“A Primeira Noite de Um Homem” (1967) – Simon and Garfunkel pra sorrir e pra chorar

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The Graduate (A Primeira Noite de Um Homem)
Lançamento: 1967
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Calder Willingham e Buck Henry
Elenco Principal: Dustin Hoffman, Anne Bancroft e Katharine Ross

 

Um símbolo da cultura pop dos anos 60”; “O filme no qual se “baseou” a última cena de Wayne’s World 2”; “O com as musiquinhas do Simon and Garfunkel!”

Fazendo uma louca suposição de que um dia, enquanto você lê um livro ou toma um sorvete sentado num parque, alguém chegue e te diga alguma das frases colocadas acima, existe uma alta probabilidade de que esteja dizendo do filme “The Graduate”, o segundo com o jovem Dustin Hoffman.

Benjamin Braddock (o tal jovem Dustin Hoffman) volta para a mansão de sua família após completar a faculdade com uma absoluta incerteza do que fazer a seguir, um porre completo do mundo acadêmico e do fútil comportamento burguês que sempre o rodeou, e absurdamente incompetente sobre relações sociais de qualquer tipo. Seduzido pela mulher do sócio do seu pai (a Mrs. Robinson), ele mantém com ela uma relação por algumas semanas até que a Elaine, a filha dos Robinsons que estava fora, volta pra casa dos pais e o Benjamin se apaixona por ela. Bom, as merdas vão acontecendo a partir daí, dum jeito bastante novelesco, mas com algumas sacadas muito massas, além das músicas incríveis.

O Alfa Romeo Spider 1600 Duo (o cara é podre d rico! Díos Mio!)

Mesmo com músicas somente de um grupo, a trilha sonora apresenta diferentes sons que dão tons bastante variados às cenas do filme. De “Scarborough Fair” e “Sound of Silence” com uma pegada mais dark, até “Mrs. Robinson” com uma pegada mais rock e passando por “April Come She Will” com uma pegada fofinha, as músicas do Simon and Garfunkel recheiam com poesia e folk o longa de 67.

Pensando ainda na coisa dos diferentes tons que as músicas têm, vale focar em “Sound of Silence”. Essa aparece algumas (várias, tipo, muitas mesmo…) vezes ao longo do filme e nem sempre com o mesmo peso. No começo e no meio do filme, a música é símbolo das angústias do Benjamin, contudo, na cena final e na entrada dos créditos, a música aparece sendo símbolo de uma certa felicidade bastante despreocupada com tudo.

Ainda assim, a música mais icônica do filme é obviamente a “Mrs. Robinson”. Com o Dustin Hoffman dirigindo seu Alfa Romeo Spider, conversível e vermelho numa velocidade incrível ultrapassando todos os outros carros, a música toca acompanhando o frenesi dos últimos cinco minutos de filme, num ritmo bastante contagiante.

Segue o trailer e a trilha sonora!

Trailer:

Trilha sonora:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Desirée Marantes, do selo Hérnia de Discos

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foto: Thiago Roma

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a pesquisadora, produtora e multi-instrumentista Desirée Marantes, do selo Hérnia de Discos. “Eu sei que muita gente faz cara de zóio pra cima quando alguém fala que gosta de muitas coisas diferentes mas eu realmente gosto de escutar coisas bastante diferentes, pois acredito que é partir da mistura que temos a possibilidade de chegar em nosso melhor. Então resolvi separar artistas que eu sempre escuto de maneira regular”.

Karen Carpenter
“As pessoa tudo acha que eu só escuto umas música erudita mas eu amo Carpenters. “Close To You”, embora seja uma composição do Burt Bacharach com letra do Hal David, ainda não ganhou uma versão melhor do que a do Carpenters. E, vocês ja viram a Karen tocando bateria?”

Jacqueline Du Pré
“Foi uma instrumentista e interprete que fugiu do esteriótipo “papel feminino” onde mulheres devem tocar instrumentos considerados mais “apropriados” como canto lirico, piano ou harpa. Musicista espetacular, sem duvida uma das maiores cellistas de todos os tempos e, na minha opinião, a melhor intérprete do concerto para cello do Elgar”.

Betty Davis
“Aquele ditado de por trás de todo grande homem existe uma grande mulher tem um quê de verdade, pena que essas grandes mulheres sempre foram ignoradas/invisibilizadas. Um dos grandes exemplos é Betty Davis, que foi casada por um ano com o Miles Davis e responsável por apresenta-lo a música de Jimi Hendrix e Sly Stone.Muita gente não sabe nem que ela existiu, que ela era compositora, produtora e interprete (também trabalhou como modelo, mas quem se importa com aparências né? (Risos)) muito menos conhece os discos espetaculares que ela fez. Escutem “Nasty Gal”‘:

Mercenárias
“O que dizer de uma das melhores bandas que apareceu no Brasil? E que ainda foi uma das poucas formadas apenas por mulheres no meio dos punks dos anos 80? Aí está uma banda que deveria ter um reconhecimento maior por parte do mundo inteiro, uma voz singular em sua época”.

Bjork
“Eu acho engraçado que todo mundo lembra da islandesa com o “vestido do cisne” no Oscar mas que a maioria não se dá conta de que a originalidade da carreira dela é, basicamente, sem precedentes. Talvez de para comparar com Mozart, mas ela ainda está viva e produzindo. Acredito que, mesmo ela recebendo reconhecimento em vida, ainda vamos demorar um par de décadas até termos noção da exuberância criativa dessa maravilhosa”.

Tagua Tagua lança seu primeiro clipe, “Rastro de Pó”

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O projeto Tagua Tagua, empreitada solo do cantor Felipe Puperi (ex-Wannabe Jalva) ganhou seu primeiro clipe. Após o lançamento do EP de três faixas, Tombamento Inevitável”, chegou a hora de dar imagens para o single “Rastro de Pó”. Masterizado por Brian Lucey, com referências de mezzo suingado, mezzo eletrônico e pitadas de R&B, o EP merece atenção pela originalidade e composições singelas.

As imagens do clipe “Rastro de Pó” foram gravadas em Cruz das Almas e Sapeaçu, na Bahia, e traz em sua narrativa as mágicas, tradicionais e proibidas guerras de espada. Em parceria com o diretor Douglas Bernardt, o clipe mistura com delicadeza todo o perigo e beleza das faíscas com a letra suave da canção. Confira o resultado:

Para conferir o EP completo do Tagua Tagua:

 

Com uma pequena ajuda dos amigos: David Crosby – “If I Could Only Remember My Name” (1971)

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Todo mundo que curte música pra valer tem uma lista mental daqueles discos considerados “xodó”. Normalmente nem são aqueles mais badalados de sempre, os mais citados em publicações, mas ainda assim aquilo tem um valor quase que inestimável. Não é assim? Poderia dizer que If I Could Only Remember My Name” (1971), de David Crosby, é um dos meus queridos.

Motivos não faltam para que esse LP não seja no mínimo curioso. Primeiro porque ele é o primeiro trabalho solo do músico (e que só lançaria seu sucessor em 1989); segundo porque não é bem um trabalho solo, levando em consideração o time avassalador que toca no disco; terceiro porque Crosby sempre obteve destaque sendo um cantor de harmonia, e nesse caso podemos ver como seria se ele tivesse seguido um caminho de frontman.

Resultado de imagem para david crosby 1971Outra coisa que deve ser ressaltada é que David Crosby, mesmo sendo um coadjuvante inato, é uma das pessoas mais importantes da história do rock. Um caso raríssimo de alguém que sempre esteve por perto de projetos fantásticos (vide The Byrds e Crosby, Stills, Nash & Young) e que manteve sua visibilidade com o carisma de sua figura, seu discurso e, claro, com o dom que é sua voz.

Embora ele soe incrível como sempre, dá para dizer que neste trabalho o instrumental feito pelos convidados divide a cena. Poucas vezes alguém conseguiu juntar tantos nomes relevantes de uma mesma cena em um disco. Os participantes são: Graham Nash e Neil Young (Crosby, Stills, Nash & Young); Jerry Garcia, Phil Lesh, Bill Kreutzmann e Mickey Hart (Grateful Dead); Joni Mitchell; Grace Slick, Paul Kantner, Jack Casady e Jorma Kaukonen (Jefferson Airplane); Gregg Hollie e Michael Shrieve (Santana); David Freiberg (Quicksilver Mesenger Service) e Laura Allan.

Mesmo que o título remeta à psicodelia e músicas chapadas de ácido, “If I Could Only Remember My Name” é um disco sério. Crosby tem esse ar de seriedade em seu som. Sua música sempre tem conteúdo e é repleta de sentimento verdadeiro, o que faz dele um dos mais notáveis e respeitados vocalistas e compositores de seu tempo. Aqui o clima é de maturidade hippie, como se essa galera tivesse passado (e passou mesmo) por muitas experiências transformadoras, mesmo que o folk ingênuo que abra a tracklist, “Music Is Love”, esteja aí para quase me desmentir.

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Mas sim, Crosby prefere seguir uma linha introspectiva e emocional, mais lúcida. Um exemplo disso é a belíssima “Traction in The Rain”. Ali percebe-se ecos de The Byrds, mas com uma roupagem adulta. Arrisco dizer que o disco está nesse grupo de trabalhos da mesma época que moldaram o que a gente chama hoje de adult compemporary, ou “música de pai”, se preferir. Mas neste caso não há maneirismos e nem cafonice do que essa vertente se tornou, é só coisa fina e de primeira.

A delicadeza é o tom de quase todo o disco, mas em “Cowboy Movie” Crosby destila a raiva de tempos turbulentos e canta uma letra cheia de críticas, embalada por uma levada improvisada por alguns dos membros do Grateful Dead. Jerry Garcia faz belos contrapontos com sua guitarra, aliás, sua presença é bastante forte no trabalho todo, em várias faixas percebe-se sua presença.

Em “Tamalpais High (At About 3)” David Crosby prova ser um monstro nas harmonias. Uma canção sem letra, apenas vocalização, que ele faz questão de dividir com seu parceiro Graham Nash. Essa combinação de alto nível de composição com o ar sério e misterioso me remete ao Milton Nascimento de Milagre dos Peixes”. Embora não se pareçam em quase nada, esse respeito pelos vocais é semelhante.

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“Laughing” cumpre seu papel de melhor canção do álbum. É absurdamente linda. Folk rock sem falhas, feito por quem ajudou a construir o que de fato é esse som. Uma aula de como soar bem. “What Are Their Names” é por si só um marco obscuro da história do rock. Isso porque está praticamente todas aquelas pessoas que citei antes fazendo um coro, o que é algo curioso de ouvir. Além disso, a faixa conta com uma trama interessante de guitarras feita por Garcia e Neil Young.

Resultado de imagem para david crosby nash 1971Ponto alto do disco, “Song with No Words (Tree with No Leaves)”, como o próprio nome já diz, traz uma melodia sem palavras. É outra obra-prima. O clima que ela transmite talvez seja único; equilíbrio perfeito entre delicadeza, emoção, melodia, harmonia e improviso. Ouça esse disco pelo menos por esta música.

A versão para a tradicional “Orleans” remete aos melhores momentos do Crosby, Stills, Nash & Young, porém construído por uma única pessoa. Já obscura “I’d Swear There Was Somebody Here” é um experimento vocal dedicado à sua namorada, que havia falecido. Talvez esse seja o mote que transforma esse disco tão introspectivo.

Na época do lançamento o disco foi bem recebido pela crítica e público, conseguindo a 12ª posição na Billboard e vendendo mais de 500 mil cópias. Apesar disso, o disco foi se tornando uma lenda cult, talvez pelo pouco apelo comercial. Porém com o passar dos anos a obra foi revisitada e mencionada por artistas, até mesmo o jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, talvez o mais famoso periódico católico, colocou este álbum na segunda colocação em uma lista dos “Melhores Álbuns Pop de Todos os Tempos”. Aí você percebe como esse disco realmente agrada públicos distintos.

David Crosby merece ser escutado com mais atenção, e “If I Could Only Remember My Name” é um retrato fiel do que ele significa para a música pop em geral. Obra fundamental.

Faça a coisa certa e escute Zudizilla

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Para os entusiastas de hip hop e rap brasileiro, Zudizilla já não é mais novidade. Mas se você não conhece, é o momento! O não só MC, como designer, grafiteiro e artista plástico está ganhando espaço na cena desde 2013, quando lançou o EP “#LUX”.

Natural de Pelotas/RS, o rapper que já foi apontado como um dos pioneiros do cenário do estilo em território nacional, lançou em 2016 o seu primeiro álbum, que faz referência ao filme do diretor Spike Lee de mesmo nome: “Faça A Coisa Certa”. São quinze canções com discurso sólido sobre a realidade do cantor, referências cinematográficas e a presença de importantes discursos de Malcolm X.

O novo single “Steez” já foi ao ar através do canal Rap Box em janeiro, e o segundo álbum será lançado até o final de 2018. Confira:

Ainda sobre o projeto de criação de “Faça A Coisa Certa”, e para saber mais sobre o caminho trilhado por este MC do sul, assista:

[Exclusivo] Pata lança clipe noventista para “Monster”, faixa do EP “Wild and Cabeluda”

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Acaba de ser lançado o videoclipe da música “Monster” do trio Pata, com imagens gravadas durante o show de lançamento do primeiro EP da banda, “Wild and Cabeluda”, na Casa do Jornalista em Belo Horizonte. Misturadas à imagens do filme “Yongary” de 1967, dirigido por Kim Ki-duk, a obra oferece, segundo a vocalista e guitarrista Lúcia Vulcano, “uma analogia para os sentimentos evocados na música, que em em alguns momentos parecem conjurar a forma primitiva monstruosa que nos habita, única capaz de exteriorizar toda nossa opressão. Mas até o monstro destruidor, pode demonstrar ternura. Mas só depois do caos. E não por muito tempo”.
Assista:

– Vamos logicamente começar falando do clipe de “Monster”! Como foi que rolou esse clipe tão noventista?

Acho que foi uma estética um pouco natural quando pensamos em fazer o clipe, já que o som da banda é bastante influenciado por essa década. Quando o Fábio Belotte (diretor do clipe) veio com as ideias, fomos caminhando meio que naturalmente para isso.

– E, é claro, o clipe tem um monstro.

(Risos) Sim! É a Yongari, uma monstra (!!) do filme do sul coreano Kim Ki-duk, “Monster From the Deep”. Na época (1967), era um filme concorrente do Godzilla.

– Me conta mais sobre a letra de “Monster”. Tem uma pegada bem L7, né.

Tem bastante influência, mas acaba que a abordagem da letra é um pouco diferente. A nossa “Monster” fala mais de um conflito interno, de uma coisa que foi se construindo ao longos dos anos e subjugando a pessoa aos poucos – um tipo de hospedeiro, um verme que suga o hospedeiro e, de certa forma, rouba a forma da pessoa se transformando nela.

– Esse som faz parte do primeiro EP da banda. Como rolou esse trabalho?

Eu tinha algumas músicas compostas e queria dar um corpo para esse projeto com essas composições. Acabei criando a pata para dar vazão a essas músicas. Decidi grava-las para ter um registro e colocar o trabalho para frente. Gravei tudo em casa, eu mesma – com a ajuda de alguns amigos. Acho que o “wild and cabeluda” foi uma das coisas mais desfiantes que fiz na vida.

– Então na real o Pata é mais um projeto solo do que uma banda, certo?

Não, é uma banda mesmo. Somos um trio – Eu, o Lulu e a Beatriz. Eu só dei o primeiro passo para a tirar a pata do papel – hoje temos muito mais um pensamento coletivo na criação dos arranjos. As músicas novas estão vindo a partir dos nossos ensaios e de longas conversas.

– Aliás, me explica o nome do EP, “Wild and Cabeluda”.

Bom hehe o nome da banda, pata, veio a partir da expressão pata de camelo, ressignificando-a como um símbolo de resistência das mulheres – uma subversão da noção que o corpo da mulher deve ser escondido. Apesar de que não é preciso ter uma pata de camelo para ser mulher, existem outras formas de ser. Daí o nome do EP, selvagem e cabeluda, que confirma essa ideia de subversão.

– Como você vê o crescimento dessa onda conservadora no mundo e como isso está servindo de combustível para o contra-ataque de quem vai contra esse pensamento?

É assustador. Eu não diria que é um combustível, pois a gente funciona bem sem essa onda conservadora, mas é definitivamente um alerta.

– Seria ótimo não precisar contra-atacar, né…

Com certeza!

– Vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Sim! Estamos idealizando o nosso primeiro álbum e tem sido bem divertido.

– Dá pra adiantar alguma coisa sobre ele?

Estamos no processo de escolher as músicas e ver o que funciona em cada uma. Já temos o nome! Mas é segredo, por enquanto (risos).

– E vocês já estão fazendo shows de divulgação do EP? Como estão rolando?

Estamos sim, inclusive nossa próxima data é no dia 30 de março aqui em BH no Saramandaia.

– Recomendem bandas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tem a Whatever Happened to Baby Jane que é muito massa, a Bertha Lutz daqui de BH, Charlotte Matou um Cara, Demonia, Lava Divers!

Construindo Gabriela Garrido: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Gabriela Garrido, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Tegan and Sara“Call It Off”
A partir dessa música eu fui apresentada a uma das minhas bandas favoritas, Tegan and Sara. Se não fosse o “The Con” – o álbum dessa canção – acredito que eu não teria começado a compor.

Courtney Barnett“Avant Gardener”
Essa música é muito especial pra mim! Conheci Courtney Barnett no fim de 2016 e me apaixonei pelas letras dela. Ela escreve bastante sobre situações mundanas e cômicas, e essa música é um excelente exemplo disso. Me inspirou para escrever “De Bicicleta”.

Paramore“Born For This”
Ah, minha adolescência! Se eu não quisesse imitar a Hayley Williams eu nunca teria começado a cantar. O “Riot!” marcou a minha vida e meu despertar artístico!

Green Day“Are We The Waiting”
Green Day foi minha primeira “banda favorita”. O “American Idiot” foi a porta de entrada para minha obsessão com música e principalmente com o pop punk e o pop rock.

Yeah Yeah Yeahs“Phenomena”
Yeah Yeah Yeahs também foi uma grande descoberta da adolescência, e a Karen O se tornou mais uma grande referência de vocalista para mim. Principalmente quanto às performances no palco.

Johnny Hooker“Amor Marginal”
O som do Johnny Hooker foi crucial para o início da carreira solo. Depois de muito tempo sem me apaixonar por sons brasileiros, o disco dele me arrebatou completamente e serviu como um empurrãozinho para que eu começasse a acreditar no meu trabalho e compartilhasse minhas canções com o mundo. Ele foi uma grande referência principalmente para a minha música “Pela Metade”, que está no novo EP.

Frank Ocean“Self Control”
Ouvi muito Frank Ocean gravando o meu último EP, que vai sair em março. Essa música, principalmente, tem um efeito surreal sobre mim! Sinto muita emoção na interpretação dele e tentei “roubar” um pouquinho disso gravando a voz.

Rubel“Quando Bate Aquela Saudade”
Assim como com o Johnny Hooker, o Rubel chegou na melhor hora possível. Foi como uma reaproximação da música brasileira através desses novos sons, bem quando eu começava a querer entrar nesse mundo. Amo esse disco inteiro, mas acho que todo mundo que escuta concorda que essa música tem algo de muito especial, e não é à toa que ficou bem conhecida. Gostei tanto que acabei até participando do clipe dela (risos). Dá pra me ver na cena do metrô, de cabelo grande, quase irreconhecível!

Amy Winehouse“I Heard Love Is Blind”
Essa música, para mim, é simplesmente perfeita. A letra, o arranjo, a interpretação. Eu gosto da simplicidade e da autenticidade dela. Tento levar isso comigo. Foi um presente incrível que a Amy deixou.

Lady Gaga“Speechless”
Junto com Paramore, Green Day e afins, a Gaga fez parte do meu despertar musical na adolescência. “Speechless” é uma das canções que me mostrou o enorme talento que ela tem. Lia sem parar sobre ela quando comecei a cantar, e a devoção e a trajetória são realmente inspiradoras.

Cazuza“Eu Queria Ter Uma Bomba”
Apesar das minhas referências serem – em maior parte – atuais e gringas, em matéria de composição, Cazuza é uma inspiração gigante. Queria muito ter escrito essa!

Cássia Eller “Mapa do Meu Nada”
Acredito que a Cássia sempre será minha cantora brasileira favorita. “Mapa do Meu Nada” é especial. Fiz um cover dessa música no meu primeiro show como cantora solo. Sonho em chegar perto da potência e da emoção que a voz dela transmitia.

Bleachers“I Wanna Get Better”
Eu amo tudo que o Jack Antonoff faz. Mesmo. Essa música foi a porta de entrada para a minha obsessão com Bleachers, o projeto mais recente dele. Acabei mergulhando nas canções e no processo criativo da banda, que hoje é uma das minhas principais referências.

Tigers Jaw“I Saw Water”
Antes de gravar o meu primeiro EP eu ouvia Tigers Jaw sem parar, e essa música me inspirou a escrever a canção “Mergulho”.

The Front Bottoms“Flashlight”
Assim como com a Courtney Barnett, as letras do The Front Bottoms influenciaram meu jeito de compor. Cada composição conta uma história e envolve completamente quem está ouvindo. São frases que a gente não costuma ouvir em qualquer música. Só escutando pra entender!

Now, Now“Neighbors”
“Neighbors” foi a primeira música que conheci da banda, e tem um lugarzinho no meu coração. Me apaixonei de cara com a delicadeza da letra e a sonoridade do arranjo. É mais um exemplo de banda que tem músicas ao mesmo tempo simples e carregadas de emoção, algo que eu tento trazer muito para o meu som.

Paramore“Pool”
Vale colocar uma música nova do Paramore porque eles tiveram a coragem de se reinventar completamente, o que foi maravilhoso, no meu ponto de vista. Ainda mais vindo de uma das minhas bandas favoritas. Me deu a certeza de não se deve ter medo de buscar novas sonoridades.

Leo Fressato“Vendaval”
Eu costumava ser muito insegura com tocar sozinha, no formato voz e violão, por achar que não tocava bem – apesar das minhas músicas serem fáceis. Puro medo. Lembro de assistir um show do Leo em 2015 e me convencer do valor de um show acústico, mesmo com melodias simples. “Vendaval” se destaca nos shows dele!

Graveola“Talismã”
O Graveola foi uma das principais razões para que eu acrescentasse percussão nos arranjos do meu novo EP. Amo essa e as outras canções da banda, que soam modernas sem perder a brasilidade.

Elis Regina“Redescobrir”
Não podia faltar. As músicas da Elis me acompanham desde cedo. A paixão da minha família por ela – principalmente a minha avó, super fã – é uma das minhas lembranças musicais mais antigas. Com certeza uma voz que já me ensinou muito e ainda tem a ensinar.

Trio de Los Angeles Fragile Gang quer trazer seu shoegaze com toques de pop para o Brasil

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Formada por Aisling Cormack (guitarra e voz), Arlo Klahr (baixo e voz) e Jessica Perelman (bateria), a Fragile Gang é uma banda de Los Angeles que está na ativa desde 2003 e em cada trabalho mostra influências diferentes: dos momentos acústicos ao puro punk rock, o atual trio faz o que der na telha, desde que faça sentido para todos os membros. “Bandas são como gangues”, conta Arlo, “eles precisam uns dos outros para serem fortes”.

O mais recente trabalho do trio, “For Esme”, é um tributo a Esme Barrera, um ícone da cena musical underground de LA que trabalhava incansavelmente nos bastidores, seja em projetos como o Girls Rock Austin ou simplesmente sendo uma figura que levantava o moral dos músicos locais com seu bom humor e otimismo. O disco traz canções emocionais e doces e é um bom cartão de visitar. Agora, eles trabalham no novo disco, que será lançando em 2018. Conversei com um pouco com Arlo sobre a carreira da banda:

– Contem um pouco mais sobre seu novo álbum!

O novo disco! Estamos tocando com a Jessica (na bateria) por cerca de um ano e meio agora. Muito do novo álbum sai de uma formação sólida e ensaios todas semanas e fazer vários shows. Também tem a influência de eu tocar mais baixo (eu costumo tocar guitarra) e Aisling tocando mais a guitarra principal. Gravamos ele principalmente em novembro, no estúdio de um amigo, e estamos terminando pequenas partes agora. Tem também algumas surpresas, esperamos, com os novos instrumentos que estamos experimentando. Nós colocamos muita emoção nisso e estamos ansiosos para ver o que sai disso.

– Como surgiu o nome Fragile Gang?

“Fragile Gang” é o nome de uma música da banda escocesa The Pastels. Escute a música e eles. Nós os amamos, mas além da música em si, que é ótima e  gentil – e parte de um ótimo álbum – o nome significou algo para nós e ainda o faz.

– Quais são suas principais influências musicais?

Se eu tivesse que escolher apenas por quantidade de horas ouvidas, provavelmente os Beatles, Bob Dylan, Neil Young, Bob Marley, talvez Fela Kuti, graças aos meus pais, e coisas como Carter Family, música tradicional irlandesa, Leadbelly, Miles Davis. Ah, e Lungfish. Ouvimos eles por horas e horas por muitos anos e vimos muitos dos seus shows e eles são definitivamente uma grande influência para mim e Aisling. Falando em outras bandas, David Bowie, Velvet Underground, The Clash, The Smiths, Wire, Galaxie 500, Fugazi, Unwound, Blonde Redhead, Pastels, Replacements, Big Star, Bikini Kill/Le Tigre, Nation of Ulysses/Makeup, Otis Redding, My Bloody Valentine, Public Enemy, Metallica do começo, the Clean, soul music… Basicamente qualquer coisa e tudo, e está sempre crescendo, então sinto que essa longa lista está diluindo a força de qualquer coisa que eu tenha a dizer, então vou ficar quieto agora…

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?

Este é difícil: agora as pessoas dizem algo como “pop-gaze” de nossas performances ao vivo, ou algo no espírito de Yo La Tengo… E isso poderia ser bom o suficiente, mas eu realmente nunca sei o que somos. E isso também pode ser uma coisa boa: somos uma banda que sempre está olhando, espero que continuemos sempre crescendo, mudando e sendo inspirados! Tentando ouvir nossos sentimentos, bem como olhar para o exterior para nos surpreender e inspirar.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós lançamos o que eles podem chamar nos EUA de “uma bagunça total” de álbuns. Muitos, e talvez não sejam suficientemente bagunçados. Os favoritos de algumas pessoas são o nosso primeiro, “Valley of Static”, que é muito lo-fi, gravado em uma antiga fábrica de alimentos para cães e em um gravador de cassetes de 4 pistas em nosso banheiro, etc. Eles também gostam de um chamado, apropriadamente o suficiente, “Aisling & Arlo”. É tudo violão acústico e violão basicamente, e a gente cantando, tão simples e puro quanto pudemos. E então, nossos dois últimos, “For Esme” e “Twister in the Ocean”, que são mais uma banda de rock.

– O que você pensa da cena independente musical hoje em dia?

Nós amamos a cena musical independente. Pode ser tão emocionante, íntima, crua e próxima, e basicamente é o único tipo de cena que já conhecemos. Quero dizer, vamos a shows de todos os tamanhos e escutamos todos os tipos de bandas, mas os shows que fazemos e as pessoas de que estamos perto são quase todos parte das comunidades independentes e DIY.

– Você acha que o rock alcançará o mainstream novamente como antes?

É difícil saber onde o rock irá como um gênero. A música popular sempre está mudando e “hibridando”, então pode acontecer de alguma forma. Aposto que o Nirvana e essa época foram uma grande surpresa e você nunca sabe quais surpresas estão sendo preparadas nas comunidades subterrâneas neste momento.

– A era do streaming é boa ou ruim para o artista independente?

O streaming parece ser uma benção mista: nos permitiu encontrar muitas bandas e cenas e selos e até nos ajudou a fazer nossa turnê no Japão (e conhecer grandes bandas e amigos lá) e encontrar shows no Canadá para tocar. Todos podem encontrar todos. As pessoas podem ouvir nossa música no Brasil, por exemplo! Ou ao lado de nós. Isso é incrível. É uma merda que geralmente é na plataforma de outra pessoa (grandes conglomerados de tecnologia). Isso não parece tão independente. Também é verdade que os pequenos artistas ainda estão e sempre acham dificuldade se sustentar. Mas talvez haja um equilíbrio que o mundo da música vai encontrar em algum momento. Enquanto isso, ainda podemos vender nossas fitas, CDs, camisas e shows e fazê-lo dessa forma.

– Los Angeles sempre foi conhecida por ser um bom lugar musicalmente. Como está hoje em dia?

LA é um lugar emocionante para a música. Muitas bandas surgem aqui, então é bom. E pessoas de diferentes culturas e origens se inspiram. As culturas da indústria cinematográfica e da mídia às vezes permeiam as cenas menores e vice-versa. Pode ser surpreendente saber quem conhece quem e quem vai aos shows. Mas tudo isso sendo dito, alguns de nossos shows favoritos foram muito semelhantes aos que teríamos feito em El Paso, um bom grupo de bandas e pessoas em um espaço de tamanho médio a pequeno, apenas tocando música e curtindo. É mais sobre como se juntar.

– Quais são os seus próximos passos?

Queremos ir ao Brasil! Sério, mande uma mensagem para nós se você pode nos ajudar a fazer um show ou recomendar alguém para conversar ou qualquer lugar por aí para tocar! Foi assim que tocamos no Japão e foi ótimo. Além disso, queremos levar o nosso novo álbum para o maior número possível de pessoas e depois fazer outro álbum e nos surpreender. Fazer mais shows. Talvez construir um pequeno estúdio em casa?

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Alguns de nossos amigos daqui: Young Jesus, Joe Gutierrez do Steady Lean, Young Lovers, Pastel Felt, Nick Flessa, Pig Pen, Ryan Reidy, Total Heat… Alguns de nossos amigos com quem  tocamos no Japão: Boyfriend’s Dead, Yukino Chaos, Vanellope. Alguns amigos de longa data com bandas: Kid Congo and the Pink Monkey Birds, Knife in the Water, the Crack Pipes, Hairy Sands. Também curtimos novas bandas como Jo Passed, RL Kelly, Ian Sweet. E bandas com quem fizemos turnê: Clarke and the Himselfs, Little Star, Didi e muitas, muitas outras!

“As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) e a estranha música dos anos 90

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Clueless (As Patricinhas de Beverly Hills)
Lançamento: 1995
Direção: Amy Hickerling
Roteiro: Amy Hickerling
Elenco Principal: Alicia Silverstone, Stacey Dash e Brittany Murphy

 

Assistido na companhia do Thiago Lastrucci, da Pierina Ludovice e do Hector Munhoz. Segue comentário da Pie acerca do filme:

“As Patricinhas de Beverly Hills é um filme interessante no qual podemos nos inspirar para sermos boas patricnhas e aprendermos sobre o karma e o amor entre pessoas diferentes”

P. Ludovice, 16/02/2018

Bem bostão. Uma comédia da década de 90 tirando um sarro do comportamento egocêntrico e arrogante de adolescentes mimados e podres de rico. Cher (Alicia Silverstone) é uma patricinha de Beverly Hills, presa no mundo do próprio umbigo e que não levanta um dedo pra nada, absurdamente estúpida, sem noção, que só faz merda, mas de verdade, acredita que é a melhor pessoa do mundo e que faz tudo pelos outros. Acompanhando a personagem, o filme vai mostrando como esse estilo de vida acaba levando-a à decadência e como ela sai disso duma maneira interessante.

Bom, não tendo dito nada no último parágrafo e com a fantástica justificativa de que bem, o filme também não fala porra nenhuma (!), sigamos adiante pra tratar do que importa. Apesar de a história de fato não chamar atenção por qualidade de roteiro, a trilha desponta com a guitarra meio punk, meio pop, que marca os anos 90.

Com David Bowie, The Muffs, Beast Boys, Radiohead, Supergrass e mais uma porrada de bandas das quais nunca ouvi falar, a música acompanha mais que bem toda a estética do filme de 95, que faz questão de expor ao máximo o estilo genial e cômico da época. Calças super largas, camisas gigantes, a ascensão do skate, o boné virado pra trás e tudo aquilo de que hoje em dia geral ri, mas sabe que na real é muito foda.

uma profunda análise crítica sobre a moda dos anos 90 pela boca da protagonista…

Abrindo o filme tem “Kids in America“, pra já estourar com o pique noventista (e vale por sinal, ressaltar que essa aparece também na trilha do filme do “Jimmy Neutron“…). Do Bowie aparecem duas: “Fashion”, uma bem mais experimental que o resto da trilha sonora, e “All The Young Dudes”, numa versão da banda inglesa World Party e que acompanha a narração da protagonista desprezando a tal moda descrita no parágrafo acima.

De resto, assistam pra descobrir!

Segue o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

Maria Alcina levou Caetano e Carnaval para o palco do Teatro Porto Seguro

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Maria Alcina aproveitou a terça-feira de Carnaval e o excelente palco do Teatro Porto Seguro para lançar a versão em vinil de seu mais recente trabalho intitulado “Espirito de Tudo”, onde nos presenteia com versões inusitadas das canções de Caetano Veloso.

A cantora, sempre muito irreverente e com looks caprichados, impressionou com suas versões repaginadas e o excelente alcance vocal. Alcina está cantando maravilhosamente bem e a potência de sua voz fez com que canções como “Tropicália”, “Fora da Ordem” e “Os Mais Doces dos Barbaros” ganhassem um peso extra, principalmente por serem letras extremamente politizadas.

Destacaram-se as interpretações de “Rocks” e “Eu Sou Alcina”, essa canção que foi composta por Zeca Baleiro em homenagem a cantora e é a primeira faixa do seu trabalho anterior, o elogiado “De Normal Bastam os Outros”.

Ao interpretar a canção “Língua”, a cantora dirigiu-se à plateia e interagiu muito com o público presente, que por sinal ocupava todos os assentos do teatro. Nesse momento o público já estava ganho, mas Maria Alcina ainda nos surpreendeu com “Prenda o Tadeu”, “Calor na Bacurinha” e “Fio Maravilha”, hits obrigatórios em suas apresentações.

Importante citar a genialidade da banda que acompanha a cantora, liderada pelo guitarrista e diretor musical Rovilson Pascoal, o som apresentado nos remete ao apresentado pelo próprio Caetano durante a Trilogia Cê, porém temos um tempero especial que só Maria Alcina poderia incluir. Caetano deve estar orgulhoso!

Maria Alcina deveria ser presença obrigatória em todos os carnavais. O que presenciamos no palco (e na plateia) do Teatro Porto Seguro foi uma cantora segura, com um excelente domínio de espaço e extremamente agradecida por viver esse momento especial. Importante ressaltar o trabalho do produtor Thiago Marques Luiz, responsável pelos últimos lançamentos da cantora e que colocou Maria Alcina novamente no lugar de destaque que ela merece.

Fotos: Edson Lopes Jr.