçadão de Copacabana dos anos 70 desfocado e em retrocesso. Otto é o único que caminha para frente. E então, temos uma ciranda na praia, cheia de pessoas das mais diversas tribos. A mensagem diz: o Recife é a cidade que vai fazer a cultura do país andar para frente. A nova praia é aqui, o Recife. E olhe ao seu redor o quanto de cultura nós temos para oferecer.

Este foi o cenário musical do país a partir de 1994 com a proliferação do movimento manguebeat. Entretanto, a imagem citada acima é o início do videoclipe de “Bob”, do cantor e percussionista pernambucano Otto, o primeiro do seu álbum de estreia, “Samba Pra Burro”, de 1998.

Um ano se passou da precoce morte de Chico Science e os manguezais do Recife ainda estavam começando a borbulhar. E Otto é um músico que acompanhou desde o início a cena musical do Recife e tudo o que aprendeu e ajudou a criar está presente neste disco.

Fugindo um pouco da sonoridade padrão dos trabalhos por que passou, Nação Zumbi e Mundo Livre S.A., Otto mergulha até a raiz da música eletrônica e cria uma harmônica mistura de folclore e drum’n’bass, criando versões espaciais de maracatu, samba e ciranda.

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O álbum foi muito bem aceito e sua primeira faixa, “Bob” (um dueto com Bebel Gilberto), explodiu comercialmente. Otto agora também era mangue. E também colocaria “TV a Cabo/O Que Dá Lá É Lama” e “Café Preto” nas paradas nacionais e internacionais.

A obra, toda composta com o magnífico trabalho de parceria entre Otto e o produtor Apollo 9, é uma viagem eletrônica por ritmos brasileiros e fases da vida do cantor, passando pelos versos eternizados por Chico Science, em “Bob”, e chegando às origens africanas do Brasil em duas músicas cantadas em francês (Otto morou 2 anos na França), “Low” e “Change tout”, que formam uma incrível lama melódica.

Otto canta o Recife, São Paulo, Paris. Ao mesmo tempo em que toca África, Brasil, Vênus. Com letras que caminham descalças pelos lugares de sua vida, Otto mostra a situação social do país em sua época, através de cenas, fatos e narrações de uma vida simples e cotidiana brasileira que aos poucos ganha injeções das tecnologias dos anos 2000 (TVs a cabo, celulares). E o estilo musical acompanha com perfeição essa temática.

Nota máxima para a estreia de Otto. “Samba pra Burro” é uma obra-prima recente da MPB e conseguiu, com incríveis sentimentos, levar para o espaço sideral a conectividade da cultura do Recife.

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Otto – Samba Pra Burro | #temqueouvir!

01. “Bob”
03. “TV a Cabo/O Que Dá Lá É Lama”
04. “Renault/Peugeot”
07. “Café Preto”
08. “Ciranda de Maluco”
11. “O Celular de Naná”

Otto – Samba Pra Burro | #singles

Otto“Bob”

Otto“TV a Cabo”

Otto – Samba Pra Burro | #ouçaagora!

Marcelo Mara ressuscita acervo de música independente e underground no Disco Furado

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Marcelo Mara, do Disco Furado
Marcelo Mara, do Disco Furado

Desde 2011 o blog Disco Furado faz um verdadeiro serviço aos fãs de música independente e alternativa e desenterra pérolas que não são de fácil acesso desde seu lançamento. Discos raros, bandas do underground, fitas demo e vídeos de programas como Lado B e Musikaos são apenas algumas das coisas que Marcelo Mara oferece a seus leitores e seguidores do canal do Youtube do blog. “Hoje o blog tem 6 anos e mais de 500 discos disponibilizados. Ainda tenho uma boa quantidade de material para resenhar e outras coisas que procuro para por no blog e para minha coleção”, conta.

Bandas como Ack, Pin Ups, Bloco Vomit, Thee Butchers Orchestra, Bois de Gerião e Dash, entre muitas outras, aparecem no canal do Youtube do blog com discos completos que são difíceis de se encontrar na internet. “Dou preferência aos discos independentes lançados depois de 1977, o que me dá oportunidade de pesquisar vários cenários independentes, da turma do Antonio Adolfo, passando pelo pessoal da Vanguarda Paulistana, os punks, os pós punks da segunda metade dos 80, da cena independente de 1993, das fitas e fanzines, e dos anos 2000, com um cenário diverso, espalhado e, de certa forma, sustentável”. Nada contra os novos serviços de streaming, porém. “Tenho usado o Youtube com essa intenção, mas é um processo um pouco lento quando feito por uma única pessoa. Espero que em breve surja oportunidade de estrear numa plataforma de streaming”, afirma Marcelo.

Conversei com ele sobre o Disco Furado, sua coleção de CDs, K7s e vinis, o retorno das fitas K7 e os discos raros que merecem ser garimpados:

– Como começou o projeto Disco Furado?

Desde 1995 que eu me interesso por discos independentes, catálogos de selos, coisas obscuras. Com o tempo fui adquirindo CDs, LPs, K7s de bandas independentes que eu via nas revistas Dynamite, Bizz, Rock Press, Underguide e fanzines. Pensava em fazer um blog – sobre resenhas póstumas desses discos dos anos 80, 90 e 00 – desde 2009 e para começar a escrever os textos revirei todo material impresso que acumulei, escaneei tudo que interessava e ali estava o banco de dados de pesquisa para os textos. Em 2011, fiz o blog Disco Furado e o canal no Youtube. A ideia era escrever sobre os discos, ter algo de inédito no texto e disponibilizar as músicas para download. Hoje o blog tem 6 anos e mais de 500 discos disponibilizados. Ainda tenho uma boa quantidade de material para resenhar e outras coisas que procuro para por no blog e para coleção.

– Você tem ideia do tamanho da sua coleção física de CDs, discos e fitas? Tem muito material ainda pra jogar lá?

De discos independentes, que são a grande maioria, deve ter uns 3 mil títulos entre CDs e LPs. K7 deve ter uns 500 e eu estou digitalizando as K7s agora, mas estas vão só para o Youtube. A ideia é encerrar o blog quando chegar aos 1000 discos, ainda tem muita coisa para entrar, muito disco de metal, coisas extremas e MPB underground, que só não estão disponíveis em maior quantidade porque eu não tenho domínio para escrever/descrever alguns estilos musicais, daí por medo de escrever bobagens acabo deixando sempre para uma próxima. Mas a maioria dos discos que publico são coisas que eu gosto e ouço em casa, mas tem umas bizarrices, coisas horríveis às vezes, que valem a pena receber texto e estarem disponíveis gratuitamente.

– Como você faz para disponibilizar o download, já que os serviços sempre acabam tirando os arquivos do ar de tempos em tempos?

Isso é um dos maiores problemas, pois é a parte do serviço do blog. Desisti de arrumar link por link em cada postagem, ter de entrar em cada postagem e consertar o link leva muito tempo, costumo fazer isso quando aparecem pedidos nos comentário de postagens. E volta e meia tenho de encontrar servidor novo, pois os links antigos expiram. É um saco fazer isso.

Marcelo Mara, do Disco Furado

– Você já pensou em ir atrás de disponibilizar os discos em streaming? Muitas das bandas não existem mais e seria ótimo poder achar esses trabalhos neste tipo de serviço…

Sim, é mais uma plataforma para disponibilizar. Tenho usado o Youtube com essa intenção, mas é um processo um pouco lento quando feito por uma única pessoa. Espero que em breve surja oportunidade de estrear numa plataforma de streaming.

– Alguma banda já entrou em contato com você depois de seu post sobre ela?

Sim, algumas. Quando o texto não agrada as bandas, elas tendem a entrar em contato com mais frequência. Eu acho isso bem maneiro, é esse feedback que motiva a publicação. Noutros casos, algumas bandas entram em contato para que eu disponibilize o material delas, já fiz isso algumas vezes, mas ultimamente prefiro explicar que a proposta do blog é de resenhas de discos não atuais.

– Você dá preferência a bandas da cena independente da geração anterior à atual. Até que ano vão os discos que você costuma postar? Quando esta cena independente começou a se dispersar?

Dou preferências aos discos independentes lançados depois de 1977, o que me dá oportunidade de pesquisar vários cenários independentes, da turma do Antonio Adolfo, passando pelo pessoal da Vanguarda Paulistana, os punks, os pós punks da segunda metade dos 80, da cena independente de 1993, das fitas e fanzines, e dos anos 2000, com um cenário diverso, espalhado e, de certa forma, sustentável. Não consigo analisar um cenário independentes como um todo, ele passa por transformações que são seguidas pelo meio em que se propaga o cenário, a mudança de mídias, a derrocada de algumas plataformas e ascensão de outras. Separo os cenários em marcos de início e fim, às vezes seguidas por novos cenários ou por hiatos pouco classificáveis.

– O que você acha deste retorno das fitas K7? Tem banda fazendo lançamento em K7 hoje em dia, além da grande redescoberta de fitas (demo ou não) que estavam encostadas por aí…

Acho muito bom. Apesar de as fitas agora não desempenharem a mesma função de antes: quem se atreveria a fazer uma mixtape em K7 hoje em dia? Elas são uma ótima plataforma para ter um trabalho disponível em formato físico. Uma pena não se poder fazer isso com um custo mais baixo, e nem que todos consigam ouvi-las em boa qualidade, mas funciona. Para quem gosta de discos, colecionadores velhos e jovens, a fita tem bastante importância. Gostaria de ter mais discos nesse formato.

– Você também pretende postar discos que estão disponíveis somente em vinil? (Ou já fez isso e eu não me liguei?)

Sim, tem várias discos no blog que só existem em vinil. Daí eu ripo o LP para mp3, às vezes fica bom.

– Fala uma lista de 5 discos que você subiu no canal que são indispensáveis, na sua opinião, e porque.

Tá, vamos lá.
Fellini, “Amor Louco” – o quarto disco do Fellini, o melhor produzido, tem ótimas letras e uma pesquisa de ritmos e timbres que valorizam muito a produção.
Júpiter Maçã, “A Sétima efervescência” – um dos principais discos psicodélicos brasileiros, letras divertidas, arranjos fantásticos. Esse disco beira a perfeição.
Patife Band, “EP” – é o primeiro disco da Patife Band, tem 6 músicas, incluindo as clássicas “Tô Tenso” e “Pesadelo”, além de uma versão bem legal para a jovem guarda/brega “Tijolinho”.
V.A. “Não São Paulo Vol. 1” – Coletânea linda com quatro post punks paulistanos, dos experimentos jazzisticos/kraut do Akira S & As Garotas Que Erraram, passando pelo trip hop do Chance, pelo som denso do Muzak e pelo quase pop Ness. Um disco bastante diverso, que cobre muito bem um cenário marcado no tempo.
Vellocet, “Demonstration Tape n.01” – um EP-demo do Vellocet que tem “Inside My Mind (Again)”, música que roubou os corações e ouvidos de muita gente ligada nos sons do underground brasileiro por volta de 1999/2000.

– Muitas vezes o Disco Furado é o único lugar onde podemos encontrar muitos discos e EPs que não estão disponíveis em nenhum outro lugar. Como você se sente sobre isso?

Penso “que bom que ninguém disponibilizou isso antes”, o que garante um ineditismo para o meu trabalho e um pouco mais de visitantes. E olha que é grande a lista de coisas que não estão na rede.

– Porque você acha que tantas boas ótimas acabaram “sumindo”, ou pelo menos seu material dando essa desaparecida?

Difícil de saber, mas ou é porque o disco tem poucas unidades (às vezes mil discos é pouco e a distribuição falha), ou porque quando lançado o disco acabou sendo pouco ouvido, daí quando é redescoberto vira uma caça ao tesouro perdido (gosto mais desses segundos casos).

– Além dos discos, você também coloca no Youtube apresentações de bandas e entrevistas em programas como o Lado B da Mtv, pérolas que muitos achavam que estavam perdidas com o fechamento da Mtv Brasil da Abril. Você tem um acervo disso? O que você acha desse fechamento da Mtv Brasil e a virada pra esta nova Mtv que mal fala de música?

Eu gravei muita coisa em VHS entre os anos de 1998 e 2005, peguei coisas fantásticas como o Musikaos, Turma da Cultura e programas de Mtv, mas naquela época eu não dava muita atenção a qualidade das cosias que gravava e para aproveitar bem as fitas acabava gravando muita coisa que ficava com a qualidade ruim, se eu soubesse que um dia isso iria sair das minhas VHS para o youtube, teria gravado melhor. Mas eu fiz isso para ouvir música e conhecer bandas, não imaginava algo como o Youtube. Creio que o modelo de music television se esgotou, e não é nem culpa da Mtv Brasil, a Mtv gringa já tinha outro formato, com programas mais voltados para comportamento e entretenimento jovem, com menos espaço pra música. O modelo chegou ao brasil com um pouco de resistência, mas se “consolidou”, teve aceitação. Logo a velha fórmula do music television caiu, VJs envelheceram rápido, e veio Marcos Mion, Adnet, uma turma que em nada tinha a ver com a proposta da emissora nos seus primeiros 10 anos. A nova MTV não tem preocupação com música, mas a tendência é esses espaços unicamente musicais na TV perderem espaço frente a autoprogramação, a possibilidade de assistir o que quer na hora que quer. O Youtube é a televisão de quem se interessa prioritariamente por música.

– Recomende bandas e artistas independentes que você descobriu nos últimos tempos e todo mundo deveria ficar de olho.

Puxa, como não estou por dentro das coisas recém lançadas, vou citar dez nomes que sempre me interesso por saber o que estão fazendo: ruído/mm, Loomer, Valv, Plato Divorak, Stela Campos, Kingargoolas, Test, Leptospirose, Anvil FX e Curumin. Ufa! (risos)

Coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa” traz tributo independente aos Titãs

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O Pulso Ainda Pulsa
Capa por Leo Buccia

Os blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos lançam hoje a coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo com 32 artistas independentes fazendo versões, covers e reconstruções de músicas de uma das maiores bandas que o rock brasileiro já ouviu: os Titãs. Uma das bandas mais camaleônicas de sua geração, o octeto permeou sua carreira indo de canções de amor à duras pauladas políticas, do punk à MPB, do experimentalismo ao rock puro. E, afinal, 30 anos depois do lançamento do clássico disco “Cabeça Dinossauro”, um verdadeiro divisor de águas na música nacional, o rock brasileiro continua vivo. O Pulso Ainda Pulsa.

O projeto é uma homenagem à obra de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Charles Gavin, Sérgio Britto, Branco Mello, Nando Reis e Paulo Miklos. Nas faixas, o grupo paulistano é reverenciado em versões que vão do bluegrass ao electro, passando pelo folk, punk, hard rock e experimentalismo. O pulso ainda pulsa abaixo dos radares da grande mídia musical.

O tributo conta com a participação 33 artistas e bandas: Abacates Valvuldos, Aletrix, All Acaso, BBGG, Camila Garófalo, Cigana, Color For Shane, Danger City, Der Baum, FingerFingerrr, Giallos, Gomalakka, Horror Deluxe, Jéf, Moblins, Mundo Alto, Nãda, Não Há Mais Volta (com participação do Badauí, vocalista do CPM22), Paula Cavalciuk, Pedroluts, Penhasco, Porno Massacre, Ruca Souza, SETI, Sky Down, Subburbia, Subcelebs, The Bombers, Thrills And The Chase, The Hangovern, O Bardo e o Banjo, Ostra Brains e Videocassetes. Cada uma fez a produção de sua faixa de forma independente e mais detalhes sobre cada gravação estão disponíveis no site www.opulsoaindapulsa.com.br

Ouça aqui o tributo “O Pulso Ainda Pulsa”:

Chegou a hora de darmos mais uma chance aos discos “Load” e “Reload” do Metallica

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Metallica
O Metallica em sua fase "chic"

O polêmico e criticado disco “Load”, do Metallica, completou 20 anos na semana passada. Na época, a mudança de visual do quarteto e a inclusão de músicas como “Mama Said”, mais puxada para o country, e “Hero Of The Day”, mais “calma”, fizeram os fãs ficarem putos com a banda. Os que já tinham virado as costas para os thrashers com o lançamento do “Black Album” deram de ombros, e até alguns dos fãs que gostaram do disco de 1991 ficaram coçando a cabeça. Um ano depois saiu “Reload”, um disco do que seriam as sobras das gravações de “Load”, algo que só ajudou a continuar a fama de “vendidos” que a banda ganhou e continuou a ser apedrejada. Músicas experimentais como “Low Man’s Lyric” fizeram os mais cri-cris perguntarem “o que está acontecendo com o Metallica”?

Metallica
Muito do ódio dos fãs veio da pose “modelete” que a banda adotou na época

Pois bem: 20 anos depois, vamos rever esta dupla tão mal avaliada. Primeiramente, vamos juntar o melhor dos dois discos em um só. Assim, vamos unir tudo o que a duplinha mal falada do Metallica têm de melhor para termos um disco bom em vez de dois medianos ou fracos. Outro ponto: ele deve ser ouvido como um disco de rock, deixando um pouco de lado o thrash metal de discos como “Ride The Lightning” e “Kill ‘Em All”. Afinal, se você ouvir o “Load” e o “Reload” esperando os clássicos riffs de quebrar pescoço e bumbo duplo comendo solto, é óbvio que vai sair decepcionado. Pois é hora de abaixar suas espectativas, apurar os ouvidos e dar uma nova chance ao “Load” recauchutado, que na minha versão, fagocitará o melhor do “Reload”. Eis as eleitas do tracklist, na ordem em que eu colocaria:

“Ain’t My Bitch”, do “Load” – Acho que se este fosse o primeiro single de “Load” na época o pessoal não ia chiar tanto. Porrada, um pé na porta que abre bem o disco, com uma bela dupla de guitarras de James e Kirk.

“2×4”, do “Load” – Uma boa segunda música, podia muito bem estar no “Black Album”. Bateria clássica do Lars, mesmo na abertura já dá pra ver que é ele tocando a batida de 2×4 que dá nome à faixa.

“Fuel”, do “Reload” – Uma das poucas músicas que o Metallica manteve nos shows até hoje e uma preferida dos fãs. E, pra falar a verdade, é mesmo uma das melhores deles nessa fase. Ei, lembre-se que da fase “St. Anger” não sobrou nenhuma pra contar história nos sets atuais, certo?

“Until It Sleeps”, do “Load” – Este que foi o primeiro single lançado na época não é uma canção ruim. Mostra um pouco do direcionamento que o Metallica estava tomando, dando aquela experimentada com rock alternativo sem perder o peso. Algo entre o Alice In Chains e o Smashing Pumpkins (se é que isso é possível). Aquela fórmula verso calmo-refrão porrada-verso calmo-refrão porrada.

“King Nothing”, do “Load” – A música em que o Metallica se auto-chupa com vontade (afinal, é quase uma “Enter Sandman 2”) não é nada ruim. Um single bacana da época que podia ter sido mais bem recebido se o povo não fosse tão “tr00”.

“Hero Of The Day”, do “Load” – Um rock mais tranquilo, puxado pro hard rock. Poderia muito bem estar num dos discos noventista do Aerosmith… e isso não é uma crítica.

“Devil’s Dance”, do “Reload” – Todo mundo critica a bateria de Lars, mas nesse… digamos, funk-metal, a batida quatro por quatro cheia de groove é toda dele. Além do ritmo cadenciado que ficou ótimo até no “S&M”.

“Wasting My Hate“, do “Load” – A paulada pós-introdução dessa música é bem bacana. Essa música tem um quê de rock de arena dos anos 70.

“Bleeding Me”, do “Load” – Mais um experimento do Metallica no “Load”, e devo dizer que um dos melhores experimentos da banda nessa fase. Uma faixa lenta que não chega a ser uma balada por ser tão sofrida e tensa. Ignore o excesso dos “uô uô” do James e veja como essa música merece ser ouvida.

“Ronnie”, do “Load” – Já que é pra ter incursão pelo country, em vez de “Mama Said” (que eu, pessoalmente, acho boa, mas foi uma das mais massacradas pelos fãs) a gente deixa “Ronnie”, com influência country mas com uma pegada mais bangue bangue, mezzo ZZ Top.

“The Memory Remains”, do “Reload” – O Metallica conseguiu fazer uma música cheia de “lararara” cantado pela Mariane Faithfull que gruda na cabeça e ainda um clipe memorável daqueles que as pessoas ficaram um tempão pensando “como eles fizeram isso”? Merece ficar.

“The Unforgiven II”, do “Reload” – Esta aqui eu deixaria só pra manter a série “Unforgiven” andando (Ah, e eu colocaria a intro igual à essa em “Unforgiven III” do “Death Magnetic”, mas aí já estou divagando e indo pra outro disco).

“Low Man’s Lyric”, do “Reload” – Eu citei que essa é uma experimentação mais “mellow” do Metallica e levou umas pauladas dos fãs, mas isso mostra que o Metallica têm bastante a oferecer fora do mundo thrash metal. É perfeita para fechar um disco, e eu faria exatamente isso.

Sub Pop 200: a compilação que deu o pontapé inicial do grunge

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No Walkman, por Luis Bortotti

Hoje, começo a assinar a coluna No Walkman aqui no Crush em Hi-Fi e nela irei comentar sobre os principais, os melhores e alguns desconhecidos discos de rock alternativo dos anos 90. Lembrando que essa década engloba final dos 80 e início dos 2000. E para inaugurar a coluna, trouxe a compilação Sub Pop 200.

O ano é 1988. O quê futuramente viria a ser conhecido como grunge dava os seus primeiros passos. Na verdade, uma fértil leva de bandas de rock alternativo já existia em Seattle, porém, sem apoio de grandes gravadoras e selos comerciais.

Com a visão da força daquele cena musical que se criava, Bruce Pavitt e Jonathan Ponemam transformaram seu fanzine, Subterranean Pop, na gravadora Sub Pop, sendo esse o selo que abraçaria todas as bandas da região e permitiria que elas lançassem os seus discos.

Um dos primeiros discos lançados pela Sub Pop foi o Sub Pop 200, uma compilação que reunia as principais bandas da gravadora. Na lista, nomes bem conhecidos da noite de Seattle, como: Beat Happening, Soundgarden, Green River, Mudhoney e TAD.

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O disco é um repertório de microfonias, fuzz e barulho ao melhor estilo grunge. Logo de cara temos a injeção do medo em forma de notas, com o peso do TAD em “Sex God Missy”. Em seguida, “Is It Day I’m Seeing”, do The Fluid, mostra o quanto diferente cada banda de Seattle soava, uma verdadeira mistura de punk rock e heavy metal com palhetadas de rock clássico e barulheiras do rock alternativo de 80.

A terceira faixa pode ser considerada a cereja do bolo, afinal, “Spank Thru” é considerada a primeira música do Nirvana. Na época em que Sub Pop 200 foi lançado, a banda de Kurt Cobain era o patinho feio da cena, porém, a situação iria mudar nos meses seguintes com as gravações de “Bleach”, o primeiro disco do Nirvana.

Os grandes nomes eram o Mudhoney e Soundgarden, que no disco marcam presença com “The Rose” e “Sub Pop Rock City”, respectivamente. A primeira, uma dose misturada de fuzz e esteira da caixa de bateria, a segunda, uma sátira ao clássico do Kiss “Detroit Rock City”, que tenta traduzir o que rolava em Seattle na época, principalmente, com a pequena Sub Pop.

O disco vai tocando e as boas faixas continuam. “Swallow My Pride”, talvez o primeiro hino grunge (original do Green River e que já foi tocada por Soundgarden e Pearl Jam), ganha uma versão menos agressiva com os longos vocais de Kim Warnick dos punks do The Fastbacks, um verdadeiro cruzamento da velha e nova geração de bandas de Seattle.

O Green River, considerada a primeira banda do movimento e que originou o Mudhoney e o Mother Love Bone, figuram com a hipnótica “Hangin’ Tree”, e o Screaming Trees, liderados por Mark Lanegan, dão rouquidão a “Love Or Confusion” de Jimi Hendrix, até então, um dos poucos ídolos da cidade de Seattle.

O disco, que no formato original foi lançado em 3 EP’s, é uma excelente terapia para quem deseja se aprofundar no estilo grunge. Bandas boas que pouca gente conhece estão ali, como por exemplo: Beat Happening, Blood Circus e Girl Trouble.

Sub Pop 200 é uma compilação obrigatória para fãs do bom rock alternativo e apresenta bandas que marcariam presença diária na MTV nos anos 90 em seus melhores momentos embrionários. Apenas, ESCUTE!

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SUB POP 200 | Curiosidades

– A ilustração da capa foi feita pelo cartunista Charles Burns, que frequentemente realizava trabalhos para a Sub Pop, como capas e posters.

– Apenas 5000 cópias foram feitas do set com 3 EP’s que ainda incluía um pequeno livro de 20 páginas.

– A versão de “Spank Thru” foi gravada no dia 11 de Julho de 1988 no Reciprocal Recordings, em Seattle, e conta com Chad Channing na bateria e os backing vocals do produtor Jack Endino.

SUB POP 200 | OUÇA AGORA!