André Frateschi resgata a essência do rock brasileiro em show no SESC Mariana

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Depois de ser a voz da Legião Urbana na turnê Legião XXX anos, André Frateschi participou do programa Popstar, da TV Globo, saindo vencedor. Na sequência, participou do Rock in Rio em uma maratona de 14 shows no palco Rock District e agora segue em turnê pelo Brasil com seu show BRock is Back – Tributo ao Rock Nacional, e foi esse o show que o artista apresentou no Teatro do SESC Vila Mariana.

A abertura do show, com “Perfeição” da Legião Urbana, com somente a banda no palco, fez com que o público presente pudesse prestar mais atenção nessa poderosa letra, como várias de Renato Russo que circularam pelo repertório. Depois vieram “Ideologia”, “Núcleo Base”, “Primeiros Erros” e “Sonífera Ilha”. Todas hits da década de 80, de longe a melhor fase do rock brasileiro. Cazuza, Ira!, Titãs e outros nomes potentes marcaram presença.

Miranda Kassin foi a convidada da noite e dividiu os vocais com o marido na canção “Fame”, clássico de David Bowie, que não poderia deixar de estar presente, mesmo sendo um repertório de rock nacional. O camaleão do rock é homenageado por André Frateschi já tem uns bons anos, através do seu projeto Heroes.

“Pra Começar”, canção da cantora Marina Lima, foi interpretado com muita garra por Miranda Kassin. Ela fez jus à sua participação especial e ainda dividiu os vocais em “Meninos e Meninas”. A canção abriu um trecho do show dedicado à Legião Urbana. Ainda tivemos “Tempo Perdido” e “Ainda é Cedo”.

O bis começou com “Hey Jude” dos Beatles, com o coro formado por uma platéia calorosa, que nesse momento já havia deixado suas respectivas poltronas. Pra fechar com chave de ouro: “Que País é Este?”, outro clássico da Legião. A canção lançada em 1987 provou o quanto sua letra é atual e poderosa.

O show apresentou a força do Rock Brasileiro, por mais que, atualmente, não esteja em sua melhor fase, tem um passado glorioso que pode, e deve, ser resgatado e apresentado à nova geração. Boa sacada do André ao realizar isso e em conjunto apresentar algumas de suas canções de seu disco solo, intitulado “Maximalista”, entre elas a ótima “Todo Homem é uma Ilha”.

Fotos: Silmara Sousa.

Almério apresenta o vigor do seu disco no show “Desempena”

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Almério é considerado uma das novas revelações da MPB, o pernambucano lançou seu primeiro disco “Almério”, em 2013, e já dividiu o palco com Johnny Hooker e Liniker no Rock In Rio 2017 e, recentemente, estreou o show “Acaso Casa”, com a cantora baiana Mariene de Castro.
O cantor trouxe ao palco da Comedoria do SESC Belenzinho o show inspirado no repertório de seu mais recente trabalho, intitulado “Desempena”, que contou com apoio do projeto Natura Musical. A abertura do show ficou a cargo da canção que também dá nome ao disco e já iniciou os trabalhos mostrando o vigor extra que o cantor adquire em suas apresentações ao vivo.

Entre os destaques tivemos “Tattoo de Melancia”, “Queria ter pra te dar” e “Do Avesso”. Algumas versões de canções de outros artistas circularam pelo repertório e foram surpreendentes, entre elas “Perto demais de Deus”, composta por Chico César e registrada em seu disco Beleza Mano”, lançado em 1997. Sua letra forte somada a interpretação arrebatadora do cantor Almério, garantiu que versos como “Essa gente é o diabo e faz da vida de deus um inferno” fossem ouvidos, ecoados e compreendidos.

“Divino Maravilhoso”, sucesso da cantora Gal Costa, também marcou presença. Sua letra politizada marcou uma geração em plena ditadura iniciada em 1964 e se mostrou bastante atual. Almério não cansou de mostrar sua insatisfação e em diversos momentos pontuou a importância de “ir para a rua” e protestar contra as atrocidades dos dias atuais.


O cantor se dividiu entre as interpretações vocais e ao mostrar seu talento com alguns instrumentos de percussão, entre eles a alfaia, presença marcante em ritmos como o maracatu e na cena musical pernambucana.
Visivelmente emocionado por estar em São Paulo, o cantor agradeceu diversas vezes pela oportunidade e pelo público presente, que ao final do show estava totalmente extasiado com o espetáculo apresentado. Vale a pena acompanhar esse nome.

Fotos e vídeo: Kláudia Alvarez e Orleans Mariano.

Isabella Taviani comemora 15 anos de carreira na Casa Natura Musical

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Na sexta, a Casa Natura Musical recebeu a cantora e compositora Isabella Taviani, na estreia da turnê nacional do show IT – 15 Anos, Eu e Você. Acompanhada por Cacá Lazzaris (bateria), Marco Brito (teclados), Felipe Melanio (guitarra e Violão) e André Vasconcellos (baixo e produção musical), neste novo show Isabella Taviani viaja no tempo em um set list recheado de seus maiores sucessos com novos arranjos.

A abertura do show ficou a cargo da canção “O Farol”, com sua letra e interpretação viscerais. Nesse momento, o palco estava com uma tela na sua borda, mostrando apenas a sombra da cantora e de seus músicos. Após o encerramento da abertura, a tela caiu e a platéia foi ao delírio.

De cara, já fomos surpreendidos pelas novas roupagens que as canções clássicas de Isabella ganharam. Destaque para a belissima “Foto Polaroid”, uma das melhores composições da cantora e que foi cantada pelo público com a mesma carga emocional que Isabella apresenta em suas apresentações ao vivo.

Com um set list repleto de hits, não faltaram momentos de total sintonia com a platéia. “A canção que faltava” causou comoção, embalada pelo navegar das mãos dos fãs. Outros sucessos como “Digitais”, “Último grão” e “Diga sim pra mim” marcaram presença.

“Letra sem melodia”, canção registrada no álbum “Diga sim”, ganhou um peso extra em sua versão ao vivo. Surpreendeu e agradou. Outro destaque foi a versão para a canção “Only Yesterday”, clássico da dupla The Carpenters, e que foi interpretada num formato voz e teclado. Emocionante!

“Luxúria”, talvez o maior hit da cantora, graças a sua inclusão na trilha sonora da novela global “Sete Pecados”, encerrou o show com a sensação de dever cumprido. Isabella fez um resgate primoroso de suas canções, satisfazendo fãs de todas as épocas de sua carreira e demonstrando a potência de uma cantora que ainda tem muito mais para apresentar.

Créditos Fotos: Felipe Giubilei

Gal Costa encerra a turnê “Estratosférica” com shows na Casa Natura Musical

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A cantora Gal Costa, apresentou o show de lançamento do DVD “Estratosférica Ao Vivo” no último final de semana em São Paulo. Este é o segundo de uma série de shows do projeto Biscoito da Casa, uma iniciativa da Biscoito Fino com a Casa Natura Musical que promove shows com o consagrado elenco de alta qualidade da gravadora. O projeto estreou com Angela Maria e as “Canções de Roberto e Erasmo” (em 17 de janeiro) e tem, entre suas próximas atrações, nomes como Angela RoRo (sexta, 2 de março), Francis e Olivia Hime e Fabiana Cozza.

Estratosférica ao Vivo não é apenas o registro de um show de Gal Costa. É, mais ainda do que isso, o retrato da artista ao alcançar os 70 anos de vida, 50 deles dedicados à música. Com direção geral de Marcus Preto e produção musical de Pupillo (Nação Zumbi), o espetáculo estreou no Teatro Castro Alves, em Salvador, em 27 de setembro de 2015, o dia seguinte ao aniversário da cantora.

O show comemora a ótima fase vivida pela cantora, que abriu a apresentação interpretando a canção “Sem Medo Nem Esperança”, que abre também a versão em estúdio do trabalho e nos presenteia com versos como “Nada do que fiz / Por mais feliz / Está à altura / Do que há por fazer”. Uma introdução ao universo estratosférico que a cantora nos conduziria noite a dentro.

No primeiro bloco do show, já tivemos a presença marcante de sucessos de sua carreira como “Mal Secreto”, “Não identificado” e “Namorinho de Portão”, essa última cuja versão feita pela banda Penélope tornou-se um hit entre os jovens expectadores da MTV Brasil no final dos anos 90.

“Cabelo” impressionou com sua versão heavy metal, enquanto Gal balançava os cabelos, levando a platéia ao delírio. “Sim Foi Você” encerrou o trecho calmo da apresentação e nos brindou com a cantora voltando as origens e tocando violão para acompanhar a canção de Caetano Veloso.

As canções do disco “Estratosférica” tiveram uma ótima aceitação e foram cantadas em peso. Destaque para o single “Quando Você Olha Pra Ela” e “Jabitacá”. “Como 2 e 2”, “Pérola Negra” e “Arara” foram a prova de que o canto de Gal estava no ponto e causou comoção entre os presentes no público. O bis ficou por conta de “Meu nome é Gal” e não foi o suficiente: os gritos de “mais um! mais um!” tomaram conta do espaço, porém, dessa vez, o público ficou na vontade.

O que vimos nessa apresentação, foi uma cantora moderna, antenada e com um repertório formado por diversos novos nomes da música brasileira ao lado de compositores já renomados e com extensa carreira. Gal, ao contrário de outras da sua geração, não parou no tempo e muito menos vive de passado. Com certeza a cantora ainda tem muito o que fazer pela música brasileira e não é a toa que inspira diversas gerações.

Set List

1. Sem Medo Nem Esperança

2. Mal Secreto

3. Jabitacá

4. Não Identificado

5. Namorinho De Portão

6. Ecstasy

7. Casca

8. Dez Anjos

9. Acauã

10. Cabelo

11. Quando Você Olha Pra Ela

12. Cartão Postal

13. Por Um Fio

14. Três Da Madrugada

15. Sim Foi Você

16. Como 2 E 2

17. Pérola Negra

18. Por Baixo

19. Arara

20. Estratosférica

21. Os Alquimistas Estão Chegando

Bis

22. Meu Nome É Gal

Fotos: Silmara Sousa

Maria Alcina levou Caetano e Carnaval para o palco do Teatro Porto Seguro

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Maria Alcina aproveitou a terça-feira de Carnaval e o excelente palco do Teatro Porto Seguro para lançar a versão em vinil de seu mais recente trabalho intitulado “Espirito de Tudo”, onde nos presenteia com versões inusitadas das canções de Caetano Veloso.

A cantora, sempre muito irreverente e com looks caprichados, impressionou com suas versões repaginadas e o excelente alcance vocal. Alcina está cantando maravilhosamente bem e a potência de sua voz fez com que canções como “Tropicália”, “Fora da Ordem” e “Os Mais Doces dos Barbaros” ganhassem um peso extra, principalmente por serem letras extremamente politizadas.

Destacaram-se as interpretações de “Rocks” e “Eu Sou Alcina”, essa canção que foi composta por Zeca Baleiro em homenagem a cantora e é a primeira faixa do seu trabalho anterior, o elogiado “De Normal Bastam os Outros”.

Ao interpretar a canção “Língua”, a cantora dirigiu-se à plateia e interagiu muito com o público presente, que por sinal ocupava todos os assentos do teatro. Nesse momento o público já estava ganho, mas Maria Alcina ainda nos surpreendeu com “Prenda o Tadeu”, “Calor na Bacurinha” e “Fio Maravilha”, hits obrigatórios em suas apresentações.

Importante citar a genialidade da banda que acompanha a cantora, liderada pelo guitarrista e diretor musical Rovilson Pascoal, o som apresentado nos remete ao apresentado pelo próprio Caetano durante a Trilogia Cê, porém temos um tempero especial que só Maria Alcina poderia incluir. Caetano deve estar orgulhoso!

Maria Alcina deveria ser presença obrigatória em todos os carnavais. O que presenciamos no palco (e na plateia) do Teatro Porto Seguro foi uma cantora segura, com um excelente domínio de espaço e extremamente agradecida por viver esse momento especial. Importante ressaltar o trabalho do produtor Thiago Marques Luiz, responsável pelos últimos lançamentos da cantora e que colocou Maria Alcina novamente no lugar de destaque que ela merece.

Fotos: Edson Lopes Jr. 

Humberto Finatti e a sua “Escadaria para o Inferno”

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Humberto Finatti é um personagem impar da cena musical brasileira. O jornalista começou na imprensa musical em 1986 e passou pelas redações (como repórter ou colaborador) de revistas como Somtrês, IstoÉ, Bizz, Interview e Rolling Stone Brasil, e também pelos jornais O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Folha da Tarde, Folha de São Paulo e Gazeta Mercantil. Atualmente é conselheiro edital da ONG Associação Cultural Dynamite e editor do site de cultura pop Zap’n’roll (www.zapnroll.com.br )

Em novembro do ano passado, Finatti lançou seu primeiro livro, intitulado “Escadaria para o inferno”, numa agradável noite de autógrafos realizada na Sensorial Discos, com shows das bandas Psychotria, Jonnata Doll & Os Garotos Solventes e Jenni Sex. O jornalista conversou sobre seu livro, jornalismo musical, financiamento coletivo e redes sociais. Confira:

– Depois de tantos anos e histórias no jornalismo musical, você nos brinda com a publicação do seu primeiro livro “Escadaria para o inferno”. Como surgiu essa idéia?

É um projeto que começou a ser gestado há alguns anos já. Na verdade eu tive uma existência pessoal e profissional bem maluca (risos). E não foi que eu quis ter vivido dessa forma, eu não planejei viver assim. As coisas simplesmente foram acontecendo ao longo da minha vida. Sempre tive uma formação intelectual sólida (por conta da mãe artista plástica e do pai publicitário) e uma educação bastante liberal em casa, em termos comportamentais. De modos que já na adolescência (por volta dos 16 anos de idade) comecei a enfiar o pé na lama em álcool e maconha (risos). E quando comecei no jornalismo em 1986, com 23 anos de idade, esse comportamento algo loki continuou me acompanhando. Vai daí que ao longo de três décadas atuando na grande imprensa como jornalista da área de música e cultura, comecei a colecionar uma série de histórias verdadeiramente malucas, algumas quase surreais de tão inacreditáveis. E todas existiram e aconteceram de fato, isso que é o mais incrível (risos). Histórias envolvendo consumo pesado de álcool, drogas (especialmente cocaína), sexo desenfreado etc. E muitas dessas histórias envolvendo gente conhecida do rock brasileiro e até internacional. Aí passamos então ao detalhe que me motivou a pensar no livro: toda vez que eu mencionava ou contava algumas dessas histórias para alguém, a reação era sempre a mesma: espanto total e a frase inevitável “isso dá um livro e você precisa escrever ele!”. Foi aí que, há uns 4 anos já, fiz uma primeira versão desse livro. Uma versão meio “preguiçosa” eu diria, pois resolvi apenas compilar uma série de posts do meu blog, o Zapnroll (um dos 4 mais acessados da web BR na área de rock alternativo e cultura pop, há 15 anos no ar já e com cerca de 70 mil acessos mensais), tal como eles foram publicados e onde eu invariavelmente contava essas histórias malucas. Reuni esse material e percorri algumas editoras pequenas, mostrando o que havia compilado. Foi quando o Marcelo Viegas, amigo meu há mais de 15 anos e ex-diretor editorial da Ideal Edições, um dia veio falar comigo me dando o toque: “Finas, o material é muito bom mas acho que você deveria mudar o foco da apresentação dele. Ao invés de reproduzir num livro exatamente o que você já postou no seu blog, seria muito mais interessante você pegar essas histórias malucas e reescrevê-las em forma de contos/crônicas curtas, romanceando um pouco o texto mas mantendo a essência e a narrativa factual do que rolou com você”. Segui o conselho dele e mudei tudo na parte narrativa do livro. Foi assim que ele nasceu tal como foi publicado e posso dizer que fiquei bastante satisfeito com o resultado.

– Fale um pouco sobre o processo de assinar com a Editora Kazuá. Como chegou até eles e como foi a recepção com o seu trabalho?

Outra looooongaaaaa história (risos). Foram três anos enviando os originais do livro para algumas editoras. Algumas sequer retornaram meu contato. Uma adorou e queria publicar mas não tinha dinheiro para bancar a impressão e queria que eu enfiasse a mão no meu bolso nesse sentido, sendo que ela cuidaria da divulgação, vendas e distribuição. Eu disse que não tinha como bancar (e não tinha mesmo, sou um jornalista loki e falido aos 5.5 de vida e que vive com a corda no pescoço (risos)) e que buscava justamente uma editora que acreditasse no livro e bancasse os custos de produção e impressão do mesmo. Uma segunda editora também se animou mas achou o conteúdo algo “pesado” demais (risos) e queria mudar muita coisa na narrativa dos capítulos, inclusive sugeriu um título menos “sinistro” para a obra, hihi. Recusei, óbvio, pois não queria mudar uma vírgula no que concebi de texto para ser publicado. Foi quando entrou finalmente em cena a Kazuá, selo modesto da capital paulista mas que possui um grande apuro e cuidado gráfico e editorial com o acabamento final de cada lançamento deles. Cheguei até a editora através de um amigo de muitos anos, um músico e professor universitário de Letras e que iria lançar (lançou, no final do ano passado) seu terceiro livro de poemas pela Kazuá. Um dia, tomando uma cerveja com ele, me disse: “Finatti, acho que achei o lar ideal para o seu livro. Procura o Evandro, dono da Kazuá e por onde vou publicar meu novo livro, e explica pra ele o que é o seu livro. Ele vai abraçar a ideia, com certeza”. E assim foi: liguei um dia pra lá, pra falar com o Evandro. Esse meu amigo já tinha falado também com ele ao meu respeito. Expliquei o que era o livro, como foi minha trajetória no jornalismo etc. Marcamos um encontro pessoal e fomos tomar umas cervejas num dia à noite. Ao final desse encontro o Evandro, um gaúcho altão e que é formado em filosofia e cinema, me disse: “confio em você e no livro. Vamos publicar ele”. Isso foi em outubro do ano passado. No meio de novembro o livro estava pronto. E eu gosto da turma da editora porque eles pensam como eu, comportamentalmente, socialmente, culturalmente e ideologicamente. Turma maluca da porra (risos). A diretora de arte é uma gatona de 30 e poucos anos de idade, toda tatuada e que toca guitarra. A outra editora é uma gaúcha quase sessentona, atriz de teatro e loki também (risos). O Evandro é um maluco ao cubo e inteligentíssimo. E todos, claaaaaro, são politicamente de esquerda, odeiam esse (des) governo de merda ao qual todos nós estamos submetidos nesse triste momento do país tropical não abençoado por nenhum deus (risos). Posso dizer que hoje dou razão ao meu amigo músico, poeta e professor: encontrei o melhor lar editorial que poderia para publicar o livro. Claro, há sempre uma rusga aqui e ali, alguns arranca-rabos acontecem eventualmente entre eu e a editora. Qual relação de amor, amizade e profissional onde nunca sai uma briguinha? Mas são encrencas pontuais e que rapidamente se resolvem com uma boa conversa.

– Quando você anunciou a publicação do seu primeiro livro, a repercussão na internet foi enorme. Como foi receber isso? Esperava um retorno tão rápido?

Foi mesmo enorme? (Risos) Se você está dizendo… (risos). Falando sério, sim, a repercussão foi muito boa, mas precisa melhorar ainda mais (risos). E recebi isso sem expectativa na verdade. Achei que alguma repercussão com certeza haveria, afinal eu sou um jornalista bastante conhecido (sendo que metade da humanidade me ama, a outra metade me odeia (risos)) na minha área de atuação e ao longo dos anos fui colecionando amigos (alguns bem famosos como os meninos da banda Ira!, o Frejat que foi durante 30 anos vocalista e guitarrista do Barão Vermelho, o Clemente dos Inocentes, o músico e apresentador de TV João Gordo etc, etc, além de muitos anônimos) e inimigos na mesma proporção. Então eu sabia que iria repercutir de alguma forma e em algum momento, mas não sabia qual seria o tamanho dessa repercussão. Como na real não sei ainda até onde esta repercussão chegará.

– “Escadaria para o inferno” reúne muitas histórias envolvendo celebridades. Sofreu algum tipo de censura por parte dos envolvidos? Alguma história prevista inicialmente ficou de fora?

Por partes: primeiramente nope, nenhuma das “celebridades” mencionadas nas histórias do livro se incomodou, ao menos até o momento. Um exemplo: quando eu estava com o livro pronto e oferecendo o dito cujo a editoras, fui num show do Ira! Depois da apresentação da banda, já no camarim, comentei com o Nasi (vocalista do grupo e meu amigo pessoal há pelo menos 35 anos) que uma das histórias que eu narrava em um dos capítulos havia rolado na casa dele, durante uma entrevista que fui fazer com ele, isso lá por 1993 (lá se vão 25 anos…). Perguntei se ele se incomodava em eu contar essa história. A resposta dele: “de forma alguma. Todo mundo sabe como foi minha vida e tudo o que rolou comigo eu mesmo já contei na minha biografia”. E ainda completou, rindo: “aliás Finatti, eu já levei alguns processos por conta da minha biografia. E você, está com quantas ações judiciais nas costas?”. (risos) Fora ele há episódios envolvendo gente como o americano Evan Dando (que foi vocalista dos Lemonheads) e o “pai dos punks”, o John Lydon (que um dia foi Johnny Rotten, quando cantou nos Sex Pistols). Mas como duvido que algum dia eles cheguem a ter conhecimento do livro… por fim tem mr. Lobão, né? (risos) Sobre minha briga com ele e como eu a mostro no livro (dedicando palavras e comentários nada abonadores ao músico), chegou a haver um certo receio por parte do departamento jurídico da Kazuá, quando eles leram os originais. Mas como o Lamartine, diretor jurídico da editora, também é do rock (risos), ele um dia me disse durante uma reunião com ele: “foda-se, vamos em frente e seja o que Deus quiser”. Segundamente: olha, tenho uma tonelada de histórias bizarras que rolaram comigo ao longo da minha trajetória profissional. E essas histórias dariam com folga mais uns 2 ou 3 livros. Mas a prioridade nessa estreia literária era fazer relatos de casos em que me envolvi com gente muito conhecida, até pela questão de marketing editorial, certo? Afinal as pessoas gostam de saber de “fofocas” envolvendo gente conhecida, né. É da natureza humana ser assim, ter essa curiosidade pelos bastidores “sórdidos” (risos) de quem é famoso. Posto isso, selecionei e escrevi 20 capítulos redondos. Poderia ter sido mais mas eu queria que o livro tivesse isso, 20 capítulos. De modos que ficaram de fora dois capítulos que podem muito bem entrar como adendo numa segunda edição/reimpressão do livro, se ela acontecer. São dois capítulos também muito engraçados. Um deles conta o “pelé” que dei uma vez numa entrevista marcada com o genial e querido Tom Zé, sendo que eu iria entrevistá-lo para fazer uma matéria para a célebre revista Bizz. Pois na véspera da entrevista fui pra “night” e enfiei o pé na lama, claro. No dia seguinte eu estava literalmente fora de combate e a entrevista foi pro saco, ahahahaha. Tive que ligar pra ele, inventei uma história de que havia passado mal de saúde (o que não deixou de ser verdade, hihi) e felizmente consegui remarcar a entrevista, sendo que na segunda tentativa não furei e deu tudo certo (risos). A outra história que ficou de fora foi um bate-boca que tive com o Lulu Santos ainda no comecinho da minha carreira de jornalista. Foi durante uma entrevista coletiva com ele onde eu perturbei o cantor carioca o tempo todo, ahahaha. Perturbei tanto que a ex-mulher dele, a finada Scarlet Moon, perdeu a paciência comigo e disse: “se você não parar de provocá-lo vou pedir que se RETIRE da sala!”. Levantei no mesmo instante e respondi: “não precisa pedir, já estou de saída”. E levantei e fui embora, ahahahaha.

– O guitarrista e co-fundador da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos, disse num comentário sobre você “Às vezes ele é um imbecil, mas necessário. O último jornalista do Rock”. Concorda com a afirmação? O que você acha que o motivou para tal afirmação?

ahahahaha, eu sei exatamente o que motivou esse comentário dele (a frase dele foi dita pro meu queridíssimo amigo pessoal e músico Jonnata Araújo, vocalista da banda Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, uma das poucas bandas que valem a pena no atual cenário rock alternativo BR; e o “Joninha” me contou depois sobre a declaração dele e achei que a mesma cairia bem na contra-capa do livro). Na real conheço o Dado desde que a Legião começou e lançou seu primeiro disco, no final de 1984. No auge da banda e quando eu trabalhei na revista IstoÉ, chegamos a ser bem próximos, embora eu tenha sido de fato amigo do Renato Russo. Pois bem. Renato se foi, a Legião idem e Dado seguiu em frente, tocando seus projetos musicais solo, cuidando de um selo independente (o Rock It, que não existe mais) etc. Até que lá por 2009 ele lançou um disco solo, que era trilha sonora de um filme nacional (não me lembro agora o nome, acho que era “Lisbela e o prisioneiro”). O cd veio parar na minha mão e fiz a resenha dele para a revista Rolling Stone Brasil, onde eu estava colaborando. E na resenha falei que o disco era ok musicalmente mas que não dava pra tangenciar o fato de que Dado NÃO nasceu pra CANTAR – ele cantava (canta) em duas faixas do cd (se me lembro bem) e de maneira bastante sofrível, eu diria. E ele ficou realmente PUTO quando leu aquilo e levou anos pra me desculpar, ahahaha. Aliás nem sei se desculpou (risos). Chegou a me mandar um e-mail (que tenho guardado até hoje) me espinafrando por causa da resenha publicada na RS. Mas enfim, nos reencontramos tempos atrás quando ele lançou sua auto-biografia, e ele me tratou com simpatia. Até tiramos uma foto juntos, ahahaha. E se concordo com o que ele disse ao meu respeito? Ora, quem nunca foi um IMBECIL em algum momento de sua vida? Então eu concordo (risos). Fora que é uma ótima frase de efeito e que mereceu entrar na contra capa do livro (risos).

– Humberto Finatti é uma lenda na cena musical. Você divide opiniões entre os que te amam e os que te odeiam. Como lida com isso?

Hoje em dia procuro lidar da melhor forma possível (risos). É a velha questão de você se tornar uma persona pública, né – e jornalistas, a partir do momento que expõem suas opiniões sobre algum assunto para que pessoas o leiam em algum veículo de mídia (impressa, virtual, seja o que for), se tornam personas públicas. E angariam amor e ódio, simpatia e antipatia em proporções equânimes, e de quem sequer conhecemos pessoalmente. De modos que hoje em dia lido bem com essa dualidade de opiniões sobre o que faço e escrevo. Mas houve uma época, há uns dez anos eu diria, que era foda. A perseguição em cima de mim chegou a ser tão cruel e violenta que até comunidade no falecido Orkut criaram, com o objetivo de me foder o mais que pudessem. Era uma comunidade repleta de fakes, de postagens anônimas, e onde ninguém tinha coragem de mostrar a fuça para dizer o que dizia ao meu respeito mostrando a cara. Me xingavam de tudo ali (risos). E inventavam as maiores barbaridades e bizarrices ao meu respeito. Teve uma época que aquilo chegou a começar a me fazer mal, emocionalmente falando. Mas como tudo acaba um dia, o Orkut foi pro saco e com ele também a tal comunidade. Mas aquilo no final das contas foi um aprendizado pra mim e me ensinou a lidar melhor com esse tipo de situação e com criticas e comentários negativos ao meu respeito. Também fizeram um Twitter falso meu, que no fundo era até divertido e eu dava muita risada com alguns tuites (risos). Agora como esse bando de covardes e cuzões não têm mais onde latir contra mim na covardia (assinando com perfil fake), eles vivem tentando me insultar no painel do leitor do meu blog, o Zapnroll. Só que lá eles se fodem porque eu é quem modero os comentários e então somente eu posso lê-los na íntegra, editá-los e publicá-los, se eu quiser. E acredite, pinta cada asneira e vomitório imundo lá que chega a me espantar. Fico espantado com o nível de inveja, psicopatia e ódio gratuito (e covarde, é sempre bom frisar, já que quem manda esse tipo de mensagem escrota nunca se identifica com o nome verdadeiro) dos caras. É assustador às vezes.

– Você transitou entre as mais renomadas publicações musicais do Brasil. Como você descreve o jornalismo musical atual?

Eu e mestre Luis Antonio Giron (o autor do prefácio do meu livro, atual editor de Cultura da revista IstoÉ, um dos maiores nomes do jornalismo cultural brasileiro e quem carinhosamente me abriu as portas do Caderno 2 do jornal Estadão, quando trabalhei lá em 1988) temos a mesma opinião: o jornalismo cultural/musical acabou. Morreu na era da web. Hoje qualquer um tem blog e posta suas opiniões (na maioria das vezes completamente rasa, estúpida e sem profundidade e conhecimento algum do que se está opinando) em qualquer lugar, no FaceTRUQUE etc. Talvez eu tenha feito parte (e com orgulho digo isso) da última grande geração do jornalismo cultural brasileiro, aquela que teve o próprio Giron, o Fernando Naporano, André Forastieri, André Barcinski, Ademir Assunção, Alessandro Gianini, Luiz Cesar Pimentel (autor do texto que está na “orelha” do meu livro) e mais alguns poucos. Todos queridos amigos meus, inclusive. Foi uma geração que se formou solidamente na questão cultural/intelectual, que possuía um texto brilhante e que buscava se informar e se formar lendo toneladas de livros de importância capital na literatura mundial, assistindo clássicos cinematográficos aos montes e ouvindo todos os grandes discos que importavam e importaram na história da música, especialmente na MPB e no rock. Hoje tudo isso acabou, né. As pessoas possuem toda a informação do mundo nas mãos, ao alcance de um click no computador ou no celular, e no entanto só ficam obcecadas em postar e ler imbecilidades no FaceCU, no Twitter e no whats porra app. Assim ninguém se aprofunda em nada e isso se reflete na cultura pop e na música atual, que nunca esteve tão irrelevante e ruim, qualitativamente falando. Não é à toa também que, pouco antes de morrer, o gênio e filósofo italiano Umberto Eco disparou uma frase que já se tornou um clássico do pensamento da era da internet: “a era da web produziu uma legião de IDIOTAS”. Simples assim.

– Você sempre levantou a bandeira do rock e ajudou a impulsionar a carreira de vários novos nomes. Como você encara isso? Se sente reconhecido pelos nomes que impulsionou?

Sempre encarei de maneira normal e como fazendo parte do meu oficio como jornalista. Claro que sempre amei e continuo amando rock, de modos que eu unia e uni o útil (minha paixão pelo rocknroll) ao agradável (trabalhar como jornalista), mesmo que isso não tenha lá me trazido grande retorno financeiro. Se me sinto reconhecido pelo que fiz e por ter ajudado um monte de bandas? Sim e não. Sim, porque fiz ótimas amizades no meio e que sempre têm um carinho enorme por mim. E não porque observo que o ser humano está mais egoísta e individualista do que nunca nos tempos atuais. Então o que mais continuo recebendo quase todos os dias são pedidos de bandas (por e-mail, pelo FB) para que eu ouça o trabalho delas, dê uma força e tal. Mas basta eu precisar de uma força igual de algum artista (como no caso do financiamento coletivo que acabei de abrir para levantar uma grana que me permita cobrir os custos de novas noites de lançamento do livro, que precisarei fazer o mais breve possível) que todo mundo literalmente some.

– Quem te acompanha nas redes sociais sabe que sua relação com a internet parece conturbada. O que te incomoda na rede e como mudar?

Já sou um sujeito “véio”, Hani fofo (risos). E como tal sou cada vez mais rabugento, ranzinza, azedo e avesso a tecnologia e redes sociais, aplicativos, smartphones etc, sendo que tenho tudo isso porque sou praticamente obrigado a ter e a utilizar essas ferramentas, por conta do meu trabalho como jornalista, blogueiro e agora também escritor. Mas faço minha a frase dita pelo personagem Paterson, do filme homônimo (belíssimo por sinal, o mais recente dirigido pelo genial Jim Jarmush): “o mundo era melhor sem smartphones”, hahahaha. E era mesmo: as pessoas se encontravam mais pessoalmente, rolava mais paquera de verdade, amigos iam em grupos ao cinema, a shows, museus, exposições, teatros, em baladas, beber nos bares e restaurantes. Hoje você reúne uma turma de, vá lá, quatro amigos, e sai com eles pra ir tomar uma breja por exemplo. Dali a pouco você olha em volta na mesa em que você está com esses amigos (onde quer que seja) e cada um está lá, com seu celular na mão, completamente absorto nele e alheio ao resto, e teclando freneticamente nos apps ou em alguma rede social, e que se foda quem estiver ao lado dele (risos). Na verdade a internet e as redes sociais são uma ferramenta e tanto de comunicação, interação e divulgação para tudo, não há dúvida quanto a isso. O que me irrita nela e a falsidade, o mundo ilusório e do faz de conta, onde todos são mega felizes e estão de bem com a vida em todos os sentidos, o tempo todo. Ou seja: todo mundo querendo fazer INVEJA uns nos outros, sendo que sabemos que a humanidade está longe de ser esse paraíso idílico e total cor-de-rosa. Muito pelo contrário: o mundo e o Brasil estão passando por momentos sinistros ao cubo, com crises de toda ordem. Fora a gigantesca onda moralista babaca, conservadora e reacionária ao extremo que está tomando conta da sociedade aqui e lá fora, e levando a raça humana a níveis de (in) civilidade dignos da Idade Média, isso em pleno século XXI. Então eu não caio nessa onda de que tudo é lindo e todos são felizes e estão super de bem com a vida nas redes sociais mais falsas que Judas (risos). Pelo contrário, sou um inimigo feroz desse tipo de atitude e comportamento digital. Daí minha birra com redes sociais e afins. Como melhorar esse panorama? Sinceramente acho muito difícil que ele melhore, pelo menos a curto prazo.

– Essa semana foi lançado um financiamento coletivo visando arrecadar fundos para realizar novos lançamentos do livro “Escadaria para o inferno”. Como você enxerga o financiamento coletivo? Acha que é a solução num cenário cada vez mais independente?

Não sei se é a solução ideal, mas é a que tenho nesse momento. E estou torcendo para que dê certo porque estou realmente precisando (risos). Por isso aproveito para pedir que todos me deem essa força e colaborem com esse financiamento coletivo que lancei.

– Tenho certeza que existem mais histórias em suas gavetas. Cogita dar continuidade e lançar um novo livro? Quais seus planos profissionais?

Parte dessa pergunta (das histórias que ainda tenho pra contar) já está respondida mais aí em cima (risos). Meus planos profissionais? Ahahahahaha, ganhar na mega sena, comprar uma casa na praia, outra em São Thomé Das Letras, sumir de São Paulo e ir morar na Islândia, meu sonho de consumo (risos). E lá passar o que me resta de vida curtindo frio intenso (amo!) eterno, uma linda islandesa, vinho e marijuana diariamente. Se eu conseguir isso, será ótimo e irei embora desse hospício chamado Terra plenamente satisfeito (risos).

Para colaborar com o financiamento coletivo lançado pelo autor, acesse: https://www.kickante.com.br/campanhas/lancamentos-do-livro-escadaria-inferno

Foto: Jairo Lavia

Tecnomacumba: 15 anos de festa e fé embalados por Rita Benneditto

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Rita Benneditto é uma das mais criativa e talentosa intérprete da MPB contemporânea. Considerada por Caetano Veloso como “a cantora que impressiona pela voz encorpada, de timbre cheio e naturalidade na afinação”, Rita é também a idealizadora do projeto Tecnomacumba, uma intervenção cultural que reafirma a importância da cultura africana na musica brasileira através da fusão dos cantos de terreiro com a eletrônica. Tecnomacumba em 2018 completa 15 anos, e a cantora realizará uma turnê pelas principais cidades brasileiras, para reafirmar a importância da valoração da cultura afro-brasileira.

A turnê teve inicio no último final de semana na Comedoria do SESC Pompeia e teve seus ingressos esgotados para as duas sessões. A apresentação começou com a cantora sozinha na percussão interpretando a canção “Divino”, em seguida a banda Cavaleiros de Aruanda juntou-se e o clima começou a esquentar com “Saudação – Abertura”. O público presente vibrava e saudava com a cantora as entidades homenageadas na música.

Tecnomacumba é também um resgate da música brasileira, foi responsável por apresentar ao público mais novo a canção “Cavaleiro de Aruanda”, gravado por Ronnie Von em 1972, e que foi o carro-chefe no inicio da Tecnomacumba. “Babá Alapalá” de Gilberto Gil, impressiona pelo peso da guitarra inserida na canção.

A saudosa Clara Nunes se fez presente, com as versões de Rita para os clássicos “Deusa dos Orixás” e “Coisa da Antiga”. Aliás, podemos considerar a Clara como uma inspiração para o Tecnomacumba, pois a cantora atingiu o grande público promovendo a cultura religiosa africana em suas canções e nos seus famosos video clipes produzidos pelo Fantástico nas décadas de 70 e 80.

Também destacaram-se as canções “É D’Óxum”, “Oração ao Tempo”, “Jurema” e “Iansã”. Ao interpretar “Cocada” saudando as crianças, a cantora aproveitou para realizar um discurso sobre mudança. Segundo ela, 2018 será um ano regido por Xangô e devemos aproveitar isso para realizar a mudança que desejamos ao nosso país. Não faltaram manifestações da plateia, insatisfeitos com o atual cenário político brasileiro.

“Tambor de Crioula” apontava para o final da apresentação mostrando a cultura musical maranhense. O bis ficou por conta de “Canto pra Oxalá” e após uma rápida troca de saia, Rita Benneditto encerrou cantando para a Pomba Gira versos que diziam “é só pedir que ela dá”, e dando a oportunidade de algumas pessoas presentes na platéia manifestarem seus desejos.

Se for pra pedir, peço que Tecnomacumba continue circulando pelo país com essa turnê comemorativa e que chegue em locais que ainda não tiveram o prazer de acolher o projeto. Manter um show em circulação por 15 anos não é uma atividade corriqueira e muito menos simples. Rita, junto com sua irmã Elza Ribeiro, são idealizadoras desse projeto, e foram responsáveis pelo excelente trabalho de resgate, e mais que isso, deram voz a uma grande parcela da nossa população.

Fotos: Riziane Otoni 

Vídeo: Klaudia Alvarez

Gal Costa e o poder da sua voz no show “Espelho d’Água”

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A cantora Gal Costa realizou no último final de semana mais uma temporada de shows no teatro do SESC Vila Mariana. Dessa vez o espaço abrigou o show intitulado “Espelho d’Água”, onde a cantora é acompanhada somente por Guilherme Monteiro no violão/guitarra.

Sempre muito sorridente, a cantora esbanjou simpatia ao interagir com o público contando um pouco sobre como foi seu encontro com o músico e a ideia de concepção desse show. Guilherme substituiu o guitarrista Pedro Baby em uma apresentação da cantora, que naquela ocasião divulgava a turnê “Recanto”. Gal disse que o primeiro contato deles foi direto na passagem de som, e quando Guilherme começou a tocar e criou aquela “cama harmônica” ela deitou, gozou e pensou “quero fazer algo com esse cara”.

Desde então a dupla percorre o país com o “Espelho D’Água”, cujo repertório emblemático foi concebido em parceria com o diretor musical Marcus Preto. No repertório não faltaram canções fundamentais na carreira de Gal, com destaque para “Baby”, “Vaca Profana”, “Tigresa” e “Você não entende nada”.

Gal apresentou sua excelente versão para “It’s All Over Now, Baby Blue”, canção de Bob Dylan cujos versos em português foram escritos por Caetano Veloso em parceria com Péricles Cavalcanti e foi lançada em 1977 no disco “Caras e Bocas”. Uma ausência sentida foi da canção “Espelho d’Água”, que dá nome ao show e foi composta especialmente para Gal Costa por Marcelo Camelo em parceria com seu irmão Thiago Camelo.

“Sua Estupidez”, canção da dupla Roberto Carlos & Erasmo Carlos, emocionou a plateia presente. É impressionante ver a forma como Gal se relaciona com o público. Devemos ser gratos pelo privilégio de assistir uma cantora tão segura, com mais de 50 anos de carreira, e que continua renovando seu público, atraindo jovens para seus shows e esgotando ingressos por onde passa.
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Fotos: Riziane Otoni 

BaianaSystem abre programação musical de 2018 do SESC Pompeia

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Em circulação com a turnê do disco “Duas Cidades” (2016), o grupo BaianaSystem ocupou o palco da Comedoria do Sesc Pompeia entre os dias 4 e 6 de janeiro, em uma série de três shows que abriu a programação musical da unidade em 2018.

Além de tocar o mais recente disco, a banda soteropolitana criada em 2009 propõe novas inserções sonoras, trechos instrumentais inusitados e as mais recentes faixas “Capim Guiné” (com Titica e Margareth Menezes), ”Invisível” e “Forasteiro”. Para esses shows, BaianaSystem convidou o rapper carioca BNegão, parceiro de longa data e artista homenageado em “Duas Cidades”. Além dele, também subiram ao palco Flora Matos e Rico Dalasam.

Mais do que um simples show, a apresentação da BaianaSystem é uma verdadeira experiência audiovisual, com seus telões e projeções que dialogam diretamente com os temas abordados pelo grupo em suas composições. A distribuição de máscaras para o público presente garantiu a sincronia com o projeto gráfico da banda.

Russo Passapusso demonstra um domínio absurdo de palco, além de ocupar todos os espaços existentes, o vocalista interage com a plateia e levanta questões importantes, na apresentação do dia 05 de janeiro o cantor questionou a nossa relação com a América Latina e o distanciamento do Brasil com os demais países latinos.

Musicalmente falando, a performance do grupo impressiona com a sua mistura de riffs da guitarra baiana, os beats do combo e o peso da bass culture com o tempero baiano: a palavra das ruas para as ruas. As participações especiais, totalmente integradas com a proposta da banda, elevaram os shows realizados no SESC Pompeia.

Essa temporada provou porque a BaianaSystem tem sido um dos nomes mais comentados no cenário musical brasileiro. “Duas Cidades” já se tornou um disco clássico, agora é momento de curtir o restante dessa turnê e aguardar os próximos passos na carreira do grupo.

“Acaso casa” celebra o encontro de Mariene de Castro e Almério

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Realizado no último sábado na Casa Natura Musical, o show intitulado “Acaso casa” reuniu dois talentosos nomes da Música Popular Brasileira: Mariene de Castro e Almério. Mariene lançou seu primeiro disco, o excelente “Abre Caminho”, em 2005, mas foi somente em 2013 que a cantora surgiu para o grande público, quando interpretou a saudosa Clara Nunes no show que deu origem ao CD e DVD Ser de Luz”. Almério lançou neste ano seu segundo disco “Desempena” e garantiu ótimas avaliações da crítica especializada e já aparece nas listas de melhores lançamentos de 2017.
O primeiro encontro dos artistas aconteceu num sarau realizado na casa de José Maurício Machline, o nome por trás do Prêmio da Música Brasileira. A sintonia foi imediata e ali mesmo surgiu a ideia do show, que tem a direção do próprio José Maurício. ‘Numa reunião em casa onde vários amigos deram canja, os dois se conheceram e se afinaram de forma inusitada, inclusive no que diz respeito ao tom, que muitas vezes entre homem e mulher é muito difícil. Ter escutado e visto a emoção que eles tiveram na união do canto foi uma coisa que contagiou a quem os assistia, mas principalmente aos dois cantores que se emocionaram de alguma forma que as lágrimas caíam em forma de música’, conta Machline. Em tom intimista, os cantores são acompanhados por dois violões e um acordeom, e nos levam a um show repleto de emoções e lembranças, mergulhando num repertório que canta principalmente a história do interior nordestino brasileiro, aliado ao belo cantar carregado de sotaque dos nossos protagonistas.

O roteiro do show é bem dividido, mesclando números em dupla e solos. Almério destacou-se na primeira parte do show, principalmente ao interpretar “Fala” do grupo Secos & Molhados. A plateia foi ao delírio e manifestava-se mesmo antes do término da canção. Do seu elogiado “Desempena”, Almério só cantou “Segredo”, mas ao dividir a canção em coro com o público, temos a certeza do potencial do cantor, que impressiona com sua performance nos palcos.

Mariene de Castro parecia um tanto quanto contida nessa apresentação, mesmo quando cantou alguns de seus sucessos como “Amuleto de Sorte” e “Ser de Luz”. Ao interpretar “Antes do mundo acabar”, parceria de Zélia Duncan com Zeca Baleiro, a cantora dedicou a música à Zélia, sua “irmã de alma”. Foi só ao cantar “Tirilê” que Mariene despertou e entregou aquilo que estamos acostumados a presenciar em seu shows, pediu ajuda da plateia nas palmas e girou muito no palco. Por mais que tenha sido um lindo momento, ele serviu para provar talvez a maior ausência do show: percussão, já que o batuque é presença constante no repertório de ambos.
O encerramento com “Canto de Ossanha” resume todo o potencial desse encontro, que merece ser alinhado e viajar pelo país.

Fotos: Felipe Giubilei