5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Mariângela Carvalho, do Distúrbio Feminino

Mariângela Caravalho
Mariângela Caravalho

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Mariângela Carvalho, do zine Distúrbio Feminino. “Pra essas 5 pérolas, escolhi ir pro lado da non-music e peguei artistas declamando spoken words em cima de alguma base musical (ou não) ou vice-versa. Muito barulho e poesia fragmentada”.

William Burroughs e Kurt Cobain – “The Priest” They Call Him”

William Burroughs e Kurt Cobain tinham muito além do vício em heroína em comum, eram ambos fragmentados e o lado sujo da vida era levado amplamente a sério. Trabalharam com imagem, texto, música e acreditavam no poder da pirâmide de orgônio. A admiração mútua rendeu um encontro célebre em 1993, mas, um ano antes, Cobain se ofereceu para fazer uma colaboração com Burroughs, o que resultou neste obscuro episódio na vida de ambos, “The Priest” They Call Him”. O texto é parte de um ensaio de 1973 do escritor e narrado por Burroughs/The Priest ele mesmo. Cobain, após receber a gravação, criou bases de guitarra completamente noise para trilhar a narrativa e o resultado é meio perturbador. Quando lançada, a colaboração ganhou edição em vinil e mais tarde em CD. Esta, com certeza, é uma das parcerias mais junkies da história”.

Lou Reed – “Romeo Had Juliette”

“Uma das minhas letras/canções preferidas de Lou Reed é “Romeo Had Juliette” porque parece ser uma música delicada, romântica, mas na verdade é uma história absurda que pouco tem a ver com a ideia de Romeu e Julieta. Ouvir Lou recitando essa poesia sob base minimalista e em tom de narrativa não deixa nada a desejar à versão original”.

Yoko Ono, Kim Gordon e Thurston Moore – “I Never Told You, Did I?”

“Muito há para se dizer de uma colaboração que reúne Yoko Ono, Kim Gordon e Thurston Moore. “YOKOKIMTHURSTON” (2012), é, no mínimo, uma peça de arte no sentido literal – “contundente”, “sem igual”, “inovador”. Este compilado de seis faixas tem as poesias e pensamentos de Yoko em forma livre, entre sussurros, gritos e interpretação peculiar. Ela já havia experimentado com isso há muitas décadas, mas a parceria somou um caos cacofônico ao repertório. Em vários momentos, a co-criação se torna bem esquizóide. Vale dizer que esta foi a primeira vez que Kim e Thurston lançaram algo juntos após se separarem”.

Lydia Lunch – “Conspiracy of Women”

“Lydia Lunch sempre teve o tom e desprendimento necessários para proporcionar inúmeras incursões pelo estilo spoken-word. Em suas bandas e trabalho solo, em vários momentos ela apenas recitava algo em cima de uma trilha, porém, em 1990, ela lançou um título apenas seguindo este formato. Conspiracy of Women é um tratado feminista libertário entoado com fúria e lirismo”.

Pujol – “Political Errors at The End of the 20th Century”

“Daniel Pujol é um ilustre pouco conhecido. Seus álbuns e EPs não são incríveis apenas pela audácia instrumental ou por sua guitarra supersônica, mas principalmente porque sua música é um diário cantado. Sua facilidade linguística (endossada por um Phd na mesma área) ganha destaque em meio à composição sonora pois é o diferencial – e também o norte das canções. Em 2015, no EP Kisses, ele fez um híbrido entre canções convencionais e spoken-word. No ano seguinte, lançou “Stinky Toy”, primeiro single apenas como spoken-word e, em abril deste ano, saiu o lado A de seu novo trabalho (com esta linguagem), Political Errors at The End of the 20th Century, com tema baseado na transição dos séculos e na mudança das tradições”.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *