A raiz da questão: Buddy Holly & The Crickets – The “Chirping” Crickets (1957)

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Ele está impregnado em nossas vidas desde que apareceu. A gente pode nem sempre notar sua presença, mas quando escutamos maneirismos no vocal de algum cantor ou cantora ocidental lá está Buddy Holly, fazendo escola com seu modo soluçado de apimentar e uma canção. Quando alguém empenha a função de frontman e guitarrista, lá está ele também, indiretamente evocado. Quando você observa as vitrines das lojas de instrumentos musicais e se depara quase que fatalmente com uma guitarra Stratocaster, lá está ele também, homenageado de modo subliminar. Ou então se você tem esse visual meio desajustado e nerd e acha que tem algo a dizer por meio das suas canções, é muito provável que seu cérebro esbarrou em algum momento nesse sujeito.

Bastou um ano e meio para que o texano Buddy Holly se tornasse um dos maiores compositores da história da música do século XX. Tratando-se de rock, talvez tal feito tenha se repetido apenas uma vez, com o surgimento dos Sex Pistols duas décadas depois.

Buddy Holly também foi um dos pioneiros no uso de técnicas de gravação alternativas, como a dobra de vocal, palhetadas em primeiro plano e uso controlado de reverb (vide como o efeito entra e sai da bateria em “Peggy Sue”). Outra coisa bastante notável é que ele ia um pouco além da fórmula do blues, ou seja, às vezes inseria um acorde inusitado na música que acabava fazendo toda diferença.

Enfim, pensando nisso vamos falar do único e sensacional álbum de Buddy Holly & The Crickets: “The “Chirping” Crickets”. Lançado em novembro de 1957, esse monumento do rock é uma espécie de síntese do que esse gênero significa. “The “Chirping” Crickets” está para a música pop como A Primeira Noite de Um Homem” (1967) está para a Nova Hollywood. Assim como o filme, tudo o que você precisa saber para entender o contexto está lá muito bem inserido. Alguém pode argumentar dizendo que o rock mudou muito, a ponto de bandas muitas vezes não terem nenhum traço dos pioneiros… Olha, sem caras como Holly, Sigur Rós não existiria nem em pensamento, pois não teria My Bloody Valentine, que por sua vez não teria assimilado Brian Eno, que por sua vez não passaria por Velvet Underground, tampouco por Bob Dylan, que por sua vez não seria quem foi sem Buddy Holly.

Algo como “Oh Boy!” vai muito além do simples sentimento de juventude. Isso é uma afirmação artística até então quase inédita, de modo que chega a soar surpreendentemente estarrecedor, se levarmos em consideração o contexto da época. Aí temos um jovem falando de algo do seu convívio para uma infinidade de jovens. Lembrem-se: antes do rock, ser menor de idade era o mesmo que não ter voz. Quanto a música pode estar atrelada a essa conquista?

Considerando a sonoridade apenas, o álbum é um trabalho incrível de ponta a ponta. “That’Il Be The Day” é um verdadeiro standard do século XX. A guitarra magra de Buddy Holly, combinada com seus vocais expressivos dão um ar cool um pouco diferente de Chuck Berry, por exemplo. Enquanto Berry investia numa sonoridade mais erótica e selvagem, Holly tinha mostrava o rock ‘n’ roll básico com uma sofisticação irresistível.

As baladas também ganham lugar de destaque, como é o caso de “An Empty Cup”, que além de mostrar o cativante feeling vocal de Holly, também indica o bom guitarrista imortalizado como o primeiro herói munido de uma Fender Stratocaster.

Todos sabem que ele foi uma das principais influências dos Beatles, e ouvindo “Maybe Baby” é fácil saber o motivo. A faixa poderia estar em qualquer disco da fase engravatada do quarteto de Liverpool. Os Stones também beberam muito dessa fonte, tanto que “Not Fade Away” foi escolhida para ser um dos primeiros singles do grupo, sendo executada ao vivo até hoje. E aqui no álbum dos Crickets a canção não tem a mesma malícia dos ingleses, mas brilha com o vocal soluçado e o clima despretensioso.

O curioso em Buddy Holly é que seu som não é tão vibrante como Little Richard, por exemplo, mas em “Rock Me My Baby” tem muito do espírito daquelas festas de salão dos anos 1950. Aliás, é uma faixa meio Elvis Presley.

“The “Chirping” Crickets” é de certa forma bastante diversificado. Seu resultado é uma salada de country com r&b e blues muito bem estruturada. Se você curte sons antigos é quase certo que vai querer repetir tudo de novo e de novo e de novo… Esse cara tem carisma! Queria voltar no tempo e escutar tudo isso pela primeira vez. Imagina?

Após sua saída dos Crickets, Buddy ainda faria mais um disco solo, igualmente excelente e ainda mais sofisticado e pop, porém um acidente de avião tiraria sua vida aos 22 anos. Mas o “estrago” já estava feito: a música jamais seria a mesma.

[Exclusivo] Dead Parrot absorve novas influências e voa mais alto em seu segundo EP, “Inner Battles”

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foto: Gustavo Cangani

Formada por Mariana Ceriani (vocal), Victor Vianna (guitarra), Matheus Stoshy (baixo e vocal) e Bruno Bronzatti (bateria), a banda de Campinas Dead Parrot lança hoje seu segundo EP, “Inner Battles”, gravado no Estúdio Dalla Sound. O novo trabalho conta com quatro faixas e mostra um som mais amplo que a estreia em “Dead Parrot”, inserindo novas influências e sonoridades no classic rock com pitadas de blues do quarteto.

“Nesse EP, cada um compôs a letra de uma música, o que é bem bacana”, conta a vocalista. “A ‘Buckley List’ é de minha autoria, “Headstrong Rebel” do Bill, “Mindless” é do Victor e a “Presence” do Stoshy. O título “Inner Battles” tem a ver com essas quatro músicas, pois todas elas falam de certa maneira de batalhas pessoais, e como elas se conectam com o mundo atual também”.

Conversei com a banda sobre o novo EP, que você pode ouvir no final da matéria e já está disponível nas maiores plataformas de streaming e no Youtube.

– Me contem mais sobre o novo EP que vocês estão lançando!

Bruno: Então, esse é o nosso segundo EP, e acho que posso dizer por todos os integrantes da banda que este lançamento é nossa maior realização musical até agora. Estamos focados nesta empreitada desde o começo do ano, decidindo como poderíamos fazer para tirar o máximo proveito desta experiência, e estamos de fato muito orgulhosos do resultado. Estamos ansiosos pra mostrar finalmente os frutos de nosso esforço durante este ano.

– Como foram as gravações do EP?

Victor: Foram bem tranquilas e rápidas, as 4 músicas já estavam bem sedimentadas na cabeça de todo mundo, cada um sabia bem sua parte, e o Cauê Pitorri do Estúdio Dalla Sound nos ajudou bastante também com dicas e alguns toques pra ficar o mais profissional possível. A guitarra e o baixo fizemos as linhas em casa mesmo e levamos as faixas prontas para re-amplificar no estúdio. A bateria e a voz foram captadas pelo Cauê direto no estúdio, e ele ficou responsável pela mix e master do trabalho inteiro também, sempre dando bastante espaço para o que nós queríamos pro nosso EP.

– Como foi a composição das novas músicas?

Mariana: Geralmente nosso processo de composição ocorre em um primeiro momento individual, e depois acertamos as linhas quando nos reunimos. Nesse EP, cada um compôs a letra de uma música, o que é bem bacana. A “Buckley List” é de minha autoria, “Headstrong Rebel” do Bill (baterista), “Mindless” é do Victor (guitarra) e a “Presence” do Stoshy (baixo). O título do album “Inner Battles” tem a ver com essas quatro músicas pois todas elas falam de certa maneira de batalhas pessoais, e como elas se conectam com o mundo atual também. Apesar de serem escritas individualmente, nos conectamos por esse tema em comum, e na verdade isso foi inconsciente, quando nos reunimos para discutir o nome do album vimos que todas as letras tinham essas características.

foto: Gustavo Cangani

– Como esse EP difere do trabalho anterior da Dead Parrot?

Mariana: Eu destacaria que estamos mais entrosados e alinhados como banda, o que permitiu que trabalhássemos com mais calma nas músicas, já que o processo durou um ano inteiro. Nos reunimos diversas vezes para alinhar o som antes de entrar em estúdio. Também investimos mais no produto final, já que tivemos o apoio do pessoal do Dalla Sound Studio, de Campinas, pra nos auxiliar em todo processo de gravação, mix e master.

– Ouvi o EP e acredito que vocês tenham se destacado um pouco do classic rock do primeiro, incluindo novas influências. É isso mesmo?

Matheus: Isso aconteceu mesmo, Difícil rastrear, o porquê, mas o fato de cada música ter um compositor diferente da banda pode ser um motivo. Também rola o fato de ter uma vontade geral de colocar novos elementos, adicionar características do progressivo moderno tem sido comum nos nossos sons.

– Quais novas influências vocês citariam?

Victor: Pra esse EP acho que é mais difícil dizer, pq as músicas ja estão prontas faz quase um ano, e nesse tempo as coisas mudam bastante, principalmente o que temos ouvido ultimamente, pra vc ter ideia, além das 4 do primeiro EP e dessas 4 do novo, temos mais 11 músicas praticamente terminadas, então as influências não são constantes, estão sempre mudando. Acho que ultimamente o que tem tido mais influência nas nossas criações são bandas como Tool, Them Crooked Vultures, Mars Volta, Jeff Buckley, Soundgarden e Queens of the Stone Age para citar algumas.

– E quando começam os shows desse novo EP? O que podemos esperar? 🙂

Victor: Estamos montando nossa agenda de lançamento do EP, já já vamos anunciar alguns shows para apresentar o novo EP e também experimentar com algumas das novas músicas que estamos compondo ultimamente. Vontade da banda de tocar não falta, esperamos poder tocar bastante para divulgar bem nosso trabalho e dar continuidade no ano que vem com novas composições.

Ouça “Inner Battles”:

Tamanho não é documento: cantarolando 10 músicas curtinhas

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Esta semana estava relembrando esse disco que já dá para ser considerado um clássico independente brasileiro, o “Noisecoregroovecocoinvenenado(2006) da banda paraibana Zefirina Bomba, e reparei que a maioria das músicas têm menos de 2 minutos. Aliás, boa parte delas nem chega a 1 minuto. Pauleiras na medida certa, direto ao ponto e que deixam um aftertaste de satisfação. Tipo um bocado caprichado ou um Yakult.

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Algumas músicas curtas, apesar de deixarem aquele gostinho de quero-mais, são tão redondinhas que nos dão a sensação de que se fossem maiores, estragaria. É sobre este sentimento que trata a coluna de hoje, que, em vez de gastar as tintas com uma canção só, vai homenagear 10 faixas curtíssimas para cantarolar o dia inteiro sem enjoar.

A primeira delas é a hipnótica “O Que é que tem pra tu ver na TV”, do Zefirina Bomba. No mundo do hardcore, não é incomum as canções serem curtas, diretas intensas e imediatas. Essa do Zefirina se destaca porque passa uma ideia tão simples quanto sincera, a letra é “O que é que tem pra tu ver na TV? Comercial.” – não precisa dizer mais nada. Mas principalmente, a bateria foge daquela batida reta típica de HC para dar um peso estilo Dave Grohl arretado – alias, Guga é um dos melhores bateristas que já vi ao vivo. O resultado, depois que a música termina é um grande “minha nossa”.

Ainda no mundo do punk/hardcore, a canção “Wasted”, do Black Flag é uma expressiva e suficiente canção de 51 segundos sobre um cara que fez muitas merdas enquanto estava bêbado. Considerando outras canções do BF, como a “Drinking and Driving”, talvez a letra na verdade esteja zombando desse moleque que faz um monte de merda para parecer “cool”, em vez de estar enaltecendo suas realizações. Mas também pode ser uma letra absolutamente literal, o que não a deixa menos interessante e franca. Aliás, o EP de estréia do Black Flag, Nervous Breakdown (1979) em que está a Wasted, é um ótimo exemplo de concisão e suficiência, já que só tem 5 minutos de duração.

Na lista também tem Beatles, com a singela hidden track de 23 segundos no disco Abbey Road” (1969), intitulada “Her Majesty”. É uma mini-canção satírica sobre a rainha Elizabeth II escrita pelo Paul McCartney. Essa faixa era para ficar entre a “Mean Mr. Mustard” e a Polythene Pam” – aliás, duas canções curtinhas de pouco mais de 1 minuto, que muito bem poderiam fazer parte desta lista também. Mas o Sir Paul não achou que combinou, e pediu que a cançãozinha fosse destruída. Porém, a gravadora EMI tinha uma política de não destruir nada que fosse gravado pelos Beatles, então a pequena “Her Majesty” foi inserida no disco após um trecho de silêncio depois da última faixa, sem ser listada na tracklist, tornando-se a primeira hidden track da história. Os Beatles inventando moda (meio sem querer), pra variar.

A próxima faixa é uma verdadeira obra-prima de 1:55 minutos. “Renaissance Fair” (1967), do Byrds. Essa canção é aparentemente simples, mas na verdade é cheia de detalhes nos lugares certos. Ela fala de uma feira renascentista – provavelmente em um sonho – com várias cores, música, aromas de especiarias e pessoas com flores no cabelo. Esse cenário descrito na canção é embalado pelas impecáveis harmonias vocais, e um mix de guitarras com um saxophone, que dão um climão e te levam pro sonho junto com eles. Essa dá pra ouvir em loop.

Mantendo o clima ‘renascentista’ da lista, outra pérola de 1:23 minutos é a “Cheap Day Return” do Jethro Tull. A canção acústica, assim como várias do “Aqualung” (1970), tem uma influência forte dos violões do Bert Jansch e Roy Harper, ou seja, folkão britânico de primeira, trazendo essa vibe medieval perfeito para as flautas do Ian Anderson e seu vocal com muita expressão.

Ainda nos folkões britânicos, não poderia faltar uma do Incredible String Band, a “Son of Noah’s Brother” (1968). Possivelmente uma referência bíblica, a letra da canção mais curta desta lista é a frase “Many were the lifetimes of the Son of Noah’s brother/
See his coat the ragged riches of the soul [muitas foram as vidas do filho do irmão de Noé/ veja seu casaco, as riquezas esfarrapadas da alma]”. A linguagem solene contrasta com a simplicidade da canção, mas a letra é uma frase tão completa que já se faz suficiente pra sustentar e dar força para a faixa, tanto que é uma cançãozinha muito querida do disco “Wee Tam and The Big Huge”.

Em uma vibe parecida está a “El Rey” (1973), do Secos e Molhados. É outro caso, assim como a do Incredible String Band, em que a concisão da música faz você pensar mais ainda no que ela significa. Nessa dos Secos e Molhados, é pintada uma cena de um rei, ou alguém com muito poder, passando diante do observador. A letra é repleta de símbolos e imagens concretas, como uma poesia barroca dessacralizada, como os modernistas faziam. Logo de cara, ele joga a decadência do poder para nós com a imagem do “rei andar de quatro”, causando um choque inicial que em seguida é quebrada com o “quatro caras diferentes”, que pode significar algo como as máscaras do poder. Sem contar nas imagens das celas cheias de gente, e das velas, representando as mortes causadas pelo monarca. Isso ainda num contexto da ditadura militar… Essa música dá para viajar muito, merece um post só pra ela. Brilhante.

A próxima música é do meu maldito favorito, Walter Franco. A faixa “Água e Sal” está no disco “Ou Não” (1973). Eu sempre involuntariamente cantarolo esta música enquanto tomo bando de sal para neutralizer as energias – às vezes precisa, recomendo muito. Mesmo sem querer, muitas músicas do Walter Franco têm meio que uma função de mantra, e essa é uma delas.

Eu já fiz um post aqui nesta coluna sobre a representante Britpop dessa lista [veja aqui], a “Far Out” do Blur. Ela tem a versão extendida, mas eu não consigo me acostumar com ela maior do que os 1:40 min que estão no disco “Parklife” (1994) . É a essência do Syd Barrett suficientemente capturada pra deixar qualquer um satisfeito depois de ouvir.

Para fechar, “Horn” do Nick Drake. Que coisa mais linda, gente. Essa faixa instrumental, lenta, violão simples mas muito característico do estilo de Nick Drake. Apenas ouçam.

Playlist:

Construindo Aramà: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora ítalo-brasileira Aramà, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Carmen Miranda“Chica Chica Boom Chic”
Em 2005 foi a primeira vez que eu viajei pro Brasil. Fiquei tão feliz de ter visitado o museu da Carmen Miranda no Rio que eu quis pesquisar mais sobre essa artista maravilhosa. Até tirei fotos que agora viraram quadros na minha casa . A música “Chica Chica Boom Chic” me acompanhou por muito tempo. A música tão incrível, desta artista tão carismática, entrou na minha playlist e nunca saiu!

Margareth Menezes“Maimbe Danda”
O contato com a Bahia, quando morei em Salvador, em 2005, foi muito importante para influenciar meu som. Uma das artistas que mais me influenciou foi a Margareth. Quando voltei pra Itália, em seguida coloquei essa música nos meus shows. E cantei até enjoar (risos)!

Roberta Sá“Cicatrizes”
Uma amiga brasileira sempre cantava essa música pra mim, dizendo que eu deveria aprendê-la! O amor que nunca cicatriza todo mundo provou, né?

Major Lazer“Lean On”
Fiquei impressionada quando essa música saiu. Obcecada, eu me lembro que não parava de ouvi- la. E pensei “eu preciso fazer um som desse”, até hoje as rádios na Itália não param de tocá-la, hit de muito sucesso mesmo!

Giorgia“Marzo”
Música suave, foi uma das primeiras que eu aprendi a cantar quando comecei a cantar de verdade, fazer aulas e etc. É uma música bem triste que está ligada com a morte do namorado da cantora Giorgia, Alex Baroni. O videoclipe está lindíssimo, de uma elegância refinada. Impactante e poderosa, essa música me faz lembrar como é importante viver a vida plenamente sem medo .

Janet Jackson“Velvet Rope”
Fez parte da minha infância, eu dançava e cantava a música na cozinha da minha vó. Entrou como uma onda no meu estômago. A voz da Janet é única, parece que ela vem de um mundo paralelo com um beat totalmente envolvente.

Erykah Badu“Orange Moon”
Descobri essa música quando fui ao show da Erykah Badu, em Milão, na Arena Cívica . No final do show fomos pro camarim comprimentá-la. Ela saiu com a criança dela no braço e uma fã gritou “você não cantou pra nós Orange Moon!”, ela com a criança no braço, começou cantar assim no meio da gente e até nos convidou para ir ao hotel dela pra fazer uma jam e beber algo! Que mulher incrível!!

Sara Tavares“Balance”
Um amigo meu DJ cabo-verdiano me mostrou um dia essa música. Fiquei totalmente apaixonada pela vibe. Quando, em março, fui pra Cabo Verde pra fazer a tour, pude ouvir essa corrente da música cabo-verdiana que é cheia de artistas bacanas que infelizmente não tocam nas nossas rádios italianas.

Buraka Som Sistema feat Blaya & Roses Gabor“We Stay Up All Night”
Essa música da banda portuguesa Buraka Som Sistema, cuja sonoridade se integra no gênero musical Kuduro, é um mix de eletrônica com várias influências. Adoro ouvir mix de estilos e sonoridades .

Fernanda Porto“Samba Assim”
Essa música ouvi pela primeira vez quando eu estava na Bahia, em 2005, numa pousada na Ilha de Morro São Paulo, perto de Salvador. Amei as sonoridades tanto que perguntei pro dono da pousada qual era o álbum e fui rápido pro Pelorinho comprar! Meu samba começou assim.

Fernanda Abreu“Veneno da Lata”
Eu estava no Rio, em 2005, ouvindo no táxi essa música. Ainda não falava bem português e um amigo meu me explicou o que significava lata. Essas latas ainda estão tocando no meu coração!

Gilberto Gil“Toda Menina Baiana”
Foi meu hino! Que música incrível, não tem como ficar parado!

Ivete Sangalo“Céu da Boca”
Salvador, show de Ivete Sangalo com participação de Gilberto Gil. A Ivete com a perna quebrada pulando igual sapo e eu no público pulando com ela! Essa música e esse momento ficaram gravados na memória! Simplesmente foda!

MC Leozinho“Ela Só Pensa Em Beijar”
No castelo das pedras, dancei essa música ouvindo ao vivo pela primeira vez o “funk do Rio” e os MCs que se apresentavam aquela noite! O Funk foi uma das maiores inspirações que tive até agora, não com as letras, mas com as batidas.

Walmir Borges“Princesa”
Conheci o Walmir Borges tocando essa música maravilhosa no canal no YouTube do querido amigo Rafael Kent, no projeto do Studio62. Quando conheci o Walmir, ele me propôs cantar essa música com ele ao vivo no club Grazie a Dio. Eu chorei de tanta emoção mas não falei isso ainda pra ele!!

Luciana Mello“Na Veia da Nega”
Música que me acompanhou por vários anos até eu cantá-la com minha banda e inclui-la no repertório. Adoro!

Kaleidoscópio“Tem que Valer”
Foi no Festival Bar, na Itália, que conheci essa música. Quando o Ramilson Maia produziu 2 faixas pra mim, realizei um dos sonhos da minha vida! Acredite sempre porque tudo pode acontecer!

Maria Gadú“Shimbalaiê”
Meu verão 2012 foi acompanhado pela voz da Maria Gadú. Gostosa de ouvir, virou um dos hits do verão italiano. As rádios tocavam, os supermercados tocavam, as praias tocavam, os carros, todo mundo. Tenho certeza que entrou tanto no meu corpo essa música que de qualquer jeito me influenciou.

Demônios da Garoa“Trem das Onze”
No Rio de Janeiro cantando até ficar sem voz no bar Carioca da Gema. Que boa lembrança !

Carlinhos Brown “Carlito Marron”
Comprei esse disco no Pelourinho junto com o disco da Fernanda Porto. Adorei o mix de influências que esse disco tem! Dancei até arrastar as sandálias…

Condessa Safira celebra a vida de Breno Bolan e a história da banda no disco “11”

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Condessa Safira em 2007 (à direita, o baixista Breno Bolan)

“Quando o Breno se foi, a Condessa Safira travou”, explica um post na página oficial da banda, sobre o falecimento do baixista Breno Bolan, peça chave na formação do grupo. “Cada um de nós lidou com o luto de maneiras diferentes, e as músicas que planejávamos gravar com o Breno ficaram ‘on hold’. Aos poucos a gente voltou a trabalhar nelas, mas foi mais difícil do que a gente podia imaginar. Tão difícil que durou anos”. Pois é, 2017 foi o ano em que a banda conseguiu concluir este trabalho, chamado “11”, que já está disponível em todos os serviços de streaming. “Modéstia à parte, fechamos um albão da porra, com participações e colaborações maravilhosas e 14 músicas phodauras”, concluem.

A banda, formada por Júlia Jups (vocal), Bruna Mariani (guitarra) e Zé Menezes (bateria) agora se prepara para uma apresentação especial com as composições do debut da banda. A apresentação acontecerá no dia 03 de dezembro, no Bar da Avareza, e promete fechar o ciclo do grupo. “O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim”, contam.

– Como vocês decidiram voltar e fazer esse show de reunião?
O álbum “11” começou a ser concebido antes de o Breno falecer. Quando ele se foi a gente ficou perdido, não sabíamos se iríamos concluir o álbum, seguir com a banda, nada. O tempo foi passando e chegamos à conclusão que deveríamos ao menos fechar esse trabalho, em memória da banda e do grande amigo e compositor que o Breno foi. O show acabou sendo uma consequência da conclusão desse trabalho. Queremos compartilhar com vocês e fechar esse ciclo de um jeito bacana.

– Como vai ser o disco?
O álbum tem 14 músicas, 12 próprias e 2 versões (“Péssima”, dos Sex Beatles e “Can’t Put Your Arms Around a Memory”, do Johnny Thunders). Algumas composições a gente chegou a tocar nos shows da Condessa lá nos idos de dois-mil-e-pouco, como “Assassina por Natureza”, “Crise 7.7”, “Diga O Que Quiser” e “A Última Canção”. As outras são composições mais “recentes”, que foram tomando corpo e forma nesses 8 anos.

– Esse projeto todo pode ser visto como uma grande homenagem ao Breno Bolan, baixista da banda que infelizmente nos deixou. Vocês podem me falar um pouco dele e como ele ainda permanece no som da banda?
Na verdade o álbum é o filho da Condessa, sem querer soar como uma homenagem. O Breno foi um dos maiores compositores de rock nacional que tivemos o prazer de dividir nossas vidas, e seria puro egoísmo não colocarmos no mundo as letras dele por causa do nosso luto. Por mais difícil que tenha sido, conseguimos fechar esse trabalho com muito orgulho. Temos certeza que ele também estaria orgulhoso do resultado. Grande parte das letras são dele, com exceção de “Sweet Bloody Mary” que ele compôs em parceira com a Cris Braun do Sex Beatles, “Diga O Que Quiser” do nosso ex-guitarrista Rene Dechiare, “Péssima” composta pelo Alvin L. do Sex Beatles e a versão de “You Can’t Put Your Arms Around A Memory”. A sonoridade tem muito da nossa história da Condessa juntos, todas as influências que cada um de nós trazíamos para a banda, e muito do que amadurecemos nesse tempo depois que o Breno se foi.

– Me contem um pouco mais sobre o começo da banda. Como rolou?
O Breno formou a Condessa em 2001, com a ideia de ser uma banda de rock com letras em português e vocal feminino. A Júlia entrou em 2002, A Bruna em 2003 e o Zé em 2005. A gente costumava dizer que demorou um pouco, mas conseguimos a formação perfeita pra banda. Entre idas e vindas de outras pessoas, nós quatro conseguimos a sonoridade que queríamos e trazíamos as mais diversas influências pro som da banda.

– De onde surgiu o nome Condessa Safira?
O Breno costumava dizer que teve um sonho que o nome da banda tinha que ser Princesa “alguma coisa”, mas ele achava princesas tolas na sua grande maioria e mudou para “Condessa”. O “Safira” apareceu porque ele gostava de bandas com 2 nomes, também por influência de bandas dos anos 80.

– Quais as principais influências do som da banda?
A principal banda que influenciou desde o começo é a banda carioca Sex Beatles. Além deles: Marina Lima, Capital Inicial, Guns N’ Roses, The Donnas, Sahara Hotnights, The Ramones, The Rolling Stones, Iggy & The Stooges, The Runaways.

– Quais as principais diferenças do mundo independente da primeira encarnação e dessa reunião? Como vocês veem a cena hoje em dia?
Temos a sensação de que na época tínhamos mais opções de lugar para tocar, e que a galera tinha mais pique para ir a shows. Hoje as (poucas) casas de show são muito boas, mas também são caras, o que dificulta bastante. Hoje temos muitas bandas nacionais excelentes, e da mesma maneira que tínhamos “bandas irmãs” naquela época, temos algumas cenas parecidas atualmente. Mas a impressão que temos é que o famoso “conhecer alguém pra te colocar no circuito” tá cada vez mais difícil.

– Falem um pouco mais de como vai ser o show que está chegando!
Estamos bastante ansiosos e empolgados, ensaiando que nem uns condenados para tirar o atraso de tantos anos! Felizmente estamos contando com a parceria de vários amigos para esse show, o Rodrigo Palmieri (Cyber Jack, Liberta, Drosophila, Pousatigres, Shepherd’s Pie) e o Tavinho (KiLLi) vão comandar o baixo, e teremos participação do Paulo Senoni (KiLLi, Mundo Alto) e do Bob (ex-guitarrista da Condessa e atual Shepherd’s Pie) na guitarra. Podemos dizer que o show vai ser recheado de músicas mais recentes e mais antigas.

– Vocês pretendem continuar com a banda depois dessa reunião? Quais são os planos?
O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Júlia: Acho a banda do Zé, Thrills & the Chase, do caralho. Também piro na Mundo Alto, Miami Tiger e Monocelha. Cada uma com uma vibe diferente, mas que representam muito bem diferentes vertentes do rock nacional.
Zé: Toquei em Santos esse ano com o Thrills e conosco tocou uma banda de lá chamada OZU. Um trip hop pegada Portishead, demais.

Ouça o disco “11” do Condessa Safira:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Mariana Cantini, do Dinamite Panda

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Mariana Cantini
Mariana Cantini, do Dinamite Panda

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Mariana Cantini, baixista da banda Dinamite Panda!

Sofiapop“Bomba no Odeon”

Meu primeiro show da Sofiapop foi saindo do colégio, com uns 15 anos, de uniforme, no ateliê de artes da UERJ. Foi do caralho. O calor era absurdo, a cerveja baratinha (e quente) e todo mundo se porrava. Foi parecido no Odeon, quando uns amigos me empurraram pra rodinha no meio de “Bomba no Odeon”.

Ênio Berlota e a Nóia“Homem Baile”

Com a Astrovenga como banda, o grande “Homem Baile” Ênio Berlota tem letras fodidas e os melhores passinhos do RJ. O disco “Continue Rasgando” é daqueles de ouvir do começo até o final e depois ouvir de novo.

Blastfemme“I Don’t Love You Baby”

Fico triste de ter saído do Rio de Janeiro antes da formação da Blastfemme 🙁 Eu penso no empoderamento feminino como uma voz muito alta e firme com um discurso de liberdade e força. Blastfemme é tipo isso, exponencialmente.

Os Vulcânicos“Das Model”

Todas as quintas feiras na Sinuca Tico Taco, na Lapa (RJ), tinha show dos Vulcânicos. Do lado rolava anarkofunk. Eu ia quase todas as quintas, e todo show era um novo show e era mais foda que o da semana anterior.

The Lirious“Cecília”

Uma das bandas relâmpago na pegada “quem viu, viu” alucinante. Power trio instrumental, de ocupação. Show para moradores de rua na Praça da Sé. Foi um dos momentos mais interessantes do meu 1 ano e meio em São Paulo. A gente sabe quando a galera tá fazendo um som porque ama, né?

“Os Famosos E Os Duendes da Morte” (2009) – Um sad boy no Sul e o Bob Dylan

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Os Famosos E Os Duendes da Morte
Lançamento: 2009
Direção: Esmir FIlho
Roteiro: Ismael Canepelle
Elenco Principal: Ismael Canepelle, Henrique Larré, Tuane Eggers, Aurea Baptista e Samuel Reginatto

 

Meio que seguindo a linha de filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, Os Famosos E Os Duendes da Morte conta da vida e das suas descobertas cobertas pelas suas angústias durante a adolescência. O Mr. Tambourine Man (o nome sob o qual assina o protagonista), se equilibra entre um riso emaconhado com o amigo nas madrugadas frias e uma forte sensação angustiante. Tudo isso, numa pequena cidade do interior gaúcho, cheia de antigas moralidades, histórias mais que mal resolvidas e um desespero que parece rondar a cabeça de todos os personagens.

De um jeito lindo, Esmir Filho, o diretor, constrói a trama como uma espécie de solução pra todas angústias do menino. Impulsionado pelo desejo de ir ao show do Dylan, o fã mirim de alguma forma consegue um estado interessante que lhe permite uma sobreposição do riso acima da angústia, uma visão duma vida fora daquele universo que o filme apresenta como tóxico e doente.

E é lógico que, se o garoto curte Dylan, o filme precisa duma boa trilha. Mesmo sem nenhum som do cara da gaita, as músicas arrasam e se encaixam “feito luva” no longa, elaborando emoções no espectador que causam um estranho e confortável desconforto. O gaúcho Nelo Johann, nascido no interior do Rio Grande do Sul e compositor da trilha, é essencialmente um desses indies sad boys, mas ainda assim é um absurdo dizer que as notas do cara não trazem originalidade nenhuma. Com uma série de efeitos, atonalidades e letras carregadas de metáforas oníricas, ele consegue atingir um desespero nos ouvidos de quem ouve que poucos conseguem… Por sinal, a influência do som do Pink Floyd em sua fase Barret é bem clara!

“O convite veio através do Ismael Canepelle, que roteirizou o filme e me conhecia de infância… Então o Esmir me conheceu, entrou em contato comigo e começamos a trabalhar na idéia, bem antes do filme ser rodado… Fiquei felicíssimo, claro. A idéia do filme me agradou muito logo de cara, depois só se confirmou o prazer de trabalhar com pessoas tão talentosas e queridas.” (http://meio-bossanovaerockandroll.blogspot.com.br/2010/05/entrevista-nelo-johann.html). Depoimento do músico Nelo Johann em entrevista ao blog Meio Bossa Nova.

Trailer:

Trilha sonora: (João, salva aê, please!)

Exclusivo: assista “Volta Pra Casa”, o novo videoclipe do projeto Massimiliano

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O álbum “Briza”, de Massimiliano, lançado este mês, passeia entre o rock, mas sem deixar de lado o rótulo de gaúcho por mesclar gêneros regionais, em especial a saudosa milonga. O próprio cantor e compositor, Alex Vaz, que chega ao seu terceiro álbum, também abre a possibilidade ao post rock, por conta da estrutura das canções, mas talvez também noise, por conta da sonoridade. Tudo isso já nos mostra o quão diverso e único é o projeto que ele desenvolve desde 2010.

Confira o clipe da música “Volta pra Casa”:

Com uma narrativa em tom de desabafo, ele alia amor e revolução, questionamentos existenciais e políticos, em 12 faixas, que foram gravadas no A Vapor Estúdio, em Pelotas/RS. A masterização foi realizada por Lauro Maia, vencedor do Grammy Latino pelo disco Derivacivilização (2016), de Ian Ramil.  Ao vivo, o projeto Massimiliano se concretiza com uma banda de apoio formada por Daniel Ortiz, Alércio PJ (do Musa Híbrida) e Vini Albernaz (também do Musa Híbrida).

Confira nossa entrevista com Alex, sobre a construção do projeto e seu mais novo lançamento:

Como foi e quanto tempo durou o processo de composição do álbum? 
O álbum começou a ser concebido em 2014. Nesse ano, compus as músicas e delimitei a narrativa do disco. Em 2015, gravei uma pré do mesmo no meu home studio e em 2016 comecei o processo de gravação num estúdio profissional. Entretanto, veio a crise, faltou grana e eu segurei essa etapa. No final do mesmo ano fui convidado para fazer parte do Escápula Records.  Em março de 2017 entrei em estúdio para gravar as guias e em junho do mesmo ano estava entregando o disco para a etapa de mixagem. Apesar de angustiante, foi um processo tranquilo para mim, porque entrei em estúdio já sabendo o que queria fazer.

Quais as suas maiores influências musicais?
Sempre difícil falar sobre isso, portanto vou falar sobre os nomes que usei como referência para gravar esse trabalho. Nomes como Serge Gainsbourg, Chito de Melo, Júpiter Maçã, Jards Macalé, Arrigo Barnabé, Rogério Skylab e Nação Zumbi deram o norte para esse trabalho e posso colocá-los no rol das minhas influências gerais.

Qual a origem do nome Massimiliano para o projeto? 
Massimiliano foi inspirado no personagem do romance “O Ganhador”, do escritor Ignácio de Loyolla Brandão, por quem nutro sincera admiração. No livro, Massimiliano é um suposto ganhador de festivais – que na verdade nunca ganhou nada –  que viaja o Brasil profundo, vivendo situações típicas da vida de músico.

Podes contar um pouco mais sobre os dois álbuns lançados anteriormente? E como começou sua carreira?
“Descontrução” e Orleanza” são dois trabalhos do ano de 2013. “Orleanza” foi lançado primeiro. Gravei o disco de maneira analógica, com produção conjunta do Guilherme Ceron, que hoje trabalha com o Ian Ramil. Na época, juntamos alguns músicos amigos, microfones e uma mesa de fita. Registramos o álbum de 4 canções em uma noite, gravando tudo ao vivo. “Desconstrução”, também do mesmo ano, teve um processo bem diferente. Eu comecei uma campanha que consistia em compor, produzir, gravar e publicar uma música no espaço de uma semana. Fiz isso uma vez por mês, entre março e novembro do mesmo ano. No final do mesmo ano, o disco ficou pronto, como nove canções  e saí em turnê pelo Uruguay para divulgar o trabalho.

Minha carreira começou tocando em bandas do circuito underground aqui de Pelotas. Em 2006, comecei um trabalho junto com outros amigos que durou até 2012 e que foi base e escola para mim e para eles, a banda Canastra Suja, no durante sua existência lançou 2 discos de estúdio, um ao vivo e dois EPs, além de 3 vídeo clipes. Da banda Canastra Suja derivaram o projeto Massimiliano e a banda Musa Híbrida.

Conta mais sobre a ideia e execução do clipe “Volta pra Casa”. De onde surgiu o anseio de dar visibilidade ao estado do Teatro Sete de Abril? 
A ideia do clipe era fazer um audiovisual sobre a canção mais calma do “Briza”. Uma canção que fala sobre partida e o sentimento de ausência e fragilidade que uma despedida bruta causa. Conversei muito com o Felipe Yurgel – videomaker e diretor que já havia dividido a produção do clipe da música O pampa não tem culpa comigo – e chegamos no conceito estético de trabalhar com uma imagem que dialogasse com o resto do álbum. Como locação escolhemos a frente do Theatro Sete de Abril.

Teatro histórico no Brasil. Foi o primeiro teatro construído no Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do Brasil (1834).  Recebeu, nomes importantíssimos da arte e cultura nacionais e internacionais, além de ser um aparelho cultural imprescindível para a comunidade gaúcha e pelotense.  Até o seu fechamento – em dezembro de 2010 – era o Teatro público mais antigo do país em atividade. Por conta disso, o vídeo também vem fazer uma denúncia e um apelo pela volta do palco mais importante do Sul do Brasil que está criminosamente abandonado pelas gestões municipais desde então.

Ouça o disco “Briza” aqui:

O som caleidoscópico do Jefferson Airplane

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Um dos motivos pelo qual estou falando sobre o Jefferson Airplane é porque aqui no Brasil parece que a banda ainda não foi completamente assimilada. É um caso muito parecido com o de outros grupos como Allman Brothers Band ou Roxy Music, que pra música pop mundial são tão influentes como aqui é pra nós os Novos Baianos ou Titãs.

Formado em 1965, em São Francisco, o grupo liderado por Marty Balin (vocais) e Paul Kantner (guitarra e vocais) foi um dos precursores do que mais tarde viria a ser chamado de rock psicodélico. Na época do “Verão do Amor”, em 1967, a banda esteve no auge e conseguiu emplacar no rádio sucessos como “Somebody to Love” e “White Rabbit”, clássicos que hoje são praticamente as únicas músicas lembradas pelo público em geral.

O Airplane sempre foi inventivo, tanto em estúdio quanto ao vivo. Jorma Kaukonen (guitarra), Jack Cassady (baixo) e Spencer Dryden (bateria) tinham inclinação para improvisos e enriqueciam o som do grupo com influências do jazz e do blues enquanto Balin e Grace Slick entrelaçavam suas vozes com a guitarra Rickenbaker de 12 cordas de Kantner. Era como se estivessem reinventando harmonias incessantemente. Considerando a influência do LSD no período, essa estranha junção soava como um casamento entre The Byrds com Cream e mais alguma coisa levemente caótica.

O grupo durou até 1974. Por conta da relativa vida curta, pode-se dizer que muitos músicos passaram pelo Jefferson Airplane, e com essa constante entrada e saída de integrantes, gradativamente, o grupo se transformou no Jefferson Starship, o qual não vale muito a pena perder tempo, com exceção de alguns poucos momentos de inspiração.

A fase áurea da banda vai de 1966 a 1969.

“Jefferson Airplane Takes Off” (1966)

O debut da banda ainda não contava com Grace Slick nos vocais e Spencer Dryden na bateria. Signe Anderson e Skip Spence (mais tarde fundador do Moby Grape) eram os donos das posições, respectivamente. Quanto à sonoridade do disco, é notável a predominância do folk rock nas canções, o que acabou resultando num ponto positivo. “Takes Off” é agradável do início ao fim e, como em grande parte das estreias musicais, é um pouco contido se comparado aos demais trabalhos. A ótima “Let Me In” mostra exatamente pra qual direção o rock‘n’roll americano estava apontando naquela época de transição, enquanto “It’s No Secret” revela a competência de Marty Balin como vocalista e fazedor de melodias pegajosas. Destaque também para a elegante “Come Up the Years”.

“Surrealistic Pillow” (1967)

Muitos são os motivos pra este trabalho ser considerado o ponto alto do Jefferson Airplane. A cena de São Francisco estava ainda mais efervescente, as composições eram mais coesas, o então novo baterista Spencer Dryden era mais adequado à sonoridade dos demais músicos e a entrada de Grace Slick de fato transformou o grupo em algo maior. O disco é excelente de ponta a ponta e não é exagero afirmar que o resultado final é um dos melhores da história do rock. Basta escutar o início de “She Has Funny Cars” e se entregar ao repertório, que vai da sutileza acústica de “How Do You Feel” e “Comin’ Back To Me”, às mais roqueiras “1/3 of a Mile in 10 Seconds” e o hit “Somebody to Love”, que chegou a entrar no Top 10 das rádios. Tem a também clássica “Plastic Fantastic Lover”, com participação de Jerry Garcia, do The Grateful Dead, no violão, e a obra-prima “White Rabbit”, onde a banda – sobretudo Grace – alcança um resultado ímpar que sobreviveu ao tempo. “Surrealistic Pillow” foi um grande sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias na época do lançamento e transformando o Jefferson Airplane numa sensação nos EUA. Referência de um dos períodos mais prolíferos da música Pop. Perfeito.

“After Bathing at Baxter’s” (1967)

Quando se fala de alternative rock é fácil vir em mente grupos como Sonic Youth. Por que não Jefferson Airplane? Contradizendo ao título do álbum anterior, “After Bathing at Baxter’s” é mais surrealista e pode ser tido como exemplo de como um produto de sucesso pode se transformar em algo mais difícil de digerir, no bom sentido. Tirando “Martha”, que de certa forma repete a fórmula dos dois primeiros, este LP é muito mais agressivo que os anteriores e é mais próximo de como soavam nos palcos, talvez por isso seja o favorito de muita gente. E desta vez está escancarada nas músicas a influência do LSD sobre a banda, basta ouvir “Two Heads” ou a muito bem construída “Won’t You Try/Saturday Afternoon”, que divide com “The Ballad of You & Me & Pooneil” o posto de melhor canção do álbum. Vale lembrar também de “Young Girl Sunday Blues”, que é um rock irresistível. Outro ponto a favor é o baixo de Jack Cassady, que se destaca ao longo das canções e culmina na “Watch Her Ride”, um dos singles escolhidos pra promover o disco. Tem umas doideiras que muita gente desacostumada com sons psicodélicos julgará pura bobagem, como a colagem de bizarrices em “A Small Package of Value Will Come to You, Shortly” e o improviso “Spare Chaynge”, mas em “Baxter’s” o Airplane definitivamente está mais solto.

“Crown of Creation” (1968)

A faixa-título é um bom pretexto pra apresentar a banda a alguém que nunca escutou nada deles. “The House at Pooneil Corners” tem uma atmosfera furiosa e densa, enquanto por outro lado há algumas canções com a roupagem mais enxuta, o que dá pra notar em “Lather” – com direito a solo de nariz – e na ótima balada “Triad”, composta por David Crosby. “Greasy Heart” é uma daquelas que agradam logo na primeira audição, sem muitas firulas. Há também um pouco da estranheza, como em “Would You Like a Snack” e “The Saga of Sydney Spacepig”. “Crown of Creation” segue a linha de “Baxter’s”, apesar de parecer um pouco menos caleidoscópico.

“Volunteers” (1969)

A essa altura o Airplane havia alcançado o topo da maturidade, e ao mesmo tempo iniciara o processo de auto-destruição. Jorma Kaukonen e Jack Cassady já tinham começado a tocar paralelamente com o Hot Tuna, Marty Balin há tempos não contribuía tanto nas composições e Spencer Dryden já estava de saída pra dar lugar a Joey Covington. Apesar do clima tempestuoso, a banda lançou um dos seus trabalhos mais aclamados pela crítica e público. Dá vontade de escutá-lo novamente assim que termina. “We Can Be Together” é um hino pacifista que para alguns pode parecer meio datado, mas a melodia arrebatadora fala mais alto. “Wooden Ships” é especial por ser de longe o momento mais emotivo da carreira do Jefferson Airplane. Outras faixas, como “Eskimo Blue Day” e “The Farm” mantém o ouvinte satisfeito, mas o ponto alto é a faixa-título. Escrita por Balin, “Volunteers” é dois minutos de um rock direto e que curiosamente tem como base praticamente o mesmo riff de “We Can Be Together”, uma espécie de auto-homenagem. A banda soa mais habilidosa do que em qualquer outro disco anterior a esse, e a guitarra de Jorma Kaukonen tem presença decisiva em praticamente todas as faixas.

Após esses LPs, o Airplane começaria a se desmantelar, a começar pela saída de Marty Balin, um dos fundadores. Lançariam “Bark” (1971) e “Long John Silver” (1972), que também são bacanas, mas aí a banda já não era mais a mesma. No início de 1974 foi anunciado oficialmente o fim. Em 1989 houve uma reunião do grupo com a formação clássica e o lançamento de um álbum homônimo, o qual jamais deveria ter sido lançado.

Além dos trabalhos de estúdio, a banda tem bons discos ao vivo lançados oficialmente: “Bless It’s Pointed Little Head” (1969), “Thirty Seconds Over Winterland” (1973), “2400 Fulton Street” (1987) e “Live at The Fillmore East” (1998).

Pra conhecer melhor a banda, vale a pena o DVD “Fly Jefferson Airplane”, com entrevistas, apresentações de TV e clipes, além da leitura da biografia escrita por Jeff Tamarkin chamada “Got a Revolution! – The Turbulent Flight of Jefferson Airplane”.

Palavras outras para o “Outras Palavras” (1981), de Caetano Veloso

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Se limitar a “Transa” e demais álbuns da década de 70 pode até ser justo, mas muita coisa se perde. “Outras Palavras” merece o que seu nome prenuncia.

Capa do disco

Um álbum deixado de lado na discografia de um gênio – esse é o “Outras Palavras” de Caetano Veloso, lançado em 1981. O próprio Caetano, altamente autocrítico, não parece simpatizar muito com esse disco. O que se escuta é que foi uma obra com menos dedo do baiano. Entretanto, toda vez que escuto, fico justamente com a sensação de que foi um pouco injustiçado e que merecia mais menções, apesar dos pesares. Me surpreendo mais ainda sabendo que foi um dos mais vendidos na discografia de Caetano. Fico sempre me perguntando se me iludo com esse disco ou se de fato ele é subestimado. Tive que escrever outras palavras sobre esse disco extremamente agradável (na minha visão) da obra do baiano de Santo Amaro.

O disco começa com a música que dá título ao disco e que caracteriza bem o que Veloso é nessa obra. Afirma, “Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca”. Caetano convoca o experimentalismo e outras palavras no sentido mais puro e poético. Palavras mais alegres. Não há no disco a tristeza do exílio, que clama pelo riso de Irene. É um Caetano que talvez ainda queira “Muito” (1978), mas que não trilha diretamente os “Trilhos Urbanos” de Santo Amaro (“Cinema Transcendental” – 1979). É um Caetano lúdico, que brinca de fazer poesia com fortes influências e diálogos com São Paulo no processo. A semântica, a poesia concreta e as figuras de linguagem típicas do “paulistês” se fazem presentes por vezes, não deixando de lado, entretanto, toda a baianidade do seu som.

A segunda faixa é “Gema” (brilhante ê!). Deliciosa de se escutar. Impossível não sentir algo escutando os tons dessa música, que também tem versões fantásticas pela voz de sua irmã Bethânia. Essa canção inicia um padrão que se estende por todo o disco de retratar sensações e visões da natureza. A “luz exata na escuridão”, a “camaleoa”, a “menina do anel de lua e estrela”, a gata exata. Essa última se faz presente na faixa que se segue: “Vera Gata”, outra ótima canção, com ares típicos da fase fronteiriça entre o Caê dos anos 70 e 80. Prosseguimos então para um ponto altíssimo – “Lua e Estrela”. Radiofônica até os dias de hoje, envelheceu melhor do que as outras pra quem não se satisfaz tanto com o som dos anos oitenta. Essa, aliás, foi composta por Vinicius Cantuária. Um romantismo na medida certa (qual seria a medida certa?) e extremamente agradável. Quando toca acalma qualquer um.

A quinta canção é “Sim/Não”, parceria de Caetano Veloso e Carlos Bolão (percussionista da Outra Banda da Terra à época e que integrou bandas e fez parcerias com grande nomes da música brasileira, como Jorge Ben, Luiz Melodia, Jorge Mautner, dentre outros). Uma boa música. Segue-se a ela “Nu Com A Minha Música” – outro ponto alto, em que se afirmam intrigantes, solitárias e ao mesmo tempo acalentadoras e seguras frases:

“Vejo uma trilha clara pro meu Brasil, apesar da dor, vertigem visionária que não carece de seguidor;

Quando eu cantar pra turma de Araçatuba verei você; Já em Barretos eu só via os operários do ABC; Quando chegar em Americana, não sei o que vai ser; Às vezes é solitário viver”.

Somos raptados na faixa que se segue pela homenagem a Regina Casé, “Rapte-me Camaleoa”. Definitivamente um clássico e em versão superior à voz e violão sem sal recentemente feita em parceria com Maria Gadú no ao vivo do Multishow.

“Leitos perfeitos seus peitos direitos me olham assim.
Fino menino me inclino pro lado do sim.                                            Rapte-me, Adapte-me, Capte-me, It’s up to me coração
Ser, querer ser, merecer ser um camaleão
Rapte-me camaleoa, adapte-me ao seu ne me quitte pás”
                                                                        

A partir deste momento o álbum de fato tem um teor um pouco menos palatável e mais discutível. Depende exclusivamente do gosto. Pessoalmente não gosto da baladinha “Quero um Baby Seu” e da versão insossa de “Dans Mon Ile” – Caetano contagia mi corazón cantando em idioma estrangeiro “Currucucu Paloma”, “Michaelangelo Antonioni”, “Tu me Acostumbraste”, “La For de La Canela” mas essa versão, sinceramente não me cativa. “Tem que Ser Você” também não empolga muito, mas, dependendo do dia, pode até ser uma faixa que o ouvinte não vai pular ou que pode até gostar. “Blues” é agradável (é um bom blues) e tem trocadilhos legais ao longo da letra (com o azul do nome e do azul que surge a cada verso). “Verdura” é uma boa pedida para fãs de Paulo Leminsky, já que a letra foi escrita por este. O autor traz uma boa crítica acerca da situação calamitosa vivida pelo Brasil à época e que, de certa forma, ainda perdura até o presente momento. Reflexões interessantes e uma ótima musicalidade, na passagem da poesia falada pra poesia musicada.

Caetano Veloso, Paulo Leminsky e Moraes Moreira

“De repente vendi meus filhos pra uma família americana,              eles tem carro, eles tem grana                                                            eles tem casa e a grama é bacana”.

O ponto alto final fica por conta da brasileiríssima “Jeito de Corpo”, que fecha os 40min com chave de ouro. Impossível não dar uma mexida física e mental com o ritmo de sua introdução e da construção musical como um todo. Há referências que caracterizam um pouco do que Caetano provavelmente pensava e sentia na época. O Brasil dos anos oitenta está ali, expresso no arranjo musical e nos versos – desde Trapalhões até Gilbertos e expectativas pelo Marco 2000.

Chico Buarque e os Trapalhões

Referências a Trapalhões:
“Eu sou Renato Aragão, santo trapalhão,
Eu sou Mussum, sou Dedé
Sou Zacarias, carinho
Pássaro no ninho qual tu me vê na TV”

Referências a projetos de Brasil
“Sampa na Boca do Rio, o meu projeto Brasil” (Boca do Rio é um bairro popular da orla de Salvador)                               

Referências a fé e ao saber
“Eu tô fazendo saber vou saber fazer tudo de que eu sou a fins, logo eu que/cri cri que não crer era o vero crer, hoje oro sobre patins” (Uma fé que perdeu as suas raízes profundas e que patina? Uma fé que vai e volta?)                                            

E, por fim, referências ao grande amigo (“mas mesmo na deprê chama-se um Gilberto Gil”). (Na deprê e na felicidade, as parcerias com o amigo permanecem faça chuva ou faça sol.)

“Jeito de Corpo” dá um jeito no corpo! Uma bela conclusão ao disco.

“Outras Palavras” com certeza não é o melhor álbum do santo amarense velosiano, mas, com certeza também é um álbum um tanto quanto esquecido. Merecia mais menções e lembranças. Pessoalmente é um dos meus favoritos na obra de Caetano, o que também pode ser uma loucura da minha parte. Desde o nome do álbum, passando pelos ares do início dos anos oitenta, por canções de amor apaixonantes, até a legitimamente brasileira “Jeito de Corpo”, fico definitivamente contagiado pelo disco. É verdade que tem pontos baixos, mas, os pontos altos agradam muito vendo um Caetano com alegrias e experimentalismos que tem suas peculiaridades quando comparadas ao resto de sua obra. Mesmo sabendo que os álbuns que antecederam (“Cinema Transcendental”) e que se seguiram (“Cores, Nomes”) são provavelmente melhores, “Outras Palavras” tem seu lugar. No mínimo vale a pena escutar uma vez ou aumentar o volume e dar uma chance quando alguma de suas faixas ainda tocar no rádio. Sendo otimista, “Outras Palavras” se tornará companheiro frequente de seus momentos mais felizes ou momentos em que se precisa de algo mais feliz e/ou com um quê de experimentalismo poético. Merece uma chance!

Links interessantes:

http://50anosdetextos.com.br/1981/o-disco-em-que-caetano-inventou-outras-palavras/ coluna publicada em 1981 por Sérgio Vaz no Jornal da Tarde

http://caetanoendetalle.blogspot.com.br/2016/03/1981-verdura-paulo-leminski.html sobre Verdura

http://www.otempo.com.br/super-noticia/o-voo-solo-de-carlos-bol%C3%A3o-1.97117 sobre Carlos Bolão