5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Bruno Kayapy, guitarrista do Macaco Bong

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Bruno Kayapy, guitarrista do Macaco Bong

16 de março de 2018 0 Por João Pedro Ramos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas ou discos que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é o compositor Bruno Kayapy, guitarrista da Macaco Bong.

Spice Girls – “Spice”

Se a ideia é citar referências que não são tão óbvias pra mim com certeza o álbum “Spice”, das Spice Girls é o primeiro da minha lista. Um clássico da world music setentista, sou um fanático por world music e bandgroups de super-produção. Particularmente, acho a história das Spice Girls uma história de união, força, harmonia, superação e fraternidade como jamais existiu em qualquer outra banda, demorou muito para as pessoas perceberem o quanto as Spice Girls foram importantes na juventude noventista. E também cito esse disco porque foi produzido por três gênios da produção musical de world music; me refiro a Absolute, Andy Bradfield, Matt Rowe e Richard Stannard.

Madonna“Like a Virgin”

Muita gente não imagina, mas sou fanático pelos trabalho da Madonna. Pra mim ela foi a grande visionária da música pop oitentista, Like a Virgin é uma obra prima, é um disco que vivo procurando em vinil e não acho com muita facilidade. Essa maravilha de disco foi produzido pelo ídolo da guitarra Nile Rodgers, que produziu “Get Lucky”, do Daft Punk.

Bjork“Vespertine”

Quando ouvi Bjork pela primeira vez foi amor à primeira vista. Sou completamente apaixonado pela concepção criativa dela. Pra mim esse é o grande álbum da primeira década de 2000. Obra-Prima! Tenho muitas influências da Bjork, especialmente na elaboração das minhas linhas melódicas na guitarra. Tudo que eu mais gostaria era que o som da minha guitarra tivesse a voz e o timbre da Bjork, os vibratos dela são sutis, ouvir a Bjork pra mim é como se as cordas vocais dela tivessem um Jimi Hendrix grudado em cada corda vocal. Amo todos os álbuns, mas o meu preferido é o “Vespertine”, achei que ela atingiu um nível de produção e concepção dos mais absurdos já feitos na história da música popular.

Daft Punk“Homework”

Esse álbum! o que falar sobre este álbum? Sinceramente não tenho palavras para falar sobre o Homework. Simplesmente fascinante! Produzir isso deve ter sido a coisa mais divertida na história de gravações de álbuns. Impactante igual esse disco, não existe nada nem próximo, nem nos dias de hoje. Amo Daft Punk! Uma referência que sempre tive muito antes de montar o Macaco Bong em 2004.

Lenine“Na Pressão”

Para muitos isso com certeza pode chocar! Posso dizer tranquilamente que ouvir o Lenine e esse disco “Na Pressão” me influenciou 99,9% na maneira como eu criei o meu vocabulário musical e acima de tudo o meu estilo de tocar guitarra e conceber o som do Macaco Bong dos pés à cabeça. O Lenine é uma das influências mais “não-óbvias” que eu poderia citar aqui. Se você ouvir os álbuns dele conhecendo bem o som do Macaco Bong, tão logo você vai perceber que chupei muita coisa dele para o estilo de música que faço. Foi muito legal pra mim, era meados de 1999, eu cheguei em uma loja de CD em um shopping da cidade e vi esse CD como destaque na loja, era o lançamento do mês, a capa me chamou a atenção com o carro pegando fogo, na hora eu achei que fosse “Leoni”, não tinha lido direito e não dei tanta bola porque admiro muito o Leoni e sou fã da genialidade de guitarra brasileira dele há muitos anos inclusive, mas não era exatamente o que eu procurava naquele dia, como era de costume em toda loja de CD você tinha tocadores cd player espalhados pela loja com headphone pra você poder ouvir um preview do álbum antes do comprar, foi quando coloquei o Na Pressão pra tocar e, como de costume particular, eu já coloquei na segunda música, eu tinha essa mania de ouvir a primeira faixa do álbum por último e começar sempre pela segunda faixa do disco e de repente começa a tocar a própria música faixa título do álbum ¨Na Pressão¨, que música maravilhosa, me arrepiou dos pés à cabeça, a percussão do Marcos Suzano, as linhas de guitarra matadoras do Lenine foi a descoberta do ano pra mim. Ouvi esse disco umas 100 vezes por dia, tirando todas as músicas do álbum de ouvido no meu velho violão de corda náilon Di Giorgio. Foi uma escola descobrir a afinação, encontrar os acordes, entender o raciocínio tonal dele, Lenine é um samurai. Amo esse cara, ouço as obras dele desde criança, eu sinto uma vibe mato-grossense, ele tem a selvageria pantaneira no som dele, por isso a identificação com o som dele foi de imediato por sentir coisas na linha do som do Lenine que me arremeteu a coisas regionais do Mato Grosso do Sul que amo ouvir como Guilherme Rondon, Tetê Espíndola e Almir Sater. Apesar de mato-grossense, a minha paixão real é pela música sul-matogrossense, é meio que o nosso Clube de Esquina, Guilherme Rondon é o nosso Milton Nascimento ao mesmo tempo que você tem figuras fortíssimas como a Tetê, única e incomparável, faz o que quer com a voz dela, com a música, a verdadeira bruxa do cerrado. Muito curioso pra mim naquela época foi descobrir que Lenine era pernambucano, confesso que depois de conhecer Lenine foi quando passei a me interessar mais por Chico Science, Nação Zumbi e conhecer melhor as coisas que tinham ali, era tudo muito novo na época, você não ouvia falar desses nomes facilmente em uma cidade como Cuiabá em meados dos anos 90, Lenine foi a porta de entrada por minha paixão pela música pernambucana.