Banda Vexame fez jus ao nome em show constrangedor no SESC Pompeia

Cultuada no início da década de 90, a banda Vexame, liderada por Marisa Orth, lotou o Teatro do SESC Pompeia nos dias 16 e 17 de setembro com o show intitulado “Visita Intima”. Conhecida por misturar repertório considerado brega com números de humor, a banda transformou o palco numa cela prisional, usando uma ótima caracterização através do cenário.

A apresentação e entrada da banda ao palco foram feitas anunciando “os crimes” cometidos por cada integrante/prisioneiro. O humor apresentado no show já demonstrou tom duvidoso logo na apresentação do baixista, acusado de ser um “ejaculador de transporte público”. Difícil ter que aplaudir a entrada de um músico com esse tipo de piada e com tantos casos de abusos no transporte público que são noticiados diariamente.

Musicalmente falando, a banda é sensacional, mesmo com o limite vocal de Marisa Orth. Resgatou sucessos já clássicos do seu repertório, como “Pare de Tomar a Pílula” de Odair José, “Ainda Queima a Esperança” da cantora Diana, e incluiu novos hits, como “50 Reais” hit sertanejo interpretado por Naiara Azevedo e em grande circulação por todo o país. O ponto alto do show foi a versão de “Siga Seu Rumo”, com forte apelo teatral e dramático.

O show teria sido ótimo se fosse focado apenas no lado musical, porém o tom de humor apresentado deixou muito a desejar. É inaceitável que em pleno 2017 fazer piadas com minorias seja a plataforma para arrancar algumas risadas constrangidas pela plateia. O baterista Carneiro Sândalo assumiu uma personagem transexual, dita como “confusa” e que deu margem para diversas piadas transfóbicas durante os intervalos das músicas.

O ponto mais vergonhoso foi quando, incentivado por Maralu Menezes, personagem de Marisa Orth, o cantor Carlos Pazetto dirigiu-se a plateia com o intuito de realizar um exorcismo e assim livrar um homem do “homem sexualismo” (termo dito por Marisa). O cantor escolheu um rapaz da plateia, esfregou a cara dele em seu pênis falso e volumoso  e de forma ridícula conduziu a cena. O ilustre “voluntário” se via fortemente constrangido, assim como boa parte da plateia se encontrava perplexa com tal cena.

Depois disso, não tinha mais como defender o humor mantido pela banda desde os anos 90 e que perdeu a oportunidade de se renovar. Durante os números teatrais, a impressão que deu é que fomos transportados para a década de 90, estávamos numa gravação do Sai de Baixo e que a qualquer minuto alguém gritaria “Cala a boca, Magda!” diante das atrocidades ditas pela cantora e seus companheiros de cela/banda.

Crédito fotos: Camila Cetrone.


3 thoughts on “Banda Vexame fez jus ao nome em show constrangedor no SESC Pompeia”

  1. Caro Hanilton
    Gasto aqui algumas poucas linhas, por ter me sentido constrangido com o teu texto, tanto quanto você se constrangeu com o show do qual faço parte. Sua leitura é enviezada. E seu texto um tanto errático. O que esperar de quem comete essa frase? “É muito inaceitável que em pleno 2017 fazer piadas com minorias seja a plataforma para arrancar algumas risadas constrangidas pela plateia.” Existe algo “pouco inaceitável”? Bem o adjetivo com o prefixo “Ina” foi exatamente criado para cortar um caminha. Mas seu raciocínio foi “muito inacabado.” Vejamos: “fazer piadas com minorias”não significa de forma alguma chancelar preconceitos. Está aí o Porta dos Fundos pra provar. Ao contrário (e isso foi tema recorrente dos nossos debates nos ensaios), as piadas podem ESCANCARAR o preconceito e ridiculariza-lo. É assim que a ignorância da “cura gay” é tratada pelo “personagem” Malcon Ewerson. Veja: ele se diz candidato à Presidência com Bolsonaro de vice. Mora em Miami e relata que “templo é dinheiro” e que “são pequenas igrejas e grandes negócios”. Há homofobia aí? Não. Há o simulacro do pastor perdulário e homofóbico. O “Sai de Baixo”, sucesso popular involuntariamente citado por você, para exaltar o “Cala Boca Magda” faz um bom liga-pontos. Durante anos o personagem Caco Antibes de Miguel Falabella foi patrulhado por esnobar os pobres. Ora: ele era o vilão! E era pobre. Falando de dólares e brioches no plexo de uma família paulistana pobre e decadente, Miguel desrecalcava de forma sádica o rico que tem preconceito com as domésticas. Aliás, todas as domésticas de Sai de Baixo era personagens fortes. Não acho que seu Blog tenha muita aderência, considerando que teve apenas um coment além do meu, que ecoa o que você disse. O coment certamente é de alguém que não foi ao show. Eu poderia me eximir de comentar aqui seu texto. Mas respeitei-o, pois ou você pagou o ingresso, ou foi convidado a assistir ao show ao lado de 500 pessoas (que certamente não te leram, tampouco a mim). Vi que você se auto chancela por um prêmio do MinC de 2012. Mas o mais legal é que você esteja de fato linkado ao movimento LGBT. O público e os fãs do Vexame são majoritariamente LGBT. Há 30 anos! E, pena, não estava lá. Por que a venda do SESC é focada na web e os ingressos em 15 minutos se esgotaram. Muitos queridos não estavam lá. Trans, gays, travestis, e tudo mais. Chulapa, nosso baixista, é negro e extremamente consciente. Fui generoso com você, gastando algum tempo pra que você compreenda que personagem não são seus protagonistas. Nelson Rodrigues foi a maior vítima dessa confusão primária. Resta apenas dizer ao solitário comentarista Robba Caravieri que “vergonha” é praticamente sinônimo de “Vexame, e que num certo sentido você nos elogiou. Abraço

    1. Sensacional! A você e ao grupo, o meu mais profundo respeito. Artistas de verdade. Sinceramente, o termo “minorias” ao meu ver, só está servindo para tornar o pobre, mais pobre, o preto, mais preto, o gay, mais gay, e as mulheres um ser fragilzinho. O ser humano, independente das suas preferências sexuais, é forte e capaz, mas não é isso que os cultuadores das “minorias” procuram mostrar e fazer com que a “maioria” enxergue.
      Um forte abraço, e o meu desejo de mais sucesso, para vocês!
      Luciane Novisk

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