McGee and the Lost Hope reverencia os deuses do rock com o pé na porta no EP “Sensitive Woman”

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McGee and the Lost Hope
McGee and the Lost Hope

Mezzo-carioca, mezzo-norte americana, McGee and the Lost Hope surgiu da união de dois músicos apaixonados pelas raízes do rock and roll e do blues, a vocalista de Seattle Mauren McGee e o guitarrista Bernardo Barbosa, ou B.B, como prefere ser creditado, que já rodou a Europa tocando com o bluesman Gwyn Ashton. Com muitas afinidades musicais, como o amor por Led Zeppelin, The Doors, Creedence Clearwater Revival e Suzi Quatro, entre muitos outros deuses do rock, a dupla firmou a banda no começo deste ano e já saiu em turnê para mostrar seu som em alto volume. O som é uma mistura do classic rock com momentos blueseiros e influências notáveis de psicodelia e stoner rock.

O EP “Sensitive Woman” mostra um pouco disso, com quatro faixas que pisam fundo na melancolia blueseira sem deixar de lado o peso dos pedais do rock e do stoner. A voz de McGee casa perfeitamente com o estilo, transparecendo todo o sentimento que um verdadeiro blues deve ter. A banda já prepara seu segundo trabalho, que deve ser lançado ainda este ano.

– Como a banda começou?

McGee: A banda começou quando nos conhecemos em um show de rock e percebemos instantaneamente a conexão musical entre nós. De lá pra cá fizemos músicas, gravamos e fizemos muitos shows juntos.

– Como surgiu o nome da banda?

McGee: Essa parte do nome da banda foi sugerida pelo B.B, e estou fazendo o meu melhor para que a sua esperança realmente não seja perdida (risos). Mas tenho certeza de que nada está perdido por aqui, muito pelo contrário, estamos embarcando em uma longa estrada cheia de surpresas e conquistas!

BB: Pode ter vários significados, inclusive pra nós que criamos. Mas particularmente pra mim tem um significado muito forte, que remete a quando nos conhecemos, de alguma forma eu sabia que havia encontrado a minha esperança perdida em achar uma grande vocalista capaz de interpretar e representar tão bem essas canções.

– Quais as suas principais influências?

McGee: Os clássicos do rock’n’roll não podem ficar de fora nessa lista: Neil Young, Hendrix, Janis Joplin, Led Zeppelin, Suzi Quatro, The Doors, você sabe… Mas também estamos bem antenados em bandas contemporâneas como os Spiders, Blues Pills, Wucan, Electric Citizen

– Como vocês definiriam o som da banda pra alguém que nunca ouviu?

McGee: Rock and roll, baby! Com umas pitadas de stoner, psicodelia e blues, é o som perfeito pra se divertir. 🙂

McGee and the Lost Hope

– Contem mais sobre o material que vocês já lançaram.

McGee: O EP “Sensitive Woman” foi nosso pontapé inicial, através dele mostramos ao público nossas composições e influências. É um convite para os shows ao vivo, onde todos podem conhecer mais e curtir altas jams com a gente, nenhum show é igual ao outro!

– O que vocês acham da cena independente hoje em dia?

McGee: É demais! Conhecemos ótimas bandas, tocamos em lugares que nos acolhem muito bem e o público sempre se deixa envolver pela atmosfera de rock’n’roll presente nos nossos shows. É claro que poderia ser maior e movimentar mais grana, mas estrutura vem com o tempo.

– Porque o rock está tão fora das paradas de sucesso hoje em dia?

McGee: O eock incomoda. É muito passional, muito agressivo e sempre passa uma mensagem de liberdade e rebeldia e isso não é muito bom para a manutenção do status quo. O que o mainstream prego é justamente o oposto do eock, não nos surpreende que ele esteja longe do mainstream atualmente.

– Vocês estão planejando lançar um disco completo em breve? Vocês acham que a cultura do disco morreu com a chegada dos serviços de streaming?

McGee: Nosso próximo lançamento será um EP. Álbuns ainda são relevantes, mas precisam ser especiais, devem fazer sentido como um todo e não apenas um punhado de canções – queremos lançar um album que faça as pessoas quererem ouvir aquelas músicas como um álbum, seja lá como elas escolherem o formato físico ou serviço de streaming. Independente disso, nossos shows continuarão cheios de energia rock’n’roll e visceralidade, como sempre fazemos!

McGee and the Lost Hope

– Quais os próximos passos da banda?

McGee: O lançamento do nosso próximo single e o nosso próximo EP, que sairá em breve!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos.

McGee: Carbo, Old Shack Band, Blind Horse, LoFi, Deb and The Mentals, Hammerhead Blues, Stone House on Fire, Gods and Punks e todas as outras bandas que trombamos pela estrada, essa galera é demais – pode confiar!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Adailton Moura, do RAPresentando

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Adailton Moura, do RAPresentando
Adailton Moura, do RAPresentando

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Adailton Moura, do RAPresentando:

Princess Nokia“Tomboy”
“A MC Princess Nokia já tem três discos caseiros no currículo. Mas somente agora está conseguindo se destacar. Sempre presente nas festas undergrounds de Nova York, ela chamou a atenção da Rough Trade Records. Agora, com o aporte do selo, Nokia tem conquistado seu espaço. Em suas letras, a rapper fala do machismo que impera no rap, a cultura do estupro e do tratamento dispare entre homens e mulheres”.

Leaf“Gone”
Leaf faz uma ponte entre o rap e o r&b. A voz dela é potente. Formada na LaGuardia, famosa escola de artes de NY, a cantora colocou recentemente nas ruas o disco ‘Trinity’. A sonoridade é incrível. Uma obra de arte”.

Paulo Microfonia“Mudanças, Novidades, Surpresas: Possibilidades”
“O Paulo Microfonia está debutando com o EP “Mudanças, Novidades, Surpresas: Possibilidades”. O trabalho levou cerca de quase quatro anos para ficar pronto. É viciante. Ele está na música há um bom tempo e participa ativamente do cenário independente da região de Campinas, SP. O Microfonia é um poeta. Ele sabe usar muito bem as palavras”.

Madame Gandhi – “Get It Girl”
“A Madame Gandhi é uma DJ e produtora de EDM baseada em LA. Gandhi também foi baterista da cantora M.I.A. Ativista das causas femininas, ela soltou o EP “Voices”. O objetivo dela é dar voz e enaltecer todo o poder feminino”.

Wiki“Pretty Bull”
Wiki tem 23 anos. Ele quebra padrões e alguns esteriótipos do rap, mas entrega um trabalho sólido, reflexivo. “No Mountains in Manhattan” é seu álbum de estreia. Nele, Wiki fala sobre seus vícios, relacionamentos, identidade e responsabilidade. O primeiro projeto dele, a mixtape “Lil Me”, foi apresentado em 2015. Sua energia conquistou o público do senário underground. Agora, ele está alçando voos mais altos, deixando de vez seu território de atividades artísticas: Manhattan, em NY”.

Coloque seu blazer com ombreiras e volte aos anos 80 com estes remixes de sucessos atuais

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Esses dias, nas minhas andanças pelo Youtube, me deparei com um remix que se dizia “80’s” para “Numb”, do Linkin Park. Ouvi e achei incrível como conseguiram transportar a banda para os anos 80 e encaixaram tudo direitinho. Parecia que o grupo fazia parte da década de 80 e poderia tranquilamente fazer parte da trilha sonora de “Miami Vice”:

Mas, como todo mundo sabe, a internet não me permite não ir atrás de mais. Descobri que quem fez esse remix foi um DJ chamado Jerry Galeries, e é claro que eu fiz questão de entrar no canal dele no Youtube para encontrar mais pérolas do tipo. Lá, apareceram versões neon piscantes de “Bad Liar”, da Selena Gomez, e “Shape Of You”, de Ed Sheeran, que ficou simplesmente sensacional:

Eu deveria ter parado por aí? Talvez. Mas ao assistir à versão 80s do ruivo, apareceram mais vídeos dos chamados “80s remix” nos vídeos relacionados, abrindo pra mim um mundo novo de oitentismo desenfreado. O próximo DJ que me chamou a atenção nesse estilo foi o TRONICBOX, que se especializa principalmente neste tipo de mixagem de hits atuais. Lá deu pra fazer a festa: remixes de “Love Me Harder” do The Weeknd, “Cool For The Summer” da Demi Lovato, “Perfect Illusion” e “Bad Romance” de Lady Gaga, “Somebody That I Used To Know” do Gotye, “Firework” da Katy Perry, “What Do You Mean” do Justin Bieber e muito mais. O melhor são as capas dos vídeos, com montagens oitentistas dos artistas remixados. As roupas de aeróbica, mullets e ombreiras são hilários.

Fuçando, soube que o DJ canadense é um dos precursores dessa moda, que é algo meio brincadeira e meio um descontentamento com os rumos da música pop hoje em dia. Os sites E! Music e SpinOrBinMusic chamaram os remixes de “obras de arte” e o RetroSpin chama as versões de “hinos retrô”.

Outro DJ que aposta na nostalgia dos oitenta é o Dubspillaz, do Reino Unido, que faz remixes inacreditáveis de “Starboy” e “I Feel It Coming” de The Weeknd e mostra que ele pode parecer ainda mais com o ídolo Michael Jackson, além de versões para “Moves Like Jagger” do Maroon 5, “This Is What You Came For” de Calvin Harris e “Lush Life”, da Zara Larsson, além de “Just The Way You Are” de Bruno Mars que parece saída diretamente da trilha de “O Último Americano Virgem”:

Recomendo a todos que curtirem estes remixes continuem procurando, pois tem mais um monte de músicas do tipo no Youtube, com DJs como LovProd, Saint-Laurent e David Lo Pan. Além disso, um apelo aos DJs brasileiros: por favor, façam remixes oitentistas de sucessos do pop atual brasileiro? Quero muito ouvir a versão Xou da Xuxa de “Paradinha” e uma coisa meio Kid Abelha para “Hoje” da Ludmilla. Alguém se habilita?

Mannequin Trees mescla psicodelia e ares oitentistas no EP “Cavalo Sessions”

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Mannequin Trees
Mannequin Trees

Unindo a atmosfera da música dos anos 80 com ares da retomada da psicodelia atual, a banda Mannequin Trees é um projeto solo do compositor, guitarrista e vocalista sergipano Ícaro Reis que lançou neste ano seu primeiro EP “Cavalo Sessions”, com quatro faixas gravadas ao vivo na Cavalo Estúdio: “Daydream”, com destaque para a linha de baixo, “Remember”, que conta com toda a vibração do rock oitentista, “Tonight”, que fala sobre o futuro em meio à synths, e “Chances and Changes”, com momentos de violência e calmaria.

Para a produção do álbum, Ícaro chamou Gabriel Olivieri (O Grande Babaca), Teago Oliveira (Maglore), Leon Perez e Marco Trintinalha, que se revezaram nos instrumentos. O trabalho teve mixagem do próprio Ícaro. “As letras foram baseadas no meu dia a dia. São rotineiras e contam a história de duas garotas. Tudo sob o ponto de vista do cotidiano de uma pessoa comum. Não pensava em tocar ao vivo. Era apenas para ter o material gravado, mas fui mostrando a amigos e todos foram gostando e apoiando. Com essa resposta, resolvi reunir uma banda”, contou ao site Bolha Musical.

– Como a banda começou?

Comecei a compor as músicas, fui gravando e mostrando pra amigos. eles foram dando apoio, incentivando a formar a banda, e aí resolvi reunir a galera.

– De onde surgiu o nome da banda?

O nome veio a partir de uma visão minha, da padronização de coisas que nasceram pra ser diferentes, diversificadas!


– Quais são as suas principais influências musicais?

John Frusciante, Supertramp, Homeshake.

– Me fale um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Lançamos 4 vídeos inéditos, ao vivo no Cavalo Estúdio. São musicas que farão parte do nosso primeiro CD, e que apresentam um pouco do que a banda é.

– Este trabalho pode ser visto como uma ópera-rock, por contar a história de duas garotas?

Não creio que seja uma ópera rock. São apenas letras que tem ligação uma com a outra.

– A internet ajudou a unir a cena independente mundial ou atrapalha por oferecer muitas opções para quem quer ouvir música?

Ajuda! Tem espaço pra todo mundo. se detalharmos nossa busca pela internet, encontraremos bandas bem especificas pro que procuramos… acho isso muito bacana. Você escuta o que você quiser.

– A mudança na forma das pessoas ouvirem música, preferindo serviços de streaming à discos físicos, ajuda ou atrapalha a música, na sua opinião?

Acho que um pouco dos dois… o processo de impressão do disco físico é bem caro. Mas é onde a banda consegue ter algum lucro, vendas de CD e vinil. Por outro lado, os serviços de streaming são muito mais fáceis de manusear, e de encontrar qualquer banda que queira. 

– Como a mídia poderia ajudar a dar mais força para a cena independente hoje em dia, com a queda das grandes gravadoras?

A mídia poderia focar menos nas bandas que já são autossuficientes, e investir na nova geração. Não digo apenas no quesito música, mas todos que fazem arte. Ligamos a TV e vemos os mesmos rostos há mais de 25 anos. Pra o som independente se manter, não é preciso apenas sair em jornal/revista/site. É necessário união de todas as bandas, das que já estão há muito na estrada, e das que acabaram de começar.

Mannequin Trees

– Quais os próximos passos da banda?

Vamos lançar clipe, lançar CD. ainda não temos datas definidas, mas já tá quase tudo pronto.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Homeshake é o meu vício há mais de 1 ano (risos). E é claro o som dos amigos: Giovani Cidreira, Maglore, Alaska

Construindo And The Night Never Came: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo And The Night Never Came

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda And The Night Never Came, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Chelsea Wolfe“Carrion Flowers”
A Chelsea Wolfe é pra mim um dos artistas ativos mais criativos e interessantes. Essa faixa abre talvez o seu disco mais pesado – “Abyss”. Já começa com um soco na cara com esse baixo que parece os gemidos do próprio satanás. Aliás, o mais interessante dessa música é que todos os sons que se ouve vem de guitarra, bateria, baixo e voz, mas ao mesmo tempo ela soa quase eletrônica de tão meticulosamente esculpidos que são os timbres. Isso é muito importante pra mim porque tento ao máximo fugir de sons muito reconhecíveis, timbre é um dos pilares do que acredito ser o meu som.

Chelsea Wolfe“Feral Love”
Outra dessa diva gótica. O synth que abre essa música tem um timbre (de novo!) inconfundível – qualquer nota tocada nesse synth vai remeter a essa música de tão icônico. Mas acho que o grande charme dessa faixa está na bateria incessante, levemente distorcida, numa cadência incômoda que me deixa sem ar até a música acabar. Esse tipo de incômodo capaz de fazer tudo que é externo aos meus fones sumir pela duração da música é um fenômeno que aprecio muito e tento resgatar a mesma tensão no meu som.

Russian Circles“Xavii”
Talvez seja uma blasfêmia dizer que uma música de menos de 10 minutos é uma das melhores do post rock, mas pra mim é isso mesmo. Um arranjo de guitarra simples, mas muito efetivo, com um reverb que encaixa como uma luva, o synth que entra como apenas uma textura extra mais adiante na música parece ter sido destinado a estar nessa música. Post rock é uma das minhas grandes influências, mas às vezes sinto que certos clichês (como o crescendo, seguido de um estouro) acaba desgastando o gênero. Essa música é um perfeito exemplo de um post rock que soube usar sua melancolia sem se render a essas artimanhas, apesar eu mesmo me ver caindo neles de vez em quando!

Have a Nice Life“Hunter”
Outra banda interessantíssima da atualidade. Quando eu descobri Have a Nice Life, eu senti que pude pela primeira vez visualizar o som que eu queria buscar no “Wolves of Ill Omen”. “Hunter” é uma grande saga – sua letra evoca um ambiente mitológico que me leva com ela, além de conter um “entreguismo do espírito” em trechos como “you can eat my flesh and bones, leave nothing that is needed” que é muito caro a mim, pessoalmente – elemento este que aparece também na minha talvez banda preferida que vai aparecer na lista logo, logo. Atenção especial para a guitarra que soa quase como um synth e para a bateria que alterna nos compassos entre o hi-hat e a caixa – e miraculosamente consegue fazer as duas peças da bateria ter um impacto igualmente forte.

Have a Nice Life“Cropsey”
Outra deles. O sample de voz que inicia a faixa me marcou muito, não tem uma vez que ouço sem repetir as palavras com a boca junto, quase como uma oração. Mas a grande estrela é a bateria, tão processada que somente se sente seu impacto e é difícil definir exatamente o que está acontecendo – mas não é preciso entender, só sentir mesmo. Cada vez mais camadas de distorção são adicionados a este eterno loop de bateria, até que a música se mova como uma só onda sonora resultando em algo que só o Have a Nice Life seria capaz de fazer. Esse foi um desafio que encontrei enquanto compunha o “Wolves of Ill Omen”, um desafio que tentei tornar um ponto forte do álbum – loops que se mantém eficazes por minutos.

Have a Nice Life“A Quick One Before The Eternal One Devours Connecticut”
A última deles, juro! De novo, o tema aqui é repetição, mas dessa vez o mais hipnótico que se pode chegar. Eu costumo dizer que ouvir essa música gera o mesmo sentimento que eu imagino um suicida tendo, uma paz em saber que tudo vai acabar, que chega como um golpe e dura poucos segundos até que o gatilho seja apertado. Nem preciso dizer que é uma música que me afeta muito. Dark, pois é… mas assim que é bom! haha

Portishead“Machine Gun”
O que acontece quando uma das melhores bandas do mundo vai full industrial? Essa belezinha aqui. Um show de timbres e sons irreconhecíveis (lembra do que eu falei antes sobre isso?) onde todos os sons tem a força de uma percussão, como um golpe no peito. E pra acabar, como se já não tivesse perfeita, no final entra aquele synth lindo. Uma música que eu não mudaria nada, uma referência industrial pra mim mesmo que a banda não tenha se aventurado por esse som em nenhum outro momento da discografia.

The Body“Hail to Thee, Everlasting Pain”
Quando eu penso em “música pesada” eu penso nisso aqui. Uma música nada convencional que me prende até o fim com seu intrigante universo sombrio. Com uma progressão bem bizarra, essa música consegue ser extremamente sombria sem recorrer a nenhum caminho fácil pra chegar nesse resultado. Assim como muitas outras nessa lista, um exemplo de música que consegue tirar qualquer um do seu estado natural – ninguém sai dessa a mesma pessoa de antes.

Nine Inch Nails“The Great Below”
Essa aqui é a famosa, a minha “talvez banda preferida”! Eu sou completamente obcecado por Trent Reznor e Nine Inch Nails dos anos 90. NIN tem o poder de me fazer ouvir algo que eu posso jurar que veio de mim mesmo, mesmo que eu nem tivesse sido nascido quando certos álbuns foram concebidos, ou seja, NIN perfeitamente captura minha alma. Todo a auto destruição, o entreguismo, a raiva e a melancolia que formam quem eu sou. Essa faixa eu especial está aqui por conta das suas ricas texturas, de um dos melhores arranjos de bateria que já ouvi e por conta do significado pessoal que eu tiro da letra, uma história que pode ou não ser verídica (defendo com dentes que é), mas que sinto que faz parte de mim, talvez um orgulhinho de ter desvendado a letra mais bonita já escrita na história da música. Pra mim, claro! Se eu tivesse escrito qualquer verso dessa música, eu poderia morrer em paz.

Nine Inch Nails“Reptile”
Faixa do meu álbum favorito de todos os tempos, “The Downward Spiral”. O sentimento de ser seu coração destruído e sua cabeça desgraçada por alguém é devastador e muito mais complexo do que um simples ódio pelo outro – é muito mais um ódio por si próprio. Isso fica muito claro na performance dessa música no Woodstock de 94 – talvez minha performance ao vivo favorita de todos os tempos. Me vejo em cada passo que Trent toma naquele palco, em cada grito, em cada gesto. De forma semelhante a “The Great Below”, se eu fizer uma performance como aquela algum dia na minha vida, posso morrer em paz. Mas uma performance tão boa só pode vir de uma música muito boa, e esse é definitivamente o caso.

Sneaker Pimps“Grazes”
Consider o trip hop um fenômeno musical inesperado – uma junção de tendências que encaixam de forma única. Essa faixa de Sneaker Pimps é, pra mim, um exemplo de trip hop bem utilizado. O solo atrapalhado revela uma fragilidade que combina muito bem com uma das vozes mais intrigantes e doces da música, a de Chris Corner. Mas acho que essa música não seria metade do que é se não fosse pelo sample de voz que aparece logo no começo, onde se pode ouvir os sutis cortes e manipulações feitos na gravação original que trazem uma ótica completamente diferente se aquela melodia tivesse presente na gravação original emitida somente com a voz humana. Um som que me traz arrepios logo no primeiro segundo da faixa!

Radiohead“Everything In It’s Right Place”
Provavelmente a banda de longa data mais surpreendente, consistente e dedicada que eu já conheci. Em cada álbum se pode perceber uma nova fase musical na vida dos membros, o que sempre resulta em discos incríveis como “Kid A”. Essa música foi um choque quando ouvi pela primeira vez, já que ouvi a discografia em ordem cronológica – “onde estão as guitarras?” “Por que a voz dele soa tão estranha?” e outras são perguntas que eu me fiz muitas vezes ouvindo e reouvindo esse disco até entendê-lo. E fico feliz que eventualmente o tenha feito, pois é definitivamente um dos melhores discos da história! Cada faixa um experimento diferente – que funciona. Daria pra dizer que por causa desse disco eu me tornei o viciado em música que sou hoje.

Joy Division“Atmosphere”
Um clássico gótico que estava na minha mente o tempo inteiro enquanto compunha “Don’t Lose Your Mind, Sweetheart”. O jeito que o synth grave encaixa com a bateria evoca um sentimento tão único que eu não pude deixar de referenciar, talvez quase plagiar, na minha música mencionada. A responsável por me fazer amar tanto os tons de uma bateria e buscar sempre incluí-los de alguma forma.

Title Fight“Head in the Ceiling Fan”
Eu amo o contraste entre melancolia e explosão e essa música faz exatamente isso. Esse contraste ficou implícito em todo o álbum, mas é possível fazer uma ligação direta – com as guitarras de “Nimble” tentei conseguir um efeito quase onipresente que sinto que essa faixa consegue obter.

Fever Ray“If I Had a Heart”
O disco de onde essa vem estava na minha cabeça o tempo todo enquanto compunha “A Present Foreseen”. Os vocais graves icônicos de Fever Ray estão presentes nessa faixa, assim como uma tentativa de fazer uma música completamente sintética. Por onde anda Fever Ray? Queremos mais discos!

Low“(That’s How You Sing) Amazing Grace”
Eu confesso – tenho um ponto fraco por caixas de bateria que parecem um soco no meu ouvido. “Amazing Grace” do Low tem um dos timbres mais interessantes de caixa que já ouvi, e não é só isso – colocada numa música calma, soturna! Esse contraste esteve muito em minha mente conforme eu escolhia os timbres de percussão que acabaram no meu álbum.

Sinoia Caves“Sentionauts”
Da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos, “Sentionauts” é um exemplo de sintetizadores retrô sendo usados pra criar algo referenciante e moderno ao mesmo tempo – e eu adoro isso. Se alguém me dissesse que essa trilha sonora veio de uma máquina do tempo que veio dos anos 80 (2080, no caso) eu acreditaria. Outra faixa que é possível traçar um paralelo direto – “Beyond Touch” veio do meu amor por esse disco.

The Soft Moon“Black”
“Darkwave” é um gênero difícil de definir. Muitas vezes acaba passando por goth rock, post punk, new wave… mas o que vem a minha cabeça é isso aqui. Esse synth quase witch house com essa percussão que mais parece uma marcha é assustador, mas ao mesmo tempo me transporta pra algum clube noturno onde eu me perguntaria “será que posso sentar em posição fetal aqui no meio da pista?”. Enfim, uma sonoridade muito difícil de encontrar por aí e que me representa muito!

Sleep Party People“I’m Not Human At All”
Outra música que se apresenta como uma saga, progredindo por vários estágios e conseguindo sucesso em todos eles. Dos tempos de ouro do Sleep Party People, essa música me marcou principalmente na performance que fizeram dela na Copenhagen Sessions de 2010. Aquela guitarra simples, seguindo apenas os acordes da música funciona como uma cereja no bolo. Foi a primeira vez que vi percussão eletrônica sendo incorporada manualmente ao vivo e me deixou muito curioso pra tentar isso, mas ainda não tive oportunidade. Enfim, um grande exemplo de como construir uma música e manter ela interessante do começo ao fim.

Slowdive“Souvlaki Space Station”
Pra fechar a lista não poderia faltar a melhor música de um dos melhores discos da história. Eu realmente acredito que essa música nasceu de um momento em que todos os planetas se alinharam e todos os átomos do universo estavam no lugar certo – um fenômeno simplesmente. Uma música irreproduzível, cada segundo dela é exatamente o que deveria ser e jamais vai ser de novo – até me faz acreditar quando dizem que ela foi gravada em um take, depois de dezenas e dezenas de tentativas. “Mas o que faz dessa música tão especial?”. Aí que está – não sei. Acho que ela tem a própria alma e ela conversa comigo quando a ouço. De qualquer forma, não tem como deixar passar sem comentar o belíssimo uso de delay nas guitarras e baterias que me evocam um cenário espacial como o título sugere (e pela música “My God, It’s Full of Stars!” acho que fica claro que eu tenho uma relação muito forte com o espaço). Essa música é uma experiência que deve ser sentida por todo mundo pelo menos uma vez antes de morrer, é indescritível.

Lara Aufranc se desprende das amarras do passado em seu primeiro disco solo, “Passagem”

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Lara Aufranc
Lara Aufranc

Antes líder da banda Lara e os Ultraleves, Lara Aufranc decidiu que era hora de se desprender das amarras do passado e se lançar ao mar para navegar mares mais ousados, com a liberdade que só seu nome permite. O álbum “Passagem” é a primeira amostra dessa nova forma de velejar da cantora, que agora “encara o próprio sobrenome”, segundo o Trabalho Sujo, deixando a introversão natural um pouco de lado e encarando o público de peito aberto.

O primeiro single, “Passagem”, fala sobre o cotidiano do paulistano e o deslocamento de pessoas e vontades. A faixa é a ligação ideal entre o álbum anterior com a banda Os Ultraleves (“Em Boa Hora”) e o novo trabalho, indo organicamente do piano e voz da MPB para os sintetizadores e guitarras do rock. O clipe foi inspirado por filmes soviéticos da década de 20 como ”Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” e retrata a cidade como uma engrenagem formada por pessoas. “Existe uma solidão no movimento circular e repetitivo das cidades, ao mesmo tempo em que estamos cercados de gente”, comenta ela. O clipe foi realizado pela EdMadeira Filmes, dirigido e fotografado por Freddy Leal. A cantora assina o roteiro, a edição e a produção do projeto.

Conversei com ela sobre a nova fase da carreira e o passado com os Ultraleves, o disco “Passagem”, sua introversão e como ela influencia o trabalho e o clipe para a faixa-título:

– Como você resolveu se lançar em carreira solo?

Olha, na verdade eu já estava em carreira solo. Até na matéria do Matias ele usou essa frase, eu achei boa:
“Assume o seu sobrenome, ao invés do nome que fazia seu trabalho solo parecer uma banda”. Desde 2015 já estava claro pra mim e pros meninos que era o meu projeto de vida, a minhas músicas, o meu investimento
mas pro público continuava parecendo uma banda… Por isso resolvi mudar. Isso e o fato de que estava na hora de me aventurar pelo mundo. Eu sou mais pra introvertida. acho que no começo me sentia protegida com esse nome, dava a impressão de não estar sozinha.

– Realmente, pra mim parecia uma banda, mesmo… E como você superou essa introversão para ganhar o mundo nessa nova fase?

Foram 2 anos né? desde o primeiro disco autoral. 2 anos de shows, tive que encontrar o meu lugar no palco. Fui ficando mais forte. Foi ficando mais claro quem eu sou e o que eu quero dizer como artista. Pensando bem, eu não acho que superei uma introversão. Ser introvertido é uma característica, não é um defeito. O Ney é introvertido e tem uma puta performance de palco. Eu acho que eu fui me encontrando como artista. E que esse suporte do nome Lara e os Ultraleves deixou de ser necessário.

– Sim, acredito que o Criolo também. No palco vira outra pessoa.

Exato.  Inclusive a banda continua a mesma. Já faz um tempo que são os mesmos caras.

– Agora, me conta mais sobre esse clipe que saiu agora! A estética P&B, com esse toque de azul… O que ele significa pra você?

Nossa, eu to muito feliz com esse clipe! Eu já conhecia o Freddy (diretor) de um outro programa que a gente gravou juntos, o Mulheres Fora da Caixa. Me lembro de ter visto um vídeo dele com a Sara não tem nome – que tinha só uma guitarra azul. As maiores referências estéticas do clipe são os filmes: “Aelita, a Rainha de Marte” e “Um Homem com uma Câmera” – ambos soviéticos e dos anos 20. Ou seja, os dois são PB e mudos (no youtube você assiste com música). Então de certa forma a estética PB já estava incorporada nesse clipe, depois foi a sacada da maquiagem azul.

Lara Aufranc

– Porque o azul? O que ele simboliza pra vocês?

Eu já tinha usado essa maquiagem numa sessão de fotos como José de Holanda, e gostei demais do resultado. Foi justamente quando resolvi renovar a imagem e o nome. E precisava de novas fotos. Poderia ter sido de outra cor, mas o azul caiu como uma luva. Foi uma escolha estética que eu fiz antes do clipe, antes do single, foi o começo de tudo. Gostei tanto que quis incorporar essa brisa no clipe e na capa do CD. Tô a fim de usar no show de lançamento também. Mais do que o azul, pra mim foi sair de maquiagens “mulherzinha” pra um lance criativo. O meu trabalho não deveria ser sobre beleza, e no entanto tem muita pressão em cima das cantoras.

– Como você vê essa pressão por beleza que ainda rola em cima das cantoras? O machismo continua em alta no mundo da música?

O machismo tá em alta no mundo, e na música não é diferente. Por exemplo, recentemente eu gravei um programa de TV. Você chega lá e tem uma equipe que fica 2 horas brincando de boneca com a sua aparência. Eu me sinto deformada, como se não pudesse aparecer na TV com a minha própria cara. Eu acho engraçado como as pessoas acham que os artistas são sempre pessoas mais legais, esclarecidas. Quando obviamente tem artista de todo jeito, inclusive escroto e machista. Não existe um lugar onde só tem gente legal. O mundo é lugar complexo.

– Algo que não acontece com artistas do sexo masculino.

Sim! Os caras da banda passam um pózinho na cara pra não brilhar e pronto, vai pra câmera. Eu tava cansada de ter que ser diva. Eu fazia os shows de salto e hoje faço descalça. Eu acho que maquiagem pode ser um troço maravilhoso, mas não quando vira obrigação de estar num padrão. Quero poder ser eu mesma, e me sinto muito mais eu nessa flecha azul.

– Me fala um pouco mais sobre esse seu primeiro trabalho como Lara Aufranc.

O disco tá quase pronto. É bem diferente do outro, mais esquisito, ousado. Cheio de synths, guitarras… é um disco mais rock (mas também sem se prender nesse nome – afinal o que é rock hoje em dia?). Eu mesma to experimentando umas distorções na voz, coisa que eu nunca tinha feito antes. Eu gosto muito de soul e fazia sentido lançar um disco mais próximo disso em 2015. Mas hoje estou em outra fase, e as músicas refletem isso.

– O disco já tem nome? Como ele está sendo produzido?

Sim, vai se chamar Passagem. O clipe é a faixa-título. Foi gravado na YB, pela Matarca Records (selo e gravadora). Eu to curtindo muito fazer parte de um selo, ainda mais por ser um grupo relativamente pequeno, próximo. Não tem um produtor contratado. Eu fiz os arranjos e a produção do disco ao lado dos músicos, foi bem coletivo esse processo. Maravilhoso.

Lara Aufranc

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Tem muita coisa. De todos os gêneros musicais. É uma profusão tão grande que o público as vezes fica perdido. Mas é legal que tanta gente tenha a oportunidade de gravar, coisa que teria sido impossível na época das gravadoras. De 2015 pra cá – quando eu oficialmente passei a trabalhar e viver de música – conheci muitas bandas, artistas, tem muita cosa legal rolando. É questão de procurar, ir num show sem saber qualé, tem boas surpresas por aí.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Negro Leo, Letrux, Tika, Giovani Cidreira, Porcas Borboletas… Esses eu vi / ouvi recentemente!

Ucraniana MaHa Rocks segue os passos de seus ídolos em suas músicas raivosas

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Maha Rocks
Maha Rocks
Mary Dovgopoliuk cresceu em uma família que trabalhava com arte, onde absorveu um amor pela música desde que se entendia por gente. Quando ouviu rock pela primeira vez, sua vida mudou: aquele estilo que tocava seu coração. A ucraniana decidiu que era aquilo que faria, começou a tocar guitarra com 14 anos e nunca mais parou. Em 2011, lançou seu primeiro disco, “In My Mind”, já com o nome MaHa Rocks. Algumas músicas do álbum chegaram a aparecer no Top 100 da NBTRadio de Berlim, aparecendo na lista novamente em 2015, e ela foi finalista da competição “Hottest New Artist” da ASCAP em 2012.
Em 2014, MaHa lançou novas versões de suas músicas “Deep Trip” e “In Mind” e suas colaborações com o compositor Kevin Nevel “I Am A Ukrainian” e “The Same Old Thing”. Em novembro de 2015 foi lançado o clipe de “I Am Ukrainian”, com imagens relacionadas ao terrorismo, guerras e agressão militar, ganhando o prêmio de Melhor Clipe Pop pela Akademia Music Awards em 2016 e conseguindo mais de 80 mil visualizações no Youtube. “Eu escolho o tema de uma música primeiro e normalmente é algo que realmente me incomoda”, conta, evidenciando que não devemos esperar por canções de amor nos seus planos.

– Como você começou sua carreira?

Eu fiz aulas de guitarra na escola quando tinha 14 anos e realmente me apaixonei pela música. Eu tocava muito e fui guitarrista solo na minha primeira banda. Mas depois que eu escrevi minha primeira música, “Corner”, descobri que isso é o que eu quero fazer na minha vida e resolvi fazê-lo profissionalmente.

– Então o Maha Rocks é um trabalho solo ou uma banda?

Um trabalho solo.

– Então porque o nome Maha Rocks?

Porque Maha é meu apelido desde minha adolescência e “rocks”… Bom, isso é o que eu amo fazer, sabe, tocar rock. Quando escrevo letras, elas sempre são bem puxadas pro rock e muito expressivas. A segunda definição do nome “MaHA Rocks” é “Saint Rocks” – é o meu conceito de vida, o que significa que é importante seguir seus sonhos e ir atrás deles não importa o quão difíceis eles pareçam ser. Escalando!

– Quem são suas principais influências musicais? Bandas, artistas, amigos, filmes, livros…

Todos que me fizeram sentir a música: Slash, Zakk Wylde, John 5, Eric Clapton, AC/DC, Black Sabbath, Robert Plant, Metallica, Joan Jett, Bonnie Rait, Nickelback, Incubus, Rob Zombie, KoRn, Five Finger Death Punch, HIM, The 69 Eyes, Stone Sour, Limp Bizkit, Dommin, Bullet for My Valentine, e muitos mais. Filmes? Talvez a série “Nashville”.

Maha Rocks
Maha Rocks

– Me conta mais sobre o material que você lançou até agora.

Lancei meu álbum de estréia, chamado ‘In My Mind’. Foi gravado na Ucrânia, na minha cidade natal. Tem 12 canções e tem riffs de guitarra fortes misturados com otimismo e esperança nas letras. Duas músicas desse álbum, ‘Deep Trip’ e ‘In Mind’, têm novas versões, que foram regravadas em estúdios profissionais de Nova York e Dubai. Além disso, quando estudei no Berklee College of Music, colaborei com compositores e lançamos as músicas “I Am Ukrainian” e “The Same Old Thing”. Tenho clipes para as músicas de ‘In Mind’, ‘The Same Old Thing’ e “I Am Ukrainian”.

– Como você definiria a cena musical independente em seu país?

Eu vejo algumas mudanças na cena musical independente ucraniana. Por exemplo, agora estou participando de um concurso que tem como objetivo encontrar os melhores artistas ucranianos independentes e dar-lhes público e a oportunidade de serem ouvidos. É a primeira vez que esse concurso é realizado. Então, acho que é uma jogada positiva.

– Quais bandas e artistas ucranianos você acha que o mundo inteiro deveria ouvir?

MaHA Rocks, claro (risos).

– Ei, aí não vale! (Risos) Por favor, outros exemplos!

Ok, talvez Onuka. O mundo inteiro a viu quando este ano no Eurovision que foi realizado na Ucrânia. Sua música é EDM.

– Como é o seu processo de composição?

Eu escolho o tema de uma música primeiro e normalmente é algo que realmente me incomoda. Então eu escrevo letra e música, gravo um rascunho e trabalho nisso. Uso guitarra acústica e piano para compor.

– Então você costuma usar suas músicas para se expressar sobre o que te incomoda?

Certo.

– Então não devemos esperar uma música de amor de você, certo?

Absolutamente certo!

– Se você pudesse trabalhar com qualquer pessoa do mundo da música, quem seria?

Rick Barker, Dave Kusek, Tom Jackson, Zakk Wylde

– Você está atualmente trabalhando em músicas novas?

Sim. Estou trabalhando em novas músicas que eu gostaria de gravar totalmente no meu controle, tocando todas as partes da guitarra, percussão e misturando/dominando tudo na produção. É uma nova experiência e quero ter mais tempo para experimentar.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Eu acho que o último é Matt Jordan. Orianthy e Jared James Nicols também.

Construindo Weird Fingers: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Weird Fingers

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Weird Fingers, projeto do garoto paranaense Raad Ferreira, que com 15 anos e muito tempo livre já lançou dois discos em 2017 e está pra lançar seu terceiro nesse mesmo ano, intitulado “Ciclos”. Todos seguem uma identidade lo-fi e noise. “Eu sou meio que péssimo tentando escolher essas coisas, 20 é um número pequeno ainda e vou me sentir meio mal deixando gente de fora, mas tá tudo bem! (Risos)”

Xiu Xiu“I Luv The Valley OH!”
“Essa é minha favorita de todas nesse mundo, e olha que é difícil pra eu sair nomeando assim! Tudo sobre ela me fascina, instrumentais desconexos e caóticos que se de alguma forma se encaixam tão bem! As variações entre músicas agressivas e calmas, a voz dolorida e assombrosa do Jaimie… Ah, as performances ao vivo também são de cair o queixo!”

Fábio de Carvalho“Paz Imensa”
“Era impossível não citá-lo nessa lista. Foi um dos primeiros artistas que me trouxeram inspiração para começar a gravar tudo sozinho. O cara é um dos melhores compositores nacionais dessa geração e com certeza um dos artistas mais importantes que eu escuto e espero escutar pelo resto da minha vida”.

Have A Nice Life“Burial Society”
“Pô, eu me amarro demais na atmosfera que eles conseguem criar, na forma como suas palavras, às vezes difíceis de se compreender conseguem penetrar tão fundo. Amo demais os sons sujos e marcantes!”

Sonic Youth“100%”
“Outra que tá no meu top 3 bandas favoritas. Sério, não tem como não amar Sonic Youth e todo mundo sabe. Eu até faço referência ao álbum “Daydream Nation” na letra de uma música minha!”

Sigur Rós“Gobbledigook”
“Essa fecha meu top 3 bandas inspiradoras demais que eu amo e nunca saem da minha cabeça! Tudo bem que meu som não lembra tanto assim, mas eu me inspiro bastante na parte dos vocais, que me deram muita mais coragem pra soltar minha voz do jeito que ela é”.

Theuzitz“Sinédoque, SP”
“Lembro quando eu fui ouvir o “Peso das Coisas” pela primeira vez e tava achando meio “bleh” no começo, e me arrependi uns 15 segundos depois quando começou aquela barulheira muito doida da primeira faixa. Inspirei muito nele pra começar a gravar coisas mais acústicas”.

Neutral Milk Hotel“In The Aeroplane Over The Sea”
“Simplesmente genial! Também me influenciou muito mesmo pra começar a compor mais coisas acústicas e deixar de lado à sujeira”.

Elvis Depressedly“Thou Shall Not Murder” 
“É meio besta na verdade, mas é um dos meus favoritos nessa pegada “bedroom pop”. Eu pego bastante do vocal do Matthew, e também foi um dos grupos que me inspirou mais à trabalhar com sintetizadores”.

Message to Bears“Farewell, Stars”
“A atmosfera, ambiência, uma coisa etérea assim. Esse projeto solo do multi-instrumentista Jerome Alexander, é sensacional, daquelas músicas que tu chora ouvindo, sem nem mesmo ter letra alguma. Eu comecei a aprender dedilhados e afins por causa desse projeto na verdade!”

Bon Iver“Flume”
“Eu comecei à ouvir recentemente, e fiquei tão encantado que passei bastante coisa dele pra esse meu último disco. (que foi mais folk que roquinho). também me trouxe mais confiança na minha própria forma de cantar”.

Lupe de Lupe“Eu Já Venci” 
“Essa é “aquela”. A que bate forte mesmo. Acho que além de influenciar muito na minha sujeira sonora, me trouxe também confiança pra cantar mais do meu próprio jeito!”

Flying Saucer Attack“Wish”
“Minha banda favorita de ~shoegaze~, nas minhas primeiras músicas (queime meus brinquedos/caraca bicho) eu tava ouvindo muito essa banda, e não vou mentir, tive que fazer alguma coisa meio parecidinha! A diferença é que o som deles é 190000x melhor”.

Spencer Radcliffe“Mermaid”
“Acho que é um dos produtores popzinho lo-fi mais subestimados. As melodias do “Looking In” me marcaram de um jeito sensacional”.

Slows Down“The Way Down Leerin”
“Daquelas bandas obscuras que tu acha aleatoriamente e se apega demais! Acho que tudo que for meio esquisito avant não sei que lá me pega de um jeito bom demais e eu acabo transmitindo pras minhas próprias músicas”.

Jason Anderson, Wolf Colonel“That’s My Life”
“É uma espécie de junção de dois projetos do mesmo artista, só tem um disco e é uma coisa linda demais, eu amo como se alterna entre vários gêneros diferentes nas faixas! “that’s my life” é uma música que bate forte demais. Aliás a gravação é genial”.

gorduratrans“você não sabe quantas horas eu passei olhando pra você”
“Me deram aquela força de vontade inicial pra começar a gravar tudo sozinho e me fizeram gostar cada vez mais de barulheira, daquelas de derreter a mente”.

Teen Suicide“we found two dead swans and filled their bodies with flowers”
“Poxa, muito por causa deles eu não tive medo de gravar as coisas com os recursos que eu tinha e fazer algo muito bonito, é uma banda que eu ouvi demais em momentos difíceis também, e quando tô por um momento difícil é quando componho, então já viu. (Risos)”

Beat Happening“Cast A Shadow”
“Acho que o mesmo caso de vários já citados acima, envolvendo a forma de produção principalmente, sem contar que os caras fazendo realmente tudo sozinhos e se divertindo demais, sem se importar com o que iam pensar te enche de emoção.

Gregory And The Hawk “Oats We Sow” 
“Uma das maiores influências do “ciclos”. Vocais lindos demais, letras lindas demais, instrumental simples e cativante, não tem como não amar!”

Daniel Johnston“True Love Will Find You In The End”
“Um dos artistas que eu escuto ate doer os ouvidos. me influenciou demais tanto na forma de produzir e na parte das artes, que eu faço todas sozinho com desenhos bem minimalistas”.

Nosso Querido Figueiredo lança uma infinidade de singles, EPs e discos gravados no escuro do seu quarto

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Nosso Querido Figueiredo
Nosso Querido Figueiredo

O Nosso Querido Figueiredo é um projeto solo de experimentalismo e música lo-fi de Porto Alegre nascido em 2008 em um pequeno quarto, quando o músico Matheus Borges aproveitou uma grande decepção amorosa e o segundo turno das eleições municipais para começar a compor.

Desde então, foram muitos (muitos mesmo!) singles, EPs, clipes, vídeos e tudo o que sair da cabeça de Matheus. “Tem gente que acha que é por causa do General Figueiredo, mas não tem nada a ver”, explica. “Tudo bem que, com o passar dos anos, eu fui falando mais de política, mas mesmo assim. Uma vez um cara disse para eu trocar o nome para Saudades do Figueiredo”. Até o momento, o último álbum lançado por ele foi Eu Não Estou Em Sintonia”, em 2015, mas ele já está trabalhando em um novo disco, que provavelmente será lançado ainda este ano.

– Como esse projeto começou?

Em outubro de 2008, eu gravei umas cinco músicas, que na verdade eram poemas que eu tinha escrito, gravei esses poemas acompanhados de violão. Acontece que eu não sei tocar violão. Eu tinha 15 anos. No ano seguinte eu comecei a mexer com softwares, sintetizadores, sequenciadores, etc. Aí foi evoluindo. Os primeiros álbuns são bem rudimentares, acho que não são nem experimentais, são só empíricos mesmo.
A partir de 2012, acho eu, eu já tinha mais uma noção do que eu tava fazendo.

– E como surgiu o nome Nosso Querido Figueiredo?

Disso eu lembro mais ou menos, foi meio que um monte de coisa junto. A primeira ideia era uma banda com um nome muito ruim, um nome que não fosse nem comercial e nem instigante por ser provocativo. Depois eu ouvi alguém falando “ah o nosso querido fulano de tal” e aquilo me deu um estalo, que até hoje eu não sei se foi bom ou ruim. Fui testando um nome aqui, outro ali, para ser acoplado ao Nosso Querido. Não lembro mesmo como cheguei em “Figueiredo”. Tem gente que acha que é por causa do General Figueiredo, mas não tem nada a ver.

– Eu achei que tinha alguma relação com isso, mas as músicas indicavam que realmente não tinha nada a ver.

Não tem, nem de longe. Tudo bem que, com o passar dos anos, eu fui falando mais de política, mas mesmo assim. Uma vez um cara disse para eu trocar o nome para Saudades do Figueiredo.

– Você considera o Nosso Querido Figueiredo um projeto solo ou uma banda?

Eu acho que é um projeto solo, pelo menos é solo agora e tem sido nos últimos nove anos. Mas já tentei montar uma banda, acho que foi em 2012 ou 13. A gente ensaiou algumas vezes, fizemos arranjos novos para composições minhas. Mas também tem algumas faixas com mais gente em alguns álbuns do Figueiredo. “Blues do Recesso” no álbum “Cavá-lo”, “O Que Me Resta” no “Nossa Cidade 16”. São voz e violão/guitarra. Como eu não toco nenhum dos dois instrumentos, as duas faixas têm participações de amigos meus.

– Então é meio que um projeto com formação flutuante, que pode ter só você ou o número de integrantes que calhar em cada som. E você é o cabeça.

Acho que sim, mas na maior parte do tempo é uma cabeça sem corpo. (Risos)

– Quais as suas principais influências musicais pra esse projeto?

Bah, deixa eu pensar… Isso é complicado, tem muita coisa, e muita coisa diversa. Mas acho que nas últimas gravações, de 2015 pra cá, tenho pensado muito no Belchior e no Lou Reed. Não que haja alguma semelhança, mas tenho pensado muito em músicas deles. Isso para escrever. Agora quanto à produção, penso muito em Brian Eno e música alemã dos anos 70, algo de hip hop também.

– Me conta um pouco dessa infinitude de EPs, singles e discos que você lançou.

Bom, cada caso é um caso, mas eu me sentia muito atraído à ideia de álbum conceitual e durante muito tempo eu fiz isso, estendia conceitos em 11, 12 canções. Em 2012 eu gravei dez álbuns. Tens uns bons, outros nem tanto. Mas eu gostava mesmo de estender as ideias, de gravar ao vivo mesmo, cantando sobre a base, o looping, ir improvisando. Era bem mais rápido de gravar assim. Um desses álbuns de 2012, “A Noite do Homem Morto”, eu gravei em uma madrugada. Mas aí eu comecei a trabalhar mais nos instrumentais, editar as vozes, etc. Mais foco, mais trabalho.  No tempo que eu levava para gravar dez álbuns, agora eu gravo dez canções.

Nosso Querido Figueiredo

– Antes era uma coisa mais imediata, mostrando o que inspirou o som, né.

Sim, era bem mais imediato e bem mais associado a um gênero, ou industrial ou rock ou até mesmo samba. Acho que funcionava naquele momento da minha vida, porque eu era adolescente e é isso que adolescente faz, ficar tentando se encontrar o tempo inteiro e de um jeito meio impaciente. Agora eu tenho uma ideia melhor do que eu sou e de que tipo de música eu posso fazer. Então as músicas novas, as que eu tô gravando agora, têm muito mais da minha experiência pessoal do que de pastiche.

– Me fala mais dessas músicas novas.

O último álbum que eu lancei, álbum álbum mesmo, com músicas novas e tal, foi o “Eu Não Estou Em Sintonia”, em 2015. Logo depois que eu lancei o “Sintonia”, larguei mais dois EPs, um de outtakes do disco e um de variações da faixa “Os Dragões”. Entrei 2016 zerado, sem nenhuma gravação que pudesse lançar, nada novo — e essa foi a primeira vez que isso aconteceu. Logo depois, meu microfone estragou. Então em 16 fiz outras coisas, editei um álbum antigo, o “Nossa Cidade”. Gravei com meu amigo Bruno um LP de nossa banda Creepypasta, produzi o EP do Tiago Félix, que é um poeta lá de Portugal que veio falar comigo. Mas não tinha um microfone. Aí no começo do ano ganhei um microfone novo e comecei a tentar gravar coisas novas. Em consequência da mudança de microfone, acho que minha voz tá melhor nessas músicas novas, mais relaxada, mais natural. Lancei “Para vencer na vida não precisa ser rebelde”e Isso sim é revolução! em junho. Tô colocando elas na internet à medida que o álbum vai sendo gravado. É quase como um álbum novo sendo construído em público mesmo.

– E você às vezes lança também clipes para as músicas. É tudo produzido por você mesmo?

Clipe é uma coisa que eu faço de vez em quando, mas que eu gosto muito de fazer. Nos últimos anos, desde 2014 pelo menos, tenho feito sempre um clipe para cada álbum. Faço eu mesmo, sim. Antes eu gostava de mexer com imagens de arquivo, fiz assim vídeos para “Cavalo Horse” (2013), “A Arma e o Band-Aid” (2014), “Os Dragões” (2015). Em 2016 eu e a minha namorada, Carolina Vicentini, fizemos um vídeo para “Fantasma no Ouvido”, uma das músicas da Creepypasta. E não usamos imagens de arquivo, fizemos tudo em casa, cenários, luzes, ela esculpiu duas cabeças de argila, catamos uns pés de galinha sujos de sangue.
(“Dragões”, “Fantasma” e “Band-Aid” estão aqui: https://vimeo.com/matheusmedeborg)

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Eu ouço bastante alguns artistas independentes brasileiros, mas não sigo religiosamente a cena e a verdade é que eu saio muito pouco de casa. Nos últimos tempos eu vi alguns bons shows de bandas daqui – Mar de Marte e Musa Híbrida, particularmente – mas não me considero parte da cena, não sei. Enfim, meu último show foi em 2011. Às vezes penso em fazer outros shows, mas ainda não me resolvi. Figueiredo sempre foi eu, gravando no meu quarto, divulgando do meu quarto, aí quem quiser ouvir, ouve. Quem quiser falar comigo, fala. Isso desde 2008. Eu tenho a impressão de que eu peguei o modelo de banda de um homem só e transformei na cena de um homem só.

– Quais os seus próximos passos, musicalmente?

Primeiro, vou terminar de fazer esse disco. Do jeito que está agora, acho que tenho com uns 40% dele prontos. Depois, ainda não sei. Talvez eu insista na possibilidade de fazer shows. Show ou shows, mas não uma turnê.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Bom, eu falei ali da Mar de Marte e da Musa Híbrida, então aí já tem dois. Sei que a Chapa Mamba vai lançar um álbum novo agora e estou ansioso para ouvir. Tem um músico aqui de Porto Alegre, o Guilhermo, ele faz umas coisas bem interessantes dentro de eletrônica. Tem tudo no Soundcloud dele.
https://soundcloud.com/guilhermo-gil/bangbang

The Lonesome Duo preparam blues cheio de grandiosidade e storytelling em “Smokey Dawn”

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The Lonesome Duo
The Lonesome Duo

Rennan Martens (voz) e Luiz Masi (voz e violão) resolveram, em 2009, se unir para fazer música, sem nenhuma pretensão. Influenciados pela cena blues norteamericana e por performances de rua, a dupla acabou formando então o The Lonesome Duo, que bebe de fontes tradicionais do folk, música cigana, gospel, voodoo e todo o imaginário do submundo boêmio. Em 2014 lançaram “Debut”, seu primeiro disco, com 8 faixas em inglês que mostram bem todas as influências citadas, além de muita criatividade nos arranjos.

Acompanhados (ou não) pelos Lonesome Balladeers Carlos Masi (voz e guitarra), Augusto Passos (voz, baixo elétrico, baixo acústico e teclas), Pedro Penna (voz, guitarra, mandolim e banjo), Pedro Falcão (voz, bateria e percussão) e Nathanael Sousa (acordeom e teclas), a banda se apresenta também em formatos acústicos. Hoje, a banda prepara seu segundo trabalho, “Smokey Dawn”, que segundo eles será uma bela mudança em relação à estreia. Confira uma entrevista com a dupla:

– Como a banda começou?

Luiz: Acho que era 2008, nós nos reencontramos por acaso depois de uns dois anos sem nos vermos. O Rennan comentou que tinha umas músicas novas e que queria fazer uma banda. Eu também tinha algumas. Nos reunimos na minha casa, gravamos algumas coisas, dividimos algumas influências. No fim tínhamos um cover de Howlin’ Wolf (a música era “Spoonful”) e “St. James Infirmary Blues”, um folksong clássico americano, num gravador de 4 canais. E a partir daí nunca mais paramos de falar sobre a dupla.Nosso processo criativo, inclusive de pesquisa, envolvia muito o ambiente. Passávamos tardes de bar em bar, cantando, escrevendo por horas, conhecendo pessoas. foi uma época muito frutífera, quando criou-se o núcleo que acabou virando o Lonesome Duo. Daí fazíamos pequenos shows, nos apresentávamos de mesa em mesa nos bares, com os violões, cantando. Lá pra 2011 decidimos montar uma banda completa.

Rennan: E mesmo depois de dois anos sem contato, nesse reencontro (que acabou fundando o Duo) percebemos que compartilhávamos muitos aspectos de nosso gosto musical, de nosso senso estético e mesmo de nossas expectativas em relação à música.

Luiz: Pois é. Ficamos um tempão separados e quando nos reencontramos estávamos na mesma página.
E esse gosto musical era uma espécie de obsessão pelo blues e pelo folk.Pela qualidade mitológica/histórica.

– E de onde surgiu o nome The Lonesome Duo?

Rennan: Sim, e na mesma época nos aprofundávamos na criação musical de brass bands ciganas, no jazz manouche. Por fim, prometemos um ao outro que escreveríamos um disco; e que o dedicaríamos ao Vivian Stanshall, figura que muito nos inspirava.

Luiz: Acho que “Lonesome” era uma palavra que ao mesmo tempo em que traduzia um pouco das nossas músicas, estava em muitas das canções de Hank Williams, que na época era um dos nossos heróis.
“Alone”, “lonely” e “lonesome” tem significados parecidos.

Rennan: E parte de nossas músicas já existia em nossos projetos individuais, de modo que, ao nos unirmos, criamos uma dupla composta de dois trabalhos solos.

Luiz: Mas lonesome é um solitário triste, sem esperança, como eram mais ou menos essas músicas.
Exato. No começo era mais fácil distinguir que música era de cada um hoje em dia mesmo que eu escreva uma música sozinho, já tento incluir nela a cara do Rennan, pra que soe como uma música nossa. Ainda mais por termos vozes complementares.

Rennan: E personalidades complementares, de certa maneira. Sobre o nome, acho que é isso.

Luiz: Muitas vezes já escrevo uma melodia pensando em como ela se encaixaria na voz dele (que no caso é um tenor, enquanto que eu sou barítono).

– Eu sei que vocês já citaram algumas, mas me digam quais são suas maiores influências musicais!

Rennan: Individuais?

Luiz: No meu caso: Gringas: David Bowie, Paul McCartney, Tom Waits, Hank Williams, Howlin’ Wolf, Nick Drake, Viv Stanshall & Neil Innes (dos Bonzos). Nacionais: Chico, Cartola, Silvio Caldas, Francisco Alves, Nelson Gonçalves.

Rennan: De modo geral, a “Anthology of American Folk” é um importante fantasma rondando a música do Duo.

Luiz: Sim. Harry Smith, é nosso ponto principal de contato. Alan Lomax… Esses grandes pesquisadores da música folk. Acho que esse caráter mitológico da música folk e dos early blues permeia muito o nosso imaginário
Os lendários Stagger Lee, John Henry.

Rennan: Sim. A partir disso acrescentamos nossas visões pessoais. Posso estar ouvindo elementos que não fazem parte de nosso universo, por exemplo. Contudo, ensaiar, compor e tocar com o Lonesome Duo são elementos que acabam me trazendo de volta a esse ponto inicial. A música folk, o gospel, as histórias ancestrais.

Luiz: Sim. E tem esse flerte com a música cigana também, que influenciou todo o folk em dado momento da história.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Rennan: Não consigo (risos).

Luiz: Por alguns anos definimos como Blues elétrico cigano. mas já mudou tanto. Hoje em dia é uma mistura de tudo: blues, jazz, country, folk, canção…

Rennan: Fico muito contente quando fazem isso. Quando me dizem o que parece, o que lembra, o que sentem ao ouvir. É algo que não consigo fazer estando aqui, na parte de dentro.

Luiz: Eu consigo identificar os elementos que eu mesmo coloco nas composições, mas muitas vezes a visão das pessoas é diferente. Por exemplo: quando eu coloco elementos de música tradicional grega, ou alguma coisa do klezmer, e a pessoa identifica como rockabilly ou dixieland jazz.

Rennan: Particularmente gosto da ideia de que quando o trabalho está concluído ele não me pertence mais. Muitas vezes falho em reconhecer elementos. Meus, dos outros. Por isso essa dificuldade em definir. Da minha parte.

Luiz: Sim, acho que vc tem uma visão mais social da coisa, e eu mais estrutural. Uma relação, no caso.

The Lonesome Duo

– Me contem um pouco mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!

Luiz: Então, a gente estreou com um EP de 4 músicas, gravado ao vivo no estúdio NaCena (a sessão teve 8 músicas no total). Reúne nossas canções mais antigas, do jeito que elas soavam nos shows. Além da banda tivemos a participação do Reinaldo Soares (Destemido Rei) e do Rob Ashtoffen, do Chaiss na Mala, tocando trompete e sax tenor, respectivamente. A produção ficou por conta do Nuno Bianchi e a gravação pelo João Milliet (com assistência do Tico Prates).

Luiz: Foi uma consolidação do nosso repertório autoral, que já tocávamos em shows há mais de 3 anos.
Fizemos o lançamento online com as 8 músicas, diferente do disco físico. Lançamos elas em pares, reunidas pelo tema das músicas “Recklessness & Regret”, “Sweet Medicine Mama”, “Hope & Helplessness” e “The Fortune Teller”. Lembrando agora, uma das primeiras influências do duo eram os Medicine Shows, aqueles antigos espetáculos de rua que vendem produtos milagrosos.

– Me conta mais dessa influência dos Medicine Shows. Como assim?

Luiz: Tinha muito a ver com o imaginário e com a estética os malandros, mendigos, ciganos, viajantes. Os charlatães ficavam fazendo esses pequenos shows de rua, em caravana, sobrevivendo da lábia. Era a identidade perfeita. enquanto nos apresentávamos de mesa em mesa, a gente contava um grande mito sobre nossas origens
o publico se encantava com as mentiras. Acho que aí que tá a identificação com os medicine shows. Era meio o que a gente era. Dois bêbados eloquentes, cantando sobre histórias impossíveis. Busking também, sempre foi uma coisa q me fascinou.

– Aliás, vocês tem dois formatos de banda, né? Como é isso?

Rennan: Sim. Nos apresentamos como dupla e também com a banda completa.

Luiz: Pois é. Por varias questões, mas principalmente praticidade e espaço. Muitas vezes o local não possibilita uma banda de 6 pessoas (ou 8 agora no show do novo disco) e muitas vezes o cachê não vale a pena pra ser dividido em tanta gente. E é o que fazíamos originalmente, vozes, violão.

– Qual a opinião de vocês sobre a cena independente hoje em dia?

Luiz: É ótima. fora de São Paulo vejo uma seriedade e um profissionalismo enormes. Aqui na capital o acesso é mais fácil, então tem bastante coisa, nem tudo tão redondo quanto o que eu venho ouvindo. Fortaleza, Rio de Janeiro. Só coisa incrível, no sentido de bem produzido, de sério. Eu produzo o festival Folia Profana, aos domingos na Paulista onde convido 6 bandas autorais independentes pra se apresentarem. E nessas eu tive acesso a essas bandas novas q sao do caralho e muito mais organizadas q muitas bandas daqui.

– E como é a aceitação com bandas que fogem do pop e do rock, como vocês, e entram em estilos mais “nicho”, mesmo que com qualidade?

Luiz: A aceitação é complicada, mas não em relação ao estilo. Acho que a maior barreira é a língua, as pessoas querem ouvir música em português, é uma coisa que sempre ouvimos do público. Mercadologicamente falando
as casas privilegiam as bandas de cover, então autoral e em inglês já são dois degraus pra baixo.

Rennan: Sobre a cena independente, vejo “cenas” distintas. Agrupamentos diferentes de bandas que dialogam entre si. Grandes trabalhos, excelentes produções. Vejo também uma dissonância em relação ao pensamento anterior de “mantenho-me no underground até que uma grande gravadora me descubra”. Muita gente consegue viver gerindo seu próprio material. Justamente por isso acredito que haja espaço para todos. A questão é compreender onde se deseja chegar com determinado tipo de música, informar a sua tia que dificilmente ela vai ver sua banda no Raul Gil. É preciso conhecer as partes boas e ruins de cada proposta.

Rennan: A tal discussão do “gosto popular”, sempre muito complicada.

Luiz: Sim. E a grande mídia privilegia alguns nichos mais alinhados com tendências mundiais do mercado
veste de maneira vendável alguns temas, e o resto é preterido. Depender de Raul Gil, Faustão, da grande mídia, é inviável.

Rennan: Acho que existe um importante conjunto a ser perseguido: qualidade musical, originalidade e alguma verdade. Todos esses atributos, aliados à boa divulgação, aliados a um bom trabalho de assessoria, abrem muitos caminhos.

Luiz: Sim. Se a coisa é incontestavelmente boa, o caminho é mais fácil. Porque o que foi percorrido durante a construção da banda também conta.

– Mas como isso pode ser melhorado, sem esse auxílio da grande mídia?

Luiz: Acho que a internet ajuda muito. E as pequenas rádios, os pequenos programas/emissoras locais de TV, todas tão atrás de conteúdo.

– Voltando, me fala mais sobre esse trabalho que você faz na Paulista. Como rola? Como é a recepção do público?

Luiz: Eu levo equipamento completo, desde PA até bateria, microfones, amplificadores. Combino com as bandas uma semana antes, elas ajudam na divulgação. Começa geralmente meio dia e vai até as 21h, e com 40min – 1h de som pra cada banda. Só autoral, só independente, qualquer estilo. E tudo grátis.

– E rola semanalmente?

Luiz: De 15 em 15 dias, sempre aos domingos. Agora só voltamos em setembro. Fiz uma pausa pra organizar o lançamento do disco novo. O público adora. todo mundo q assiste quer participar de algum jeito. As bandas sempre agradecem muito pelo espaço. É uma espécie de networking tb, colocar 6 bandas de vários cantos do país, se conhecendo, dividindo o mesmo palco.

– E como é a recepção do público? A Paulista junta gente de todo tipo, muitos dos quais nunca ouviram música independente e até os conservadores malucões…

Luiz: Pois é, o publico é bem variado e tem muita gente aos domingos. como as bandas são bem diferentes entre si, o publico vai mudando com o passar do tempo. Mas sempre tem aqueles que procuram coisa nova, que gostam de variedade. Desde moradores de rua até engravatados, sempre tem alguém que fica até o final.

– Quais são os próximos passos da banda?

Luiz: Estamos marcando o lançamento do disco novo. É um álbum conceitual, terminamos a gravação em abril.
as músicas são amarradas por um tema em comum, mas cada uma com um ponto de vista individual.

Rennan: Chama-se “Smokey Dawn”.

– Opa! E já está gravado?

Luiz: Sim. aqui no www.thelonesomeduo.bandcamp.com você consegue ouvir a primeira e a última música do disco. É um salto meio distante do que vínhamos escrevendo.

Rennan: Sim. O “Smokey Dawn” conta com elementos que até então jamais haviam aparecido em nossas gravações anteriores.

– Quais são essas diferenças?

Luiz: Arranjos de cordas, piano e metais… É um disco mais calmo, menos elétrico, permeado por uma certa angústia e com uma certa grandiosidade, diferente da simplicidade da gravação ao vivo. É um disco pretensioso, de storytelling.

Rennan: Trata-se de um trabalho um pouco mais sombrio, onde se fez presente a atenção ao mínimo detalhe. Há também uma preocupação com certa textura narrativa, como o Luiz mencionou.

Luiz: Não que seja um novo rumo pras nossas composições, acho que é uma obra que funciona sozinha, independente da história musical do duo.

Rennan: E tenho o pressentimento de que o álbum sempre existiu em algum lugar de nossa história, sendo 2017 o ano propício à sua gravação e divulgação.

Luiz: Sim. Algumas canções são de abril de 2017, outras de abril de 2007. É um tema, um conteúdo que nos acompanha há anos. E tivemos a chance de gravar exatamente como o disco exigia. Na primeira faixa, “She’s In My Garden” tem trechos com 5 trombones, trompetes, quarteto de cordas, piano, contrabaixo, simultaneamente.
Trabalho do Pedro Penna, que junto comigo produziu e arranjou o disco.

Rennan: O que de certa maneira se opõe ao Lonesome Duo em seu princípio: gravações caseiras, em dupla, mais simples.

– Por fim, recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos!

Luiz: Exato. Acho que “Smokey Dawn” representa o que estava dentro da cabeça daqueles dois meninos enquanto cantavam em dupla, com o violão debaixo do braço.

Rennan: E que os meninos não são mais meninos. Depois dos trinta as ressacas costumam durar mais.

Luiz: Rapaz, eu recomendo Verónica Decide Morrer. Recomendo o Murilo Sá e os amigos do Chaiss. Uma banda chamada Casa de Velho, lá de Fortaleza. A Mari Romano e a Mafalda Morfina. O Daniel Zé e o Lennon Fernandes. Os meninos do Highjack. E as coisas novas do Lucas Cyrne, que logo logo tão aí.

Rennan: “Tropicaos”, disco de estreia do Molodoys, aqui de São Paulo, reúne uma porção de coisas que me chamam a atenção – gosto bastante! O trabalho instrumental dos 3 Cruzeiros também é fantástico. Os shows são incríveis.

Luiz: Sim. Lançando disco novo também. Tem um monte de gente legal. João Vedana também, de Lajes para o mundo. Jonnata Doll & os Garotos Solventes!