A animação musical sci-fi roqueira de “Rock’n’Rule” ou “A Viagem Musical” (1983)

Rock'n'Rule

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Rock'n'Rule

Rock’n’Rule (A Viagem Musical)
Lançamento: 1983
Diretor: Clive A. Smith
Roteiro: Patrick Loubert, Peter Sauder
Elenco Principal: Don Francks, Gregory Salata, Susan Roman 

O filme “Rock’n’Rule”, de Clive A. Smith, é ambientado num futuro pós-apocalíptico simulando o universo da contra-cultura pop americana: aquela coisa meio Nova York decadente das décadas de 70 e 80, com metrôs pichados e tudo o mais que fazia o Warhol gozar por aí. Lá, depois duma terceira guerra mundial, só sobraram animais de rua, que devido aos efeitos da guerra sofreram mutações e ganharam feições humanoides. O longa é, como o nome explica, um filme de rock, e como todo bom filme de rock, não podia faltar… Bem, rock!

O filme, que no Brasil ganhou o título de “A Viagem Musical”, tem uma trilha composta por Lou Reed, Iggy Pop, Debbie Harry, Cheap Trick, Chris Stein e Earth, Wind & Fire, 100% original e que se constrói com base nas imagens, criando uma relação orgânica entre o áudio e o visual. No curta-doc “The Making of Rock & Rule”, o nosso queridinho do Velvet Underground diz que para a música “My Name Is Mok”, que apresenta o antagonista, buscou um tipo de identificação com o personagem, para poder criar algo que realmente representasse o vilão da história. Sobre “Pain and Suffering”, Iggy Pop comenta sua busca por versos ‘naturais’, que assustasse quem ouve, assim como pede a cena que acompanha, com o surgimento de um demônio, a respeito da qual os animadores comentam o mesmo objetivo. No documentário é dita a mesma relação para as outras cenas, evidenciando que além de ser um filme musical, a obra é também um disco visual.

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Sobre o enredo, a história é bem simples: Mok, um homem (meio rato, meio cachorro, sei lá) que domina o mercado fonográfico, porém cujo estrelato está em decadência, busca uma voz que seria a chave pra abrir a porta pruma outra dimensão e de lá invocar um demônio capaz de imortalizar sua fama (e de destruir todo o universo no qual o filme se passa). Pois bem, não é que é num bar bosta, cantando numa banda que ninguém assiste e que recebe as vaias do dono do bar/único espectador, o cara acha a tal voz? Aí começa seu plano pra sequestrar a cantora. A partir daí o filme de desenrola em um romance tosco entre ela (também tecladista, além de segurar o microfone) e o guitarrista (também vocalista, além de só segurar a guitarra), embalado numa trilha obviamente fantástica, tendo em vista quem a compôs e numa arte que seguindo a linha das animações adultas (puta termo bosta, né não?) da época, vai pela ideia do pop, quase que referenciando o mundo das páginas dos quadrinhos.

Uma curiosidade sobre a animação é que David Bowie, Tim Curry, Michael Jackson, Mick JaggerSting foram considerados para a voz de Mok, mas o estúdio não tinha grana pra bancar. Ah, e a música “Angel’s Song” é uma versão primária de “Maybe For Sure”, que saiu no disco de 1989 da Debbie Harry “Def, Dumb & Blonde”!

Segue para vocês o filme completo (sem legendas) e a trilha sonora.

Trilha sonora –

Assistam, ouçam e curtam pacas!


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