5 canções nacionais pra embalar términos de relacionamento

Se essa semana teve o tal do Valentine’s Day no mundo todo, hoje eu vou na contramão, como bom brasileiro, já que o nosso só é em Junho. Esse texto é para os que estão no processo inverso – passando pelos “chutes na bunda” dessa vida. Geralmente dói e não é pouco. Quem nunca derramou uma lágrima por uma paixão que atire a primeira pedra. Uma trilha da sonora “da desgraça” é indispensável nesses momentos.

Guarde aí! 5 músicas nacionais para a choradeira de fim de namoro/rolo:

1 – “Deixar Você” –  Gilberto Gil

Do maravilhoso disco “Um Banda Um” de 1982. Um disco de transformação musical de Gil – e amorosa também – se em 77 ele cantava pra “Sandra”, agora ele cantava pra “Flora” (será?) (“A Gente Precisa Ver o Luar” (1981)).  “Deixar você” é pra quem está “dando um tempo”. Está dizendo pra você, meu caro/minha cara amigo(a) ressabiado (a) – deixar sua companhia ir embora não vai ser bom nem pra você nem pra ela, com um Gil dizendo “Que a luz nasce na escuridão”, ou seja, no quarto escuro e vazio que você está. É Gil dizendo – tenha fé meu caro (a), que ainda há esperança!

2 – “Queixa” – Caetano Veloso

Um clássico radiofônico do maravilhoso disco “Cores, Nomes” de 1982. Se a última música citada foi de Gil, essa é a “sofrência” do “mano” Caetano. Quando se pensa em decepção (ou não) amorosa velosiana, geralmente vem à mente a clássica das rodas de violão e dos barzinhos “Sozinho”. Seria uma boa pedida também. “Queixa”, entretanto, tem mais cara de fim de relacionamento. É uma “princesa serpente” que “envenena” e que “despreza um amor delicado”. O ressabiado afirma em letras garrafais líricas – um amor desse nenhum homem daria! – uma legítima queixa ultrarromântica. Minha senhora, me diga para onde devo ir!

3 – “Tesoura do Desejo” – Alceu Valença

Composição linda do mestre Alceu Valença. Há duas versões lindíssimas, ambas em dueto – uma com Zizi Possi (“Sete Desejos” – estúdio) e outra com Elba no “Grande Encontro” (tanto no mais recente, quanto no primeiro!). O dueto faz todo sentido, já que a música retrata o diálogo de um casal que não se permite mais e que sabe que seu sonho já se tornara, irreversivelmente, um pesadelo. Essa é para fechar caixões de relacionamento. A síntese do rompimento é o “corte do cabelo”, concreto e metafórico, pela “tesoura do desejo de mudar”. Linda. Não escute essa se ainda tiver esperanças.

4 – “Espaço” – Cássia Eller

Composição de Vitor Ramil e interpretação lindíssima da saudosa Cássia Eller no show “Luz do Solo” (álbum “Do Lado do Avesso” – disponível no Spotify). Uma voz e violão penetrante, que traz consigo toda a dor da solidão. “Quarto de não dormir, sala de não estar, porta de não abrir” – os não lugares do rompimento. Essa é doída demais. Pros fins de relacionamento mais duros, para assumir as “bad vibes” de vez.

5 – “Olhos Nos Olhos” – Maria Bethânia

Composição linda de Chico (“Meus Caros Amigos” 1976), mas que se fez de fato na voz da rainha Maria Bethânia, no álbum “Pássaro Proibido” (também de 76). Uma afirmação de quem já se recuperou do fim e diz com todas as letras: quer voltar? “Olhos nos olhos, quero ver como suporta me ver tão feliz!”. Essa é pra afirmar a superação de vez dos fins, tão naturais, como tudo nessa vida. E nada melhor para isso do que a tão naturalmente romântica Betha. Vida que segue!


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