RockALT #17 – Muff Burn Grace, Loyal Gun, Lava Divers e Ximbra

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna de hoje vamos dar mais um giro pelo Brasil, conhecendo ou escutando novamente bandas do nosso cenário alternativo. Provando mais uma vez que vivemos uma renascença da música nacional, do shoegaze paulistano ao punk nordestino, separamos algumas indicações que mostram como o rock alternativo é versátil em nosso país.

Muff Burn Grace

Quem acompanha a cena musical independente no Brasil já deve saber de duas coisas: 1) Em São Paulo é possível encontrar bandas de qualquer gênero que você possa imaginar, e 2) Muff Burn Grace é uma puta banda. Claro que praticamente toda cidade brasileira tem sua cena underground e podemos encontrar os mais diversos estilos pelo Brasil, mas São Paulo acaba sendo o centro seja pelas bandas daqui, seja pelas bandas que aqui se instalam. Dito isto, não consigo pensar em um exemplo melhor de banda stoner setentista do que os paulistanos do Muff Burn Grace. Confesso que o álbum ‘Urbano’ lançado ano passado passou despercebido por mim e só o escutei este ano. O som garageiro, o vocal vibrante, os riffs contagiantes, não perdem em nada para discos mega produzidos de grandes nomes do rock alternativo gringo. Caso eu tivesse escutado esse álbum em 2016 certamente estaria na minha lista de melhores do ano.

Loyal Gun

Também de São Paulo, porém com uma sonoridade bem distinta, o Loyal Gun tem fortes influências de grandes bandas de shoegaze como Slowdive, Ride, My Bloody Valentine entre outras, bandas com pegada mais sentimental como Sunny Day Real Estate e Radiohead. No entanto, seu single mais recente, ‘Come Back’ aposta em um hit mais animado puxando para um rock alternativo um pouco mais pop, o que apresenta uma versatilidade muito bem vinda para a banda. O Loyal Gun têm se apresentado com frequência em São Paulo enquanto prepara novidades a serem lançadas em breve pela Howlin’ Records.

Lava Divers

Uma vez eu estava em uma festa e numa roda de amigos ouvi a seguinte frase: “Esses são os 4 Bs de Minas Gerais: Berlândia, Beraba, Belzonte e a bosta de Araguari”. Eu ri bastante e a frase ficou na minha cabeça até hoje, mas justiça seja feita, nunca estive em Araguari e aposto que não é uma cidade tão ruim pois é de lá que vem o excelente Lava Divers! Os mineiros iniciaram suas atividades em 2014 e de lá pra cá percorreram o país apresentando sua música encantadora que vai do shoegaze ao grunge, com toques de um power pop viciante. A banda promete lançar um LP nos próximos meses e nós ficamos aqui no aguardo. Enquanto isso recomendamos o belo EP homônimo do quarteto de Araguari.

Ximbra

Ximbra é o que acontece se você misturar hardcore com música. É com essa brincadeira eficaz que a banda se apresenta em sua descrição nas redes sociais. Hardcore, punk, letras em português e a visão de mundo de quem vive em uma cidade desigual são elementos que se destacam logo na primeira audição do recém lançado LP ‘A Maldição Desta Cidade Cairá Sobre Nós’. O grupo de Maceió, Alagoas não esconde seu posicionamento político, as letras francas e certeiras somadas ao som raivoso e agitado da banda são prova de sua competência tanto na letra quanto na música. O nordeste brasileiro não é o primeiro lugar que vêm à nossa cabeça quando pensamos em punk ou hardcore, mas Ximbra é um excelente exemplo do que acontece quando você abraça suas raízes sem deixar de lado suas influências por estilos vindos de fora. Destaque para a faixa ‘Quilombo dos Palmares’.

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RockALT #15 – Garage Fuzz, Leonardo Panço, eliminadorzinho, The Kooks e The Horrors

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RockALT

RockALT, por Helder Sampedro

A Coluna RockALT volta após um breve hiato: meu irmão Jaison e eu fizemos uma pequena viagem por terras estadunidenses e não conseguimos preparar nada para a coluna durante nossa ausência de Terras Brasilis. Ainda naquele clima de desfazer as malas minha postagem de hoje será mais curta e objetiva, separei alguns sons que embalaram a minha viagem e me ajudaram a passar o tempo nos aeroportos e estações de trem por onde passei.

Garage Fuzz“When No One is Around”
É sempre bom falar daqueles que estão na estrada há décadas e pavimentaram o caminho para tantas outros no cenário nacional. O Garage Fuzz certamente é uma das bandas mais influentes do país, tendo nascido na efervescência do início dos anos 90, época incomparável para o underground brasileiro, e estando na ativa até hoje. A extensa discografia dos santistas é sempre merecedora de uma atenção maior. Fica aqui a minha provocação pra você que é fã de rock alternativo, há quanto tempo você não escuta Garage Fuzz? A hora é agora!

Leonardo Panço“Desorgulho”
Falando em underground brasileiro e de mais um grande nome dos anos 90, Leonardo Panço é ex-integrante da banda carioca de hardcore Jason. Leonardo é uma figura muito interessante pois não só fez parte de uma banda que rodou o mundo mas também por ser um artista que não se limita apenas à música, seus trabalhos autorais mesclam sua música com os livros que escreve e com suas fotografias, como no recente “Superfícies”, de 2016. Sempre bom acompanhar a caminhada e a obra de nomes importantes e pratas da casa como o Panço.

eliminadorzinho“das vezes que conversamos na cama e acabamos dormindo”
Nós do RockALT sempre comentamos sobre a ampla variedade de gêneros que temos no cenário underground nacional e os paulistanos do eliminadorzinho são exemplos de uma cena que reflete o lado mais sensível e contemplativo do rock, ao menos em suas letras. Influenciados pelo gorduratrans, que por sua vez se inspiraram no Ludovic, o trio de “rock triste jovem”, como diz sua bio no Facebook, mostra em seu EP ‘nada mais restará’ a barulheira característica do noise caseiro e letras que nos fazem lembrar como nosso cotidiano pode ser pesado e cansativo às vezes. A música tem essa mania de refletir o mundo no qual vivemos, certamente eliminadorzinho poderia ser a trilha sonora da nossa sociedade atualmente.

The Kooks“Be Who You Are”
Talvez mais conhecidos pela música “Naive”, os britânicos do The Kooks são um exemplo de banda que atingiu um certo sucesso comercial mas não emplacaram tantos hits quanto outras bandas do mesmo movimento. A banda é muito mais eclética do que a maioria imagina e seus trabalhos passeiam pelo rock, britpop, e até reggae e ska. Em turnê comemorativa de 10 anos a banda lançou material novo, uma ótima oportunidade para ouvir mais e conhecer melhor o trabalho dos rapazes de Brighton.

The Horrors“Still Life”
Mais uma música que ficou na minha cabeça embalando a minha viagem e assim como o The Kooks, o The Horrors surgiu durante o revival pós-punk que ocorreu na Inglaterra durante os anos 2000. Mas as similaridades com seus conterrâneos acabam por aí, o som do The Horrors é mais conciso em suas influências e abrange estilos mais similares como garage rock, punk, goth rock, shoegaze além do já mencionado post-punk revival. Aclamados pela crítica, os quarto LPs da banda mereciam ser ouvidos por um público muito mais do que o inicialmente alcançado na ocasião de seus lançamentos. Vale a pena dar uma garimpada na obra deles.

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RockALT #13 – Lê Almeida, Passante, menores atos, Rosa Idiota e Slowdive

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RockALT, por Helder Sampedro

Lê Almeida
Figura conhecida nos meios underground e faça-você-mesmo, o carioca Lê Almeida não é novidade para aqueles que consomem música de fontes diversas e não apenas o que o mainstream apresenta. Fundador da Transfusão Noise Records em 2004, Lê grava de forma caseira e despreocupada seus inúmeros trabalhos nesses 10 anos desde o elogiado EP ‘Loufailândia’. Um verdadeiro herói do lo-fi nacional, o som garageiro e cheio de distorção parece sair pelos poros do músico, levando em consideração a quantidade de singles, EPs, e LPs lançados, sem contar seus trabalhos com outros músicos. A mistura equilibrada de power pop, indie rock, noise e lo-fi está disponível no bandcamp do artista.

Passante
O projeto do poeta e compositor Julio de Mattos é um desafio aos nossos ouvidos, claro, digo isso no melhor dos sentidos. A mistura psicodélica de ritmos e instrumentos é surpreendente, empolgante e garante um tom enigmático ao primeiro trabalho da banda. É mais um daqueles projetos que fogem à regra, o oposto total ao “mais do mesmo” uma busca que leva a um som íntimo, quase confidencial que não é feito para ser consumido pelas massas, e sim por um público mais exigente e curioso. Se você está a fim de sair da mesmice e se deixar levar pelas surpresas e distorções das guitarras do Passante, não deixe de conferir o EP ‘Mutilados’, disponível no Soundcloud.

menores atos
Talvez minha banda brasileira favorita no momento, o trio carioca que toca algo que só pode ser definido como rock alternativo de verdade! As letras em português que tratam de angustias amorosas comuns a todos podem fazer o ouvinte incauto rotular a banda como só mais uma de hardcore melódico, mas a verdade está bem longe disso. Influências rebuscadas como Minus the Bear, Radiohead, Deftones e Tool se sobressaem no sensacional álbum ‘Animalia’ de 2014 e impedem qualquer um de tentar rotular o trabalho primoroso da banda. Tive o prazer de vê-los ao vivo há algumas semanas no Estúdio Costella e posso garantir que a banda é ainda maior e mais pesada ao vivo, chamá-los de ‘power trio’ é pouco.

Rosa Idiota
Fundada em Salvador no ano passado, o quarteto lançou em janeiro desse ano o excelente álbum de estreia ‘Circle’ trazendo um rock com influências punk e indie na medida certa entre melodia e peso. Arranjos complexos, batidas cativantes e vocal forte se destacam e agradam logo na primeira audição. As dez músicas fluem amarradas umas às outras e é possível curtir o LP do começo ao fim sem perceber a passagem do tempo, apenas parando para se notar que a faixa ‘Fastio’ é a única cantada em português, fiquei curioso para saber o porquê. Enquanto não matamos nossa curiosidade podemos ouvir mais uma vez o primeiro lançamento dessa promissora banda.

Slowdive
Desnecessário apresentar uma lenda britânica do shoegaze, né? O álbum homônimo lançado em 5 de maio de 2017 pode ser colocado na mesma categoria de outros lançamentos recentes de ícones dos anos 90 como Pulp, Suede, Swervedriver, Stone Roses, Jesus and Mary Chain e Ride. Todas as bandas que eu citei atingiram seu ápice de popularidade no década de 1990 e lançaram ao menos algum single em anos recentes, esse revival do shoegaze noventista chega agora a seu apogeu, com o que certamente será considerado um dos melhores discos do ano. O 4º LP do Slowdive parece ter sido lançado na época em que os orelhões ainda eram úteis e o Brasil ainda era Tetra. E isso é um feito e tanto, poucas vezes uma banda ficou tanto tempo inativa e retorna com uma proeza dessas. O grupo se apresenta em São Paulo domingo agora (14/05/17) e espero não queimar minha língua. Estarei lá para ver.

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RockALT #11 – Tamarindo, Spidrax, Dead Parrot, Walfredo em Busca da Simbiose e White Lung

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna dessa semana eu destaco power trios, um quarteto e um projeto solo de diferentes estilos enquanto fazemos uma viagem que vai do interior de São Paulo ao Canadá passando por sons progressivos, agressivos, psicodélicos e muito mais!

Tamarindo
Eu nem tinha escutado a segunda música do trabalho ‘Lado B’ e já havia me apaixonado pelo seu título, ‘Eu Sempre Gostei Mais do Lado B’. A banda de Santa Cruz do Sul/RS inadvertidamente ou não fez uma homenagem a todos aqueles amantes inquietos da música que não se contentam em ouvir apenas o que todos estão ouvindo, apenas o que é fácil de se escutar. É realmente um prazer descobrir uma banda que poucos conhecem, ir curtindo faixa após faixa e entendendo a proposta dos músicos, suas qualidades e suas escolhas. Espero que você curta a sonoridade desse power trio o tanto quanto eu e se apaixone pela reverberação de seus instrumentos e pela voz cativante da vocalista.

Spidrax
De um power trio de grunge vamos para um power trio de horror punk! Com uma pegada que remete àquele Misfits de começo de carreira, os paulistanos do Spidrax são mais um exemplo da variada gama de estilos e vertentes do rock atuantes em São Paulo. Vocais meticulosos e precisos, guitarra furiosa, bateria pesada e letras (em português!) fieis à sua temática são as marcas principais dessa banda. Não poderia ser diferente com influências como “Motorhead, Misfits, Samhain, Danzig, Black Sabbath, entre outras desgraceiras” como diz o facebook do grupo! Se você curte um som mais veloz e pesado, não deixe de escutar o EP recém lançado do Spidrax!

Dead Parrot
Se enganou quem acha que é só na capital de São Paulo que tem banda boa: natural de Barão Geraldo/SP, o quarteto Dead Parrot não se limita a gêneros específicos e traz influências de diversas bandas como Rush, Cream, Pink Floyd, Doors, QOTSA, Jeff Buckley entre outros nomes de peso! Isso se reflete em uma sonoridade progressiva e experimentadora sem se deixar levar por devaneios musicais muito longos. A mistura equilibrada de classic, stoner, hard e prog do Dead Parrot pode ser conferida no EP homônimo:

Walfredo em Busca da Simbiose
O projeto solo do compositor e produtor musical Lou Alves lançado há pouco mais de um mês é uma daquelas pérolas escondidas nas ondas internéticas. Longe da pretensão e aspirações que muitas vezes acometem alguns artistas, é no campo privativo e introspectivo desse tipo de projeto pessoal que nascem obras fáceis de escutar e se identificar. As letras das músicas que formam o EP tratam de sonhos, viagens, desejos e pedidos tão particulares e ao mesmo tempo comuns a qualquer pessoa que acaba se tornando muito fácil se deixar levar do rock ao folk psicodélico e sair em busca do quer que seja a “simbiose” de quem escuta.

White Lung
Eu espero que vocês já conheçam o White Lung. Só estou falando deles aqui pois é uma daquelas bandas que eu quero que literalmente todo o mundo conheça. Dito isto, o quarto álbum desse trio canadense de punk rock é o meu álbum gringo favorito do ano passado, ele está no pen drive do meu carro há meses e mesmo ouvindo direto eu ainda não enjoei. Não sei ao certo se é a voz poderosa e competente da vocalista, o trabalho primoroso e devastador do guitarrista ou talvez o mérito esteja no conjunto completo pois eu sou incapaz de pular uma só das dez faixas que formam o LP ‘Paradise’. Se você ainda não conhece, não precisa me agradecer, apenas escute o álbum e veja se eu tenho razão:

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RockALT #9 – Devilish, Color For Shane, O Grande Ogro e Clearance

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RockALT, por Helder Sampedro

Devilish
Eu adoro a expressão “abrir com o pé na porta” e quase nunca perco a chance de usá-la, na coluna de hoje não será diferente. O Devilish foi a atração surpresa que abriu o RockALT Fest que rolou no último domingo e os caras realmente causaram em sua apresentação. Formado por uma dupla de talento indubitável, Paulo Ratkiewicz (guitarra e voz) e Éder Chapolla (bateria) a dupla conta atualmente com um reforço de peso no baixo, ninguém menos que Caique Fermentão, vocal e guitarra do Corona Kings. Tudo na banda, desde o nome, imagem, postura e obviamente o som evoca algo primordial, maligno e impiedoso. Algo que a banda apropriadamente chama de Rock ‘n’ Hell. Realmente uma grata surpresa para mim e para todos que estavam presentes no show. Se você perdeu, não se preocupe, primeiro EP deles sai daqui dois dias. Fique com o excelente clipe de ‘The Wolf Has Willed It’.

Color For Shane
Gosto muito do vocal distorcido e carismático do Color For Shane, me lembra um pouco de The Vines e um pouco de Sex Pistols, algo que por si só já valeria a pena ouvir. O duo formado no ABC paulista em 2007 por Rafael Pires (guitarra e voz) e Henrique Gonzalez (bateria) lançou no início deste ano seu terceiro LP ‘Not An Embryo’ que solidifica a carreira da banda e apresenta um garage rock lo-fi de respeito que mistura barulheira com melodia de forma maestral. É sempre um prazer ver bandas formadas na década passada continuarem na ativa, sem desanimar e lançando trabalhos de qualidade, só quem vive essa cena sabe como é difícil seguir em frente mesmo quando tudo está contra você. Ouça o excelente terceiro LP da dupla paulistana aqui:

O Grande Ogro
É muito raro encontrar uma banda como O Grande Ogro hoje em dia. A banda consiste apenas em guitarra, baixo e bateria. Particularmente sempre gostei de bandas assim, sem vocal, elas nos dão a chance de colocar nossos próprios sentimentos nas músicas, nos apropriando delas conforme nosso âmago deseja. O som deles é uma como uma metamorfose metálica, uma sinfonia caótica que poderia ser a trilha sonora constante de uma cidade como São Paulo, por exemplo. Mas não se assuste com essa definição, há algo particularmente interessante em ouvir músicas assim, há um certo prazer no estranhamento, na confusão e na surpresa que nossos ouvidos têm quando escutamos algo tão original, imprevisível e sem amarras. Dê uma chance ao som dos caras e descubra o que você sente enquanto ouve.

Clearance
Mais uma vez indico aqui na coluna uma banda que o meu colega Allan Aguiar, criador do Wake The Dead Festival, me apresentou. Eu adoro quando amigos me indicam bandas, principalmente aqueles que manjam tanto de música quanto o Allan. Ao ouvir o som deste grupo de Chicago é impossível não pensar no Pavement, o cantar “falado” do vocalista e as músicas relaxadas que combinam com uma tarde preguiçosa, o álbum de 2015 é um deleite que vai agradar a qualquer pessoa que quiser ouvir. Se você gostou do som deles, está com sorte pois banda deve lançar o segundo LP em 2017 com direito a shows em São Paulo e Goiânia agora em maio!

Falando em show, se você é do Rio de Janeiro não perca o Wake The Dead Festival que rola em Magé neste sábado (15/04). Mais informações aqui no evento. https://www.facebook.com/events/642105552627939/

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Coluna RockALT #7 – Chuva Negra, Ataque Fatal, Toma!, Beach Slang e Corona Kings

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RockALT, por Helder Sampedro

Mais uma semana, mais uma Coluna RockALT! Separei bandas um pouco mais pesadas dessa vez além de uma das minhas bandas favoritas dos últimos anos.

Chuva Negra

Escolhi o Chuva Negra pra abrir a coluna dessa semana com o pé na porta. E é assim que o quinteto de punk rock paulistano tem se apresentado, sem frescura e sem firula, as letras batem forte e tratam de problemas bem comuns a todo jovem que cresce em uma sociedade na qual não se sente completamente incluído. Musicalmente eu aprecio bastante o vocal rasgado, puxando pro hardcore, sem perder a conexão com o ouvinte. A influência punk também marca o instrumental, musicas rápidas, energéticas e curtas, com apenas dois minutos em média. A banda tem se apresentado bastante recentemente mas não tem lançado muita coisa, o último LP é de 2014. Fica aqui nossa torcida para que lancem um novo trabalho em breve.

Ataque Fatal

Falando em punk, eu não podia deixar de falar da banda Ataque Fatal. Atualmente formada apenas por Jhonny Magi nos vocais e guitarra e pelo baterista Victor Hugo, sem baixista porque segundo o próprio Jhonny os baixistas sempre o deixam na mão. A banda toca punk de verdade, sujo, direto com letras ácidas, ofensivas e contra o status quo. Em tempos que até a música sofre com falta de atitude ou falta de autenticidade, ver um cara como o Jhonny com seu festival totalmente independente – A Voz do Underground – é um verdadeiro alívio aos amantes da música independente e do espírito do faça-você-mesmo. Deixo um belo exemplo da banda aqui embaixo enquanto não chega o álbum prometido pra esse ano.

Toma!

Depois de anos longe dos holofotes, os gêneros melódicos (ou Emo, se preferir) parecem estar ganhando atenção novamente. A banda Toma! de Santa Cruz do Sul/RS é um exemplo interessante deste movimento. Formada em 2005, o auge da cena emo, o quinteto de hardcore melódico lançou seu primeiro álbum com músicas escritas ao longo dos seus mais de 10 anos de carreira e voltou em 2017 com o EP ‘Melhor Assim’ que mostra que o gênero ainda tem espaço na cena independente. Se você ficou com saudades desse estilo ou era muito novo na época, o EP é uma excelente pedida.

Beach Slang

O Beach Slang é uma daquelas bandas que eu gostaria que o mundo todo conhecesse. Tenho certeza que a sociedade seria muito melhor se esse quarteto da Filadélfia fosse tão famoso quanto os Beatles ou Stones. Dotado de uma energia juvenil somada à vivencia e visão de mundo do quarentão vocalista/guitarrista/liricista James Alex certamente é um dos destaques da banda. O som energético com pegada punk sem medo de ter momentos mais melódicos é contagiante e faz você querer virar a noite cercado de amigos e amores como se tivesse vinte e poucos anos novamente. E cuidado pra não querer tatuar trechos poéticos das letras, já aviso que faltaria espaço no seu corpo!

Corona Kings

Os garotos de Maringá tem tudo pra se tornarem estrelas da cena alternativa e já conquistaram um número considerável de fãs dedicados mesmo com pouco tempo de estrada. A banda formada em 2012 já foi selecionada para participar de projetos musicais patrocinados por marcas como Levi’s e Jägermeister. Atualmente gravam seu terceiro LP e tendo ouvido uma música desse novo álbum, garanto a vocês que vem coisa muito boa por aí. Com uma mistura de garage rock, punk e até metal a banda mostra sua versatilidade, qualidade e evolução musical. Se você acha que a cena independente só tem banda tranquilinha, meu amigo, você ainda tem que ouvir Corona Kings! A oportunidade perfeita para vê-los ao vivo é a nossa RockALT Fest, dia 09/04!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

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RockALT #5 – Terno Rei, Monza, Minus The Bear, BRVNKS e The Hexx

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RockALT, por Helder Sampedro

A coluna de hoje está bem mais tranquila do que as das últimas semanas. O bacana do rock alternativo é que você tem uma gama enorme de vertentes e subgêneros para apreciar sem precisar sair de debaixo do grande guarda-chuva do rock. Seguem as minhas singelas sugestões de bandas que não curtem tocar no volume máximo.

Terno Rei
Pegue um dia que você está com preguiça de sair de casa, coloque Terno Rei pra tocar e deite no chão do seu quarto ou coisa parecida, tenho certeza que você vai entrar numa viagem de pensamentos e sentimentos que vai te levar pra bem longe dessa vida repetitiva e monótona que a maioria de nós leva. Os paulistanos do Terno Rei tem essa capacidade implacável de nos colocar em contato com o que está no nosso inconsciente. É impossível não se deixar levar pela melodia contagiante da banda.

Monza
Como ficar de mau humor depois de assistir ao clipe de ‘baixo astral’ da banda Monza? Mais uma prova de que clipes geniais não precisam de altos orçamentos. O quarteto de São Paulo nem parece ter nascido em uma cidade grande e cinza, a sonoridade da banda evoca muito mais um clima de praia ensolarada ou de uma longa e tranquila estrada. Quem me deu a dica dessa banda foi a Joyce do Cansei do Mainstream, se você curtiu Monza, fique ligado no blog dela pra conhecer muitas mais!

Minus The Bear
Saindo um pouco da mesmice das minhas indicações aqui na coluna, o Minus The Bear tem mais de 15 anos de estrada. A banda formada em Seattle, EUA tem um repertório muito variado que começou com experimentações avant-garde e progressivamente foi ficando mais rico e sofisticado. Seus 6 álbuns de estúdio são um deleite pra quem curte descobrir bandas novas e apreciar o processo de amadurecimento de um artista. Seu trabalho mais recente ‘Voids’ foi lançado no início do mês.

BRVNKS
Você já deve ter ouvido o som da BRVNKS (ou Bruna, para os íntimos), mas mesmo assim eu quis indicar aqui. O som da banda goiana recém chegada a São Paulo une a doçura da voz da vocalista e suas letras confessionais com um som que seria a trilha sonora perfeita pra um fim de semana ensolarado ao ar livre. São apenas quatro músicas, mas você não vai conseguir tirar o EP do repeat.

The Hexx
O EP lançado há um ano pela banda paulistana de Indie rock, The Hexx, mostra porque a banda merece destaque mesmo em uma cena tão efervescente quanto a atual. As quatro músicas apresentam uma banda coesa e harmoniosa mas ainda assim podemos sentir um baixo de presença forte e os vocais de melodias cativantes. A banda promete mais um EP ainda para o primeiro semestre, quem sabe eles não toquem algumas novidades no show que farão no RockALT dia 09/04? Esperamos que sim!

Se você curtiu essa coluna, fica aqui o convite para nossa festa. E não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br ou no perfil do Mixcloud: https://www.mixcloud.com/rockalt/

RockALT #3 – Facas Voadoras, Old Books Room, gorduratrans, Zebra Zebra e Walverdes

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RockALT, por Helder Sampedro

Facas Voadoras
Com o visual inspirado em filmes de terror dos anos 50 e filmes B dos 70, o trio de Campo Grande, Mato Grosso do Sul criou um som energético que mistura a classe de Johnny Cash e a velocidade do Motörhead. Letra e música que abordam temas comuns em uma noitada com os amigos e combinam perfeitamente com a animação que esse cenário proporciona. Mais uma prova da qualidade e variedade que a cena nacional proporciona para aqueles que estão interessados em descobrir. Destaque para o recém lançado clipe de ‘Creatures in the Night’.

Old Books Room
Coloque amigos para escutar algumas músicas do Old Books Room, agora pergunte a eles de onde eles acham que a banda veio. Aposte o que você quiser pois ninguém vai imaginar que eles são de Fortaleza, Ceará! A banda tem um som altamente cativante e que se equipara a grandes nomes do rock alternativo mundial. Podiam ser de Chicago, Berlim, Nova Iorque, Canadá ou de onde mais você possa imaginar, mas são aqui de casa e você está perdendo tempo se ainda não ouviu o álbum ‘Songs About Days’.

gorduratrans
Mais uma banda que desafia sua posição geográfica. Se não fossem as letras em português seria fácil imaginar que a banda vem de algum canto frio e cinza mundo a fora. A dupla carioca lançou o excelente EP ‘repertório infindável de dolorosas piadas’ e mostra um noise/shoegaze que te prende desde o primeiro acorde, seja pela sonoridade viciante ou pelas inspiradas letras fáceis de se identificar se você é fã do gênero. Aguardo ansioso o retorno dos garotos fluminenses enquanto ouço o EP pela enésima vez.

Zebra Zebra
Como é bom ouvir rock de qualidade em português! O Zebra Zebra manda muito bem nas letras de suas músicas sempre com partes iguais de sarcasmo, bom humor e agressividade. O som da banda é difícil de rotular, rock alternativo com uma mistura de punk, pitadas de pop rock e talvez até MPB! Destaquei o single ‘Regra, Sermão e Temaki’ que além de um ótimo nome é uma boa prévia do que é a banda, recomendo também o EP ‘Agora é Que São Elas’.

Walverdes
Muito mais do que apenas uma banda de “rock gaúcho”, os experientes Walverdes não se preocuparam com barreira geográficas ou de estilo em seus quase 25 anos de estrada. A banda já lançou muitos LPs, fitas cassette (sim, o bom e velho K7), e ano passado o excelente EP ‘Repuxo’ que tem ocupado as caixas de som do meu velho notebook nas últimas semanas. As influências da banda são muitas e vão desde Nirvana a Bob Marley passando por The Who e Stooges, separei o clipe mais recente da banda, ‘É Muita Gente’ para vocês curtirem.

RockALT #1 – The Dead Suns, Kill Moves, Sky Down, Blear e Alf Sá

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RockALT 1

RockALT, por Helder Sampedro

O RockALT é um programa semanal dedicado ao rock alternativo e tudo que você quiser enquadrar dentro deste termo. A convite do nosso amigo João Pedro Ramos, eu, Helder Sampedro, e meu irmão, Jaison Sampedro, temos o prazer de iniciar a Coluna RockALT. Nosso objetivo é indicar clipes, músicas, artistas, álbuns e qualquer outra descoberta que fizermos durante a semana preparando o programa. Como nem tudo vai ao ar, deixaremos aqui nossas indicações de coisas que vocês, amantes da música, talvez gostem de conhecer ou ouvir novamente! Então chega de conversa e vamos às indicações de hoje:

The Dead Suns“Early Singles”
A banda carioca é formada por membros experientes de bandas icônicas na cena alternativa brasileira, como Second Come e Big Trep. O EP ‘Early Singles‘ dá um aperitivo do que a banda pode fazer com uma pegada forte, sofisticada e que nos remete a grandes nomes do rock alternativo mundial.

Kill Moves – “No Rewind”
Foi difícil tirar o EP ‘No Rewind’ da minha cabeça desde conhece-los em um show semana passada em São Paulo. O quarteto de Belo Horizonte se destaca com melodias ora harmoniosas, ora agressivas mas sempre formidáveis. Uma excelente pedida pra quem curte rock alternativo desde o shoegaze até o punk, passando por pitadas de emo e indie.

Sky Down
Difícil escolher uma música do álbum ‘…nowhere’ pra destacar, o álbum é muito coeso e dá pra ouvir do início ao fim só apreciando as diversas referências a grandes nomes do punk, noise, e da cena noventista de Seattle (impossível não pensar no Nirvana enquanto ouço esse álbum). O power trio de Santo André representa muito bem a cena do ABC paulista com uma pegada direta e reta que faz muita falta nessas épocas de rock produzidinho e arrumadinho.

Blear
Lançado em 2016, o álbum homônimo dos paulistanos do Blear é um deleite para os fãs de rock alternativo. Mais uma banda de jovens que conseguem unir a agressividade do punk e do grunge com a harmonia do shoegaze e do indie. Ouvir esse LP é fazer uma viagem para décadas mais felizes da cena alternativa gringa, e nos faz pensar como temos sorte de viver uma época sem igual na cena independente brasileira.

Alf Sá – “Você Já Está Aqui”
O primeiro trabalho solo de Alf Sá, ex vocal do Rumbora, é o exemplo perfeito da atual pluralidade que domina o rock nacional longe dos holofotes da grande mídia, com participações de peso e um som sem amarras que vai do groove ao baião sem nunca deixar de ser um álbum de rock. Mostrando potencial pra ser um frontman que deixaria Alex Turner no chinelo, Alf Sá parece mesmo se soltar e trilhar o caminho que bem quer usando a liberdade que uma carreira solo lhe concede pra fazer o ouvinte pular, dançar, bater cabeça e lamentar por amores perdidos, tudo em um só disco.

Se você curtiu essa coluna, não deixe de ouvir o RockALT! Nossos 92 programas estão disponíveis no link abaixo e o programa da semana sai sempre às quintas-feiras! https://www.mixcloud.com/rockalt/