5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Laura Lavieri

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Laura Lavieri

18 de janeiro de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a cantora Laura Lavieri:

“There’s No Place Like America Today”Curtis Mayfield (1975)

Esse disco foi uma descoberta recente, que mudou a minha vida. Desde a capa, passando pelas canções, letras, A BANDA, produção, as minúcias nos arranjos, no tratamento do som, timbres, mix, soa muito vivo (gravado ao vivo), tudo muito delicado e forte ao mesmo tempo, tudo muito preciso. Claramente o Curtis tava inspirado, e a mensagem do disco (que a capa e o título já deixam bem claro qual é) é passada perfeitamente. me arrepio só de pensar”.

“Histoire de Melody Nelson”Serge Gainsbourg (1971)

“Pérola. Histórico. A banda, o talento extraordinário de cada um, e maneira como se integram e formam uma sonoridade e equilíbrio que ninguém conseguiu copiar. Os arranjos de Jean-Claude Vannier. A linguagem única de Serge Gainsbourg, em seu máximo. a mitologia criada por ele – que se mistura lindamente com a sua própria história (seria ele o próprio pedófilo do enredo? sua mulher é a “Lolita” da capa). Tudo isso, lindamente executado de maneira que é um dos discos pop com mais dinâmica que eu já ouvi. Você pode sentir as nuances na intenção, no volume, na expressividade. Tudo sem medo de ocupar os espaços da dimensão do áudio. É uma sinfonia pop”.

“Uma Tarde Na Fruteira”Júpiter Maçã (2007)

“A Sétima Efervescência” é um clássico já estabelecido. Já esse álbum é menos falado, mas igualmente genial, na minha opinião. Inclusive, acho que é um registro da evolução de Júpiter. Um maldito fora-do-comum, que aqui extrapola os limites do “barulho” e experimentalismo lisérgico, fincando sua bandeira, sem deixar argumento pra quem achava que ele era “apenas” um roqueiro. Aqui, é uma tarde em meio a toda espécie de fruta mesmo – Flávio Basso transita por todo estilo, abre sua cartilha, e praticamente esnoba seus ídolos ao provar sua capacidade (irônica) de citá-los, reverenciá-los, sem deixar de ser quem é. Viva Júpiter Apple“.

“Conversas com Toshiro”Rodrigo Campos (2015)

“Um disco de máximo requinte. Difícil escolher um dos álbuns do Rodrigo, mas esse pra mim é especial porque ele cria um universo distante do dele, do nosso. Ele se apropria duma cultura distante, e faz nascer um Japão próximo do Brasil. Vira do avesso sua linguagem, sua técnica, sua poesia, e a afirma de uma vez por todas. Composições, arranjos, timbres, enredo, atmosfera, todos os músicos envolvidos, tudo no máximo requinte. Um disco que todos devem ouvir (pelo menos) uma vez na vida”.

“Os Tincoãs”Os Tincoãs (1977)

“Beleza, profundidade, História, força e muita delicadeza. um pré-requisito para o brasileiro. Independente da crença de qualquer um, a mitologia do candomblé é linda, faz parte da História do nosso país, e esse lugar em que a religião, espiritualidade e História se misturam com a música e cultura: esse é o resultado, um álbum com uma força que a crítica e análise musicais nunca dariam conta”.