Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina se juntam para turnê pela América do Sul

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Francisco El Hombre - Foto: Rodrigo Gianesi

Quem conseguiu comprar ingressos para ver o show da Francisco el Hombre junto com a Cuatro Pesos de Propina nesta sexta-feira (21), no Sesc Belenzinho, vai ver uma big band com dezesseis músicos no palco, numa junção de ritmos latinos e punk rock. Esse encontro entre brasileiros e uruguaios será o primeiro da turnê “Rompe Frontera”, que vai passar por 18 cidades e três países em apenas 30 dias.

As bandas se conheceram de forma inusitada. Na época a Francisco El Hombre ainda era uma banda de estradeiros que faziam apresentações nas ruas da América Latina. Certo dia, em uma cidade do litoral uruguaio, a apresentação dos brasileiros teve que ser interrompida por uma razão não convencional. “Tivemos que parar de tocar por conta de um barulhão que vinha de uma quadra de futebol próxima dali. Corremos para lá e vimos um palco enorme, com cinco mil pessoas cantando e foi ali o nosso primeiro contato com eles”, conta Mateo Piracés- Ugarte, violonista da FEH.

Depois desse encontro inicial as duas bandas estreitaram relações e fizeram alguns trabalhos juntos. Sempre uma convidando a outra para tocar em seu país. Foi assim quando a Cuatro Pesos de Propina veio tocar em Porto Alegre e a FEH em Montevidéu. “Nossos públicos se casam. Nesses shows sempre rola uma energia incrível”, comenta Mateo.


(Cuatro Pesos de Propina – Foto: Yenifer Piaza)

Inicialmente, a impressão é que musicalmente as bandas não tenham muito a ver. A Francisco El Hombre faz um som mais gipsy-folk, enquanto os uruguaios têm uma pegada mais de ska e punk rock. Mas segunda Mateo, há similaridade nos discursos que ambas as bandas fazem. “Todos nós da Francisco somos da escola do hardcore e nossa proposta tem muito de transmissão de mensagem através da música e se você ouve o CPP percebe logo isso também em suas letras”.

Unir quase duas dezenas de pessoas em cima de um palco não é tarefa fácil. Os dois grupos há um tempo vêm se inteirando do repertório do outro, mas para o violonista da Francisco El Hombre a sintonia e a parte orgânica vem falando mais forte nos ensaios. “Está rolando tudo com o coração e com paciência. Trabalhar com banda é aprender a construir coisas juntos. As duas bandas se admiram e confiam muito uma na outra e isso está fazendo brotar coisas incríveis”.

Como registro dessa parceria a Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina lançaram esta semana um EP com o mesmo nome da turnê onde uma banda escolheu uma música da outra para fazer um cover. O resultado você confere nos vídeos abaixo.

Boogarins faz mistério sobre a língua de seu próximo disco

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Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

Ainda estamos no primeiro semestre de 2017 e a Boogarins já se prepara para a sua segunda turnê internacional deste ano. Não está errado em dizer que hoje eles são a banda independente brasileira com maior notabilidade no mercado internacional. Além de terem contrato com a gravadora norte-americana Other Music, os goianos já tem no currículo participação em grandes festivais como Primavera Sound e Rock in Rio Lisboa.

E internacionalização da banda parece um caminho sem volta. Prova disso é o single “A Pattern Repeated On” lançado na semana passada e que conta com a participação de John Schmersal, do Brainiac, nos vocais. Por ser a primeira vez que lançam uma música autoral em outra língua, cresce a expectativa para saber se o disco que vai suceder o aclamado “Manual” terá composições em inglês.

Em uma conversa minutos antes da banda subir ao palco da 19ª edição do Festival Bananada, o baterista Ynaiã Benthroldo fez mistério sobre como será esse novo disco do Boogarins. Na entrevista ele também fala que os shows dessa nova turnê servirão como teste para as novas músicas e da relação da banda com a cena fora do país.

– O lançamento do single “A Pattern Repeated On” é um sinal que o próximo disco da banda terá canções em inglês?

A gente vem experimentando novas coisas. Se eu responder essa pergunta vou acabar falando tudo de como será o próximo disco. É bom deixar uma curiosidade.

– Como está a carreira internacional da Boogarins?

A melhor coisa é essa relação que a gente faz com outras pessoas, de outros lugares. Já fizemos muitas parceiras aqui no Brasil com outras bandas e estamos fazendo isso também com gente lá de fora e criando essa relação.

  • – Como será essa nova turnê gringa que começa no próximo mês?

Banda meio que nasceu de verdade depois de gravar o primeiro disco e ele ser lançado por uma gravadora dos EUA. A partir daí que tivemos uma agenda de show e uma postura mais profissional. Já passamos dois meses nos EUA esse ano, fazendo alguns festivais e agora estamos voltando para tocar durante o verão e fazer toda Costa Oeste, parte da Leste e pode voltar ao Texas onde a gente adora tocar. Depois vamos direto para Portugal e Espanha onde estamos criando uma relação boa.

  • – O show do Bananada vai ser o mesmo desta turnê?

Não. A gente já toca esse single que lançamos a pouco, mas estamos encerrando esse ciclo do disco “Manual”. A gente já gravou muita coisa e quer experimentar isso no palco agora com outros elementos e um outro set de instrumentos.

Components e a clássica história de rock’n’roll no Festival Bananada 2017

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Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

A história é até bem conhecida. Ter amigos de infância, compartilhar com eles os mesmos gostos e influências de diferentes coisas, e ali pela adolescência despretensiosamente juntar parte da turma e montar uma banda de rock para passar o tempo. Esse roteiro deve ter se repetido em vários lugares do mundo e não seria diferente em Goiânia, onde nasceu a Components.

Os quatro garotos cabeludos fazem um som de gente grande, mesmo que ao olhar para eles tenha-se a sensação que acabaram de sair de uma aula do cursinho pré-vestibular. Com a formação atual tocando desde 2013 a banda tem dois singles lançados e está acertando os últimos detalhes para lançar seu primeiro disco, previsto para sair ainda no segundo semestre deste ano.

Conversamos com eles, no Cafofo Estúdio, pouco depois do show que fizeram na segunda noite do Bananada 2017. Gabriel Santana (Guitarra e Backing Vocals), Hugo Bittencourt (Bateria), Matheus Azevedo (Vocais), Miguel Rojas (Baixo e Backing Vocals). falaram sobre a cena goiana, referências, videoclipes e uma possível turnê junto com o disco de estreia.

Começo

Nos conhecemos desde crianças. As mães do Miguel e do Hugo se conhecem desde antes deles nascerem. São quase vinte anos de convivência. No início tocávamos músicas e inglês e a primeira formação não tinha o Matheus, que entrou na banda para substituir o Miguel quando ele foi fazer intercâmbio. A partir de 2015 passamos a fazer músicas e português porque fazia mais sentido pra gente e para o nosso público e assim passávamos melhor a nossa mensagem.

Referências

Sempre é complicado falar sobre referência, mas se tem uma banda que a gente se identifica e gosta muito é a Violins, aqui de Goiânia. Tanto que o Beto Cupertino faz uma participação no nosso disco. E como esse disco vem sendo feito há, pelo menos, dois anos pegou várias fases nossas em que ouvimos várias coisas diferentes. No ínício ouvíamos muito Foo Figthers, hoje não escutamos tanto. As primeiras músicas que fizemos pro disco são muito mais pesadas do que as que fizemos no final.

Cena Goiana
É uma das mais legal do Brasil. O Bananada é uma prova disso. Estamos tocando pela terceira vez no festival. Mas ainda não é uma cena sustentável, como nenhuma é no Brasil se for comparar com as lá de fora onde existe um mercado para a música alternativa. Mas os várias festivais que existem na cidade mostra que temos uma cena forte.

Tocar fora
Já fizemos dois shows, com o festival Vaca Amarela, no Rio e no Móveis Convida, em Brasília. Mas temos a intenção que quando o disco sair a gente entre num carro e caia na estrada para um turnê rodando cidades entre Minas Gerais e São Paulo.

Clipes
A culpado por fazer nossos clipes é o Hugo. É incrível que com apenas duas músicas lançadas e dois clipes a gente tenha alcançado um público que ultrapassa as fronteiras de Goiás. Tudo isso se deve a internet. Tem gente de locais muito distantes como Guanabi, na Bahia, e São Luis, no Maranhão.

Da internet para os palcos: Chell é a prova que os tempos mudaram e as coisas acontecem primeiro na web

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foto: Gil Luiz Mendes

Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

foto: Gil Luiz Mendes

Sou de uma época que conheceu a internet no meio da adolescência. O contato com a música vinha um pouco antes desse período. Quem queria ter uma banda se virava como dava para aprender a tocar e depois juntava uns camaradas para ensaiar em qualquer garagem ou estúdio improvisado. Não precisa ser nenhum gênio para notar que os tempos mudaram.

Hoje se acessa a internet para depois ouvir música, ou se acessa a internet para ouvir música. E na rede também se aprende música e se aprende sobre música. Ela ainda pode ser usada para fazer música. Enfim, as possibilidades de coisas que se pode fazer juntando música e internet são infinitas e cada uma usa e tira proveito da maneira que mais lhe convir.

No caso da gaúcha residente em Goiânia Chell, a internet a levou à música. Aprendeu a tocara violão vendo cifras em sites e primeira vez que mostrou publicamente uma canção composta por ela foi no canal que mantém junto com a namorada para discutir assuntos do universo LGBT. São quase 100 mil inscritos e com a repercussão dessa audiência, ela viu que tinha espaço para se dedicar à música.

foto: Gil Luiz Mendes

Poucos meses depois de publicar o vídeo com sua música, entrou em estúdio e de lá saiu com cinco faixas que fazem parte do seu primeiro EP, lançado nas plataformas digitais em fevereiro desse ano. Com um pop/folk simples e direto, com letras minimalistas sobre o universo amoroso de alguém recém-chegado aos 20 anos, confessadamente influenciada por Mallu Magalhães, o som de Chell atinge em cheio o seu público da internet.

“Muita gente acha que todas as minhas músicas foram feitas para minha namorada, mas não é bem assim. Tem umas músicas meio triste que fala de alguém que foi abandonada e não tem nada a ver com a nossa história. São apenas coisas que eu imagino”, explica.

Mesmo tendo um público muito fiel na web, Chell ainda está começando nos palcos. O seu segundo show oficial ocorreu na primeira noite dos showcases do Festival Bananda. Mesmo em Goiânia, poucas pessoas conhecem seu trabalho, diferentemente do que acontece nas redes sociais. “Tenho um público bem maior fora de Goiás. Por isso nossa ideia é trabalhar bem esse EP em outras cidades antes de voltarmos para gravarmos o primeiro álbum”.