5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Conrado Passarelli, guitarrista da banda Atalhos

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Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Conrado Passarelli, guitarrista da banda Atalhos.

Raf Rundell“Shoppin’ For A Shaman”
Essa canção tem uma base que remete a canções de rap, só que de uma maneira mais orgânica e natural, o que a torna mais agradável ainda.

Beach Fossils“Sugar”
Existe uma dinâmica singular entre os instrumentos, cada um sabe a hora certa de aparecer. Além disso, a linha de baixo é bem definida e marcante.

DIIV“Take Your Time”
Outra música que possui o equilíbrio entre guitarras, baixo e bateria. As guitarras com delay marcam bastante com frases repetidas e intensas.

Peach Pit“Peach Pit”
Guitarras limpas com uma sujeira bem de leve, arranjos simples como uma tarde no campo, onde a percepção de espaço é diferente e o tempo parece passar mais devagar com os efeitos modulados.

Hope Sandoval & the Warm Inventions“Let Me Get There”
O único defeito dessa música é que ela acaba. São mais de sete minutos bem aproveitados. A voz suave da Hope é mágica. Agora adicione a participação especial do Kurt Vile mais a sonoridade vintage e você tem uma atmosfera hipnotizante

Weekend Recovery mostra que o novo punk rock inglês não tem medo de flertar com o pop

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Weekend Recovery

O Weekend Recovery é um quarteto inglês que tem sua origem em uma garagem suja em Kent. O punk rock é a base do som do grupo, que já ganhou elogios da BBC no programa Introducing, além de serem bem falados por veículos como a Radio X e a NME. Recentemente, entraram no time da Headcheck Records e da Super Scurry Music e estão preparando seu primeiro EP, “In The Mourning”a ser lançado em setembro.

Formada por Lorin Jane Forster (vocal/guitarra), Owen Barnwell (guitarra), Josh (baixo) e Marcus (bateria), a banda já tem alguns singles na bagagem: “Focus”, “Don’t Try and Stop Me”, “New Tattoo” “Why Don’t You Love Me”, e dizem não ter medo de mostrar uma veia mais pop em seus próximos trabalhos. “Eu não gosto de coisas que não sejam maleáveis. Boa música é boa música para mim, qualquer que seja o gênero”, explica Lorin.

– Como a banda começou?
Bem, originalmente eu comecei como um artista solo, então eu pensei que algo estava faltando. Decidi pegar alguns músicos enquanto precisava desse crescimento! Então trabalhei com alguns músicos contratados um pouco, mas queria algo um pouco mais sólido – então decidi transformar o que era meu projeto solo em uma banda. Depois de pesquisar e descobrir o que era melhor, me deparei com Owen, Josh e Marcus, e pela primeira vez estou em uma banda com pessoas que entendem e vão dar tudo de si para esse mundo louco da música!

– Como surgiu o nome Weekend Recovery? O que ele significa para você?
É na verdade uma letra da banda The Darkness, da música “Friday Night”. Nós costumávamos ouvi-la muito na turnê e meu antigo guitarrista Jordan disse “sim, este é o nome!”. Eu queria “Ninja Pandas”, mas eu fui vencida!

– Conte suas maiores influências musicais.
Pessoalmente eu amo Paramore e Katy Perry – mas eu também sou uma grande fã do Sonic Youth, The Vines e do incrível White Stripes!

– Me conte mais sobre os singles que vocês lançaram até agora.
Nosso primeiro single foi “Focus”, muito pop, sobre cometer erros e aprender a excluí-los. Então trouxemos “Don’t Try and Stop Me”, que teve uma influência mais rock, que é sobre manter a força quando as pessoas tentam acabar com você, e então veio “New Tattoo”, sobre se apaixonar por alguém e então descobrir que eles estão muito apaixonados por outra pessoa, e finalmente “Why Don’t You Love Me”, que é sobre essa sensação do que todos queremos na vida.

– Vocês estão trabalhando em um álbum completo? A cultura do álbum ainda está viva?
Na verdade, decidimos fazer um EP, no momento. Não tenho certeza se a cultura do álbum está morta, é difícil dizer. Mas acho que uma banda do nosso nível precisa trabalhar para criar um single ou EP, em vez de jogar centenas de libras em algo que pode ou não funcionar… Talvez eu esteja errada, mas prefiro lançar uma música errada do que doze.

– Como vocês veem a cena do punk rock no Reino Unido hoje em dia?
Eu acho que é próspera, com bandas como Slaves tocando no rádio. Eu acho que a cena sempre esteve lá, mas está ficando cada vez menos underground, com muitas bandas incríveis!

– O que você acha sobre as bandas de rock que estão indo em um som mais “pop”, como Weezer, Arctic Monkeys e Imagine Dragons, e deixando as guitarras de lado?
Bem, eu sou fã de pop, então estou amando! Eu acho que é sobre tentar coisas diferentes – as pessoas ficam entediadas tão rapidamente. Especialmente com bandas como Arctic Monkeys, certamente causa uma reação. Se isso é bom ou ruim, eu não tenho certeza, mas as pessoas certamente estão falando e isso está chamando atenção. Eu não gosto de coisas que não sejam maleáveis. Boa música é boa música para mim, qualquer que seja o gênero.

– Vocês estão atualmente trabalhando em novas músicas?
Nós estamos! Estamos prontos para lançar o nosso mais recente EP, “In The Mourning”, no final de setembro.

– Quais são os próximos passos?
Lançar este EP. Temos uma grande campanha de relações públicas por trás que mostra do que se trata… Estamos integrando um estilo ligeiramente diferente em nossa música para isso, então estou muito empolgada!4

– Recomende bandas independentes e artistas que chamaram sua atenção ultimamente.
Oh meu Deus! São tantos para escolher… Healthy Junkies, Minatore, Vertigo Violet, Salvation Jayne e Bexatron são todas muito boas!

Construindo Universo Relativo: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Universo Relativo indicando as músicas que influenciaram sua obra.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Julio:

Led Zeppelin “Ramble On”
Impossível pra qualquer baterista de rock/ poprock ouvir os grooves cheio de swing e viradas enérgicas do John Bonham e não ser influenciado. Certamente um dos instrumentistas que me fez entrar na música, me inspirou e inspira até hoje a seguir – sem contar os outros gênios que tocavam com ele. Como esquecer da primeira vez que se escuta o “Led Zeppelin I”? Essa música especificamente me ajuda a continuar na luta, no meu caminho pra conquistar os objetivos. Ramble On!

Bigbang“Heaven and Stars Above”
Escutávamos muito esse disco do Bigbang, uma banda da Noruega, na época de composição do disco. Essa música fala de uma das coisas que acreditamos muito e tentamos dizer nos nossos sons: a simplicidade e o amor trazem felicidade! “All I want is a little love, heaven and stars above!”. Sem contar que a sonoridade dos caras é fantástica, guitarra com uma distorção estilo Jimi Hendrix e uma pegada setentista, perfeita pra cair na estrada!

Forfun“Hidropônica”
Infelizmente ainda não fizemos nenhum som hardcore, mas não dava pra não citar o Forfun aqui. Uma das bandas que “fez nossa cabeça” na adolescência e certamente nos influenciou a tocarmos juntos – muito pela sonoridade, mas principalmente pela mensagem positiva que a banda carrega. Muitas lembranças boas e bate-cabeças nos shows desses caras!

John Butler Trio“Used to get High”
Esse som também conversa com uma das mensagens que está em nosso disco “Reflexo”, que é da crítica social, do questionamento e do olhar atento sobre como a sociedade acaba criando alguns hábitos nocivos. Além disso, o John Butler saber misturar muito bem a distorção com instrumentos acústicos e percussivos. Influência demais!

Oasis“Supersonic”
Oasis foi a primeira banda que assisti ao vivo, em 2006. Eu tinha 13 anos e nunca tomei tanta chuva na minha vida, mas também nunca fiquei tão extasiado. Esse momento foi definitivamente crucial pra mim, pois senti a verdadeira energia que um show pode transmitir – sabia que teria que fazer aquilo mais vezes na vida, mas só de plateia não seria o suficiente!

Giu:

Capela“Ciclo”
Essa música é muito representativa para nós, inclusive tivemos no nosso show de lançamento. O tema representa a mudança que passamos durante a criação do nosso disco, além de ser composição dos amigos do Capela, que admiramos muito.

Forfun“Considerações”
Escolhi essa música porque escutava multi no momento da criação do disco, é uma letra maravilhosa madura, com uma pegada hardcore que tem a ver com a fase em que começamos mesmo a tocar juntos.

Lenine“Simples Assim”
O Lenine é um grande artista, um ídolo! Esse som tem uma fluidez invejável, representa muito do que acreditamos

Eddie Vedder“Guaranteed”
Essa música é trilha sonora de um filme que inspirou muito a gente, “Into the Wild”. Foi influência direta de “Navegante”, que conta o nosso jeito de contar a história do filme.

Novos Baianos“Mistério do Planeta”
Esse som a gente costuma ouvir muito juntos, por todos os aspectos musicais e poéticos. É uma influência que nos invadiu há um bom tempo, costumamos até fazer cover dela as vezes!

Tassio:

Bigbang“The Oslo Bowl”
Acho que a primeira vez que ouvi esse som, tive a sensação de estar em um viagem. O violão de 12 em open tune de Sol, os violinos no final da música, com certeza nos influenciaram diretamente nos processos de criação, composição e arranjos de “Himalaia”.

John Butler Trio“Better Than”
De uma maneira geral eu sempre me encanto quando um violão é bem tocado e bem timbrado. Esse cara com toda a certeza é a razão de hoje eu usar uma viola caipira, com captadores de guitarra, passando por efeitos em pedais e muitas vezes mandando pra um ampli. Ele que me ensinou essas heresias (risos). Essa música em específico me motivou muito na construção dos arranjos em “Falível”, nosso novo single, inclusive na parte da coesão entre
arranjos e a poesia (por terem mensagens parecidas). O Giu foi quem escreveu a letra e a melodia, mas acho que na hora que eu interpretei a mensagem na viola eu estava pensando um pouquinho em “Better Than”.

Current Swell“Booze in Hell”
Como quando compusemos “Garrafa de Vidro” havíamos acabado de sair de um boteco pra beber mais um tiquinho, “Booze in Hell” é a música que pra mim mais representa esse momento. Onde a cara da história que criamos tem esse tema meio blues, meio sátira, mas em um bom sentido.

Suricato“Bobagens”
Uma música com um clima positivo e ainda falando sobre uma forma de levar a vida mais leve, sorrindo. Não tinha como não lembrar dessa música quando o Giu e o Gariba me mostraram “Elo Sem Fim”. O ritmo é totalmente diferente, mas eu chupinhei algumas aberturas de acordes de “Bobagens”.

Bigbang“Earphones”
Infelizmente, online só tem uma versão ao vivo no youtube dessa música, mas é uma baita referência pra nós. Além de ser um puta som, ela tem um momento curioso onde a parte B da música é o momento onde a dinâmica está mais alta, e isso, quando eu mostrei pros meninos eles adoraram e a gente achou que seria legal se “Onda na Pedra” tivesse também essa forma de estrutura dinâmica.

Artur:

John Mayer“Gravity”
“Gravity” traz uma levada mais constante na bateria e a genialidade de um artista que considero completo que é o John Mayer. Levando para um lado mais romântico, “Plenitude” possui muita influência inclusive de um grande solo de guitarra marcante para a música.

Skank“Vamos Fugir”
O Skank será sempre uma referência pra nós e “Vamos Fugir” influenciou bastante a ideia de pegar a estrada, e curtir a viagem em si, trazendo também alguns elementos como a gaita que está presente em “Himalaia”.

Coldplay“Yellow”
A mistura do violão bem presente com o peso da guitarra nos momentos altos de “Yellow” foram também grande inspiração para o grande momento de “Elo Sem Fim” que ainda conta com um arranjo de cordas que nos emocionou durante a gravação.

City and Colours“Mizzy C”
Os timbres do City and Colour são sensacionais e buscamos dentro do nosso som chegar em sonoridades parecidas. O refrão com acordes abertos foram também ideias que curtimos e nos inspiramos para criar os refrões de “Canção Particular” e “Navegante”.

Gabriel o Pensador “Até Quando”
Trazendo uma forte crítica social e inclusive misturando alguns elementos do samba com o rock, Gabriel O Pensador serviu como fonte de inspiração para criar o arranjo de “Elitização Racional”. Escândalos políticos eram bem presentes na época e infelizmente persistem até hoje.

Como São Paulo inspirou o Corona Kings a se reinventar no disco “Death Rides a Crazy Horse”

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Corona Kings

A guitarra é a força motriz que faz o Corona Kings funcionar. A banda de Maringá chegou em São Paulo e assim que botaram os pés na selva de pedra cinza, o som da banda se transformou. Isso fica claro em “Death Rides a Crazy Horse”, um álbum espontâneo, barulhento, guitarreiro, sem freios e sem um monte de overdubs. O negócio é mostrar como o som é ao vivo, com tudo o que tem direito.

Formada por Caique Fermentão (guitarra/vocal), Murilo Benites (baixo), Felipe Dantas (guitarra) e Antonio Fermentão (bateria), a banda está na ativa desde 2012 e já participou de grandes festivais no Brasil e no exterior, e em projetos de marcas importantes como Fender, Jägermeister e Levis. Conversei com Caíque sobre a carreira da banda desde que era apenas um projeto solo descompromissado até a chegada em São Paulo e o renascimento em “Death Rides a Crazy Horse”: 

– Vamos começar do jeito clichê, mas que eu curto sempre saber: como a banda começou?

É meio difícil ate de responder isso (risos). Eu, meu irmão e o Felipe tocamos juntos desde moleques, mas começou mesmo há uns 6 anos atrás. Eu ganhei uma gravação em um estúdio lá em Maringá, aí tinha umas músicas, fui lá e gravei. Nem tinha banda na época. Aí, quando tava ficando pronto, eu resolvi juntar a galera que era mais chegada pra tocar aquelas músicas. É bizarro que o Corona já tinha disco pronto e não tinha banda pra tocar (risos)!

– Então o Corona basicamente começou como um projeto solo seu, só que sem pretensão e sem nome.

Isso. Mas eu queria ter banda sim. Pra caralho!

– E depois dessa gravação cê já percebeu que esses sons podiam ser a fagulha pra uma banda rolar.

Ah, sim. Nosso som mudou bastante. Mas eu acho o nosso primeiro disco bem legal.

– E como rolou a formação e esse primeiro disco? Já foi gravado com o nome Corona Kings? Como o nome surgiu e o que ele significa?

Cara, a gente sofreu pra caralho pra achar um nome. Todas as idéias boas que a gente tinha já existia alguma banda com o nome. Eu sabia só que queria dois nomes, e não sei porque fiquei pensando que tinha que ser alguma coisa “kings”. Aí depois de muito tempo rolou o Corona Kings. E nem tem porque (risos). Só foi o primeiro nome aceitável que ninguém usava!

– Fala mais sobre os sons que estão no disco e como o som era nesse começo

Cara, eu meio que copiei as bandas que mais ouvia na época. Tem muita coisa boa no disco, mas hoje eu vejo que tem muita música que parece com alguma música (risos). Tá ligado? E nem era por querer, é porque eu fiz as músicas pra mim mesmo, nem pensava em ter alguém escutando meu som. Mas foi o melhor que eu pude fazer na época, e já que gravei sozinho tive muito tempo pra criar o que eu quisesse, gravar quantas guitarras eu queria… Foi uma escola, eu curti muito na época.

– Quais eram essas bandas que você se inspirava na época e quais inspiram o Corona hoje?

Na época era principalmente o Nirvana, Foo Fighters, Queens of the Stone Age e Pearl Jam. Claro que tem mais, tudo influencia, mas eu queria soar como essas bandas. Hoje em dia é muita coisa que influencia, agora com Spotify você descobre bandas diariamente, se quiser. Mas eu particularmente vou mais pra onda das bandas que a guitarra meio que “manda” no som, o ultimo disco do Corona eu sempre falava no estúdio que a guitarra era o principal e depois a voz. Ouvi muito Hellacopters, muito Kiss, Stooges, AC/DC, The Who… Mas queria pegar essa pira da guitarra rock’n roll e misturar com Nirvana (risos).

– Um negócio que hoje em dia talvez tenha sido deixado meio de lado, esse “rockão” movido à guitarra no tímpano, né.

Sim, mano, pra caralho. Tem uma galera q escuta o corona e as bandas do nosso rolê forever vacation e fala “caramba, eu nem sabia que ainda tinha banda assim”. É bizarro o quanto de gente vem me falar isso. Sinto que a galera quer produzir demais a parada hoje em dia e não se preocupa tanto em ter “veneno” no som, tá ligado.

– Tem aquela coisa de “limpar” o som na produção, né.

Sim, mas ao mesmo tempo tem muita banda foda. É que tem tanta banda que é difícil a galera descobrir que existe (risos).

– Aí veio o “Dark Sun”, já como banda, né. Como foi a produção desse disco? Como ele evoluiu do primeiro?

Foi bem diferente, primeira vez que eu só gravei a minha parte, fiquei até meio nervoso no começo! Mas acabou sendo legal. Eu tava numa época meio deprê quando fiz as músicas e gravamos o disco, não sabia se queria continuar a tocar. Aí dá pra ouvir um pouco disso no som. As músicas são bem mais “pesadas” nas letras e tal.
Nos primeiros 30 segundos do disco você já vê que eu não tava muito feliz (risos).

– É um disco mais “dark” do Corona, menos “forever vacation”.

Pra caralho! Eu queria que fosse meio ópera rock mesmo, meio progressivo. Bom de não ter fã é isso né, pode fazer o som que quiser (risos)!

Corona Kings

– E agora temos o “Death Rides a Crazy Horse”, um puta disco de rock que me lembrou muito o Supersuckers e o Turbonegro. Como foi a criação desse? Uma retomada ao rock mais puro e pé na porta?

Exatamente! Quando a gente veio pra são paulo saíram dois caras da banda (sim, eramos em três guitarras!), trocou o baixista… Aí em duas guitas pela primeira vez a gente meio que foi obrigado a ser mais cru. A gente aproveitou que ninguém conhecia a gente aqui pra meio que virar uma banda nova. E principalmente ao vivo, funciona muito melhor o som novo.

– E como esse renascimento do Corona Kings refletiu no disco?

A gente só quis se divertir e tentar passar isso no som. Eu lembro que saía pra correr e ficava pensando que queria ter um som que fosse legal pra dar uma corrida (risos). Ou que desse pra dar play numa festa e todo mundo curtisse. O terceiro disco é mais leve em vários sentidos… Eu quase considero ele um primeiro disco de novo.
A banda ao invés de morrer lá no Paraná renasceu aqui em SP!

– Ele é leve porque aposta na diversão, mas pesado porque é praticamente uma guitarrada na orelha.

Exatamente (risos)! Juntei o corona com o Capilé e o Zander, né, e nem precisei falar o som que queria tirar. E cara, é bem cru o disco. A gente não queria mascarar nada, tem que soar como a banda soa ao vivo. Não tem dobra de guita, mano, e olha o som que os caras tiraram! Tenho que agradecer muito ao Costella!

– Eu sempre quis saber de onde saiu o nome desse disco!

(Risos) Foi durante a gravação! Tem um monte de música que começa e o Felipe já entra solando loucamente, aí a gente falava que ele parecia cavalo de corrida esperando abrir a portinha, tá ligado? (risos) Hora que abria a porta vinha babando! (risos) Aí a gente chamava ele de “crazy horse” na época que tava gravando. Eu queria que o disco chamasse só “Crazy Horse”, aí meu irmão deu a ideia do “death rides” e tem uma música que fala meio disso no disco.

– Como você vê a música independente hoje em dia?

Cara, eu acho que quem fica no rolê é porque ama muito a parada, porque 99% da galera não ganha porra nenhuma. Na real gasta pra caralho, não é barato ter banda. Mas isso tem um lado bom: já que só fica quem ama mesmo, aparece muita gente talentosa, você faz amigos no mundo inteiro (porque todo mundo é muito parecido com você), um torce pelo outro e por aí vai.

– Quem estaria nessa pela grana tá ferrada.

Sim. Acho que vai ser muito difícil aparecer AQUELA banda, sabe. Porque com a internet é muito som novo todo dia, não tem mais uma Mtv que vai passar o clipe do Nirvana e o mundo inteiro vai mudar, não vai mais ter um Beatles, um Nirvana, esse tipo de coisa. Mas tem espaço pra TODO MUNDO. Eu aprendi uma coisa muito importante aqui em SP: que você tem que tá nessa porque gosta do rolê e ponto. A hora que você aceita isso, que não vai ter fama, não vai ter grana, tudo fica mais legal. Você acumula experiências e amizades e acabou.

– Então um ressurgimento do rock no mainstream é algo que você acha que não vai mais rolar.

Ah, aqui no Brasil se for aparecer algo vai ser feito pra grande massa, né. Vai ser aquele rock pra tocar na Globo. Brasileiro não é roqueiro, rock no brasil é década de 80 até hoje, tanto que Capital Inicial tá aí, toca no Rock in Rio e pá. Mas no undergound vai rolar pra sempre, e é da hora ser underground. E só quem gosta mesmo vai atrás.
E cara, dá pra fazer turnê, dá pra gravar disco, dá pra conhecer gente, fazer festa. Pô, tá tudo aí!

– Aliás, esqueci de citar o clipe de Death Proof! Baita clipe divertido. A morte da Mtv foi um pouco decisiva pra saída do rock do mainstream?

Eu acredito que sim. É a internet, né, mano. TUDO na sua mão ao mesmo tempo!

– Quais os próximos passos do Corona Kings?

Cara, continuar enquanto for legal, gravar, tocar, viajar… A corona kings é a minha filha do coração: ela sempre vai estar ali. Sem problema todo mundo da banda ter outros projetos, eu inclusive. Acho que o Corona tem muita lenha pra queimar ainda!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Cara, eu vi uma banda (não lembro de onde são) chamada Cattarse (eu acho que escreve assim). PQP, que banda foda. Power triozaço, o guitarrista toca e canta pra caralho! Outra banda que é muito foda, principalmente ao vivo, é o Molho Negro. O show deles é um acontecimento (risos)! E não é porque são meus amigos , mas eu sempre achei o Water Rats muito foda também. Recomendo absurdamente! Tem muita banda de Maringá foda também: Stolen Byrds, Fusage… pô, Maringá faz bandas bem boas!