A mistura de MPB, rock psicodélico e jazz dos anos 40 dos mineiros do Mordomo

A mistura de MPB, rock psicodélico e jazz dos anos 40 dos mineiros do Mordomo

17 de dezembro de 2015 1 Por João Pedro Ramos

“A nossa proposta é de servir as pessoas com a nossa música, assim como fomos e somos servidos pelas músicas de outros artistas”. Esta é a explicação do nome Mordomo, banda formada pelos mineiros Bernardo Dias (guitarra e vocais) e Fernando Persiano (baixo e vocais) em colaboração com compositores e músicos da atual cena belo-horizontina.

A banda lançou em outubro deste ano seu primeiro disco, “Mordomo”, gravado no estúdio Pato Multimídia, em Belo Horizonte, um belo começo para sua carreira: composições cheias de personalidade que alternam momentos mais puxados para  MPB, o rock psicodélico, toques de tropicália e até um pouco de jazz dos anos 40. Em 2016, a banda pretende lançar um novo EP, com duas músicas novas.

Conversei com a banda sobre sua carreira, a cena independente do Brasil e as músicas que habitam as paradas de sucesso hoje em dia:

– Quando e como a banda começou?

A ideia de criar o Mordomo surgiu há dois anos, quando a banda Vitrolas, da qual eu e Bernardo fazemos parte, deu uma pausa após treze anos de trabalho. No momento tínhamos algumas canções feitas e muitas ideais. Entramos no estúdio e registramos tudo, ainda no formato de dupla, neste que foi o período de pré-produção. Depois das ideias visualizadas, partimos para a gravação do álbum, fase que chamamos alguns amigos para participar com a gente.

– Porque o nome “Mordomo”?

Enviamos algumas prévias das gravações para alguns amigos no intuito de recebermos sugestões de nome; Mordomo estava lá. Adoramos a sonoridade do nome e no decorrer da gravação fomos percebendo a ligação com a proposta sonora. O fato do mordomo ser uma figura que serve vai de encontro com a nossa proposta de servir as pessoas com a nossa música, assim como fomos e somos servidos pelas músicas de outros artistas.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Tem um toque de humor e uma maneira de ver o mundo buscando a leveza. É um som dançante, pra cima, que brinca com os aspectos circense e lúdico.

– Quais são suas principais influências musicais?

Beatles, Mutantes, Beach Boys, Tom Jobim, Tropicália, Jazz dançante anos 40.

– Como vocês veem a cena independente musical do Brasil hoje em dia?

Muita gente legal fazendo grandes trabalhos. Não por acaso, 2015 teve muito lançamento bacana. A grande luta vem sendo a criação de público e a circulação de shows pelo país. Mas a boa notícia é que há muita gente trabalhando pelo cenário. Esse ano foi muito profícuo para a cena de Belo horizonte, onde me parece ter tido uma abertura maior para a música autoral. Cito, por exemplo, a casa de shows A Autêntica, o apoio da rádio EloFM, ambos com ações interessantes em prol dos artistas independentes. Enfim, o momento é bom.

– Porque a MPB e o rock autorais estão em baixa nas paradas de sucesso?

Imagino que sejam vários os fatores, desde o desinteresse da grande mídia, gerando com isso a dificuldade desses novos trabalhos chegarem a grande massa, até o próprio momento histórico de ciclos que a música vive.

– O melhor da música brasileira hoje em dia está fadado a permanecer no underground, graças ao investimento da mídia em músicas pop de fácil assimilação?

Acho muito difícil uma afirmação nesse sentido. As tecnologias e as maneiras de consumir música estão mudando muito rápido e não dá pra prever qual será o próximo passo e como será o futuro da música. Espero que essa boa música chegue ao grande público e seja consumida, acredito nisso.

Mordomo

foto: Rodrigo Valente

– Quais os planos do Mordomo para 2016?

Tocar bastante, colocar a banda na estrada mesmo. Já estamos articulando turnês pelo Brasil e planejando tocar fora do país. Estamos atentos aos recursos audiovisuais, por isso, produzindo videoclipes. Está nos planos também o lançamento de um EP com duas músicas já no segundo semestre de 2016.

– Recomendem bandas ou artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer.

Felizmente, tem muito artista bacana ao nosso redor. Aqui em BH esse ano tivemos lançamentos de grandes discos. Nobat, Aldan e Valsa Binária são alguns deles. Tenho notado muita originalidade nesses novos trabalhos, sem repetição de fórmulas ou conceitos. Tem muito músico experimentando e se libertando de paradigmas.