Construindo Falso Coral: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o disco “Delta”

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Falso CoralBela Moschkovich (vocal), Bemti (vocal e viola caipira), Pedro Lauletta (bateria), Guilherme Giacomini (sintetizadores) e Henrique Vital (baixo) escolheram 20 faixas que inspiraram as 10 faixas inéditas que estarão no disco “Delta”, que sai no segundo semestre.

Em 2016 a banda Falso Coral lançou o EP “Folia” onde apresentava pela primeira vez a mistura característica da banda: rock alternativo, viola caipira, sintetizadores e vocais duetados. Depois de dois anos rodando com o EP, a banda está pronta pra colocar no mundo o primeiro álbum, que se chama “Delta” e está sendo produzido por André Whoong (que também produziu o álbum “Gaya” de Tiê). Pra viabilizar o disco a banda abriu uma campanha no Benfeitoria, com várias recompensas,  precisando atingir a meta até o final de junho. Para contribuir com a produção e lançamento do disco, acesse agora: http://benfeitoria.com/falsocoral.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Castello Branco“Necessidade”
Bemti: Melodia incrível e produção impecável. Tudo com um senso de grandeza e simplicidade misturados que fazem o Castello Branco ser um dos grandes artistas da “nova geração”. O Falso Coral começou fazendo músicas em inglês e eu só comecei a compor mais em português do que inglês porque eu me reafundei em clássicos como Clube da Esquina e discos como o “Serviço” do Castello Branco e de outras pessoas dessa mesma geração lá pelos idos de 2014/2015.

Joan Baez“It’s All Over Now, Baby Blue”
Bela: Essa canção (que é do Bob Dylan) interpretada pela Joan Baez é linda demais! Os dois são uma inspiração enorme para mim, mas a Joan é especialmente nos vocais.

Florence + The Machine“Delilah” 
Bela: A Florence é outra referência de voz que eu uso muito. Ela alterna com frequência entre uma voz potente e agudos muito bem colocados, coisa que com a música do Falso Coral eu gosto de fazer também. As linhas de backing vocals também são um material de estudo interessantíssimo!

Guillemots“Made-up Love Song #43”
Bemti: Guillemots era uma banda mestre em mesclar nostalgia com melodias épicas. “Made-up Love Song #43” não fez eles estourarem à toa, é toda a fórmula deles resumida em 3 minutos e meio de euforia e cores. Quem prestar atenção no nosso disco vai ouvir uma influência direta dessa música e de toda a vibe Guillemots em pelo menos 2 faixas.

Chico Buarque“Até o Fim”
Bemti: “Faísca” é uma música que estará no disco “Delta” e é a que mais se aproxima do meu trabalho solo. É a que tem a linha de viola mais complexa e um ritmo extraído da catira, que é uma dança bem típica que eu via quando eu era criança em Minas Gerais. Ela tem uma vibe “música brasileira atemporal”. O André Whoong, produtor do disco, disse que pra ele lembrou muito Maurício Pereira. Pra mim ela é uma nuvem de tudo de brasileiro que eu ouço desde criança. Pensando na lista eu lembrei de “Até o Fim” que é um meio samba, com piano, triângulo etc e uma cadência melódica super divertida e elegante ao mesmo tempo com a qual eu consigo traçar paralelos com “Faísca”. Também vale mencionar como influência todo o trabalho do violeiro Ivan Vilela, principalmente as parcerias dele com o extraordinário pianista Benjamim Taubkin (sério, escutem).

Vandaveer“A Mighty Leviathan of Old”
Bela: Vandaveer é uma das minhas bandas favoritas e uma enorme referência de um folk contemporâneo que ainda tem um pé no caipira – ainda que nesse caso seja o caipira norte-americano. Essa música, de um disco de 2009, é uma das mais memoráveis deles,  me assombrou desde o dia que eu escutei pela primeira vez e com certeza influencia muito do meu estilo de composição. O refrão sem letra e as harmonias vocais são duas coisas que aparecem no Delta.

A Fine Frenzy“Come On, Come Out”
Bemti: De toda a geração de bandas indie com vocais femininos, A Fine Frenzy (projeto da Alison Sudol, que hoje em dia está milionária como uma das protagonistas de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”) é uma das melhores pra mim. Com um refinamento extraordinário pra composições e sem medo de soar “soft” demais. O primeiro disco dela, “One Cell in the Sea”, é uma obra-prima de pop alternativo e abre com essa maravilha de música que é “Come On, Come Out”.

Editors“Push Your Head Towards the Air”
Bemti: Quando eu comecei a compor “A Heart for Rent” (uma das duas músicas em inglês que vão estar no disco e a mais antiga de todas), ela tinha uma linha vocal saída diretamente dessa música. Depois entreguei a melodia pra Bela e ela compôs uma letra com uma linha completamente diferente por cima, foi a primeira música que a gente compôs junto. Mas a música ainda continua com essa atmosfera grave que eu amo no Editors e que sempre aparece nas coisas que eu componho aqui e ali.

Fiona Apple“Every Single Night”
Bela: Quando essa música saiu, depois de tanto tempo sem nenhum álbum da Fiona, meu coração explodiu um pouco! O estilo de escrita confessional dela me influencia muito e isso passa, sem dúvidas, pras composições minhas que foram para o “Delta”. Além disso, tentei trazer um pouco da referência dela com a voz meio falada misturada ao canto, que eu adoro.

Björk“Wanderlust”
Bemti: Eu sou louco por melodias grandiosas. Ainda quero fazer mil coisas orquestradas que nem muita coisa que a Björk faz. Enquanto essa hora não chega, dá pra ouvir bastante dessas linhas vocais e melodias “larger than life” ao longo do “Delta”. Nessa hora ajuda ter uma banda com 5 pessoas onde as 5 pessoas não se seguram pra pesar a mão na intensidade.

Violeta Parra“Gracias a La Vida”
Bela: Cresci ouvindo música latinoamericana em casa e volta e meia isso aparece em alguma música. Com certeza, faz parte do DNA de “Delta” e dá para ouvir a referência em uma das faixas inéditas que vamos lançar! Essa canção linda, na versão da Violeta Parra, me comove demais.

Mew – “Am I Wry? No”
Bemti: Mew é a minha banda favorita do universo. Tudo que eu faço vai ter algum traço de Mew invariavelmente. É difícil escolher uma música mas acho que quando eu fiz “Waltz of the Great” (a outra música em inglês do disco) eu provavelmente estava tentando fazer uma versão caipira de “Am I Wry? No” que é indie do começo dos anos 2000 mas com uma nostalgia deliciosa pelo shoegaze e rockzinhos alternativos dos anos 90 em geral.

Keane“Bedshaped”
Bemti: Keane é a minha segunda banda favorita do universo e também é difícil escolher só uma música. Mas pra mim “Bedshaped” é uma explosão de melodia e melancolia que me “contaminou” pra sempre desde a primeira vez que eu a ouvi. Keane é muito inspirado por Beatles e eu sempre reconheço algumas “Beatlezices” que eu componho onde na verdade eu estava me espelhando no Keane. É o caso especialmente de uma das músicas do disco que se chama “A Hora Chega”.

Kings of Leon“Knocked Up”
Henrique: Escolhi essa faixa porque o baixo da música é basicamente tônica e oitava a música toda, e é algo que eu acho bem característico das minhas linhas. As linhas que o Jared Followill usa nas músicas da banda são sempre muito simples, mas igualmente eficientes e poderosas. Acho que, modestamente, minhas linhas são parecidas neste sentido!

Disasterpeace“Home” (Trilha sonora de Fez)
Guilherme: O Disasterpeace é um dos mais conhecidos e admirados compositores de trilha de games atualmente e me influencia bastante nas minhas composições de synth.

Fleetwood Mac “Dreams”
Pedro: O “Rumours” do Fleetwood Mac um dos meus discos preferidos, e eu acho que um dos pontos altos dele é a sonoridade e a timbragem que os instrumentos tem. Nessa música tudo soa bonito e nada está fora do lugar, é uma aula de arranjo. Eu queria um som de bateria parecido com o do Mick Fleetwood pro nosso disco, e acho que conseguimos!

Midlake“The Old and the Young”
Pedro: Eu descobri essa banda por acaso e é uma das que eu mais ouvi nos últimos dois anos, e acho o som deles muito próximo do nosso. Consigo ouvir a voz do Bemti e da Bela nessa música.

O Terço “Queimada” 
Pedro: Resposta pra pergunta “Como colocar viola num disco de rock?”.

Beatles“Strawberry Fields Forever”
Pedro: Enquanto a gente ensaiava a minha canção preferida do “Delta”, a sonoridade dessa música sempre me vinha à mente. E bom, Beatles é sempre uma influência né?

Pearl Jam“Given to Fly”
Pedro: No “Delta” eu uso bastante os tons da bateria pra fazer grooves, e em uma música em particular eu quis ir na onda dessa, que é a minha preferida do Pearl Jam (e olha que não é fácil pra um pisciano fazer esse tipo de escolha). Além disso, uma das músicas no disco é minha e eu fiz ela numa época que eu estava ouvindo o Into the Wild todo dia, e foi uma influência muito marcante.

Las Puperelles faz a conexão Brasil – Argentina com o pé enfiado no fuzz

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Las Puperelles

A rivalidade entre Brasil e Argentina fica somente no futebol. A ligação entre os dois países é o núcleo do som sessentista e cheio de fuzz das Las Puperelles, formadas pela junção de basicamente duas bandas:  Las Fantásticas Pupés, Lucy Fire (bateria) Solxie (baixo e voz); do ParallèlesAndreia Crispim (baixo fuzz e voz) e Paula Villas (guitarra e voz), e também de Donna Kether (guitarra fuzz e voz), do Sisters Mindtrap. No disco “Selva Latina”, também contaram com a percussão da convidada especial Marianne Crestani, do Bloody Mary Una Chica Band, na faixa “Guajira Sicodélica”.

“É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos”, conta Lucy, com quem conversei um pouco. Confira:

– Como a banda começou? Como rolou essa junção de bandas?
Las Puperelles começou como um projeto das integrantes das bandas Parallèles e Las Fantásticas Pupés, ambas lançadas pelo selo argentino Rastrillo Records. E a partir das oportunidades que tivemos de nos encontrar, tanto no Brasil quanto na Argentina, tivemos a ideia de nos juntar e tocar músicas das duas bandas mais algumas covers. Depois a Donna Kether (Sisters Mindtrap) também passou a fazer parte da patota. Este último verão Cristina Alves (Os Estilhaços) foi nossa invitada especial no teclado fazendo todas juntas aquele barulho que tanto gostamos.

– E o que cada banda trouxe para Las Puperelles?
A influência do 60s punk, do garage rock e das bandas só de mulheres. Também nossas próprias versões em espanhol e português, porque somos garageiras latinas.

– Como é ser de uma banda com integrantes de diversos países?
Nos organizamos com antecedência para aproveitar melhor nosso tempo. Resolvemos o que vamos tocar antes e, quando nos encontramos, geralmente fazemos um ou dois ensaios e estamos prontas pros shows. É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram.
São seis músicas gravadas analogicamente, em rolo, entre covers e versões que fizemos de algumas das bandas que amamos, com produção do Luis Tissot, do Caffeine Sound Studio, e participação da Marianne Crestani (Bloody Mary Una Chica Band).

– Quais as principais influências musicais da banda?
Bandas de garage e punks dos anos 60. Também bandas garageras dos anos 80 e 90 que recuperam o estilo sessenta.

– Como vocês veem o levante feminino no mundo da música?
A palavra levante tem a ver com motim ou surgimento, e não sei se esse é o ponto. As mulheres sempre estiveram presentes na música, assim como em todo o tipo de arte, mas muitas vezes não tinham seu devido reconhecimento. Achamos muito importante e transformador o impacto hoje do movimento de mulheres no mundo inteiro, como uma maneira de nós tomar consciência de nosso próprio poder estando juntas e de visibilizar todo nosso trabalho nas diferentes áreas. Poder se expressar e fazer o que gosta é um direito de todxs. Só queremos respeito e ocupar cada vez mais espaços, poder ser livres de fazer o que queremos fazer.

– Como vocês veem a cena independente do rock hoje?
A internet mudou muito a cena independente. Se antes você tinha que mandar seu material pelo correio, divulgar shows colando cartazes pela cidade ou através de fanzines e revistas com enfoque mais alternativo, hoje qualquer banda pode ser ouvida em qualquer lugar do mundo. Essa facilidade ajuda bastante na hora da divulgação ou de conseguir um selo para lançar material, por exemplo. Mas também faz com que muitos prefiram o conforto do lar com seu Spotify a realmente apoiar a cena independente indo aos shows ou comprando material das bandas.

– Quais os próximos passos da banda?
Gravar músicas próprias, lançar em vinil e continuar fazendo shows em SP e Bs As.

– Recomendem bandas e artistas independentes de seus países que todo mundo deveria conhecer.
Brasil: Sisters Mindtrap, The Diggers, Os Estilhaços, Thee Dirty Rats, Modulares, Blood Mary una Chica Band. Argentina: Zorros Petardos Salvajes, Los Telépatas, Trash Colapso, Sarcófagos Blues Duo, Moretones, The Black Furs.

Lançamentos Etílicos #2: Mundo Virtual, Negus e Maestro Sujo

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Nesta edição, trabalhos de inéditas do cenário underground nacional rockeiro para atualizar o seu setlist.

Começamos com os mineiros da Mundo Virtual, que voltou as atividades depois de algum tempo e aproveitou o clima de recomeço para soltar um vídeo de uma música nova, gravada diretamente do Estúdio Saletta em Belo Horizonte. No vídeo podemos ver cenas da banda executando a canção “Cena de Cinema”. Veja abaixo:

Mundo Virtual – Cena de cinema

Fala Galera. estamos com saudades.Gostariamos de mostrar pra vcs um pouquinho da nossa nova musica 'Cena de Cinema'" Ah quem sou eu pra julgar?Deus faz isso no meu lugar…"

Posted by Banda Mundo Virtual on Monday, May 14, 2018

“Então, na verdade ainda não decidimos se vai estar no primeiro EP ou se vamos lançar só como single, vamos decidir em breve”, conta Daltão Bass, que nesse novo momento da banda, ao que tudo indica trocará o baixo pelas baquetas. Outra novidade é um videoclipe que está por vir. “Vamos começar a gravar o segundo clipe da banda com a musica ‘Hey’. Nesse meio tempo vamos organizar a casa”, afirma o músico.

Fora da cena mineira, indo ao Rio Grande do Sul, encontrei sonoridade nova do músico Alexandre Marques, que encaminha seu disco de inéditas sobre o projeto Negus. O porto-alegrense traz seu folk com a produção de Diego Lópes, conhecido por ser o baixista da banda Acústicos e Valvulados.

Para encerrarmos nosso giro musical, hoje fico por Porto Alegre mesmo, tendo o psicodelismo do Maestro Sujo. “Carnificina” é uma música do álbum “Experimentos do Fim do Mundo”, contando com a direção de Felipe Quinto Busanello e a realização da Casa de Insetos estúdio/selo musical.

Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

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Imagine-se no final dos anos 90/começo dos 2000, quando bandas de punk rock divertidas como Blink-182, Sum 41 e Forfun estavam tomando conta da cabeça da juventude roqueira com o chamado “pop punk”. É exatamente nesta época e clima que você se sente ao ouvir “Selfie Entitled”, primeiro trabalho do trio de Curitiba Crazy Bastards, formada por TT (Tiago Oliveira – Vocal/Guitarra), Ge (Geanine Inglat – Vocal/Baixo) e Kiko (Leandro Sousa – Bateria).
O clipe de “Nostalgia”, single do álbum, atesta que a diversão é o principal fator que os três levam em consideração para sua música. Quer coisa mais divertida e cheia de molecagem que gravar em um daqueles parques de diversões de shopping, com direito à pulo na piscina de bolinhas? “A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir”, conta TT.
  • Como a banda começou?

Ti: Minhas outras bandas estavam paradas por vários motivos externos à mim, aí como não consigo ficar sem fazer som acabei montando esse projeto com a ideia de fazer um som que é o meu natural, pop punk divertido. Aí fui atrás de pessoas que tinham a mesma pira aí chamei esses dois arrombados e deu tudo certo.

Quais as maiores influências da banda?

Ti: Cada um tem uma, mas acho que em comum temos Blink 182, Green Day, Sum 41, Neck Deep principalmente. Bandas pop punk zoeira em suma.

Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!

Ge: É o album mais fofinho ever, a capa é um desenho de uma foto nossa e cada música tem uma tirinha com uma interpretação gráfica da música, bem diver. São só 18 minutos de pop punk maloqueiro, super rápido de ouvir. Apostamos nas músicas curtinhas, fica tudo mais fácil (risos). Mais fácil de ouvir, de gravar, de fazer clipe…

Kiko: Tanto as musicas quanto os vídeos foram feitas sem pensar em consequências ou “o que as pessoas vão pensar”. Simples ou trabalhado, cada detalhe veio do coração. O que achamos que ficou legal ou que nos agradou, a gente gravou/fez e fim. Um CD de 18 minutos. As pessoas ironicamente se perguntam “porque?”. Simples: A gente optou pelo diferente… pelo simples.. o suficiente para transmitir uma mensagem da forma direta.

Ti: Inicialmente era pra ser um EP com 6 músicas, mas aí como ia ficar muito curto achamos melhor fazer um CD full de uma vez. Esse álbum a gente focou no “mal uso de celular” pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim.

Como é o processo de composição da banda?

Ge: Normalmente eu ou o Ti (na maioria das vezes o Ti) aparecemos com uma ideia meio pronta, gravamos umas demos na casa do Ti e depois tocamos juntos no ensaio para ver o feeling, se ficar boa levamos pra frente, se não, partimos pra próxima.

Kiko: O Tiago e a Ge são as máquinas de composição da banda. Sendo assim, me resta então entrar com as idéias mais idiotas ou sem sentido. Quanto a parte mais “séria” da composição das músicas, apenas complemento e ajudo na composição das melodias, o que é faácil com esses 2 arrombados visto que o gosto e a sintonia entre a gente é perfeita.

Ti: A músicas são sempre uma expressão de alguma coisa, um sentimento, uma ideia, enfim. Tento ser positivo nas letras, “reclamar” um pouco dos problemas da vida mas com uma atitude positiva e resiliente de “a vida é foda mesmo, mas bola pra frente”.

Como anda o público pop punk hoje em dia?

Kiko: Não só no pop-punk mas em todo estilo rock generalizado, infelizmente as pessoas estão mais preocupadas em ouvir covers ou bandas megamente conhecidas ao invés de abrir a cabeça e dar atenção pra quem compõe o autoral. O novo, o autoral, a novidade é sempre vista como “lixo de garagem, portanto não merece atenção”. De forma natural, o Crazy Bastards procura não se apegar a isso. Afinal, fazemos por amor, por nos divertirmos em trio! Nossos ensaios são recreativos e nos complementa em termos de alegria… as pessoas gostarem é um lucro!

Ti: Eu vejo que tem um publico sim, não a toa começou a rolar vários shows gringos de pop punk aqui ultimamente. Mas concordo que no geral o público dá mais atenção ao cover e tem pouca paciência pra coisa nova, espero estar errado!

Ge: Pop punk’s not dead! Apesar de ter sumido um pouco, a galera true que curte pop punk ta por aí, é só olhar nos lugares certos (risos).

O rock ainda é relevante como antes? Ele tem chances de voltar ao mainstream?

Ge: Relevante como antes não, mas eu acho que é só uma fase, logo volta… Tem bastante banda da hora vindo pro Brasil, bastante banda daqui voltando, fazendo show, album novo, se tudo der certo é só questão de tempo pro rock voltar.

Ti: Acho que rock dificilmente vai ser mainstream como é em outros países, questão de cultura mesmo. O pop punk em Curitiba nunca chegou a explodir, ele começou mas logo na sequencia já veio o emo exagerado que acabou dominando, aí a galera ficou meio órfã de pop punk, pouquíssimas bandas seguiram nessa linha. A gente vai seguir o trabalho, sem muita expectativa, pela diversão mesmo, se voltar a ser mainstream estaremos aqui já.

Como foi a produção do clipe de “Nostalgia”?

Ti: A coisa mais divertida do sul do universo (risos), brincar na piscina de bolinha gigante e fliperama não tem como não ser. A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir. Já fiz muitas coisas com banda e as vezes era chato e maçante, com a Crazy a gente tenta fazer bem feito mas não levando tão a sério também.

Kiko: Simples e pouco planejado. Nada de câmeras sofisticadas, roteiros ou “idéias para conquistar as pessoas”. Uma simples GoPro, rolé no shopping com amigos, cerveja e idéias espontâneas que nossos corações mandaram resumem as filmagens.

Ge: DIVER. Foi bem simples e true na real, pegamos a GoPro do Kiko e partimos pra um shopping aqui em Curitiba. Ficamos brincando junto com as crianças na piscina de bolinhas, jogando nos fliperamas, sendo julgados pelos “adultos” (risos). A banda toda é bem 5a série, então esse clipe saiu bem natural.

O pop punk deve amadurecer ou isso vai contra o que esse estilo representa?

Ti: Acho que as pessoas confundem o conceito de “não levar tão a sério” com ser irresponsável e infantil. O pop punk tem um “lado” que é mais maduro sim, mas a ideia geral é ser divertido mesmo, mas não necessariamente imaturo, apesar de as vezes ser um pouco hehe. É só um momento pra vc não se levar tão a sério, esquecer um pouco dos problemas da vida e “have some fun”.

Kiko: Acho o tema meio confuso.. Cada banda deve falar ou fazer o que quer.. cabe às pessoas gostarem ou não. O Crazy Bastards fala besteira, fala coisa séria e etc.. Mas fala pq quer e não pra se adaptar a um estilo.. Gostamos do estilo do som, as letras são nossa forma de expressar o que realmente pensamos e foda-se.

Ge: Não vejo problemas em amadurecer desde que seja uma coisa natural da banda, as pessoas mudam e tudo bem. Sem graça é quando a galera se leva muito a sério e fica uma parada claramente forçada. Eu sempre achei pop punk divertido pra caralho. Já tem merda o suficiente rolando no mundo, então ensaiar com a banda, tocar músicas divertidas e falar besteira por umas três horinhas é uma das minhas coisas favoritas. Mas essa é minha visão do pop punk, tem galera aí querendo ser madura e séria, deixa eles (risos). Se a música for boa vou ouvir de qualquer forma.

Quais os próximos passos da banda?

Kiko: A vida e a estrada me ensinaram a não criar expectativas… Mas também ensinaram a não cometer erros. É a primeira banda onde me sinto em casa. Onde decidimos fazer ou não um clipe, gravar ou não.. etc. Se todos estão afim, a gente vai la e faz. Pronto! Por hora, a idéia é seguir como sempre fazemos: Criar musicas, ensaiar bêbado, falar muita merda e etc.

Ti e Ge: Em resumo é isso, fazer show, divulgar o CD, comer pizza, fazer clipe, tomar bera, músicas novas pro próximo album.

Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Ge: Crowning Animals, post hardcore de Curitiba, da pesada essa. Phone Trio voltou ano passado, pop punk diver também. Never Too Late abriu pro Four Year aqui em Curitiba e foi tesão. Várias bandas legais aparecendo mais ultimamente.

Kiko: Tenho ouvido bastante Between You and Me e We were Sharks.

Ti: De mais recente tem os amigos do Out in Style, HC melódico de primeiríssima.

Em clima de Copa, Orquestra Passa a Bola homenageia o jogador Gabriel Jesus

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A união de músicos e peladeiros do Recife resultou em uma orquestra para compor sobre futebol. O primeiro single, que homenageia Gabriel Jesus, foi lançado nesta terça, 15.

A um mês de começar a tão esperada Copa do Mundo, os pernambucanos da Orquestra Passa a Bola já entraram em campo para lançar o primeiro single do projeto, que homenageia o jogador Gabriel Jesus. Esse é primeiro trabalho do grupo, idealizado por Tiné, que tem como pretensão compor e tocar apenas sobre futebol.

Com o título ‘Gabriel Jusus, Antes e Depois’, o primeiro single chegou para entusiasmar o público para entrar no clima da copa. A música conta a trajetória do atacante revelado pelo Palmeiras, menino craque do Jardim Perí que a quatro anos atrás na copa de 2014, estava pintando a rua do seu bairro de verde amarelo, e na copa seguinte em 2018, é o camisa 9 da seleção com mais títulos mundiais.

Essa ideia veio de um grupo de peladeiros, que também são músicos e, claro, se juntaram para fazer uma banda. O projeto, que é idealizado pelo Tiné Equilibrista e tem a produção musical de Luccas Maia, hoje assina como uma Orquestra, pela quantidade de músicos participando.

Segundo Tiné, o coletivo teve a ideia de se reunir para gravar a primeira música durante o amistoso Brasil x Alemanha, que o resultado do jogo resultou no primeiro trabalho, quando Gabriel Jesus, marcou o primeiro gol contra a algoz Alemanha.

A ideia é que até o início da Copa ainda saiam mais dois singles, um sobre o craque Neymar e outro sobre a Seleção Completa. Mas, também estão sendo compostas músicas sobre a Chapecoense, time que sofreu um acidente trágico de avião em 2016, e Muricy Ramalho.

A Orquestra Passa a Bola, que começou como um Bloco de Carnaval em 2018, conta com o escrete de ouro Tiné, Igor de Carvalho, Victor Camarote, Muta, Zé Gleisson, Maneco Bacarelli, Pecinho Amorim, Guga Fonseca, Rogério Samico, Rodrigo Jangaman, Luccas Maia, João Zarai, Filipe Novais e Alexandre Barros.

O vídeo, que tem a produção de Iba, da Believe Filmes, está disponível no Youtube. O single também pode ser escutado pelo Spotify e Deezer. Dá o play e sente o cheiro de Copa no ar.

Por Rebeca Gouveia

Banda espanhola No Crafts mistura garage, surf e pop espanhol dos anos 80

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Formada em Madrid em 2015 por Carlos Núñez (voz e guitarra), Ángel Hontecillas (baixo e synth), Celia Juárez (bateria), a banda No Crafts se conheceu na escola, onde ficaram amigos graças à seu interesse por música. O tédio os levou a começar a tocar e criar sua mistura de garage rock, surf music e o pop espanhol eletrônico dos anos 80. Em janeiro, a banda lançou seu primeiro EP, “No Arts, No Crafts”, e preparam um mini-LP para os próximos meses, de onde saiu seu mais recente single, “Heavy”.

– Como a banda começou?
Nos conhecemos há muito tempo (na escola) e sempre nos interessamos pela música. Também estávamos entediados, então decidimos começar esta aventura. Aprendemos a tocar juntos e, quando ficarmos mais velhos, esqueceremos como tocar juntos. Somos irmãos de pais diferentes.

– E como pensaram no nome No Crafts?
A origem é secreta até que alguém descubra. Um motivo que nos levou a escolher esse nome é que ele não descreve como trabalhamos, porque sempre fizemos as coisas com as mãos e do nosso jeito. Nós apenas pensamos que era engraçado.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Para uma banda, é sempre difícil definir seu som. Nós dizemos que é uma boa mistura de garage, surf, pop espanhol dos anos 80 … Houve uma tendência aqui na Espanha nos anos 80, chamada “La Movida”. Era meio synth pop (tipo Depeche Mode, New Order…) com um toque punk. É engraçado, porque “La Movida” influenciou muitas bandas espanholas atuais, mas ninguém nos anos 90 pareceu gostar.

– Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!
Começamos a lançar alguns singles para ver que tipo de feedback teríamos. Então, decidimos gravar nosso primeiro EP “No Arts, No Crafts”, que foi lançado em 17 de janeiro. Esse disco nos deu a oportunidade de tocar em algumas cidades e festivais aqui na Espanha. Também tocamos em Portugal há alguns meses. O fato de vender merch e discos no exterior, tocar em rádios nacionais e internacionais, e alguém no Brasil vir falar conosco … é muito reconfortante. Nosso último single “Heavy” foi lançado em março e é do nosso próximo álbum (um mini-LP) que provavelmente será lançado depois do verão.

– Eu adoro os vídeos da banda. Como vocês veem o formato videoclipe hoje em dia?
A chave dos nossos videoclipes consiste em fazer um esforço para fazer do nosso jeito. Nós só trabalhamos com nossos amigos, o que facilita o processo de gravação. Isso também se aplica à gravação das músicas e ao design de nossas capas. Nossos próprios amigos em uma festa real: é isso que faz com que vídeos como “Feeling Sick” pareçam naturais. É natural mesmo!

– Quais as suas principais influências musicais?
Estamos descobrindo novas músicas o tempo todo, e isso faz com que nossas músicas variem um pouco, mas não importa o quê, nós sempre permaneceremos fiéis ao nosso som. Cada um de nós ouve diferentes gêneros de música, por isso temos visões diferentes mesmo em nossas próprias ideias. Podemos ser influenciados por uma determinada banda, mas não necessariamente temos que soar como eles. Alguns exemplos podem ser o King Krule, ou até mesmo o Black Eyed Peas.

– Como vocês veem o mundo da música atualmente?
A indústria da música e o mundo mudaram muito nos últimos anos. Hoje em dia, a percepção do que vai fazer sucesso é decidida pelo público, não pelas gravadoras; o que é viral é o que as pessoas consomem, e é isso que a indústria quer, esses artistas virais. Muitos novos artistas, incluindo designers ou dançarinos, são descobertos na internet. Especificamente na indústria da música, é difícil mencionar uma banda que você acha que vai ficar no topo no futuro. As pessoas ganham mais do que querem, o que é bom, mas as tendências mudam muito e o setor também, dificultando o sucesso de uma banda.

– E vocês acham que algum dia o rock pode voltar ao topo das paradas?
Não parece que vai ser em breve, mas na verdade não achamos que seja necessário, porque as mudanças são boas. Os Beatles e Doors fizeram algo novo em seu momento, e hoje em dia é melhor dar chances e ver como alguém pode entender esse rock, deixando-nos descobrir um novo tipo de rock. Diziam que os Strokes eram salvadores do rock do século 21, mas não se pareciam com as coisas que estávamos acostumados a ouvir antes. Talvez precisemos que isso aconteça novamente, um novo tipo de rock pode aparecer em algum lugar que você não espera.

– Vocês conhecem música brasileira? Gostariam de tocar no Brasil?
A música clássica brasileira que conhecemos são Caetano Veloso e João Gilberto. Eles tiveram muito impacto aqui na Espanha e são muito reconhecidos. Na cena indie, mais como nós, devemos admitir que somos grandes fãs de Boogarins e Cansei de Ser Sexy. Na verdade, os Boogarins são muito populares na cena underground espanhola. Talvez quando eles voltarem, seria bom abrir para eles. E claro, nós adoraríamos ir ao Brasil! Seria uma oportunidade incrível. Nós queremos que isso se torne realidade, porque poder fazer uma turnê internacional é um sonho para nós.

– Quais são seus próximos passos?
Como dissemos antes, vamos lançar um novo álbum depois do verão. Esse trabalho é mais pop que o que estamos fazendo até agora. É uma espécie de álbum “emo-pop”, porque a música é feliz e cativante, mas quando você se concentra nas letras, você verá que elas são mais agridoces do que a música. Isso é algo que você pode curtir em nosso último single “Heavy”, mas também em nosso próximo single (pronto sair em maio). Também estamos tentando fazer isso em nosso novo vídeo, como uma evolução completa, mas com a essência do No Crafts.

– Recomendem bandas independentes que chamarem sua atenção ultimamente!
Aqui na Espanha você pode encontrar muitas novas bandas emergentes, e especificamente, o último show que nos impressionou foi o de uma banda chamada Keems, de Barcelona, que faz um tipo de post rock. Nós realmente achamos que eles são incríveis e encorajamos as pessoas ao redor do mundo a darem ouvidos porque realmente vale a pena. Internacionalmente, descobrimos recentemente Gus Dapperton e Cuco. Devemos admitir que o “Lo Que Siento” de Cuco é uma música que nunca falha em nossas festas.

Não se perca em “Labirinto”, som inédito do menores atos lançado hoje

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Capa do single "Labirinto".

O novo disco do menores atos está aos poucos tendo cara, coração e melodia. Nessa quinta-feira, 10, foi disponibilizada a segunda música do futuro álbum, chamada “Labirinto“. A primeira, lançada anteriormente, foi o single “Devagar“.

As características sonoras da banda, como as linhas rápidas de baixo, bateria e guitarra entrando em conflito com a rasgada e urgente de Cyro, vocalista do trio carioca responsável por dar uma roupagem nova ao emo e ao rock alternativo no Brasil.

O álbum, que ainda não tem nome e data de lançamento, está sendo mixado e masterizado por Gabriel Zander (Noção de Nada, Zander), e será lançado pela Flecha Discos.

Curta o novo som abaixo.

Paquetá disponibiliza clipe surf punk para a música “Guanxuma Jamaicana”

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Os gaúchos da banda Paquetá guiaram as melhores ondas no seu novo video-clipe, “Guanxuma Jamaicana”. Com produção de Lucas Nóbrega, a banda visitou as praias de Fernando de Noronha, Praia do Francês (Alagoas), e Novo Campeche (Floripa). A música está presente no EP “Surfadelic Dreams”, do ano passado.

O vídeo-clipe conta com um tratamento ultra vintage nas imagens, tornando uma viagem entre os anos 60 e atualmente, em um modo caseiro que traz uma intimidade maior entre a banda com o público.

Deixando a galera com maiores expectativas, o grupo de Canoas-RS declara que logo irá lançar nas plataformas digitais mais um trabalho de inéditas, com o nome de “Badtrip for Democracy”. Fogaça, Hogrefe, Dagger e Wender são os feras que prometem detonar o surf punk e continuar agitando as ondas sulistas.

Mattiel investe no visual com seu rock and roll cru e prepara segundo álbum pela Burger Records

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Em setembro de 2017 a Burger Records lançou “Mattiel”, o primeiro disco da banda de Atlanta capitaneada por Mattiel Brown. Além de cantora e compositora, Mattiel também é designer, algo que pode ser notado na parte visual de sua arte, com capas, fotos de divulgação e clipes que chamam a atenção e trazem muito do trabalho diário dela. “Design sempre foi uma parte de tudo”, ela contou em entrevista ao site Immersive Atlanta. “Se eu não tiver controle do visual de um projeto com a minha cara, me sinto muito insegura. Então eu realmente preciso ter a palavra de como tudo fica”.

Seu álbum de 12 faixas foi produzido por Randy Michael e Jonah Swilley e traz basicamente rock and roll básico e cru com influências da música sulista norte-americana, indo do gospel ao folk e blues, tudo com riffs grudentos e a voz potente de Mattiel. Em breve será lançado seu terceiro clipe, “Bye Bye”, novamente em parceria com o videomaker/fotógrafo Jason Travis, que também trabalhou em “Count Your Blessings” e “White Of Their Eyes”. “Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar”, conta Mattiel.

– Como você começou sua carreira na música?
Eu cresci ouvindo discos clássicos dos anos 60/70 da coleção de discos da minha mãe (Peter Paul and Mary, Bob Dylan, Rolling Stones, Joan Baez), mas não comecei a fazer minha própria música até encontrar as pessoas certas para trabalhar comigo. Seus nomes são Randy Michael e Jonah Swilley, e eles produziram o primeiro álbum, “Mattiel”. Eles também são músicos incríveis que viajam comigo na estrada.

– Como você definiria seu som?
Basicamente é rock’n’roll. Mas é melhor as pessoas ouvirem pra definir.

– Conte mais sobre o material que vocês já lançaram!
O disco auto-intitulado, “Mattiel”, traz material que escrevemos há cerca de 3 anos. Demorou bastante para um selo pegar e promover o álbum, mas estamos bem felizes com a recepção do público no ano passado. Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar.

– Eu adorei os clipes da banda. Como seu trabalho com design influencia esse tipo de trabalho?
Obrigada! Eu passei os últimos 5 anos trabalhando em um estúdio de design para uma empresa de tecnologia chamada MailChimp. Pude trabalhar com gente muito talentosa e inteligente que sempre está cuspindo ideias inteligentes, então o treinamento que tive naquela área foi de grande ajuda. Nesse trabalho, eu faço e construo peças, faço o design de propaganda impressa e faço ilustrações. O videomaker/fotógrafo Jason Travis e eu nos conhecemos quando estávamos os dois trabalhando lá (agora ele está em Los Angeles), e trabalhamos juntos nos clipes agora. Acabamos de gravar um novo clipe em LA para “Bye Bye”, estamos muito animados com ele.

– Quais as suas principais influências musicais?
Poeticamente, eu amo Donovan, Bob Dylan, The White Stripes, Lou Reed, Blind Willie McTell, entre muitos outros. No sentido puramente musical, eu amo música gospel sulista – The Staple Singers, Mahalia Jackson, e o bluegrass sulista – Earl Scruggs / Foggy Mountain Boys. Tendo crescido na Georgia, a música sulista americana definitivamente cavou o seu espaço bem fundo no meu coração.

– Como você vê o mundo da música hoje em dia?
É uma paisagem muito vasta e imprevisível de onde estamos hoje em dia. Acho que muito hip hop ótimo está saindo agora, o Kendrick Lamar em particular chamou minha atenção. Sua escrita é incrivelmente boa.

– O rock and roll pode voltar ao topo das paradas algum dia?
Não tenho certeza. Não passo muito tempo olhando as paradas de sucesso. Só tento escrever material interessante o melhor que posso.

– Você conhece algo de música brasileira? Gostaria de tocar no Brasil?
Não! Eu realmente não conheço, mas eu amo trabalhar e ia adorar passar um tempo na América do Sul. O Brasil, pelo que vi e li, parece ter uma cultura enormemente vibrante.

– Quais os seus próximos passos musicais?
Tour, fazer alguns bons contratos, tour, tour, tour.

– Recomende artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Weyes Blood, Juan Wauters, King Krule, Sunflower Bean, The Lemon Twigs, Starcrawler, Tall Juan. Tenho certeza que estou esquecendo algumas. Mas essas são ótimas.

Construindo Giovanna Moraes: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Giovanna Moraes, que está trabalhando atualmente seu mais recente disco, ‘Àchromatics’

“20 músicas que inspiraram ‘Àchromatics’? Queria ter mais do que só 20! É engraçado – de certa forma essas são músicas e pessoas que me inspiram ou inspiraram criativamente – algumas trago comigo desde criança da época quando não escolhia muito o que ouvir, já outras entraram em cena enquanto eu estava gravando o disco e procurando referências pra ajudar a criar meu som. Tem muitos outros sons que entraram em cena desde então – tudo é inspiração! De qualquer forma aqui vai minha tentativa”, diz.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Ella Fitzgerald“Perdido” (“Live at Mister Kelly’s”)

Impossível não falar de Ella Fitzgerald. Amo a natureza com que ela canta, fazendo qualquer coisa parecer fácil. Essa música já escutei tanto que transcrevi o solo dela quase inteiro (risos). Tem um tom de felicidade e bom humor nela – acho impossível não sorrir ouvindo.

Esperanza Spalding“Good Lava” (“Emily’s D+ Evolution”)

Amo como a Esperanza mesclou jazz com rock nesse CD, mas, especialmente nessa musica, gosto muito dos slides vocais que ela usa. É um recurso que também utilizei no meu álbum e eu não conhecia antes de ouvi-la.

Hiatus Kayote“Molasses” (“Choose Your Weapon”)

Amo Nai Palm, acho que a voz dela incrível e essa música maravilhosa com uma pegada bem rítmica. Parece que tem uma novidade a cada compasso.

Fiona Apple“Hot Knife” (“Idler Wheel”)

Fiona arrasa, canta com uma emoção de um jeito que eu sinto o que ela quer dizer, mesmo se não escutei a letra. A música faz com que o idioma no qual ela canta não faça diferença.

Aurora“Murder Song (5, 4, 3, 2, 1)” (“All My Demons Greeting Me As A Friend”)

Admiro muito a voz da Aurora e suas linhas melódicas. Acho o trabalho dela lindo, uma referência para meu trabalho visual também. Aurora é das minhas, deixa você achar que entendeu o que está acontecendo e aí joga algo que você não esperava.

Gilberto Gil“Refazenda” (“Refazenda”)

Acredite ou não, mas acho que tem uma pegada de baião na parte C da minha canção “Dark”. Escutei muito à “Refazenda” treinando a rítmica para conseguir gravar.

Tom Zé“Toc” (“Estudando o Samba”)

Amo essa música doida. Escutando ela sinto que tem um mundo de coisas, pensamentos acontecendo em paralelo, em ciclo – variações do mesmo problema, pingando pela música até que acaba, do nada.

Gal Costa“Cultura e Civilização” (“Gal Costa”)

Adoro a Gal e sua flexibilidade vocal e acho que tem uma pegada de se arriscar no jeito que canta, adoro. Ela não tem medo de errar, porque ela sabe errar, e sabe que no erro vem algo de inédito, honesto e bonito. Acho que nesse sentido tenho algo de Gal também.

White Stripes“Seven Nation Army” (“Elephant”)

Amo White Stripes! Não é nenhum segredo (risos). Desde a estética e o “branding” do vermelho-preto-branco do Jack White, ao som e a química entre ele e Meg, me encanta a confiança de fazer um som tão grande com dois integrantes somente.

Jimi Hendrix“Foxey Lady” (“Are You Experienced”)

Amo essa música e amo Jimi. Já passei altos micos cantando e dançando essa música quando pensei que estava sozinha, rs. Para mim, Jimi tem uma pegada amarga e um som pesado, delicia, gravado em afinação 432Hz.

Patti Smith“Gloria: In Excelsis Deo” (“Horses”)

Acho a Patti incrível! Ela começa seu álbum de estreia, Horses, com essa musica, já deixando claro que ela se responsabiliza por tudo na sua vida, inclusive seus pecados. Uma mulher que canta pra caralho e que abriu mil portas mostrando que mulher pode ser e cantar do jeito que quiser. Mil brincadeiras de timbre, escuto muito como estudo.

Sepultura“Roots Bloody Roots” (“Roots”)

Eu adoro esse álbum todo – acho muito incrível a historia por trás desses brasileiros fazendo metal pesado em inglês e arrasando. Pelo que conheço da história, um deles teve um sonho tribal onde o índio chefe voltou irritado com o homem civilizado pela coisas completamente irracionais que ele fez sobre a terra. Adoro isso, de um álbum conceitual, acredito que o meu seja também. Descobri o que é “Drive Vocal” ouvindo Sepultura também.

Beach Boys“Wouldn’t It Be Nice” (“Pet Sounds”)

Falando de álbum conceitual, impossível não falar de Pet Sounds. Sinto que entendo a pegada de Brian Wilson, isso de querer usar tudo como instrumento – de fazer coisas que muitos poderiam achar estranho e feio, mas como num todo funciona de um jeito lindo.

Blondie“Hanging on the Telephone” (Blondie – Parallel Lines)

Mulher bandleader com cara de meiguinha (risos), já adorei. Foi um dos primeiros CDs que comprei, adoro sua mescla entre rock e pop.

The Runaways“Cherry Bomb” (“The Runaways”)

Meio riot grrrl, mulheres fodas, cansadas de ter que fazer o papel de menininha, quebrando tudo e ao mesmo tempo tirando um sarro. Adoro.

Talking Heads“Psycho Killer” (“Talking Heads 77”)

Gosto dessa pegada da letra, de não ser só significado, mas também uma sonorização. Um de minhas músicas também traz isso, no caso, “Dark”, onde no lugar de um “Fa Fa Fa” vem um “D-D-D”, mas com esse recurso.

Frank Zappa“The Walking Zombie Music

Sons mais experimentais e com essa pegada de improviso que eu adoro. Fora que ele é um performer maravilhoso! Gosto muito, tanto que fui ver a banda do filho dele, Zappa plays Zappa, sozinha, porque não achei ninguém pra ir comigo e me diverti pacas (acho uma delicia ir sozinha em show, aliás).

Queen“The Show Must Go On” (“Innuendo”)

Freddie Mercury não tem comparação. Gravada em um take, no final da vida dele, quando ele já estava bem mal e mesmo assim uma das músicas que ele canta com mais recursos vocais. Acho essa música treta.

Beatles“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”)

Não só a música, o álbum como um todo redefiniu o que são os Beatles pra mim e o que é música popular. Mostrando que dá pra fazer algo complexo e conceitual, mas que ainda tenha um apelo popular ao mesmo tempo. Adoro o aspecto performático também, com o álbum sendo a peça toda.

Hermeto Paschoal“Quebrando Tudo”

Hermeto não pode faltar – meu compositor favorito! Inclusive tive o prazer de conhecê-lo enquanto estava gravando o disco em uma apresentação/bate papo dele na UNICAMP. Acho ele vital para qualquer um que tente fazer música de um jeito diferente. Para mim o Hermeto é um símbolo de inovação musical – mostra que existe muitos mais sons e instrumentos para descobrir. O projeto dele, de melodias inspiradas em sons falados, acho incrível também. Quando fui falar com ele, ele respondeu com a mesma melodia e rítmica que eu falei com ele (risos). Doidão, adoro ele.