5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Otávio Cintra, do Hammerhead Blues

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Otávio Cintra, do Hammerhead Blues

19 de janeiro de 2018 1 Por João Pedro Ramos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Otávio Cintra, baixista e vocalista da banda Hammerhead Blues.

Taiguara“Aquarela de Um País na Lua”

Muitos nomes de grande sucesso da música brasa dos anos 60/70 acabaram relegados a algum tipo de esquecimento, deixados à margem da tal linha evolutiva seja por falta de interesse de gravadoras ou travados na marra pelos militares. O Taiguara é um dos casos mais extremos: seu disco “Imyra Tayra Ipy” (lançado em 1976 após o retorno do cantor do exílio) foi recolhido de todas as prateleiras do país em menos de 72h pela censura, voltando ao mercado brasileiro somente em 2013. Desse grande disco, um manifesto latino-americano arranjado em parte por Hermeto Pascoal, destaco o protesto de ‘Aquarela de um País na Lua’, uma reinterpretação torta do famoso hino ufanista.

Antônio Carlos e Jocafi“Deus O Salve”

A dupla Antônio Carlos e Jocafi é, quando muito, lembrada pelo riff funkeado de ‘Kabaluerê’, sampleada pelo Marcelo D2. O que muitos não sabem que esses dois eram uma mina de suingue e rock psicodélico – o primeiro disco (“Antônio Carlos & Jocafi”, 1970), com Lanny Gordin nas guitarras, é uma pedrada psicodélica atrás da outra. Pra quem gosta de misturar psicodelia, samba, limão e cachaça essa aqui tá na medida.

Marcos Valle“Revolução Orgânica”

Marcos Valle é desses caras que já andaram por todo canto da música popular brasileira. Mesmo sem reconhecer seu nome, todo mundo conhece algumas das canções do bicho: ‘Samba de Verão’ (um clássico da Bossa Nova) e a música de fim de ano da emissora dos Marinho (aquela mesmo, fazer o quê…) Em 1972, Marcos e seu irmão Paulo Sérgio se mandaram para Búzios com uma banda de rock até então relativamente desconhecida (O Terço) para mergulhar numa vibe hippie sem dó. ‘Revolução Orgânica’ é a música mais épica de um encontro inusitado de grandes nomes da música brasileira com uma letra de rebeldia e imagens impressionantes.

Eduardo Araújo“Construção”

Eduardo Araújo era o roqueiro mais bad boy de toda a Jovem Guarda. Dizendo-se ‘O Bom’, dono do maior carrão vermelho, acabou não emplacando com o roquezinho tanto quanto seus colegas Erasmo e Roberto. Dono de uma das vozes mais potentes da época, o rapaz resolveu então que ia explorar um som mais pesado e experimental. Sua ideia de rock brasileiro progressivo e psicodélico chega ao ápice nessa reinterpretação surreal de “Construção”, de Chico Buarque, transformado o arranjo de sua versão original em uma quebradeira sem paralelo de guitarras, baixos e baterias.

Odair José“Não Me Venda Grilos”

Odair José é um dos grandes expoentes da música brega brasileira. Tornou-se um ícone dos botecos sujos do país todo com ‘Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula)’ e ‘Vou Tirar Você Desse Lugar’ no começo dos anos setenta. Sempre intento em incomodar os poderes estabelecidos, Odair José acabou excomungado pela Igreja Católica acusado de blasfêmia ao lançar o disco ‘O Filho de José e Maria’ em 1977. O protagonista é Jesus Cristo contemporâneo: doidão e filho de pais solteiros que se casam às pressas e depois se divorciam (numa época em que o divórcio era ainda grande tabu no Brasil). Se a ira da Igreja não fosse o suficiente pra curtir o trabalho do cara, o disco é uma ópera-rock finíssima com uma pegada Frampton.