A cantora paulistana Mary Luz mistura a MPB com influências de indie rock em “Velejando No Afeto”

A cantora paulistana Mary Luz mistura a MPB com influências de indie rock em “Velejando No Afeto”

19 de junho de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Começando de forma despretensiosa colocando seus vídeos de covers ao violão no Youtube, Mary Luz viu que podia ir além e começou a pensar em trabalhar seu projeto autoral. Foi daí que surgiu “Velejando No Afeto”, seu primeiro EP, realizado com a ajuda de amigos e disponível para streaming. São quatro músicas de autoria da cantora, que faz MPB com influências de indie rock. “Eu pego muitas referências do universo indie/MPB, aleatoriamente”, explica.

Conversei com ela sobre o primeiro EP, sua carreira de artista independente, a cena atual da música e planos para o próximo trabalho:

– Como você começou sua carreira?

Comecei por volta de 2010, quando comecei a aprender a tocar violão. Só que depois comecei a sentir a a necessidade de cantar também, então comecei a me apresentar em saraus que eram realizados na escola que fiz o ensino médio e a fazer alguns vídeos covers pro meu canal do YouTube. Daí, a partir de 2013, comecei a compor e produzir um trabalho autoral, que foi lançado em 2015!

– Então você começou já nessa nova pegada de utilizar as redes sociais e o Youtube como força para seu trabalho.

Exatamente, pra tentar ter mais visibilidade.

– Quais as suas principais influências musicais pro seu trabalho autoral?

A Adriana Calcanhotto é minha principal influência, embora não seja nítido nas minhas produções (risos). Eu pego muitas referências do universo indie/MPB, aleatoriamente (risos).

– Me fala um pouco mais sobre o trabalho que você já lançou!

O EP é o “Velejando no Afeto”, foi lançado em 2015, e é composto por 4 faixas autorais: “Me Ensina”; “Menina Luz”; “Acorde” e “Martírio”. O EP foi produzido de forma independente, em um home estúdio de um amigo, produtor (Enéas Lemes). Então juntei uma grana e investi nesse trabalho ?

– E como foi lançar esse trabalho independente?

Quando ficou tudo pronto, foi emocionante. Ouvia cada faixa e chorava (sou muito chorona!), pois não conseguia acreditar que eu tinha conseguido dar vida aquelas composições. Depois que lancei, saia procurando páginas do Facebook que pudessem me ajudar a divulgar algumas das faixas, pedi pros meus amigos mostrarem pra outras pessoas… Foi bem difícil a disseminação desse EP, por muitos fatores (falta de grana, instruções, contatos, estratégias), mas sempre me senti muito grata e realizada com as poucas pessoas que me ajudaram, que ouviram e acompanham meu trabalho até hoje ?

– Como você definiria seu som?

Ele tá mais pro indie MPB.

– Você acha que nova MPB é vista com certo preconceito pelo público atual?

Por algumas pessoas, pode ser que sim, mas no geral, acredito que a aceitação dessa nova MPB é boa, embora ela ainda não seja predominante (risos).

– E porque você acha que ela não têm tanto apelo mainstream quanto a MPB tinha nos anos 60, 70 e 80?

Acho que nos anos 60, 70 e 80, a MPB de bem forte, assim como o rock nacional, pelo contexto político daquele período, que resultava em canções críticas e reflexivas sobre o que acontecia. Atualmente, o sertanejo, funk carioca, pop/dance-pop, por exemplo, são os gêneros que estão tendo mais espaço, mas não quero com isso ser demagógica, e dizer que essa visibilidade é negativa, pelo contrário, mas sim que todos os gêneros precisam ter esse espaço.

– E como a cena independente pode fazer para alcançar mais seu público?

Quando​ você é um artista independente, acredito que precisa reconhecer o seu trabalho, valorizar os trabalhos de pessoas que também seguem essa cena, as pessoas que te ajudam e acreditam em você, e os ouvintes que apreciam e se sensibilizam por sua arte. Além disso, é preciso investir, focar e se dedicar nas produções, de acordo com o seu momento de vida. Creio que dessa forma as coisas vão fluindo, de modo que mais pessoas possam ter contato com essa produção Independente.

Mary Luz

– Quais os seus próximos passos musicalmente?

Disseminar mais o EP “Velejando no Afeto”, pois embora tenha sido lançado em 2015, ele ainda é novidade pra muita gente. Estou produzindo um clipe para a faixa “Martírio”, com previsão de lançamento ainda pra esse ano.
Em paralelo, estou trabalhando no meu segundo EP, com calma, para que em breve eu possa lançá-lo.
E também estou fechando algumas apresentações pros próximos meses, e assim vou seguindo (risos)!

– Pode me falar um pouco sobre o que vem por aí no segundo EP?

Posso dizer que esse segundo EP traz consigo outros olhares, sentimentos e reflexões a respeito da vida em geral ?

– Por fim: recomende bandas e artistas independentes que você ouviu nos últimos tempos e chamaram sua atenção!

Tenho escutado bastante Daniel Silva (artista do Grajaú), Luiz Semblantes (artista do Grajaú), Yannick aka Afro Samurai, Oma Uê (dupla que vem se consolidando), Caio Moura, Gê de Lima, Geo Mantovani, Luana Bayô… Vários! ?