5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Wagner Creoruska, d’O Bardo e o Banjo

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Wagner Creoruska, d'O Bardo e o Banjo
Wagner Creoruska, d'O Bardo e o Banjo

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Wagner Creoruska, também conhecido como Bardo, d’O Bardo e o Banjo!

Hayseed Dixie“Tolerance”
“Como grande apreciador de bluegrass eu não poderia começar de outra forma. Essa é uma própria de uma banda que ficou muito conhecida fazendo covers, o Hayseed Dixie, além de ser minha primeira referência de bluegrass quando comecei a conhecer esse estilo. Foi essa banda que me fez querer comprar um banjo e hoje o Bardo e o Banjo existir. Sobre ‘Tolerance’, é minha música preferida deles, meu clipe preferido também, e um som que nunca pode faltar nas minhas playlists”.

Seasick Steve“Summertime Boy”
“Esse é um som novo de um cara que tem muita história pra contar antes da sua carreira despontar. Seasick Steve têm um pouco de tudo que eu gosto, blues, folk, instrumentos estranhos, rock, espirito do pantano norte-americano. Essa é uma das músicas dele que mais fez sucesso. Enfim, vale o play, vale por na playlist pra pegar a estrada, vale curtir”.

New Riders of the Purple Sage“Panama Red”
“Essa é uma indicação que vale por duas. A música é de uma das bandas mais legais dos anos 70, que misturava rock e country muito bem, o New Riders of the Purple Sage. A banda tinha uma formação incrível com guitar steel, ótimos guitarristas e músicas legais pra caramba. “Panama Red” depois foi regravada pelo Old & in The Way, uma das melhores bandas de bluegrass de todos os tempos (na minha opinião, claro), banda que tinha Jerry Garcia, guitarrista do Grateful Dead, tocando banjo”.

The Flying Burrito Brothers“Six Days On The Road”
“Essa música, gravada nesse programa ao vivo, é FODA! Existe versão de estúdio dela mas essa é a melhor. Ouço ela sempre que vou pegar a estrada. Outra banda que mistura rock e country, de uma forma bem legal, também dos anos 70”.

Wild Cherry“Play That Funky Music”
“Fugindo um pouco do folk/bluegrass esse é um som da década de 70 que foi sucesso nas pistas de dança, na época e até nos dias de hoje. Na verdade é um dos sons mais divertidos pra botar a galera pra dançar, na minha opinião claro. Foi um dos poucos hits do Wild Cherry que lançou apenas 4 discos entre 1976 e 1979 quando a banda acabou”.

Toda uma banda em um violão: John Fahey – “The Dance of Death & Other Plantation Favorites” (1965)

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John Fahey - The Dance of Death and Other Plantation Favorites

Bolachas Finas, por Victor José

Expoente e precursor daquilo que nos EUA se chama de “American Primitive Guitar”, John Fahey (1939-2001) é um desses notáveis pouco badalados. Mesmo distante do grande público, o violonista é constantemente citado como grande referência por gente como David Gilmour, Pete Townshend e Thurston Moore. Até mesmo a revista Rolling Stone o elegeu como um dos melhores guitarristas de todos os tempos.

O que mais impressiona ao escutar qualquer som de Fahey é perceber como as tradições musicais dos EUA se aproximam de coisas como a música caipira do Brasil ou a guarânia paraguaia com tanta propriedade. Os sons mais ancestrais de qualquer país parecem vir de uma única fonte desconhecida. Seria isso produto do se chama de inconsciente coletivo? Quem sabe… talvez The Dance of Death & Other Plantation Favorites”, terceiro álbum do músico, possa ser um exemplo concreto disso.

O LP é resultado de uma sessão realizada em 22 de agosto de 1964 no Adelphi Studios, em Silver Spring. Muito pouco se sabe sobre esse disco. John Fahey tinha a fama de ser um cara bem recluso, discreto. Mas uma vez, relembrando a gravação que resultou no álbum, ele comentou: “Foi uma sessão interessante, foi a única vez que eu gravei sob efeito de maconha e uísque, então estava bem contente, você sabe…”

Dono de um estilo único e extremamente autossuficiente, John Fahey vinha explorando diferentes afinações e mesclando gêneros com uma habilidade de causar inveja. Fica evidente que ele procura combinar tudo aquilo que há de mais rústico no interior norte-americano: blues, folk, country… E o mais incrível é que a música do sujeito consegue ser isso tudo com apenas um violão. Tanto em “Wine and Roses” como em “Variations on the Coocoo” dá para reconhecer ecos de um country acelerado e um ar soturno do blues, como se fosse uma banda de cordas de um homem só. Realmente, parece algo que já se ouviu antes, mas não. Ali tem algo único.

Por outro lado, “How Long”, ao mesmo tempo em que caminha para um blues, curiosamente se assemelha de forma absurda com o som das nossas violas caipiras do Brasil. E não tem como não mencionar a importância das afinações malucas que Fahey costumava usar. Isso fazia toda a diferença em seu som, e agora se percebe de onde Sonic Youth tirou essa ideia, mesmo que de maneira sutil.

“Poor Boy” começa como se fosse uma canção folk como qualquer outra de Elizabeth Cotten ou desse pessoal bem das antigas, mas logo Fahey introduz um slide e tudo muda para um som inclassificável, ao mesmo tempo em que se comporta como algo estritamente tradicional. “What the Sun Said” é um catado de um monte de invenções. São dez minutos de um baita violonista brincando com instrumento, vendo o que sai.

“On the Banks of the Owchita” é a única faixa que contém mais de um instrumento. Nesta, Bill Barth faz um dueto de violão com Fahey. Outra pérola é “Dance of Death”, música que encerra o disco. Nela, o músico passeia por um bocado de variações e no fim parece que você já está escutando outra canção. Vale destacar o som gasto presente em todo o álbum. É uma mixagem que dá um charme ainda mais pitoresco ao registro. No fim das contas, o disco vibra ligeiramente sombrio mesmo sem parecer triste e brilhante mesmo sem soar feliz. É uma combinação equilibrada e muito bonita.

“The Dance of Death & Other Plantation Favorites” acabou saindo em 1965, pelo selo do próprio Fahey, o Takoma Records. Vendeu pouquíssimo, e hoje é item de colecionador. Apesar de ter sido reeditado em CD na década de 1990. Seu público era bastante restrito. Para se ter uma ideia, no lançamento de seu primeiro LP, Blind Joe Death”, foram prensadas somente cem cópias na primeira tiragem. Por algum motivo, ele acabou se tornando um daqueles gênios que acabam sendo de fato descobertos muitos anos depois. Até lá, foi uma escalada muito lenta e árdua, talvez por isso John Fahey tenha atingido status de lenda. Mas ele merece todos os elogios. É um mestre.

Ouça esse disco e tente classificá-lo. É impossível.

O duo de folk apunkalhado Hymn For Her está doido para vir pro Brasil com seu trailer

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Hymn For Her

O duo da Filadélfia Hymn for Her passou os últimos anos em turnê pelos Estados Unidos a bordo de seu querido trailer, injetando punk e psicodelia em seu folk com pitadas de blues, Wayne Waxing (bumbo, chimbau, violão, harpa e vocais) e Lucy Tight (cigar box – chamada Lowebow – e vocais) fazem um som que já foi descrito como “Hell’s Angels encontram os Amish”.

Seu segundo disco, “Hymn for Her Presents… Lucy e Wayne and the Amairican Stream”, foi todo gravado no trailer, em locais que vão da Filadélfia a Malibu em uma turnê de três meses. Para o seu terceiro lançamento, “Hymn for Her Presents… Lucy e Wayne Smokin Flames”, a dupla viajou para a Ghetto Recorders, em Detroit, para trabalhar com Jim Diamond, gravando tudo ao vivo e registrando 12 canções originais em apenas uma semana.

Conversei rapidamente com Lucy sobre a carreira da banda, a vida na estrada, sua Lowebow e muito mais:

– Como a banda começou?
Começamos como um duo de folk minimalista, e somos até agora.

– Como surgiu o nome Hymn For Her?
Vem de uma música que o Wayne escreveu antes da banda existir. Acabou ficando como o nome da banda.

– Quais as suas principais influências musicais?
Maine.

– Tell me more about “Drive Til U Die”. How was the making of this album?
Fizemos muitas demos caseiras. Pegamos as melhores e as regravamos com produtores veteranos em Nashville, Carolina do Norte e Detroit.

Hymn For Her

– Como foi criar “Lucy and Wayne and the Amairican Stream”, no seu trailer Bambi Airstream vintade de 1961? Vocês gravaram em quais lugares durante a road trip?
As músicas foram gravadas em quatro rodas. Foi uma aventura. Passamos por Reno, Chicago, Fargo, Minnesota, Buffalo, Toronto, Winslow, Sarasota, Wichita, Tulsa, Ottawa, Oklahoma, Tampa, Panama, Mattawa, La Paloma, Bangor,Baltimore, Salvador, Amarillo, Togavilla, Bearaquilla, Amadilla, Amakilla…

– Como você definiria o som da Hymn For Her?
Honesto.

– Me conta mais sobre sua Lowebow, o cigar box que te acompanha na banda.
3 cordas. Cigar box. Cabo de vassoura. 2 captadores.

– Explique o conceito de “Hell’s Angels encontra com os Amish” que vocês usam.
O negócio é algo como rock de estrada se encontrando com uma trilha country feita de madeira.

– Quais os planos da banda para 2017?
Tocar no Brasil! Ajudem a fazer acontecer 🙂

RATS leva irish punk para o calor do Rio de Janeiro em “Por Terra, Céu e Mar”

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RATS

Os cariocas RATS acabam de lançar seu primeiro disco, “Por Terra, Céu e Mar”, pela Crasso Records, gravado em em meio ao carnaval carioca com Jimmy London (Matanza) capitaneando o barco e produzindo o trabalho. A gravação e mixagem foi realizada no Melhor do Mundo Studios e contou com Jorge Guerreiro, que já trabalhou com Dead Fish, Raimundos, Pitty, Ultraje a Rigor e muitos outros.

O quinteto formado por Kito Vilela (Guitarra e Voz), Fernando Oliveira (Banjo, Bandolim e Voz), Fernando Gajo (Acordeon e Tin Whistle), Bruno Pavio (Baixo) e Pedro Falcon (Bateria) criou 13 faixas que fazem o conhecido irish punk influenciado por Flogging Molly e The Pogues, além de uma versão bucaneira para “Medo”, clássico do Cólera. A bela capa do disco ficou a cargo de Caio Monteiro, Kawe de Sá e Helena Lopes (Lightfarm).

Conversei um pouco com Fernando Oliveira sobre o disco, a produção de Jimmy London, a carreira da banda e como o irish punk embarcou no Rio de Janeiro:

– Me falem mais sobre “Por Terra, Céu e Mar”! Como rolou a gravação e a composição das músicas?

Esse disco começou seu processo criativo em 2013 quando decidimos deixar de fazer versões e começamos a compor. Chegamos a lançar um EP, pela Crasso Records, que tinha 4 músicas autorais e 3 versões (em 2014), mas para um full play, precisávamos aguardar mais, pra amadurecer e colecionar uma quantidade boa de canções… E como todo 1º disco de banda, tem músicas que foram escritas há anos e músicas que acabaram entrando meses antes das gravações. As composições em sua maioria são minhas, com algumas parcerias com o vocal Kito Vilela e o acordeonista Fernando Gajo, e falam sobre bebida, sobre realizar sonhos, sobre amores construtivos e destrutivos, sobre a vida na estrada, sobre boxe, sobre amigos que se foram e sobre fazer as coisa do nosso jeito.

– Como foi trabalhar com o Jimmy London produzindo?

Foi foda em ambos os sentidos… (risos) Porque ele conhece muito do riscado, o som e a proposta da banda, e também foi foda porque ele é muito exigente e arranca da banda o que ela realmente pode dar de melhor, mesmo q isso leve muitos e muitos takes (risos). Eu já havia gravado com Jimmy num projeto paralelo às nossas bandas há uns 8 anos, gravamos umas demos de algumas músicas nossas, algumas até serviram de base para músicas do RATS, então já estava acostumado com essa parceria. Quando montei a banda sempre recorri a ele como guru e amigo. Quando as músicas foram aparecendo eu ia mostrando pra ele e trocando ideias, quando o disco começou a se tornar uma realidade ele já tava tão envolvido no processo, que nunca houve um convite oficial pra q ele produzisse o CD, foi uma coisa natural.

– De onde saiu o nome do disco?

Lembra que disse sobre uma musica q foi escrita meses antes da gravação? Então, essa musica foi “Por Terra, Céu e Mar” e ela veio depois da nossa tour de St. Patrick’s que fazemos todo ano em março. Ano passado ela foi meio tensa, muitas dificuldades, que até brincávamos que parecia que tinha uma maldição (risos). E como eu moro em Niterói, que fica separada do Rio pela baía de Guanabara, quando viajo muitas vezes vou literalmente por terra, céu e mar, pois vou de carro pro centro, pego a barca pra cruzar a baía e depois vou de avião pra cidade do show. Então usei isso pra conduzir a ideia da letra, que é como um juramento, sobre seguir em frente mesmo diante das dificuldades. Aí depois achamos que seria uma boa música pra intitular esse projeto pelo jeito que ele foi concebido também.

– Como a banda começou?

Já vinha com a ideia de uma banda que misturasse um som pesado com referências folks desde que vi por acaso o show do Flogging Molly em Los Angeles em 2001, mas só em 2011 chamei meu amigo e o baixista Bruno Pavio pra montar a banda, mas ainda era só papo de bar, sempre curtimos as bandas gringas de irish punk e achávamos mto estranho não ter bandas no Brasil fazendo isso, como eu já tocava banjo decidimos fazer uma pra se divertir e também divertir outras pessoas que também compartilhavam dessa carência.. Comprei um bandolim e montamos a banda. Fomos chamando amigos que tinham a ver e sabíamos que abraçariam a causa, Kito Vilela que veio do punk rock mas tinha acabado de voltar da Irlanda e vinha fazendo apresentações solos só voz e violão, o sanfoneiro Fernando Gajo eu trouxe da Go East Orkestra, de musica cigana dos Balcãs, improvisamos um amigo na bateria e em 2012 fizemos nossa estreia na festa Rio Irish no Saloon 79.

– Porque o nome RATS?

RATS na verdade é uma sigla (Riot Aboard The Ship). Sempre curtimos a ideia de nomes grandes que em siglas formam pequenas palavras, chegamos a se apresentar com o nome por extenso, e também como R.A.T.S, mas como toda banda que tem nome de sigla uma hora caem os pontinhos e acaba virando o nome curto mesmo, e a palavra “RATS” tinha a ver com o universo hardcore bucaneiro da banda, já que os piratas eram conhecidos como “sea rat”, decidimos assumir o nome RATS.

RATS

– Quais as principais influências da banda?

No começo eram as tradicionais bandas de irish punk, Flogging Molly, Dropkick Murphys e The Pogues, mas com o tempo acabamos incorporando outros elementos como coisas ciganas, polcas e country. Bandas que também fogem um pouco do irish punk tradicional e que adoramos é The Dreadnoughts e o Smokey Bastard. E também no lado pesado da banda, não bebemos só do punk rock e hardcore… Hoje em dia tenho escutado algumas bandas de folk metal como Turisas e Alestorm, que já influenciaram algumas composição que devem vir no próximo disco.

– O que vocês acham da cena independente hoje? Ela deve crescer e se expandir?

Sempre tem, e a internet facilita tudo, das bandas se conhecerem e organizarem as coisas juntas, trocamos materiais e ideias com banda do Brasil todo e de fora dele. Mais fácil de agitar as coisas e também não entrar em furadas (risos).

– Como vocês fazem para manter a cena em movimento? As bandas devem se unir mais em torno dessa meta?

Claro, já que não temos aquele apoio e grana das grandes gravadoras, a gente se vira e se apoia com quem fortalece a cena independente. as bandas, os selos, as casas, indicamos bandas amigas pros produtores com quem trabalhamos, sempre tentando usar camisas das bandas nos shows e entrevistas. Estamos todos no mesmo barco né?

– Quais são os próximos passos da banda?

Tocar, tocar e tocar, e viajar muito, por terra, céu e mar.. (risos) Já até temos músicas pra começar
a pensar num próximo disco, mas nem quero pensar nisso agora, o foco é cair na estrada e pôr esse disco pra rodar aí!

RATS

– Recomendem bandas (especialmente independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Bandas desse segmento tem a Punching Namard de São Gonçalo-RJ, tem a The McMiners de BH e a Lugh de Santa Maria-RS, que apesar de nunca termos tocado juntos sempre trocamos figurinhas pela internet. Já em outra pegada a Facção Caipira de Niterói também trouxe algo diferente com muita qualidade pra cena, e a não nova mas sempre incrivel Hillbilly Rawhide de Curitiba.

“Paradas de sucesso são um pensamento retrógrado”, brada Pedroluts

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Pedroluts
Pedroluts

Passando longe de qualquer pretensão de atingir os ultrapassados hit parades das rádios FM, a voz gutural de Pedroluts, que remete à Tom Waits e ao Bob Dylan dos últimos tempos, chegou a receber elogios da Ilustrada durante uma apresentação com sua antiga banda Hooker’s Mighty Kick durante a Virada Cultural (em uma sacada de um apartamento próximo ao palco do Arouche). A influência da dupla é inegável também no som do projeto musical, que bebe do folk, blues, rock e soul, tudo regado a Jack Daniels com algumas pedras de improviso aqui e ali.

Com um EP no Soundcloud (“The Chair”) e várias músicas soltas pela internet, Pedroluts ainda não tem planos para o futuro de seu projeto. “Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo”. Por enquanto, ele participou do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”, organizado pelo Crush em Hi-Fi em parceria com o Hits Perdidos, mandando uma versão matadora e elogiada de “Não Vou Me Adaptar”, e fará parte da banda que promete uma jam com versões de clássicos da banda no lançamento do tributo neste domingo na Associação Cultural Cecília.

Conversei com Pedro sobre sua carreira, os projetos por onde já passou, influências e sua versão para “Não Vou Me Adaptar”.

– Como você começou seu trampo musical?

Meu trampo musical como Pedroluts? É uma descoberta e garimpo que já dura uns 15 anos. Acho que o Pedroluts ainda está em formação, mas agora tenho uma noção melhor do que quero e do que não quero… É um processo divertido de ressignificar a si mesmo e encontrar as brechas a serem exploradas, mesmo que dentro do mesmo contexto (atualmente, mais pro folk e blues).

– Você falou que tá “mutando” o projeto Pedroluts há cerca de 15 anos. Como foi essa metamorfose e por quais fases o projeto passou?

Poutz… Nem eu sei ao certo. Acho que é só uma confluência das coisas que fiz ao longo dos anos e dos quais quero ter uma relação mais pessoal. Já toquei em bandas de thrash metal (o que voltarei em breve) e acho isso muito foda, mas não vejo isso atrelado diretamente ao que quero fazer como Pedroluts.

– Quais são as principais influências musicais que você vê refletidas (ou já viu) no trabalho deste projeto? Mesmo que não sejam explícitas no som.

Isso muda de tempos em tempos, mas hoje é basicamente: Bob Dylan, Tom Waits, Ray Bonneville, Sean Rowe, Raul Seixas, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Titãs… Acho que é isso. Mas mais do que as influências de estilo, vejo também influência de perfil… Quase todos esses caras trilharam seu caminho de maneira intuitiva e pessoal. Tem outros que me influenciaram, mas que não estão aí. Glenn Gould é um ótimo exemplo. Ele é um pianista canadense de música erudita, mas cuja abordagem à arte diz muito pra mim.

– Falando em Titãs, como foi a sua participação no tributo “O Pulso Ainda Pulsa”? Como foi a escolha do som e a transformação que você fez nele?

Primeiro, foi uma honra ter participado. O Titãs tem um protagonismo nas minhas escolhas musicais – foi uma das primeiras bandas de rock que eu comecei a ouvir. E o disco “Go Back” foi meu primeiro contato com a banda. Então, apesar de gostar muita coisa dos Titãs, principalmente as mais recentes, sabia que minha escolha tinha que ser algo deste disco. Daí veio “Não Vou Me Adaptar”. Minha versão foi uma humilde releitura da canção. Para mim, ela sempre foi uma visão sobre a adolescência e suas mudanças, mas achei que ela poderia ganhar uma versão mais velha, com ares carrancudos e ranzinzas. Tentei algumas versões até que encontrei a mudança que seria o foco da minha: mudar o tom maior para tom menor. Isto mudou consideravelmente a música e me deu liberdade para dar a abordagem que eu queria. O resto foi consequência de improvisos e experimentações, com esse arranjo “a la polka”, digamos assim.

Pedroluts

– E você vai participar da banda que vai fazer a jam no evento do lançamento, no dia 28. Como vai ser?

Pelos ensaios vejo que vai ser algo bem divertido. Muito mais do que um tributo ou homenagem, é uma celebração a uma banda essencial para a música brasileira. Não será uma continuação do tributo lançado, mas uma extensão… um complemento em carne e osso.

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa flyer

– Fale um pouco do material que você lançou até agora.

O pouco material que lancei é fruto de uma série de coisas: músicas que fiz anos atrás, canções recentes, covers… vejo cada música como uma pessoa – com sentimentos e humores. Então minha ideia é tentar interpretá-la conforme seu momento e minhas intenções.

– Você acha que a internet ajuda ou atrapalha o artista independente?

Os dois. Por um lado é uma maneira única de se conectar com diferentes pessoas – o próprio Tributo aos Titãs é uma prova positiva deste potencial. Aliada à internet, a facilidade em gravar vídeos, sons e afins auxilia na divulgação e na disseminação de algo que seria local e para poucos. Por outro lado, esta coisa sob demanda e individual – ouvindo músicas no fone de ouvido ou assistindo clipes/shows no seu computador ou tablet – torna a experiência menos coletiva. É uma tendência ao carregar seu mundinho dentro do seu celular, mas se paga um preço por esta praticidade, como não se deparar com o inusitado ou curtir o momento de um show – ao invés de apenas querer registrá-lo. Acho que atualmente menos pessoas estão dispostas a ver coisas novas ao vivo, justamente pelo fato de não poderem “zapear” com a mesma rapidez que podem garimpar na internet e no conforto do lar, por exemplo.

Pedroluts

– Qual a melhor e pior parte de ser um artista independente hoje em dia?

Não sei como é não ser, mas ser independente é bom e ruim pelo mesmo motivo: você é seu próprio chefe. Você tem a liberdade de levar sua arte para qual caminho quiser, mas também é preciso ser a pessoa chata a se cobrar para ter algo relevante, sem ter uma equipe ou uma estrutura de produtora por trás.

– Você acredita numa retomada do rock às paradas de sucesso no Brasil?

Eu não acredito mais nas paradas de sucesso. É um pensamento retrógrado.

– O que falta para fortalecer a cena independente brasileira, como já aconteceu nos anos 90 e 2000?

Acho que falta uma mobilidade maior de todos. Atualmente São Paulo está recebendo algumas iniciativas bem legais, com casas que abrem as portas para bandas novas e, principalmente, autorais. Sinto que aquela tendência de bandas covers está diminuindo. Espero, pelo menos, que isto aconteça. Uma coisa é celebrar a música, como fizemos no tributo, outra coisa é se apoiar no sucesso do passado para se assumir como uma comida requentada no microondas – sem gosto ou essência. Com a abertura destes espaços, as pessoas vão começar a mudar o modo de consumir a música – diminuindo as relações com o passado (como é o caso das bandas covers) e ampliando a tendência de assimilar coisas novas.

– Quais os próximos passos do Pedroluts em 2016?

Não sei ainda. Preciso me reunir com meu chefe para isso, mas nossas agendas nunca batem (risos).
Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é uma pergunta muito injusta porque sempre me esqueço de incluir um ou outro. Mas alguns sons que tenho ouvido são: O Terno (cujos clipes são fodaralhásticos), Céu, Elza Soares, Sean Rowe (que lançou um EP pelo Kickstarter recentemente), Cerveblues Band (toda quinta no Cervejazul… mais que necessário para quem está em SP), Nasi, Wander Wildner… acho que é isto que me vem na cabeça agora.

Coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa” traz tributo independente aos Titãs

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O Pulso Ainda Pulsa
Capa por Leo Buccia

Os blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos lançam hoje a coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo com 32 artistas independentes fazendo versões, covers e reconstruções de músicas de uma das maiores bandas que o rock brasileiro já ouviu: os Titãs. Uma das bandas mais camaleônicas de sua geração, o octeto permeou sua carreira indo de canções de amor à duras pauladas políticas, do punk à MPB, do experimentalismo ao rock puro. E, afinal, 30 anos depois do lançamento do clássico disco “Cabeça Dinossauro”, um verdadeiro divisor de águas na música nacional, o rock brasileiro continua vivo. O Pulso Ainda Pulsa.

O projeto é uma homenagem à obra de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Charles Gavin, Sérgio Britto, Branco Mello, Nando Reis e Paulo Miklos. Nas faixas, o grupo paulistano é reverenciado em versões que vão do bluegrass ao electro, passando pelo folk, punk, hard rock e experimentalismo. O pulso ainda pulsa abaixo dos radares da grande mídia musical.

O tributo conta com a participação 33 artistas e bandas: Abacates Valvuldos, Aletrix, All Acaso, BBGG, Camila Garófalo, Cigana, Color For Shane, Danger City, Der Baum, FingerFingerrr, Giallos, Gomalakka, Horror Deluxe, Jéf, Moblins, Mundo Alto, Nãda, Não Há Mais Volta (com participação do Badauí, vocalista do CPM22), Paula Cavalciuk, Pedroluts, Penhasco, Porno Massacre, Ruca Souza, SETI, Sky Down, Subburbia, Subcelebs, The Bombers, Thrills And The Chase, The Hangovern, O Bardo e o Banjo, Ostra Brains e Videocassetes. Cada uma fez a produção de sua faixa de forma independente e mais detalhes sobre cada gravação estão disponíveis no site www.opulsoaindapulsa.com.br

Ouça aqui o tributo “O Pulso Ainda Pulsa”:

A recém-nascida Blue Crawfish Records aposta em artistas de blues, soul, rockabilly e country

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Blue Crawfish Records

A Blue Crawfish Records, nova editora fonográfica da Wildstone Productions, foi criada com a parceria entre os músicos e produtores Marky Wildstone, responsável pela Direção Artística e Produção Executiva do selo e Netto Rockfellerr, responsável pela Produção Musical, Técnica e Produção de Audio. A curadoria musical será compartilhada e o enfoque dos discos do selo será blues, soul, billy, country e “outras caipiragens vintage”, segundo eles. O logo do selo foi criado pelo designer Gustavo Duarte.

Os 6 primeiros lançamentos da Blue Crawfish estão disponíveis no bandcamp oficial do selo: “Lovesick Blues”, de Greg Wilson, “Shades Of Blue”, de Jes Condado, “Second Hand Gear”, de Uirá Cabral, “Nice And Easy”, Flávio Guimarães & Netto Rockfeller, “Self-Titled”, de Quique Gómez & Netto Rockfeller e “Música para Acalmar o Coração da Juventude” de Netto Rockfeller.

Conversei com Marky Wildstone sobre o selo, a cena musical e o mercado fonográfico hoje em dia:

– Quando surgiu a ideia do Blue Crawfish Records?

A Blue Crawfish Records é resultado de minha parceria com o guitarrista e produtor Netto Rockfeller. Venho trabalhando com ele há pelo menos 3 anos, fazendo gestão de carreira, capas de discos, posters, acessoria fonográfica e tentando organizar e planejar minimamente sua carreira. Já tem um tempo que vimos que o material que ele vem produzindo e gravando é dígno de uma melhor e maior promoção. Depois de sua recente parceria com o grande Flávio Guimarães, medalhão do Blues Brasileiro, inevitável profissionalizarmos a coisa toda.

– Quais bandas e artistas estão no selo?

Organizamos antigos lançamentos para termos um corpo bacana para trabalharmos novos lançamentos, temos um disco solo instrumental do Netto Rockfeller, o disco do gaitista goiano com base em Ribeirão Preto, Uirá Cabral, o disco da Jes Condado, uma argentina de Buenos Aires que atualmente mora aqui em São Carlos, um disco inédito do também Blues Etílicos Greg Wilson, este um tributo ao grande Hank Williams, o primeiro disco da história toda, que foi o disco do Netto Rockfeller com o gaitista espanhol Quique Gómez e o último disco do Netto Rockfeller com o Flávio Guimarães, que esta rodando por praticamente todos os festivais de Blues do Brasil. Esse deve ganhar uma versão em vinil muito em breve e estamos finalizando o novo lançamento deles, uma viagem instrumental por climas de trilha sonora, que deve sair ainda no primeiro semestre.

– Porque a escolha deste tipo de som?

Netto Rockfeller tem mais de 10 anos de carreira nesse tipo de som e já vem produzindo artisticamente discos há pelo menos 3 anos, acho que a escolha é natural, no meu caso sempre fui um amante do Blues, que é da onde a maioria das coisas que eu gosto e ouço remontam. O blues é a base da música pop e sempre senti que o diabo um dia viesse me cobrar esse trabalho.

Marky Wildstone e Netto Rockfeller
Marky Wildstone e Netto Rockfeller

– Se alguma banda ou artista tiver interesse de fazer parte do cast do selo, as portas estão abertas? Como proceder?

Com certeza, o selo ainda é pequeno e estamos priorizando a produção total dos albuns, para manter a qualidade que queremos. Prioritariamente queremos produzir os discos que formos lançar, Netto com a parte musical e técnica de som e eu com a direção de arte, capas e executiva. Mas estamos abertos para ouvir e conversar com todo mundo que tenha interesse.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia? Os selos independentes ganharam força com a queda das grandes gravadoras?

Acho que cada um tem que encontrar uma maneira de trabalhar, eu venho da escola Do It Yourself, já trabalho com meu selo Wildstone Records, lançando coletâneas e artistas mais barulhentos, acho que as gravadoras grandes não caíram, só diminuíram o número de artistas que eles investem para ter um retorno mais seguro. Os pequenos selos continuam com as mesmas dificuldades mas creio que com tempo e trabalhos de qualidade vão conquistando espaço e mercado.

– Poderemos ouvir os lançamentos do selo em lugares como o Spotify, por exemplo?

Por enquanto estamos focados no bandcamp, que é a plataforma que escolhemos mas muito em breve todos os discos estarão disponíveis em todos os portais de distribuição digital.

– O quanto estes portais de distribuição digital de música são importantes para os selos e artistas independentes?

Acho que é importante na medida da divulgação dos artistas, a portabilidade traz novos horizontes para a audição de música mas não gera muita receita, gera algum dinheiro, mas bem pouco, o grande lance é a música estar sempre pronta para ser tocada, onde quer que os ouvintes e fãs estejam.

25 grandes bandas e artistas fictícios que só existiram na TV e cinema (e seus maiores hits)

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Spinal Tap

Às vezes, a gente assiste um filme ou série de TV e acaba ficando com a música grudada na cabeça. Normalmente a música é de uma banda famosa e acabou entrando na trilha sonora, mas em muitas vezes a musiquinhas chicletuda que gruda no cérebro vem de uma banda totalmente nova, fictícia, que existe somente no mundo do cinema ou da TV. Ou vai me dizer que você nunca cantarolou “That Thing You Do”? Aqui, uma lista de 25 das mais incríveis bandas que já passaram pelo cinema e TV (e só existiram por lá):

Biro Biro (Castelo Rá-Tim-Bum)
Hit: “Meu Nome É Biro Biro”

Se você viveu os anos 90 com a fuça grudada na TV Cultura, talvez se lembre do jovem que era sensação no Castelo: Biro Biro. Com seu refrão chiclete “eta, eta/já larguei chupeta”, o rapazote conquistou o coração (e os ouvidos) de Nino, Pedro, Biba e Zequinha. Cuidado: a música gruda tanto na cabeça quanto comercial de TV.

School Of Rock (School Of Rock)
Hit: “School Of Rock”

Jack Black faz papel de Jack Black como Dewey Finn, um cara que se infiltra como professor substituto em uma escola, descobre que a criançada manda bem pra caralho musicalmente e resolve inscrevê-las em uma batalha de bandas com a música que o jovem guitarrista Zack compôs. Ficam em segundo lugar, mas a música é incrível:

The Beets (Doug)
Hit: “Mingau Matador” (ou “Killer Tofu”)

Mais uma pra quem era viciado na TV Cultura dos 90s: Os Beets! Uma paródia dos Beatles (só no nome), a banda preferida de Doug Funnie tocava o grande sucesso “Mingau Matador” (“Killer Tofu” no original, acho que os dubladores não acreditavam na penetração da soja no gosto nacional) e o lado B (para os hipsters da Nickelodeon“I Need More Allowance”.

Também Sou Hype (Hermes e Renato)
Hit: “Bichinho de Matar Com Pedra”

O Hermes e Renato é genial na hora de criar bandas fictícias. Temos o Massacration, o Emofrodita, o axé Axêgo e tantas outras. Eu escolhi o Também Sou Hype pois é uma das melhores paródias do overrated (eu acho, tô nem aí) sucesso do Cansei de Ser Sexy no começo dos anos 2000. Além de grudar na cabeça tanto quanto (ou até mais) do que as músicas dos parodiados.

Weird Sisters (Harry Potter)
Hit: “Do The Hypogriff”

O filme “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” trouxe a cena com a apresentação da banda Weird Sisters. Praticamente um supergrupo indie em um filme mágico: Jarvis Cocker (do Pulp) como Myron Wagtail nos vocais, Jonny Greenwood (do Radiohead) como Kirley Duke na guitarra, Jason Buckle (do All Seeing I) como Heathcote Barbary, também na guitarra, Steve Mackey (do Pulp) como Donaghan Tremlett, no baixo, Steven Claydon (do Add N to (X)) como Gideon Crumb, nos teclados e gaita de fole, e Phil Selway (do Radiohead) como Orsino Thruston na bateria!

Stillwater (Quase Famosos)
Hit: “Fever Dog”

A mais bela mistura de Led Zeppelin com Deep Purple, The Who e tudo que é banda setentista que você pode imaginar, só que com Jason Lee nos vocais. O single principal da banda, “Fever Dog” não faria feio dentro do “Led Zeppelin IV”, por exemplo.

Big Bad Boys (Mundo da Lua)
Hit: “Somos os Big Bad Boys”

Tá, é a última banda de TV Cultura que coloco aqui. Mas, provavelmente é a mais divertida até agora: uma boy band de raiz, já que é realmente formada por ~boys~ de até 13 anos no máximo, entre eles um Caio Blat minúsculo. A letra do hit “Somos Os Big Bad Boys” é algo como “Tremendo”, do grupo Tremendo: um refrão chiclete e os membros se apresentando:

Bad Blake (Coração Louco)
Hit: “The Weary Kind”

Sim, Jeff Bridges ainda está a cara de Dude Lebowski neste filme. Porém, aqui ele é Bad Blake, um cantor country lutando contra seus demônios e destilando grandes e lindas canções de amargura. Como “The Weary Kind”:

Dewey Cox (Walk Hard)
Hit: “Let’s Duet”

A paródia de “Walk The Line”, biografia de Johnny Cash, traz John C. Reilly como Dewey Cox, uma versão bizarra de Cash que canta músicas cheias de trocadilhos e em sua velhice, ganha um sample da palavra “hard” em um rap. Aqui, ele canta com sua ~June~ o trocadilho infame “Let’s Duet”:

Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
Hit: “Cantina Band #1”

A banda mais famosa de uma galáxia muito, muito distante. Também conhecida como The Cantina Band, o grupo de Figrin D’an toca sempre em um boteco barra pesada em Mos Eisley. Um lugar onde qualquer treta pode te deixar maneta e onde Harrison Ford sempre atira primeiro… com uma trilha bem animadinha:

The Blues Brothers (The Blues Brothers)
Hit: “Shake A Tailfeather”

A dupla de R&B formada por John Belushi e Dan Aykroyd para o Saturday Night Live foi o primeiro quadro do famosos programa de humor a ganhar um filme. E cara, como fez sucesso. Aqui, você confere a duplinha de “Irmãos Cara de Pau” com o mestre Ray Charles tocando “Shake A Tail Feather”:

Vagabanda (Malhação)
Hit: “Por Mais Que Eu Tente”

Tá, esse é um ponto baixo da lista, mas eu precisava citar: a novelinha mais longa de todos os tempos (pelo menos no Brasil) teve uma temporada onde formavam uma bandinha, com Marjorie Estiano liderando. O nome (horrível) escolhido foi Vagabanda, que fez relativo sucesso, já que uma das músicas entrou na trilha da novela (e até nas rádios):

Sex Bob-Omb (Scott Pilgrim Contra o Mundo)
Hit: “Garbage Truck”

Compostas por Beck, as músicas do Sex Bob-Omb de Scott Pilgrim (Michael Cera) são cheias de energia noventista e barulho a dar com pau. Acho que é o mínimo que se espera de trilha para derrotar sete ex-namorados demoníacos.

Spinal Tap (Spinal Tap)
Hit: “Tonight I’m Gonna Rock You Tonight”

É lógico que nenhuma lista de bandas de filmes pode deixar de fora o grande Spinal Tap. Banda que parodia o N.W.O.B.H.M. e apareceu primeiro no programa The T.V. Show e depois no filme “This Is Spinal Tap”, um mockumentary de Rob Reiner que para muitos é o melhor filme de rock de todos os tempos!

Heavy Trap’s (Os Trapalhões No Reino da Fantasia)
Hit: “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”

No filme “Os Trapalhões No Reino da Fantasia”, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias fizeram sua versão “roqueira”, com o tímido Zacarias encarnando uma versão mineira de Brian Johnson, do AC/DC, para cantar “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”:

Wyld Stallyns (Bill and Ted’s Excellent Adventure)
Hit: “Be Excellent to Each Other”

A dupla Bill S. Preston (Alex Winter) e Ted Theodore Logan (Keanu Reeves) viajou pelo tempo para salvar o mundo. Mas o mais importante para a lista é que eles são fãs de heavy metal e formam a banda Wyld Stallyns (dublado, virou “Metaleiros da Pesada”, se não me engano). Em um dos filmes, a faixa do Kiss “God Gave Rock and Roll to You” é atribuída a eles. Mas aqui, você ouve a clássica “Be Excellent To Each Other”:

Sadgasm (The Simpsons)
Hit: “Margerine”

Tá, se eu fosse reunir todas as bandas e artistas que Os Simpsons já criaram em sua longa vida, daria uma lista só deles. Apesar de amar Os Bem Afinados (The Be Sharps), o “Beatles” de Homer, escolhi o Sadgasm, a incursão de Homer Simpson pelo grunge. Ele emula um Kurt Cobain deprê, mostrando até uma seringa descendo pela privada:

Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Show)
Hit: “Love Ya to Death”

Como esquecer da banda dos Muppets, que tem uma mistura de Keith Moon, John Bonham e bichinho de pelúcia, o Animal, descendo a mão na bateria? A banda setentista/hard/psicodélica/roqueirona sempre acompanhou os Muppets, e está na ativa na nova série dos bonecos, que está no ar no Canal Sony:

Jesse and The Rippers (Full House)
Hit: “Forever”

Se você assistia a série da família gigantesca com três crianças e tantos momentos “fofos”, deve lembrar do Tio Jesse Katsopolis, viciado em Elvis Presley, e sua banda The Rippers. Pois é, eles gravam uma canção chamada “Forever”, que na verdade é dos Beach Boys (saiu no disco “Sunflower”, de 1970). Mas você vai lembrar mesmo é do John Stamos:

Phoebe Buffay (Friends)
Hit: “Smelly Cat”

Uma das séries de maior sucesso tinha em seu elenco principal a ~música~ Phoebe Buffay, que tocava um violão sofrível em músicas divertidas como “Crazy Underwear”, “Jingle Bitch” e “Sticky Shoes” e seu hit mais famoso “Smelly Cat”, que ganhou até um clipe superproduzido no maior estilo anos 90 de ser:

The Chipmunks (Alvin and The Chipmunks)
Hit: “The Chipmunk Song (Christmas Don’t Be Late)”

Criados em 1958 pelo verdadeiro Dave Seville, Ross Bagdasarian, Sr., os Chipmunks nada mais eram do que vozes adulteradas. Com o sucesso da fofa canção de Natal “The Chipmunk Song”, eles viraram desenho animado, revistas e até uma série de filmes. Ah, e Alvin foi o precursor do Bart Simpson way of life, devemos dizer:

Steel Dragon (Rockstar)
Hit: “We All Die Young”

O filme que é quase uma cinebiografia disfarçada de Ripper Owens, o vocalista de banda cover que substituiu Rob Halford no Judas Priest. Sua trilha tem sons da banda fictícia Steel Dragon, formada por um supergrupo do metal: Jason Bonham na bateria, Jeff Pilson no baixo e Zakk Wylde na guitarra!

The Archies (Archie)
Hit: “Sugar Sugar”

Aqui eles não fizeram tanto sucesso, mas nos EUA, as revistinhas do Archie são quase como a nossa Turma da Mônica. E foi a versão animada do The Archies que lançou o hit “Sugar Sugar”, que chegou até a ser tema de novela aqui no Brasil:

Josie and The Pussycats (Josie and The Pussycats)
Hit: “Josie and The Pussycats”

O trio de garotas roqueiras fez muito sucesso com seu desenho da Hanna Barbera lá nos anos 60. O filme baseado no desenho também merece uma menção: fala sobre a indústria da música, mensagens subliminares e conta com Kay Hanley, da banda Letters to Cleo, como a voz de Josie nas músicas.

The Oneders (The Wonders)
Hit: “That Thing You Do!”

Esse aqui é sem dúvidas o maior hit de uma banda que só existiu nos filmes. “That Thing You Do” fez muito sucesso e toca até hoje em rádios, festas, baladas e tudo que é lugar. Pois é, o filme sobre uma banda one hit wonder quebrou a quarta parede e criou um one hit wonder de verdade!

Lógico que faltaram MILHÕES de bandas ficcionais dignas de nota. Para suprir essa falta, uma pequena homenagem às melhores e piores bandas, cantores, músicos e artistas que já passaram pela telinha e telona:

Contém:

01 The Lone Rangers (Airheads)
02 Dewey Cox (Walk Hard: The Dewey Cox Story)
03 Spinal Tap (This is Spinal Tap)
04 The Pinheads (Back to the Future)
05 Weird Sisters (Harry Potter and the Goblet of Fire)
06 Max Frost + the Troopers (Wild In the Streets)
07 The Blues Brothers (The Blues Brothers)
08 The Soggy Bottom Boys (O Brother, Where Art Thou?)
09 The Swanky Modes (Tapeheads)
10 Marvin Berry + the Starlighters (Back to the Future)
11 Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
12 The Wonders (That Thing You Do!)
13 The Folksmen (A Mighty Wind)
14 The New Main Street Singers (A Mighty Wind)
15 Mitch & Mickey (A Mighty Wind)
16 Three Times One Minus One (Run, Ronnie, Run)
17 2GE+HER (2GE+HER: The Original Movie)
18 Diva Plavalaguna (The Fifth Element)
19 Laura Charles (The Last Dragon)
20 Cassandra and Crucial Taunt (Wayne’s World)
21 Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Movie)
22 Josie & The Pussycats (Josie & The Pussycats)
23 Wyld Stallyns (Bill & Ted’s Excellent Adventure/Bogus Journey)

 

Garimpo Sonoro #2 – Quer ver música? Aqui estão 4 canais musicais no Youtube!

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The Defibulators

Ainda sobrevivo no Crush em Hi-Fi pela terceira semana seguida! Ou este é o maior sucesso deste site ou seu editor-chefe apenas está com dó desse que vos escreve. Foda-se o que seja, aqui vamos nós.

Depois das músicas eruditas, sem palavras, do post anterior, agora sugiro alguns lugares para ver e ouvir músicas. Quatro canais do Youtube que já foi fonte de muita descoberta boa por aí. Eu poderia citar mais, mas vou guardar para um post futuro… não sei até quando minha criatividade durará (se é que ela existe!).

1) Tiny Desk Concert
Bob Boilen empresta sua área de trabalho para chamar músicos a tocarem no meio da redação da Rádio NPR. O resultado é uma curadoria primorosa junto de um clima intimista (salvo algumas exceções). Eis dois exemplo:

Laura Marling, que vocês ainda me verão falar dela mais vezes. Que voz. Que música. Que mulher!

Gogol Bordello, que levaram toda sua energia volátil (alcóolica, entenderam?!) para o local, com Eugene Hütz andando pelas mesas.

2) Music Fog
Este canal é mais voltado pro country e americana, mas às vezes pipocam umas coisas mais amplas, como essa aqui:

Lake Street Dive, esse foi o primeiro vídeo que vi dessa banda e, que som! A Rachael Price é um show a parte, admito. Que voz. Que música. Que mulher!

Ray Bonneville, o climão dessa música vale o play. É a trilha sonora de um filme completo. Gosto de músicas assim.

3) KEXP
A rádio de Seattle montou um canal BEM foda, com várias mini apresentações, além de outros registros. A curadoria passa desde bandas nem tão famosas até hypadas, com Florence and the zzzz.

Charles Bradley, com um primeiro encontro como esse, impossível não se apaixonar por ele de primeira.

Meschiya Lake, “born and raised” em New Orleans, ela faz o bom e velho jazz. Se já não teve, um dia você terá um momento em que músicas assim te salvarão.

4) Live and Breathing
A descrição é clara: “Capturando performances intimistas por músicos em uma única e pessoal configuração.

The Defibulators, diversão hillbilly garantida! Sem mais.

Buffalo Killers, aqui não há muito intimismo, apesar do local claustrofóbico. Stoner rock classudo.

Tem alguma dica de canal? Manda pra nóe!

Garimpo Sonoro #0 – Começando do zero com Tony Joe White

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Tony Joe White

Eis que um belo dia sou convidado a “colunar” neste recinto. Simultaneamente ao convite que soava como uma convocação, também recebo uma carta branca: poderia escrever sobre o que eu quisesse.

De bate-pronto, o mesmo pensamento de Tom Zé que abre seu “Tropicalista Lenta Luta” me vem a mente: “Liberdade, quanto menos melhor”. Escrever é falar sobre inúmeros assuntos, mas quando se começa do zero, que assuntos começamos?!

Pois cá estou, ouvindo uma lista particular que serve como um acervo das indicações (As “Melhores Descobertas” das “Descobertas da Semana” que o Spotify me entrega às segunda-feiras – Spotify, podemos negociar um e$quema, ok?), enquanto penso no que começar a falar.

Tony Joe White“Who You Gonna Hoodoo Now”. Essa é a música que tocava aqui. Tony Joe White cruzou nas minhas trilhas sonoras em pelo menos três momentos:

A primeira vez foi em uma ótima compilação em vinil que me deparei. Chamada “Country Funk – 1969-1975”, é uma coletânea com várias faixas que fazem um country que flerta com um gingado diferente… Um country com um leve toque de R&B e suas nuances ritmicas e dinâmicas. Tony participa com a ótima “Studspider”.

2) A segunda vez foi através de Dave Grohl e seu documentário “Sonic Highways”. No terceiro episódio, sobre Nashville, Grohl conversa com Tony e mostra um pouco da sua biografia.

Tony Joe White

 

Assista o episódio aqui: http://screeningroom.roswellfilms.com/video/126744406

3) A terceira vez foi, bom, foi onde comecei a falar dele: o Spotify percebeu minha predileção à música de Tony e acertadamente me sugeriu em sua indicação semanal.

Tony Joe White possui uma voz grave, levemente rouca, mas temperada com um estilo meio blues que às vezes remete à John Lee Hooker, mas numa versão mais hillbilly.

Olhe só, acho que descobri do que gosto de falar mesmo quando não há muita coisa a ser dita. Vivo garimpando novos sons (novos para mim, que podem ser da semana ou do século passado) e posso usar desse hobby para preencher a lacuna períodica dada a mim neste lugar.

É isso, falarei sobre meus garimpos sonoros!

Alguma dica de som bacanudo que você acha que eu vou gostar? Manda pra mim!

Quer saber o que estou ouvindo? Me segue lá: https://open.spotify.com/user/12120567216