Weekend Recovery mostra que o novo punk rock inglês não tem medo de flertar com o pop

Read More
Weekend Recovery

O Weekend Recovery é um quarteto inglês que tem sua origem em uma garagem suja em Kent. O punk rock é a base do som do grupo, que já ganhou elogios da BBC no programa Introducing, além de serem bem falados por veículos como a Radio X e a NME. Recentemente, entraram no time da Headcheck Records e da Super Scurry Music e estão preparando seu primeiro EP, “In The Mourning”a ser lançado em setembro.

Formada por Lorin Jane Forster (vocal/guitarra), Owen Barnwell (guitarra), Josh (baixo) e Marcus (bateria), a banda já tem alguns singles na bagagem: “Focus”, “Don’t Try and Stop Me”, “New Tattoo” “Why Don’t You Love Me”, e dizem não ter medo de mostrar uma veia mais pop em seus próximos trabalhos. “Eu não gosto de coisas que não sejam maleáveis. Boa música é boa música para mim, qualquer que seja o gênero”, explica Lorin.

– Como a banda começou?
Bem, originalmente eu comecei como um artista solo, então eu pensei que algo estava faltando. Decidi pegar alguns músicos enquanto precisava desse crescimento! Então trabalhei com alguns músicos contratados um pouco, mas queria algo um pouco mais sólido – então decidi transformar o que era meu projeto solo em uma banda. Depois de pesquisar e descobrir o que era melhor, me deparei com Owen, Josh e Marcus, e pela primeira vez estou em uma banda com pessoas que entendem e vão dar tudo de si para esse mundo louco da música!

– Como surgiu o nome Weekend Recovery? O que ele significa para você?
É na verdade uma letra da banda The Darkness, da música “Friday Night”. Nós costumávamos ouvi-la muito na turnê e meu antigo guitarrista Jordan disse “sim, este é o nome!”. Eu queria “Ninja Pandas”, mas eu fui vencida!

– Conte suas maiores influências musicais.
Pessoalmente eu amo Paramore e Katy Perry – mas eu também sou uma grande fã do Sonic Youth, The Vines e do incrível White Stripes!

– Me conte mais sobre os singles que vocês lançaram até agora.
Nosso primeiro single foi “Focus”, muito pop, sobre cometer erros e aprender a excluí-los. Então trouxemos “Don’t Try and Stop Me”, que teve uma influência mais rock, que é sobre manter a força quando as pessoas tentam acabar com você, e então veio “New Tattoo”, sobre se apaixonar por alguém e então descobrir que eles estão muito apaixonados por outra pessoa, e finalmente “Why Don’t You Love Me”, que é sobre essa sensação do que todos queremos na vida.

– Vocês estão trabalhando em um álbum completo? A cultura do álbum ainda está viva?
Na verdade, decidimos fazer um EP, no momento. Não tenho certeza se a cultura do álbum está morta, é difícil dizer. Mas acho que uma banda do nosso nível precisa trabalhar para criar um single ou EP, em vez de jogar centenas de libras em algo que pode ou não funcionar… Talvez eu esteja errada, mas prefiro lançar uma música errada do que doze.

– Como vocês veem a cena do punk rock no Reino Unido hoje em dia?
Eu acho que é próspera, com bandas como Slaves tocando no rádio. Eu acho que a cena sempre esteve lá, mas está ficando cada vez menos underground, com muitas bandas incríveis!

– O que você acha sobre as bandas de rock que estão indo em um som mais “pop”, como Weezer, Arctic Monkeys e Imagine Dragons, e deixando as guitarras de lado?
Bem, eu sou fã de pop, então estou amando! Eu acho que é sobre tentar coisas diferentes – as pessoas ficam entediadas tão rapidamente. Especialmente com bandas como Arctic Monkeys, certamente causa uma reação. Se isso é bom ou ruim, eu não tenho certeza, mas as pessoas certamente estão falando e isso está chamando atenção. Eu não gosto de coisas que não sejam maleáveis. Boa música é boa música para mim, qualquer que seja o gênero.

– Vocês estão atualmente trabalhando em novas músicas?
Nós estamos! Estamos prontos para lançar o nosso mais recente EP, “In The Mourning”, no final de setembro.

– Quais são os próximos passos?
Lançar este EP. Temos uma grande campanha de relações públicas por trás que mostra do que se trata… Estamos integrando um estilo ligeiramente diferente em nossa música para isso, então estou muito empolgada!4

– Recomende bandas independentes e artistas que chamaram sua atenção ultimamente.
Oh meu Deus! São tantos para escolher… Healthy Junkies, Minatore, Vertigo Violet, Salvation Jayne e Bexatron são todas muito boas!

Construindo Universo Relativo: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

Read More

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Universo Relativo indicando as músicas que influenciaram sua obra.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Julio:

Led Zeppelin “Ramble On”
Impossível pra qualquer baterista de rock/ poprock ouvir os grooves cheio de swing e viradas enérgicas do John Bonham e não ser influenciado. Certamente um dos instrumentistas que me fez entrar na música, me inspirou e inspira até hoje a seguir – sem contar os outros gênios que tocavam com ele. Como esquecer da primeira vez que se escuta o “Led Zeppelin I”? Essa música especificamente me ajuda a continuar na luta, no meu caminho pra conquistar os objetivos. Ramble On!

Bigbang“Heaven and Stars Above”
Escutávamos muito esse disco do Bigbang, uma banda da Noruega, na época de composição do disco. Essa música fala de uma das coisas que acreditamos muito e tentamos dizer nos nossos sons: a simplicidade e o amor trazem felicidade! “All I want is a little love, heaven and stars above!”. Sem contar que a sonoridade dos caras é fantástica, guitarra com uma distorção estilo Jimi Hendrix e uma pegada setentista, perfeita pra cair na estrada!

Forfun“Hidropônica”
Infelizmente ainda não fizemos nenhum som hardcore, mas não dava pra não citar o Forfun aqui. Uma das bandas que “fez nossa cabeça” na adolescência e certamente nos influenciou a tocarmos juntos – muito pela sonoridade, mas principalmente pela mensagem positiva que a banda carrega. Muitas lembranças boas e bate-cabeças nos shows desses caras!

John Butler Trio“Used to get High”
Esse som também conversa com uma das mensagens que está em nosso disco “Reflexo”, que é da crítica social, do questionamento e do olhar atento sobre como a sociedade acaba criando alguns hábitos nocivos. Além disso, o John Butler saber misturar muito bem a distorção com instrumentos acústicos e percussivos. Influência demais!

Oasis“Supersonic”
Oasis foi a primeira banda que assisti ao vivo, em 2006. Eu tinha 13 anos e nunca tomei tanta chuva na minha vida, mas também nunca fiquei tão extasiado. Esse momento foi definitivamente crucial pra mim, pois senti a verdadeira energia que um show pode transmitir – sabia que teria que fazer aquilo mais vezes na vida, mas só de plateia não seria o suficiente!

Giu:

Capela“Ciclo”
Essa música é muito representativa para nós, inclusive tivemos no nosso show de lançamento. O tema representa a mudança que passamos durante a criação do nosso disco, além de ser composição dos amigos do Capela, que admiramos muito.

Forfun“Considerações”
Escolhi essa música porque escutava multi no momento da criação do disco, é uma letra maravilhosa madura, com uma pegada hardcore que tem a ver com a fase em que começamos mesmo a tocar juntos.

Lenine“Simples Assim”
O Lenine é um grande artista, um ídolo! Esse som tem uma fluidez invejável, representa muito do que acreditamos

Eddie Vedder“Guaranteed”
Essa música é trilha sonora de um filme que inspirou muito a gente, “Into the Wild”. Foi influência direta de “Navegante”, que conta o nosso jeito de contar a história do filme.

Novos Baianos“Mistério do Planeta”
Esse som a gente costuma ouvir muito juntos, por todos os aspectos musicais e poéticos. É uma influência que nos invadiu há um bom tempo, costumamos até fazer cover dela as vezes!

Tassio:

Bigbang“The Oslo Bowl”
Acho que a primeira vez que ouvi esse som, tive a sensação de estar em um viagem. O violão de 12 em open tune de Sol, os violinos no final da música, com certeza nos influenciaram diretamente nos processos de criação, composição e arranjos de “Himalaia”.

John Butler Trio“Better Than”
De uma maneira geral eu sempre me encanto quando um violão é bem tocado e bem timbrado. Esse cara com toda a certeza é a razão de hoje eu usar uma viola caipira, com captadores de guitarra, passando por efeitos em pedais e muitas vezes mandando pra um ampli. Ele que me ensinou essas heresias (risos). Essa música em específico me motivou muito na construção dos arranjos em “Falível”, nosso novo single, inclusive na parte da coesão entre
arranjos e a poesia (por terem mensagens parecidas). O Giu foi quem escreveu a letra e a melodia, mas acho que na hora que eu interpretei a mensagem na viola eu estava pensando um pouquinho em “Better Than”.

Current Swell“Booze in Hell”
Como quando compusemos “Garrafa de Vidro” havíamos acabado de sair de um boteco pra beber mais um tiquinho, “Booze in Hell” é a música que pra mim mais representa esse momento. Onde a cara da história que criamos tem esse tema meio blues, meio sátira, mas em um bom sentido.

Suricato“Bobagens”
Uma música com um clima positivo e ainda falando sobre uma forma de levar a vida mais leve, sorrindo. Não tinha como não lembrar dessa música quando o Giu e o Gariba me mostraram “Elo Sem Fim”. O ritmo é totalmente diferente, mas eu chupinhei algumas aberturas de acordes de “Bobagens”.

Bigbang“Earphones”
Infelizmente, online só tem uma versão ao vivo no youtube dessa música, mas é uma baita referência pra nós. Além de ser um puta som, ela tem um momento curioso onde a parte B da música é o momento onde a dinâmica está mais alta, e isso, quando eu mostrei pros meninos eles adoraram e a gente achou que seria legal se “Onda na Pedra” tivesse também essa forma de estrutura dinâmica.

Artur:

John Mayer“Gravity”
“Gravity” traz uma levada mais constante na bateria e a genialidade de um artista que considero completo que é o John Mayer. Levando para um lado mais romântico, “Plenitude” possui muita influência inclusive de um grande solo de guitarra marcante para a música.

Skank“Vamos Fugir”
O Skank será sempre uma referência pra nós e “Vamos Fugir” influenciou bastante a ideia de pegar a estrada, e curtir a viagem em si, trazendo também alguns elementos como a gaita que está presente em “Himalaia”.

Coldplay“Yellow”
A mistura do violão bem presente com o peso da guitarra nos momentos altos de “Yellow” foram também grande inspiração para o grande momento de “Elo Sem Fim” que ainda conta com um arranjo de cordas que nos emocionou durante a gravação.

City and Colours“Mizzy C”
Os timbres do City and Colour são sensacionais e buscamos dentro do nosso som chegar em sonoridades parecidas. O refrão com acordes abertos foram também ideias que curtimos e nos inspiramos para criar os refrões de “Canção Particular” e “Navegante”.

Gabriel o Pensador “Até Quando”
Trazendo uma forte crítica social e inclusive misturando alguns elementos do samba com o rock, Gabriel O Pensador serviu como fonte de inspiração para criar o arranjo de “Elitização Racional”. Escândalos políticos eram bem presentes na época e infelizmente persistem até hoje.

Como São Paulo inspirou o Corona Kings a se reinventar no disco “Death Rides a Crazy Horse”

Read More
Corona Kings

A guitarra é a força motriz que faz o Corona Kings funcionar. A banda de Maringá chegou em São Paulo e assim que botaram os pés na selva de pedra cinza, o som da banda se transformou. Isso fica claro em “Death Rides a Crazy Horse”, um álbum espontâneo, barulhento, guitarreiro, sem freios e sem um monte de overdubs. O negócio é mostrar como o som é ao vivo, com tudo o que tem direito.

Formada por Caique Fermentão (guitarra/vocal), Murilo Benites (baixo), Felipe Dantas (guitarra) e Antonio Fermentão (bateria), a banda está na ativa desde 2012 e já participou de grandes festivais no Brasil e no exterior, e em projetos de marcas importantes como Fender, Jägermeister e Levis. Conversei com Caíque sobre a carreira da banda desde que era apenas um projeto solo descompromissado até a chegada em São Paulo e o renascimento em “Death Rides a Crazy Horse”: 

– Vamos começar do jeito clichê, mas que eu curto sempre saber: como a banda começou?

É meio difícil ate de responder isso (risos). Eu, meu irmão e o Felipe tocamos juntos desde moleques, mas começou mesmo há uns 6 anos atrás. Eu ganhei uma gravação em um estúdio lá em Maringá, aí tinha umas músicas, fui lá e gravei. Nem tinha banda na época. Aí, quando tava ficando pronto, eu resolvi juntar a galera que era mais chegada pra tocar aquelas músicas. É bizarro que o Corona já tinha disco pronto e não tinha banda pra tocar (risos)!

– Então o Corona basicamente começou como um projeto solo seu, só que sem pretensão e sem nome.

Isso. Mas eu queria ter banda sim. Pra caralho!

– E depois dessa gravação cê já percebeu que esses sons podiam ser a fagulha pra uma banda rolar.

Ah, sim. Nosso som mudou bastante. Mas eu acho o nosso primeiro disco bem legal.

– E como rolou a formação e esse primeiro disco? Já foi gravado com o nome Corona Kings? Como o nome surgiu e o que ele significa?

Cara, a gente sofreu pra caralho pra achar um nome. Todas as idéias boas que a gente tinha já existia alguma banda com o nome. Eu sabia só que queria dois nomes, e não sei porque fiquei pensando que tinha que ser alguma coisa “kings”. Aí depois de muito tempo rolou o Corona Kings. E nem tem porque (risos). Só foi o primeiro nome aceitável que ninguém usava!

– Fala mais sobre os sons que estão no disco e como o som era nesse começo

Cara, eu meio que copiei as bandas que mais ouvia na época. Tem muita coisa boa no disco, mas hoje eu vejo que tem muita música que parece com alguma música (risos). Tá ligado? E nem era por querer, é porque eu fiz as músicas pra mim mesmo, nem pensava em ter alguém escutando meu som. Mas foi o melhor que eu pude fazer na época, e já que gravei sozinho tive muito tempo pra criar o que eu quisesse, gravar quantas guitarras eu queria… Foi uma escola, eu curti muito na época.

– Quais eram essas bandas que você se inspirava na época e quais inspiram o Corona hoje?

Na época era principalmente o Nirvana, Foo Fighters, Queens of the Stone Age e Pearl Jam. Claro que tem mais, tudo influencia, mas eu queria soar como essas bandas. Hoje em dia é muita coisa que influencia, agora com Spotify você descobre bandas diariamente, se quiser. Mas eu particularmente vou mais pra onda das bandas que a guitarra meio que “manda” no som, o ultimo disco do Corona eu sempre falava no estúdio que a guitarra era o principal e depois a voz. Ouvi muito Hellacopters, muito Kiss, Stooges, AC/DC, The Who… Mas queria pegar essa pira da guitarra rock’n roll e misturar com Nirvana (risos).

– Um negócio que hoje em dia talvez tenha sido deixado meio de lado, esse “rockão” movido à guitarra no tímpano, né.

Sim, mano, pra caralho. Tem uma galera q escuta o corona e as bandas do nosso rolê forever vacation e fala “caramba, eu nem sabia que ainda tinha banda assim”. É bizarro o quanto de gente vem me falar isso. Sinto que a galera quer produzir demais a parada hoje em dia e não se preocupa tanto em ter “veneno” no som, tá ligado.

– Tem aquela coisa de “limpar” o som na produção, né.

Sim, mas ao mesmo tempo tem muita banda foda. É que tem tanta banda que é difícil a galera descobrir que existe (risos).

– Aí veio o “Dark Sun”, já como banda, né. Como foi a produção desse disco? Como ele evoluiu do primeiro?

Foi bem diferente, primeira vez que eu só gravei a minha parte, fiquei até meio nervoso no começo! Mas acabou sendo legal. Eu tava numa época meio deprê quando fiz as músicas e gravamos o disco, não sabia se queria continuar a tocar. Aí dá pra ouvir um pouco disso no som. As músicas são bem mais “pesadas” nas letras e tal.
Nos primeiros 30 segundos do disco você já vê que eu não tava muito feliz (risos).

– É um disco mais “dark” do Corona, menos “forever vacation”.

Pra caralho! Eu queria que fosse meio ópera rock mesmo, meio progressivo. Bom de não ter fã é isso né, pode fazer o som que quiser (risos)!

Corona Kings

– E agora temos o “Death Rides a Crazy Horse”, um puta disco de rock que me lembrou muito o Supersuckers e o Turbonegro. Como foi a criação desse? Uma retomada ao rock mais puro e pé na porta?

Exatamente! Quando a gente veio pra são paulo saíram dois caras da banda (sim, eramos em três guitarras!), trocou o baixista… Aí em duas guitas pela primeira vez a gente meio que foi obrigado a ser mais cru. A gente aproveitou que ninguém conhecia a gente aqui pra meio que virar uma banda nova. E principalmente ao vivo, funciona muito melhor o som novo.

– E como esse renascimento do Corona Kings refletiu no disco?

A gente só quis se divertir e tentar passar isso no som. Eu lembro que saía pra correr e ficava pensando que queria ter um som que fosse legal pra dar uma corrida (risos). Ou que desse pra dar play numa festa e todo mundo curtisse. O terceiro disco é mais leve em vários sentidos… Eu quase considero ele um primeiro disco de novo.
A banda ao invés de morrer lá no Paraná renasceu aqui em SP!

– Ele é leve porque aposta na diversão, mas pesado porque é praticamente uma guitarrada na orelha.

Exatamente (risos)! Juntei o corona com o Capilé e o Zander, né, e nem precisei falar o som que queria tirar. E cara, é bem cru o disco. A gente não queria mascarar nada, tem que soar como a banda soa ao vivo. Não tem dobra de guita, mano, e olha o som que os caras tiraram! Tenho que agradecer muito ao Costella!

– Eu sempre quis saber de onde saiu o nome desse disco!

(Risos) Foi durante a gravação! Tem um monte de música que começa e o Felipe já entra solando loucamente, aí a gente falava que ele parecia cavalo de corrida esperando abrir a portinha, tá ligado? (risos) Hora que abria a porta vinha babando! (risos) Aí a gente chamava ele de “crazy horse” na época que tava gravando. Eu queria que o disco chamasse só “Crazy Horse”, aí meu irmão deu a ideia do “death rides” e tem uma música que fala meio disso no disco.

– Como você vê a música independente hoje em dia?

Cara, eu acho que quem fica no rolê é porque ama muito a parada, porque 99% da galera não ganha porra nenhuma. Na real gasta pra caralho, não é barato ter banda. Mas isso tem um lado bom: já que só fica quem ama mesmo, aparece muita gente talentosa, você faz amigos no mundo inteiro (porque todo mundo é muito parecido com você), um torce pelo outro e por aí vai.

– Quem estaria nessa pela grana tá ferrada.

Sim. Acho que vai ser muito difícil aparecer AQUELA banda, sabe. Porque com a internet é muito som novo todo dia, não tem mais uma Mtv que vai passar o clipe do Nirvana e o mundo inteiro vai mudar, não vai mais ter um Beatles, um Nirvana, esse tipo de coisa. Mas tem espaço pra TODO MUNDO. Eu aprendi uma coisa muito importante aqui em SP: que você tem que tá nessa porque gosta do rolê e ponto. A hora que você aceita isso, que não vai ter fama, não vai ter grana, tudo fica mais legal. Você acumula experiências e amizades e acabou.

– Então um ressurgimento do rock no mainstream é algo que você acha que não vai mais rolar.

Ah, aqui no Brasil se for aparecer algo vai ser feito pra grande massa, né. Vai ser aquele rock pra tocar na Globo. Brasileiro não é roqueiro, rock no brasil é década de 80 até hoje, tanto que Capital Inicial tá aí, toca no Rock in Rio e pá. Mas no undergound vai rolar pra sempre, e é da hora ser underground. E só quem gosta mesmo vai atrás.
E cara, dá pra fazer turnê, dá pra gravar disco, dá pra conhecer gente, fazer festa. Pô, tá tudo aí!

– Aliás, esqueci de citar o clipe de Death Proof! Baita clipe divertido. A morte da Mtv foi um pouco decisiva pra saída do rock do mainstream?

Eu acredito que sim. É a internet, né, mano. TUDO na sua mão ao mesmo tempo!

– Quais os próximos passos do Corona Kings?

Cara, continuar enquanto for legal, gravar, tocar, viajar… A corona kings é a minha filha do coração: ela sempre vai estar ali. Sem problema todo mundo da banda ter outros projetos, eu inclusive. Acho que o Corona tem muita lenha pra queimar ainda!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Cara, eu vi uma banda (não lembro de onde são) chamada Cattarse (eu acho que escreve assim). PQP, que banda foda. Power triozaço, o guitarrista toca e canta pra caralho! Outra banda que é muito foda, principalmente ao vivo, é o Molho Negro. O show deles é um acontecimento (risos)! E não é porque são meus amigos , mas eu sempre achei o Water Rats muito foda também. Recomendo absurdamente! Tem muita banda de Maringá foda também: Stolen Byrds, Fusage… pô, Maringá faz bandas bem boas!

Antiprisma aponta para novas direções e viagens com “Fogo Mais Fogo”, primeiro single de seu novo disco

Read More
foto por Elisa Moreira

O duo Antiprisma dá um passo em direção à novas direções e sonoridades com seu sigle “Fogo Mais Fogo”, com muita influência de psicodelia e o rock dos anos 60, sem deixar de mostrar a veia folk da banda. “A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas”, conta Elisa Moreira.

“Estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers”, explica Victor José. Em breve a banda lançará um clipe para o single, dirigido por Elisa, e um novo disco, que mostrará as diversas facetas que a fase 2018 do Antiprisma possui. “‘Fogo Mais Fogo’ mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro”.

– Primeiro eu queria falar mais sobre “Fogo Mais Fogo”. Como surgiu essa música, como ela foi composta?

Elisa: A levada e os riffs da “Fogo Mais Fogo” surgiram meio despretensiosamente, estávamos na casa do Victor tocando um banjo véio que ele tem lá com a afinação aberta em sol, e a música acabou tomando forma, com melodia e tudo. Nós estávamos viciados em um vídeo do youtube de um cara da Mongólia tocando uma música folclórica em instrumento típico deles, e aquele som meio mântrico e meio hipnotizante acabou nos inspirando, e também era um som bastante pop. Nesse meio tempo, estávamos conversando com a Gabriela Deptulski, do My Magical Glowing Lens e sempre pintava o assunto de fazermos uma parceria. Então quando estávamos já na pré-produção da gravação, lembramos disso e pensamos que aquela guitarra trippy que ela faz ia combinar muito com a música, então um dia que ela estava aqui em SP marcamos um estúdio e gravamos a guitarra dela com o notebook, foi bem massa. A guitarra dela tem uma personalidade e um som bem característico, nós adoramos, e acho que casou muito bem com a nossa vibe! Depois surgiu a letra e vimos que ficou uma música bem forte, resolvemos gravá-la para o disco e lançar como single.

– E do que trata a letra?

Victor: De certa forma ela fala de retorno de Saturno, aquela fase em que tudo muda de forma quase violenta nas nossas vidas. Quem entende do assunto sabe bem do que se trata! ‘Fogo Mais Fogo’ fala de todo um movimento que te leva para uma outra etapa desconhecida, e que é preciso coragem pra encarar de frente. Talvez signifique outra coisa para outros… está em aberto!

Elisa: A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas. E as mudanças geralmente são meio dolorosas, e isso tem super a ver com o momento que estamos passando em nossas vidas – o retorno de Saturno, o momento de tomar umas porradas da vida e ficarmos mais fortes e conscientes. A vibe é essa.

– Então esse single tem a ver com essa nova fase que a banda tá entrando. Com a adição de um baixista e um baterista na formação? Como isso vai rolar nos próximos sons do Antiprisma?

Elisa: É, estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers… Eu e o Victor gostamos muito de guitarra, então ficamos felizes em colocar mais guitarras nas músicas, cada um com seu estilo próprio. Nós estamos animados com essa nova fase da banda, estamos experimentando a sonoridade ao vivo também.

Victor: Mas pretendemos continuar com o formato de sempre também. Gostamos muito do fato de haver essa troca entre nós dois.

Elisa: Verdade, importante dizer!

Ag Massinhan

– Podem me falar de quem tá tocando com vocês? Essa formação é fixa ou vai variando?

Elisa: Nós fizemos o show de lançamento do single “Fogo Mais Fogo” com o Mariô Onofre (Mescalines) na bateria e o Paulo Akio (Fábrica de Animais) no baixo, dois caras que admiramos muito como pessoas e instrumentistas, e foi bem legal. Nós ainda não sabemos exatamente como vai ser essa parte da nova fase do Antiprisma, porque ainda estamos experimentando, mesmo! Vamos ver o que acontece, o futuro está em aberto – que bom!

– E esse som então mostra que o Antiprisma pretende visitar novos caminhos, talvez um pouco mais viajantes ainda que o do disco anterior?

Elisa: Não sei se mais viajantes, talvez sim! No “Planos Para Esta Encarnação” nós estávamos muito com a ideia de soar o máximo possível como soamos ao vivo, fizemos a produção de uma forma bem minimalista, focada nos violões e nas vozes. Agora, talvez pelo fato de nós mesmos estarmos produzindo tudo (tudo mesmo, até o clipe que vai sair em breve – spoiler!), acabamos experimentando mais e, claro, viajando bem mais também (risos)! A produção ainda está soando fiel ao que fazemos ao vivo, mas não estamos nos preocupando em comedir os elementos que saem do eixo voz e violão/guitarras.

Victor: Acho que tanto no nosso EP quanto no nosso álbum demos algumas pistas de que podemos soar de maneira livre. Acho que podem esperar um Antiprisma mais dinâmico e com outras variações de humor. De certa forma, podem esperar um trabalho de terra, água, fogo, ar e éter. Vários climas, quem sabe.

Elisa: Siiim! Os elementos da natureza estão sendo centrais para a idéia do disco (assim como são para as nossas vidas, na verdade – nos ligamos muito nisso).

Victor: Acho que estamos mais intensos, algo que te a ver com o momento que vivemos, né? Todo mundo meio tempestuoso, procurando (ou não) um sentido.

– “Fogo Mais Fogo” dá uma pista do que virá no novo álbum? Podem adiantar um pouco mais sobre os sons nele?

Victor: De fato “Fogo Mais Fogo” mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro. A ideia é que esse trabalho seja bem variado, com momentos de melodia pop, timbres estranhos, experimentos, formatos tradicionais, reflexões e paisagens.

– O que vocês têm ouvido e que podem citar como inspiração para este novo trabalho?

Victor: Olha, pra dizer a verdade, pelo menos da minha parte, poderia citar quase tudo o que ouço desde sempre. Digo isso porque algumas das composições desse disco a gente vem lapidando desde o primeiro trabalho, sabe? Então a criação dele tem sido bem gradual, de modo que acaba esbarrando em muita coisa, de Led Zeppelin a Tião Carreiro… mantras orientais, pós punk, rock rural, blues. Achamos que este é um bom momento pra criar alguns híbridos e ao mesmo tempo tentar recriar fórmulas clássicas, mesmo porque, na real, meio que enche o saco focar toda a sua energia na fritação sem fim, né? Acho que o momento que a gente vive carece de um pouco de delírio, mas para alguns casos também pede os pés no chão, mensagens concretas, e a gente está buscando encontrar esse equilíbrio.

Elisa: É, acho que nesse disco algumas influências nossas que sempre estiveram ali talvez fiquem mais gritantes, como o pós punk, o indie anos 90…

– Podem me adiantar qual será o próximo single? 🙂

Elisa: Acho que já está certo que vai ser aquele mesmo, né Victor?

Victor: Sim, é aquele!

Elisa: Dá pra adiantar que ele será diferente da “Fogo Mais Fogo”, é outra pegada. E a letra tem uma mensagem um pouco azeda (risos)!

– Por falar em spoiler, deixa eu voltar em algo que quase deixei passar: quando vem esse clipe aí e o que podemos esperar nele?

Elisa: Nós queremos lançar o clipe em breve, tipo logo logo mesmo! Estamos muito na pegada faça você mesmo, inclusive com coisas que nunca fizemos antes, então eu resolvi fazer o clipe da Fogo Mais Fogo, aprendendo enquanto faço (risos). Então a pegada do clipe é experimental, dá pra esperar uma coisa meio doidona e despretensiosa!

Construindo Limonge: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

Read More

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o cantor e compositor Limonge, que recentemente lançou seu disco “Nem Todos São Como Astronautas”.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Foo Fighters“Walk”
Apesar de amar toda a discografia da banda, essa música em especial me fez refletir muito sobre levantar e caminhar novamente, diria que foi a primeira a surgir na minha mente quando comecei a compor esse novo álbum em todos os aspectos, arranjos, letra, temática e emoção, obrigado Dave Grohl.

Pearl Jam“Sirens”
Pearl Jam é a banda da minha vida, diria que praticamente tudo que o Eddie Vedder escreve me guia de alguma forma, mas foi “Sirens” que me ajudou a entender a passagem do tempo e perceber que somos frágeis a ponto de assumir nossos medos e expor o que pensamos, valorizando o que temos hoje, como se não houvesse amanhã.

David Bowie“Space Oddity”
Minha música “Astronautas”, primeira do álbum, foi feita com “Space Oddity” tocando em loop… é incrível se imaginar na pele de um astronauta, com o espaço ao seu redor e vendo o que se passa na Terra, aquela bolinha azul flutuando na imensidão, como algo tão pequeno.

Oasis“D’yer Wanna Be a Spaceman”
Também serviu muito de referência pra tematizar o álbum, os sonhos de criança gritando frente a realidade do mundo adulto.

Los Bunkers“La Velocidade de la Luz”
Pouca gente conhece essa banda chilena por aqui, mas essa música merece uma degustação especial, letra e música doces com uma temática similar ao que o “Nem Todos São Como Astronautas” quer passar, o tempo passa, é inevitável, tem muita coisa por aí que nos machuca, mas também há muito o que fazer pra amenizar a dor e olhar pra frente.

Coldplay“Clocks”
Adoro essa fase do Coldplay entre o “Parachutes” e o “Rush of Blood to the Head”, os arranjos e composições são sensacionais, usei “Clocks” como referência pra muita coisa desse álbum, é uma das que mais tocam na minha playlist quando penso na banda.

Semisonic“Closing Time”
Muita gente torce o nariz pra Semisonic, mas acho esse álbum “Feeling Strangely Fine” uma coisa linda… usei muitas músicas como guia quando comecei a compor, apesar de não ter quase relação com o álbum, acho justo estar na lista pois me guiou de alguma forma até aqui.

Florence & the Machine“Dog Days Are Over”
A crescente dessa música é uma das coisas mais lindas, viciei nisso quando comecei a compor e praticamente todas as minhas músicas tem algo desse tipo desde então.

Lulu Santos“Tempo/Espaço”
Lulu foi minha primeira grande referência musical, desde os 3 anos sou fã incondicional desse cara… quando ouvi essa música do álbum “Liga Lá” pela primeira vez, comecei a me encantar pelo espaço, olhar pro céu a noite ouvindo isso é incrível.

Skank“As Noites”
Outra banda de cabeceira… “Cosmotron” diria que foi o álbum que me fez parar de gostar de Skank e começar a amar… “são milhares de estrelas, singulares letras vivas no céu”, precisa dizer mais? Obrigado por isso Samuel Rosa.

Zimbra“Missão Apollo”
Ainda na temática espacial, essa em especial cruza com muitas músicas que escrevi pro álbum, principalmente “Estrelas Caindo Sob o Pôr do Sol”.

Skank“Seus Passos”
Segunda do Skank na lista e acho bem justo (risos), diria que é o momento em que o Skank encontra com o Oasis na esquina e fez nascer uma das músicas mais lindas da sua discografia… me influenciou muito ao escrever “Quebra-Cabeça”.

Foo Fighters“Best of You”
Sempre sonhei em ter uma música como “Best of You”, o questionamento, a força, a emoção em cada compasso… tentei fazer de “São” essa música, espero ter chegado ao menos no mindinho do Grohl com isso.

Paul McCartney“The Songs We Were Singing”
Meu Beatle favorito, com a música que abre meu álbum favorito dele… ouvi demais isso no processo de composição, acho a delicadeza com que ela começa algo maravilhoso, até explodir em um refrão forte, que celebra o passado, apesar de olhar pro futuro.

Travis“Boxes”
Porque não falar sobre a morte também? É a única certeza da vida. Temos tantos questionamentos, dúvidas, medos, sonhos, mas tudo pode acabar em um piscar de olhos. Essa música me fez enxergar que o amanhã pode ser hoje.

O Teatro Mágico“Reticências”
“Se lembrar de celebrar muito mais”, essa frase ainda ecoa na minha cabeça desde que ouvi a música pela primeira vez. A forma com que a música cresce no fim é incrível e também me fez querer evoluir no processo de composição como um todo. Tem um pouco dela em “Tudo Vai Passar”.

Beatles“Hey Jude”
Assim como “Best of You”, sempre quis ter alguma música que lembrasse, mesmo que como um eco, “Hey Jude”… “Tudo vai Passar” caminhou pra isso de forma natural, como homenagem bem clara, espero que Paul um dia se orgulhe de mim (risos).

Supercombo“Se Eu Quiser”
Depois de ouvir isso, comecei a questionar o que fazia. Diria que foi Supercombo que me deu o estalo pra largar um emprego “normal” e apostar na música pra seguir em frente, esse álbum talvez nem existisse se não fosse por isso.

Stereophonics“Dakota”
Aquele tipo de música que você coloca no som do carro pra viajar, me inspirou muito em alguns aspectos pra arranjo de algumas músicas, principalmente com os pequenos riffs com eco que entram ao longo dos versos.

Pearl Jam“Present Tense”
Pra finalizar, essa música me manteve vivo no pior momento da minha vida. Sem ela, eu não estaria aqui.

Venus Wave leva o DIY a sério e prepara seu primeiro EP recheado de psicodelia

Read More
foto: Ilka Rehder

O quarteto paulistano Venus Wave é uma banda independente e autossuficiente, produzindo todo seu próprio material com as próprias mãos e questionamentos sobre o mundo. Formada por Julia Danesi (vocal), Manu Rodrigues (guitarra), Camilla Araújo (baixo) e Carol Flores (bateria), o grupo tem muita influência do rock psicodélico dos anos 60 e 70 e do stoner rock, com ecos de Led Zeppelin, Blues Pills, Jimi Hendrix, Purson, Black Sabbath, Rival Sons, Cream e Janis Joplin. Seu primeiro EP está em produção e é previsto para o segundo semestre de 2018. Segundo elas, o disco fecha um ciclo: “Ele contêm músicas que vem sendo desenvolvidas desde 2016. Elas tiveram muitas mudanças desde os primeiros rascunhos, e acreditamos que irão representar o fim de um ciclo passado e o começo de um novo, com a sonoridade agora bem diferente”, contam.

– Como surgiu a banda?
A Venus surgiu no começo de 2016, com uma formação completamente diferente. A banda foi formada pela nossa vocalista, a Julia, e a baixista da época, a Giovana. Elas se conheceram por amigas em comum e ambas tinham uma vontade grande de formar uma banda feminina. A Julia tocava com a Lara (baterista) e depois encontraram a Juliana (guitarrista). Naquela época estava todo mundo começando, e a banda não tinha uma ideia própria de como seria o som, cada uma tinha um gosto musical muito diferente, que transitava entre um rock mais pesado, o indie, psicodélico e o rock clássico. As referências aos poucos foram se misturando, a mensagem e a identidade também foram sendo lapidadas, até que, depois de algumas mudanças de formação, a banda se consolidou em harmonia com a Manu nas guitarras, a Carol na bateria, a Camilla no baixo e a Julia continuou nos vocais.

– Vocês estão preparando o primeiro EP para os próximos meses. Podem adiantar algo sobre ele?
Esse EP contêm músicas que vem sendo desenvolvidas desde 2016. Elas tiveram muitas mudanças desde os primeiros rascunhos, e acreditamos que irão representar o fim de um ciclo passado e o começo de um novo, com a sonoridade agora bem diferente. As músicas conversam entre si, uma vez que falam sobre temas similares: questionamentos sobre sentimentos internos, misticismo (temos uma relação muito forte com o que está por aí, no universo e fazendo parte de nós, que nos parece tão distante e inexplicável), como também sobre deixar a sua mente fluir e aceitar novas ideias. Ao mesmo tempo que as músicas também são muito diferentes, falando sobre a sonoridade de cada uma delas. Rolou muita experimentação para buscarmos uma identidade sonora. Queremos trazer uma experiência transcendental para o ouvinte, como se ele viajasse numa onda de Venus.

Falando um pouco sobre a produção, somos uma banda independente e autossuficiente. Produzimos nosso próprio material gráfico, nossa divulgação, e não seria diferente com nosso primeiro EP. Estamos fazendo tudo em um estúdio construído na casa da guitarrista, Manu, ao lado do produtor João Nin. Ele está nos ajudando a lapidar detalhes, gravar, mixar e masterizar as faixas. É bem bacana ter a liberdade de produzir tudo em casa hoje em dia, em um ambiente confortável para nos expressar, repensar ideias e acompanhar tudo de pertinho.

foto: Ilka Rehder

– Como pensaram no nome Venus Wave e como ele reflete o som da banda?
O nome da banda surgiu de uma conversa de bar, na frente do estúdio que a gente ensaiava na época, ali em Pinheiros. Literalmente sentamos no bar e nos comprometemos a não levantar da mesa até que pensássemos em um nome. Sempre tivemos uma relação muito forte com o espaço, com a astronomia, com elementos que fogem do nosso alcance como seres humanos. Achamos que esse nome representa a banda de forma que: nunca sentimos que fazíamos parte dessa realidade, sempre fomos pessoas estranhas, com mensagens divergentes, que pareciam pertencer a outro lugar. Além de existir um simbolismo direto do planeta Venus com o feminino. Talvez tenhamos vindo de Venus mesmo, quem sabe?

– Como vocês veem esse retorno da psicodelia na música hoje em dia?
Acho que bandas como o Tame Impala, Temples, até a The Outs e o Boogarins, que são da cena brasileira, representam bem essa sinestesia provinda da música. Rola um tabu grande sobre esse tipo de som ser diretamente ligado ao uso de substâncias que possam alterar seu estado corporal, mas a real é que as músicas por si só já representam um universo gigante de cores, texturas e sentimentos. A psicodelia representa esse estado de transe, de viver o momento, de sentir o seu corpo. Se você fechar os olhos escutando esse tipo de música, vai poder sair da onde está sem nem precisar se mover. Sentimos que o momento atual pede por isso, por um escape, por um gatilho que distorça a realidade.

– Quais as principais influências para o som da banda?
Cada membro da banda têm influências próprias, naturalmente. Mas o interessante da Venus foi a mistura: a Camilla é muito ligada em rock psicodélico, músicas mais descontruídas sonoramente, MPB. A Carol já gosta de artistas indie, de músicas minimalistas. A Manu tem uma influência dos “grandes” guitarristas da história, Jimmy Page, Toni Iommi, Jimi Hendrix, com riffs bem marcados e característicos. E a Julia passeia por referências vocais que vêm também de grandes ícones como a Janis Joplin, ou da música brasileira, Rita Lee, mas é muito ligada na sonoridade psicodélica. O nosso som como um todo mistura os anos 60 e 70 com influências mais atuais, tornando as músicas mais contemporâneas.

foto: Ilka Rehder

– Vocês são uma banda 100% feminina. Até hoje o número de mulheres no palco em festivais e eventos musicais ainda é muito menor que o de homens. Como vocês veem isso? Apesar de estarmos progredindo, ainda há muitos problemas?
Ainda há problemas de aceitação. Essa rotulação de “banda feminina”, é muito complicada, na verdade. Nós somos uma banda de mulheres, assim como existem bandas de homens e bandas mistas. Existem subjulgamentos por isso? Sim. Somos parte de um movimento de resistência? Sim. Mas acreditamos que o que queremos acima de tudo é nos expressar e desenvolver nosso trabalho. É uma pena não podermos fazer isso naturalmente, sem nos preocupar com essa segregação, e termos que lutar para mudar isso. Mas a luta por esse espaço já faz parte da nossa realidade enquanto mulheres em todos os âmbitos da sociedade, não só na música. E aos poucos, muitas mulheres, felizmente, vêm ganhando destaque nos palcos.

– Qual a opinião da banda sobre a cena musical independente hoje em dia?
Existe uma diversidade de elementos e estilos que se dão dentro do contexto musical que temos no independente. É tanta coisa boa e diversa acontecendo ao mesmo tempo que só conseguimos associar a uma tela imensa cheia de elementos construindo uma coisa única, por vários lados. Além do rock como um todo e a neopsicodelia, o rap por exemplo, também ganhou uma força imensa, inclusive com as mulheres cis/trans (tem aí a Flora Matos, a Linn da Quebrada, a Tassia Reis e isso só falando das que já são enormes). E diríamos mais que isso, além dos projetos musicais, tem uma galera enorme que contribui demais para a construção de todo esse contexto pelas vias do jornalismo e do entretenimento. A galera dos blogs de música como o próprio Crush, o Cansei do Mainstream, o Minuto Indie, RockALT, são fundamentais para a difusão dos projetos. A galera de iniciativas como A Porta Maldita, o Contramão Gig também são exemplos de espaços justos para o autoral. Além de todos os festivais independentes (que estão cada dia maiores). Vemos com otimismo o que está rolando, principalmente pela integração entre os meios e os projetos, por saber que além de bons músicos e projetos florescendo, temos um público cada vez mais interessado e uma galera de outros lados somando para a construção desse cenário todo. Isso é lindo demais.

– Quais os próximos passos da banda?
Após a finalização desse EP, pretendemos lançar um single acompanhado de um clipe. Enquanto isso, vamos continuar subindo aos palcos e conhecendo novas bandas, fazendo novas parcerias por aí, para divulgar nosso som. Adoramos saber de novos projetos, novos festivais! É um sonho fazer uma turnê fora de São Paulo, também.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
As Bahias e a Cozinha Mineira, As Despejadas, Ventre, Céu, Carne Doce, Six Kicks, Antiprisma, O Grande Grupo Viajante, Andirá, Letrux, Madame Mim, The Mönic (todas possuem mulheres na formação). Também gostamos muito da Leza (que tivemos o prazer de dividir o palco), d’O Terno, Maglore, etc. De bandas gringas, nos ligamos muito ao Blues Pills (que tem a Elin Larsson como vocalista, uma voz poderosíssima), a Maidavale da Suécia (que também é composta por mulheres), o Rival Sons, Temples, Radio Moscow, etc. Tem muita coisa boa pra ser descoberta por aí.

We're BACK!

Nesta sexta-feira, dia 09/03, subiremos aos palcos novamente. Após um longo ano de muito estudo, mudanças e desafios, nosso retorno está marcado no Bar da Avareza, na Rua Augusta! E que lugar seria melhor para nosso retorno que o bar da Cervejaria Mea Culpa, com chopp no tap? Além de comemorar o mês da mulher com um evento feito POR mulheres: na discotecagem, no som ao vivo comandado por nós, além de flash tattoo. E aí, cê não vai perder, né? ;)Comemoramos também o primeiro show da nova formação da Venus, com Manu Rodrigues na guitarra, Caroline Flores na bateria, Camilla Araújo no baixo e Julia Danesi nos vocais.Serviço: Venus Wave no Bar da Avareza | Rua Augusta, 591 | Evento à partir das 19h, show às 23hConfirme presença no evento: ⊙ Pink Friday ⊙ Minas no Rock ⊙

Posted by Venus Wave on Tuesday, March 6, 2018

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Analiss

Read More
Analiss

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a cantora Analiss, que acaba de lançar o clipe de  seu mais novo single, “Acertei na Mosca”.

Estas são as indicações dela:

Martina Lanzaro
“Amo demais a voz dela, cantora uruguaia, me lembra muitas cantoras de pop/rock que eu ouvia quando adolescente. Gosto que ela mistura um pitada dos mais diversos estilos em suas musicas, nessa mesmo tem um pouco de ritmo latino, bolero, que me agrada muito. No Spotify tem os últimos sons dela, inclusive essa canção com instrumental completo”.

La Triple Nelson
“Me lembra uma das bandas que eu amo muito, de rock mexicano: Maná. O som uruguaio do La Triple Nelson vem de um rock para algo mais pop balada atualmente. Influências, blues, rock e orquestra. Adoro vozes mais faladas, os últimos sons deles me agradam bastante, principalmente essa música”.

Malía
“A voz dela tem um timbre forte de Soul, influenciada pela música negra urbana nacional (Rio de Janeiro), vem se destacando com sua musica POP que mistura ritmos Hip Hop bem swingado, R&B, dentre outros. É artista recente da gravadora Universal Music, escolhi a música dela que mais gosto. Uma mistura de muito bom gosto na levada reggae”.

Sabrina Lopes
“Cantora nacional, de uma sensibilidade incrível e uma voz doce, traz nas suas letras lindas histórias de amor. A música que escolhi é um dos lançamentos dela, uma delicia de levada, um pop romântico que faz parte da nova MPB. Tem um trabalho extenso autoral que vale conferir”.

Sofia Ellar
“Com uma voz bem característica a Sofia me lembra o mainstream espanhol anos 90. Gosto de alguns sons que me remetem ao passado com um toque de modernidade. O ultimo vídeo dela tem um som mais clássico com instrumentos como a harpa e o violino, achei maravilhoso. Aquele som pra se ouvir e ficar de boa, ou dançar a dois pra quem sabe… isso é Sofia”.

Demonia, de Natal, prepara-se para dominar o mundo com single “Reptilianos Malditos”

Read More
Demonia

“Reptilianos Malditos” é o pontapé inicial do quinteto de Natal Demonia, formada por Karina Moritzen (vocal), Nanda Fagundes (guitarra), Isabela Graça (guitarra), Karla Farias (baixo) e Quel Soares (bateria). O som fala sobre assuntos conspiratórios como os Iluminatti, a Nova Ordem Mundial e a Elite Oculta, coisas que sempre aparecem na internet em teorias interessantíssimas, mesmo que muitas vezes malucas.

O quinteto está atualmente trabalhando em novas músicas que em breve serão lançadas. “Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso”, conta Quel. “Estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos”, completa.

– Como a banda começou?

Quel: A banda começou de uma ideia de Karina, ela queria montar uma banda só de meninas. Antes disso ela teve um outro projeto (também de meninas) que era a Monstra, porém não deu certo e acabou que ela nos convidou para fazer parte dessa banda, o que acabou dando certo.

Karina: Amanda Lisboa, uma amiga minha aqui de Natal, fez um post no Facebook querendo montar uma banda só de minas. Chamava Monstra e ensaiamos algumas vezes, mas não tava indo muito pra frente, então eu puxei a Karla, que tava na Monstra e chamei as outras meninas. Eu conhecia Quel da Joseph Little Drop porque sempre curti muito a banda, e a Karla e Quel são amigas de longa data. Não conhecia muito bem a Nanda, porque ela é bem mais nova (tem 19, eu acho), mas sabia que ela tocava guitarra e chamei pra tocar. A Isa eu sabia que tocava baixo e ela tava falando no Twitter que queria tocar, mas como precisávamos de guitarrista, chamei ela e ela topou também.

– Agora me expliquem um pouco da letra do primeiro single, “Reptilianos Malditos”!

Isa: A música foi feita porque eu sempre gostei do assunto, Iluminatti e Nova Ordem Mundial, Elite Oculta e etc… Eu vi um site sobre isso chamado Danizudo, onde ele expõe essa galera, faz uns videos e textos sobre isso e com base nisso eu decidi fazer uma música com essa temática, que é meio que expondo a raça dos reptilianos, que eles vieram pra cá há muito tempo atrás e construíram as pirâmides e até hoje eles formam a Nova Ordem Mundial, que controla todas as pessoas.

– E vão rolar outras músicas falando sobre temas conspiratórios assim? O que podemos esperar das próximas músicas do Demonia?

Quel: Estamos em processo de gravação de mais umas músicas nossas.

– Podem adiantar alguma coisa?

Quel: Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso. e estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos.

– Isso me leva a perguntar: como vocês veem a cena musical independente hoje em dia?

Quel: Ainda está caminhando devagar, porem a gente ver que a cena vem de um certo modo avançando. Tem uma galera ai fazendo o rolê acontecer. Karina também tem um selo (Brasinha Discos) no qual produz muitos eventos, e esses eventos sempre são abertos a bandas novas, isso ajuda a incentivar mais a galera a produzir musica própria e dar o gás para continuar também.

– Como chegaram ao nome Demonia e o que ele significa para a banda?

Quel: O nome Demonia é mais uma afronta, vivemos em um mundo bem machista e o nome é bem impactante, e como falamos sobre machismo e outros assuntos o nome é mais pra afrontar essa galera mesmo. Mostrar que somos mesmo as demônias que irão tocar nesses assuntos aí, quer queira, quer não. E isso é muito foda, porque as meninas se sentem bem confortáveis em nossos shows, às vezes falamos o que elas gostariam de falar e não tem coragem.

– Como vocês veem esse crescimento do conservadorismo e o machismo ainda presente no mundo da música (e fora dele)?

Quel: Isso é um puta retrocesso na humanidade, e vemos isso na política e infelizmente alguns desses personagem políticos acabam influenciando a sociedade, é tanto que a gente pode ver um candidatos a presidência do Brasil que é basicamente isso, o Bolsolixo. Um machista conservador que vem tendo muita visibilidade… É foda, e muita gente cai nas conversas desse bicho. Isso reflete muito na sociedade, quando você tem uma mídia que também é manipulada, a maioria da sociedade que tem acesso a esses canais acabam sendo influenciados.

Karina: Quanto a isso de conservadorismo e machismo, a gente vê com muita raiva e tristeza. É um tema muito recorrente nas nossas músicas, falamos sobre o golpe parlamentar, sobre o abuso no Supremo Tribunal Federal de Gilmar Mendes, sobre como é difícil nos sentir seguras em um mundo de homens. Ao mesmo tempo usamos bom humor pra deixar tudo mais leve, porque a gente não pode deixar essas pessoas ruins ganharem e tornarem o mundo da gente escuro como o deles é. A banda tem esse objetivo: afrontar quem quer defender retrocesso e entreter quem quer progredir se divertindo.

Demonia

– Como anda a cena independente em Natal?

Quel: A cena independente de Natal tá crescendo, podemos ver muitas bandas se sobressaindo, muitos nomes do meio underground fazendo sucesso, atingindo públicos. Nós somos uma dessas bandas e é muito lindo de ver esse progresso conjunto. Tem muito o que crescer, mas tá acontecendo devagar.

Karina: Faço mestrado em estudos da mídia e estudo como a internet tem dado destaque a nova música independente nacional. Eu sou bem otimista quanto à isso, acho muito massa ver os selos independentes ganhando espaço em festivais pelo brasil e arrematando cada vez mais público. A cena independente de Natal é linda. a gente tem muita história, tem um livro chamado “100 Discos Potiguares Pra Ouvir Sem Precisar Morrer” que documenta o rock daqui desde os anos 60.

– Quais são as principais influências do som da Demonia?

Quel: Então, somos 5 pessoas com estilos bem diferentes. Eu e Karla temos alguns gostos em comum: gostamos de umas tosqueiras como Os Pedrero, Mukeka di Rato, Skate Aranha e uns punk lo-fizão. A Nanda gosta de uns hardcore melódico e emo. A Karina é mais pro indie, e Isa tem muita influência afro e ritmos tropicais… E assim somos as Demônias!

Karina: A Isa eu acho que tá mais pro pop do que pra música afro (risos). Uma das bandas preferidas ela é Alabama Shakes. A Karla curte punk mas também ouve rap, ela coloca às vezes lá na casa dela, né, Quel? Atualmente eu tô bem empolgada com a Botoboy, acho incrível a performance do vocalista no palco. Mas temos artistas e bandas incríveis que nós somos muito fãs e são uma espécie de mainstream daqui, que o resto do Brasil não faz nem ideia que existe. Calistoga, Koogu, Fukai, são todas bandas incríveis que a gente acompanha há tempos a própria Joseph Little Drop que Quel toca é irada também.

– Quais os próximos passos da Demonia?

Karina: No momento estamos bolando uma session, mas tentando fazer com ajuda de amigos, pois não temos essa grana pra investir. É ralado, mas esperamos trazer um material profissional pro Youtube, que é onde a música está sendo mais popularidade hoje em dia. Queremos tocar em festivais também! Esse ano tocamos no Guaiamum Treloso em Recife e ainda não foi anunciado, mas vamos tocar no MADA aqui em Natal!

– Como vocês veem isso dos serviços de streaming e Youtube tomando conta?

Karina: Eu vejo com muito entusiasmo! Na minha pesquisa eu falo sobre como o Napster tirou o poder das grandes gravadoras e democratizou o mundo da música. Foi uma coisa incrível, um cara de um dormitório de faculdade criar um programa que destruiu toda uma indústria que era baseada em vendas de discos, obrigando-os a se remodelar. Antigamente você precisava que uma gravadora apostasse em você pra chegar em algum lugar. Hoje em dia
você tem total liberdade criativa pra criar o que quiser e jogar na internet, pra que pessoas que se identificam com o que você produz possam te ouvir e te acompanhar. Isso mudou tudo! É claro que as gravadoras se reformularam e não é nada um paraíso perfeito, mas que melhorou muito pro artista independente, melhorou. O Eduardo Vicente da USP tem um artigo chamado “A Vez dos Independentes” onde ele fala da cena de música independente do Brasil antes da internet. Era ralado, o músico independente precisava bater na porta das lojas de discos e pedir pra venderem o disco dele, coisas assim. Hoje em dia não tem mais isso, tá tudo muito mais horizontalizado, isso faz com que MC Loma, por exemplo, saia do interior de Pernambuco e vire o hit do Carnaval que produtores passam o ano inteiro tentando criar. Enfim, é tudo bem incrível e eu acho que esse retrocesso e conservadorismo é em parte uma reação do avanço rápido e repentino das pautas progressistas trazido pela internet.

– Tudo depende do “viralizar”, né.

Karina: Depende e não depende. Essa é uma discussão que tivemos num curso que fiz na UFRJ com o Jeder Janotti Jr da UFPE. Eu acho que existe hoje uma espécie de mainstream de nicho, onde você não precisa ter o alcance da MC Loma pra conseguir atingir seu objetivo como músico independente. Como exemplo disso eu cito o Boogarins. É uma banda que não tá na Globo, mas tá rodando o Brasil inteiro e enche casas de show por onde passa. Eu suponho que eles estejam bem satisfeitos onde estão, são a banda mais bem sucedida dessa cena atualmente, mas não são exatamente “virais”. Mas sim, com certeza os vídeos no Youtube deles terem varias visualizações é algo que ajudou a eles chegarem onde estão, a popularizar a banda. O Boogarins na minha opinião seria mainstream nesse nosso nicho dessa cena independente específica.

– Por fim: recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Karina: O disco d’O Grande Babaca tá sensacional, não vi falarem muito sobre mas tá com certeza um dos melhores da cena atual. O novo do menores atos também tá a coisa mais maravilhosa do mundo. Internacional eu sou apaixonada pelo Kane Strang e o Cosmo Pyke, mas eu acho que o Cosmo assinou com gravadora. Eu sou muito fã do Raça também, tô super ansiosa pelo disco novo. Letrux nós amamos e tivemos a oportunidade de conhecer no Guaiamum, foi genial! Bex, artista potiguar! Ela é paulista mas mora aqui em Natal Potyguara Bardo, uma drag que em breve sai um EP dela. Ela tem um talento absurdo, tem várias musicas no Soundcloud. Potyguara Bardo é uma drag que tem um hit no youtube (100k visualizações) chamado “Você Não Existe”, é uma lombra e Poty é uma fofa amamos muito. Ela gravou um EP recentemente e vai soltar muito em breve! Luan Battes, Joseph Little Drop. Bex, que é uma voz assim que sinceramente você vê ao vivo e parece coisa de outro mundo. E a Concílio de Trento, a outra banda de Nanda, hardcore melódico lindíssimo, acabaram de soltar um EP que tá com uma qualidade animal chamado “Tomara Que Não Chova”. Eu queria só agradecer você por se interessar na gente e se dispor a nos entrevistar! Você foi um dos primeiros a nos notar então muito obrigada por estar atento e buscando bandas novas pra fortalecer a cena!

Fluhe prepara para julho o EP “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, com influências de soul, trip hop e música africana

Read More

Chico Leibholz já passou por diversos projetos musicais, mas o Boom Project foi o pontapé inicial para o seu trabalho mais autoral e pessoal, o Fluhe, que lançará seu primeiro EP, “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, em julho pela Alcalina Records.

Com influências de soul, trip hop, música africana, glitch e muito mais, ele compôs as canções do projeto sem muita pretensão para extravasar noites de insônia, depressão e ansiedade que lhe acometiam há algum tempo. Daí saíram músicas dedicadas às suas filhas, Luna e Helena, em um estilo que ele define como instrumental trip noise.

– Como surgiu esse novo projeto e como seus projetos anteriores influem no som?

Cara, surgiu de uma forma muito despretensiosa. Eu havia feito os rascunhos das músicas durante a segunda gravidez da minha esposa, e a princípio iria deixar no meu HD. Tirar a depressão, noites sem dormir e fadiga mental da minha cabeça. Nesse meio tempo fui chamado para tocar bateria em dois projetos, um com o Jimi Arrj e outro com o Rafa Bulleto. Basicamente juntei todos pra formar minha banda. O único projeto anterior que de fato influencia a Fluhe é a Boom Project, que era instrumental. Na real foi com a Boom que aprendi a fazer música instrumental, que hoje é o que (acho) (risos) sei fazer.

– E de onde surgiu o nome?

O nome é uma homenagem bem paternal. Fluhe é “for Luna and Helena “, que são minhas filhas.

– Pelo que entendi, elas são basicamente o motivo do projeto existir, certo?

Diria que o motivo é minha esposa. Elas são as melhores consequências disso tudo.

– E como você definiria o som desse projeto?

Instrumental trip noise. Peguei influências de soul, trip hop, música africana, glitch e fiz músicas sem pretensão. O noise vem de noites sem dormir e muita estafa.

– Me fala um pouco sobre as músicas desse projeto que você tem e como foram compostas. Pode ser tipo faixa a faixa, se quiser.

Massa!

01 – “Além das Bandeiras” – Numa dessas buscas infinitas madrugada adentro sobre eu mesmo caí em uma entrevista do John Lennon, de 1968. Ele fala como via o mundo naquela época, e basicamente parece semana passada. Fiquei com aquilo ecoando na cabeça e fiz um sample e depois criei a estrutura inteira.

02 – “Soturno Soturno” foi uma das músicas mais dolorosas durante o processo de gravação do EP ”Leve Devaneio Sobre Ansiedade” que sai em julho, via Alcalina Records. É a faixa que expressa um momento entre a véspera do nascimento da minha segunda filha, uma estafa mental, cansaço, noites sem dormir e um círculo vicioso com álcool.

03 – “A Segunda Casa” – Eu me mudei para São paulo em 2006 e fiquei até 2016. Essa música reflete tudo o que vivi na cidade. O caos, a solidão, aquele medinho que todo mundo que sai de uma cidade do interior e muda para a capital sente. O lance de estar solteiro, suscetível a conhecer alguém, de conhecer. Passar perrengue, se foder, Casar, ter filhos, crescer, sofrer, resistir, e se ludibriar. Esse é um leve devaneio da minha relação com sp. Pra mim é um trip hop gordo com sobras.

04 – “O Golpe” – Não sei para você, mas pra mim desde o golpe piorou. O sample é um trecho de uma entrevista do Tim Maia. Graças à Boom Project aprendi groovar com distorção..

05 – “874 C” – Essa é uma demo resgatada de um dos últimos ensaios com a Boom Project. Foi quando eu havia engrenado a tocar com dois guitarristas. Quase a melhor formação, e a que menos durou. Era o Nirso no baixo, André Zaccarelli na guitarra, Lucas Oliveira (Vitreaux, Maglore) na outra guitarra e eu na bateria. Perguntei se podia torná-la minha e eles liberaram. Groovão. Regravei a versão da demo mudando algumas coisas.

06 – “Alone and Empty” – o riff veio de alguma das vezes que tocava violao para minha filha mais nova, depois que ela nasceu. Foi a última música a entrar no EP. Essa música sintetiza minha compreensão sobre depressão. Você sempre se sente só e vazio entre momentos caóticos quase felizes. Ela conta com a participação de Luka Funes nas guitarras.

– Você pretende continuar com o projeto ou foi algo pensado apenas para o EP?

A partir do momento que essas músicas viraram parte de um todo, e um projeto meu virou uma banda, o plano é continuar. Tenho rascunhos de um próximo ep e de um primeiro full.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos temspo!

Confesso que tenho escutado muito menos que que gostaria, mas é pelo fato de eu estar morando no interior de São Paulo e a grande maioria dos rolês aqui é de banda cover. Mas o que me mostraram e eu curti bastante foram: o duo Antiprisma que é folk psicodélico, a Leza que além de ser do brother Gustavo, pra mim é um stonerzão bem psicodélio, mais pra psico que stoner, mas é chapado. O disco “Vol 2” da Sheila Cretina também é fodão. Indico também as meninas do Obinrin Trio e o som do Giovani que nem é tão mais independente assim.

Ouça o single “A Segunda Casa”:

5 Pérolas Musicais Escolhidas a dedo por Daniely Simões, baterista da The Mönic

Read More
Daniely Simões, baterista do The Monic

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Daniely Simões, baterista do quarteto The Mönic!

The Bots“I Like Your Style”

Uma dupla de pura sujeira e riffs marcantes com um vocalista de um timbre diferente sem frescura.

Company of Thieves“Modern Waste”

Genevieve tem uma voz tão marcante que me lembra a Alanis só que ainda mais poderosa. Guitarras muito bem trabalhadas e aquele tecladinho pra dar uma preenchida. Acabaram de lançar um EP maravilhoso mas minha escolhida é a do segundo disco.

Villainy“Syria”

Nova Zelândia não guarda apenas a casa dos Hobbits mas também essa banda sensacional que um Kiwi me mandou e eu pirei. Pode ouvir qualquer disco desses caras e mergulhe nessa sujeira toda.

Animal Alpha“Fire! Fire! Fire!”

Essa banda norueguesa infelizmente acabou mas deixou sua marca. É meio metal com uma linha vocal bem interpretada com berros e melódicos muito bem trabalhados.

Outrun The Sunlight“Where Ever Word Spoken, Spoke”

Pra quem gosta de som instrumental e muito delay se dê uma chance pra escutar essa banda. São muitas nuances e um vai e volta que te deixa alucinado.