Antiprisma aponta para novas direções e viagens com “Fogo Mais Fogo”, primeiro single de seu novo disco

foto por Elisa Moreira

O duo Antiprisma dá um passo em direção à novas direções e sonoridades com seu sigle “Fogo Mais Fogo”, com muita influência de psicodelia e o rock dos anos 60, sem deixar de mostrar a veia folk da banda. “A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas”, conta Elisa Moreira.

“Estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers”, explica Victor José. Em breve a banda lançará um clipe para o single, dirigido por Elisa, e um novo disco, que mostrará as diversas facetas que a fase 2018 do Antiprisma possui. “‘Fogo Mais Fogo’ mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro”.

– Primeiro eu queria falar mais sobre “Fogo Mais Fogo”. Como surgiu essa música, como ela foi composta?

Elisa: A levada e os riffs da “Fogo Mais Fogo” surgiram meio despretensiosamente, estávamos na casa do Victor tocando um banjo véio que ele tem lá com a afinação aberta em sol, e a música acabou tomando forma, com melodia e tudo. Nós estávamos viciados em um vídeo do youtube de um cara da Mongólia tocando uma música folclórica em instrumento típico deles, e aquele som meio mântrico e meio hipnotizante acabou nos inspirando, e também era um som bastante pop. Nesse meio tempo, estávamos conversando com a Gabriela Deptulski, do My Magical Glowing Lens e sempre pintava o assunto de fazermos uma parceria. Então quando estávamos já na pré-produção da gravação, lembramos disso e pensamos que aquela guitarra trippy que ela faz ia combinar muito com a música, então um dia que ela estava aqui em SP marcamos um estúdio e gravamos a guitarra dela com o notebook, foi bem massa. A guitarra dela tem uma personalidade e um som bem característico, nós adoramos, e acho que casou muito bem com a nossa vibe! Depois surgiu a letra e vimos que ficou uma música bem forte, resolvemos gravá-la para o disco e lançar como single.

– E do que trata a letra?

Victor: De certa forma ela fala de retorno de Saturno, aquela fase em que tudo muda de forma quase violenta nas nossas vidas. Quem entende do assunto sabe bem do que se trata! ‘Fogo Mais Fogo’ fala de todo um movimento que te leva para uma outra etapa desconhecida, e que é preciso coragem pra encarar de frente. Talvez signifique outra coisa para outros… está em aberto!

Elisa: A letra fala de um momento de mudança, dos finais de ciclo. O fogo é energia, mas também destrói as coisas e a destruição faz nascer as coisas novas. E as mudanças geralmente são meio dolorosas, e isso tem super a ver com o momento que estamos passando em nossas vidas – o retorno de Saturno, o momento de tomar umas porradas da vida e ficarmos mais fortes e conscientes. A vibe é essa.

– Então esse single tem a ver com essa nova fase que a banda tá entrando. Com a adição de um baixista e um baterista na formação? Como isso vai rolar nos próximos sons do Antiprisma?

Elisa: É, estamos em um momento de experimentação – apesar de que eu acho que sempre estivemos, de certa forma. Nós sempre estivemos abertos quanto ao som que iríamos fazer com o Antiprisma, e algumas das músicas novas pediram baixo e bateria, guitarra, piano, até samplers… Eu e o Victor gostamos muito de guitarra, então ficamos felizes em colocar mais guitarras nas músicas, cada um com seu estilo próprio. Nós estamos animados com essa nova fase da banda, estamos experimentando a sonoridade ao vivo também.

Victor: Mas pretendemos continuar com o formato de sempre também. Gostamos muito do fato de haver essa troca entre nós dois.

Elisa: Verdade, importante dizer!

Ag Massinhan

– Podem me falar de quem tá tocando com vocês? Essa formação é fixa ou vai variando?

Elisa: Nós fizemos o show de lançamento do single “Fogo Mais Fogo” com o Mariô Onofre (Mescalines) na bateria e o Paulo Akio (Fábrica de Animais) no baixo, dois caras que admiramos muito como pessoas e instrumentistas, e foi bem legal. Nós ainda não sabemos exatamente como vai ser essa parte da nova fase do Antiprisma, porque ainda estamos experimentando, mesmo! Vamos ver o que acontece, o futuro está em aberto – que bom!

– E esse som então mostra que o Antiprisma pretende visitar novos caminhos, talvez um pouco mais viajantes ainda que o do disco anterior?

Elisa: Não sei se mais viajantes, talvez sim! No “Planos Para Esta Encarnação” nós estávamos muito com a ideia de soar o máximo possível como soamos ao vivo, fizemos a produção de uma forma bem minimalista, focada nos violões e nas vozes. Agora, talvez pelo fato de nós mesmos estarmos produzindo tudo (tudo mesmo, até o clipe que vai sair em breve – spoiler!), acabamos experimentando mais e, claro, viajando bem mais também (risos)! A produção ainda está soando fiel ao que fazemos ao vivo, mas não estamos nos preocupando em comedir os elementos que saem do eixo voz e violão/guitarras.

Victor: Acho que tanto no nosso EP quanto no nosso álbum demos algumas pistas de que podemos soar de maneira livre. Acho que podem esperar um Antiprisma mais dinâmico e com outras variações de humor. De certa forma, podem esperar um trabalho de terra, água, fogo, ar e éter. Vários climas, quem sabe.

Elisa: Siiim! Os elementos da natureza estão sendo centrais para a idéia do disco (assim como são para as nossas vidas, na verdade – nos ligamos muito nisso).

Victor: Acho que estamos mais intensos, algo que te a ver com o momento que vivemos, né? Todo mundo meio tempestuoso, procurando (ou não) um sentido.

– “Fogo Mais Fogo” dá uma pista do que virá no novo álbum? Podem adiantar um pouco mais sobre os sons nele?

Victor: De fato “Fogo Mais Fogo” mostra um lado mais agressivo do disco que estamos compondo, mas também podem esperar pelos sons acústicos, assim como outras coisas em formato guitarra-baixo-bateria, além de umas coisas instrumentais e uma salpicada de piração em um momento ou outro. Lançaremos alguns singles antes do lançamento do disco cheio, e acho que cada uma será bem diferente do outro. A ideia é que esse trabalho seja bem variado, com momentos de melodia pop, timbres estranhos, experimentos, formatos tradicionais, reflexões e paisagens.

– O que vocês têm ouvido e que podem citar como inspiração para este novo trabalho?

Victor: Olha, pra dizer a verdade, pelo menos da minha parte, poderia citar quase tudo o que ouço desde sempre. Digo isso porque algumas das composições desse disco a gente vem lapidando desde o primeiro trabalho, sabe? Então a criação dele tem sido bem gradual, de modo que acaba esbarrando em muita coisa, de Led Zeppelin a Tião Carreiro… mantras orientais, pós punk, rock rural, blues. Achamos que este é um bom momento pra criar alguns híbridos e ao mesmo tempo tentar recriar fórmulas clássicas, mesmo porque, na real, meio que enche o saco focar toda a sua energia na fritação sem fim, né? Acho que o momento que a gente vive carece de um pouco de delírio, mas para alguns casos também pede os pés no chão, mensagens concretas, e a gente está buscando encontrar esse equilíbrio.

Elisa: É, acho que nesse disco algumas influências nossas que sempre estiveram ali talvez fiquem mais gritantes, como o pós punk, o indie anos 90…

– Podem me adiantar qual será o próximo single? 🙂

Elisa: Acho que já está certo que vai ser aquele mesmo, né Victor?

Victor: Sim, é aquele!

Elisa: Dá pra adiantar que ele será diferente da “Fogo Mais Fogo”, é outra pegada. E a letra tem uma mensagem um pouco azeda (risos)!

– Por falar em spoiler, deixa eu voltar em algo que quase deixei passar: quando vem esse clipe aí e o que podemos esperar nele?

Elisa: Nós queremos lançar o clipe em breve, tipo logo logo mesmo! Estamos muito na pegada faça você mesmo, inclusive com coisas que nunca fizemos antes, então eu resolvi fazer o clipe da Fogo Mais Fogo, aprendendo enquanto faço (risos). Então a pegada do clipe é experimental, dá pra esperar uma coisa meio doidona e despretensiosa!


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