Betto Serrador e A Orquestra Manouche apresentam caldeirão sonoro cheio de teatralidade sem fronteiras

Betto Serrador e A Orquestra Manouche apresentam caldeirão sonoro cheio de teatralidade sem fronteiras

14 de novembro de 2018 0 Por João Pedro Ramos

Após dois discos solo, o compositor carioca Betto Serrador resolveu se aventurar em outros mares e se uniu recentemente a um coletivo de 11 músicos chamado A Orquestra Manouche, dando origem a um álbum que traz muito mais diversidade musical, direções que vão do erudito ao pop e muito menos fronteiras.

Além de Betto (voz, piano, violão), a orquestra é composta por Christian Bizzotto (acordeão), Alessandro Jeremias (trompa), Tiago Viana (trompete), Adriano Garcia (trombone), Jonas Hocherman (tuba e trombone baixo), Márcio Loureiro (baixo elétrico), Cauê Nardi (guitarra e violão), Rick de La Torre (bateria), Ayran Nicodemo (violino) e Renata Athayde (violino). “Cada um vem de uma área bem específica da música”, conta Betto. “Tem arranjador, compositor, regente, professores, multi- instrumentistas de música experimental, músicos sinfônicos, outros mais populares. A Resultante é uma mescla de texturas que vai desde da música pop até arranjos camerísticos. Nosso show propõe surpresas sonoras a cada número”.

Com 11 faixas, o álbum passeia por uma gama de diversos estilos, indo do rock à MPB e passando pelo tropicalismo, contando até alguns toques de britpop aqui e acolá. Conversei com Betto sobre sua trajetória e o renascimento cigano com a Orquestra Manouche:

– Como você começou este projeto e como surgiu o nome?

O projeto surgiu através da formação de banda do meu primeiro disco autoral , o “Quintal Sentimental”, em fase de turnê. Na construção desse segundo disco começou a surgir a idéia de virarmos uma Orquestra. Daí o disco veio inaugurar a orquestra. Manouche significa cigano; ausência de fronteiras. E é este conceito que inspira a sonoridade da Orquestra Manouche: uma companhia de artistas performáticos, formada por onze músicos, compositores e arranjadores experientes, que tem como premissa o desenvolvimento de espetáculos inteiramente autorais e imagéticos, somando movimentação e performance à música. Cada músico vem de uma cidade diferente do Brasil e isso trás uma miscigenação sonora muito rica e ao mesmo tempo traz essa cara vira lata pra nossa música.

– Como essa gama tão ampla de pessoas com influências e sons diferentes influencia no resultado do trabalho?

Cada um vem de uma área bem específica da música. Tem arranjador, compositor, regente, professores, multi- instrumentistas de música experimental, músicos sinfônicos, outros mais populares. A Resultante é uma mescla de texturas que vai desde da música pop até arranjos camerísticos. Nosso show propõe surpresas sonoras a cada número.

– E como é o processo de composição?

No nosso show está presente também composições do “Quintal Sentimental”, um disco todo autoral com músicas minhas e no disco de lançamento d’A Orquestra Manouche são parcerias minhas com Christian Bizzotto. Temos também no disco duas parcerias com o compositor Leandro Maia. A banda tem começado a compor junto recentemente e já estamos pensando num próximo disco com composições mais coletivas. Uma das premissas que estamos tendo com nossas composições atuais é o dialogo com o nosso tempo. A idéia pode vir de qualquer lugar. De um acontecimento histórico, a necessidade de dizer algo que está sufocado. As vezes a música nasce toda pronta na cabeça e as vezes é um processo de muito trabalho artesanal mesmo.

– Me conta mais sobre estes discos que você já lançou.

O primeiro foi um musical com canções originais. São 30 canções, um disco duplo. “Zé com a Mão na Porta”. Um disco/ espetáculo que fala do universo masculino e dos medos do homem contemporâneo. O Segundo disco foi o “Quintal Sentimental”, meu primeiro disco como artista solo. Foi um mergulho nas composições guardadas nas gavetas desde a minha adolescência. E agora o terceiro disco “Betto Serrador – A Orquestra Manouche” vem inaugurar uma banda/orquestra. Um coletivo de artistas que tem esse desejo de fazer música autoral junto.

– Como o seu terceiro disco evoluiu a partir dos dois primeiros? Que permaneceu e o que ficou pra trás?

Acho que a gente vai se aprimorando ao longo do fazer artístico. Nossa auto exigência fica maior e auto crítica também. Mas artisticamente nada ficou pra trás. As músicas do musical são muito específicas para teatro então quem sabe até uma remontagem pode acontecer, mas não faz parte da Manouche. Mas no repertório do show da Orquestra, as músicas do Quintal Sentimental fazem parte do nosso roteiro.

– Quais as principais influências do som da banda?

Uma super mistura de influências. Desde compositores minimalistas como Yan Tiersen até poetas letristas como Chico Buarque. Amamos Beatles, Mutantes, Caetano. Adoramos também a instrumentação de violinos e metais do leste europeu como Taraf de Haidouks, o jazz manouche de Django Reinhardt e a música universal de Hermeto Pascoal. temos também como grande influência grandes artistas pops que transitam lindamente entre o popular e o erudito como Bjork, Paul e Sting. São grandes influências.

– Como você descreveria um show da banda?

Um show onde o cenário é o próprio imaginário do público que se cria através das letras e das texturas orquestrais. Um show muito visual com luz dirigida, roteiro amarrado e músicos performáticos em cena. Somos contadores de uma história que é narrada pela própria música.

– Como você vê a cena independente brasileira hoje em dia e o que você espera dela no futuro, com os recentes acontecimentos no país?

Vejo um movimento muito bonito de união dos artistas pela democracia e pelo bem da cultura. Acho que existe um certo individualismo no fazer artístico em geral quando se pensa em música independente. Poderia ser muito mais potente num geral. Algo me diz que no passado o movimento de se encontrar pra compor e para colocar o bloco na praça era maior. Acho que essa é uma das missões da Orquestra Manouche. Transitar e trocar.

– Quais os próximos planos da banda?

Temos um espetáculo musical pronto pra ser apresentado e estamos na busca de patrocínio e incentivo. Temos também nosso show somente musical. Ao mesmo tempo estamos trabalhando na audiência do novo disco e aprimorando nossa sonoridade. Um plano perene é sempre estar produzindo música nova e nos comunicando.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Leandro Maia, Baleia, Pietá, A Barca dos Corações Partidos, Fernanda Gonzaga, Julia Vargas, Daira Saboya, Grupo Cria, Ayran Nicodemo Trio, Layla Garin e a Roda, Quinteto Lorenzo Fernandez. Tanta coisa linda por aí…

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