Bike pisa fundo na psicodelia cheia de LSD em seu primeiro disco, “1943”

Bike

A psicodelia voltou com tudo e o Bike é uma das bandas brasileiras que mais sabe usar isso a seu favor. Com seu novo disco “1943”, o quarteto mostra que mantém o LSD correndo em suas veias musicais como se ainda estivéssemos nos anos 60. Masterizado por Rob Grant (responsável por trabalhos do Tame Impala e Pond), o álbum mostra perfeitamente toda a identidade do grupo e suas influências, que vão do Pink Floyd a Walter Franco, passando por Mutantes e Sonic Youth.

Formada por Julito Cavalcante, do Macaco Bong (guitarra e voz), Diego Xavier (guitarra e voz), Rafa Bulleto (baixo e voz) e Gustavo Athayde (bateria e voz), a banda agora está prestes a ser lançada no mercado estrangeiro pelo selo do produtor Danger Mouse, além de prometer o segundo disco para meados do segundo semestre de 2016.

Conversei com Julito sobre a carreira da banda, psicodelia, LSD, vida de banda independente e muito mais:

– Como o Bike começou a andar?

Fui baixista em todas as bandas que toquei até 2013, em algum momento tive vontade de compor na guitarra e cantar, fiz algumas músicas e oraganizei algumas coisas que tinha escrito durante um tempo e dai surgiram as músicas do BIKE, chamei o Diego (guitarra) pra ajudar na produção e depois o Gustavo (bateria) e o Rafa (baixo) entraram pra gravar o disco e dai nos tornamos uma banda.

– Se eu fosse chutar, diria que o nome da banda é uma referência à música de mesmo nome do Pink Floyd com o Syd Barrett. Acertei?

Eu sou super fã do Syd e o “Piper At The Gates of Dawn” do Pink Floyd é um dos meus discos favoritos, mas o nome da banda é uma referencia ao Dr. Albert Hoffmann, o criador do LSD, em seu diário ele diz que tomou uma grande dose de LSD e foi do seu laboratório até sua casa num passeio psicodélico de BIKE, e o nome do disco é uma referencia ao ano que ele sintetizou o LSD, em 1943.

– O que vocês acham desse retorno da música psicodélica? Porque vocês acham que esse tipo de som voltou a ser apreciado?

A psicodelia certamente foi a fase mais criativa e produtiva do rock’n’roll e me arrisco a dizer que até da música, ela é altamente livre e te leva a lugares que outras músicas não levam, ou nem chegam perto. Acho que a psicodelia nunca parou de ser apreciada mas teve um momento de pouca criação relacionada à ela, agora tem voltado com força e espero que continue assim, abrindo a cabeça das pessoas em relação a liberdade na música, regras são chatas demais e a psicodelia permite ser livre, leve e solto.

– Me falem um pouco do “1943”.

O disco surgiu de composições que comecei a fazer na guitarra somados a letras que eu tinha escrito durante alguns anos mas que nunca usei em nenhuma banda que tinha tocado, a maioria são histórias relacionadas a viagens com psicodélicos que tive durante um bom tempo, o Diego e eu gravamos uma pré do disco no meio de 2014 e lapidamos os arranjos até a gravação oficial que aconteceu em janeiro de 2015 já com o Rafa e o Gustavo fazendo parte da banda, mixamos o disco em fevereiro, em março o disco foi masterizado pelo Rob Grant no Poons Head Studio em Perth, Austrália. Em maio soltamos nosso primeiro single “Enigma do Dente Falso” e em junho o segundo “1943”, o álbum todo foi lançado em julho numa parceria com o selo Honey Bomb Records de Caxias do Sul, depois disso vieram os convites pra shows e estamos pedalando o máximo possível com o disco.

Bike

– Quais são suas principais influências musicais?

Desde pequeno ouvi muito os discos do meu pai, Grateful Dead, Pink Floyd, Creedance Clearwater Revival, John Lennon, Bob Dylan e isso ficou na minha cabeça por anos, são as minhas primeiras influências, depois fui consumido por Sonic Youth, Mudhoney, Nirvana e essas guitarradas que ficaram mais conhecidas nos anos 90, junto isso a artistas brasileiros como Walter Franco, Secos e Molhados, Jards Macalé e todo o pessoal da Tropicália, acho que tem um pouco de tudo isso refletido no som do BIKE.

– Vocês acreditam que o rock é mais reconhecido lá fora do que aqui?

Recentemente assinamos com um selo de NYC comandado pelo grande produtor Danger Mouse e com isso nosso disco será lançado fora do Brasil e está nos possibilitando a nossa primeira tour fora do país em 2016.

– Como é o processo de composição de vocês?

No “1943” todas as letras e músicas são minhas e o Diego ajudou muito na criação dos arranjos, entramos no estúdio nos transformando em uma banda mas com todas as músicas prontas, as novas composições tem sido feitas por todos e já estamos aprontando novas músicas pra um novo disco que deve ser lançado no segundo semestre de 2016.

– A cena do rock independente está em alta no Brasil? O que pode atrapalhar essa cena? Quais são as maiores vantagens e desvantagens de ser independente?

Acho que nunca esteve tão em alta, tem boas bandas surgindo em todas as regiões do país, tem novos selos a cada mês aparecendo e criando festas, festivais, lançando novas bandas e tudo isso colabora pro crescimento da música independente. A única coisa que pode atrapalhar é se as pessoas pararem de tocar, de criar bandas, de lançar suas músicas e fazer shows, acho que isso não vai acontecer, a tendência é que tudo se desenvolva como tem acontecido nos últimos anos. A vantagem de ser independente é ter controle sobre cada passo que a banda dá.

Bike

– Quais são os próximos passos do Bike?

Queremos tocar o máximo possível pelo Brasil antes da tour na gringa, nossa música “Enigma do Dente Falso” será lançada dia 18/12 no mundo todo através de uma coletânea da 30th Century Records, o selo do Danger Mouse, junto saíra o clipe e ano que vem saíra o disco todo lá fora.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

My Magical Glowing Lens, Catavento, Peaches and Cream, CHCL, Macaco Bong, Terno Rei, Soundscapes, Boogarins, Carne Doce, Supercordas, Hierofante Púrpura, La Carne, September Guests, Francisco, El Hombre, Aeromoças e Tenistas Russas, Mel Azul, Câmera, Sara Não Tem Nome, Water Rats, Figueroas, Red Mess


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *