Festa Crush em Hi-Fi recebe Black Cold Bottles no Carousel Pub no domingo (05/03)

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Black Cold Bottles

O Crush em Hi-Fi desembarca no dia 05 de março com a quinta edição de sua festa no Carousel Pub, na Rua Augusta!

Neste domingo receberemos o show do quarteto de São Bernardo do Campo Black Cold Bottles! Formada por Larissa Lobo, Bruno Carnovale (guitarras e vocais), Gabriel Brito (baixo e vocais) e Caio Souza (bateria), a banda acaba de lançar seu mais recente trabalho, “Percept”, com influências de rock alternativo, shoegaze, grunge e indie rock, misturando melodias doces com distorção.

A discotecagem fica por conta do editor do blog João Pedro Ramos e do convidado Alexandre Giglio (Minuto Indie) tocando o melhor do som independente, rock alternativo, fuzz, lados B e hits obscuros.

No Carousel tem cervejas especiais geladas pra deixar o domingo ainda melhor, além de máquinas de fliperama, pebolim e mesa de bilhar!

Show a partir das 20h

SERVIÇO:

Crush em Hi-Fi #5 recebe Black Cold Bottles
Dia 05 de março, domingo, às 17h
Carousel Pub (Circus Hair)
Rua Augusta, 1026 – lado Centro
Próximo ao metrô Consolação
Entrada: R$10 (em dinheiro. O bar também aceita débito)

Black Cold Bottles

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Gustavo Chagas, do Canal Riff e do Porta dos Fundos

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Gustavo Chagas
Gustavo Chagas

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Gustavo Chagas, do Canal Riff, Porta dos Fundos e Anões em Chamas.

Menores Atos“doisazero”

“Uma das musicas mais bonitas que eu ja ouvi. Passa a melancolia e nuances de um relacionamento que se esforça pra sobreviver e, o faz de maneira imersiva e poética”.

Billy Talent“Devil on my Shoulder”

“Eles são só a minha banda favorita! Eu os conheci pesquisando line up de festival europeu, coisa que eu recomendo todos a fazer. Letras poderosas e riffs ABSURDOS fizeram eu me apaixonar por eles. Baixo, batera, guitarra e vocal. 4 caras que ao vivo, soam como 20”.

The Reign of Kindo“Till We Make our Ascent”

“Deveria ser crime inafiançável não conhecer eles! Pop misturado com jazz, ritmo latino, rock… Um amigo me indicou a alguns anos atras e desde então não paro de ouvir. Ou seja, INDIQUE BANDAS NOVAS PARA OS SEUS AMIGOS!”

Jack Penate“Run for your Life”

“Eu conheci ele a muito tempo atrás, num programa do Multishow chamado “Sound”. O primeiro CD dele, o “Matinée” é perfeito! Não tem uma musica ruim! Indie britânico da melhor qualidade”.

Salvage“Ganhardepoisperde”

“Banda instrumental daqui do Rio, que faz um absurdamente bem produzido e que emociona. Recomendo MUITO assisti-los ao vivo!”

Anote na agenda! Eventos recomendados da semana – 25/02 a 02/03/2017

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Quintophenia

Nem no Carnaval os eventos de música independente param. Prepare-se e anote na agendinha!

Sexta-feira – 24/02

18hQuintophenia (Simplão de Tudo) – Um verdadeiro Woodstock independente acontecerá entre os dias 24 de fevereiro e 01 de março no Simplão de Tudo, em Paranapiacaba. No Carnarock do Simplão vão rolar shows de Mustache e os Apaches, Banda Ecologia (Tributo a Raul Seixas), Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, Verônica Decide Morrer, Mescalines, Molodoys, Der Baum, Dirty Jack (ACDC Cover) e Nicolas Não Tem Banda. Melhor que a escalação do Lollapalooza! Confira o evento.

Sábado – 25/02

14hAnti-Carnaval 2 (Praça Eugene Boudin) – A 2° edição do Anti-Carnaval comemora 3 anos do projeto Voz do Underground. Shows com as bandas DizavençaBanda DesconhecidoAtaque Fatal e Contraste. Confira o evento.

16hCarnaval Punk (Morfeus Club) – O Morfeus Club recebe o Carnaval mais punk de São Paulo com 23 bandas e uma surpresa, que só será revelada no dia. Prepare-se para a pancadaria pogo carnavalesca com as bandas Polemik, Situation Nine, Sub Existência, Tarja Preta, Mandriões, Maldita Ambição, Head Bones, Lokalt, DOPS, Pé Sujus, Amnésia Coletiva, Hard Core Por Ódio, Filhos de Inácio, Dependentes Químicos, Kaos 64, Lobotomia, DZK, Pacto Social, Repudyio, Esgoto, Periferia SA, Invasores de Cérebros e Olho Seco! Confira o evento.

Domingo – 26/02

20hLetty and the Goos (Pico do Macaco) – No domingo de Carnaval você confere a banda Letty and the Goos tocando pela primeira vez em São Paulo no Pico do Macaco! Punk carnavalesco com esquema de entrada “quanto vale o show?”: deixe na caixinha o que o seu bolso e o coração mandarem! Confira o evento.

Segunda-feira – 27/02 – em aberto (sabe de algum evento? avise que a gente atualiza!)

Terça-feira – 28/02 – em aberto (sabe de algum evento? avise que a gente atualiza!)

Quarta-feira – 01/03 – em aberto (sabe de algum evento? avise que a gente atualiza!)

Quinta-feira – 02/03 – em aberto (sabe de algum evento? avise que a gente atualiza!)

Joia esquecida: Roy Harper – “Stormcock” (1971)

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Roy Harper - Stormcock

Bolachas Finas, por Victor José

Na primeira vez que ouvi este álbum, ficou claro que havia acabado de me deparar com uma obra-prima relativamente desconhecida. Stormcock” se resume a isso. É uma pérola injustiçada pela ação do tempo. Lançado em 1971, o quinto trabalho de Roy Harper é um daqueles discos especiais, que de uma forma ou de outra vai te surpreender artisticamente. A começar pela pequena quantidade faixas. São apenas quatro canções, todas longas, todas fantásticas, seja pelo som como pelas letras contundentes.

Pode-se dizer que o LP apresenta um caso incomum de folk progressivo. A combinação de arranjos elaborados com a simplicidade daquele típico som trovador predominante no folk britânico dá ao trabalho aquele sabor de algo inusitado, ao mesmo tempo em que soa absurdamente certeiro.

Mais conhecido pelos vocais em “Have A Cigar” do Pink Floyd e pela menção de seu nome na faixa “Hats Off to (Roy) Harper”, do Led Zeppelin, o músico é considerado uma lenda pelo público britânico. Desde o início de sua carreira, em meados da década de 1960, Roy vinha lançando discos de folk rock de relativo sucesso, dividindo a cena com nomes como Donovan, Bert Jansch e Fairport Convention. É curioso como Roy era bem relacionado, cheio de medalhões participando de seus trabalhos, e mesmo assim não conseguiu emplacar.

De Sophiticated Beggar” (1967) até Flat Baroque and Berserk” (1970), seus álbuns eram regulares, com um momento ou outro de grande impacto. Porém, foi somente com a chegada de “Stormcock” que ele iria realmente surpreender.

O álbum foi gravado estúdio Abbey Road, com uma equipe de primeira na produção e na engenharia de som. Entre os envolvidos estava Alan Parsons, o mesmo que produziu o clássico Dark Side of The Moon” e lançou em carreira solo vários singles de sucesso ao longo dos anos 1970.

A começar por “Hors d’œuvres”, você nota que vem pela frente uma forte dose de emoção. A música fala de um homem no corredor da morte, bastante inspirada no caso de Caryl Chessman, o “Bandido da Luz Vermelha” norte-americano, que estudou Direito na cadeia, dispensou advogados e fez sua própria defesa. Eu realmente não tenho muito o que dizer sobre essa música porque ela dispensa qualquer comentário. A simplicidade, a singularidade e o forte sentimento da gravação são capazes de nos remeter aos grandes momentos do folk ou do rock em geral, sem exagero.

Roy mantém o nível lá em cima com “Same Old Rock”, uma belíssima trama de violões com ninguém mais ninguém menos que Jimmy Page. A música passa por uma série de climas, e é impressionante o que acabou saindo daquela dupla. Talvez seja o ponto alto de “Stormcock”, em termos de instrumental e energia. No encarte do LP, Page foi creditado com o nome S. Flavius Mercurius, por questões contratuais.


Com seu violão agressivo, “One Man Rock And Roll Band” é exatamente o que o título menciona. Você consegue imaginar facilmente uma banda à la Zeppelin na base, mas Roy consegue sustentar tudo sozinho e não dá tempo de sentir falta de coisa alguma. Aliás, esse vazio permeia por todas as faixas e é uma das belezas do disco. Dá para afirmar que se trata de folk, mas a produção soa como rock.

Com pouco mais de 13 minutos, a épica “Me and My Woman” encerra o LP com grandiosidade. A música também passeia por diferentes emoções, com seu bem trabalhado arranjo de cordas e uma estrutura complexa. A extensa letra fala basicamente de meio ambiente. Sobre ela, Roy comentou uma vez: “Qual é o nosso destino? Importa? Está ligado ao ‘nosso’ planeta? Na minha opinião, sim”.

Assim como toda a carreira de Roy Harper, o disco vendeu modestamente, mas a crítica o recebeu com entusiasmo, amplamente apontado como o trabalho definitivo do cantor/compositor. Na verdade, o selo de Harper, a Harvest Records, não fez o menor esforço para divulgá-lo, e o disco vendeu muito pouco. Nas palavras do próprio músico: “Eles [o selo] odiaram. Nenhum single. Não havia como promover o disco no rádio”.

Pessoas como Johnny Marr (Smiths) e a banda norte-americana Fleet Foxes já mencionaram “Stormcock” como um de seus álbuns prediletos. A revista NME, em sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos divulgada em outubro de 2013, colocou “Stormcock” na 377ª posição.

Faz o seguinte: senta numa poltrona, coloca esse disco e presta atenção. Vale cada segundo.

Em nova formação, banda portuguesa Anarchicks prepara o novo EP “Vive La Ressonance”

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Anarchicks

Se a música é uma arma, elas são o gatilho. Formada em 2011, a banda de Lisboa Anarchicks faz um punk rock vigoroso e divertido, do jeito que o estilo deve ser. Com pitadas de new wave e hard rock, o som da banda, é claro, conta com muitas mensagens importantes a serem passadas no meio disso tudo.

Formada atualmente por Catarina “Katari” (bateria), Helena “Synthetique” (baixo), Rita Sedas (voz) e Mariana Rosa (guitarra), a banda tem na bagagem três discos: “Look What You Made Me Do”, de 2012, “Really?”, de 2013, e o álbum-manifesto “We Claim The Right To Rebel And Resist”, de 2016, que estourou e levou a banda cada vez mais longe. “(O disco) é um grito de resistência e incentivo às pessoas para reclamarem e lutarem pelos seus direitos, sendo essa mensagem transversal a diferentes grupos/gêneros/situações”, explica a baixista. Atualmente elas estão trabalhando em seu novo EP, “Vive La Ressonance”, a ser lançado ainda no primeiro trimestre de 2017.

Conversei com Katari e Synthetique sobre a carreira da banda, o disco “We Claim The Right To Rebel and Resist”, o novo álbum, a nova formação e o machismo no mundo da música:

– Como a banda começou?

Helena: A banda começou em 2011, quando eu e a nossa primeira vocalista Priscilla começamos a falar na net sobre o desejo de formar uma banda de influências de punk rock feminino. Tínhamos como exemplo e amor todas as bandas riot girl e muita vontade de tocar e criar. A Priscilla conhecia a Katari e logo na primeira tentativa de ensaio trouxe a Katari com ela, e quando nos juntámos as 3 (eu no baixo, Kat na bateria e Pris na voz) a coisa foi mágica e fluiu muito bem. Ficamos com guitarrista em falta e colocamos um anúncio no Face dizendo que precisávamos de guitarrista. Fizemos algumas audições e a Ana (Aim) demonstrou logo ser a escolha certa e pronto, a banda ficou formada. A partir daí muita coisa aconteceu, pessoas entraram e sairam, etc, etc.

– E como chegaram ao nome The Anarchicks?

Helena: Foi a nossa Catarina que teve a ideia! Peço a ela que desenvolva essa! 😉

Catarina: Como temos uma visão da música muito livre e valorizamos as ideias venham de onde vierem, sem hierarquias nem preconceitos, inspiramo-nos no conceito da anarquia, juntamos-lhe o factor ‘chick’ e voilá: nasceram as Anarchicks, 4 miúdas com uma vontade galopante de se manifestarem através da música.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Catarina: Acho que temos influências desde os primórdios do rock (Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Cream, todo o legado rock que os nossos pais nos deixaram), temos muito espírito dos anos 80, new wave, no wave, electro, Siouxie, Devo, Gang of Four, etc. Depois há toda uma contemporaneidade, desde o industrial, a música de dança, até ritmos africanos, corre-nos tudo nas veias, mesmo que não se note directamente, está impresso. Eu, pessoalmente, tenho uma grande costela metal!

– Me falem um pouco mais sobre seu mais recente trabalho, “We Claim The Right”!

Helena: O “We Claim the Right to Rebel and Resist” é o nosso segundo longa duração, sendo um grito de resistência e incentivo às pessoas para reclamarem e lutarem pelos seus direitos. Sendo essa mensagem transversal a diferentes grupos/ gêneros/situações. Queremos deste modo afirmar que apoiamos, defendemos e acreditamos que as pessoas não se devem calar nem ficar quietas e que devem de agitar as águas e lutar por aquilo que merecem!

Catarina: Sim! perseguir os seus sonhos! procurarem ter voz própria, criar e fazer a sua arte, se for caso disso, sem ceder a pressões e a preconceitos. É um álbum manifesto! \m/

– E vocês já estão preparando um novo trabalho, correto?

Helena: Exato, vai se chamar “Vive La Ressonance”. É um EP. Vai sair a principio ainda este trimestre.

Anarchicks

– E o que podemos esperar deste novo disco?

Helena: Este EP é um EP diferente… Tem trabalho a nível de vozes e instrumentais que na minha opinião nos levam para outro patamar… Nossa música aqui está a um nível mais introspectivo, levantando diversas questões sobre existencialismo e sobre nós mesmas.

Catarina: Yeah! Temos temas mais conceptuais e até metafísicos, ao nível da mensagem. Ao nível do som temos músicas mais pop e orelhudas, porque aconteceu assim, umas mais dançantes, rock com um bom groove, na minha opinião. E viajamos também até paisagens surf rock endiabrado que deságua em espirais frenéticas de puro devaneio! Só ouvindo! Numa música arriscamos sair da zona de conforto, com uma estética completamente diferente do que é habitual. Uma vibe mais eletrônica e… Mais não digo! 😜

– Vocês estão numa mudança de formação, como isso influencia o som da banda daqui em diante?

Catarina: Acho que influencia sempre! Cada pessoa que passa pelas Anarchicks deixa marca. No nosso som. É sempre a somar! Porque escolhemos ser permeáveis e beber de tudo o q cada uma tem para dar.

– Como vocês veem o machismo que permanece existindo no mundo da música (e fora dele)? Já tiveram algum problema com isso?

Catarina: Isso não nos assusta, ao contrário, inspira-nos! Quanto ao tema do machismo, pessoalmente, prefiro relativizar, a menos que seja uma situação flagrante, nesse caso é ação >>>> reação! Já aconteceu e vai continuar a acontecer, mas já começa a ser ridículo subestimarem-nos só por sermos mulheres. SOMOS MÚSICAS E QUEREMOS SER ENCARADAS COMO TAL. O gênero sexual é detalhe. O rock… E a música no geral, é uma linguagem universal… Não tem gênero! Isso é que importa, o resto é paisagem.

– Como anda a cena do rock em Portugal?

Catarina: Para mim o rock anda um bocado betinho em Portugal. As pessoas têm medo de ouvir distorção e parece que fogem do barulho da raiva das causas… Sinto falta de rasgos de bandas subversivas, sinto falta de sangue, suor e lágrimas… De entrega. Mas isto é uma opinião muito pessoal. Mas há coisas boas! Por exemplo, sou mega fã de Capitão Fausto… É uma banda de putos que se dão à música e dão me esperança no futuro da música. Peixe Avião é lindo! Pega Monstro bue fixe. Na eletrônica há muita coisa boa! Mirror People!

– O rock continua bem vivo no underground, mas já nem tanto no mainstream. Concordam?

Catarina: Eu concordo.

Helena: Sim, eu também. Mas acho que faz sentido. O rock sempre foi mais a voz dissidente!

Anarchicks

– Vocês conhecem alfo de música brasileira? Como é pra vocês esse laço entre Portugal e Brasil?

Helena: Bem, lembro-me logo das Cansei de Ser Sexy. Tocámos cá com elas, grande show! E há o Lucky Lupe que é meio luso e do meu amigão David Ferreira (mande abraços!). Os Garotos Podres… Hum, estou pensando!

Catarina: Eu adoro Tim Maia, Chico Buarque. Adoro uma banda punk de miúdas dos anos 80 chamada As Mercenárias! Incrível! Tem uma música chamada “Pânico” que é brutal! Gostaria muito de estreitar esse laço e ir tocar no Brasil. Os X-Acto, uma banda straight edge punk rock, ter-me grande sucesso no Brasil. E Os Fonzie também.

Helena: Ah, pensava que era só mais rock. Também gosto muito da Banda do Mar, do Seu Jorge… E gosto de cenas tipo mais favela funk, Deize Tigrona e etc.

Catarina: Também gosto!

– Quais os próximos passos das Anarchicks?

Catarina: Apresentar o próximo EP e fazê-lo girar. Fazer videoclipes. Tocar ao vivo. Gostaria muito de voltar a tocar fora do país. Continuar a criar sem moderação, músicas novas. Mas agora a prioridade é levar o novo EP o mais longe que conseguirmos.

Helena: Sim! Isso tudo e mais ❤

– Recomendem bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Helena: Não é novo, mas gosto muito das Savages, das Nots. Em Portugal saliento Paus, Linda Martini, Capitão Fausto e Mirror People!

RockALT #2 – Lo-Fi, Miami Tiger, Stvz, The Replacements e Wipers

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RockALT #2

RockALT, por Jaison Sampedro

Esta semana o RockALT faz dois anos. Por causa deste fato e a necessidade de escrever uma coluna para o blog do Crush em Hi Fi, passei horas conferindo a seleção de musicas que toquei nos programa anteriores pensando quais musicas eu poderia recomendar. Assim como na coluna da semana passada, selecionei algumas bandas do cenário alternativo nacional pra apresentar, mas também resolvi separar duas bandas antigas que talvez você conheça e saiba que elas influenciaram muito um certo individuo chamado Kurt Cobain.

Lo-Fi
Sem dúvida essa é uma das bandas mais pesadas que já tocamos no RockALT, punk-rock hardcore de primeira, feroz, sujo e rápido. O trio de São José dos Campos foi formado em 2008 por Rogério (baixo), Thiago (guitarra e voz) e Marcelo (bateria) já tem um trabalho extenso e recentemente lançaram o EP “With Doubts on the Ways of God” e tem uma duração menor do que quatro minutos. Feroz, sujo e rápido levado ao pé da letra.

Miami Tiger
Ano passado a banda de São Paulo, Miami Tiger lançou seu primeiro EP “Amblose”, nós já tocamos musica “Meu Lugar” no programa 92. Gostei bastante das cinco músicas, a voz suave da vocalista Carox demostra ao mesmo tempo atitude e firmeza nas letras cheias de empoderamento. O grupo ainda conta com Pha Bemol (guitarra), Henrique Almeida (guitarra), André Oliveira (baixo), Franco Milane (bateria) e ainda teve a participação de Rodrigo Lima do Dead Fish na ultima faixa “Ali”.

Stvz
Enquanto fazia uma pesquisa pelo bandcamp procurando por musicas novas, trombei com Stvz, um som instrumental com uma pegada meio grunge meio indie. Não dá pra dizer muito sobre o “pequenas tragédias” porque até o presente momento só há uma musica disponível para escutar, a faixa “mad lex sed lex” me impressionou bastante. Vamos ver se o resto do álbum será nesse mesmo caminho, até porque os álbuns anteriores tinham uma pegada mais eletrônica. “Pequenas Tragédias” foi lançado dia 21 de fevereiro.

The Replacements
Uma das bandas antigas que selecionei é The Replacements, com certeza você os conhece pelos hits “Bastards of Young” e “Unsatisfied”, mas eu lhes asseguro, a banda é muito mais do que isso. Além de todo o mito do grupo de Minnesota, a história de sucesso que poderia ter e não teve, as inúmeras bandas que influenciou, essa é uma daquelas bandas dos anos 80 e que não parece ser dessa época. Dos quatro álbuns produzidos pela banda, sem dúvida, o melhor é “Let It Be” de 1984, por isso a música que vou selecionar é a segunda faixa, “Favorite Thing”. E sim, essa é minha musica favorita do disco (perdão pelo trocadilho)!

Wipers
Se você curte o cenário musical de Seattle, então fique sabendo que esse movimento musical dos anos 90 deve muito ao Wipers, e sem dúvida eles são o link perdido entre The Sonics e Nirvana. O líder do grupo Greg Sage era mais velho do que a maioria dos punks quando formou a banda: em 1977 ele tinha 25 anos. Sage era fã de Jimi Hendrix e obviamente ele não possuía o virtuosismo do ídolo, mas carregava praticamente a mesma intensidade em seus shows e rejeitava a aura amadora do punk. Pode-se dizer que Wipers é punk e ao mesmo tempo não é, por ter sido formado em Portland e não em grandes centros musicais como Nova Iorque e Los Angeles. Greg Sage criou um som único e forjaram o seu próprio caminho. Recomendo muito os três primeiros álbuns, o primeiro “Is This Real” de 1980 é daqueles discos que você escuta de cabo a rabo e a minha faixa favorita é “Mistery”. Se você não conhece a banda pare agora mesmo pra escutar e se você já conhece, faça o mesmo.

Se você curtiu essa coluna, não deixe de ouvir o RockALT! Nossos 93 programas estão disponíveis no link abaixo e o programa da semana sai sempre às quintas-feiras!

[mixcloud https://www.mixcloud.com/rockalt/ width=200 height=250]

Cantarolando: Incredible String Band – “No Sleep Blues” (1967)

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Cantarolando, por Elisa Oieno

“No Sleep Blues” do Incredible String Band talvez seja uma das minhas canções favoritas. É uma bela e sincera descrição de não conseguir dormir, naquele ponto em que ficamos meio dormindo e meio acordados, fazendo com que as coisas que vemos no nosso quarto se misturem com imagens da nossa cabeça e pensamentos aleatórios e trocadilhos bobos, daqueles que fazemos quando nossa mente está a mil por hora enquanto todos dormem.

As fendas estalam as janelas, os uivos prendem o assoalho
A chuva apodrece as vigas
e você tem mesmo que roncar?
É um clima muito inclemente, para a estação da noite
Aquele rato está jogando futebol? Oh, eu pensei que eles não gostavam da luz

O refrão é meio que um resmungo do coitado sujeito tentando dormir, que está começando a sentir aquela “tristezinha”, ou simplesmente o “blues” da insônia. Isso tudo em uma melodia que é super inusitada, como a maioria das músicas do Incredible String Band:

E o amanhecer vem entrando de fininho quando ele pensa que eu não estou vendo
Eu estou começando a sofrer, cara
eu sabia mas agora eu acredito, cara, dizem que dormir é um barato
Eu quero deitar, mas desculpe se te acordei, é que eu estou com o “blues” de não dormir.

Essa banda se tornou um grande expoente do folk britânico nos anos 60, mais conhecida como um duo, formado por Robin Williamson e Mike Heron. O som do Incredible String Band é muito característico, abrangendo melodias com influência folk celta e utilizando instrumentos orientais, como a cítara.

Mike Heron, Robin Willianson, Licorice McKechnie e Rose Simpson em sua fazenda comunitária

Considerados como uma banda de “folk psicodélico”, eles faziam parte do movimento de contracultura britânica. Tanto que, na época em que alcançaram prestígio no mainstream e emplacaram nas paradas britânicas e americanas com os discos “The Hangman’s Beautiful Daughter” (1968) e “Wee Tam and The Big Huge” (1969), eles estavam vivendo em uma fazenda com estido de vida comunitário no País de Gales, junto com suas namoradas Licorice McKechnie e Rose Simpson, que à esta altura já faziam parte da banda, participando das gravações dos discos e apresentações ao vivo.

Nesta época, eles foram convidados a participar do Woodstock, porém dizem que fizeram o pior show do festival. Isso aconteceu porque a apresentação deles foi prejudicada pelo fato de que eles tocaram em um dia bem rock do festival, em meio a bandas mais pesadas e elétricas, como Santana, Canned Heat, Janis Joplin e The Who. Totalmente outra vibe, dando meio que o efeito “Carlinhos Brown no Rock in Rio 2001”. Na verdade, eles estavam inscritos para tocarem no dia anterior, em que haviam bandas folk e outras performances acústicas, como Bert Sommers e Arlo Guthrie, mas a banda se recusou a tocar embaixo da chuva do dia, por medo de eletrocutamento. A apresentação deles acabou nem entrando para o filme, uma pena.

Apresentação no Woodstock

A partir do ano seguinte, o Incredible String Band entrou em um declínio criativo, e acabou se separando em 1974. Durou pouco, mas fez um belo barulho. A música “No Sleep Blues” está no disco “The 5000 Spirits or the Layers of the Onion” (1967), que sempre aparece em alguma lista dos “discos que você precisa conhecer” ou “melhores discos dos anos 60” e afins. Sim, o álbum é tão legal quanto a capa, vale a pena de verdade.

Construindo Porno Massacre: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo Porno Massacre
Porno Massacre

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Porno Massacre, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Alice Cooper“Crazy Little Child”

General Sade: O período que vai do lançamento do álbum “Love it to Death” (1971) até o “Welcome to My Nightmare” (1975, já em carreira solo)… ou, vá lá, com alguma condescendência, o “Goes to Hell” (1976), é a melhor fase de qualquer artista/banda que conheço. A sonoridade, as músicas, a concepção visual, o conceito estético, a porra louquice… tem tudo lá (até o Salvador Dalí se associou a eles)… essa música já é do fim do Alice como banda, e vem com aquele estilo cabaré vaudeville que acabou ficando uma marca de seus álbuns por um tempo. Sempre gostei deste tipo de som, e essa em particular é sensacional, com uma letra que conta uma história de um malfadado assalto, embalada por instrumentos de sopro e um piano arrasador. Sempre desejei meio que continuar essa linhagem, e sempre que posso retorno a ela, como quando surgiu a ideia para “There is no Rule at All”, além de toda a fase cabaré do nosso show, e algumas coisas que ainda estão em desenvolvimento e movimento por aqui.

Marilyn Manson“Doll-Dagga Buzz-Buzz Ziggety-Zag”

General Sade: O glam rock, com elementos de shock rock, bebendo nas fontes do cabaré, mas com guitarras cortantes gerou muitas músicas ótimas que poderiam ser citadas aqui e que sempre servem como inspiração. Inclusive “Queen Bitch” do David Bowie, por exemplo, que embala aquela cena final do filme “A Vida Marinha com Steve Zissou”: a diferença é que aqui eu queria trocar a música original da cena por essa, de nome meio trava-língua, mas ótima, dançante, pesada, burlesca… Fora que quando ele canta na música: “You´re one of us”… eu realmente me sentia contemplado e aceito na minha esquisitice: “Opa, pera aí! Eu também sou dessa galera aí!”… Por isso que na nossa música “A Nau dos Insensatos”, trabalho que deve sair num próximo álbum, em determinado momento eu também digo: “O seu lugar também é aqui do nosso lado”. Fora que eu sempre sonhei em andar na rua, numa cena antológica como aquela, com um som tocando meio que dos céus, etéreo e embalando um momento de determinação e assertividade.

New York Dolls“Stranded in The Jungle”

General Sade: Não é uma música composta originalmente pelos Dolls, mas é aquele tipo de cover que fica tão bom que a coloca na posição de versão definitiva. As duas partes bem distintas entre a da selva, com os sons dos macacos ao fundo e a da cidade, com o piano e os backing vocais harmônicos de doo-wop… a primeira vez que eu ouvi deu vontade soltar uns berros mesmo de tamanha empolgação, aumentei o som no último e nunca mais parei de ouvir ela. Em toda festa tinha que rolar, em todo som de acampamento, em toda viagem da escola. Devo muito a essa música na questão da concepção do show quando temos as dançarinas/backing vocals e na parte teatral de “se contar uma história”.

The Fratellis“Flathead”

General Sade: Essa música passa por várias fases abruptas. Começa meio algo caribenho, meio propaganda da Heineken, dá umas disparadas de rock´n´roll e termina numa espécie de refrão que fica em “La-la-lá”, assim como a abertura do pré-histórico programa infantil Banana Splits. Acho, principalmente essa última parte de uma coragem e de um desbunde invejáveis… tudo muito bem executado, música pra dançar horas e horas. E essas mudanças inesperadas e instantâneas são nada menos que maravilhosas! É um terreno que já explorei mais e que provavelmente apareça nos novos trabalhos.

The Cramps“The Mad Daddy”

General Sade: The Cramps é o que me chama sempre pro básico novamente (back to basics, anyone?). Rock-a-billy acelerado, adrenalizado e injetado… e só! Me faz sempre lembrar que não precisa muito. E que a criatividade e vontade sempre contam muito mais que a técnica apurada, se esta for fria e burocrática. “Baise Moi”, “The Lemarchand´s Box” e até o lado B, “Prelúdio Para o Carnaval”, seguem em maior ou menor grau essa fórmula, seminal, básica e no entanto nunca envelhecida.

The Sonics“Psycho”

Aiatolá: Simplesmente não consigo imaginar o garage rock sem o Sonics. O que foi a genesis do porno!
Nosso primeiro som, “5 o Clock” é um british rock com o pé todo sujo do garage rock desses caras.
Me lembro que dormi escutando um play do Sonics num domingo totalmente bêbado. De manhã, acordei, fui tomar banho e liguei o rádio. Quando sai do banheiro (pelado ainda) tava tocando um som do R.E.M. (“The One I Love”) e na hora pensei: “esse som poderia ser tocado pelo Sonics!” peguei a guitarra (peladão mesmo!) que ficava pendurada na parede e toquei o riff dessa musica como se fosse o Sonics (bem destrambelhado e na região mais aguda da corda mais grave que eu conseguisse). Não mudei 1 nota sequer, até hoje é a intro da musica.. o resto e história!

Motorhead“Ace Of Spades”

Aiatolá: Clichê do clichê… mas foda-se. Essa musica me desbunda. Motörhead me desbunda. Infelizmente aprendi a gostar dessa banda tarde demais… Durante o segundo ano de banda, quando as músicas estavam começando a surgir, sempre falava para o Roger o quanto eu queria fazer musicas “retas” como o country rock americano. “Ace of Spades” reduz a teoria dos 3 acordes ramônicos para praticamente 1! É um carro somente com o pedal de acelerador. Adicionei + 1 acorde. E “Igreja Porno Massácrica” veio a cavalo.

Nashville Pussy“Lets Ride”

Aiatolá: Essa é uma banda polêmica. Nitidamente machista e estereotipada. Não concordo muito com esse lado do Nashville Pussy. Mas falemos do som! Rock and Roll sem frescura. Riffs tocados a pleno vapor… pqp! Não dá pra não gostar! A nova fase do Porno bebe nessa fonte até engasgar! Conheci o Nashville Pussy depois do Porno por intermédio de um colega num churrasco na casa do Mauro. Achei brutal de cara. A partir daí tomei como referencia as linhas de guitarra da Ruyter Suys, foi um divisor de águas em vários aspectos da banda. Realmente perseguimos esse estilo até encontrar um denominador comum. Nota-se muito isso em “É o que me Resta” (música do EP que vamos lançar) e “Nau dos Insensatos” (programada para o próximo disco).

69 Charger“Rubberneckin”

Aiatolá: Tive que escutar o 69 Charger fazer uma versão dessa musica pra acordar pro som do Elvis. Ele sempre foi o Boss. Acho a fase “black” do Elvis muito desvalorizada. Todos lembram do somente do romantismo do rei. Se você desacelerar essa musica vai encontrar “There is no Rule at All”. Até hoje sou impressionado com o que o Elvis fazia com 4 canais. Você se sente literalmente no meio da banda. Já a versão do 69 tem o vocal chorado e espetacular do (não por acaso) “Dead Elvis” e a levada mais dançante e elétrica que já escutei até hoje.

Motor City Madness“(We are the) Outlaws”

Aiatolá: O The Sonics participou de uma suruba com o Motörhead e 69 meses depois o Lemmy cagou esses caras no mundo. Não vejo outra explicação! Tenho raiva dessa banda as guitarras são perfeitas. O Mauro que é o oráculo do Independente me apresentou esses caras e em 2 minutos eu já tava vomitando meu figado! Guitarra “chute na cara”, Voz berrada e distorcida. Logo depois disso achei as musicas dos caras na internet escutei por 1 semana seguida. Essa banda me fez pensar: “O Rock And Roll não morreu porra nenhuma, é você que que ficou gourmet demais pra ele”.

Ramones“Blitzkrieg Bop”

Blacknail: É clichê mas foi umas primeiras músicas que toquei em uma banda. Além disso Ramones é influência pra qualquer um que goste de punk rock, puta inspiração!

Garotos Podres“Papai Noel Velho Batuta”

Blacknail: Origens do punk nacional, meu irmão mais velho tinha esse LP e eu ouvia direto, acho que acabei riscando… Era uma gravação tosqueira mas era muito loco xingar o papai noel junto com o Mao!

Bad Religion“Fuck Armageddon… This is Hell”

Blacknail: Hino ateísta e um dos primeiros sons que tocava deles. Sempre foi muito foda ouvir Bad Religion, tocar era mais foda ainda!

Zumbis do Espaço“Que Venham os Mortos”

Blacknail: Acho que foi meu primeiro contato com o som independente nacional e também não conhecia muito horror punk, nem o Misfits direito. Quando ouvi o CD fiquei louco e repeti uma pá de vezes! Essa entrou no repertório na época, junto com “Viver pra Matar” e outras duas.

Motörhead – “Overkill”

Blacknail: Motörhead é o tipo de rock que me influencia hoje, junto com bandas mais novas como Nashville Pussy, 69 Charger, Motosierra, Motor City Madness, rock muito loco, rápido e destruidor!

Dire Straits“Sultans Of Swing”

Little Lúcifer: Começando pela música que foi o começo de tudo. Há cerca de 15 anos atrás eu andava pelas ruas do centro da cidade e, diariamente, montes de camelôs vendiam o mesmo (e às vezes apenas desse, inclusive) DVD “Dire Straits – Sultans of Swing: The Very Best of”. Eu parava e apreciava os solos de guitarra sem ter noção alguma de música, nem ao menos para saber que não era tão comum um guitarrista usar os dedos para tocar. Passado um tempo eu decidi que queria fazer essa porra também! Comecei a aprender a tocar violão e na época não me sentia a vontade para usar uma palheta, talvez por Mark Knopfler não usar.

Korn“Did My Time”

Little Lúcifer: Eu conhecia Korn há algum tempo, mas não profundamente. Todos ouviram “Freak On A Leash”, claro. Então em 2004, pouco tempo depois do lançamento do álbum “Take A Look In The Mirror”, encontrei por acaso uma faixa em MP3 dessa música e ouvi repetidamente pra caralho! Foi então que comecei a ouvir tudo de Korn. Fiquei maravilhado com tudo! Korn tem uma atmosfera única. Não tem nada parecido. Foi a primeira banda que eu tive a segurança de dizer que era a minha preferida! Fiquei impressionado com o Fieldy no baixo! Era muito louco! Aí pensei: Foda-se essa porra de palhetinha nessas cordinhas finas que quebram e enferrujam toda hora, vou sentar a porrada no baixo! Comprei um baixo usado e comecei!

Megadeth“Foreclosure Of a Dream”

Little Lúcifer: Essa entra na lista principalmente por ser a primeira música que toquei ao vivo em algum lugar. Foi em uma escola de música em Itaquaquecetuba na qual fiz aula por uns 6 meses pra tentar aprender a sentar a porrada que nem o Fieldy. Não foi um Korn que toquei, mas essa música que aprendi lá mesmo, me introduziu ao Megadeth e serviu pra pegar confiança, pois curti muito tocar e mandei bem!

Deftones“My Own Summer”

Little Lúcifer: Pouco depois que comecei a ouvir Korn, comecei a ouvir Deftones. Eu já conseguia acesso à internet, pesquisava, estava ali entre às bandas percussoras do New Metal, enfim. Comecei a curtir pra caraaaaalho também! Era (ainda é) uma melodia estranha, meio sonolenta e de repente contrastava com umas batidas muito pesadas, como se tudo que tivesse feito antes era pra enfatizar aquele momento! Era original e bom pra caralho! E a levada tão sonora que é quase dançante do grande (e infelizmente falecido) Chi Cheng é a minha maior inspiração em linhas de baixo até hoje. Essa música é uma das minhas preferidas da banda.

Lacuna Coil“Our Truth”

Little Lúcifer: Não dá pra deixar de fora a banda que me fez arregaçar de tocar por aí com amigos que vou querer para vida toda, a Frozen, melhor cover de Lacuna Coil que eu já vi! Entrei na minha banda na época por começar a curtir Lacuna Coil por todos os instrumentos, principalmente o baixo estralando do Marco. Dediquei consideráveis anos na banda e por conta de Lacuna Coil peguei bastante experiência. “Our Truth” é uma entre as várias músicas da banda em que pude aplicar muita coisa do que havia aprendido.

Kurt Cobain, 50 Anos de Música (Uma Eulogia)

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Kurt Cobain

Poptopia!, por Daniel Feltrin

Poptopia
Morre uma lenda.

Há exatos 50 anos nascia Kurt Donald Cobain na cidade de Aberdeen, Washington, no noroeste americano. Kurt cresceria nos arredores de Seattle para se tornar um dos expoentes do chamado Seattle Sound, também conhecido como grunge. Há menos de 23 anos, em 5 de abril de 1994, o frontman do Nirvana era encontrado sem vida em sua casa num bairro de Seattle. Morto aos 27 anos de idade, Cobain acabou se tornando uma das últimas lendas do rock.
A morte de Cobain, assim como sua vida, se traduz não só pela brusquidão da brevidade, mas sim pela longevidade do seu impacto. Uma época em que o rock cresceu se desenvolveu e morreu.

O grunge, encabeçado pelo Nirvana de Kurt foi uma retomada do hard rock dos anos 70, dos cabelos compridos e da filosofia humanista oprimida na violência das suas letras e raiva de suas guitarras. A banda de Seattle, com as letras amargas, muitas vezes sem sentido e o instrumental mais simplista beirando o punk rock denotavam uma espécie de deboche à tudo que o rock criou e exauriu.

Fede a espírito adolescente.

Exemplo de contracultura desde seu início nos anos 50, o rock tinha se tornado justamente o contrário do que pregava. Um estilo formatado e representante do status quo no final dos anos 80. O hard rock e o metal não traziam nada de novo e o punk dependia muito da cena política conservadora que já vinha soltando as amarras com a decadência das Thatchers e Reagans.

Nesse contexto, o grunge floresceu nas partes mais frias da América e com o Nirvana explodiu mundialmente. O já citado deboche e as canções com refrões nervosos e contagiantes conquistaram o público de uma forma inesperada. O sucesso foi imediato. O clipe de “Smells Like Teen Spirit” começou a passar continuamente na MTV e de um dia para o outro todo mundo conhecia o Nirvana e o grunge com seu estilo icônico de calças jeans rasgadas no joelho e camisas flanela.

Essa talvez tenha sido a perdição de Cobain, pois, nunca soube lidar com o status de celebridade e as exigências impostas pela viciada indústria musical inflada da indústria da qual fazia parte agora. O peso da sua própria persona o esmagava e seu vício em heroína, que usava para fugir de si mesmo, aumentava.

Muito se tenta explicar sua personalidade conturbada. Há documentários (entre os mais famosos o recente “Montage of Heck” e o clássico “Kurt & Courtney”) e biografias (a mais famosa “Heavier Than Heaven”), pois é claro que o sucesso e atenção teve um peso enorme na saúde mental do músico. Mas é sempre visível uma dualidade de trevas e luz na vida de Kurt.

Luz e Trevas

O ano de 1967 foi marcado como o ano da psicodelia na música. No lado iluminado da força “Sgt Peppers” dos Beatles. No lado negro da força, “Piper at the Gates of Dawn” do Pink Floyd. O mundo precisava dizer algo através da quebra de convenções, da liberdade da imaginação e do uso do rock e das drogas. Seja pelo lado otimista e inspirado da melhor fase de Paul McCartney ou pela já decadente genialidade de Syd Barrett, a contracultura que bateria forte no mundo no ano seguinte já se levantava pela voz jovem da cultura pop.

Essa dualidade é traduzida perfeitamente no primeiro disco de um cantor que se lançaria ao mundo nesse mesmo ano de 1967. David Bowie que, apenas três anos depois, lançaria um dos discos que mudariam a vida de Cobain exibindo suas longas madeixas da capa de “The Man Who Sold the World” cuja canção título seria gravada e imortalizada por Kurt no acústico do Nirvana em 1993.

A ambiguidade de Bowie sempre foi reconhecida na própria ambiguidade de Kurt. Pessoa gentil e que possuía tanto amor e compreensão do mundo ao mesmo tempo em que essa vontade enorme de abraçar o mundo o levou a autodestruição antes mesmo da fama.

Bowie seria o exemplo de artista perfeito para Kurt, decisivo e de personalidade forte, o cantor inglês demonstra sem medo toda a gama de criatividade refletida na sua ambiguidade sexual, musical e artística.

Há o mesmo tour de force criativo na personalidade de Cobain. Uma mistura de luz e trevas através do viés potente da música pop e distorcida do rock. De certa forma, Cobain é uma espécie de Bowie do fim dos tempos, com a mesma verve pela inquietude artística, mas oprimido pela sua própria limitação auto-sabotadora.

Terminal

Em 5 de abril de 1994 para muitos morreu o rock com Kurt. O grunge teve todo o seu poder, pois evocava tudo aquilo que o rock tinha sido até então num movimento poderoso, mas fadado ao fim. Estava tudo ali: punk, metal, progressivo, pop, gótico, folk, indie, etc. Como numa convulsão o grunge explodiu para o mundo e rapidamente esvaneceu após a morte de Cobain. Como o próprio diz em sua carta de despedida: “É melhor queimar do que desaparecer”.

O grunge explodiu com o Nirvana e morreu com ele, mas o que morreu de fato foi o rock no mainstream. O rock como estilo de massas, como grande lotador de estádios. Das cinzas restaram as bases mais fundadas com o rock alternativo que por si só é a contracultura em essência. As bandas que influenciaram Kurt como Sonic Youth, Pixies e Meat Puppets solidificaram-se ainda mais como representantes do que rock significava de verdade, e delas todo um conceito de música alternativa e independente (o famigerado indie) se consolidou e cresceu de forma multifacetada.
Seria muito fácil terminar esta eulogia reforçando a imagem de mártir de Kurt Cobain, porém, dificilmente essa seria sua vontade. Não consigo imaginar um Kurt de 50 anos se preocupando com mártires e ícones que são utilizados como capital ao vender uma imagem estacionária e irreal dos músicos que representam. Prefiro pensar num jovem senhor cuja vontade de se reinventar permaneceria, mesmo depois de crises e crises, assim como a contracultura que se fortalecia quando ele nasceu.

Prefiro celebrar os 50 anos de Kurt celebrando a contracultura de qual ele fez parte e se criou, celebrando 50 anos de música que fez de Cobain um dos maiores artistas dos nossos tempos.

Dead Parrot resgata sonoridade do rock clássico setentista com pitadas de stoner em seu primeiro EP

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Dead Parrot

Lançado no final de 2016, o primeiro EP do quarteto de Barão Geraldo Dead Parrot mostra uma deliciosa mistura de influências de bandas clássicas dos anos 70 como Led Zeppelin e Black Sabbath com pitadas de stoner rock e folk. Formada por Mariana Ceriani (vocal), Victor Vianna (guitarra), Matheus Stoshy (baixo) e Bruno ‘Bill’ Giacomini (bateria), a banda já começou a trabalhar em seu segundo disco.

“Tudo nós fizemos por conta própria, desde a composição até a gravação, masterização e mixagem. O Victor e o Stoshy ficaram responsáveis por essa parte técnica. A capa e o logo foram amigos nossos que fizeram, sendo a capa da artista visual Carol Nazatto e o Logo de Dan Lemos“, explica Mariana.

Conversei com a banda sobre o primeiro trabalho, a cena independente, suas influências e muito mais:

– Como a banda começou?

Victor: Eu e a Mari nos conhecemos tocando alguns covers em campinas, e eu fiquei com vontade de começar uma banda autoral com ela. Começamos com o ex-baixista da Circus Boy e um outro amigo na bateria, chegamos a esboçar algumas composições, mas depois eles saíram. Enquanto isso, através de amigos em comum, conheci o Stoshy e o Bruno, ficamos amigos por afinidades musicais. Logo quando saíram o baixista e o baterista, o Stoshy estava começando a tocar baixo e eu convidei eles pra formar a banda comigo e com a Mari. No primeiro ensaio já terminamos umas 3 músicas que estavam empacadas, surgiram várias ideias boas muito rápido e resolvemos lançar a banda com o material que já tínhamos. O embrião da banda surgiu no fim de 2015, e a formação que está agora começou no primeiro semestre de 2016, se não me engano.

– O nome Dead Parrot vem do Monty Python, certo? O público costuma entender a ligação? Qual a ligação do som da banda com o grupo inglês?

Victor: Sim, o nome é referência à sketch do Monty Python. Foi um processo muito longo e complicado a escolha do nome da banda, eu particularmente sou muito fã do grupo inglês e durante o processo de ideias, pensei em algumas sketchs que eu gostava que talvez tivessem um bom nome pra banda, dentre outras ideias essa foi a que prevaleceu por ser um nome não muito complexo e fácil de lembrar. O nome é mais uma homenagem ao grupo do que uma influência no tipo de som mesmo, tentamos não nos prender a nada pra fazer as músicas para que elas saiam mais naturalmente. Algumas pessoas que conhecem bem o Monty Python já percebem a ligação na hora, mas nós também não fazemos questão de expor a referência, é mais o nome de batismo da banda mesmo.

– Quais as suas principais influências musicais?

Mariana: Janis Joplin, Jeff Buckley, Led Zeppelin, Queen of the Stone Age, Black Sabbath… Curto umas coisas mais novas também como The Dead Weather e Blues Pills, bandas que me inspiram muito também e acho que tem a ver com nosso som.Victor: Da minha parte, Led Zeppelin, Black Sabbath, System of a Down, Rush e Yes.

Matheus: As minhas: Dire Straits, The Smiths, Paco De Lucia, Eric Clapton, QOTSA, Legião Urbana, Mars Volta.
Bruno: Bom, cada um dos integrantes tem a sua própria cadeia de influências, e acho que esta é a faceta mais instigante quando se decide montar uma banda de música autoral. Em linhas gerais, acredito que possa ser resumido como uma frente de classic rock com outra de stoner rock. Eu pessoalmente me sinto muito influenciado pela sonoridade dos anos 90, principalmente por Tool e Queens of the Stone Age.

– Vocês acabaram de lançar seu primeiro trabalho, que já recebeu bastante elogios. Podem me falar um pouco mais sobre ele?

Mariana: Eu vejo nosso primeiro EP como uma fusão de pessoas que são muito complementares, que acabaram formando uma identidade por conta das afinidades musicais e pessoais, e isso reflete no nosso som. No começo da banda, eu e o Victor ficávamos à frente da composição. Com a chegada do Stoshy e do Bruno, que sempre vêm com várias ideias para músicas novas, esse processo só se intensificou e a gente começou a compor várias músicas em uma tacada só, e é uma característica que a gente vem mantendo.

Matheus: O EP cristaliza um pouco de cada uma das influências. Rock clássico presente na “Way Ouy” e “Lying Demon”. Já “Man is Wolf to Man” remete muito a um stoner e “Nomad” é um Folk. A temática vai de temas obscuros como a “Lying Demon”, que tem influência de Black Sabbath até uma voz mais reflexiva do mundo atual e seus problemas relacionados ao capitalismo como a “Man is Wolf to Man”.

Mariana: Tudo nós fizemos por conta própria, desde a composição até a gravação, masterização e mixagem. O Victor e o Stoshy ficaram responsáveis por essa parte técnica. A capa e o logo foram amigos nossos que fizeram, sendo a capa da artista visual Carol Nazatto e o Logo de Dan Lemos.
Mariana Ceriani, do Dead Parrot

– E como está sendo o retorno do lançamento? Já tiveram resposta de quem ouviu?

Bruno: Por ser o primeiro lançamento da banda estamos surpresos com a boa receptividade, os canais que divulgaram nosso trabalho estão comentando sobre a qualidade das músicas e do trabalho de produção, e as pessoas que nos viram ao vivo fazem questão de comentar sobre o bom entrosamento da banda.

– Como está a cena independente de Campinas hoje em dia? Ela já foi bem forte, desde o Junta Tribo e a enxurrada de bandas campineiras de qualidade como Muzzarelas, Violentures e Coice de Mula. Como está atualmente?

Mariana: Nós podemos falar como atual a cena de uns 5 anos pra cá, que é quando a gente começou a frequentar os rolês, conhecer as bandas daqui e tudo mais. Podemos citar bandas muito boas como a Lisabi, que teve projeção internacional e nacional, e a principal hoje em dia nós vemos que é a Francisco El Hombre, que tá sendo muito bem reconhecida na cena. Nós somos muito parceiros também da Circus Boy, o Victor e eu tocamos com eles já algumas vezes, e eles estão para lançar um EP novo. Tem também a Freak Company, uma banda muito boa de stoner que gravou um EP lá nos EUA e tem tido bastante destaque na cena autoral brasileira. Atualmente, vejo que a cena tá voltando a reacender, vamos ter em abril o Grito Rock que vai ser em dois dias e vai trazer várias bandas da região pra cá.

– Mas e os lugares para tocar? Isso é uma das maiores reclamações que as bandas independentes de todo lugar tem.

Mariana:Olha, você tocou em um ponto complicado… Os bares aqui realmente não abrem muito espaço para a cena autoral, vemos muitos bares que chamam mais covers mesmo. Eu vejo como algo que acontece não só em Campinas, mas em vários lugares aqui do Brasil, os bares não investem muito porque não traz muito retorno financeiro, e as pessoas também não vão muito atrás do autoral. Por isso eu vejo que a iniciativa tem que vir das bandas mesmo, elas tem que se unir pra conseguir seu espaço (sofrido) e fazer o jogo virar. Eu acho que esse é o caminho.


– E como fazer para atrair a atenção do público e fazer esse jogo virar?
 

Mariana: Eu vejo que quando as bandas se apoiam, e eu digo bandas que não sejam apenas da ‘panela’ mais conhecida, a chance de atrair mais gente é maior, porque junta o público de uma e de outra, e acaba agregando muito mais a um evento. Isso não acontece só com bandas da sua própria cidade, mas de outras também. Essa troca é essencial para acontecer, porque é muito difícil você fazer shows em outra cidade por exemplo se você não conhece o produtor de determinada festa, ou o dono de uma casa, enfim, esse apoio entre as bandas é essencial. Principalmente em começo de carreira quando você ainda não tem um nome muito grande.

– Como vocês veem o rock hoje em dia? Um retorno às paradas do Mainstream é importante (ou necessário)?

Bruno: O retorno do rock ao mainstream seria talvez necessário para fomentar o surgimento de mais bandas de rock autorais, mas tenho minhas dúvidas se considero importante o rock ser mainstream para ser significativo. Muito do que gosto no rock nasceu fora do mainstream e tende a ficar cada vez mais estático depois de “mainstreamizado”. Acho muito mais interessante ver o que as pessoas conseguem desenvolver enquanto permanecem no underground do que ver o que elas produzem depois que os holofotes já estão nelas.

Mariana: Então, é complicado também moldar o seu som de acordo com o mainstream, com o que as pessoas estão ouvindo mais recentemente. acho que nós enquanto banda autoral de rock independente temos essa preocupação de nos mantermos fiéis a nossa essência e ao nosso som do que deixar ele mais ‘palatável’ a ouvidos alheios.

– Quais os próximos passos da Dead Parrot?

Mariana: No nosso Primeiro EP, que lançamos em dezembro, nós ficamos o ano inteiro focados em compor, produzir, gravar, masterizar e mixar todo o material por conta própria. A gente ficou realmente imerso em todas as partes da produção do EP. Agora, queremos mesmo é propagar nosso som e fazer mais shows pela região, e quem sabe pelo Brasil (risos) e também já temos material para um próximo EP.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Bruno: Odradek, Novonada, Falsos Conejos, Mahmed, Aeromoças e Tenistas Russas, SVDR, Apanhador Só.

Mariana: Inky, Odradek, Far From Alaska e Metá Metá. Lá fora eu tenho pirado no som das minas do Warpaint.

Bruno: Das gringas, BadBadNotGood.

Victor: Odradek, Inky e Hellbenders.

Matheus: Russian Circles, Toro i Moi, Pata de Elefante e Camel Driver, The Machine, Carne Doce.

Mariana: Verdade! Tinha esquecido, Carne Doce ❤ e Boogarins!