“Rivalidade, só no futebol”, diz power trio argentino Petit Mort, que lança disco “Bite The Hook” amanhã

4 de fevereiro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

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Passeando por todo o país levando seu rock rasgado e barulhento, o power trio argentino Petit Mort completou em 2015 a marca de 70 shows no Brasil. Amanhã a banda lança seu quarto disco, “Bite The Hook”, gravado em Buenos Aires e mixado na cidade de Geldern, na Alemanha.

O trio passeou tanto pelo nosso país (São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além dos conhecidos Festival Do Sol (Natal, RN), Vaca Amarela (Goiânia, GO) e Grito Rock e muitos outros locais) que resolveu ficar um pouco mais por aqui: fixaram residência em Florianópolis, em Santa Catarina. Formado por Michelle Mendez na guitarra e vocal, Juan Recio no baixo e Jacques Blasetti, o Petit Mort foi formado em 2007, sob a influência de bandas da década de 90 como Nirvana, Pearl Jam, Incubus, Melvins, PJ Harvey, Faith No More, Rage Against the Machine, entre outros.

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Além de conhecer muito bem o nosso país, a banda também completou a marca de 100 shows na Europa. Em 2012 fizeram turnê pelo terceiro ano consecutivo no velho continente (Inglaterra, Holanda, Alemanha, França, Bélgica, República Checa, Suíça). Dois dos discos da Petit Mort, “Du Bist” e “Spit In“, foram produzidos, gravados e distribuídos na Alemanha pelo produtor alemão Olaf Zwar no estúdio Benthus, onde “Bite The Hook” foi mixado.

Conversamos um pouco com Michelle Mendez sobre a banda, rock latino e a famosa rivalidade entre Brasil e Argentina.

– Como o trio se formou?
A banda começou no 2007 em Buenos Aires, com mais um guitarrista. Em 2008 o guitarrista saiu, e na hora a gente saiu em turnê pelo sul da Argentina e Chile. Foi massa, é bem divertido tocar em trio, a gente ficou se sentindo super comfortável com a formação. Cada um tem que dar o melhor com o seu instrumento.

– De onde surgiu o nome Petit Mort?
Na França eles chamam de Petit Mort o orgasmo feminino. Os franceses ficaram felizes da gente ter botado esse nome, imagina…

– Vocês gravaram dois discos na Alemanha e dois em sua terra natal, a Argentina. Qual é a diferença entre os dois em matéria de gravação? Pretendem gravar em mais lugares?
Na primeira turne que a gente fez na Europa, em 2010, fomos convidados por um produtor alemão pra gravar o disco “Spit In” no estudo Benthus, na Alemanha. Foi uma surpresa pra gente. Ele ouviu a banda pelo Myspace, viajou da Alemanha ate Holanda pra asisstir um show e levou a gente pro estudo pedindo para gravar as mesmas musicas que ele viu no show. Experiência massa. No ano seguinte, a gente voltou a gravar no meio da turnê europeia, numa correria gigante, gravando as vocais às 2 da manhã porque no dia siguiente tínhamos que viajar pra outra cidade pra fazer mais um show. Então esse disco novo ficou irado! A gente sempre gravou no meio das turnês, no meio duma correria.

Pra gravar “Bite the Hook” a gente parou de viajar por um ano, ficamos em Buenos Aires compondo, gravando e mixando junto com o alemão Sebastian Benthin. Ficou bem fuderoso. A gente tá planejando apresentar o disco novo no Brasil o ano todo e gravar um split com uma banda amiga lá pelo meio de ano. A gente já fez 100 shows na Europa e queremos voltar por mais 100 esse ano! Tocar, tocar e tocar é a única coisa que a gente tem na agenda!

capa do disco "Bite The Hook", que sai amanhã

capa do disco “Bite The Hook”, que sai amanhã

– Como foi a estadia no Brasil? O que vocês acham da rivalidade Argentina x Brasil que tanto se fala?
A gente fez 5 turnês pelo Brasil, tocamos em 10 estados e posso te falar que essa rivalidade existe só no futebol. Muito amor.

– O que vocês acham da resistência dos brasileiros em ouvirem músicas latinas que não sejam feitas no Brasil?
Nunca vimos essa resistência, nem ouvimos falar. O Brasil foi sempre muito receptivo com a gente, especialmente no interior . Muitas pessoas com vontade de trocar uma ideia, fomos sempre muito bem vindos. Tanto que fizemos 70 shows em um ano e queremos lançar o disco novo pelo Brasil todo.

– Eu na verdade quis me referir à resistência do brasileiro em escutar rock latino cantado em espanhol…
Não sabia disso! Talvez porque a gente tocou muito no sul do Brasil, onde gostam de muitas bandas em espanhol, conhecem bastante da cena da Argentina, tem vários produtores puxando o intercâmbio, o que acredito que faz as pessoas se acostumarem com o espanhol. Mas geralmente aqui no Brasil a gente tem tocado com muitas bandas que cantam em inglês mesmo. A maioria das nossas musicas é em inglês, também…

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– Que bandas brasileiras vocês conhecem e acham que todo mundo deveria conhecer?
A gente ADORA Macaco Bong e Medulla, e ouvimos muitas bandas com que dividimos palco. O Brasil tem uma cena autoral muito massa, a gente ouve muita música brasileira em casa. Todo mundo deveria estar ouvindo a banda Skrotes de Florianópolis, Topsyturvy de Mogi das Cruzes, Far from Alaska, Hellbenders, Black Drawing Chalks, Dry, Shotgun Wives, Red Boots, Evening, Rinoceronte, Litera, Soma, Dones Primata, Katss, Hang Overs, Inky, Mad Grinder… são muitas, poderia te falar mais várias. A gente conheceu tanta banda boa que na última turnê pelo Brasil que voltamos pra Buenos Aires com uma caixa cheia de discos de bandas que tínhamos conhecido dividindo palco.

– Indiquem algumas bandas argentinas que os brasileiros deveriam ouvir!
As bandas que fizeram historia no rock argentino que a gente gosta de ouvir são Sumo e Divididos. No under tem um selo puxando a cena stoner, Venado Records, que lança várias propostas legais.

Ouça o som do Petit Mort (*atualizado com o disco Bite The Hook):

 

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BANDCAMP: http://petitmort.bandcamp.com

FACEBOOK: www.facebook.com/petitmortargentina