5 Pérolas Musicais Escolhidas a dedo por Daniely Simões, baterista da The Mönic

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Daniely Simões, baterista do The Monic

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Daniely Simões, baterista do quarteto The Mönic!

The Bots“I Like Your Style”

Uma dupla de pura sujeira e riffs marcantes com um vocalista de um timbre diferente sem frescura.

Company of Thieves“Modern Waste”

Genevieve tem uma voz tão marcante que me lembra a Alanis só que ainda mais poderosa. Guitarras muito bem trabalhadas e aquele tecladinho pra dar uma preenchida. Acabaram de lançar um EP maravilhoso mas minha escolhida é a do segundo disco.

Villainy“Syria”

Nova Zelândia não guarda apenas a casa dos Hobbits mas também essa banda sensacional que um Kiwi me mandou e eu pirei. Pode ouvir qualquer disco desses caras e mergulhe nessa sujeira toda.

Animal Alpha“Fire! Fire! Fire!”

Essa banda norueguesa infelizmente acabou mas deixou sua marca. É meio metal com uma linha vocal bem interpretada com berros e melódicos muito bem trabalhados.

Outrun The Sunlight“Where Ever Word Spoken, Spoke”

Pra quem gosta de som instrumental e muito delay se dê uma chance pra escutar essa banda. São muitas nuances e um vai e volta que te deixa alucinado.

Supla e uma ode às músicas traduzidas para o português em “Menina Mulher” (2004)

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"Menina Mulher", disco do Supla de 2004

Não dá pra negar que Supla é um cara que realmente não se importa com o que os outros dizem, o que é muito benéfico. Afinal, depois que ele mostrou que sabe não se levar tão a sério e abraçou a zoeira de Marcos Mion no finado programa “Piores Clipes do Mundo” da finada Mtv Brasil, Supla reergueu sua carreira no Brasil e vendeu como água seu disco “Charada Brasileiro”, além de conseguir uma bela vaga no reality “Casa dos Artistas, ficando em segundo lugar. A partir daí, lançou discos tão amplos quanto sua personalidade, indo do punk rock ao pós punk, do rap à “bossa furiosa” (no ótimo projeto Brothers of Brazil, com seu irmão João Suplicy). Supla, como seu pai Eduardo Suplicy, é um cara que é difícil de não gostar, mesmo que você não seja lá muito fã de seu trabalho. Suplicy é o petista que até fãs do PSDB (como minha mãe, por exemplo) adoram, e Supla é o punk que até os mais ávidos odiadores do rock simpatizam. Talvez seja algo inerente à família Suplicy, quem sabe.

Em 2004, Supla lançou o disco de versões “Menina Mulher”, com produção de Liminha, o cara que fez o rock brasileiro dos anos 80 ser o que foi. No disco, o Papito mostra sem vergonha nenhuma a sua falta de medo de ser feliz. Afinal, pegar 13 músicas, muitas delas clássicos, e fazer versões em português é algo que provavelmente apenas Sandy e Junior e Aviões do Forró conseguiriam fazer com louvor e ousadia assim. Mas Supla não tem receio e passa incólume à esta tarefa: traduziu ou recriou sons de gente como Blondie, Elvis Presley, Gary Glitter e Flock of Seagulls com seu tempero platinado e sem muito respeito à letra original.

Isso já pode ser visto na divertida faixa-título, que abre o álbum. Versão de “Leader Of The Gang”, hit do encarcerado Gary Glitter, “Menina Mulher” fala do clichê roqueiro tiozão de admirar moças que acabam de chegar na puberdade. Aliás, Supla sem querer acabou falando um pouco do que levou Glitter a ser preso, né. Enfim.

“Cenas de Ciúmes” foi o primeiro single e ganhou um clipe estrelando Luciana Gimenez (sim, do Superpop!) e transforma a letra original em um som sobre (dã) ciúmes. A voz de Supla é perfeita para a música, e apesar de abusar das rimas de verbo com verbo, a música fica divertida em sua versão brasileira. “Eu Já Não Quero Mais” é uma versão do hit do PhD “I Won’t Let You Down” e ganha uma letra de separação que vai totalmente na direção contrária que a música original. Supla dá uma engrossada na voz pra dar um ar mais pós-punk à canção. Na sequência, a única música autoral do disco, “Aquela Sexta-Feira”, punk, curtinha e que passa meio batida em meio às outras.

Voltamos às versões com “Baby Doll”, com Supla fazendo versão de “Baby Talk” daquele que é sua versão importada, Billy Idol. Aliás, acho que ainda nessa existência é necessário que algum dia exista uma parceria (ou como os millenials falam, um “featuring”) entre Supla e Idol. O quase sacrilégio do disco vem em “Coração em Chamas”, em que ele simplesmente destrói o maior hit de Chris Izaak, “Wicked Game”. Apesar de ser uma das músicas que mais tenta manter o teor original, não funciona. Dá uma olhada:

Que tipo de jogo é esse?
Eu queria saber
Mistura a tristeza e alegria
E ainda nos dá prazer
Que tipo de jogo é esse?
Onde amar é sofrer
Que tipo de jogo é esse?
De te pertencer

“Verão de Dezembro” é uma versão divertida para um semi-hit de Elvis Presley, “Return To Sender”, e o jogo de palavras da tradução pra lembrar um pouco o original é simplesmente digna de “Weird Al” Yankovic. Uma das melhores do disco, sem dúvidas. Como “Heartbreaker” da Pat Benatar não estourou muito por aqui, essa versão (“Virgínia”) passa facilmente como uma música própria do Supla, sem medo de ser feliz. Mas aí vem um combo de sons clássicos:

“Tina” é uma versão para o clássico dos clássicos do Cheap Trick, “I Want You To Want Me”, e não deixa de ser engraçado ouvir o malabarismo lírico de transformar “Didn’t I, didn’t I, didn’t I see you crying” em “Tina, Tina, Tina, não chore”. Se você achou essa meio cômica, aguarde a transformação de “Mr. Postman”  em “Carolina”, pegando a letra original e jogando na lixeira sem dó nem piedade. “Oh yeah, lembro bem da Carolina / Yeah yeah yeah Carolina”.

“Tititi”, por incrível que pareça, funciona bem como versão tupiniquim de “Shake It Up” do The Cars. Sim, tem muita rima de verbo com verbo, mas se você ignora isso, até anda. Parece mesmo um som do Tokyo. Já “Paixão Pra Esquecer” é quase um sacrilégio com “Flowers By The Door” do TSOL. O instrumental segura, mas a versão não consegue se manter. Fechando o disco, uma versão quase literal acústica para “Hanging On The Telephone” do The Nerves e famosa na versão do Blondie. O nome? “Telefone”, claro.

Somando tudo, se você não levar muito a sério (e o próprio Supla acerta muito em não se levar muito a sério e se divertir sempre), “Menina Mulher” é um disco divertido e mesmo as versões mais esdrúxulas podem render boas risadas.

Quinteto suíço Miss Rabbit quer trazer seu barulho sônico para o Brasil

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Miss Rabbit

A banda suíça Miss Rabbit começou como cover e aos poucos foi inserindo suas músicas próprias nos shows, misturando influências diversas de punk, pós-punk, reggae, blues e muito mais para criarem seu som vulcânico e cheio de potência. Por isso,  Angela Bösch (vocal), Melanie Curiger (guitarra), Fabienne Curiger (baixo), Roger Köppel (guitarra) e Thomas Frei (bateria) não fazem um som muito fácil de definir, já que cada música segue um caminho que reflete a personalidade de seus integrantes.

Mesmo nos álbuns que lançaram até agora, “Miss Rabbit” (2013) e “Tales From The Burrow”(2016), o som continua mostrando todas as experimentações sonoras que o quinteto desenvolveu desde seu início. “Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver”, explica Fabienne, com quem conversei um pouco:

– Como a banda começou?

Foi em uma noite engraçada no nosso bar favorito. Quatro amigas decidiram que era hora de começar uma girlband.

– Por que o nome Miss Rabbit?

Miss Rabbit era o nome do coelho do nosso guitarrista. Como uma banda cover, nos chamávamos Wotan’s Hasen (Coelhos de Wotan), Wotan era o nome do nosso primeiro baterista. Então, tem algo nostálgico por trás disso também.

Miss Rabbit

– Quais as maiores influências musicais da banda?

Somos muito abertos a todos os tipos de música, mas especialmente Nirvana, Juliette Lewis e Danko Jones, alguns dos nossos grandes ídolos.

– Quando vocês decidiram mudar do cover para fazer suas próprias músicas?

Nós nos divertimos muito como cover e quando nosso ex-baterista começou sua jornada pelo mundo, decidimos continuar e escrever nossas próprias músicas.

– Como o seu público reagiu a isso?

Colocamos mais músicas próprias em nossos shows pouco a pouco, então o público teve tempo suficiente para se acostumar.

Miss Rabbit

– Como está a cena do rock hoje na Suíça?

A cena musical aqui é, infelizmente, um pouco sobrecarregada, com bandas sem fim e infinitas possibilidades de ver uma banda online via streaming. É difícil tirar as pessoas de suas casas para assistir bandas ao vivo.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Começamos a escrever nossas próprias músicas em 2010. Estávamos tentando encontrar nosso próprio estilo, experimentando gêneros diferentes como punk rock, ska, reggae, blues, baladas e também escrevemos algumas letras em alemão. Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver.

– Vocês já estão trabalhando em novas músicas? Você pode nos dar alguns spoilers?

Sim, na verdade nós trabalhamos no nosso terceiro álbum, que esperamos lançar no final de 2018. No momento, não podemos dar spoilers, mas nos siga no Facebook e você vai ficar sabendo!

– Quais são os próximos passos da banda?

O mundo! (risos) Brincadeira. Sua alma! Honestamente, nós adoraríamos tocar em todo o mundo, especialmente na América do Sul. O nosso guitarrista tocou no Brasil antes e ele adorou o público incrível daí.

– Recomendem bandas independentes e artistas que chamaram sua atenção ultimamente.

Nós tocamos dois grandes shows com The Soapgirls (ZA) – www.soapgirls.com. Nós logo nos tornamos amigos
e ficamos impressionados com a paixão delas pelo que estão fazendo. Outras bandas que merecem ser
ouvidas são:
Skafari (CH) www.skafari.ch
Never Say Die (AT) www.neversaydie.at
Nachtschatten (DE) www.nachtschatten-band.com
Crossed (CH) www.crossed.ch

Caburé Canela faz som que junta baião, samba, bossa, rock, blues, afro-beat, semba “e até Black Sabbath”

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Macumba-Erudita. Samba-Cigano. Reggae-Jazz. Punk-Baião. Essas são algumas das muitas formas de tentar descrever um pouco do som da banda Caburé Canela, de Londrina, apesar de nenhuma delas ser muito certeira em definir a mistureba brasileira que o sexteto faz.
Formada em 2013 por Carolina Sanches (voz), Lucas Oliveira (voz, guitarra e violino), Maria Carolina Thomé (percussão), Mariana Franco (contrabaixo), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (voz e guitarra), a banda une influências de ritmos populares como baião, samba, bossa nova, rock, blues, afro-beat, semba de Angola e rumba “e talvez até um pouco de Black Sabbath“, segundo Lucas.
Em fevereiro de 2018 lançaram o primeiro trabalho, “Cabra Cega”, no Espaço Cultural SESI de Londrina. Da campanha de financiamento coletivo à produção do show de lançamento, da escolha das músicas à arte da capa do disco, tudo foi realizado de forma independente e unindo as forças dos seis membros e toda sua criatividade. Conversei um pouco com a banda sobre sua carreira e o disco:

– Como a banda começou?

Lucas: A banda começou em 2013, comigo, o Paulo que é o batera e a Maria, que é percussionista. Eu morava em Angola, estava dando aula por lá, e quando voltei, queria montar uma banda autoral. Daí chamei os dois, que já haviam tocado comigo antes em outros projetos. Fomos construindo a ideia, e chamando outras pessoas. A Maria chamou a Carolina, que é cantora e compositora, e a Mariana, que é baixista. O último membro a entrar foi o Pedro, que era um amigo nosso, e que acompanhava a banda também. Ele é guitarrista, cantor e compositor.

– E quando foi isso?

Lucas: Foi mais ou menos no meio de 2013. Daí até o Pedro entrar foi quase um ano.

Carolina: Em 2013 o grupo foi se formando, mas o lançamento oficial foi em setembro de 2014, com um ensaio aberto no Grafatório e outro oficial em outubro numa festa grande chamada “Quizomba: O Samba e outros Batuques”, aqui de Londrina.

– E como surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Carolina: Bom, Caburé Canela é uma coruja, de pequeno porte, do Sul da América do Sul (risos).
Lucas um dia veio com essa ideia, e achamos interessante pensar que é uma ave arisca – que não se deixa decifrar. Tem o símbolos que expressa certos traços poéticos do grupo: o olhar agudo sobre as cenas do mundo, o caráter notívago, o gosto pelo mistério. A coisa noturna que a coruja tem.

Lucas: Estavamos na loucura de achar um nome, que é algo bem difícil… Aí fui atrás de vários nomes de plantas, de bichos, de aves, etc, e achei esse, que é uma espécie de coruja que habita a América Latina. Fui pesquisando mais a fundo, e vi que as palavras “Caburé” e “Canela”, também tinham significados muito especiais. Caburé, além de ser coruja de modo genérico, também quer dizer mestiço de Nativo Americano e Africano. Remetendo a questão da ancestralidade brasileira. Canela tem a ver com especiaria do oriente, uma coisa longínqua, mística, exótica.

Carolina: E caburé também significa mestiço de negro com índio… o que seria o cafuzo. e mestiço de branco com índio caboclo.

– O som de vocês tem bastante de música africana e brasileira, além de jazz, rock, e até punk. Dá pra definir o som de vocês? Eu acho que é bem difícil, né…

Carolina: (risos) Os dois!

Lucas: Acho que é Música Brasileira. A gente brinca com essa coisa de gênero faz tempo, tentando saber o que é de verdade. Punk-Baião, Macumba-Erudita, Igapó-Beat, etc. Igapó é um lago aqui da nossa cidade!

– Quais bandas e artistas vocês citariam como influências no som de vocês?

Lucas: Como somos em seis pessoas, cada um traz múltiplas influências, aí vai longe (risos), mas posso citar algumas mais diretas, como Itamar Assumpção e a Anelis, sua filha; Jards Macalé; os tropicalistas todos; bandas como Chico Science e Nação Zumbi, Otto, Chico César, Hermeto. Isso do Brasil, daí tem influências de rumba, semba, blues, rock, afrobeat, reggae, e alista segue (risos). Vai achar até um Black Sabbath.

Carolina: Tem coisas que remete aos procedimentos que o Arrigo Barnabé usava e a vanguarda paulista no geral também né.. Um grupo atual acho que talvez seja o Metá Metá.

Lucas: Olha, esqueci deles (risos).

Carolina: É, acho que é isso!

– Me falem um pouco mais do disco que vocês lançaram!

Lucas: Foi nosso primeiro disco. Depois de quase cinco anos. Já havíamos gravados as faixas, mas queríamos o CD físico também. Daí fizemos uma promoção pré-venda, que viabilizou a prensagem. São sete musicas no disco, que refletem um pouco nossa trajetória, a busca para se firmar, o auto conhecimento, e a tentativa de se enquadrar nos padrões pré-estabelecidos. O disco gira em torno do personagem “andarilho”, que busca algo que ele não sabe o que é. Nessa trajetória, se depara com lugares, medos, frustrações, amores, perdas. No final percebe que a vida é apenas um fluxo, e que só se pode fluir por onde há espaço. No caso, é o encontro com o nada.

Carolina: A música que abre o álbum é a “Andarilho” e tem uma frase dela que dá nome ao disco “Como cabra cega, algo que nega e não vê, e procura sem saber o quê”.

– Então no fundo o disco tem um conceito e um personagem… quase uma ópera-rock!

Lucas: Sim. Não chega a ser uma ópera-(MPB?), Mas tá quase lá!

Maria Carolina: É interessante que composições de diferentes autores se amarrarem tao bem. Mostra bem o quanto o grupo dialoga bem entre inquietações e formas de perceber a vida. Quando nos reunimos (eu por Skype) pra fechar a sequência das musicas parecia q era tudo bem planejado. Mas na verdade não foi, não conscientemente. Fiquei bem impressionada com a amarração que as composições fizeram.

Carolina: É legal pensar no conceito do ópera-rock né, acho que inconscientemente vai meio por aí mesmo. Se formos pensar a sequência, esse enredo que inventamos para o andarilho caminhar.. e que mesmo depois de gravado e mixado, mantemos a ideia inicial e ainda começamos a utilizar de outras coisas, né… Desde o figurino, iluminação, também as projeções do lançamento até as próprias falas que eliminamos entre uma música e outra…. Perpassa sim por esse lugar que a ópera-rock caminhou (risos).

– Como é o processo de composição da banda?

Lucas: Algumas vezes a música vem quase pronta. Outras vezes construimos tudo juntos. Nas minhas músicas, geralmente tenho bastante clareza do que imagino que vai ficar bom, mas sempre vem uma ideia de alguém e vamos incorporando. Cada um trás sua própria linguagem, e é bem interessante tentar fazer essa junção das ideias. Algumas musicas são construídas quase que inteiramente de maneira coletiva. Cada um construído uma parte e dando ideias para o todo da música.

– Os shows da banda são um espetáculo à parte. Vocês podem descrever uma apresentação pra quem nunca viu?

Carolina: Temos músicas do Lucas, do Pedro José, minhas e por enquanto, uma do Paulo. Eu funciono meio esquisitamente… Escrevo e depois invento a melodia, gravo e levo pro grupo. Daí a gente começa a pirar com os instrumentos. A música do Paulo (Faixa 5, “Sem”) surgiu meio assim também, ele me enviou a letra, fiz um riff no violão, o que hoje é a base do baixo, e inventei a melodia. Depois foi a construção coletiva, desenvolvendo o todo.

Maria Carolina: É uma experimentação corpórea. Nos preocupamos muito com as dinâmicas, e as vezes jogamos uns blocos de informação pro publico absorver. Pedro definiu bem no ultimo show, musica pra quem não “sabe” dançar. É de se ouvir com o corpo todo, vejo que quando conseguimos essa entrega total no palco o publico também corresponde. Considerando a cozinha, que é o meu lugar,rs somos bem livres… A regra é focar as notas verdadeiras. E é isso que espero que nossa apresentação seja, livre verdadeira e intensa.

– Então é muito mais que apenas uma experiência musical!

Maria Carolina: É pra ser! Muita pretensão?

– Lógico que não!

Carolina: É o desejo né, pode parecer pretensioso mas parte da verdade mesmo. Não consigo descrever… No show de sexta a Suy Correa veio me dizer que ela achou sinestésico e curador..
Acho interessante o olhar do outro, porque do palco vemos uma coisa mas no fundo não sabemos o que acontece no outro, como estão recebendo aquilo tudo né…

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Carolina: Antes mesmo de lançar o álbum já fazíamos shows com mais músicas. Músicas fechadas, arranjadas e que podemos fazer sempre, temos 22. E tem outras que estão em processo, amadurecidas aos poucos. Na maioria das vezes pedem pra gente encurtar um pouco o show (risos)
mas dá pra tocar umas duas horas!

– Essas músicas farão parte de um disco, EP, sairão como singles? Aliás, o que vocês acham do conceito de “‘álbum” hoje em dia, com as pessoas ouvindo música em serviços de streaming e muitas vezes ouvindo mais as músicas “soltas” do que o disco completo e na ordem?

Maria Carolina: Essa pergunta é nosso grande ponto de interrogação do momento. Estamos aprendendo, descobrindo os caminhos. Essa tal de independência faz com que percorramos um caminho mais cheio pedras.. Pra mim é tudo muito novo, ainda gosto do lado a e do lado B.

Carolina: Ainda temos dúvidas. Estamos loucos pra gravar outro disco (tem um sonho aí de vinil também), mas como o “Cabra Cega” acabou de sair, ainda estamos no processo de apresentar esse primeiro CD pro mundo. Estamos tentando fechar shows fora de Londrina, enfim… Provavelmente entraremos nesse processo no segundo semestre. É esquisito pensar a música hoje né, é tudo muito imediato. Ou viraliza ou está a margem. A imagem é bastante influenciadora e é tudo tão híbrido que não dá pra saber com que peso pisar ou como tatear esse território. Gravamos duas músicas recentemente, uma vai entrar numa coletânea e a outra estamos pensando em soltar um single daqui uns meses, ou um vídeo com ela. Vamos amadurecer a ideia. Acho que assim, por exemplo, soltamos o álbum completo no youtube, e ali tem muito menos visualizações do que no Spotify ou outras plataformas… Por essa perspectiva, não ouvir o álbum inteiro, sequencial e tal, “destrói” um pouco todo o trabalho que foi realizado na produção dele, no sentido da construção do personagem, os caminhos por onde ele passa e tudo mais. Mas por outro lado, não dá pra reclamar. Vivemos nesse imediato, gostamos de poder escolher o que queremos ouvir, mesmo que isso exclua outras faixas. É uma evolução poder escolher a música certa, né?! Mas o conceito de álbum acho que ainda funciona e tem sido cada vez mais explorado pelos artistas. Sendo recriado.

Lucas: Pensamos nesse primeiro álbum como uma obra “fechada”. Acho que, como artistas, precisamos pensar no conceito de obra, seja ela um álbum, um single, um vídeo, etc. Hoje em dia tem muita música apenas para o entretenimento. Isso não é ruim, mas parece que música é apenas isso. Gosto da ideia de criar, e acho que isso as vezes fica de lado, principalmente no mundo extremamente consumista que vivemos.

– Aliás, falando nisso… Hoje em dia o clipe voltou a ter uma grande importância. Como vocês veem esse tipo de formato?

Carolina: Eu adoro! Sou formada em artes visuais, então a visualidade, o audiovisual me pega bastante. Era muito massa nos anos 90 quando ficava a tarde toda assistindo Mtv. O meio mudou né, nesse caso a TV foi deixada de lado e o Youtube dominou nessa parte, por que podemos assistir em qualquer lugar e hora. Mas poxa, tenho visto tanta produção bacana da galera. Tenho curtido os que tem menos produção, os que dá pra ver que foram feitos na raça e que carregam uma essência meio roots, que é feito com verdade e de forma simples… Estamos produzindo dois clipes do álbum, e entendo que o formato visual é uma ferramenta muita expansiva, tanto de divulgação quanto de possibilidade de desdobramento musical.

– E o que podemos esperar nesses clipes? Dá pra adiantar algo?

Lucas: Muitos nudes (risos)! Brincadeira.

Carolina: (Risos) Olha só! (Risos). Estamos fugindo da literalidade. Acho que é uma das únicas coisas que temos definido. Na manga tem o clipe do “Andarilho”, que nós mesmos estamos filmando. Acho que vai sair uma coisa bem densa, obscura. Nosso olhar pros detalhes e movimentos da rua, pro ritmo dela. Captando os rastros que passam desapercebidos no cotidiano. Um processo novo pra nós, e é massa pensar que vai ser coletivo. E o outro é da música “Vaso”, que chamamos um coletivo aqui de Londrina que chama Cãosemplumas. Eles estão fazendo uma animação, nada literal, com muita variação de traços, alguns desenhos que remete as garatujas das crianças, e outros, bem detalhados. Nesse processo deles estamos tentando não interferir não, lançamos a ideia e estamos nos segurando pra não pressionar, na tentativa de deixar-los dizer mais um pouco sobre o que já construimos com a música! Mas agora vamos incluir um só com nudes mesmo, pra ver se ficamos famosos! (risos)

– Quais os próximos passos da banda?

Carolina: Temos tentando trabalhar um pouco as expectativas, pra não ficar frustado demais né. Não tá muito fácil ser artista independente e ainda produzir tudo. Estamos em busca de produtores que nos ajudem a criar um ritmo pra nossa agenda de shows. Porque é necessário sair da casinha e adentrar o universo dos festivais, estrada e tudo mais. E continuar produzindo/criando sem perder a essência inicial, que é a de pirar a cabeça mesmo, continuar saindo do quadrado, das convenções… inventando e ao mesmo tempo se divertir fazendo o que a gente acredita.

Lucas: Próximos passos são de expandir os territórios.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Lucas: Cara, tem muita gente boa. Aqui de Londrina tem a galera do Aminoácidos, tipo música brasileira progressiva (MBP?). Tem também o pessoal do Maracajá, que faz um som bem diferente, incorporando bastante do funk proibidão. É bom interessante. Gosto bastante da Anelis Assumpção. Tem um trabalho bem conciso. Tem também a galera de Sampa, do selo Risco, bem legal todos eles. A música brasileira é bem rica, e parece que nestes tempos de crise aparece muita gente boa. Em Londrina tem uma onda boa de música autoral. Já vou adiantando que logo logo vai sair uma coletânea só com artistas londrinenses.

Carolina: BaianaSystem, Carne Doce, Francisco El Hombre, Mulamba, Bixiga 70, Far From Alaska, Cidadão Instigado, Curumin, Metá Metá, Kiko Dinucci – “Cortes Curtos” (fodão), os da Juçara Marçal.

Lucas: Tem também o Abacate Contemporâneo, uma banda bem legal daqui. Amigos nossos também, já fizemos alguns shows juntos.

Carolina: Fernanda Branco Polse com o Bicho Branco Polse… e por aí vai!

Lucas: Queria acrescentar que o disco pode ser comprado físico com a gente ou então da pra pedir pela página no Facebook. Estamos no Spotify, SoundCloud, Deezer e todo o resto. Quem quiser segue a gente lá no Instagram, curte a página no Facebook, se inscreve no nosso canal, me liga no whats!

Construindo Falso Coral: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o disco “Delta”

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Falso CoralBela Moschkovich (vocal), Bemti (vocal e viola caipira), Pedro Lauletta (bateria), Guilherme Giacomini (sintetizadores) e Henrique Vital (baixo) escolheram 20 faixas que inspiraram as 10 faixas inéditas que estarão no disco “Delta”, que sai no segundo semestre.

Em 2016 a banda Falso Coral lançou o EP “Folia” onde apresentava pela primeira vez a mistura característica da banda: rock alternativo, viola caipira, sintetizadores e vocais duetados. Depois de dois anos rodando com o EP, a banda está pronta pra colocar no mundo o primeiro álbum, que se chama “Delta” e está sendo produzido por André Whoong (que também produziu o álbum “Gaya” de Tiê). Pra viabilizar o disco a banda abriu uma campanha no Benfeitoria, com várias recompensas,  precisando atingir a meta até o final de junho. Para contribuir com a produção e lançamento do disco, acesse agora: http://benfeitoria.com/falsocoral.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Castello Branco“Necessidade”
Bemti: Melodia incrível e produção impecável. Tudo com um senso de grandeza e simplicidade misturados que fazem o Castello Branco ser um dos grandes artistas da “nova geração”. O Falso Coral começou fazendo músicas em inglês e eu só comecei a compor mais em português do que inglês porque eu me reafundei em clássicos como Clube da Esquina e discos como o “Serviço” do Castello Branco e de outras pessoas dessa mesma geração lá pelos idos de 2014/2015.

Joan Baez“It’s All Over Now, Baby Blue”
Bela: Essa canção (que é do Bob Dylan) interpretada pela Joan Baez é linda demais! Os dois são uma inspiração enorme para mim, mas a Joan é especialmente nos vocais.

Florence + The Machine“Delilah” 
Bela: A Florence é outra referência de voz que eu uso muito. Ela alterna com frequência entre uma voz potente e agudos muito bem colocados, coisa que com a música do Falso Coral eu gosto de fazer também. As linhas de backing vocals também são um material de estudo interessantíssimo!

Guillemots“Made-up Love Song #43”
Bemti: Guillemots era uma banda mestre em mesclar nostalgia com melodias épicas. “Made-up Love Song #43” não fez eles estourarem à toa, é toda a fórmula deles resumida em 3 minutos e meio de euforia e cores. Quem prestar atenção no nosso disco vai ouvir uma influência direta dessa música e de toda a vibe Guillemots em pelo menos 2 faixas.

Chico Buarque“Até o Fim”
Bemti: “Faísca” é uma música que estará no disco “Delta” e é a que mais se aproxima do meu trabalho solo. É a que tem a linha de viola mais complexa e um ritmo extraído da catira, que é uma dança bem típica que eu via quando eu era criança em Minas Gerais. Ela tem uma vibe “música brasileira atemporal”. O André Whoong, produtor do disco, disse que pra ele lembrou muito Maurício Pereira. Pra mim ela é uma nuvem de tudo de brasileiro que eu ouço desde criança. Pensando na lista eu lembrei de “Até o Fim” que é um meio samba, com piano, triângulo etc e uma cadência melódica super divertida e elegante ao mesmo tempo com a qual eu consigo traçar paralelos com “Faísca”. Também vale mencionar como influência todo o trabalho do violeiro Ivan Vilela, principalmente as parcerias dele com o extraordinário pianista Benjamim Taubkin (sério, escutem).

Vandaveer“A Mighty Leviathan of Old”
Bela: Vandaveer é uma das minhas bandas favoritas e uma enorme referência de um folk contemporâneo que ainda tem um pé no caipira – ainda que nesse caso seja o caipira norte-americano. Essa música, de um disco de 2009, é uma das mais memoráveis deles,  me assombrou desde o dia que eu escutei pela primeira vez e com certeza influencia muito do meu estilo de composição. O refrão sem letra e as harmonias vocais são duas coisas que aparecem no Delta.

A Fine Frenzy“Come On, Come Out”
Bemti: De toda a geração de bandas indie com vocais femininos, A Fine Frenzy (projeto da Alison Sudol, que hoje em dia está milionária como uma das protagonistas de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”) é uma das melhores pra mim. Com um refinamento extraordinário pra composições e sem medo de soar “soft” demais. O primeiro disco dela, “One Cell in the Sea”, é uma obra-prima de pop alternativo e abre com essa maravilha de música que é “Come On, Come Out”.

Editors“Push Your Head Towards the Air”
Bemti: Quando eu comecei a compor “A Heart for Rent” (uma das duas músicas em inglês que vão estar no disco e a mais antiga de todas), ela tinha uma linha vocal saída diretamente dessa música. Depois entreguei a melodia pra Bela e ela compôs uma letra com uma linha completamente diferente por cima, foi a primeira música que a gente compôs junto. Mas a música ainda continua com essa atmosfera grave que eu amo no Editors e que sempre aparece nas coisas que eu componho aqui e ali.

Fiona Apple“Every Single Night”
Bela: Quando essa música saiu, depois de tanto tempo sem nenhum álbum da Fiona, meu coração explodiu um pouco! O estilo de escrita confessional dela me influencia muito e isso passa, sem dúvidas, pras composições minhas que foram para o “Delta”. Além disso, tentei trazer um pouco da referência dela com a voz meio falada misturada ao canto, que eu adoro.

Björk“Wanderlust”
Bemti: Eu sou louco por melodias grandiosas. Ainda quero fazer mil coisas orquestradas que nem muita coisa que a Björk faz. Enquanto essa hora não chega, dá pra ouvir bastante dessas linhas vocais e melodias “larger than life” ao longo do “Delta”. Nessa hora ajuda ter uma banda com 5 pessoas onde as 5 pessoas não se seguram pra pesar a mão na intensidade.

Violeta Parra“Gracias a La Vida”
Bela: Cresci ouvindo música latinoamericana em casa e volta e meia isso aparece em alguma música. Com certeza, faz parte do DNA de “Delta” e dá para ouvir a referência em uma das faixas inéditas que vamos lançar! Essa canção linda, na versão da Violeta Parra, me comove demais.

Mew – “Am I Wry? No”
Bemti: Mew é a minha banda favorita do universo. Tudo que eu faço vai ter algum traço de Mew invariavelmente. É difícil escolher uma música mas acho que quando eu fiz “Waltz of the Great” (a outra música em inglês do disco) eu provavelmente estava tentando fazer uma versão caipira de “Am I Wry? No” que é indie do começo dos anos 2000 mas com uma nostalgia deliciosa pelo shoegaze e rockzinhos alternativos dos anos 90 em geral.

Keane“Bedshaped”
Bemti: Keane é a minha segunda banda favorita do universo e também é difícil escolher só uma música. Mas pra mim “Bedshaped” é uma explosão de melodia e melancolia que me “contaminou” pra sempre desde a primeira vez que eu a ouvi. Keane é muito inspirado por Beatles e eu sempre reconheço algumas “Beatlezices” que eu componho onde na verdade eu estava me espelhando no Keane. É o caso especialmente de uma das músicas do disco que se chama “A Hora Chega”.

Kings of Leon“Knocked Up”
Henrique: Escolhi essa faixa porque o baixo da música é basicamente tônica e oitava a música toda, e é algo que eu acho bem característico das minhas linhas. As linhas que o Jared Followill usa nas músicas da banda são sempre muito simples, mas igualmente eficientes e poderosas. Acho que, modestamente, minhas linhas são parecidas neste sentido!

Disasterpeace“Home” (Trilha sonora de Fez)
Guilherme: O Disasterpeace é um dos mais conhecidos e admirados compositores de trilha de games atualmente e me influencia bastante nas minhas composições de synth.

Fleetwood Mac “Dreams”
Pedro: O “Rumours” do Fleetwood Mac um dos meus discos preferidos, e eu acho que um dos pontos altos dele é a sonoridade e a timbragem que os instrumentos tem. Nessa música tudo soa bonito e nada está fora do lugar, é uma aula de arranjo. Eu queria um som de bateria parecido com o do Mick Fleetwood pro nosso disco, e acho que conseguimos!

Midlake“The Old and the Young”
Pedro: Eu descobri essa banda por acaso e é uma das que eu mais ouvi nos últimos dois anos, e acho o som deles muito próximo do nosso. Consigo ouvir a voz do Bemti e da Bela nessa música.

O Terço “Queimada” 
Pedro: Resposta pra pergunta “Como colocar viola num disco de rock?”.

Beatles“Strawberry Fields Forever”
Pedro: Enquanto a gente ensaiava a minha canção preferida do “Delta”, a sonoridade dessa música sempre me vinha à mente. E bom, Beatles é sempre uma influência né?

Pearl Jam“Given to Fly”
Pedro: No “Delta” eu uso bastante os tons da bateria pra fazer grooves, e em uma música em particular eu quis ir na onda dessa, que é a minha preferida do Pearl Jam (e olha que não é fácil pra um pisciano fazer esse tipo de escolha). Além disso, uma das músicas no disco é minha e eu fiz ela numa época que eu estava ouvindo o Into the Wild todo dia, e foi uma influência muito marcante.

Construindo Personas: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Personas, que recentemente lançou seu disco “Vazio”.

“Na composição do Vazio eu tinha uma grande carga de bandas gringas como inspiração, mas ultimamente tenho descoberto várias bandas nacionais que fazem o tipo de som que a gente gosta de ouvir, de fazer, de colar no rolê pra assistir e de aprender com elas, e particularmente, ver essa cena acontecer me faz sentir que estamos no caminho certo e tem algo pra gente aí”, diz Rodrigo Cerqueira, baixista e vocalista da banda.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

João Capecce – guitarrista

Green Day“Jesus Of Suburbia”
Provavelmente a referência mais clichê das pessoas que cresceram nos anos 2000, mas Green Day é uma das minhas bandas preferidas desde que me conheço por gente, e acho justo dizer que foi quando assisti “Bullet In A Bible” que percebi que eu queria criar uma banda e tocar por aí.

Basement“Promise Everything”
Basement foi uma das bandas que mais nos inspirou enquanto estávamos compondo as músicas do “Vazio”, tanto a energia das músicas quanto a honestidade quase brutal foram algumas das coisas que tentamos trazer para o EP.

Movements“Kept”
Movements é uma banda que bebe da mesma fonte que o Basement, um emo mais atual, com letras extremamente honestas e músicas que sempre atingem quem tá ouvindo de uma forma quase dolorosa. Recentemente lançaram seu primeiro álbum, o “Feel Something”, que foi o que mais ouvi no ano passado.

Hateen“Quem Já Perdeu Um Sonho Aqui”
Curiosamente, nunca fui de ouvir Hateen quando eles realmente faziam sucesso, mas tenho ouvido bastante ultimamente, principalmente o último álbum, mas “Quem Já Perdeu Um Sonho Aqui” é provavelmente uma das mais clássicas, e inclusive tocamos ela algumas vezes nos primeiros shows que fizemos com o “Vazio”.

My Chemical Romance“Welcome To The Black Parade”
Em algum momento dessa lista eu teria que colocar as bandas emos de 2000, que foram as que formaram meu gosto musical e ainda ouço todo dia. Fiquei em dúvida se colocava Simple Plan ou Blink-182 ou Good Charlotte, mas My Chemical Romance é uma que nunca me canso de ouvir e parece que sempre faz eu me sentir da mesma forma que me senti da primeira vez que ouvi.

SOX“Los Angeles”
SOX é uma banda aqui de São José dos Campos (uma das melhores, diga-se de passagem), e apesar de não serem influência direto em nosso som, foram os caras que nos trouxeram para os rolês, nos ajudaram desde o começo e sempre estão na correria junto com a gente.

menores atos“Doisazero”
Admito ter demorado pra gostar de menores atos, mas teve uma vez que eu tava no carro do Digão indo pro ensaio e essa música tava tocando e percebi o quanto era bom. Animalia é provavelmente uma das melhores coisas que saiu no Brasil no últimos anos. Sem contar que o Cyro faz com uma guitarra só o que muita banda por aí não consegue fazer com três, é uma aula pra qualquer power trio por aí.

Brvnks“Don’t”
Brvnks é uma das minhas bandas preferidas que saiu ultimamente, a voz da Bruna é maravilhosa, as letras são sempre bem relacionáveis e o instrumental bem simples mas grudento. Acho que gosto bastante dessa em especial pois escrevo bastante sobre amores (passados, platônicos e não correspondidos), e acho que essa música é o hino definitivo do amor não correspondido.

eliminadorzinho“Das Vezes Que Conversamos na Cama e Acabamos Dormindo”
Fui ouvir essa música pela primeira vez pra ver a linda referência de Pokémon que tem no meio dela, mas acabei me apaixonando por todo o resto que tá rolando. Existe alguma coisa nela, talvez a combinação de tudo, que faz o mundo parar por 6 minutos e instaura um sentimento de esperança gigantesco em mim, é algo realmente mágico.

Citizen“The Night I Drove Alone”
Para o bem ou para o mal, todas nossas letras acabam sendo triste, mesmo que tenha por traz um instrumental animado. Citizen é uma aula de como escrever música triste que chega a doer fisicamente quase. Essa música parece que foi feita cirurgicamente pra você receber todas as palavras Mat como um soco na cara.

Rodrigo Cerqueira – baixista e vocalista

Diego Xavier“4 Casas”
Esse som, apesar de novo, é a cara do emo dos anos noventa. E saber que esse som é daqui do Vale do Paraíba me dá um certo orgulho de ver que as bandas daqui tem uma veia na música triste, sincera e muito boa.

Cap’n Jazz“Oh Messy Life”
Falando em emo dos anos noventa, Cap’n Jazz é uma grande referência sem sombra de dúvida. Em especial essa música, onde a letra e o instrumental casam muito bem, trazendo uma atmosfera única pra música, que sempre tentamos trazer para a nossa música.

Modern Baseball“Just Another Face”
Às vezes fica até difícil de falar sobre algumas músicas, e esse som é um desses. Essa mexe com os sentimentos, assim como todas as outras do Modern Baseball, os caras não erram nunca. Com toda certeza é uma banda que observamos e aprendemos muito.

Basement“Canada Square”
A primeira vez que ouvi esse som foi um choque, porque foi uma das primeiras músicas que realmente parei pra escutar e ler a letra junto e só consegui pensar “mano, é por isso que quero fazer música”. Ela é um soco no queixo, você consegue sentir tudo que o Andrew fala na música.

Title Fight“27”
A gente sempre tem os altos e baixos na vida, e quando eu ouvi essa música eu tava em um dos momentos ruins, e eu não queria mais estar. Ela meio que me ajudou a relembrar tudo que passei e perceber que merdas acontecem, mas que tava na hora de tocar o baile e seguir em frente.

Raça“Super Ação”
Com certeza é a música que mais tem inspirado no processo de composição, não só do “Vazio”, mas principalmente nas novas. Eu acho absurdo a maneira como eles conseguem transformar as ideias em música e deixar a gente com um gostinho de que a única forma de encontrar sentido na vida é fazendo e tocando música.

gorduratrans“vcnvqnd”
Mano, esses caras são absurdos, por mim eu teria colocado todas as músicas dos caras aqui. Os caras que me apresentaram o shoegaze, que é um negócio muito foda. O som dos caras é uma coisa caseira, feita só por dois caras e mesmo assim transmite o que muita música superproduzida não consegue dizer.

Def“Sobremesa”
Cara, banda perfeita. Me ajudou muito a pensar em músicas mais “bonitinhas” em nosso processo de composição. Os caras tem métrica muito boa, a voz da Deb é muito suave e gostosa de ouvir, e esse tipo de som é o que a gente tá tentando trazer pras músicas mais calmas, algo mais delicado e bom de ouvir.

Polara“Boate”
Esses caras são a representação do rock barulhento e confuso, o típico adolescente inconformado com a vida e com amor e sofrendo por paixões não correspondidas. Quando eu conheci esse som eu só pensei “caralho, esse é o tipo de som que eu quero fazer”. As composições são muito fodas, sem contar que os caras são loucos no palco, que foi o que me chamou atenção e me fez perceber que esse barulho tinha muito a dizer no fundo.

Terno Rei“Criança”
Essa banda tá em outro patamar, outro nível, é o tipo de banda que você pensa “porra, os caras chegaram lá”. Letras muito elaboradas, um instrumental simples mas que diz muito. Ouvir esses caras é um aprendizado tanto musical quanto de vivência, as ideias deles são muito parecidas com as minhas, e acho que esse é o mais doido da música, você poder transmitir suas ideias e ter gente que se encontra e se reconhece nessas ideias.

Las Puperelles faz a conexão Brasil – Argentina com o pé enfiado no fuzz

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Las Puperelles

A rivalidade entre Brasil e Argentina fica somente no futebol. A ligação entre os dois países é o núcleo do som sessentista e cheio de fuzz das Las Puperelles, formadas pela junção de basicamente duas bandas:  Las Fantásticas Pupés, Lucy Fire (bateria) Solxie (baixo e voz); do ParallèlesAndreia Crispim (baixo fuzz e voz) e Paula Villas (guitarra e voz), e também de Donna Kether (guitarra fuzz e voz), do Sisters Mindtrap. No disco “Selva Latina”, também contaram com a percussão da convidada especial Marianne Crestani, do Bloody Mary Una Chica Band, na faixa “Guajira Sicodélica”.

“É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos”, conta Lucy, com quem conversei um pouco. Confira:

– Como a banda começou? Como rolou essa junção de bandas?
Las Puperelles começou como um projeto das integrantes das bandas Parallèles e Las Fantásticas Pupés, ambas lançadas pelo selo argentino Rastrillo Records. E a partir das oportunidades que tivemos de nos encontrar, tanto no Brasil quanto na Argentina, tivemos a ideia de nos juntar e tocar músicas das duas bandas mais algumas covers. Depois a Donna Kether (Sisters Mindtrap) também passou a fazer parte da patota. Este último verão Cristina Alves (Os Estilhaços) foi nossa invitada especial no teclado fazendo todas juntas aquele barulho que tanto gostamos.

– E o que cada banda trouxe para Las Puperelles?
A influência do 60s punk, do garage rock e das bandas só de mulheres. Também nossas próprias versões em espanhol e português, porque somos garageiras latinas.

– Como é ser de uma banda com integrantes de diversos países?
Nos organizamos com antecedência para aproveitar melhor nosso tempo. Resolvemos o que vamos tocar antes e, quando nos encontramos, geralmente fazemos um ou dois ensaios e estamos prontas pros shows. É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram.
São seis músicas gravadas analogicamente, em rolo, entre covers e versões que fizemos de algumas das bandas que amamos, com produção do Luis Tissot, do Caffeine Sound Studio, e participação da Marianne Crestani (Bloody Mary Una Chica Band).

– Quais as principais influências musicais da banda?
Bandas de garage e punks dos anos 60. Também bandas garageras dos anos 80 e 90 que recuperam o estilo sessenta.

– Como vocês veem o levante feminino no mundo da música?
A palavra levante tem a ver com motim ou surgimento, e não sei se esse é o ponto. As mulheres sempre estiveram presentes na música, assim como em todo o tipo de arte, mas muitas vezes não tinham seu devido reconhecimento. Achamos muito importante e transformador o impacto hoje do movimento de mulheres no mundo inteiro, como uma maneira de nós tomar consciência de nosso próprio poder estando juntas e de visibilizar todo nosso trabalho nas diferentes áreas. Poder se expressar e fazer o que gosta é um direito de todxs. Só queremos respeito e ocupar cada vez mais espaços, poder ser livres de fazer o que queremos fazer.

– Como vocês veem a cena independente do rock hoje?
A internet mudou muito a cena independente. Se antes você tinha que mandar seu material pelo correio, divulgar shows colando cartazes pela cidade ou através de fanzines e revistas com enfoque mais alternativo, hoje qualquer banda pode ser ouvida em qualquer lugar do mundo. Essa facilidade ajuda bastante na hora da divulgação ou de conseguir um selo para lançar material, por exemplo. Mas também faz com que muitos prefiram o conforto do lar com seu Spotify a realmente apoiar a cena independente indo aos shows ou comprando material das bandas.

– Quais os próximos passos da banda?
Gravar músicas próprias, lançar em vinil e continuar fazendo shows em SP e Bs As.

– Recomendem bandas e artistas independentes de seus países que todo mundo deveria conhecer.
Brasil: Sisters Mindtrap, The Diggers, Os Estilhaços, Thee Dirty Rats, Modulares, Blood Mary una Chica Band. Argentina: Zorros Petardos Salvajes, Los Telépatas, Trash Colapso, Sarcófagos Blues Duo, Moretones, The Black Furs.

Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

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Imagine-se no final dos anos 90/começo dos 2000, quando bandas de punk rock divertidas como Blink-182, Sum 41 e Forfun estavam tomando conta da cabeça da juventude roqueira com o chamado “pop punk”. É exatamente nesta época e clima que você se sente ao ouvir “Selfie Entitled”, primeiro trabalho do trio de Curitiba Crazy Bastards, formada por TT (Tiago Oliveira – Vocal/Guitarra), Ge (Geanine Inglat – Vocal/Baixo) e Kiko (Leandro Sousa – Bateria).
O clipe de “Nostalgia”, single do álbum, atesta que a diversão é o principal fator que os três levam em consideração para sua música. Quer coisa mais divertida e cheia de molecagem que gravar em um daqueles parques de diversões de shopping, com direito à pulo na piscina de bolinhas? “A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir”, conta TT.
  • Como a banda começou?

Ti: Minhas outras bandas estavam paradas por vários motivos externos à mim, aí como não consigo ficar sem fazer som acabei montando esse projeto com a ideia de fazer um som que é o meu natural, pop punk divertido. Aí fui atrás de pessoas que tinham a mesma pira aí chamei esses dois arrombados e deu tudo certo.

Quais as maiores influências da banda?

Ti: Cada um tem uma, mas acho que em comum temos Blink 182, Green Day, Sum 41, Neck Deep principalmente. Bandas pop punk zoeira em suma.

Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!

Ge: É o album mais fofinho ever, a capa é um desenho de uma foto nossa e cada música tem uma tirinha com uma interpretação gráfica da música, bem diver. São só 18 minutos de pop punk maloqueiro, super rápido de ouvir. Apostamos nas músicas curtinhas, fica tudo mais fácil (risos). Mais fácil de ouvir, de gravar, de fazer clipe…

Kiko: Tanto as musicas quanto os vídeos foram feitas sem pensar em consequências ou “o que as pessoas vão pensar”. Simples ou trabalhado, cada detalhe veio do coração. O que achamos que ficou legal ou que nos agradou, a gente gravou/fez e fim. Um CD de 18 minutos. As pessoas ironicamente se perguntam “porque?”. Simples: A gente optou pelo diferente… pelo simples.. o suficiente para transmitir uma mensagem da forma direta.

Ti: Inicialmente era pra ser um EP com 6 músicas, mas aí como ia ficar muito curto achamos melhor fazer um CD full de uma vez. Esse álbum a gente focou no “mal uso de celular” pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim.

Como é o processo de composição da banda?

Ge: Normalmente eu ou o Ti (na maioria das vezes o Ti) aparecemos com uma ideia meio pronta, gravamos umas demos na casa do Ti e depois tocamos juntos no ensaio para ver o feeling, se ficar boa levamos pra frente, se não, partimos pra próxima.

Kiko: O Tiago e a Ge são as máquinas de composição da banda. Sendo assim, me resta então entrar com as idéias mais idiotas ou sem sentido. Quanto a parte mais “séria” da composição das músicas, apenas complemento e ajudo na composição das melodias, o que é faácil com esses 2 arrombados visto que o gosto e a sintonia entre a gente é perfeita.

Ti: A músicas são sempre uma expressão de alguma coisa, um sentimento, uma ideia, enfim. Tento ser positivo nas letras, “reclamar” um pouco dos problemas da vida mas com uma atitude positiva e resiliente de “a vida é foda mesmo, mas bola pra frente”.

Como anda o público pop punk hoje em dia?

Kiko: Não só no pop-punk mas em todo estilo rock generalizado, infelizmente as pessoas estão mais preocupadas em ouvir covers ou bandas megamente conhecidas ao invés de abrir a cabeça e dar atenção pra quem compõe o autoral. O novo, o autoral, a novidade é sempre vista como “lixo de garagem, portanto não merece atenção”. De forma natural, o Crazy Bastards procura não se apegar a isso. Afinal, fazemos por amor, por nos divertirmos em trio! Nossos ensaios são recreativos e nos complementa em termos de alegria… as pessoas gostarem é um lucro!

Ti: Eu vejo que tem um publico sim, não a toa começou a rolar vários shows gringos de pop punk aqui ultimamente. Mas concordo que no geral o público dá mais atenção ao cover e tem pouca paciência pra coisa nova, espero estar errado!

Ge: Pop punk’s not dead! Apesar de ter sumido um pouco, a galera true que curte pop punk ta por aí, é só olhar nos lugares certos (risos).

O rock ainda é relevante como antes? Ele tem chances de voltar ao mainstream?

Ge: Relevante como antes não, mas eu acho que é só uma fase, logo volta… Tem bastante banda da hora vindo pro Brasil, bastante banda daqui voltando, fazendo show, album novo, se tudo der certo é só questão de tempo pro rock voltar.

Ti: Acho que rock dificilmente vai ser mainstream como é em outros países, questão de cultura mesmo. O pop punk em Curitiba nunca chegou a explodir, ele começou mas logo na sequencia já veio o emo exagerado que acabou dominando, aí a galera ficou meio órfã de pop punk, pouquíssimas bandas seguiram nessa linha. A gente vai seguir o trabalho, sem muita expectativa, pela diversão mesmo, se voltar a ser mainstream estaremos aqui já.

Como foi a produção do clipe de “Nostalgia”?

Ti: A coisa mais divertida do sul do universo (risos), brincar na piscina de bolinha gigante e fliperama não tem como não ser. A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir. Já fiz muitas coisas com banda e as vezes era chato e maçante, com a Crazy a gente tenta fazer bem feito mas não levando tão a sério também.

Kiko: Simples e pouco planejado. Nada de câmeras sofisticadas, roteiros ou “idéias para conquistar as pessoas”. Uma simples GoPro, rolé no shopping com amigos, cerveja e idéias espontâneas que nossos corações mandaram resumem as filmagens.

Ge: DIVER. Foi bem simples e true na real, pegamos a GoPro do Kiko e partimos pra um shopping aqui em Curitiba. Ficamos brincando junto com as crianças na piscina de bolinhas, jogando nos fliperamas, sendo julgados pelos “adultos” (risos). A banda toda é bem 5a série, então esse clipe saiu bem natural.

O pop punk deve amadurecer ou isso vai contra o que esse estilo representa?

Ti: Acho que as pessoas confundem o conceito de “não levar tão a sério” com ser irresponsável e infantil. O pop punk tem um “lado” que é mais maduro sim, mas a ideia geral é ser divertido mesmo, mas não necessariamente imaturo, apesar de as vezes ser um pouco hehe. É só um momento pra vc não se levar tão a sério, esquecer um pouco dos problemas da vida e “have some fun”.

Kiko: Acho o tema meio confuso.. Cada banda deve falar ou fazer o que quer.. cabe às pessoas gostarem ou não. O Crazy Bastards fala besteira, fala coisa séria e etc.. Mas fala pq quer e não pra se adaptar a um estilo.. Gostamos do estilo do som, as letras são nossa forma de expressar o que realmente pensamos e foda-se.

Ge: Não vejo problemas em amadurecer desde que seja uma coisa natural da banda, as pessoas mudam e tudo bem. Sem graça é quando a galera se leva muito a sério e fica uma parada claramente forçada. Eu sempre achei pop punk divertido pra caralho. Já tem merda o suficiente rolando no mundo, então ensaiar com a banda, tocar músicas divertidas e falar besteira por umas três horinhas é uma das minhas coisas favoritas. Mas essa é minha visão do pop punk, tem galera aí querendo ser madura e séria, deixa eles (risos). Se a música for boa vou ouvir de qualquer forma.

Quais os próximos passos da banda?

Kiko: A vida e a estrada me ensinaram a não criar expectativas… Mas também ensinaram a não cometer erros. É a primeira banda onde me sinto em casa. Onde decidimos fazer ou não um clipe, gravar ou não.. etc. Se todos estão afim, a gente vai la e faz. Pronto! Por hora, a idéia é seguir como sempre fazemos: Criar musicas, ensaiar bêbado, falar muita merda e etc.

Ti e Ge: Em resumo é isso, fazer show, divulgar o CD, comer pizza, fazer clipe, tomar bera, músicas novas pro próximo album.

Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Ge: Crowning Animals, post hardcore de Curitiba, da pesada essa. Phone Trio voltou ano passado, pop punk diver também. Never Too Late abriu pro Four Year aqui em Curitiba e foi tesão. Várias bandas legais aparecendo mais ultimamente.

Kiko: Tenho ouvido bastante Between You and Me e We were Sharks.

Ti: De mais recente tem os amigos do Out in Style, HC melódico de primeiríssima.

Banda espanhola No Crafts mistura garage, surf e pop espanhol dos anos 80

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Formada em Madrid em 2015 por Carlos Núñez (voz e guitarra), Ángel Hontecillas (baixo e synth), Celia Juárez (bateria), a banda No Crafts se conheceu na escola, onde ficaram amigos graças à seu interesse por música. O tédio os levou a começar a tocar e criar sua mistura de garage rock, surf music e o pop espanhol eletrônico dos anos 80. Em janeiro, a banda lançou seu primeiro EP, “No Arts, No Crafts”, e preparam um mini-LP para os próximos meses, de onde saiu seu mais recente single, “Heavy”.

– Como a banda começou?
Nos conhecemos há muito tempo (na escola) e sempre nos interessamos pela música. Também estávamos entediados, então decidimos começar esta aventura. Aprendemos a tocar juntos e, quando ficarmos mais velhos, esqueceremos como tocar juntos. Somos irmãos de pais diferentes.

– E como pensaram no nome No Crafts?
A origem é secreta até que alguém descubra. Um motivo que nos levou a escolher esse nome é que ele não descreve como trabalhamos, porque sempre fizemos as coisas com as mãos e do nosso jeito. Nós apenas pensamos que era engraçado.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Para uma banda, é sempre difícil definir seu som. Nós dizemos que é uma boa mistura de garage, surf, pop espanhol dos anos 80 … Houve uma tendência aqui na Espanha nos anos 80, chamada “La Movida”. Era meio synth pop (tipo Depeche Mode, New Order…) com um toque punk. É engraçado, porque “La Movida” influenciou muitas bandas espanholas atuais, mas ninguém nos anos 90 pareceu gostar.

– Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!
Começamos a lançar alguns singles para ver que tipo de feedback teríamos. Então, decidimos gravar nosso primeiro EP “No Arts, No Crafts”, que foi lançado em 17 de janeiro. Esse disco nos deu a oportunidade de tocar em algumas cidades e festivais aqui na Espanha. Também tocamos em Portugal há alguns meses. O fato de vender merch e discos no exterior, tocar em rádios nacionais e internacionais, e alguém no Brasil vir falar conosco … é muito reconfortante. Nosso último single “Heavy” foi lançado em março e é do nosso próximo álbum (um mini-LP) que provavelmente será lançado depois do verão.

– Eu adoro os vídeos da banda. Como vocês veem o formato videoclipe hoje em dia?
A chave dos nossos videoclipes consiste em fazer um esforço para fazer do nosso jeito. Nós só trabalhamos com nossos amigos, o que facilita o processo de gravação. Isso também se aplica à gravação das músicas e ao design de nossas capas. Nossos próprios amigos em uma festa real: é isso que faz com que vídeos como “Feeling Sick” pareçam naturais. É natural mesmo!

– Quais as suas principais influências musicais?
Estamos descobrindo novas músicas o tempo todo, e isso faz com que nossas músicas variem um pouco, mas não importa o quê, nós sempre permaneceremos fiéis ao nosso som. Cada um de nós ouve diferentes gêneros de música, por isso temos visões diferentes mesmo em nossas próprias ideias. Podemos ser influenciados por uma determinada banda, mas não necessariamente temos que soar como eles. Alguns exemplos podem ser o King Krule, ou até mesmo o Black Eyed Peas.

– Como vocês veem o mundo da música atualmente?
A indústria da música e o mundo mudaram muito nos últimos anos. Hoje em dia, a percepção do que vai fazer sucesso é decidida pelo público, não pelas gravadoras; o que é viral é o que as pessoas consomem, e é isso que a indústria quer, esses artistas virais. Muitos novos artistas, incluindo designers ou dançarinos, são descobertos na internet. Especificamente na indústria da música, é difícil mencionar uma banda que você acha que vai ficar no topo no futuro. As pessoas ganham mais do que querem, o que é bom, mas as tendências mudam muito e o setor também, dificultando o sucesso de uma banda.

– E vocês acham que algum dia o rock pode voltar ao topo das paradas?
Não parece que vai ser em breve, mas na verdade não achamos que seja necessário, porque as mudanças são boas. Os Beatles e Doors fizeram algo novo em seu momento, e hoje em dia é melhor dar chances e ver como alguém pode entender esse rock, deixando-nos descobrir um novo tipo de rock. Diziam que os Strokes eram salvadores do rock do século 21, mas não se pareciam com as coisas que estávamos acostumados a ouvir antes. Talvez precisemos que isso aconteça novamente, um novo tipo de rock pode aparecer em algum lugar que você não espera.

– Vocês conhecem música brasileira? Gostariam de tocar no Brasil?
A música clássica brasileira que conhecemos são Caetano Veloso e João Gilberto. Eles tiveram muito impacto aqui na Espanha e são muito reconhecidos. Na cena indie, mais como nós, devemos admitir que somos grandes fãs de Boogarins e Cansei de Ser Sexy. Na verdade, os Boogarins são muito populares na cena underground espanhola. Talvez quando eles voltarem, seria bom abrir para eles. E claro, nós adoraríamos ir ao Brasil! Seria uma oportunidade incrível. Nós queremos que isso se torne realidade, porque poder fazer uma turnê internacional é um sonho para nós.

– Quais são seus próximos passos?
Como dissemos antes, vamos lançar um novo álbum depois do verão. Esse trabalho é mais pop que o que estamos fazendo até agora. É uma espécie de álbum “emo-pop”, porque a música é feliz e cativante, mas quando você se concentra nas letras, você verá que elas são mais agridoces do que a música. Isso é algo que você pode curtir em nosso último single “Heavy”, mas também em nosso próximo single (pronto sair em maio). Também estamos tentando fazer isso em nosso novo vídeo, como uma evolução completa, mas com a essência do No Crafts.

– Recomendem bandas independentes que chamarem sua atenção ultimamente!
Aqui na Espanha você pode encontrar muitas novas bandas emergentes, e especificamente, o último show que nos impressionou foi o de uma banda chamada Keems, de Barcelona, que faz um tipo de post rock. Nós realmente achamos que eles são incríveis e encorajamos as pessoas ao redor do mundo a darem ouvidos porque realmente vale a pena. Internacionalmente, descobrimos recentemente Gus Dapperton e Cuco. Devemos admitir que o “Lo Que Siento” de Cuco é uma música que nunca falha em nossas festas.

Mattiel investe no visual com seu rock and roll cru e prepara segundo álbum pela Burger Records

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Em setembro de 2017 a Burger Records lançou “Mattiel”, o primeiro disco da banda de Atlanta capitaneada por Mattiel Brown. Além de cantora e compositora, Mattiel também é designer, algo que pode ser notado na parte visual de sua arte, com capas, fotos de divulgação e clipes que chamam a atenção e trazem muito do trabalho diário dela. “Design sempre foi uma parte de tudo”, ela contou em entrevista ao site Immersive Atlanta. “Se eu não tiver controle do visual de um projeto com a minha cara, me sinto muito insegura. Então eu realmente preciso ter a palavra de como tudo fica”.

Seu álbum de 12 faixas foi produzido por Randy Michael e Jonah Swilley e traz basicamente rock and roll básico e cru com influências da música sulista norte-americana, indo do gospel ao folk e blues, tudo com riffs grudentos e a voz potente de Mattiel. Em breve será lançado seu terceiro clipe, “Bye Bye”, novamente em parceria com o videomaker/fotógrafo Jason Travis, que também trabalhou em “Count Your Blessings” e “White Of Their Eyes”. “Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar”, conta Mattiel.

– Como você começou sua carreira na música?
Eu cresci ouvindo discos clássicos dos anos 60/70 da coleção de discos da minha mãe (Peter Paul and Mary, Bob Dylan, Rolling Stones, Joan Baez), mas não comecei a fazer minha própria música até encontrar as pessoas certas para trabalhar comigo. Seus nomes são Randy Michael e Jonah Swilley, e eles produziram o primeiro álbum, “Mattiel”. Eles também são músicos incríveis que viajam comigo na estrada.

– Como você definiria seu som?
Basicamente é rock’n’roll. Mas é melhor as pessoas ouvirem pra definir.

– Conte mais sobre o material que vocês já lançaram!
O disco auto-intitulado, “Mattiel”, traz material que escrevemos há cerca de 3 anos. Demorou bastante para um selo pegar e promover o álbum, mas estamos bem felizes com a recepção do público no ano passado. Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar.

– Eu adorei os clipes da banda. Como seu trabalho com design influencia esse tipo de trabalho?
Obrigada! Eu passei os últimos 5 anos trabalhando em um estúdio de design para uma empresa de tecnologia chamada MailChimp. Pude trabalhar com gente muito talentosa e inteligente que sempre está cuspindo ideias inteligentes, então o treinamento que tive naquela área foi de grande ajuda. Nesse trabalho, eu faço e construo peças, faço o design de propaganda impressa e faço ilustrações. O videomaker/fotógrafo Jason Travis e eu nos conhecemos quando estávamos os dois trabalhando lá (agora ele está em Los Angeles), e trabalhamos juntos nos clipes agora. Acabamos de gravar um novo clipe em LA para “Bye Bye”, estamos muito animados com ele.

– Quais as suas principais influências musicais?
Poeticamente, eu amo Donovan, Bob Dylan, The White Stripes, Lou Reed, Blind Willie McTell, entre muitos outros. No sentido puramente musical, eu amo música gospel sulista – The Staple Singers, Mahalia Jackson, e o bluegrass sulista – Earl Scruggs / Foggy Mountain Boys. Tendo crescido na Georgia, a música sulista americana definitivamente cavou o seu espaço bem fundo no meu coração.

– Como você vê o mundo da música hoje em dia?
É uma paisagem muito vasta e imprevisível de onde estamos hoje em dia. Acho que muito hip hop ótimo está saindo agora, o Kendrick Lamar em particular chamou minha atenção. Sua escrita é incrivelmente boa.

– O rock and roll pode voltar ao topo das paradas algum dia?
Não tenho certeza. Não passo muito tempo olhando as paradas de sucesso. Só tento escrever material interessante o melhor que posso.

– Você conhece algo de música brasileira? Gostaria de tocar no Brasil?
Não! Eu realmente não conheço, mas eu amo trabalhar e ia adorar passar um tempo na América do Sul. O Brasil, pelo que vi e li, parece ter uma cultura enormemente vibrante.

– Quais os seus próximos passos musicais?
Tour, fazer alguns bons contratos, tour, tour, tour.

– Recomende artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Weyes Blood, Juan Wauters, King Krule, Sunflower Bean, The Lemon Twigs, Starcrawler, Tall Juan. Tenho certeza que estou esquecendo algumas. Mas essas são ótimas.