Audiometria: Achei fácil dar uma chance ao Jota Quest em “De Volta Ao Planeta” (1998)

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Jota Quest De Volta Ao Planeta

Xingar o Jota Quest é fácil, extremamente fácil. Mesmo antes da internet dividir tudo em um Fla x Flu em todo e qualquer assunto, já era “cool” falar mal da banda mineira, que apesar de fazer um enorme sucesso no mundo pop, sempre foi vista com desdém pelos “roqueiros” e os “apreciadores da boa música”. Porque será? A resposta é simples: o Jota Quest é pop até o caroço, e isso incomoda até quem gosta do estilo de som funk/soul que eles têm como base para suas músicas. Além disso, temos o fator Rogério Flausino, que sempre recebe duras críticas à sua performance vocal. Mas será que é tão ruim assim?

Na Audiometria de hoje, vou ouvir um disco do Jota Quest para desvendar se toda essa enxurrada de críticas e piadinhas se justifica. Afinal, já ouvi de mais de um amigo meu que trabalha com música frases como “O Jota Quest é legal, se você ouvir sem preconceito” e muitos elogios à cozinha da banda, com PJ no baixo e Paulinho Fonseca na bateria. Escolhi ouvir e analisar “De Volta Ao Planeta”, de 1998, segundo disco do grupo, simplesmente porque gostei da capa com alusão ao filme “O Planeta dos Macacos” antes mesmo de qualquer remake chegar aos cinemas. Bom, vamos lá… Play.

A primeira faixa dá nome ao disco e começa com um clima meio Red Hot Chili Peppers de ser, o que faz sentido, já que as duas bandas usam a mistura de funk e rock em sua fórmula. Porém, os mineiros jogam uns “na na na na” e deixam tudo mais pop que uma lata de Coca Cola sendo aberta. A letra politizada mistura algo meio “Todos Estão Surdos” com a revolta brazuca de sempre. É, a cozinha realmente é melhor que de muito restaurante gourmet por aí, e apesar do pouco alcance vocal do Flausino, não dá pra dizer que o rapaz não se esforça em empolgação.

A segunda faixa é “Sempre Assim”, que continua a festança funky pop. Não vou negar que gosto dessa música desde os anos 90 e dei uma reboladinha na cadeira. A letra é meio bobinha e dentro que se espera de uma banda de pop rock e tem o sempre irritante “everybody say yeah/everybody say wow”, que só funciona em show, mesmo, mas ainda assim que acho bem bacaninha. Você mesmo que xinga o Jota Quest: duvido ouvir essa sem ao menos bater o pezinho no ritmo. Du-vi-do. Não sei de onde as pessoas tiram que o que é pop necessariamente é algo ruim. Se atinge tanta gente com tanto sucesso, algo de bom deve ter ali, não? Sei lá. Enfim, vamos para a próxima.

Sabe uma coisa que me irrita, agora que começou “Tudo É Você”? O Jota Quest tem um bom baterista e mesmo assim investia (pelo menos nesse disco) na mesma batidinha repetida em loop em muitas de suas músicas. É meio um reflexo dos anos 90, que aquela levadinha de bateria de “You Learn” da Alanis Morrissette era usada em umas 50 músicas. Cansa, né.

Acho que não preciso comentar muito sobre “Fácil”, né? A música é o que qualquer um espera de um som pop e a própria letra brinca com a simplicidade que uma canção dessas precisa ter. Só agora fui prestar atenção na linha de baixo do PJ, bem trabalhada e construindo uma cama para toda a estrutura do negócio. Extremamente fácil, mas também extremamente eficaz.

Esse tecladinho no começo de “35” chega a ser engraçado de tão datado que é. Ela dá um quê de “He-Man” do Trem da Alegria para a música, que seria bem mais bacana sem esse noventismo. As guitarrinhas funky do Marco Túlio funcionam bem, mesmo com a letra bobinha de Heleno Loyola. Se tirasse o tal do teclado, essa poderia ser a minha preferida do disco (Desculpa, Márcio Buzelin, nada pessoal). Por enquanto continuo na dúvida entre as duas primeiras. Vamos em frente.

“Qualquer Dia Desses” é uma versão para “One Of Those Days”, do Marvin Gaye. Como não dá pra melhorar Marvin Gaye, vamos dizer que é uma versão respeitosa e bem noventista. O baixão comendo solto com pedal é bem bacana, e o coral na hora do refrão ficou bem bacana. Nada que chegue perto da original, mas acho que a própria banda sabe que não dá pra fazer algo que chegue próximo de Marvin Gaye, né?

“Tão Bem” (versão do hit de Lulu Santos) chega com a intro mais noventista de todas, mas cara… Se eu disser que esse comecinho me lembra algo que o Gorillaz poderia ter feito, vocês vão me crucificar? Bom, aí entra o Flausino fazendo um semi-rap e dá uma estragada, porque o instrumental tá bem bacana, acho que é o melhor do disco até agora. Gostei muito. Só achei estranho jogar duas covers assim, na sequência… Normalmente povo dá uma espalhada, né, mineirada?

“Nega da Hora” é bem funkão pesado oitentista com uma guitarrinha safada à la Chili Peppers e o baixão comendo solto. Mark Ronson ficaria orgulhoso dessa, inclusive, viu. Desculpem os odiadores do Jota Quest, mas essa aqui funcionaria muito bem no meio de uma discotecagem com Daft Punk e Nile Rodgers. Uma das melhores, na minha opinião, até agora. Ah, e adorei o teclado dessa na mesma medida que detestei em “35”. A quebra instrumental antes do final da música mostra bem a competência da banda no funk.

Mais um hit: “O Vento” é bem mais soul que todo o resto do disco junto, numa pegada meio Hyldon ou Cassiano. Lógico que a voz do Flausino não chega nem perto da dos dois, mas até que funciona aqui (tem até um agudinho tímido lá no meio). O arranjo de cordas ficou bem bonito junto com o piano do Buzelin. Aliás, uma música só com voz, piano e cordas chegar ao topo das paradas de sucesso é algo muito legal. Tá, os haters vão dizer que é “brega”, “cafona” e tal, mas… Fazer o quê, né? Haters gonna hate, como diria Taylor Swift.

Fechando o disco com um bom instrumental, “Loucas Tardes de Domingo” traz metais e backing vocals e um pouco de slap de baixo pra trazer um outro lado do funk para o álbum. Não gruda tanto na cabeça quanto várias outras que passaram, mas é interessante.

Ouvindo o disco com atenção, fiquei ainda mais encucado quanto ao extremo ódio das pessoas pelo Jota Quest e sua obra. Será pelo trabalho ser o mais pop possível? Talvez seja a voz de Flausino? As letras simples, básicas e extremamente fáceis? O comercial da Fanta? A amizade com Aécio Neves? Não sei. Só sei que me diverti mais do que esperava ouvindo “De Volta Ao Planeta”, lembrei que adoro “Sempre Assim” e ainda ganhei uma nova música preferida da banda mineira, “Nega da Hora”. Ou seja: saldo positivo pra mim. Que os odiadores continuem odiando, já que gostam tanto de fazer isso…

Italianos do Miss Chain and the Broken Heels preparam novo disco com selvageria power pop

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Miss Chain and the Broken Heels
Miss Chain and the Broken Heels

Astrid Dante sempre teve um certo problema com salto alto, mas isso nunca impediu que ela fizesse rock’n’roll alto, selvagem e sem freios. A banda Miss Chain and the Broken Heels, da Itália, une rock sessentista, power pop e o mais puro rock and roll em seu som e começou como um projeto solo da vocalista e guitarrista, que após lançar o single “Common Shell” pela Jett Records em 2008 resolveu que valia a pena ter uma banda. Os convocados foram Disaster Silva (guitarra), Franz Barcella (baixo) e Miracle Johnny (bateria), os Broken Heels, que junto com ela criaram mais singles e o primeiro LP, “On a Bittersweet Ride”, lançado pela Sonic Jett e pela Burger Records. Em 2013 foi a vez do disco “The Dawn”, que reuniu singles e novas músicas criadas durante as diversas turnês da banda pela Europa, Estados Unidos e México.

Conversei com Astrid sobre a carreira da banda, os singles que lançaram recentemente, a cultura do disco e a profusão do streaming:

– Como a banda começou?
Tudo começou como projeto solo. Eu gravei um monte de músicas com Paolo Dondoli, um amigo e guru de Firenze. Depois de colocá-las no myspace.com, elas viralizaram e o selo Sonic Jett de Portland e RIJAPOV da Brescia decidiram lançá-las como um EP 7″ no final de 2007. Depois de alguns meses, comecei a pensar que seria legar ter uma banda para tocar e magicamente Franz entrou em contato comigo dizendo que ele e seu irmão Bruno queriam formar uma banda. Chamei o Silva como guitarrista e no verão de 2008 estávamos fazendo nossa primeira turnê americana.

– Como surgiu o nome de Miss Chain e os Broken Heels?
Como disse, o projeto começou comigo e Paolo. Quando chegou a hora de escolher um nome, descobrimos que teria sido legal fingir que havia uma banda real atrás, então “The Broken Heels” parecia bom. Escolhi porque não consigo usar sapatos de salto alto e literalmente os quebrei algumas vezes quando estava no palco.
Miss Chain era meu alter ego com a minha outra banda, The Nasties.

– Quais são as suas principais influências musicais?
Nós ouvimos muitos gêneros diferentes. Pérolas antigas e novos artistas. Atualmente, estou ouvindo em loop War On Drugs, Alabama Shakes, Ryan Adams, Dan Auerbach, Fabrizio De Andrè, Ennio Morricone, Vasco Rossi.

– Você acabou de lançar dois novos singles. Pode me contar mais sobre eles?
Um é “Uh Uh”, uma das minhas músicas favoritas, porque é rápida e cativante, e no lado B tem uma balada, “Standing the Night”, que eu escrevi depois de uma turnê na Espanha onde ouvimos muito dos álbuns de Bruce Springsteen. O outro é um single de Natal onde você terá a mente explodida por toneladas de guitarras de 12 cordas. No outro lado, há uma música do Shantih Shantih, a banda super legal que nossa amiga Anna Barattin (Vermillion Sands) começou depois de se mudar para Atlanta. Esse faz parte de uma série única da Wild Honey Records e existem poucas cópias disponíveis. Você não pode comprá-lo, mas você pode obtê-lo gratuitamente se solicitar qualquer um dos seus lançamentos.

Miss Chain and the Broken Heels

– Eu amei “On a Bittersweet Ride”. Como foi produzido esse LP?
Gravamos “On a Bittersweet Ride” em 2010 no Outside Inside Studio com o Matteo Bordin (do Mojomatics). Foi o nosso primeiro álbum e gravamos com muita diversão e entusiasmo. Lembro que tudo foi tranquilo e as gravações surgiram poderosas e frescas. As músicas estavam bem organizadas e tivemos muitos shows antes de entrar no estúdio, então chegamos muito bem preparados e prontos para o rock’n’roll!

– Vocês estão trabalhando em um novo álbum?
Estamos fazendo um forte trabalho para nosso próximo álbum e estamos muito entusiasmados com isso. Acabamos de sair da T.U.P. Studio e gravamos 4 músicas novas, mal podemos esperar para voltar e terminar o trabalho com mais 6 músicas! Temos um novo membro da banda trabalhando como produtor: Riccardo Zamboni. Ele nos trouxe para uma nova maneira de escrever e estruturar a música e está ajudando muito, já que não podemos ensaiar com muita frequência porque vivemos em diferentes partes da Itália.

– A cultura do álbum acabou? Você acha que estamos numa época em que os singles são mais importantes do que um álbum completo?
Bem, isso depende do gênero. Eu acho que o rock’n’roll, o punk, os fãs de garage rock sempre preferirão um álbum completo, em vez de singles e EPs. Nós adoramos álbuns, mas eu pessoalmente acho que os singles, hoje em dia, são uma ótima ferramenta promocional e seria bobo não entender isso e ficar preso no passado. Nós não queremos ser vintage ou retrô e, mesmo que nossa música possa ser influenciada ou inspirada por grandes artistas do passado, tentamos nos envolver com nossos fãs que estão vivendo e respirando em 2017 e não em 1967!

– Como você se sente sobre a cultura de streaming que tomou o mundo nos últimos anos?
Nós somos todos enormes vinilistas e colecionadores de cassetes, mas não negamos o uso de serviços de streaming tanto para ouvir quanto para distribuir nossa música. Adoro fazer playlists no Spotify! Claro que há aspectos bons e ruins, mas, no final, é algo com o que você precisa viver.

Miss Chain and the Broken Heels

– Quais são os próximos passos da banda?
Atualmente estamos gravando nosso novo álbum e tentando nos manter juntos, além de outros projetos musicais e nossos trabalhos. Não é fácil como costumava ser quando éramos mais jovens e muito mais livres, mas todos sentimos que a Miss Chain deve continuar! A paixão e a diversão que temos fazendo o que fazemos pagam o esforço. O próximo passo é planejar outra turnê mundial! América do Sul seria um sonho que se tornaria realidade!

– Recomende artistas e bandas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção ultimamente!
Bee Bee Sea e Freeze da Itália. J.C. Satan da França. E meu super favorito Doug Tuttle de Massachussets, Estados Unidos.

Construindo Bikini Hunters: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto Bikini Hunters. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Ramones“Now I Wanna Sniff Some Glue”
A Bikini só existe por causa dos Ramones! Em 2006 eu e o Vini (ex-baterista) éramos dois adolescentes doidos para montar uma banda com o som bem bubblegum, semelhante aos primeiros álbuns dos Ramones. Durante muito tempo da banda essa música esteve presente nos shows, por ser a música mais curta que o Ramones já compôs ela refletia um pouco da nossa ansiedade de tocar rápido e sermos diretos.

Carbona“Garopaba Go”
No início da banda o Carbona era nossa maior referência nacional, até mesmo por ser uma das poucas bandas de bubblegum nacional e fazer um som bem semelhante ao que almejávamos fazer. “Garopaba Go” foi a primeira música que tocamos juntos, então ela é fundamental nessa lista.

The Queers“It’s Cold Outside”
The Queers são os mestres do bubblegum e acabaram vindo fazer um show em Veranópolis (inacreditável, mas real). O Vini (ex-baterista), era super fã dos caras, mas estava morando nos EUA na época que ocorreu o show, então, ele voltou pro Brasil de horror e quase que nos obrigou a fazer uma versão português dessa música (eu sempre achei meio “brega” esse lance de traduzir músicas). No fim, ficou super melosa, mas bem divertida de tocar.

Nirvana“You Know You’re Right”
A Bikini teve algumas fases bem grunge, onde nós sempre buscávamos colocar nas músicas próprias algumas situações onde o baixo e a bateria segurassem a música e a guitarra ficasse apenas fazendo algumas frasezinhas bem colocadas. Acho que dá pra perceber um climão parecido com “You Know You’re Right” no meio da nossa canção “Tudo o Que Eu Queria”.

Velvet Revolver“Let It Roll”
Com a entrada do Gui (Guitarrista) na banda o som ia mudar com absoluta certeza. As referências dele são muito mais rock and roll do que a dos antigos integrantes, que tinham como base o punk rock e o grunge. Depois de alguns ensaios o Gui falou “o que vocês acham de tirarmos ‘Let It Roll’ do Velvet Revolver?”; eu me assustei (parecia algo muito longe do que vínhamos tocando), mas respondi que por conhecer muito pouco de Velvet queria dar uma ouvida no som. Quando ouvi, pirei na hora. A música tem a pegada punk do Duff com os riffs e solos geniais do Slash. Let It Roll certamente define um pouco do estilo de som que a Bikini pretende seguir daqui pra frente.

Ultramen“Tubararãozinho”
Esse foi o primeiro som que a Bikini tocou com a nova formação e, hoje em dia, é o cover que eu mais gosto de tocar nos shows. A ideia foi do Lipe (baixista) e, mesmo que inusitada, entrou na cabeça da banda toda logo na primeira vez que tocamos ela. O riff de guitarra – presente em praticamente toda música – é muito rock and roll, mas lá pro meio da canção rola muito groove e mesmo com tanta mistura a música consegue ser um pop acessível para todo tipo de público. 

Titãs “Vossa Excelência”
Outro cover que temos tocado em quase todos os shows e, infelizmente, tem uma letra que condiz muito com o momento atual do nosso país. O Kelvin (baterista) sempre comenta, com toda razão, que essa música é uma aula de como a simplicidade pode ser genial.

Tequila Baby“Sexo HC”
Essa música tem toda a sacanagem que tanto gostamos de colocar nas nossas músicas. Além disso, a influência da Tequila Baby na Bikini Hunters é inegável, pois mesmo que cada integrante da banda tenha suas influências próprias, a Tequila é unanimidade por ter sido uma das primeiras bandas que todos nós ouvimos. 

Rolling Stones“Honky Tonk Women”
Estávamos bebendo ceva há uns dias atrás enquanto esse som rolava e começamos a discutir qual a melhor música dos Stones. Não conseguimos entrar em um consenso, mas, ok, foi uma discussão besta, afinal, os Stones são demais em todos os acordes e nós amamos eles! 

Forgotten Boys “Blá Blá Blá”
Mesmo com algumas mudanças de formações, o Forgotten sempre foi uma das principais, ou talvez, A PRINCIPAL, influência da banda. Acho que pela primeira vez estamos perto de fazer um som semelhante, do nosso jeito, claro, mas com esse lance de riffs pesados e bem marcantes.

AC/DC“The Jack”
É blues, é rock, é sensualidade, é AC/DC! Esse som faz a nossa cabeça em todos os sentidos e a gente jamais vai negar que curte um striptease (risos).

Acústicos e Valvulados “Sarjeta”
“…Eu quero a sarjeta, eu quero a sacanagem…o porre e a ressaca….o foda-se ligado”. Essa letra é muito Bikini Hunters! Abrimos alguns shows com essa música e teve uma galera que veio perguntar se era uma música nova nossa; até gostaríamos que fosse, mas é cover da Acústicos, banda que, para nós, está no seu melhor momento (mesmo com 26 anos de estrada). 

Green Day“Basket Case”
Um tanto quanto clichê, mas necessário. Boa parte da minha postura no palco é influência do Billie Joe. Acho ele um dos maiores frontmans da história da música! 

Beatles“Helter Skelter”
Os Beatles ajudaram a construir qualquer banda de rock! Difícil foi escolher só uma música deles, mas como amamos distorções e sujeira, “Helter Skelter” é a escolha perfeita, uma música que foge um pouco de tudo que o Beatles criou.

Foo Fighters“Walk”
A última música que estávamos criando para o próximo disco começa com um dedilhado e no meio das composições alguém comentou “Pow, tá lembrando um pouco a vibe de “Walk” do Foo Fighters, daria até para fazer uns acordes parecidos com o que eles utilizaram na base”;​ em outro caso também lembro que já rolou o pitaco “Pow essa batera tá muito reta, faz algo meio na vibe do Taylor do Foo Fighters”. Enfim, mesmo que não sejamos os maiores fãs, o Foo Fighters nos inspira de alguma forma.

Guns’N’Roses“Attitude”
Eu não sou muito ligado no Guns, mas o resto da banda são todos fãzaços, então, como já fui bastante fã de Misfits, eis a combinação perfeita, Guns fazendo um cover fodástico de Misfits. 

TNT“Me Dá o Cigarro”
TNT é tão clássico que passa dos limites de influência musical para uma forma de comunicação informal, afinal, durante todas as pausas dos ensaios da Bikini alguém cantarola “…me dá o cigarro, me dá o fogo…” (obviamente, pedindo um cigarro ou isqueiro emprestado).

Slash“Doctor Alibi”
Uma noite saímos (levemente desnorteados) de uma festa e viemos aqui pra minha casa assistir incessantemente (sério, assistimos umas 10 vezes seguidas e mais algumas vezes aleatórias entre uma música e outra) uma apresentação ao vivo dessa música. Acho que todos sentimos que essa é a linha de som que estamos buscando. Não tem muita frescura e é genial mesmo assim! Também não tinha como não ser uma canção pra lá de fodástica estando envolvidos o maior guitarrista da história do rock e a maior lenda do rock de todos os tempos.

Sublime With Rome“Take It Or Leave It”
Esse som tá sempre no pen drive do meu carro, então, volta e meia carregando amplis, baterias, guitarras ou coisas do tipo ele toca e a gente comenta “Putz, Sublime é foda né!? Olha que vibe gostosinha, baixo groovezadozudozaço, alta energia boa”. Então, de uma forma ou de outra ele faz parte de banda. Quem sabe a gente não lance um reggaezinho ou ska no próximo disco!? (Humm… pensando bem, é difícil (risos)).

Erasmo Carlos “Fama de Mau”
No fim das contas somos bons jovens! Até estamos tocando esse Erasmão para mostrar que no fundo é tudo marra, essa coisa de rock descarado e tudo mais, é só pra manter a nossa fama de mau (ou talvez não)…

OZU traz para a cena paulistana o downbeat, vertente do trip hop em ascenção em Tóquio

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OZU
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Formada em 2015, a banda OZU resgata em seu som o trip hop inglês que tomou o mundo nos anos 90, trazendo à cena paulistana o downbeat, gênero que está em ascenção na cena musical de Tóquio. “Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio em que vários DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som”, contam.

O quinteto, formado por Felipe Pagliato (bateria), Kiko Cabral (picapes/teclado), Gustavo Santos (guitarra), João Amaral (baixo), Juliana (voz) e o DJ RTA, três vezes campeão nacional de Scratch Freestyle, lançou em agosto seu primeiro EP, “The DownBeat Sessions Vol. 01”, com quatro faixas que remetem à obra de grupos como Portishead e Goldfrapp. Ah, e The DownBeat Sessions Vol. 02″ já está em pré-produção. Confira a entrevista que fiz com Kiko:

– Como a banda começou?
A banda começa lá por 2015 quando eu \volto de Manaus e mando um e-mail pro Gustavo (guitarrista), já com intenções de reunir um pessoal pra tocar alguns beats que eu já vinha fazendo. Depois, conheci a Juliana (vocalista) quando trabalhamos juntos numa websérie e ficamos ensaiando lá em Cotia (nossa cidade natal) por um tempo nessa formação mesmo – teclado/programação, guitarra e voz. Quando a coisa já estava mais consolidada chamamos o Felipe (baterista) e o João (baixista) que já conhecia da faculdade e fizemos alguns shows com essa formação. No começo desse ano o Ronan (DJ) entrou na banda.

– O que significa OZU e como o nome surgiu?
Ozu vem do cineasta japonês Yasujiro Ozu, um cineasta que nos inspira muito na questão de ritmo/composição.

– Me fala mais desse último trabalho que vocês lançaram! Tá sendo elogiado pra caramba.

Resolvemos lançar esse vídeo para disponibilizar um material mais orgânico e ao vivo da banda. Como instrumentistas temos um passado e uma relação forte com o jazz e, por isso, quando tocamos ao vivo nos damos algumas liberdades em questão de dinâmica e arranjo o que, por motivos óbvios, soa bem diferente de um material gravado em estúdio. Quem assina á direção é Os Carcassone, com a produção de Breno Zaccaro e Andre Natali.

– Porque seguir o trip-hop? O que esse estilo diz pra vocês? Ou vocês definiriam a banda com outro estilo?
O trip-hop inglês é o começo de tudo e é o que o pessoal mais conhece e por isso é a primeira associação que fazem com o nosso som. Mas se procurarem saber sobre DJ Krush, Kemuri Productions ou os mais atuais Pretty Lights, Jhfly e Flughand vão ver que a nossa influencia apesar de ser sim bem forte no trip-hop inglês ela não acaba por ai.

– Me fala um pouco mais sobre esse downbeat que vocês falaram que tá rolando em Tóquio.
Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio que varios DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som.
OZU
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– Como vocês veem a cena independente brasileira hoje em dia?

Não sei se sou a pessoa certa pra responder essa pergunta. A OZU é o primeiro contato que eu tenho com a cena independente mas pelo pouco que vi percebi que existem uns heróis aí que com pouquíssimo retorno financeiro e praticamente nenhum apoio publico fazem um trabalho enorme pra coisa se movimentar e que se a gente não ficar ligado esses heróis não vão durar muito. É bom ficar ligado também que geralmente as mesmas cabeças que lutam pela cultura lutam também pelas mudanças e renovações da nossa sociedade. Se deixarmos esses cabeças desaparecerem, conservadores aparecem de uma forma oportunista e hipócrita e se apropriam do discurso de renovação, veja aí o prefeito de São Paulo.

– O mainstream ainda é necessário? As bandas ainda devem procurar alcançar o mainstream?
Depende do que você esta classificando como mainstream. Existe sim a necessidade da banda pertencer a um nicho que receba um mínimo de atenção e retorno financeiro pra que ela possa sobreviver.

– Qual o processo de composição da banda?
Eu faço os Beats, letras e linhas de voz e passo pra banda. Daí a gente toca elas algumas vezes e ajusta o que precisa..

OZU
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– Quais os próximos passos da banda?
A agenda de shows está bem movimentada mas temos mais dois clipes a caminho e o disco já está quase pronto.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Recentemente tocamos com um projeto chamado The Smell Of Dust. O som deles é incrível.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Aline Cortez, do BDG – Descubra Sua Música

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Aline Cortez
foto por Geraldo Magela

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Aline Cortez, do BDG – Descubra Sua Música“Eita tarefa difícil! Vou selecionar músicas que penso que representam bem o que eu gostaria de tornar mais conhecido ao grande público. Primeiro o rock independente nacional atual, o rock progressivo nacional dos anos 70 e um pouco do underground e mainstream dos nossos hermanos. Tem muita coisa boa aqui abaixo do Equador!” 

Picanha de Chernobill“Sol do Novo Mundo”
“A Picanha de Chernobill é uma banda gaúcha radicada em São Paulo há 5 anos. Quase todos os domingos estão embelezando o dia de quem passeia pela Paulista aberta e acabaram de ter a oportunidade muito merecida de se apresentarem no último Rock in Rio. O som da banda mistura blues rock, folk e música brasileira de raíz. Deixo aqui a faixa ‘Sol do Novo Mundo’, do disco ‘O Velho e o Bar’, segundo da banda, graciosamente executada com viola caipira.  Dica de programação pro domingo: Paulista aberta para curtir essa sonzera ao vivo. Tem todos os discos completos no BDG“.

Stolen Byrds“In My Head”
Conheci a Stolen Byrds (banda de Maringá, Paraná) quando os vi tocando no Breve no primeiro semestre desse ano. Pirei. Rock’n’roll de inspiração setentista, com elementos de stoner, blues, psicodelia. Sei que a palavra viceral já está batida, mas é ela que para mim descreve bem o som da banda. Original, viceral e intenso. Ao vivo então… Das melhores bandas que ouvi e vi nos últimos tempos. Linda, nacional e independente. “In My Head” é do disco “2019”, segundo da banda, lançado esse ano. Tem os discos completos no BDG também“.

Veludo“Veludeando”
“Os anos 70 no Brasil estão cheios de tesouros que não sei se sempre foram ocultos ou se foram esquecidos. Estou num processo de descoberta dessas jóias, e uma das que me chamou atenção e que penso que vale compartilhar é a banda Veludo. Progressivo setentoso tupiniquim cheio de encantos para os que apreciam teclas frenéticas como eu. ‘Veludeando’ é de uma gravação ao vivo de 1975. Não tem uma qualidade de áudio incrível, mas é um registro histórico valioso pra quem gosta do gênero”.

Elefante Guerrero Psíquico Ancestral“Entre Dos Mundos”
“Sou uma apaixonada pela América Latina, especialmente pela Argentina, e sou uma advogada da integração cultural e musical com nossos hermanos, o que me leva a essa banda do underground portenho.
A cena stoner argentina é bem rica, e Elefante Guerrero Psíquico Ancestral (com toda essa complicação de nome), do meu ponto de vista, é uma ótima representante do gênero. Vi os caras tocando com casa lotada em Buenos Aires e foi incrível. Espero que essa música desperte a curiosidade da galera não só para essa banda, mas para outros artistas de lá. ‘Entre Dos Mundos’ é do disco “El Camino del Guerrero”, de 2015″.

Cuarteto de Nos“Breve Descripción de Mi Persona”
“Sem sair da América Latina, vou dessa vez ao Uruguai, com o Cuarteto de Nos. A banda é a exceção mainstream dessa lista, porém ela só é conhecida de fato entre nossos vizinhos hispanófonos. Recentemente o Vespas Mandarinas fez uma versão de uma música deles (‘Ya No Sé Qué Hacer Conmigo’), mas de modo geral, o Brasil me parece que continua bastante alheio ao que é produzido aqui nos arredores. Os últimos cinco discos dessa banda são pérolas por completo, e considero o Roberto Musso, o vocalista, um dos melhores letristas que já vi.
‘Breve Descripción de Mi Persona’ é do disco ‘Bipolar’ de 2009″.

Três Pés Grandes e muito rock setentista são a esquisita receita da banda PPL MVR

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PPL MVR

Ao ver a figura de três caras gigantes vestidos de Yeti (ou Pé Grande) com instrumentos musicais, logo a gente imagina que teremos um som primal bizarro ou um projeto industrial ensurdecedor. Pois bem: apesar do baterista do PPL MVR usar baquetas em forma de ossos e a banda se comportar como verdadeiras criaturas da mata, o som remete ao hard rock dos anos 70, com muita criatividade. Ah, os vocais com pedal de talkbox dão um charme a mais.

Os PPL MVR—ou “The One and Only PPL MVR” são de Los Angeles e como muitas das bandas que usam fantasias, mantém suas reais identidades em segredo, dando seus nomes de criatura como SNWBLL, K-PO e Q e continuando em seus personagens durante suas divertidíssimas e bizarras entrevistas. Sério, é algo como o cruzamento entre uma entrevista com o Animal dos Muppets e o Chewbacca.

O nome PPL MVR significa “People Mover” e a banda já teve clipes promovidos pelo Funny Or Die, além de abrirem para bandas como Cake, The Black Keys, Jane’s Addiction

Não sabemos se o empresário da banda também é uma criatura mitológica (talvez a Nessie?), mas que faz um bom trabalho, com certeza faz: o trio já participou de festivais como o Sundance e o Festival Supreme do Tenacious D, de Jack Black, por exemplo. Ah, e eles são assinados pela Elektra Records, coisa que poucas bandas de não-Yetis podem se orgulhar de ter.

Ouça o som setentista e roqueirão do PPL MVR:

Bifannah faz tropicalismo atlântico com lisergia e fuzz no disco “Maresia”

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Cantando em português, espanhol e galego, a banda Bifannah faz um som que define como tropicalismo atlântico com lisergia e fuzz. Eu bem que tentei achar alguma outra definição para o que a banda faz, mas eles acertaram na mosca: uma mistura de psicodelia, Tropicália, stoner rock, garage e o fuzz sempre ativo. Então pra que eu complicaria algo que a própria banda já havia descomplicado?

Formada por Antía Figueiras (baixo, teclado e vocal), Guille V. Zapata (guitarra e vocal), Antón Martínez (bateria e percussão) e Pablo Valladares (guitarra), a banda surgiu no final de 2015, em algum lugar entre Barcelona, Londres e Galícia. Lançaram um EP auto-intitulado no mesmo ano e em 2017 veio “Maresia”, seu segundo trabalho, com uma dose ainda maior de influências sessentistas e setentistas no som e uma coesão maior entre as faixas.

– Como a banda começou?
Bifannah surgiu em 2015 quando Antía e Guillermo morávamos em Barcelona e Antón em Londres. Um ano mais tarde e depois de gravar nosso primeiro EP, também entra Pablo na banda. Anteriormente os 4 já estivemos em outras bandas, além de ser bons amigos.

– O que significa Bifannah?
A bifana é um prato típico português, uma sandes (sanduíche). Guillermo tirou cinco anos a estudar no Porto, e nesse período, temos uma lembrança, uma noite de festa que acabou com uma bifana a altas horas… O dia a seguir foi terrível, e o conceito de bifana ácida e perigosa foi engraçado, pelo que deu para a alteração do nome a “Bifannah”.

– Quais as suas principais influências musicais?
Há muita coisa que nos influencia: desde o movimento tropicalista, as bandas europeias dos anos 60 e as harmonías vocais da west coast até o afro-beat ou a psicodelia revivalista.

– Como você definiria o som da banda?
Não é fácil, mas podemos falar de pop, psicodelia e garage com reminiscências 60s e 70s.

bifannah

– A banda tem integrantes de diversas nacionalidades. Como isso se reflete no som?
Realmente todos somos de Vigo (Galiza), mas por exemplo Antía tem origens brasileiras e estamos a morar em diferentes cidades. Isso causa que quando nós combinar, ensinamos músicas e bandas novas uns aos outros.
Sempre tentamos investigar novos sons e isso afeta positivamente ao processo de criação.

– Como é seu processo de criação?
Desde o início trabalhamos a distância. Partimos de ideias de guitarra, baixo ou órgão que cada um trabalha individualmente na primeira fase. Depois já com a presença dos 4, partilhamos sensações e trabalhamos de forma muito intensiva para desenvolver e terminar a estrutura definitiva de cada canção.

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
Em 2016 lançamos 5 músicas no “Bifannah EP”. O primeiro trabalho que foi a porta de chegada para os primeiros concertos em Espanha e Portugal. Também foi a apresentação para trabalhar com o selo The John Colby Sect.
A finais de 2016 começamos com a criação do primeiro LP, que foi lançado finalmente em junho de 2017: “Maresia”. Um trabalho gravado na Galiza com Iban Pérez (Selvática, Pantis) e mixado pelo Jasper Geluk (Jacco Gardner, Altin Gün) na Holanda.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?
Hoje é muito mais fácil trabalhar uma cena independente e auto-sustentável pela difusão e possibilidades de Internet. Há muitos estilos a ser escutados e criados por muito pessoal que já também não têm paciência para escutar 10 músicas de uma banda só. Isso é complicado, mas acho que as bandas têm de procurar o seu próprio espaço, ter o seu próprio movimento a todos os níveis para não depender de ninguém mais do que a sua própria música e dos que gostam e partilham. Também acho que a cena independente atual, está a criar mais solidariedade entre bandas, do que nunca foi antes.

bifannah

– Quais os seus próximos passos?
Agora tudo vai ser apresentar “Maresia” em direto por Espanha, Portugal, Holanda e UK. Também já estamos a pensar em novas canções para um novo single, mas sempre tentando levar nossa música o mais longe – artística e físicamente – possível!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Dos últimos tempos gostamos de bandas como Fumaça Preta, Altin Gün, The Babe Rainbow, MØURA, Tess Parks, Mystic Braves, Bruxas

Construindo Geo: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Construindo Geo

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Geo, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Kimbra“Rescue Him”
A Kimbra é uma cantora neozelandesa que eu acompanho desde o primeiro álbum, mas esse último “The Golden Echo” tá ridículo de bom. Nos inspiramos bastante nos sintetizadores e arpeggios.

Sevdaliza“Hero”
Conheci a Sevdaliza uns dois anos atrás. Ela é israelense e além da voz e da experimentação que ela traz pra música pop, também me inspiro nela em alguns visuais e no palco também.

Roupa Nova“A Viagem”
Tanto eu quanto todo mundo que trabalhou na produção do EP é muito fã de Roupa Nova! (Risos) Nos inspiramos bastante nas harmonias de voz deles.

Sade“Cherish The Day”
Sade maravilhosa demais, a mulher perfeita. Essa track resume bem a vibe de balada que a gente quis trazer em uma faixa do EP em especial.

Tove Lo“True Disaster”
Eu fiquei viciada nesse álbum “Lady Wood” da Tove Lo o começo do ano inteirinho, gosto muito das letras mais ousadas e dessa influência dos anos 80 que ela trouxe nas baterias e nos synths.

Bishop Briggs“Dead Man’s Arms”
A Bishop Briggs é uma menina que eu acompanho desde o primeiro single! A voz dela tem uma potência fudida e ela mistura muito R&B e soul na levada pop/hip-hop que ela faz. Me influencia desde meu primeiro single.

Stromae“Ave Cesaria”
Sou MUITO fã do Stromae. Eu sempre acompanhei desde o “Alors On Danse”, mas fiquei mais fã ainda na época que morei na França. Eu amo muito esse último disco “Racine Carrée”, foi por causa dele que eu comecei a ter mais curiosidade sobre produção de música eletrônica e comecei a aprender o básico de DAW’s.

Rita Lee“Mania de Você”
A Rita Lee é minha maior inspiração feminina brasileira. Sobre essa música em especial, a harmonia e os arranjos são uma delícia. Nós fazemos até uma versão dela ao vivo!

Qinho“Fullgás”
Eu conheci o Qinho em 2015 ouvindo o álbum “Ímpar” e amei de cara. Ele é um carioca que já misturou vários estilos, mas que lançou esse último EP só de versões da Marina, trazendo esse revival dos anos 80 brasileiro que aparece um pouco no meu EP também.

Daft Punk“Face To Face”
Clássica demais essa track de 2001. Somos fãs demais de Daft Punk, especialmente o Guilherme (Mobilesuit) que produziu o EP todo.

FKA Twigs“Pendulum”
Formada na escola de Bjorkeiras, a FKA Twigs faz um som bem intimista e cheio de FX e modulagem de vozes, coisas que usamos no nosso som também.

Imagination“Just An Illusion”
Essa aqui inspirou muito pelos synths, especialmente os de baixo!

Black Atlass“Jewels”
Outro exemplo de pop alternativo, o Black Atlass é canadense que faz um R&B que também traz sintetizadores mais ácidos.

Kate Bush“Running Up That Hill”
A gente gosta da Kate Bush porque ela é doida. Além do 80’s, é uma inspiração feminina muito forte, até mesmo pro palco.

Lana Del Rey“Yayo”
Eu sou muito fã da Lana Del Rey e acho que ouvir o trabalho dela me deixou mais a vontade de explorar e testar meu próprio jeito de cantar. Trabalhar minha voz em notas mais graves e brincar com a garganta sem ter medo.

Radiohead“Everything In Its Right Place”
Radiohead é minha banda favorita, e é lógico que a gente traz muito das pessoas que a gente respeita no nosso som autoral. Essa track em especial eu escolhi pela bagunça e pelos timbres. Conversa muito com todas as faixas do EP.

MAI LAN“Pas D’amour”
A MAI LAN é uma cantora franco-vietnamita. Conheci ela esse ano por indicação de uns amigos franceses e ela inspirou muito uma vibe mais intimista e minimalista com essa música.

Blank Banshee“Sandclock”
Blank Banshee é um produtor canadense que explora muito a vibe do vaporwave. Foi uma grande inspiração pra toda a equipe de produção pela ambientação e pelos timbres que usam.

Trentemoller“Take Me Into Your Skin”
O Trentemoller é um produtor e multi-instrumentista dinamarquês. O som dele é chill, minimal, mas também traz muitas coisas de synthwave.  

Portishead“Roads”
Classiqueiras demais, Portishead inspirou muito pelo próprio trip-hop, pela voz mais arrastada da Beth Gibbons e toda a vibe downbeat.

Supervibe aposta em letras em português em seu psicodélico segundo EP, “Autóctone”

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Supervibe
Supervibe
O trio Supervibe surgiu na conturbada capital de nosso país, mas foge do rótulo “rock de Brasília” que se criou nos anos 80. O embrião da banda nasceu em 2013, quando Sand Lêycia (bateria) e João Ramalho (guitarra e vocal) se conheceram na faculdade e formaram um duo de garage rock. Em 2015, decidiram que era hora de reformular o projeto, incluindo, depois de muitas jams, o baixista Deivison Alves.
O power trio de Gama, cidade satélite de Brasília, acaba de lançar seu segundo EP, “Autóctone”, sucessor de “Clarão”, de 2015. Agora somente com letras em português, o novo trabalho conta com cinco faixas que mostram as influências diversas da banda, que vão de Jimi Hendrix a Warpaint, passando por Bruno Mars e The Doors, o que demonstra um pouco a diversidade musical que Brasília possui hoje em dia. “Hoje aqui tem banda de tudo quando jeito! Tem experimental, instrumental, neo-psicodélico ao psicodélico 70, folk, indie, shoegaze. Tá um caldeirão doido”, conta Sand.
– Como a banda começou?

João Ramalho (vocal e guitarra) e eu (bateria) nos conhecemos na faculdade, tínhamos e temos muita afinidade nas bandas. Na época, em 2013 éramos um duo, bem garage rock. Só em 2015, que decidimos reformular tudo, nome, som, idealizamos outra banda, e com essa nova proposta veio a necessidade de colocarmos um baixo porque nos show improvisamos bastante, rola jams, daí com o Deivison (baixo) conseguimos alcançar o que almejávamos.

– De onde surgiu o nome Supervibe?

Pense numa coisa que somos péssimos pra criar: nome de banda (o outro era pior (risos)). Gostávamos muito de um pedal de efeito de chorus na Marshall, o nome era Supervibe, foi daí que veio o nome,

– Quais as suas principais influências musicais?
A banda em comum de nós três é o Jimi Hendrix Experience. João gosta bastante de bandas grunge, o Deivison tem um pé no pop Bruno Mars, Skrillex e tals, e eu gosto de banda esquisita (risos), mas posso citar Warpaint, The Smiths e The Doors.
– Como é o processo de composição da banda?

Nosso maior meio de fazermos as canções são por meio de jams, depois pensamos nas melodias vocais e letras.

Supervibe
– Me falem um pouco mais sobre o material que já lançaram.
O “Clarão”, nosso primeiro EP, saiu um pouco diferente do que somos hoje, tem muito mais efeito, algumas letras em inglês e tals. Eles nos abriu muitas portas, tocamos duas vezes no PicNik, no Groselha ao lado de Carne Doce e Black Drawing Chalks. O ‘Clarão” nos mostrou pro DF. Este ano lançamos o “Autóctone”com cinco faixas e todas as letras em português.

– Vocês lançaram um webclipe de divulgação para uma das faixas. Os clipes ainda são importantes, mesmo com o fim da vitrine musical de clipes que era a Mtv Brasil?

Cara, o Youtube tá aí pra provar que é a nova videoteca do planeta. Pras bandas é ainda mais importante, se você é do Norte e quer ouvir um som do Sul, é por meio do Youtube que vai conhecer a banda, a estética, o visu e tudo. Investir no Youtube é primordial!

– Brasília é um lugar que sempre fervilhou de bandas e artistas de projeção nacional. Como anda a cena por aí?

Anda linda! Na época do Legião, Aborto Elétrico, Capital e todas as outras, a gente via as bandas seguiram um mesmo caminho sonoro. Hoje aqui é BSB e no DF em geral é diferente, tem banda de tudo quando jeito! Tem experimental, instrumental, neo-psicodélico ao psicodélico 70, folk, indie, shoegaze. Tá um caldeirão doido.

– Como é a vida de banda independente em Brasília?

Difícil, já que pouquíssimas são as casas de show. Mas isso não impede as bandas de tocarem, a gente toca na rua, em teatro, em parque.Tá surgindo festivais maneiríssimos como o PicNik, Groselha, CoMa… fora o Porão que já tem décadas de existência. Isso é o maneiro de irmos contra a corrente, a gente busca um outro jeito de divulgar o som.

Supervibe

– Quais os próximos passos da banda?
Queremos sair pra tocar no Brasil. Tomara que ele consiga abrir muitas portas pra gente. Queremos tocar e divulgar cada vez mais o nosso som.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Cara, tem Tertúlia na Lua, Kelton, Oxy, Joe Silhueta, Pollyana is Dead, Toro, Lista de Lily, Vintage Vantage, Quarto Astral e mais uma porrada.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Gilbert Spaceh, do Early Morning Sky

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Gilbert Spaceh
Gilbert Spaceh

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Gilbert Spaceh, fotógrafo e membro do Early Morning Sky e do Days Of Dahmer.

Beat Happening“Hot Chocolate Boy”
‘Hot Chocolate Boy’ é o grande hit do Beat Happening e do terceiro álbum de estúdio ‘Dreamy’, que foi lançado em 1991 pela K Records, gravadora de Olympia (EUA) liderada pelo próprio vocalista do Beat Happening Calvin Johnson. Conheci Beat Happening e Hot Chocolate Boy entre 93 e 91, sempre foi pra mim a maior referencia de todos os tempos”.

Sonic Youth“Silver Rocket”
‘Silver Rocket’ é uma das minhas músicas preferidas do Sonic Youth (tarefa muito difícil escolher uma). ‘Daydream Nation’ é o quinto álbum do Sonic Youth e Silver Rocket foi o segundo single deste grande clássico”.

Soundhead“Loop”
‘Heaven’s End’, álbum debut desta banda formada no sul de Londres fundada em 1986. Robert Hampson e sua esposa, Bex, fizeram lenda com o seu som psicodélico e barulhento se tornando uma grande referencia ao estilo shoegaze. Sou bastante influenciado pelas guitarras do ‘Loop’ e por Soundhead”.

Spaceman 3 – “Losing Touch with My Mind”
“Som hipnótico desta grande banda Inglesa. Que serve de referencia para a maioria das bandas shoegaze. ‘Losing Touch With My Mind’ é a musica que abre o album de estreia ‘Sound of Confusion’ do Spaceman 3“.

My Bloody Valentine“Cupid Come”
“Considero como um grande clássico do My Bloody Valentine e uma das minhas musicas preferidas. Sendo a maior referencia do grande álbum ‘Isn’t Anything’, tem uma linda melodia e guitarras com bastante reverb e bem barulhentas. MBV, grande banda Irlandesa”.