Blues Brothers (1980) – batidas de carro, blues e várias outras coisas

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Blues Brothers (Irmãos Cara de Pau)
Lançamento: 1980
Direção: Jonh Landis
Roteiro: Dan Aykroyd e Jonh Landis
Elenco Principal: Jonh Belushi e Dan Aykroyd

 

Talvez um dos musicais mais icônicos (pelo menos dos que já vi…) esse filme é de encher os olhos pra quem curte um blues e de cuspir água em risadas absurdas pra quem curte uma comédia bem B (pra quem como eu curte os dois, esse é dukaralho!). Os Irmãos Jake e Elwood Blues, ambos órfãos e criados num orfanato de freiras onde aprenderam tudo com um senhor que vive lá cuidando da casa (o senhor é o próprio Cab Calloway, o cara do “Minnie the Moocher“). Acontece que o lugar vai ser fechado por dívidas e frente a isso, os irmãos resolvem fazer um grande show pra arranjar a grana. O filme conta então, toda a história de como eles cruzam os EUA em busca dos membros da antiga banda deles (todos interpretados por gente realmente de peso no cenário do Blues da década de 80).

Cheio (tipo, muito cheio!) de Blues da melhor qualidade, o filme passa por vários estilos, com músicas que vão desde o folk/country da abertura de “Rawhide”, até a bebop “Minnie the Moocher”, passando pelo gospel do James Brown, “Can You See the Light”. E lógico que, cada um desses sons conta com algum nome de peso: além dos já citados Cab Calloway e James Brown, ainda temos Ray Charles com “Shake A Tail Feather”, Aretha Franklin com “Think” e o Jonh Lee Hooker com sua icônica “Boom Boom”.

Mas isso não é tudo! Tem também a galera da banda, todos músicos incrivelmente fodas!

Steve Crooper, o guitarrista que foi considerado pela Rolling Stone o 39° maior guitarrista; o baixista Donald “Duck” Dunn, que junto com Crooper, integrou a banda Booker T. & the M.G.’s.; Murphy Dunne, o pianista que fundou o “Chicago Free Music Programa“; o baterista Willie Hall tocou com o Bar-Kays banda e mais tarde ingressou na Stax Records onde ele se juntou com o Steve e o Donald na sua banda; Tom Malone, o do trompete, se formou junto com o colega Lou Marini, este que, por sua vez, toca o sax no filme e foi saxofonista da banda do Billiy Preston; Matt Murphy, o guitarrista que chegou a tocar com Howlin Wolf e Chuck Berry; e por último Allan Rubin, o trompetista que saiu da Julliard School aos 20 anos para tocar com Robert Goulet.

Ainda como curiosidade, vale falar da participação da Carrie Fisher como namorada psicopata e o fato de que na lista de filmes com mais carros destruídos, esse ocupa o sétimo lugar, tendo destruído 103!

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Otávio Cintra, do Hammerhead Blues

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Otavio Cintra, do Hammerhead Blues
Otavio Cintra, do Hammerhead Blues

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Otávio Cintra, baixista e vocalista da banda Hammerhead Blues.

Taiguara“Aquarela de Um País na Lua”

Muitos nomes de grande sucesso da música brasa dos anos 60/70 acabaram relegados a algum tipo de esquecimento, deixados à margem da tal linha evolutiva seja por falta de interesse de gravadoras ou travados na marra pelos militares. O Taiguara é um dos casos mais extremos: seu disco “Imyra Tayra Ipy” (lançado em 1976 após o retorno do cantor do exílio) foi recolhido de todas as prateleiras do país em menos de 72h pela censura, voltando ao mercado brasileiro somente em 2013. Desse grande disco, um manifesto latino-americano arranjado em parte por Hermeto Pascoal, destaco o protesto de ‘Aquarela de um País na Lua’, uma reinterpretação torta do famoso hino ufanista.

Antônio Carlos e Jocafi“Deus O Salve”

A dupla Antônio Carlos e Jocafi é, quando muito, lembrada pelo riff funkeado de ‘Kabaluerê’, sampleada pelo Marcelo D2. O que muitos não sabem que esses dois eram uma mina de suingue e rock psicodélico – o primeiro disco (“Antônio Carlos & Jocafi”, 1970), com Lanny Gordin nas guitarras, é uma pedrada psicodélica atrás da outra. Pra quem gosta de misturar psicodelia, samba, limão e cachaça essa aqui tá na medida.

Marcos Valle“Revolução Orgânica”

Marcos Valle é desses caras que já andaram por todo canto da música popular brasileira. Mesmo sem reconhecer seu nome, todo mundo conhece algumas das canções do bicho: ‘Samba de Verão’ (um clássico da Bossa Nova) e a música de fim de ano da emissora dos Marinho (aquela mesmo, fazer o quê…) Em 1972, Marcos e seu irmão Paulo Sérgio se mandaram para Búzios com uma banda de rock até então relativamente desconhecida (O Terço) para mergulhar numa vibe hippie sem dó. ‘Revolução Orgânica’ é a música mais épica de um encontro inusitado de grandes nomes da música brasileira com uma letra de rebeldia e imagens impressionantes.

Eduardo Araújo“Construção”

Eduardo Araújo era o roqueiro mais bad boy de toda a Jovem Guarda. Dizendo-se ‘O Bom’, dono do maior carrão vermelho, acabou não emplacando com o roquezinho tanto quanto seus colegas Erasmo e Roberto. Dono de uma das vozes mais potentes da época, o rapaz resolveu então que ia explorar um som mais pesado e experimental. Sua ideia de rock brasileiro progressivo e psicodélico chega ao ápice nessa reinterpretação surreal de “Construção”, de Chico Buarque, transformado o arranjo de sua versão original em uma quebradeira sem paralelo de guitarras, baixos e baterias.

Odair José“Não Me Venda Grilos”

Odair José é um dos grandes expoentes da música brega brasileira. Tornou-se um ícone dos botecos sujos do país todo com ‘Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula)’ e ‘Vou Tirar Você Desse Lugar’ no começo dos anos setenta. Sempre intento em incomodar os poderes estabelecidos, Odair José acabou excomungado pela Igreja Católica acusado de blasfêmia ao lançar o disco ‘O Filho de José e Maria’ em 1977. O protagonista é Jesus Cristo contemporâneo: doidão e filho de pais solteiros que se casam às pressas e depois se divorciam (numa época em que o divórcio era ainda grande tabu no Brasil). Se a ira da Igreja não fosse o suficiente pra curtir o trabalho do cara, o disco é uma ópera-rock finíssima com uma pegada Frampton.

De 60 anos pra cá: álbuns essenciais de 58, 68, 78, 88, 98 e 2008

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Quem diria, um ano da coluna Bolachas Finas! Como estamos em clima de ~comemoração~ aqui vai um texto um pouco diferente. Dessa vez falo um pouco sobre discos relevantes de 1958, 1968, 1978, 1988, 1998 e 2008. Que tal?

Enfim… De sessenta anos pra cá muita coisa mudou e muita coisa perdurou. Sim, são detalhes aparentemente óbvios, mas que enriquecem ainda mais a qualidade do velho e a proposta do novo. Quero dizer, o seu eu de 1958 poderia escutar o então moderno Lady In Satin” de Billie Holiday e se apaixonar (ou não) pelas canções, mas naquele momento você não teria como afirmar que aquele disco é um dos maiores monumentos da história do jazz cantado. E hoje podemos perceber esse grande álbum resvalando em uma enxurrada de coisas, de Aretha Franklin a Janis Joplin e Amy Winehouse.

O mesmo aconteceu com 2008, ou 1998… O que uma obra como “Moon Safari” do Air consegue comunicar? Será que artistas revisitarão aquele som daqui 30 anos, olhando aquilo como algo cheio de pioneirismo? Existem coisas que só o tempo é capaz de avaliar.

Pois bem, aqui vai uma breve lista com alguns desses “discos especiais”:

“Canção do Amor Demais” – Elizete Cardoso (1958)

É “apenas” o marco zero da bossa nova. Composições de Vinicius de Moraes e Tom Jobim com o revolucionário violão de João Gilberto, tudo isso pela primeira vez… Não é pouca coisa! A “Santíssima Trindade” do gênero faz uma cama generosa para a potente e dramática voz de Elizete Cardoso, que com sua pegada de “era do rádio” manda muito bem em todas as 13 faixas. Canção do Amor Demais” é um disco fundamental, daqueles que você precisa saber da existência. O álbum não fez sucesso logo de cara, a prensagem inicial foi de 2 mil cópias, e sua grandeza só foi reconhecida quando a bossa nova explodiu fora do Brasil. Isso precisa ser preservado no imaginário popular brasileiro. Destaque para “Chega de Saudade”, “As Praias Desertas” e “Canção do Amor Demais”.

“Astral Weeks” – Van Morrison (1968)

O segundo LP da carreira-solo do irlandês Van Morrison é tido até hoje como um dos melhores álbuns de todos os tempos. Logo é fácil notar a potência artística do trabalho: uma mistura de folk com a improvisação do jazz e arranjos inventivos. O jeito de Morrison cantar, que une gospel, soul e pop (meu Deus, sempre me lembra demais Mick Jagger!), é emocionante, perfeito para aquela atmosfera meio relaxada. Astral Weeks” foi concebido em apenas três sessões, o que endossa o tom de improviso da base instrumental. Apesar de ser um trabalho de um artista essencialmente inclinado para a veia singer/songwriter, o resultado sonoro é impressionante, e toda a banda consegue destaque. Esse é pra ouvir muitas vezes. Destaque para “Astral Weeks”, “Sweet Thing” e “Cyprus Avenue”, que assim como “Madame George” Morrison empregou a técnica literária do fluxo de consciência para produzir a letra.

“The Last Waltz” – The Band (1978)

Considerado por muita gente como um dos espetáculos mais venerados da história do rock, o último show da canadense The Band foi muito mais que isso. Foram mais de quatro horas de música, com direito a convidados como Paul Butterfield, Eric Clapton, Neil Diamond, Bob Dylan, Emmylou Harris, Ronnie Hawkins, Dr. John, Joni Mitchell, Van Morrison, Ringo Starr, Muddy Waters, Ronnie Wood e Neil Young. O concerto foi tão chique que foi servido um verdadeiro banquete para as 5 mil pessoas presentes no Winterland Ballroom, em São Francisco (era Dia de Ação de Graças). Poetas declamando e baile dançante também fizeram parte do roteiro. Sobre a música… olha, realmente esse show é uma covardia. O repertório de primeira linha passa por toda a carreira do grupo e ainda visita versões dos artistas convidados. Imperdível e obra de arte fundamental para entender a realeza que já foi o rock ‘n’ roll. Martin Scorsese transformou a noite num dos documentários de música mais aclamados do cinema, que por sinal é realmente lindo. Destaque para “Up on Cripple Creek”, “Mannish Boy”, “Helpless”, “The Night They Drove Old Dixie Down” e “I Shall Be Released”.

“Daydream Nation” – Sonic Youth (1988)     

         

Mais de meio mundo passou por esse disco para fazer o som da década posterior. Talvez o mais importante LP do Sonic Youth, Daydream Nation” de certa forma sedimentou a proposta da banda e elevou seu som inventivo e ruidoso em status de obra-prima. Todas as faixas são relevantes, e ali é fácil notar algo estranhamente acessível, bizarro e ao mesmo tempo (até então) novo. O casamento das guitarras de Lee Ranaldo e Thurston Moore impressiona até hoje, e o carisma do vocal falado de Kim Gordon cai como uma luva, muito embora no fundo eu sempre esteja inclinado a acreditar que o ritmo sólido de Steve Shelley (aliado ao baixo constante de Kim) seja o segredo dessa banda incrível. Em Sister” (1987) o SY apontava para essa sonoridade, porém em “Daydream Nation” a afirmação musical é mais contundente e segura. Discaço que parece jamais envelhecer. Destaque para “Teen Age Riot”, “The Sprawl” e “’Cross The Breeze”.

“The Miseducation of Lauryn Hill” – Lauryn Hill (1998)

Esse enorme sucesso de público e crítica da ex-vocalista do influente grupo de rap Fugees ainda soa incrível e já é um trabalho de indiscutível importância. A mistura de hip hop, r&b, reggae, gospel e soul rendeu uma enxurrada de Grammys (cinco no total) e, até hoje, oito milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos. Hill conseguiu com sua salada musical mostrar os limites do rap e como esse gênero consegue ser tão flexível e ainda assim íntegro, algo como o Exile on Main St.” da década de 1990: uma reverência aos gêneros norte-americanos mais tradicionais em uma roupagem adequada ao seu tempo. É impressionante pensar que agora esse álbum já tem 20 anos! Mais um que você precisa ter na estante ou no celular. Destaque para “Everything Is Everything”, “Lost Ones” e “To Zion”.

“Fleet Foxes” – Fleet Foxes (2008)

Revisitar o passado foi a tônica da década de 2000. Enquanto uma penca de grupos persistia até saturar no post-punk e proto-punk até mais ou menos 2007, o Fleet Foxes veio com essa pegada completamente “fora da curva”. Essa atmosfera de Crosby, Stills & Nash com Fairport Convention, quem diria, deu tão certo a ponto de chamar atenção desse público reticente em relação ao folk rock. A verdade é que a banda faz um som verdadeiramente bonito, e é difícil não respeitar esse tipo de coisa. Robin Pecknold, líder da banda, além de talentoso vocalista é um compositor de mão cheia. Melodias e harmonias memoráveis, algo não tão explorado de uns anos pra cá, e sim, isso já é um incrível mérito. Revisitar é bom, mas poucos fazem isso com o devido respeito e capacidade. Seria essa obra aspirante a clássico? Destaque para “White Winter Hymnal”, “Your Protector” e “Quiet Houses”.

Contramão Gig volta hoje ao Bar da Avareza com shows de Gagged e Hammerhead Blues

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O Contramão Gig começa 2018 com tudo! Seguindo nossa missão de levar a música autoral de volta para o Baixo Augusta convidamos vocês a uma vez mais descobrir e redescobrir artistas da cena independente! Nesta edição teremos apresentações de duas bandas incríveis: Gagged e Hammerhead Blues!

Gagged
Banda hardcore/punk formada em 2004 na cidade de São Carlos/SP, conta com integrantes experientes no cenário independente brasileiro. No final do ano passado, além de abrir o aguardado show dos californianos do Strung Out, lançou o single “Cidade Sem Lugar” (https://youtu.be/WLFP9ZjrXYc) que dá uma prévia do álbum a ser lançado e do show que veremos no dia 17/01!
Escute: http://gaggedrock.bandcamp.com/

Hammerhead Blues
Fundado em 2014, o Hammerhead Blues é um power trio paulistano de hard rock psicodélico que traz influências do blues e do rock pesado dos anos setenta. Apresentando seu álbum recente ‘Caravan of Light’, o trabalho dos rapazes também pode ser conferido no excelente clipe da música “Rat” (https://youtu.be/F1MmCq5biOM).
Escute: https://open.spotify.com/album/5uDJ4nLcj3xQ7PTpjSmvMX

A discotecagem fica por conta do DJ convidado Aletrix e dos organizadores Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi), Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream) e Rafael López Chioccarello (Hits Perdidos) tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

Durante o evento também teremos flash tattoos com a Lina Zarin, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi), Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream) e Rafael López Chioccarello (Hits Perdidos)
Fotos: Elisa Oieno
Apoio: MutanteRadio

Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018
Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa, com camisetas de times ou calçando chinelos.

Construindo Pata: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Pata, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Lúcia Vulcano:

Soundgarden“Fell On Black Days”
Eu sou completamente apaixonada com Soundgarden (ou alucicrazy, se preferirem citar Nazaré Tedesco). Escolhi essa música porque tem tudo o que eu mais gosto deles em uma música. A criatividade em compor do Chris, os compassos inusitados (essa é em 6/4), a melodia, letra, tudo é lindo demais. Soundgarden é sempre a minha principal referência e minha banda favorita.

L7“Monster”
Bom, nós temos também uma música que se chama monster, apesar de ser uma abordagem diferente. Acho meio óbvio que L7 seja uma grande influência para a pata. Tanto musicalmente – os riffs, a voz, timbres – quanto todo o resto. Uma banda com quatro musicistas mulheres incríveis. INCRÍVEIS.

Janis Joplin“Me and Bobby McGee”
Meu pai me apresentou a Janis quando eu tinha uns 11 anos. Foi a primeira vez na minha vida que eu senti que, como mulher, poderia fazer algo dentro da música. Temos também um pezinho nesse folk (é só escutar “Adulthood”), apesar de não ser o ponto principal da Pata.

Hole  – “Plump”
Assim como L7, uma das mais óbvias influências para mim. Acho que seria impossível contar quantas vezes eu já escutei o “Live Through This” (porque sou velha e não tinha Spotify e Last.fm na minha juventude). A Courtney sempre foi uma ótima compositora e muitas vezes foi descreditada de suas habilidades musicais por conta de seus relacionamentos amorosos. Eu sempre achei que ela influenciou muito mais o Kurt musicalmente do que ele influenciou ela.

Black Sabbath “The Wizard”
Riff maldoso, batera comendo solta, gaitinha loka, trevas & demônio, Geezer Butler em chamas. Melhor música. Bebemos demais nessa fonte e é sempre uma grande inspiração.

Alanis Morissette“All I Really Want”
O jeito que a Alanis tem de compor suas músicas, sempre com ótimas melodias e letras viscerais, é uma enorme influência para mim. Essa música tem tudo o que eu procuro na hora de compor. Uma artista completa com um legado muito forte. Tenho músicas escolhidas da Alanis para cada momento da minha vida.

Alice In Chains“Rain When I Die”
Olha, cês me desculpem, mas eu sou um clichê ambulante dos anos 90. Tá chovendo muito hoje e eu também espero que chova quando eu morrer.

Nirvana“You Know You’re Right”
Quando eu descobri o Nirvana, o Kurt já estava morto há um tempo. Essa foi a primeira novidade do Nirvana que eu peguei lançando. Para mim, o lançamento dessa música foi sensacional, pois eu já havia gastado todos os meus CDs deles de tanto escutar. Acho que é um ótimo ponto de contato entre o Nevermind e o In Utero: tem barulho, tem um refrão de fácil assimilação, riff de baixo super marcante, a dinâmica da música é certeira…

Hino do Clube Atlético Mineiro
Umas das primeiras músicas que eu aprendi a cantar na minha vida e uma das que mais me emociona. SEM CLUBISMO, uma das melodias mais bonitas já composta pela humanidade. Talvez o Galo seja a experiência mais próxima desse mito de deus que eu terei em vida e essa música tem esse peso para mim.

Bulimia“Nosso Corpo Não Nos Pertence”
Bulimia formou meu caráter e creio que de várias mulheres também. Ver mulheres fazendo um som desses, com essas letras de protesto contra o patriarcado, foi “O” empurrão para eu começar minha vida musical em bandas.

7 Year Bitch“Dead Man Don’t Rape”
Um hino riot grrrl dos anos 90.

Neil Young“The Needle and the Damage Done”
Como compositor e artista, uma grande inspiração. Por também seu ativismo e posicionamentos políticos, Neil estará eternamente em meu coração.

Radiohead“Paranoid Android”
A primeira vez que eu escutei essa música eu fiquei de queixo caído. Eu gosto de pensar que é uma “Bohemian Rhapsody” moderna. A textura, os movimentos da música, aquela paradinha com o coral. É uma música que mudou minha percepção de composição.

Chris Cornell“Through the Window”
Uma música do último disco solo dele. O Chris é o músico que mais me influenciou na minha vida. Quando saiu, eu escutei essa música umas 20 vezes no repeat… Era um jeito de tratar a canção que eu sempre esperei que ele fizesse, apesar de gostar muito dos trabalhos solo anteriores dele.

Sepultura“Inner Self”
Apesar de, esteticamente, estar bem longe da proposta da Pata, a essência do Sepultura de Max é muito presente na minha vida musical. Eu gosto de composições criativas, que tenha algo idiossincrático na música. “Inner Self” é genial, um ótimo hino ao ódio da existência.

Luís Friche (Lulu)

Titãs “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas”
Escuto Titãs por influência dos meus pais desde que estava ainda na barriga da minha mãe, passei minha infância inteira ouvindo sem parar e sou fã incondicional de discos como “Cabeça Dinossauro”, “Õ Blesq Blom” e outros. Essa música me chamava muito a atenção quando eu era criança pela letra, que só tem uma frase que se repete do começo ao fim da música.

King Crimson“The Great Deceiver”
É difícil juntar experimentalismo vanguardista com um som tão pesado.

Frank Zappa“Montana”
Já passei um período de mais de um ano em que eu precisava ouvir essa música no mínimo uma vez por dia senão ia à loucura. O arranjo, os solos, as quebras de compasso, o coro maluco, o humor non-sense… tudo me deixa meio hipnotizado.

Itamar Assumpção“Dor Elegante”
Uma música maravilhosa, com arranjo maravilhoso, sobre um poema maravilhoso do Leminski. Itamar é um dos compositores mais criativos que já conheci até hoje.

Maria McKee“If Love is a Red Dress”
É difícil conseguir imaginar uma música tão simples, só com voz e uma guitarrinha meios desafinada tocando acordes do livrinho de cifras, ficar tão bonita assim. Fico arrepiado sempre que ouço esses belos gritos.

Gwyn Ashton faz blues de raiz e deixa sua paixão pela guitarra ser a guia em seus diversos projetos

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O guitarrista e compositor galês Gwyn Ashton foi para Adelaide, Austrália do Sul, na década de 1960, e logo começou sua jornada musical. Passou por diversas bandas, gravou muitos discos solo e dividiu o palco com gente como Mick Fleetwood, Hubert Sumlin, Marc Ford e Canned Heat e abriu para Rory Gallagher, Ray Charles, Robin Trower, Vanilla Fudge, Wishbone Ash, Van Morrison, Jeff Healey, Tony Joe White, Johnny Winter Mick Taylor, Peter Green, John Hammond e Pat Travers.

Este ano, Gwyn lançou “Solo Elektro”, seu primeiro disco como one man band, além de já estar trabalhando em muitos outros projetos, indo da psicodelia ao blues de raiz, passando pelo garage rock e muitos outros estilos. Conversei com ele sobre sua carreira, a paixão pelo blues e como ele vê a música nos dias de hoje:

 

– Como começou sua carreira?
Eu tinha cerca de 16 anos e entrei na minha primeira banda em Adelaide, Austrália do Sul. Não gostava de escola e tudo o que queria era tocar violão. Eu respondi um anúncio para um guitarrista no jornal local e conheci essas pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu. Comecei a escrever músicas e eventualmente me mudei para Sydney, onde entrei em outra banda. Depois de alguns anos tocando com várias bandas, acabei mudando-me para Melbourne e gravando meus dois primeiros álbuns. Sou obcecado com música e a guitarra e isso é tudo o que sempre quis fazer. Eu não queria estar em uma banda cover, o que às vezes significa que sua área local nem sempre é o melhor lugar para trabalhar, então você precisa estar preparado para se mudar um pouco. Foi o que eu fiz e ainda faço.

– Você toca blues e rock old school. Como você se sente sobre o futuro desses gêneros?
Eu tento não apenas ser só um artista retro, é importante manter-se fresco e desenvolver novas idéias. Não é tão saudável como já foi, tantos locais estão fechando em todo o mundo. A internet paralisou muitas coisas, incluindo o valor das pessoas na música. Todo mundo quer isso de graça, então precisamos criar maneiras de ganhar dinheiro com isso. É um negócio difícil de entrar. Eu tento escrever e tocar música que é relevante para os dias de hoje e ainda há pessoas que querem boa música honesta. Você normalmente precisa viajar e levar a música para eles.

– Quais as suas principais influências musicais?
Basicamente todo mundo que toca ou tocou guitarra e gravou discos. Gosto de Son House, Lightnin’ Hopkins, Muddy Waters, Hank Marvin, mas também dos Beatles e muita coisa das bandas de pop e rock dos anos 60. Hendrix, Gallagher, Marriott – Gosto de músicas com melodia e poder. Gosto de compositores como Tom Petty, Steve Earle, Lennon/McCartney. Também gosto de Kenny Burrell, Miles Davis, Buddy Guy e Bob Dylan. É tudo música para mim.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até hoje.
Sempre fiz rock com forte influência de blues, embora eu também tenha gravado dois álbuns acústicos, meio “raízes”. Meus dois primeiros álbuns foram feitos com músicos australianos locais, mas aí me mudei para a Inglaterra e me juntei a um grupo de instrumentistas que estiveram em alguns dos meus discos favoritos e já tocaram em meus álbuns. Eu sou extremamente sortudo por ter gravado com músicos das bandas de Rory Gallagher e Robert Plant e junto com caras do The Fabulous Thunderbirds, Deep Purple, Whitesnake e Rainbow.

– Está trabalhando em novas músicas?
Estou sempre escrevendo e gravando e muito preocupado em manter minha música atual. Meu último projeto é meu álbum de one man band ‘Solo Elektro’ e eu estou tocando esse projeto na Europa e Austrália por cerca de cinco anos. Eu toco violão e canto enquanto toco as linhas de baixo com o meu polegar e piso em um kick drum. Eu desenvolvi um show em torno das limitações de ser solo, mas acho mais gratificante e satisfatório fazer isso do que ter uma banda. Eu posso ser mais experimental e porque escutei muita música diferente, posso misturar elementos de muitos estilos e lugares, incluindo dança e música psicodélica com blues e criar algo mais contemporâneo do que se eu ficasse mais em um ambiente de banda tradicional. Estou vendo muito mais jovens indo aos meus shows e isso é bom.

– Como é seu processo criativo?
Varia. Normalmente eu tenho um riff de guitarra e começo a escrever a partir daí. As letras são importantes. Eu tento não ser muito previsível, mas ainda mantê-las simples o suficiente para as pessoas se relacionarem, especialmente porque muito da minha audiência não fala inglês ou é uma segunda ou terceira língua para eles. Eu tenho um parceiro de composição (Garry Allen) em Melbourne e jogamos muitas idéias no mesmo quarto quando estou na Austrália ou pela internet.

– O que você acha da cena musical independente hoje em dia?
Há música excelente por aí, e na superfície parece saudável, mas muitas bandas jovens são forçadas a fazer muitos shows de graça ou “pagar para tocar”, então a realidade é que eles estão sendo roubados. Isso também não ajuda todos nós que estamos na estrada tentando sobreviver, quando o lugar sabe que eles podem conseguir uma banda de graça. Por sorte, eu tenho um bom público em muitos países, que eu tenho desenvolvido lentamente por muitos anos, mas não ajuda as jovens bandas que querem ganhar a vida com a música deles. Existem mais estações de rádio comunitárias que tocam músicas não convencionais e acho que mais pessoas estão dispostas a aceitar diferentes estilos de música do que no passado. Eu acho que as pessoas estão se tornando mais abertas à música e à arte.

– O que você acha da explosão do streaming no mundo da música?
É um mal necessário. Se você não estiver nos servidores de streaming ninguém vai descobrir você, mas eles não pagam bem. Os principais selos controlam o que todos escutam de qualquer maneira, então as chances de se tornar viral são pequenas se você não estiver sendo promovido por um selo.

– Conta pra gente como é o seu show.
O mais importante é ter uma boa música que as pessoas vão embora cantando em suas cabeças. Eu também sou influenciado por tantas músicas baseadas em guitarra e gosto de pensar que isso está nas minhas músicas, seja um som de slide no estilo delta blues ou um  rock and roll mais pesado. O tom de guitarra e os efeitos sonoros também são importantes para mim. Eu gosto de mexer em alguns sons para se encaixar no material, então meu pedalboard tem uma montagem bastante divertida. As raízes do meu show são blues, mas eu passo através de música elétrica psicodélica com um segmento acústico. Eu uso um monte de guitarras no palco em diferentes afinações. Eu tenho guitarras elétricas, algumas slide, acústicas, 12 cordas, lap slide Weissenborn e instrumentos de ressonância. Eu quero manter as raízes intactas e expandi-las, conhecendo as regras antes de quebrá-las. Eu tento manter as coisas interessantes, seja pensando em Son House, Ry Cooder ou em Black Sabbath no momento.

– Quais os seus próximos passos?
Meu foco principal agora é no meu álbum “Solo Elektro”. Estou trabalhando em alguns projetos, incluindo um álbum novo deste projeto. Eu também tenho um álbum acústico como compositor na minha cabeça agora. Garry e eu temos tantas músicas, estamos apenas ensaiando para ver qual formato elas soam melhor – solo ou como banda. Estou prestes a lançar um álbum acústico de world music que gravei com alguns amigos na Austrália, além de ter um álbum de blues e garage bem bacana pronto pra sair, com Garry Allen nos vocais e o baterista que tocou com o Bon Scott em 1970, John Freeman. Não há escassez de música aqui.

 – Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Eu não vou atrás de ouvir muitos artistas modernos hoje em dia, já que minhas influências são realmente das décadas de 30 a 60, então me vejo mais ouvindo músicas antigas para evitar copiar mais escritores e artistas contemporâneos. Eu tenho que roubar da fonte! Para blues puro, há vários artistas ótimos por aí. Na Califórnia, eu realmente gosto dos The 44s, Kid Ramos, Junior Watson, Chris Cain. Ledfoot (Tim Scott McConnell) é um artista poderoso, meu amigo e ocasional parceiro de jams, e Marc Ford é um monstro. Há tantos grandes compositores e guitarristas em toda a América do Norte, tocando em bares e clubes que ninguém provavelmente nunca ouvirá, o que é um crime. Na Austrália, temos muitos grandes artistas – Chris Finnen, Jeff Lang, Kevin Borich, Ian Moss, Shannon Bourne, Dusty Lee Stephenson, Stefan Hauk podem escrever uma ótima música e tocar para caramba.

Gal Costa e o poder da sua voz no show “Espelho d’Água”

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A cantora Gal Costa realizou no último final de semana mais uma temporada de shows no teatro do SESC Vila Mariana. Dessa vez o espaço abrigou o show intitulado “Espelho d’Água”, onde a cantora é acompanhada somente por Guilherme Monteiro no violão/guitarra.

Sempre muito sorridente, a cantora esbanjou simpatia ao interagir com o público contando um pouco sobre como foi seu encontro com o músico e a ideia de concepção desse show. Guilherme substituiu o guitarrista Pedro Baby em uma apresentação da cantora, que naquela ocasião divulgava a turnê “Recanto”. Gal disse que o primeiro contato deles foi direto na passagem de som, e quando Guilherme começou a tocar e criou aquela “cama harmônica” ela deitou, gozou e pensou “quero fazer algo com esse cara”.

Desde então a dupla percorre o país com o “Espelho D’Água”, cujo repertório emblemático foi concebido em parceria com o diretor musical Marcus Preto. No repertório não faltaram canções fundamentais na carreira de Gal, com destaque para “Baby”, “Vaca Profana”, “Tigresa” e “Você não entende nada”.

Gal apresentou sua excelente versão para “It’s All Over Now, Baby Blue”, canção de Bob Dylan cujos versos em português foram escritos por Caetano Veloso em parceria com Péricles Cavalcanti e foi lançada em 1977 no disco “Caras e Bocas”. Uma ausência sentida foi da canção “Espelho d’Água”, que dá nome ao show e foi composta especialmente para Gal Costa por Marcelo Camelo em parceria com seu irmão Thiago Camelo.

“Sua Estupidez”, canção da dupla Roberto Carlos & Erasmo Carlos, emocionou a plateia presente. É impressionante ver a forma como Gal se relaciona com o público. Devemos ser gratos pelo privilégio de assistir uma cantora tão segura, com mais de 50 anos de carreira, e que continua renovando seu público, atraindo jovens para seus shows e esgotando ingressos por onde passa.
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Fotos: Riziane Otoni 

“Houve Uma Vez Dois Verões” (2002): Jorge Furtado e o rock gaúcho

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Houve Uma Vez Dois Verões
Lançamento: 2002
Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Elenco Principal: André Arteche, Ana Maria Maineri e Pedro Furtado

 

Essencialmente, uma comédia com baladas românticas e um personagem adolescente idiota, impulsivo, descobrindo umas coisas da vida… A história é sobre um moleque (Chico, vivido por André Arteche) que se apaixona por uma mina (Ana Maria Maineri) que conhece numa praia. Ela passa a perna nele, ele fica puto, aí ele fica apaixonado de novo, depois puto, depois apaixonado e por aí vai.

Olha a cara de idiota do moleque… 

Meio que seguindo uma lógica bem parecida com a de outros filmes brasileiros com o mesmo tema, o primeiro longa do gaúcho Jorge Furtado é bem tosco, bem fofo e bem real: cheio de piadas e dum humor absurdamente descontraído de dois moleques que ficam rindo dos velhos tropeçando na praia, e de diálogos do tipo que o Chico trava com o amigo contando emocionado como perdera a virgindade na noite anterior. Ainda como a cereja do bolo (ou talvez o filme é que seja a cereja e isso é que seja o bolo…), o rock gaúcho ganhou um ótimo destaque na trilha que contém essencialmente, músicas compostas para o longa.

Com artistas/bandas como Wander Wildner, Frank Jorge, Ultramen e Tequila Baby, o diretor de “Houve Uma Vez Dois Verões” dá uma baita valorizada pros seus conterrâneos e intensifica o gosto bobo de rock idiota apaixonado que o filme já tem. Seguindo um pouco no mesmo estilo, ainda tem a carioca Cássia Eller e os mineiros do Pato Fu (esses com uma versão da música “Coração Tranquilo” do Walter Franco que é de arrebentar).

Vale também uma atenção especial pros sons fora da língua lusitana. Nei Lisboa (colega do Júpiter Maçã, tocava guitarra na TNT e nos Cascavelletes), aparece com uma interpretação muito massa da balada “Tell It Like It Is”, composta pelo Aaron Neville; a Cássia Eller canta a lindíssima “Born To Cry” do Dion, na versão aportuguesada pelo Roberto Carlos; a banda Ultramen ataca com uma versão reggaezada eletrônica de “My Pledge of Love” do Joe Jeffrey; “Without You“, do próprio Wander Wildner, segue o mesmo estilo romântico chorão dos outros sons do cara; por fim, a Sombrero Luminoso é uma banda gaúcha, mas que como talvez o nome já indica, canta em espanhol e no filme toca a “Porque Te Vas”, mais uma no estilo romântico chorão (caliente!…).

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Aramà

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Giulia Aramà
foto por Maurizio Fantini

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a cantora Aramà, que acaba de lançar seu mais novo single, “Maracujá”.

Jamie Woon – “Night Air”
Essa música do artista Jamie Woon, britânico de extremo talento, foi uma das pérolas na minha playlist do 2010.
A musica é magnética . Um som fino, de grande sofisticação. A voz do Jamie é intensa, te leva numa viajem sensorial profunda com o sujeito da música, que é a noite. O baixo e os coros harmoniosos contribuem para criar uma faixa de extrema sensualidade, quase feminina.

Dona Onete – “Banzeiro”
Esta música é totalmente “Carnival Vibes”: uma mulher de quase oitenta anos com uma energia e talento insuperáveis.​ Para quem não sabe, o banzeiro é a onda que os barcos provocam e como uma onda, a música traz todo o sabor da Amazônia e do Pará. Dona Onete é umas das artistas que o Brasil precisa valorizar muito. Vale à pena ouvir o disco todo. É realmente incrível. ​Bora todo mundo se jogar no banzeiro? ​

Rincon Sapiência – “Meu Bloco”
Faz parte do lindo trabalho Galanga Livre, do rapper Rincon Sapiência. Amo essa música . É uma mistura de rap, trap e samba, gravado no barracão da escola de samba Pérola Negra. Essa música representa a luta deste amigo e artista que admiro muito. “Meu Bloco” mostra o poder do samba, seu ritmo e atitude, trazendo a música como uma forma de lutar contra a repressão: “Nossa palavra é munição, nossa voz fuzis / Sem moderação, jão, informação use / Sirenes e giroflex, na cara preta luzes / Sugiro, cuidado com os vampiros, cruzes!”.

Nneka – “Do You Love Me Now?”
Essa música saiu em 2012 no álbum da artista Nneka, alemã de origem nigeriana. Essa artista foi comparada à Erikah Badu e Lauryn Hill. O trabalho dela é uma mistura de hip hop, referências soul e ritmos africanos sem que se confunda com a world music. Essa faixa é a mais pop do disco e tem uma grande lição: na solidão estamos perto do Senhor, publicamente não. A ideia da artista é que estas canções cheguem ao poder politico e que eles as escutem.
“In solitude we know God / In public we do not act God / Is it destiny, is it mean to be?”

SBTKRT – “Wildfire”
Nome artístico do produtor britânico Aaron Jerome. Essa musica saiu em 2011 com a participação da artista Yuukini Yagano (Little Dragon ). É um mix de funk e dubstep bem minimal, tipicamente londrino. A música fala de um amor insano. Um amor que é comparado a um incêndio. Adoro o beat. Acho uma pérola mesmo, uma das melhores músicas britânicas até agora.

Existia alguma treta entre Frank Zappa e The Beatles?

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Se você começar superficialmente analisando, a capa de We’re Only In It For The Money” (1968), terceiro álbum do The Mothers of Invention e uma paródia do vinil do The Beatles, o famoso Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), nasce uma dúvida. Era apenas ironia ou uma crítica política?

Mas mergulhando um pouco mais e entendendo melhor a coexistência destes IMENSOS nomes, podemos encontrar declarações que mostram uma admiração mútua com pitadas de discordância política. No próprio lançamento do Sgt., Paul McCartney afirmou que o álbum era o “Freak Out”, álbum de 1966 do The Mothers of Invention, dos garotos de Liverpool.

A paródia da capa foi consensual, Paul autorizou mesmo com ressalvas sobre a gravadora e afins. Obviamente, isso aconteceu, e as primeiras edições foram censuradas, publicadas apenas no interior do álbum, até Frank Zappa criar sua própria gravadora e criar o formato independente. Mas isso não impede de acharmos que sim, o título critica a forma como a música estava sendo produzida na época, e de como Zappa queria talvez deixar claro que ele fazia o que queria como queria porque ele gostava, mas isso não anula seu interesse por capital. “As pessoas achavam que os Beatles eram deus! Isso não é correto” é uma das frases dele que mais vi sendo reproduzidas.

A imagem é de autoria de um parceiro de outras diversas capas que envolvem Zappa: Carl Schenkel. Este que era não só fotógrafo, como ilustrador, animador, designer e finalmente: especializado em capas de álbuns. Ele e Zappa eram muito parceiros, e outros diversos álbuns como Lumpy Gravy”, “Cruising with Ruben & the Jets”, “Hot Rats”, “Cheap Thrills” e “Mystery Disc” também são dele.

A capa não era uma provocação, mas se você escutar “Oh No” logo depois de ouvir “All You Need Is Love”, bem, a sua dúvida tende a retornar:

E a versão do The Mothers Of Invention:

A canção “Oh No”, que critica de maneira satírica “All You Need Is Love”, não é deste álbum. Ela foi escrita em 1967, mesmo ano que a “original”, mas lançada apenas em 1970, quando Weasels Ripped My Flesh” saiu nas lojas.

“Oh no
I don’t believe it
You say that you think you know
The meaning of love
You say love is all we need
You say
With your love you can change
All of the fools
All of the hate
I think you’re probably
Out to lunch”

Existem comentários de que em 1988 em shows, Zappa tenha feito misturas de “Norwegian Wood” / “Lucy In the Sky With Diamonds” / “Strawberry Fields”, e algumas gravações no Youtube que comprovam superficialmente:

Há registros também de que John e Yoko tenham participado de um dos shows do novo Mother em 1971 e depois usaram a performance como material para o disco deles em 72, de nome Some Time In New York City”, que foram deixadas de lado na reedição do álbum.

Bem, depois de tudo isso, muitas leituras do Reddit e Zappa Wiki Jawaka, não existia treta até segunda prova, apenas uma coexistência em uma época onde a efervescência cultural era gigantesca, amém.