Toda uma banda em um violão: John Fahey – “The Dance of Death & Other Plantation Favorites” (1965)

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John Fahey - The Dance of Death and Other Plantation Favorites

Bolachas Finas, por Victor José

Expoente e precursor daquilo que nos EUA se chama de “American Primitive Guitar”, John Fahey (1939-2001) é um desses notáveis pouco badalados. Mesmo distante do grande público, o violonista é constantemente citado como grande referência por gente como David Gilmour, Pete Townshend e Thurston Moore. Até mesmo a revista Rolling Stone o elegeu como um dos melhores guitarristas de todos os tempos.

O que mais impressiona ao escutar qualquer som de Fahey é perceber como as tradições musicais dos EUA se aproximam de coisas como a música caipira do Brasil ou a guarânia paraguaia com tanta propriedade. Os sons mais ancestrais de qualquer país parecem vir de uma única fonte desconhecida. Seria isso produto do se chama de inconsciente coletivo? Quem sabe… talvez The Dance of Death & Other Plantation Favorites”, terceiro álbum do músico, possa ser um exemplo concreto disso.

O LP é resultado de uma sessão realizada em 22 de agosto de 1964 no Adelphi Studios, em Silver Spring. Muito pouco se sabe sobre esse disco. John Fahey tinha a fama de ser um cara bem recluso, discreto. Mas uma vez, relembrando a gravação que resultou no álbum, ele comentou: “Foi uma sessão interessante, foi a única vez que eu gravei sob efeito de maconha e uísque, então estava bem contente, você sabe…”

Dono de um estilo único e extremamente autossuficiente, John Fahey vinha explorando diferentes afinações e mesclando gêneros com uma habilidade de causar inveja. Fica evidente que ele procura combinar tudo aquilo que há de mais rústico no interior norte-americano: blues, folk, country… E o mais incrível é que a música do sujeito consegue ser isso tudo com apenas um violão. Tanto em “Wine and Roses” como em “Variations on the Coocoo” dá para reconhecer ecos de um country acelerado e um ar soturno do blues, como se fosse uma banda de cordas de um homem só. Realmente, parece algo que já se ouviu antes, mas não. Ali tem algo único.

Por outro lado, “How Long”, ao mesmo tempo em que caminha para um blues, curiosamente se assemelha de forma absurda com o som das nossas violas caipiras do Brasil. E não tem como não mencionar a importância das afinações malucas que Fahey costumava usar. Isso fazia toda a diferença em seu som, e agora se percebe de onde Sonic Youth tirou essa ideia, mesmo que de maneira sutil.

“Poor Boy” começa como se fosse uma canção folk como qualquer outra de Elizabeth Cotten ou desse pessoal bem das antigas, mas logo Fahey introduz um slide e tudo muda para um som inclassificável, ao mesmo tempo em que se comporta como algo estritamente tradicional. “What the Sun Said” é um catado de um monte de invenções. São dez minutos de um baita violonista brincando com instrumento, vendo o que sai.

“On the Banks of the Owchita” é a única faixa que contém mais de um instrumento. Nesta, Bill Barth faz um dueto de violão com Fahey. Outra pérola é “Dance of Death”, música que encerra o disco. Nela, o músico passeia por um bocado de variações e no fim parece que você já está escutando outra canção. Vale destacar o som gasto presente em todo o álbum. É uma mixagem que dá um charme ainda mais pitoresco ao registro. No fim das contas, o disco vibra ligeiramente sombrio mesmo sem parecer triste e brilhante mesmo sem soar feliz. É uma combinação equilibrada e muito bonita.

“The Dance of Death & Other Plantation Favorites” acabou saindo em 1965, pelo selo do próprio Fahey, o Takoma Records. Vendeu pouquíssimo, e hoje é item de colecionador. Apesar de ter sido reeditado em CD na década de 1990. Seu público era bastante restrito. Para se ter uma ideia, no lançamento de seu primeiro LP, Blind Joe Death”, foram prensadas somente cem cópias na primeira tiragem. Por algum motivo, ele acabou se tornando um daqueles gênios que acabam sendo de fato descobertos muitos anos depois. Até lá, foi uma escalada muito lenta e árdua, talvez por isso John Fahey tenha atingido status de lenda. Mas ele merece todos os elogios. É um mestre.

Ouça esse disco e tente classificá-lo. É impossível.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Denis Romani, da Tiger Robocop 90

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Romani

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Denis Romani, jornalista, editor do Skataplá e DJ das festas Tiger Robocop 90, Combo Hits e a novíssima Gigabyte.

Molotov“Que No Te Haga Bobo, Jacobo”

“Primeira faixa do primeiro álbum do grupo mexicano, “Donde Jugarán Las Niñas?” (1996). Você comprava o disco, apertava o play e já dava logo de cara com os dois baixistas mandando slaps ao mesmo tempo, seguido de uma das faixas mais porradas da carreira do Molotov. A letra é inspirada na história real de um escândalo de corrupção em uma das maiores redes de televisão do México, que favorecia o governo de situação em seus telejornais”.

Darius Rucker“Whagon Wheel”

“O ex-vocalista do Hootie & the Blowfish se debandou pra country music em sua carreira solo no início dos anos 2000 e logo estourou nos Estados Unidos, mas nunca conseguiu conquistar o público por aqui. Em 2013 ele chegou ao topo da parada country da Billboard com “Whagon Wheel”, que foi co-escrita por Bob Dylan em 2003. A música é considerada uma “Freebird” do gênero e é uma das campeãs de pedidos nos bares honky-tonk de Nashville”.

Bloodhound Gang“Ralph Wiggum”

“Uma das músicas mais simplórias da banda metida a engraçadinha que tem quase 30 anos de carreira sempre seguindo a mesma fórmula: uma mistura de rock, hip-hop e eletrônico com letras bem-humoradas (de gosto muitas vezes duvidoso). É o caso dessa faixa (do álbum “Hefty Fine” de 2005) que usa apenas frases literais que foram ditas por Ralph Wiggum ao longo de várias temporadas de Os Simpsons. Algum desocupado ainda teve a paciência de ir atrás de todas essas cenas e juntá-las em um videoclipe não-oficial”.

Os Paralamas do Sucesso “O Passo do Lui”

“O segundo álbum dos Paralamas de 1984 é praticamente uma coletânea de hits do trio, como “Óculos”, “Meu Erro”, “Ska”, “Romance Ideal”, “Assaltaram a Gramática” e “Me Liga”. E lá no final do lado B está escondida a faixa instrumental que dá nome ao disco. Um ska animado e dançante com baixo, guitarra, bateria, teclado e metais que não ficam devendo pra nenhum clássico jamaicano. Esse álbum, e essa música principalmente, mostram que os Paralamas tinham tudo para se tornar a maior banda de ska do Brasil, sem precisar se enveredar pra uma carreira calçada no pop-rock”.

The Spankers“Mas Que Nada”

“Uma prova viva do clichê “a música não tem fronteiras”: uma banda da República Tcheca regravando uma versão ska-pop para um clássico lançado pelo brasileiríssimo Jorge Ben Jor nos anos 60. A versão de estúdio foi lançada no primeiro álbum do Spankers em 2010, ainda com carismática Tereza Krippnerová nos vocais, mas no youtube é possível encontrar versões ao vivo com as duas vocalistas que vieram depois. Muitos desses vídeos, inclusive, gravados nas diversas turnês que a banda já fez pelo Brasil”.

O multi-homem Rubens, do Mescalines e Mustache & os Apaches, mostra suas “filantrópicas” músicas solo

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Rubens

Provavelmente você já ouviu um pouco do trabalho de Rubens Vinícius, seja quebrando tudo com a guitarra no duo instrumental Mescalines ou se revezando no bandolim, lap steel, dobro, guitarra e voz no grupo Mustache & os Apaches. Pois agora ele está se aventurando em um projeto solo, disponível no Soundcloud, com músicas autorais como “Durepóxi” e “Existe Um Cachorro Faminto Em Minha Barriga”. “Acho que meu trabalho solo é minha essência, propriamente dita, algo que sempre me acompanhou, que gira em torno da poesia e do meu ser”, explica.

Em breve teremos o primeiro álbum solo do bandoleiro, que já também pode ser conhecido pelo nome Jack Rubens. “Vou entrar em estúdio próximo mês, acompanhado do meu violão e com esse companheiro pegar a estrada sempre que puder”, conta.

Conversei com Rubens sobre seu projeto solo, seus outros projetos, um pouco mais sobre as músicas disponíveis em seu Soundcloud e o cenário independente do Brasil:

– Como você começou sua carreira?

Lá na terra onde nasci até hoje imperam os festivais de música nativa, gaúcha. Então cresci ouvindo “La Guitarra” e Bombo Leguero. No mais, comecei a tocar junto com um tio meu que sempre levava o violão nas reuniões de família. Formei minha primeira banda de rock com uns 15 anos, se chamava Olhos Rebeldes.

– Pois é, você teve (e tem!) diversos projetos. Me fale um pouco deles.

Depois de ter passado por São Paulo a primeira vez, toquei numa banda chamada X Galinha em Porto Alegre. Depois fui pro Rio onde comecei a tocar bandolim nas ruas e recrutei uns amigos pra formar o Sopro do Inferno que depois virou Jack Rubens & os Vagabundos Iluminados. Nome inspirado nas caronas que pegava com frequência. Depois de 4 anos no Rio, vim para São Paulo, com a roupa do corpo e o bandolim, que me levou até o Mustache & os Apaches. De lá para cá, já estou na produção do 3º álbum dos Apaches , do 2º dos Mescalines, duo instrumental, e do meu 1º.

– Como as outras bandas desencadearam seu trabalho solo e como ele difere delas?

Acho que meu trabalho solo é minha essência, propriamente dita, algo que sempre me acompanhou, que gira em torno da poesia e do meu ser. No Mustache & os Apaches é polivox, cada um cumpre uma função em determinada música e é divertidíssimo, ora fazer backing, ora arranjar com guitarras e bandolins, ora cantar em uníssono, sem contar quando vamos pra rua, que é sempre uma aventura muito boa. Já nos Mescalines é um duo instrumental onde eu tenho total liberdade nas cordas e o Mario na percussão, nos permitimos a improvisar um monte, é meu trabalho mais selvagem, onde tento explorar novas caminhos dentro do Blues e das afinações abertas na guitarra.

– Me fala um pouco mais do material que você já lançou como artista solo.

Eu ainda não lancei nada de relevância, engavetei um disco ainda como Jack Rubens. O processo todo demorou muito, fiquei sóbrio e vi que não era um material bom pra se lançar. As faixas no Soundcloud são produções caseiras, coisas espontânea que compus inspirado pelo momento político de poucos tempos pra cá, como jornalismo.

Rubens

– Me fala um pouco mais de cada uma delas.

Ah, tem “Durepóxi” e “Existe um Cachorro Faminto na Minha Barriga”, canções também espontâneas pra minha musa. “Durepóxi” já vem sendo tocada nos shows do Mustache & os Apaches, e “Existe um Cachorro Faminto na Minha Barriga” provavelmente estará no meu álbum e no dos Apaches. “Existe um Cachorro Faminto na Minha Barriga” foi composta na primeira noite em que dormi com minha musa, minha barriga começou a roncar e não tinha nada pra comer em casa. “Durepóxi” veio dessa vontade de estar amarrado na pessoa amada. “Caixa de Sapato” foi de quando morava num apê de 18m² e da época de ocupação do Parque Augusta, quando veio à tona a discussão sobre especulação imobiliária. A “Febre da Burguesia” eu fiz na noite em que o Dória foi eleito e me imaginei na pele de um político empresário. “Terra de Ninguém” fala sobre reforma agrária, na época em que ouvia muito Woody Guthrie.

– Quais as principais influências musicais do seu trabalho solo?

São inúmeras as inspirações além do campo musical e da poesia, mas vão de Blind Willie Johnson, Fela Kuti, Dorival Caymmi, Atahualpa Yupanqui, Maikovski, Bolívar

– Como você definiria seu som?

Filantrópico.

– Como você vê a cena independente brasileira hoje em dia?

Eu vejo que de uns anos pra cá uma grande teia vem se construindo, unindo coletivos de capitais com interiores, também está rolando uma interação maior entre artistas de várias áreas e também entre ativistas de várias áreas, movimentos culturais, políticos etc. A ocupação dos espaços públicos deu abertura ao diálogo e ao avanço de ideias e ideais. Até as empresas, oportunistas, de uns tempos pra cá vem querendo associar suas marcas à artistas de rua, seja no grafitti ou na música de rua. O lado bom que é o financeiro, mas o perigo é que a arte pode ser adestrada.

– Esse negócio de “parada de sucessos” ainda é válido para um artista autoral que não seja focado no “pop”?

É mais válido para ver o que não fazer, do que o que fazer. Ainda temos as rádios e esse lance de listas em blogs, isso só alimenta o ego do artista e o faz se ensardinhar. Precisamos fazer música de um outro viés. Nos desvencilhamos das grandes gravadoras e dos grandes estúdios, mas esses ainda acabam sendo nossos termômetros e continuamos a repetir suas fórmulas para uma indústria falida.

– Então você acredita que a “queda” das gravadoras foi algo bom, certo?

Sim. Elas tiverem seus momentos de extrema importância, mas já não cabiam mais.

Rubens

– Quais os próximos passos desse projeto solo?

Vou entrar em estúdio próximo mês, acompanhado do meu violão e com esse companheiro pegar a estrada sempre que puder.

– Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Eu tenho ouvido Tinariwen, Ali Farka Touré, ouvi um disco esses dias na Rádio Cultura, de Clima e Nuno Ramos, muy bueno!

Uma incrível viagem de trem pela “Roça Elétrica” do Mercado de Peixe

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Mercado de Peixe - "Roça Elétrica"

No Walkman, por Luis Bortotti

O rock nacional ganhou novos beats no meio da década de 90, muito graças a explosão do manguebeat e seu conceito em conectar tradições culturais do Recife com os gêneros da música pop, no caso, rock e eletrônico. A consolidação deste formato foi essencial para o reconhecimento de inúmeras bandas do cenário brasileiro nos anos seguintes. E foi em 2003, quase 10 anos depois do surgimento do movimento mangue, que uma cena semelhante (e declaradamente inspirada) à recifense ganhou destaque nas rádios do país.

Para ser mais específico, em Bauru, cidade do interior de São Paulo. A banda Mercado de Peixe foi formada em 1996, porém foi com lançamento de seu segundo disco, “Roça Elétrica”, em 2003 pela Samacô (e relançado em 2004 pela Atração), que ela alcançou as rádios e TVs do país. Estava consolidada a cena pós-caipira (rock’n’roça) que, além da Mercado de Peixe, contava com nomes como Fulanos de Tal, Sacicrioulo (de outras cidades do interior), Matuto Moderno e Caboclada (da capital paulista).

E com esse disco, a banda inicia a fórmula em irrigar o rock com traços culturais, no caso do Mercado de Peixe com viola, sanfona e outras temáticas caipiras, e cria uma obra digníssima a ser respeitada a nível de Tonico e Tinoco.

“Roça Elétrica” é uma viagem de trem que corta planaltos de terras vermelhas paulistas, enquanto você toma um bom café e fuma um cigarro de palha.

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As letras, assim como o ritmo que mistura passado e presente, contam o cotidiano de uma cidade interiorana, exaltam a figura do homem trabalhador campestre e ainda relembram causos e personagens populares do passado. Em “Brasil Novo” (canção de abertura do disco), por exemplo, a chegada do trem a Bauru é relembrada, assim como Eni, uma prostituta que tinha um bordel na cidade nos anos 60, que é lembrada com saudades, uma sátira à famosa “Amélia” de Ataulfo Alves e Mário Lago.

Além disso, os canaviais à beira da estrada estão presentes em “Fogo No Canaviar”, assim como artistas populares em “Bernabé”, as duas ótimas canções que dão sequência ao disco.

Mas em “Roça Elétrica”, não é apenas o rock que se mistura com a moda de viola. Beats de música eletrônica estão presentes em mixagens incríveis e curiosas, como “Moda do Peão” e “Assim Que É O Sertão”, e aclamadas na declaração de abraço do mundo caipira à globalização, “Beats e Batuques”.

A tradição caipira é a semente principal do disco, entretanto, problemas sociais atuais (e que talvez tenham sido em um passado não tão distante) também fazem parte do plantio de boas canções do álbum. Dessa colheita podemos tirar “A Massa Alucinada” e a excelente “A.A.”.

No geral, “Roça Elétrica” é uma grande obra matuta, na qual a banda Mercado de Peixe conseguiu relembrar o saudoso estilo caipira de vida/cultural e atualizá-lo muito bem para os novos ouvidos do mercado fonográfico. Assim como Chico Science fez, alguns anos antes, com o seu maracatu atômico.

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MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | CURIOSIDADES

– O álbum Roça Elétrica conta com vinhetas de Cornélio Pires, um dos principais defensores da cultura caipira e patrono do movimento.

MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | #TEMQUEOUVIR

02. “Brasil Novo”
04. “Bernabé”
07. “Beats e Batuques”
08. “A Massa Alucinada”
10. “A.A.”
11. “Assim É Que É O Sertão”

MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | OUÇA AGORA!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase

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Zé Menezes

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase e do projeto Hipopótamo, que lançará um EP em breve.

Luther Allison“Bad News Is Coming” (nome do álbum mas pode ser o som homônimo)

“Há algum tempo queria conhecer mais artistas de blues, eu tinha gostado de tudo o que tinha ouvindo até então. Aproveitei a leitura da biografia do Keith Richards para pesquisar alguns nomes que ele cita no livro. Ele não chegou a falar de Luther Allison, o nome dele surgiu nos vídeos relacionados do YouTube de artistas que Keith mencionou. Diferente da maioria pesquisada, nunca tinha ouvido falar e foi um dos que mais virei fã. Além das músicas autorais, “Bad News Is Coming” tem releituras de nomes como Robert Johnson, B.B. King e Freddy King“.

Blues Pills“Lady In Gold”

“Falo de Blues Pills desde o primeiro dia que ouvi. Na minha humilde opinião é a melhor banda dos últimos anos. Não tem nada de novo, é uma banda setentista com ótimas músicas, porém, nascida em 2011. Sempre achei que um piano entraria perfeitamente na banda, e meu desejo foi atendido no novo single, “Lady in Gold”. Fiquei bem curioso para ouvir as outras músicas do segundo álbum que ainda será lançado. A banda toda é incrível mas Elin Larson é a verdadeira diva do rock hoje. Ah, o solo de “No Hope Left Of Me” é o melhor dos últimos anos também”.

Danger City“Everything is a Menace in Danger City” (álbum)

“Quando ouvi o Danger City pela primeira vez, não sabia que era um novo projeto do amigo Pedro Gesualdi (Ex-Japanes Bondage). Achei demais, fui pesquisar sobre a banda e lá estava. Então, essa não é a indicação da banda do amigo, mas da banda independente que mais curti no último ano. Recomendo o álbum inteiro”.

Marc Ford“Holy Ghost”

“Não é novidade, “Holy Ghost” foi lançado em 2014, mas esse disco tem que ser ouvido. Marc Ford foi guitarrista dos Black Crowes e tem uma carreira solo proporcionalmente foda, com muita coisa que compete a um bom guitarrista – compositor e cantor também: Tem rock, tem blues, tem groove e, no caso do “Holy Ghost”, folk. Um disco lindo, com tudo na medida certa. Pra virar trilha sonora da vida”.

Delmore Brothers“Blues Stay Away From Me”

“Do mesmo jeito que conheci Luther Allison, mas dessa vez pesquisando artistas do country. Como muitos deles, os Delmore Brothers vieram da música gospel. Os irmãos estão entre os mais importantes nomes da história do country. Não tem como não gostar disso, sério”.

A recém-nascida Blue Crawfish Records aposta em artistas de blues, soul, rockabilly e country

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Blue Crawfish Records

A Blue Crawfish Records, nova editora fonográfica da Wildstone Productions, foi criada com a parceria entre os músicos e produtores Marky Wildstone, responsável pela Direção Artística e Produção Executiva do selo e Netto Rockfellerr, responsável pela Produção Musical, Técnica e Produção de Audio. A curadoria musical será compartilhada e o enfoque dos discos do selo será blues, soul, billy, country e “outras caipiragens vintage”, segundo eles. O logo do selo foi criado pelo designer Gustavo Duarte.

Os 6 primeiros lançamentos da Blue Crawfish estão disponíveis no bandcamp oficial do selo: “Lovesick Blues”, de Greg Wilson, “Shades Of Blue”, de Jes Condado, “Second Hand Gear”, de Uirá Cabral, “Nice And Easy”, Flávio Guimarães & Netto Rockfeller, “Self-Titled”, de Quique Gómez & Netto Rockfeller e “Música para Acalmar o Coração da Juventude” de Netto Rockfeller.

Conversei com Marky Wildstone sobre o selo, a cena musical e o mercado fonográfico hoje em dia:

– Quando surgiu a ideia do Blue Crawfish Records?

A Blue Crawfish Records é resultado de minha parceria com o guitarrista e produtor Netto Rockfeller. Venho trabalhando com ele há pelo menos 3 anos, fazendo gestão de carreira, capas de discos, posters, acessoria fonográfica e tentando organizar e planejar minimamente sua carreira. Já tem um tempo que vimos que o material que ele vem produzindo e gravando é dígno de uma melhor e maior promoção. Depois de sua recente parceria com o grande Flávio Guimarães, medalhão do Blues Brasileiro, inevitável profissionalizarmos a coisa toda.

– Quais bandas e artistas estão no selo?

Organizamos antigos lançamentos para termos um corpo bacana para trabalharmos novos lançamentos, temos um disco solo instrumental do Netto Rockfeller, o disco do gaitista goiano com base em Ribeirão Preto, Uirá Cabral, o disco da Jes Condado, uma argentina de Buenos Aires que atualmente mora aqui em São Carlos, um disco inédito do também Blues Etílicos Greg Wilson, este um tributo ao grande Hank Williams, o primeiro disco da história toda, que foi o disco do Netto Rockfeller com o gaitista espanhol Quique Gómez e o último disco do Netto Rockfeller com o Flávio Guimarães, que esta rodando por praticamente todos os festivais de Blues do Brasil. Esse deve ganhar uma versão em vinil muito em breve e estamos finalizando o novo lançamento deles, uma viagem instrumental por climas de trilha sonora, que deve sair ainda no primeiro semestre.

– Porque a escolha deste tipo de som?

Netto Rockfeller tem mais de 10 anos de carreira nesse tipo de som e já vem produzindo artisticamente discos há pelo menos 3 anos, acho que a escolha é natural, no meu caso sempre fui um amante do Blues, que é da onde a maioria das coisas que eu gosto e ouço remontam. O blues é a base da música pop e sempre senti que o diabo um dia viesse me cobrar esse trabalho.

Marky Wildstone e Netto Rockfeller
Marky Wildstone e Netto Rockfeller

– Se alguma banda ou artista tiver interesse de fazer parte do cast do selo, as portas estão abertas? Como proceder?

Com certeza, o selo ainda é pequeno e estamos priorizando a produção total dos albuns, para manter a qualidade que queremos. Prioritariamente queremos produzir os discos que formos lançar, Netto com a parte musical e técnica de som e eu com a direção de arte, capas e executiva. Mas estamos abertos para ouvir e conversar com todo mundo que tenha interesse.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia? Os selos independentes ganharam força com a queda das grandes gravadoras?

Acho que cada um tem que encontrar uma maneira de trabalhar, eu venho da escola Do It Yourself, já trabalho com meu selo Wildstone Records, lançando coletâneas e artistas mais barulhentos, acho que as gravadoras grandes não caíram, só diminuíram o número de artistas que eles investem para ter um retorno mais seguro. Os pequenos selos continuam com as mesmas dificuldades mas creio que com tempo e trabalhos de qualidade vão conquistando espaço e mercado.

– Poderemos ouvir os lançamentos do selo em lugares como o Spotify, por exemplo?

Por enquanto estamos focados no bandcamp, que é a plataforma que escolhemos mas muito em breve todos os discos estarão disponíveis em todos os portais de distribuição digital.

– O quanto estes portais de distribuição digital de música são importantes para os selos e artistas independentes?

Acho que é importante na medida da divulgação dos artistas, a portabilidade traz novos horizontes para a audição de música mas não gera muita receita, gera algum dinheiro, mas bem pouco, o grande lance é a música estar sempre pronta para ser tocada, onde quer que os ouvintes e fãs estejam.

Garimpo Sonoro #8 – O Mito da Caverna: 5 vozes graves que cantam pro eu interior

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Leonard Cohen
Leonard Cohen

A voz grave é um charme desde sempre. Dos cantores de barbershop a Barry White, qualquer um fica impressionado quando ouve um barítono de responsa. Se o tom agudo representa uma técnica impecável, o grave é o controle da essência, tão técnico mas mais intenso – pelo menos quando feito com o âmago.

Abaixo, uma seleção de músicos que tenho ouvido ultimamente – alguns garimpos recentes e outros pérolas clássicas.

Tem alguma indicação? Manda pra cá!

1- Sean Rowe: com uma voz volumosa, a primeira impressão é de que ele está com uma bola na boca. Depois, quando se acostuma com o timbre, a sensação é de tranquilidade, mesmo que com ares melancólicos.

2- Laura Marling: eu nunca me esqueço da primeira vez que a ouvi. Nos primeiros segundos, me impressonei pela habilidade no violão de uma moça tão pura, angelical. Daí veio a voz e tive que me lembrar de respirar. Suas feições pareciam não bater com sua voz. Era como se uma regra fosse quebrada e a partir daí, tudo era possível. E sem regras, no escuro, não nos resta nada a fazer a não ser apreciar e contemplar, sem a necessidade de entender.

3- Bill Callahan: a seneridade na melodia e na letra combinam tanto com o timbre quanto a ambiência criada por todos os outros elementos. Ouvir Bill Callahan é ouvir a si próprio, como se o que ele criasse não fosse música, mas o silêncio necessário para se escutar.

4- Leonard Cohen: não há dúvidas, aqui ouvimos a voz de Deus. Não há espaço nem para ouvir a si mesmo, não há tempo de ficar parado. É necessário sair de si, abraçar-se e transformar-se em um andarilho enquanto a música durar. É ser um peripatético, trilhando um caminho enquanto raciocina sobre a trilha que se forma.

5- Johnny Cash: talvez uma das vozes graves mais famosas e mais influentes. The Man in Black dialoga com os demônios de todos – pois saiba que todos temos um espaço para eles. E ao falar com este lado, o resultado varia. Para alguns é domar os riscos, para outros é acender a faísca do veneno. Seja como for, não há volta.

25 grandes bandas e artistas fictícios que só existiram na TV e cinema (e seus maiores hits)

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Spinal Tap

Às vezes, a gente assiste um filme ou série de TV e acaba ficando com a música grudada na cabeça. Normalmente a música é de uma banda famosa e acabou entrando na trilha sonora, mas em muitas vezes a musiquinhas chicletuda que gruda no cérebro vem de uma banda totalmente nova, fictícia, que existe somente no mundo do cinema ou da TV. Ou vai me dizer que você nunca cantarolou “That Thing You Do”? Aqui, uma lista de 25 das mais incríveis bandas que já passaram pelo cinema e TV (e só existiram por lá):

Biro Biro (Castelo Rá-Tim-Bum)
Hit: “Meu Nome É Biro Biro”

Se você viveu os anos 90 com a fuça grudada na TV Cultura, talvez se lembre do jovem que era sensação no Castelo: Biro Biro. Com seu refrão chiclete “eta, eta/já larguei chupeta”, o rapazote conquistou o coração (e os ouvidos) de Nino, Pedro, Biba e Zequinha. Cuidado: a música gruda tanto na cabeça quanto comercial de TV.

School Of Rock (School Of Rock)
Hit: “School Of Rock”

Jack Black faz papel de Jack Black como Dewey Finn, um cara que se infiltra como professor substituto em uma escola, descobre que a criançada manda bem pra caralho musicalmente e resolve inscrevê-las em uma batalha de bandas com a música que o jovem guitarrista Zack compôs. Ficam em segundo lugar, mas a música é incrível:

The Beets (Doug)
Hit: “Mingau Matador” (ou “Killer Tofu”)

Mais uma pra quem era viciado na TV Cultura dos 90s: Os Beets! Uma paródia dos Beatles (só no nome), a banda preferida de Doug Funnie tocava o grande sucesso “Mingau Matador” (“Killer Tofu” no original, acho que os dubladores não acreditavam na penetração da soja no gosto nacional) e o lado B (para os hipsters da Nickelodeon“I Need More Allowance”.

Também Sou Hype (Hermes e Renato)
Hit: “Bichinho de Matar Com Pedra”

O Hermes e Renato é genial na hora de criar bandas fictícias. Temos o Massacration, o Emofrodita, o axé Axêgo e tantas outras. Eu escolhi o Também Sou Hype pois é uma das melhores paródias do overrated (eu acho, tô nem aí) sucesso do Cansei de Ser Sexy no começo dos anos 2000. Além de grudar na cabeça tanto quanto (ou até mais) do que as músicas dos parodiados.

Weird Sisters (Harry Potter)
Hit: “Do The Hypogriff”

O filme “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” trouxe a cena com a apresentação da banda Weird Sisters. Praticamente um supergrupo indie em um filme mágico: Jarvis Cocker (do Pulp) como Myron Wagtail nos vocais, Jonny Greenwood (do Radiohead) como Kirley Duke na guitarra, Jason Buckle (do All Seeing I) como Heathcote Barbary, também na guitarra, Steve Mackey (do Pulp) como Donaghan Tremlett, no baixo, Steven Claydon (do Add N to (X)) como Gideon Crumb, nos teclados e gaita de fole, e Phil Selway (do Radiohead) como Orsino Thruston na bateria!

Stillwater (Quase Famosos)
Hit: “Fever Dog”

A mais bela mistura de Led Zeppelin com Deep Purple, The Who e tudo que é banda setentista que você pode imaginar, só que com Jason Lee nos vocais. O single principal da banda, “Fever Dog” não faria feio dentro do “Led Zeppelin IV”, por exemplo.

Big Bad Boys (Mundo da Lua)
Hit: “Somos os Big Bad Boys”

Tá, é a última banda de TV Cultura que coloco aqui. Mas, provavelmente é a mais divertida até agora: uma boy band de raiz, já que é realmente formada por ~boys~ de até 13 anos no máximo, entre eles um Caio Blat minúsculo. A letra do hit “Somos Os Big Bad Boys” é algo como “Tremendo”, do grupo Tremendo: um refrão chiclete e os membros se apresentando:

Bad Blake (Coração Louco)
Hit: “The Weary Kind”

Sim, Jeff Bridges ainda está a cara de Dude Lebowski neste filme. Porém, aqui ele é Bad Blake, um cantor country lutando contra seus demônios e destilando grandes e lindas canções de amargura. Como “The Weary Kind”:

Dewey Cox (Walk Hard)
Hit: “Let’s Duet”

A paródia de “Walk The Line”, biografia de Johnny Cash, traz John C. Reilly como Dewey Cox, uma versão bizarra de Cash que canta músicas cheias de trocadilhos e em sua velhice, ganha um sample da palavra “hard” em um rap. Aqui, ele canta com sua ~June~ o trocadilho infame “Let’s Duet”:

Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
Hit: “Cantina Band #1”

A banda mais famosa de uma galáxia muito, muito distante. Também conhecida como The Cantina Band, o grupo de Figrin D’an toca sempre em um boteco barra pesada em Mos Eisley. Um lugar onde qualquer treta pode te deixar maneta e onde Harrison Ford sempre atira primeiro… com uma trilha bem animadinha:

The Blues Brothers (The Blues Brothers)
Hit: “Shake A Tailfeather”

A dupla de R&B formada por John Belushi e Dan Aykroyd para o Saturday Night Live foi o primeiro quadro do famosos programa de humor a ganhar um filme. E cara, como fez sucesso. Aqui, você confere a duplinha de “Irmãos Cara de Pau” com o mestre Ray Charles tocando “Shake A Tail Feather”:

Vagabanda (Malhação)
Hit: “Por Mais Que Eu Tente”

Tá, esse é um ponto baixo da lista, mas eu precisava citar: a novelinha mais longa de todos os tempos (pelo menos no Brasil) teve uma temporada onde formavam uma bandinha, com Marjorie Estiano liderando. O nome (horrível) escolhido foi Vagabanda, que fez relativo sucesso, já que uma das músicas entrou na trilha da novela (e até nas rádios):

Sex Bob-Omb (Scott Pilgrim Contra o Mundo)
Hit: “Garbage Truck”

Compostas por Beck, as músicas do Sex Bob-Omb de Scott Pilgrim (Michael Cera) são cheias de energia noventista e barulho a dar com pau. Acho que é o mínimo que se espera de trilha para derrotar sete ex-namorados demoníacos.

Spinal Tap (Spinal Tap)
Hit: “Tonight I’m Gonna Rock You Tonight”

É lógico que nenhuma lista de bandas de filmes pode deixar de fora o grande Spinal Tap. Banda que parodia o N.W.O.B.H.M. e apareceu primeiro no programa The T.V. Show e depois no filme “This Is Spinal Tap”, um mockumentary de Rob Reiner que para muitos é o melhor filme de rock de todos os tempos!

Heavy Trap’s (Os Trapalhões No Reino da Fantasia)
Hit: “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”

No filme “Os Trapalhões No Reino da Fantasia”, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias fizeram sua versão “roqueira”, com o tímido Zacarias encarnando uma versão mineira de Brian Johnson, do AC/DC, para cantar “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”:

Wyld Stallyns (Bill and Ted’s Excellent Adventure)
Hit: “Be Excellent to Each Other”

A dupla Bill S. Preston (Alex Winter) e Ted Theodore Logan (Keanu Reeves) viajou pelo tempo para salvar o mundo. Mas o mais importante para a lista é que eles são fãs de heavy metal e formam a banda Wyld Stallyns (dublado, virou “Metaleiros da Pesada”, se não me engano). Em um dos filmes, a faixa do Kiss “God Gave Rock and Roll to You” é atribuída a eles. Mas aqui, você ouve a clássica “Be Excellent To Each Other”:

Sadgasm (The Simpsons)
Hit: “Margerine”

Tá, se eu fosse reunir todas as bandas e artistas que Os Simpsons já criaram em sua longa vida, daria uma lista só deles. Apesar de amar Os Bem Afinados (The Be Sharps), o “Beatles” de Homer, escolhi o Sadgasm, a incursão de Homer Simpson pelo grunge. Ele emula um Kurt Cobain deprê, mostrando até uma seringa descendo pela privada:

Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Show)
Hit: “Love Ya to Death”

Como esquecer da banda dos Muppets, que tem uma mistura de Keith Moon, John Bonham e bichinho de pelúcia, o Animal, descendo a mão na bateria? A banda setentista/hard/psicodélica/roqueirona sempre acompanhou os Muppets, e está na ativa na nova série dos bonecos, que está no ar no Canal Sony:

Jesse and The Rippers (Full House)
Hit: “Forever”

Se você assistia a série da família gigantesca com três crianças e tantos momentos “fofos”, deve lembrar do Tio Jesse Katsopolis, viciado em Elvis Presley, e sua banda The Rippers. Pois é, eles gravam uma canção chamada “Forever”, que na verdade é dos Beach Boys (saiu no disco “Sunflower”, de 1970). Mas você vai lembrar mesmo é do John Stamos:

Phoebe Buffay (Friends)
Hit: “Smelly Cat”

Uma das séries de maior sucesso tinha em seu elenco principal a ~música~ Phoebe Buffay, que tocava um violão sofrível em músicas divertidas como “Crazy Underwear”, “Jingle Bitch” e “Sticky Shoes” e seu hit mais famoso “Smelly Cat”, que ganhou até um clipe superproduzido no maior estilo anos 90 de ser:

The Chipmunks (Alvin and The Chipmunks)
Hit: “The Chipmunk Song (Christmas Don’t Be Late)”

Criados em 1958 pelo verdadeiro Dave Seville, Ross Bagdasarian, Sr., os Chipmunks nada mais eram do que vozes adulteradas. Com o sucesso da fofa canção de Natal “The Chipmunk Song”, eles viraram desenho animado, revistas e até uma série de filmes. Ah, e Alvin foi o precursor do Bart Simpson way of life, devemos dizer:

Steel Dragon (Rockstar)
Hit: “We All Die Young”

O filme que é quase uma cinebiografia disfarçada de Ripper Owens, o vocalista de banda cover que substituiu Rob Halford no Judas Priest. Sua trilha tem sons da banda fictícia Steel Dragon, formada por um supergrupo do metal: Jason Bonham na bateria, Jeff Pilson no baixo e Zakk Wylde na guitarra!

The Archies (Archie)
Hit: “Sugar Sugar”

Aqui eles não fizeram tanto sucesso, mas nos EUA, as revistinhas do Archie são quase como a nossa Turma da Mônica. E foi a versão animada do The Archies que lançou o hit “Sugar Sugar”, que chegou até a ser tema de novela aqui no Brasil:

Josie and The Pussycats (Josie and The Pussycats)
Hit: “Josie and The Pussycats”

O trio de garotas roqueiras fez muito sucesso com seu desenho da Hanna Barbera lá nos anos 60. O filme baseado no desenho também merece uma menção: fala sobre a indústria da música, mensagens subliminares e conta com Kay Hanley, da banda Letters to Cleo, como a voz de Josie nas músicas.

The Oneders (The Wonders)
Hit: “That Thing You Do!”

Esse aqui é sem dúvidas o maior hit de uma banda que só existiu nos filmes. “That Thing You Do” fez muito sucesso e toca até hoje em rádios, festas, baladas e tudo que é lugar. Pois é, o filme sobre uma banda one hit wonder quebrou a quarta parede e criou um one hit wonder de verdade!

Lógico que faltaram MILHÕES de bandas ficcionais dignas de nota. Para suprir essa falta, uma pequena homenagem às melhores e piores bandas, cantores, músicos e artistas que já passaram pela telinha e telona:

Contém:

01 The Lone Rangers (Airheads)
02 Dewey Cox (Walk Hard: The Dewey Cox Story)
03 Spinal Tap (This is Spinal Tap)
04 The Pinheads (Back to the Future)
05 Weird Sisters (Harry Potter and the Goblet of Fire)
06 Max Frost + the Troopers (Wild In the Streets)
07 The Blues Brothers (The Blues Brothers)
08 The Soggy Bottom Boys (O Brother, Where Art Thou?)
09 The Swanky Modes (Tapeheads)
10 Marvin Berry + the Starlighters (Back to the Future)
11 Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
12 The Wonders (That Thing You Do!)
13 The Folksmen (A Mighty Wind)
14 The New Main Street Singers (A Mighty Wind)
15 Mitch & Mickey (A Mighty Wind)
16 Three Times One Minus One (Run, Ronnie, Run)
17 2GE+HER (2GE+HER: The Original Movie)
18 Diva Plavalaguna (The Fifth Element)
19 Laura Charles (The Last Dragon)
20 Cassandra and Crucial Taunt (Wayne’s World)
21 Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Movie)
22 Josie & The Pussycats (Josie & The Pussycats)
23 Wyld Stallyns (Bill & Ted’s Excellent Adventure/Bogus Journey)

 

Garimpo Sonoro #2 – Quer ver música? Aqui estão 4 canais musicais no Youtube!

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The Defibulators

Ainda sobrevivo no Crush em Hi-Fi pela terceira semana seguida! Ou este é o maior sucesso deste site ou seu editor-chefe apenas está com dó desse que vos escreve. Foda-se o que seja, aqui vamos nós.

Depois das músicas eruditas, sem palavras, do post anterior, agora sugiro alguns lugares para ver e ouvir músicas. Quatro canais do Youtube que já foi fonte de muita descoberta boa por aí. Eu poderia citar mais, mas vou guardar para um post futuro… não sei até quando minha criatividade durará (se é que ela existe!).

1) Tiny Desk Concert
Bob Boilen empresta sua área de trabalho para chamar músicos a tocarem no meio da redação da Rádio NPR. O resultado é uma curadoria primorosa junto de um clima intimista (salvo algumas exceções). Eis dois exemplo:

Laura Marling, que vocês ainda me verão falar dela mais vezes. Que voz. Que música. Que mulher!

Gogol Bordello, que levaram toda sua energia volátil (alcóolica, entenderam?!) para o local, com Eugene Hütz andando pelas mesas.

2) Music Fog
Este canal é mais voltado pro country e americana, mas às vezes pipocam umas coisas mais amplas, como essa aqui:

Lake Street Dive, esse foi o primeiro vídeo que vi dessa banda e, que som! A Rachael Price é um show a parte, admito. Que voz. Que música. Que mulher!

Ray Bonneville, o climão dessa música vale o play. É a trilha sonora de um filme completo. Gosto de músicas assim.

3) KEXP
A rádio de Seattle montou um canal BEM foda, com várias mini apresentações, além de outros registros. A curadoria passa desde bandas nem tão famosas até hypadas, com Florence and the zzzz.

Charles Bradley, com um primeiro encontro como esse, impossível não se apaixonar por ele de primeira.

Meschiya Lake, “born and raised” em New Orleans, ela faz o bom e velho jazz. Se já não teve, um dia você terá um momento em que músicas assim te salvarão.

4) Live and Breathing
A descrição é clara: “Capturando performances intimistas por músicos em uma única e pessoal configuração.

The Defibulators, diversão hillbilly garantida! Sem mais.

Buffalo Killers, aqui não há muito intimismo, apesar do local claustrofóbico. Stoner rock classudo.

Tem alguma dica de canal? Manda pra nóe!

Garimpo Sonoro #0 – Começando do zero com Tony Joe White

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Tony Joe White

Eis que um belo dia sou convidado a “colunar” neste recinto. Simultaneamente ao convite que soava como uma convocação, também recebo uma carta branca: poderia escrever sobre o que eu quisesse.

De bate-pronto, o mesmo pensamento de Tom Zé que abre seu “Tropicalista Lenta Luta” me vem a mente: “Liberdade, quanto menos melhor”. Escrever é falar sobre inúmeros assuntos, mas quando se começa do zero, que assuntos começamos?!

Pois cá estou, ouvindo uma lista particular que serve como um acervo das indicações (As “Melhores Descobertas” das “Descobertas da Semana” que o Spotify me entrega às segunda-feiras – Spotify, podemos negociar um e$quema, ok?), enquanto penso no que começar a falar.

Tony Joe White“Who You Gonna Hoodoo Now”. Essa é a música que tocava aqui. Tony Joe White cruzou nas minhas trilhas sonoras em pelo menos três momentos:

A primeira vez foi em uma ótima compilação em vinil que me deparei. Chamada “Country Funk – 1969-1975”, é uma coletânea com várias faixas que fazem um country que flerta com um gingado diferente… Um country com um leve toque de R&B e suas nuances ritmicas e dinâmicas. Tony participa com a ótima “Studspider”.

2) A segunda vez foi através de Dave Grohl e seu documentário “Sonic Highways”. No terceiro episódio, sobre Nashville, Grohl conversa com Tony e mostra um pouco da sua biografia.

Tony Joe White

 

Assista o episódio aqui: http://screeningroom.roswellfilms.com/video/126744406

3) A terceira vez foi, bom, foi onde comecei a falar dele: o Spotify percebeu minha predileção à música de Tony e acertadamente me sugeriu em sua indicação semanal.

Tony Joe White possui uma voz grave, levemente rouca, mas temperada com um estilo meio blues que às vezes remete à John Lee Hooker, mas numa versão mais hillbilly.

Olhe só, acho que descobri do que gosto de falar mesmo quando não há muita coisa a ser dita. Vivo garimpando novos sons (novos para mim, que podem ser da semana ou do século passado) e posso usar desse hobby para preencher a lacuna períodica dada a mim neste lugar.

É isso, falarei sobre meus garimpos sonoros!

Alguma dica de som bacanudo que você acha que eu vou gostar? Manda pra mim!

Quer saber o que estou ouvindo? Me segue lá: https://open.spotify.com/user/12120567216