Banda Vexame fez jus ao nome em show constrangedor no SESC Pompeia

Banda Vexame fez jus ao nome em show constrangedor no SESC Pompeia

19 de setembro de 2017 3 Por Hanilton Medeiros

Cultuada no início da década de 90, a banda Vexame, liderada por Marisa Orth, lotou o Teatro do SESC Pompeia nos dias 16 e 17 de setembro com o show intitulado “Visita Intima”. Conhecida por misturar repertório considerado brega com números de humor, a banda transformou o palco numa cela prisional, usando uma ótima caracterização através do cenário.

A apresentação e entrada da banda ao palco foram feitas anunciando “os crimes” cometidos por cada integrante/prisioneiro. O humor apresentado no show já demonstrou tom duvidoso logo na apresentação do baixista, acusado de ser um “ejaculador de transporte público”. Difícil ter que aplaudir a entrada de um músico com esse tipo de piada e com tantos casos de abusos no transporte público que são noticiados diariamente.

Musicalmente falando, a banda é sensacional, mesmo com o limite vocal de Marisa Orth. Resgatou sucessos já clássicos do seu repertório, como “Pare de Tomar a Pílula” de Odair José, “Ainda Queima a Esperança” da cantora Diana, e incluiu novos hits, como “50 Reais” hit sertanejo interpretado por Naiara Azevedo e em grande circulação por todo o país. O ponto alto do show foi a versão de “Siga Seu Rumo”, com forte apelo teatral e dramático.

O show teria sido ótimo se fosse focado apenas no lado musical, porém o tom de humor apresentado deixou muito a desejar. É inaceitável que em pleno 2017 fazer piadas com minorias seja a plataforma para arrancar algumas risadas constrangidas pela plateia. O baterista Carneiro Sândalo assumiu uma personagem transexual, dita como “confusa” e que deu margem para diversas piadas transfóbicas durante os intervalos das músicas.

O ponto mais vergonhoso foi quando, incentivado por Maralu Menezes, personagem de Marisa Orth, o cantor Carlos Pazetto dirigiu-se a plateia com o intuito de realizar um exorcismo e assim livrar um homem do “homem sexualismo” (termo dito por Marisa). O cantor escolheu um rapaz da plateia, esfregou a cara dele em seu pênis falso e volumoso  e de forma ridícula conduziu a cena. O ilustre “voluntário” se via fortemente constrangido, assim como boa parte da plateia se encontrava perplexa com tal cena.

Depois disso, não tinha mais como defender o humor mantido pela banda desde os anos 90 e que perdeu a oportunidade de se renovar. Durante os números teatrais, a impressão que deu é que fomos transportados para a década de 90, estávamos numa gravação do Sai de Baixo e que a qualquer minuto alguém gritaria “Cala a boca, Magda!” diante das atrocidades ditas pela cantora e seus companheiros de cela/banda.

Crédito fotos: Camila Cetrone.