Raíz de quase tudo que você ouve: Robert Johnson – “King of the Delta Blues Singers Vol.1 & 2”

Read More
Robert Johnson

 

Bolachas Finas, por Victor José

Na verdade, o texto de hoje vai além de uma resenha. Falo de toda uma carreira.

Imagine a música pop como um grande edifício e encare Robert Leroy Johnson, este homem errático, como um dos fundamentos desta complexa estrutura.

Robert Johnson é muitas vezes citado como o maior compositor do século XX. Logo numa primeira impressão, pensamos em muitas razões para questionarmos este pretensioso título. Coisas como a ascensão de ícones posteriores como Chuck Berry, Bob Dylan, Lennon, McCartney e Bowie podem ser alguns dos válidos argumentos. Mas é certo que todos esses citados respeitam Johnson e sua obra, consciente ou inconscientemente, e muitos beberam dessa fonte antes de serem grandes estrelas.

Nós, que convivemos diariamente com a estética da cultura contemporânea o reverenciamos. É inevitável. Ou seja, esse é o cara.

Em termos de relevância, a inestimável atitude do que se ouve em seu blues vai muito além da falação em torno de seu hipotético pacto com o diabo em troca de talento, aliás, fato que se torna secundário por si só. O padrão repetitivo e envolvente do ritmo de seu violão, o imperfeito canto emotivo e mais próximo da linguagem falada, o conteúdo mundano das canções, sua origem… Esses sim são os ingredientes perfeitos para solidificar um símbolo capaz de sobreviver quase oitenta anos depois de seu último riff de blues tocado para uma ínfima plateia.

Robert Johnson, um rapaz que muitíssimo pouco se sabe de verdade sobre sua vida pessoal, registrou 29 canções em material fonográfico, sem contar algumas versões alternativas. Isso foi o que bastou para que ele ajudasse a transformar a arte de fazer música com sua mensagem dificilmente exemplar e muitas vezes amedrontadora e obscena. Mas por trás de sua persona violenta (“32-20 Blues”), embriagada (“Malted Milk”) e diabólica (“Me And The Devil Blues”), você pode encontrar um traço a vulnerabilidade de um sujeito amável (“Honeymoon Blues”) e solitário (“Love In Vain”), com um passado que o perseguia como um fantasma (“Drunken Hearted Man”). Johnson não tinha medo de expressar seu lado sombrio e escancarava suas emoções; no fim das contas, essa acabou sendo a principal lição do blues.

Por volta de 1936, em Jackson, Mississippi, um caçador de talentos e dono de uma venda, H. C. Speir, colocou Robert em contato com Ernie Oertle, que trabalhava no ARG (American Record Corporation). Oertle apresentou o rapaz ao produtor Don Law e firmaram um contrato para gravar suas primeiras sessões. Durante os dias 23, 26 e 27 de novembro daquele ano, no quarto 414 do Hotel Gunter em San Antonio, Texas, Robert Johnson executou clássicos como “Sweet Home Chicago”, “32-20 Blues” e “Kind Hearted Woman Blues”; 16 ao todo, além das versões alternativas.

Os takes alternativos foram gravados somente por precaução, em caso de algum problema com a master, que nesta época era fabricada com cera. As gravações, como produto final, eram transportadas de navio para o norte dos Estados Unidos para então serem produzidas em disco, mas muitas vezes a cera derretia no meio do trajeto.

Durante as sessões o tímido Robert supostamente tocou de frente para a parede, o que mais tarde alimentou o imaginário do público; há quem jure de pé junto que ele tocava de costas para sua plateia para esconder seus olhos vermelhos, por estar tomado pelo demônio. Mas é mais plausível que possa ter sido uma manobra para aprimorar a acústica obtida de sua voz e violão chamada pelos profissionais de áudio de corner loading.

Por outro lado, Don Law já chegou a confirmar que ele era de fato muito tímido e tinha medo de palco: “Ele era muito reticente. Esta [durante as sessões de gravação] foi a primeira vez que ele tinha ido para o que ele considerava uma cidade grande. Eu tinha comigo alguns músicos mexicanos no estúdio, então eu disse: ‘Robert, cante alguma coisa para nós’. Ele não nos encarava. Então ele virou as costas, foi para um canto da sala e aí cantou uma canção”.

Além da formatação quase religiosa dos 12 compassos no blues, uma das principais sacadas de Robert Johnson, embora sutil, tenha sido a consciência de que uma canção com três minutos de duração seria um padrão perfeito para um disco de 78 RPM (Rotações por Minuto). Isso nenhum de seus companheiros do delta blues chegou a pensar antes dele, e até hoje essa é uma das “regras fundamentais” de uma faixa pop. “Terraplane Blues” chegou a ser um sucesso regional, vendendo aproximadamente cinco mil cópias.

É bem provável que talvez ninguém venha a saber como de fato Robert soava a partir de seus registros em disco. Naquela época era comum selos de blues e jazz masterizarem o material coletado com a velocidade acima do normal, fazendo com que a faixa soasse mais “vibrante”. Por outro lado, muitos musicólogos descartam a hipótese deliberada e culpam a precariedade dos equipamentos de gravação disponíveis até então. Sendo assim, alguns especialistas no assunto acreditam que todo o catálogo de Johnson esteja adulterado, 20% mais rápido que sua verdadeira performance.

O ex-executivo da Sony Music Lawrence Cohn, vencedor de um Grammy em 1991 por ter reeditado toda a obra de Johnson, reconhece a possibilidade de as gravações terem sido aceleradas no produto final, pois o selo Vocalion, que originalmente lançou o material, costumava alterar a velocidade de seus lançamentos. “Às vezes era 78 RPM, às vezes 81 RPM”, disse Cohn. Não há mais como afirmar com certeza sobre essa informação, isso porque as matrizes de metal utilizadas para duplicar os discos originais de 78 RPM desapareceram.

Pouco depois, Robert ainda gravaria mais uma porção de canções, dessa vez nos dias 19 e 20 de junho de 1937, em um estúdio improvisado pela Brunswick Record Corporation no terceiro andar do 508 Park Avenue, prédio da Vitagraph, empresa da Warner Brothers. Era época do alto verão texano e, segundo quem estava lá, fazia tanto calor ao longo das sessões que toda a equipe e o músico gravaram somente usando roupa de baixo. Dessa vez Robert registraria canções fundamentais como “Love in Vain”, “Milkcow’s Calf Blues” e a controversa “Me And The Devil Blues”.

Alguns historiadores do blues e da indústria fonográfica dos Estados Unidos afirmam que a American Record Corporation tenha pago ao compositor entre e 10 e 15 dólares por cada uma das 29 músicas e as versões suplentes, sem royalties. Naquela época era muito dinheiro.

Finalmente tudo o que ele mais desejava estava se tornando realidade. Mas um ano após seu maior trunfo, Robert Johnson, aos 27 anos, morreria de maneira misteriosa (história que pretendo um dia contar em uma outra oportunidade, junto como todo o resto que sei sobre ele).

Seu modo honesto, puro e ingênuo de escrever e interpretar canções mostrou o caminho para muitos outros que depois dele abraçaram esse sentimento de urgência tão presente no blues. Em uma primeira análise, o excesso de coloquialismo e o insistente “grifo” de ideias ao repetir versos sem qualquer discriminação ou maiores pretensões podem parecer grosseria, mas é inegável que sejam virtudes que funcionam perfeitamente como veículo.

É claro, ele não foi o primeiro a cantar suas lamentações dessa maneira, mas seu talento à flor da pele fez dele peça fundamental para qualquer um que queira entender como se expressa marginalidade com certa classe. Escrever uma única boa letra de blues pode ser um desafio para toda uma vida. Pensa bem: quantos de fato conseguiram isso?

O interesse pela sua obra foi sendo construído aos poucos, praticamente no boca a boca. O depoimento de seus renomados colegas que chegaram a conhecê-lo, a consolidação do eletrificado blues de Chicago e também o posterior surgimento de um revolucionário gênero com raízes no blues – o rock ‘n’ roll – culminaram no surgimento de bandas fortemente inspiradas na música produzida pelos negros dos arredores do Mississipi.

Em 1961 seria lançado o LP “King of the Delta Blues Singers”, que muitos consideram como um dos maiores álbuns de todos os tempos. O disco com 16 das faixas gravadas entre 1936 e 1937 foi uma das grandes vitrines do catálogo de Johnson, pois coincidiu exatamente com o momento de “redescobrimento” do blues, liderado pelos jovens brancos da Inglaterra. Grupos como The Rolling Stones, Cream e John Mayall & the Bluesbreakers sempre reverenciaram seu legado.

Em 1971, em um período no qual o estilo já havia sido dissecado e repaginado por um sem-número de bandas de rock, seria lançado o “King of the Delta Blues Singers Vol. II”, com o restante das gravações que não haviam entrado na primeira edição e algumas versões alternativas.

Daí em diante ficou esclarecido que Robert Johnson é um importante emblema, mais verdadeiro que a própria vida e nem por isso isento de inúmeras boas e más interpretações acerca de quem de fato foi. A cada década surge uma espécie de revigoramento de sua herança, seja por meio de artistas buscando inspiração nas canções, de apreciadores fascinados pela pureza do som e das letras ou até pelos curiosos atraídos pelo macabro de toda essa mística. Quando nasceu? Como morreu? Como era sua aparência? Como conseguiu ser tão bom e influente em tão pouco tempo? As perguntas são muitas. Mas o que importa mesmo são aquelas 29 canções. Ponto. E acredite: já é muito.

Na arte, não há nada melhor que a honestidade, e Robert Johnson é isso.

Saint Agnes mistura garage, blues, psych e rock’n’roll com um tiquinho de Ennio Morricone

Read More
Saint Agnes

Com uma crueza punk, o quarteto londrino Saint Agnes entrega um rock cheio de distorção com influência de psych e blues. “E muito Ennio Morricone“, acrescentam. Tudo começou com a união de Jon Tufnell (vocais, guitarra, gaita), da banda The Lost Souls e Kitty Arabella Austen (vocais, guitarra, percussão), do Lola Colt. Depois de lançarem os singles “Old Bone Rattle” e “A Beautiful Day For Murder” (2014) com um duo, entraram em cena o baixista Ben Chernett e do baterista Andy Head, completando a formação que lançaria “Sister Electric” e “Merry Mother of God Go Round” (2016).

O Louder Than War definiu o som dos quatro como “Tarantino/Lynch, viajante, doentio, inspirado em westerns que em um momento é pesado e sulista, e no próximo te leva para um deserto, atordoado pelo sol, desidratação e alucinações com cobras falantes”. É uma definição bem psicodélica, mas ouvindo o que eles têm a mostrar você vai entender o que eles quiseram dizer. Conversei com Jon sobre a carreira da banda, planos para 2017, distribuição por streaming e mais:

– Como a banda começou?

Conheci Kitty quando nossas antigas bandas fizeram um show juntas. Eu estava procurando um quarto em Londres e acabei indo morar com ela. Decidimos que queríamos fazer algum dinheiro extra tocando nas ruas, mas ao invés de tirar covers acabamos escrevendo muitas músicas e nunca fomos fazer o busking. As primeiras músicas que gravamos eram apenas eu e ela, mas percebemos que para tocar ao vivo precisávamos de um baixista e um baterista. Eu conhecia Andy de uma banda antiga com que tínhamos feito turnê juntos e Kitty encontrou Ben. Ela estava andando pelo rio em Londres e ouviu alguém tocar guitarra de blues em uma pequena casa flutuante e parou para conversar. Eles se tornaram amigos e ele se juntou à banda.

– Como surgiu o nome da banda?

Eu fui a uma pré-escola que era dirigida por um convento. Uma das freiras, chamada Agnes, era uma mulher realmente cruel e ela veio à mente quando começamos a escrever essas músicas sobre matar pessoas.

– Quais são suas principais influências musicais?

Tudo o que você já tocou influencia o que você faz agora, mas nós tendemos a citar blues, rock’n’roll e trilhas sonoras de filmes como nosso principal ponto de referência. Bandas como Black Sabbath, The Who, Hendrix até metal como Down e Metallica se misturaram com toda a cena psych de Londres e coisas mais recentes como The White Stripes, o Black Rebel Motorcycle Club. Ah, e muito Ennio Morricone.

– Conte-me mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós estamos lançando apenas singles até agora, mas faremos um álbum este ano. Os últimos dois singles foram os nossos primeiros com esta formação e agora nos sentimos como nós mesmos. Eles são “Sister Electric” e “Merry Mother of God Go Round”. Ambos têm lados B exclusivos que colocamos nos vinis.

Saint Agnes

– Como você definiria seu som?

Garage blues psyche rock’n’roll.

– Como está a cena independente em seu país?

Isso é realmente difícil de definir. Eu fui músico independente por toda a minha vida e parece haver mais e mais bandas agora, mas se é melhor ou mais saudável é muito difícil dizer. Nós só fazemos a nossa coisa e tentamos fazer as melhores canções que podemos e os melhores shows que podemos. Nós nos concentramos em fazer sons únicos e experimentar e se isso se traduz em popularidade, legal, mas não é o objetivo principal.

– Como você vê os serviços de streaming e como isso mudou o mundo musical?

Eles existem agora e não vão desaparecer em breve, então nós apenas trabalhamos com isso. Pessoalmente eu não gosto muito, mas não vou desperdiçar energia lutando contra isso. O tipo de pessoas que gostam da nossa banda ainda querem discos e ainda querem nos ver ao vivo, então é assim que vamos continuar mantendo as pessoas felizes. Na época em que o Lars Ulrich detonou o Napster ele estava totalmente certo sobre tudo isso mudar a indústria da música de uma maneira ruim. Agora é apenas segurar firme, fazer suas coisas e ver o que acontece no final.

– Como é ser uma banda independente em 2016?

É a minha razão mais importante de viver. Fazer e tocar música é a razão pela qual eu me levanto de manhã e faço tudo o que eu preciso fazer para que isso aconteça. Estar em uma banda é caro e pode ser um trabalho ridiculamente difícil, mas eu escolho fazê-lo porque nada mais toca minha alma da mesma maneira. Quanto a estar em 2016/17? Bem, é o momento em que estamos vivos, talvez tivesse sido melhor em 1977, mas não temos esse luxo.

Saint Agnes

– Quais são os próximos passos da banda?

Escrever mais músicas e gravar um álbum. Ainda estaremos fazendo shows para promover “Merry Mother of God Go Round”, que foi o último single.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Em Londres, o que sempre vamos ver é The Sly Persuaders. Recentemente eu comecei a curtir The Picture Books, de Alemanha. No show do nosso single mais recente, tivemos uma banda chamada Horsefight abrindo e eles são incríveis ao vivo. Eles estão lançando um álbum em breve e estou ansioso para ouvir o que eles vão fazer nele.

Construindo Antiprisma: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do duo

Read More
Construindo: Antiprisma

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Para começar, temos o duo Antiprisma, de Victor José e Elisa Oieno, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

The Rolling Stones“Street Fighting Man”
Victor: É a minha banda de coração desde criança, e desse tipo de coisa você não se livra nunca, e nem quero me livrar! Acho que para o Antiprisma o disco “Beggar’s Banquet” tem sido uma referência desde o início. A sonoridade acústica que produziram em boa parte desse álbum soa áspera, gasta, meio envelhecida… Ali não tem frescura e nem fofura, e de certa forma é um pouco desse caminho que a gente procura seguir.

The Byrds“Going Back”
Victor: Várias vezes a gente conversa sobre como fazer soar uma música e quase sempre resvalamos em Byrds. Talvez seja nossa influência mais gritante. Não me conformo como é que tem gente que não liga pra essa banda… The Notorious Byrd Brothers” é uma referência muito forte para o Antiprisma.

Stone Roses“Waterfall”
Elisa: Aqui está o representante britpop da nossa lista. Gostamos muito de Stone Roses, especialmente o primeiro álbum, que nos lembra muito o Byrds. Para nós, é um bom exemplo de como fazer coisas novas a partir de suas influências. Nós gravamos e lançamos uma versão desta música “Waterfall”, junto com nosso EP.

Big Star“The Ballad Of El Goodo”
Victor: As melodias te conquistam na primeira escutada. O som é redondinho, com harmonias bonitas, violões e guitarras legais. Parece uma fórmula simples, mas não é. Essa faixa do primeiro álbum explica bem o que é essa banda. Big Star tem um som bonito, e mesmo no terceiro disco, que é meio esquisitão, você reconhece essa qualidade.

Love“Andmoreagain”
Victor: O Love chama atenção porque mescla essa vibe de folk rock com pop barroco com uma capacidade absurda, e Forever Changes é uma obra-prima perfeita de cabo a rabo, não tem como melhorar aquilo. Se conseguisse fazer uma música dessa categoria algum dia me dava por satisfeito. Além disso, a banda sabia impor o peso do rock quando precisava soar agressiva. Arthur Lee foi um baita compositor de música pop.

Bert Jansch “Poison”
Elisa: Esse é daqueles caras que dá até um orgulhinho de ouvir. As músicas dele são essencialmente folk, várias delas muito calcadas na música tradicional escocesa, e com melodias lindas. Isso junto com o violão típico de Bert Jansch e sua pegada blues e jazz, solto e ‘cool’. Me lembro de ter lido em algum lugar que o Bert Jansch está para o violão assim como o Jimi Hendrix está para a guitarra elétrica. Ouvir Bert Jansch com certeza é uma escola para o Antiprisma.

Velvet Underground “All Tomorrow´s Parties”
Elisa: Velvet é uma banda muito importante para o Antiprisma. Acho que o nosso lado mais experimental, o estilo que procuramos em algumas músicas, a liberdade artística que nunca podemos nos esquecer… isso vem muito do Velvet Underground.

Grateful Dead“St Stephen”
Victor: A liberdade que a gente percebe na música do Grateful Dead é inspiradora. Sem contar a capacidade para improvisos e a versatilidade que eles têm para saltar de um gênero para outro. Poucas bandas têm essa personalidade tão forte quanto eles. A cena de São Francisco dos anos 1960 no geral é muito cativante, é algo que sempre escutamos hora ou outra.

Milton Nascimento“San Vicente”
Victor: Essa a gente até já se aventurou a tocar em alguns shows. Milton Nascimento é uma coisa que não dá pra definir. Principalmente na fase dos anos 1970, ele fez discos misturando rock com jazz, música latinoamericana, caipira, progressivo e mais um monte de coisas, mas sempre soando autêntico, sem se perder. É legal quando não dá pra classificar algo coeso, e ele é único.

Kurt Vile“Baby´s Arms”
Elisa: Quando conhecemos Kurt Vile, acabamos nos identificando muito com o som que ele faz. O disco “Smoke Ring For My Halo”, parece ter referências muito parecidas com as nossas, seja nas canções em si ou na escolha de timbres, que passa pelo folk dos anos 60 e pelo pós-punk e anos 90. Aliás, foi por causa de uma entrevista que vi do Kurt Vile, em que ele estava em uma loja escolhendo alguns discos e falando sobre eles, que conheci Bert Jansch e Fairport Convention. A partir disso, eu e o Victor entramos em um período em que descobrimos e ouvimos muita, mas muita coisa mesmo de folk britânico, o que acabou sendo um dos embriões para a formação do nosso som.

John Fahey“On The Sunny Side Of The Ocean”
Victor: Quando a gente começou a tocar junto entramos nessa fase de moldar nosso estilo próprio escutando tudo quanto é referência. E foi daí que veio John Fahey. Desde então me inspiro muito no seu modo de tocar, e por incrível que pareça ele foi um dos motivos para acrescentarmos a viola caipira em algumas canções. Parece estranho, mas muito do que ele faz no violão soa extremamente brasileiro, tipo aqueles violeiros das antigas. Aí existe uma conexão bem estranha.

Bert Jansch – “Winter is Blue”
Elisa: Quando eu conheci o som da Vashti Bunyan, me identifiquei imediatamente. O vocal tranquilo, meio envergonhado e quase sussurrado me inspira bastante, e as canções dela têm melodias fortes e bonitas. O disco “Just Another Diamond Day” é lindo, intimista e sincero, um belo exemplo de álbum folk, se quiser chamar assim. Ela lançou também uma compilação de singles (“Some Things Just Stick in Your Mind”) onde está a “Winter is Blue”, em que as canções têm uma roupagem até mais pop do que folk, muito bom.

Beatles“Norwegian Wood”
Victor: Se você faz música com algum viés pop e valoriza muito as melodias é praticamente impossível não pensar em Beatles em alguma parte do processo de compor. Beatles é uma escola, né. Todas as fases da banda são importantes pra nós, e estudar as gravações também nos ajudou muito desde o comecinho.

Siouxsie and The Banshees“Israel”
Victor: A referência pode não aparecer muito no nosso álbum ou no EP, mas pós-punk é uma coisa bastante forte nas nossas influências. Essa fase que chamam toscamente de “gótica” é muito criativa. Vários discos são realmente muito artísticos, e Siouxsie é uma baita banda foda. É legal ver como uma composição essencialmente punk, de estrutura simples, ganha outro aspecto quando se pensa em arranjos estranhos e sons inusitados. Acho que aprendemos muito com isso.

Cat Power“Nude as The News”
Elisa: O que mais gostamos nas músicas da Cat Power é o fato de elas parecerem super básicas, mesmo não sendo, e isso acaba refletindo talvez na maneira de estruturarmos criações do Antiprisma. Essa canção “Nude As The News” é foda. Tem uma base simples de guitarra que permeia a música inteira, mas mesmo assim a Chan Marshall consegue trazer várias partes diferentes e muita dinâmica.

Simon and Garfunkel“Scarborough Fair”
Elisa: Simon & Garfunkel é uma referência muito importante para o Antiprisma, principalmente o jogo de harmonias vocais que eles fazem. Acabamos sempre tendo eles meio que como um paradigma de qualidade, um ideal a ser alcançado e para nós é muito divertido “estudar” o que eles fazem nas músicas.

Sonic Youth“I Love You Golden Blue”
Elisa: Talvez não apareça tanto no Antiprisma, apesar de muita gente já ter perguntado se gostamos de Sonic Youth. Para mim, é uma inspiração constante. Desde a maneira de tocar, os arranjos e até o estilo dos vocais. Eu adoro esse jeito meio blasé, meio displicente de cantar da Kim Gordon.

Secos e Molhados“Fala”
Victor: Aquele primeiro disco é uma coisa que não tem como evitar. As letras são ótimas, a proposta visual eu acho que nunca vai morrer por completo e as músicas por si só sobreviverão pra sempre. O fato de ser do Brasil algo assim faz a gente lembrar como nosso país é foda na música.

Fairport Convention“Percy´s Song”
Elisa: Essa é uma banda que gostamos muito. O som do Fairport Convention é bastante único, sendo uma banda de rock com identidade forte na música tradicional britânica. As melodias inspiradas no estilo folk tradicional britânico e o uso de guitarras e violões com o efeito “drone” (em que fica soando uma nota constante na música), muito presentes no Fairport, são coisas que gostamos de usar no Antiprisma. Essa música “Percy´s Song”, na verdade é do Bob Dylan, mas gostamos muito dessa versão deles e do jeito de cantar da Sandy Denny (vocalista da banda).

Pink Floyd “Echoes”
Elisa: Escolher só 20 músicas é difícil. Era para ter entrado nesta lista também o Syd Barrett. Afinal, tanto as canções dele solo quanto as do começo do Pink Floyd são influências fortes para nós. Mas tudo bem, escolhemos a “Echoes”, cuja melodia lembra muito o Pink Floyd com o Syd, mas já tem a estrutura “espaçada” e melancólica, típica dos anos seguintes da banda. Com certeza, mesmo sem perceber, acabamos sempre colocando algo de Pink Floyd no nosso som.

Ouça aqui a playlist do Antiprisma e siga o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify:

O Brasil será indadido por Wild Billy James, uma raivosa “monobanda” de folk blues do Uruguai

Read More
Wild Billy James
Wild Billy James

Sozinho, o uruguaio Wild Billy James faz uma barulheira com seu blues/folk/rock infernal. Munido de violão, gaita, percussão e um loopstation, ele mostra ao vivo todo seu talento em versões que incorporam espontaneidade e improviso aos sons de seu EP “Going Home”, lançado em 2015, além de novas músicas que em breve estarão presente em um novo lançamento.

Em novembro o dono da “monobanda” estará por aqui em sua primeira turnê brasileira. “Recentemente, tive a ideia de fazer uma turnê em diversas cidades brasileiras e aqui estou planejando minha primeira turnê no Brasil. Eu já estava em contato com algumas pessoas da cena underground, comecei a escrever e entrar em contato com mais pessoas. Todo mundo estava disposto a ajudar, de uma forma ou de outra, eu acho que é uma maneira de ser do brasileiro e é realmente grandiosa. Vai começar no dia 12 de novembro, em São Paulo, no festival “Sinfonia de Cães”. Eu vou estar tocando até o final de novembro no estado de São Paulo e então irei para o Sul, em cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Será divertido!”, diz o uruguaio.

Conversei com ele sobre sua carreira, seus imprevisíveis shows, a turnê pelo Brasil e o EP “Going Home”:

– Quando você começou sua carreira?

Eu não vejo a música realmente como uma carreira, é um modo de viver para mim. Sim, eu a levo a sério, mas sem perder o divertimento. A música tem sido uma vida pra mim, na minha casa havia música sempre. Minha mãe estudou piano. Na casa da minha avó, havia um piano. Meu tio é um músico local com quem sempre aprendi muito, ele toca muitos instrumentos, eu acho que a partir daí que eu pensei na “one man band” de alguma forma. Eu ganhei minha primeira guitarra aos 16 anos depois de acidentalmente encontrar um documentário sobre Jimi Hendrix que me deixou atordoado. Assim começou minha pesquisa lá atrás, nos pântanos de blues. Peguei emprestado o álbum “20 Classic Blues” do Muddy Waters e lá eu comecei a ouvir e colecionar discos e sons primitivos de blues, rock and roll, jazz. Eu tentei formar várias bandas, mas nunca funcionou além de alguns ensaios. Lá eu percebi que tinha um longo caminho a percorrer, então eu troquei minha guitarra elétrica por um violão e gaita, comecei a tocar folk e delta blues e todos os gêneros derivados. Imediatamente eu comecei a tocar e toquei nesse formato onde eu conseguia, em minha cidade local, na rua e em pequenos lugares para poucas pessoas. Às vezes eu usava um pandeiro para acompanhar com o pé. Em 2012, quando eu tinha ainda 20 anos eu estava apenas com um violão e uma mala de viagem para Buenos Aires e lá eu continuei a melhorar o meu estilo. No final de 2013, fui convidado para abrir para uma banda em um pequeno bar e dentro de uma semana eu comecei a tocar como Billy James & his One Man Band, desde aquela apresentação não parei de tocar como uma banda de um homem só, tentando melhorar o meu estilo sempre. Há alguns meses, eu mudei o nome para Wild Billy James e a história continua…

– Quais as suas maiores influências musicais?

Deixe-me ver… Tem muitos… Todos os artistas Delta Blues: Charlie Patton, Son House, Lightnin ‘Hopkins, Bukka White, Big Joe Williams, Mississippi Fred McDowell, para citar alguns. Piedmont blues: Rev. Gary Davis, Mississippi John Hurt. Também os clássicos, você sabe: John Lee Hooker, Hound Dog Taylor, Howlin ‘Wolf, Muddy Waters… A lista é longa. O estilo de bluesman “north Mississippi hill country blues”: RL Burnside, Junior Kimbrough, Robert Belfour. Artistas da África como Ali Farka Touré, Bombino, Tinariwen. Gravações de Alan Lomax: ”Field Recordings”. Primitive rock and roll, soul music, gospel. E sobre alguns artistas mais atuais, teria de dizer Guadalupe Plata, Lonesome Shack, Tom Waits, Seasick Steve, Soledad Brothers, Dan Melchior, Billy Childish. E também artistas da cena “monobanda”, eu tento ouvir a todos.

– Como você decidiu que seria uma one man band?

No meu caso eu não decidi, foi algo que se deu naturalmente. Eu comecei a tocar quase imediatamente quando eu mudei a guitarra elétrica para o violão e uma gaita. A ideia de ter uma banda foi excluída da minha cabeça naquele momento… Eu percebi que não tinha necessidade de contar com mais pessoas para fazer a música que eu queria e levar as minhas ideias ao público. Isso foi em 2010, 2011. Eu já sabia do movimento de One Man Bands e em 2012 isso foi fundamental para eu conhecer e assistir ao vivo The Amazing One Man Band, uma referência na cena. Quando falei com ele, disse que eu estava tocando blues e folk e ele me incentivou a colocar um bumbo e ir em frente com isso. Tocar juntos pela primeira vez no domingo, 23 de outubro, no Uruguai. No final do mês tocamos no Festival Monobanda do Uruguai que estamos organizando, somos 6 “monobanders” incluindo a The Amazing One Man Band. A ideia ficou na minha cabeça até Novembro de 2013, quando me apresentei como One Man Band/Monobanda pela primeira vez em Buenos Aires. De lá eu continuei por esse caminho, só adicionando mais e mais coisas e ideias para o meu show. Tocar como One Man Band não têm limite. É a maior expressão da liberdade no mundo do rock de hoje. Ninguém diz o que você tem que fazer, quando e onde; você faz se quiser e quando quiser, essa é a atitude de um monobanda, mas sempre, sempre avançando e evoluindo. Você tem que sempre ir para a frente, sozinho diante do público. Tentar surpreender o público é um plano comum e um desafio para mim como One Man Band. Tocar com os outros é bonito, mas também se torna difícil. Não depender dos humores dos outros membros de uma banda pode ser benéfico.

– Me fala um pouco sobre o material que você já lançou!

Bem, é um EP com 5 músicas. Foi gravado no Velozet Estudios em Buenos Aires em dezembro 2014 por Dylan Lerner em uma sessão de uma tarde, ao vivo no estúdio, tentando capturar o mais fiel possível ao som de shows ao vivo, tocando todos os instrumentos ao mesmo tempo, sem excesso de gravação e edição, um ou dois takes por música e predominando o primeiro. Foi lançado oficialmente em janeiro de 2015 no programa de rádio “Get Rhythm” do Radiolux (França) com o single “Highway 51”. Além disso, o EP também tocou em algumas estações de rádio independentes do Reino Unido. “Highway 51” foi incluída em uma compilação de monobandas, “Invasione Monobanda” (Itália), lançado por um netlabel italiana, “In Your Ears”, o disco pode ser baixado no site do selo. A sessão de gravação foi filmada, mas no youtube há apenas um trailer. Alguns contratempos atrasaram a publicação de toda a sessão, mas em breve estará disponível no meu canal do Youtube. Ele também foi eleito um dos melhores EPs de 2015 pelo site Zambombazo! Este EP tem me dado muitas alegrias, suas músicas ainda são tocados ao vivo e ele define meu estilo, mas o show e formato evoluíram, estou cada vez mais em expansão. Agora comecei a usar um loopstation, com o qual eu jogo sons já gravados, também gravo coisas e reproduzo ao vivo, agreguei mais percussão (surdo e tom-tom), maracas, conseguindo um show mais interessante na minha opinião, realizando o que eu imaginava em minha mente.

Wild Billy James

– E já está trabalhando em novas músicas?

Sim, eu estou trabalhando há vários meses. Levou tempo para montar tudo de novo, me deu um trabalho usar o loopstation para o que eu imaginava, mas está saindo bem, percussão é fundamental. Agora, a mudança de nome para Wild Billy James tem muito a ver com isso, precisamente os shows são mais selvagem e intensos. Será interessante entrar em estúdio novamente. A minha ideia é sempre a surpreender o público, os shows ao vivo nem sempre são iguais, dando origem a espontaneidade e improvisação. Muitos arranjos de canções geralmente saem dos shows, é realmente lá  onde tudo acontece. Bem, para alcançar essa independência os ensaios são essenciais também. Eu parei de tocar ao vivo há algum tempo, vários meses para tentar reunir tudo isso. Agora estou de volta com toda a energia, eu quero tocar o máximo que puder.

– Como é um show de Wild Billy James? Descreve pra quem ainda não teve a oportunidade de ir.

Bem, eu não quero para estragar a surpresa, mas usa muitos recursos… Por exemplo, eu entro no público com a percussão, é como uma espécie de “rito” simbólico e é um jogo. Faço solos de gaita através de um megafone, costumo abrir meus shows com isso, eu gosto de aparecer do nada e levar o público para o palco. As canções passam e as pessoas dançam, movem-se, gritos, aplausos. Aí a forte batida da bateria, eu chutando o hi-hat com o pé de vez em quando. Alguns barulhos de guitarra propositadamente, “slide guitar solos” inevitáveis, silêncios inesperados. Um show para dançar e pensar.

Wild Billy James

– E como rolou essa turnê pelo Brasil?

Estar constantemente em turnê e atingir o maior número de lugares possível com a minha música é um dos meus objetivos, e estou nele. Brasil, sem dúvida, é um destino bastante interessante, e está ao alcance. Recentemente, tive a ideia de fazer uma turnê em diversas cidades brasileiras e aqui estou planejando minha primeira turnê no Brasil. É um grande país e seu povo faz dele grande. Eu já estava em contato com algumas pessoas da cena underground, comecei a escrever e entrar em contato com mais pessoas. Todo mundo estava disposto a ajudar, de uma forma ou de outra, eu acho que é uma maneira de ser do brasileiro e é realmente grandiosa. Estou muito grato a todos que tem ajudado a fazer isso funcionar. Vai começar no dia 12 de novembro, em São Paulo, no festival “Sinfonia de Cães”. Eu vou estar tocando até o final de novembro no estado de São Paulo e então irei para o Sul, em cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Será divertido!

– Como é a vida de um artista independente hoje em dia?

Requer esforço, você tem que lidar com muitas coisas e fazer tudo sozinho. Muitos dizem que é difícil lidar com tudo sozinho, mas acho que é o caminho. Não é nada difícil, tudo é possível se você colocar sua mente realmente nisso. Pode ser cansativo às vezes, mas a satisfação é maior. Você tem que dedicar tempo a isso, e eu dedico minha vida. Dedicação é a coisa mais importante para o que você faz. Se você quer algo, faça-o.

– Quais os próximos passos de Wild Billy James?

Agora, o que segue é a turnê no Brasil em novembro e dezembro, eu respiro isso todos os dias. Vai começar no dia 12 de novembro, no “Festival de Cães” em São Paulo no período da tarde e à noite eu vou estar na primeira edição do Muddy Roots Brasil. Então eu volto para o Uruguai, onde vou continuar a tocar em janeiro. Estou pensando em gravar novo material, ainda não sei quando. Eu também estou pensando em fazer uma turnê pela Europa em 2017. Portanto, há muitas coisas ainda pela frente!

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos

A maioria dos artistas que eu gosto são independentes: Guadalupe Plata (Espanha), Sarcofagos Blues Duo e Gualicho Turbio (Argentina), La Big Rabia (Chile), Lonesome Shack, Daddy Long Legs, Mr Airplane Man, Soledad Brothers, Flat Duo Jets (EUA), C.W. Stoneking (Australia).

Canções inspiradas pelo mundo incrível das histórias em quadrinhos

Read More

Sinestesia, por Rafael Chiocarello

Quadrinhos colecionáveis possuem versões raras e uma legião de fãs. A Comic Con de San Diego (Califórnia) é uma das feiras mais famosas do mundo. Por aqui temos a versão brasileira e eventos que também dão espaço para a cultura geek (Fest Comix, Bienal de Quadrinhos, Festival Guia de Quadrinhos, Bienal do Livro…), além das livrarias, sebos e eventos especializados de menor escala.

Uma paixão sem limites e os épicos personagem e super heróis estão na linha de frente dos preferidos da galera. Não é por acaso que tamanha obsessão chegasse ao mundo da música. Afinal de contas, as artes sempre se complementam. Hoje conheceremos algumas canções que mergulharam nas páginas das HQ’s mais populares do mundo. Marvel ou DC? Bom, essa treta deixamos para vocês decidirem o lado da força que mais lhe agrada…

butcher-batman
O designer brasileiro Butcher Billy costuma fazer crossovers entre músicas e o universo dos quadrinhos

Batman Nã Nã Nã Nã Nã!

O Rancid pode não ser uma das primeiras bandas que pensaríamos no universo geek, mas em 1994, no lançamento do Let’s Go” – álbum que tem “Radio”, composição feita pelo vocalista Tim com Billie Joe (Green Day) – temos “Sidekick”.

Na letra, Tim Armstrong se auto-intitula Tim Drake e tem o papel de mostrar personagens secundários dos HQ’s. No caso o exemplo de Robin, fiel escudeiro de Batman sempre à margem de colher os louros. Outro citado na letra é Wolverine.

Um dos álbuns mais clássicos do The Jam, In The City” (1977), traz “Batman Theme”. Sim, literalmente o tema da saga em uma versão mod rock revival com pézinho na simplicidade do punk rock 77. Paul Weller dá todo um tom vintage ao clássico tema da saga do morcego.

O The Who, em 1966, também deixou seu registro, porém com uma linha mais  lisérgica e cheia de enfoque na bateria energética. Uma versão com um ar de surf rock e garagem um tanto quanto interessante.

Mas a minha versão favorita do clássico sempre será essa pérola gravada por um baita guitarrista, diga-se de passagem. Em 1989, a lenda Link Wray também quis deixar sua versão instrumental e dançante para o hit mais famoso de Gotham City.

Mas quem levou Batman para as pistas de dança foi Prince, com classe, funk e ousadia como sempre fez. A canção “Batdance” foi feita especialmente para o filme da saga de 1989. As guitarradas são um show a parte, com grooves e solos vibrantes.

Em 2002, Snoop Dogg se aventurou a homenagear o homem morcego. Só que dessa vez ele não deixou o Robin de lado e ao lado de Lady Of Rage Rbx fez uma versão mega original com rimas de tirarem o fôlego.

“No one, can save the day like Batman
Robin, will make you sway like that and
Beat for beat, rhyme for rhyme
Deep in Gotham, fightin crime
No one, can save the day like Batman”

Ainda no mundo do rap, Bow Wow em 2011 fez uma versão hip hop e agressiva para Batman. Com uma versão cheia de escárnio e quebrando toda a áurea celestial que o herói tem, os Garotos Podres vem para tirar a máscara de Bruce Wayne com sua releitura sarcástica de “Batman”.

“Hey seus bat palhaços, quem de vocês
Ainda não se lembra daquele idiota bat programa,
Que passava naquele imbecil bat canal,
Naquele cretino bat horário?

Há! velhos tempos, hein.
Quantas belas vomitadas nós dávamos quando assistíamos toda aquela idiotice,
Por isso agora escrachamos aquele bat retardado
Defensor do sistema, Batman!

Bat era um bom menino
Defendia Gotham City
Enquanto seu amigo Robin
Lhes botava um bat-chifre…”

De tanto fãs de Batman alimentarem que “I Started a Joke” dos Bee Gees ter referências a um dos maiores vilões da história em quadrinhos, as pessoas chegaram a acreditar que se tratava de uma letra homenageando o Coringa, um dos antagonistas mais queridos da história do cinema. Claro que a equipe do Esquadrão Suicida estava ciente de tal “menção” e em um dos 5000 trailers que soltaram antes do filme – o primeiro deles – contava com uma regravação de Becky Hanson.

Spider Man, Spider Man!

dance

O Homem-Aranha é um dos mais carismáticos quadrinhos da Marvel e um dos super heróis mais conhecidos. A lenda de Peter Parker ganha terreno no mundo da música até nos dias mais atuais.

É o caso do Black Lips, que em 2011 chegou com “Spidey’s Curse” no disco Arabia Mountain”, um blues garageiro moderno cheio de referências ao personagem por trás da roupa vermelha.

“Peter Parker’s life is so much darker than the book I read
‘Cause he was defenseless, so defenseless when he was a kid
It’s your body, no one’s body, but your’s anyways
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!
Don’t fill a spider up with dread

Spidey’s got powers, he takes all of the cowards
And he kills them dead
But when he was younger, an elder among him messed him in the head
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!”

Claro que nessa lista o clássico dos clássicos dos sons inspirados em quadrinhos não ia faltar. A versão dos Ramones para o tema de Spider-Man não poderia ficar de fora de maneira alguma, esta que foi gravada quase no fim da carreira da “Happy Family”, em 1995.

Uma das bandas que marcaram o movimento noventista das riot girls, Veruca Salt tem uma canção com referências ao Homem-Aranha, “Spiderman 79”.

“You’re so nice,
you tie me in a web
and cradle me till dawn.
You’re so deadly
that I can see your breath
beneath me when you’re gone.
You’re so windy,
I’d like to pin you down
and tack you to the wall.
Spiderman”

SUPERMAN!!

super-man

Se tem um personagem que é amado e odiado por muita gente é o Superman. Gostando ou não, ele é um dos mais marcantes e perde seu poder com a terrível kryptonita. É não deve ser fácil defender o sua por trás de sua capa.

Uma canção que cita a capacidade de voar do super herói é “Hit The Ground (Superman)” do The Big Pink. A canção está presente no álbum Future This” (2011) e inclusive estrelou a trilha de uma das edições dos jogos FIFA.

“…But if I fall off this cloud
If I fall off, oh superman
Oh Superman
I don’t wanna hit the ground (X3)
Oh Superman”

Outra canção que fala do super herói e marcou a geração viciada em vídeo games de console foi “Superman” dos ska/punkers do Goldfinger. Presente na primeira edição do jogo Tony Hawk’s Pro Skater, a canção fazia qualquer um terminar a fase do jogo se sentindo o verdadeiro Super Man!

“…So here I am
Doing everything I can
Holding on to what I am
Pretending I’m a Superman
I’m trying to keep
The ground on my feet
It seems the world’s
Falling down around me”

Os estranhões mais queridos do rock alternativo, The Flaming Lips, também prestam homenagem ao personagem na melancólica “Waitin’ For Superman” presente no álbum The Soft Bulletin” (1999).

“…Tell everybody
Waitin’ for Superman
That they should try to
Hold on
Best they can
He hasn’t dropped them
Forgot them
Or anything
It’s just too heavy for Superman to lift
Is it gettin’ heavy?
Well, I thought it was already as heavy as can be”

Em 1977, quem cedeu a voz para homenagear o homem voador foi Barba Streisand na bela “Superman”. O vozeirão transformou a odisseia do super herói em uma balada desesperada. A metáfora do herói de plano de fundo para uma paixão ardente.

“Baby I can fly like a bird
When you touch me with your eyes
Flying through the sky
I’ve never felt the same
But I am not a bird and I am not a plane
I’m superman
When you love me it’s easy
I can do almost anything
Watch me turn around, one wing up and one wing down
I never thought I could fall in love for good
I’m superman…”

Os anos 90 nos apresentaram o Spin Doctors e em 1993 eles lançaram “Jimmy Olsen Blues” que tinha como plano de fundo o universo do Homem de Aço.

“Lois Lane please put me in your plan
Yeah, Lois Lane you don’t need no Superman
Come on downtown and stay with me tonight
I got a pocket full of kryptonite
He’s leaping buildings in a single bound
I’m reading Shakespeare in my place downtown
Come on downtown and make love to me”

Existem homenagens interessantes ao azulão pelo Stereophonics, Taylor Swift, Eminem, 3 Doors Down, T. Pain, Alanis Morissete, Hank Williams Jr e até do Matchbox Twenty, mas para fechar as canções que homenageam o super herói eu escolhi o The Kinks. No fim dos anos 70 eles gravaram “(Wish I Could Fly Like) Superman” para o disco Low Budget” (1979).

Quadrinhos e Desenhos

bat

Debbie Harry e o grupo pop Aqua optaram por não darem nomes aos homenageados em fizeram homenagens um pouco mais genéricas. A estrela do Blondie vem com “Comic Books” onde eterniza sua paixão pelo mundo dos quadrinhos e sua adolescência. Já grupo de europop Aqua (sim, aqueles mesmos de “Barbie Girl”) são mais claros quando o assunto são “Cartoon Heroes” (1999).

“Long before I was 12 I would read by myself.
Archie, Josie, super-heroes.
I would read them by myself.
I had the stars on my wall.

14 was a gas for me.
Batman on tv.
I would cheer the super-heroes.
They were all I wanted to be.
I had the stars on my wall.

18 I was guaranteed.
I would lose my teenage dream.
But it’s so funny how I got to look.
Like all the people in my comic books.
Now I’m a star on my wall.

Comic books.”

“…We are the Cartoon Heroes – oh-oh-oh
We are the ones who’re gonna last forever
We came out of a crazy mind – oh-oh-oh
And walked out on a piece of paper

Here comes Spiderman, arachnophobian
Welcome to the toon town party
Here comes Superman, from never-neverland
Welcome to the toon town party

We learned to run at speed of light
And to fall down from any height
It’s true, but just remember that
What we do is what you just can’t do

And all the worlds of craziness
A bunch of stars that’s chasing us
Frame by frame, to the extreme
One by one, we’re makin’ it fun”

Flaaaaaash!

flash

The Flash, o personagem que gostaríamos de ver competindo com Bolt também foi alvo de homenagens no mundo da música. “The Ballad of Barry Allen” (2003) do Jim’s Big Ego narra a trajetória da persona que dá vida ao Flash, Barry Allen.

“….And I’ll be there before you know it
I’ll be gone before you see me
And do you think you can imagine
Anything so lonely
And I know you’d really like me
But I never stick around
Because time keeps dragging on
And on…”

Capitão América

O herói mais patriota da história dos quadrinhos, Capitão América, não ia ficar fora das referências. Na canção do Moe. “Captain America” também tem homenagem ao Superman.

“Captain America said you gotta be like me
Or you’re gonna wind up dead last
At the end of your rope
Flat broke
Down and tired
You sleepy head
Won’t you go to bed
Let me run your life
Lies

Clark Kent ran for president
No one knew about the secrets locked in his head
Friends tried to take his life
Accusations flew
Flew like Kryptonite
Clark still looking good
What you gonna say
To make everything alright
Lies”

O Justiceiro

Outro personagem da Marvel a ganhar notoriedade no universo da música foi O Justiceiro. Quem presta o tributo são os caras do Megadeth em “Holy Wars…The Punisher Due” (1990). E de quebra, para uma canção totalmente politizada, pois denuncia a violência dos conflitos na Irlanda do Norte conhecido como “The Troubles”. Aliás, o próprio U2 tem uma música sobre o assunto, é claro.

Ainda no mundo do metal temos o guitarrista Joe Satriani com sua homenagem ao Surfista Prateado em “Surfing With The Alien”. Ouça e flutue nessa viagem espacial.

Motoqueiro Fantasma

O Motoqueiro Fantasma ganhou uma homenagem que também entrou na trilha de “Taxi Driver”. A canção presente no primeiro álbum dos punks do Suicide (1977) tem uma alta voltagem e vive perigosamente assim como o personagem.

O pesquisador musical Henry Rollins, ex-Black Flag e Rollins Band também regravou uma interessante versão do clássico do Suicide.

Mas vamos fechar com um verdadeiro “achado” das HQ’s. Um rap que adapta Guerras Secretas originais da Marvel. Mas mais do que isso, a faixa possui uma colaboração do mestre Stan “the man” Lee. A faixa do The Last Emperor contém parte 1 e parte 2.

“Paradas de sucesso são um pensamento retrógrado”, brada Pedroluts

Read More
Pedroluts
Pedroluts

Passando longe de qualquer pretensão de atingir os ultrapassados hit parades das rádios FM, a voz gutural de Pedroluts, que remete à Tom Waits e ao Bob Dylan dos últimos tempos, chegou a receber elogios da Ilustrada durante uma apresentação com sua antiga banda Hooker’s Mighty Kick durante a Virada Cultural (em uma sacada de um apartamento próximo ao palco do Arouche). A influência da dupla é inegável também no som do projeto musical, que bebe do folk, blues, rock e soul, tudo regado a Jack Daniels com algumas pedras de improviso aqui e ali.

Com um EP no Soundcloud (“The Chair”) e várias músicas soltas pela internet, Pedroluts ainda não tem planos para o futuro de seu projeto. “Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo”. Por enquanto, ele participou do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”, organizado pelo Crush em Hi-Fi em parceria com o Hits Perdidos, mandando uma versão matadora e elogiada de “Não Vou Me Adaptar”, e fará parte da banda que promete uma jam com versões de clássicos da banda no lançamento do tributo neste domingo na Associação Cultural Cecília.

Conversei com Pedro sobre sua carreira, os projetos por onde já passou, influências e sua versão para “Não Vou Me Adaptar”.

– Como você começou seu trampo musical?

Meu trampo musical como Pedroluts? É uma descoberta e garimpo que já dura uns 15 anos. Acho que o Pedroluts ainda está em formação, mas agora tenho uma noção melhor do que quero e do que não quero… É um processo divertido de ressignificar a si mesmo e encontrar as brechas a serem exploradas, mesmo que dentro do mesmo contexto (atualmente, mais pro folk e blues).

– Você falou que tá “mutando” o projeto Pedroluts há cerca de 15 anos. Como foi essa metamorfose e por quais fases o projeto passou?

Poutz… Nem eu sei ao certo. Acho que é só uma confluência das coisas que fiz ao longo dos anos e dos quais quero ter uma relação mais pessoal. Já toquei em bandas de thrash metal (o que voltarei em breve) e acho isso muito foda, mas não vejo isso atrelado diretamente ao que quero fazer como Pedroluts.

– Quais são as principais influências musicais que você vê refletidas (ou já viu) no trabalho deste projeto? Mesmo que não sejam explícitas no som.

Isso muda de tempos em tempos, mas hoje é basicamente: Bob Dylan, Tom Waits, Ray Bonneville, Sean Rowe, Raul Seixas, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Titãs… Acho que é isso. Mas mais do que as influências de estilo, vejo também influência de perfil… Quase todos esses caras trilharam seu caminho de maneira intuitiva e pessoal. Tem outros que me influenciaram, mas que não estão aí. Glenn Gould é um ótimo exemplo. Ele é um pianista canadense de música erudita, mas cuja abordagem à arte diz muito pra mim.

– Falando em Titãs, como foi a sua participação no tributo “O Pulso Ainda Pulsa”? Como foi a escolha do som e a transformação que você fez nele?

Primeiro, foi uma honra ter participado. O Titãs tem um protagonismo nas minhas escolhas musicais – foi uma das primeiras bandas de rock que eu comecei a ouvir. E o disco “Go Back” foi meu primeiro contato com a banda. Então, apesar de gostar muita coisa dos Titãs, principalmente as mais recentes, sabia que minha escolha tinha que ser algo deste disco. Daí veio “Não Vou Me Adaptar”. Minha versão foi uma humilde releitura da canção. Para mim, ela sempre foi uma visão sobre a adolescência e suas mudanças, mas achei que ela poderia ganhar uma versão mais velha, com ares carrancudos e ranzinzas. Tentei algumas versões até que encontrei a mudança que seria o foco da minha: mudar o tom maior para tom menor. Isto mudou consideravelmente a música e me deu liberdade para dar a abordagem que eu queria. O resto foi consequência de improvisos e experimentações, com esse arranjo “a la polka”, digamos assim.

Pedroluts

– E você vai participar da banda que vai fazer a jam no evento do lançamento, no dia 28. Como vai ser?

Pelos ensaios vejo que vai ser algo bem divertido. Muito mais do que um tributo ou homenagem, é uma celebração a uma banda essencial para a música brasileira. Não será uma continuação do tributo lançado, mas uma extensão… um complemento em carne e osso.

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa flyer

– Fale um pouco do material que você lançou até agora.

O pouco material que lancei é fruto de uma série de coisas: músicas que fiz anos atrás, canções recentes, covers… vejo cada música como uma pessoa – com sentimentos e humores. Então minha ideia é tentar interpretá-la conforme seu momento e minhas intenções.

– Você acha que a internet ajuda ou atrapalha o artista independente?

Os dois. Por um lado é uma maneira única de se conectar com diferentes pessoas – o próprio Tributo aos Titãs é uma prova positiva deste potencial. Aliada à internet, a facilidade em gravar vídeos, sons e afins auxilia na divulgação e na disseminação de algo que seria local e para poucos. Por outro lado, esta coisa sob demanda e individual – ouvindo músicas no fone de ouvido ou assistindo clipes/shows no seu computador ou tablet – torna a experiência menos coletiva. É uma tendência ao carregar seu mundinho dentro do seu celular, mas se paga um preço por esta praticidade, como não se deparar com o inusitado ou curtir o momento de um show – ao invés de apenas querer registrá-lo. Acho que atualmente menos pessoas estão dispostas a ver coisas novas ao vivo, justamente pelo fato de não poderem “zapear” com a mesma rapidez que podem garimpar na internet e no conforto do lar, por exemplo.

Pedroluts

– Qual a melhor e pior parte de ser um artista independente hoje em dia?

Não sei como é não ser, mas ser independente é bom e ruim pelo mesmo motivo: você é seu próprio chefe. Você tem a liberdade de levar sua arte para qual caminho quiser, mas também é preciso ser a pessoa chata a se cobrar para ter algo relevante, sem ter uma equipe ou uma estrutura de produtora por trás.

– Você acredita numa retomada do rock às paradas de sucesso no Brasil?

Eu não acredito mais nas paradas de sucesso. É um pensamento retrógrado.

– O que falta para fortalecer a cena independente brasileira, como já aconteceu nos anos 90 e 2000?

Acho que falta uma mobilidade maior de todos. Atualmente São Paulo está recebendo algumas iniciativas bem legais, com casas que abrem as portas para bandas novas e, principalmente, autorais. Sinto que aquela tendência de bandas covers está diminuindo. Espero, pelo menos, que isto aconteça. Uma coisa é celebrar a música, como fizemos no tributo, outra coisa é se apoiar no sucesso do passado para se assumir como uma comida requentada no microondas – sem gosto ou essência. Com a abertura destes espaços, as pessoas vão começar a mudar o modo de consumir a música – diminuindo as relações com o passado (como é o caso das bandas covers) e ampliando a tendência de assimilar coisas novas.

– Quais os próximos passos do Pedroluts em 2016?

Não sei ainda. Preciso me reunir com meu chefe para isso, mas nossas agendas nunca batem (risos).
Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é uma pergunta muito injusta porque sempre me esqueço de incluir um ou outro. Mas alguns sons que tenho ouvido são: O Terno (cujos clipes são fodaralhásticos), Céu, Elza Soares, Sean Rowe (que lançou um EP pelo Kickstarter recentemente), Cerveblues Band (toda quinta no Cervejazul… mais que necessário para quem está em SP), Nasi, Wander Wildner… acho que é isto que me vem na cabeça agora.

Coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa” traz tributo independente aos Titãs

Read More
O Pulso Ainda Pulsa
Capa por Leo Buccia

Os blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos lançam hoje a coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo com 32 artistas independentes fazendo versões, covers e reconstruções de músicas de uma das maiores bandas que o rock brasileiro já ouviu: os Titãs. Uma das bandas mais camaleônicas de sua geração, o octeto permeou sua carreira indo de canções de amor à duras pauladas políticas, do punk à MPB, do experimentalismo ao rock puro. E, afinal, 30 anos depois do lançamento do clássico disco “Cabeça Dinossauro”, um verdadeiro divisor de águas na música nacional, o rock brasileiro continua vivo. O Pulso Ainda Pulsa.

O projeto é uma homenagem à obra de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Charles Gavin, Sérgio Britto, Branco Mello, Nando Reis e Paulo Miklos. Nas faixas, o grupo paulistano é reverenciado em versões que vão do bluegrass ao electro, passando pelo folk, punk, hard rock e experimentalismo. O pulso ainda pulsa abaixo dos radares da grande mídia musical.

O tributo conta com a participação 33 artistas e bandas: Abacates Valvuldos, Aletrix, All Acaso, BBGG, Camila Garófalo, Cigana, Color For Shane, Danger City, Der Baum, FingerFingerrr, Giallos, Gomalakka, Horror Deluxe, Jéf, Moblins, Mundo Alto, Nãda, Não Há Mais Volta (com participação do Badauí, vocalista do CPM22), Paula Cavalciuk, Pedroluts, Penhasco, Porno Massacre, Ruca Souza, SETI, Sky Down, Subburbia, Subcelebs, The Bombers, Thrills And The Chase, The Hangovern, O Bardo e o Banjo, Ostra Brains e Videocassetes. Cada uma fez a produção de sua faixa de forma independente e mais detalhes sobre cada gravação estão disponíveis no site www.opulsoaindapulsa.com.br

Ouça aqui o tributo “O Pulso Ainda Pulsa”:

“Death Proof”: a trilha de Tarantino à prova de críticas

Read More
Death Proof

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje vamos falar de uma trilha sonora de tirar o fôlego. Sangrenta, voraz, perversa, dura, arriscada e à prova de morte. Pois é, hoje subimos a bordo do carro mais indestrutível de Hollywood em mais uma odisseia de Quentin Tarantino.

Quen

Antes de qualquer coisa temos que saber que Death Proof” (“À Prova de Morte” – 2007)  faz parte da saga “Grindhouse” (2007), que foi co-escrita, produzida e dirigida por Robert Rodriguez e Quentin Tarantino e que conta também com o filme Planet Terror” (“Planeta Terror” – 2007, de Robert Rodriguez).

Uma curiosidade à parte está na parte de divulgação do projeto, que inclui trailers fictícios para atrações, comerciais e anúncios de teatro, assim explorando ainda mais a transmídia do “produto final” e inovando esse segmento.

Grind House (Death Proof)

“Ao cair da noite, Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), a DJ mais sexy de Austin, pode enfim se divertir com as suas duas melhores amigas. As três garotas saem noite adentro, atraindo a atenção de todos os freqüentadores masculinos dos bares e boates do Texas. Mas nem toda a atenção é inocente. Cobrindo de perto seus movimentos está Stuntman Mike (Kurt Russell), um rebelde inquieto e temperamental que se esconde atrás do volante do seu carro indestrutível.” (Sinopse por AdoroCinema)

O filme conta com uma fotografia incrível em tons mais escuros. Claro, em parte temos isso por ser um filme de terror. Alguns inclusive encaixam a saga “Grindhouse” como um filme B, porém refinado.

Briga

A narrativa e a velocidade dos acontecimentos e personagens com personalidades fortes também são uma marca do plot. Tarantino neste filme empodera os personagens femininos que, diferentemente dos roteiros convencionais, comandam o rumo da história.

Mas sem SPOILERS, pois é um filme que merece ser assistido mais de uma vez para não se perder um segundo desta trama que deixa tudo de cabeça para baixo – e seu queixo caído. Vamos então a uma das soundtracks mais elogiadas de toda carreira de Tarantino, por mais que a que tenha levado o Oscar tenha sida a de seu mais recente filme, The Hateful Eight” (“Os Oito Odiados” – 2015).

Logo de cara já temos a belíssima – e instrumental – “The Last Race”, uma antiga canção de Jack Nitzsche datada de 1965. As ondas surfadélicas dão todo o ritmo da prosa. A canção também é o tema do filme Village Of The Giants” (1965), que explora a ficção científica mesclada com o gênero da comédia.

Seguimos com “Baby It’s You” (1969) do A Group Called Smith, que foi uma banda californiana do fim dos anos 60 que bebia da fonte do blues e do melhor do groovie de artistas como Etta James, Tina Turner e beirava a psicodelia. A canção que estrela o filme é uma versão de Burt Bacharach, um pianista nascido no começo do século XX que ao longo da carreira ganhou 6 Grammys por suas composições.

O maestro preferido de Tarantino não poderia ficar de fora, não é mesmo? Em Death Proof” Ennio Morricone entra na trilha sonora com a canção “Paranoia Prima”. Vale lembrar que não é a primeira vez que ela aparece na sétima arte. Ennio compôs ela para o filme “O Gato de Nove Caudas” (1971), do lendário diretor de cinema italiano Dario Argento. Outra canção que também toca no filme – mas que não entrou para o disco da trilha – é “Violenza Inattesa”.

Para dar uma incrementada na narrativa da soundtrack, Tarantino coloca um diálogo do filme na quarta faixa do disco. Nele, o vilão do filme conta de seu plano macabro para “dopar” suas vítimas indefesas.

Quem chega chegando com um clássico literalmente sacado da cartola é Marc Bolan com “Jeepster”, um clássico do T.Rex. A canção está presente no disco Electric Warrior” (1971), o sexto lançamento do grupo, sendo considerado um dos discos fundamentais do rock inglês. Outro hit do disco é “Get It On”, ou seja, veredito: discaço!

Para deixar a atmosfera ainda mais feroz, Tarantino coloca um diálogo entre o personagem Stuntman – nosso motorista impiedoso – e uma de suas vítimas.

Com uma veia mais sagaz, espírito do funk/blues e soul music temos “Staggolee” (1970) do grupo Pacific Gas & Eletric. Os vocais mais melódicos e bem cantados têm origem na música gospel americana. Inclusive o maior hit da banda está presente nesse mesmo disco, mais precisamente na faixa “Are You Ready” que tem essa levada mais espiritualizada.

Na sequência temos Joe Tex com a balada romântica cheia de groove e melodia “The Love You Save”, canção datada de 1966 e um dos destaques do southern soul americano das décadas de 60/70. Funk, blues e gospel é a essência do som do texano.

Do Alabama, mas criado no estado do Michigan, temos outra lenda viva na trilha que atende pelo nome Eddie Floyd. Com as mesmas raízes musicais do Pacific Gas & Eletric e Joe Tex temos uma tríade que bebe do southern soul e do R&B. Tarantino escolheu para o filme “Good Love, Bad Love”.

Uma das cenas imortalizadas na memória dos fãs de Tarantino com certeza é a cena de lap dance de Death Proof”, tanto pela sensualidade explícita como pela incrível trilha de “Down In Mexico” do The Coasters.

Não é à toa que a canção escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller chegou ao oitavo lugar da parada R&B em 1956. Uma curiosidade: a versão que entrou no filme é uma regravação feita em 1970.

Para chegar chutando tudo para o alto e aumentar o volume quem chega é Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich com o clássico garageiro “Hold Tight”. O single foi lançado em 1966 e chegou ao quarto lugar das paradas britânicas e foi escrita por Ken HowardAlan Blaikley.

Mais uma vez de olho na Itália, Tarantino nos traz o pianista Pino Donaggio com a dramática “Sally & Jack”. A canção também está presente no filme Blow Out” (1981) de Brian De Palma, estrelando John Travolta e Nancy Allen, um slasher movie. Bons entendedores de filmes de terror lembrarão.

Para deixar tudo mais rock’n’roll e caótico temos “It’s So Easy” do Willy Deville, um músico que viveu de sua guitarra com seu blues que mesclava ritmos latinos, country e uma infinidade de estilos folclóricos. A canção também está presente na soundtrack do filme Cruising” (1980).

Chegando à beira do abismo, Tarantino apimenta a trilha com um diálogo mais ríspido entre as garotas do filme. Para deixar o clima lá no alto com uma percussão marcante de tambores, cítara e muita tensão em seguida temos Eddie Beram com “Riot In The Thunder Alley”, canção instrumental que também figura na soundtrack do filme Thunder Alley” (1967).

A cartunista April March, nascida como Elinor Blake é uma cantora que canta tanto em inglês como em francês. Inclusive, Elinor inclusive atua no filme e vou deixar a tarefa de descobrir quem é a personagem dela para vocês. Acharam que iam ter tudo de mão beijada? No filme a canção escolhida é “Chick Habit” (1995). A versão francesa da canção também está na trilha mas não entrou no disco.

Também figuram a trilha e não foram incluídos no disco: Guido & Maurízio com a fugaz e funkeada “Gangster Story”,  a trilha a la 007 de Franco Micalizzi com “Italia A Mano Armata”, Stelvio Cipriani com a orquestrada “La Polizia sta a guardare”, o funk good vibes “Funky Farfare” de Keith Mansfield e “Twisted Nerve”, que também aparece em “Kill Bill” e reforça ainda mais a teoria apocalíptica de que todo filme do Tarantino é interligado.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase

Read More
Zé Menezes

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase e do projeto Hipopótamo, que lançará um EP em breve.

Luther Allison“Bad News Is Coming” (nome do álbum mas pode ser o som homônimo)

“Há algum tempo queria conhecer mais artistas de blues, eu tinha gostado de tudo o que tinha ouvindo até então. Aproveitei a leitura da biografia do Keith Richards para pesquisar alguns nomes que ele cita no livro. Ele não chegou a falar de Luther Allison, o nome dele surgiu nos vídeos relacionados do YouTube de artistas que Keith mencionou. Diferente da maioria pesquisada, nunca tinha ouvido falar e foi um dos que mais virei fã. Além das músicas autorais, “Bad News Is Coming” tem releituras de nomes como Robert Johnson, B.B. King e Freddy King“.

Blues Pills“Lady In Gold”

“Falo de Blues Pills desde o primeiro dia que ouvi. Na minha humilde opinião é a melhor banda dos últimos anos. Não tem nada de novo, é uma banda setentista com ótimas músicas, porém, nascida em 2011. Sempre achei que um piano entraria perfeitamente na banda, e meu desejo foi atendido no novo single, “Lady in Gold”. Fiquei bem curioso para ouvir as outras músicas do segundo álbum que ainda será lançado. A banda toda é incrível mas Elin Larson é a verdadeira diva do rock hoje. Ah, o solo de “No Hope Left Of Me” é o melhor dos últimos anos também”.

Danger City“Everything is a Menace in Danger City” (álbum)

“Quando ouvi o Danger City pela primeira vez, não sabia que era um novo projeto do amigo Pedro Gesualdi (Ex-Japanes Bondage). Achei demais, fui pesquisar sobre a banda e lá estava. Então, essa não é a indicação da banda do amigo, mas da banda independente que mais curti no último ano. Recomendo o álbum inteiro”.

Marc Ford“Holy Ghost”

“Não é novidade, “Holy Ghost” foi lançado em 2014, mas esse disco tem que ser ouvido. Marc Ford foi guitarrista dos Black Crowes e tem uma carreira solo proporcionalmente foda, com muita coisa que compete a um bom guitarrista – compositor e cantor também: Tem rock, tem blues, tem groove e, no caso do “Holy Ghost”, folk. Um disco lindo, com tudo na medida certa. Pra virar trilha sonora da vida”.

Delmore Brothers“Blues Stay Away From Me”

“Do mesmo jeito que conheci Luther Allison, mas dessa vez pesquisando artistas do country. Como muitos deles, os Delmore Brothers vieram da música gospel. Os irmãos estão entre os mais importantes nomes da história do country. Não tem como não gostar disso, sério”.

One man band portuguesa The Legendary Tigerman aposta no som do delta blues

Read More
The Legendary Tigerman

Inspirado principalmente pelas raízes do delta blues do Mississipi, mas passando também pelo rock, punk e até tango, o português Paulo Furtado criou o The Legendary Tigerman, uma one-man band em que toca bumbo, chimbal, kazzoo e guitarra/violão.

Com 6 álbuns na bagagem (“Naked Blues”, de 2002, “Fuck Christmas, I Got the Blues”, de 2003, “In Cold Blood”, de 2004, “Masquerade”, de 2006, “Femina”, de 2009 e “True”, de 2014), sendo que o disco “True” recebeu diversos elogios da crítica e contou com participações de gente como Asia Argento, Peaches, Maria de Medeiros, Rita Redshoes e muitas outras mulheres. Ao vivo, The Legendary Tigerman conta com um baterista (Paulo Segadães) e ocasionalmente um saxofonista (João Cabrita) e já se apresentou em diversos lugares de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Inglaterra, Japão e até aqui no Brasil.

Conversei com ele sobre a carreira, a preferência pelo blues, os prêmios que já ganhou e muito mais:

– Como começou a banda?

A banda começou um pouco por acidente, no verão de 1999… Estava tentando compor coisas novas porque minha banda na altura, Tédio-Boys, estava a acabar e no local onde ensaiava existia um bombo e um prato de choques, que comecei a usar passado algum tempo, porque era muito chato ensaiar sozinho.. e de repente algumas canções funcionaram no formato de one man band, e assim tudo começou.

– De onde surgiu o nome The Legendary Tigerman?

Havia um one man band dos anos 50 que gostava muito, Legendary Stardust Cowboy. Uma coisa bastante descontrolada e louca, e queria começar um projecto que fosse lendário logo à partida, como provocação. O Tigerman vem de uma canção de Rufus Thomas, que foi uma das primeiras musicas de blues que ouvi na adolescência.

– Quais são as principais influências do projeto?

Blues, Rock´n´Roll, Punk. Se bem que tudo acaba por me influenciar, oiço muita musica diferente. Mas estas serão as mais importantes.

– Porque o investimento no delta blues? O que este estilo traz para você?

Não é uma coisa pensada, não é uma questão de trazer algo. Há algo que me interessa muito na repetição, na acidez e no hipnotismo que existe nos Delta Blues, como existe anos mais tarde nos Suicide. O que me interessa é escrever e tocar musica que me faça sentir pleno e me excite.

The Legendary Tigerman

– Me fale um pouco mais sobre “True”, seu mais recente álbum.

True foi um disco composto inteiramente numa cave, bastante isolado do mundo, em sala de ensaios, como one-man-band, durante um período de 3 meses. Foi um dos discos em que trabalhei mais na vertente técnica de one-man-band. Não creio que nos próximos tempos volte a gravar um disco assim, o próximo será gravado em formato trio, com o Paulo Segadães na bateria e o João Cabrita no saxofone e teclados.

– Como foi ganhar o prêmio pela trilha de “Estrada de Palha/Hay Road”? Como essa trilha foi composta?

Foi muito bom, gostei muito de fazer essa trilha sonoroa e adoro trabalhar com a Rita Redshoes, temos linguagens muito diferentes que se complementam, já fizemos muita música para teatro e cinema juntos. A maior parte da música foi composta e gravada enquanto víamos o filme, é assim que costumamos compor. Procurámos muitos instrumentos antigos, pouco usados, como o violin-uke, o marxophone, para criar um som característico, para além do piano e guitarra. Creio que conseguimos. Em setembro sairá uma nova trilha feita pelos dois, de um filme chamado “Ornamento e Crime”, também de Rodrigo Areias.

– Como está a cena musical independente de Portugal hoje em dia?

Creio que nunca esteve tão bem. Há muitas bandas muito boas de muitos géneros, acho que vivemos uma idade de ouro desde os anos 2000. A melhor de sempre na música portuguesa.

– Como foi a passagem pelo Brasil?

Tem sido incrível, adoro tocar no Brasil, e adoro como as pessoas se entregam nos concertos. De um modo muito genuíno. Quero muito voltar.

The Legendary Tigerman

– Quais os próximos passos de The Legendary Tigerman em 2016?

Neste momento estou a compor novo disco, e devo gravar em setembro no Rancho de La Luna, no Deserto de Joshua Tree, Califórnia. O disco deverá saír no início de 2017.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sean Riley and The Slowriders, Keep Razors Sharp, Rita Redshoes, Éme, Dead Combo, Buraka Som Sistema, B Fachada, Samuel Úria, Galgo.