Macaco Mostarda mostra toda sua energia e falta de limites no clipe de “Carranca”

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O trio Macaco Mostarda define seu som como uma mistura de punk com soul, ou jungle rock, indicado pelos próprios por falta de um nome melhor. Talvez a energia e falta de limites dos primatas seja a força motriz da banda de São Paulo, formada nas últimas horas de 2014.

Formada por Lino Colantoni (vocais e guitarra), Carlos Sanmartin (baixo) e Renato Murakami (bateria), a banda acaba de lançar o clipe de “Carranca”, um dos diversos singles que pretendem lançar este ano. “A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe”, conta Lino. “Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas”.

Conversei com ele sobre o clipe de “Carranca”, a carreira da banda e os planos de singles para 2018:

– Me conta mais sobre este novo clipe. Foi feito em casa?

Foi sim! A gente gravou na real na casa de uns broder. A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe, a gente queria algo simples, que fosse possível a gente mesmo produzir, e que remetesse a ideia do que é a banda ao vivo! Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! De cara eles ficaram meio receosos de deixar a gente rodar o clipe lá, porque a gente é realmente muito enérgico tocando e as vezes até perde um pouco o controle… Mas é uma galera muita parceira. No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas.

– Ah, são perdas tranquilas, até (risos). Como a banda começou?

Eu tinha umas composições engavetadas e queria levantar elas com uma banda, não sozinho. Eu sempre curti ter banda, tenho banda desde os 15 anos, só que eu estava sem banda a uns anos, e ali achei que era o momento de montar outra. Eu e o Carlos (baixista) já fazíamos um som juntos, a gente tirava uns covers, mas só de brincadeira, a Macaco Mostarda ainda não existia. Eu tentei montei essa banda algumas vezes, e foram muitas tentativas frustradas, até o dia em que eu tive que tirar o terceiro baixista da banda e eu pensei “Mas que porra que eu to fazendo? por que eu ainda não chamei o Carlos pra tocar comigo?” Ali eu conversei com ele e falei “Velho, tô de saco cheio de tocar cover, quero levantas uns sons próprios” e ele topou na hora! A gente já tinha o primeiro batera, e dali pra frente começou a brincadeira.

– E o nome Macaco Mostarda?

Foi inspirado numa música da banda Joe Strummer and The Mescaleros, chamada “Johnny Appleseed”. A gente pensou em dar o nome da banda de “João Semente de Maçã”, mas a gente descobriu que já tinha uma banda gospel com esse nome, até por se tratar de uma história biblica. Daí o itinerário de maçã pra mostarda e do João pro Macaco eu já não me lembro muito bem, mas sei que o ponto de partida foi esse (risos). Quando surgiu na mesa o nome Macaco Mostarda, a gente pirou na imagem e fechou a ideia! A gente escuta com frequência que a nossa performance ao vivo remete muito ao comportamento enérgico dos macacos, e por esse motivo muita gente acaba achando que o nome vem daí. Mas embora essa não tenha sido nem de longe a nossa intenção, até que fez algum sentido e a gente acabou gostando dessa associação.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!

A gente tem uma demo, que foram as primeiras composições, aquele do disquinho de capa amarela e preta. Feito na independência total, a gente curte ele por ser o primeiro e tal, mas existem planos de regravar os sons que estão lá, até por conta da troca de baterista que a gente teve no ano passado, a banda mudou
muito de lá pra cá e a gente tem muita vontade de regravar com a mão do Renato (atual batera). Mas são músicas que a gente curte demais, toca todas nos shows ainda e foi uma demo gravada com muita raça e muita paixão. Temos o primeiro single que a gente lançou, chamado “Boca do Estômago”, totalmente independente também, mas esse com mais punch, mais qualidade e mais maturidade também. Foi uma composição minha que surgiu de repente, em uma hora e meia a música tava pronta, eu mandei mensagem pros caras e falei “vamo gravar?” e os caras abraçaram a ideia. Dois meses depois (corre independente é demorado) a gente tava lançando ela. E agora a gente lançou o single “Carranca”, que é nossa primeira faixa gravada com o Renato (atual batera), nosso primeiro clipe e nosso primeiro som lançado em parceria com nosso produtor, Guilherme Real. A composição é antiga, mas a música foi toda repensada em estúdio pra ter a cara da banda na fase em que ela tá mesmo. Esse single faz parte de uma série de singles que a gente deve lançar durante o ano.

– Pode me adiantar alguma coisa sobre estes singles que virão?

O próximo som a gente deve lançar em maio, se chama “Revoluções e Mentiras” e tem uma assinatura funk que a gente particularmente gosta muito, tem participação da Thai Borges nas percussões (que estão pesadíssimas por sinal), uma amiga nossa lá de Curitiba. E nossa primeira balada deve vir na sequência, mas não espere nada muito arrumadinho porque nosso negócio é um groove barulhento (risos). Tem mais som por vir, mas por enquanto, o que dá pra adiantar legal são esses. Os outros estão em processo e a gente tá trampando neles sem pressa.

– Como você definiria o som da banda?

Por mais clichê que isso vá soar, eu preciso dizer que essa é sem dúvida umas das perguntas mais difíceis de se responder sobre a Macaco. A gente tenta, no momento da criação, não definir uma sonoridade específica pra buscar, a gente simplesmente toca, e o que estiver soando no nosso inconsciente. Vai soar no som que a gente tá fazendo. Sei que é uma reposta vaga, mas se eu tivesse que definir o nosso som de alguma maneira, eu diria que a gente é uma banda punk que entrou disfarçada num baile soul. Punk porque a gente é barulhento e segue a risca o DIY e soul porque se tem um estilo que contempla a todos da banda é esse, e de alguma forma, ele tá sempre povoando nosso imaginário nos momentos de criação.

– Quais as maiores inspirações musicais da banda?

Cada um tem um gosto muito particular, mas a gente divide de algumas referências: Jimi Hendrix, Stevie Wonder, The Police. Nacional a gente gosta muito de Caetano Veloso, Tom Zé, Novos Baianos…
Eu principalmente, escuto muito rap desde muito novo. então acho que é uma das principais influências também.

– Como vocês veem a cena independente, tão prolífica hoje em dia?

A gente gosta muito da cena, principalmente porque o rock tá vivendo de novo um momento underground. Os grandes veículos não estão focados no rock agora, e isso é ótimo pra manutenção do gênero. As bandas podem explorar mais, ter mais autonomia de criação e muita coisa nova vai surgindo dessa experimentação. Eu diria que é um momento de reinvenção necessário pro rock que ficou durante um tempo cristalizado em fórmulas ultrapassadas.

– Ou seja: essa “baixa” do rock no mainstream é necessária pra uma possível volta à grande mídia/grande público?

Talvez sim, talvez não. Eu acredito que tudo é cíclico. Mas acho que o artista que escolheu o rock como plataforma tem que se preocupar em inovar, em buscar alguma originalidade, não se preocupar com a ascensão do gênero nem nada do tipo. O rock por ter sido mto bem tratado durante mto tempo entrou numa zona de conforto, e acho que o momento é bom pra que ele saia desse lugar. O momento tem que ser de união, as bandas precisam voltar a pensar de forma coletiva.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende começar a produzir o próximo clipe, continuar gravando novos sons e estamos produzindo uma nova edição da “Festa da Macacada”. É um festival que a gente faz com bastante artista parceiro pra arrecadar fundos pra alguma instituição ou algo do tipo.

– Fala mais dessa festa.

A gente gosta de colocar a banda a serviço de alguém ou de alguma coisa. E disso surgiu a ideia de fazer esse evento beneficente pra levantar fundos. Em 2016 trabalhamos com uma ONG que ajuda refugiados sírios, esse ano a gente queria trabalhar com eles de novo mas parece que a ONG fechou por falta de verba. Porém, algumas famílias ainda precisam de ajuda e a gente vai organizar outra festa pra levantar essa grana pra eles. Nossa vontade é fazer esse.tipo de evento com mais frequência, essa é o tipo de coisa que a gente tem muito tesão de fazer. Eu tô negociando com espaços pra ver onde e quando pode rolar. A princípio tenho uma data que é dia 21 de abril. Mas ainda pode mudar porque estou negociando com espaço e as bandas e artistas participantes. A ideia é sempre unir várias artes e fazer um evento divertido e com propósito pra todo mundo.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sr. Apache. Eles e Anna Sátt, Malaguetas, João Perreka e os Alambiques, Picanha de Chernobill, Cankro, David Alexandre, tem dois caras de Guarulhos que eu acho que são fundamentais pra cena de hoje (junto com o João Perreka) que é o Victor Carvalho de Lima e o Guilherme Papini, Aláfia, Mutum, As Bahias e a Cozinha Mineira, Rincón Sapiência (que apesar de estar estourado ainda é independente). muita gente na independência mandando muito bem.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Renan Inquérito

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foto por Márcio Salata

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Renan Inquérito, do Inquérito, banda de rap de Nova Odessa.

The Isley Brothers“Between the Sheets”

Esse som é de 1983 e a primeira vez que eu ouvi foi através da música “Big Poppa”, do Notorious BIG, em 1994, depois no som “Livro da Vida”, gravado pelo Sistema Negro no álbum “A Jogada Final”, de 1997, ambos samplearam essa música, e de tanto ouvir esses dois raps, fui atrás do original, mas na época não tinha internet, foi no garimpo mesmo, falando com os colecionadores de disco, os nego véio, aí cheguei no disco do The Isley Brothers. Esse som me faz lembrar todo o processo de pesquisa pra se fazer um rap na década de 1990, isso tem um valor muito grande, ainda mais hoje em dia que os moleques só dão um Google. Pra que vocês tenham uma ideia, essa música foi sampleada por mais de 30 rappers diferentes só nos EUA.

J Cole“Sideline Story”

Eu conheci esse som e fiquei tão viciado nele que escutei no repeat por dias seguidos, nem sequer sabia do que ele estava falando, nem fui buscar a tradução até hoje, eu apenas sentia o que ele me trazia na época, estava há muito tempo sem escrever nada e passando por um período complicado da minha vida, então de tanto ouvir comecei a escrever uma letra em cima dele, fiz a letra todinha em cima desse som e curti tanto o resultado que decidi começar a fazer um disco novo imediatamente. A música que eu escrevi em cima chamava-se “Rivotril”, e depois mudei o nome para “Tristeza”, o disco que ela me inspirou a começar foi o “Corpo e Alma”, 2014.

Gonzaguinha“João do Amor Divino”

Esse som é de 1979, mas me soa tão atual, tão rap, impressionante! A letra conta a história de um pai de família que é “profissional em suicídio” e literalmente se mata pra garantir o sustento da casa. A narrativa vai mostrando todo o percurso traçado por ele até o dia em que decidiu pular de um prédio no centro da cidade pra arrancar uns trocos dos curiosos. Uma narrativa direta, sem refrão, tipo um rap storytelling. Eu penso que Gonzaguinha foi um MC antes do rap existir no Brasil, morreu jovem e deixou várias outras músicas de protesto, como por exemplo “Comportamento Geral”. É um artista que me influencia muito com a sua poesia.

F.UR.T.O.“Sangueaudiência”

Esse disco é foda, não dá pra indicar uma música só, é o único disco do F.UR.T.O., banda fundada pelo baterista e compositor Marcelo Yuka depois de ter saído do O Rappa. Todas as composições são do Yuka, letras extremamente politizadas, como “Amém Calibre 12”, “Ego City” e “Verbos a Flor da Pele”, críticas ácidas ao capitalismo e à hipocrisia da sociedade. Ouvi muito esse disco na época, 2005, porque pra mim ele era uma espécie de rap eletrônico tupiniquim, e também porque depois da saída do Yuka do O Rappa, eu me sentia órfão de letras politizadas. Tem uma frase numa letra que eu nunca esqueci, ele vem contando a história de uma menina da favela e de repente diz que ela era “mãe demais pra ser jovem”.

Zeca Baleiro“Eu Despedi o Meu Patrão”

Adoro as letras do Zeca, inteligentes e sarcásticas, sempre cheias de figuras e imagens. Esse som faz parte do álbum “Pet Shop Mundo Cão” (2002), que tem grandes clássicos da sua carreira, como a canção “Telegrama” que toca muito até hoje. Essa faixa em especial tem a participação do pessoal do Záfrica Brasil, Fernandinho Beat Box e Gaspar, que também estão em outras faixas do disco, que aliás é cheio scratches. Chapo quando ele diz: “não acredite no primeiro mundo, só acredite no seu próprio mundo!”

Contramão Gig volta ao Bar da Avareza hoje com shows de Thee Dirty Rats e Os Chás

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O Contramão Gig acontece mensalmente no Bar da Avareza com a organização do Crush em Hi-Fi e do RockALT, e hoje tem mais uma edição! Seguindo nossa missão de levar a música autoral de volta para o Baixo Augusta convidamos vocês a uma vez mais descobrir e redescobrir artistas da cena independente! Nesta edição teremos apresentações de duas bandas incríveis: Thee Dirty Rats e Os Chás!

Thee Dirty Rats
O duo faz um garage rock direto e reto e sem freios. Rock and roll minimalista feito com 3 cordas e 3 peças de bateria. Formada em 2014 em São Paulo, a banda conta com Luis Tissot nos vocais e cigar box com pedal fuzz e Fernando Hitman na bateria e efeitos. Na bagagem, os EPs “The Fine Art of Poisoning 1&2” e “Perfect Tragedy”.
Ouça:

Os Chás
Formada em 2016 por Gabriel Mattos (guitarra e voz), Diogo Menichelli (bateria e percussão) – ambos ex-Hierofante Púrpura, Thiago Fernandes (baixo e voz) e Wesley Franco (baixo), a banda lançou em 2017 o EP “Já Delírio”. Gravado e mixado por Taian Cavalca e masterizado por Hugo Falcão no estúdio Mono Mono, o disco traz as participações especiais de Priscila Ynoue (piano, órgão e sintetizador) e Mário Gascó (sitar indiano e didgeridoo) ajudando a engrossar o caldo alucinógeno de suas seis faixas.
Ouça:

A discotecagem fica por conta do pessoal do Crush em Hi-Fi e do RockALT e das DJs convidadas da noite, Daise Alves e Mirella Fonzar, do Universo Retrô, tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

 

Durante o evento também teremos flash tattoos com a Lina Zarin, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi)
Fotos: Elisa Moreira Oieno

Quarta-feira, 21 de março de 2018
Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa, com camisetas de times ou calçando chinelos.
• Aqui sua bike é bem-vinda! (vagas limitadas)

Construindo Retrosense: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Retrosense, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rash (vocais)

Paramore“Crushcrushcrush”

Uma das primeiras músicas que ouvi do Paramore, que é grande influência não só para mim, mas para Retrosense. Fiquei totalmente viciada, acho o clipe muito foda! Também foi um dos primeiros covers que fizemos no começo da banda. Lembro de conversar com o Otávio na UEM (Universidade Estadual de Maringá) sobre a gente tocá-la nos ensaios (risos).

ABBA“Mamma Mia”

Minha mãe ouvia Abba praticamente todos os dias. Assim como também ouvia Michael Jackson, Queen, Cindy Lauper. Isso me influenciou muito musicalmente. Abba é uma grande influência porque é uma banda sueca que canta em inglês e fez sucesso mundial. Isso sempre provou para mim que MÚSICA é universal. E um baita clássico, né? A gente curte muito essa música. Fazemos uma releitura dela nos nossos shows que fica bem massa.

Haim“Forever”

Haim é uma banda que eu ACHO FODA DEMAIS. Quando eu comecei a conhecer melhor o trabalho delas eu fiquei muito inspirada. O álbum ‘Days are Gone’ foi uma grande referência de sonoridade para mim, elas fazem tipo um Fleetwood Mac moderno, acho muito massa. E essa música marcou a Retrosense porque fazíamos uma versão dela.

Joan Osborne“One of Us”

Essa música me dá muita nostalgia. Ela é tipo Retrosense roots (risos). É uma música linda que fala “e se Deus fosse um de nós?” sempre me fez refletir muito, e isso tem tudo a ver com que a gente queria/quer passar com a Retrosense: reflexões.

The Cranberries“Linger”

Cara, Cranberries é foda. É uma banda muito nostálgica para mim também… lembro do meu irmão ouvindo bastante e me dizendo que eu poderia ter uma banda parecida. E o timbre da Dolores? Incrível. Me inspirei bastante. Perdê-la esse ano foi foda.

Pitty“Equalize”

O clichêzão de toda banda com vocal feminino fazer uns covers de Pitty no começo (risos). Mas acho isso muito massa! Admiro muito a Pitty e o legado que ela tem deixado no rock feito por mulheres.

Avril Lavigne“Nobody’s Home”

RASH EMOOOOOOOO. Ai gente, dá licença. Mas caramba, ouvi muito. Era minha música favorita ever. E olha o tanto de tempo que a Avril conseguiu ficar no topo das paradas. Isso me inspira demais!

Otávio (guitarra)

Bastille“Flaws”

Bastille me inspirou muito por causa dos arranjos vocais, os sintetizadores, a percussão, enfim, tudo! Sinto-me um pouco sinestésico ouvindo Bastille.

Paramore“Still Into You”

Quando o Taylor York se tornou integrante definitivo do Paramore, ele conseguiu criar um novo conceito de guitarra pop. Essa música é estruturada em torno do riff da guitarra que é extremamente melódico com timbres surreais. A maneira como ele consegue conduzir a música me fez repensar a minha maneira de tocar.

John Mayer“Heartbreak Warfare”

Mais um exemplo genial de como conduzir a música com o riff de guitarra e criar uma atmosfera particular com os timbres. Vindo do John Mayer não é de se espantar. Na verdade, todos os CDs dele me inspiraram muito.

Mr. Big“Nothing But Love”

Mr. Big não tem nenhuma ligação direta com a Retrosense. É uma influência pessoal. Essa música em especial me chamou atenção desde o início porque o guitarrista Paul Gilbert, que costuma ser virtuoso nas músicas, faz um solo completamente simples, mas genial. Sempre que preciso criar um solo nas músicas da Retrosense, eu paro pra escutar essa música e me inspirar.

Goo Goo Dolls“Name”

Creio que a maioria das pessoas tem uma música que leva a mente para outra dimensão. Essa é a minha! Uma “depressing ballad”. Essa música influenciou completamente na minha maneira de compor, especialmente as músicas melancólicas.

P!nk“Just Give Me a Reason”

Um fato: eu vicio em uma única música e ouço ela compulsivamente durante um mês pelo menos. Acredito que eu ouvia “Just Give Me A Reason” umas 40 vezes por dia. Não sei se pela melodia, pelo ritmo ou por me lembrar alguém. (Nota da Rash: O Otávio faz isso com todas as músicas que ele ouve, sério. (risos) e P!nk também é uma grande referência. QUE MULHER!)

Rosa de Saron“O Sol da Meia Noite”

Essa banda é simplesmente incrível. Eles conseguem ser geniais em cada elemento das músicas: harmonias complexas, melodias marcantes, letras inspiradas em crescimento pessoal, timbres incríveis. É tudo complexo e simples ao mesmo tempo. Quando ouvi “O Sol da Meia Noite” pela primeira vez, eu pensei “esses caras não tem limite” (risos).

José (bateria)

Linkin Park“Breaking the Habit”

“Breaking the Habit” do álbum “Meteora” é o tipo de obra prima que mostrou que a banda poderia seguir novas direções, sem um instrumental tão pesado ou uma voz gritante. Tem muita inovação e elementos eletrônicos, mas ao mesmo tempo é simples. Essa música cairia bem em qualquer álbum da banda, sem contar na emoção que a letra e a voz de Chester imprime para a música e mostra que sempre podemos mudar ou enfrentar algo que está nos fazendo mal.

Twenty One Pilots“Holding on to You” (versão ao vivo)

Twenty One Pilots é um duo que impressiona pela performance e que não pode deixar de ser citado, pois é tão impactante que é quase imperceptível notar os samples estão que sendo tocados ao vivo para apenas dois integrantes. Em “Holding on to You”, além do duo usar elementos de vários estilos com música eletrônica, em sua versão ao vivo eles impressionam quanto o baterista dá um salto mortal durante uma parte da música. Isso mostra que a alta performance e o carisma podem ser mais importante que vários detalhes.

Fresno“Deixa o Tempo”

A Fresno inicialmente não era uma influência para a banda, mas após o Breakout Brasil, não deixamos de admirar e nos inspirar no trabalho do Lucas Silveira e cia. Em “Deixa o Tempo”, o Fresno mostrou um amadurecimento em suas composições, sem perder o dom de fazer canções pop/rock de qualidade, mas fugindo do genérico, com muitos efeitos de guitarras e sintetizadores e as vozes trabalhadas entre Lucas e Tavares.

The Killers “When You Were Young”

“When You Were Young” é um hino para os fãs do The Killers, ela possui um riff inconfundível, vocal emocionante, melancólico e uma sonoridade um pouco densa. Esse som é admirável por ser uma amostra da sonoridade que a banda iria seguir nos próximos anos. Essa é uma influência pessoal pra mim, pois curto mudanças.

The Beatles“Ticket to Ride”

É claro que não ia faltar um clichezão de influência de todas as bandas né… Sim, Beatles, essa canção me traz vários sentimentos como nostalgia, humor e alegria, sem contar que o instrumental dela é muito simples (batera, guitarra) e os vocais trabalhados. Quando penso em uma música foda com o instrumental simples (principalmente a batera) e mesmo assim contagiante, sempre lembro de “Ticket to Ride”.

My Chemical Romance“Welcome to the Black Parade”

Não pode ficar de fora um emo raiz (risos) Mas sério, sinto uma ambiência inexplicável nesse som que tenho certeza que marcou muita gente na famosa “época da MTV” eu sou fãzaçoooo do Gerard Way, pra mim ele é um dos melhores vocais que existem com seu estilo peculiar, seus gritos. Quem não curte é preconceito (polemizei (risos)).

The Mönic surge como uma fênix barulhenta das cinzas do BBGG no clipe de “High”

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O quarteto paulista The Mönic nasceu assim que o BBGG parou de respirar, uma verdadeira reencarnação imediata. Da ex-banda, Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (voz e baixo) e Ale Labelle (voz e guitarra) trazem sua garra, competência e aquela vontade de tocar seu som o mais alto possível. E agora, com a entrada de Daniely Simões (bateria), o volume está cada vez mais ensurdecedor.

A primeira amostra do que o The Mönic tem a oferecer vem no clipe de “High”, lançado pela Deckdisc, uma produção 100% feminina. “A ideia de ser um clipe nosso tocando surgiu da consciência de que esse é um ponto forte nosso, o ao vivo, a estética, então quisemos aproveitar isso pra divulgar a novidade que é The Mönic”, conta Ale. Agora, a banda está compondo loucamente e está mais entrosada do que nunca. “Em menos de 2 meses após a entrada da Dani na batera tínhamos um set de show 100% com composições nossas e novas. Aí veio a ideia de zerar o jogo e começar a partida de novo”, explica Dani. “Já temos nosso próximo single gravado. Ele se chama “Buda”, é em português e também será lançado pela Deckdisc. Estamos com um monte de músicas prontinhas pra gravar um álbum e esperamos que isso role em breve”, adianta.

– Me contem mais sobre esse renascimento como The Mönic. 

Dani Buarque: A entrada da Dani foi crucial pra acontecer o que já achávamos que ia acontecer: mudar de nome e começar tudo do zero. A gente não sentia mais como BBGG, virou outra vibe, outra coisa. A gente passou a se ver muito mais e consequentemente compor juntas. Isso deu uma força muito grande pra gente e uma vontade maior ainda de criar uma coisa totalmente nossa. Em menos de 2 meses após a entrada da Dani na batera tínhamos um set de show 100% com composições nossas e novas. Aí veio a ideia de zerar o jogo e começar a partida de novo.

– Vocês já estão trabalhando em um disco ou EP?

Dani B: Nós ainda não gravamos um disco. Temos 12 músicas prontinhas mas gravamos apenas 2 faixas. A “High”, que lançou agora, e muito em breve sai nosso segundo single, chamado “Buda”. Foi muito natural a composição de tudo. A gente nunca olhou uma pra cara da outra e disse: vamos fazer muitas músicas? Com a saída do Mairena a gente começou a compor, já que antes nossas composições não entravam na banda. Então tivemos mais liberdade. Acho que a vontade de ter as músicas na banda eram tão grandes pra todas que em 1 mês tínhamos 9 músicas redondinhas e mais 1 mês só estávamos com o set de show 100% com músicas só nossas. Eu posso dizer que foi totalmente do coração. Na demo que mandamos pro Rafael Ramos, tinha música de todas as integrantes da banda, e coincidentemente quando ele escolheu as músicas com maior potencial, era uma música de cada e uma que fizemos todas juntas.

Joan: A gente começou a criar juntas, fato que ainda não tinha ocorrido antes na BBGG e em pouco tempo já havíamos gravado uma demo com um monte de músicas novas. Mais pesadas e mais nossa cara. O álbum ainda não rolou, mas não deve demorar pra sair, já que temos muitas músicas.

– Como apareceu o novo nome da banda?

Joan: Dar nome a uma banda é realmente difícil, ainda mais quando as quatros tem que concordar (risos).

Dani B: Foi a coisa mais difícil do mundo. Ficamos 4 meses sem um único nome que agradece a todas.Era muito frustrante não ter um nome. Aos 45 do segundo tempo eu postei uma foto com a minha irmãzinha no meu aniverário. As duas estavam com chifrinhos de diabinho, coloquei na legenda “The Monias”. Dai joguei pra banda e no brainstorm se tornou “The Mönic” (que foi ideia na real do meu marido Lincoln). A gente achou o nome bom pelo trocadalho do carilho e por ser divers (risos). Eu particularmente queria um outro nome pra banda que gosto mais, na real eu e a Daniely ainda vamos montar outra banda só pra usar esse outro nome. Mas agora a banda acredita em democracia então ficou esse mesmo (risos).

Daniely: Eu e a Dani ainda temos muita fé nesse nome, porque é insuperável e as pessoas precisam saber disso (risos).

Ale: Eu queria que fosse “The Monicas” (risos).

– Como foi a composição das novas músicas?

Joan: Eu acho que pelo motivo de agora a gente estar compondo juntas, todas as nossas músicas ganharam mais força, não só as músicas, mas a banda mesmo ganhou mais energia. Estamos aprendendo muito com a criação, muito mesmo.

Dani B: Foi incrível e natural. Eu acordava com algo na cabeça, gravava no celular mandava no grupo e a gente ia trabalhando juntas do início ao fim. Foi algo que nunca tinha vivido. Uma mandava ideia pra outra e mesmo que algumas músicas fizemos separadas, tem o toque de todas em todas as músicas. Acho que ninguém na banda sabia que seria tão natural e fácil fazer algo que nunca tínhamos feito antes. A gente ficava no estúdio horas e mais horas arranjando cada pedacinho das músicas, uma ouvindo e respeitando a opinião da outra, uma ajudando a outra. Isso com certeza nos uniu ainda mais. Aprendi mais nesse período de 5 meses com a banda do que aprendi na minha vida inteira tocando.

Ale: Foi leve e divertido. Cada uma somou com alguma coisa. Pros encontros de composição, a gente passava várias horas em estúdio e mal percebia o tempo passar.

Daniely: A partir do momento que cada uma encaminhou suas ideias em áudio e em estúdio, colocamos em prática. Aconteceu de uma maneira tão fácil que parecia que eu e elas nos conhecíamos por anos. Foi ali que, acho que posso dizer pro todas, descobrimos que estávamos fazendo a coisa certa.

– O que vocês trazem do BBGG para o The Mönic?

Joan: Foi o começo de tudo, sou muito grata por ter feito parte da BBGG. Foi uma puta base pra gente do que é ter uma banda, da correria, da persistência… Pra chegar com os dois pés agora.

Dani B: Maturidade. Acho que todas nós sabemos da importância que a BBGG teve, não só na nossa formação musical e vivência de palco, como também pra definir se a gente quer isso mesmo. Todo mundo sabe o quão difícil é ter banda que só toca som autoral. Fora que graças a BBGG que conheci essas minas fodas que respeito e admiro infinitamente.

Ale: Muita experiência e prática. Todas nós mudamos e crescemos muito como artistas ao longos dos anos na BBGG.

– Como foi a entrada da Dani na bateria?

Joan: Chegou descendo a mão, quebrando tudo. <3

Dani B: Eu amo contar essa história. Fizemos uma audição com 5 bateristas e todas arregaçaram. Ficamos em dúvida entre a Dani e a Sarah. Era um páreo dificílimo. A primeira audição era elas tocando BBGG… No primeiro teste, lembro da Dani errando algo que a gente não percebeu, mas ela ficou tão nervosa que levantou da bateria e jogou a baqueta longe (risos). Enfim, no segundo teste, queríamos ver como elas eram na hora de compor, então gravamos 3 sons nossos, apenas voz e violão, e elas precisavam criar uma bateria do zero. No teste as duas arregaçaram de novo, mas acabamos escolhendo a Dani. Lembro que na minha primeira conversa com ela, perguntei que bateria ela tinha e ela disse “nenhuma”. Eu perguntei onde ela praticava e ela respondeu que na cabeça e nos travesseiros dela. Eu fiquei engasgada e disse “tá, mas essas bateras novas das musicas que você criou, você tocou onde?”. Ela respondeu que nunca havia tocado elas, a não ser na cabeça dela. E que no dia do primeiro teste dela, ela não sentava na bateria há 6 anos. Eu tenho um puta orgulho dela. É uma mina que não toca pra caralho porque ela quer ser a melhor baterista, ela toca pra caralho porque é automático, ela ama isso, e se dedica nisso 24 horas por dia, mesmo não tendo uma bateria, o tempo livre dela é sempre ouvindo musica e assistindo video de show e prestando atenção a cada detalhe. É uma honra ter ela com a gente. Eu chamo ela de Demogorgon, porque a cada ensaio a bicha cresce uns 20 metros.

Daniely: Eu quero aproveitar para agradecer a Sarah, porque se não fosse por ela eu não teria encontrado o estúdio no dia do primeiro teste. Eu já estava com o celular na mão pra gravar um vídeo pra mandar pras meninas dizendo que eu fui mas não tinha encontrado o lugar, sendo que eu estava de frente (risos). Assim ela saiu desse lugar que magicamente apareceu ali e eu consegui participar. Estava bem receosa porque não me sentia segura em nenhuma música que acabei tendo que improvisar mas deu certo, então tá bom.

– Quais são as principais influências da banda?

Dani B: Eu só percebo as influências depois que a música tá pronta. É bem inconsciente, mas acho que essas músicas novas tem elementos de bastante coisas diferentes por exemplo: Hole, Queens of The Stone Age, The Kills, Nirvana, Garbage.

Ale: Eu cresci tocando The Distillers, então acho que é meio inevitável passar um pouco dessa base pra músicas. E não podemos esquecer de L7 também, que é a banda que mais dizem que se compara o som.

– Como foi a produção do clipe para “High”?

Ale: 100% feminina. Surgiu de um contato da Mari, que conheci trabalhando na PlayTV, querendo produzir um clipe nosso junto com a parceira dela, Carol. Depois disso nos encontramos pra bater o martelo na ideia do clipe e praticamente uma semana depois já estávamos filmando. A equipe contou também com a Carol que brilhou na maquiagem. A ideia de ser um clipe nosso tocando surgiu da consciência de que esse é um ponto forte nosso, o ao vivo, a estética, então quisemos aproveitar isso pra divulgar a novidade que é The Mönic.

– Quais os próximos passos da banda?

Dani B: Já temos nosso próximo single gravado. Ele se chama “Buda” e é em português e também será lançado pela Deckdisc. Estamos com um monte de músicas prontinhas pra gravar um álbum e esperamos que isso role em breve. Em abril também temos nossa primeira tour e será no Sul <3

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos.

Joan: SixKicks, The Biggs, Water Rats, Overfuzz, Sky Down

Dani: Vixi, tem tantos… Nessa lista tem desde samba até rock: The Biggs, Ekena, SixKicks, Cat Vids, Autoral, Overfuzz, Water Rats, Der Baum, Batuque de Lara, Sky Down, Corona Kings, Obinrin Trio.

Daniely: SixKicks, Karen Dió, Der Baum, Muff Burn Grace.

Ale: Todos esses artistas maravilhosos que já citaram, mais Karen Dió, Odradek, Devilish, Marrakesh, Raça, Musa Híbrida, Young Lights, Carne Doce, Lava Divers, Brvnks, FingerFingerrr, Cinnamon Tapes, Trombone de Frutas, e a lista vai longe!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Bruno Kayapy, guitarrista do Macaco Bong

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Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas ou discos que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é o compositor Bruno Kayapy, guitarrista da Macaco Bong.

Spice Girls – “Spice”

Se a ideia é citar referências que não são tão óbvias pra mim com certeza o álbum “Spice”, das Spice Girls é o primeiro da minha lista. Um clássico da world music setentista, sou um fanático por world music e bandgroups de super-produção. Particularmente, acho a história das Spice Girls uma história de união, força, harmonia, superação e fraternidade como jamais existiu em qualquer outra banda, demorou muito para as pessoas perceberem o quanto as Spice Girls foram importantes na juventude noventista. E também cito esse disco porque foi produzido por três gênios da produção musical de world music; me refiro a Absolute, Andy Bradfield, Matt Rowe e Richard Stannard.

Madonna“Like a Virgin”

Muita gente não imagina, mas sou fanático pelos trabalho da Madonna. Pra mim ela foi a grande visionária da música pop oitentista, Like a Virgin é uma obra prima, é um disco que vivo procurando em vinil e não acho com muita facilidade. Essa maravilha de disco foi produzido pelo ídolo da guitarra Nile Rodgers, que produziu “Get Lucky”, do Daft Punk.

Bjork“Vespertine”

Quando ouvi Bjork pela primeira vez foi amor à primeira vista. Sou completamente apaixonado pela concepção criativa dela. Pra mim esse é o grande álbum da primeira década de 2000. Obra-Prima! Tenho muitas influências da Bjork, especialmente na elaboração das minhas linhas melódicas na guitarra. Tudo que eu mais gostaria era que o som da minha guitarra tivesse a voz e o timbre da Bjork, os vibratos dela são sutis, ouvir a Bjork pra mim é como se as cordas vocais dela tivessem um Jimi Hendrix grudado em cada corda vocal. Amo todos os álbuns, mas o meu preferido é o “Vespertine”, achei que ela atingiu um nível de produção e concepção dos mais absurdos já feitos na história da música popular.

Daft Punk“Homework”

Esse álbum! o que falar sobre este álbum? Sinceramente não tenho palavras para falar sobre o Homework. Simplesmente fascinante! Produzir isso deve ter sido a coisa mais divertida na história de gravações de álbuns. Impactante igual esse disco, não existe nada nem próximo, nem nos dias de hoje. Amo Daft Punk! Uma referência que sempre tive muito antes de montar o Macaco Bong em 2004.

Lenine“Na Pressão”

Para muitos isso com certeza pode chocar! Posso dizer tranquilamente que ouvir o Lenine e esse disco “Na Pressão” me influenciou 99,9% na maneira como eu criei o meu vocabulário musical e acima de tudo o meu estilo de tocar guitarra e conceber o som do Macaco Bong dos pés à cabeça. O Lenine é uma das influências mais “não-óbvias” que eu poderia citar aqui. Se você ouvir os álbuns dele conhecendo bem o som do Macaco Bong, tão logo você vai perceber que chupei muita coisa dele para o estilo de música que faço. Foi muito legal pra mim, era meados de 1999, eu cheguei em uma loja de CD em um shopping da cidade e vi esse CD como destaque na loja, era o lançamento do mês, a capa me chamou a atenção com o carro pegando fogo, na hora eu achei que fosse “Leoni”, não tinha lido direito e não dei tanta bola porque admiro muito o Leoni e sou fã da genialidade de guitarra brasileira dele há muitos anos inclusive, mas não era exatamente o que eu procurava naquele dia, como era de costume em toda loja de CD você tinha tocadores cd player espalhados pela loja com headphone pra você poder ouvir um preview do álbum antes do comprar, foi quando coloquei o Na Pressão pra tocar e, como de costume particular, eu já coloquei na segunda música, eu tinha essa mania de ouvir a primeira faixa do álbum por último e começar sempre pela segunda faixa do disco e de repente começa a tocar a própria música faixa título do álbum ¨Na Pressão¨, que música maravilhosa, me arrepiou dos pés à cabeça, a percussão do Marcos Suzano, as linhas de guitarra matadoras do Lenine foi a descoberta do ano pra mim. Ouvi esse disco umas 100 vezes por dia, tirando todas as músicas do álbum de ouvido no meu velho violão de corda náilon Di Giorgio. Foi uma escola descobrir a afinação, encontrar os acordes, entender o raciocínio tonal dele, Lenine é um samurai. Amo esse cara, ouço as obras dele desde criança, eu sinto uma vibe mato-grossense, ele tem a selvageria pantaneira no som dele, por isso a identificação com o som dele foi de imediato por sentir coisas na linha do som do Lenine que me arremeteu a coisas regionais do Mato Grosso do Sul que amo ouvir como Guilherme Rondon, Tetê Espíndola e Almir Sater. Apesar de mato-grossense, a minha paixão real é pela música sul-matogrossense, é meio que o nosso Clube de Esquina, Guilherme Rondon é o nosso Milton Nascimento ao mesmo tempo que você tem figuras fortíssimas como a Tetê, única e incomparável, faz o que quer com a voz dela, com a música, a verdadeira bruxa do cerrado. Muito curioso pra mim naquela época foi descobrir que Lenine era pernambucano, confesso que depois de conhecer Lenine foi quando passei a me interessar mais por Chico Science, Nação Zumbi e conhecer melhor as coisas que tinham ali, era tudo muito novo na época, você não ouvia falar desses nomes facilmente em uma cidade como Cuiabá em meados dos anos 90, Lenine foi a porta de entrada por minha paixão pela música pernambucana.

Gabriela Garrido expõe suas forças e fragilidades em seu segundo EP, “Entre”

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A cantora e compositora carioca Gabriela Garrido traz para suas letras toda sua carga emocional, seja ela cheia de força ou mostrando suas fragilidades. Isso fica ainda mais evidente em seu segundo EP, “Entre”, lançado este ano, explorando novas linguagens sonoras e o vai e vêm das emoções humanas em busca de um equilíbrio.

Seu EP de estreia, “Mergulho”, foi lançado em 2016 e contava histórias de amor e entrega, além de experiências pessoais que mostravam a aventura que é entrar no mundo da música. “Na época do “Mergulho” eu estava muito ansiosa pra fazer aquilo, e muito impressionada com tudo, também. O “Entre” foi todo mais planejado, mesmo que o orçamento também fosse curto. Pude olhar com mais carinho pra cada canção, para o lançamento, clipes, etc”, conta.

– Me conta um pouco mais sobre o “Entre”, que acabou de ser lançado!

O “Entre” é meu segundo EP, que traz algumas canções antigas e novas, bem diferentes entre si em questões de arranjo, mas que têm um tema similar: elas falam sobre forças e fragilidades, sobre abraçar ou negar as nossas emoções. Por isso o nome, como se fosse a busca de um equilíbrio no meio disso.

– E isso também se mostra na capa, né. De quem é a arte?

Sim, super! Na capa, na verdade, a gente quis fazer uma alusão ao “Entre” de “meio” e ao “Entre” de “entrar” mesmo – já que se tratam de letras bem íntimas – por isso as portas. Quem fez foi uma grande amiga, designer e artista, Clarisse Veiga.

– E como foi a composição dessas músicas?

Acho que algo que elas têm em comum no quesito composição é o fato de que todas foram escritas bem rápido, na maior parte em madrugadas de insônia (comigo costuma ser assim, haha). Acho que “Helena” foi a única que durou mais tempo, até por ser uma música mais relaxada. As outras realmente pareceram que tinham que ser colocadas pra fora logo, sabe. Passei um tempo tocando essas composições bem como elas nasceram, de forma bem simples, com voz e violão, mas foi fazendo os arranjos com a banda que eu realmente pude dar a força que eu queria!

– Aliás, me conta mais do clipe! A ideia foi muito boa, ficou sensacional!

“De Bicicleta” foi a típica ideia doida que eu achei que não daria em nada e acabou ficando muito legal, hahah! Eu tive uma sorte enorme de ter amigos que compraram muito essa viagem e toparam fazer aquilo comigo. Fomos em lojas de festa no centro da cidade e compramos vários acessórios, decoramos uma sala da clínica do meu pai – que é fisioterapeuta – e pegamos emprestado a bicicleta ergométrica de lá. Deu nisso! Foi super divertido e custou muito pouco. Tenho orgulho do que fizemos com poucos recursos!

– E como esse EP se difere de “Mergulho”, seu primeiro trabalho?

Acho que, com o “Entre”, eu já me senti mais “por dentro” do que é gravar músicas e pude ter mais paciência e experimentar mais nos arranjos. Na época do “Mergulho” eu estava muito ansiosa pra fazer aquilo, e muito impressionada com tudo, também. O “Entre” foi todo mais planejado, mesmo que o orçamento também fosse curto. Pude olhar com mais carinho pra cada canção, para o lançamento, clipes, etc.

– Quais as suas maiores influências musicais em sua carreira?

Minhas influências vão mudando muito com o tempo, mas existem artistas que com certeza contribuíram muito para que eu começasse na música, como Tegan and Sara, Paramore, Cássia Eller e Cazuza. Esses eu sempre cito. Mas no “Entre”, por exemplo, tive referências como Courtney Barnett e Johnny Hooker. É sempre uma mistura doida mas que me ajuda muito, hahah. Falei bastante sobre isso na coluna “Construindo” aqui do site, acho legal conferir!

– Como começou sua carreira?

Na época da escola eu tive uma banda com amigos, tocava nos saraus, e foi aí que eu me apaixonei por cantar e compor. Fiquei um tempo parada depois que nos formamos e pude perceber que não podia deixar a música de lado e que não tocar me deixava bem triste. As músicas do “Mergulho” já existiam nessa época, e fui aos poucos me convencendo de que eu precisava lançá-las, até que finalmente consegui, e estamos aqui. Mesmo com todas as dificuldades, eu não me perdoaria se parasse de fazer música.

– Como você tem visto a cena independente? E mais que isso, como você se vê nesse mundo?

Eu me surpreendo mais a cada dia com os artistas independentes brasileiros! Por mais que seja muito difícil alcançar o mainstream, eu vejo que estão se formando muitos nichos de pessoas que consomem/alimentam a música independente, e isso porque temos muitos artistas de qualidade, de diversos gêneros musicais, para todos os gostos. O que eu acho incrível da cena hoje em dia é a criatividade desses músicos para driblar as dificuldades comerciais. A galera se vira sozinha e faz coisas incríveis. Além disso, sinto as pessoas mais abertas a não ouvir só o que está em alta nas mídias tradicionais também, isso é ótimo.

Quanto a mim, acho que estou aprendendo a conquistar meu espaço, aos poucos. Sinto que o segredo é não parar, sabe. E sempre tentar crescer musicalmente, conhecer pessoas novas, tomar nossas próprias iniciativas. Fico genuinamente feliz a cada nova pessoa que conhece meu som, e com certeza é a partir desse carinho que ele vai se expandir por aí. Sei que ainda tenho muito a alcançar pra fazer o barulho que os artistas independentes maiores fazem, mas já fico feliz de ser uma pequena parte desse movimento aqui no Brasil.

– Mas você acha que o mainstream ainda é o objetivo ou hoje em dia isso já não é algo tão importante?

Então, ao meu ver, estamos caminhando numa direção em que as alternativas ao mainstream estão cada vez mais fortes e viáveis. Ele continua sendo importante, principalmente por esse reconhecimento ajudar muito o artista a conseguir viver da própria música, mas sinto que, pra muita gente, ele não é mais o objetivo principal. O principal, pelo menos pra mim, é conseguir ter um público que seja “fiel” (não gosto muito dessa palavra, mas é mais ou menos isso). Independente do mainstream, é assim que a música pode se sustentar.

– Quais os seus próximos passos, musicalmente?

Quero fazer shows fora do Rio com o “Entre”, para mim isso é o fundamental agora. E ainda ir à fundo nesse EP, com mais bons clipes, versões, etc. Acho que ele tem muito a oferecer! À longo prazo, quero que meu próximo trabalho não seja outro EP, e sim um primeiro álbum.

– E já tem planos para esse álbum?

Ainda não, tô tentando ter calma e curtir o EP novo!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tenho escutado bastante Xênia França, o disco dela é sensacional! Tem também Letrux, que conquistou meu coração no ano passado e ainda não consigo largar aquelas músicas. Também tô amando o novo álbum do Rubel!

Construindo Dolores 602: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda mineira Dolores 602, formada por Débora Ventura (voz, violão, guitarra), Camila Menezes (baixo, ukulele, voz), Isabella Figueira (bateria, gaita, escaleta) e Táskia Ferraz (guitarra, vocais)​, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Débora Ventura (voz, violão, guitarra)

Elis Regina“Quero”
Pensei muito nessa música quando fomos pra casa da Taskinha um dia cozinhar e tentar finalizar a música “Seu Azul”. Acho que está nas entrelinhas de ambas que “é simples se viver”.

Banda do Mar“Mais Ninguém”
Quando estávamos criando o arranjo de “Voo” resolvemos testar uma parte com baixo, bateria e vocal, inspirados num trecho dessa música. Combinou 🙂

Silva“A Visita”
O astral dela inspirou quando construímos juntas os arranjos de “Ponto Zen”.

Lô Borges feat. Solange Borges“Vento de Maio”
Essa música, esse disco todo (“Via Lactea”) dá uma vontade de viajar, pegar estrada. Acho que essa também é um das sensações do nosso disco.

Céu“A Nave Vai”
Adoro a psicodelia suave da Céu. De alguma forma deve influenciar, escuto todo dia. Ou quase.

Camila Menezes (baixo, ukulele, voz)

Neil Young“Harvest Moon”
A música do Neil Young que foi a inspiração de sonoridade para compor “Cartografia”.

MGMT“Electric Feel”
O frescor do MGMT, seus compassos quebrados e músicas dançantes e viajadas, como esta, sempre me inspiraram e deram o tom para as novas composições minhas no disco.

Jorge Drexler“Todo Se Transforma”
As letras poéticas do Jorge Drexler sempre me cativam. Esta, por exemplo, eu gostaria de ter feito. Tudo flui e mostra o sentimento humano muito despido e ao mesmo tempo elegante.

Espírito Pedrinho“A Manjedoura”
Foi a música que toquei no ensaio, de forma despretensiosa, e acabou empolgando as meninas da banda. O dedilhado do ukulele nela foi o gancho sonoro para a composição de “Astronauta”.

Transmissor“Bonina”
A música composta por Jennifer Souza, Leonardo Marques e Ludmila Fonseca, gravada pela banda belo-horizontina Transmissor, me dá uma sensação muito boa quando a ouço. Do seu refrão foi que tirei a inspiração para a introdução de “Cura Meu Olhar”.

Táskia Ferraz (guitarra, vocais)

Black Keys“Lonely Boy”
A sonoridade da bateria do Black Keys nesse disco (“El Camino”) como um todo foi uma referência pra gente desde o começo. Essa música especificamente foi uma grande referência de som.

Daft Punk“Get Lucky”
Gostamos tanto dessa música que tem uma pequena citação dela em uma música do disco… Não vou dizer qual é, descobre ai! (Risos)

Coldplay“Adventure of a Lifetime”
Esse timbre de guitarra e também a batida vibrante são sempre inspirações pra mim.

Maglore“Café Com Pão”
Os reverbs exagerados que usamos no disco às vezes remetem demais a essa música do Maglore, e também a letra.

Los Hermanos“O Velho e o Moço”
A gente se inspirou muito nos timbres e na levada da bateria dela na construção de “Maior”, que foi a última música que fizemos pro “Cartografia”.

Isabella Figueira (bateria, gaita, escaleta)

Vance Joy“Riptide”
Quando estávamos construindo o arranjo de Ponto Zen, ouvimos essa música e sacamos que era essa a vibe que queríamos, pra cima, pulsante, solar.

Alabama Shakes“Future People”
Eu tava ouvindo muito o disco “Sound & Color” na época que gravei as baterias de “Cartografia”. A sonoridade desse disco certamente me influenciou bastante na busca pelos timbres de batera. Gosto muito de como eles soam como banda e essa é uma das músicas preferidas.

Chico César“Estado de Poesia”
A construção do arranjo, a poesia da letra, a delicadeza das imagens que o Chico César cria nessa canção, acho tudo lindo demais. Pra mim foi uma das inspirações pra construção de “Cartografia”.

Wilco“One Wing”
É uma influência muito forte pra mim. Adoro folk e acho que o Wilco é uma das grandes referências que acabo levando pra Dolores. A construção das levadas, as nuances dos arranjos, as sacadas minimalistas, tudo isso me atrai muito no som deles.

Fleet Foxes“Ragged Wood”
Os vocais dessa música e a dinâmica dela, a levada folk, essa atmosfera que ela constrói, acho que são todos elementos presentes em muitas das nossas músicas.

HL Arguments volta mais pesado e introspectivo com composições de toda sua carreira em seu disco “Honten”

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A banda HL Arguments lançou recentemente seu terceiro disco, “Honten”, levando suas composições para um lado mais pesado, introspectivo e até um pouco triste. As músicas do disco foram criadas em diversos pontos da carreira da banda, com destaque para a faixa “Você”, composta há cerca de 13 anos. Com muita influência do rock alternativo noventista e pitadas prog rock e psicodelia, a banda é formada por Helio Lima (Vocal, Guitarra), Marcos Cesar (Bateria), Amanda Labruna (Vocal), Fernando Silvestre (Guitarra) e Wesley Lima (Baixo) e está na estrada promovendo o disco. Hélio diz que prefere não adiantar nenhum plano para o futuro, porém, já que a vida de artista independente exige um trabalho descomunal. “Não tenho energia nesse momento para falar em um próximo álbum. Estou esgotado. Ocorre que uma banda como a nossa, exige uma auto gestão imensa, que passa pelo financeiro, administração, venda de shows, engajamento do nosso publico, gravações, ensaios e afins e afins”, conta.

– Primeiro, uma curiosidade minha: porque o nome “Honten”?

Começou com algo sobre falar do nosso passado, no sentido de experiências como coletivo. Já brigamos muito, até nos entendermos de fato como banda. São cinco pessoas, estilos, ideias e emoções. Não é fácil. Então, partiu disso. Depois alguém achou essa palavra no idioma japonês acho….e ela significa “Sede”. Então as duas interpretações nos agradam. Claro que o h no ontem tem relação com o HL do nome da banda…(risos)

– Esse disco na real é feito de músicas criadas em vários momentos diferentes, certo?

Sim…inclusive a “Você” tem inacreditáveis 13 anos. Ela apareceu em um álbum que eu gravei em 2005… Sumiu, e reapareceu agora com uma nova abordagem, proposta pelo Marcos (baterista). “The Far West” tem alguns bons anos também…e por fim, esse trabalho traz musicas de todas as nossas épocas, inclusive claro as escritas muito recente, como “A Home is Not Made of Wills”.

– E como foi a escolha de quais músicas entrariam? Apesar de ser bem diversificado musicalmente, ele tem uma unidade.

O tema proposto de revisitar nossas próprias experiências. As musicas que não traziam essa premissa, ficaram de fora, ao passo que as que entraram, trazem essa unidade. Isso era muito importante para nós.

– Quais são as principais influências musicais que você vê nesse disco?

O Fernando anda meio psicodélico em suas melodias. O Marcos e o Wesley sempre gostaram muito de algo progressivo, o que também esta presente nesse álbum. E eu permaneço nos temas mais introspectivos, contando com as harmonias vocais da Amanda. Estamos mais tristes, mais difíceis (musicas longas) e menos práticos. Acho que esse e um cenário que explica um pouco as influências para esse álbum.

– Explica esse “mais tristes” aí. (Risos)

No sentido de coletivo de canções. O álbum 1 teve temas como “Só Não Me Faça Dizer Não” ou “Like a Crazy Magic”, além de “Standing Firm” ou “Hopes and Dreams”, todos temas bem enérgicos ou agitados. No álbum II estávamos bem roqueiros…“#JC1”, “Who Can Wait For This”, “A Girl And Her Posts” ou “Our Goodbye To All” também mostram isso. Já nesse álbum, tirando as duas musicas iniciais que são mais pesadas, temos no restante temas mais introspectivos.

– E já têm material para um próximo trabalho ou ainda estão focando nesse?

Não tenho energia nesse momento para falar em um próximo álbum. Estou esgotado. Ocorre que uma banda como a nossa, exige uma auto gestão imensa, que passa pelo financeiro, administração, venda de shows, engajamento do nosso publico, gravações, ensaios e afins e afins. Ter um trabalho musical e definitivamente ser empreendedor sem descanso. Então, eu preciso descansar um pouco. Vamos claro promover bem esse álbum, sem fazermos muitos planos alem disso.

– Como você definiria este disco?

Minha definição para esse álbum: Maduro, sério…. retrata bem tudo o que aprendemos até então e sinaliza bem que nosso maior compromisso é com as nossa música. Não e muito confortável lançar algo que você perceba que está desconexo com o que vc quer passar, e esse album mostra exatamente o que queremos passar. Exatamente. Mérito nosso e do nosso produtor Marcelo Santos.

Lennon Fernandes tira seus diversos sons da gaveta em primeiro trabalho solo, “Abstrato Sensível”

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Lennon Fernandes já passou por bandas que fizeram barulho no cenário independente, como Tomada, Os Skywalkers, Andeor, Baleia Mutante e diversas outras. Em 2017, chegou a hora do músico e compositor navegar pela primeira vez em caminhos solo, tirando da gaveta tudo o que produziu desde o início de sua carreira musical. Desta escavação musical saiu “Abstrato Sensível”, álbum em que gravou todos os instrumentos.

“Eu fiz os arranjos, gravei os instrumentos e mixei tudo sozinho. E pensei bastante nessa questão de “unidade”. Tinha essa preocupação, de vibrar como um álbum de uma banda”, conta. “Fui até o técnico de gravação! Engraçado que eu estava no processo de me “aceitar” como artista solo que eu nem falei nada pra ninguém”.

Conversei com ele sobre sua carreira e a investida solo:

– Quando você começou sua carreira e como começou?

Em 2017 lancei meu primeiro trabalho solo, meio sem querer, gravando umas músicas que estavam “na gaveta”. Mas desde 97… 98 toco em bandas. Nesse meio tempo toquei nas bandas Tomada, Os Skywalkers, Andeor, Baleia Mutante entre outras.

– E como foi a transição das bandas pro trabalho solo?

Teve dois momentos. Primeiro vi que eu tinha muitas músicas paradas, que não cabiam nas bandas que eu participava. Segundo tive que me “aceitar” como artista solo. Quando entendi isso foi escolher algumas composições e começar a gravar.

– E como rolou esse mais recente disco? Ele tem muitos estilos diferentes condensados em uma só obra, e mesmo assim tem uma unidade…

Costumo falar que o “Abstrato Sensível” teve um processo de criação parecido com de um pintor em seu atelier, produzindo sozinho uma tela. Eu fiz os arranjos, gravei os instrumentos e mixei tudo sozinho. E pensei bastante nessa questão de “unidade”. Tinha essa preocupação, de vibrar como um álbum de uma banda.

– Mas então ele é realmente um álbum solo literalmente, né. Você fez tudo praticamente sozinho!

Isso. Fui até o técnico de gravação! Engraçado que eu estava no processo de me “aceitar” como artista solo que eu nem falei nada pra ninguém. Minha família, meus amigos, sabiam que eu passava horas no estúdio mas nem imaginavam que eu estava gravando um álbum. Quando ficou pronto foi uma surpresa pra todos.

– Me conta mais sobre o processo de composição desse disco.

Pra mim é como uma coletânea. Cada composição é de uma fase da minha vida. Por exemplo “Viajante do tempo” e “Sempre” são de 2006 e 2008. “Fios elétricos” é de 2015. Mas todas foram compostas num formato simples violão e voz.

– E as influências também são bem variadas, pelo que notei. De Hendrix a MPB…

Sim! Gosto muito do rock entre 67 e 72. Gosto muito de Clube da Esquina também. Eu, quando estava selecionando o repertório pro disco, pensei nessas influências que queria mostrar. Mas tem outras que gosto muito como Neil Young e Arrigo Barnabé que não consegui colocar dessa vez, quem sabe no próximo.

– Ou seja: já está pensando no próximo! Pode adiantar um pouco do que está pensando para ele?

Então, estou pensando mesmo (risos)… Dessa vez estou escolhendo poucas músicas que estão na gaveta. Meu objetivo é fazer um álbum com temas que estejam mais atuais na minha vida. Retratar mais o que eu acredito no momento.

– Como você definiria sua vida como artista independente hoje em dia?

O artista independente tem que aprender a fazer tudo. E se meter em todos lugares. Eu estou nesse aprendizado. Ano passado criei o selo Parafuseta Records, convidei outros amigos para participar, hoje somos oito artistas, por enquanto, e a ideia é crescer. Fazemos constantes apresentações na Avenida Paulista e algumas praças de São Paulo e do interior de São Paulo.

– Isso está acontecendo bastante, pelo que vejo: a criação de selos, os shows nas ruas…

Então, precisamos disso. O cenário de música autoral estava num declínio. Não por falta de compositores ou bandas. Acredito que mais por falta de espaços e oportunidades. A rua é ótima porque o público que quer ouvir um som novo encontra ali, fácil, acessível, não escondido dentro de um barzinho.

– E como tem sido a recepção do disco?

A galera tem gostado bastante do álbum, da arte, do encarte do cd físico e do show. Principalmente da “Fios Elétricos” por conta do videoclipe também. E esse é um feedback importante porque motiva na continuação do trabalho.

– Quais seus próximos passos?

Atualmente estou compondo as faixas do meu segundo álbum. O objetivo é começar pensar nos arranjos e gravar ainda no primeiro semestre de 2018. E incluir algumas dessas faixas novas nos shows. Paralelamente expandir meu trabalho de produtor no selo, trazendo mais artistas pra gravar.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é a pergunta mais difícil (risos) porque existem tantos nomes bons atualmente que não caberia aqui, mas vou sugerir o que tenho escutado mais e de alguma forma me inspiram:

2 de 1 (álbum “Transe”)
Bratislava (álbum “Fogo”)
Daniel Zé (álbum “Calma Karma”)
Ekena (álbum “Nó”)
Marina e os Dias (single “Can we go?”)
Marina Melo (álbum “Soft Apocalipse”)
Strawberry Licor (EP “Pupsy”)