Banda franco-germânica de garage rock Curlee Wurlee! prepara seu novo disco, “Birds and Bees”

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É fácil reconhecer o estilo único do Curlee Wurlee!: uma mistura de teclados sessentistas, som cru e garageiro e surf music com um vocal calcado nas cantoras francesas e Nancy Sinatra. Ouvindo o som do quarteto você se sente nos anos 60, em algum lugar da swingin’ London. A formação atual conta com Organella no órgão e vocais, Meatbike na bateria e backing vocals, Ralph on Fyre na guitarra e vocais e Nelson no baixo e backing vocals. “Minhas duas principais influências são o garage dos 60s e punk rock, mas também chanson francesa, devido à minha educação e família, early beat, jazz e indie pop”, explica a vocalista e cabeça da banda.

Aparecendo em mais de 10 compilações e com muitos singles na bagagem, a banda já lançou três discos (“Curlee Wurlee! Likes Milk”, de 2011, “Oui Oui”, de 2006, e “She’s a Pest”, de 2001) e prepara o quarto, “Birds and Bees”, para 2016. “Nós mal podemos esperar, uma vez que é provavelmente o melhor que já fizemos”, diz Organella. “Pelo menos é o melhor que eu já fiz com o Curlee Wurlee!”, confirma Ralph, membro mais novo da banda.

Conversei com Organella e Ralph sobre a história da banda, seu som peculiar e a vida de banda independente. Ah, e eles recomendaram diversas bandas que vale a pena ouvir:

– Como a banda começou?

Organella: A nossa primeira baixista e eu fomos a um show da banda Lulu’s Marble, formada por garotas japonesas. Eu estava sem banda no momento, e nós decidimos formar uma juntas. Éramos todas meninas com um baterista punk rock, e queríamos fazer alguma coisa neo-garage. Nós não tínhamos idéia que ia se tornar algo como o Curlee Wurlee! no fim.

– E como surgiu o nome Curlee Wurlee!?

Organella: Nós já tínhamos um show marcado cerca de duas semanas depois de nos conhecermos. Já tínhamos músicas, mas nenhum nome. Uma menina que conhecíamos apareceu porque queria tocar guitarra e cantar com a gente. Ela foi até o posto de gasolina para comprar um pouco de cerveja e viu uma barra de chocolate da Cadbury chamada “Curly Wurly”. Então nós apenas substituimos o “y” por dois “ee”, porque, obviamente, gostamos muito de Thee Headcoatees.

– Quais são suas principais influências musicais?

Organella: Do meu lado, minhas duas principais influências são garage dos 60s e punk rock, mas também chanson francesa, devido à minha educação e família, beat do começo, jazz e pop indie, também, eu acho. Eu também ouço a chamada “musique savante”, em outras palavras: música clássica. Nem sempre, mas às vezes.

Ralph: Eu curto todo o tipo de música que é bruto, selvagem, impulsionado por forças internas e que tenha uma visão antiga sobre como as coisas devem soar e viver. Claro, punk é o primeiro tipo de música que eu poderia me ligar, e ainda é. Quando você olha para trás, o punk estava sempre lá e eu gosto especialmente da sua presença na música dos anos 60. Mas no final, uma boa música é uma boa música – e uma nova idéia é uma idéia nova.

– As músicas da banda têm uma pegada “vintage”. O que vocês acham das músicas que têm sido lançadas hoje em dia?

Organella: Em primeiro lugar, acho que nunca tivemos como objetivo fazer uma música “vintage” quando criamos. Em relação à música de hoje, você está se referindo a garage, normal ou outra coisa? Há tantas músicas diferentes, o que é algo grande. Mainstream é um saco, basicamente: o mesmo que com a política – é tão fácil de manipular pessoas sem instrução. Você diz “consuma, é bom” e com o poder do marketing, vai continuar ouvindo a música em todos os lugares e, no final, vai acreditar que essa merda techno que você ouve é boa. É claro que eu não vou dizer que não existem coisas boas no meio do que está nas paradas, mas acho que isso não acontece muitas vezes. Eu preferiria ouvir mais música de países não-ocidentais, ou música que eu simplesmente não conheço ou não entendo – mas, obviamente, falta tempo. Garage ou punk rock podem ser muito chatos, aliás. Eu gosto de sons antigos e novos, desde que as composições de me toquem. Porém, tenho dificuldades com 100% de sons de computador: eu preciso da vibração de um instrumento analógico.

Ralph: Nos anos 90, achei que todas as coisas de crossover se transformaram em um “CrossOverkill”. Eu nunca esperaria que isso iria TÃO londe (mas eu sou um velho ranzinza e ainda não gosto de disco music).

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– Me falem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Organella: Bem, nós começamos muito rápido, então nós tivemos muitas formações diferentes durante todo o processo. Nós aparecemos em cerca de 20 compilações, no início, lançando… eu não sei, algo entre 5 a 10 singles, incluindo splits, e acabamos de gravar nosso quarto álbum. Ele chama “Birds and Bees”, um nome bobinho, e sairá em março de 2016. Um single sairá na sequência. Nós mal podemos esperar, uma vez que é provavelmente o melhor que já fizemos (risos).

Ralph: Sim, é o melhor pelo menos que eu já fiz com o Curlee Wurlee! (risos)

– Como é seu processo criativo?

Organella: Eu sempre fiz as músicas em casa, escrevi as harmonias e estruturas no papel, e trouxe o material quase pronto para a nossa sala de ensaios. É sempre difícil ter uma sessão a partir de nada. O nosso novo guitarrista Ralph também está trazendo canções quando nos encontramos: todos nós vivemos muito longe um do outro, de modo que não podemos nos encontrar sempre como as bandas “normais”. E eu não sei o que aconteceu, talvez a gente tenha conseguido se livrar da nossa timidez através de alguns excessos sobrenaturais, mas pela primeira vez este ano, conseguimos fazer espontaneamente músicas juntos, o que é uma coisa muito legal.

Ralph: É verdade. A criação de músicas juntos acontece muito espontaneamente nos últimos tempos e tem funcionado muito bem, então parece mais uma boa forma de abordagem criativa, fazer as coisas rápidas e sujas, mas BOAS!

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Organella: Oops, desculpe, eu não posso dizer. Eu vejo que os companheiros de banda que estão fazendo isso para viver têm que ser muito mais agressivos no que se refere ao salário dos músicos ou ofertas de gravadoras. Há muuuuuuuuuitas bandas, e todas elas querem o mesmo. É claro que, às vezes, uma banda pode ter sorte, mas nunca se deve definir o sucesso como um objetivo, uma vez que a coisa toda, então, termina em amargura e frustração. As grandes gravadoras são tão fortes, não há quase nenhuma chance de competir. No que se refere a nós, nem sequer nos vemos como uma banda independente, uma vez que nunca fizemos nenhu plano. Então, eu realmente não sei e falando francamente, eu estou contente que o sucesso nunca nos interessou. Nós estamos fazendo música, isso é tudo, e temos a sorte que as pessoas gostam de ver a gente tocar ou gravar discos de vez em quando.

– Onde você gostaria de ver a sua carreira em 10 anos?

Organella: Eu não sei. Muitas vezes eu duvido. E eu gosto de surpresas. Eu não me importo, desde que eu ainda possa escrever canções.

Ralph: O plano é: não há planos! Exceto continuar tentando dar o melhor para o bem da arte … e da comunidade!

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O anúncio da entrada do guitarrista Ralph

– Se você pudesse chamar qualquer músico para participar de uma música do Curlee Wurlee! quem seria?

Organella: Hey, nós tivemos cerca de 20 membros da banda até agora e estamos contentes que nos estabelecemos. Vamos agora começar a nos sentir relaxados, de modo que não precisa de ninguém para o momento, pleaaase 🙂 Mais uma vez, eu não sei dizer. Eu só posso dizer que Kim Shattuck ainda é a minha heroína … e Jackie do The Jackets.

Ralph: Eu sou novo na banda, mas eu sei que houve muitas grandes pessoas envolvidas e já temos alguns grandes músicos convidados… como o mestre do Dukes Of Hamburg original que contribuiu com percussões no novo álbum.

– Recomendem bandas que chamaram sua atenção ultimamente.

Organella: É claro que amo as bandas do meu selo Moody Monkey, como The Teamsters… (Claro, os jovem e espertos Teamsters de Londres!) com sua incrível habilidade de escrever canções maravilhosas com a lenda das batidas Bruce Brand na bateria. Sick Hyenas de Hamburgo, algo entre The Cramps e The Black Lips mas com sua própria assinatura. Hank Robot & The Ethnics (um projeto paralelo da incrível Powersolo) que são para mim uma mistura de Jello Biafra e Destruction Unit. The Maharajas de Estocolmo com Mathias Lilja do The Strollers no vocal. O som ultra garageiro dos Skeptics da França e The Youth de Copenhagen, que está na minha lista de melhores shows ao vivo dos últimos tempos: eu amo suas composições eficientes e sua energia. Tem também uma banda psych muito boa em Paris chamada Noctambulos e uma neo-garage impressionante chamada The Scumbugs em Oslo, eles tocam um órgão ótimo, aliás. The Jackets, da Suíça, definitivamente me pegaram ao vivo. Eu gosto muito do The Routes, The Baron Four (ex-Vicars) também, e eu curto muito muito The Pacifics, de Dublin, que estão tocando early beat juvenil e cru com surf e rock and roll, uma mistura de Beatles e The Barracudas. Frowning Clouds da Austrália têm sua própria identidade, e vocês sortudos e sortudas têm muitas bandas legais na América do Sul: nós curtimos muito Los Peyotes e Los Explosivos, só para citar duas. Autoramas são grandes amigos, também. Eu estou muito curiosa para ver The Ar-Kaics dos Estados Unidos, eles irão tocar no festival superlegal Garageville em Hamburgo ano que vem. Hmmmmm… por favor me pare, eu poderia falar sobre isso por horas. Conclusão: eu não estou nem um pouco interessada em bandas covers, mas em bandas criando sua própria “salad”. Sim, eu amo isso!

Ralph: Concordo e não tenho muito a adicionar. Especialmente The Youth, que me deixou de boca aberta depois de ver um show deles na Alemanha.


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