Rock, drama e experimentação: Siouxsie and The Banshees – “Kiss in The Dreamhouse” (1982)

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Bolachas Finas, por Victor José

Uma coisa interessante a respeito dessa banda é que o rosto maquiado de Siouxsie Sioux sobrevive no imaginário da cultura pop de modo completamente errado. Boa parcela daqueles que já viram esse semblante icônico nem sequer deram uma chance para o som, temendo ser uma coisa meio nada a ver dos anos 80. Se você é um desses, não sabe a bobagem que está cometendo. Siouxsie and The Banshees é uma das bandas de rock mais interessantes de todos os tempos.

Mesmo gostando muito desse período da música britânica, assumo que demorei um tempo para escutar com atenção os Banshees, sabe-se lá o motivo. Tive uma fase pós-punk que durou muito tempo, mas só depois de vários anos foi que parei para escutar essa discografia com calma. Lembro de ter me impressionado muito, mas muito mesmo, com os álbuns “The Scream” (1978), “Kaleidoscope” (1980) e “Juju” (1981). Achei o som dessa banda uma coisa incrível. Além da excelente voz cheia de drama e personalidade de Siouxsie Sioux, o que me cativou foi fato de que a banda consegue fazer um trabalho extremamente criativo, competente e visceral em vários níveis, num período em que o rock, de um modo geral, passava por uma forte transição que ainda determinaria o som da década.

Depois de muito escutar esses três álbuns citados acima, acabei me deparando com algo ainda mais interessante. “Kiss in The Dreamhouse” (1982), quinto álbum da banda, é um trabalho um pouco mais rebuscado. Produzido, arranjado e composto inteiramente pela banda, no LP a banda explora de verdade as possibilidades do estúdio, e com isso abandona um pouco o punk e traz um lado mais experimental, artisticamente mais denso, mas ao mesmo tempo coeso e de fácil assimilação. “Kiss in The Dreamhouse” serviu como ponte para os trabalhos posteriores, de sonoridade mais puxada para a neo-psicodelia, um sub-gênero que fez a cabeça de bandas da época como The Cure e Echo & The Bunnymen.

Seja pelas linhas de baixo a la Joy Division de Steve Severin, pelo som tribal e quase nunca óbvio da bateria de Budgie (na época, marido de Siouxsie) ou também pelas guitarras estranhas e cheias de efeito de John McGeoch, qualquer música desse disco te cativa. E, claro, Siouxsie é a força maior por trás de tudo. A feminilidade forte somada ao timbre tão característico de sua voz embala tudo de modo que pareça coerente, sem arestas. Uma curiosidade é que a cantora estava passando por complicações na garganta que poderiam ter impedido sua carreira. Por recomendações médicas ela aprimorou seu modo de cantar e o resultado pode ser percebido em algumas faixas do disco, executadas de modo mais suave.

O álbum começa com a ótima “Cascade”. A atmosfera densa, típica da personalidade da banda, ganha novos elementos com um arranjo mais maduro. Dá para imaginar facilmente essa música soando como um punk rasgado, como se ouvia em “The Scream”, mas o grupo conseguiu traduzir com um domínio impressionante sua própria linguagem, sem perder a qualidade agressiva. Siouxsie está incrível. “Green Fingers”, seguindo uma linha mais psicodélica, apresenta um riff de flauta doce e flerta bastante com outras vertentes do rock. Ali consta uma vibe muito similar ao que se encontra no LP “Porcupine”, do Echo & The Bunnymen, lançado meses depois.

“She’s a Carnival”, “Painted Bird” e “Slowdrive” dão ao disco um ritmo mais pop, mas nada que chegue a ser óbvio. Todas obrigatórias nos shows da banda na época, essas faixas sugerem a coragem da banda ao unir os princípios do punk com seja lá o que for. Parece óbvio, mas não foram tantas bandas que se deram bem ao tentar fazer isso.

Com um loop hipnotizante, “Circle” é uma faixa incrível. Sendo a mais experimental, destaca-se na tracklist como aquela que sonoramente te segura até o fim. A intensa bateria de Budgie faz um contraponto interessante com a letra que menciona um abuso sexual que a cantora sofreu quando tinha nove anos.

A performance dramática toma conta de “Melt!”, uma das melhores faixas da banda. Em ritmo de valsa, foi escrita durante a primeira excursão ao Japão, quando ganharam várias roupas, cartões e desenhos dos fãs japoneses. Nas palavras da cantora, eles ficaram derretidos com aquilo tudo.

O arranjo de cordas para “Obsession” é um dos pontos altos da obra. Esta música, carregada de erotismo, mostra a habilidade de Siouxsie com sua voz, cantando com suavidade e carregando para si uma personalidade artística irresistível. É por músicas como essa que a vocalista faz jus ao seu visual, e você percebe que todo aquele teatro não é um exagero sem propósito.

Como se não bastasse, o LP conta com um pouco de jazz. O clima de “Cocoon”, mesmo indo para outra direção, faz todo o sentido, e é por canções assim que podemos perceber como é importante o conjunto da obra. Talvez em um álbum como Juju ela não teria tanto sentido.

No fundo, “Kiss in The Dreamhouse” se trata de um ótimo exercício de experimentação e coesão. É muito difícil conseguir essas duas qualidades ao mesmo tempo. Em muitos casos isso é como óleo e água, a coisa não casa e tudo parece não ter nexo. Mas isso não é só minha opinião, isso porque na época o disco foi aclamadíssimo pela crítica. A revista Melody Maker considerou “Kiss in The Dreamhouse” o lançamento do ano de 1982, num ano em que foram lançados clássicos como “Rio”, do Duran Duran, “Nebraska”, do Bruce Springsteen e nada mais nada menos que “Thriller”, do Michael Jackson.

A própria banda afirmou diversas vezes que “Kiss in The Dreamhouse” foi seu auge criativo. Apesar disso, curiosamente, o tempo foi passando e o LP foi esquecido em partes, talvez por não conter nenhum grande hit. Somente há pouco tempo seu prestígio foi retomando fôlego, com artigos sobre o trabalho e sua importância para a época.

Eu sempre falo que o pós-punk do início dos anos 1980 é um dos melhores e mais importantes períodos do rock. Esse disco não me deixa mentir.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Guilherme Luiz, da loja de camisetas As Baratas

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Guilherme Luiz, d'As Baratas
Guilherme Luiz, d'As Baratas

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Guilherme Luiz, diretor de arte da loja de camisetas As Baratas. “ATENÇÃO, tudo nessa lista é para ser ouvido BEM ALTO!”

Electric Six“I Buy the Drugs”

“Uma das minhas bandas favoritas, o som é um rockfunknewwavepunk que tem uma pegada cafona-dançante com letras engraçadas e grudentas interpretadas por Dick Valentine, que tem uma presença de palco única. Sempre ouço para dar uma levantada no astral. Ah, e os clipes são sensacionais e necessários para 100% de aproveitamento!”

Lee Hazlewood“Morning Dew”

“Acredito que essa música tenha sua versão mais popular pelo Grateful Dead, mas já foi gravada por Einsturzende Neubauten, Robert Plant, Devo, Nazareth entre outras bandas improváveis. Composta por Bonnie Dobson, a música é bem cultuada e recebe até um rótulo de folk pós-apocalíptico, pois é baseada no filme On The Beach, de 1959, onde um casal sobrevive ao holocausto nuclear (desculpa o SPOILER). Minha versão favorita é pelo bigodudo aí, conhecido por seus trabalhos de produtor e parcerias com Nancy Sinatra, é um cara com um timbre único, músicas envolventes e uma carreira digna de uma dissecação”.

Turbonegro“TNA (The Nihilistic Army)”

“Embora não seja da formação clássica da banda, acho que esse disco é um dos meus favoritos, e essa faixa me representa!”

Brant Bjork“Too Many Chiefs… Not Enough Indians”

“Esse som me apareceu nas descobertas do Spotify e eu não conseguia parar de ouvir. Era um stoner calminho, mas tenso, com uma melodia bem gostosa pra ouvir de boa, então logo fui buscar versões e fui atrás de quem diabos era esse tal de Brant Bjork. Nessa pesquisa reveladora, descobri que esse cara era um dos pilares do Kyuss e participou/produziu discos do Fu Manchu, Desert Sessions e Mondo Generator. Foi obsessão à primeira ouvida, comprei vinil, vi todos vídeos possíveis no youtube e com isso posso afirmar que esse cara é um dos pais do stoner, e seu trabalho solo é uma evolução contínua e ramificada do gênero”.

Ty Segall Band“Wave Goodbye”

“Essa leva de bandas de garagem podreira são minhas maiores motivações musicais nos últimos tempos, dentre elas destaco essa faixa do Ty Segall Band, que deixo por último, pois depois de ouvi-la, não consigo ouvir mais nada, só ficar alguns minutos em silêncio para recuperar o fôlego”.

BONUS TRACK

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Senhor Walber”

“Em 2016 vi um show deles em um Sesc sem saber nada da banda, e PUTAQUEPARIU! Com uma mistura de tudo que se tem no rock e letras de temas diversos, Jonnata Doll e os Garotos Solventes é minha última banda favorita, sempre que tem show (para total apreciação recomendo muito ver a banda ao vivo!) faço questão de ir e prestigiar a banda, que é uma das minhas maiores esperanças para o rock nacional”.

Molotov Conspiracy, de Minas Gerais, injeta a cultura skate em seu punk rock rápido e sem freios

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Molotov Conspiracy

Formada por Gustavo Ottoboni (guitarra), Gabriel Ottoboni (bateria) e Caike Motta (baixo), a Molotov Conspiracy é de Piranguinho, uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Lá, o trio começou em 2012 sua mistura de hardcore, punk, surf music e thrash crossover e chegaram até a ser expulsos de um show ao ar livre por uma igreja das proximidades. Interior, sabe como é.

É claro que o lifestyle interiorano não é poupado nas letras do primeiro disco do trio, “Country Pit”, que mostra um pouco das influências de Suicidal Tendencies, Agent Orange, as trilhas da série de jogos “Tony Hawk’s Pro Skater”, surf music e molecagem. Agora, eles preparam seu segundo trabalho, a ser lançado em breve.

Conversei com eles sobre sua carreira, a vida de banda independente no interior, a influência do skate e sua cultura e mais:

– Como a banda começou?

Caike: A banda começou em 2012. A ideia inicialmente era se ter uma banda pra tocar por diversão nos rolês. Trabalhar numas músicas autorais. Acabou que foram surgindo músicas, ideias, e a gente foi levando. Cada hora trazendo um tipo de influencia diferente, desde que soasse rápido. O projeto foi inicialmente idealizado pelo Gu,
acho que ele pode comentar mais sobre as origens, pré 2012.

Gustavo: Entre 2006 a 2008 mais ou menos eu tinha uma outra banda de HC melódico com o Gabriel e o Yuri, um amigo nosso de Piranguinho, a Fastfood. Não chegamos a gravar nenhum material oficial, além uma demo caseira de um som que se chama “Esse É Um Lugar Feliz”. Foram tempos divertidos, mas a banda não vingou. Se hoje em dia o espaço pro underground é limitado aqui no sul de Minas, imagina há 10 anos atras. Fora outros projetos da adolescência como o The Mente e o Punk Rock 900º que tomaram o mesmo rumo, sem registros. Bom, a partir de 2009 eu comecei a entrar mais na onda do HC oitentista depois de ver o Suicidal Tendencies com o clip de “You Can’t Bring Me Down” na MTV e ter achado a proposta do som fodástica. Na sequencia fui descobrindo os clássicos do HC/skate punk, tipo Black Flag, Dead Kennedys, JFA, Agent Orange, Bad Brains, a Grinders e assim por diante. Nessa pegada fui redescobrindo o punk rock como lifestyle e o skate também. E então, em 2010, rolou em Itajubá, uma cidade vizinha, a segunda edição do Sobrevivência Punk, onde tocaram entre outras bandas o Lo-Fi Punk Rock e o Orgasmo de Porco. E foi nesse caldeirão que tive o insight de voltar a fazer som, com uma pegada mais agressiva e barulhenta, e em meados de 2011 começar a compor “Freedom is my Religion”. Mas o maior problema estava sendo achar um baixista para fechar o power trio, sempre tive preferência por tocar em trio, gosto do desafio de fazer um som legal com menos. Todos que ouviam a proposta achavam o som barulhento demais. Então, em 2012, o Caike me mandou por acaso uma demo tocando baixo, gostei da pegada e então convidei ele pra fazer parte do trio e então começamos a trampar nos sons.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Gustavo: A base de tudo que fazemos é a música veloz em geral, que seja HC punk, crossover e “crássicos” da surf music como “Wipe Out”, “Misrlou”, “Malagueña”. Fora isso, buscamos colocar um pouco das preferências musicais de cada um da banda. A regra é, não temos muitas restrições pra compor desde que saia algo, rápido, visceral e original. Cada som que compomos tem uma cara própria.

Caike: Eu como baixista traria muito a influencia de Suicidal Tendencies, Red Hot Chili Peppers, Municipal Waste, até um pouco de Funkadelic, John Frusciante… mas aí mais pra criação dos riffs e não no estilo que eles são tocados. Pra tocar, é ser rapido e casar com a melodia.

Gabriel: Bom,  como baterista, comecei a tocar aos 11 anos de idade por conta própria, sempre tive vontade de tocar e na primeira oportunidade que me apareceu eu agarrei e não deixei o prazer da música de lado em nenhum momento até agora. Posso acrescentar que minhas influências são as mais distintas em relação aos outros integrantes da Molotov. Sempre tive a influência mais puxada para o lado metal e thrash, e no começo como baterista, uma das maiores influências mais “puxada” para o nosso estilo foi o Travis Barker (da blink-182), mas com a evolução no instrumento, sua cabeça vai abrindo e novas influências acabam que por conta própria cruzando teu caminho. Não poderia com certeza deixar de lado uma das maiores influências da Molotov, o Suicidal Tendencies. O Eric Moore como baterista pra mim foi uma coisa inovadora, pois o cara sabe usar de recursos como viradas totalmente imprevisíveis e muita velocidade, o que me deixou ainda mais surpreso porque eu pude notar que a velocidade com certeza é questão de prática,  se é que vocês me entendem (risos). Enfim, acho que toda essa miscigenação de influências e toda a bagagem que a gente vem carregando nesses anos todos favoreceu demais pra composição geral de um estilo que considero totalmente original.

Gustavo: O Gabriel é o cara das técnica. (risos) Bão demais!

– E de onde surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Gustavo: Sendo bem sincero? Foi coisa de molecagem. Como estava na vibe de fazer um som mais barulhento e agressivo, da mesma forma queria um nome que soasse agressivo, e a primeira coisa que veio a cabeça foi algo que tivesse a ver com bomba e explosões. Foi uma escolha meio pretensiosa? Foi! Mas conforme fomos colando nos rolês e a galera foi acompanhando o som, o nome vingou e se espalhou. Daí ficamos com esse mesmo. (risos)

– Me falem um pouco mais do trabalho que vocês lançaram até agora.

Caike: O nosso primeiro EP é mais um compilado das músicas autorais que a gente vinha coletando entre 2012-2014. Sempre que o Gu surgia com um riff novo, uma letra nova, a gente fazia uma música dali. A ideia foi sempre trazer musicas novas, pra que a gente não ficasse limitado ou tivesse que tocar só cover. Porque a banda começou com uma música autoral, no máximo duas! Como foram músicas que foram surgindo num período de 2 anos, cada uma representa um momento específico. Eu vejo o álbum mais como uma carta de apresentação. Ele foi gravado em Cambuí, no Totem Studio, com a exceção de uma música, “We Are The New Working Class”. Foi um processo longo, caro (custeado pelo Gu) e totalmente no DIY. Mas a intenção era ter um material pra dar um passo à frente, sair das garagens e tentar alcançar novos lugares.

Gustavo: Esse EP é bem nessa vibe mesmo, foram sons feitos entre o início da banda até 2015, mais ou menos. O nosso processo de composição é lento. Esse ano pretendemos lançar material novo e que vai seguir mais ou menos o mesmo processo, mas pode esperar que vem mais pancadaria por aí!

Caike: O que fez a diferença e a gente não quer agora, por exemplo, é gravar cada música em uma época… A gente quer um EP que soe único. Gravar as músicas numa data especifica, pra não soar cada música como se fosse gravada em uma época.

– E como a cultura skate faz parte do som da banda?

Caike: Gustavo vai poder falar melhor sobre isso, mas, de forma resumida… toda a influência de sons pra banda vem do skate. “Tony Hawk’s Pro Skater”, querendo ou não, foi um meio de propagar tanto o skate pra galera, quanto as bandas que rolavam na cena. Tiramos dali boa parte das influencias. Mas o Gu vai poder ir além, porque ele era o skateiro daqui (risos).

Gustavo: Como o Caike disse, o THPS popularizou a contracultura do skate, e foi a partir dos games clássicos que entrei no skate e comprei meu primeiro board vagabundo. Eu tinha uns 14 ou 15 anos, acho, e com o tempo fui tomando conhecimento do que o skate representou na decada de 80 e 90, a transgressão de ambientes, a marginalização, e, claro, a sonoridade que cercavam essa cena, como Grinders, JFA, The Faction, Agent Orange, entre outras coisas que rolam nesse meio. Na banda, especificamente, trazemos a parada da diversão e agressividade e a insatisfação com a questão de o skate ter perdido esse sentimento outsider pra se tornar algo cool nas grandes mídias, ser encarado como esporte e chegar ao ponto de ser inserido nas Olimpíadas, e tudo isso após as grandes corporações se adentrarem nesse meio. Pra nós o skate é diversão, transgressão, integração de tribos, um trabalho de criatividade e roque veloz, somente.

– É, aqui no Brasil normalmente skate aparece meio sempre ligado ao Charlie Brown Jr.

Gustavo: Sim, não que isso seja completamente ruim, o Chorão sempre esteve ligado com o skate e isso é bacana, porém a coisa ferrou quando atingiu as Rede Globo da vida. (risos)

Molotov Conspiracy

– Bom, como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Gustavo: Hoje em dia pra quem gosta de rock, principalmente, a cena independente está em ebulição. Acho que nunca antes fazer uma gravação de boa qualidade foi tão acessível quanto hoje em dia. Somos muito fãs dos 80’s em termos de hardcore, mas hoje em termos de qualidade de gravação a coisa tomou um aspecto mais bem produzido, mas sem ficar fresco e cheio de firulas. Aqui em Minas muita gente diz que não há mais rock, porém eu digo que é falta de buscar se informar. É muito facil conhecer bandas legais hoje em dia, independentemente do seu gosto musical. O lance é que a forma das bandas se articularem hoje em dia é completamente diferente das décadas passadas. E muita gente não se adapta por falta de interesse e caretice mesmo, mas em contrapartida a galera produz mesmo e tem um certo público. Costumamos dizer que o rock voltou pra onde nunca devia ter saído.

– Já que você falou de Minas, como anda a cena por aí?

Gustavo: Ela é espalhada aqui no sul de Minas, em cada canto tem algumas bandas. Tem nós em Piranguinho, Santa Rita tem o Pino de Granada, Pouso Alegre tem o xBicuda do Rastax e o Casca Podre, Cambuí tem o Tumbero e o Monstreze e assim vai, mas é sempre difícil adentrar os festivais grandes da região que focam em bandas cover de classic rock e metal. O nosso movimento se concentra em praças, pistas de skate e no CPB, o rock bar de Cambuí do Manoel (Tumbero).

Caike: Tem mais banda na real, tá surgindo uma levada diferente também, tipo a galera da Galope Discos, que é um selo de Pouso Alegre que até pouco tempo eu desconhecia. https://galopediscos.bandcamp.com/  É uma vibe diferente da nossa, claro, é uma coisa mais experimental. Mas é autoral, e não dá pra negar que é um movimento.
Também tem uma cena de hip hop, mas acho que a galera ainda tá muito presa na ideia de ser o que foi o Bonde da Stronda, por exemplo. Mas só de começar algo autoral na região, onde tudo é consumir mais do mesmo, já é algo bem relevante.

– Quais são os próximos passos da banda?

Caike: Sem dúvidas alcançar públicos e espaços que a gente ainda não chegou. Uma das metas da banda pra esse ano é começar a tocar aqui em SP, quem sabe em outros lugares também. Sair um pouco do ciclo do sul de Minas, começar a levar banda pra lá e a exportar banda de lá. Também estamos querendo gravar um EP novo aí, 4 musicas que já tocamos, mas que estamos dedicando todo o carinho e atenção pra fazer uma coisa grande, bem feita. Quem sabe algum EP de instrumental surf, é uma possibilidade também, mas esse é só plano!

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Caike: Vamos lá: Tumbero, Casca Podre, xBicuda do rastax, The Barber, Water Rats, Lo-Fi, Deb & The Mentals, A Creche, Lomba Raivosa, Aloha Haole, Middlemist Red, Ventre, Dum Brothers… The Barber é muito o que a gente tá esperando pro próximo EP. É uma banda russa, que tem uma pegada bem do jeito que a gente gosta. Mais uma banda: Molho Negro!

Gustavo: Do que ando acompanhando, tenho muito em comum com o Caike!

Coluna RockALT #7 – Chuva Negra, Ataque Fatal, Toma!, Beach Slang e Corona Kings

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RockALT, por Helder Sampedro

Mais uma semana, mais uma Coluna RockALT! Separei bandas um pouco mais pesadas dessa vez além de uma das minhas bandas favoritas dos últimos anos.

Chuva Negra

Escolhi o Chuva Negra pra abrir a coluna dessa semana com o pé na porta. E é assim que o quinteto de punk rock paulistano tem se apresentado, sem frescura e sem firula, as letras batem forte e tratam de problemas bem comuns a todo jovem que cresce em uma sociedade na qual não se sente completamente incluído. Musicalmente eu aprecio bastante o vocal rasgado, puxando pro hardcore, sem perder a conexão com o ouvinte. A influência punk também marca o instrumental, musicas rápidas, energéticas e curtas, com apenas dois minutos em média. A banda tem se apresentado bastante recentemente mas não tem lançado muita coisa, o último LP é de 2014. Fica aqui nossa torcida para que lancem um novo trabalho em breve.

Ataque Fatal

Falando em punk, eu não podia deixar de falar da banda Ataque Fatal. Atualmente formada apenas por Jhonny Magi nos vocais e guitarra e pelo baterista Victor Hugo, sem baixista porque segundo o próprio Jhonny os baixistas sempre o deixam na mão. A banda toca punk de verdade, sujo, direto com letras ácidas, ofensivas e contra o status quo. Em tempos que até a música sofre com falta de atitude ou falta de autenticidade, ver um cara como o Jhonny com seu festival totalmente independente – A Voz do Underground – é um verdadeiro alívio aos amantes da música independente e do espírito do faça-você-mesmo. Deixo um belo exemplo da banda aqui embaixo enquanto não chega o álbum prometido pra esse ano.

Toma!

Depois de anos longe dos holofotes, os gêneros melódicos (ou Emo, se preferir) parecem estar ganhando atenção novamente. A banda Toma! de Santa Cruz do Sul/RS é um exemplo interessante deste movimento. Formada em 2005, o auge da cena emo, o quinteto de hardcore melódico lançou seu primeiro álbum com músicas escritas ao longo dos seus mais de 10 anos de carreira e voltou em 2017 com o EP ‘Melhor Assim’ que mostra que o gênero ainda tem espaço na cena independente. Se você ficou com saudades desse estilo ou era muito novo na época, o EP é uma excelente pedida.

Beach Slang

O Beach Slang é uma daquelas bandas que eu gostaria que o mundo todo conhecesse. Tenho certeza que a sociedade seria muito melhor se esse quarteto da Filadélfia fosse tão famoso quanto os Beatles ou Stones. Dotado de uma energia juvenil somada à vivencia e visão de mundo do quarentão vocalista/guitarrista/liricista James Alex certamente é um dos destaques da banda. O som energético com pegada punk sem medo de ter momentos mais melódicos é contagiante e faz você querer virar a noite cercado de amigos e amores como se tivesse vinte e poucos anos novamente. E cuidado pra não querer tatuar trechos poéticos das letras, já aviso que faltaria espaço no seu corpo!

Corona Kings

Os garotos de Maringá tem tudo pra se tornarem estrelas da cena alternativa e já conquistaram um número considerável de fãs dedicados mesmo com pouco tempo de estrada. A banda formada em 2012 já foi selecionada para participar de projetos musicais patrocinados por marcas como Levi’s e Jägermeister. Atualmente gravam seu terceiro LP e tendo ouvido uma música desse novo álbum, garanto a vocês que vem coisa muito boa por aí. Com uma mistura de garage rock, punk e até metal a banda mostra sua versatilidade, qualidade e evolução musical. Se você acha que a cena independente só tem banda tranquilinha, meu amigo, você ainda tem que ouvir Corona Kings! A oportunidade perfeita para vê-los ao vivo é a nossa RockALT Fest, dia 09/04!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 98 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

Cantarolando: o quase jazz de “Your Last Affront”, do Black Flag (1985)

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Cantarolando, por Elisa Oieno

Há um tempo peguei para ouvir o disco “The Inner Mounting Flame” (1971), do Mahavishnu Orchestra. Estava ouvindo essa banda com um som meio progressivo, meio jazz fusion, com todo o pacote de ritmos quebrados, acordes dissonantes, uma liberdade fluida e um balanço, e a guitarra do John McLaughlin fazendo intervenções que, apesar de absurdamente habilidosas, nada têm de firulas e de ‘punhetagem’. Que beleza. Conhecido por tocar na banda da “fase elétrica” do Miles DavisTony Willians Lifetime -, sua guitarra tem um fraseado de fuzz intenso, rasgado e criativo que lembra… Black Flag?

Segui ouvindo o disco até que, então, a suspeita se confirma com a faixa “You Know You Know”: as notas são idênticas ao começo da “Life of Pain” do Black Flag.

De fato, Greg Ginn se declara fã assumido de Mahavishnu Orchestra, tendo o John McLaughlin como uma de suas maiores referências na guitarra. Sua banda preferida é o Grateful Dead, tipicamente improvisacional e livre em estrutura. Fazer um som que lembra jazz e querer fazer improvisos ‘psicodélicos’ não combinava com a cena de hardcore punk do início dos anos 80. 

Tanto que, no início da cena punk, Greg Ginn era desencorajado a fazer longos ensaios com a banda e não havia espaço para improvisos nas músicas, que deviam ser simples e diretas, já que o punk e o hardcore tinham como parte de suas afirmações musicais justamente a contraposição às composições complexas e virtuosas que imperaram no rock da década anterior.
Porém, ao longo da carreira do Black Flag, ele conseguiu introduzir a referência aos colegas de banda, principalmente na época de Kira Roessler no baixo e Bill Stevenson na bateria, que acabaram abraçando elementos do Mahavishnu Orchestra e King Crimson. Principalmente nos discos Family Man” (1984) e The Process of Weeding Out” (1985), em que está a canção homenageada de hoje.

A faixa “Your Last Affront” abre o disco (na verdade, um EP) e já deixa clara a intenção: muito mais experimental e improvisada do que o hardcore, mas sem deixar de ser direto e pungente.

Construindo Naissius: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do artista

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Construindo Naissius

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a participação do Naissius, que se apresentará nessa sexta-feira na Sensorial Discos com o repertório de seu disco de estreia, “Síndrome do Pânico”, além de músicas inéditas que estarão em seu próximo álbum. 

The Beatles“Hello Goodbye” (do disco “Magical Mistery Tour”, 1967)
Quando era criança, vi o clipe desta música e não entendi nada; foi a primeira que lembro ter sentido vontade de me tornar músico.

Jeff Buckley“Lover, You Should’ve Come Over” (do disco “Grace”, 1994)
O Jeff Buckley me mostrou que não havia problema algum em adorar Nina Simone e MC5 numa época em que eu ainda era um tanto ‘purista’.

Screamin’ Jay Hawkins“I Put a Spell On You” (do disco “I Put A Spell On You”, 1977)
Eu já adorava essa música quando criança, na versão do Creedence – meu pai tinha uma coletânea do Creedence e eu sempre escutava. Fui descobrir a versão original muitos anos depois e hoje tenho o estranho hábito de procurar versões dela na internet. São inúmeras, por diversos artistas, mas nenhuma supera a original.

Raul Seixas“A Maçã” (do disco “Novo Aeon”, 1975)
Aos 13 anos de idade interpretei o Raul Seixas no teatro e, para pegar o ‘sotaque’, fui ouvir toda a discografia dele. ‘A Maçã’ é sobre esse conceito de monogamia e traição que somos submetidos desde o nascimento e o qual nunca questionamos – além de ser uma das melhores músicas do Raul.

The Clash“Know Your Rights” (do disco “Combat Rock”, 1982)
O The Clash foi a primeira banda de punk rock que eu me apaixonei. O ‘Combat Rock’ foi um dos primeiros discos que eu comprei na vida e teve grande influência na minha formação.

Minor Threat“Guilty of Being White” (do disco “Complete Recordings”, 1988)
Eu já fui menosprezado por estar em lugares que não eram para ‘pessoas como eu’; o engraçado é que isso já aconteceu tanto por eu ser ‘muito branco’ quanto por ser ‘muito preto’.

Titãs“Desordem” (do disco “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”, 1987)
Ainda me pergunto como os Titãs conseguiram fazer músicas com letras tão fortes se tornarem hits nacionais.

Chemical X“What’s Your Problem?” (da demo “What Ever Happened?”, 2003)
Trio de irmãs que tocam um punk rock de primeiro nível. Na minha adolescência era um alívio vê-las tocando entre tantas bandas que soavam iguais. Através delas eu passei a me interessar por feminismo, o movimento riot grrl e bandas como o Bikini Kill.

Nirvana“Sappy” (do box “With The Lights Out”, 2004)
As primeiras vezes que vim para São Paulo foram de trem, descendo na Luz, para passar a tarde na Galeria do Rock atrás de bootlegs. Quando ouvi essa música do Nirvana num CD de raridades, percebi que ela fugia do padrão ao relatar a vivência de uma mulher que leva uma vida de abusos e não se dá conta disso.

MC5“Kick Out The Jams” (do disco “Kick Out The Jams”, 1969)
Provavelmente uma das melhores músicas já escritas até hoje.

The Monks“Monk Time” (do disco “Black Monk Time”, 1966)
São ‘os Beatles do mal’. Não vou resumir a história pois vale muito a pena ir atrás dessa banda e desse disco. É pop com caos numa medida que nunca havia sido feita e provavelmente nunca mais será.

John Lennon“God” (do disco “Plastic Ono Band”, 1971)
Lennon usou seu primeiro disco para lavar a roupa suja com todo mundo, inclusive com o todo-poderoso, que ele se refere como ‘um conceito pelo qual medimos nossa dor’. Sigo o conselho de um amigo e sempre que escuto esse disco o faço ‘com muito cuidado’.

Chico Buarque“Construção” (do disco “Construção”, 1971)
Meus pais sempre ouviram muito Chico e ainda criança lembro que essa música me assustava: a crescente dos arranjos; a letra; a ideia da morte inevitável e repentina… É uma música que me impactou muito.

Nick Drake“Saturday Sun” (do disco “Five Leaves Left”, 1969)
Quando estava escrevendo o ‘Síndrome do Pânico’ eu ouvi muito os discos do Nick Drake. São de uma simplicidade e beleza tão raros… Nada é forçado ou exagerado.

New York Dolls“Personality Crisis” (do disco homônimo, 1973)
O New York Dolls me deu um nó no cérebro: usar calças rasgadas não parecia nada audacioso depois de ver caras vestidos de mulher tocando um rock sujo e minimalista. Ao conhecer a banda eu finalmente passei a tentar (des)construir minha própria imagem.

Fagner“Canteiros” (do disco “Manera Fru Fru Manera”, 1973)
É a música que eu canto no karaokê.

Chris Bell“I Am The Cosmos” (do disco “I Am The Cosmos”, 1992)
Se a discografia do Big Star é desconhecida e subestimada, esse disco solo de um dos integrantes é um tesouro perdido (lançado 15 anos após sua gravação). A música é a que dá nome ao disco e é daquelas que sempre me pega pelo nervo.

Ryan Adams“Afraid Not Scared” (do disco “Love Is Hell”, 2004)
O ‘Love Is Hell’ é um disco maravilhoso e essa é uma das minhas favoritas desse disco e de toda a discografia do Ryan Adams.

Rodriguez“Sandrevan Lullaby Lifestyles” (do disco “Coming From Reality”, 1971)
Uma das minhas letras e música favoritas. Conheci o Rodriguez uns anos antes de sair o documentário sobre sua obra e desde então seus dois discos que servem como uma espécie de bússola.

Mark Lanegan Band“Bombed” (do disco “Bubblegun”, 2003)
Ouvi esse disco quando saiu. Me fez entender que não é necessário ter guitarras ou gritos para ser rock.

Lisergia, experimentalismo e minimalismo musical com Raf F. Guimarães e Amigas de Plástico

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Raf. F. Guimarães

A independência prolífica de Raf F. Guimarães rendeu uma discografia diversa e interessante cheia de experimentalismo e lisergia, além de sua paixão pelo minimalismo. Com ou sem a banda Amigas de Plástico, ele continua trabalhando em sua música tratando-a como ela deve ser tratada: como arte.

Seu mais recente trabalho, “Phase 3”, saiu em CD e vinil e mostra um pouco do conceito de desconstrução da música que o artista seguiu, com minimalismo e noise em quase todas as faixas. Agora Raf prepara seu segundo trabalho solo, sucessor de “Lofi em Mono”.

Conversei com ele sobre seus trabalhos, influências e sua desesperança na cena independente:

– Como você começou sua carreira?

Momento viagem no tempo… No início das Amigas de Plástico, a banda estava mais interessada em criar um “caos organizado”, muito orientada pela desconstrução da música que o Einsturzende Neubauten fazia. Isso era ’98. A banda foi meu primeiro projeto musical que foi concebido em não ser “hobby”, mas a ideia girava muito em torno de criações espontâneas… Meia dúzia de “temas/riffs” e muita improvisação… Não havia o menor interesse em gravar nada. Era meio “o que ficar nas nossas cabeças e na memória das pessoas é o que interessa”. Isso explica o porquê do lançamento tardio do primeiro disco. Só após a primeira (de muitas) diluições de formações é que eu comecei a digerir a ideia de gravar. Esse hiato durou alguns anos, enquanto isso eu fiz trilhas, produzi alguns amigos, fiz engenharia de áudio para outros…

– Já que você falou dele, me conta mais sobre o primeiro disco!

Ele tinha tudo para não acontecer! No “Tschüss” (‘adeus’ em alemão, que por um erro de grafia arte da capa virou “Tchuess”) a idéia da gravação final veio de uma conversa minha com o Will Sergeant (do Echo and the Bunnymen) sobre gravar uma música por dia e só voltar para a mesma quando fosse mixar. Foi o que aconteceu: uma música por dia, gravação em rolo, tudo gravado no primeiro take! Várias coisas naquele disco eu não tenho ideia de como apareceram na fita, várias músicas terminaram totalmente diferentes do que eram, pela atmosfera q foi criada na hora… Muita coisa foi improvisada (e errada) na hora também. Era um modo de manter a ideia da espontaneidade viva… Eu acabei voltando a esse “método” de uma música por dia quando gravei meu primeiro solo, o “Lofi em Mono”. Quando todo o instrumental estava pronto, eu estava bem desanimado com o meio musical em si… A ideia de ajudar a todos e ninguém ao menos perguntar como você esta segurando a barra. Eu não tinha a menor força para gravar os vocais, mas o selo que ia distribuir o CD estava super animado. “Não importa, nós vamos lançar ele assim como está, está perfeito…E vamos fazer um poster: the greatest unfinished album ever released!” E foi o que fizeram! (risos). Eu estava imerso em uma psicodelia pesada na época, muita gente fala pra mim que o disco quem algo de shoegaze/dream pop… Mas o que eu acho mais sensacional é como ele involuntariamente conta a estória de um relacionamento. Ele começa por “Oi”, passa por “Este é o meu novo amor”, a coisa desanda em “13 mentiras” e termina com um “Adeus”. Acabou que eu curti bastante o “exercício” que o Will me propôs como solução pra um disco que não saía do mundo das idéias e desde então eu comecei a tratar todos os álbuns como uma relação entre uma conceito de tema e uma metodologia de gravação específica… Acho que tem dado bons resultados até agora.

– Aí depois veio o “Nada”, né. Como foi a produção desse trabalho?

Isso! Na época do “NADA!” o Diego tinha voltado para o projeto… como o “Tschuess” foi bem solto e tem uma atmosfera um pouco, digamos, romântica, eu pensei em ir ao extremo oposto… Em trabalharmos a gravação como control freaks e o conceito seria algo como “o lado sujo/grotesco do amor” (Na época eu, particularmente, estava metendo o pé na jaca com sintéticos em geral)… Acho genial o disco começar daquela forma. Você sabe o que é um “68”? “Você me chupa e eu te devo uma”. E é unissex, nem podem me chamar de misógino. É uma musica sobre sexo oral e dominação.

Raf F. Guimarães

– E depois veio “Ipanema”, já com outra pegada.

Sim… “Ipanema” era uma musica bem do inicio da adp…anos 90, baseada em uma historia real…a ideia era ter um 12″ com o single de “Ipanema” (e umas sobras da gravação do “NADA!”) de um lado e um EP (“Não Existe Fudeca em São Paulo”) do outro. Este era basicamente cordas e sintetizadores, falando sobre relacionamentos à distância. Nessa época estávamos a todo vapor, tínhamos sido convidados pra tocar no programa de entrevistas do Marcelo Yuka… Estávamos já trabalhando o que seria um próximo álbum (“Without Teeth” referencia ao NIN, com o Tião Macalé na capa, óbvio)… Mas o Diego deu uma mega sumida já com bastante material gravado (para depois anunciar seu desligamento), eu já estava sacando que tinha algo errado enquanto não conseguia falar com ele e coloquei a ideia do “Lofi em Mono” em prática, para não ficar parado… Voz e guitarra, só, usando o amplificador como instrumento. Sem pedais, sem pós produção. novamente tudo em fita. Quando o “Lofi…” ficou pronto, eu tive o mesmo grau de realização que tive quando o “Tschuess” saiu. Pra mim foi um disco bem intenso e, em termos, era a semente do que eu desenvolvo hoje.

– E depois veio um EP com poucas músicas.

Depois do “Lofi…” eu ainda não estava totalmente pronto para a ideia de deixar de lado (mesmo que por um tempo) a Amigas de Plástico. Então fiz uma série de 4 singles mensais, e o lado negro da força (digo, do minimalismo) foi tomando conta cada vez mais de mim! (risos)

– E foi daí que surgiu o “Phase 3”, que saiu até em vinil.

Sim sim… Nesta época dos singles eu tinha que bater ponto aí em SP uma vez por mês, basicamente. Conheci o Ricardo Garcia do Fita Crepe e combinamos de fazer uma apresentação lá, que seria um estudo preliminar do que viria a ser o “Phase 3”. Na época eu ainda tinha a mentalidade deadhead de distribuir ácido nos shows, então você pode imaginar… De certa forma, ali eu comecei a desconstruir os elementos da música e trabalhar com cada vez menos variáveis …A ideia de La Monte Young de que o minimalismo é música feita com o mínimo de recursos possíveis foi algo como a interseção entre meu trabalho solo até então e todo o percurso da Amigas de Plástico de apresentar conceitos/práticas do avant garde de forma digerível ao publico “não iniciado”.

– E o “Phase 3” te rendeu um ótimo retorno, né?

Foi surpreendente e ao mesmo tempo desanimador (risos). Mas os bons momentos fazem valer a pena, tipo quando o Rosco (ex-Spacemen 3/The Darkside) veio falar super bem do álbum (ainda rolou um escambo de discos…)

– Desanimador porque?

Então…eu costumo dizer que hoje em dia não existe “cena” em lugar algum. Existe “panela” e existe bastante “fogo amigo”. Sabe, eu não suporto o Renato Russo, mas ele tem uma frase que é sensacional. Ele fala que o problema das pessoas é que elas brigam pela luta errada. Você não pode brigar pelo espaço do outro, você tem que lutar por um espaço para você! Mas a maioria das bandas pensam que realmente é uma competição, e as pessoas te boicotam de 300 formas. Basicamente você acha que tem amigos, mas só tem filhos da puta. Coisas da vida. Mas se você pensar que são males que bem para o bem, é tudo lucro. Mas o álbum vai muito bem em streaming, as pessoas começam a achar que você está em outro nível quando você fala que tem um vinil…

– Então sua opinião geral sobre a cena independente hoje é negativa.

Definitivamente. grande parte das plateias em show independentes/undergrounds são músicos que estão ali por que querem roubar a ideia do set up do seu som e/ou falar que faz melhor… Não existe um apoio fraterno sem um interesse obscuro no que você tem a oferecer.

– E você acha que o vinil está voltando à ativa entre quem realmente gosta de música?

Olha, em números da Associação Internacional as vendas de vinil voltaram ao nível que estavam no início dos anos 90… Acredito que grande parte seja hype, mas levando em conta o fato de que uma boa loja de discos hoje trabalha com LPs, acho que grande parte dos reais fãs consumidores de música, opta por CDs em edições especiais ou pelo vinil… O grande público mesmo não consome música.

– O grande público consome o que a mídia e o mainstream oferecem.

Até mesmo o publico “alternativo”. Eles baixam mp3 mega comprimidas pra escutarem em seus iPhones com fones de ouvido de 5 reais…

– Como você definiria o som do Amigas de Plástico?

Eu tenho duas boas definições. Música para você se sentir bem em ser um merda. Música elegante para pessoas vulgares (ou o contrário). Mas talvez essa segunda se adeque mais aos discos solo.

Raf F. Guimarães

– Quem você citaria como maiores influências pro Amigas de Plástico?

Neubauten, Glide (o projeto solo do Will Sergeant), Death in June, minimalistas em geral (Glass, Cage, Riley, Young), Psychic TV

– Quais os próximos passos da banda?

Bom… A Amigas de Plástico está em um hiato estratégico, como fala o próprio encarte do “Phase 3”, e eu estou seguindo solo… Acabei de lançar um EP “Gitanes et Toréros”, que foi composto e gravado em coisa de uma semana no inicio do ano, vou continuar seguindo em frente como essa espécie de Don Quixote e espero lançar um novo álbum no final do ano. Esse deve sair em uma edição mega limitada, entre 20-50 vinis.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes!) que você ouviu nos últimos tempos e chamaram sua atenção.

Wolvserpent, mono, Boris, Phurpa, Phallus Roi, T.G. Olson

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Júlio Victor, do Sasha Grey As Wife e do canal Tá Na Capa

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Júlio Victor
Júlio Victor, do Sasha Grey As Wife

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Júlio Victor, da banda Sasha Grey As Wife e do canal do Youtube Tá Na Capa.

Malice Mizer“Syunikiss ~Nidome no Aitou~”

“Meu interesse pela música francesa começou com o Malice Mizer, uma finada banda japonesa muito importante tanto pela musicalidade como pelo conceito estético que influenciou uma geração, sendo um dos pioneiros do movimento visual kei. Após a morte do baterista Kami a banda definhou até deixar de existir, é uma pena, pois é um dos bateristas que mais gosto, ele tem muita personalidade. A mistura dos sons vai desde o eletrônico francês até ritmos e instrumentos tradicionais”.

Baton Rouge“Côte du Py”

“Descobri essa banda pois o guitarrista da primeira banda que gravei na vida me passou sua pasta inteira de músicas. Conheci muita coisa por lá, mas Baton Rouge foi uma das mais valiosas. Uma espécie de de post punk com hardcore e uma pitada daquele real emo. Gravações grosseiras, vocais gritados e aquele ar de sofisticação ainda. É um som agridoce e pouco conhecido, do tipo que tu sabe que só vai poder ver ao vivo se sair do país e der sorte”.

Sport“Ulrike Maier”

“Primeira banda francesa que vi um show na vida e pasmem, foi aqui na minha cidade, Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro. Eles fizeram uma tour gigante, na raça, na unha. Todos integrantes muito felizes e com calor pra cacete. As letras falam muito sobre convivência e a experiência dessa apresentação foi linda. Rolou em uma praça, puxando energia do poste, várias bandas do gênero, crianças passando, brincando na grama enquanto o show rolava, galera cantando à plenos pulmões. Aquela ocasião que tu não consegue tirar o celular do bolso e guarda tudo na memória”.

Zaz“Je Veux”

Zaz é uma daquelas artistas pops que mais o país dela conhece do que o mundo por completo. No Brasil temos vários assim, isso acontece por conta de não cantar em inglês, mas em seu idioma natal. Para mim é uma daquelas recordações que “sobram” de um relacionamento, a pessoa se vai e ficar uma banda, uma música, um show. Até rupturas trazem coisas boas. A música ‘Je Veux’ é engraçada pois exalta uma simplicidade que lembra bastante a temática de ‘Royals’ da Lorde, só que de maneira mais simples ainda, mais pé no chão. Gosto desse tipo de mensagem, exaltando uma vida simples e tal. Ouça Zaz para cozinhar, é inspirador”.

Alcest“Autre Temps”

“As pessoas falam que eu pareço o vocalista e de fato pareço. As pessoas falam que minha banda, Sasha Grey As Wife, lembra Alcest e de fato lembra. O som deles é folk, pesado, intenso, catártico, letras dramáticas e cheias de referências. Acho que foi a melhor referência que tive para incluir minha paixão pela música francesa dentro do meu som, pois, os objetivos musicais são parecidos. Gosto também como eles se renovam à cada disco, parece sempre algo novo, sem limites, do ambiente acústico aos gritos”.

Perfeição: Joni Mitchell – “Blue” (1971)

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Bolachas Finas, por Victor José

Hoje vou falar de algo extremamente consagrado e que por algum motivo absurdo não tem o devido reconhecimento no Brasil.

Recentemente escutei “Blue” (1971) três vezes seguidas e não encontrei um erro sequer, nada fora do lugar, nenhuma nota mal executada. A qualidade das faixas sempre me impressiona. Isso sem contar toda aquela sensibilidade em ebulição durante seus 35 minutos e poucos. São canções que emocionam facilmente qualquer um disposto a relaxar e curti-las, seja pelas melodias, seja pelas letras ou por qualquer outro detalhe. Analisando a esfera da música folk/pop rock, é muito justo afirmar que pouquíssimos artistas alcançaram excelência semelhante.

Naquela época de sua carreira, Joni Mitchell passava por mudanças significantes. Por conta do grande sucesso alcançado nos anos anteriores ao “Blue”, a cantora, sempre avessa à grandes públicos, havia decidido parar de se apresentar por um tempo. Além disso, ela havia terminado um longo relacionamento com Graham Nash, do grupo Crosby, Stills, Nash & Young e ex-The Hollies. Com isso, ela tirou umas férias e foi à Europa para acalmar os ânimos, e foi lá que ela escreveu quase todas as canções do álbum.

Em uma entrevista para a revista Rolling Stone em 1979, ela disse: “’Blue’ foi um momento decisivo de muitas maneiras. No Blue, quase não há uma nota desonesta nos vocais. Naquela época da minha vida, não possuía defesas pessoais. Me sentia como papel celofane num maço de cigarros. Sentia como se não tivesse segredos do mundo, e não pudesse fingir que minha vida era forte. Mas a vantagem disso na música era de que não havia defesas ali também”.

É justamente essa vulnerabilidade que seduz o ouvinte logo na primeira audição. Em “Blue”, Mitchell interpreta temas reflexivos como relacionamentos, solidão e anseios pessoais de modo tão honesto que passamos a aceitar a melancolia como um ingrediente extremamente agradável.

Apesar de vez ou outra conter nas faixas alguns músicos a mais (dentre eles, James Taylor nos violões), “Blue” é basicamente a voz de Joni Mitchell acompanhada por seu piano, violão ou às vezes um instrumento chamado dulcimer. O disco é essencialmente folk, mas nota-se também uma pitada de jazz nas estruturas musicais, detalhe que culminaria anos depois em álbuns com forte sonoridade fusion, como o “Hejira”, de 1976.

O disco começa com “All I Want”, perfeita para um início. Aqueles acordes de dulcimer misturados com a melodia entram na cabeça e custam a sair. A música, que como sugere o título trata de anseios pessoais, também parece ser um relato de alguém buscando uma identidade.

Depois vem a ingênua “My Old Man”. Apoiada pelo piano, Mitchell fala dubiamente sobre seu antigo relacionamento com Graham Nash, de modo que os versos exaltam os momentos em que ele esteve presente e o estribilho cai para o vazio de estar sozinha.

Sabe-se que “Little Green” foi composta em 1967, portanto fica sendo provavelmente a canção mais antiga do álbum. Mesmo estando um pouco distante das demais composições em relação a tempo, a música, a mais folk dentre todas, se encaixou perfeitamente à atmosfera de “Blue”. Por outro lado, ela contém a letra mais subjetiva do disco, que permite diferentes interpretações.

Já em “Carey”, Mitchell está acompanhada de uma banda acústica e vocais fazem harmonias, a alegria dá as caras no tom desta faixa com jeito de road movie. “Carey” fala sobre despedidas de maneira leve. É evidente nesta composição a influência de suas férias na Europa quando ela canta: “Maybe I’ll go to Amsterdam, or maybe I’ll go to Rome”.

“Blue, songs are like tattoos”. Essa frase justifica toda a densidade do disco. O tal “Blue” que ela cita é David Blue, um expoente compositor de música folk da cena de Greenwich Village, em Nova Iorque. A canção pode ser interpretada como um ponto de vista da desesperança que assolou grande parte daquela geração no pós-hippie. Piano e voz fecha o lado A.

A honesta “California” talvez seja a melhor canção sobre esse estado norte-americano. Segue a linha nostálgica e road de “Carey”, além da banda acústica que a acompanha e o tom levemente descontraído.

A batida com afinação aberta de “This Flight Tonight” lembra bastante o que ela vinha fazendo anteriormente em sua carreira, como no hit “Big Yellow Taxi”. Dá a impressão de que esta seja a faixa mais descompromissada de “Blue”, o que dá uma sensação de respiro entre toda a emoção das demais músicas. Curiosamente, o grupo escocês Nazareth regravou alguns anos mais tarde “This Flight Tonight” de modo completamente distinto, versão que vale a pena ser conferida.

A partir de “River”, chegamos à parte mais dolorosa de “Blue”. “River” é atemporal, sua melodia é irresistível e funcionaria para qualquer época após seu lançamento. Dizem que nesta faixa, Joni Mitchell quis abordar sobre seu desconforto com o sucesso e a vontade de querer escapar da fama.

A preferida de muita gente, “A Case of You” permanece sendo um dos maiores clássicos da carreira de Mitchell. Regravada por uma série de cantores como Prince, Tori Amos e James Taylor (que participou das gravações), a música é explicitamente voltada para seu relacionamento com Graham Nash e escancara a habilidade da compositora em escrever letras capazes de proporcionar ao público uma identificação imediata com algum momento da vida.

“Blue” encerra com a melhor performance de Joni Mitchell no álbum. “The Last Time I Saw Richard” é a mais difícil de escutar, é preciso passar por todas as outras para chegar a esta obra-prima e assimilá-la bem. Sua letra corrida, novamente acompanhada apenas por piano e voz, parece ser sobre alguém caindo na real e tendo que mudar de postura para encontrar a felicidade. É bem claro que tudo foi feito para si mesma.

Blue foi um grande sucesso de crítica e público, chegando a vender mais de um milhão de cópias. Nas paradas de sucesso, “Blue” alcançou o 15º lugar na Billboard e o 3º nas paradas inglesas. “Carey” foi selecionada para ser o single de promoção.

Muitas vezes, o álbum é citado como um dos melhores de todos os tempos, como na lista de 2003 da Rolling Stone dos melhores discos, obtendo a 30ª posição. Recentemente, a revista fez outra lista, desta vez com os 50 melhores álbuns femininos da história da música, e Blue ficou em 2º lugar.

Alguns afirmam que, por ser delicado demais, este é um LP mais voltado para o público feminino. Pura bobagem. “Blue” se encaixa perfeitamente em qualquer apreciador do bom folk, pop rock ou para qualquer um disposto a se emocionar com música que não morre com o tempo.

RockALT #6 – Mudhill, Moonlandingz, Diet Cig, The Real McKenzies e Cloud Nothings

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RockALT

RockALT, por Jaison Sampedro

Em julho deste ano eu faço 33 anos. Nasci no dia 10 de julho de 1984, isso significa que passei parte da minha adolescência nos anos 90. Assim como todo jovem daquela época eu passava parte do meu dia na frente da TV, e havia um canal que provocou uma forte influência na minha vida: a MTV. Quem não se lembra de Fabio Massari, Gastão Moreira, Luiz Thunderbird, entre tantos outros? Esses VJs faziam qualquer moleque morrer de inveja de tanta gente legal que esse povo da MTV conhecia e entrevistava. Fora isso tinha os clipes, algo que se você que está lendo essa coluna nasceu depois dos anos 2000 não vai entender a importância que um videoclipe de uma banda tinha. Nos anos 90 até o programa dominical da Globo, o Fantástico, dedicava um espaço de seu conteúdo para a divulgação de clipes de artistas como Madonna e Michael Jackson. Mas tudo isso mudou depois que uma ferramenta chamada Youtube apareceu na internet. No dia 30 de setembro de 2013 a MTV Brasil saiu do ar e o resto é história. Mas isso não significa que os videoclipes de banda perderam a força: hoje eles ainda são uma forma vital das bandas divulgarem o seu conteúdo e se comunicarem com o seu público. Por isso, a coluna do RockALT de hoje resolveu selecionar 5 videoclipes lançados recentemente de bandas nacionais e internacionais. Confira a nosso lista:

Mudhill – “Expectations”

A banda que tem uma extensa experiência no cenário underground, o vocalista e guitarrista Zeek Underwood fundou e liderou o Shed, participou do Ludovic, Single Parents e Fire Driven. O baixista Ali Zaher Jr já passou pelo Eletrofan e Reffer. E por último, o baterista Rodrigo Montorso foi membro do Smalls. O Mudhill tem gravado dois EPs, um Split e um álbum lançado em 2016, o “Expectations”, que aliás é o nome da musica do clipe lançado essa semana no Youtube, confira abaixo:

Moonlandingz“The Strange Of Anna”

É uma banda, é uma brincadeira, é um conceito? Há algo muito meta sobre o Moonlandingz, um grupo que começou a vida como uma construção ficcional. O grupo foi idealizado pelo Eccentronic Research Council, é liderado por dois integrantes da Fat White Family, e obcecado por um vídeo da atriz Maxine Peake – agora os Moonlandingz estão tocando como uma banda real e lançaram um clipe excelente com a participação de Rebecca Lucy Taylor do Slow Club. Se continuar nessa pegada a brincadeira pode ter vida longa.

Diet Cig“Tummy Ache”

Dupla pop-punk foi formada em Nova York no ano de 2015 pela guitarrista e vocalista Alex Luciano e o baterista Noah Bowman. Seu primeiro EP, “Over Easy”, foi lançado em fevereiro de 2015. O clipe “Tummy Ache” é o single escolhido para a divulgação do seu álbum de estréia “Swear I’m Good At This” que será lançado no dia 7 de abril.

The Real McKenzies“Seafarers”

Nem só de Dropkick Murphys vive a cena que mistura punk rock com música tradicional escocesa, aliás o grupo canadense The Real McKenzies está na estrada desde 1992 e o seu trabalho mais recente “Two Devils Will Talk” foi lançado no dia 3 de março marcando os 25 anos de existência da banda que se manteve ativa graças a Fat Wreck Chords selo de Fat Mike líder da banda NOFX. Confira abaixo o clipe da música “Seafarers”.

Cloud Nothings“Internal World”

Essa daqui é uma das bandas que eu mais gosto no cenário alternativo internacional. O grupo de Cleveland, Ohio começou sua carreira com um estilo mais lo-fi/noise rock com o seu primeiro álbum, o homônimo “Cloud Nothings” de 2011. Já o seu mais recente trabalho “Life Without Sound” lançado em janeiro de 2017, mostra que o grupo está no caminho de um indie rock mais contemplativo. Mesmo com essa mudança de estilo que a banda vem mostrando gradativamente a cada disco lançado eu digo sem dúvidas, o ano de 2017 começou muito bem!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 97 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/