As duas décadas de “When the Pawn…”, de Fiona Apple

As duas décadas de “When the Pawn…”, de Fiona Apple

9 de novembro de 2019 0 Por Luiza Padilha

Há exatos 20 anos, o segundo álbum de estúdio de Fiona Apple era apresentado para o mundo. Após o sucesso de “Tidal”, aclamado álbum de estreia da cantora, lançado em 1996, “When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks Like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight and He’ll Win the Whole Thing ‘fore He Enters the Ring There’s No Body to Batter When Your Mind Is Your Might so When You Go Solo, You Hold Your Own Hand and Remember That Depth Is the Greatest of Heights and If You Know Where You Stand, Then You Know Where to Land and If You Fall It Won’t Matter, Cuz You’ll Know That You’re Right”, comumente abreviado para “When the Pawn…” (por motivos óbvios) chegava ao mundo 3 anos depois, apresentando novas canções da cantora americana, que é expert quando falamos em visceralidade. Com arranjos muito bem construídos e com letras profundas, “When the Pawn…” traz músicas amadurecidas sobre dramas pessoais e obsessões românticas. O título do álbum é um poema escrito pela cantora, após receber cartas negativas dos leitores sobre sua entrevista a Spin Magazine de dezembro de 1997

Capa do álbum, com design e conceito desenvolvidos por Fiona Apple

Se em “Tidal” tivemos o primeiro contato com uma jovem Fiona Apple de 19 anos falando sobre questões profundas e/ou traumáticas, no seu segundo trabalho nos deparamos com a mesma pessoa, porém explorando ainda mais a própria musicalidade, trazendo novos elementos e construções musicais mais complexas do que havíamos conhecido em seu álbum de estreia.

Fiona Apple e Jon Brion

“When the Pawn…” é o primeiro álbum de Fiona Apple produzido por Jon Brion, que também produziu o sucessor “Extraordinary Machine”, mas esse não era o início da parceria da dupla. O produtor participou de “Tidal” tocando diversos instrumentos, como violão, vibrafone, marimba e harpa, e, no segundo álbum, além de tocar baixo, teclado, vibrafone, violão, bateria e percussão, também assumiu a produção, mixou e foi assistente do engenheiro de som Rich Costey. Brion é conhecido por suas trilhas sonoras (Magnolia, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Punch-Drunk Love, Lady Bird, entre outros) e também por ter produzido artistas como Kanye West, Aimee Mann, Beck, David Byrne, of Montreal, Brad Mehldau, Rufus Wainwright e Sky Ferreira. Brion também tinha um programa chamado “Jon Brion Show”, e o conceito do programa era de que Brion acompanhasse seus convidados tocando, mas também convidasse outras pessoas para participarem da apresentação. Tudo meio que rolava na base do improviso.

Pode-se dizer que “When the Pawn…” envelheceu maravilhosamente bem. Suas letras, que tratam sobre a intensidade de uma mulher em relacionamentos, lidando com paixões, perdas, términos e decepções, seguem soando atuais, principalmente quando a ouvinte se identifica com quem descreve os dramas, tanto pelo jeito de ser, quanto pelas vivências. “You fondle my trigger, then you blame my gun”. As palavras de Fiona Apple ressoam, tocam, penetram. E, mesmo com tanta dor e tristeza envolvida, é um álbum que também transita por melodias ora sensuais, ora alegres.

Foto: Harry Woods

Somos gratas, eternamente gratas, por Fiona expôr suas vísceras de maneira tão melódica. Somos gratas pelo acolhimento e, 20 anos depois, seguimos nos encontrando em sua lírica e música.

Obrigada, Ms. Apple.

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