Aceitei o desafio de procurar o lado bom do disco “Restart”, de 2009

Aceitei o desafio de procurar o lado bom do disco “Restart”, de 2009

21 de julho de 2016 0 Por André Leão

Desde que o mundo é mundo que o ser humano procura tirar o melhor proveito das piores situações, e é isso que vamos tentar realizar nesta humilde coluna. No Peneirando Detritos procuraremos o lado bom do que é ruim, e em vez de separarmos o joio do trigo, vamos tentar perceber que uns joios musicais são bonitos e podem de algum modo fazer a diferença.

O João chegou com a ideia de comentar discos que foram execrados pela humanidade em seus lançamentos (e depois do lançamento também!) O detalhe é que: nunca na minha vida procurei escutar as coisas, ou se escutei não foi para tecer críticas boas… O mote da coluna é tentar mostrar de maneira clara e objetiva como uma banda supostamente ruim pode ser escutada de maneira despreconceituosa e até acharmos algo bom ali naquele aparente monte de lixo. Como o Restart pode agradar os ouvidos mais julgadores? Bem, essa é a história vocês vão ler aí embaixo. Para começar a coluna, procurei o “lado bom” do disco “Restart”, de 2009.

Uma puta falta de sacanagem.

O Restart foi criado a reunião de quatro moços, que conseguiram extremo destaque pela internet. No início a banda apostava no emocore e se chamava C4. O tempo mudou e de 2004 para 2009 reinventaram a banda, colocaram camisas, calças e assessórios coloridos e fundaram o Restart, baseado estritamente no tal “happy rock”.

Ao primeiro play no primeiro disco de 2009 vemos uma banda com vocais anasalados, que permeiam mecanismos eletrônicos para regular a voz e com isso já é automático torcer a cara. Mas vocês repararam que atualmente da diva pop ao artista consagrado isso ocorre em quase todo disco? Não podemos colocar a culpa nos coloridos do Restart: eles estavam no momento certo e na hora certa, foram as pessoas que eclodiram em ódio. O Restart de 2009 poderia ser atualmente uma dessas bandas que se exibem em programas de calouros onde artistas populares votam e retiram eles do ar.

O que a gente pode falar de um disco como esse? É divertido, fica datado, mas assevera que adolescentes e qualquer um sem muito conhecimento técnico podem fazer música. “Recomeçar”, canção que abre o disco é destaque, refrão grudento e que não sai da cabeça.

“Vou Cantar”, o outro single, segue a premissa do primeiro, e “Levo Comigo” também demonstra a mesma coisa: as letras refletem as considerações e litígios adolescentes, mas que não deixam de abordar a passagem da vida adulta. Não é um álbum que marque necessariamente, mas a experiência de escutar algo execrado por todos faz ter uma nova compreensão da música. Será que não podemos dar um chance ao ruim?

Pontos fortes: gritinhos, refrões grudentos e que colam, synth coordenado, baterista que acompanha e guitarra oitentista
Pontos fracos: Todas as músicas parecem ser as mesmas.
Músicas que você pode ouvir numa boa: Todas
Veredito: 7/10