5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Pedro Gesualdi, vocalista e guitarrista da Danger City

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Pedro Gesualdi, vocalista e guitarrista da Danger City

9 de dezembro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Pedro Gesualdi, guitarrista e vocalista da banda Danger City.

Kourosh Yaghmaei“Ghazal”

“Antes do Aiatolá Khomeini, o Irã era um país livre e até certo ponto ocidentalizado. Ali na antiga Pérsia, assim como na vizinha Turquia, existiu durante os anos 60 e 70 uma forte cena de rock influenciado amplamente pela música local. É desse contexto que vem Kourosh Yaghmaei, descendente direto de um lendário poeta persa, que começou numa banda chamada The Raptures (!), um dos únicos músicos a não deixar o país após a radicalização do Aiatolá em 1979. A coletânea “Back From The Brink” é praticamente tudo o que existe lançado de Kourosh aqui no Ocidente, mas – boa notícia – ela tá completa no Youtube”.

Emicaeli“Noia”

“Não tem banda igual em SP. Sem fazer nenhum esforço e em apenas 15 minutos, eles engolem qualquer um (já tive que tocar depois deles e me dei mal). Afinal, são 20 anos heróicos de No Wave/Grunge/Hardcore fritíssimo com influências de Patife Band, Shorty e outras podreiras mais. Além disso, as instituições musicais que giram em torno dessa banda, incluindo aí o Tsunami Coletivo, a Zastrás Audio e a Associação Cecília, são das melhores partes da tal da cena independente. (Vale lembrar: foi na Zastrás, com o Piettro e o Alexandre, membros da banda, que gravamos o primeiro disco do Danger City). Em 2016, o Emicaeli lançou seu novíssimo (e genial) álbum, “Pops”, mas deixa eu mostrar primeiro o que os manos aprontaram no glorioso Programa do Jacaré, alguns anos atrás”.

Voice of the Seven Woods“The Fire in My Head”

“Pérola musical meishmo é aquela que você quase não encontra nada na internet. Conheci o Voice of the Seven Woods em 2007, pela Uncut, mas demorei uns 8 anos para conseguir baixar. Naquele ano, seu disco homônimo ficou entre os 10 melhores da revista. E depois… quase nada. O homem por trás do projeto, Rick Tomlinson, ainda lançou alguns EPs e singles até 2008 e em seguida sumiu. O grupo ainda consta como ativo, mas quem sabe? O único álbum disponível da banda é uma mistura perfeita de folk inglês e influências árabes como o supracitado Kourosh Yaghmaei e o turco Erkin Koray. Apesar da misantropia recente da banda, dá pra achar o álbum e outras miudezas no Spotify“.

Apes & Androids“Make Forever Last Forever”

“Outra banda misteriosa. Em 2007, saiu o disco “Blood Moon”, um épico de 18 faixas que traduzia bem o nome do grupo, com um som futurista e primal. O Apes & Androids apareceu na mesma época em que a cena eletropsicodélica da costa leste dos EUA bombava com MGMT e Animal Collective. Mas em 2009, acabou milho, acabou pipoca. “Make Forever Last Forever” abre o disco com uma parede sonora cheia de influências glam e de Flaming Lips. Daí pra frente, o álbum vai por diversos caminhos – um mais legal que o outro. Escute também ‘Golden Prize’ e ‘Doyle is Dead’“.

Combover“Comic Sans”

“Perucas, camisas floridas e uma dose saudável de canalhice. Tudo isso tem o Combover, que em 2016 lançou um álbum que é uma espécie de “We Are The World” da porqueira grunge tupiniquim – tá todo mundo nele! Isso é o mais especial de “Bomcover” – a auto-paródia que é melhor que o original: o punk derretido do disco carrega em cada faixa histórias incríveis (como a visita não planejada do Eagles of Death Metal ao Estúdio Aurora, onde gravaram uma participação em “Comic Sans”). Para o Combover, contrariando toda a conjuntura do tempo-espaço universal, 2016 foi uma festa”.