Banheiro Azul: declarado o “Estatuto dos Sonhos” nas telinhas em seu novo clipe

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A banda carioca Banheiro Azul disponibiliza o clipe da música “Estatuto dos Sonhos”, faixa homônima ao álbum. O clipe teve períodos de gravação, sendo entre novembro/2017 e fevereiro/2018 contando com belos cenários: Cinelândia/RJ, Cruzeiro de Nova Iguaçu/RJ e Praça do Skate – Nova Iguaçu/RJ.

A música busca tratar em seu blues rock um pouco sobre os ganhos da vida, querendo tratar do dia-a-dia do brasileiro. Levadas firmes na bateria com slides e sintetizadores marcam o single escolhido para a transformação do mais novo vídeo-clipe.

O próprio grupo musical fez a direção do clipe, enquanto a filmagem e edição ficou a cargo da Fator 3 Comunicação. Confira:

Thee Dirty Rats: sobre garage primitivo, guitarras caseiras e gravação analógica

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Fundado em 2014 por Luis Tissot (voz, cigar box) e Fernando Hitman (voz, bateria), o duo paulistano Thee Dirty Rats faz garage rock com influências de punk e new wave. O som da dupla é cru, rudimentar, e considerando sua formação — de um lado, três cordas ligadas em um pedal de fuzz; do outro, o jogo de bateria mais primitivo possível (bumbo, caixa, surdo e chimbal) — não poderia ser diferente.

Na discografia da Thee Dirty Rats, constam os EPs “The Fine Art of Poisoning 1 & 2” (2015) e “Traps and Mass Confusion” (2016), lançado em vinil pelo selo goiano Mandinga Records simultaneamente a uma turnê da banda pela Europa, e o LP “Perfect Tragedy” (2015), lançado em k7 pelos selos Woody Records (Estados Unidos) e Scrap Metal Dealer (Argentina). Duas das sete faixas de “The Fine Art of Poisoning 1 & 2” foram incluídas em um split com a banda argentina Sarcofagos Blues Duo, também lançado pelo Scrap Metal Dealer.

A Thee Dirty Rats ainda tem um outro split com a WI-FI Kills, projeto curitibano do músico e artista visual Klaus Koti (mais conhecido por sua one-man band O Lendário Chucrobillyman) intitulado de “WI-FI Kills on the planet of Thee Dirty Rats”. “Chop Your Fingers” e “Yeah Yeah It’s True”, as duas faixas que compõem a metade dos Dirty Rats, foram produzidas por Jim Diamond, ex-baixista da The Dirt Bombs e conhecido por seu trabalho com Sonics e White Stripes.

Abaixo, uma entrevista feita no Bar da Avareza, em São Paulo, pouco antes de a dupla se apresentar:

Ao longo da história, cigar boxes foram elaboradas por escravos africanos ou trabalhadores rurais norte-americanos em períodos de escassez de recursos e materiais. A construção da cigar box da Thee Dirty Rats vem de um contexto semelhante?

Fernando — Nós também temos e tocamos “instrumentos normais”, então a construção da nossa cigar box não foi por falta de opção. Foi proposital, nós realmente queríamos uma cigar box — mas queríamos criá-la com o que nós tínhamos, então não gastamos quase dinheiro nenhum na fabricação.

Luis — Nossa formação inicial tinha guitarra e bateria, depois começamos a tocar com baixo e bateria. Em se tratando da sonoridade, não ficamos satisfeitos com nenhuma das duas formações, então pensamos em fazer uma cigar box — é um instrumento que tem muita relação com a sonoridade que nós queríamos. Nós tínhamos recurso, então foi mais uma opção estilística.

Fernando — E a gente também queria aprender a construir uma cigar box. Mas queríamos fazer apenas com o que tínhamos, sem comprar nada, gastando o mínimo, sabe? Aí pegamos uma caixa de madeira que encontramos em um lugar aleatório e umas tábuas de janela velhas para o braço — no final das contas, gastamos uns R$8,00 construindo ela.

Luis — É, o captador era de um baixo quebrado e as tarraxas eram de uma guitarra que estava encostada no meu estúdio, o Caffeine Sound, em que gravamos quase todo o nosso material. A gente não gastou praticamente nada!

Vocês já tinham alguma noção de luteria antes de fabricarem o instrumento?

Luis — Não, nenhuma.

Fernando — A gente nunca tinha fabricado instrumento nenhum antes disso.

Luis — Sim, foi a primeira vez que tentamos fazer alguma coisa. Fizemos muito na base da tentativa e erro.

Fernando — Exato.

Vocês tiveram experiências com gravação analógica. Que diferenças vocês percebem entre gravação analógica e digital? Por que a escolha pela fita?

Luis — Nós já experimentamos o digital, mas o analógico tem muito mais a ver com a gente. Acho que tem muita relação com o nosso conceito, com a nossa sonoridade. Essa estética meio lo-fi, sabe? É o som que eu e o Fernando sempre escutamos, na real. Gostamos muito de garage rock, de artistas da década de 1990 que gravavam em gravador de k7 de quatro canais. E também tem a questão da limitação — no digital você pode ir para qualquer lado, porque é tudo muito mais fácil, e consequentemente você pode se perder muito fácil também. Sair do conceito inicial.

Fernando — Sim, você acaba pensando mais e corre o risco de fugir do que você realmente quer.

Luis — Em processos de gravação mais limitados, você tem que se virar para trabalhar no que você está gravando a partir dessa limitação. Isso acaba sendo extremamente criativo, muito mais criativo do que apelar para a perfeição dos processos digitais. No digital, a criação é tão rápida e eficiente que acaba se tornando meio banal.

Fernando — E nos processos analógicos, a gente mexe em pouca coisa depois da gravação. Então todas as decisões são tomadas bem antes.

Luis — Exatamente. As decisões são tomadas antes ou enquanto você está gravando. Isso é muito importante. Depois que o material está lá, gravado, você não vai sair editando, cortando e colando fita.

Luis Tissot

Essas limitações mudaram de alguma maneira a forma como vocês pensaram nas músicas da banda?

Luis — Não, nosso som funciona perfeitamente dentro dessas limitações.

Fernando — Na verdade, a gente já tinha essa ideia de sonoridade minimalista em mente e justamente por isso escolhemos gravar dessa forma, porque era um jeito bom para gravarmos esse tipo de música.

Luis — Exatamente. É óbvio que se você tiver uma orquestra completa, você não vai escolher gravar em quatro canais.

Fernando — Sim. Temos poucos instrumentos, por isso que escolhemos a fita, e não o contrário — nossas músicas são assim, não precisamos adaptá-las ao método de gravação.

Vocês também fizeram lançamentos em formatos analógicos. Lançar em k7 ou vinil tem trazido retorno? Em um contexto em que os consumidores de música estão cada vez mais adeptos às plataformas digitais, qual a importância do material físico para vocês?

Luis — Essa importância para nós é algo muito pessoal, tem mais relação com o nosso histórico de vida. É algo que sempre nos acompanhou no meio do punk e do garage rock. Eu já tive distribuidora de zine e k7, sou colecionador de vinil e o Fernando também, nós fazemos questão de comprar discos das bandas que gostamos. Então esse apego acaba sendo bem natural.

Fernando — É. Para nós, o material físico é muito importante e diferente. Eu gosto de colecionar discos e é muito legal ter um vinil da sua própria banda. Eu não pago por música na internet, então eu só sei consumir música assim. E ainda tem a questão da durabilidade — se você cuidar bem de um vinil, ele vai durar para sempre.

Fernando Hitman

A Thee Dirty Rats tem alguns lançamentos feitos por selos gringos. Me falem sobre a relação da banda com eles.

Luis — O legal é que depois da era do Myspace, uma época em que as pessoas realmente se comunicavam sobre música na internet, a única vez que um selo veio nos contatar do nada foi quando a Woody Records, que é um selo norte-americano de garage rock que lançou o “Perfect Tragedy”, nos mandou uma mensagem pelo Facebook dizendo que queria lançar 100 cópias em k7 do disco. E eles ainda fizeram 10 shapes de skate personalizados para a Dirty Rats, pintados à mão! Quem gerencia a gravadora é um casal, o cara cuida das fitas e a mulher pinta os shapes.

Fernando — É, foi muito louco, eu nunca vi isso na vida. Ganhamos cinco shapes de skate, acho que eles fazem de brinde.

Luis — Na real, o dono do selo tem uma loja de skate e vende as fitas por lá.

Fernando — Os shapes foram uma loucura, o maior sucesso. Vendemos muito rápido, em um segundo, lembra? E a gente nem fez nada, eles vieram do nada falar com a gente.

Que coisa. Vocês também já fizeram uma turnê pela Europa. Como o público europeu reage à Thee Dirty Rats?

Fernando — A recepção foi da hora, bem boa, bem boa. Todos os shows foram bons. O público europeu é bem doido, eles começam parados e de uma hora pra outra começam a fazer danças esquisitas. E os europeus são legais e te pagam muitas bebidas.

Luis — Teve um show que fizemos em uma squat anarcopunk bem interessante, uma das melhores recepções. Foi curioso, porque eles reagiram melhor do que o público dos bares e pubs mais relacionados à nossa sonoridade.

Fernando — Os punks piram na Dirty Rats, sempre curtem. Teve uma vez que a gente tocou numa squat rural, era uma fazenda no meio do nada da França, uma espécie de celeiro de pedra e serragem. Foi um puta show, deu uma galera, o lugar era gelado e virou um forno.

Eu vi que as faixas da Dirty Rats no split com a WI-FI Kills foram produzidas pelo Jim Diamond. Me expliquem como isso aconteceu.

Luis — Então, isso foi outra coisa bizarra. Ele que escreveu pra gente.

Fernando — Pois é, ele que propôs essa parceria.

Caramba! Que moral.

Luis — A gente é uma banda meio preguiçosa, a gente nunca escreve para ninguém. Não, isso nunca acontece. Quase sempre são os outros que vem até nós. Mas enfim, ele é de Detroit, mas estava na França quando nos convidou para fazer um single com ele.

Fernando — Foi muito legal.

Luis — A gente viajou de volta uns 1000 km só para gravar esse single. Mas valeu a pena.

Fernando — Nossa, quê isso. Valeu muito a pena.

Qual o truque de divulgação por trás de tanta gente foda oferecendo propostas para vocês?

Luis — Acho que o segredo é a não-divulgação. Se você não divulgar nada, as pessoas se interessam mais. Acho que o que mais importa é o boca-a-boca. Conversar pessoalmente, se fazer presente no bar. É isso que fica, no final das contas.

É verdade sem mentira certo muito verdadeiro: Jorge Ben – “A Tábua de Esmeralda” (1974)

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Quem escutava Jorge Ben (ainda sem o Jor) de Samba Esquema Novo”, com suas letras singelas, ou mesmo o via como “membro honorário” do tropicalismo, não imaginaria que ele se dedicava a estudos profundos e esotéricos.

Quando garoto, Jorge se dividia entre a paixão por futebol e a devoção à espiritualidade. Chegou a ser seminarista por dois anos em busca de conhecimento sobre São Tomás de Aquino, o qual admirava e era devoto. Até mesmo aprendeu latim para se aprofundar nas obras do santo, como por exemplo a “Suma Teológica”, que trata da natureza de Deus e Jesus Cristo, e das questões morais.

Resultado de imagem para jorge ben 1974Assim como o cristianismo, a alquimia também fazia sua cabeça. Jorge vivia entre especialistas e estudiosos da prática antes de ingressar na música. Disse ele certa vez: “Tinha um grupo de adeptos maravilhosos, eram da América do Sul. E tinha um brasileiro, professor ou reitor de faculdade, de São Paulo. Junto com um grupo de adeptos da alquimia, ele viu uma transmutação, em 1958. A todo lugar que tinha ourives, eu ia com outro amigo estudante ver como se fazia ouro. E a gente ficava indignado, pô, aquele ouro todo.”

Assim como os alquimistas, os músicos da década de 1960 começaram a experimentar, juntar tendências e elementos de culturas diferentes. Quando em 1966 John Lennon criou a inesperada “Tomorrow Never Knows” com a intenção de fazê-la soar como um mantra tibetano, o beatle não apenas quis se impor como também desafiou o ouvido de seu público, que vinha sendo agraciado com melodias pegajosas e temas fáceis por um bom tempo.

A música era um laboratório, e as fórmulas mudavam naturalmente de trabalho a trabalho. Experimentar era uma tendência bem-vinda aos que tinham cacife, e Jorge Ben era um desses raros, capazes de fazer com que o inusitado caísse nas graças do ouvinte. Para ele, o início dos anos 1970 foi uma reviravolta tão brusca quanto a de seus contemporâneos estrangeiros.

“Até onde a música pop poderia chegar?” Pensando assim, Jorge abriu as portas para o esoterismo e temas não convencionais no gênero que fazia, desbravando uma nova trilha àqueles que se aventurassem a expandir os conceitos da MPB. O resultado foi A Tábua de Esmeralda”, no qual se via o carioca em seu momento mais criativo e venerado.

Resultado de imagem para jorge ben 1973Longe de abordar apenas o trivial, Jorge queria para este trabalho uma diversidade de signos em conexão. Uma combinação de agricultura celeste com astrologia, Zumbi e vida extraterrestre; Nicolas Flamel com Gato Barbieri. Embora complexo na teoria, a intenção de Jorge era singela como sempre: arquitetar uma experiência sonora para que quem escutasse se sentisse bem, apenas isso. Esse desejo de escancarar seus interesses pessoais em sua música era antigo, mas é claro que não foi fácil de conseguir. Tendo em vista que aqueles temas seriam pouco rentáveis no mundo da indústria fonográfica, naturalmente a ideia não convencera de cara alguns executivos da gravadora, que bateram o pé para que o projeto não saísse.

O compositor sempre afirmou que muitos na gravadora Philips relutavam ao aceitar seus trabalhos, com a justificativa de que não venderia bem. Mas os astros estavam a seu favor. Justamente por saber do pouco apoio vindo de alguns da empresa, Jorge decidiu vender seu peixe diretamente com André Midani, presidente da gravadora na época, explicando detalhadamente do que se trataria o LP.

Baseando-se nas palavras de Hermes Trimegisto e sua “celeste tábua de esmeralda”, a qual consta o texto que deu origem à alquimia islâmica e ocidental, Jorge examinou: se o místico afirma que tudo é adaptação, por que afinal não adaptar sua arte em uma alquimia musical? A ideia era essa. Midani, grande admirador de tudo o que Jorge produzia, deu carta branca ao aconselhá-lo a gravar as músicas exatamente como ele bem entendesse. Ao receber a benção, o carioca entrou no estúdio no primeiro semestre de 1974.

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Cercado de uma áurea festiva e permeado pelo suingue, Jorge e sua banda criaram para esse álbum um clima híbrido e único, no sentido mais literal da palavra. Misturar a essência do ritmo brasileiro e o esoterismo universal: é aí que mora a graça de A Tábua de Esmeralda. Ao longo de todo o LP, o grupo segura a onda enquanto seu mestre esbanja o poder de seu violão e viaja em assuntos de seu interesse.

Nesse sentido, “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas” abre o repertório dando o tom de todo o trabalho. E mesmo mencionando “potes de louça”, “destilação”, “cadinhos” e ”regras herméticas”, a música caiu rapidamente nas graças do público, sendo uma daquelas que não podem faltar em seu show até hoje. Assim como a faixa de abertura, “Hermes Tri” é a quintessência de sua alquimia sonora. Jorge disseca o tema declamando o texto original presente na tábua de esmeralda enquanto sua banda o apoia com um samba-rock moderado.

Os arranjos de cordas de Osmar Milito, Darcy de Paulo e Hugo Bellard que surgem ao longo do disco introduzem na musicalidade do poeta da simpatia uma profundidade que vai muito além de sua natureza rítmica. Isso acontece em “Errare Humanum Est”, uma transcendental viagem ao espaço. No cume do experimentalismo ainda sem soar prolixo (nem exagero), a canção que fala sobre sondar o além e reaviva a questão do livro Eram os Deuses Astronautas”? destoa de qualquer música já feita no Brasil.

Mas não é só pelo experimentalismo que o álbum é excepcional. Jorge retoma suas letras diretas e ao sambão tradicional ao recordar de seus ídolos seculares, como em “O Namorado da Viúva”, o qual o músico afirma ser o alquimista do século XV Nicolas Flamel. A tal viúva da canção seria uma bela e rica mulher que botava medo nos homens, pois já havia perdido três maridos misteriosamente. Flamel foi esse quarto sujeito que topou se ajuntar. Já o muso da nonsense “O Homem da Gravata Florida” é Paracelso, outro alquimista.

Ainda que focado nesse turbilhão de referências, Jorge não abriu mão dos temas amorosos e nem das mulheres com nomes de flores: “Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar”, “Menina Mulher da Pele Preta” e “Magnólia” compõem uma trinca exemplar do pop tupiniquim. Saindo um pouco do foco alquímico, o compositor brincou com a língua inglesa na gospel “Brother”, divagou sobre o valor do tempo em “Cinco Minutos” e retomou culturas ancestrais na épica “Zumbi”, na qual o músico fez uma homenagem ao símbolo máximo da rebeldia dos escravos.

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“A Tábua de Esmeralda” não foi um sucesso de vendas como alguns de seus álbuns anteriores, embora muito elogiado pela imprensa da época. Como muitos de seus contemporâneos, o LP ganhou seu devido reconhecimento com o passar do tempo. Assim como grande parte de seu público, o próprio Jorge considera “A Tábua de Esmeralda” como o seu trabalho essencial: “Esse disco é tudo pra mim”, como diria anos depois.

Como em outros momentos cruciais, mais uma vez, o visionário Midani apostara no “cavalo certo” e saía de uma briga com a razão. Depois de obras como Araçá Azul”, de Caetano Veloso, e “A Tábua de Esmeralda” ficou claro que na Philips o artista podia falar que seria escutado – ao menos pelo seu patrão. Um raro caso de apoio irrestrito na cultura de consumo.

Macaco Mostarda mostra toda sua energia e falta de limites no clipe de “Carranca”

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O trio Macaco Mostarda define seu som como uma mistura de punk com soul, ou jungle rock, indicado pelos próprios por falta de um nome melhor. Talvez a energia e falta de limites dos primatas seja a força motriz da banda de São Paulo, formada nas últimas horas de 2014.

Formada por Lino Colantoni (vocais e guitarra), Carlos Sanmartin (baixo) e Renato Murakami (bateria), a banda acaba de lançar o clipe de “Carranca”, um dos diversos singles que pretendem lançar este ano. “A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe”, conta Lino. “Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas”.

Conversei com ele sobre o clipe de “Carranca”, a carreira da banda e os planos de singles para 2018:

– Me conta mais sobre este novo clipe. Foi feito em casa?

Foi sim! A gente gravou na real na casa de uns broder. A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe, a gente queria algo simples, que fosse possível a gente mesmo produzir, e que remetesse a ideia do que é a banda ao vivo! Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! De cara eles ficaram meio receosos de deixar a gente rodar o clipe lá, porque a gente é realmente muito enérgico tocando e as vezes até perde um pouco o controle… Mas é uma galera muita parceira. No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas.

– Ah, são perdas tranquilas, até (risos). Como a banda começou?

Eu tinha umas composições engavetadas e queria levantar elas com uma banda, não sozinho. Eu sempre curti ter banda, tenho banda desde os 15 anos, só que eu estava sem banda a uns anos, e ali achei que era o momento de montar outra. Eu e o Carlos (baixista) já fazíamos um som juntos, a gente tirava uns covers, mas só de brincadeira, a Macaco Mostarda ainda não existia. Eu tentei montei essa banda algumas vezes, e foram muitas tentativas frustradas, até o dia em que eu tive que tirar o terceiro baixista da banda e eu pensei “Mas que porra que eu to fazendo? por que eu ainda não chamei o Carlos pra tocar comigo?” Ali eu conversei com ele e falei “Velho, tô de saco cheio de tocar cover, quero levantas uns sons próprios” e ele topou na hora! A gente já tinha o primeiro batera, e dali pra frente começou a brincadeira.

– E o nome Macaco Mostarda?

Foi inspirado numa música da banda Joe Strummer and The Mescaleros, chamada “Johnny Appleseed”. A gente pensou em dar o nome da banda de “João Semente de Maçã”, mas a gente descobriu que já tinha uma banda gospel com esse nome, até por se tratar de uma história biblica. Daí o itinerário de maçã pra mostarda e do João pro Macaco eu já não me lembro muito bem, mas sei que o ponto de partida foi esse (risos). Quando surgiu na mesa o nome Macaco Mostarda, a gente pirou na imagem e fechou a ideia! A gente escuta com frequência que a nossa performance ao vivo remete muito ao comportamento enérgico dos macacos, e por esse motivo muita gente acaba achando que o nome vem daí. Mas embora essa não tenha sido nem de longe a nossa intenção, até que fez algum sentido e a gente acabou gostando dessa associação.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!

A gente tem uma demo, que foram as primeiras composições, aquele do disquinho de capa amarela e preta. Feito na independência total, a gente curte ele por ser o primeiro e tal, mas existem planos de regravar os sons que estão lá, até por conta da troca de baterista que a gente teve no ano passado, a banda mudou
muito de lá pra cá e a gente tem muita vontade de regravar com a mão do Renato (atual batera). Mas são músicas que a gente curte demais, toca todas nos shows ainda e foi uma demo gravada com muita raça e muita paixão. Temos o primeiro single que a gente lançou, chamado “Boca do Estômago”, totalmente independente também, mas esse com mais punch, mais qualidade e mais maturidade também. Foi uma composição minha que surgiu de repente, em uma hora e meia a música tava pronta, eu mandei mensagem pros caras e falei “vamo gravar?” e os caras abraçaram a ideia. Dois meses depois (corre independente é demorado) a gente tava lançando ela. E agora a gente lançou o single “Carranca”, que é nossa primeira faixa gravada com o Renato (atual batera), nosso primeiro clipe e nosso primeiro som lançado em parceria com nosso produtor, Guilherme Real. A composição é antiga, mas a música foi toda repensada em estúdio pra ter a cara da banda na fase em que ela tá mesmo. Esse single faz parte de uma série de singles que a gente deve lançar durante o ano.

– Pode me adiantar alguma coisa sobre estes singles que virão?

O próximo som a gente deve lançar em maio, se chama “Revoluções e Mentiras” e tem uma assinatura funk que a gente particularmente gosta muito, tem participação da Thai Borges nas percussões (que estão pesadíssimas por sinal), uma amiga nossa lá de Curitiba. E nossa primeira balada deve vir na sequência, mas não espere nada muito arrumadinho porque nosso negócio é um groove barulhento (risos). Tem mais som por vir, mas por enquanto, o que dá pra adiantar legal são esses. Os outros estão em processo e a gente tá trampando neles sem pressa.

– Como você definiria o som da banda?

Por mais clichê que isso vá soar, eu preciso dizer que essa é sem dúvida umas das perguntas mais difíceis de se responder sobre a Macaco. A gente tenta, no momento da criação, não definir uma sonoridade específica pra buscar, a gente simplesmente toca, e o que estiver soando no nosso inconsciente. Vai soar no som que a gente tá fazendo. Sei que é uma reposta vaga, mas se eu tivesse que definir o nosso som de alguma maneira, eu diria que a gente é uma banda punk que entrou disfarçada num baile soul. Punk porque a gente é barulhento e segue a risca o DIY e soul porque se tem um estilo que contempla a todos da banda é esse, e de alguma forma, ele tá sempre povoando nosso imaginário nos momentos de criação.

– Quais as maiores inspirações musicais da banda?

Cada um tem um gosto muito particular, mas a gente divide de algumas referências: Jimi Hendrix, Stevie Wonder, The Police. Nacional a gente gosta muito de Caetano Veloso, Tom Zé, Novos Baianos…
Eu principalmente, escuto muito rap desde muito novo. então acho que é uma das principais influências também.

– Como vocês veem a cena independente, tão prolífica hoje em dia?

A gente gosta muito da cena, principalmente porque o rock tá vivendo de novo um momento underground. Os grandes veículos não estão focados no rock agora, e isso é ótimo pra manutenção do gênero. As bandas podem explorar mais, ter mais autonomia de criação e muita coisa nova vai surgindo dessa experimentação. Eu diria que é um momento de reinvenção necessário pro rock que ficou durante um tempo cristalizado em fórmulas ultrapassadas.

– Ou seja: essa “baixa” do rock no mainstream é necessária pra uma possível volta à grande mídia/grande público?

Talvez sim, talvez não. Eu acredito que tudo é cíclico. Mas acho que o artista que escolheu o rock como plataforma tem que se preocupar em inovar, em buscar alguma originalidade, não se preocupar com a ascensão do gênero nem nada do tipo. O rock por ter sido mto bem tratado durante mto tempo entrou numa zona de conforto, e acho que o momento é bom pra que ele saia desse lugar. O momento tem que ser de união, as bandas precisam voltar a pensar de forma coletiva.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende começar a produzir o próximo clipe, continuar gravando novos sons e estamos produzindo uma nova edição da “Festa da Macacada”. É um festival que a gente faz com bastante artista parceiro pra arrecadar fundos pra alguma instituição ou algo do tipo.

– Fala mais dessa festa.

A gente gosta de colocar a banda a serviço de alguém ou de alguma coisa. E disso surgiu a ideia de fazer esse evento beneficente pra levantar fundos. Em 2016 trabalhamos com uma ONG que ajuda refugiados sírios, esse ano a gente queria trabalhar com eles de novo mas parece que a ONG fechou por falta de verba. Porém, algumas famílias ainda precisam de ajuda e a gente vai organizar outra festa pra levantar essa grana pra eles. Nossa vontade é fazer esse.tipo de evento com mais frequência, essa é o tipo de coisa que a gente tem muito tesão de fazer. Eu tô negociando com espaços pra ver onde e quando pode rolar. A princípio tenho uma data que é dia 21 de abril. Mas ainda pode mudar porque estou negociando com espaço e as bandas e artistas participantes. A ideia é sempre unir várias artes e fazer um evento divertido e com propósito pra todo mundo.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sr. Apache. Eles e Anna Sátt, Malaguetas, João Perreka e os Alambiques, Picanha de Chernobill, Cankro, David Alexandre, tem dois caras de Guarulhos que eu acho que são fundamentais pra cena de hoje (junto com o João Perreka) que é o Victor Carvalho de Lima e o Guilherme Papini, Aláfia, Mutum, As Bahias e a Cozinha Mineira, Rincón Sapiência (que apesar de estar estourado ainda é independente). muita gente na independência mandando muito bem.

Blues da Casa Torta: “O Tempo” para os ouvintes de toda a era musical

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“O Tempo” é o primeiro álbum e segundo trabalho de estúdio da banda portoalegrense Blues da Casa Torta, formada por Bernardo Scarton (guitarra e vocais principais), Filipe Siak (baixo e backing vocals) e Hamilton Felix (bateria e backing vocals). Gravado, mixado e masterizado no estúdio audioFARM entre março e agosto de 2017, teve participações de Luciano Leães (teclados), Filipe Lins (harmônica), Marcio Petracco (violão dobro e bandolim), Ronaldo Pereira (sax tenor), Bruno Nascimento (trompete) e Felipe Mantovani (trombone). O disco foi produzido por Sergio Selbach e Mateus Borges. Um encontro de mestres fizeram deste trabalho, um álbum consistente e de bela harmonia musical que percorre grandes gêneros musicais, tendo para mim, uma veia maior no blues/rock.

O álbum “O Tempo” possui dez músicas autorais, explorando retratos do tempo, da vida cotidiana mesclado a grandes ritmos da música raíz nacional e internacional. Esta obra musical está repleta de participações especiais, tendo a primeira faixa do disco a música homônima ao nome do álbum. “O Tempo” vêm sendo o single mais trabalhado pela banda na divulgação para o público, e não é atoa, pois a música é excelente. Ritmo contagiante, letra de pura nostalgia aonde contempla o ouvinte em uma ótima mesclagem entre o rock/jazz. Faixa que demonstra seguramente o ótimo entrosamento da banda ao decorrer das sonoridades, esta que teve mudança de integrante nas baquetas.

A seguir temos “Três por Dez”, esta que poderia ser a primeira música do disco pelo contexto de sua letra, mas não deixa de estar em seu lugar certo, mantendo a cadência de ritmo mais rápido e empolgante, calcando muito bem o blues/jazz da banda, tendo um solo de guitarra remetendo ao rockabilly. No final uma ótima virada de ritmo na bateria, aonde marca também a virada de ritmo do disco, já que na sequência temos a música “Blues do Gato”. Um som mais lento, bluseria pura com um feeling mais lento e pesado, tendo a letra em seu sentido combinativa. “Se Foi Assim” retoma a pegada da banda do blues/rock mais aberto, tendo até então, um ótimo complemento de sax tenor e trompete, incorporando muito bem esta faixa.

“Rei do Camarote” traz novos elementos musicais, tendo um ótimo desenvolvimento nos instrumentos de corda, havendo um ótimo solo de instrumento de sopro, deixando o ritmo único e especial sobre uma letra que envolve o amor. “Ando Meio Noiado” é a faixa de número 6, relatando uma letra de amor e cotidiano, que todo o brasileiro entende. A musicalidade trás o refrão mais repetido contando com o ritmo instrumental em um ciclo repetitivo como o relógio, combinando com a letra e mensagem da banda. “Amar e Temer” segue um fluxo calcado ao jazz, com o vocalista carregando mais o ritmo da música que conta com ótima presença do instrumento de sopro, uma marca excelente das participações especiais no disco. “Bus Lotado” chega com uma grande variação até aqui apresentada no disco. Ela conta com o ritmo do “baião”, algo inédito no disco, que chega de surpresa e combina muito bem com a crítica social apresentada na letra. Até aqui venho falando super bem da parte instrumental da banda, e realmente não tem como deixar de citar. Ritmos, ótima variação de instrumentos, grandes músicos convidados para esta bela obra musical. Sendo assim, a faixa “Catuaba Boogie” brinda esta marca registrada e ótima do entrosamento e experimentalismo do que é o Blues da Casa Torta.

Em um tom mais caipira, creio que marca de excelência do grande músico Marcio Petracco, a música “Me Assaltaram na Esquina” chega pesada, com ótima crítica ao país, marcando o encerramento deste belo disco. Em seu primeiro EP a banda já havia trabalhado com a ÁudioFARM, que teve um ótimo resultado, e sendo assim, time que tá ganhando não se meche. Álbum realmente surpreendente, tendo ótimas variações sem deixar de ser combinativo e contextualizador.

 

Foto: Edinara Patzlaff

“The Song Remains The Same” (1976) – um show de rock e cenas absurdas

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The Song Remains The Same
Lançamento: 1976
Direção: Peter Clifton e Joe Massot
Roteiro: Peter Clifton
Elenco Principal: Jonh Bonham, Robert Plant, Jimmy Page e Jonh Paul Jones

 

O filme que recebe o nome da música do Led Zeppelin e também do show gravado no Madison Square Garden, mistura as cenas do show, com cenas ficcionais que funcionam independentemente, meio como se cada uma fosse um clipe da música que acompanha.

Totalmente sem sentido nenhum, as cenas absurdas, psicodélicas e muito chapadas, encaixam muito bem com o estilo absurdo, psicodélico e totalmente chapado do som do Led. Cheios de cores e efeitos visuais, meio que tem um “clipe” pra cada membro da banda, e o resto das músicas acompanham o próprio Madison Square Garden.

“No Quarter”, a que acompanha o John Paul Jones (baixista/tecladista), começa com um trem do metrô chegando numa estação, passa pro show, passa pra ele tocando órgão numa igreja, passa pruns caras com mascaras assustadoras perseguindo pessoas na rua, depois pra ele chegando em casa, brincando com os cachorros e os filhos e depois volta pro show. O ponto é que mesmo isso parecendo no mínimo pouco psicodélico, é definitivamente bastante psicodélico! Os cortes rápidos, as sobreposições de imagens, e mais outros efeitos, fazem da parte visual uma intensificação da viagem lisérgica que é “No Quarter”.

“The Song Remains The Same” e “Rain Song”, são as do Robert Plant (orgasmáticas como ele, por sinal…) e o acompanham no que parece uma espécie de viagem medieval: ele montado num cavalo andando pelas pradarias da Grã Bretanha, entrando num castelo onde luta com espadas, encontro com a princesa e tudo o mais. Novamente talvez isso pareça não psicodélico suficiente, mas novamente, a composição da música muito louca, com efeitos visuais bem lokos, criam o mesmo efeito lisérgico. Vale lembrar também, que “Rain Song”, é uma música que tem uma psicodelia diferente, uma coisa mais suave, que não deixa de jeito nenhum de ser intensa, mas é uma intensidade suave, gostosa, romântica.

“Moby Dick”, o famoso solo de batera de 10 minutos (ou mais, a variar da versão, porque esses cara são tudo doidjo), é obviamente a que dá conta de mostrar o John Bonham (o baterista) em seus loucos carros, pilotando uma moto numa estrada deserta, destruindo tijolos com uma britadeira, cuidando dumas vacas, dançando com sua mulher, tocando bateria com o filho, tocando bateria no show em questão e o mais dahora de tudo, correndo num dragster, um daqueles carros absurdamente rápidos, que dão a largada com uma explosão brutal e freiam com um para-quedas! Essa de fato não conta com nenhum efeito visual lisérgico ou coisa do tipo (acho que em alguma medida isso tem a ver com o fato de ele ser um cara com uma cabeça meio diferente do resto da banda, menos ligado em exoterismos e coisas do tipo), mas dizer que não é uma cena psicodélica seria de qualquer modo ridículo, a começar porque essa coisa que eu to fazendo até agora de dizer “o que é” e “o que não é” psicodélico, é mó caretice da porra, mas também porque mesmo mantendo a caretice da porra, existem outros elementos que compõe a psicodelia no caso. A velocidade muito presente em todas as coisas com motores (e principalmente no dragster), sempre juntas das caretas malucas e felizes do baterista, encaixam lindamente no ritmo frenético do solo e criam uma atmosfera absurdamente maluca.

Por fim, mas não menos importante, “Dazed and Confused” fica sendo a do Jimmy Page (o guitarrista). Essa, claramente doidona, é uma cena noturna, com lua cheia, mago segurando um lampião no topo duma montanha, com rostos que vão se transfigurando e efeitos de luz mutcho crazys. Vale dizer que o som que acompanha, não é “Dazed and Confused” inteira, mas só aquela parte do solo de guitarra tocado com arco de cello (eu acho que é um arco de cello…).

A parte de tudo isso, tenho a dizer somente que é um filme muito sensorial e que sem exageros, assisti-lo é uma experiência única e que te toma por inteiro. Não é o tipo de coisa pra você fazer enquanto lê um livro ou coisa do tipo, isso não dá muito certo…

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Renan Inquérito

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foto por Márcio Salata

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Renan Inquérito, do Inquérito, banda de rap de Nova Odessa.

The Isley Brothers“Between the Sheets”

Esse som é de 1983 e a primeira vez que eu ouvi foi através da música “Big Poppa”, do Notorious BIG, em 1994, depois no som “Livro da Vida”, gravado pelo Sistema Negro no álbum “A Jogada Final”, de 1997, ambos samplearam essa música, e de tanto ouvir esses dois raps, fui atrás do original, mas na época não tinha internet, foi no garimpo mesmo, falando com os colecionadores de disco, os nego véio, aí cheguei no disco do The Isley Brothers. Esse som me faz lembrar todo o processo de pesquisa pra se fazer um rap na década de 1990, isso tem um valor muito grande, ainda mais hoje em dia que os moleques só dão um Google. Pra que vocês tenham uma ideia, essa música foi sampleada por mais de 30 rappers diferentes só nos EUA.

J Cole“Sideline Story”

Eu conheci esse som e fiquei tão viciado nele que escutei no repeat por dias seguidos, nem sequer sabia do que ele estava falando, nem fui buscar a tradução até hoje, eu apenas sentia o que ele me trazia na época, estava há muito tempo sem escrever nada e passando por um período complicado da minha vida, então de tanto ouvir comecei a escrever uma letra em cima dele, fiz a letra todinha em cima desse som e curti tanto o resultado que decidi começar a fazer um disco novo imediatamente. A música que eu escrevi em cima chamava-se “Rivotril”, e depois mudei o nome para “Tristeza”, o disco que ela me inspirou a começar foi o “Corpo e Alma”, 2014.

Gonzaguinha“João do Amor Divino”

Esse som é de 1979, mas me soa tão atual, tão rap, impressionante! A letra conta a história de um pai de família que é “profissional em suicídio” e literalmente se mata pra garantir o sustento da casa. A narrativa vai mostrando todo o percurso traçado por ele até o dia em que decidiu pular de um prédio no centro da cidade pra arrancar uns trocos dos curiosos. Uma narrativa direta, sem refrão, tipo um rap storytelling. Eu penso que Gonzaguinha foi um MC antes do rap existir no Brasil, morreu jovem e deixou várias outras músicas de protesto, como por exemplo “Comportamento Geral”. É um artista que me influencia muito com a sua poesia.

F.UR.T.O.“Sangueaudiência”

Esse disco é foda, não dá pra indicar uma música só, é o único disco do F.UR.T.O., banda fundada pelo baterista e compositor Marcelo Yuka depois de ter saído do O Rappa. Todas as composições são do Yuka, letras extremamente politizadas, como “Amém Calibre 12”, “Ego City” e “Verbos a Flor da Pele”, críticas ácidas ao capitalismo e à hipocrisia da sociedade. Ouvi muito esse disco na época, 2005, porque pra mim ele era uma espécie de rap eletrônico tupiniquim, e também porque depois da saída do Yuka do O Rappa, eu me sentia órfão de letras politizadas. Tem uma frase numa letra que eu nunca esqueci, ele vem contando a história de uma menina da favela e de repente diz que ela era “mãe demais pra ser jovem”.

Zeca Baleiro“Eu Despedi o Meu Patrão”

Adoro as letras do Zeca, inteligentes e sarcásticas, sempre cheias de figuras e imagens. Esse som faz parte do álbum “Pet Shop Mundo Cão” (2002), que tem grandes clássicos da sua carreira, como a canção “Telegrama” que toca muito até hoje. Essa faixa em especial tem a participação do pessoal do Záfrica Brasil, Fernandinho Beat Box e Gaspar, que também estão em outras faixas do disco, que aliás é cheio scratches. Chapo quando ele diz: “não acredite no primeiro mundo, só acredite no seu próprio mundo!”

O desenvolvimento da nova Refavela baiana

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O rapper baiano Hiran

Em 1996, Gilberto Gil, no documentário “Tempo Rei”, entra numa grande viagem. O documentário é fantástico e aborda toda a carreira de Gil falando de muitos aspectos importantes de sua carreira e do Brasil. Mas um tópico em especial chama atenção – o da Refavela. Num movimento muito doido, ao lado de Carlinhos Brown são tecidos comentários sobre o que é exatamente a Refavela, que em 1977 foi nome de faixa, que deu nome a disco, no meio da “trilogia Re”. Brown afirma que a Refavela é “refazer o barco, refazer a vela”, regressar no caminho da diáspora, saindo ou não do Brasil. Gil afirma que Brown é a “prova viva” do que ele viu tantos anos antes na Nigéria com Fela Kuti e no Brasil com o “Black Jovem, o Black Rio”. A nova geração de pretos e pretas em “blocos do CNH”, periféricos, que traçavam seus caminhos na música popular.

A Refavela é a diáspora e se faz presente e se renova a todo tempo. Hoje, pretas e pretos do Brasil todo “refazem o barco, refazem a vela”. Quero falar nesse texto sobre a minha Bahia, especificamente. Dentro dela, posso falar de quatro movimentos no presente momento (dentre tantos outros) – o movimento de Luedji Luna, o movimento de Russo Passapusso (Baiana System), o movimento de Hiran e o movimento Attøxxá. Há interseções entre esses quatro movimentos, mas cada um traça caminhos muito próprios e peculiares.

Luedji, há três anos em São Paulo, traça caminhos que dialogam com o que Gil fazia em 77 na Refavela. É a Refavela em sua renovação! O batuque e o ritmo tipicamente africano se faz presente na sua música, mas aliado a um tom moderno e típico da geração em que vivemos – conectado e da era das redes sociais. Luedji, em entrevista ao site Cult.E.T.C, disse que começou a escrever num movimento de busca por expressão, por existência – uma resposta aos racistas de sua escola. A escrita se transformou muito tempo depois em cantoria e os racistas de merda devem se arrepender de terem acordado em Luedji o potencial revolucionário que todo fruto da diáspora carrega consigo. Revolução (também) musical que se faz presente no excepcional disco “Um Corpo no Mundo”, de 2017. A faixa de mesmo nome vai no mais profundo da alma dialogando com a travessia do Atlântico e com São Paulo (“E a palavra amor, cadê?”). Mulher, preta, nordestina e foda demais!

Russo Passapusso, por sua vez, traça dois caminhos distintos. No caminho solo e no Baiana System há interseções, mas os resultados finais são diferentes. Se na carreira solo há a sutileza de “Areia” e “Flor de Plástico” (“Paraíso da Miragem”, 2014), no Baiana System o movimento é outro, contrastando a cidade alta e a cidade baixa, no batidão eletrônico (“Duas Cidades”, 2016). “Autodidata” que fecha o “Paraíso da Miragem” é o que se assemelha mais com Baiana System, mas ao mesmo tempo é muito diferente. São escolhas que seguem caminhos diferentes, mas que guardam uma semelhança: o fato de que a Baiana System e o “Paraíso da Miragem” são sons “brasileirinhos pelo sotaque, mas de língua internacional”. São sons mundiais, globais, mas ao mesmo tempo que não perdem as raízes. É mais uma vez a Refavela em ação!

Não é à toa que está estourando tanto Brasil afora. O som é da mais alta qualidade nos dois projetos. Quem sabe Russo seja o Chico Science de nossa era. O tempo dirá.

Attoxxa segue o caminho do pagodão baiano. O “samba paradoxal” da Refavela e o ritmo moderno da “popa da bunda”. Durante o show, usam como sample de uma das músicas “Feeling Good” de Nina Simone e fazem questão de afirmar isso. Se Márcio Vitor mudou a cena da música baiana no início dos anos 2000, Attoxxa dá outro tom a cena em 2018. Convoca inclusive o próprio Márcio Vitor para fazer essa mudança de tom em conjunto. “Rebolar a Raba” também faz parte da diáspora, afinal, foi o branco europeu que inventou que a ginga africana era pecado. “Rebolar a Raba” também faz parte da revolução antiracista.

Hiran. LGBT e vindo do interior da Bahia traça caminhos belos e ambiciosos. Há duas semanas lançou o clipe de “Tem Mana no Rap” – simplesmente sensacional. Dá pra chamar de um “Abre Alas” dos nossos tempos. No beat dá pra escutar em loop os gritos de “Ilê, Ilê, Ilê, Ilê”. As referências são claras e estão na Bahia e na África (Ilê Aiyê, procure que você vai entender). Lançou na ultima semana o seu primeiro disco e no dia anterior a postagem deste texto foi ao ar o “Cultura Livre” com a sua presença. Hiran grita: “eu não sou pauta pras suas ofensas!” e afirma “baiano pode mudar o Brasil”. Assino embaixo. Não só pode como já está mudando. Desde a invenção do samba, passando pela Refavela até chegar na nossa geração.

A diáspora, a luta, o potencial revolucionário e a excelente qualidade musical são pontos em comum para todos os citados acima.
A renovação sem perder as raízes é regra. Ainda bem.

Confira uma playlist sobre a Refavela baiana:

referências e links extras:

Entrevista com Luedji Luna, cantora baiana que

Assista!

“Tem Mana no Rap” Sim!! Conheça o primeiro álbum do rapper baiano Hiran

Contramão Gig volta ao Bar da Avareza hoje com shows de Thee Dirty Rats e Os Chás

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O Contramão Gig acontece mensalmente no Bar da Avareza com a organização do Crush em Hi-Fi e do RockALT, e hoje tem mais uma edição! Seguindo nossa missão de levar a música autoral de volta para o Baixo Augusta convidamos vocês a uma vez mais descobrir e redescobrir artistas da cena independente! Nesta edição teremos apresentações de duas bandas incríveis: Thee Dirty Rats e Os Chás!

Thee Dirty Rats
O duo faz um garage rock direto e reto e sem freios. Rock and roll minimalista feito com 3 cordas e 3 peças de bateria. Formada em 2014 em São Paulo, a banda conta com Luis Tissot nos vocais e cigar box com pedal fuzz e Fernando Hitman na bateria e efeitos. Na bagagem, os EPs “The Fine Art of Poisoning 1&2” e “Perfect Tragedy”.
Ouça:

Os Chás
Formada em 2016 por Gabriel Mattos (guitarra e voz), Diogo Menichelli (bateria e percussão) – ambos ex-Hierofante Púrpura, Thiago Fernandes (baixo e voz) e Wesley Franco (baixo), a banda lançou em 2017 o EP “Já Delírio”. Gravado e mixado por Taian Cavalca e masterizado por Hugo Falcão no estúdio Mono Mono, o disco traz as participações especiais de Priscila Ynoue (piano, órgão e sintetizador) e Mário Gascó (sitar indiano e didgeridoo) ajudando a engrossar o caldo alucinógeno de suas seis faixas.
Ouça:

A discotecagem fica por conta do pessoal do Crush em Hi-Fi e do RockALT e das DJs convidadas da noite, Daise Alves e Mirella Fonzar, do Universo Retrô, tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

 

Durante o evento também teremos flash tattoos com a Lina Zarin, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi)
Fotos: Elisa Moreira Oieno

Quarta-feira, 21 de março de 2018
Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa, com camisetas de times ou calçando chinelos.
• Aqui sua bike é bem-vinda! (vagas limitadas)

Construindo Retrosense: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Retrosense, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rash (vocais)

Paramore“Crushcrushcrush”

Uma das primeiras músicas que ouvi do Paramore, que é grande influência não só para mim, mas para Retrosense. Fiquei totalmente viciada, acho o clipe muito foda! Também foi um dos primeiros covers que fizemos no começo da banda. Lembro de conversar com o Otávio na UEM (Universidade Estadual de Maringá) sobre a gente tocá-la nos ensaios (risos).

ABBA“Mamma Mia”

Minha mãe ouvia Abba praticamente todos os dias. Assim como também ouvia Michael Jackson, Queen, Cindy Lauper. Isso me influenciou muito musicalmente. Abba é uma grande influência porque é uma banda sueca que canta em inglês e fez sucesso mundial. Isso sempre provou para mim que MÚSICA é universal. E um baita clássico, né? A gente curte muito essa música. Fazemos uma releitura dela nos nossos shows que fica bem massa.

Haim“Forever”

Haim é uma banda que eu ACHO FODA DEMAIS. Quando eu comecei a conhecer melhor o trabalho delas eu fiquei muito inspirada. O álbum ‘Days are Gone’ foi uma grande referência de sonoridade para mim, elas fazem tipo um Fleetwood Mac moderno, acho muito massa. E essa música marcou a Retrosense porque fazíamos uma versão dela.

Joan Osborne“One of Us”

Essa música me dá muita nostalgia. Ela é tipo Retrosense roots (risos). É uma música linda que fala “e se Deus fosse um de nós?” sempre me fez refletir muito, e isso tem tudo a ver com que a gente queria/quer passar com a Retrosense: reflexões.

The Cranberries“Linger”

Cara, Cranberries é foda. É uma banda muito nostálgica para mim também… lembro do meu irmão ouvindo bastante e me dizendo que eu poderia ter uma banda parecida. E o timbre da Dolores? Incrível. Me inspirei bastante. Perdê-la esse ano foi foda.

Pitty“Equalize”

O clichêzão de toda banda com vocal feminino fazer uns covers de Pitty no começo (risos). Mas acho isso muito massa! Admiro muito a Pitty e o legado que ela tem deixado no rock feito por mulheres.

Avril Lavigne“Nobody’s Home”

RASH EMOOOOOOOO. Ai gente, dá licença. Mas caramba, ouvi muito. Era minha música favorita ever. E olha o tanto de tempo que a Avril conseguiu ficar no topo das paradas. Isso me inspira demais!

Otávio (guitarra)

Bastille“Flaws”

Bastille me inspirou muito por causa dos arranjos vocais, os sintetizadores, a percussão, enfim, tudo! Sinto-me um pouco sinestésico ouvindo Bastille.

Paramore“Still Into You”

Quando o Taylor York se tornou integrante definitivo do Paramore, ele conseguiu criar um novo conceito de guitarra pop. Essa música é estruturada em torno do riff da guitarra que é extremamente melódico com timbres surreais. A maneira como ele consegue conduzir a música me fez repensar a minha maneira de tocar.

John Mayer“Heartbreak Warfare”

Mais um exemplo genial de como conduzir a música com o riff de guitarra e criar uma atmosfera particular com os timbres. Vindo do John Mayer não é de se espantar. Na verdade, todos os CDs dele me inspiraram muito.

Mr. Big“Nothing But Love”

Mr. Big não tem nenhuma ligação direta com a Retrosense. É uma influência pessoal. Essa música em especial me chamou atenção desde o início porque o guitarrista Paul Gilbert, que costuma ser virtuoso nas músicas, faz um solo completamente simples, mas genial. Sempre que preciso criar um solo nas músicas da Retrosense, eu paro pra escutar essa música e me inspirar.

Goo Goo Dolls“Name”

Creio que a maioria das pessoas tem uma música que leva a mente para outra dimensão. Essa é a minha! Uma “depressing ballad”. Essa música influenciou completamente na minha maneira de compor, especialmente as músicas melancólicas.

P!nk“Just Give Me a Reason”

Um fato: eu vicio em uma única música e ouço ela compulsivamente durante um mês pelo menos. Acredito que eu ouvia “Just Give Me A Reason” umas 40 vezes por dia. Não sei se pela melodia, pelo ritmo ou por me lembrar alguém. (Nota da Rash: O Otávio faz isso com todas as músicas que ele ouve, sério. (risos) e P!nk também é uma grande referência. QUE MULHER!)

Rosa de Saron“O Sol da Meia Noite”

Essa banda é simplesmente incrível. Eles conseguem ser geniais em cada elemento das músicas: harmonias complexas, melodias marcantes, letras inspiradas em crescimento pessoal, timbres incríveis. É tudo complexo e simples ao mesmo tempo. Quando ouvi “O Sol da Meia Noite” pela primeira vez, eu pensei “esses caras não tem limite” (risos).

José (bateria)

Linkin Park“Breaking the Habit”

“Breaking the Habit” do álbum “Meteora” é o tipo de obra prima que mostrou que a banda poderia seguir novas direções, sem um instrumental tão pesado ou uma voz gritante. Tem muita inovação e elementos eletrônicos, mas ao mesmo tempo é simples. Essa música cairia bem em qualquer álbum da banda, sem contar na emoção que a letra e a voz de Chester imprime para a música e mostra que sempre podemos mudar ou enfrentar algo que está nos fazendo mal.

Twenty One Pilots“Holding on to You” (versão ao vivo)

Twenty One Pilots é um duo que impressiona pela performance e que não pode deixar de ser citado, pois é tão impactante que é quase imperceptível notar os samples estão que sendo tocados ao vivo para apenas dois integrantes. Em “Holding on to You”, além do duo usar elementos de vários estilos com música eletrônica, em sua versão ao vivo eles impressionam quanto o baterista dá um salto mortal durante uma parte da música. Isso mostra que a alta performance e o carisma podem ser mais importante que vários detalhes.

Fresno“Deixa o Tempo”

A Fresno inicialmente não era uma influência para a banda, mas após o Breakout Brasil, não deixamos de admirar e nos inspirar no trabalho do Lucas Silveira e cia. Em “Deixa o Tempo”, o Fresno mostrou um amadurecimento em suas composições, sem perder o dom de fazer canções pop/rock de qualidade, mas fugindo do genérico, com muitos efeitos de guitarras e sintetizadores e as vozes trabalhadas entre Lucas e Tavares.

The Killers “When You Were Young”

“When You Were Young” é um hino para os fãs do The Killers, ela possui um riff inconfundível, vocal emocionante, melancólico e uma sonoridade um pouco densa. Esse som é admirável por ser uma amostra da sonoridade que a banda iria seguir nos próximos anos. Essa é uma influência pessoal pra mim, pois curto mudanças.

The Beatles“Ticket to Ride”

É claro que não ia faltar um clichezão de influência de todas as bandas né… Sim, Beatles, essa canção me traz vários sentimentos como nostalgia, humor e alegria, sem contar que o instrumental dela é muito simples (batera, guitarra) e os vocais trabalhados. Quando penso em uma música foda com o instrumental simples (principalmente a batera) e mesmo assim contagiante, sempre lembro de “Ticket to Ride”.

My Chemical Romance“Welcome to the Black Parade”

Não pode ficar de fora um emo raiz (risos) Mas sério, sinto uma ambiência inexplicável nesse som que tenho certeza que marcou muita gente na famosa “época da MTV” eu sou fãzaçoooo do Gerard Way, pra mim ele é um dos melhores vocais que existem com seu estilo peculiar, seus gritos. Quem não curte é preconceito (polemizei (risos)).