5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Paulo César Martin, jornalista e apresentador do programa Garagem

Paulo César Martin

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Paulo César Martin, o Paulão, 52 anos, é jornalista esportivo da TV Globo e um dos apresentadores do, hoje em recesso, programa mais maldito do rádio brasileiro, o Garagem.

“A ilusão de ouvir uma música e achar que só você conhece é um dos combustíveis do nerd. Pura pretensão! Sempre pinta alguém mais doido que derruba sua convicção e te convence com uma lábia maior que a de um vendedor de carros que as suas canções desconhecidas são, na verdade, mais populares que “Thriller”, do Michael Jackson… A ideia aqui não é dar aulinha de conhecimento, bancar o descoladão. Mas compartilhar cinco faixas que fazem parte da minha vida de escutador de música, numa ordem cronológica, e que eu tenho a “certeza” que ninguém ouviu e valem a pena serem trazidas à tona!”, explica Paulão.

The Surprises“Jeremy Thorpe Is Innocent” (1979)

“Banda do final dos 70 de Birmingham que deve ter lançado só esse compacto. O legal é a combinação do punk com elementos de reggae e a letra de ironia política (fórmula que o Clash consagrou). Tinha isso numa cópia de fita cassete que o “amigo de um amigo” trouxe da Inglaterra. Só conheci a capa desse disco há dois anos graças ao YouTube”.

Colenso Parade – “Down By The Border” (1985)

“Ouvi esse single pós-punk num programa de rádio em ondas curtas. Naqueles tempos sem internet era complicado conseguir um disco assim tão “mosca branca”. A linha de baixo nunca saiu da minha lembrança, sabia o nome da faixa e que tinha “Parade” no nome da banda. Só sosseguei quando achei, por acaso, o 45 polegadas numa loja em SP uns dois anos depois. O Colenso Parade é da Irlanda do Norte e só lançou um álbum”.

In Trance 95“Presidente” (1988)

“Escutei essa numa balada gótica gringa, adorei o sussurro “sucking by the telephone” da letra, e fui perguntar. Era esse In Trance 95, dupla grega de coldwave. Pesquisei aqui com outros curiosos por synthpop e ninguém sabia do que se tratava. Achei um disco uma vez e não tinha essa faixa. Só “matei a lombriga” em 2011 quando saiu a coletânea “Cities Of Steel And Neon” e a dita cuja estava lá”!

Richard H. Kirk – “All In Vain” (2000)

“O Cabaret Voltaire, de Sheffield, Inglaterra, é daqueles grupos que fizeram quase tudo antes. Estão na ativa desde os anos 70 com seu experimentalismo eletrônico, às vezes com pegada dançante. Ser fanático pelo Cabaret Voltaire já considero um passo para a internação. Ter disco solo de um dos caras da dupla, então, é sinal de desvario. Mas o doping sonoro toda vez que ouço essa “All In Vain” compensa a nerdice”.

Bo Ningen“Dadada” (2014)

“Uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos é o hit “Da Da Da”, do Trio. Quando li que o single de um disco novo de um quarteto japonês de “acid noise rock” se chamava “Dadada”, mesmo sabendo que não era um cover do sucesso dos alemães, ganhou minha simpatia. Aí foi escutar e descobrir essa maravilhosa barulheira do Bo Ningen“.


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