Conheça um guia semi-definitivo para a obra do Clube da Esquina

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Clube da Esquina

O canal do Youtube Três Álbuns – Música Pra Tudo é capitaneado pelo Lucas Cardoso, de São Thomé das Letras, e costuma fazer vídeos mostrando, como o próprio nome diz, Três Discos sobre algum tema específico. Mas dessa vez, Lucas foi mais longe e fez um especial incrível elencando os discos que fizeram parte do chamado Clube da Esquina. Sim, ele vai muito além do clássico álbum de 1972, contando com trabalhos incríveis de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Som Imaginário e mais. Confira:

Construindo Audiofusion Bureau: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o trabalho do estúdio

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o pessoal do estúdio Audiofusion Bureau, que indica suas 20 canções indispensáveis que mostram um pouco do que eles fazem em seus trabalhos. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rafa Carvalho

In Flames“Minus”
É por isso que eu trabalho com musica. Foi a música que me fez querer fazer o que eu faço. Por muitos anos o In Flames foi minha banda favorita e a produção desse disco é algo que, fora esse lance de realmente ter marcado a minha vida, abriu a minha visão do heavy metal dos anos 2000. Pesado e acessível, pra dizer o mínimo.

Head Control System“It Hurts”
Kris Garm cantando, Daniel Cardoso fazendo todo o resto e uma das masters mais altas que já ouvimos na vida. Acho que esse eh o nosso disco de produtor favorito. As linhas do Garm provam o pq ele é o melhor vocalista do metal da atualidade. Compressão de verdade, tudo na cara.

Massive Attack“Dissolved Girl”
Brincava com uns amigos que existia uma “escala ‘Mezzanine’ de peso”, onde um “Mezzanine” era algo pesado pra burro. Acho inclusive esse disco mais denso que um monte de metal/hardcore por ai. Essa música é uma síntese boa dessa definição: Dub, delay, ebow, timbres e riffs de guitarra pesadíssimos, baixo na cara. Mixado pelo Mark ‘Spike’ Stent, um dos meus ídolos. Um dos melhores shows que já assisti na minha vida também.

Dub Trio feat. Mike Patton“We’re Not Alone”
O Dub Trio é a banda que eu queria ter na minha vida. E o Mike Patton é o cara que eu queria ser quando eu crescesse. Essa música fez eu deixar de achá-lo superestimado, fez eu entender o dub como estética [Desculpa Bad Brains, ainda era jovem.]

O Bardo e o Banjo“Go Away”
Uma parte dos serviços oferecidos pelo estúdio é a produção e operação de shows ao vivo. E eu acompanho o pessoal do O Bardo e o Banjo há uns anos. Já gravamos coisas com eles aqui e passamos bons tempos juntos na estrada. Essa é do primeiro disco e gosto bastante, até por ser um som lado B deles. Pra nunca deixar de trabalhar com amigos!

Explosions In The Sky“First Breath After Coma”
Fora a maestria nos timbres de tudo, e é incrível como ao vivo soa monstruosamente similar, posso dizer que os texanos foram algumas das pessoas mais legais com quem já trabalhamos ao vivo. Aula de simpatia e de postura e que mudaram minha forma de encarar a rotina ao vivo!

Deftones“Digital Bath”
O melhor som de caixa de bateria do mundo está nessa música. Abe Cunningham, Terry Date e OCDP. Isso ao vivo soa um soco no estômago. “White Pony” é um marco na nossa geração.

E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante“Todo Corpo Tem um Pouco de Prisão”
Acompanho o corre dessa molecada a um tempo e de vez em quando dou uma força nos shows também, quando o Berna não consegue estar junto. E num caso parecido com o EITS ai de cima, acho foda como os timbres são parecidos. Fora a energia e a entrega deles

U2 “Gone”
Tenho tendência a gostar dos discos que ninguém gosta com as minhas bandas favoritas. O “host”, do Paradise Lost, o “Butterfly FX” do Moonspell. Enfim… O “Pop” do U2 foi o que me fez perceber isso. Além de todas as histórias do showbiz que cercam o disco, eu sinto uma banda fora do seu estado natural e isso soa desafiador. Parece até que eles desafiam o ouvinte, tipo “é estranho memo, e ai? qual o problema?”. Acho que ninguém além deles teria a mão de fazer o que fizeram na época. E o time de produção. Flood, Alan Moulder, Nellie Hooper, Mike Spike Stent, só gente que gosta de bagunça e de som torto.

Alexisonfire“Sharks And Danger”
Fui um jovem emo. E acho o “Watch Out” o melhor disco desses caras aqui. Fora o valor sentimental, gosto muito dos arranjos, dos timbres, da produção e do storytelling dessa composição.

Rafa Gomes

Limp Bizkit“Pollution”
Essa é a faixa que abre o ‘Three Dollar Bill, Yall$ ‘ do Limp Bizkit, acho que foi a primeira vez que eu ouvi um disco até parar de funcionar, obviamente não ouvi no ano de lançamento, talvez eu tenha conseguido uns 2 ou 3 anos depois… mas era uma pegada absurda, numa mistura intensa pra caralho de rap com rock/metal. marcou bem pela energia da parada.

Tool“Sober”
Mais uma vez pela pegada, uma melancolia escancarada nas melodias de guita e linha de voz, que parece que foi gravada num poço regado à IR (impulse response) de depressão.

Stone Sour“Get Inside”
Comprei esse disco pela capa (que não tem nada demais), como fiz com um monte de outros.. Só chegando em casa, lendo o encarte q eu fui ver q era uma banda com o Corey e achei do caralho! Outra sonoridade, mix mais mais crua, mais direto e ao mesmo tempo mais melódico que o Slipknot, a partir desse disco que fiquei na caça de projetos paralelos de músicos.

Symphony X“Inferno”
Essa o Rafael Carvalho vai me xingar! (Risos) Mas é um gosto pessoal que veio bem na época q eu comecei a trabalhar em estúdio, eu tocava uns sons do Symphony X com uma banda que eu tinha. Apesar do som ser trampadasso, as bateras tem um som muito MIDI, muito! Eu chutaria que é TODA sampleada, quase não tem som de prato, chimbau… nada! Depois disso que descobri a mágica das baterias programadas. Benção.

A Perfect Circle“Passive”
A compressão bonita ta nesse som, nesse disco, nessa banda… Tudo tem tá apertado, mas apertado gostoso! hahaha a música é boa, mas os timbres e a mixagem tem destaque.

Dead Fish“A Urgência”
Sempre quis ter uma banda de hardcore qndo era moleque, mas nunca tive capacidade ‘baterística’ pra tocar, a mixagem é melhor do que a do disco seguinte, aliás… acho que a mix mais legal do Dead Fish tá nesse disco. Apesar de ter 14 anos, ainda uso de referência.

Opeth“Harvest”
E no top 5 (ou 3) no quesito mixagem, masterização de metal vai pra esse disco (“Black Water Park”), no meio de uma carrilhada de ciosa, tudo soa bem e pra completar.. no meio da desgraceira tem essa faixa. Foda.

Porcupine Tree“Blackest Eyes”
Steven Wilson é o frontman da banda e por acaso (ou não) é o mesmo cara que produziu, gravou e mixou o “Blackwater Park” do Opeth citado acima, o cara tem a mão pra trabalhar com timbres limpos e com sonoridades densas. acho bem foda.

N*Sync“Bye Bye Bye”
Ok, é estranho? Não! Puta som! Me formei em Tecnologia em Produção Fonográfica (Produção de Música Eletronica) e aprendi a ouvi, curtir e pirar nesse processo de produção com sintetizadores, samples, efeitos. Eu ja gostava como ouvinte desse universo eletrônico desde as gotiquera ’80, mas os pop ’00 me abriram bastante a mente como produtor.

Haikaiss“Síntese do Um”
O “Incógnico Orcherstra” do Haikaiss foi o primeiro disco de rap que masterizei pelo AFB a full e essa faixa em específico eu lembro de ter ouvido pra caralho, foi a faixa que usei de referência para toda sonoridade do disco, foi desse trampo fizemos nosso nome como estúdio de masterização, o disco ja tem quase 10 anos, mas ainda tá na pasta de referência.

Petit Mort comemora 10 anos de carreira em novo formato duo com crueza e peso extra no seu som

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A banda argentina radicada no Brasil Petit Mort está comemorando nada menos que 10 anos de carreira dedicada ao rock, sempre independente e vigoroso. Para celebrar, mudanças na formação da banda, que virou um duo (Juan Racio foi do baixo para a bateria), a aposentadoria do figurino clássico de peruca rosa e vestido da vocalista e guitarrista Michelle Mendez e um som ainda mais pesado e distorcido. “A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo, conta Michu. “O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições”. Conversei com ela sobre a nova formação da banda e as novas músicas que virão no novo trabalho da banda e já estão aparecendo nos shows:

– Como está essa nova fase do Petit Mort, como uma dupla?

Tá muito massa! A gente na real queria ir mais devagarzinho, ficar mais tempo no estúdio testando o duo e ensaiando antes de sair e tocar ao vivo… Mas apareceram muitos convites massa, então estamos nos conhecendo como duo ao vivo mesmo. A gente toca junto há 10 anos, então aquela conexão tá intacta, quem tem mais desafios é o Juan, que mudou do baixo pra bateria, mas ele tá tocando muito e se sentindo muito bem com o novo instrumento. A galera tá nos motivando muito ao vivo!

– E porque você aposentou a peruca rosa, que era uma marca meio “registrada” da banda?

Porque tava me derretendo de calor nos shows! (Risos) Cachoeira de suor! Mas também para acompanhar essa mudança na banda.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas? Vai sair disco ou EP novo?

Sim, compondo muito, muitas musicas novas. A maioria das músicas nos shows são novas. Muita vontade de lançar disco novo este ano, a vida bota muitas dificuldades no meio, mas vamos achar o jeito de fazer!

– O que pode me falar sobre as músicas novas? Conta mais!

Muita energia. Tentamos compor nos ensaios do mesmo jeito que faríamos a música na hora do show, sentindo o que ela vai precisando pra aumentar a energia de nossos corpos ao vivo. A prioridade é fazer músicas pra nos divertir, e pular, rebolar, descarregar as traves do som e toda a raiva e todos os sentimentos fortes que temos dentro por morar neste mundo injusto. A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo. O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições.

– E como o som mudou com essa mudança pro formato duo?

O som virou um só, tudo pra frente, pesado, baixo forte, guita forte, bateria forte, unificado. É muito envolvente.

– Pode falar do nome de algumas músicas novas? Tipo, o nome das músicas, do que elas falam?

As músicas novas que estamos fazendo ao vivo são “Right Now”, “Through the Hill”, “Last Stop”, “Surprise”, “The Sixth Time “, “Breaking Legs”, “Good Days”, “So Deep”, “Get On the Road” e “To My Neighbors”.
Falam de buscas, falta de ar, opressões injustas, a necessidade de fugir para algum lugar e salvar a todos, a resistência, a luta, o desamor, a vida, o mundo. Muitas imagens e paisagens, atmosferas.

– Como o Brasil influenciou o som e as letras da banda?

O Brasil vem mudando a minha vida desde a primeira turnê, lá em 2012. A gente é muito fã das bandas daqui, então com certeza são parte importante da nossa influência no som. Quem vive a cena autoral no dia a dia absorve muito. Admiramos muitas bandas e músicos. O Macaco Bong mudou o meu jeito de sentir a música, me abriu muitos novos universos. A cena stoner e instrumental daqui também. Mas, principalmente o Brasil me mudou como mulher. O machismo aqui é extremamente forte, e isso me fez repensar muitas coisas. O Brasil tem um monte de mulher foda fazendo música que admiro, me empoderam todo dia. Fizemos 135 shows aqui, em 12 estados, e isso tem influenciado em praticamente tudo nas nossas vidas. Ver os contrastes de realidades, ter vivenciado o golpe, o assassinato da Marielle, a luta dos índios em defesa da suas terras e sua identidade, o assassinato de milhões de espécies no Amazonas pela mineração/soja/gado, a tragédia ambiental de Mariana, a intervenção no Rio, etc… Tudo isso influencia na nossa ira, na nossa personalidade, na nossa profunda tristeza e raiva. A gente tá com muita dor do caminho em que o mundo tá indo e é tudo isso é refletido no som, nas letras e na energia do show.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo rapper Rieg R.

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Rieg - Divulgação 2014 - foto por - Rafael Passos.

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Rieg R. do grupo Rieg.

Afrika Bambaataa & Soul Sonic Force“Planet Rock”

Na música “Leave It To Me” da Rieg estávamos todos no grupo ouvindo muita coisa de música funk, eletrônica e hiphop. A essência dessa música é muita atemporal e incrível. Lembra um pouco também, por um lado, o Furacão 2000 no início aqui no Brasil. Esse beat foi muito presente na infância pra banda toda. Essa mistura doida de estilo, tentando em testar limites e criar algo novo, sem medo. Essa coisa da performance e de se adaptar a ambiente e meio cultural que vive, sem ser igual a todos. Tem toda uma simbologia por trás da parte visual, e experimentações doidas na parte musical – meio laboratório de cientista louco, com beats dançantes e culturalmente relevantes. Total revolucionário.

Tony Allen“Every Season”

Sou apaixonado por esse baterista. Mais uma vez a música que acompanha o disco é “massa demais”, como diríamos aqui em João Pessoa. A “Every Season” é a música que abre o disco. Com uma bateria que praticamente canta a música e te leva para uma viagem suave e mais sólida dentro do afroBeat. É uma ótima música para iniciar uma “pedalada” no Longboard. Pegar um vento na cara e evoluir o espírito em mil anos. 🙂

Damu the Fudgemunk“First Rondo”

God, esse cara é o rei dos beatbreak. Adoro a sonoridade que ele consegue imprimir com a Mpc 2000. Quando começamos a usar uma Mpc 1000, começamos a pesquisar referências e cheguei nele. Ele é um artista e produtor de música americana de hip hop de Washington, DC. Para quem gosta de recortar vai se divertir com ele. A parte Rítmica dele é bem forte. Damu é um verdadeiro garimpeiro a moda antiga.

Devo“Uncontrollable Urge”

Uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos e influência total de estética, atitude e doidice. Eu lembro que uma das primeiras fitas k7 que comprei na vida, bem novinho, era do “Q: Are We Not Men? A: We Are DEVO!” e escutava tanto, tanto, tanto, que tive que consertar a fita algumas vezes já. Depois quando eu achei um VHS com show bootleg deles num mercado de pulgas, eu achei o máximo. Minha cabeça explodiu, hahah. Era punk, sem parecer igual as outras bandas. Era meio nerd com atitude punk. É pop, mas nem tanto. Era meio Kraftwerk, sem ser tão cabeça, mas com conceito também. Tem tantas referências de tantas bandas, que parece um quadro de colagens. Nisso, se transforma numa coisa tão única, doida e multifacetada, que acaba sendo muito original e interessante. A mistura de timbres, guitarras com synth, com visual, com narrativa. Amo demais. Eu tenho esse mesmo carinho pelos B-52s.

DJ Shadow“In/Flux”

A história do hip-hop e trip-hop tem muitos paralelos em comum e tem raízes que se cruzam um pouco. Bebem da mesma fonte que talvez seja o funk americano e o dub jamaicana, e dão ainda mais um jeitinho. Acho fascinante esse colagem de samples para criar algo novo. A ressignificação de momentos passados para criar novos. Eu fiquei bem na dúvida o que colocar como última música aqui na lista, porque tem muita mais coisa que queria citar do mundo hip-hop, dub, rock psicodélica ou música electrónica, mas eu acho que essa música do DJ Shadow tenta juntar um pouco de tudo e consegue. É uma viagem longa, como se fosse você zapeando na TV e tudo fazendo sentido. Esse vibe relaxado, o uso de orquestra sem vergonha, que nem tem com Massive Attack, essa emoção pura – mesmo através de recortes – eu amo. Só nessa música tem sample de Funkadelic, Earth, Wind & Fire, Chase, Mutabaruka, Tribe Called Quest e Alan Ross. Ou seja, uma mistura de vários estilos e intenções diferentes para criar algo novo e seu.

Construindo Banda-Fôrra: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda paraibana Banda-Fôrra, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Cidadão Instigado“O Tempo” 
Cidadão Instigado inaugurou um jeito de fazer canção no Brasil. Letra e melodia emocionantes, e mais mil detalhes pra prestar atenção a cada nova audição.

Homeshake“Every Single Thing”
Melhor timbre pop que tem rolado por aí afora. Pra ouvir pensando na vida.

Cátia de França“20 Palavras Girando ao Redor do Sol”
Lembrete eterno de que não estamos inventando a roda e que a música paraibana sempre foi com os dois pés na porta.

Bob Marley“Slave Driver”
Aula de música, história e caráter. Recomendado em doses diárias.

Igor Stravinsky“A Sagração da Primavera”
Uma das muitas drogas pesadas que consumimos nos tempos de pré-produção do nosso EP de 2015, e que reverberou como referência em forma de vocalização na faixa ‘diz nos meus olhos’.

Milton Dornellas“Encanto”
O compositor que tento ser se divide entre antes e depois do disco que abre com essa canção. Sigo buscando a clareza e limpidez na articulação entre melodia e letra que Milton foi capaz de cometer nessa faixa.

Lô Borges“O Trem Azul”
Nessa lista valia pôr o Clube da Esquina inteiro, mas essa faixa fica sendo uma representante de peso da maneira como os mineiros influenciam nossa forma de harmonizar, e também por aquele solinho de guitarra incrível, que aprendi a cantar inteiro.

Guilherme Arantes – “O Melhor Vai Começar”
Nos releases que produzimos ao longo desse tempo de existência da banda, sempre falamos em ‘música brasileira sem estereótipos’. Acredito que a maneira como Guilherme Arantes faz conversar suas referências no rock progressivo, na nossa nova e na tradição da canção brasileira sintetizam bem essa nossa busca. As melodias são belíssimas, e as letras têm esse apelo por ser profundamente simples e irremediavelmente inteligíveis.

Cidadão Instigado“Besouros e Borboletas”
Persigo, observo e admiro as canções do Fernando Catatau. Escolhi essa por ela conseguir arrancar com doçura uma lágrima minha num show deles que assisti.

Gilberto Gil“No Norte da Saudade”
Nas últimas viagens que fiz escolhi essa canção pra ser o primeiro play.
Música pra cima e pra celebrar a instiga de se jogar na estrada.

BaianaSystem“Lucro: Descomprimindo”
Gosto de observar cada detalhe dos shows das bandas do mainstream. No da Bayana não consegui, pois fui sugado pro meio da multidão e me entreguei pras famosas rodinhas dos shows deles. Depois, com uma audição mais cuidadosa, passei a admirar essa música por ter uma crítica social muito forte, muito atual e por transmitir a mensagem através de refrão chiclete e estrofes certeiras.

Beto Guedes“Lumiar”
Essa eu gostaria de ter feito. É uma aula do beto ensinando ao mundo como deve ser o ser.

Gilberto Gil“Ilê Ayê”
Essa música, como boa parte da obra de gil, possui um aspecto interessantíssimo que é a força e o poder que a música (e cultura) afro-brasileira tem. Não só essa música, mas todo o disco ‘Refavela’, possui uma força muito incrível, tanto nas letras como em cada instrumento tocado.

Maglore“Calma”
Música que compõe o disco mais recente da Maglore. Sem dúvida nenhuma essa é a melhor música do disco, a palavra é algo muito presente nesse disco e nessa música não poderia ser diferente. Sem contar também com som da banda como um todo, os timbres maravilhosos que esse disco traz.

Caetano Veloso“Nine Out of Ten”
Essa é uma das minhas músicas preferidas de Caetano e lembro que só conheci esse disco por conta de Banda-Fôrra, que na época nem tinha esse nome, chamava-se Banda Uns. Lembro muito bem de assistir a um show dos meninos tocando o disco ‘Transa’ e depois do show ir correndo para casa ouvir incansavelmente essa maravilha.

Milton Nascimento“Escravos de Jó”
Música que abre o disco ‘Milagre dos Peixes’. Algo que acho muito incrível dessa música são as percussões de Naná Vasconcelos, grande percussionista que infelizmente não está mais entre nós. O que me fascina é a maneira que Nana orquestra toda a percussão da música, criando uma massa sonora incrível que sem dúvida nenhum faz com que a percussão não seja um mero instrumento de acompanhamento e sim que ela se torne um comunicador tal como a voz. Em resumo, a percussão pode não falar, mas ela diz muita coisa.

A Cor do Som“Beleza Pura”
As guitarras de Armandinho nas músicas d’A Cor do Som me impressionam muito. Bahia e Brasil numa fritação canção belíssimas. sempre tento trazer pra meu jeito de tocar a sensação que eu tenho quando escuto as guitarras dele. Não dá pra escutar essa versão de “Beleza Pura” e não querer sair dançando pela casa.

Gal Costa“Vatapá”
Uma das coisas que eu mais gosto na vida é a sensação do fim da tarde em João Pessoa. Principalmente por causa das cores e do brilho das coisas. De maneira geral, gosto de escutar (e fazer) músicas que me remetem a isso. Gal, Caymmi e a cereja do bolo: João Donato (produção musical e arranjos) me transportam diretamente pra um fim de tarde em João Pessoa. Vale escutar esse disco inteiro!

Red Hot Chili Peppers“Sick Love”
Um dos discos que eu mais escutei em 2017-18. Até eu escutar esse disco, Red Hot cumpria uma função mais nostálgica do que qualquer outra. Ouvia mais nos rocks quando alguém lembrava de “Scar Tissue”, “Under The Bridge” ou “Can’t Stop” ou quando o assunto eram os tempos áureos da MTV. Quando ouvi esse disco (“The Getaway”) pela primeira vez que percebi o quanto essa banda é muito foda. “Sick Love” foi a que mais gostei. A Partir desse disco que fui percebendo que as outras músicas e os outros discos são carregadíssimas em sentimentos. Muito verdadeiros. Frusciante (mesmo não estando presente nesse disco) me ensina muito sobre rock, groove e guitarras limpas.

Mac DeMarco“Let Her Go”
Esse disco é sempre à quem eu recorro quando passo mais de 5 segundos e não consigo pensar em alguma coisa pra ouvir. sempre. timbres lindos, sensibilidade altíssima. “Let Her Go” sintetiza bem a capacidade que esse disco tem de colocar meu dia pra cima. Altíssimo astral. Fica ainda mais alto astral se for ouvida naqueles finais de tarde super vermelhos de João Pessoa.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Vinicius Mendes, do selo Pessoa que Voa

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Vinicius Mendes

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Vinicius Mendes, do selo Pessoa Que Voa.

Weird Fingers“Seus Dentes Vão Se Amarelar”

Encaro essa música como um tributo ao envelhecer, e como encarar esse destino parece ser muito pra digerir de uma vez só, o que ela demonstra muito bem com o jeito que cresce, até chegar no crescendo caótico do final. A gaita que fica no fundo a música inteira parecem pessoas que passam por nossas vidas de forma tão passageira, como fantasmas. Acho genial construir uma narrativa assim, usando letra e música juntas.

Right Away, Great Captain!“Blame”

Gosto muito do jeito que o Andy Hull (que também é vocalista do Manchester Orchestra) compõe e toca. Ele faz a música crescer só na voz e no violão de um jeito muito natural e dinâmico, que me inspirou muito enquanto compunha pro “Mercúrio”. Os três discos desse projeto compartilham uma história só entre eles, mas ao mesmo tempo soam muito sinceros e pessoais.

Amanda Palmer“Machete”

Sempre que escuto essa me dá aquela dor na garganta, sabe? A história por trás dessa é muito bonita, sobre um amigo de longa data dela vítima de câncer. Faz você pensar de pessoas queridas que passaram por isso e como seguir em frente depois de tudo.

Lia Kapp“Fire & Air”

A Lia me inspira muito, acho que ela é uma das melhores artistas do país, sem hipérbole. O disco mais recente dela, o “Metamorphösis”, é um trabalho conceitual absurdo, que não se traduz só em música, mas em vídeo, foto e no show também. Essa música parece um cabo de guerra quando o refrão entra e toda aquela tensão do verso é liberada, um hino trip-hop.

Joanna Newsom“Only Skin”

Minha compositora favorita, tudo que ela fez é incrível. Gosto muito do jeito que ela compõe, cada canção parece ser um mundinho contido em si, cada verso parece pensado e ajustado à perfeição. Tudo nessa música, da letra até o arranjo de cordas e a harpa faz a história de um casal virar uma epopéia de quase 17 minutos.

Aiure deixa o Vintage Vantage para trás com sensualidade e melancolia em “Erótica & Bad Vibe”

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foto por Thais Mallon

Antigamente conhecido como Vintage Vantage, o trio do Distrito Federal Aiure entra em uma nova fase, cheia de psicodelia, post rock e brasilidade, com o single “Erótica & Bad Vibe”, uma despedida ao antigo nome de batismo e o primeiro passo em uma direção diferente. A faixa faz parte do primeiro álbum da banda, a ser lançado ainda no primeiro semestre, com produção de Gustavo Halfeld.

Com inspiração no rock progressivo e em diversas viagens musicais, Lucas Pacífico (guitarra), Gabriela Ila (piano) e Renan Magão (bateria) fundem sons e exploram caminhos novos com a adição de instrumentos como a viola caipira, reforçando a introdução da música brasileira no caldeirão sonoro do grupo.

“Assim como a maioria das nossas músicas, o Pacífico trouxe o riff e a ideia em geral e eu e o Magão criamos nossos arranjos em cima dele. Essa música foi relativamente fácil de fazer. Não é sempre que temos facilidade em fechar arranjos, mas ela fluiu fácil desde o começo e trouxe a nós uma nova possibilidade de brincar com outros instrumentos e propostas, como o sintetizador e a mini-música de viola caipira no final. Essa proposta de ‘mini-músicas’ ou ‘músicas pequenas de transição’ é algo que fizemos uma vez no nosso single/clipe de “A Divina Comédia” e pretendemos explorar mais no disco”, conta Gabriela.

“Erótica & Bad Vibe” não só é o nome do single, como também a definição do som que a banda faz, unindo sensualidade e melancolia. “Gostamos tanto desse conceito que adotamos como nosso estilo musical”, completa Gabi.

 

– Como rolou a mudança de Vintage Vantage para Aiure?
Magão: Foi difícil, a banda já tinha 2 EPs, 3 clipes e a gente sempre quis mudar de nome, mas sempre faltava coragem. Mas aí depois que começamos a gravar o disco, decidimos que se a gente não mudasse agora, íamos perder a oportunidade. Depois de alguns meses de brainstorming de possíveis nomes, a ideia do Aiure surgiu. Não acho que mudamos tarde, acho que foi na hora que tinha que ser.

– O que vocês trazem da antiga encarnação da banda?
Magão: Tudo! (risos) A banda é a mesma, com os mesmos integrantes e a mesma proposta mas coincidiu da gente estar explorando sons e texturas novas. Acho que combinou bem com o novo nome. O nosso EP “Neblina” é muito dramático, denso e pesado. Mas as nossas novas composições são mais etéreas e menos viscerais. Um pouco mais felizes, mas igualmente bad vibes hahaha muito violao, viola caipira e sintetizadores.

– Aliás, me expliquem o novo nome, “Aiure”!
Magão: Aiure vem de “alhures” que quer dizer “de outro lugar”. Um dia o Pacífico (guitarrista) ouviu Chico Xavier dizer “alhures” numa entrevista. Ele entendeu “aiure”, contou a história pra gente e curtimos a ideia.

– Me contem mais sobre “Erótica & Bad Vibe”.
Gabi: “Erótica & Bad Vibe” é o single que lançamos junto com a mudança do nome. Ele faz parte do disco novo e abre portas pra essa nova sonoridade que comentei antes. É uma musica mais viajadona, mas bem linear.
Dar nome pra músicas instrumentais é um verdadeiro dilema. Às vezes faz sentido, às vezes não.
“Erótico e bad vibe” foi como um integrante da banda descreveu um sonho que teve. A gente achou engraçado e botamos esse nome na música.

– Quais as principais influências da banda?
Gabi: Rock progressivo e música brasileira em geral. Muitas das influências vem de King Crimson, Mars Volta, Hermeto Pascoal e Pink Floyd. Mas depende bastante do que nós estamos ouvindo na época.
Da minha parte, atualmente tenho ouvido muito Vulfpeck e Kamasi Washington e isso transparece bastante nas minhas linhas de piano

– Como vocês definiriam o som do Aiure?
Gabi: Vou citar o meu “eu” de 2003 lá do falecido Orkut e dizer que “~º~º~º QuEm Se DeFine sE LiMitA ~•~•○” (risos) Difícil definir, mas a gente gosta de dizer que nosso som é erótico e bad vibe.

– Vocês estão preparando um disco. Podem adiantar algo sobre ele?
Gabi: O disco tá lindo. Tá quase pronto, inclusive. Estamos na fase de mixagem e masterização.
Ele tem, além de nós 3, várias participações especiais de músicos amigos tocando trompete, percussão, guitarra, baixo, vocal (Sim. Definitivamente não somos mais uma banda 100% instrumental) e um coral. Esse coral é da música “Pedra Souta”, que fizemos em homenagem ao amigo Pedro Souto que faleceu ano passado. O disco vai ser inteiro dedicado à ele.

foto por Thais Mallon

– Me contem mais sobre o conceito de “mini-músicas” que vocês fazem em alguns momentos.
Gabi: As mini-músicas surgiram da ideia de fazer músicas de transição entre uma e outra. Nesse disco vão ter 3 mini-músicas e todas com viola caipira. Sem guitarras com distorções ou baterias barulhentas. É como se a tempestade passasse e ficasse somente a calmaria. “Erótica & Bad Vibe” e “A Divina Comédia” tem mini-músicas. Você pode ouvir ambas no youtube.

– Como vocês veem a cena independente musical hoje em dia e como vocês trabalham dentro dela?
Gabi: A cena independente musical sofre metamorfoses constantes. Às vezes a cena tá massa, às vezes não. Atualmente vivemos uma época boa na cena de Brasília. Muitas bandas novas aparecendo, vejo muito mais adolescentes indo nos shows. Esse vai ser um ano bom no quesito ‘materiais novos’.

– Quais os próximos passos da banda?
Pacífico: Dominação mundial!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Pacífico: Em Brasília, tem atualmente bandas muito fodas que se preparam pra lançar materiais novos em breve também como Joe Silhueta, Toro, Rios Voadores, Cachimbó, Zéfiro, Tiju, Oxy, Palamar. A cena instrumental de Brasília também ta de parabéns com Muntchako, Os Gatunos, Transquarto, A Engrenagem. Aconselhamos ouvir todas!

Macaco Mostarda mostra toda sua energia e falta de limites no clipe de “Carranca”

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O trio Macaco Mostarda define seu som como uma mistura de punk com soul, ou jungle rock, indicado pelos próprios por falta de um nome melhor. Talvez a energia e falta de limites dos primatas seja a força motriz da banda de São Paulo, formada nas últimas horas de 2014.

Formada por Lino Colantoni (vocais e guitarra), Carlos Sanmartin (baixo) e Renato Murakami (bateria), a banda acaba de lançar o clipe de “Carranca”, um dos diversos singles que pretendem lançar este ano. “A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe”, conta Lino. “Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas”.

Conversei com ele sobre o clipe de “Carranca”, a carreira da banda e os planos de singles para 2018:

– Me conta mais sobre este novo clipe. Foi feito em casa?

Foi sim! A gente gravou na real na casa de uns broder. A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe, a gente queria algo simples, que fosse possível a gente mesmo produzir, e que remetesse a ideia do que é a banda ao vivo! Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! De cara eles ficaram meio receosos de deixar a gente rodar o clipe lá, porque a gente é realmente muito enérgico tocando e as vezes até perde um pouco o controle… Mas é uma galera muita parceira. No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas.

– Ah, são perdas tranquilas, até (risos). Como a banda começou?

Eu tinha umas composições engavetadas e queria levantar elas com uma banda, não sozinho. Eu sempre curti ter banda, tenho banda desde os 15 anos, só que eu estava sem banda a uns anos, e ali achei que era o momento de montar outra. Eu e o Carlos (baixista) já fazíamos um som juntos, a gente tirava uns covers, mas só de brincadeira, a Macaco Mostarda ainda não existia. Eu tentei montei essa banda algumas vezes, e foram muitas tentativas frustradas, até o dia em que eu tive que tirar o terceiro baixista da banda e eu pensei “Mas que porra que eu to fazendo? por que eu ainda não chamei o Carlos pra tocar comigo?” Ali eu conversei com ele e falei “Velho, tô de saco cheio de tocar cover, quero levantas uns sons próprios” e ele topou na hora! A gente já tinha o primeiro batera, e dali pra frente começou a brincadeira.

– E o nome Macaco Mostarda?

Foi inspirado numa música da banda Joe Strummer and The Mescaleros, chamada “Johnny Appleseed”. A gente pensou em dar o nome da banda de “João Semente de Maçã”, mas a gente descobriu que já tinha uma banda gospel com esse nome, até por se tratar de uma história biblica. Daí o itinerário de maçã pra mostarda e do João pro Macaco eu já não me lembro muito bem, mas sei que o ponto de partida foi esse (risos). Quando surgiu na mesa o nome Macaco Mostarda, a gente pirou na imagem e fechou a ideia! A gente escuta com frequência que a nossa performance ao vivo remete muito ao comportamento enérgico dos macacos, e por esse motivo muita gente acaba achando que o nome vem daí. Mas embora essa não tenha sido nem de longe a nossa intenção, até que fez algum sentido e a gente acabou gostando dessa associação.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!

A gente tem uma demo, que foram as primeiras composições, aquele do disquinho de capa amarela e preta. Feito na independência total, a gente curte ele por ser o primeiro e tal, mas existem planos de regravar os sons que estão lá, até por conta da troca de baterista que a gente teve no ano passado, a banda mudou
muito de lá pra cá e a gente tem muita vontade de regravar com a mão do Renato (atual batera). Mas são músicas que a gente curte demais, toca todas nos shows ainda e foi uma demo gravada com muita raça e muita paixão. Temos o primeiro single que a gente lançou, chamado “Boca do Estômago”, totalmente independente também, mas esse com mais punch, mais qualidade e mais maturidade também. Foi uma composição minha que surgiu de repente, em uma hora e meia a música tava pronta, eu mandei mensagem pros caras e falei “vamo gravar?” e os caras abraçaram a ideia. Dois meses depois (corre independente é demorado) a gente tava lançando ela. E agora a gente lançou o single “Carranca”, que é nossa primeira faixa gravada com o Renato (atual batera), nosso primeiro clipe e nosso primeiro som lançado em parceria com nosso produtor, Guilherme Real. A composição é antiga, mas a música foi toda repensada em estúdio pra ter a cara da banda na fase em que ela tá mesmo. Esse single faz parte de uma série de singles que a gente deve lançar durante o ano.

– Pode me adiantar alguma coisa sobre estes singles que virão?

O próximo som a gente deve lançar em maio, se chama “Revoluções e Mentiras” e tem uma assinatura funk que a gente particularmente gosta muito, tem participação da Thai Borges nas percussões (que estão pesadíssimas por sinal), uma amiga nossa lá de Curitiba. E nossa primeira balada deve vir na sequência, mas não espere nada muito arrumadinho porque nosso negócio é um groove barulhento (risos). Tem mais som por vir, mas por enquanto, o que dá pra adiantar legal são esses. Os outros estão em processo e a gente tá trampando neles sem pressa.

– Como você definiria o som da banda?

Por mais clichê que isso vá soar, eu preciso dizer que essa é sem dúvida umas das perguntas mais difíceis de se responder sobre a Macaco. A gente tenta, no momento da criação, não definir uma sonoridade específica pra buscar, a gente simplesmente toca, e o que estiver soando no nosso inconsciente. Vai soar no som que a gente tá fazendo. Sei que é uma reposta vaga, mas se eu tivesse que definir o nosso som de alguma maneira, eu diria que a gente é uma banda punk que entrou disfarçada num baile soul. Punk porque a gente é barulhento e segue a risca o DIY e soul porque se tem um estilo que contempla a todos da banda é esse, e de alguma forma, ele tá sempre povoando nosso imaginário nos momentos de criação.

– Quais as maiores inspirações musicais da banda?

Cada um tem um gosto muito particular, mas a gente divide de algumas referências: Jimi Hendrix, Stevie Wonder, The Police. Nacional a gente gosta muito de Caetano Veloso, Tom Zé, Novos Baianos…
Eu principalmente, escuto muito rap desde muito novo. então acho que é uma das principais influências também.

– Como vocês veem a cena independente, tão prolífica hoje em dia?

A gente gosta muito da cena, principalmente porque o rock tá vivendo de novo um momento underground. Os grandes veículos não estão focados no rock agora, e isso é ótimo pra manutenção do gênero. As bandas podem explorar mais, ter mais autonomia de criação e muita coisa nova vai surgindo dessa experimentação. Eu diria que é um momento de reinvenção necessário pro rock que ficou durante um tempo cristalizado em fórmulas ultrapassadas.

– Ou seja: essa “baixa” do rock no mainstream é necessária pra uma possível volta à grande mídia/grande público?

Talvez sim, talvez não. Eu acredito que tudo é cíclico. Mas acho que o artista que escolheu o rock como plataforma tem que se preocupar em inovar, em buscar alguma originalidade, não se preocupar com a ascensão do gênero nem nada do tipo. O rock por ter sido mto bem tratado durante mto tempo entrou numa zona de conforto, e acho que o momento é bom pra que ele saia desse lugar. O momento tem que ser de união, as bandas precisam voltar a pensar de forma coletiva.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende começar a produzir o próximo clipe, continuar gravando novos sons e estamos produzindo uma nova edição da “Festa da Macacada”. É um festival que a gente faz com bastante artista parceiro pra arrecadar fundos pra alguma instituição ou algo do tipo.

– Fala mais dessa festa.

A gente gosta de colocar a banda a serviço de alguém ou de alguma coisa. E disso surgiu a ideia de fazer esse evento beneficente pra levantar fundos. Em 2016 trabalhamos com uma ONG que ajuda refugiados sírios, esse ano a gente queria trabalhar com eles de novo mas parece que a ONG fechou por falta de verba. Porém, algumas famílias ainda precisam de ajuda e a gente vai organizar outra festa pra levantar essa grana pra eles. Nossa vontade é fazer esse.tipo de evento com mais frequência, essa é o tipo de coisa que a gente tem muito tesão de fazer. Eu tô negociando com espaços pra ver onde e quando pode rolar. A princípio tenho uma data que é dia 21 de abril. Mas ainda pode mudar porque estou negociando com espaço e as bandas e artistas participantes. A ideia é sempre unir várias artes e fazer um evento divertido e com propósito pra todo mundo.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sr. Apache. Eles e Anna Sátt, Malaguetas, João Perreka e os Alambiques, Picanha de Chernobill, Cankro, David Alexandre, tem dois caras de Guarulhos que eu acho que são fundamentais pra cena de hoje (junto com o João Perreka) que é o Victor Carvalho de Lima e o Guilherme Papini, Aláfia, Mutum, As Bahias e a Cozinha Mineira, Rincón Sapiência (que apesar de estar estourado ainda é independente). muita gente na independência mandando muito bem.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Renan Inquérito

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foto por Márcio Salata

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Renan Inquérito, do Inquérito, banda de rap de Nova Odessa.

The Isley Brothers“Between the Sheets”

Esse som é de 1983 e a primeira vez que eu ouvi foi através da música “Big Poppa”, do Notorious BIG, em 1994, depois no som “Livro da Vida”, gravado pelo Sistema Negro no álbum “A Jogada Final”, de 1997, ambos samplearam essa música, e de tanto ouvir esses dois raps, fui atrás do original, mas na época não tinha internet, foi no garimpo mesmo, falando com os colecionadores de disco, os nego véio, aí cheguei no disco do The Isley Brothers. Esse som me faz lembrar todo o processo de pesquisa pra se fazer um rap na década de 1990, isso tem um valor muito grande, ainda mais hoje em dia que os moleques só dão um Google. Pra que vocês tenham uma ideia, essa música foi sampleada por mais de 30 rappers diferentes só nos EUA.

J Cole“Sideline Story”

Eu conheci esse som e fiquei tão viciado nele que escutei no repeat por dias seguidos, nem sequer sabia do que ele estava falando, nem fui buscar a tradução até hoje, eu apenas sentia o que ele me trazia na época, estava há muito tempo sem escrever nada e passando por um período complicado da minha vida, então de tanto ouvir comecei a escrever uma letra em cima dele, fiz a letra todinha em cima desse som e curti tanto o resultado que decidi começar a fazer um disco novo imediatamente. A música que eu escrevi em cima chamava-se “Rivotril”, e depois mudei o nome para “Tristeza”, o disco que ela me inspirou a começar foi o “Corpo e Alma”, 2014.

Gonzaguinha“João do Amor Divino”

Esse som é de 1979, mas me soa tão atual, tão rap, impressionante! A letra conta a história de um pai de família que é “profissional em suicídio” e literalmente se mata pra garantir o sustento da casa. A narrativa vai mostrando todo o percurso traçado por ele até o dia em que decidiu pular de um prédio no centro da cidade pra arrancar uns trocos dos curiosos. Uma narrativa direta, sem refrão, tipo um rap storytelling. Eu penso que Gonzaguinha foi um MC antes do rap existir no Brasil, morreu jovem e deixou várias outras músicas de protesto, como por exemplo “Comportamento Geral”. É um artista que me influencia muito com a sua poesia.

F.UR.T.O.“Sangueaudiência”

Esse disco é foda, não dá pra indicar uma música só, é o único disco do F.UR.T.O., banda fundada pelo baterista e compositor Marcelo Yuka depois de ter saído do O Rappa. Todas as composições são do Yuka, letras extremamente politizadas, como “Amém Calibre 12”, “Ego City” e “Verbos a Flor da Pele”, críticas ácidas ao capitalismo e à hipocrisia da sociedade. Ouvi muito esse disco na época, 2005, porque pra mim ele era uma espécie de rap eletrônico tupiniquim, e também porque depois da saída do Yuka do O Rappa, eu me sentia órfão de letras politizadas. Tem uma frase numa letra que eu nunca esqueci, ele vem contando a história de uma menina da favela e de repente diz que ela era “mãe demais pra ser jovem”.

Zeca Baleiro“Eu Despedi o Meu Patrão”

Adoro as letras do Zeca, inteligentes e sarcásticas, sempre cheias de figuras e imagens. Esse som faz parte do álbum “Pet Shop Mundo Cão” (2002), que tem grandes clássicos da sua carreira, como a canção “Telegrama” que toca muito até hoje. Essa faixa em especial tem a participação do pessoal do Záfrica Brasil, Fernandinho Beat Box e Gaspar, que também estão em outras faixas do disco, que aliás é cheio scratches. Chapo quando ele diz: “não acredite no primeiro mundo, só acredite no seu próprio mundo!”

Contramão Gig volta ao Bar da Avareza hoje com shows de Thee Dirty Rats e Os Chás

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O Contramão Gig acontece mensalmente no Bar da Avareza com a organização do Crush em Hi-Fi e do RockALT, e hoje tem mais uma edição! Seguindo nossa missão de levar a música autoral de volta para o Baixo Augusta convidamos vocês a uma vez mais descobrir e redescobrir artistas da cena independente! Nesta edição teremos apresentações de duas bandas incríveis: Thee Dirty Rats e Os Chás!

Thee Dirty Rats
O duo faz um garage rock direto e reto e sem freios. Rock and roll minimalista feito com 3 cordas e 3 peças de bateria. Formada em 2014 em São Paulo, a banda conta com Luis Tissot nos vocais e cigar box com pedal fuzz e Fernando Hitman na bateria e efeitos. Na bagagem, os EPs “The Fine Art of Poisoning 1&2” e “Perfect Tragedy”.
Ouça:

Os Chás
Formada em 2016 por Gabriel Mattos (guitarra e voz), Diogo Menichelli (bateria e percussão) – ambos ex-Hierofante Púrpura, Thiago Fernandes (baixo e voz) e Wesley Franco (baixo), a banda lançou em 2017 o EP “Já Delírio”. Gravado e mixado por Taian Cavalca e masterizado por Hugo Falcão no estúdio Mono Mono, o disco traz as participações especiais de Priscila Ynoue (piano, órgão e sintetizador) e Mário Gascó (sitar indiano e didgeridoo) ajudando a engrossar o caldo alucinógeno de suas seis faixas.
Ouça:

A discotecagem fica por conta do pessoal do Crush em Hi-Fi e do RockALT e das DJs convidadas da noite, Daise Alves e Mirella Fonzar, do Universo Retrô, tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

 

Durante o evento também teremos flash tattoos com a Lina Zarin, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi)
Fotos: Elisa Moreira Oieno

Quarta-feira, 21 de março de 2018
Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa, com camisetas de times ou calçando chinelos.
• Aqui sua bike é bem-vinda! (vagas limitadas)