“Cidade Oculta” (1986) – Arrigo Barnabé, o doido-cafônico

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Cidade Oculta
Lançamento: 1986
Direção: Chico Botelho
Roteiro: Arrigo Barnabé e Luiz Gê
Elenco Principal: Arrigo Barnabé, Carla Camurati e Celso Saiki

“Senhoras e senhores, boa noite! Enquanto você e eu dormimos o sono dos justos, entre luzes e sombras de ruas perdidas, começam algumas de muitas histórias…”

Se o Luiz Gê e o Arrigo Barnabé sentassem juntos numa mesa de bar e decidissem escrever um filme policial que se passasse na São Paulo dos anos 80, com o protagonista como um ex-presidiário e criminoso que vive numa barca no Rio Pinheiros caçando tesouros jogados no esgoto, seria bem massa…

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Achando tesourinhos no rio Pinheiros…

Dodecafônico não só nas músicas, o filme do Chico Botelho é um espetáculo. Com uma interpretação dramática bastante exagerada que reflete o jeitão daquela galera do Lira Paulistana, um elenco incrível, uma fotografia impecável (pra quem curte SP pelo menos…) e a belíssima trilha sonora, o longa apresenta uma trama envolvente do início ao fim, com uma série de clichês ridículos de amor e traição, mas definitivamente dum jeito bastante original…

Enfim, já tendo dito acho que o suficiente sobre a trama, partamos ao que interessa!

A trilha sonora composta quase que inteiramente pelo Arrigo Barnabé (que nas músicas “Cidade Oculta” e “Ronda 2”, faz parceria com Roberto Riberti, Eduardo Gudin e Carlos Rennó), deixando pros outros somente “Pregador Maldito” do seu irmão Paulo Barnabé, “Mente, mente” do Robinson Borba e “Pô, Amar É Importante” do Hermelino Neder, é um retrato perfeito da lógica urbana de SP (ainda mais na época).

Com uma dodecafonia sinistra típica do compositor e uma letra que insiste em se meter no universo mais junkie da madrugada paulista, cabe muito bem no universo romântico/criminoso que o filme cria meio que fazendo uma paródia do estilo noir. “Ronda 2” por exemplo, a música que abre o filme, em versos como “Bares e clubes luzem sinais/Gangues de punks lúmpem demais/E prostitutas passam ao léu/E viaturas surgem no breu”, deixam isso bem claro.

É difícil dizer de alguma música que se destaque, contudo na minha cabeça, algumas marcaram mais forte… “Poema em Linha Reta” pra começar, a versão que o Arrigo fez pro incrível poema do Fernando Pessoa com uma insistência na repetição de algumas palavras, definitivamente deu uma baita força extra pros versos do português. “Pregador Maldito” do Paulo Barnabé e mais ainda “Pô, Amar É Importante” do Hermelino Neder, se destacam por apresentarem uma coisa mais pop, a do Hermelino, quase que uma new wave. Por fim, “Mente Mente” do Robinson Borba, também com uma pegada bem pop se torna muito especial pela voz do Ney Matogrosso que canta uma parte da música.

Assista o filme completo aqui:

Ouça a trilha sonora aqui:

E é, por hoje é só…

“Una Mujer Fantastica” (2017) – protagonista cantora ou músicas protagonistas?

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Una Mujer Fantastica (Uma Mulher Fantástica)
Lançamento: 2017
Direção: Sebastián Lelio
Roteiro: Sebastán Lelio e Gonzalo Maza
Elenco Principal: Daniela Vega, Francisco Reyes e Luis Gnecco

Se eu tô vendo um filme e começa de repente a tocar “Time” do Alan Parsons Project, eu penso “porra, tá aí um que merecia um texto pro Crush em Hi-Fi…”. Digamos que o que aconteceu quando assisti ao chileno “Una Mujer Fantastica” (“Uma Mulher Fantástica”) vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro…

Una Mujer Fantastica“, do Sebastián Lelio, é um manifesto político, romântico e musical. Começa parecendo um simples romance, fofo, gostoso: um senhor duns 60 anos, simpático e apaixonado, e uma cantora duns 30 anos, também apaixonada; os dois programando uma viagem pra Foz do Iguaçu… O estranho porém, é que a grande virada do filme acontece logo depois de apresentar o casal apaixonado, ainda na primeira meia hora. A morte inesperada do cara é um choque definitivo e é a partir daí que o resto acontece.

A família do cara (o irmão, ex mulher, filhos que tinha desse antigo casamento e etc.), passa a fazer o possível pra impedir a nossa protagonista cantora, de manter algo do morto, ou de sequer ir no funeral, só porque ela é transexual. A partir daí tudo se desenvolve em volta dessa questão da transfobia, exibindo nas telas as agressões físicas e verbais que ela sofre, e as mil crises de identidade da personagem.

A música entra justamente aí.

Como elemento central na vida da protagonista, a parte musical do filme é o conforto dela, é onde ela afirma sua identidade, apesar das crises, é onde ela exprime a raiva, o amor, o ódio, a felicidade e tudo o mais.

Com uma voz incrível, cantando tangos em bares e óperas incríveis, a Marina (a protagonista), aparece numa cena em desespero total, puta da vida, entrando na casa do professor de canto pra ensaiar. O cara entende na hora que a questão não é de ensaio, mas mesmo assim toca a música. A ária italiana “Sposa Son Disprezzata”, composta por Geminiano Giamelli e usada por Vivaldi na ópera “Bajazet”, vai da Marina cantando no apartamento do professor, até uma cena bastante simbólica dela andando na rua, quando um vento forte aparece e a partir dum momento, não a deixa mais andar pra frente…

É, dessa parte do filme só achei esse vídeo de sei lá onde, que tem também um trailer, além da cena em questão…

Cheio de simbologias desse tipo, sempre muito metafóricas, tem outros sons que chamam bastante a atenção. “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman”, que acompanha uma cena dentro do carro, traz toda a questão das crises de identidade da personagem, com uma espécie de ironia, já que definitivamente não é a princípio, um som que parece remeter a qualquer tipo de crise.

Dancinha romântica com fundo de Alan Parsons…

Ainda com “Time” do Alan Parsons e mais música clássica, o filme demonstra uma clara atenção à parte sonora do audiovisual.

Como se não fosse o bastante, além das músicas que foram apropriadas pelo longa chileno, várias foram compostas sob encomenda, pelo moderno músico eletrônico Matthew Herbert. O cara que já trabalhou com nomes como Björk, foi escolhido pelo diretor Sebastián Lelio, segundo o mesmo por sua “capacidade de misturar tradição com inovação sem problemas”. Aparentemente, de fato deu certo…

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

Acabo o artigo deixando com vocês essa matéria pra refletir um pouco:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/12/1944176-transexual-e-morta-a-pauladas-em-quarto-de-hotel-na-zona-norte-de-sp.shtml

“Fritz The Cat” (1972) – Crumb animado, musicado e sempre controverso

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Fritz, The Cat – O Gato Fritz
Lançamento: 1972
Direção: Ralph Bakshi
Roteiro: Ralph Bakshi
Elenco principal: Skip Hinnant, Rosetta LeNoire e Jonh McCurry

“Fritz, The Cat” é um filme de Ralph Bakshi, grande diretor de animações malucas das décadas de 70 e 80, uma adaptação pras telonas das histórias do personagem Fritz, The Cat, do cartunista rabugento Robert Crumb. Ligando as diversas que histórias que o Crumb escreveu sobre o personagem, o diretor apresenta pra quem assiste, uma paródia de toda a “vanguarda-hippie-artística-intelectual-revolucionária”, que na visão do autor, não passava dum bando de babacas com discursos vazios pra levar universitárias pra cama e suprir suas culpas burguesas.

Tirando um sarro também de todos as outras “tribos urbanas” da época (porque é isso que o Crumb, o senhor da rabugentice, faz deixando o Bukowsky no chinelo), a história se ambienta sempre num universo duma Nova York Junkie da década de 70, com pessoas em becos injetando heroína, policiais idiotas invadindo festas, pseudo-intelectuais discutindo drogas e etc. onde a música rola solta, sempre na pegada dum jazz bebop ou dum blues (o Crumb era apaixonado por ambos os estilos e chegou a escrever um quadrinho que é de fato uma pesquisa sobre toda a história do blues).

A maioria dos sons foi composta para o filme, pelos trilheiros Ed Bogas e Ray Shanklin, com direito a uma participação do próprio Crumb na composição da música tema do Fritz. Contudo, o filme ainda assim conta com outros sons, de artistas famosos tais como Billie Holliday e Bo Diddley e de alguns caras mais undergrounds, como Cal Tjader (um importante expoente do jazz latino), The Watson Sisters (um grupo de R&B do começo dos anos 60) e Charles Earland (multi-instrumentista de jazz, blues e funk).

O curioso, é que o Crumb odiou o filme. Logo após a estréia, o autor lançou tiras do personagem que satirizavam o diretor Ralph Bakshi e pouco depois disso, uma história com a morte do Fritz, já que o personagem havia sido “estragado” pela versão em cinema.

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

“The Song Remains The Same” (1976) – um show de rock e cenas absurdas

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The Song Remains The Same
Lançamento: 1976
Direção: Peter Clifton e Joe Massot
Roteiro: Peter Clifton
Elenco Principal: Jonh Bonham, Robert Plant, Jimmy Page e Jonh Paul Jones

 

O filme que recebe o nome da música do Led Zeppelin e também do show gravado no Madison Square Garden, mistura as cenas do show, com cenas ficcionais que funcionam independentemente, meio como se cada uma fosse um clipe da música que acompanha.

Totalmente sem sentido nenhum, as cenas absurdas, psicodélicas e muito chapadas, encaixam muito bem com o estilo absurdo, psicodélico e totalmente chapado do som do Led. Cheios de cores e efeitos visuais, meio que tem um “clipe” pra cada membro da banda, e o resto das músicas acompanham o próprio Madison Square Garden.

“No Quarter”, a que acompanha o John Paul Jones (baixista/tecladista), começa com um trem do metrô chegando numa estação, passa pro show, passa pra ele tocando órgão numa igreja, passa pruns caras com mascaras assustadoras perseguindo pessoas na rua, depois pra ele chegando em casa, brincando com os cachorros e os filhos e depois volta pro show. O ponto é que mesmo isso parecendo no mínimo pouco psicodélico, é definitivamente bastante psicodélico! Os cortes rápidos, as sobreposições de imagens, e mais outros efeitos, fazem da parte visual uma intensificação da viagem lisérgica que é “No Quarter”.

“The Song Remains The Same” e “Rain Song”, são as do Robert Plant (orgasmáticas como ele, por sinal…) e o acompanham no que parece uma espécie de viagem medieval: ele montado num cavalo andando pelas pradarias da Grã Bretanha, entrando num castelo onde luta com espadas, encontro com a princesa e tudo o mais. Novamente talvez isso pareça não psicodélico suficiente, mas novamente, a composição da música muito louca, com efeitos visuais bem lokos, criam o mesmo efeito lisérgico. Vale lembrar também, que “Rain Song”, é uma música que tem uma psicodelia diferente, uma coisa mais suave, que não deixa de jeito nenhum de ser intensa, mas é uma intensidade suave, gostosa, romântica.

“Moby Dick”, o famoso solo de batera de 10 minutos (ou mais, a variar da versão, porque esses cara são tudo doidjo), é obviamente a que dá conta de mostrar o John Bonham (o baterista) em seus loucos carros, pilotando uma moto numa estrada deserta, destruindo tijolos com uma britadeira, cuidando dumas vacas, dançando com sua mulher, tocando bateria com o filho, tocando bateria no show em questão e o mais dahora de tudo, correndo num dragster, um daqueles carros absurdamente rápidos, que dão a largada com uma explosão brutal e freiam com um para-quedas! Essa de fato não conta com nenhum efeito visual lisérgico ou coisa do tipo (acho que em alguma medida isso tem a ver com o fato de ele ser um cara com uma cabeça meio diferente do resto da banda, menos ligado em exoterismos e coisas do tipo), mas dizer que não é uma cena psicodélica seria de qualquer modo ridículo, a começar porque essa coisa que eu to fazendo até agora de dizer “o que é” e “o que não é” psicodélico, é mó caretice da porra, mas também porque mesmo mantendo a caretice da porra, existem outros elementos que compõe a psicodelia no caso. A velocidade muito presente em todas as coisas com motores (e principalmente no dragster), sempre juntas das caretas malucas e felizes do baterista, encaixam lindamente no ritmo frenético do solo e criam uma atmosfera absurdamente maluca.

Por fim, mas não menos importante, “Dazed and Confused” fica sendo a do Jimmy Page (o guitarrista). Essa, claramente doidona, é uma cena noturna, com lua cheia, mago segurando um lampião no topo duma montanha, com rostos que vão se transfigurando e efeitos de luz mutcho crazys. Vale dizer que o som que acompanha, não é “Dazed and Confused” inteira, mas só aquela parte do solo de guitarra tocado com arco de cello (eu acho que é um arco de cello…).

A parte de tudo isso, tenho a dizer somente que é um filme muito sensorial e que sem exageros, assisti-lo é uma experiência única e que te toma por inteiro. Não é o tipo de coisa pra você fazer enquanto lê um livro ou coisa do tipo, isso não dá muito certo…

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

“Interstella 5555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem” (2003) – O anime lisérgico com Daft Punk

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“Interstella 5555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem”
Lançamento: 2003
Direção: Kazuhisha Takenouchi
Roteiro: Thomas Bangalter (Daft Punk), Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk) e Cédric Hervet.


Com uma linguagem que mistura os mais toscos animes com luzes e cores absurdamente epilépticas, o filme que acompanha as músicas do disco Discovery é um mindblowing total. Com a faixa de áudio invadida inteiramente pelo Daft Punk, a produção nipo-francesa conta mesmo sem falas, a história duma banda alienígena que é sequestrada durante um show e trazida pra terra por um empresário que parece o Eggman do Sonic. O cara transforma os membros em humanos, faz eles esquecerem de sua origem extraterrestre e os torna completamente passivos de qualquer rebeldia. A partir daí o longa se desenrola com herói, armas a laser, profecias antigas e muito daquela batidinha funkzada.

tão gente quanto a gente

A animação feita pela Toei Animation (estúdio responsável por animes como “Dragon Ball” e “Cavaleiros do Zodíaco“), passou pela supervisão do mangaká Leiji Matsumoto, criador do mangá que virou anime e que foi uma grande influência na infância da dupla Daft Punk.

Quanto às músicas, apesar de serem todas naquele mesmo timbre eletrônico, existem algumas que se destacam, tanto pelas cenas que acompanham quanto pelas sensações que carregam.

Cê vê que o filme é musical mesmo quando até a nave tem forma de guitarra…

Something About Us”, a música que aparece junto do reencontro romântico do herói do filme com a baixista da banda é uma baladinha linda! Perfeita pra estender a mão e chamar alguém pra dançar!

One More Time”, a que abre o filme é ótima pra já deixar animado e no pique pra assistir o resto. Junto duma cena dum show/festa, a música é realmente muito astral e perfeita pra pular pacarai!

Harder Better Faster”, a da cena da transformação da banda de ET’s pra humanos reflete muito bem a ideia que a partir desse ponto, segue por um bom tempo no filme: desprovidos de qualquer vontade própria, os alienígenas humanizados passam a trabalhar em ritmo industrial, totalmente automatizado.

Too Long” (ironicamente uma bem longa: 10 min), que acompanha a banda na nave voltando ao seu planeta natal, passando por um portal interdimensional e enfrentando uma criatura meio das trevas, é uma música muito forte, focada muito numa batida grave que causa uma vontade irrefreável de ficar pelo menos balançando a cabecinha, além duma guitarra que entra depois e que anima bastante o som.

Meu povo, acho que é isso… De resto, vejam o filme e descubram. Juro que é bom!

Segue em link o trailer e a trilha sonora:

Trailer:

Trilha sonora:

“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (2009) – A sofrência em primeira pessoa

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“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”
Lançamento: 2009
Direção: Karim Aïnouz, Marcelo Gomes
Roteiro: Karim Aïnouz, Marcelo Gomes
Elenco: Irandhir Santos

Muito lindo, reflitão, cheio de clichês, mas muito real e super sofrência.

José Renato (Irandhir Santos) é um geólogo que atravessa o sertão fazendo estudos para um possível canal a ser construído no “Rio das Almas” (uma alusão ao São Francisco). Inteiro com câmera em primeira pessoa (passa na tela, o que seria a visão da personagem), as imagens acompanham sempre a narração da voz melancólica do protagonista que nos conta entre análises do solo, sobre as pessoas que esse canal desabrigaria, sobre o fora que levou pouco antes de partir nessa pesquisa de campo, sobre a relação que tinha e sobre todo o resto das coisas do mundo. A partir dessas narrações e de algumas cenas de entrevistas colhidas ainda nos anos 90, com pessoas que de fato não são atores (o filme transita sempre entre a ficção e o documentário), o brasileiríssimo “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, traz uma série de reflexões de cunho filosófico e sociológico.

Casal gravado pelo geólogo. Serão obrigado a sair de onde moraram toda a vida por conta do canal…

Com uma pegada de road movie, uma boa parte do filme é a paisagem da estrada sempre igual vista pelo para brisa do geólogo. Contudo, apesar de isso poder parecer um tanto quanto entediante, o rádio sempre ligado garante um outro ritmo, bem mais gostoso.

Cheio de clássicos da sofrência, cantados sempre com aquela voz meio trêmula que beira um choro, a música completa muito mais que bem todo o tom de “paixonite + pénabunda + solidãodaestradadosertão”. Mas o auge com certeza, é um sapateiro que aparece como um dos que serão desalojados, cantando “Meu Último Desejo” do Noel Rosa.

Além dessa, o filme ainda tem “Sonhos”, “Morango do Nordeste”, “Esta Cidade É Uma Selva Sem Você”, as estrangeiras “Échame A Mi La Culpae “Un Chant D’Amour”, e mais muitas outras pra chorar e muito.

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha Sonora:

“A Primeira Noite de Um Homem” (1967) – Simon and Garfunkel pra sorrir e pra chorar

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The Graduate (A Primeira Noite de Um Homem)
Lançamento: 1967
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Calder Willingham e Buck Henry
Elenco Principal: Dustin Hoffman, Anne Bancroft e Katharine Ross

 

Um símbolo da cultura pop dos anos 60”; “O filme no qual se “baseou” a última cena de Wayne’s World 2”; “O com as musiquinhas do Simon and Garfunkel!”

Fazendo uma louca suposição de que um dia, enquanto você lê um livro ou toma um sorvete sentado num parque, alguém chegue e te diga alguma das frases colocadas acima, existe uma alta probabilidade de que esteja dizendo do filme “The Graduate”, o segundo com o jovem Dustin Hoffman.

Benjamin Braddock (o tal jovem Dustin Hoffman) volta para a mansão de sua família após completar a faculdade com uma absoluta incerteza do que fazer a seguir, um porre completo do mundo acadêmico e do fútil comportamento burguês que sempre o rodeou, e absurdamente incompetente sobre relações sociais de qualquer tipo. Seduzido pela mulher do sócio do seu pai (a Mrs. Robinson), ele mantém com ela uma relação por algumas semanas até que a Elaine, a filha dos Robinsons que estava fora, volta pra casa dos pais e o Benjamin se apaixona por ela. Bom, as merdas vão acontecendo a partir daí, dum jeito bastante novelesco, mas com algumas sacadas muito massas, além das músicas incríveis.

O Alfa Romeo Spider 1600 Duo (o cara é podre d rico! Díos Mio!)

Mesmo com músicas somente de um grupo, a trilha sonora apresenta diferentes sons que dão tons bastante variados às cenas do filme. De “Scarborough Fair” e “Sound of Silence” com uma pegada mais dark, até “Mrs. Robinson” com uma pegada mais rock e passando por “April Come She Will” com uma pegada fofinha, as músicas do Simon and Garfunkel recheiam com poesia e folk o longa de 67.

Pensando ainda na coisa dos diferentes tons que as músicas têm, vale focar em “Sound of Silence”. Essa aparece algumas (várias, tipo, muitas mesmo…) vezes ao longo do filme e nem sempre com o mesmo peso. No começo e no meio do filme, a música é símbolo das angústias do Benjamin, contudo, na cena final e na entrada dos créditos, a música aparece sendo símbolo de uma certa felicidade bastante despreocupada com tudo.

Ainda assim, a música mais icônica do filme é obviamente a “Mrs. Robinson”. Com o Dustin Hoffman dirigindo seu Alfa Romeo Spider, conversível e vermelho numa velocidade incrível ultrapassando todos os outros carros, a música toca acompanhando o frenesi dos últimos cinco minutos de filme, num ritmo bastante contagiante.

Segue o trailer e a trilha sonora!

Trailer:

Trilha sonora:

“As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) e a estranha música dos anos 90

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Clueless (As Patricinhas de Beverly Hills)
Lançamento: 1995
Direção: Amy Hickerling
Roteiro: Amy Hickerling
Elenco Principal: Alicia Silverstone, Stacey Dash e Brittany Murphy

 

Assistido na companhia do Thiago Lastrucci, da Pierina Ludovice e do Hector Munhoz. Segue comentário da Pie acerca do filme:

“As Patricinhas de Beverly Hills é um filme interessante no qual podemos nos inspirar para sermos boas patricnhas e aprendermos sobre o karma e o amor entre pessoas diferentes”

P. Ludovice, 16/02/2018

Bem bostão. Uma comédia da década de 90 tirando um sarro do comportamento egocêntrico e arrogante de adolescentes mimados e podres de rico. Cher (Alicia Silverstone) é uma patricinha de Beverly Hills, presa no mundo do próprio umbigo e que não levanta um dedo pra nada, absurdamente estúpida, sem noção, que só faz merda, mas de verdade, acredita que é a melhor pessoa do mundo e que faz tudo pelos outros. Acompanhando a personagem, o filme vai mostrando como esse estilo de vida acaba levando-a à decadência e como ela sai disso duma maneira interessante.

Bom, não tendo dito nada no último parágrafo e com a fantástica justificativa de que bem, o filme também não fala porra nenhuma (!), sigamos adiante pra tratar do que importa. Apesar de a história de fato não chamar atenção por qualidade de roteiro, a trilha desponta com a guitarra meio punk, meio pop, que marca os anos 90.

Com David Bowie, The Muffs, Beast Boys, Radiohead, Supergrass e mais uma porrada de bandas das quais nunca ouvi falar, a música acompanha mais que bem toda a estética do filme de 95, que faz questão de expor ao máximo o estilo genial e cômico da época. Calças super largas, camisas gigantes, a ascensão do skate, o boné virado pra trás e tudo aquilo de que hoje em dia geral ri, mas sabe que na real é muito foda.

uma profunda análise crítica sobre a moda dos anos 90 pela boca da protagonista…

Abrindo o filme tem “Kids in America“, pra já estourar com o pique noventista (e vale por sinal, ressaltar que essa aparece também na trilha do filme do “Jimmy Neutron“…). Do Bowie aparecem duas: “Fashion”, uma bem mais experimental que o resto da trilha sonora, e “All The Young Dudes”, numa versão da banda inglesa World Party e que acompanha a narração da protagonista desprezando a tal moda descrita no parágrafo acima.

De resto, assistam pra descobrir!

Segue o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

“More” (1969) – Pink Floyd entre o prog e o heavy metal

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More (More)
Lançamento: 1969
Direção: Barbet Schroeder
Roteiro: Paul Gégauff e Barbet Schroeder
Elenco Principal: Mismy Farmer, Klaus Grünberg e Heinz Engelmann

Esse é um que pra mim é antes a música que filme. Tendo conhecido já há anos o som metal pesado do Pink FloydThe Nile Song”, fui só bem mais tarde descobrir que fazia parte da trilha sonora dum filme e ainda mais tarde assistir o tal filme. Devo dizer contudo, que o longa tá no nível da soundtrack.

Essencialmente sobre drogas, sobre seus efeitos e sobre como alteram o comportamento social dos indivíduos, o filme “More” de 1969, conta a história do jovem Stefan, recém formado em matemática, em “busca do sol” e do seu relacionamento com uma menina parisiense na praia de Ibiza. Em algum tipo de relação com um velho alemão (Wolf), a moça (Estelle) não se permite ficar junto do matemático e esconde mil coisas que não ficam muito claras, mas que parecem ter ligações com o tráfico de drogas pesadas. O Stefan por outro lado, apresenta um comportamento possessivo ridículo, exigindo dela uma submissão absurda e sem entender nada do que se passa na relação que ela tem com o velhinho.

Com um passado embrulhado em heroína, Estelle acaba fugindo do Wolf com o jovem Stefan, pra levar uma vida mais calma. Contudo, leva junto de si alguns pacotes de “cavalo” roubados do velho e aí dão várias merdas.

Cena do filme que ilustra a capa do disco

Acompanhando toda essa exposição da realidade da contracultura hippie da época com seus prós e contras, aparece a trilha sonora. Feitas especialmente para o filme, as músicas do Pink Floyd embalam o ritmo psicodélico das viagens com sons que variam entre o prog, o jazz e o metal.

Já tendo feito a trilha deTonite Let’s All Make Love in London em 67, a do filme de 69 foi a segunda da banda, já marcada por um estilo que seria o dos discos dos próximos anos, como o Obscured By Clouds e o Meddle, com um prog bastante experimental.

Mas apesar do forte progressivo, há uma música que foge um pouco desse estilo e pra qual cabe uma atenção mais que especial. “The Nile Song” é um heavy metal heavy mesmo, com uma puta letra genial e que foi lançada junto com o filme, um ano depois da formação do Black Sabbath (que teriam sido os primeiros do gênero) e um ano antes do lançamento do primeiro disco do Black Sabbath. Ainda fugindo um pouco do prog clássico pinkfloydiano, mas cheia de sintetizadores, tem “Up The Khyber”, um jazz com uma bateria bastante à la Thelonious Monk.

Tendo já dado o destaque pra genialidade “prafrentex” da banda, voltemos ao prog. “Cymbaline”, que foi tocada depois em muitos shows e que parece ser a mais famosa do filme, mistura o estilo que viria a se tornar a marca do Pink Floyd com a influência “barretiana” do “Saucerful of Secrets” criando uma viagem muito única! “Cirrus Minor“, num estilo parecido, mas mais instrumental, é outra que traz uma carga excelente pra deitar no chão e entrar numa trip muito loka!

De resto, assistam/ouçam pra descobrir!

Segue em link o trailer e a trilha sonora:

Trailer:

Trilha Sonora:

“A Vida Marinha Com Steve Zissou” (2005): Wes Anderson, Seu Jorge e David Bowie

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The Life Aquatic With Steve Zissou – (A Vida Marinha Com Steve Zissou)
Lançamento – 2005
Direção – Wes Anderson
Roteiro – Wes Anderson, Noah Baumbach
Elenco Principal – Bill Murray, Owen Wilson e Anjelica Huston

Na mesma estética de todos os filmes do Wes Anderson, esse conta a história dum diretor de documentários marítimos, meio canastrão, com um filho perdido que o encontra e que passa a trabalhar junto com a tripulação, gravando um filme sobre um tubarão. Ainda com conflitos com sua mulher, com alguns membros da sua equipe e com um outro “documentarista marítimo”, o capitão/diretor interpretado pelo Bill Murray é sempre triste e irônico, com a comédia cínica dos filmes do Wes Anderson.

Contudo, o ponto alto nesse caso definitivamente não tá na história ou no desenvolvimento das personagens. O Seu Jorge no papel de um dos marujos/documentaristas é quem dá o toque especial aparecendo vez ou outra na tela, com seu violão e as músicas do Ziggy Stardust traduzidas pra nossa língua lusitana! Tendo descoberto o ator no filme Cidade de Deus, Wes Anderson ainda não sabia de sua fama musical e ficou surpreso ao descobrir quando o Seu Jorge chegou nas filmagens que ele é um músico importante aqui no Brasil.

Tendo sido elogiadas pelo próprio camaleão do rock (“Se Seu Jorge não gravasse minhas músicas em português, eu nunca teria ouvido este novo nível de beleza que ele colocou nelas”) as faixas são todas traduções do próprio ator brasileiro com a exceção de “Starman“, que aparece no filme na versão do Nenhum de Nós, mas tocada também pelo Mané Galinha.

De resto, vale a pena dizer que após o filme, o Seu Jorge gravou um dico sob o título de “The Life Aquatic – Studio Sessions”, com as músicas do filme e ainda mais algumas do Bowie em suas versões.

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha Sonora: