Paramnese e Que Ainda Acredite Nisso, as bandas dum cara que me ensinou umas coisas

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Esse texto eu dedico ao meu professor da coragem. Te imagino fora dos mercados vendo as famílias fazendo compras de noite, na calçada contando os segundos do farol no centro da cidade, dando um passo curto pra frente. Eu dedico esse texto ao cara com quem me comparam quando eu declarava um amor bêbado no meu aniversário de 18 anos e em tantas outras ocasiões. Muito obrigado cara, de verdade.

Banda Paramnese tocando a música “Espinafres em Dó Maior

No meu terceiro ano do colegial tive um professor de português muito loko. Com o sotaque sorocabano, o cara além de declarar os amores pelo Fernando Pessoa me ensinou algumas das coisas mais importantes pra minha vida: me ensinou a ouvir Belchior, me ensinou a entender o Ginsberg e me ensinou a ser menos babaca. Acontece que além de tudo, o cara sempre de camisa vermelha é também um poeta do caralho e apaixonado pelo rapaz latino americano, um louco por música e por tabela, um músico com composições absurdas.

A primeira “banda séria”, a Paramnese durou de 2007 até 2014, passando por várias formações ao longo desse tempo, aconteceu em Campinas quando o meu tal professor (Cássio Correa, no baixo) e um colega de faculdade (o Gera, baterista), que já tocavam juntos há um tempo, conheceram o Rodrigo (trompetista) que então trouxe o Frans (guitarrista) e aí tinham a primeira formação. Quando o Frans saiu, quem entrou no seu lugar foi o Cabé, “professor fundador de cursinhos populares em Campinas, cara gente fina!”, segundo as palavras do Cássio. Mas ele ficou pouco tempo e então entraram o Paulo (percussão) e o Jeff (violão e guitarra). Nessa hora, eram cinco poetas na banda, mas as letras todas do Cássio e do Paulo.

Com essa formação que gravaram a maioria das músicas, num esquema de “ser tudo cambiante, todo mundo tocar tudo, meio Belle and Sebastian“, novamente segundo as palavras do meu professor. Músicas por sinal, todas com uma sonoridade e uma letra que misturam uma série de influências, desde Pink Floyd até Belchior, passando por Dylan, poesia beatnik, e o mundo visto da janela do ônibus de noite.
O Gera saiu depois de um tempo e aí a banda ficou sem batera. O Caio passou um tempo com a banda e o Jeff (o do violão/guitarra) foi se dedicar a outros projetos. No final ficaram só o Cássio, o Rodrigo e o Paulo até a morte do Rodrigo, um “cantor e trompetista, poeta, filósofo, clown, lutador, sindicalista, amigo daqueles que são melhor amigo” (segundo a referência das outras citações) em 2014, com a banda já na crise das bandas.

Alguns anos depois, surgiu um outro projeto. A banda (dupla) Que Ainda Acredite Nisso era a remanescência do paramnese, o Cássio e o Paulo, ainda com uma sonoridade tocante que fala sobre todas as coisas da vida com uma estranha sensação de um desespero agonizante que é ao mesmo tempo uma alegria dopada de quem entende o sentido da vida às três da manhã gritando uma música qualquer numa praça do centro da cidade.

Hoje o Cássio continua escrevendo e lançou um livro recentemente com suas letras sob o título “Suas Canções Parecem Poemas“, segundo ele, frase dita por muitos sobre suas músicas.

Seguem os links pras bandas no soundcloud e pro seu blog de poesias.

Paramnese:

Que Ainda Acredite Nisso:

Blog de poesias do Cássio:

https://pentespraticos.wordpress.com/

É isso aí galera. Valeu!

Splendora, a banda underground da trilha sonora do desenho da menina niilista Daria

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Daria

Daria, a animação da MTV dos anos 90, se tornou um símbolo da cultura pop underground, em parte pela estética, em parte pelas pesonagens e em parte pela icônica música de abertura “You’re Standing on My Neck“. Contudo, pouco se fala sobre a banda.

Formada pelas irmão Tricia e Janet Wygal, Delissa Santos, Cindy Brolsma e Jennifer Richardson a girl-band Splendora se destaca como banda underground da última década do século. Tendo sido deixada de lado pela Geffen Records em prol da atenção ao Beck e à Lisa Loeb, assinaram com a Koch Records e lançaram em 95 seu único álbum de estúdio, In The Grass (o nome da banda junto ao nome do disco, faz uma referencia ao filme “Splendor In The Grass” de 1961).

Sem ter feito muito sucesso, inclusive pela dificuldade encontrada por falta de um agente, um ano depois do lançamento de “In The Grass” a banda conseguiu algo. Cindy Brolsma, a violinista que na época trabalhava na produção do spin-off de Beavis & Butthead, Daria, colocou estrategicamente um CD da Splendora na mesa do produtor. Sem muito dinheiro pra investir na trilha sonora e buscando uma sonoridade que combinasse com o tom niilista contemporâneo da animação, acabou que a banda escolhida foi essa mesma.
Além da abertura, a banda conta com outras duas músicas na animação, nos filmes da série: “Turn The sun Down” e “College Try“, as duas, assim como “Standing On My Neck”, nunca lançadas oficialmente. “Eu acho que seria ótimo se alguém da MTV/Viacom reunisse tudo isso. Mas acho que todos os seus trabalhos estavam tão compartimentados …” diz Janet sobre a trilha da série que nunca foi lançada oficialmente.

Ainda sobre a soundtrack, vale citar a banda ficcional de um dos personagens da série. A Mystic Spiral que aparece em vários episódios, se consagra (ao menos pra mim) com “Freakin Friends“, que apesar do título, não abre mão do som sujo e pesado, com uma letra surreal que todas as músicas da Daria apresentam.

Por fim, vale dizer que tudo o que se pode fazer é lamentar. A ótima banda não seguiu carreira, contudo nos presenteou com esse disco que é uma pérola do grunge.

“Os Famosos E Os Duendes da Morte” (2009) – Um sad boy no Sul e o Bob Dylan

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Os Famosos E Os Duendes da Morte
Lançamento: 2009
Direção: Esmir FIlho
Roteiro: Ismael Canepelle
Elenco Principal: Ismael Canepelle, Henrique Larré, Tuane Eggers, Aurea Baptista e Samuel Reginatto

 

Meio que seguindo a linha de filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, Os Famosos E Os Duendes da Morte conta da vida e das suas descobertas cobertas pelas suas angústias durante a adolescência. O Mr. Tambourine Man (o nome sob o qual assina o protagonista), se equilibra entre um riso emaconhado com o amigo nas madrugadas frias e uma forte sensação angustiante. Tudo isso, numa pequena cidade do interior gaúcho, cheia de antigas moralidades, histórias mais que mal resolvidas e um desespero que parece rondar a cabeça de todos os personagens.

De um jeito lindo, Esmir Filho, o diretor, constrói a trama como uma espécie de solução pra todas angústias do menino. Impulsionado pelo desejo de ir ao show do Dylan, o fã mirim de alguma forma consegue um estado interessante que lhe permite uma sobreposição do riso acima da angústia, uma visão duma vida fora daquele universo que o filme apresenta como tóxico e doente.

E é lógico que, se o garoto curte Dylan, o filme precisa duma boa trilha. Mesmo sem nenhum som do cara da gaita, as músicas arrasam e se encaixam “feito luva” no longa, elaborando emoções no espectador que causam um estranho e confortável desconforto. O gaúcho Nelo Johann, nascido no interior do Rio Grande do Sul e compositor da trilha, é essencialmente um desses indies sad boys, mas ainda assim é um absurdo dizer que as notas do cara não trazem originalidade nenhuma. Com uma série de efeitos, atonalidades e letras carregadas de metáforas oníricas, ele consegue atingir um desespero nos ouvidos de quem ouve que poucos conseguem… Por sinal, a influência do som do Pink Floyd em sua fase Barret é bem clara!

“O convite veio através do Ismael Canepelle, que roteirizou o filme e me conhecia de infância… Então o Esmir me conheceu, entrou em contato comigo e começamos a trabalhar na idéia, bem antes do filme ser rodado… Fiquei felicíssimo, claro. A idéia do filme me agradou muito logo de cara, depois só se confirmou o prazer de trabalhar com pessoas tão talentosas e queridas.” (http://meio-bossanovaerockandroll.blogspot.com.br/2010/05/entrevista-nelo-johann.html). Depoimento do músico Nelo Johann em entrevista ao blog Meio Bossa Nova.

Trailer:

Trilha sonora: (João, salva aê, please!)

“Era Uma Vez” (2008), um “Romeu e Julieta” carioca com trilha de Luiz Melodia

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Era Uma Vez

Era uma Vez
Lançamento: 2008
Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade e Domingos de Oliveira
Elenco Principal: Thiago Martins, Vitória Frate, Rocco Pitanga e Cyria Coentro 

“Meu nome é Thiago Martins. Nasci numa favela, na zona sul do Rio de Janeiro.Moro lá até hoje. Faço parte do grupo de teatro Nós do Morro. Eu batalhei muito pra fazer esse filme, porque essa história, podia ser a minha.Nessa guerra não tem vencedor. Rico, pobre, todo mundo sai perdendo. Eu não sei se essa cidade tem solução, não sei, mas se as pessoas olhassem com mais cuidado uns pros outros, acho que seria diferente.”

A última fala do filme antes dos créditos, um depoimento de Thiago Martins, o ator que interpreta o protagonista.

Porrada. Muito porrada. E fofo, muito fofo.

A versão moderna de Romeu e Julieta dirigida por Breno Silveira tem um revestimento de contraste social bem mais intenso e violento que em Shakespeare. Dé (Thiago Martinsé um moleque do morro do Canta Galo que perdeu um dos irmãos quando era pequeno, morto por um cara que tava entrando no tráfico e outro irmão pra cadeia, preso inocente. Sem nunca ter conhecido o pai e sempre sendo companheiro fiel pra mãe, ele trabalha numa barraca de cachorro quente na praia de Ipanema e desafiando o dizer da mãe de que “pobre é pobre e rico é rico”, se apaixona pela Nina (Vitória Frate), a menina rica que o Dé fica espionando: ela na janela do condomínio, na orla da praia e ele no quiosque.

Dé criança e o irmão mais velho

Dum jeito bem fofo, a história se desenrola até eles ficarem juntos e aí surgem as mil tretas. O pai da Nina (Paulo César Grande), superprotetor, se opõe a relação dizendo que tem medo do que pode acontecer com a filha entrando no morro, que aquele não é lugar pra ela; a mãe do Dé (Cyria Coentro) também entra no jogo: diz que não quer polícia vasculhando filha de rico na casa dela, que aquilo ia ser problema. Óbvio que, no melhor esquema shakespeariano, os dois continuam juntos. A coisa é que além dos pais existem outras coisas… As complicações que surgem com a polícia e com os traficantes ao longo do longa, denunciam dum jeito lindo, e sempre acompanhado de Luiz Melodia, uma realidade que parece proibir em constituição legal, que a história seja fofa.

Ipanema vista do Canta Galo “- Nossa, é perto, né? – Acho longe…”

Aproveitando o gancho da última frase, já entro na parte musical. A trilha tem do batidão à Luiz Melodia, passando por Mart’náliaMartinho da Vila e Marisa Monte, fazendo um panorama no mínimo interessante da música brasileira.

A inspiração para a trilha sonora de “Era Uma Vez…” nasceu da trajetória do personagem Dé, o protagonista do filme. Surgiu, então, a idéia de compor e escolher canções em primeira pessoa, tornando-as mais intimistas. “O fio condutor da trilha original era passar ao espectador o que estava na cabeça do Dé, e não deixar a música como algo apenas decorativo”, revela o produtor Berna Ceppas, autor da trilha original do longa-metragem.”

É a partir desse relato que fica clara a importância da trilha no filme e o valor a ela atribuído pelos produtores. Foi composta exclusivamente para o filme, a música “Uma Palavra” da Marisa Monte em parceria com o Carlinhos Brown e o Arnaldo Antunes.

Foi ideia também da Marisa a inserção da música que eu entendo como sendo o carro chefe da soundtrack: “Minha Rainha”, no filme com a voz do maravilhoso Luiz Melodia, arranca suspiros de qualquer um e obriga um sorriso.

Ah, e outra que também não pode ficar pra trás é a composição do Carlinhos Brown, “Vide Gal”, no filme cantada pela Mart’nália e Martinho da Vila.

Trailer:

Filme:

“La Haine (O Ódio)” (1995): Bob Marley e hip hop nos conflitos entre a polícia e a população em Paris

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La Haine (O Ódio)
Lançamento: 1995
Direção e Roteiro: Mathieu Kassowitz
Elenco Principal: Vincent Cassel, Hubert Koundé e Saïd Taghmaoui

Paris, a cidade luz, a capital do glamour, dos vinhos chiques e de mais uma porrada de coisa, é também, fora do centro e da torre Eifel, uma cidade violenta, onde o “conflito” entre a polícia e a população imigrante pobre manda na ordem dos dias. No filme de Mathieu Kassovitz (que havia de fato, perdido um amigo que morreu sob custódia da polícia), os amigos Vinz (Vincent Cassel), Hubert (Hubert Koundé) e Saïd (Saïd Taghmaoui), depois da noite dum protesto violento contra a ação policial na região que tinha matado um garoto, se encontram, fumam um beck, trocam uma ideia falando sobre a noite passada e inventando história pra contar vantagem, tretam, contam piadas, vão pro centro da cidade encontrar um cara que tava devendo uma grana pro Saïd, perdem o metrô pra voltar, ficam rondando Paris de madrugada e mais uma série de coisas, sempre botando a relação entre ele e suas reflexões de gente chapada, em contradição com uma realidade brutal que é o jogo de classes, na França e em todo o mundo.

Beeem chapados..

Inteiro em PB, o longa de 1995 que conta com dois cenários (o conjunto habitacional na periferia da cidade e o centro de Paris) e também com uma trilha muito loka. A cultura do hip hop que na época bombava no mundo bombava também em Paris, com representantes como os rappers Cut Killer e Passi e a banda Assassin, e no filme isso não fica escondido. A cena provavelmente mais massa é quando tá toda uma galera numa praça e um DJ do bairro em um prédio bota umas caixas de som na janela e faz um som misturando o rap “Assassin de La Police” com “Non Rien De Rien” da Edith Piaf.

O DJ que aparece no vídeo é o próprio Cut Killer, autor do som “Assassin de La Police“.

Além dos raps franceses, o filme também conta com um “Burnin’ and Lootin’” do The Wailers, um “Say It” do Jonh Coltrane, a dançante “More Bounce to The Ounce” do Zapp, “That Loving Feeling” do Isaac Hayes e mais uma porrada de coisas entre jazes, reggaes, raps e etc.

Trailer:

“Guardiões da Galáxia” – filme toscão da Marvel tocando num walkman

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Guardians Of The Galaxy
Lançamento: 2014
Diretor: James Gunn
Elenco Principal: Chris Pratt, Zoe Saldana, Vin Diesel, Bradley Cooper

Bem toscão mesmo! Com umas piadas bem bostonas, o filme é o maior barato pra ver desligadão e aproveitar pra curtir os sons good vibes bem 70’s que tocam em cima de cenas onde talvez fizesse bem mais sentido que o barulho fosse dos lasers disparados das estranhas armas futurísticas.

Peter Quill (Chris Pratt) é um terráqueo que quando criança em 1988, no dia da morte da mãe foi raptado por um grupo de saqueadores alienígenas, e por eles criado. Em 2038, fugindo deles após tê-los abandonado em prol de manter para si só o pagamento duma orb que ele roubou num planeta estranho, Peter acaba numa prisão com dois caçadores de recompensa e uma mina que tava atrás da mesma orb. O quarteto monta um plano de fuga e ainda convoca mais um integrante (um cara bizarro que já tava lá na prisão) e saem de lá pra tentar vender o tão querido objeto. Acontece que o grupo de “malfeitores” descobre o poder da coisa e entende que não pode ser vendido a ninguém e que deve ser destruído para que o universo continue (fala aê, é bem zuado, né não?).

 

A música entra na história do protagonista. O que Quill guarda da mãe, é um walkman e fitas com as músicas que os dois ouviam juntos. O aparelho, de alto valor para Peter, o acompanha durante o filme todo, sempre tocando as músicas da fita (às vezes junto dele dançando, às vezes junto de cenas de efeito). Com o créme de la créme da música disco (incluindo as baladinhas slow dancing) e uns rockão tipo “Moonage Daydream” (David Bowie) e “Cherry Bomb” (The Runaways), a trilha é o auge do longa e é o que cria a áurea do personagem que acredita de verdade, inclusive citando o Kevin Bacon, no que “Footloose” nos ensina: todo mundo dança e essa é a energia mais massa que tem! Além dos já citados, vale dizer que a soundtrack conta também com Marvin Gaye, Blue Suede, Rupert Holmes, Red Bone, Five Stairsteps, Raspberries, Norman Greenbaum, Elvin Bishop, 10CC e Jackson Five.

Trailer:

 

Uma lista de trilhas sonoras pro Dia das Crianças (que já foi, mas tudo bem…)

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Faz um tempo que tô numa brisa bem legal de reassistir umas animações infantis da virada do século. Aproveitando a semana do dia das crianças (a seguinte, na real, né…), resolvi usar este espaço sobre soundtracks pra falar dessas animações (meus xodós), uma vez que nelas a música é um elemento central e que intensifica bastante aqueles feelings bem toscos, mas bem reais que marcam filmes como “Spirit, O Corcel Indomável” e “Shrek”. Óbvio que não vai dar pra falar de todos, mas selecionei alguns que acho mais legais e é isso. Bora lá!

1- A Goofy Movie (Pateta, O Filme) – 1995

Direção: Kevin Lima

Roteiro: Jymn Magon

O filme que mostra a relação entro o famoso Pateta e seu filho adolescente Max, é basicamente um musical. O filho sendo fã do cantor Power Line, um astro do “rock”, tenta imitar o artista numa apresentação que faz interrompendo a fala do diretor no último dia de aula antes das férias de inverno e meio que se fode por isso. O pai, entendendo tudo errado, achando que o Max viraria um “delinquente” bota o aborrecente no carro e os dois vão viajar prum lago, onde o Pateta pescava quando criança. Os conflitos geracionais vão se dando de modo meio tosco, mas bastante bonito, emocionante e cômico, recheado de sons que fazem do filme o filme foda que o filme é.

2- Spirit: Stallion of The Cimarron (Spirit: O Corcel Indomável) – 2002

Direção: Kelly Asbury e Lorna Kook

Roteiro: Jonh Fusco e Michael Lucker

Com a música já não tão importante quanto no outro, o “filme do cavlinho” é absurdamente emcionante e aí sim, isso é MUITO por causa das músicas. Trabalhando sempre em cima da contradição entre o “selvagem e o civilizado”, a animação explora a rebeldia dum cavalo nas pradarias do oeste americano que não se rende às rédeas do exército. A trilha composta por Hans Zimmer e Bryan Adams, traz bastante dessa rebeldia num som bem pop rock, com músicas como “Get Off of My Back” e “You Can’t Take Me”, que trazem bastante duma raiva roqueira meio wild e bem massa.

3- Shrek (Shrek) – 2001

Direção: Andrew Adamson e Vicky Jenson

Roteiro: Ted Elliot, Terry Rossio, Joe Stillman e Roger S.H. Shulman

  

Todos são fantásticos, mas pelo menos pra falar da trilha, o primeiro é com certeza o mais foda. Com Leonard Cohen, The Monkeys, Smash Mouth (por sinal, no filme, todas as músicas são interpretações deles), Shrek arrasa com a subversão do clichê do conto de fadas. O protagonista,  um ogro meio puto com tudo e todos, vai atrás duma princesa trancada numa torre com dragão e tudo, em troca do rei deixar seu pântano em paz. Óbvio que dá ruim e o ogro se apaixona (todo mundo já viu esse né? tipo, não preciso me preocupar com spoillers, certo?). Muito fofo, com músicas incríveis e simplesmente genial, esse acho que entra pro meu top 10 de filmes…

E só pra terminar, deixo vocês com um hino:

Valeu!

“The Wall” (1982) – O mal estar da civilização numa perspectiva Floydiana

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The Wall

Pink Floyd – The Wall
Lançamento: 1982
Diretor: Allan Parker
Roteiro: Roger Waters
Elenco Principal: Bob Geldof, Christine Hargreaves e James Laurenson

Antes de tudo, queria dizer que foi extremamente trabalhoso fazer esse texto. Além da minha conexão com o filme em questão ser muito forte, toda vez que punha Pink Floyd pra me inspirar, só entrava numa brisa intensa e absurdamente profunda (porque é isso que Pink Floyd faz). Foi ainda bastante desafiador fazer isso sem ficar muito intelectualóide, mas nisso já acho que não tive tanto sucesso… Enfim, fica aí o texto sobre o que é pra mim, a maior obra de todos os tempos. Valeu! Curtam aê!

Imagético, sensitivo e alucinado, o filme faz a partir do disco “The Wall” do Pink Floyd de 1979, uma grande reflexão sobre os muros que nos cercam (individual e socialmente) e suas construções numa perspectiva claustrofóbica que só soma mais tijolos no muro. Contando com o Bob Geldof (vocalista do Boomtown Rats) no papel do protagonista, o musical que é um amontoado de clipes, se constrói como sendo as alucinações dum músico famoso (Pink) em uma viagem lisérgica no seu quarto de hotel antes dum show, misturando lembranças de sua infância com as do seu casamento e paranoias de todo o tipo, criando imagens oníricas dignas das mais intensas interpretações freudianas. As animações do Gerald Scarfe que transfiguram os desenhos do artista, reforçam a potência sonhadora da obra além de darem uma baita ajuda na decodificação das alucinações do cara.

O álbum que inspira o filme é por si só já uma ópera (obviamente sem a parte visual). Bastante auto-biográfico e marcando, junto com o “Final Cut” de 83, o momento da banda de discos DO ROGER WATERS (o que, com razão, deixou os outros membros meio putos), o disco conta a história dum músico famoso que cresceu sem o pai morto na guerra, com uma super proteção da mãe, uma repressão bizarra na escola e por fim já em sua fase adulta, uma uma decadência em drogas que “faz parte do trabalho”.

Sobre o disco, ainda, vale ressaltar o trabalho do produtor e engenheiro de som Bob Ezrin, responsável pelas falas que acompanham as músicas, introduzindo-as e conectando-as, reforçando o caráter operesco do álbum.

Voltando à questão temática, o muro são milhares de muros. São os que construímos ao redor de nós mesmos, mas é também o muro de Berlim (o filme é de 82, a tensão pra queda já tava bem forte) são os muros impostos socialmente que dizem “estes aqui, aqueles ali”, são os muros feitos de carros de luxo que erguemos pra nos defender de nós mesmos (o filme trabalha durante toda sua extensão com a tensão que existe entre o eu e o cara do espelho) e ainda mais uma série de outros que eu ainda na décima vez em que assisto não percebi. O que vai ficando cada vez mais claro pra mim, são as maneiras como o Pink (o cantor personagem no filme) se desespera constantemente com os tijolos que o cercam e tenta quebrá-los em atos de loucura exacerbados e destrutivos (é necessário destruir a si mesmo pra destruir o muro?).

Is there anybody out there?

Esse tal desespero que é meio que a marca duma boa gama de músicas do grupo, e que é marcado sempre com os solos psicodélicos e as letras apocalípticas que indicam “dissociação de identidade”, aparece na “ópera” com os surtos do Bob Geldof pulando e quebrando tudo, xingando o mundo da janela do quarto.

O filme é ainda cheio de referências à banda, como o momento em que o professor lê a poesia escrita pelo Pink criança e a tal poesia é um trecho de money (“New car, caviar, four star daydream/ Think I’ll buy me a football team“). Também quando o cantor entra no banheiro do quarto, raspa a sobrancelha, corta curto o cabelo, raspa os pelos do peito e deixa sangrar umas gotas pelo corpo, é uma referência ao Syd Barrett (fundador do Pink Floyd) que uma vez abandonou um jantar, foi pra casa, raspou a cabeça e voltou ao jantar como se nada tivesse acontecido.

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

“Sing Street” (2016) – Romântico, post-punk e adolescente

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Sing Street

Sing Street (Sing Street)
Lançamento: 2016
Direção: Jonh Carney
Roteiro: Simon Carmody
Elenco Principal: Ferdia Walsh-Peelo, Lucy Boynton, Jack Reynor, Aidan Gillen, Maria Doyle Kennedy e Kelly Thornton
 

É incrível o que acontece quando um mauricinho encara o rock. Durante uma crise econômica na Irlanda em plenos anos 80 e uma crise conjugal entre os pais de Connor (Ferdia Walsh-Peelo), garoto acostumado com o ambiente caxias e educado duma escola classe média, é transferido pruma outra a fim de fazer cortes nas despesas da família. A nova escola, gerida por uma velha congregação de padres, é o esteriótipo de “puta zona”: alunos fumando em sala de aula, professor bebendo enquanto dá a aula de latim e etc; E tudo isso em contraposição com regras ridículas, rigidamente impostas e obedecidas, como o uso de sapatos pretos.

O nosso jovem Connor, ainda com dificuldades pra se adaptar ao novo meio, se apaixona por uma mina que fica sempre em frente à escola do outro lado da rua e a convida pra participar dum clipe da sua banda. Mas o cara nem tem banda, então se vê obrigado a formar uma. Seguindo os conselhos do irmão mais velho, que lhe apresenta Duran Duran, Joy Division, New Order, The Cure e outros, o moleque consegue reunir uma galera a fim de fazer um som e eles passam a tocar num estilo que eles chamam de “futurista”, mas que na real é meio que uma reprodução da vibe post-punk da época.

Além dos hits, o filme conta com músicas originais, que dentro da história são composições do Connor pra Raphina (Lucy Boynton, a garota do clipe), o que só intensifica o tosco romantismo adolescente que marca o movimento em todas as letras do Morrissey.

A primeira música da banda, que é a do vídeo pro qual a musa foi convidada, marca a referência nas letras à própria, além da influência do Duran Duran.

A segunda que eles gravam, ainda como homenagem à Raphina, marca agora a influência do The Cure, estilo que permanece até o fim do filme, descrito como “happy-sad” (com direito até às palmas que marcam “Close To Me“).

Quanto ao mauricinho, quanto mais ele se envolve com as músicas e descobre as possibilidades estéticas de se estar numa banda, mais ele abandona o estilo bom moço pra fazer cosplay de Robert Smith, bagunçar o cabelo e usar maquiagem.

Trailer:

Trilha sonora:

É isso aí galera. Assistam, ouçam e curtam! Valeu!

“Christiane F.” (1981) – David Bowie numa trilha sonora prostituída e drogada

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Christiane F

Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo (Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída)
Lançamento: 1981
Direção: Uli Edel
Roteiro: Uli Edel, Kai Hermann, Horst Rieck e Herman Weiegel
Elenco Principal: Eberhard Auriga, Natja Brunckhorst, Peggy Bussieck, Lothar Chamski e Rainer Woelk

 
Na ansiedade comum ao início da adolescência, Christiane F., aos 13 anos enganou a mãe com o chavão “vou dormir na casa da minha amiga” e saiu com a amiga pruma balada na noite de Berlim. O lugar, habitado por uma galera usuária de heroína, é um antro de “decadência moral” que espanta e impressiona a menina. Mal criada a
David Bowie e fã do mesmo, a adolescente vai, enquanto se apaixona por um dos “degenarados”, se interessando cada vez mais pela possibilidade da siringa. Experimenta, experimenta de novo, se vicia, faz de tudo pra conseguir um pouco, tenta sair do vício, vê amigos morrerem e etc.

Feito a partir da autobiografia de 1982 “Christiane F: Autobiography of a Girl of the Streets and Heroin Addict” e metendo aflição pacas em quem assiste (principalmente nas cenas de abstinência), o filme pop é recheado com o som pop do pop David Bowie. Contando com a aparição do próprio num show onde vai a menina, parte do filme se constrói com as músicas do camaleão que dão o tom da descoberta da vida na juventude e todas suas consequências.

Vale a pena destacar a cena de “Heroes”. Invadindo uma galeria de madrugada, Christiane, seu “crush”, a amiga e mais uma galera correm, quebram vidros, roubam umas poucas moedas e fogem da polícia até o terraço do prédio onde ficam até amanhecer. Talvez uma das melhores versões dessa música!

Além do mais, “Look Back in Anger” tocando durante o show é outra que levanta o astral do filme com um pique meio 15 anos…

Segue em link o trailer e a trilha sonora do filme.

Trailer:

Trilha sonora:

Vejam e ouçam! Valeu!