“A Vida Marinha Com Steve Zissou” (2005): Wes Anderson, Seu Jorge e David Bowie

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The Life Aquatic With Steve Zissou – (A Vida Marinha Com Steve Zissou)
Lançamento – 2005
Direção – Wes Anderson
Roteiro – Wes Anderson, Noah Baumbach
Elenco Principal – Bill Murray, Owen Wilson e Anjelica Huston

Na mesma estética de todos os filmes do Wes Anderson, esse conta a história dum diretor de documentários marítimos, meio canastrão, com um filho perdido que o encontra e que passa a trabalhar junto com a tripulação, gravando um filme sobre um tubarão. Ainda com conflitos com sua mulher, com alguns membros da sua equipe e com um outro “documentarista marítimo”, o capitão/diretor interpretado pelo Bill Murray é sempre triste e irônico, com a comédia cínica dos filmes do Wes Anderson.

Contudo, o ponto alto nesse caso definitivamente não tá na história ou no desenvolvimento das personagens. O Seu Jorge no papel de um dos marujos/documentaristas é quem dá o toque especial aparecendo vez ou outra na tela, com seu violão e as músicas do Ziggy Stardust traduzidas pra nossa língua lusitana! Tendo descoberto o ator no filme Cidade de Deus, Wes Anderson ainda não sabia de sua fama musical e ficou surpreso ao descobrir quando o Seu Jorge chegou nas filmagens que ele é um músico importante aqui no Brasil.

Tendo sido elogiadas pelo próprio camaleão do rock (“Se Seu Jorge não gravasse minhas músicas em português, eu nunca teria ouvido este novo nível de beleza que ele colocou nelas”) as faixas são todas traduções do próprio ator brasileiro com a exceção de “Starman“, que aparece no filme na versão do Nenhum de Nós, mas tocada também pelo Mané Galinha.

De resto, vale a pena dizer que após o filme, o Seu Jorge gravou um dico sob o título de “The Life Aquatic – Studio Sessions”, com as músicas do filme e ainda mais algumas do Bowie em suas versões.

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha Sonora:

Blues Brothers (1980) – batidas de carro, blues e várias outras coisas

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Blues Brothers (Irmãos Cara de Pau)
Lançamento: 1980
Direção: Jonh Landis
Roteiro: Dan Aykroyd e Jonh Landis
Elenco Principal: Jonh Belushi e Dan Aykroyd

 

Talvez um dos musicais mais icônicos (pelo menos dos que já vi…) esse filme é de encher os olhos pra quem curte um blues e de cuspir água em risadas absurdas pra quem curte uma comédia bem B (pra quem como eu curte os dois, esse é dukaralho!). Os Irmãos Jake e Elwood Blues, ambos órfãos e criados num orfanato de freiras onde aprenderam tudo com um senhor que vive lá cuidando da casa (o senhor é o próprio Cab Calloway, o cara do “Minnie the Moocher“). Acontece que o lugar vai ser fechado por dívidas e frente a isso, os irmãos resolvem fazer um grande show pra arranjar a grana. O filme conta então, toda a história de como eles cruzam os EUA em busca dos membros da antiga banda deles (todos interpretados por gente realmente de peso no cenário do Blues da década de 80).

Cheio (tipo, muito cheio!) de Blues da melhor qualidade, o filme passa por vários estilos, com músicas que vão desde o folk/country da abertura de “Rawhide”, até a bebop “Minnie the Moocher”, passando pelo gospel do James Brown, “Can You See the Light”. E lógico que, cada um desses sons conta com algum nome de peso: além dos já citados Cab Calloway e James Brown, ainda temos Ray Charles com “Shake A Tail Feather”, Aretha Franklin com “Think” e o Jonh Lee Hooker com sua icônica “Boom Boom”.

Mas isso não é tudo! Tem também a galera da banda, todos músicos incrivelmente fodas!

Steve Crooper, o guitarrista que foi considerado pela Rolling Stone o 39° maior guitarrista; o baixista Donald “Duck” Dunn, que junto com Crooper, integrou a banda Booker T. & the M.G.’s.; Murphy Dunne, o pianista que fundou o “Chicago Free Music Programa“; o baterista Willie Hall tocou com o Bar-Kays banda e mais tarde ingressou na Stax Records onde ele se juntou com o Steve e o Donald na sua banda; Tom Malone, o do trompete, se formou junto com o colega Lou Marini, este que, por sua vez, toca o sax no filme e foi saxofonista da banda do Billiy Preston; Matt Murphy, o guitarrista que chegou a tocar com Howlin Wolf e Chuck Berry; e por último Allan Rubin, o trompetista que saiu da Julliard School aos 20 anos para tocar com Robert Goulet.

Ainda como curiosidade, vale falar da participação da Carrie Fisher como namorada psicopata e o fato de que na lista de filmes com mais carros destruídos, esse ocupa o sétimo lugar, tendo destruído 103!

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

“Houve Uma Vez Dois Verões” (2002): Jorge Furtado e o rock gaúcho

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Houve Uma Vez Dois Verões
Lançamento: 2002
Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Elenco Principal: André Arteche, Ana Maria Maineri e Pedro Furtado

 

Essencialmente, uma comédia com baladas românticas e um personagem adolescente idiota, impulsivo, descobrindo umas coisas da vida… A história é sobre um moleque (Chico, vivido por André Arteche) que se apaixona por uma mina (Ana Maria Maineri) que conhece numa praia. Ela passa a perna nele, ele fica puto, aí ele fica apaixonado de novo, depois puto, depois apaixonado e por aí vai.

Olha a cara de idiota do moleque… 

Meio que seguindo uma lógica bem parecida com a de outros filmes brasileiros com o mesmo tema, o primeiro longa do gaúcho Jorge Furtado é bem tosco, bem fofo e bem real: cheio de piadas e dum humor absurdamente descontraído de dois moleques que ficam rindo dos velhos tropeçando na praia, e de diálogos do tipo que o Chico trava com o amigo contando emocionado como perdera a virgindade na noite anterior. Ainda como a cereja do bolo (ou talvez o filme é que seja a cereja e isso é que seja o bolo…), o rock gaúcho ganhou um ótimo destaque na trilha que contém essencialmente, músicas compostas para o longa.

Com artistas/bandas como Wander Wildner, Frank Jorge, Ultramen e Tequila Baby, o diretor de “Houve Uma Vez Dois Verões” dá uma baita valorizada pros seus conterrâneos e intensifica o gosto bobo de rock idiota apaixonado que o filme já tem. Seguindo um pouco no mesmo estilo, ainda tem a carioca Cássia Eller e os mineiros do Pato Fu (esses com uma versão da música “Coração Tranquilo” do Walter Franco que é de arrebentar).

Vale também uma atenção especial pros sons fora da língua lusitana. Nei Lisboa (colega do Júpiter Maçã, tocava guitarra na TNT e nos Cascavelletes), aparece com uma interpretação muito massa da balada “Tell It Like It Is”, composta pelo Aaron Neville; a Cássia Eller canta a lindíssima “Born To Cry” do Dion, na versão aportuguesada pelo Roberto Carlos; a banda Ultramen ataca com uma versão reggaezada eletrônica de “My Pledge of Love” do Joe Jeffrey; “Without You“, do próprio Wander Wildner, segue o mesmo estilo romântico chorão dos outros sons do cara; por fim, a Sombrero Luminoso é uma banda gaúcha, mas que como talvez o nome já indica, canta em espanhol e no filme toca a “Porque Te Vas”, mais uma no estilo romântico chorão (caliente!…).

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

“On The Road” – Um romance beatnik numa adaptação pro cinema cheia de jazz

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  • On The Road (Na Estrada)
  • Lançamento: 2012
  • Direção: Walter Salles
  • Roteiro: José Rivera (baseado no romance de Jack Kerouac)
  • Elenco Principal: Sam Riley, Garrett Hedlund e Kristen Stewart

O filme do diretor brasileiro Walter Salles, é uma adaptação do que é muito provavelmente, o mais importante romance da geração beatnik e um dos mais icônicos do século XX. A história conta das primeiras viagens pelas estradas americanas do jovem Kerouack (no livro sob o pseudônimo de Sal Paradise) e sobre sua amizade com Neal Cassady (no livro sob o pseudônimo de Dean Moriarty). Com a aparição de personagens que incorporam importantes figuras do círculo social do autor Jack Kerouack, como Allen Ginsberg e Wiillan Burroughs, o livro (e o filme) trazem toda uma ideologia de liberdade que foi a percursora da filosofia hippie.                                              

À esquerda – Sal Paradise e Dean Moriarty no filme de 2012. À direita – Jack Kerouac e Neal Cassady em 1952

Junto disso tudo, um dos elementos centrais na história é a música. Sendo Sal Paradise e seu amigo Dean Moriarty dois fanáticos pelo jazz dos bares baratos, a história é carregadíssima de referências ao gênero e o filme cheio de bebop na trilha sonora. Mas de todas as referências, a mais importante é bem possivelmente o Slim Gaillard.

Slim é citado como sendo o herói de Sal e Dean, (“Sim! Ele saca todas, ele saca todas!”), como um cara que entendeu o mundo. Ele é dito na história como uma espécie de xamã, um cara que entra num transe espiritual enquanto toca e meio que “viaja entre mundos”. Também conhecido como McVouty, o jazista ficou marcado por apresentações que misturavam seu talento multi-instrumental a uma comédia desencanada e pela invenção duma língua chamada “Vout-O-Reenee”, pra qual ele chegou a escrever um dicionário!

O filme ainda conta com uma série de outras de artistas citados no livro como Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Charlie Parker e Dizzy Gilespie e também com músicas compostas especialmente pro longa pelo compositor argentino Gustavo Santaolalla, como a intrumental “The Open Road”, levada quase que inteiramente na percussão.

Segue em link o trailer do filme e a trilha sonora no Spotify:

Trailer:

Paramnese e Que Ainda Acredite Nisso, as bandas dum cara que me ensinou umas coisas

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Esse texto eu dedico ao meu professor da coragem. Te imagino fora dos mercados vendo as famílias fazendo compras de noite, na calçada contando os segundos do farol no centro da cidade, dando um passo curto pra frente. Eu dedico esse texto ao cara com quem me comparam quando eu declarava um amor bêbado no meu aniversário de 18 anos e em tantas outras ocasiões. Muito obrigado cara, de verdade.

Banda Paramnese tocando a música “Espinafres em Dó Maior

No meu terceiro ano do colegial tive um professor de português muito loko. Com o sotaque sorocabano, o cara além de declarar os amores pelo Fernando Pessoa me ensinou algumas das coisas mais importantes pra minha vida: me ensinou a ouvir Belchior, me ensinou a entender o Ginsberg e me ensinou a ser menos babaca. Acontece que além de tudo, o cara sempre de camisa vermelha é também um poeta do caralho e apaixonado pelo rapaz latino americano, um louco por música e por tabela, um músico com composições absurdas.

A primeira “banda séria”, a Paramnese durou de 2007 até 2014, passando por várias formações ao longo desse tempo, aconteceu em Campinas quando o meu tal professor (Cássio Correa, no baixo) e um colega de faculdade (o Gera, baterista), que já tocavam juntos há um tempo, conheceram o Rodrigo (trompetista) que então trouxe o Frans (guitarrista) e aí tinham a primeira formação. Quando o Frans saiu, quem entrou no seu lugar foi o Cabé, “professor fundador de cursinhos populares em Campinas, cara gente fina!”, segundo as palavras do Cássio. Mas ele ficou pouco tempo e então entraram o Paulo (percussão) e o Jeff (violão e guitarra). Nessa hora, eram cinco poetas na banda, mas as letras todas do Cássio e do Paulo.

Com essa formação que gravaram a maioria das músicas, num esquema de “ser tudo cambiante, todo mundo tocar tudo, meio Belle and Sebastian“, novamente segundo as palavras do meu professor. Músicas por sinal, todas com uma sonoridade e uma letra que misturam uma série de influências, desde Pink Floyd até Belchior, passando por Dylan, poesia beatnik, e o mundo visto da janela do ônibus de noite.
O Gera saiu depois de um tempo e aí a banda ficou sem batera. O Caio passou um tempo com a banda e o Jeff (o do violão/guitarra) foi se dedicar a outros projetos. No final ficaram só o Cássio, o Rodrigo e o Paulo até a morte do Rodrigo, um “cantor e trompetista, poeta, filósofo, clown, lutador, sindicalista, amigo daqueles que são melhor amigo” (segundo a referência das outras citações) em 2014, com a banda já na crise das bandas.

Alguns anos depois, surgiu um outro projeto. A banda (dupla) Que Ainda Acredite Nisso era a remanescência do paramnese, o Cássio e o Paulo, ainda com uma sonoridade tocante que fala sobre todas as coisas da vida com uma estranha sensação de um desespero agonizante que é ao mesmo tempo uma alegria dopada de quem entende o sentido da vida às três da manhã gritando uma música qualquer numa praça do centro da cidade.

Hoje o Cássio continua escrevendo e lançou um livro recentemente com suas letras sob o título “Suas Canções Parecem Poemas“, segundo ele, frase dita por muitos sobre suas músicas.

Seguem os links pras bandas no soundcloud e pro seu blog de poesias.

Paramnese:

Que Ainda Acredite Nisso:

Blog de poesias do Cássio:

https://pentespraticos.wordpress.com/

É isso aí galera. Valeu!

Splendora, a banda underground da trilha sonora do desenho da menina niilista Daria

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Daria

Daria, a animação da MTV dos anos 90, se tornou um símbolo da cultura pop underground, em parte pela estética, em parte pelas pesonagens e em parte pela icônica música de abertura “You’re Standing on My Neck“. Contudo, pouco se fala sobre a banda.

Formada pelas irmão Tricia e Janet Wygal, Delissa Santos, Cindy Brolsma e Jennifer Richardson a girl-band Splendora se destaca como banda underground da última década do século. Tendo sido deixada de lado pela Geffen Records em prol da atenção ao Beck e à Lisa Loeb, assinaram com a Koch Records e lançaram em 95 seu único álbum de estúdio, In The Grass (o nome da banda junto ao nome do disco, faz uma referencia ao filme “Splendor In The Grass” de 1961).

Sem ter feito muito sucesso, inclusive pela dificuldade encontrada por falta de um agente, um ano depois do lançamento de “In The Grass” a banda conseguiu algo. Cindy Brolsma, a violinista que na época trabalhava na produção do spin-off de Beavis & Butthead, Daria, colocou estrategicamente um CD da Splendora na mesa do produtor. Sem muito dinheiro pra investir na trilha sonora e buscando uma sonoridade que combinasse com o tom niilista contemporâneo da animação, acabou que a banda escolhida foi essa mesma.
Além da abertura, a banda conta com outras duas músicas na animação, nos filmes da série: “Turn The sun Down” e “College Try“, as duas, assim como “Standing On My Neck”, nunca lançadas oficialmente. “Eu acho que seria ótimo se alguém da MTV/Viacom reunisse tudo isso. Mas acho que todos os seus trabalhos estavam tão compartimentados …” diz Janet sobre a trilha da série que nunca foi lançada oficialmente.

Ainda sobre a soundtrack, vale citar a banda ficcional de um dos personagens da série. A Mystic Spiral que aparece em vários episódios, se consagra (ao menos pra mim) com “Freakin Friends“, que apesar do título, não abre mão do som sujo e pesado, com uma letra surreal que todas as músicas da Daria apresentam.

Por fim, vale dizer que tudo o que se pode fazer é lamentar. A ótima banda não seguiu carreira, contudo nos presenteou com esse disco que é uma pérola do grunge.

“Os Famosos E Os Duendes da Morte” (2009) – Um sad boy no Sul e o Bob Dylan

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Os Famosos E Os Duendes da Morte
Lançamento: 2009
Direção: Esmir FIlho
Roteiro: Ismael Canepelle
Elenco Principal: Ismael Canepelle, Henrique Larré, Tuane Eggers, Aurea Baptista e Samuel Reginatto

 

Meio que seguindo a linha de filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, Os Famosos E Os Duendes da Morte conta da vida e das suas descobertas cobertas pelas suas angústias durante a adolescência. O Mr. Tambourine Man (o nome sob o qual assina o protagonista), se equilibra entre um riso emaconhado com o amigo nas madrugadas frias e uma forte sensação angustiante. Tudo isso, numa pequena cidade do interior gaúcho, cheia de antigas moralidades, histórias mais que mal resolvidas e um desespero que parece rondar a cabeça de todos os personagens.

De um jeito lindo, Esmir Filho, o diretor, constrói a trama como uma espécie de solução pra todas angústias do menino. Impulsionado pelo desejo de ir ao show do Dylan, o fã mirim de alguma forma consegue um estado interessante que lhe permite uma sobreposição do riso acima da angústia, uma visão duma vida fora daquele universo que o filme apresenta como tóxico e doente.

E é lógico que, se o garoto curte Dylan, o filme precisa duma boa trilha. Mesmo sem nenhum som do cara da gaita, as músicas arrasam e se encaixam “feito luva” no longa, elaborando emoções no espectador que causam um estranho e confortável desconforto. O gaúcho Nelo Johann, nascido no interior do Rio Grande do Sul e compositor da trilha, é essencialmente um desses indies sad boys, mas ainda assim é um absurdo dizer que as notas do cara não trazem originalidade nenhuma. Com uma série de efeitos, atonalidades e letras carregadas de metáforas oníricas, ele consegue atingir um desespero nos ouvidos de quem ouve que poucos conseguem… Por sinal, a influência do som do Pink Floyd em sua fase Barret é bem clara!

“O convite veio através do Ismael Canepelle, que roteirizou o filme e me conhecia de infância… Então o Esmir me conheceu, entrou em contato comigo e começamos a trabalhar na idéia, bem antes do filme ser rodado… Fiquei felicíssimo, claro. A idéia do filme me agradou muito logo de cara, depois só se confirmou o prazer de trabalhar com pessoas tão talentosas e queridas.” (http://meio-bossanovaerockandroll.blogspot.com.br/2010/05/entrevista-nelo-johann.html). Depoimento do músico Nelo Johann em entrevista ao blog Meio Bossa Nova.

Trailer:

Trilha sonora: (João, salva aê, please!)

“Era Uma Vez” (2008), um “Romeu e Julieta” carioca com trilha de Luiz Melodia

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Era Uma Vez

Era uma Vez
Lançamento: 2008
Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade e Domingos de Oliveira
Elenco Principal: Thiago Martins, Vitória Frate, Rocco Pitanga e Cyria Coentro 

“Meu nome é Thiago Martins. Nasci numa favela, na zona sul do Rio de Janeiro.Moro lá até hoje. Faço parte do grupo de teatro Nós do Morro. Eu batalhei muito pra fazer esse filme, porque essa história, podia ser a minha.Nessa guerra não tem vencedor. Rico, pobre, todo mundo sai perdendo. Eu não sei se essa cidade tem solução, não sei, mas se as pessoas olhassem com mais cuidado uns pros outros, acho que seria diferente.”

A última fala do filme antes dos créditos, um depoimento de Thiago Martins, o ator que interpreta o protagonista.

Porrada. Muito porrada. E fofo, muito fofo.

A versão moderna de Romeu e Julieta dirigida por Breno Silveira tem um revestimento de contraste social bem mais intenso e violento que em Shakespeare. Dé (Thiago Martinsé um moleque do morro do Canta Galo que perdeu um dos irmãos quando era pequeno, morto por um cara que tava entrando no tráfico e outro irmão pra cadeia, preso inocente. Sem nunca ter conhecido o pai e sempre sendo companheiro fiel pra mãe, ele trabalha numa barraca de cachorro quente na praia de Ipanema e desafiando o dizer da mãe de que “pobre é pobre e rico é rico”, se apaixona pela Nina (Vitória Frate), a menina rica que o Dé fica espionando: ela na janela do condomínio, na orla da praia e ele no quiosque.

Dé criança e o irmão mais velho

Dum jeito bem fofo, a história se desenrola até eles ficarem juntos e aí surgem as mil tretas. O pai da Nina (Paulo César Grande), superprotetor, se opõe a relação dizendo que tem medo do que pode acontecer com a filha entrando no morro, que aquele não é lugar pra ela; a mãe do Dé (Cyria Coentro) também entra no jogo: diz que não quer polícia vasculhando filha de rico na casa dela, que aquilo ia ser problema. Óbvio que, no melhor esquema shakespeariano, os dois continuam juntos. A coisa é que além dos pais existem outras coisas… As complicações que surgem com a polícia e com os traficantes ao longo do longa, denunciam dum jeito lindo, e sempre acompanhado de Luiz Melodia, uma realidade que parece proibir em constituição legal, que a história seja fofa.

Ipanema vista do Canta Galo “- Nossa, é perto, né? – Acho longe…”

Aproveitando o gancho da última frase, já entro na parte musical. A trilha tem do batidão à Luiz Melodia, passando por Mart’náliaMartinho da Vila e Marisa Monte, fazendo um panorama no mínimo interessante da música brasileira.

A inspiração para a trilha sonora de “Era Uma Vez…” nasceu da trajetória do personagem Dé, o protagonista do filme. Surgiu, então, a idéia de compor e escolher canções em primeira pessoa, tornando-as mais intimistas. “O fio condutor da trilha original era passar ao espectador o que estava na cabeça do Dé, e não deixar a música como algo apenas decorativo”, revela o produtor Berna Ceppas, autor da trilha original do longa-metragem.”

É a partir desse relato que fica clara a importância da trilha no filme e o valor a ela atribuído pelos produtores. Foi composta exclusivamente para o filme, a música “Uma Palavra” da Marisa Monte em parceria com o Carlinhos Brown e o Arnaldo Antunes.

Foi ideia também da Marisa a inserção da música que eu entendo como sendo o carro chefe da soundtrack: “Minha Rainha”, no filme com a voz do maravilhoso Luiz Melodia, arranca suspiros de qualquer um e obriga um sorriso.

Ah, e outra que também não pode ficar pra trás é a composição do Carlinhos Brown, “Vide Gal”, no filme cantada pela Mart’nália e Martinho da Vila.

Trailer:

Filme:

“La Haine (O Ódio)” (1995): Bob Marley e hip hop nos conflitos entre a polícia e a população em Paris

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La Haine (O Ódio)
Lançamento: 1995
Direção e Roteiro: Mathieu Kassowitz
Elenco Principal: Vincent Cassel, Hubert Koundé e Saïd Taghmaoui

Paris, a cidade luz, a capital do glamour, dos vinhos chiques e de mais uma porrada de coisa, é também, fora do centro e da torre Eifel, uma cidade violenta, onde o “conflito” entre a polícia e a população imigrante pobre manda na ordem dos dias. No filme de Mathieu Kassovitz (que havia de fato, perdido um amigo que morreu sob custódia da polícia), os amigos Vinz (Vincent Cassel), Hubert (Hubert Koundé) e Saïd (Saïd Taghmaoui), depois da noite dum protesto violento contra a ação policial na região que tinha matado um garoto, se encontram, fumam um beck, trocam uma ideia falando sobre a noite passada e inventando história pra contar vantagem, tretam, contam piadas, vão pro centro da cidade encontrar um cara que tava devendo uma grana pro Saïd, perdem o metrô pra voltar, ficam rondando Paris de madrugada e mais uma série de coisas, sempre botando a relação entre ele e suas reflexões de gente chapada, em contradição com uma realidade brutal que é o jogo de classes, na França e em todo o mundo.

Beeem chapados..

Inteiro em PB, o longa de 1995 que conta com dois cenários (o conjunto habitacional na periferia da cidade e o centro de Paris) e também com uma trilha muito loka. A cultura do hip hop que na época bombava no mundo bombava também em Paris, com representantes como os rappers Cut Killer e Passi e a banda Assassin, e no filme isso não fica escondido. A cena provavelmente mais massa é quando tá toda uma galera numa praça e um DJ do bairro em um prédio bota umas caixas de som na janela e faz um som misturando o rap “Assassin de La Police” com “Non Rien De Rien” da Edith Piaf.

O DJ que aparece no vídeo é o próprio Cut Killer, autor do som “Assassin de La Police“.

Além dos raps franceses, o filme também conta com um “Burnin’ and Lootin’” do The Wailers, um “Say It” do Jonh Coltrane, a dançante “More Bounce to The Ounce” do Zapp, “That Loving Feeling” do Isaac Hayes e mais uma porrada de coisas entre jazes, reggaes, raps e etc.

Trailer:

“Guardiões da Galáxia” – filme toscão da Marvel tocando num walkman

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Guardians Of The Galaxy
Lançamento: 2014
Diretor: James Gunn
Elenco Principal: Chris Pratt, Zoe Saldana, Vin Diesel, Bradley Cooper

Bem toscão mesmo! Com umas piadas bem bostonas, o filme é o maior barato pra ver desligadão e aproveitar pra curtir os sons good vibes bem 70’s que tocam em cima de cenas onde talvez fizesse bem mais sentido que o barulho fosse dos lasers disparados das estranhas armas futurísticas.

Peter Quill (Chris Pratt) é um terráqueo que quando criança em 1988, no dia da morte da mãe foi raptado por um grupo de saqueadores alienígenas, e por eles criado. Em 2038, fugindo deles após tê-los abandonado em prol de manter para si só o pagamento duma orb que ele roubou num planeta estranho, Peter acaba numa prisão com dois caçadores de recompensa e uma mina que tava atrás da mesma orb. O quarteto monta um plano de fuga e ainda convoca mais um integrante (um cara bizarro que já tava lá na prisão) e saem de lá pra tentar vender o tão querido objeto. Acontece que o grupo de “malfeitores” descobre o poder da coisa e entende que não pode ser vendido a ninguém e que deve ser destruído para que o universo continue (fala aê, é bem zuado, né não?).

 

A música entra na história do protagonista. O que Quill guarda da mãe, é um walkman e fitas com as músicas que os dois ouviam juntos. O aparelho, de alto valor para Peter, o acompanha durante o filme todo, sempre tocando as músicas da fita (às vezes junto dele dançando, às vezes junto de cenas de efeito). Com o créme de la créme da música disco (incluindo as baladinhas slow dancing) e uns rockão tipo “Moonage Daydream” (David Bowie) e “Cherry Bomb” (The Runaways), a trilha é o auge do longa e é o que cria a áurea do personagem que acredita de verdade, inclusive citando o Kevin Bacon, no que “Footloose” nos ensina: todo mundo dança e essa é a energia mais massa que tem! Além dos já citados, vale dizer que a soundtrack conta também com Marvin Gaye, Blue Suede, Rupert Holmes, Red Bone, Five Stairsteps, Raspberries, Norman Greenbaum, Elvin Bishop, 10CC e Jackson Five.

Trailer: