Em terreno bizarro: Rolling Stones – “Their Satanic Majesties Request” (1967)

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Their Satanic Majesties Request

Bolachas Finas, por Victor José

O tema dessa coluna de hoje é certamente um dos discos mais injustamente subestimados do panteão do alto escalão do rock. Trata-se daquele que é o mais estranho álbum dos Stones, o controverso Their Satanic Majesties Request”.

Totalmente desconexo das raízes da banda – que sempre se manteve calcada no blues e suas vertentes mais próximas –, esse trabalho vem sendo assimilado com má vontade desde seu lançamento. Isso porque a imprensa insistiu em classificar esse LP como “uma resposta ao Sgt. Pepper`s”, o que é uma grande bobagem.

Além disso, a própria banda passava por um momento complicado. Embora para quase todo mundo da música pop 1967 tenha sido um ano mágico, para os Stones não foi bem assim. Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards haviam sido presos por porte de drogas, fazendo com que a fama de bad boys chegasse em um nível nocivo para eles, botando em cheque o futuro do trabalho que vinham fazendo.

Talvez as incertezas do momento tenham resvalado na obra, que ganhou uma forma bastante diferente de seu antecessor, o excelente Between The Buttons”, que por sua vez já era ligeiramente ousado se comparado com trabalhos anteriores.

Sim, a influência dos Beatles foi grande, tanto que os fab four estão na capa do álbum, escondidos. A homenagem foi uma forma de agradecimento, isso porque em “Sgt. Pepper’s”, lançado meses antes, continha uma boneca vestindo uma roupa com a escrita “Welcome The Rolling Stones”.

A ambição dos Stones com esse LP estava na vontade de “entrar na onda” da psicodelia, e mergulharam de cabeça, ao mesmo tempo em que não sabiam muito bem para onde ir. Aliás, esse é o primeiro trabalho da banda sem a produção de Andrew Loog Oldham, o empresário do grupo. Isso inclusive fez com que os Stones experimentassem ao máximo as capacidades de um estúdio, produzindo eles mesmos.

A começar por “Sing This All Together”, uma faixa meio bizarra com atmosfera hippie, cantanda num coro (pouca gente sabe, mas Paul McCartney e John Lennon estão lá) e acompanhada por uma parafernalha de instrumentos conduzidos por Brian Jones. Vale falar sobre a incrível capacidade de Brian de tirar som de praticamente qualquer instrumento. Nesse disco ele toca guitarra, violão, mellotron, órgão, percussão, trompete, flauta e sei lá mais o quê.

“Citadel” é um rock de primeira, carregada de peso e um riff encorpado, talvez a faixa que mais lembre Stones em todo o disco. A surreal “In Another Land” é a única música cantada e composta por Bill Wyman em todos os álbuns da banda. O vocal cheio de trêmolo, guiado por um cravo rococó, leva qualquer conhecedor superficial do trabalho da banda em um terreno completamente inexplorado. Aquilo está muito, mas muito longe de “Start Me Up”, por exemplo.

“2000 Man”, que chegou a ser regravada pelo Kiss, pousa no folk rock, fazendo dessa um dos melhores momentos do LP. “Sing This All Together (See What Happens)” é nada mais nada menos que piração, que acaba como uma espécie de reprise lento da faixa de abertura.

Chegamos na belíssima “She’s A Rainbow”, um grande êxito artístico dos Rolling Stones, com uma ajuda de John Paul Jones – sim, aquele do Led Zeppelin –, que fez os arranjos de cordas. Poucas vezes essa banda soou tão bela.

“The Lantern” apresenta uma proposta bem embalada de folk, mas que ganha cores de gospel com o piano de Nick Hopkins (músico de estúdio decisivo para a sonoroidade desse disco). “Gomper” flerta com a sonoridade oriental, que só ganhou vida por conta da parede de instrumentos que Brian Jones construiu, com sarode, cítara, dulcimer, baixo, órgão, flauta etc.

“2000 Light Years From Home” retoma o ritmo inconfundível da bateria de Charlie Watts mas com um pé no sci-fi. Um clássico da música psicodélica e considerado por muitos a primeira faixa de space rock. Por fim, “On With The Show” encerra o disco de maneira estranhíssima nos padrões de Stones com um Jagger todo circense, talvez já flertando com a ideia do antológico Rock and Roll Circus”.

“Their Satanic Majesties Request” foi concebido de maneira torta, sem direção, talvez por isso tenha resultado em um LP confuso – o que está longe de significar ruim – e vulnerável. A banda já mencionou algumas vezes que pouco antes da data do lançamento eles não tinham ideia do que lançar e que “Their Satanic” foi no fim das contas um catadão de gravações e pirações. Keith, Bill e Brian criticaram muitas vezes o disco, e até hoje não executam as músicas ao vivo (salvo raras vezes “She’s A Rainbow” e “2000 Light Years From Home”).

50 anos depois fui surpreendido pelo anúncio de um box especial comemorativo de “Their Satanic”… Será que mudaram de ideia ou seria apenas manobra caça-níquel de gravadora? Bom, o que eu sei é que sempre que falo desse disco por aí a reação é quase sempre entusiasmada. Eu, que tenho os Rolling Stones como banda favorita, vejo esse trabalho como algo extremamente inusitado, inédito e sim, muito bom em uma porção de momentos e positivamente curioso nas partes mais bizarras. Não existe nada como esse LP, e isso por si só é um triunfo. 1967 foi generoso até nos fracassos.

Uma exposição de letras para a vida permeiam “Algo a Zelar” (2017) da Arde Rock

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Arde Rock
Arde Rock

Arde Rock, banda de Santa Maria fundada no ano de 2008, lançou recentemente seu álbum “Algo a Zelar”, que possui doze faixas e uma temática mais positiva e motivacional, com letras que pretendem impactar o público com pensamentos de resiliência e coragem.

A banda, formada por Killermano, Simone Sattes e Thomás Martins, imprime características de gêneros como hard rock, pop rock, pop e heavy metal em seu som. A mistura de influências, junto com uma temática presente em todas as composições, ajuda a banda a criar uma identidade própria nesse novo trabalho, o que é algo sempre bem vindo no cenário atual. Todas as canções parecem fazer parte de um todo, como se o álbum fosse uma exposição de artes plásticas e as obras que adentram esta exposição estão lá para fazer parte da mensagem a ser transmitida.

Entre as melhoras canções estão “Intuição”, “Pareidolia”, “Estrada” e “Algo a Zelar”, que dá nome ao álbum. Outro fator que faz denotar a qualidade da banda e de seu novo trabalho são as vozes de seus vocalistas e o bom uso dos instrumentos: toda essa questão técnica está bem alinhada e favorece muito na construção das composições. A guitarra-base está bastante adequada, a alternância entre os dois vocalistas e suas boas vozes também concedem qualidade às canções, mostrando assim todo o potencial da Arde Rock.

Quanto aos problemas do trabalho, há alguns a serem destacados. A verdade é que ao tentar sempre impor essa temática de superação e resiliência nas letras das músicas, muitas acabam ficando muito parecidas e sem personalidade. Aquela sensação de “ouvi uma música, ouvi todas” se encontra bastante presente, na minha percepção de ouvinte. Outro problema recorrente é o tempo de duração de algumas músicas, principalmente a primeira (“Intuição”) e a última (“Algo a Zelar”), que possuem 6 e 7 minutos de duração respectivamente. O problema não é o tempo em si, mas a repetição de vários trechos, dando a ideia de que a música poderia acabar bem antes do que realmente acaba. Por vários momentos me peguei pensando “a canção poderia acabar neste momento”, o que sempre é um problema.

“Algo a Zelar” é um álbum com uma temática interessante, que se mantêm coerente a essa temática e que possui algumas composições fortes. Sua produção e gravação, tem um método de som mais “cru”, mais próximo do “ao vivo”, o que é um risco tomado pela banda e que deixa o som com um ambiente mais próximo do ouvinte. Um álbum de boa qualidade do agora, trio santa-mariense que sempre está com o pé na estrada batalhando na cena gaúcha.

 

The Lonesome Duo preparam blues cheio de grandiosidade e storytelling em “Smokey Dawn”

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The Lonesome Duo
The Lonesome Duo

Rennan Martens (voz) e Luiz Masi (voz e violão) resolveram, em 2009, se unir para fazer música, sem nenhuma pretensão. Influenciados pela cena blues norteamericana e por performances de rua, a dupla acabou formando então o The Lonesome Duo, que bebe de fontes tradicionais do folk, música cigana, gospel, voodoo e todo o imaginário do submundo boêmio. Em 2014 lançaram “Debut”, seu primeiro disco, com 8 faixas em inglês que mostram bem todas as influências citadas, além de muita criatividade nos arranjos.

Acompanhados (ou não) pelos Lonesome Balladeers Carlos Masi (voz e guitarra), Augusto Passos (voz, baixo elétrico, baixo acústico e teclas), Pedro Penna (voz, guitarra, mandolim e banjo), Pedro Falcão (voz, bateria e percussão) e Nathanael Sousa (acordeom e teclas), a banda se apresenta também em formatos acústicos. Hoje, a banda prepara seu segundo trabalho, “Smokey Dawn”, que segundo eles será uma bela mudança em relação à estreia. Confira uma entrevista com a dupla:

– Como a banda começou?

Luiz: Acho que era 2008, nós nos reencontramos por acaso depois de uns dois anos sem nos vermos. O Rennan comentou que tinha umas músicas novas e que queria fazer uma banda. Eu também tinha algumas. Nos reunimos na minha casa, gravamos algumas coisas, dividimos algumas influências. No fim tínhamos um cover de Howlin’ Wolf (a música era “Spoonful”) e “St. James Infirmary Blues”, um folksong clássico americano, num gravador de 4 canais. E a partir daí nunca mais paramos de falar sobre a dupla.Nosso processo criativo, inclusive de pesquisa, envolvia muito o ambiente. Passávamos tardes de bar em bar, cantando, escrevendo por horas, conhecendo pessoas. foi uma época muito frutífera, quando criou-se o núcleo que acabou virando o Lonesome Duo. Daí fazíamos pequenos shows, nos apresentávamos de mesa em mesa nos bares, com os violões, cantando. Lá pra 2011 decidimos montar uma banda completa.

Rennan: E mesmo depois de dois anos sem contato, nesse reencontro (que acabou fundando o Duo) percebemos que compartilhávamos muitos aspectos de nosso gosto musical, de nosso senso estético e mesmo de nossas expectativas em relação à música.

Luiz: Pois é. Ficamos um tempão separados e quando nos reencontramos estávamos na mesma página.
E esse gosto musical era uma espécie de obsessão pelo blues e pelo folk.Pela qualidade mitológica/histórica.

– E de onde surgiu o nome The Lonesome Duo?

Rennan: Sim, e na mesma época nos aprofundávamos na criação musical de brass bands ciganas, no jazz manouche. Por fim, prometemos um ao outro que escreveríamos um disco; e que o dedicaríamos ao Vivian Stanshall, figura que muito nos inspirava.

Luiz: Acho que “Lonesome” era uma palavra que ao mesmo tempo em que traduzia um pouco das nossas músicas, estava em muitas das canções de Hank Williams, que na época era um dos nossos heróis.
“Alone”, “lonely” e “lonesome” tem significados parecidos.

Rennan: E parte de nossas músicas já existia em nossos projetos individuais, de modo que, ao nos unirmos, criamos uma dupla composta de dois trabalhos solos.

Luiz: Mas lonesome é um solitário triste, sem esperança, como eram mais ou menos essas músicas.
Exato. No começo era mais fácil distinguir que música era de cada um hoje em dia mesmo que eu escreva uma música sozinho, já tento incluir nela a cara do Rennan, pra que soe como uma música nossa. Ainda mais por termos vozes complementares.

Rennan: E personalidades complementares, de certa maneira. Sobre o nome, acho que é isso.

Luiz: Muitas vezes já escrevo uma melodia pensando em como ela se encaixaria na voz dele (que no caso é um tenor, enquanto que eu sou barítono).

– Eu sei que vocês já citaram algumas, mas me digam quais são suas maiores influências musicais!

Rennan: Individuais?

Luiz: No meu caso: Gringas: David Bowie, Paul McCartney, Tom Waits, Hank Williams, Howlin’ Wolf, Nick Drake, Viv Stanshall & Neil Innes (dos Bonzos). Nacionais: Chico, Cartola, Silvio Caldas, Francisco Alves, Nelson Gonçalves.

Rennan: De modo geral, a “Anthology of American Folk” é um importante fantasma rondando a música do Duo.

Luiz: Sim. Harry Smith, é nosso ponto principal de contato. Alan Lomax… Esses grandes pesquisadores da música folk. Acho que esse caráter mitológico da música folk e dos early blues permeia muito o nosso imaginário
Os lendários Stagger Lee, John Henry.

Rennan: Sim. A partir disso acrescentamos nossas visões pessoais. Posso estar ouvindo elementos que não fazem parte de nosso universo, por exemplo. Contudo, ensaiar, compor e tocar com o Lonesome Duo são elementos que acabam me trazendo de volta a esse ponto inicial. A música folk, o gospel, as histórias ancestrais.

Luiz: Sim. E tem esse flerte com a música cigana também, que influenciou todo o folk em dado momento da história.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Rennan: Não consigo (risos).

Luiz: Por alguns anos definimos como Blues elétrico cigano. mas já mudou tanto. Hoje em dia é uma mistura de tudo: blues, jazz, country, folk, canção…

Rennan: Fico muito contente quando fazem isso. Quando me dizem o que parece, o que lembra, o que sentem ao ouvir. É algo que não consigo fazer estando aqui, na parte de dentro.

Luiz: Eu consigo identificar os elementos que eu mesmo coloco nas composições, mas muitas vezes a visão das pessoas é diferente. Por exemplo: quando eu coloco elementos de música tradicional grega, ou alguma coisa do klezmer, e a pessoa identifica como rockabilly ou dixieland jazz.

Rennan: Particularmente gosto da ideia de que quando o trabalho está concluído ele não me pertence mais. Muitas vezes falho em reconhecer elementos. Meus, dos outros. Por isso essa dificuldade em definir. Da minha parte.

Luiz: Sim, acho que vc tem uma visão mais social da coisa, e eu mais estrutural. Uma relação, no caso.

The Lonesome Duo

– Me contem um pouco mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!

Luiz: Então, a gente estreou com um EP de 4 músicas, gravado ao vivo no estúdio NaCena (a sessão teve 8 músicas no total). Reúne nossas canções mais antigas, do jeito que elas soavam nos shows. Além da banda tivemos a participação do Reinaldo Soares (Destemido Rei) e do Rob Ashtoffen, do Chaiss na Mala, tocando trompete e sax tenor, respectivamente. A produção ficou por conta do Nuno Bianchi e a gravação pelo João Milliet (com assistência do Tico Prates).

Luiz: Foi uma consolidação do nosso repertório autoral, que já tocávamos em shows há mais de 3 anos.
Fizemos o lançamento online com as 8 músicas, diferente do disco físico. Lançamos elas em pares, reunidas pelo tema das músicas “Recklessness & Regret”, “Sweet Medicine Mama”, “Hope & Helplessness” e “The Fortune Teller”. Lembrando agora, uma das primeiras influências do duo eram os Medicine Shows, aqueles antigos espetáculos de rua que vendem produtos milagrosos.

– Me conta mais dessa influência dos Medicine Shows. Como assim?

Luiz: Tinha muito a ver com o imaginário e com a estética os malandros, mendigos, ciganos, viajantes. Os charlatães ficavam fazendo esses pequenos shows de rua, em caravana, sobrevivendo da lábia. Era a identidade perfeita. enquanto nos apresentávamos de mesa em mesa, a gente contava um grande mito sobre nossas origens
o publico se encantava com as mentiras. Acho que aí que tá a identificação com os medicine shows. Era meio o que a gente era. Dois bêbados eloquentes, cantando sobre histórias impossíveis. Busking também, sempre foi uma coisa q me fascinou.

– Aliás, vocês tem dois formatos de banda, né? Como é isso?

Rennan: Sim. Nos apresentamos como dupla e também com a banda completa.

Luiz: Pois é. Por varias questões, mas principalmente praticidade e espaço. Muitas vezes o local não possibilita uma banda de 6 pessoas (ou 8 agora no show do novo disco) e muitas vezes o cachê não vale a pena pra ser dividido em tanta gente. E é o que fazíamos originalmente, vozes, violão.

– Qual a opinião de vocês sobre a cena independente hoje em dia?

Luiz: É ótima. fora de São Paulo vejo uma seriedade e um profissionalismo enormes. Aqui na capital o acesso é mais fácil, então tem bastante coisa, nem tudo tão redondo quanto o que eu venho ouvindo. Fortaleza, Rio de Janeiro. Só coisa incrível, no sentido de bem produzido, de sério. Eu produzo o festival Folia Profana, aos domingos na Paulista onde convido 6 bandas autorais independentes pra se apresentarem. E nessas eu tive acesso a essas bandas novas q sao do caralho e muito mais organizadas q muitas bandas daqui.

– E como é a aceitação com bandas que fogem do pop e do rock, como vocês, e entram em estilos mais “nicho”, mesmo que com qualidade?

Luiz: A aceitação é complicada, mas não em relação ao estilo. Acho que a maior barreira é a língua, as pessoas querem ouvir música em português, é uma coisa que sempre ouvimos do público. Mercadologicamente falando
as casas privilegiam as bandas de cover, então autoral e em inglês já são dois degraus pra baixo.

Rennan: Sobre a cena independente, vejo “cenas” distintas. Agrupamentos diferentes de bandas que dialogam entre si. Grandes trabalhos, excelentes produções. Vejo também uma dissonância em relação ao pensamento anterior de “mantenho-me no underground até que uma grande gravadora me descubra”. Muita gente consegue viver gerindo seu próprio material. Justamente por isso acredito que haja espaço para todos. A questão é compreender onde se deseja chegar com determinado tipo de música, informar a sua tia que dificilmente ela vai ver sua banda no Raul Gil. É preciso conhecer as partes boas e ruins de cada proposta.

Rennan: A tal discussão do “gosto popular”, sempre muito complicada.

Luiz: Sim. E a grande mídia privilegia alguns nichos mais alinhados com tendências mundiais do mercado
veste de maneira vendável alguns temas, e o resto é preterido. Depender de Raul Gil, Faustão, da grande mídia, é inviável.

Rennan: Acho que existe um importante conjunto a ser perseguido: qualidade musical, originalidade e alguma verdade. Todos esses atributos, aliados à boa divulgação, aliados a um bom trabalho de assessoria, abrem muitos caminhos.

Luiz: Sim. Se a coisa é incontestavelmente boa, o caminho é mais fácil. Porque o que foi percorrido durante a construção da banda também conta.

– Mas como isso pode ser melhorado, sem esse auxílio da grande mídia?

Luiz: Acho que a internet ajuda muito. E as pequenas rádios, os pequenos programas/emissoras locais de TV, todas tão atrás de conteúdo.

– Voltando, me fala mais sobre esse trabalho que você faz na Paulista. Como rola? Como é a recepção do público?

Luiz: Eu levo equipamento completo, desde PA até bateria, microfones, amplificadores. Combino com as bandas uma semana antes, elas ajudam na divulgação. Começa geralmente meio dia e vai até as 21h, e com 40min – 1h de som pra cada banda. Só autoral, só independente, qualquer estilo. E tudo grátis.

– E rola semanalmente?

Luiz: De 15 em 15 dias, sempre aos domingos. Agora só voltamos em setembro. Fiz uma pausa pra organizar o lançamento do disco novo. O público adora. todo mundo q assiste quer participar de algum jeito. As bandas sempre agradecem muito pelo espaço. É uma espécie de networking tb, colocar 6 bandas de vários cantos do país, se conhecendo, dividindo o mesmo palco.

– E como é a recepção do público? A Paulista junta gente de todo tipo, muitos dos quais nunca ouviram música independente e até os conservadores malucões…

Luiz: Pois é, o publico é bem variado e tem muita gente aos domingos. como as bandas são bem diferentes entre si, o publico vai mudando com o passar do tempo. Mas sempre tem aqueles que procuram coisa nova, que gostam de variedade. Desde moradores de rua até engravatados, sempre tem alguém que fica até o final.

– Quais são os próximos passos da banda?

Luiz: Estamos marcando o lançamento do disco novo. É um álbum conceitual, terminamos a gravação em abril.
as músicas são amarradas por um tema em comum, mas cada uma com um ponto de vista individual.

Rennan: Chama-se “Smokey Dawn”.

– Opa! E já está gravado?

Luiz: Sim. aqui no www.thelonesomeduo.bandcamp.com você consegue ouvir a primeira e a última música do disco. É um salto meio distante do que vínhamos escrevendo.

Rennan: Sim. O “Smokey Dawn” conta com elementos que até então jamais haviam aparecido em nossas gravações anteriores.

– Quais são essas diferenças?

Luiz: Arranjos de cordas, piano e metais… É um disco mais calmo, menos elétrico, permeado por uma certa angústia e com uma certa grandiosidade, diferente da simplicidade da gravação ao vivo. É um disco pretensioso, de storytelling.

Rennan: Trata-se de um trabalho um pouco mais sombrio, onde se fez presente a atenção ao mínimo detalhe. Há também uma preocupação com certa textura narrativa, como o Luiz mencionou.

Luiz: Não que seja um novo rumo pras nossas composições, acho que é uma obra que funciona sozinha, independente da história musical do duo.

Rennan: E tenho o pressentimento de que o álbum sempre existiu em algum lugar de nossa história, sendo 2017 o ano propício à sua gravação e divulgação.

Luiz: Sim. Algumas canções são de abril de 2017, outras de abril de 2007. É um tema, um conteúdo que nos acompanha há anos. E tivemos a chance de gravar exatamente como o disco exigia. Na primeira faixa, “She’s In My Garden” tem trechos com 5 trombones, trompetes, quarteto de cordas, piano, contrabaixo, simultaneamente.
Trabalho do Pedro Penna, que junto comigo produziu e arranjou o disco.

Rennan: O que de certa maneira se opõe ao Lonesome Duo em seu princípio: gravações caseiras, em dupla, mais simples.

– Por fim, recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos!

Luiz: Exato. Acho que “Smokey Dawn” representa o que estava dentro da cabeça daqueles dois meninos enquanto cantavam em dupla, com o violão debaixo do braço.

Rennan: E que os meninos não são mais meninos. Depois dos trinta as ressacas costumam durar mais.

Luiz: Rapaz, eu recomendo Verónica Decide Morrer. Recomendo o Murilo Sá e os amigos do Chaiss. Uma banda chamada Casa de Velho, lá de Fortaleza. A Mari Romano e a Mafalda Morfina. O Daniel Zé e o Lennon Fernandes. Os meninos do Highjack. E as coisas novas do Lucas Cyrne, que logo logo tão aí.

Rennan: “Tropicaos”, disco de estreia do Molodoys, aqui de São Paulo, reúne uma porção de coisas que me chamam a atenção – gosto bastante! O trabalho instrumental dos 3 Cruzeiros também é fantástico. Os shows são incríveis.

Luiz: Sim. Lançando disco novo também. Tem um monte de gente legal. João Vedana também, de Lajes para o mundo. Jonnata Doll & os Garotos Solventes!

Cantarolando: Moça, vai lá fazer seu roque! “I Wanna Be Your Joey Ramone”, de Sleater-Kinney

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Sleater-Kinney
Sleater-Kinney

Cantarolando, por Elisa Oieno

Estava conversando com uma amiga, que está à procura de uma guitarrista solo para uma banda. Ela logo em seguida me disse que está sendo bastante difícil, não só encontrar uma guitarrista que se encaixe no som e na proposta da banda, mas simplesmente encontrar uma guitarrista solo. A conclusão que se chega é que isso na verdade é um sintoma do quanto que as garotas ainda são desestimuladas a se aperfeiçoarem e a se projetarem como lead guitar, um território ainda tão masculino.

Pensando no aspecto histórico da herança desse desestímulo sobre as garotas, podemos citar do emblemático caso da irmã do Mozart, Marianne. Reconhecido como um dos maiores gênios prodígios da história da música, Wolfgang Mozart tinha uma irmã mais velha, potencialmente tão talentosa quanto ele – pelo menos é o que dizem os registros da época. Ela foi uma grande influência para Mozart, que a tinha como modelo. Desde criança, Marianne, assim como o irmão, realizava concertos de piano e harpa, e suas performances ganharam fama o suficiente para saírem em turnê pela Europa.

Porém, ao atingir a idade para se casar, ela foi pressionada a largar a música. O pensamento da época era que não é apropriado para uma moça crescida se ocupar com a música ao invés de cumprir seus deveres de esposa. O pai também desaprovava a escolha de Wolfgang de seguir a carreira musical, o que resultou numa briga entre eles, mas o jovem Mozart seguiu mesmo assim. Porém, Marianne acabou cedendo aos desejos da família – e da sociedade.

Há registros de trocas de correspondências entre Wolfgang e Marianne, em que ele elogia suas composições, o que demonstra que ela também compunha, porém estas acabaram se perdendo. Talvez teria sido uma compositora tão importante quanto o irmão, se tivesse tido o estímulo, o apoio e o reconhecimento.

Isso que aconteceu com a irmã do Mozart é muito comum, e de certa forma ainda ressoa. O resultado disso é poucas referências femininas nas artes e na música, gerando uma dissociação muito grande entre o que se admira e o que é possível se espelhar para ativamente criar e ser. Dito isso, voltemos para a breve ‘girl talk’ que tive no estúdio sobre mulheres guitarristas. E é aí que entra a música homenageada de hoje, da Sleater-Kinney. Carrie Brownstein é uma das guitarristas mais reconhecidas do indie.

A canção ‘I want to be your Johnny Ramone’ passa a ideia de uma garota olhando para um quarto cheio de pôsteres dos ídolos do rock – todos homens – e querendo ser como eles, nem que seja para ser admirada pela amiga ou namorada – ou amigo/namorado – tanto quanto eles. Esse é basicamente o resumo do sentimento de uma menina adolescente que sente um misto de atração sexual e vontade de ser esses garotos das bandas que tanto amamos.

Já falei sobre – a escassez de – referências femininas no rock outras vezes, e é uma tecla que já está ficando gasta de tanto bater. Nesse sentido, Sleater-Kinney é um daqueles grupos que fez um favor para diversas garotas se encorajarem a montar suas bandas e conseguirem se ver sendo fodonas com uma guitarra.

Construindo The Ed Sons: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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The Ed Sons

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda The Ed Sons, que traz uma intersecção entre o indie, o stoner e o garage rock. A banda é composta de integrantes de várias cidades de SP e formou-se em Araraquara em 2010. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

The Strokes“Juicebox”
Fernando: Desde a primeira audição dessa música o timbre do baixo nunca mais saiu da minha cabeça, é bem característico e com uma sonoridade saturada com muito médio, é uma das músicas mais legais do “First
Impressions of Earth” e talvez a mais agressiva do Strokes com muitos berros do Julian.

Interpol“C’mere”
Fernando: O Interpol nos tempos em que Carlos Dengler ainda fazia parte da formação da banda tinha a melhor ‘cozinha’ do indie dos anos 2000, criando linhas de baixo que honravam o legado deixado por Peter Hook (Joy Division/New Order). Além disso, é sensacional o clima cinzento e sensações soturnas em cada uma das músicas dos primeiros discos da banda, que eram claramente inspirados nas bandas de pós punk dos anos 80.

Television“Marquee Moon”
Fernando: Guitarras limpas e trabalhadas com riffs simples e melódicos sempre nos chamaram a atenção nas músicas que costumávamos ouvir. É muito legal notar que as bandas que adorávamos tiveram como referência o Television, sobretudo em “Marquee Moon”, um disco de 1977. Os riffs em círculos e a sonoridade crua dessa músicas fazem parte das coisas mais legais rock do final dos anos 70.

Tame Impala“The Less I Know the Better”
Fernando: Por falar em dançar, é quase impossível passar imune a essa charmosa linha de baixo do Tame Impala. Ainda está bem fresco na minha memória o tamanho do hype que o lançamento do “Currents” causou em toda essa cena indie, neopsicodélica. Confesso até que isso foi motivo da minha resistência inicial com essa banda do ‘senhor faz tudo’ e tido como geniozinho Kevin Parker, mas essa música me ganhou e hoje consigo entender e concordar totalmente com o tal hype, tanto que foi uma das músicas que mais bebemos da fonte para criar uma de nossas músicas do EP “The Chase”.

Arctic Monkeys“Brianstorm”
Renato: Explosão, velocidade e simplicidade: essas foram as primeiras impressões ao ouvir esta música. Elementos que reúnem o que o indie rock tem de melhor, tudo isso junto à descomunal habilidade do vocalista Alex Turner em encaixar frases complexas e metafóricas nas estrofes e fazer a canção possuir um ritmo único.

The Hives“Main Offender”
Renato e Diego: O que chama atenção no The Hives é a capacidade de trazer a simplicidade dos riffs ao melhor estilo punk rock e transformá-los em músicas dançantes e cheias de energia que dão vontade de sair pulando. “Main Offender” resume tudo isso e um pouco mais. Antigamente a gente costumava usar figurino social para tocar muito por causa do The Hives. Rolava aquela certa ironia: os caras todos engomadinhos quebrando tudo no palco e enlouquecendo (vide a embasbacante presença de palco do vocalista Pelle Almqvist).

Bloc Party“Banquet”
Renato: A primeira fase do Bloc Party traz tudo que uma pista de dança precisa. “Banquet” traz uma influência do pop festivo, as guitarras no contratempo, a levada no chimbal da bateria e as linhas de baixo tornam a música uma ótima escolha para agitar a noite.

Far from Alaska“The New Heal”
Renato: Uma das melhores bandas nacionais da atualidade, eles trazem diversas influências que abrangem todo o peso do stoner rock, riffs simples e criativos do blues, elementos eletrônicos e até um interlúdio progressivo que preparam o campo para o vocal único e marcante de Emmily Barreto, que certamente é um dos destaques da banda.

White Lies“Farewell to the Fairgrounds”
Diego: Essa música tem uma mistura muito interessante de indie rock, pós punk e funk rock. Esse tipo de fusão na minha opinião enriquece muito as composições, e tentamos aplicar um pouco desse conceito nas nossas músicas. Particularmente gosto muito dessa banda e vez ou outra acaba rolando uma inspiração dela quando estou compondo ou fazendo uma jam.

Franz Ferdinand“This Fire”
Diego: Esse som tem guitarras frenéticas e bateria pulsante, tudo que a gente espera do indie rock: ambos os
elementos estão presentes também muito fortemente no nosso primeiro EP “The Last Cigarette”. Essa música transita entre uma festa dançante e uma quebradeira pesada, e é exatamente esse espaço que queremos ocupar. Hora você está dançando e hora você está batendo cabeça. Gosto dos dois.

The Killers“Jenny Was a Friend of Mine”
Diego: Provavelmente o primeiro contato mais pessoal que tive com o que viria a ser chamado de “indie rock”. Claro que com certeza já tinha ouvido “Take Me Out” do Franz Ferdinand aqui e acolá, mas me lembro perfeitamente que quando coloquei para tocar o lendário “Hot Fuss”, o baixão da intro dessa primeira faixa me acertou em cheio direto como um soco. Foi uma das experiências mais legais que tive com música. Além disso, o baterista Ronnie Vannucci é hoje uma das referências em bateria pra mim nesse estilo, com suas levadas contagiantes, grooves de chimbal e viradas.

Aeromoças e Tenistas Russas“2036”
Diego: O “The Chase” foi produzido, mixado e masterizado pelo guitarrista Gustavo Koshikumo, e na época da pré-produção ouvíamos muito o excelente disco “Positrônico”. Claro que essa interação tão forte e próxima influenciaria na forma como realizamos a composição e produção das músicas, e 2036 é a minha favorita desse disco. É muito dançante e criativa, e também tem seus trechos mais rock’n’roll.

Black Drawing Chalks“Red Love”
Victor: Com uma performance impecável ao vivo, certamente Black Drawing Chalks é minha maior
inspiração dentro do cenário nacional. Diretamente do “Live in Goiânia”, “Red Love” é, do começo ao fim, um rolo compressor. O instrumental acelerado e potente, as guitarras “sujas” e muito bem executadas do stoner rock e o vocal inconfundível de Victor Rocha, são as tônicas presentes em todos os trabalhos dos caras e que me inspiram grandemente no palco.

Death From Above“Crystal Ball”
Victor: Desde seu começo com o groove do baixo e a bateria bem marcada, passando pela entrada do vocal característico levemente rasgado do vocalista/baterista Sebastien Grainger até o refrão bem preenchido com
efeitos de synth, é impossível não se contagiar com “Crystal Ball”. A banda, de volta com o álbum “The Physical World” e já com novo single (“Freeze Me”), após hiato que durou de 2006 até 2011, é composta apenas por dois integrantes, mostrando que não é preciso muito para se fazer algo realmente fantástico. Por esses e outros motivos, DFA é sem dúvida uma das maiores referências para nós.

Placebo“The Bitter End”
Victor: A melancolia é o tema central da banda, mas isso jamais pode se sobrepor ao excelente trabalho que fazem com os instrumentos nas mãos. “The Bitter End” transcende qualquer barreira temporal, com um instrumental simples, mas que, como em todo o trabalho da banda, o vocalista Brian Molko consegue transformar em obra prima. Sua potência vocal e seus agudos nos levam a fechar os olhos e nos transportam para dentro de nossos mais profundos sentimentos.

Queens of the Stone Age“Feel Good Hit of the Summer”
Victor: Com poucas notas, poucas palavras, mas muita distorção e feeling de sobra, “Feel Good Hit of the Summer” mostra porque, ao lado de “Lullabies To Paralyze”, “Rated R” é provavelmente um dos mais fenomenais e arrebatadores discos da banda. Josh Homme, que dispensa apresentações, acerta em cheio com esse trabalho e mostra porque é um dos maiores músicos da atualidade. Sua extensão vocal e timbre moldam um som ao mesmo tempo dançante e para bater cabeça e que, com qualquer outro vocalista, seria apenas mais um som. Eu como vocalista, não podia deixar de curtir e citar o cara. Long live Queens of the Stone Age!

The Raconteurs“Steady As She Goes”
Igor: O jeito com que o Raconteurs acelera e desacelera a levada e a forma com que eles timbram as distorções das guitarras casa muito com as nossas composições. Nós sempre buscamos essa alternância como uma forma de manter o som da The Ed Sons como “som de pista”.

Muse“Hysteria”
Igor – O timbre do baixo e o riff bem presente tem tudo a ver com o tipo de música que nós mais gostamos de fazer. Baixo marcante e riff bom é um ponto de convergência nosso. Além disso, a guitarra com uma distorção com bastante brilho me agrada pessoalmente.

Royal Blood“Ten Tonne Skeleton”
Igor: O que me chama mais a atenção nesse duo é que o que eles fazem é de uma simplicidade incrível. Esse som em especial tem uma levada mascada que é demais e, ao vivo, funciona melhor ainda.

Foals“What Went Down”
Igor: Quer mais pegada que isso? A forma com que eles criam um clima de tensão nessa música é absurda e o som da The Ed Sons, que na minha opinião tem muito a ver com ansiedade e inquietude, tem muita influência disso. Além do que a performance ao vivo deles também transmite uma coisa de você não conseguir tirar o olho por querer ver o que eles vão fazer em seguida.

Filosophone: Alcides Neves, a fratura que rompe com bossanovistas e tropicalistas

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Filosophone, por Matheus Queirozo

Sem medo e a fratura exposta

(Alcides Neves, 1979)

 

Tempo de Fratura é um disco que rompe com a Bossa Nova e a Tropicália. Seria isso um parricídio? Você perguntaria: mas que diabo é isso? Eu respondo: segundo o dicionário “Mini Aurélio” de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “parricídio” é um substantivo masculino que significa “o assassinato do próprio pai”. Durante a história da filosofia, muito se nota o rompimento de pensadores com seus mestres. Platão, em um determinado momento dos seus Diálogos, passa não mais a dissertar sobre as ideias de Sócrates, mas resolve usar a figura de seu mestre, que é seu personagem principal, para colocar na boca dele as ideias agora platônicas; Aristóteles, estudante da Academia de Platão, rompe com o mesmo, seu mestre, e com sua Teoria das Ideias (ou Formas).

E a vida segue dessa maneira. No mundo da psiquiatria, psicanálise e psicologia isso acontece muito também. Carl Jung rompeu com seu mestre Sigmund Freud. Mas será que isso Freud explica? Quem sabe.

Para não ir muito longe, vamos falar aqui de um cearense que é psiquiatra. Talvez ele tenha encontrado a cura para os seus males da alma fazendo arte, portanto, além de psiquiatra, esse cearense radicado em São Paulo também é cantor, poeta e compositor. Talvez a maioria de vocês leitores nunca tenha ouvido falar nesse artista. Isso porque ele não é um artista comercial, daqueles que lançam discos e mais discos e singles e jingles de natal durante todo o ano, que faz comercial de cerveja, que vai aos programas do Faustão, da Ana Maria Braga ou no Programa do Ratinho. A praia dele não é o mainstream. Tenho certeza que você nunca teve um vizinho que colocasse a todo volume alguma música dele. Esse sujeito é misantropo? É o escritor Dalton Trevisan, vampiro de Curitiba, que foge de jornalistas? Não, nada disso. Ele é uma pessoa normal (normal de comum; normal de normal, nem tanto). Não é a estrela do mundo pop, não tem os vídeos mais visualizados do YouTube, nem tem canal no YouTube. O nome dele é Alcides Neves.

Alcides Neves produziu em 1979 um disco que rompe com a Bossa Nova dos Tons Jobins, dos Vinicius de Moraes, compositores de amores boêmios, das Naras de voz de voo de passarinho (o poeta Ferreira Gullar foi quem escreveu que a voz dela lembrava passarinho, mas não passarinho cantando, e sim voando), das Garotas de Ipanemas quenão têm o que fazer da vida e vivem exibindo sua beleza europeia pelas praias, enfim, rompe com toda essa beleza de burguês entediado; rompe também com a vanguarda esteticamente precursora da “mistureba” de erudito com popular (que tem mais de impopular do que não sei o quê, cheio de letras que mais pareciam poesia concreta; nunca vi, para ser considerado popular, pessoas comuns no dia a dia ouvindo esse tipo de música cheia de jogos de palavras, de aliterações e metáforas), que era o movimento da Tropicália. A sua arte é independente, independente de demandas, de empresários, de gravadoras, independente de mestres.


Acabaram os anos 60 e os anos 70. Eis que chega a vez do novo – de novo! Mais uma vez o novo querendo ser mais novo que o novo que o antecedera? No início dos anos 80, Alcides Neves lança “Tempo de Fratura” (ele afirma em entrevista que o disco foi feito em 79 e lançado em 80). Não é nenhum manifesto querendo ser novo como o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil” dos modernistas da Semana de 22, não é nenhum “Chega de Saudade”, muito menos um “Tropicália ou Panis et Circenses”. Mas é algo novo mesmo sem que seu autor tenha dito que queria fazer algo novo. É aquele tipo de artista que não planejou a inovação de nada, ele é a própria renovação.

Esse disco do início de 80 é uma fratura, uma espécie de parricídio com qualquer coisa que tenha vindo antes. Esse disco soa como uma atitude corajosa de um artista experimental. Alcides Neves lançou esse disco de uma forma independente, sem compromisso com modismos que visasse o lucro.

Muitos tentam enquadrá-lo na nova vanguarda que surge na década de oitenta com Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, a chamada Vanguarda Paulistana. Mas ele, como legítimo artista independente, psiquiatra de si mesmo, um criminoso estético – posto que cometeu o parricídio – insiste em dizer que não, não faz parte de nenhum movimento!

Alcides Neves é dono de si. Sua individualidade, sua independência e seu experimentalismo são a fratura, o rompimento, com qualquer tipo de vanguarda.

Escreve Alcides Neves na contracapa do seu álbum: “se algum mérito tiver esse LP, é o de se achar inteiro na sua deformidade, tendo sido totalmente planejado sem interferências externas”. Esse é o “Tempo de Fratura”.

Piadistas Th’ Losin Streaks pisam fundo no garage rock e tentam há 10 anos lançar seu 2º disco

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Th' Losin Streaks
Th' Losin Streaks

O quarteto Th’ Losin Streaks, de Sacramento, lançou em 2004 seu primeiro disco, “Sounds Of Violence”, pela Slovenly Recordings. O álbum, cheio de garage punk sessentista da melhor qualidade, levou a banda a fazer diversos shows matadores nos Estados Unidos, fazendo com que eles fossem nomeados como “melhor banda de Sacramento” pelo site News Review.

Mas desde então, os veteranos da cena Tim Foster (guitarra e vocal), Stan Tindall (baixo), Matt Shrugg (bateria) e Mike Farrell (guitarra) ainda não conseguiram lançar seu segundo álbum. Dedões quebrados, perda de fitas, prisões por contrabando de calças jeans de designers famosos e tráfico de arraias elétricas são algumas das “desculpinhas” que os quatro me deram para tanta demora para lançar novos sons. Será que algum é verdade? Bem, não importa. O importante é que a banda voltou com tudo e está “reaprendendo os sons antigos”, segundo eles, para “assassinar alguns palcos” por aí.

Entre piadas, trocadilhos e zombaria, conversei com a banda sobre sua carreira, suas influências, “Sounds Of Violence”, baixos sendo lambidos, um certo ódio pelo Kiss e seu amor pelos Mutantes:

– Como a banda começou?

Mike: Éramos todos de bandas diferentes, exceto Tim e Stan. Tínhamos interesses musicais semelhantes, então pensamos “por que não?”. Acho que foi o Tim, no entanto, que inicialmente teve a ideia para a banda.

Matt: Foi ideia do Tim. Ele queria começar uma banda que tocasse algo na linha do Downliners Sect, mas na época soamos como se fôssemos os “Downliners Suct” (~os Downliners São Uma Droga~)  em vez disso.

Tim: Eu queria começar uma banda que era uma espécie de versão de do Thee Headcoats, de Sacramento: som bruto, equipamentos antigos e, como disse Matt, muito influenciou a influência de Downliners Sect.

– E como vocês se conheceram?

Mike: Nós conhecemos há muito tempo em uma festa que o Tim fez, acho. Éramos de bandas diferentes, como eu disse, e Tim era geralmente o frontman. Acho que ele queria tocar guitarra e veio pra mim um dia e perguntou se eu estaria interessado em começar uma banda com ele chamada Th ‘Losin’ Streaks. Um nome tirado de uma letra de uma música dos Rolling Stones (“Satisfaction”).

– Quais são suas principais influências musicais?

Mike: Varia. São muitas. Eu estava ouvindo Pandora e no aleatório veio uma música do Billy Childish e eu pensei que fosse uma das bandas de Tim.

Tim: Inicialmente, a Sect, o Sonics e o Billy Childish foram mais fortes – mas assim que Mike entrou, mudamos de marcha muito rápido. Dá pra notar que Stan sempre quis algo com uma pegada um pouco mais Archies.

– Atualmente, mais e mais bandas de rock estão investindo em uma abordagem mais eletrônica. Por que ir na direção contrária, tocando um som mais calcado no garage rock?

Mike: Nós temos uma abordagem eletrônica … Conectamos nossos amplificadores.

Matt: Essa merda eletrônica não tem alma.

Mike: E a gente não sabe dançar.

Tim: Eu não ouço nada disso. Acho que eles deveriam tentar algo novo com os velhos três acordes.

– Contem mais sobre o material que vocês lançaram até agora!

Matt: Está fora de catálogo.

Mike: O nosso único disco lançado até agora foi gravado quando tínhamos só duas semanas de banda, acho.

Matt: É rock de garagem eletrônico. Não compre o single. Tem uma faixa do álbum nele.

Mike: É, o remix dance com cerca de 36 minutos de duração.

Stan: Um LP até agora e mais um em que estamos trabalhando há mais de uma década.

– Então o registro contém as ideias da sua primeira música.

Mike: Sim. E alguns covers.

Matt: As masters do segundo álbum foram perdidas, mas recentemente encontramos um armário de vassouras na estação de trem da Amtrak. Foram as mesmas ideias do segundo…

Tim: Sim, primeiro LP eram músicas em que eu trabalhava há alguns anos mais algumas covers, como The Stoics e Guess Who. Foi gravado por Chris Woodhouse, com quem trabalhamos no álbum “Trouble Makers”. Naquela época, ele tinha todas as suas máquinas de gravação em algumas malas que ele levava por aí!

Th' Losin Streaks

– E porque o segundo disco está demorando tanto?

Mike: Porque a Amtrak não devolve nossas masters! Brincadeira. Porque eu fui para a cadeia por traficar jeans de designers famosos.

Matt: Explicando porque vai demorar mais: acho que a TMOQ vai lançar o segundo.

Stan: Eu acho que havia pelo menos um polegar quebrado e uma caixa de som quebrada envolvida na história.

Tim: A resposta curta é que as músicas no segundo disco são um pouco mais complicadas, e quando chegamos para a gravação, não estávamos ensaiando tanto. Então, começamos a ir em direções diferentes – Matt e Mike queriam algo com cara do Who de 1969 e eu queria que fôssemos o The South Bay Surfers. E sim, o polegar quebrado de Matt não ajudou!

Matt: Na verdade, eu queria ser o The Who de por volta de março de 68… Coisas de antes de usarem macacão!

Tim: Matt só gosta das roupas de aniversário.

Matt: Nunca fiquei muito feliz com o jeito de tocar do Mike…

Stan: Quem acordou o Matt?

Matt: Eu estou bem acordado, cara.

Mike: Caralho… nem eu estou feliz com o meu jeito de tocar.

Matt: Cala a boca, cara… Seu Jimmy Page. Ou Jimi Hendrix.

Mike: Assim é melhor!

– Como você descreveria um show de Losin Streaks para alguém que nunca assistiu?

Matt: (Ainda pensando)

Mike: Eeesh.

Matt: Uma banda de nerds de cabelos grisalhos tentando assassinar o palco. Não, uh… Desculpe, nerds de meia idade de cabelos grisalhos…

Mike: Tentando assassinar algo.

Matt: Para mim, no palco, tudo o que eu odeio são as peles da bateria e eu tento matá-las.

– Você estão trabalhando em músicas novas?

Matt: Estamos trabalhando em músicas velhas.

Tim: Ainda estamos tentando reaprender músicas de 10 anos atrás.

Mike: Verdade, verdade.

Matt: Verdade.

Tim: Tivemos cerca de 8 anos de folga, então…

Matt: Aprender algo novo pode levar uns 10 anos.

Mike: Sim, como eu disse, acabei de sair da prisão por contrabandear arraias.

– Então, o que podemos esperar da banda nos próximos meses?

Matt: Ensaios.

Mike: Verdade novamente.  Temos novas músicas a serem trabalhadas. Nós só precisamos passar a reaprender as antigas…

Tim: Nós estamos nos preparando para fazer shows na cidade natal – não tocamos em Sacramento faz um bom tempo.

Matt: Vamos tocar em nossa turnê de reunião de 2027.

Mike: (Risos)

Stan: Tenho alguns licks de baixo novos na minha cabeça.

Tim: Stan, são cowlicks (“lambidas de vaca”).

Mike: Agora nós só precisamos tirá-los da cabeça do Stan.

Matt: Você lambe seu baixo? Cara bruto…

Stan: É saboroso.

Matt: Uma ordem restritiva.

Mike: Ele acha que ele é Gene Simmons.

Stan: E eu não sou?

Tim: Mike, você acabou de descobrir isso?

Mike: Não. Eu pensei que ele era o Paul Stanley.

Tim: Eu pensei que ele era o Dot Wiggins, mas não.

Matt: Kiss é uma merda.

Tim: Obviamente.

Matt: Sem maquiagem, ninguém se importaria. OK, fim do discurso sobre o Kiss.

Th' Losin Streaks

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.

Stan: The Rantouls.

Matt: Dock Boggs.

Stan e Mike: Kiss.

Tim: Pergunta difícil – eu tenho fuçado em tanta coisa velha ultimamente…

Matt: Realmente não consigo pensar em ninguém… O mesmo que Tim, basicamente.

Tim: Concordo com o Rantouls, aliás.

Matt: Um mês atrás, eu teria dito Drug Apts. Mas isso foi há um mês atrás.

Stan: Nós deveríamos ter iniciado esta entrevista há um mês.

Matt: “Bodyguard” do The I.L.Y.S. é bom.

Tim: Há duas bandas locais com as quais tenho obsessão: Mental Defective League, que toca hardcore dos anos 80, e The Tropicali Flames, que faz jazz country, soam como Jimmy Bryant. Não tem nada gravado. Fora isso, eu ouço The Five Royales e The Falcons uma ou outra vez.

Matt: Agora acho que estamos só contando um pro outro o que estamos ouvindo.

Stan: Tento assistir o Giuda sempre que estão tocando por perto.

Tim: Não é tão novo, mas adoro algumas coisas do Nick Waterhouse. Gravações perfeitas.

Stan: Alguma chance de uma turnê em nosso futuro?

Matt: Você é vidente?

Tim: TODOS SEGREDOS SERÃO REVELADOS.

Stan: Eu preciso saber?

Matt: “Existe um cantor no nosso futuro?”

Tim: “Você nunca saberá”. O João está totalmente lamentando essa ideia de entrevistar a gente.

Stan: Podemos começar de novo?

Matt: Ei, o que eu faço com a senhora idosa sem cabeça? AH MERDA! Quero dizer, uh… Esquece.

Stan: Oi. Eu sou o Stan e toco o baixo.

Matt: Eu sou Matt e toco a bateria. Às vezes faço papel de babaca também.

Tim: E… fechamos.

Matt: Meu nome é Matt e eu estou aqui para dizer…

Th' Losin Streaks

– Querem mandar qualquer mensagem para os brasileiros?

Matt: Posso me mudar para aí?

Mike: Sim… queremos assassinar seus palcos por aí.

Matt: Esperamos vê-los no futuro.

Tim: Vocês não precisam de nós, você tem Os Mutantes!

Mike: Mas eles não estão mais juntos.

Matt: Tour conjunta! (Sem trocadilhos)

Mike: Então, sim… Os palcos aí precisam de alguém para assassiná-los?

Matt: Só agora percebi que Os Mutantes significa os mutantes… Nada mal, nada mal.

Stan: Comprem nosso disco!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Sílvia Sant’Anna

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Sílvia Sant'Anna
Sílvia Sant'Anna

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje a convidada é a cantora e compositora Sílvia Sant’Anna.

Carol Naine“Dizputa”
“Essa música sintetiza o brilho da Carol: genialidade/acidez na letra e perfeição na interpretação. Ela é um tapa na cara em sua crítica misturada com uma doçura sem fiz na voz e melodia. Não é a toa que a música foi indicada ao Prêmio Multishow de Música Brasileira!”

Gabriel Peri “Visitante”
“A primeira vez que ouvi esse som quase caí da cadeira. Apertei play mais umas 10 vezes depois. Vibrante, marcante, direta e poderosa! Ela pega no ínfimo mesmo, um dos trabalhos que eu mais gosto do Gabriel”.

Maglore“Mantra”
“Acompanho o trabalho do Maglore há séculos e é IMPRESSIONANTE a quantidade e qualidade de material cabuloso dos caras. Essa música virou o meu mantra e é DEMAIS poder vibrar com ela nos shows!”

Jota.pê“Lenda”
“Essa música é uma das inúmeras coisas fantásticas que o Jota produz. A voz marcante e única dele e a harmonia extremamente incrível de violinos são inspiradoras. Sou grande fã desse som”.

Hélio Flanders “Romeo”
“Simplesmente tudo me atrai nessa música: letra, harmonia, ritmo, instrumentos. Ela consegue entrar no coração e mexer com os sentimentos. Consigo visualizar todo um filme na minha mente quando escuto, é realmente um dos trabalhos que mais gosto do Hélio fora do Vanguart“.

“Stand By Me” (1986): moleques legais fazendo coisas de moleques legais

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Stand By Me

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Stand By Me (Conta Comigo)
Lançamento: 1986
Diretor: Rob Reiner
Roteiro: Bruce A. Evans e Raynold Gideon
Elenco Principal: Richard Dreyfuss, River Phoenix, Corey Feldman e Jerry O’Connell

Baseado no livro “O Corpo” (1982) de Stephen King, o filme com nome de música conta a história de um grupo de quatro amigos de uns 12 anos que saem sós pela mata para procurar o corpo de um colega que, segundo o que se dizia, havia morrido na floresta. Atravessando rios e lagos e ganhando beijos das sanguessugas, passando por pontes onde passavam trilhos do trem e correndo da locomotiva, indo a um ferro velho fugindo de um cão de guarda e acampando intercalando o sono entre duplas e fumando cigarros roubados dos pais, os garotos convivem intimamente, criando um laço de amizade particularmente bonito.

O filme, apesar de apontar para essa questão tétrica do cadáver, deixa isso apenas como uma espécie de pano de fundo: ele fala sobre esses garotos, suas histórias, seus desejos e as relações entre os quatro. Fala sobre a descoberta da vida e os momentos em que se fazem as memórias. E nesse sentido, a trilha aponta bem o caminho do longa.

Com cenas dos quatro andando sobre trilhos e cantando músicas bem ao estilão década de 50 (música de salão romântica toscona e uns R’n’B), a parte sonora do filme desponta pro clima good vibes que a tela gruda nas retinas contando com músicas como “Great Balls of Fire” (de Jerry Lee Lewis) e “Lollipop” (das Chordettes).

Contudo, o auge musical definitivamente é a última música. Tocada nos créditos finais, o som “Stand By Me” (1961) de Ben E. King, fecha o filme com chave de ouro, deixando pra quem quer que assista uma deliciosa sensação nostálgica.

Segue em link a trilha sonora e o filme completo.

Trilha:

Filme :

Valeu! Assistam, ouçam e curtam!

Mary Luz lança clipe de “Martírio”, música de seu primeiro EP, “Velejando no Afeto”

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Mary Luz

Dirigido por Edson Fell, “Martírio” é o segundo clipe de Mary Luz tirado do EP “Velejando no Afeto”, de 2015. Por meio de cenas aleatórias e cheias de texturas e filtros, o vídeo traz um olhar contemplativo para momentos sutis que passam despercebidos por muitas pessoas enquanto precisam lidar com desalentos cotidianos.

“As gravações foram divididas em duas etapas: cenas internas e externas”, conta Mary. “Algumas cenas foram filmadas em São Paulo, mas a maioria foi em Salvador, no Rio Vermelho. “A partir de um conjunto de imagens foscas e aleatórias, em harmonia com a música, espero que o clipe proporcione as mais diferentes sensações e impressões nas pessoas, levando elas à uma possível ressignificação do que se tem como essencial na vida”, explica.

O clipe conta com o poema “Sob a Vida” da poetisa Adriane Goecking no ínicio do vídeo.

Confira “Martírio”: