Aiure deixa o Vintage Vantage para trás com sensualidade e melancolia em “Erótica & Bad Vibe”

Aiure deixa o Vintage Vantage para trás com sensualidade e melancolia em “Erótica & Bad Vibe”

4 de abril de 2018 0 Por João Pedro Ramos

Antigamente conhecido como Vintage Vantage, o trio do Distrito Federal Aiure entra em uma nova fase, cheia de psicodelia, post rock e brasilidade, com o single “Erótica & Bad Vibe”, uma despedida ao antigo nome de batismo e o primeiro passo em uma direção diferente. A faixa faz parte do primeiro álbum da banda, a ser lançado ainda no primeiro semestre, com produção de Gustavo Halfeld.

Com inspiração no rock progressivo e em diversas viagens musicais, Lucas Pacífico (guitarra), Gabriela Ila (piano) e Renan Magão (bateria) fundem sons e exploram caminhos novos com a adição de instrumentos como a viola caipira, reforçando a introdução da música brasileira no caldeirão sonoro do grupo.

“Assim como a maioria das nossas músicas, o Pacífico trouxe o riff e a ideia em geral e eu e o Magão criamos nossos arranjos em cima dele. Essa música foi relativamente fácil de fazer. Não é sempre que temos facilidade em fechar arranjos, mas ela fluiu fácil desde o começo e trouxe a nós uma nova possibilidade de brincar com outros instrumentos e propostas, como o sintetizador e a mini-música de viola caipira no final. Essa proposta de ‘mini-músicas’ ou ‘músicas pequenas de transição’ é algo que fizemos uma vez no nosso single/clipe de “A Divina Comédia” e pretendemos explorar mais no disco”, conta Gabriela.

“Erótica & Bad Vibe” não só é o nome do single, como também a definição do som que a banda faz, unindo sensualidade e melancolia. “Gostamos tanto desse conceito que adotamos como nosso estilo musical”, completa Gabi.

 

– Como rolou a mudança de Vintage Vantage para Aiure?
Magão: Foi difícil, a banda já tinha 2 EPs, 3 clipes e a gente sempre quis mudar de nome, mas sempre faltava coragem. Mas aí depois que começamos a gravar o disco, decidimos que se a gente não mudasse agora, íamos perder a oportunidade. Depois de alguns meses de brainstorming de possíveis nomes, a ideia do Aiure surgiu. Não acho que mudamos tarde, acho que foi na hora que tinha que ser.

– O que vocês trazem da antiga encarnação da banda?
Magão: Tudo! (risos) A banda é a mesma, com os mesmos integrantes e a mesma proposta mas coincidiu da gente estar explorando sons e texturas novas. Acho que combinou bem com o novo nome. O nosso EP “Neblina” é muito dramático, denso e pesado. Mas as nossas novas composições são mais etéreas e menos viscerais. Um pouco mais felizes, mas igualmente bad vibes hahaha muito violao, viola caipira e sintetizadores.

– Aliás, me expliquem o novo nome, “Aiure”!
Magão: Aiure vem de “alhures” que quer dizer “de outro lugar”. Um dia o Pacífico (guitarrista) ouviu Chico Xavier dizer “alhures” numa entrevista. Ele entendeu “aiure”, contou a história pra gente e curtimos a ideia.

– Me contem mais sobre “Erótica & Bad Vibe”.
Gabi: “Erótica & Bad Vibe” é o single que lançamos junto com a mudança do nome. Ele faz parte do disco novo e abre portas pra essa nova sonoridade que comentei antes. É uma musica mais viajadona, mas bem linear.
Dar nome pra músicas instrumentais é um verdadeiro dilema. Às vezes faz sentido, às vezes não.
“Erótico e bad vibe” foi como um integrante da banda descreveu um sonho que teve. A gente achou engraçado e botamos esse nome na música.

– Quais as principais influências da banda?
Gabi: Rock progressivo e música brasileira em geral. Muitas das influências vem de King Crimson, Mars Volta, Hermeto Pascoal e Pink Floyd. Mas depende bastante do que nós estamos ouvindo na época.
Da minha parte, atualmente tenho ouvido muito Vulfpeck e Kamasi Washington e isso transparece bastante nas minhas linhas de piano

– Como vocês definiriam o som do Aiure?
Gabi: Vou citar o meu “eu” de 2003 lá do falecido Orkut e dizer que “~º~º~º QuEm Se DeFine sE LiMitA ~•~•○” (risos) Difícil definir, mas a gente gosta de dizer que nosso som é erótico e bad vibe.

– Vocês estão preparando um disco. Podem adiantar algo sobre ele?
Gabi: O disco tá lindo. Tá quase pronto, inclusive. Estamos na fase de mixagem e masterização.
Ele tem, além de nós 3, várias participações especiais de músicos amigos tocando trompete, percussão, guitarra, baixo, vocal (Sim. Definitivamente não somos mais uma banda 100% instrumental) e um coral. Esse coral é da música “Pedra Souta”, que fizemos em homenagem ao amigo Pedro Souto que faleceu ano passado. O disco vai ser inteiro dedicado à ele.

foto por Thais Mallon

– Me contem mais sobre o conceito de “mini-músicas” que vocês fazem em alguns momentos.
Gabi: As mini-músicas surgiram da ideia de fazer músicas de transição entre uma e outra. Nesse disco vão ter 3 mini-músicas e todas com viola caipira. Sem guitarras com distorções ou baterias barulhentas. É como se a tempestade passasse e ficasse somente a calmaria. “Erótica & Bad Vibe” e “A Divina Comédia” tem mini-músicas. Você pode ouvir ambas no youtube.

– Como vocês veem a cena independente musical hoje em dia e como vocês trabalham dentro dela?
Gabi: A cena independente musical sofre metamorfoses constantes. Às vezes a cena tá massa, às vezes não. Atualmente vivemos uma época boa na cena de Brasília. Muitas bandas novas aparecendo, vejo muito mais adolescentes indo nos shows. Esse vai ser um ano bom no quesito ‘materiais novos’.

– Quais os próximos passos da banda?
Pacífico: Dominação mundial!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Pacífico: Em Brasília, tem atualmente bandas muito fodas que se preparam pra lançar materiais novos em breve também como Joe Silhueta, Toro, Rios Voadores, Cachimbó, Zéfiro, Tiju, Oxy, Palamar. A cena instrumental de Brasília também ta de parabéns com Muntchako, Os Gatunos, Transquarto, A Engrenagem. Aconselhamos ouvir todas!