A recém-nascida Blue Crawfish Records aposta em artistas de blues, soul, rockabilly e country

A recém-nascida Blue Crawfish Records aposta em artistas de blues, soul, rockabilly e country

4 de maio de 2016 0 Por João Pedro Ramos

A Blue Crawfish Records, nova editora fonográfica da Wildstone Productions, foi criada com a parceria entre os músicos e produtores Marky Wildstone, responsável pela Direção Artística e Produção Executiva do selo e Netto Rockfellerr, responsável pela Produção Musical, Técnica e Produção de Audio. A curadoria musical será compartilhada e o enfoque dos discos do selo será blues, soul, billy, country e “outras caipiragens vintage”, segundo eles. O logo do selo foi criado pelo designer Gustavo Duarte.

Os 6 primeiros lançamentos da Blue Crawfish estão disponíveis no bandcamp oficial do selo: “Lovesick Blues”, de Greg Wilson, “Shades Of Blue”, de Jes Condado, “Second Hand Gear”, de Uirá Cabral, “Nice And Easy”, Flávio Guimarães & Netto Rockfeller, “Self-Titled”, de Quique Gómez & Netto Rockfeller e “Música para Acalmar o Coração da Juventude” de Netto Rockfeller.

Conversei com Marky Wildstone sobre o selo, a cena musical e o mercado fonográfico hoje em dia:

– Quando surgiu a ideia do Blue Crawfish Records?

A Blue Crawfish Records é resultado de minha parceria com o guitarrista e produtor Netto Rockfeller. Venho trabalhando com ele há pelo menos 3 anos, fazendo gestão de carreira, capas de discos, posters, acessoria fonográfica e tentando organizar e planejar minimamente sua carreira. Já tem um tempo que vimos que o material que ele vem produzindo e gravando é dígno de uma melhor e maior promoção. Depois de sua recente parceria com o grande Flávio Guimarães, medalhão do Blues Brasileiro, inevitável profissionalizarmos a coisa toda.

– Quais bandas e artistas estão no selo?

Organizamos antigos lançamentos para termos um corpo bacana para trabalharmos novos lançamentos, temos um disco solo instrumental do Netto Rockfeller, o disco do gaitista goiano com base em Ribeirão Preto, Uirá Cabral, o disco da Jes Condado, uma argentina de Buenos Aires que atualmente mora aqui em São Carlos, um disco inédito do também Blues Etílicos Greg Wilson, este um tributo ao grande Hank Williams, o primeiro disco da história toda, que foi o disco do Netto Rockfeller com o gaitista espanhol Quique Gómez e o último disco do Netto Rockfeller com o Flávio Guimarães, que esta rodando por praticamente todos os festivais de Blues do Brasil. Esse deve ganhar uma versão em vinil muito em breve e estamos finalizando o novo lançamento deles, uma viagem instrumental por climas de trilha sonora, que deve sair ainda no primeiro semestre.

– Porque a escolha deste tipo de som?

Netto Rockfeller tem mais de 10 anos de carreira nesse tipo de som e já vem produzindo artisticamente discos há pelo menos 3 anos, acho que a escolha é natural, no meu caso sempre fui um amante do Blues, que é da onde a maioria das coisas que eu gosto e ouço remontam. O blues é a base da música pop e sempre senti que o diabo um dia viesse me cobrar esse trabalho.

Marky Wildstone e Netto Rockfeller

Marky Wildstone e Netto Rockfeller

– Se alguma banda ou artista tiver interesse de fazer parte do cast do selo, as portas estão abertas? Como proceder?

Com certeza, o selo ainda é pequeno e estamos priorizando a produção total dos albuns, para manter a qualidade que queremos. Prioritariamente queremos produzir os discos que formos lançar, Netto com a parte musical e técnica de som e eu com a direção de arte, capas e executiva. Mas estamos abertos para ouvir e conversar com todo mundo que tenha interesse.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia? Os selos independentes ganharam força com a queda das grandes gravadoras?

Acho que cada um tem que encontrar uma maneira de trabalhar, eu venho da escola Do It Yourself, já trabalho com meu selo Wildstone Records, lançando coletâneas e artistas mais barulhentos, acho que as gravadoras grandes não caíram, só diminuíram o número de artistas que eles investem para ter um retorno mais seguro. Os pequenos selos continuam com as mesmas dificuldades mas creio que com tempo e trabalhos de qualidade vão conquistando espaço e mercado.

– Poderemos ouvir os lançamentos do selo em lugares como o Spotify, por exemplo?

Por enquanto estamos focados no bandcamp, que é a plataforma que escolhemos mas muito em breve todos os discos estarão disponíveis em todos os portais de distribuição digital.

– O quanto estes portais de distribuição digital de música são importantes para os selos e artistas independentes?

Acho que é importante na medida da divulgação dos artistas, a portabilidade traz novos horizontes para a audição de música mas não gera muita receita, gera algum dinheiro, mas bem pouco, o grande lance é a música estar sempre pronta para ser tocada, onde quer que os ouvintes e fãs estejam.