“Axé: Canto do Povo de um Lugar” (2017): o auge e a decadência do gênero que chegou a ser o mais popular no país

“Axé: Canto do Povo de um Lugar” (2017): o auge e a decadência do gênero que chegou a ser o mais popular no país

11 de abril de 2018 0 Por Rodrigo Reis e Bárbara Ribeiro

Direção: Chico Kertész
Duração: 1h54min
Ano: 2017

Foram pouco mais de duas décadas de sucesso. De suas origens afro no Carnaval da Bahia no final da década de 80 até o final da década de 2000, o axé dominou os meios de televisão e rádio. Mesmo para quem odeia o gênero, o longa é interessante para quem produz ou vive de música, ou mesmo tem curiosidade de saber como movimentos musicais não surgem da noite para o dia. “Axé: Canto do Povo de um Lugar” faz questionar essa curiosa trajetória: Por que o gênero fez tanto sucesso? Por que não se renovou? Essas perguntas e algumas respostas são entregues nesse curioso documentário.

Todos os cantores, produtores e empresários que tiveram importância nessa história dão seu depoimento. Há destaque para momentos como a explosão do Olodum (com destaque para o show com Paul Simon no Central Park e a gravação do clipe em Salvador com Michael Jackson), o “fenômeno” do É o Tchan e a carreira milionária de Ivete Sangalo, que em 2007 gravou o DVD mais vendido da história, seguido apenas pelo U2.

Sincero em seus momentos finais ao abordar o porquê da decadência: A exclusão dos cantores negros, a ganância dos produtores e empresários, a exploração até os limites e a falta de renovação e investimento no cenário, “Axé: Canto do Povo de um Lugar” mostra com eficiência que sim, de 1986 até 2010 (culminando na gravação de Ivete Sangalo no Madison Square Garden), o boom do axé music de fato existiu e o gênero mesmo cambaleante, está ai até hoje. Você pode até torcer o nariz, mas é inegável que ele fez parte da história da cultura popular do país.