Construindo Leila: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Leila

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o a banda de Campinas Leila, formada por Bruno Trchmnn no electro-saz e Waldomiro Mugrelise na bateria.

Mattar Muhhamed“Mabruk Alek” (do disco “Belly Dance”)
Dificil escolher uma musica do Mattar, meu grande heroi do buzuq. Tem vários videos dele tocando no youtube, alguns em festas que eu gosto muito. Conheci ele logo que caiu um buzuq em minhas mãos e logo foi a primeira referência que encontrei. Essa é uma musica comum de dança do ventre.. As vezes eu escuto um improviso dele só pra conseguir pegar uns 5 segundos pra tocar depois e esses segundos rendem uma musica de 20 minutos. Eu amo esse cara.

Samira Tawfic“Anin El Naoura” (do disco “Anin El Naoura”)
Samira Tawfic é uma cantora libanesa que canta em um dialeto beduíno da Jordânia. Eu conheci ela em um cassete muito tosco, todo saturado, e ainda hoje acho estranho ouvir ela com um som limpo, porque pra mim era muito pesado (risos). Esse som eu adoro que começa com um buzuq, e a voz dela é linda.

Omar Korshid“Enta Omri” (do disco “Tribute to Om Koulsoum”)
Omar Korshid é um guitarrista, a musica é de Umm Kulthum e Mohamed Abdel Wahab. É apenas a introdução da canção original, e é um tema muito famoso. Omar é o rei da guitarra árabe, e como quase todo músico da época era também ator de cinema. Essa é talvez a única música árabe que eu realmente aprendi a tocar (mal).

Sivam Perwer“Yarê” (do disco “Lê Dilberê”)
Sivan Perwer é curdo, canta e toca o saz Por anos suas fitas foram proibidas na Turquia, Iraque e Síria por serem cantadas em curdo. É musica de luta, é muito direta e muito forte, é lirismo de combate. O saz tem esse som enorme na mão dele é só esse acompanhamento, esse disco tem um som grandioso que eu gosto muito.

Sun City Girls“Sev Archer” (do disco “You Are Never Alone With an Cigarette – Singles Vol 1.”)
Sun City Girls é algo sem volta, eu conheci por acaso um disco de singles “You Are Never Alone with a Cigarette” e peguei pelo nome, e quando ouvi foi um choque. Liberdade pra fazer o som que quiser, como quiser, onde quiser. Esse som tem muito das guitarras da musica árabe, mas o SSG é muito mais, free jazz, Vietnã, Marrocos, Kali, Iraque, espaço sideral, passado, futuro, vodooo, tabaco, ranho de camelo e drinks de vinagre. Sir Richard Bishop, Alan Bishop e Chales Gocher, amém. SSG é minha religião.

The Cure“A Forest” (do disco “Seventeen Seconds”)
Eu nunca passei pelo punk na adolescência, isso veio depois. Eu cai direto no post-punk e essa é basicamente a música que eu mais ouvi na vida. Esse som é perfeito, não é nem um som pra mim, é um lugar. As guitarras, e esse pulso que rola. Foda.

Sonic Youth“Bull in the Heather” (do disco “Experimental Jet Set, Trash and No-Star”)
Sonic Youth pra mim é uma obsessão, cada mês um disco diferente é o meu favorito, então tentei escolher um som sem pensar muito. Gosto do espaço nesse som, é esse lance dele ser tão simples e bastante emotivo para o Sonic Youth. Eu só “aprendi” a tocar guitarra porque li sobre as afinações que eles usam e isso me incentivou a afinar como eu bem entendia e tocar como eu quisesse.

Le Trio Joubran & Mahmoud Darwish“Sur Cette Terre – Faraadees” (do disco “A l’ombre des Mots”)
Mahmoud Darwish é o grande poeta da causa palestina, um dos maiores poetas da poesia árabe moderna. Le Trio Joubran é um trio de oud também palestino. Eu conheço a poesia por traduções, não sei nada de árabe. Esse som eu ouvi primeiro solto, sem o resto do disco, tipo uma pedrada.

Victor Jara “El Derecho de Vivir en Paz” (do disco “El Derecho de Vivir en Paz”)
No começo do Leila (quando chamava Para Leila Khaled) a ideia era alternar entre barulho, drone e canções como essa. Essa fase não tem quase gravações, mas quem foi nos shows deve ter visto um instrumental desse som outras canções como “Bella Ciao”. Inacreditável de bonita.

Stereolab“Crest” (do disco “Transient Random-Noise Bursts With Announcements”)
Stereolab pra mim é catarse e emoção, não sei da onde tiram que é uma banda blasé. O primeiro disco, “Peng!” foi o disco que eu mais ouvi na vida. Guitarra, farfisa, socialismo ou barbárie. A letra dessa musica é a minha favorita do mundo “If there’s been a way to build it, there’ll be a way to destroy it. Things are not all that out of control”.

Markos Varvamkaris – “Taxim Zeimpekiko” (do disco “Ta Matoklada Soum Lampoun”)
Markos Varvamkaris é um dos grandes inovadores do bouzouki grego como instrumento solo, não dá pra falar de bouzouki sem falar do Markos. Esse som é um improviso, com uma canção no final. Dá pra sentir o cheiro de cigarro.

Dariush Dolat-Sahi“Sama” (do disco “Eletronic Music, Tar and Sehtar”)
Ele foi um músico iraniano que estudou música eletrônica em Columbia-Princeton, onde esse disco foi gravado. Eu não sei sobre como essas músicas foram feitas, mas tem uma sensação de improviso que eu gosto muito, e essa colagem de sons. Essa é uma referência bem óbvia pro Leila.

Velvet Underground “European Son” (do disco “Velvet Underground & Nico”)
O Velvet pra mim são os bootlegs, eu coleciono (o que com a internet é bem fácil na real). É alto, é livre, as músicas se estendem por 30 minutos. La Monte Young, Ornette Coleman, Bo Didley, tá tudo ai. Um pouco disso está condensado nessa faixa de estúdio. As guitarras do Lou Reed são incríveis, no disco não dá muito pra sacar quão doidas elas são.

Sun Ra“The Night of the Purple Moon” (do disco “The Night of the Purple Moon”)
Difícil escolher um som do Sun Ra, mas esse é do disco que eu mais ouvi. Sun Ra é algo que posso ouvir a qualquer hora, qualquer dia e sempre vai ser exatamente o que eu precisava ouvir. O que eu mais gosto é como parece um som feito com prazer, não é um improviso cerebral e frio nem mesmo agressivo, é livre e solar (sem trocadilho).

Kamylia Jubran & Werner Hasler“Miraat Al-Hijarah” (do disco “Wameedd”)
Kamylia Jubran é uma artista palestina, e uma das fundadora do Sabreen, um grupo palestino renovador da canção árabe e profundamente envolvido com a causa palestina e a luta política. Nesse disco ela canta e toca oud com Werner Hasler, um suíço que entra com os eletrônicos. Eu não sei muito sobre ele, mas esse disco é maravilhoso. Tudo da Kamilya Jubran é incrível, especialmente o oud, mas essa música tem apenas alguns fragmentos do oud e a voz e é muito forte.

Vibracathedral Orchestra“Magnetic Burn” (do disco “The Queen of Guess”)
Vibracathedral é um grupo de improviso (eles dizem que são mais jams que improvisos na verdade) de Leeds. Eles gravam tudo que tocam e lançam boa parte disso. Um tempo atrás eu tinha até medo de mostrar essa banda pra amigos e ser acusado de plágio, mas tanto faz, sou obcecado por eles.

The Sisters Of Mercy“Temple of Love” (do disco “Some Girls Wander by Mistake”)
Eu disse que caí direto no gótico. Falam que é brega, mas é inveja. Olha esse som, é tipo uma cascata de veludo, como fizeram isso? Se eu fizer algo com um terço dessa textura eu fico feliz. A forma é legal também, esse riff em loop e esses eventos que vão acontecendo em volta. “Temple of Love” é meu “Blitzreig Bop”.

The Raincoats“Only Loved at Night” (do disco “Odyshape”)
Elas trocam de instrumento no meio da música, e tem uma nota que a baixista deixa soando para ter tempo de pegar a kalimba, a guitarrista fica só fazendo um chk-chk e depois tem um micro silêncio e o baixo volta com a linha de guitarra, dá arrepio até.

Colin Newman“But No” (do disco “A-Z”)
Catarse, sempre. Amo esse disco, é pura energia, a forma como esse som vai se construindo. O disco seguinte dele, o “Provisionally Entitled The Singing Fish” é instrumental e poderia ter mais a ver falar dele pelo lance de não ter vocal, mas o que me pega mesmo é a catarse desse som, essas melodias bonitas que ele vai empilhando e depois grita em cima essa letra meio mantra até não poder mais e fim.

Umm Kulthum“Zalamna El Hob Desk” (do disco “Zalamna El Hob”)
A diva do cairo, a voz do egito, o planeta do leste. Eu poderia escolher qualquer musica dela, conhecer sua voz mudou minha vida. Ouvir Umm Kulthum é ouvir uma voz que é amada por muitos, por todo mundo árabe e a diáspora. Essa música talvez eu tenha escutado mais que outras (sim, ela tem 39 minutos e isso é até curto para ela, suas apresentações duravam em torno de 4 ou 6 horas) porque caiu primeiro em minhas mãos, e alguns trechos ficaram gravados na minha mente, em especial alguns que eu sampleei e fiquei trabalhando por horas colando e cortando ouvindo em loop e tocando em cima.

Zé Bigode trabalha sem parar em seu jazz alternativo com influências de ritmos nordestinos, americanos e até marroquinos

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Zé Bigode

José Roberto Rocha é um quase nômade entre a boemia desvairada da Vila Isabel e do esfumaçado Grajaú. Estes dois locais foram apenas algumas das inspirações para que o músico e compositor idealizasse o projeto Zé Bigode, que conta com repertório de música instrumental que passeia entre diversos estilos, indo do afrobeat ao jazz, passando por ritmos brasileiros como maracatu e baião. “É um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!”, tenta definir.

Em 2016, a banda lançou seu primeiro EP, auto-intitulado, que se desenrolou no primeiro disco da banda, “Fluxo”, lançado este ano. No disco, José Roberto toca guitarra acompanhado por Daniel Bento (baixo), Eric Brandão (bateria), Jayant Victor (guitarra), Victor Lemos (sax alto e tenor), Thiago Garcia (trompete), Rodrigo Maré (timbal, percussão), Bruno Durans (bongas) e Pedro Guinu (Rhodes, piano, clavinete, moog, orgão). O álbum também conta com a participação de Belle Nascimento, Alexandre Berreldi, Eduardo Rezende, Reubem Neto, Ingra da Rosa e Victor Hugo e foi gravado no Estúdio Cia dos Técnicos, no Rio de Janeiro. O prolífico grupo já está trabalhando em novas faixas, que devem sair em breve.

Conversei com o líder do Zé Bigode sobre a banda, a cena instrumental, a dificuldade em definir um gênero para sua música e o disco “Fluxo”:

– Como a banda começou?

Surgiu no final de 2015, eu estava cansado de sempre entrar em projetos e eles não irem pra frente por motivos diversos… Mas sempre esbarrando naquele problema de que não rolava concordância entre as partes e as coisas não andavam. Me cansei disso e resolvi montar um projeto “solo” em que eu fosse a principal cabeça. Aí fui reunindo uns amigos e gravamos um EP, lançado em maio de 2016.

– Me fala mais desse EP. Como ele foi composto e criado?

Algumas idéias eu já tinha pra esse EP, de temas que havia escrito, como de “7 Caminhos”, que deve ser o tema mais antigo que tenho. O conceito desse EP foi mais de apresentar o projeto ao mundo, ter algum material pra poder dialogar com as pessoas, foi algo mais “solitário” e menos coletivo que o Fluxo”. No EP não era uma banda fixa, e sim convidados, rolou até uma galera boa na gravação como o Carlos Malta, Leandro Joaquim, que tocava na Abayomy e o Pedro Selector, que toca com o Bnegão.

  • – Como rolou o disco “Fluxo”?
  • Assim que lancei o EP no ano passado formei a banda e começamos a ensaiar e fazer shows, fui adicionando temas novos ao repertório. No fim de 2016 decidi que era uma boa hora de registrar esses temas e fomos para o Cia Dos Técnicos em Copacabana no RJ. Minha ideia foi de fazer algo mais próximo da experiência ao vivo, então basicamente 80% do disco foi gravado ao vivo. Como este estúdio é grande, rolou de conseguir botar cada musico em uma sala e gravar ao vivo, mas sem vazamento. O nome “Fluxo” vem basicamente desse contexto, de deixar fluir as coisas. Vejo que as gravações atualmente estão cada vez mais frias, e música é feita pra ser tocada em conjunto e ao vivo.

– E porque investir em música instrumental?

A forma que me expresso melhor é com a guitarra, some a isso o fator que canto terrivelmente mal (risos). Mas acho que a música instrumental virou algo elitista ou técnica demais, música pra músico, música gourmet, e isso é coisa do mercado. O mercado inventou isso e acabou ficando… Mas eu discordo: música instrumental é música, pode entrar na cabeça do ouvinte tão facilmente quanto uma canção.

– Nos últimos tempos muitas bandas independentes instrumentais têm aparecido e feito barulho, como o Mescalines, por exemplo. Essa é uma tendência que deve crescer?

Acredito que sim, o publico tem se mostrado afim de curtir música instrumental, vendo que nem sempre música com letra tem algo a dizer e que é possível passar uma mensagem com o instrumental. E essa turma nova tem uma linguagem mais democrática, não repete os clichês nem quer fazer música só pra músico.

Zé Bigode

– Mas porque esse tipo de música não chega ao mainstream, na sua opinião? Porque o instrumental é praticamente ignorado, salvo casos como “Misrlou” do Dick Dale, que estourou graças à Pulp Fiction?

Indústria, musica instrumental já foi mainstream, vide o jazz, o bebop… Mas acredito que um dos motivos é o padrão radiofônico que foi inventado de música de curta duração, 3 minutos e meio em média, e a música instrumental foi cada vez mais ficando complexa e com longa duração… Mas o instrumental sempre esteve aí, Pink Floyd apesar de ter voz tem mais instrumental que canto (risos). “Weather Report”… Claro que não na mesma proporção, mas se garimpar ela esteve presente.

– Esse projeto você considera como solo ou tem membros fixos na banda?

Um pouco dos dois, os membros são fixos mas como tem meu nome e eu que escrevo os temas, acaba tendo mais a minha cara. Mas rola uma democracia, pessoal opina também, e somos bem amigos, quase uma família, numerosa e barulhenta por sinal (risos)!

– Como você definiria o som da banda para quem ainda não conhece?

Vixe… Um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!

– World music?

Isso é que os gringos inventaram, né (risos). Jazz alternativo?

– Quais suas principais influências musicais para esse projeto?

Nação Zumbi, Wayne Shorter, Miles Davis, Daymé Arocena, Heraldo Do Monte, Criolo, Fela Kuti, Kamasi Washington, Elza Soares, bastante coisa que as vezes nem esta diretamente no som…

Zé Bigode

– Já estão trabalhando em novos sons?

Sim, lançamos o “Fluxo” agora em maio, mas já estamos com novos temas. A produção não para (risos)!

– Dá pra adiantar alguma coisa?

Em breve uma das musicas novas vai entrar no set do show, uma rumba com influências de jazz modal.

– Quais os próximos passos da banda?

Iremos prensar o disco em CD, e iremos circular por ai com o disco.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Hmm… Tem o Bixiga 70, Nômade Orquestra, Metá Metá, Mahmed, Negro Leo… Tem uma galera boa aqui do Rio também: Os Camelos, Foli Griô Orquestra, Kosmo Coletivo UrbanoRelógio de Dali

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Ulisses Freitas, vocalista do Choldra

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Ulisses Freitas, do Choldra
Ulisses Freitas, do Choldra

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Ulisses Freitas, vocalista da banda Choldra. “Pra quem é completamente entregue à música, escolher essas 5 músicas foi uma tarefa bastante prazerosa na realidade. Claro que gostaria de fazer isso com uns 30 sons, mas creio que a brincadeira fica legal devido à pequena quantidade”, disse.

Ana Tijoux“Somos Sur” (feat. Shadia Mansour)

“Uma música que apenas pela levada, batida e flow já é viciante. Mas muito além disso, trata-se de Ana Tijoux, rapper chilena renomada em seus país e muito respeitada em vários países. Pouco conhecida por aqui, mas já fez alguns no Brasil onde tive a oportunidade vê-la duas vezes, uma em Sampa outra no Rio. Assim como Criolo, ela tem a verdade no olhar. Em tempos onde o feminismo está ganhando cada vez mais força, Anitta é sem dúvida uma grande representante do movimento. Nesse som, que questiona a opressão sentida pelos países do hemisfério sul, ela canta com Shadia Mansour, outra MC incrível, de Londres, filha de Palestinos, e que rima em árabe num flow inacreditável! Tenho amor por essa track”.

Supervielle – “Adonde Van Los Pájaros”

“Pois é, gosto muito da música latina pop como Café Tacvba, Aterciopelados, Jorge Drexler, Julieta Venegas, Zaz etc. Supervielle é dessa laia, uruguaio porém nascido na França, transitou pelo rap e até pelo coletivo Bajofondo, faz uma música pop requintada que vai do eletrônico, ao instrumental e acústico. Essa música me inspira demais. Naqueles rolês de bike por Sao Paulo, domingo a tarde, cidade vazia, vento de outono, é como se me transportasse pro lado bom da vida, onde há esperança e venceremos!”

Doves“Here It Comes”

Doves. Essa banda me faz falta. Sou viciado nos discos deles, principalmente no ‘Lost Souls’ que tem essa música. Daqueles discos que são lindos de cabo à rabo. Escolhi essa por ter feito parte da trilha sonora da primeira viagem que fiz pela Europa. Não me canso nunca dela, faz todo sentido pra mim”.

dEUS“Ghost”

“Eu brinco que dEUS é “a banda que só eu gosto”, rs. Acho bem legal seus últimos 3 discos, apesar do clássico ser o “Worst Case Scenario” de 1994. Esse som que escolhi faz parte do penúltimo disco, é bem easy listening e ouço sempre quando não quero pensar em nada, tirar onda, e o vídeo ainda tem esse Jesus sangue bom demais! Esses belgas tocaram no Sesc Pompeia em 2015 e eu não consegui ir devido a uma viagem de trabalho inoportuna”.

Garage Fuzz“Cortex”

“Do disco ‘Fast Relief’, essa faixa deveria ser hit mundial. Tem tudo aqui, um trampo de guitarras que poucas bandas no estilo conseguem elaborar, baixo e bateria concisos e o Sesper mais afinado do que nunca. Uma das bandas mais legais da cena independente/underground do Brasil. Esses santistas traduzem muito bem as mentes que respiram juventude, da cultura de rua, hardcore, surf, skate, Santos e daquela vontade de viver esperançosa”.

Alegria em estado bruto: Gilberto Gil & Jorge Ben – “Ogum Xangô” (1975)

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Bolachas Finas, por Victor José

Quando não é preciso provar mais nada, fazer o que der na telha é a melhor das escolhas.

Em meados dos anos 1970, já não restavam mais dúvidas da importância de Gilberto Gil e Jorge Ben. Oito anos depois da última grande revolução da MPB, o baiano que ajudou a universalizar a música feita no Brasil e o carioca que modificou o jeito de tocar violão gravariam mais uma vez seus nomes na arte, criando uma obra-prima impregnada de uma espontaneidade até hoje inigualável.

Há muito tempo os músicos se conheciam. A admiração era mútua, evidente até para quem não os conhecia a fundo. Suas carreiras se encontravam de tempos em tempos, como no programa Divino, Maravilhoso, no qual ambos se apresentavam, ou na versão de “País Tropical” presente no LP psicodélico de Gal, onde Gil e Caetano participam nos vocais.

Era inevitável a proximidade, estava certo que uma hora ou outra algo vindo dos dois viria à luz. A integralidade nordestina de Gil atrelada a estéticas modernas e o balanço essencialmente brasileiro e inconfundível Jorge desaguavam no mesmo lugar: uma fonte inesgotável de musicalidade, imagem e produto altamente criativo.

Em palco, o primeiro reconhecimento musical entre os dois de fato aconteceu no encontro das Semanas Afro-brasileiras, realizado no Museu da Arte Moderna de São Paulo.

E se dissessem que um mero encontro informal e improvável entre amigos desse a origem ao disco, todo mundo apostaria suas fichas: na música brasileira daquele período, para tudo se dava um jeito.

Quando o australiano Robert Stigwood, dono da gravadora RSO Records e produtor de filmes e peças como Saturday Night Fever” e Jesus Christ Superstar”, decidiu passar as férias na cidade maravilhosa com ninguém menos que o guitarrista Eric Clapton, a parceria começou se desenhar de verdade.

André Midani recebeu um telefonema do empresário informando sobre a viagem. Por camaradagem, Midani quis recepcioná-los organizando um jantar em sua própria casa. Para isso, o presidente da Philips convidou um time de primeira para passar a noite juntos: Rita Lee, Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Gil, Jorge, Nelson Motta e Armando Pittigliani foram algum dos nomes que apareceram. No final das contas, até Cat Stevens acabou indo à casa do homem.

O ambiente não poderia ser melhor. Com tanta gente interessante num lugar só, era inevitável que algo especial acontecesse. E assim foi. Em meio à celebração e bom humor, alguém sugeriu fazer um som. Pittigliani foi buscar um tambor de percussão e não demorou para que uma roda de música fosse armada.

O resultado foi uma jam session para ninguém botar defeito. Eric, com uma bela guitarra branca, dedilhava livremente seus licks blueseiros enquanto Cat seguia o ritmo com seu violão folk. De repente, Gil e Jorge, tomados por alguma epifania exclusivamente deles, roubaram a cena.

Primeiro Cat Stevens disse “Não sou guitarrista para enfrentar isso” e abandonou o navio. Reconhecendo que seu blues não cabia naquela salada sonora, Clapton largou mão da batalha para ficar observando aqueles dois monstros se desafiando, frente a frente, encharcados de suor. E quem esteve presente diz que o que se seguiu ao longo da noite foi sem sombra de dúvida um dos pontos altos da música brasileira.

Gil e Jorge compunham uma complexa jam band de dois membros capaz de fazer a cabeça de qualquer bom entendedor. Criavam e viajavam numa assombrosa velocidade de raciocínio artístico. Jorge segurava a onda com seu ritmo variável e cheio de vitalidade enquanto Gil contornava e passeava pelas batidas com um senso melódico excepcional.

A batalha resultou em empate técnico e numa plateia igualmente talentosa extasiada por ter visto algo tão encantador, sobretudo o próprio Midani, que pediu aos dois que entrassem no estúdio para repetir aquilo que acabara de presenciar. Poucos dias depois, supervisionados por Paulinho Tapajós e Perinho Albuquerque, gravariam o mítico Gil & Jorge Ogum Xangô”.

Poucas pessoas estiveram envolvidas no projeto, a ideia era justamente apontar as atenções para aquelas duas figuras carismáticas e deixar que a criatividade falasse mais alto que a lógica. Para dar liga à receita, incluíram no time somente o baixista Luís Wagner e o percussionista Djalma Correa.

Com pouco ensaio e num curto período, gravaram o LP em tomadas enormes, algumas chegando a mais de dez, quase quinze minutos. Nos estúdios da Philips, os músicos buscaram repetir a magia daquela noite, travando outra vez um dialogo desvairado, com uma fluência permitida somente a eles.

Para quem não os ouviu na lendária festa, o resultado é único. Os mestres se fundem, duelam, brincam: Gil vira Jorge, Jorge vira Gil – Ogum, Xangô, harmonia e melodia.

Apesar da alta qualidade da gravação, Midani disse: “A gravação ficou maravilhosa. Mas o estúdio só reproduziu 40%, 50% do que tinha sido aquela noite em casa”. Imagina o clima que foi essa festa.

Na religiosa “Meu Glorioso São Cristovão”, eles constroem uma prece católica quase psicodélica, de ânimo pagão e cheio de sutilezas. Jorge declama uma oração enquanto Gil a desmonta compasso a compasso sem distorcer o sentido das palavras. A dançante “Essa é Pra Tocar No Rádio” ganha uma roupagem solta e despretensiosa, ao contrário da intrincada versão jazzística e levemente caipira que entraria mais tarde em Refazenda”, o próximo trabalho de Gil.

O mesmo se dá com a épica “Taj Mahal”, que voltaria com outra roupagem um ano depois no LP África Brasil”. Como se a música não tivesse mais fim, Jorge sobrevoa montado na melodia pegajosa do seu refrão onomatopéico – o mesmo “tê, tê, teteretê” que seduziu Rod Stewart a adaptar aquela sequência de notas para a disco music safada “Da Ya Think I´m Sexy?”. Em 1978, Jorge Ben encaminhou processo contra Rod. O autor da música, Carmine Appice, foi declarado culpado pelo ocorrido. Como punição, Rod teve que concordar em doar os royalties de sua canção para a UNICEF e cantá-la no The Music for UNICEF Concert”. O show foi um sucesso, mas Jorge nunca recebeu um tostão pelo plágio.

Gil exibe vitalidade no belo afoxé “Filhos de Gandhi” e Jorge rebate munido do singelo e delicioso samba-rock “Quem Mandou (Pé na Estrada)”, com suas infinidades de “eu te amo, eu te quero”. O delírio sonoro de “Jurubeba”, também de Gil, é uma peça bem acabada da liberdade no sentido mais literal e musical possível. Flutuam no ritmo nordestino do triângulo de Djalma enquanto viajam nos multi-benefícios da planta do sertão brasileiro.

Composição de Gil nos tempos de exílio, “Nega (Photograph Blues)”, é o híbrido mais bem acabado onde tudo se encaixa perfeitamente. É nessa faixa que está destilada a essência do encontro: a versatilidade de Gil com o cadencioso ritmo de Jorge como se tudo fosse uma única coisa. Um raro presente embrulhado num inglês sobrecarregado de sotaque.

Por mais que Midani julgasse estritamente necessário que o trabalho saísse, aquele álbum duplo com apenas nove músicas obteve pouca repercussão no mercado, o que já era de se esperar. Em LP, “Gil & Jorge” nunca fora reeditado. Porém, a crítica foi generosa com o resultado, ao julgar que aquela uma hora e meia de música era pura e irretocável. De fato, a despretensão que faz deste disco mágico e único na discografia brasileira.

Ainda que impopular nas vendagens, “Gil & Jorge” se transformou em um clássico cult, sendo reconhecido até pelo público internacional como um dos pontos altos da música brasileira. Depois disso, tanto o baiano quanto o carioca passariam a buscar em suas carreiras uma trilha mais sóbria e popular: Gil revisitaria suas origens nordestinas e Jorge abraçaria de vez a guitarra elétrica.

RockALT #14 – Unbelievable Things, The Ed Sons, Garotas Suecas e Starcrawler

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RockALT, por Jaison Sampedro

Na coluna de hoje eu quero fazer uma prévia para o RockALT que vai ao ar nesta quinta-feira na rádio Planet Music Brasil. Quero apresentar quatro bandas que chamaram a minha atenção essa semana.

Unbelievable Things
Quero começar com este power trio de Maringá formado por Tim Fleming (guitarra e vocais), Jun Hirota (bateria) e Fernando Parreira (baixo) que está com trabalho recente, o EP “Wasted Time”. Este lançamento da Nap Nap Records conta com apenas três músicas com direito a videoclipe da faixa “Cansadão”. Confesso que esta é a minha faixa favorita do EP e me identifico com a letra, principalmente no trecho “A cada dia mais perdido / A cada dia mais fudido”.

The Ed Sons
Os filhos de Ed estão na estrada desde 2010. E esta é mais uma banda com um EP de três músicas lançado recentemente. O quinteto formado por Victor Palmero (Vocal), Igor Paulini (Guitarra), Renato “Tumolto” (Guitarra), Fernando Anastácio (Baixo) e Diego Rinaldi (Bateria) já havia lançado um EP em 2013, o “Last Cigarette”. O que me chamou atenção do grupo de Araraquara foi a mistura inusitada do Indie Rock com Stoner Rock e isso fica claro escutando a primeira música do disco “Find Me”.

Garotas Suecas
Neste momento você deve estar se perguntando. Jaison, você não conhece “Garotas Suecas”? A resposta é: Sim, conheço. Mas a razão da atenção dada a banda paulistana é o lançamento do divertido clipe “Me Erra”. O vídeo tem um aspecto sessentista e relata um relacionamento abusivo de um namorado/marido “mala” e um produto milagroso, o removedor multi-abuso “Me Erra”. A música faz parte do EP “Mal Educado” lançado em 2015 pela gravadora Tratore. Confira o clipe aí na telinha.

Starcrawler
Até um tempo atrás eu achava que a banda californiana Starcrawler já tinha acabado antes mesmo de começar. Topei com a banda em uma pesquisa para o RockALT, me deparei com a música “Ants” e fiquei impressionado. Senti uma combinação de The Cramps com Joan Jett, graças a forte presença de palco da vocalista Autumn de Wilde. Confesso que fiquei empolgado e quis saber mais da banda, mas não achei nada. A página do Soundcloud estava vazia, o Spotify indisponível e Facebook desatualizado me levaram a crer que a banda tinha morrido. Mas tudo isso mudou no começo de maio quando o grupo lançou seu trabalho oficialmente no Spotify com o single “Ants” acompanhado de outra música “Used To Know”. Fiquei feliz com a notícia, e tenho certeza que você também vai ficar logo após ouvir esses jovens talentosos.

Se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT! O nosso programa vai ao ar toda quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos mais de 100 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

The Scuba Divers absorve influências de rock oitentista em sua incessante máquina de composições

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The Scuba Divers

The Scuba Divers foi criada em 2014 pelos irmãos Maurício Teles (Baixo e Vocais) e Daniel Teles (Guitarra e Vocais), que desde então, nunca pararam de compor. A banda começou como um projeto de covers de músicas dos anos 80 que acabou se desenvolvendo e estabelecendo a atual formação, contando com Iury Cascaes (Guitarra e Vocais) e Gabriel Ramacciotti (Bateria). As influências oitentistas de pós-punk e new wave se misturaram então ao rock alternativo, grunge e shoegaze e resultaram no primeiro disco do quarteto, lançado este ano.

No álbum, as 11 faixas demonstram bem a salada musical rocker que inspira o grupo santista. “Desde o dia que criamos a banda eu já comecei a compor as primeiras tracks, “Snowflake” e “Fish People”, que estão no disco”, explica. “Diferente de muitas bandas, que acabam descartando o primeiro material como ‘experimental’ ou ‘imaturo’, a gente gostava pra caralho de todas as músicas e ficaríamos bem tristes de não incluir elas em release oficial, sabe? É o resultado do nosso primeiro ano de composição”.

Conversei com a banda sobre sua trajetória, a gravação do primeiro trabalho e suas impressões sobre a cena independente atual:

– Como a banda começou?

Maurício: Então, eu e meu irmão tínhamos uma banda juntos que tocava só covers dos anos 80, coisas de new wave, post punk, synthpop, essas coisas. Éramos em 4, eu no baixo e vocal, ele guitarra e vocal e mais 2 amigos no teclado e bateria. A gente chegou a tocar alguns showzinhos, mas depois de um tempo a banda acabou por que não ia rolar mais pra tecladista e tal. Daí a partir disso a gente pensou ”pô, por que não começamos a tocar coisas nossas mesmo?”

Daniel: Na verdade a vontade de tocar material próprio era algo que já rolava mesmo nessa banda tributo, mas nunca chegamos a colocar em prática. Aí quando os outros membros saíram e sobrou nós dois, a gente resolveu reestruturar tudo e discutir qual seria a proposta da banda. De começo nós sabíamos apenas que seria som autoral e que seguiria uma direção voltada para o rock alternativo. Foi nesse momento que a banda, pelo menos como ela está agora, nasceu. Mas a semente dela vem desde antes, todos os projetos que tive com meu irmão e etc.

– E de onde surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Maurício: Então, como eu falei lá em cima, a tecladista saiu e ficamos em três. A gente brincava muito com os nomes que a banda ia ter e um dia brincamos com o nome do baterista, que é Lucas Bacci, e usamos Lucas Bacci and The Scuba Divers, uma sátira àquelas bandas que são ”não sei quem e os não sei o que lá”.

Daniel: Tipo Lobão E Os Ronaldos.

Maurício: Sim. Só que aí o Lucas Bacci saiu (risos)! Aí sobrou The Scuba Divers, e analisando melhor depois a gente percebeu q além de sonoro, o nome era perfeito pra gente.

Daniel: Apesar de ele ter surgido meio aleatoriamente, combinou bastante, tanto pelo sentido literal, porque gostamos de ambiências submarinas, várias de nossas músicas remetem ao mar e etc, como “Fish People”, “Crabs”, “Bioluminesce”, é um tema recorrente… Ao mesmo tempo, também pelo sentido subjetivo de mergulho, você pode mergulhar no que você quiser, sentimentos, sonhos, ou no próprio som.

Iury: O fundo do mar remete a um mistério legal de ser explorado.

Daniel: Sim, exatamente. Então combinou legal pra caramba com muita coisa que a gente gosta de escrever sobre.

Iury: Sim, tem similaridade com o universo e o espaço, que são inóspitos também, o fundo do mar é uma coisa cabreira. Um scuba diver então é um explorador de coisas profundas. Temos muitas músicas que narram sonhos também e etc..

– Deixa eu voltar um pouco a algo que vocês falaram: como é ter banda com irmãos? A gente ouve que é algo 8 ou 80, ou se dão muito bem (como no AC/DC) ou é só quebra-pau (como no Oasis)…

Daniel: Acho que é ótimo ter um membro da banda que simplesmente mora comigo. Eu tenho uma ideia, já mostro pra ele, ai a gente acaba produzindo bastante coisa aqui. Na parte administrativa ajuda bastante, porque um lembra o outro das coisas pra fazer, a gente pratica músicas juntos e tal.

Maurício: Sim, e além disso não temos meias palavras um com o outro: se a gente acha q algo tá uma merda já falamos na lata. Não tem rodeio. Às vezes a verdade chateia um pouco, mas é bem melhor assim. Somos bem transparentes um com o outro pra que tudo flua da melhor forma possível.

– Quais as principais influências do som da banda?

Daniel: Herdamos bastante coisa repertório que tínhamos na banda 80’s. The Smiths, The Cure, Tears For Fears, toda essa cena post punk e new wave, Devo e tudo mais. Mas a banda começou bem na época que comecei a me ligar em alternativo, noise, indie e eu comecei a mostrar muito disso pro meu irmão. Estávamos numa fase muito Placebo e Smashing Pumpkins, eu também estava ouvindo muito Pixies, Weezer, então começamos a misturar tudo isso. Quando o Iury entrou na banda ele acabou trazendo mais 90’s pra equação. Hoje em dia meio que bebemos de várias fontes, gostamos de coisas progressivas, experimentais, tanto quanto de punk rock e coisas mais diretas.

The Scuba Divers

– Como vocês definiriam o som da banda hoje em dia?

Iury: Então, existem mais influências no nosso som…

Maurício: Meio difícil rotular.

Iury: Eu gosto muito de música dos anos noventa. Tipo, gosto muito de Nirvana.

Maurício: Acho que a forma mais fácil e chamando de rock alternativo, que é meio q um gênero extremamente amplo. É um emaranhado de muita coisa!

Iury: E quando entrei na banda eu trouxe uma música, chamada “Dazed”, que tem muito do Nirvana, propriamente.
E o Rama que entrou agora na banda também tá trazendo influências novas… Daí quando você pega tudo isso, acaba refletindo no nosso som autoral. A gente tem músicas desde um punk rock safado até umas coisas mais post-punk.

Maurício: Sim, temos coisas que vão desde o noise rock, com um pouco de grunge até músicas mais românticas, shoegaze.

Iury: E pro futuro eu não duvido nada rolar umas músicas meio progão. (Risos)

Maurício: Provavelmente vá rolar um dia. Claro que não umas suítes de 20 minutos, mas a gente segue uma linha de pensamento que é não nos rotularmos, não colocar uma cerca na nossa criatividade.

Iury: A gente tem planos de fazer umas cosias mais intrincadas, mas estamos num trabalho contínuo de estudo e pesquisa, de composição, de evolução mesmo.

Maurício: Cada dia surgem músicas mais diferentes!

– Me contem um pouco mais sobre o disco.

Daniel: Desde o dia que criamos a banda eu já comecei a compor as primeiras tracks, “Snowflake” e “Fish People”, que estão no disco. Diferente de muitas bandas, que acabam descartando o primeiro material como “experimental” ou “imaturo”, a gente gostava pra caralho de todas as músicas e ficaríamos bem tristes de não incluir elas em release oficial, sabe? Então descartamos a possibilidade de um EP, onde muitas ficariam de fora. Esse disco é meio que as primeiras tracks nossas, mesmo. É o resultado do nosso primeiro ano de composição. As tracks são bem variadas, não existia um conceito ou fio condutor, tanto que é um dos motivos da capa ser uma colagem
são vários climas que interagem entre si, mesmo que o único fio condutor seja que todas saíram do mesmo conjunto de pessoas pensando e compondo.

– A banda toda trabalhou na composição das faixas ou elas já estavam prontas antes do disco começar a ser concebido?

Iury: Depende da música!

Maurício: Provavelmente metade do CD já estava composto quando a formação que gravou foi fixada.
A maioria delas são do Daniel Teles.

Maurício: Composto em partes, digo que já existiam as músicas, mas não completamente finalizadas. Quando o Iury entrou, ele adicionou todas as guitas novas nas músicas e tal, porque no começo era um trio, não tinha arranjo pra uma segunda guitarra.

Daniel: Exatamente, então apesar de eu ser quem assina autoria da maioria das tracks, todos contribuíram de alguma fora pro resultado final.

Maurício: Então em questão de música todos trabalharam nelas, mas em letra foi mais individual.

Daniel: E as ultimas tracks compostas já foram mais como banda e menos “eu compondo no meu quarto”.

Maurício: Exatamente, como o próprio Iury falou, ele chegou com “Dazed” pra trabalharmos… Acho que “The Stalker” foi a mais colaborativa de todas: o Iury chegou com uma ideia pra guitarra, o Daniel escreveu uma letra, eu criei um baixo logo no primeiro dia e tal. Foi bem bacana o processo.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Iury: Sempre! Na verdade a gente nunca parou de compor.

Daniel: Cara, temos material pra mais uns dois discos, nunca paramos de compor material.

Maurício: Até demais (risos).

Iury: Trabalhar em novas músicas é uma constante pra gente.

Daniel: Chegamos num ponto que o ensaio semanal não dá conta de ensaiar, arranjar, finalizar tudo, então nos reunimos às quintas aqui em casa para gravar demos e etc.

Iury: Com essas demos a gente vai experimentando um monte de coisas!

Daniel: Eu, meu irmão e o Iury sempre compusemos muito, agora o Rama entrou e ele compõe também, então a tendência é ter mais material ainda!

Iury: É que a gente se expressa com a música, né, então é algo bem natural ter sempre uma música saindo! Porque não é uma questão de sentar e compor “pra um novo CD ou EP”… E sim de botar pra fora o que temos em mente sob a forma de música!

Daniel: Acho que é ótimo como banda, a gente vai se aperfeiçoando, a parte triste é que vai demorar demais pra gravarmos tudo, vai doer no coração montar a tracklist do próximo disco!

Maurício: Pois é, a gente gosta muito de 95% das músicas que fazemos, esperamos que o publico também goste quando um próximo álbum for lançado. Mal lançamos esse e já ansiamos pro próximo! (Risos)

– E vocês acreditam ainda na aceitação do formato álbum? Hoje em dia, com o streaming, muitos artistas estão apostando em singles, EPs e etc, já que as playlists estão sendo mais procuradas do que discos completos.

Iury: Nós também lançamos singles, só que a gente não reduziu nossos lançamentos a somente esse formato. Não sei, eu particularmente “acredito” no formato álbum: eu gosto de pegar um álbum pra escutar, ver a capa, dar uma olhada nas artes e tudo mais. Só que de acordo com a indústria não é tão funcional assim…

Daniel: A gente tem um background que sabemos que não é o do público comum, de apreciar o álbum como uma obra completa, conceitual e não um aglomerado de faixas.

Iury: Mas mesmo assim “acredito” também que tem muita gente que ainda curte um álbum inteiro, e que as pessoas que vão gostar do nosso som provavelmente são assim. Mas também não tem problema se ouvirem as músicas soltas – ficamos felizes que entrem em contato com o nosso trampo e que nos mandem feedback de qualquer maneira.

Daniel: Então optamos pelo disco por questões artísticas antes de levar em consideração o marketing da coisa. Ainda assim, como o Iury falou, lançamos os singles individualmente, planejamos gravar clipe, estamos nas plataformas de streaming… Ter o disco completo não impede de focar o marketing num grupo delas.

Daniel: Dá quase na mesma para fins práticos, mesmo que muitos ouvintes não passem da 5ª track, se ele curtir, ele vai ter mais.

The Scuba Divers

– Como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Daniel: Comecei a ter mais contato com ela de uns tempos pra cá quando comecei a organizar o festival Alternapalooza, que foca em som alternativo, indie, autoral. Inicialmente eu era meio pessimista, mas muita gente começou a me procurar, eu mesmo comecei a ir atrás de coisas novas e comecei a descobrir muita gente com trampo foda interessada. Acho que com a internet a gente acabou só decentralizando a cena local, física sabe Lançamos o disco por selos do RJ, de BH. Esse tipo de cena interestadual tá ganhando bastante força. Chamamos bandas de outra cidade pra tocar aqui, eles chamam a gente, vai todo mundo se acertando e as coisas rolam.
No festival rolou banda de Recife, que doideira, sabe? Acho que a cena underground como ela geralmente é vista meio que deu uma esfriada, mas só porque ela acabou escoando para outros meios, não porque falta vontade das bandas ou as bandas não correm atrás e etc.

– Mas é utopia pensar em uma nova dominação do alternativo, como aconteceu aqui nos anos 90, com bandas como Planet Hemp e Raimundos indo até no Faustão?

Daniel: Ninguém poderia prever que o Nirvana seria um sucesso mundial, as tendências da moda são algo que como músico eu não tenho como analisar, é mais um lance de sociologia. Acredito que tentar replicar o que aconteceu não vai dar certo. Se o alternativo emergir dessa forma novamente, com certeza será de maneira espontânea e por outras razões. Vejo muita gente “vou fazer igual tal banda pra dar certo também”, mas o contexto que essas bandas estouraram era completamente outro.

Maurício: Pois é, não existe fórmula pra dar certo. Por mais que, por exemplo, você queira estourar a todo custo e sua banda comece a fazer um som comercial que está super na moda, até dessa forma não é certeza de você vingar. Acho que o lance é você ir fazendo um trabalho que faça sentido pra você, que seja sincero e que você não desista. Acho que não existe sorte na música, existe força de vontade e perseverança. E talento, claro (risos). Quando alguma oportunidade surgir, tem que estar preparado pra lidar com ela!

– Quais são os próximos passos da Scuba Divers?

Maurício: Agora com o nosso primeiro álbum lançado e com a troca de baterista, nosso objetivo é ir divulgando nosso som, estamos atrás de casas de show, divulgando a notícia pela internet. Temos ideias para videoclipes e estamos vendo meios de viabilizar a produção deles!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Maurício: Uma banda que foi uma boa surpresa pra mim foi a eliminadorzinho, de SP. A conheci em uma edição do Alternapalooza, a banda é formada por um ex-membro da Calvin Voichoski & The Hello Titos.

Daniel: Gosto do Não Ao Futebol Moderno, do gorduratrans, a Amandinho é uma banda bem divertida também.

Maurício: A eliminadorzinho tem um som shoegaze muito gostoso de ouvir, muito feeling!

Cantarolando: a rotina de um músico de estúdio em “Session Man”, do Kinks (1966)

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Cantarolando, por Elisa Oieno

A canção de hoje é “Session Man”, que está no álbum “Face To Face” (1966). É uma descrição da rotina de um músico de estúdio, aquele profissional que não faz parte das bandas, mas participa das gravações e álbuns tocando e criando arranjos de algum instrumento, geralmente de forma rápida e eficiente dadas suas habilidades técnicas enquanto músicos.

Alguns desses músicos acabavam ficando conhecidos por ter um estilo próprio bem marcante, como o pianista Nicky Hopkins, que gravou diversos discos do Kinks, e sobre quem eu já falei aqui nesta coluna há um tempinho. Outros acabam deixando a profissão para seguir carreira com suas próprias bandas, como fez o Jimmy Page, que também tocou em algumas faixas dos Kinks.

Existe alguma controvérsia sobre se esta singela canção de pouco mais de dois minutos de duração se refere aos músicos de estudio em geral, ou a um músico específico. É possível também ouvir a música de duas maneiras, uma mais inocente e literal. A outra, em tom sarcástico e ácido.

Importante pensarmos no jeitão do vocalista Ray Davies e a vibe especialmente britânica dos Kinks, que sempre tem uma pontinha de cinismo e sarcasmo, muitas vezes sobre os próprio ‘english way’ de se viver, e geralmente vêm embalados por ótimas melodias. Essa coisa bem britânica e irônica, também muito presente no The Who e no Blur, por exemplo, me faz acreditar mais no tom sarcástico de “Session Man” do que no descritivo neutro que a interpretação literal pode induzir.

Há quem diga que a canção se refere ao Nicky Hopkins. Ele é quem toca habilidosamente o cravo da breve introdução da música. Aliás, o cravo permanece ali, bem no fundo da música mas dando uma ‘graça’, tipicamente como um arranjo de ‘session man’.

Jimmy Page

Há quem diga, ainda, que se refere ao Jimmy Page. Especialmente porque Ray Davies já expressou algumas vezes sua opinião sobre Page: “He’s an asshole”. Eu gosto de ingleses, porque eles ficam se desentendendo o tempo todo e se xingam publicamente com frequência, rendendo boas polêmicas para nós, fãs. Em uma entrevista, Ray Davies contou alguns episódios de Page no estúdio, por exemplo o dia em que os Kinks gravavam a canção “All Day and All of The Night” (1964). Segundo ele, na hora do solo de guitarra do irmão Dave Davies, Page entrou no estúdio e começou a rir e caçoar de suas habilidades na guitarra.

Sendo sobre Hopkins, Page ou ninguém em especial, certamente é possível imaginar tanto a figura de um músico convencido e arrogante, quanto simplesmente a de um profissional com uma relação pragmática com a música, em tom de admiração ou sarcasmo, escolha a que preferir e divirta-se com Kinks.

Construindo Sereno: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Sereno

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda carioca Sereno, que recentemente lançou o EP Adivinhar o Futuro das Estrelas” pela Violeta Records.

Wavves x Cloud Nothings“No Life For Me” (“No Life For Me”, 2015)
Vinícius: A Sereno é uma banda de irmãos, então já era meio que a hora de a gente se juntar e criar algo. Começamos a falar disso por causa de umas fotos que o Nathan Williams tirou das gravações do disco do Wavves com o Cloud Nothings. Eles gravaram tudo em casa e em um esquema simples. Então, foi meio que “se eles fizeram, a gente consegue também”.

American Football“Honestly?” (“American Football”, 1999)
Victor: Os dedilhados do American Football marcaram o jeito que compomos, mas “Honestly?” é uma música bem diferente do resto desse álbum. Eles substituíram o refrão por uma parte instrumental com guitarras distorcidas e o baixo praticamente fazendo um drone. Mostra como conseguiam compor em formatos diferentes sem perder a identidade da banda.

Vivian Girls“Light In Your Eyes” (“Share The Joy”, 2011)
Vinícius: Algumas das letras de “Adivinhar o Futuro das Estrelas” têm influências diretas das Vivian Girls, especialmente a música “Se Tudo Der Errado”. Acabou que a Cassie Ramone, que era a líder das Vivian Girls, desenhou uma estampa de camiseta para a Sereno. Emocionou demais ter alguém tão importante para a gente criando algo especial para a banda.

Modest Mouse“Trailer Trash” (“The Lonesome Crowded West”, 1997)
Victor: Falando em letras, acho que a forma de escrever do Isaac Brock, misturando situações reais com ficção, é uma influência clara nas letras da Sereno. Nessa música, ele fala sobre viver uma infância difícil, morando em trailers e lidando com problemas na escola.

Jay Reatard“My Shadow” (“Blood Visions”, 2006)
Vinícius: Aquele documentário póstumo, “Better Than Something”, mostra muito a preocupação do Jay em botar as ideias em prática, registrar o que está acontecendo no momento e seguir em frente, mesmo que não seja nas condições mais ideais. Fico triste quando lembro das bandas legais que vimos ao vivo e não deixaram nada registrado…. Esse senso de urgência do Jay guia a maneira como seguimos com a Sereno e a Violeta Discos.

Julia Brown“Library” (“to be close to you”, 2013)
Victor: “Library” é uma obra prima do lo-fi. O arranjo conta com vários elementos diferentes no que poderia ser só mais uma música com bateria-baixo-guitarra. E também serve para mostrar como a gravação pode contribuir para a atmosfera da música. A regravação do EP “Library B/W I Wanna be a Witch”, mais hi-fi, não captura tão bem a essência da música como a original faz.

Melt“Rewind” (“Riffer”, 2016)
Vinícius: O Dylan White soltou as primeiras demos do Melt no mesmo período em que compomos as músicas do “Adivinhar o Futuro das Estrelas”. Ele também é adepto do lo-fi e do it yourself, então é um disco que a gente não só gosta, mas se espelha também. Altas guitarras.

My Vitriol“Always: Your Way” (“Finelines”, 2001)
Victor: O mais legal do My Vitriol é como souberam incorporar o shoegaze no som deles sem soarem totalmente genéricos, mesmo que fosse um elemento fundamental nas músicas. Nessa música dá para perceber isso, há as guitarras cheias de delay e reverb nos versos, mas um refrão que nenhuma banda de shoegaze faria.

DIIV“Bent (Roi’s Song)” (“Is The Is Are”, 2016)
Vinícius: Normalmente associam o DIIV ao shoegaze, mas a maneira como eles empilham cada elemento no arranjo das músicas tem muito de krautrock, especialmente do Neu! Os licks de guitarra são lindos e a ideia de gravar em mid-fi é algo que vai de encontro com o que queremos fazer.

Supercar“Automatic Wing” (“Three Out Change!!!”, 1998)
Victor: Se fosse feita por alguma banda ocidental, essa poderia ser só mais uma baladinha de indie rock dos anos 90. Porém, o interessante são os elementos claramente tirados do rock japonês que o Supercar incorpora na mistura, como as linhas de voz doces e letras que sempre têm um tom mais poético e folk, e lembram mais um filme do que uma música.

lostage“手紙 [Tegami]” (“P.S. I Miss You”, 2004)
Victor: O lostage faz tudo nessa música. Viradas de bateria dignas de air drum, riffs com pausas dramáticas, build-ups para o refrão, vocais quase gritados e um arranjo de guitarras bem típico do rock japonês. “Tegami” é um exemplo de como uma banda pode soar tão interessante tanto individualmente quanto em grupo num contexto emo.

SHAZNA“Kokoro” (“10th Melty Life”, 2007)
Vinícius: É engraçado quando apontam algum detalhe de uma música nossa com muita convicção de que aquilo foi influência da banda emo americana “x” ou do indie rock “y”, mas, para nós dois, tem mais a ver com um lado-b do Asian Kung Fu Generation ou uma baladinha do SHAZNA como essa.

Dinosaur Jr.“The Lung” (“You’re Living All Over Me”, 1987)
Vinícius: O Dino é uma daquelas bandas fundamentais, que a gente quer saber detalhes de como os discos foram gravados e aprender as músicas nota por nota. De certo modo, eles são como o Experience do Jimi Hendrix, as pessoas só falam do J Mascis, mas o Murph e o Lou Barlow são tão fundamentais quanto para o som. Sempre estamos discutindo uns detalhes, como o timbre de baixo do Lou ou como ele toca as linhas sempre no final do braço (risos)…

The Smashing Pumpkins“Mayonaise” (“Siamese Dream”, 1993)
Victor: “Mayonaise” é a epítome das baladinhas do Smashing Pumpkins, tanto que o Billy Corgan nunca fez melhor depois. Um muro de guitarras com fuzz, progressões de acorde simples e uma linha de voz cativante. O careca pode ser um mala hoje em dia, mas houve um tempo em que era uma máquina de boas músicas, e a influência da banda é inquestionável.

hide“FLAME” (“PSYENCE”, 1996)
Vinícius: Passei boa parte da adolescência aprendendo as guitarras do hide, então o DNA dele sempre vai se infiltrar nas nossas músicas. Mesmo quase 20 anos após a morte dele, ainda aparecem informações que nunca soubemos antes e os discos revelam algum colorido que não havíamos notado. Ele ainda é o maior de todos.

Built to Spill“Some” (“Untethered Moon”, 2015)
Victor: Nessa música dá para perceber claramente todas as grandes influências do Doug Martsch: Dinosaur Jr., Neil Young, Pavement e classic rock. Mas, ao mesmo tempo, é um som muito particular e com vários clichês sendo utilizados de uma forma que não soam nada manjados. Os solos de guitarra, as transições verso calmo–refrão barulhento e trechos instrumentais maiores que o resto da música.

Weezer“The World Has Turned And Left Me Here” (“Blue Album”, 1994)
Victor: Essa é uma das músicas que te faz eternamente associar uma progressão de acordes a uma banda, como se pertencesse a ela, de tão marcante que é. Ainda tem todo o arranjo: o riff do violão, o solo de guitarra, o final com a mesma frase sendo repetida várias vezes etc. O tipo de coisa que realmente te inspira a fazer um arranjo legal para sua música.

Jim O’ Rourke “Therefore, I Am” (“Insignificance”, 2001)
Vinícius: Também poderia escolher alguma música do “Halfway to a Threeway” ou “Bad Timing”, porque o Jim é uma inspiração constante, mas ouvimos muito o “Insignificance” durante as gravações do EP. O coração até pulsa junto naquele trecho quase aos dois minutos que a música engasga e começa a crescer hahaha.

Toby Fox“Undertale” (“Undertale Soudtrack”, 2015)
Victor: Utilizar os sons de jogos antigos de Super Nintendo e Playstation sem pretensão de soar retrô ou chiptune é algo que poucos fazem hoje, mas que sempre achamos muito legal. O Toby Fox é um dos caras que faz isso muito bem e ainda incorpora samples de jogos como Chrono Trigger e Final Fantasy VI.

Steep Leans“Nightmare City” (“Grips On Heat”, 2015)
Vinícius: É o segundo lançamento da Ghost Ramp na lista, que é uma grande referência para como nós operamos a Violeta Discos. Fora isso, as letras e os arranjos do Jeffrey Gray Somers têm esse tom de nostalgia que tentamos passar nas nossas músicas. Mil guitarras maneiras também, né? Não tem como não gostar.

Tributo ao Pato Fu “O Mundo Ainda Não Está Pronto” traz 30 versões de bandas independentes

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Em 2017 a banda mineira Pato Fu completa 25 anos trazendo na bagagem 10 discos de estúdio, 2 discos ao vivo, 5 DVDS e 34 singles. Pensando nisso, João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi) e Rafael Chioccarello (Hits Perdidos) decidiram criar seu segundo tributo em parceria, “O Mundo Ainda Não Está Pronto”, homenageando a criativa e divertida banda mineira. Nada como seguir o exemplo dos Patos e criar versões desconstruídas e inovadoras, assim como fizeram em repaginações de hits como “Eu Sei” do Legião Urbana, “Qualquer Bobagem” dos Mutantes e “Eu”, da Graforréia Xilarmônica. O disco duplo pode ser ouvido no www.omundoaindanaoestapronto.com.br

Em 1992, Fernanda Takai (vocal e guitarra) frequentava uma loja de instrumentos musicais e lá fez amizade com dois funcionários, John Ulhoa (vocal e guitarras) e Ricardo Koctus (vocal e baixo). Surgia o Pato Fu, trio que abusava do experimentalismo pop com influências que iam da psicodelia ao punk rock, passando pela new wave, bossa nova e rock and roll. “Fazemos muitos sons diferentes, mas, no fim, podemos dizer que somos uma banda do universo pop, que vai de Beatles a Sepultura. Tudo isso vale”, explicou John Ulhoa. Desde então, a banda só cresceu, lançando os discos “Rotomusic de Liquidificapum” (1993), “Gol de Quem?” (1995), “Tem Mas Acabou” (1996), “Televisão de Cachorro” (1998), “Isopor” (1999), “Ruído Rosa” (2001), “Toda Cura Para Todo Mal” (2005), “Daqui Pro Futuro” (2007), “Música de Brinquedo” (2010) e “Não Pare Pra Pensar” (2014) e colecionando hits como “Sobre O Tempo”, “Perdendo Dentes”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Pinga” e muitas outras. Hoje, a banda conta também em sua formação com Glauco Mendes na bateria e Richards Neves nos teclados.

A coletânea reúne diversos artistas do cenário independente nacional dando seu toque em versões para as canções do Pato Fu, as recriando em passeios por estilos como rock, tecnobrega, forró, rap, MPB, folk, stoner rock, psicodelia, experimentalismo…

Participam do tributo Antiprisma (São Paulo/SP), Berg Menezes (Recife/PE), Capotes Pretos na Terra Marfim (Fortaleza/CE), Der Baum (Santo André/SP) , Djamblê (Limeira/SP), Eden (Salvador/BA), Dum Brothers (São Paulo/SP), Estranhos Românticos (Rio de Janeiro/RJ), FELAPPI e Marcelo Callado (Rio de Janeiro/RJ), Floreosso (São Paulo/SP), Gabriel Coelho e Renan Devoll (São Bernardo do Campo/SP), Gilber T e os Latinos Dançantes (Rio de Janeiro/RJ), Horror Deluxe (Pouso Alegre/MG), João Perreka e os Alambiques (Guarulhos/SP), Lucas Adon (São Paulo/SP), Lerina (Santo André/SP), Mel Azul (São Paulo/SP), Molodoys (São Paulo/SP), Paula Cavalciuk (Sorocaba/SP), Pedroluts (São Paulo/SP), Serapicos (São Paulo/SP), Silvia Sant’anna (São Paulo/SP), Subcelebs (Fortaleza/CE), The Cabin Fever Club (São Paulo/SP), The Outs (Rio de Janeiro/RJ), Theuzitz (Jandira/SP), TucA e Thaís Sanchez (Campina Grande/PB), Valciãn Calixto (Teresina/PI), Venus Café (Volta Redonda/RJ) e Yannick com Camila Brumatti (São Paulo/SP).

A arte da capa, inspirada nos robôs gigantes do clipe de “Made In Japan”, foi feita pelo designer Pedro Gesualdi, que também é músico e atualmente toca nas bandas DERCY, Japanese Bondage e Danger City.

Boogarins faz mistério sobre a língua de seu próximo disco

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Reportagem Especial – Festival Bananada 2017, por Gil Luiz Mendes

Ainda estamos no primeiro semestre de 2017 e a Boogarins já se prepara para a sua segunda turnê internacional deste ano. Não está errado em dizer que hoje eles são a banda independente brasileira com maior notabilidade no mercado internacional. Além de terem contrato com a gravadora norte-americana Other Music, os goianos já tem no currículo participação em grandes festivais como Primavera Sound e Rock in Rio Lisboa.

E internacionalização da banda parece um caminho sem volta. Prova disso é o single “A Pattern Repeated On” lançado na semana passada e que conta com a participação de John Schmersal, do Brainiac, nos vocais. Por ser a primeira vez que lançam uma música autoral em outra língua, cresce a expectativa para saber se o disco que vai suceder o aclamado “Manual” terá composições em inglês.

Em uma conversa minutos antes da banda subir ao palco da 19ª edição do Festival Bananada, o baterista Ynaiã Benthroldo fez mistério sobre como será esse novo disco do Boogarins. Na entrevista ele também fala que os shows dessa nova turnê servirão como teste para as novas músicas e da relação da banda com a cena fora do país.

– O lançamento do single “A Pattern Repeated On” é um sinal que o próximo disco da banda terá canções em inglês?

A gente vem experimentando novas coisas. Se eu responder essa pergunta vou acabar falando tudo de como será o próximo disco. É bom deixar uma curiosidade.

– Como está a carreira internacional da Boogarins?

A melhor coisa é essa relação que a gente faz com outras pessoas, de outros lugares. Já fizemos muitas parceiras aqui no Brasil com outras bandas e estamos fazendo isso também com gente lá de fora e criando essa relação.

  • – Como será essa nova turnê gringa que começa no próximo mês?

Banda meio que nasceu de verdade depois de gravar o primeiro disco e ele ser lançado por uma gravadora dos EUA. A partir daí que tivemos uma agenda de show e uma postura mais profissional. Já passamos dois meses nos EUA esse ano, fazendo alguns festivais e agora estamos voltando para tocar durante o verão e fazer toda Costa Oeste, parte da Leste e pode voltar ao Texas onde a gente adora tocar. Depois vamos direto para Portugal e Espanha onde estamos criando uma relação boa.

  • – O show do Bananada vai ser o mesmo desta turnê?

Não. A gente já toca esse single que lançamos a pouco, mas estamos encerrando esse ciclo do disco “Manual”. A gente já gravou muita coisa e quer experimentar isso no palco agora com outros elementos e um outro set de instrumentos.