Porque todo mundo vai correndo ouvir a obra de um artista que acaba de morrer?

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“Ah, agora todo mundo vai baixar toda a discografia!”

Você já deve ter ouvido uma bobagem dessas logo depois que algum músico morre. Os “sommeliers de luto” adoram ficar no pé de quem fica triste pela perda de um artista querido, e proclamam “ah, agora todo mundo vai virar fã”. Esses dias me peguei ouvindo Linkin Park com uma frequência que eu não ouvia desde 2004, mais ou menos, e notei que com certeza isso tinha relação com o triste suicídio de Chester Bennington. Foi aí que reparei que, sem perceber, aparentemente sempre faço isso. Ouvi Soundgarden e Audioslave em maio com a morte de Chris Cornell. Coloquei “Dois Na Bossa” no repeat quando Jair Rodrigues se foi. Voltei à adolescência e ouvi Charlie Brown Jr. com gosto quando Chorão e Champignon morreram. Mas porque será que a morte de um artista faz com que a gente às vezes sem querer vá revisitar a obra dele?

“Quando alguém morre tem uma força de mídia grande, isso ajuda bastante”, explica o psicoterapeuta da Claritas Clínica Pedro Del Picchia. “Fora que em casos assim tem uma memoria, uma saudade que bate e as pessoas querem lembrar. E quem não conhecia quer também fazer parte da onda do que tá acontecendo”.

Mas será isso algo meio inconsciente? Segundo o psicólogo, provavelmente não. “Acho que vamos atrás da obra do artista porque ele morreu, mas agora as coisas ganham um novo significado também. Mais final, mais definitivo”, conta. “‘I’ve become so numb’, por exemplo, fica mais forte ainda quando você pensa que ele tinha sim depressão e isso era um aviso. Não que com todos que morrem seja assim, pois nem todos são depressivos”.

Além disso, ouvir a obra (que agora estaria “completa”) de um artista que nos deixou é uma forma de “velório musical”, ou “luto auditivo”.

“Isso pode ter mais de um motivo”, diz o filósofo Matheus Queirozo, “Vejo por enquanto dois: sabe aquele ditado popular, ‘as pessoas são dão valor quando perdem?’Essa é uma verdade popular incontestável. Às vezes a gente tem amigos que a vida e tempo distanciaram, por conta dos afazeres e responsabilidades da vida mesmo, a gente mantém uma vez ou outra contato, pergunta como vai… Mas se tornou uma pessoa distante, um amigo que fez parte da nossa adolescência, que teve experiências boas com a gente, a cada dia que passa a gente mantém menos contato com ele. Certo dia esse cara falece, tu sabe disso, e ele se torna o teu melhor amigo. Só descobre depois que ele morreu”, conta. “O caso do Chorão, por exemplo: uma galera não ouvia tanto Charlie Brown quanto na adolescência, mas quando ele faleceu, por um mês só se ouvia Charlie Brown”.

Sérgio Buarque de Hollanda, o pai do Chico Buarque, tem um conceito interessante”, conta Queirozo. “Naquele livro dele, Raízes do Brasil, ele diz que o homem é cordial, diz que quando o português chegou nas terras tropicais, os índios receberam eles com a maior cordialidade. Isso me faz pensar num segundo motivo: a gente se compadece com a morte alheia, com a morte de astros que nem sabiam que a gente existe”. Aí o que acontece é que vamos atrás das músicas dos artistas falecidos para prestarmos uma homenagem, celebrar a vida dos que já se foram. “Um tributo breve, de criar até playlist e ficar uma semana ouvindo as músicas dele. Depois passa”, conclui.

“O terceiro motivo é aquela coisa de querer fazer parte da tribo, da massa, da galera”, diz. “Por exemplo, Michael Jackson. Quando ele faleceu, veio nego do inferno dizer que gostava e tal. Mas isso é uma necessidade que as pessoas têm de fazer parte de grupos, tribos. As pessoas têm uma necessidade de afirmar uma identidade, de pertencer a algo. Quando Michael Jackson faleceu, uma galera vendeu discos, uma galera comprou DVD, porque era o que todo mundo fazia e quem não fizesse a mesma coisa, seria o excluído do rolêzinho. Ninguém quer ser excluído do grupo”, conclui.

Concorda com alguma dessas teorias? Façam sentido para você ou não, todas são válidas. E como o Pato Fu já dizia na abertura de seu disco “Televisão de Cachorro”, a “necrofilia da arte” continuará existindo sempre que, infelizmente, algum artista nos deixar. A obra permanece viva eternamente e ela será visitada com muito gosto (e luto).

A necrofilia da arte
Tem adeptos em toda parte
A necrofilia da arte
Traz barato artigos de morte

Se o Lennon morreu, eu amo ele
Se o Marley se foi, eu me flagelo
Elvis não morreu, mas não vivo sem ele
Kurt Cobain se foi, e eu o venero

“Saddest Summer” mostra que Teen Vice é a irmã mais nova pirralha e barulhenta do Sonic Youth

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Teen Vice

O disco “Saddest Summer”, da banda novaiorquina Teen Vice, poderia perfeitamente ter saído no meio dos anos 90. E isso é um elogio. As influências de Sonic Youth, Hole e The Breeders são fáceis de pegar, além de toques de Angel Olsen, Big Thief, Sharkmuffin, Sunflower Bean… O quarteto define seu som como post punk, grunge e “punk de shopping” e estraçalha qualquer um que estiver pela frente em suas apresentações ao vivo.

Formada por Josh Ackley (baixo e vocais), Tammy Hart (guitarra e vocais), Derek Pippin (bateria) e a brasileira May Dantas (guitarra e vocais), a banda do Brooklyn só tem gente que sabe muito bem o que está fazendo: Tammy começou sua carreira no colegial, quando assinou com o selo Mr. Lady Records e fez turnê com o Le Tigre, lançando aos 18 anos seu primeiro disco “No Light In August”, indicado pelo NY Times como um dos melhores álbuns de 2000. Depois ela formou a banda GangWay em São Francisco, e em Nova York as bandas Winning Looks e Making Frienz. Em 2009 ela acabou entrando também na icônica banda MEN. Já Josh começou junto com Derek na banda punk The Dead Betties, que assinou com a Warner Music após o lançamento de seu disco “Summer or 93” e teve seu single “Hellevator” exibido com frequência na Mtv e VH1. Derek não ficou só nessa, tendo tocado diversos instrumentos também com as bandas Fur Cups for Teeth, Boogie Brains, Sped, The Kickstarts, The Baddicts, Tight Chocolate, The Buybacks e muitas outras. A brasileira May era a frontwoman da seminal banda paulistana The Fingerprints, onde dominava o palco como poucos na cena independente brasileira.

Toda a energia e experiência desses quatro integrantes é notável no disco lançado em julho pela Commission Music. Em faixas como “How Does It Feel?” dá pra sentir que Kim Deal tem um altar garantido na sala de ensaios da banda, enquanto “Y U WNT 2?” mostra que bandas como AC/DC e ZZ Top também fazem parte da discoteca inspiradora do Teen Vice. Vale a pena conferir a obra do começo ao fim, pois, segundo o baixista Josh, “se a cultura do disco está morta, vamos trazê-la de volta à vida”.

Conversei com ele sobre a carreira da banda, o novo disco, a falta de rock nas paradas de sucesso e muito mais:

– Como a banda começou?

Eu joguei um feitiço neles.

– Como surgiu o nome Teen Vice?

Ele tem um som legal, somente. E é “TV” se você abreviar. Somos a irmã mais nova, mais barulhenta e mais pirracenta do Sonic Youth, e estamos sempre de castigo.

– Quais são suas maiores influências musicais?

ZZ Top, Deee-Lite, Madonna, Hole, U.S. Girls.

– Como vocês definiriam o som da banda pra quem nunca ouviu?

Eu diria que uma filha acelerada de uma relação entre o The Breeders e o The Cars.

– Me contem mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Estamos muito entusiasmados com nosso álbum de estréia, “Saddest Summer”, que saiu pela Comission Music no dia 14 de julho. Fora disso, lançamos algumas músicas, “Cry for You” e uma cover de “Aneurysm”, do Nirvana.

Teen Vice

– Como anda a cena independente de Nova York hoje em dia?

Está viva e bem, and the kids are alright. De qualquer forma, somos uma das poucas bandas tocando música vibrante e acelerada. Fora o Fruits and Flowers e The Hellbirds, ambas fantásticas, o pessoal ainda está empacado naquele negócio nada a ver de drone synth.

– Porque nos últimos tempos o rock ficou tão excluído das paradas de sucesso?

Porque as bandas estão tentando se conformar em vez de se destacar. O que só torna o rock chato. Uma tonelada de pessoas culpa o hip-hop, ou o país, mas isso é besteira. A culpa é dos rockers lançando álbuns ruins que ninguém quer comprar. E também, há um pouco de um problema de diversidade no rock.

– A cultura do disco, do álbum completo, está definitivamente morta com o crescimento do streaming?

“Saddest Summer” fala de amor, inadequação, corações partidos e identidade. Se a cultura do disco está morta, vamos trazê-la de volta à vida. É trabalho do artista fazer questão de que sua arte floresça, não trabalho da sociedade.

  • – Quais são os próximos passos da banda?

Lançamos o álbum e planejamos lançar um monte de clipes. E fazer turnê pela Espanha e beber Spritz na Riviera Francesa.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

U.S. Girls, Jay Som, Fruits and Flowers.

Ouça “Saddest Summer” aqui:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Paula Puga, do Toca a Cena

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Paula Puga, do Toca a Cena
Paula Puga, do Toca a Cena

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Paula Puga, do Toca a Cena. “Faz exatamente 11 anos que circulo no cenário independente e encontrei muitas pérolas ao longo do percurso. Muitas dessas preciosidades são minhas referências musicais hoje e listarei algumas delas”.

Pessoal da Nasa“Topless”
“Quando ouvi Pessoal da Nasa a primeira vez, fiquei pasma! Mas depois que ouvi “Topless”…fiquei mais pasma ainda! A letra é divertida, a linha de voz diferenciada….incrivelmente criativa!”

Blind Horse“Soul Locomotive”
“Nas correrias da vida, conheci o trabalho da Blind Horse. A vibe setentista com stoner é de deixar arrepiado! Guitarras repletas de distorções, gaita, vocais melódicos e rasgados… Uma combinação porreta!”

The Baggios“Brutown”
“Conheci o trabalho através da indicação de vários amigos e também do produtor musical deles, Felipe Rodarte. Os pontos que mais me chamam a atenção nesta música é a textura sonora e os solos da guitarra. Uma verdadeira pérola! P.S.: Se tiver rolando show deles perto de você, assista! É simplesmente muito foda. Entrei em transe enquanto assistia o show”.

menores atos“Mar Aberto”
“Essa é uma das minhas bandas preferidas! Se eu pudesse definir essa música em uma palavra, seria intensa. O clima dessa música é denso, a letra também….sem contar que a sonoridade é linda!

Carne Doce“Artemísia”
“Uma das melhores descobertas nessa vida de Toca a Cena! A música tem uma pegada diferente, densa, longa introdução, letra intensa e densa. Deu para perceber que gosto de músicas intensas (risos). E a voz da Salma Jô é lindissima. Um arremate perfeito. P.s.: O clipe tem uma fotografia lindíssima!”

O Crush em Hi-Fi agora também está no Youtube!

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Hoje em dia, estar no Youtube é quase questão de sobrevivência para quem cria conteúdo, não é verdade? Afinal, poucos têm paciência de ler um texto, artigo ou mesmo um parágrafo, e a TV anda tão ruim que até as piores fases da Mtv Brasil nos dão uma saudade danada.

Pois bem, então o Crush em Hi-Fi agora também está no Youtube, com conteúdo exclusivo falando daquilo que sempre falamos: Música! Inscreva-se, curta, compartilhe, comente, sugira novos vídeos… Estamos esperando por vocês!

Confira a estreia do canal, com o Listorama:

Construindo GRITO: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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GRITO

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto de Barretos GRITO apresentando os 20 sons que mais influenciaram o som da banda.

Jimi Hendrix“Spanish Castle Magic”
Rock Bruno: O maior presente que a minha mãe me deu foi me apresentar a esse cara. O cara. A urgência é tão grande que você consegue sentir que as músicas são tocadas por necessidade: se elas não forem tocadas, o mundo vai acabar. Sem ele, o rock seria diferente, menor.

Pink Floyd“Time”
Rock Bruno: Aqui se deu a primeira viagem pelo mundo dos álbuns conceituais. A riqueza sonora é tão grande que a imersão acontece muito facilmente. Sem falar que a música “Time” contém o meu solo favorito do David Gilmour.

Mercyful Fate“The Uninvited Guest”
Rock Bruno: Me lembro como se fosse ontem. Eu estava na frente de casa. Meu irmão e alguns amigos nossos estavam vendo um VHS com clipes de heavy metal na sala. Começou a tocar uma música que imediatamente prendeu minha atenção. “Que p**** é essa que tá tocando?!”. Aí eu vi a cara pintada que me fez entrar na minha fase metaleira. Guilherme e eu tocamos muito essa música quando moleques.

King Diamond“The Jonah”
Rock Bruno: Olha o rei aí de novo. E outra música que tocamos bastante. Pouco tempo após conhecer o Mercyful Fate, conferi os trampos da banda King Diamond. Fiquei extasiado com seus álbuns que contavam histórias, com cada música sendo como que um capítulo de um livro de terror. A influência desse trabalho de narrativa no GRITO não poderia ser mais óbvia.

Bathory“The Lake”
Guilherme Silveira: Bathory é um nome muito marcante, por mostrar a união entre aspectos tidos como extremos e outros rebuscados e minuciosos. Quando se tem 15 anos, esses aspectos tendem a ser entendidos como antagônicos. O álbum “Blood on Ice” traz tudo isso e a música “The Lake” carrega em si todo o poder épico de uma canção, grandiosa e fora dos padrões para a música pesada. Cada detalhe ficou marcado para sempre na minha cabeça, dos violões delicados à bateria pesadíssima que conduzem até o longo e maravilhoso refrão, ensinou o que é construção em música, para além da canção.

Alice In Chains“Rain When I Die”
Weverton Valini: Na minha opinião, Jerry Cantrell é um dos guitarristas mais subestimados de todos. Ainda que ele seja um bom solista, a atmosfera densa e pesada de cada arranjo desse cara é algo assustador. E nessa música não é diferente. A primeira vez que ouvi ‘‘Rain When I Die” só pude pensar em uma coisa, “eu queria ter composto essa música”.

Black Cobra“Interceptor”
Rock Bruno: Eu adoro ouvir músicas que me dão vontade de quebrar coisas à minha volta e essa música causa exatamente isso. Lá no começo dos anos 2000, eu tinha dificuldade de encaixar minhas músicas no estilo da minha banda da época, que fazia um heavy metal tradicional, e eu não sabia pra que lado guiá-las. O Black Cobra me trouxe um tipo de música que eu, até então, nunca tinha ouvido e que foi o primeiro sinal de que havia esperança pras minhas músicas.

Kekal“Isolated I”
Rock Bruno: Surgido da improvável Indonésia, o Kekal foi o responsável pelo meu maior choque na música. Existe o Rock Bruno antes do Kekal e o depois do Kekal. Conhecer o álbum “The Habit of Fire” me ajudou a quebrar tantos paradigmas que eu nem consigo enumerar. O álbum simplesmente tem tudo e de uma forma que funciona, sinal de que entre os membros, sobretudo o líder Jeff Arwadi, há um extremo bom gosto musical. É realmente uma pena que a banda não receba o devido reconhecimento.

Lento“Need”
Rock Bruno: Temos grandes bandas por aí capazes de soar pesadíssimas, mas só o Lento consegue tanto peso com tão pouco. Mesmo não usando guitarras superdistorcidas, ao ouvir a banda você sente o peso de montanhas sobre as costas e ao mesmo tempo é capaz de voar sobre elas. Esquizofrenizante.

Stinking Lizaveta“Indomitable Will”
Guilherme Silveira: Crua e viajante, essa música do Stinking Lizaveta expressa exatamente isso, uma vontade indomável de expor, de gritar de forma urgente, ainda que não desesperada. Não é necessária uma grande orquestra ou muitos instrumentos para fazer algo grandioso. Desde a primeira vez que ouvi esses poucos 2 minutos e 50 segundos me tomaram e falaram algo com muito mais propriedade do que qualquer letra poderia falar. A cadência e a cama formada pela base cavalgada, com certeza são influências diretas para as composições das quais participo.

Cloudkicker“From the Balcony”
Rock Bruno: Ao ouvir o Cloudkicker, banda “de quarto” de Ben Sharp, eu finalmente fui capaz de dizer: é isso! Apesar do GRITO soar bem diferente, vários dos seus elementos sonoros estão presentes aqui, de uma forma ou de outra. A cada lançamento ele demonstra mais maturidade. Após anos de terreno semeado, o Cloudkicker forneceu a energia que faria o GRITO nascer pouco tempo depois.

Macaco Bong“Amendoim”
Gui Pereira: Foi a primeira música instrumental que ouvi e me chamou atenção, ela é a responsável por hoje minha playlist ser 95% instrumental, me apaixonei logo de cara! Desde a introdução até o último riff da guitarra, essa música tem tudo perfeito, o tempo, a guita, batera, baixo, é tudo milimetricamente encaixado!! Graças ao álbum “Artista Igual Pedreiro” hoje sou um amante do rock instrumental.

sgt.“Apollo Program”
Rock Bruno: Foi através dessa música que conheci a cena japonesa de post-rock, pela qual tenho profunda admiração. Além disso, a verve minimalista das harmonias e arranjos, assim como algumas características da “cozinha” da banda, fazem o sgt. uma grande influência na sonoridade do GRITO.

Russian Circles“Youngblood”
Gui Pereira: É a música perfeita, na minha opinião! É pesada, tensa e tem uma profundidade sem igual! Foi outra das músicas que me trouxeram ao instrumental. O que mais me chama atenção na “Youngblood” com certeza é performance do baixista Colin DeKuiper, sem dúvida o timbre pesado do seu baixo é o meu favorito.

“Schakles”
Rock Bruno: É uma das músicas mais lindas e originais que já ouvi, pois através de uma levada de batera nada usual você de repente se vê alvo de uma violência musical inacreditavelmente agradável. Uma das melhores bandas de sempre.

Intronaut“Killing Birds With Stones”
Weverton Valini: O Intronaut me ajudou a amadurecer muito como guitarrista, principalmente depois da minha entrada no GRITO. Saindo um pouco do 4/4 e entrando compassos mais complexos, suas músicas fizeram com que eu me empenhasse mais como músico, mas não tecnicamente e sim como ouvinte, percebendo que às vezes do mais simples arranjo pode ganhar mais força o mais bem elaborado e complicado riff ou solo de guitarra.

Ronald Jenkees“From the Arrow Loop”
Rock Bruno: Um cara que faz música eletrônica instrumental também no seu quarto, principalmente hip hop, de maneira criativa e divertida. Muito legal ver a evolução do trabalho dele, que no início era fortemente calcado em improvisações. Em seus trabalhos mais recentes, no entanto, suas composições evoluíram bastante na forma, ganhando muito em senso de unidade e capacidade de diálogo.

Boris“Feedbacker”
Guilherme Silveira: Conhecer Boris foi um salto musical para mim. Já ouvia alguns sons nessa linha, como o Sunn O))), mas foi com o Boris, na música “Feedbacker”, que pude ter uma compreensão maior desse gênero. Quando misturam grandes períodos de paredes sonoras, intercalando outros momentos com voz e base lamacenta, criam um todo muito instigante. Passei dias deixando essa música no repeat enquanto desenhava. Sempre me levou a outros mundos e moldou não só a minha forma de pensar e compor música, mas também o desenho e as histórias em quadrinhos que faço. Influência direta e total.

Sleeping in Gethsemane“Of Giants”
Rock Bruno: O último álbum do SiG, “When The Landscape Is Quiet Again”, é uma obra-prima. Não há nenhum momento de baixa, todas as músicas são marcantes. A banda, na época, estava no seu auge, exibindo muita energia e melodia, oferecendo um estilo único que aliava ao post-rock uma série de influências de outros gêneros musicais. Além de tudo, a música “Of Giants” é uma das minhas favoritas de todos os tempos. Uma pena a banda ter acabado, pois tinha força pra ir muito longe.

Képzelt Varos“Kepler”
Rock Bruno: Eu não me lembro como foi que conheci essa banda húngara, mas a sua música se destaca naquilo que pra mim, como compositor, é o mais importante – não a técnica, nem a complexidade, mas a forma. Suas músicas trazem ideias simples, porém encaixadas da melhor maneira possível. Um exemplo para o GRITO quanto ao aproveitamento de ideias musicais simples para conseguir grandes efeitos.

Duo de Fortaleza Intuición mostra sua selvageria frenética cheia de raiva e deboche no EP “Drugui”

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Intuición
Intuición

Os drugues estão à solta! Utilizando a linguagem nadsat criada por Anthony Burgess no clássico “Laranja Mecânica”, o duo de Fortaleza Intuición batizou seu mais recente EP, lançado em 2016, de “Drugui”. Formada por Clapt Bloom (vocais) e Lua Underwood (synths, guitarra e eletrônicos), a banda faz shows arrebatadores e é impossível não ser impactado depois de ver uma de suas alucinadas e viscerais apresentações ao vivo.

A atitude grrrl power de Clapt no electropunk da dupla já rendeu muitos comentários. Os que entendem o que o rock significa ficam maravilhados e batem palmas para a atitude selvagem da vocalista no palco. Já os conservadores com mentalidade antiquada, que corariam ao ver Iggy Pop se jogando no chão, enchem (e muito) o saco da banda. “Estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte…”, lamenta. Mesmo com essas pedras retrógradas no caminho, o duo segue sua selvageria punk e prepara seu primeiro disco, que deve ser lançado em breve mostrando um pouco de influências setentistas no alucinado som da banda.

Conversei com Clapt sobre a carreira do duo, o disco “Drugui”, as impressionantes e desenfreadas apresentações ao vivo, a cena independente de Fortaleza e muito mais:

– Como a banda começou?

Eu tinha acabado com minha primeira banda e tava sem saber o que fazer. Eu e o Lua já éramos amigos desde o colégio, na época ele tava produzindo uns remixes muito bons, ouvi e perguntei a ele se não dava pra compor pelo programa que ele usava, ele disse que sim e aí decidimos formar esse duo eletrônico.

– Quando foi esse início?

No final de 2012, ai logo no comecinho de 2013 começamos a divulgar o som que a gente tava fazendo/experimentando.

– Quais as maiores influências musicais de vocês para este projeto?

Eu sempre fui inspirada na cena riot grrrl dos anos 90, desde a minha primeira banda. Acho que independente do projeto que eu esteja, sempre vai transparecer essa minha influência… Em relação à música/composição, eu e o Lua temos praticamente as mesmas influências e ideias pro Intuición, a gente se baseia em bandas como Sonic Youth, Le Tigre, Vive La Fête, David Bowie, CSS, entre outros.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem ainda não conhece?

Electropunk… é uma definição vaga mas acho que é a que mais se encaixa!

– Me contem um pouco mais sobre o material que você já lançaram.

O último material que a gente lançou foi o “DRUGUI”, em fevereiro de 2016. Fizemos o mesmo esquema de sempre: gravação caseira, com um PC fodido e um celular. A gente queria fazer músicas que dessem uma energia maior nos lives, e esse EP foi praticamente todo pensado pra funcionar ao vivo. Acho que isso se encaixa na temática do EP também, que foi inspirado na comunidade/estética nadsat criada no Laranja Mecânica.

– Por falar em shows ao vivo, este ano vocês tiveram que bater de frente com pessoas conservadoras e retrógadas que ficaram irritadas por sua performance em shows. Como rolou isso?

Na hora em que estávamos tocando rolou tudo de boa, nenhuma reclamação aparente, foi OK. Eu só cheguei a ver esse “linchamento” virtualmente: estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte… Tive que ir até a delegacia da mulher por medo. Fiz o B.O., mas eles não tratam esses casos pela delegacia da mulher e eu fiquei completamente desconfortável de saber que eu teria que contar com policiais homens pra “resolver” essa situação, então desisti de levar o processo adiante.

Intuición

– Esse tipo de comportamento virtual ainda acontece constantemente com bandas com mulheres na formação, ou com integrantes LGBTQ. Como as bandas podem lutar contra este tipo de agressão?

Batendo de frente, não tem muito o que fazer… O lance é mostrar o seu trabalho a qualquer custo e passar a vida toda se esquivando dessas barreiras, gritar o mais alto que puder, ninguém vai querer te ouvir, nem te dar credibilidade por nada.

– Como está a cena independente de Fortaleza hoje em dia?

Tem um tempinho que começou ressurgir bandas com uma identidade autoral muito massa, sem medo de experimentar. Eu acho a cena independente hoje em dia bem representada aqui em Fortaleza.

– Porque o formato duo, antes raro no rock, se tornou tão popular?

Não sei… Acho que com o avanço da tecnologia, as pessoas optaram trabalhar umas com as outras cada vez menos. Eu prefiro trabalhar com o mínimo de gente possível, quando tem muitas ideias surge uma confusão… Enfim, lidar com gente é bem complicado!

– Aliás, deixa eu voltar um pouco: como surgiu o nome da banda?

Foi do nada… Fiquei escrevendo uns nomes aleatórios num papel até que pensei em Intuición, o Lua gostou e deixamos assim mesmo!

Intuición

– E antes do “Drugui” vocês lançaram bastante coisa. Me conta mais dessa trajetória!

No começo a gente só soltava umas músicas aleatórias, até que a gente decidiu dar uma revisada no nosso set e se focar em fazer um EP. Então em 2014 a gente lançou o “Desperate | Silver Lining” e começamos a fazer shows (nosso primeiro show foi em 2013, na verdade, mas depois disso passamos um tempo parados), era muito ruim na época (na verdade hoje em dia não mudou muita coisa). Ninguém entendia como funcionava o nosso live e a gente também não tinha equipamento… Pra completar na época o PC que a gente usou pra construir o EP inteiro pifou e perdemos todos os projetos das músicas. Acabou que trabalhamos num EP e nunca tivemos a chance de tocar ele ao vivo. Então no final de 2014 a gente começou a fazer um segundo EP, o Lua tava ganhando mais experiência como produtor e conseguiu fazer nosso EP soar bem profissional pra pouca coisa que tínhamos na época. Acabou que uma galera gostou do “Sad Frequencies” e começamos a fazer mais shows, algumas pessoas apostaram na gente e a nossa estrutura como banda tava pegando maturidade. Em 2016 lançamos o “DRUGUI”.

– Os shows de vocês são conhecidos por serem inesquecíveis. Como você descreveria um show da banda para quem ainda não viu?

(Risos) Eu nao sabia disso, massa. Pra quem ainda não viu o show, acho que posso descrever como frenético, cheio de raiva e deboche, eu e o Lua nos sentimos assim a maioria das vezes que pisamos no palco.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende lançar um single ainda esse ano e começar a trabalhar no nosso primeiro álbum.

– Pode adiantar algo sobre o que vem no álbum?

Humm… Pelas experimentações que a gente vem fazendo, creio que o álbum vá vir com uma vibe setentista, é a única coisa que posso afirmar!

– Recomende bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vou citar a galera daqui, que a gente sempre cita nas entrevistas, bandas como Monquiboy-Boo, Miss Jane, Lascaux, são bandas independentes que fazem um som muito massa aqui por Fortaleza!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Ricardo Ferreira, produtor e músico da Old Books Room

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Ricardo Ferreira, da Old Books Room
Ricardo Ferreira, da Old Books Room

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Ricardo Ferreira, produtor e músico da Old Books Room, de Fortaleza, que está em São Paulo e toca neste domingo no Pico do Macaco.

Giant Drag“Slayer”
“Sabe aquele quando você quer montar uma banda, mas não quer contar com várias pessoas porque o desgaste é muito grande, além de você ter que dividir o cachê em mais pessoas. O Giant Drag vestiu essa camisa muito bem, o duo de New York City foi uma dos meus vícios desconhecidos por todos que mostrei um dia. Acho que a banda não existe mais, mas a música “Slayer” ficou pra contar como essa história foi boa”.

Sleep Party People “I’m Not Human At All”
“Quatro caras vestidos completamente de preto com exceção de máscaras de coelho. Muito noise, batidas de samples eletrônicas, efeito na voz incompreensível. Sleep Party People define muito bem o quanto o bizarro quando se der uma chance. “I’m Not Human At All” e uma canção bem sombria, com um dedilhado que escutaria por horas, e somente algumas frases, entre elas se destacando logicamente “Eu não sou mais humano”. Escuta, apenas escuta!”

Stuck In The Sound“Let’s Go”
Stuck in The Sound é uma banda francesa que vem crescendo muito, mas por incrível que pareça bem desconhecida, e seria incrível que mais gente conhecesse esse som. Bem, não dá pra descrever pro a música viaja por várias vertentes, desde o post hardcore, indie, grunge e por aí vai, mas esse caminho é construído com muito chorus e uma voz bem marcante. O clipe e a música “Let’s Go” me fizeram literalmente ficar travado nesse som por dias a fio”.

Julian Plenti“Girl On the Sporting News”
Interpol é uma das maiores bandas de todos os tempos na minha humilde opinião. Mas devido às contradições do destino, ninguém valorizou muito (pelo menos como eu acho merecido) o primeiro trabalho solo do Paul Banks. Muitos disseram que era apenas uma derivação de Interpol, pena pra essa galera que não conseguiram enxergar a beleza e a diferença presente nesse trabalho. Fica a ânsia angustiante de fazer com que vocês sintam essa pérola, “Girl On The Sporting News”. Como o próprio Banks falou, o CD contém músicas antigas, antes do Interpol, e são um pouco mais simples, mas em boa parte das vezes ser menos é mais, e a mescla de violão e instrumentos clássicos vai fazer você viajar”.

Soviet Soviet“Ecstasy”
“O power trio italiano me ganhou com a música “Ecstasy”, às vezes a gente não sabe como chega a conhecer esses sons, mas felizmente acontece. Logo, não teve jeito, o um baixo ligado no tremolo, uma guitarra altamente reverberizada e delayzada, uma voz ultra estranha, e uma bateria ultra-acelerada e frenética me mostraram como tempo músicas incríveis em cada esquina desse Mundo”.

Maíra Baldaia mostra afrobrasilidade à flor da pele em seu primeiro disco, “Poente e Outras Paisagens”

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Maíra Baldaia

No final de 2016 a cantora Maíra Baldaia lançou seu primeiro disco, “Poente e Outras Paisagens”, recheado de influências da afro-mineiridade e da cultura brasileira. Formada em música pela Bituca – Universidade de Música Popular e em teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela inclui sempre que possível elementos cênicos e teatrais em suas apresentações ao vivo.

Com influências que vão do jazz ao congado, Maíra começou sua carreira cedo, com 5 anos de idade, cantando no disco do mineiro Tony Primo. Em sua carreira solo, investe na inclusão de sonoridades africanas, já que tem contato com religiões de matriz africana desde criança. “Mais que uma questão musical, é uma questão de identidade, filosofia de vida, de onda toca a minha verdade. Também o contato com o congado e os tambores de Minas Gerais sempre me envolveram e me tocaram de forma muito forte. As africanidades influenciam meu modo de compor, de me comportar e posicionar no palco e na vida, de olhar e vivenciar o mundo”, explica.

Conversei com ela sobre o disco “Poente e Outras Paisagens”, sua carreira desde a infância até hoje, a vida de cantora independente e um pouco sobre o próximo álbum:

– Como você começou sua carreira?

Minha primeira participação na música foi aos cinco anos de idade em que cantei no disco do compositor mineiro Tony Primo, na ocasião participei dos shows de lançamento e das gravações em estúdio. Desde então, fui brincando com arte, seja no teatro ou na música. Inclusive, foi no teatro que aos 12 anos eu descobri (ou redescobri) que cantava de verdade. Fazíamos um espetáculo que começava comigo cantando “Rosa” do Pixinguinha. Até que aos 15 anos participei da minha primeira banda em Itabira, minha cidade natal, era uma banda de rock autoral chamada Phado. Paralelamente à banda de rock autoral eu cantava e ouvia muito também um vasto e diverso repertório da Música Popular Brasileira. Aos 16, através da enRede – Rede Internacional de Municípios pela Cultura, viajei para Serpa/ Portugal para participar do Concerto enRede (shows com artistas de diversos países) e o Mineirada – projeto idealizado pelo produtor Cleber Camargo (meu pai). Apesar de já estar em atividade há algum tempo, considero essa viagem para Portugal a primeira oportunidade profissional que tive na música. E desde então, segui nessa estrada…

– Quais as suas principais influências musicais em seu trabalho solo?

O meu trabalho solo traz um repertório autoral carregado de influências e isso deságua no meu primeiro disco “Poente” e outras paisagens e nos meus shows. Desde criança minha mãe e meu pai ouviam muita música, eram produtores culturais e isso me possibilitou conhecer muito de perto a música mineira e brasileira. Em meio à tantas referências eu acho até difícil essa tarefa de separar as principais influências, mas vamos lá… Em Minas Titane, Maurício Tizumba, Marku Ribas, Déa Trancoso e Milton Nascimento me influenciaram com um som que traz identidade e uma veia ancestral. Ainda ouvia quase todos os dias eternos Bethânia, Caetano, Gal, Gil, Cássia Eller. Tinha ainda os internacionais Michael Jackson e Janis Joplin. Essas artistas são influências fortes no meu trabalho solo que se mistura ainda à minha vivência desde criança em religiões de matriz africana, à poesia e dramaturgia que influenciam nas texturas e letras, ao meu olhar feminino, poético e crítico de uma sociedade, às mulheres e matriarcas da minha caminhada, às ruas e aos encontros pelo caminho.

– Já que você falou nele, vamos falar um pouco sobre seu primeiro disco, “Poente”. Como foi a produção deste álbum?

Gravado por mim e pelas parceiras Débora Costa, Larissa Horta e Verônica Zanella, com as participações especiais de Alysson Salvador, Bia Nogueira, Caetano Brasil, Nath Rodrigues e do mestre Maurício Tizumba, “Poente” e outras paisagens cumpre o papel de um primeiro disco e traz uma coletânea de composições minhas que abrangem influências e experiências diversas, algumas mais antigas feitas a seis anos/ três anos e outras feitas um mês antes de entrarmos pro estúdio. É uma produção totalmente independente em que conto com a direção musical de Clayton Neri, com arranjos de Verônica Zanella, Alysson Salvador, Clayton Neri e assino a direção artística. Eu trago no disco um conceito dramatúrgico presente nas letras principalmente, todas as músicas são minhas composições e há algumas das parcerias com cantautoras mineiras. Foi gravado, mixado e masterizado pelo mago Andre Cabelo no Estúdio Engenho em Belo Horizonte. Fizemos muitos ensaios e preparamos tudo na pré-produção, assim o processo em estúdio foi bem leve e rápido. Ainda estiveram na equipe desse álbum Camila França, que assina a produção executiva comigo, Gabriela Brasileiro e Matheus Fleming no projeto gráfico e Jenfs Martins na fotografia.

– No disco dá pra perceber muita inspiração de ritmos africanos. Como esse tipo de som te influencia?

A afro brasilidade é algo muito forte em minha vida. Como falei anteriormente, isso vem de vivências pessoais em religiões de matriz africana desde criança, mais que uma questão musical é uma questão de identidade, filosofia de vida, de onda toca a minha verdade. Também o contato com o congado e os tambores de Minas Gerais sempre me envolveram e me tocaram de forma muito forte até que fui trabalhar Maurício Tizumba, Titane e João das Neves e mergulhei mais profundamente na cultura afro mineira. As africanidades influenciam meu modo de compor, de me comportar e posicionar no palco e na vida, de olhar e vivenciar o mundo.

Maíra Baldaia

– Como você definiria o seu som?

Meu som é bastante eclético, devido às diversas influências presentes nele, no meu disco tem Canto Afro, tem Tambor Mineiro, tem Jazz, tem Samba, tem Blues e tudo isso vem numa costura pela MPB e pela World Music.

– Como você vê a vida de artista independente hoje em dia? Quais os maiores desafios?

Falo a partir do cenário em que vivo e trabalho: Belo Horizonte/MG. Ser artista independente no Brasil é sinônimo de muito trabalho, ainda mais dobrado agora no atual cenário político do país. Pra mim, o grande desafio é não perder o brilho no olho e a sensibilidade que a arte necessita devido a ser uma caminhada árdua e às vezes inconstante, mas não impossível. Temos que batalhar por nosso espaço, pela sobrevivência e pela valorização da arte independente e ainda temos que ser, além de artista, uma equipe inteira muitas vezes… entender de produção, de social media, de assessoria de imprensa, de audiovisual, de formatação de projetos e por aí vai. Ser empreendedora, pensar e planejar a carreira, estabelecer metas, executar múltiplas funções e buscar as parcerias certas ajudam muito nessa caminhada e eu sigo nessa busca.

– Como você acha que esse cenário pode melhorar no futuro?

Com trabalho, com união da classe artística, com pensamento de gestão de carreiras, com espaços e oportunidades, com ações da classe e também com a valorização por parte de quem nos contrata e do governo. É preciso mais investimento na cultura e na educação, investimentos que gerem resultados duradouros, pois a arte tem a qualidade de trazer pensamento crítico através do conteúdo ou do sensorial, a arte pode transformar as pessoas em seres mais empoderados, pensadores, criativos, motivados e transforma também nas questões da representatividade e quebra de preconceitos e padrões.

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Eu tenho trabalhado em novas músicas sim! Na verdade estou em processo de seleção do repertório do meu próximo álbum. Já tenho canções que dariam mais dois discos, algumas incompletas e outras já arranjadas. Sempre que crio uma música vem uma ansiedade de vê-la nascer, de colocar nos shows, mas ainda estou estudando e planejando o caminho a percorrer nos novos projetos.

Maíra Baldaia

– Pode adiantar algo sobre o próximo disco?

Ainda não (risos)! Estou trabalhando no conceito do disco, mas posso adiantar que será um trabalho mais carregado das influências afro brasileira do que o primeiro, com essas referências um pouco mais na cara e com mais momentos swingados!

– Recomende bandas ou artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Aqui em Minas tem muita gente boa e contemporânea fazendo arte independente de muita qualidade e que, acima de tudo, me tocam como Alysson Salvador, Guilherme Ventura, Bia Nogueira, Rodrigo Jerônimo, Raphael Sales, Natália Avelar, Nath Rodrigues, Negras Autoras, Flávia Ellen, Deh Mussulini, Octávio Cardozzo, Izza, Amorina, Josi Lopes, Cristiano Cunha, Graveola, Meninos de Minas, entre outros tantos… E ainda adentrando pelo Brasil tem muito mais como Anna Tréa, Nina Oliveira, Luedji Luna, LaBaq, Camila Garófalo. Sandyalê, François Muleka e tantos mais. Eu poderia ficar aqui horas escrevendo e pensando em artistas dessa cena que me chamam atenção, é muito rica a criação brasileira.

Construindo Loyal Gun: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Loyal Gun

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Loyal Gun, de São Paulo, que conta com Raffa Ap, no baixo, Bruno Duarte (Herod, Penhasco, O Apátrida e Attöm Dë) na bateria, Dija Dijones (O Apátrida, Penhasco, Odair José) na guitarra e voz e André Luiz (Fita e ex-Ronca) na guitarra.

Hum“Stars”
Hum é uma das maiores pérolas perdidas dos anos 90, sobretudo por conta de seus dois últimos discos, o sublime “You’d Prefere An Astronaut” e o irretocável “Downward Is Heavenward”. Talvez se dissermos que o som seja a mais perfeita simbiose entre Smashing Pumpkins e Sunny Day Real Estate não estaríamos mentindo. Se isso for algo difícil de acreditar, mais difícil para nós é acreditar que alguém não tenha ido ouvir Hum depois dessa referência. Nem que seja para nos desmentir.

Hüsker Dü“Chartered Trips”
“Zen Arcade” é, literalmente, uma grande viagem. A ideia é a seguinte: você é um jovem que se revolta (“Something I Learned Today”, “Broken Home, Broken Heart”, “Never Talking To You Again”) e, exatamente na quarta faixa, “Chartered Trips”, você, tomado por frustrações e esperanças, resolve pegar um ônibus e ir embora para um lugar onde você possa encontrar o seu verdadeiro eu e deixe de ser refém da opressão da qual acreditava ser vítima. Porém, a viagem é longa e ainda há muito para viver e aprender. Pode parecer algo muito ambicioso de se contar em um álbum, mas nada melhor do que a imaginação de quem está do lado de cá do falante para que grandes histórias sejam contadas.

The Posies“Solar Sister”
A melhor e mais nostálgica combinação que pode haver para nos levar de volta aos anos 90 é a de guitarras, cheias de feedback e distorção, poluindo belos acordes abertos que servem de sustentação para uma acachapante melodia vocal. E isso, Jon Auer e Ken Stringfellow (que também foi durante muito tempo músico de apoio do R.E.M.) fizeram com uma facilidade impressionante. E ainda continuam cometendo este tipo de canção até hoje, mal dá para acreditar nisso.

Swervedriver“Son Of A Mustang Ford”
Bandas de shoegaze como Ride, My Bloody Valentine, Catherine Wheel, Moose, Venus Beads e muitas outras são importantes na criação das nossas músicas, mas, talvez, a maior referência do estilo para nós seja o Swervedriver. Os acordes e riffs que saem da Jazzmaster de Adam Franklin saem dos discos e ficam permanentemente ressoando em nossos cerebelos, isso explica, por exemplo, alguns de nossos movimentos desengonçados no palco.

Dinosaur Jr.“Out There”
Faixa de abertura do antológico “Where You Been”. J. Mascis é uma referência tão forte para o Loyal Gun que cada um dos dois guitarristas possuíam uma Jazzmaster signature dele antes mesmo de se conhecerem. Não é por causa disso que algum deles venha a ter a destreza com instrumento que o inspirador do modelo tem, mas, sem dúvida alguma, fazem muitas coisas inspiradas no jeito de tocar deste guitarrista tão icônico e influente para os fãs de rock alternativo.

Thin Lizzy“For Those Who Love To Live”
Pode parecer estranho uma banda como esta na lista, mas a verdade é que com a primeira formação com 2 guitarristas (exatamente a que gravou este disco, o “Fighting”), o Thin Lizzy popularizou a ideia de se ter mais de um guitarrista solo numa banda. A ideia se popularizou e é possível notar como isso foi aplicado através dos tempos, de Iron Maiden a Hellacopters, de Judas Priest a A Wilhelm Scream. Adotamos isto ao nosso modo e buscamos aperfeiçoar algumas coisas de guitarra, como pensar em temas com melodias que nos soem interessantes e acordes que fujam um pouco do trivial.

Beezewax“Sign Of Relief”
Esta é uma banda norueguesa dos anos 90 com muita influência de Dinosaur Jr., Hüsker Dü e boa parte dos grupos dos anos 80 e 90 que militaram em favor das guitarras barulhentas e das melodias vocais cativantes. Tiveram um disco produzido pelo Ken Stringfellow (do Posies), para sermos mais precisos o segundo, o ótimo “South Of Boredom”, e seu vocalista, Kenneth Ishak, já esteve no Brasil por 2 vezes. Aliás, precisamos agradecer pelo disco de vinil que ele autografou e deu de presente: obrigado, Kenneth!

Placebo“Burger Queen”
Belíssima balada que encerra oficialmente (considerando que tem uma faixa escondida depois dela chamada “Evil Dildo”) um dos discos favoritos da casa, “Without You I’m Nothing”. O curioso sobre esta música é que, ao contrário do que o título pode expressar, não é sobre uma “rainha do hambúrguer”: é uma expressão para “gay que vive em Luxemburgo”, país onde o líder da banda, Brian Molko, morou na adolescência. No fim, é uma música sobre estar no lugar errado, na hora errada. Letras costumam ser uma preocupação comum para toda e qualquer banda, no entanto, é fascinante o número de formas que você pode empregar para dizer alguma coisa, expressar um sentimento ou contar uma história.

Buffalo Tom“Your Stripes”
Toda a banda tem um sonho, um tanto pueril de certa forma, de lançar discos bem produzidos, arrebanhar fãs, fazer turnês e tocar com seus ídolos. Se fossemos protagonistas de uma história assim, com certeza uma das bandas com a qual gostaríamos de tocar seria o Buffalo Tom, uma das nossas principais influências durante a fase da banda na qual éramos um trio. Uma informação interessante e que faz com que seja possível interligar uma referência em outra desta lista é que o Buffalo Tom, no início da carreira, foi produzido pelo J. Mascis, do Dinosaur Jr., o que rendeu ao trio de Boston o apelido de “Dinosaur Jr. Jr.”.

Superdrag“Do The Vampire”
Em alguns shows que fizemos algumas pessoas, fãs de rock alternativo como nós, costumam apontar 2 bandas como referências latentes nas nossas canções. Uma é o Placebo e a outra é este quarteto do Tennessee. De fato, as canções escritas por John Davis (seja no Superdrag, no Lees Of Memory, solo ou no Epic Ditch – onde toca com Nick Raskulinecz, produtor de bandas como Deftones, Mastodon, Rush e Foo Fighters, só para citar algumas) fazem muito a nossa cabeça, por mais que ele tenha tido uma estranha e inusitada fase que resultou em um disco inteiro dedicado a Jesus Cristo.

Sunny Day Real Estate“Guitar And Video Games”
Assumidamente, uma das nossas maiores influências nos primórdios da banda. Esta é uma das mais bonitas canções dos anos 90. Ela tem uma harmonia que traz uma certa melancolia, mas unida à uma sensibilidade impressionante e a performance vocal de Jeremy Enigk vai revelando uma intensidade no decorrer da música que acreditamos ser quase impossível não se render a tanta entrega e emoção na interpretação. A grande lição que fica aqui é a de que se a canção que você estiver tocando não tem a sua verdade como artista, pode desistir disso e ir fazer outra coisa.

Weezer“I Just Threw Out The Love Of My Dreams”
É bem difícil uma banda formada a partir dos anos 2000 que se dedique a tocar rock alternativo dos anos 90 não ser influenciada por Weezer. Esta é a única canção do Weezer com uma mulher no vocal principal, neste caso, a Rachel Haden (.that dog, Rentals, etc.). No começo do Loyal Gun, a ideia era ter uma vocalista e esta canção era uma das referências para a banda naqueles dias. Havia uma pessoa para tomar o posto, mas semanas antes de confirmarmos o primeiro ensaio com a primeira formação da banda, ela se mudou para a Alemanha. Ou seja, a banda mal começou e já tomou um 7 x 1.

Pin Ups“You Shouldn’t Go Away”
Já que o Spotify ainda não nos dá o prazer de poder ouvir Killing Chainsaw, Shed, Valv e outras bandas importantes que nos mostraram que era possível ter uma banda brasileira cantando em inglês, fazer trabalhos relevantes e ter um público, ainda que bem seleto, nada mais justo do que representar esta ideia e este ideal no Pin Ups. Acreditamos que cantar em outra língua é uma opção que toda e qualquer banda pode usar a seu favor e não há nisso razão para categorizá-la como uma banda menor e/ou desprezível. Para ilustrar isso, vale a pena mencionar que durante as gravações de “Dinner And Breakfast”, do The Hexx, os integrantes de Loyal Gun, Sky Down e Twinpine(s) que aparecem no vídeo estavam na verdade tocando esta música do Pin Ups. A ousadia de cantar em inglês prosperou e alcançou outras gerações.

Hateen“Mr. Oldman”
Ainda que o hardcore, assim como seus congêneres, não seja um estilo presente e/ou perceptível em nossas composições, bandas como Garage Fuzz, Street Bulldogs e Hateen foram importantes em nossa concepção sonora, pois, no começo dos anos 2000, há entre nós quem acompanhasse a fervilhante movimentação de bandas que levavam adolescentes a lotar as dependências do Hangar 110 todos os finais de semana naquele período, reforçando a ideia já perpetrada por Pin Ups, Second Come, Mickey Junkies, Killing Chainsaw, Dash, brincando de deus, Madeixas, Dead Billies, Úteros Em Fúria, Pinheads, Muzzarelas e tantas outras de que, se nós quiséssemos, inglês seria coisa nossa.

Superchunk“Cast Iron”
Patrimônio do rock alternativo dos anos 90, o Superchunk também é um exemplo mostrando um caminho, árduo mas possível, para quem não atende às exigências de mercado e nem quer atender, ao fundar seu próprio selo (a Merge Records) e lançar quase todos os seus discos do jeito que queria através dele. Obviamente, nossa realidade de país subdesenvolvido é diferente e é preciso compreender bem isso, mas sejamos honestos: se é praticamente certo que o rock não vai pagar nossas contas, porque então não tomar as rédeas de tudo e fazer o que der na telha do jeito que conseguimos lidar? Ganhar algum dinheiro é importante para pelo menos uma banda se custear, mas a prioridade tem que ser a música e o prazer que ela proporciona. Para ganhar dinheiro, o melhor é se dedicar paralelamente a outra coisa mesmo e conciliar na medida do possível.

Nada Surf“No Quick Fix”
Pode parecer uma receita um tanto cliché, mas ainda nos fascina esta tentativa de pegar uns 4 ou 5 acordes de guitarra, colocá-los em um compasso simples e tentar balbuciar uma boa melodia vocal para acompanha-los, enquanto se procura palavras que soem interessantes o suficiente para a ocasião. O Nada Surf é das bandas que investem no método e eles costumam se sair bem na esmagadora maioria das vezes.

Heatmiser“Christian Brothers”
Banda que teve Elliott Smith como vocalista. Tanto que a versão mais conhecida desta música é a que está presente em seu disco solo autointitulado, lançado em 1995. A versão solo (que apesar de ser gravada depois, foi lançada antes que a versão do Heatmiser) é tocada ao violão, acompanhada por uma discreta e contida bateria. É interessante ver como no formato com banda a canção muda e isso tem muito a ver com muitas canções que fizemos, pois elas muitas vezes partem de uma ideia feita ao violão e depois se tornam outras quando desenvolvidas com a banda toda.

Teenage Fanclub“Can’t Feel My Soul”
Powerpop é uma das grandes influências da banda, pois, na nossa concepção, um dos caminhos possíveis de se desbravar para se fazer uma boa canção é aquele no qual, entre um riff, um lick ou um acorde aberto cheio de overdrive, um baixo pulsante e uma bateria marcando bem o ritmo, você encontra uma melodia vocal que você, ao ouvir, também sente vontade de cantar. O Teenage Fanclub é um patrimônio do estilo que sabe muito bem como percorrer esta rota.

Wipers“Mystery”
Em um determinado período da banda, durante uma das diversas transições decorrentes de mudanças na formação, decidimos que escolheríamos algumas músicas que gostávamos para tocar em um ou outro show. Esta foi uma delas. Sua curta duração gerava uma dúvida sobre o que era melhor: improvisar e alongá-la ou apenas tocá-la inteira várias vezes seguidas. Acabamos optando pela segunda possibilidade. Mas é tão divertido tocar esta canção que, na verdade, tanto faz.

Nirvana“Sappy”
Foram os b-sides do Nirvana os responsáveis por mostrar uma outra faceta da banda (alguns deles, inclusive, são versões de canções do Wipers) e hoje, passados todos estes anos do furacão grunge e numa era na qual chega-se a falar sobre um revival do estilo, estes b-sides ainda se mostram preciosos. O que se extrai daí é a importância de se insistir procurando uma melhor disposição de acordes, uma linha de baixo mais interessante, uma melodia vocal mais cativante, pois, por mais que você não vá incluí-la em um álbum ou no seu repertório, é importante ter a convicção de que você fez o seu melhor e, mesmo que você consiga se superar em outras ocasiões em outras canções, em um dado momento o valor do que foi deixado para trás se fará perceptível de alguma maneira.

Contramão Gig volta à Rua Augusta nesta quarta com shows de In Venus e The Bombers

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Contramão Gig busca levar música autoral de volta para o Baixo Augusta e volta ao Bar da Avareza nesta quarta-feira (12/07) convidando você a descobrir e redescobrir artistas da cena independente em apresentações ao vivo memoráveis!  A segunda edição conta com dois shows especiais:

In Venus

In Venus

Formada por Cint Murphy Ferreira (voz e teclados), Patricia Saltara (baixo), Camila Ribeiro (bateria) e Rodrigo Lima (guitarra), a In Venus mostra no show de seu mais recente trabalho lançado pela Howlin’ Records, “Ruína”, sua sonoridade combativa e ritualística calcada no post punk, no wave, shoegaze e slowcore.

The Bombers

The Bombers

A santista The Bombers, formada em 1995, lança no Contramão Gig seu mais novo trabalho pela Hearts Bleed Blue, “Embracing The Sun”, mostrando que suas influências vão muito além do punk rock. Formado por Matheus Krempel (vocal e guitarra), Gustavo Trivela (guitarra e vocal), Daniel Bock (baixo e vocal) e Mick Six (bateria), o quarteto apresentará músicas de toda sua carreira com a energia pela qual são conhecidos.

A discotecagem fica por conta dos organizadores Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream), Rafael López Chioccarello (Hits Perdidos), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi), Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT) tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

Durante o evento também teremos flash tattoos com a equipe Studio Bar, venda e troca de discos com a Charada Discos, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream), Rafael López Chioccarello (Hits Perdidos), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi), Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT)
Fotos: Elisa Oieno
Apoio: MutanteRadio e Radio Planet Music Brasil

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Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis 

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa ou calçando chinelos.

Pra quem perdeu a primeira edição da Contramão Gig com shows dos Molodoys e Dum Brothers, aqui vai uma playlist com um pouco do que foi discotecado e tocado pelas bandas: