Audiometria: Achei fácil dar uma chance ao Jota Quest em “De Volta Ao Planeta” (1998)

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Jota Quest De Volta Ao Planeta

Xingar o Jota Quest é fácil, extremamente fácil. Mesmo antes da internet dividir tudo em um Fla x Flu em todo e qualquer assunto, já era “cool” falar mal da banda mineira, que apesar de fazer um enorme sucesso no mundo pop, sempre foi vista com desdém pelos “roqueiros” e os “apreciadores da boa música”. Porque será? A resposta é simples: o Jota Quest é pop até o caroço, e isso incomoda até quem gosta do estilo de som funk/soul que eles têm como base para suas músicas. Além disso, temos o fator Rogério Flausino, que sempre recebe duras críticas à sua performance vocal. Mas será que é tão ruim assim?

Na Audiometria de hoje, vou ouvir um disco do Jota Quest para desvendar se toda essa enxurrada de críticas e piadinhas se justifica. Afinal, já ouvi de mais de um amigo meu que trabalha com música frases como “O Jota Quest é legal, se você ouvir sem preconceito” e muitos elogios à cozinha da banda, com PJ no baixo e Paulinho Fonseca na bateria. Escolhi ouvir e analisar “De Volta Ao Planeta”, de 1998, segundo disco do grupo, simplesmente porque gostei da capa com alusão ao filme “O Planeta dos Macacos” antes mesmo de qualquer remake chegar aos cinemas. Bom, vamos lá… Play.

A primeira faixa dá nome ao disco e começa com um clima meio Red Hot Chili Peppers de ser, o que faz sentido, já que as duas bandas usam a mistura de funk e rock em sua fórmula. Porém, os mineiros jogam uns “na na na na” e deixam tudo mais pop que uma lata de Coca Cola sendo aberta. A letra politizada mistura algo meio “Todos Estão Surdos” com a revolta brazuca de sempre. É, a cozinha realmente é melhor que de muito restaurante gourmet por aí, e apesar do pouco alcance vocal do Flausino, não dá pra dizer que o rapaz não se esforça em empolgação.

A segunda faixa é “Sempre Assim”, que continua a festança funky pop. Não vou negar que gosto dessa música desde os anos 90 e dei uma reboladinha na cadeira. A letra é meio bobinha e dentro que se espera de uma banda de pop rock e tem o sempre irritante “everybody say yeah/everybody say wow”, que só funciona em show, mesmo, mas ainda assim que acho bem bacaninha. Você mesmo que xinga o Jota Quest: duvido ouvir essa sem ao menos bater o pezinho no ritmo. Du-vi-do. Não sei de onde as pessoas tiram que o que é pop necessariamente é algo ruim. Se atinge tanta gente com tanto sucesso, algo de bom deve ter ali, não? Sei lá. Enfim, vamos para a próxima.

Sabe uma coisa que me irrita, agora que começou “Tudo É Você”? O Jota Quest tem um bom baterista e mesmo assim investia (pelo menos nesse disco) na mesma batidinha repetida em loop em muitas de suas músicas. É meio um reflexo dos anos 90, que aquela levadinha de bateria de “You Learn” da Alanis Morrissette era usada em umas 50 músicas. Cansa, né.

Acho que não preciso comentar muito sobre “Fácil”, né? A música é o que qualquer um espera de um som pop e a própria letra brinca com a simplicidade que uma canção dessas precisa ter. Só agora fui prestar atenção na linha de baixo do PJ, bem trabalhada e construindo uma cama para toda a estrutura do negócio. Extremamente fácil, mas também extremamente eficaz.

Esse tecladinho no começo de “35” chega a ser engraçado de tão datado que é. Ela dá um quê de “He-Man” do Trem da Alegria para a música, que seria bem mais bacana sem esse noventismo. As guitarrinhas funky do Marco Túlio funcionam bem, mesmo com a letra bobinha de Heleno Loyola. Se tirasse o tal do teclado, essa poderia ser a minha preferida do disco (Desculpa, Márcio Buzelin, nada pessoal). Por enquanto continuo na dúvida entre as duas primeiras. Vamos em frente.

“Qualquer Dia Desses” é uma versão para “One Of Those Days”, do Marvin Gaye. Como não dá pra melhorar Marvin Gaye, vamos dizer que é uma versão respeitosa e bem noventista. O baixão comendo solto com pedal é bem bacana, e o coral na hora do refrão ficou bem bacana. Nada que chegue perto da original, mas acho que a própria banda sabe que não dá pra fazer algo que chegue próximo de Marvin Gaye, né?

“Tão Bem” (versão do hit de Lulu Santos) chega com a intro mais noventista de todas, mas cara… Se eu disser que esse comecinho me lembra algo que o Gorillaz poderia ter feito, vocês vão me crucificar? Bom, aí entra o Flausino fazendo um semi-rap e dá uma estragada, porque o instrumental tá bem bacana, acho que é o melhor do disco até agora. Gostei muito. Só achei estranho jogar duas covers assim, na sequência… Normalmente povo dá uma espalhada, né, mineirada?

“Nega da Hora” é bem funkão pesado oitentista com uma guitarrinha safada à la Chili Peppers e o baixão comendo solto. Mark Ronson ficaria orgulhoso dessa, inclusive, viu. Desculpem os odiadores do Jota Quest, mas essa aqui funcionaria muito bem no meio de uma discotecagem com Daft Punk e Nile Rodgers. Uma das melhores, na minha opinião, até agora. Ah, e adorei o teclado dessa na mesma medida que detestei em “35”. A quebra instrumental antes do final da música mostra bem a competência da banda no funk.

Mais um hit: “O Vento” é bem mais soul que todo o resto do disco junto, numa pegada meio Hyldon ou Cassiano. Lógico que a voz do Flausino não chega nem perto da dos dois, mas até que funciona aqui (tem até um agudinho tímido lá no meio). O arranjo de cordas ficou bem bonito junto com o piano do Buzelin. Aliás, uma música só com voz, piano e cordas chegar ao topo das paradas de sucesso é algo muito legal. Tá, os haters vão dizer que é “brega”, “cafona” e tal, mas… Fazer o quê, né? Haters gonna hate, como diria Taylor Swift.

Fechando o disco com um bom instrumental, “Loucas Tardes de Domingo” traz metais e backing vocals e um pouco de slap de baixo pra trazer um outro lado do funk para o álbum. Não gruda tanto na cabeça quanto várias outras que passaram, mas é interessante.

Ouvindo o disco com atenção, fiquei ainda mais encucado quanto ao extremo ódio das pessoas pelo Jota Quest e sua obra. Será pelo trabalho ser o mais pop possível? Talvez seja a voz de Flausino? As letras simples, básicas e extremamente fáceis? O comercial da Fanta? A amizade com Aécio Neves? Não sei. Só sei que me diverti mais do que esperava ouvindo “De Volta Ao Planeta”, lembrei que adoro “Sempre Assim” e ainda ganhei uma nova música preferida da banda mineira, “Nega da Hora”. Ou seja: saldo positivo pra mim. Que os odiadores continuem odiando, já que gostam tanto de fazer isso…

Audiometria: o que andará fazendo Rebecca Black, cantora do hit torto “Friday”, de 2011?

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Rebecca Black

Audiometria, por João Pedro Ramos

Em 2011 você com certeza ouviu o inesperado e bizarro hit “Friday”, cantado pela adolescente Rebecca Black. Escrito e produzido por Clarence Jey e Patrice Wilson, foi a estreia de Black no mundo da música, com uma letra infantiloide, voz desafinada, instrumental pop generico e capenga e o acompanhamento de um clipe que ficou para a história do Youtube por seu fator trash. Em 2011 o clipe alcançou a marca de video com mais “dislikes” no Youtube, mas todo esse ódio foi o que transformou a vida da jovem. Afinal, se o negócio era tão ruim assim, estava pronto para virar meme! Deu no que deu: a música tocou pra cacete, ganhou versões cantadas por Jimmy Fallon, Richard Cheese, Todd Rundgren, Justin Bieber e o elenco de Glee, a moça apareceu no clipe de ˜T.G.I.F.” da Katy Perry… Mas por onde anda Rebecca Black pós-“Friday”?

No Audiometria de hoje decidi ir atrás da obra da californiana. Procurei por um álbum pra ouvir, mas como a moça é da nova geração, como Jonathan, ela lança apenas singles. Afinal, discos estão muito ultrapassados, e além disso acho que ninguém suportaria mais de 5 minutos de algo como “Friday”. Mas não vou me precipitar, afinal, não sei nada sobre o resto da obra de Rebecca.

Em 2011 mesmo saiu “Person Of Interest”, onde a voz da garota está BEM melhor. Sim, eu usei Caps Lock, mas é uma diferença enorme depois de “Friday”. Até a música e sua guitarrinha funkeada funcionam. Tá, não é nenhuma obra-prima, mas pensando que essa é a sucessora da música mais “descurtida” do Youtube, está ótimo!

Em 2012, Rebecca lançaria “Sing It”, que começa com uns “woo-ooo” que mostram que essa é uma música com a pegada Avril Lavigne de ser. Sim, essa música passaria por uma da canadense facilmente. Pop rock com palminhas, letra bobinha (lógico que não é o tati-bitate de “Friday”, mas é bem simples). Funciona, até.

“In Your Words”, do mesmo ano, é bem noventista e devo dizer que é a melhor até agora… Balada com violão, a voz dela novamente BEM melhor e uma composição que poderia facilmente tocar nas rádios FM se tivesse a indústria da música apoiando. Sério. Sim, também parece um pouco com Avril Lavigne com um pouca de inspiração de cantoras noventistas como Sheryl Crow, Meredith Brooks e etc, mas funciona bem. Essa aqui funciona de verdade.

Obviamente tivemos um som chamado “Saturday”. A parceria com Dave Days saiu em 2013 e parece muito mais com algo da Ke$ha na época. A voz da moça está bem melhor, não sei se por treinamento ou pelo exagero de autotune. A letra continua bobinha, mas claro que nada tão ruim quanto “Friday”. No clipe, aparecem imagens do que seria o dia seguinte à “Friday”, com o cliché de pessoas jogadas pela casa, aquela coisa meio American Pie de ser. Até que a ressaca de sexta termina e o sábado começa com uma nova balada que conta até com uma cover de Miley Cyrus. Ah, assim como ela não queria que a sexta-feira terminasse, na letra ela também não quer que o sábado chegue ao fim. Rebecca, pare de se apegar tanto aos dias!

E já que tivemos uma Miley Cyrus no clipe de “Saturday”, porque não gravar covers da loirinha filha de Billy Ray? Em 2013 Black começou a investir em covers pra mostrar que sabia cantar e tentar apagar a imagem de voz de taquara com autotune que “Friday” deixou. Ela gravou versões para “We Can’t Stop” e “Wrecking Ball”. Em 2016 finalmente tivemos uma nova música autoral de Rebecca: “The Great Divide” começa com um pianinho mezzo-Linkin Park, mezzo-Evanescence. A voz da californiana continua em evolução e nessa música está bem boa. Até aqueles agudões ela manda, não deixando nada a dever para Demi Lovato. Aliás, essa música lembra bastante o trabalho da ex-Disney. A mocinha que ama as sextas-feiras está evoluindo! Essa música ganhou um remix e o remix ganhou clipe:

Daí chegamos em “Scars To Your Beautiful”, que mostra que a cantora já está bem perto do que as cantoras pop estouradas na Billboard fazem. Sério, essa música podia ser facilmente algo da Ariana Grande, Selena Gomez e etc, desde a voz até o instrumental. A baladinha “Baby It’s Cold Outside”, dueto com Max Ehrich, também mostra que a menina do “Friday” ficou mesmo pra trás.

Este ano saiu o single “If We Were A Song” e em agosto tivemos “Foolish”, que lembra um pouco as obras de Major Lazer e o disco do Justin Bieber que todo mundo amou, “Purpose”. Como acontece com muitas cantoras pop, Black entrou na fase “sexy” e no clipe já está mais confiante, entrando na piscina de topless e etc. A música poderia muito bem ser um sucesso nas pistas de dança, tudo depende dos DJs tocarem…

Essa é a história musical de Rebecca Black. Eu sinceramente achei que ia ouvir mais coisas como “Friday”, mas aparentemente a moça tá cada vez mais crescendo musicalmente. Só falta ser reconhecida e fazer mais barulho por aí. Infelizmente, o povo só compartilha as coisas pra zoar, como foi com o primeiro clipe da moça… Enfim. Boa sorte para Rebecca Black e lembrem-se: amanhã é sexta-feira!

Audiometria: rebolando na cadeira involuntariamente com “Volume 10”, da Banda Calypso (ou com metade dele)

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Calypso

Audiometria, por João Pedro Ramos

Calypso – “Volume 10”
Lançamento: 2007
Duração: 58 min
Gravadora: Calypso Produções
Produção: Chimbinha

No Audiometria de hoje resolvi ir logo em uma banda que muita gente considera uma das piores coisas que o Brasil já produziu, normalmente por preconceito. Tá, você pode não gostar da banda Calypso, mas eu sinceramente não acho que o som dos paraenses é assim tão ruim como vocês dizem, apesar de conhecer apenas duas ou três músicas deles. Como nunca me aventurei a ouvir um álbum completo da ex-dupla Joelma e Chimbinha e companhia limitada, dei por mim que essa coluna me dava a oportunidade de realizar esse feito, finalmente.

Primeiramente, entrei no Spotify e percebi que lá temos apenas alguns álbuns da banda (que normalmente os diferenciava por “volumes”, até o momento foram 17, além das coletâneas, discos ao vivo e álbuns com outros nomes, como “Eternos Namorados”, que hoje não faz tanto sentido). Dando uma vasculhada, decidi que ouviria o Volume 10, por alguns motivos:

– Ele têm uma música que eu já conheço, “Acelerou”, abrindo;
– Pô, é o volume 10, e 10 é um número meio cabalístico, certo?

Fones no ouvido, vamos dar o play e começar com “Acelerou”.

Já começa com os metais que se fossem do Los Hermanos metade dos haters acharia lindo. A guitarra suingada de Chimbinha comendo solta, a linha de baixo fazendo a cama, Joelma mandando seus vigorosos gritos… Cara, não dá pra eu falar que achei essa música ruim. Será que agora que o arrocha não é mais vista com olhos tortos o Calypso pode ser curtido sem preconceito? Aliás, essa música foi cantada por Herbert Vianna e os Paralamas no Estúdio Mtv Coca Cola que juntou as duas bandas! Contagem de gritos de “Calypso”: 1.

Quase um ska, essa intro de “Apareça Meu Amor”, hein? Aliás, se você pensar bem, essa música caberia perfeitamente em um disco dos já citados Paralamas. Até a métrica dos versos tem a ver. Só no refrão que o negócio perde a cadência Paralâmica. Dançante, essa aqui. Dá pra rebolar na cadeira ouvindo. E tem uns mini solinhos metálicos de Chimbinha, mostrando porque os ‘zoeiros’ já clamaram que ele tocasse no Angra. Contagem de gritos de “Calypso”: 2.

“Mais Uma Chance” começa com uma batidinha eletrônica meio Linkin Park, aí entra a guitarra sertaneja dos anos 90, talvez pra já introduzir o convidado Leonardo na canção. Mas a partir dos 30 segundos o som acelera e vira a velha guitarrada Calypso de sempre. O diálogo entre Joelma e Leonardo antes dele cantar, aliás, é tão natural quanto um refrigerante Schin. Aliás, a voz de Leonardo é muito adocicada pra esse tipo de música, eu achei. Quando a Joelma canta junto, até dá um caldo bacana…

Agora vem “Gamei”, com um belo jogo de metais e um refrão grudento com muitos “ah ah ah aaaah”. As músicas são, sim, parecidas entre si, mas… Alguns discos dos Ramones têm o mesmo problema e a gente não fica xingando, certo? Contagem de gritos de “Calypso”: 3

O começo de “Estou A Fim” (sic) tem um “papararapa” que me lembrou Ray Conniff. A guitarra de Chimbinha chega pegando fogo no suíngue paraense. O refrão é bem bacana, mas leva a duplos sentidos com o começo com “Mas por dentro / Tá doendo”. Aliás, vendo essa música friamente, ela poderia ganhar uma versão power metal bem fácil! É só mudar o ritmo que tá prontinha.

O título dessa é um show à parte: “Se Não Quer, Tem Quem Quer”. PLAU! Um tapa na cara. Pode-se fazer um paralelo pra quem xingava a banda. Enquanto os “roquistas” ficavam xingando, o Calypso lotava todos seus shows. Tá, a letra não fala de nada disso: é outra canção de amor desfeito e treta de casal. Aquela velha dor de cotovelo que até o CPM 22 usou muitas vezes.

Olha a guitarrinha Dire Straits de “Não, Não Vá”! Mark Knopfer ficaria feliz com essa, hein. Aliás, novamente temos que falar dos metais. Todo mundo só liga Calypso à guitarra de Chimbinha e à voz de Joelma, mas os metais são quase uma assinatura da banda, permeando todas as músicas e pontuando os versos. Muito legal. E a quebradinha pré-refrão de “Não, não, não, não vá” é sensacional. Tô gostando do disco do Calypso ou é impressão minha? Eita. Não esperava isso.

“Nessa Balada” tem um ritmo mais latino que as outras. Duvido que você consiga ouvir essa sem dar uma dançadinha na cadeira. Du-vi-do. O refrão não é dos mais criativos, mas lembra um pouco o samba-reggae dos anos 80 e 90. Ah, contagem de gritos de “Calypso”: 4.

Por falar em axé, “Chiclete Com Calypso” tem a participação do ex-líder do Chiclete com Banana Bell Marques. E ao contrário de Leonardo, a participação dele casa perfeitamente com o ritmo do Calypso, nessa que é uma das melhores músicas do disco. Como essa não foi hit nas rádios? Poxa, o refrão chegou e me deu uma decepcionou. Aliás, o pré-refrão, “dig dig iê, dig dig iô”, porque o refrão mesmo, que fala “Chiclete e Calypsoooo” é bem melhor. Bell Marques até dá uma encarnada no Jorge Ben Jor em alguns versos. Bem legal!

“Louca Sedução” tem os populares tecladinhos tão famosos no brega, mas tem palminhas, e eu adoro palminhas, então acabou me pegando pelo pescoço. E o guturalzinho da Joelma em “Vem me AMAAAAAAR / Me dar prazer” é divertido. E tem uma ponte com o tecladinho fazendo algo meio A-ha que é bem divertida, aliás. Contagem dos gritos de “Calypso”: 5

O nome da próxima música me chamou a atenção: “Amor Bandoleiro”. Acho que a última vez que ouvi a palavra “bandoleiro” foi em algum filme dublado da Sessão da Tarde. Começa meio Beto Barbosa, com os metais comendo solto, numa vibe meio lambada. Pelo que Joelma diz, amor bandoleiro acaba machucando, então evitem. Contagem dos gritos de “Calypso”: 6

O baixão lá no alto anuncia “Deixa Acontecer”, que não deve ser confundida com aquela do “na-tu-ralmente”. Por falar nisso, vamos reafirmar aqui que a cozinha do Calypso é muito boa, trazendo toda a cama pra Chimbinha cair matando. Esse refrão é bem legal, aliás. Com as backings participando e tudo. Contagem dos gritos de “Calypso”: 7

Opa, mudamos de ritmo: “Objeto de Desejo” é mais lenta e pronta pra arrochar de rostinho colado. Começa com a frase clichê “Eu não quero mais você” e conta a triste história de Joelma e um relacionamento com um cara casado que não tinha avisado desse porém. Reginaldo Rossi ficaria orgulhoso. A guitarrinha meio “Wasting Love” do Chimbinha é digna de nota.

Eita, colaram outra balada na sequência. Essa combinaria bem mais com o Leonardo, deviam ter chamado pra participar dessa, “Parecemos Tão Iguais”. Não sei se conto essa como grito de “Calypso”, pois como é uma balada, a Joelma fala como locutora de rádio Alpha FM: “banda… Calypso!” Bom, vamos contar, vai. Contagem dos gritos (esse baixinho) de “Calypso”: 8

Ué, outra balada? OK, aparentemente o Calypso prefere começar com as músicas aceleradas e fazer algo meio Lado A – dançantes Lado B – baladas. “Prá Não Morrer de Amor” é a mais melosa até agora, com uma letra em que a moça se declama e fica pedindo para que o rapaz permita que o amor seja possível. Lembra os piores momentos do Roupa Nova. Até o tecladinho, a métrica, bem Sullivan e Massadas, sabe?

Estamos quase no fim, com “Eclipse Total”, que tem nome de canção da Bonnie Tyler mas é só mais uma baladinha com a intro de uma guitarra meio espanhola, mostrando a versatilidade do pequeno Chimba. Tem uma batidinha eletrônica meio noventista, mas o teclado joga tudo lá pros anos 80. Infelizmente, a música não fala sobre um eclipse total que traz terror à população ou algo assim, e sim de saudades e solidão.

Pra compensar a solidão da penúltima faixa, fechamos com “Auto Estima”! A música começa com o baixão pegando pesado, e novamente é uma balada, reafirmando minha teoria do Lado A/Lado B do Calypso. Gravaram pensando no álbum em vinil? Algumas bandas independentes podiam pensar nisso, é uma ótima ideia… Enfim. chegamos ao fim com Joelma recuperando sua auto-estima (urgentemente). Infelizmente o refrão deixa o negócio meio com cara de gospel, no pior sentido que a palavra pode ter.

No fim, o disco começou muito bem com “Acelerou”, que gruda na cabeça e tem o aval de já ter sido cantada por Herbert Vianna, e vai bem até a metade. Quando chegam as baladinhas, dá uma caída… Acho que se elas estivessem mais espaçadas, quem sabe o álbum não descesse melhor. No mais, parem de ser tão preconceituosos: Calypso tem sim algumas músicas bem legais e bem construídas, especialmente quando são aquelas cheias de suíngue. Não reprima seus quadris, preste mais atenção à guitarra do Chimbinha e deixa acontecer. Naturalmente.

Audiometria – A coletânea poliglota “Seleção de Ouro” (1998) da Gretchen

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Gretchen – “Seleção de Ouro”
Lançamento: 1998
Duração: 68min
Gravadora: EMI Music

Audiometria, por João Pedro Ramos

Já que dona Maria Odete Brito de Miranda Marques, mais conhecida como Gretchen, está na boca do povo desde que Katy Perry a convidou para participar do clipe de “Swish Swish”, resolvi que era a hora perfeita para fazer uma edição da coluna Audiometria ouvindo um disco completo da rainha do bumbum brasileira.

Fucei e no Spotify temos apenas dois discos: “Me Deixa Louca”, de 2001, e “Seleção de Ouro”, uma coletânea lançada em 1998. Como eu estou afim de ouvir o fino da bossa da rebolatriz, vamos de coletânea mesmo. De cabo a rabo (sem trocadilhos)!

Começamos com “Dance With Me”, uma pérola disco com um belo baixo e metais, como era lei na disco music. Porém, o instrumental é permeado por gemidos da moçoila, em uma letra simples pedindo para que você a acompanhe na dança. E, oras bolas, essas músicas disco normalmente eram feitas pra dançar mesmo, então pra que uma letra existencial? “Dance With Me” é muito bacana e apesar da produção que deixa a faixa meio abafada, é uma bela música disco.

Acho que não preciso comentar sobre “Freak Le Boom Boom”, um dos maiores clássicos da Discoteca do Chacrinha e um hit que varreu o Brasil nos anos 80. Seu pai já dançou, sua tia já dançou, você já dançou. É chicletuda, tem a latinidade não-brasileira que Mister Sam colocou na Gretchen (pra atingir mais público, veja bem!). O pianinho do começo é quase um pastiche de “I Will Survive”. Tente ouvir e não cantarolar o refrão. A versão da coletânea tem até uma guitarrinha solando a la Carlos Santana pro final!

Em seguida a coletânea nos oferece “Melô do Xique Xique”, que eu achei que não conhecia, mas ela começa igualzinha ao clássico “Je Suis La Femme”, pelo jeito… Novamente, mistura espanhol, francês, inglês… Outra canção poliglota de nossa querida Gretchen Essa tem uma guitarrinha caribenha mezzo axé mezzo Coração Melão. Meus parabéns à quem pensou em misturar Chiquita Bacana com “Je T’Aime Moi Non Plus”!

Nossa, o comecinho de “You And Me” tem um pianinho bem noventista. Me pareceu até algo dos Backstreet Boys fazendo balada. É bem diferente das outras. Em inglês, começa com a frase mais repetida por Gretchen: “You and me”. É uma balada com violão, romântica com “AU” no meio e “tchu tchu tchu” fazendo backing. Não é incrível, mas quem criou a coletânea soube encaixar bem essa, pra dar um respiro de tanta dança.

Agora sim, a já citada “Je Suis La Femme”, que ganhou o apelido “Melô do Piripiri” e é aquela latinidade dançante cheia de gemidão (precursora, hein, Gretchen? BEM antes do Whatsapp) e a letra “Je Suis La Femme” sendo repetida à exaustão. É um chiclete mental em francês com todas as frases conhecidas, “mon amour” e “merci beaucoup” à granel. Aliás, essa música é MUITO melhor que “Swish Swish”, na minha opinião.

“Me Gusta El Cha-Cha-Cha” é meio que uma continuação da faixa anterior, só que com o refrão falando sobre sua paixão pelo cha-cha-cha. Não tenho conhecimento suficiente para definir se a música pode ser considerada um cha-cha-cha, na verdade. Gostei bastante da linha de baixo da música, nunca tinha reparado.

Em “Quiero Ser Libre”, o bem-te-vi te dá as boas-vindas a uma faixa quase melancólica em espanhol. É o mais próximo de gótica e trevosa que Gretchen já esteve. Na real, parece um pouco com as baladinhas de momentos de reflexão de filme animado da Disney. É o equivalente Gretchen para “Let It Go”, quem sabe.

Quando li o título de “Sueño Tropical”, achei que seria novamente uma baladinha, mas é outro som dançante cheio de latinidade e a guitarrinha que o Calypso ama em mais uma letra em espanhol. Sim, a Gretchen canta muito mais em francês, espanhol e inglês que em português. Uma mulher do mundo!

Poxa, não dá pra negar que “Mambo Mambo Mambo” é a MESMA MÚSICA que “Freak Le Boom Boom”. Sério, é a mesma música, com algumas variações. Vou até pular, porque a próxima é “Conga Conga Conga”, que também é praticamente “Freak Le Boom Boom”, mas pelo menos virou hit e eu sei a letra. As percussões latinas do começo são muito divertidas. E o “ay ay ay” do começo, se não me engano, foi gritado pelo mentor da Gretchen, Mister Sam. Aliás, queridos leitores: se alguém quiser analisar a letra de “Conga Conga Conga” e verificar se existe algum sentido nas palavras em inglês jogadas que ela canta, me avise. Me pareceu bem desconexo.

Gretchen

Bom, estamos na metade do disco e os grandes hits já foram… Ou seja: estou entrando no obscuro mundo dos Lados B da Gretchen. Me acompanhem nesta aventura.

Estamos na faixa 11, “Y Te Amare”, e novamente somos presenteados por uma balada pra acalmar os ânimos depois de tanta conga na orelha. Essa é a primeira em que Gretchen não vocifera seus “AU” ou “AI” durante o som. Parece bastante aquelas músicas de tristeza que tocam durante os episódios de Jaspion, lembra? Ah, claro que é em espanhol, mas acho que você já tinha imaginado.

Eita! Começou “Give Me Your Love”, com uma voz de criança. Mais uma balada, com ares bem oitentistas na produção. A voz que canta não parece ser de Gretchen. Será que foi ela? Enfim. É meio padrão de balada anos 80. O baixão novamente lá em cima.

Vamos para a terceira balada seguida, “My Man Of Love”, mais oitentista que calça amarela fluorescente. Opa, peraí: surpreendentemente, no meio ela engata em um semi-ska meio chupado de Blondie, acreditem se quiserem!

Falta pouco. Apesar de já ter enjoado do disco, vou em frente, depois de beber uma água para encarar o resto do desafio.

“Le Bel Masque” volta o ritmo e os “AU” da Gretchen. Ei, peraí, ele começa com “Venha Nega Vá?” sendo cantado, como na música do É o Tchan? Não sei, mas me lembra bastante lambada e axé do começo dos anos 90. Como o disco não informa as datas de lançamento, chuto que tenha sido lançada nessa época. Ah, e não dá pra entender bulhufas do que está sendo cantado, mas desconfio que seja em francês.

Em seguida, temos 4 músicas com títulos que fazem parecer que a gente vai ouvir um disco infantil: “Love Is Love”, “Baby (Baby)”, “1,2,3 (One-Two-Three)”, “Cha Cha Cha Boom Boom” e “Do Bidu Dam Dam”. É brincadeira, bicho!

“Love Is Love” contém os gemidos de Gretchen desde o começo, com o pianinho safado tomando conta. A letra é aquela coisa “I Want You, I Need You, Baby, Te Quiero”. “Baby (Baby)” é praticamente uma música do RPM, com tecladinho comendo solto, “tchu tchu tchu” e uma Gretchen roqueira como nunca dantes ouvimos… Mas soltando seus gemidinhos aqui e acolá. Acho que foi minha preferida até agora, apesar dela seguir a letra “Baby, I love you, I need you” de todas as outras.

“1,2,3 (One-Two-Three)” emula uma country music caipirona e foge de tudo o que foi feito até agora. Não vou dizer que é incrível, mas só de fugir um pouco do que rolou já é um respiro. “Cha Cha Cha Boom Boom”, ao contrário do que eu imaginei, não é uma mistura de “Me Gusta El Cha Cha Cha” com “Freak Le Boom Boom”. Aliás, poderia muito bem ser, já que é praticamente a mesma música feita pela terceira vez. Até a voz do Mister Sam está lá, e a métrica da cantoria é a mesma…

“Do Bidu Dam Dam” começa com mais um gemidão da Gretchen antes mesmo da bateria entrar. A bateria é quase algo tirado do disco da Xuxa, e o refrão “Do Bidu Dam Dam” não faz ficar nem um pouco menos infantil.

Pra fechar uma boa coletânea, nada melhor que “Disco Show Medely” (acho que quiseram dizer Medley), que começa com Mister Sam dando aquela apresentada em seu inglês macarrônico. As palminhas comem soltas enquanto a música mistura todos os hits da moça, confirmando a semelhança entre as músicas.

Ufa. Chega. Me senti assistindo à Discoteca do Chacrinha por mais de uma hora, mas sem ninguém jogando bacalhaus e abacaxis por aí. Apesar de eu achar os hits cafonas “Freak Le Boom Boom”, “Conga Conga Conga” e “Je Suis La Femme” super divertidos para serem dançados lá depois da 8ª cerveja em um churrasco, ouvir um disco inteiro da Gretchen não é pra mim. De qualquer forma, fico feliz que ela tenha sido reconhecida internacionalmente. Espero que seus “AU” e “AY” apareçam em breve em alguma participação com Pitbull, Nicki Minaj e afins, e não só sua imagem rebolativa.

Audiometria – “As Aventuras de DJ L” (2004), o comeback musical explosivo de Latino

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Latino - As Aventuras de DJ L

Latino – “As Aventuras de DJ L – Festa no Apê”
Lançamento: 2004
Duração: 44 min
Gravadora: EMI
Produção: Dalmo Beloti, Latino e Fábio “FB” Mello

Audiometria, por João Pedro Ramos

A novíssima (e para alguns, torturante) coluna Audiometria fez muito sucesso em sua estreia, analisando e procurando o lado bom do disco de estreia da banda Restart. Pois bem: vou continuar me colocando à prova e ouvindo discos que muitos consideram um lixo musical buscando o que há de bom neles. Afinal, tudo tem um lado bom… Ou quase tudo, pelo menos.

Hoje, resolvi ouvir algo que é massacrado pela crítica intelectual, mas já foi um dos grandes sucessos entre o povo. É dia de ouvir “As Aventuras de DJ L”, o disco de “comeback” do Latino, que nos anos 90 fazia sucesso com seu funk charme em hits como “Me Leva” e conseguiu se reinventar com sucessos pop grudentos como “Festa No Apê”. Em 2004, era impossível escapar da versão em português para “Dragostea Din Tei”, que tomou um mundo com o grupo O-Zone e virou até meme (quando isso nem era chamado de meme). O sucesso do hit do Latino foi tão grande que o disco ganhou o subtítulo “Festa No Apê” pra alavancar as vendas. Deu certo: em 2005 “DJ L” foi Disco de Ouro, graças à venda de 50.000 cópias. Fones à postos e preparado para involuntariamente cantarolar alguns refrões chiclete de 2004, vamos à audição do disco.

Bom, começamos com a garrafa de champanhe abrindo, anunciando que hoje é festa no apartamento de Latino. Sinceramente, eu bato palmas para quem quer que tenha composto a versão, pois a letra gruda na cabeça até em momentos hilários como “Garçom, por favor venha aqui e sirva bem a visita”. Ah, a expressão “tá é bom” pra caber na métrica é algo de uma genialidade de gambiarra que eu tiro meu chapéu!  Aliás, a (não) rima de “libido no ar” com “fazendo orgia” é algo incrivelmente malandro, liricalmente falando. Sabe o que eu só reparei agora? Tem um violãozinho bem bacana que acompanha toda aquela massa de teclados, sintetizadores e baterias eletrônicas… mas é preciso se esforçar pra ouvi-lo. Preste atenção.

Bom, passou o grande hit do disco, passou a música que muitos dos que compraram o álbum colocaram no repeat e nem ouviram o resto da obra… É aqui que eu farei o que muitos não fizeram. Vamos à faixa número 2: “Umazinha” fez um certo sucesso, mas se você falar dela para qualquer pessoa hoje em dia, provavelmente receberá uma coçada de cabeça e um “não lembro”. Começa com o violãozinho e um autotune capenga. Aliás, o instrumental ~eletrônico~ é algo que remete aos discos caça-níqueis que foram lançados aos montes nos anos 90 e 2000, como “Discoteca do Quico”, por exemplo. A letra é um pouco mais séria nos versos, parecendo até um pouco com o trabalho da Luka (do hit “Tô Nem Aí”, composta também pelo Latino)… Até que chegamos no refrão. “Tchururá, tchururá, tchururá, away / Umazinha com você / Tchururá, tchururá, tchururá, away / Sem depois me arrepender”. Ponto alto da letra: “Mas meu corpo não tem um antivírus, baby / Pra te afastar”. OURO PURO.

[…]

OK, não consegui ouvir na sequência e este texto está sendo continuado três dias depois. Acho que esse é o grande problema da música pop criada pra estourar: os singles dão uma overdose de chiclete na cabeça. Se você ouve tudo na sequência, são 10 chicletes musicais pra grudar AO MESMO TEMPO no seu cérebro. É difícil, cara. Imagina a confusão mental.

Bem, vamos continuar com Latino e sua incursão pelo humor de duplo sentido com “Amor de Pizza”, um jogo de palavras com a velha máxima do “amor de pica, onde bate fica”. A genialidade é transformar em “amor de pizza, onde bate fixa” e conseguir uma censura livre na canção. O som é aquele velho tecnopop com resquícios dos anos 90 que o Latino usou nessa volta às paradas de sucesso no começo dos anos 2000, mas com toques árabes e o cantor dando aquela cantada gemida dos tempos de “Me Leva”. Pérola da vez: “Sou predador e um mundo chamado prazer”.

Eita, chegou a baladinha. Começa com o clássico “Porque você tá fazendo isso comigo?”. “O Troco” tem nome de música do Charlie Brown Jr, é um funk balada do começo dos anos 90 e, é claro, cita sexo animal, uma fixação do Latino, aparentemente. Perto das três que tocaram até agora, é bem esquecível.

Agora sim, na faixa 5, outro hitzão do Latino. “Renata Ingrata” conta com uma das melhores frases que já saíram da filosofia Latinesca: “Quem planta sacanagem colhe solidão”. Essa gruda na cabeça como chiclete Bubbaloo de banana. A letra é aquela velha história de dor de cotovelo, mas o que você esperava?

Pronto, chega uma guitarrinha e um “au au” pra anunciar que a próxima faixa é a versão Latineira para “Amante Profissional”, hit dos anos 80 do grupo Herva Doce. A canção sobre um michê cai como uma luva no disco do auto-intitulado DJ L. Bobinha, grudenta e sucesso sem dúvida. Só o rap (e chamar aquilo de rap é ofender o rap como um todo, então já peço desculpas) que Latino colocou no meio é completamente dispensável.

Calma, tá acabando. Não foi tão ruim assim. Latino ri e debocha no começo de “Tiro Onda”, que parece música do P.O. Box. Se não me engano, o Latino já escreveu música pro P.O. Box, então faz todo o sentido. Bem, essa música é bem sem graça, o único momento em que esbocei um sorriso foi quando ele usou a frase “esse seu papo cheio de guéri-guéri”. Quando o melhor momento de uma música é a frase com “guéri-guéri”, você sabe que a coisa tá feia.

C’mon, girl: chega aos fones de ouvido “Amiga Tati”, que começa soletrando T-A-T-I com todo carinho, mas na sequência já faz como fez com a pobre Renata e fala que a moça é falsa e cheia de caô. A faixa seguinte, “Obra de Arte” é mais uma baladinha, com uma guitarrinha distorcida e tudo. Esquecível, com letra romântica. Dessa vez, sem caô. É de amorzinho mesmo.

Latino

No Spotify o nome da faixa 10 é “Mulher Bebe”. Eu achei que seria sobre uma mulher que se alcooliza, não sei. Mas é “Mulher Bebê”, e tem aquele duplo sentido nojento com sexo oral e “mamar”. Sério. Ugh! Terminou mal. Nossa, de revirar o estômago essa. Porra, Latino! “Mama tudo, meu bebê” é foda. Mantenha o duplo sentido de “Amor de Pizza” que você se sai bem melhor.

No fim do disco tem dois remixes que eu sinceramente não dei atenção. O primeiro chama “Knife” e não tem nada a ver com o resto do álbum. É em inglês, a voz nem parece do Latino e parece um daqueles poperôs de 1996. Depois tem um remix de “Festa No Apê” que eu parei de ouvir e desisti definitivamente depois de quase um minuto só fazendo “tunts tunts tunts”.

Quero fechar falando um pouco sobre esta capa, horrenda, com uma das caricaturas mais bisonhas do planeta. Parece feita no Paint (quiçá no Paintbrush) por uma criança de 9 anos. O desenho sequer se parece com o Latino, algo que foi corrigido no disco seguinte, de capa igualmente escrota (porém com uma caricatura melhor), “As Novas Aventuras do DJ L”.

Bom, eu já falei que sou fã dos hits ganchudos do Latino, mas como álbum, “As Aventuras de DJ L” não se segura muito, pelo menos pra mim. As únicas que eu gostei foram os sucessos que estouraram por aí, especialmente o hino pop do começo dos anos 2000 “Festa no Apê”. O resto, mesmo as obrigatórias baladinhas, só enche linguiça. Se tivesse ainda alguma balada no nível de “Me Leva”, quem sabe…

Audiometria – Será que o disco “Restart” (2009), do Restart, é tão ruim assim?

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Restart - Restart

Restart – “Restart”
Lançamento: 22 de novembro de 2009
Gravação: Estúdio Artmix
Duração: 30:55
Gravadora: Independente
Produção: Guto Campos

Audiometria, por João Pedro Ramos

Esta coluna está sendo preparada há tempos. Anos, até. Eu nunca fui de fazer resenhas de discos, embora goste de ler este tipo de texto. Não gosto de falar que a obra de outra pessoa é ruim simplesmente porque eu não gosto. Afinal, gosto é algo muito pessoal, certo? Tem tanta gente que detesta as bandas que eu adoro e tem tanta banda que eu acho tão sem graça e o público em geral considera genial…

Mas foi daí que me veio um estalo: já que eu sempre tentei achar o lado bom das músicas, porque não ouvir discos que são constantemente xingados, algo como um crash test dummie musical, tentando ver se aquele álbum realmente não tem nada de bom mesmo? Pois bem, me dispus a colocar os fones e tentar fazer essa empreitada.

Para começar, fui atrás do disco que gerou uma horda de fãs e junto com eles um tsunami de piadinhas: “Restart”, o disco de 2009 que fez o quarteto Restart estourar. E sabem que, 10 anos depois, eu nem acho os moleques tão ruins? Antes mesmo de ouvir o disco, já fiquei meio nostálgico, e talvez você também se sinta assim: lembra quando a molecada curtia muito esse pop rock em que os ídolos seguravam instrumentos musicais? Na época, como “roquista”, eu zombava muito dos meninos do happy rock, mas hoje em sinto que muitas bandas que podem ter surgido desde então podem ter começado inspirados no baixo feliz do Pe Lanza. Mas isso é divagação.

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Já tinha pensado em ouvir esse álbum para esta coluna algumas vezes, mas desistia no meio do caminho. Bom, é hoje. Chega de enrolar: vamos à “Restart”. No Spotify descobri que este trabalho tem até uma versão em espanhol, vejam só.

Bom, começamos com um dos maiores hits do quarteto colorido, “Recomeçar”. Sabe que eu acabei gostando dessa música? É um hardcorezinho com um teclado dispensável, com letra bobinha e refrão mega grudento. E devo dizer que a voz adolescente de Pe Lanza casa direitinho com o que eles propõe. A quebra de bateria no estilo pop punk lá pelo meio da música não é muito bem sucedida. A ideia aparentemente era emular um Blink-182, mas a volta é meio perdida. Tenho a impressão que esta música vai ficar grudada na minha cabeça até amanhã.

“Vou Cantar”. Chegou um violãozinho. Ecos de CPM 22 na letra. Ah, pronto, entrou a guitarra. Roquinho feliz… Bom, dá pra entender o rótulo “happy rock”. Entrou a voz de Pe Lu, o guitarrista e outro vocalista da banda. Essa realmente dá uma certa irritação, pois é mais “chorada”. “Talvez seja você que me completa e que me faz querer viver”, diz o refrão. Meloso como qualquer canção de amor adolescente. E tem o momento das palminhas, só com vocal a bateria, algo que Bon Jovi ficaria orgulhoso.

Confesso que deixei o disco tocando durante “Amanhecer No Teu Olhar” e “Sobre Eu e Você” e nem prestei atenção, e realmente fiquei com preguiça de voltar tudo de novo. Vou dizer que ficou tocando e não me incomodou. Acho que a segunda era uma baladinha, mas não tenho certeza. Vamos pra próxima.

“Levo Comigo” é o hit-balada do disco, e em 2010 tocava na Mtv todo dia umas 20 vezes. Infelizmente, ela começa com Pe Lu cantando, e a voz de Ursinho Carinhoso que ele faz é realmente difícil de engolir. Mas aí vem o refrão, com Pe Lanza berrando a plenos pulmões, e a música ganha ares de sucesso do Yahoo nos anos 80. Entrariam muito bem num Globo de Ouro da Globo. A letra dá uma certa vergonha, rimando “sentir” com “por ti”, mas novamente: é uma banda adolescente, o que você esperava?

A próxima, “Lembranças”, tem um sample moderninho meio fora do lugar, mas depois vira um roquinho animado com aquela velha letra de lembranças de amor adolescente. Dessa vez até a voz do Pe Lu funciona, e a bateria de Thomaz merece ser lembrada. Não, ele não faz nada extraordinário, mas toca direitinho que lhe é pedido, com viradas bem encaixadas. A faixa não gruda na cabeça. Não, não vou fazer nenhum trocadilho com “Lembranças”.

Ei, uma mudança, afinal. “O Meu Melhor” tem um ritmo mais quebrado, levado no violão, aquela coisa meio praiana. Novamente temos Pe Lu fazendo uma voz de fofuchinho, e isso dificulta em ouvir a música até o refrão, quando entra o sempre presente vocal de Pe Lanza com as velhas influências de hardcore melódico. Será que estou sendo chato de implicar com a voz do guitarrista? Afinal, estou tentando ver o lado bom do disco. Enfim, vamos pra próxima.

“Ao Teu Lado” é cantada por Pe Lu e Pe Lanza ao vivo e não é que dá certo? As vozes dos dois unidas ficam bem. Essa é curtinha. Depois veio “Final Feliz”, penúltima do disco, com um violãozinho praiano a la Jack Johnson e novamente a voz do Pe Lu que eu não quero voltar a comentar. A violinha é simpática e o baixo do menino Koba é interessante. Novamente, parei um pouco de prestar atenção na faixa “Bye Bye”, mas posso dizer que é meio que uma faixa criada especialmente para fechar o disco. Meio genérica das outras, sem tirar nem pôr, e termina com os vocalistas cantando “Bye Bye”. Cai o pano.

Acabei de descobrir que o projeto gráfico foi feito pelo guitarrista Koba, e realmente ele merece palmas. A capa é bem bacana com uma pegada talvez não-intencional meio The Clash. Além disso, é um disquinho independente com menos de meia hora de duração que ficou na 2º posição no Top 20 ABPD e vendeu mais de 100 mil cópias, sendo certificado com Disco de Platina, e isso é louvável. No fim, depois de quase 10 anos do lançamento do disco, dá pra dizer que todo aquele “ódio roquista” era coisa de… bom, de babaca, mesmo. Não, “Restart” não virou um disco que eu colocaria para ouvir em casa, mas acho que depois de ouvir o álbum todo, tô gostando ainda mais de “Recomeçar”. Eu não falei que essa música ia me grudar na minha cabeça?