22 dos melhores discos de 2019 que não apareceram em listas de melhores discos de 2019

22 dos melhores discos de 2019 que não apareceram em listas de melhores discos de 2019

29 de janeiro de 2020 0 Por Redação CEHF

Você já está cansado de saber que “When We All Go Asleep, Where Do We Go” da Billie Eilish é um dos melhores álbuns de 2019, que o maravilhoso Black Alien voltou com tudo em “Hello Hell”, que o Emicida fez um baita álbum em “AmarElo” e que as pessoas amaram os discos da Lizzo, do Terno Rei, do Tyler The Creator e da Ana Frango Elétrico. Pois é, mas tem alguns álbuns que não apareceram nas outras milhares de listas de Melhores de 2019 como estes que citamos, ou apareceram muito pouco. Por isso, a equipe do Crush em Hi-Fi resolveu elencar alguns dos álbuns lançados ano passado que merecem seu play e que, pra nós, poderiam muito bem estar em qualquer lista de Melhores do ano de 2019. Confira, ouça e sugira os seus discos nos comentários!

Máquinas“O Cão de Toda Noite”
Lançado em outubro de 2019, o segundo álbum da banda Máquinas, de Fortaleza, é ao mesmo tempo um desafio e um deleite direcionado a ouvidos exigentes. Foi disparado o disco que mais ouvi neste ano e tenho certeza que continuará me embalando ainda por algum tempo em 2020. É impossível não se sentir o personagem principal de um filme enquanto se absorve todas as nuances, gêneros e experimentações que, em suas variações, parecem compor a narrativa de uma obra cinematográfica. Me peguei por muitas vezes reproduzindo trechos marcantes das músicas horas, e até dias, após ter escutado e continuo pedindo mais. É um álbum que, como deja vu, soa ao mesmo tempo novo e familiar a cada vez que se escuta. (Helder Sampedro)

Ouça:

Plague Vendor“By Night”
Oriundos de um subúrbio de Los Angeles, o Plague Vendor apresenta em seu terceiro álbum um som que remete ao explosivo ‘Free to Eat’, seu LP de estreia lançado em 2014. Unindo caos e carisma, os californianos seguem com seu som nervoso porém evocando um lado pós punk em seu novo trabalho. A banda pode ser colocada confortavelmente ao lado de expoentes do punk moderno como Shame, Idles, Fontaines DC, Viagra Boys e tantos outros que apostam em apresentações viscerais e energéticas para atingir seu público. O fato de alguém ter conseguido colocar esse quarteto dentro de um estúdio e ter extraído mais um álbum dessa locomotiva desgovernada já é digno de aplausos. (Helder Sampedro)

Ouça:

Sessa – “Grandeza”

Sessa (ou Sérgio Sayeg, ex-Garotas Suecas), possui uma sonoridade única nos ambientes da Nova MPB: influências do Tropicalismo e do Ijexá em seus batuques e percussões, acordes bem delineados no seu violão, e letras que escorrem a sensualidade e o calor das cidades brasileiras, com todas as suas vivências e romances. E aí você se pergunta: “bom, mas este é o som que já andamos escutando ultimamente, não é?”. A resposta mais correta seria um não, já que Sessa adiciona elementos do jazz e do minimalismo em suas músicas, criando camadas adicionais de experimentação nas faixas de seu primeiro e incrível disco solo, “Grandeza”. Recheado de músicas como “Flor do Real”, “Gata Mágica” e “Tanto”, Sessa extrapola o gênero a que pertence, juntando sua voz doce e melódica às vozes de Lau ra, Paloma Mecozzi e Sofia Botelho, coro feminino que muitas vezes parece compor a alma das canções que o disco proporciona. “Grandeza” é um álbum para ser saboreado; músicas como alimento para a alma e temperadas pelos ritmos hipnóticos que só o Brasil pode oferecer. (Murillo Medeiros)

Ouça:

Vanishing Twin – “The Age of Immunology” 

É simples: ao primeiro contato com qualquer uma das músicas de Vanishing Twin, você consegue perceber que está embarcando numa viagem sonora. Some isso à estética visual da banda como um todo, seja nas roupas usadas em suas performances ou nos seus clipes, e o que temos é uma experiência audiovisual completa, concisa, e incrivelmente avant-garde. A banda londrina de pop rock/experimental consegue inovar até mesmo em sua formação, unindo músicos de variadas nacionalidades como o Japão, Itália e França, adicionando assim uma linguagem cultural diversa que (acredite), se faz presente em suas músicas, principalmente em seu segundo álbum, “The Age of Immunology”. Com uma sonoridade eletrônica/experimental que os fãs de Stereolab e Broadcast irão reconhecer de primeira, o disco apresenta um ambiente musical construído em conjunto por cada membro da banda. Nascido como uma resposta ao Brexit e à crescente xenofobia mundial, músicas como “The Age of Immunology” por exemplo possui o vocal inteiramente em japonês, assim como na música “Planète Sauvage” que faz o mesmo, só que na língua francesa. A musicalidade do disco também é um aviso, indo do jazz ao funk, do disco à eletrônica, sempre embalados pela voz marcante da vocalista Cathy Lucas e por um certo senso de rapsódia em suas canções. Cada música parece contar uma história diferente, embora todas elas estejam digamos, no mesmo barco. Assim como nós, assim como a humanidade, Cathy Lucas e sua banda nos lembram que nossas diferenças na verdade são o que nos unem, e é a curiosidade pelo outro e o aprendizado inerente nas conexões que tornam interessante viver em sociedade. Como lembra uma das músicas no álbum: “You Are Not An Island”. (Murillo Medeiros)

Ouça:

Chico César – “O Amor é um Ato Revolucionário”
“O Amor é um Ato Revolucionário” é um disco que vai da psicodelia ao brega, com pitadas de jazz, soul pop e até mesmo axé. A música que abre o disco, de mesmo nome, é uma balada hippie de deixar o coração quentinho, e conta com a presença luxuosa de Luis Carlini, ex-guitarrista das bandas Tutti Frutti e Camisa de Vênus. “De Peito Aberto” tem participação de Agnes Nunes, uma baiana-paraibana da nova geração que tem uma voz potente e suave. “Lok Ok” é puro swing – é tão swingada que BaianaSystem a interpretaria tranquilamente. Em “Like”, Chico fala sobre os relacionamentos serem cada vez mais pautados por curtidas em redes sociais – e o quanto essa busca afeta nossa auto-estima. Em “History”, o cantor continua a abordar o tema do mundo virtual, dessa vez na forma de um brega gostoso que poderia muito bem tocar numa rádio popular e virar hit. “Eu Quero Quebrar”, “Pedrada” e “O Homem Sob o Cobertor Puído” as músicas mais politizadas do álbum, em que o músico canta contra o sistema, o fascismo e o capitalismo. Já no final, a divertida “Cruviana”, com participação de Flaira Ferro e fortemente regada de ironia, contém um solo que faz referência à vinheta de um telejornal de grande audiência e que também faz uma crítica ao capitalismo, dessa vez focando mais na grande mídia. “O Amor é um Ato Revolucionário” é um disco que contém músicas longas, muitas camadas e muitos detalhes. É um álbum bem produzido de um artista que fala de assuntos importantes, como negritude, política e amor, com uma simplicidade genuína e sincera, o que não é nada fácil e que é muito bonito. (Ananda Zambi)

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Loyle Carner – “Not Waving, But Drowning”
Os conflitos de Loyle Carner são apresentados com primor em seu segundo disco, “Not Waving, But Drowning”, sucessor do já ótimo “Yesterday’s Gone” [2017]. Seja falando de inseguranças [como na ótima “Still”], dando passos para questionar a sua negritude [na forte “Looking Back”] ou reverenciando suas referências pessoais [“Carluccio” foi um cozinheiro que virou uma importante figura masculina após o pai de Loyle abandonar sua família]; com convidados que vão de Jorja Smith na maravilhosa “Loose Ends” e Sampha em”Desoleil [Brilliant Corners]” [um dos melhores momentos do álbum é o último verso dessa música, quando ele questiona se seu interesse romântico sente o mesmo que ele acabara de confessar] até um poema de sua própria mãe em “Dear Ben”, que fecha o álbum refletindo sobre a importância que um sente pelo outro e que serve de resposta ao “Dear Jean”, poema que abre o álbum e que é do próprio Loyle para sua mãe. É um álbum genuinamente bonito e que serve como um bom exemplo de que não estamos sozinhos quando nos sentimos deslocados do resto do mundo e afundando – isso também nos torna humanos. (Vítor Henrique Guimarães)

Ouça:

Abacaxepa – “Caroço”
“Caroço”, o disco de estreia do coletivo Abacaxepa, é praticamente uma homenagem saborosa a vários momentos musicais brasileiros. E tudo acontece de forma extremamente orgânica e sensorial. Em “Olhos da Cidade” o ouvinte vai do baião ao rock em menos de um minuto; a tropicália vive na abertura do disco, “Abacaxi Azedo”, que ao mesmo tempo traz referências ao pop rock dos anos 1970; o ímpeto político das letras de “Pimenta” e “Remédio pra Gente Grande”; até Elis vem à mente em “Por Enquanto é Chuva”. São músicas que mastigam, cheiram e sentem na pele as doçuras e amarguras que a vida proporciona. (Vítor Henrique Guimarães)

Ouça:

KMFDM – “Paradise”

Minha história com KMFDM precede o compartilhamento P2P. Conheci ainda nos anos 90, junto com a onda industrial que estava tomando conta dos EUA. Porém, após o lançamento do Adios, em 1999, que pra mim soava como um ponto final na carreira da banda, algo fez com que eu me afastasse deles. Comecei a vasculhar meu Deezer e percebi que o álbum Paradise passou completamente batido por mim. Foi difícil escolher um disco de 2019, mas é impossível me arrepender da escolha. Sascha Konietzko está muito bem, liderando a banda após mais de 30 anos de estrada, acompanhado da vocalista Lucia Cifarelli, que também é sua esposa, do baterista Andy Selway, e do guitarrista Andee Blacksugar. O álbum começa com K.M.F., um rapzão marcado com sintetizadores, guitarras pesadas, e o último ingrediente que não pode faltar para um bom industrial: samples. A participação de Andrew “Ocelot” Lindslay é pontual e mais que necessária. No Regret, a segunda faixa, pega toda a tradição trazida na faixa de abertura, adicionando um drum ’n Bass na jogada. O vocal de Sasha berra “my life, my rules, my fight” (minha vida, minhas regras, minha luta) completando com “I live with no regret” (eu vivo sem arrependimentos). O cara está bem feliz onde está, e isso é bom, muito bom! “Oh my Goth” é mais lenta e é a primeira música com Lucia nos vocais. Aqui vai um “mea culpa” porque amo vocais femininos. My Birthday Massacre e Far From Alaska estão entre minhas bandas preferidas de todos os tempos, então falar muito sobre o assunto é meio que puxar a brasa demais para o que eu amo. O ponto alto do disco é Automaton, a oitava faixa. Ela tem uma pegada mais, digamos, “feliz”. É algo novo no mundo do KMFDM, mas o dub no meio da música remete à UAIOE, disco lançado em 1989. Automaton é tão “vintage” que, se você pegar “Rip the System”, também de 1989, e desacelerar um pouco, podemos ver uma banda que se inspirou nela mesma. Para quem não ouvia KMFDM há uns 20 anos, descobrir que a banda está na ativa e lançando discos magníficos é um afago na alma. (Chris Lopo)

Ouça:

Amon Tobin – “Long Stories”

Algo que nunca vou entender é como é que os brasileiros não conhecem Amon Tobin. Em 2017 ele fez a trilha sonora para uma exibição que projetou imagens na parte exterior da Opera House em Sydney, na Austrália. Seu show é cheio de projeções sincronizadas com a música, um deleite para olhos e ouvidos atentos. Em 2019 ele lançou dois discos, Fear in a Handful of Dust e Long Stories, mas vamos focar no último. Este álbum segue a longa carreira de experimentações sonoras, que muitas vezes chegam perto da Música Concreta, deixando ritmo de lado em favor das texturas. One Shy Morning abre o disco de forma lenta, quase um sonho, e Full Panther desce um pouco mais, entregando lago mais minimalista, se é que algo que possa se dizer do brasileiro. Mais pro final ela tem um “quê” de Pink Floyd da época do Meddle. Sounds Like Moths foi batizada com esse nome porque ela soa como mariposas. O som das asas batendo capturado por microfones de 8 bits acompanhados por batidas espaçadas e cravos eletrônicos preenchidos com muito reverb dá um ar novo na discografia de Amon. Red Moon usa os mesmos efeitos dos discos anteriores, soando como uma irmã mais nova de Lost and Found, do disco ISAM, que está perto de completar 10 anos. Clear for Blue é a que mais permite viajar. Coloque para tocar, pegue um livro de literatura fantástica e fie horas utilizando as texturas sonoras para criar os cenários onde as criaturinhas dos mundos imaginários vivem. Se 2019 foi um ano cheio de discos maravilhosos, ter 2 álbuns de Amon Tobin é um prato cheio para quem gosta de música instrumental. (Chris Lopo)

Ouça:

Legrand – “Antares”
O álbum Antares da banda de rock alternativo juiz-forana Legrand possui uma produção de grande qualidade, com canções como “Utopia” e “Glamour” que, além de uma ótima sonoridade, não só essas como o disco em si, possuem músicas com composições que faz com que esse disco seja uma ótima estreia para a banda fundada em 2015. (Vinícius Rodrigues)

Ouça:

The Maine – “You are OK”
O disco “You Are Ok” dos norte americanos The Maine é sem sombra de dúvidas um dos melhores discos da banda, com uma produção muito melhor que os discos anteriores, o novo disco demonstra certo amadurecimento por parte da banda. Os pontos altos do álbum estão em Slip The Noose, faixa que abre o álbum e Tears Won’t Cry (Shinju), música com um som mais pop. (Vinícius Rodrigues)

Ouça:

Livia Nery – “Estranha Melodia”
Até pouco tempo atrás só conhecia a conterrânea baiana Livia Nery por conta da música “Vulcanidades” (que aliás vale como bom ponto de partida para conhecer a artista), do seu EP de 2017. Disco de estreia agradável e interessante é o que é o “Estranha Melodia”, produzido por ela e por Curumin, com repertório quase que completamente autoral. O começo do disco é iluminado – a faixa autointitulada, seguida por “Beco do Sossego” e “Sintoma de Amor”. Destaco também a faixa “Instinto”. Mais uma artista do excelente grupo de artistas baianas(os) que estão crescendo na cena nacional. (Pedro Vivas)

Ouça:

Steve Lacy – “Apollo XXI”
Escutei Lacy ao acaso, por meio de um amigo que apresentou o que era, até então, seu EP “Steve Lacy Demos” (2017), com as excelentes “Some” e “Dark Red”. Foi só depois disso que fuçando seu histórico, soube que produziu “Pride” de Kendrick Lamar do exaltado disco “Damn” (2017) – um beat que ele fez utilizando um app de Iphone. Claro, descobri também que ele integrava o interessante grupo “The Internet” pouco tempo depois. 2019 chegou e trouxe com ele o disco de estreia de Lacy, que pode ser considerado uma mescla de toda essa trajetória. Uma interessante estreia que rendeu boas faixas como “Playground”, “NSide” e “Only If”. A curiosidade para escutar mais produções do artista só cresce. (Pedro Vivas)

Ouça:

The Mönic – “Deus Pício”
Sou meio suspeito para falar do quarteto The Mönic, já que sou fã da banda desde sua encarnação anterior, o BBGG. Com a entrada de Daniele Simões na bateria, a banda ganhou um peso e precisão ainda maiores, permitindo muito mais criatividade e personalidade, algo que pode ser visto nas 7 faixas de seu primeiro disco, “Deus Pício”. As influências de grunge, punk rock e riot grrrls se apresentam em faixas que grudam na mente como “Mexico”, “Scars and Cigarrettes” e “Maldizer”. “Refém” é direcionada diretamente a um certo governante que fez de 2019 um ano bem complicado. (João Pedro Ramos)

Ouça:

Amyl and the Sniffers – “Amyl and the Sniffers”
O Amyl and the Sniffers é quase uma mistura de X Ray Spex com o lado mais Dee Dee dos Ramones. No primeiro disco dos australianos, o pé nunca chega perto do freio, indo direto e reto com guitarra, baixo e bateria fazendo uma cama barulhenta para os berros descontroladamente deliciosos de Amy Taylor. Você dá o play e vai de “Starfire 500” até o maravilhoso single que fecha o álbum, “Some Mutts (Can’t Be Muzzled)” , numa paulada só, e quando reparar já vai estar no repeat. Punk rock até a medula óssea. Para os fãs do gênero, é um prato cheio, até derramando um pouco nas bordas. (João Pedro Ramos).

Ouça:

Giovani Cidreira – “Mix$take”
Giovani é outro artista que cresce cada vez mais no cenário baiano e nacional, e 2019 marcou o lançamento de mais um EP. Afrofuturismo? Não sei bem como definir. Só sei que chama atenção por sua mistura de ritmos e batidas eletrônicas. Merece olhar atento. (Pedro Vivas)

Nérija – “Blume”
A cena de jazz londrina é uma parada linda e repleta de pérolas. Uma delas é Nérija, um septeto monstruoso de jazz formado pela já renomada saxofonista Nubya Garcia, a guitarrista Shirley Tetteh, a baterista Lizy Exell, a alto-saxofonista Cassie Kinoshi, a trompetista Sheila Maurice-Grey, a trombonista Rosie Turton [as duas últimas integram também o coletivo de jazz Kokoroko] e o baixista Rio Kai. “Blume”, álbum de estreia, é basicamente uma grande peça teatral com cenas épicas, diálogos incríveis e monólogos arrebatadores – só que tudo no jazz instrumental com traços de afrobeat. É uma sintonia instrumental que se mostra mais pela energia e beleza das músicas do que pelos detalhes. É uma festa, uma celebração afro-orientada extremamente contagiante. Baita trip. (Vítor Henrique Guimarães)

Ouça:

Karol de Souza – “Grande!”
O álbum de estreia da Karol de Souza é porrada do início ao fim. Sem papas na língua, “Grande!” traz força, autoestima body positive, fala de negritude e casa o funk com o trap com maestria. Tudo isso num som super bem produzido e com base nas suas experiências e lições de vida pessoais. Imperdível mesmo. (Vítor Henrique Guimarães)

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Bloodboy – “Punk Adjacent”

O primeiro disco da californiana Lexie Papilion não é bem punk, mas como o nome mesmo diz, é adjacente ao estilo. Em sons como “All My Idiots”, a ex-surfista profissional mostra que curte a new wave e pós-punk, enquanto na abertura do disco, “Is Now A Good Time To Ruin Your Life?”, o rock alternativo dos anos 90/2000 transparece. Mas não dá pra rotular muito em uma caixinha só o trabalho: tem pitadas de soul, pop e até um pouquinho de R&B. Mais um disco que prova que em 2020, rótulos não são necessários para se fazer um belo disco. (João Pedro Ramos)

Ouça:

MC Tha – “Rito de Passá”
O primeiro álbum da paulista MC Tha, “Rito de Passá”, já chegou abrindo caminhos e estremecendo o chão dos lugares por onde passa. Usando o álbum como uma maneira de se apresentar ao público, MC Tha já começa o ritual de apresentação desde a capa, onde está vestida como Iansã, a senhora dos ventos e das tempestades. Os elementos de religião africana seguem na musicalidade e, na faixa-título, as batidas das músicas de rituais africanos se misturam às batidas do funk carioca. Ao longo do disco, você entende um pouco mais sobre a artista, num disco que fala sobre amores, liberdade e aceitação. Através do seu próprio ponto de vista, MC Tha consegue, através da musicalidade, transmitir sua forte personalidade num álbum que transita entre a força feminina, a sensualidade e a melancolia. (Luiza Padilha)

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Drugdealer – “Raw Honey”
“Raw Honey”, segundo álbum de estúdio de Michael Collins sob o heterônimo Drugdealer,, é um convite para retornarmos à estética das baladas setentistas e isso já é notável desde a arte da capa, inspirada no álbum homônimo da banda The United States of America (1968). Logo na abertura do disco, com a música “You’ve Got to Be Kidding” e um melotron ecoando, já é possível lembrar das baladas mais melancólicas do Wings. O clima se estende à segunda faixa, que também é um dos singles do álbum, “Honey”. Em parceria com Weyes Blood, o clima setentista permanece graças ao timbre da cantora, que nos remete diretamente à divas como Joan Baez e Joni Mitchell. Ao longo do disco, é possível perceber inspirações em bandas como Steely Dan e Lovin’ Spoonful. Mesmo com tantas referências, “Raw Honey” possui uma forte personalidade e vale cada minuto executado. (Luiza Padilha)

Ouça:

DEF “Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia, parte II”
O trio carioca Def apresentou em setembro de 2019 seu primeiro álbum, ‘Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia, parte II’, uma espécie de sequência ao seu EP de estreia que saiu em 2016. Lançado pelo selo PWR Records, o trabalho soa extremamente agradável aos ouvidos com a mistura primorosa das guitarras melodiosas com as vozes doces das vocalistas. O disco porém não é sem seus momentos de erupção, que quando acontecem contribuem ainda mais para a catarse que o ouvinte deve sentir por meio das letras caminham com naturalidade entre o cotidiano e o confessional. (Helder Sampedro)

Ouça: