Alambradas mostra voos musicais cada vez mais altos em seu EP “Cíclica”

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Alambradas

Lançado em maio deste ano, “Cíclica” é o terceiro EP da Alambradas, alter ego musical de Nicole Patrício. A one man band lançou um trabalho que mostra muito bem sua diversidade de influências e direções que seu som pode tomar. As 5 faixas foram mixadas e masterizadas por Filipe Consolini, da Mono.Tune Records.

“Já que não tenho ninguém pra formar banda, vou tocar sozinha”, conta Nicole, que em seus trabalhos anteriores (“EP” e “Amargo”, ambos de 2013) mostrou que não poupa nem um pouco de sua alma ao colocá-la por inteiro nos sons do projeto. “(O processo de composição) é difícil. Eu me cobro demais – não só pra compor, mas, pra tudo. Tenho uns 50 esboços sem letra, mais ou menos. Não consigo sentar, escolher um e falar ‘vou escrever alguma coisa agora’ tão fácil. Às vezes a letra vem primeiro, também… Depende muito do estado de espírito”, explica.

Conversei com Nicole sobre sua carreira, o EP “Cíclica”, seu processo de composição, o machismo que permanece latente no meio musical (e fora dele) e muito mais:

– Como você começou o projeto Alambradas?

Comecei quando tava no colegial, depois de chegar a conclusão que “já que não tenho ninguém pra formar banda, vou tocar sozinha”.

– Mas você chegou a tentar formar bandas? Teve aquela fase de tentativa e erro?

Nem isso, foi direto assim.

– De onde surgiu o nome Alambradas?

O nome veio de uma música do Four Tet, projeto d’um inglês, o Kieran Hebden, que gosto demais.

– E porque não usou o seu nome?

Não sei explicar de um jeito exato, assim, não. Acho que meu próprio nome ficaria formal demais pr’uma das poucas coisas na vida em que eu posso ser eu mesma, sabe?

– Quais as suas principais influências musicais para o projeto?

Vish… Tem muita coisa. essas influências vão mudando de tempos em tempos, mas, ficam as referências, mesmo que eu já não escute o artista ou a banda tanto assim. De uns tempos pra cá, tenho escutado muito, mas, muito mesmo, James Blake. Foi por conta dele que eu comecei a acrescentar alguns barulhinhos além do teclado de sempre em algumas das minhas músicas. Mas, puxando num modo geralzão, tem Yuko Ando, Fiona Apple, Imogen Heap, Hiromi Uehara… Dava pra fazer um baita listão aqui! (risos)

Alambradas

– Seus shows sempre são sozinha ou já contou com banda te acompanhando? Como você descreveria seu show?

Na maioria das vezes, sou eu, o teclado e o computador. já rolou de ter banda em algumas ocasiões, tipo o show de lançamento do “Cíclica”, que fiz na Casa do Mancha em julho. Como bastante gente participa, consegui juntar todo mundo pra tocar. Ah, meu show é um negócio que a pessoa tem de se permitir, sabe? Não funciona eu tocar num esquenta de balada, não funciona se tiver um monte de gente falando. Óbvio que eu não mando em ninguém, mas, tenho procurando algum canto mais aconchegante possível pra fazer isso acontecer, porque sou eu, só, sabe?

– Você tem uma visão ampla sobre streaming e este tipo de facilidade que rola hoje em dia. Isso continua polêmico: o streaming é benéfico ou maléfico para os independentes?

Não dá mais pra lançar um álbum, ou até mesmo um single, deixando só links do YouTube ou SoundCloud: sempre vai ter alguém perguntando quando entra no Spotify. Pra quem já usa com frequência as plataformas de streaming, se não encontra você ou sua banda por lá, pode perder o interesse de te escutar de primeira. Eu vejo como algo benéfico, principalmente no sentido de múltiplas opções para as pessoas ouvirem sua música. Pode não dar lá tanta grana – o que dá grana quando se faz música, ainda mais independente, né? – mas, ajuda no sentido de credibilidade pra quem ainda não sabe quem é você.

– Por falar nisso, me fala um pouco mais sobre o material que você lançou até agora.

Tenho 03 EPs: o primeiro é o “EP?”. Lancei em janeiro de 2013 e até hoje não tenho certeza se é o primeiro mesmo ou não – juntei algumas músicas que fiz de 2009 pra cá e foi isso. o segundo, “Amargo”, veio em dezembro do mesmo ano no sentido de urgência, de mostrar o quanto 2013 foi ruim pra mim. Daí, 03 anos depois, veio o “Cíclica”, dessa vez com mais gente, com músicas novas e outras nem tanto.

– E como foi a composição do “Cíclica”, já que não teve esse sentido de urgência dos anteriores?

Foi um pouco urgente no sentido de “vão me ajudar a produzir, as músicas tem de estar prontas pra ontem”. porque, quando o Filipe Consolini (Mono.Tune Records) me chamou pra gravar, eu tinha só alguns esboços de música, nada muito definido. elas foram se desenvolvendo conforme eu gravava uma ou outra coisa.

– Como é seu processo de composição?

É difícil. Eu me cobro demais – não só pra compor, mas, pra tudo. tenho uns 50 esboços sem letra, mais ou menos. não consigo sentar, escolher um e falar “vou escrever alguma coisa agora” tão fácil. Pode levar anos pra eu tirar algum desses esboços do computador, ou eu posso desistir, sei lá. Não tem um processo definido, não. Às vezes a letra vem primeiro, também… Depende muito do estado de espírito.

– Como você vê a cena independente brasileira hoje em dia? O que mudou das cenas dos anos 90 e 00?

Estar nela como espectadora é uma coisa, como artista, é outra. Ao mesmo tempo em que você assiste shows e sente que tá todo mundo junto abraçando a mesma causa, quando você vai pro outro lado, vê tudo muito fragmentado, muito “só falo com você se você trabalha comigo”. Isso sem falar de ser mulher, tocar sozinha e ser vista como alguém que falta alguma coisa, enquanto um cara só com uma guitarra é “gênio”. Essas coisas todas, às vezes, me aborrecem pra caralho. Fico me perguntando até que ponto vale ser eu mesma, que quando gosto da banda, da artista, tô lá mesmo, assisto o show, etc, enquanto tem gente na mesma roda que assiste o show por ofício, sabe? De estar lá porque a banda que trabalha toca depois de você. Mas inda tô aqui, procurando meu canto e gente que realmente queira abraçar a mesma causa que eu.

Alambradas

– Já que você tocou neste assunto: o machismo ainda é forte no mundo da música? Você já sofreu com isso? Como isso pode ser combatido?

Perguntar se o machismo ainda é forte é o primeiro sinal que sim. Eu diria que é milagre não ter passado por casos extremos desse tipo, mas, muitas pessoas próximas de mim já passaram e eu me sinto parte delas. Enquanto continuarem tratando uma artista com respeito, mais pelo produtor do álbum dela do que por ela mesma, por exemplo, isso não acaba nunca. Colocar artistas ou bandas com mulheres no lineup do seu festival só pra não reclamarem que “faltou mina” pode ser bem hipócrita, também. Continuar dando espaço pra cara agressor em determinado evento ou o que quer que seja porque ele é importante na cena também não ajuda. Eu acho lindo demais ver tanta mulher fazendo acontecer, cada uma na área cultural que apetece. As meninas no Rio de Janeiro com o Xanaxou, a Nanda Loureiro, da Banana Records, a Hannah Carvalho e a Letícia Tomás com a PWR Records no nordeste, a própria Bells Delfiol, que virou amiga por conta do “rolê”, tem uma força danada e tem levado várias bandas pra tocar em Santo André, fugindo dessa centralização que existe nos shows alternativos. enquanto a cena “padrão” não tem sido segura pra gente, a gente cria nosso espaço.

– Quais os próximos planos para o Alambradas?

Tô com planos de tocar em outros estados ano que vem; nada muito definido ainda, só devaneios saudáveis (risos). Além disso, tô compondo algumas coisas pro primeiro disco cheio, também nada muito definido; pra esse, não quero apressar. vamos ver no que dá.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Rita Oliva, que é(ra?) do Cabana Café e do Parati, tá na música agora como PAPISA, e o primeiro single é lindo demais. Além dela, tem os meninos da Quasar, que lançaram um EP recentemente, bem alunos de Boogarins (risos). Lembrei agora do Domingo Blanco, um projeto instrumental da Bianca Zampier, que tem umas ambiências maravilhosas… vish, daqui, sairia mais um listão! (risos)

Breaking News: 7 clipes independentes lançados na última semana que você precisa conhecer

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Ruca Souza
Ruca Souza

Alderia“Detox”

Produzido pela Zenistesia Filmes e dirigido por Thiago Looney, o clipe novo da Alderia estrela Zé Cardoso, Viktor Judah e Diego Souza e mostra algo “gastronômico/sombrio” pra acompanhar a música.

Ruca Souza“Vento Branco”

Mais um clipe de uma música do disco “Marte”, de Ruca Souza. A edição, fotografia e direção são de Lenon Cesar. Ah, a Ruca participou do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa” que fizemos em parceria com o Hits Perdidos!

The Dirty Coal Train“Black X”/”J’acuse”

O duo português que acabou de passar pelo Brasil ganhou um lindo clipe que combina muito com o estilão deles. Dirigido por Luís Marques e João Mingacho, as músicas fazem parte do LP “Super Scum”, lançado pela Groovie Records.

Holy Sons“Robbed And Gifted”

Parte do recém-lançado disco “In The Garden”, “Robbed and Gifted” ganhou um belo clipe cheio de natureza psicodélica. Se estiver de saco cheio do trabalho, se tranque no banheiro, assista este clipe e dê uma respirada.

Goat Girl“Country Sleaze”

O single “Country Sleaze”/”Scum” acabou de sair pela Rough Trade Records e a primeira música ganhou um clipe estroboscópico com direção de Douglas Hart.

Decentes“1938”

O nome da banda pode parecer brasileiro, mas eles são de San Juan, em Porto Rico. A banda conta com membros  do D-Cent Jerks e o clipe com história para “1938” foi dirigido por Erik Villa.

Louise Burns“Storms”

Escuro, P&B e sombrio, o clipe dirigido pelo duo Exquisite Corps (Justin Gradin + Ben Jacques) é a cara da Mtv Brasil dos anos 90 em seus programas mais “alternativos”.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Caio Felipe, guitarrista e vocalista da Sky Down

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Caio Felipe, da Sky Down
Caio Felipe, da Sky Down

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Caio Felipe, guitarrista e vocalista da Sky Down.

Plexi“Peel” (1996)

‘Peel’ tem um dos trabalhos de guitarra mais bonitos que já ouvi (fucking Barragan!). Eram uma banda de L.A. com alguns EP’s, o primeiro e unico disco full (“Cheer Up”) saiu pela Sub Pop em 1996 e depois pela Atlantic, sei lá por qual motivo(s) a banda não estourou. Comentários da época dizem que o trio fazia um dos melhores shows da area. Chegaram a começar a gravar um segundo disco em Amsterdam mas foi tudo abortado, uma das lendas diz que o vocalista Michael não conseguia parar em pé e no fim das contas a banda acabou pra todo mundo ficar vivo. Poucas bandas se jogam de verdade no que fazem e esses ai se jogaram até o pescoço. É uma das coisas mais legais que já ouvi nos últimos anos, é glam, gotico, noise, pop, tudo isso misturado, o Bowie tinha que ter produzido algo deles”.

Girl Pusher“Most Lonely” (2015)

“Duo Cyber Punk (há quanto tempo não ouvia esse termo!?). Uma amiga me mostrou e adorei”.

Bo Ningen

“É uma banda de uns doidos ai de Tokyo acho, que uma outra amiga me recomendou. Pirei”.

Soko“My Dreams Dictate My Reality” (2015)

“Gosto muito desse disco da Soko, nesse um mês e meio que fiquei de pulso quebrado e engessado foi um dos discos que mais deixei rolando em casa. Mais uma vez, uma amiga recomendou esse acho que logo quando saiu. Oceano de lagrimas… dá play ai canceriano(a)”.

Travelling Wave“Simoom” (2016)

“São de Piracicaba e eu sempre me desencontrava quando tocavam por aqui em Santo André. No último domingo toquei com Sky Down no Festival QHABA em Sorocaba e consegui vê-los, já conhecia dos discos e gostei bastante ao vivo. “SIMOOM” é o lançamento mais recente, é um post punk com shoegaze e noise feito por quem sabe o que esta fazendo”.

Batalha das Bandas do Estúdio Sonzeria une 16 bandas independentes do ABC Paulista

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Batalha das Bandas Sonzeria

A Batalha das Bandas surgiu do sonho antigo dos proprietários do Estúdio Sonzeria, em São Bernardo do Campo, cansados de falsos festivais onde o único objetivo era encher os bolsos dos organizadores. Com o intuito de unir bandas de diversos estilos e movimentar a cena musical de bandas independentes na região do ABC, mostrando que existe música de ótima qualidade no cenário underground, eles criaram uma verdadeira batalha de bandas num festival sem fins lucrativos.

São 16 bandas batalhando pelo 1º, 2º e 3º lugar. Os vídeos postados na página do Facebook do Estúdio Sonzeria serão julgados pelos seguidores e mais dois jurados técnicos com experiências diversas no meio musical. Logo de cara as bandas batalham com um som autoral num mata-mata com sons que estão abertos para
votação até o dia 29/10.

As primeiras batalhas são:

Gallus de Petra x Balaclava
Ideia Suburbana x Stone Crown
Aragalv x Color for Shane
Nokaos x Último Giro
Abacates Valvulados x Blue Violet
O Astronauta x Janela
Os Arnolds x Euliricos
Lurya x Obsolence

Só 8 destas bandas sobreviverão para a 2º fase, onde as batalhas ficarão mais difíceis. Cada uma das 4 batalhas terá uma única música tema escolhida pela organização e as duas bandas deverão criar sua versão da mesma. Dessa etapa restarão 4 bandas e tem data prevista para acontecer de 12/11 a 19/11.

A repescagem é a chance das 12 bandas que não tiveram tantos votos voltarem à disputa. Uma fase exclusivamente online onde cada grupo apresentará sua melhor música cover. Daqui, apenas duas guerreiras seguirão diretamente para a grande final. Essa fase tem data prevista para 26/11 a 03/12.

A grande final será realizada em um grande show das 6 bandas finalistas no dia 11/12 em um pico surpresa com a participação de 5 jurados técnicos. Cada banda fará um show de 30 minutos que será avaliado em diversos quesitos como presença de palco, música, interação com o público e mais. As três melhor avaliadas irão ao pódio. Fiquem ligados na página do Estúdio Sonzeria para saber o local da grande final!

Os prêmios são:

3º lugar: Gravação de 1 música + 2 horas de ensaio + camiseta da Elephant pra todos integrantes da banda. + 1 tatuagem do estúdio 2c family de até R$300,00 por banda Instituto Romano + 50% de desconto em luthieria por 1 ano + descontos em cursos da área. + 50% na matrícula no curso de luthieria + 50% na matrícula no curso de aperfeiçoamento musical+ 50% na matrícula nos cursos de artes

2º lugar: Gravação de 2 músicas + 1 Webclipe + 4 horas de ensaio + camiseta da Elephant pra todos integrantes da banda + 1 tatuagem estudio 2c family de até R$500,00 por banda Instituto Romanos + 6 meses de luthieria + isenção na matricula do curso de luthieria + 50% na matricula do curso de aperfeiçoamento musical

1º lugar: Gravação de 4 músicas + 1 Vídeo Clipe + 1 Sessão de fotos de 1 hora + 1 logotipo da banda + 1 pacote mensal de ensaios + camiseta da Elephant pra todos integrantes da banda + 1 tatuagem do estudio 2c family de até R$800,00 por banda Instituto Romanos + 1 ano de luthieria + Isenção na matrícula nos cursos de luthieria que é um curso de construção e set up + 1 aula gratis de aperfeiçoamento musical + 50% de desconto em workshop + isenção na matrícula dos cursos de artes (phothoshop e fotografia)

RATS leva irish punk para o calor do Rio de Janeiro em “Por Terra, Céu e Mar”

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RATS

Os cariocas RATS acabam de lançar seu primeiro disco, “Por Terra, Céu e Mar”, pela Crasso Records, gravado em em meio ao carnaval carioca com Jimmy London (Matanza) capitaneando o barco e produzindo o trabalho. A gravação e mixagem foi realizada no Melhor do Mundo Studios e contou com Jorge Guerreiro, que já trabalhou com Dead Fish, Raimundos, Pitty, Ultraje a Rigor e muitos outros.

O quinteto formado por Kito Vilela (Guitarra e Voz), Fernando Oliveira (Banjo, Bandolim e Voz), Fernando Gajo (Acordeon e Tin Whistle), Bruno Pavio (Baixo) e Pedro Falcon (Bateria) criou 13 faixas que fazem o conhecido irish punk influenciado por Flogging Molly e The Pogues, além de uma versão bucaneira para “Medo”, clássico do Cólera. A bela capa do disco ficou a cargo de Caio Monteiro, Kawe de Sá e Helena Lopes (Lightfarm).

Conversei um pouco com Fernando Oliveira sobre o disco, a produção de Jimmy London, a carreira da banda e como o irish punk embarcou no Rio de Janeiro:

– Me falem mais sobre “Por Terra, Céu e Mar”! Como rolou a gravação e a composição das músicas?

Esse disco começou seu processo criativo em 2013 quando decidimos deixar de fazer versões e começamos a compor. Chegamos a lançar um EP, pela Crasso Records, que tinha 4 músicas autorais e 3 versões (em 2014), mas para um full play, precisávamos aguardar mais, pra amadurecer e colecionar uma quantidade boa de canções… E como todo 1º disco de banda, tem músicas que foram escritas há anos e músicas que acabaram entrando meses antes das gravações. As composições em sua maioria são minhas, com algumas parcerias com o vocal Kito Vilela e o acordeonista Fernando Gajo, e falam sobre bebida, sobre realizar sonhos, sobre amores construtivos e destrutivos, sobre a vida na estrada, sobre boxe, sobre amigos que se foram e sobre fazer as coisa do nosso jeito.

– Como foi trabalhar com o Jimmy London produzindo?

Foi foda em ambos os sentidos… (risos) Porque ele conhece muito do riscado, o som e a proposta da banda, e também foi foda porque ele é muito exigente e arranca da banda o que ela realmente pode dar de melhor, mesmo q isso leve muitos e muitos takes (risos). Eu já havia gravado com Jimmy num projeto paralelo às nossas bandas há uns 8 anos, gravamos umas demos de algumas músicas nossas, algumas até serviram de base para músicas do RATS, então já estava acostumado com essa parceria. Quando montei a banda sempre recorri a ele como guru e amigo. Quando as músicas foram aparecendo eu ia mostrando pra ele e trocando ideias, quando o disco começou a se tornar uma realidade ele já tava tão envolvido no processo, que nunca houve um convite oficial pra q ele produzisse o CD, foi uma coisa natural.

– De onde saiu o nome do disco?

Lembra que disse sobre uma musica q foi escrita meses antes da gravação? Então, essa musica foi “Por Terra, Céu e Mar” e ela veio depois da nossa tour de St. Patrick’s que fazemos todo ano em março. Ano passado ela foi meio tensa, muitas dificuldades, que até brincávamos que parecia que tinha uma maldição (risos). E como eu moro em Niterói, que fica separada do Rio pela baía de Guanabara, quando viajo muitas vezes vou literalmente por terra, céu e mar, pois vou de carro pro centro, pego a barca pra cruzar a baía e depois vou de avião pra cidade do show. Então usei isso pra conduzir a ideia da letra, que é como um juramento, sobre seguir em frente mesmo diante das dificuldades. Aí depois achamos que seria uma boa música pra intitular esse projeto pelo jeito que ele foi concebido também.

– Como a banda começou?

Já vinha com a ideia de uma banda que misturasse um som pesado com referências folks desde que vi por acaso o show do Flogging Molly em Los Angeles em 2001, mas só em 2011 chamei meu amigo e o baixista Bruno Pavio pra montar a banda, mas ainda era só papo de bar, sempre curtimos as bandas gringas de irish punk e achávamos mto estranho não ter bandas no Brasil fazendo isso, como eu já tocava banjo decidimos fazer uma pra se divertir e também divertir outras pessoas que também compartilhavam dessa carência.. Comprei um bandolim e montamos a banda. Fomos chamando amigos que tinham a ver e sabíamos que abraçariam a causa, Kito Vilela que veio do punk rock mas tinha acabado de voltar da Irlanda e vinha fazendo apresentações solos só voz e violão, o sanfoneiro Fernando Gajo eu trouxe da Go East Orkestra, de musica cigana dos Balcãs, improvisamos um amigo na bateria e em 2012 fizemos nossa estreia na festa Rio Irish no Saloon 79.

– Porque o nome RATS?

RATS na verdade é uma sigla (Riot Aboard The Ship). Sempre curtimos a ideia de nomes grandes que em siglas formam pequenas palavras, chegamos a se apresentar com o nome por extenso, e também como R.A.T.S, mas como toda banda que tem nome de sigla uma hora caem os pontinhos e acaba virando o nome curto mesmo, e a palavra “RATS” tinha a ver com o universo hardcore bucaneiro da banda, já que os piratas eram conhecidos como “sea rat”, decidimos assumir o nome RATS.

RATS

– Quais as principais influências da banda?

No começo eram as tradicionais bandas de irish punk, Flogging Molly, Dropkick Murphys e The Pogues, mas com o tempo acabamos incorporando outros elementos como coisas ciganas, polcas e country. Bandas que também fogem um pouco do irish punk tradicional e que adoramos é The Dreadnoughts e o Smokey Bastard. E também no lado pesado da banda, não bebemos só do punk rock e hardcore… Hoje em dia tenho escutado algumas bandas de folk metal como Turisas e Alestorm, que já influenciaram algumas composição que devem vir no próximo disco.

– O que vocês acham da cena independente hoje? Ela deve crescer e se expandir?

Sempre tem, e a internet facilita tudo, das bandas se conhecerem e organizarem as coisas juntas, trocamos materiais e ideias com banda do Brasil todo e de fora dele. Mais fácil de agitar as coisas e também não entrar em furadas (risos).

– Como vocês fazem para manter a cena em movimento? As bandas devem se unir mais em torno dessa meta?

Claro, já que não temos aquele apoio e grana das grandes gravadoras, a gente se vira e se apoia com quem fortalece a cena independente. as bandas, os selos, as casas, indicamos bandas amigas pros produtores com quem trabalhamos, sempre tentando usar camisas das bandas nos shows e entrevistas. Estamos todos no mesmo barco né?

– Quais são os próximos passos da banda?

Tocar, tocar e tocar, e viajar muito, por terra, céu e mar.. (risos) Já até temos músicas pra começar
a pensar num próximo disco, mas nem quero pensar nisso agora, o foco é cair na estrada e pôr esse disco pra rodar aí!

RATS

– Recomendem bandas (especialmente independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Bandas desse segmento tem a Punching Namard de São Gonçalo-RJ, tem a The McMiners de BH e a Lugh de Santa Maria-RS, que apesar de nunca termos tocado juntos sempre trocamos figurinhas pela internet. Já em outra pegada a Facção Caipira de Niterói também trouxe algo diferente com muita qualidade pra cena, e a não nova mas sempre incrivel Hillbilly Rawhide de Curitiba.

Terceira edição do Maria Bonita Fest faz barulho pela resistência da mulher negra

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No Dia de Finados, 2 de novembro, acontece o Maria Bonita Festival, no Baderna (Rua Oscar Freire, 2529). O festival, que está em sua terceira edição, surgiu da ideia de pedir mais espaço para mulheres do punk/hardcore/riot grrrl. Desde sua criação até a produção musical do evento, tudo é 100% gerido por mulheres. “A gente não visa lucro, portanto as entradas são gratuitas. A gente passa o chapéu pra ajudar as manas das bandas que tocam e tal”, explica Cint Murphy, uma das organizadoras. “Fizemos o primeiro Maria Bonita na Casa Goiaba, que fica na Barra Funda, tivemos média de 100 pessoas circulando durante o festival. O segundo que fizemos foi na Associação Cultural Cecília, quando trouxemos a banda Mantilla da Dinamarca”.

A terceira edição tem o tema “Solidão e Resistência das Mulheres Negras” e as bandas tem no mínimo uma integrante negra. As outras atrações, como flash tattoo, comidinhas, roda de conversa e manicure serão conduzidas também apenas por mulheres negras. No palco, Jenny Zion (Campinas), Gabi Nyarai (São Paulo), Noites Violentas (São Paulo), Obinrin Trio (São Paulo) e Liar, cover do Bikini Kill (São Paulo). As Flash Tattoos ficam por conta de Candylust ThamuMariana Silva, pra comer a culinária vegetariana da Casa da GovindaWhat the Cake?, manicure e pedicure com Simonekelly e uma roda de conversa com Mãe Lésbica Negra.

“O machismo ainda é forte na música de modo geral, no cenário independente não é diferente, fica nas entrelinhas. Os organizadores de festas e festivais chamam bandas com mulheres para cumprir cota. Dificilmente se é visto um festival misto de verdade, por isso resolvemos fazer um com as nossas próprias mãos e de maneira colaborativa, sempre pensando nas mulheres e dando oportunidades pra bandas novas mostrarem seus trabalhos”, explica Cint.

A cena independente não fica fora das críticas, apesar de ter uma certa melhoria. “A cena tá melhorando mais por que tem muita mina empenhada em fazer acontecer do que contar com os organizadores que já estão jurássicos né. Não esperamos que eles mudem, estamos tomando nosso espaço de volta, seja ocupando os shows, seja produzindo, seja criando… Os homens da cena não querem abrir mão de seus privilégios, por isso são relutantes ainda mesmo em meios libertários. A mudança vem de nós por nós. A mudança é bem simples: começar a enxergar o cenário feminino não como cotas, mas como parte integrante da cena. Incentivar mesmo a inclusão das minas, a gente já perde desde criança por que quase nunca somos incentivadas a aprender um instrumento, montar um palco, fazer a técnica de som, participar da organização de festivais como um todo… Isso sempre fica na mão dos caras e raramente eles abrem mão pra uma mina representar, gerir e criar. O trabalho que fazemos é exatamente esse: mostrar pras minas que elas podem tudo! E é ai que tá a mudança”.

Para finalizar, a organizadora deixa um recado para todas as mulheres, sejam elas da cena artística independente ou não. “Mulheres: não desistam! Esse espaço também é nosso! A gente enfrenta um monte de empecilhos no meio do caminho que tenta nos impedir de sermos o que sonhamos, mas estamos aqui umas pelas outras, pra nos darmos suporte. A gente pode se sentir fraca quando nos vemos sozinhas, mas juntas temos um poder imensurável nas mãos!”

O Brasil será indadido por Wild Billy James, uma raivosa “monobanda” de folk blues do Uruguai

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Wild Billy James
Wild Billy James

Sozinho, o uruguaio Wild Billy James faz uma barulheira com seu blues/folk/rock infernal. Munido de violão, gaita, percussão e um loopstation, ele mostra ao vivo todo seu talento em versões que incorporam espontaneidade e improviso aos sons de seu EP “Going Home”, lançado em 2015, além de novas músicas que em breve estarão presente em um novo lançamento.

Em novembro o dono da “monobanda” estará por aqui em sua primeira turnê brasileira. “Recentemente, tive a ideia de fazer uma turnê em diversas cidades brasileiras e aqui estou planejando minha primeira turnê no Brasil. Eu já estava em contato com algumas pessoas da cena underground, comecei a escrever e entrar em contato com mais pessoas. Todo mundo estava disposto a ajudar, de uma forma ou de outra, eu acho que é uma maneira de ser do brasileiro e é realmente grandiosa. Vai começar no dia 12 de novembro, em São Paulo, no festival “Sinfonia de Cães”. Eu vou estar tocando até o final de novembro no estado de São Paulo e então irei para o Sul, em cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Será divertido!”, diz o uruguaio.

Conversei com ele sobre sua carreira, seus imprevisíveis shows, a turnê pelo Brasil e o EP “Going Home”:

– Quando você começou sua carreira?

Eu não vejo a música realmente como uma carreira, é um modo de viver para mim. Sim, eu a levo a sério, mas sem perder o divertimento. A música tem sido uma vida pra mim, na minha casa havia música sempre. Minha mãe estudou piano. Na casa da minha avó, havia um piano. Meu tio é um músico local com quem sempre aprendi muito, ele toca muitos instrumentos, eu acho que a partir daí que eu pensei na “one man band” de alguma forma. Eu ganhei minha primeira guitarra aos 16 anos depois de acidentalmente encontrar um documentário sobre Jimi Hendrix que me deixou atordoado. Assim começou minha pesquisa lá atrás, nos pântanos de blues. Peguei emprestado o álbum “20 Classic Blues” do Muddy Waters e lá eu comecei a ouvir e colecionar discos e sons primitivos de blues, rock and roll, jazz. Eu tentei formar várias bandas, mas nunca funcionou além de alguns ensaios. Lá eu percebi que tinha um longo caminho a percorrer, então eu troquei minha guitarra elétrica por um violão e gaita, comecei a tocar folk e delta blues e todos os gêneros derivados. Imediatamente eu comecei a tocar e toquei nesse formato onde eu conseguia, em minha cidade local, na rua e em pequenos lugares para poucas pessoas. Às vezes eu usava um pandeiro para acompanhar com o pé. Em 2012, quando eu tinha ainda 20 anos eu estava apenas com um violão e uma mala de viagem para Buenos Aires e lá eu continuei a melhorar o meu estilo. No final de 2013, fui convidado para abrir para uma banda em um pequeno bar e dentro de uma semana eu comecei a tocar como Billy James & his One Man Band, desde aquela apresentação não parei de tocar como uma banda de um homem só, tentando melhorar o meu estilo sempre. Há alguns meses, eu mudei o nome para Wild Billy James e a história continua…

– Quais as suas maiores influências musicais?

Deixe-me ver… Tem muitos… Todos os artistas Delta Blues: Charlie Patton, Son House, Lightnin ‘Hopkins, Bukka White, Big Joe Williams, Mississippi Fred McDowell, para citar alguns. Piedmont blues: Rev. Gary Davis, Mississippi John Hurt. Também os clássicos, você sabe: John Lee Hooker, Hound Dog Taylor, Howlin ‘Wolf, Muddy Waters… A lista é longa. O estilo de bluesman “north Mississippi hill country blues”: RL Burnside, Junior Kimbrough, Robert Belfour. Artistas da África como Ali Farka Touré, Bombino, Tinariwen. Gravações de Alan Lomax: ”Field Recordings”. Primitive rock and roll, soul music, gospel. E sobre alguns artistas mais atuais, teria de dizer Guadalupe Plata, Lonesome Shack, Tom Waits, Seasick Steve, Soledad Brothers, Dan Melchior, Billy Childish. E também artistas da cena “monobanda”, eu tento ouvir a todos.

– Como você decidiu que seria uma one man band?

No meu caso eu não decidi, foi algo que se deu naturalmente. Eu comecei a tocar quase imediatamente quando eu mudei a guitarra elétrica para o violão e uma gaita. A ideia de ter uma banda foi excluída da minha cabeça naquele momento… Eu percebi que não tinha necessidade de contar com mais pessoas para fazer a música que eu queria e levar as minhas ideias ao público. Isso foi em 2010, 2011. Eu já sabia do movimento de One Man Bands e em 2012 isso foi fundamental para eu conhecer e assistir ao vivo The Amazing One Man Band, uma referência na cena. Quando falei com ele, disse que eu estava tocando blues e folk e ele me incentivou a colocar um bumbo e ir em frente com isso. Tocar juntos pela primeira vez no domingo, 23 de outubro, no Uruguai. No final do mês tocamos no Festival Monobanda do Uruguai que estamos organizando, somos 6 “monobanders” incluindo a The Amazing One Man Band. A ideia ficou na minha cabeça até Novembro de 2013, quando me apresentei como One Man Band/Monobanda pela primeira vez em Buenos Aires. De lá eu continuei por esse caminho, só adicionando mais e mais coisas e ideias para o meu show. Tocar como One Man Band não têm limite. É a maior expressão da liberdade no mundo do rock de hoje. Ninguém diz o que você tem que fazer, quando e onde; você faz se quiser e quando quiser, essa é a atitude de um monobanda, mas sempre, sempre avançando e evoluindo. Você tem que sempre ir para a frente, sozinho diante do público. Tentar surpreender o público é um plano comum e um desafio para mim como One Man Band. Tocar com os outros é bonito, mas também se torna difícil. Não depender dos humores dos outros membros de uma banda pode ser benéfico.

– Me fala um pouco sobre o material que você já lançou!

Bem, é um EP com 5 músicas. Foi gravado no Velozet Estudios em Buenos Aires em dezembro 2014 por Dylan Lerner em uma sessão de uma tarde, ao vivo no estúdio, tentando capturar o mais fiel possível ao som de shows ao vivo, tocando todos os instrumentos ao mesmo tempo, sem excesso de gravação e edição, um ou dois takes por música e predominando o primeiro. Foi lançado oficialmente em janeiro de 2015 no programa de rádio “Get Rhythm” do Radiolux (França) com o single “Highway 51”. Além disso, o EP também tocou em algumas estações de rádio independentes do Reino Unido. “Highway 51” foi incluída em uma compilação de monobandas, “Invasione Monobanda” (Itália), lançado por um netlabel italiana, “In Your Ears”, o disco pode ser baixado no site do selo. A sessão de gravação foi filmada, mas no youtube há apenas um trailer. Alguns contratempos atrasaram a publicação de toda a sessão, mas em breve estará disponível no meu canal do Youtube. Ele também foi eleito um dos melhores EPs de 2015 pelo site Zambombazo! Este EP tem me dado muitas alegrias, suas músicas ainda são tocados ao vivo e ele define meu estilo, mas o show e formato evoluíram, estou cada vez mais em expansão. Agora comecei a usar um loopstation, com o qual eu jogo sons já gravados, também gravo coisas e reproduzo ao vivo, agreguei mais percussão (surdo e tom-tom), maracas, conseguindo um show mais interessante na minha opinião, realizando o que eu imaginava em minha mente.

Wild Billy James

– E já está trabalhando em novas músicas?

Sim, eu estou trabalhando há vários meses. Levou tempo para montar tudo de novo, me deu um trabalho usar o loopstation para o que eu imaginava, mas está saindo bem, percussão é fundamental. Agora, a mudança de nome para Wild Billy James tem muito a ver com isso, precisamente os shows são mais selvagem e intensos. Será interessante entrar em estúdio novamente. A minha ideia é sempre a surpreender o público, os shows ao vivo nem sempre são iguais, dando origem a espontaneidade e improvisação. Muitos arranjos de canções geralmente saem dos shows, é realmente lá  onde tudo acontece. Bem, para alcançar essa independência os ensaios são essenciais também. Eu parei de tocar ao vivo há algum tempo, vários meses para tentar reunir tudo isso. Agora estou de volta com toda a energia, eu quero tocar o máximo que puder.

– Como é um show de Wild Billy James? Descreve pra quem ainda não teve a oportunidade de ir.

Bem, eu não quero para estragar a surpresa, mas usa muitos recursos… Por exemplo, eu entro no público com a percussão, é como uma espécie de “rito” simbólico e é um jogo. Faço solos de gaita através de um megafone, costumo abrir meus shows com isso, eu gosto de aparecer do nada e levar o público para o palco. As canções passam e as pessoas dançam, movem-se, gritos, aplausos. Aí a forte batida da bateria, eu chutando o hi-hat com o pé de vez em quando. Alguns barulhos de guitarra propositadamente, “slide guitar solos” inevitáveis, silêncios inesperados. Um show para dançar e pensar.

Wild Billy James

– E como rolou essa turnê pelo Brasil?

Estar constantemente em turnê e atingir o maior número de lugares possível com a minha música é um dos meus objetivos, e estou nele. Brasil, sem dúvida, é um destino bastante interessante, e está ao alcance. Recentemente, tive a ideia de fazer uma turnê em diversas cidades brasileiras e aqui estou planejando minha primeira turnê no Brasil. É um grande país e seu povo faz dele grande. Eu já estava em contato com algumas pessoas da cena underground, comecei a escrever e entrar em contato com mais pessoas. Todo mundo estava disposto a ajudar, de uma forma ou de outra, eu acho que é uma maneira de ser do brasileiro e é realmente grandiosa. Estou muito grato a todos que tem ajudado a fazer isso funcionar. Vai começar no dia 12 de novembro, em São Paulo, no festival “Sinfonia de Cães”. Eu vou estar tocando até o final de novembro no estado de São Paulo e então irei para o Sul, em cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Será divertido!

– Como é a vida de um artista independente hoje em dia?

Requer esforço, você tem que lidar com muitas coisas e fazer tudo sozinho. Muitos dizem que é difícil lidar com tudo sozinho, mas acho que é o caminho. Não é nada difícil, tudo é possível se você colocar sua mente realmente nisso. Pode ser cansativo às vezes, mas a satisfação é maior. Você tem que dedicar tempo a isso, e eu dedico minha vida. Dedicação é a coisa mais importante para o que você faz. Se você quer algo, faça-o.

– Quais os próximos passos de Wild Billy James?

Agora, o que segue é a turnê no Brasil em novembro e dezembro, eu respiro isso todos os dias. Vai começar no dia 12 de novembro, no “Festival de Cães” em São Paulo no período da tarde e à noite eu vou estar na primeira edição do Muddy Roots Brasil. Então eu volto para o Uruguai, onde vou continuar a tocar em janeiro. Estou pensando em gravar novo material, ainda não sei quando. Eu também estou pensando em fazer uma turnê pela Europa em 2017. Portanto, há muitas coisas ainda pela frente!

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos

A maioria dos artistas que eu gosto são independentes: Guadalupe Plata (Espanha), Sarcofagos Blues Duo e Gualicho Turbio (Argentina), La Big Rabia (Chile), Lonesome Shack, Daddy Long Legs, Mr Airplane Man, Soledad Brothers, Flat Duo Jets (EUA), C.W. Stoneking (Australia).

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Aecio de Souza, baterista da Bloodbuzz e dono do Estúdio Aurora

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Aecio de Souza, da Bloodbuzz
Aecio de Souza, da Bloodbuzz

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Aecio de Souza, baterista da Bloodbuzz, produtor da Delyriun e dono/técnico do Estúdio Aurora.

Honey is Cool“Bolero”

“Honey is Cool foi a primeira banda da sueca Karin Dreijer, do finado The Knife (RIP) e Fever Ray. Diferente dos seus projetos eletrônicos, a banda tem aquele som indie/guitar delícia anos 90 e lembra um pouco Belly, mas com a voz inconfundível da Karin. Esse som é do segundo album da banda, o ‘Early Morning Are You Working?’ de 1999”.

Kristeen Young“I’ll Get You Back”

“Kristeen Young é uma cantora e pianista americana muito louca que já gravou com David Bowie e Morrissey (acabei de descobrir que tem voz dela no ‘Heathen’, risos). Ela já veio pro Brasil e abriu pro Morrissey em 2012. Essa música é do EP de 2011, ‘V the Volcanic'”.

iamamiwhoami“o”

iamamiwhoami é o projeto audiovisual eletrônico da cantora sueca Jonna Lee. Diferente da sua carreira anterior de pop music com violão, o projeto começou em 2009 com video teasers que chamaram atenção por não revelar prontamente quem estava por trás da voz e composições, até o lançamento dos primeiros vídeos completos do que viria a ser o segundo disco, ‘bounty’. Esse é o segundo vídeo desse album”.

Sóley“Dreamers”

“Sóley é uma cantora e multiinstrumentista islandesa que lançou seu primeiro EP solo em 2010, chamado Theater Island. O foco no arranjo de piano e voz quase sussurrada da um tom de sonho e viagem pro primeiro disco dela, ‘We Sink’. O som que eu escolhi é do segundo disco, que tem um tom bem mais dark e quase de pesadelo em alguns momentos, ‘Ask the Deep’, de 2015”.

Bat For Lashes“What’s A Girl To Do?”

“Provavelmente a banda mais conhecida da lista, Bat For Lashes é o projeto da cantora, compositora e multiinstrumentista Natasha Khan. Com uma voz poderosa e dinâmica as composições misturam instrumentos incomuns acústicos e sintetizadores, os sons são bem intensos com um pezinho no pop anos 80. A música que escolhi é do segundo disco, ‘Two Suns’, de 2009, e o vídeo ta no clima do Halloween que vem aí!”

Breaking News: 7 clipes de bandas independentes lançados nesta semana que você precisa conhecer

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Banda Maquiladora

Maquiladora“Jack”

Essa semana saiu o clipe do single “Jack”, da banda Maquiladora, de Mogi das Cruzes. A direção do clipe cheio de animações é de Danilo Sevali e o vídeo foi desenvolvido e concebido no estúdio Mestre Felino. Os desenhos são de Helena Duarte.

Death Valley Girls“Disco”

Um clipe da Troma, maior empresa de filmes trash do planeta! O som é “Disco”, das Death Valley Girls. A direção é de Kansas Bowling.

Maneva – “Luz Que Me Traz Paz”

Um clipe viajandão e com um quê ripongo deve ter como cenário que lugar? Exatamente: São Thomé das Letras! O vídeo conta com a atriz Andressa Roeder e um… minotauro? Aliás, um Pé Grande? Yeti? Alucinação cogumelística? Você decide.

Oh! Gunquit “Nomads of the Lost”

Eu não tenho palavras para descrever o quanto gosto do som e do visual retrô festeiro punk new wave do Oh! Gunquit!

The Shrine“Coming Down Quick”

A faixa “Coming Down Quick” faz parte do disco “Rare Breed”, lançado pela Century Media em Records em 2015. O clipe foi dirigido por Coan “Buddy” Nichols e Six Stair. Uma doideira com direito a banheira de sangue, alucinações e muito mais.

Alpaca Sports – “Where’d You Go?”

Para comemorar um ano do lançamento de “When You Need Me The Most”, o mini-LP da banda Alpaca Sports, sai o clipe de “Where’d You Go”, com aquela bela montagem de cenas da estrada durante sua turnê no Japão. A banda promete um novo disco para 2017!

Night Riots“Nothing Personal”

Dirigido por Cameron Alexander, a faixa faz parte do disco de estreia do Night Riots, “Love Gloom”, que sai amanhã. O vocalista é algo como uma mistura de Nicolas Cage com Loki no filme dos Vingadores. Concorda?

Black Cold Bottles, de Carapicuíba, trabalha em “Percept”, seu primeiro disco

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Black Cold Bottles

Jazz, funk, britpop, rock alternativo e muito barulho. “Tente imaginar o som que seria se o Interpol tocasse músicas do Red Hot Chili Peppers e vice-versa”, explica Bruno Carnovale, vocalista e guitarrista do Black Cold Bottles, ao tentar definir o som de sua banda. O quarteto começou em 2006, quando ele conheceu Larissa Lobo (guitarra e vocal) e eles começaram a compor juntos. Com a entrada de Gabriel Brito (baixo) e Caio (bateria), o grupo de Carapicuíba lançou seu primeiro trabalho, o EP “Neander”, em 2011, com 5 faixas que mostram todas as influências da banda.

Depois de um hiato criativo, eles voltaram a trabalhar no primeiro álbum do grupo, “Percept”, a ser lançado ainda este ano. “Tem um universo enorme por trás da decisão por esse nome. Mas musicalmente falando, esse disco é o registro oficial de todas as músicas que compusemos antes do hiato que tivemos – a gente até chegou a chamar essas novas músicas de ‘bastardas’ porque apesar da gente tocar elas nos nossos shows, elas não tinham nenhuma gravação (risos)”.

Conversei com Bruno sobre “Percept”, a carreira da banda, a cena independente brasileira e como o streaming ajuda (ou atrapalha) as bandas do underground:

– Como a banda começou?

A banda começou comigo e com a Larissa. Nós tivemos uma banda antes da Black Cold Bottles, que hoje a gente vê como o neandertal da nossa história musical juntos. Lá em 2010, a gente tentou começar como um duo, mas decidimos conhecer gente nova pra montar, e ai chegaram o Gabriel e o Caio no fim desse mesmo ano, e a gente começou quase que instantaneamente a compor nossas novas musicas.

– E de onde saiu o nome Black Cold Bottles?

Eu tive um insight pro nome da banda, considerando que os quatro gostam muito de cerveja – e também porque nós quisemos fugir daquele padrão pra nomes de bandas que sempre começam com ‘The’. Eu sugeri ‘Black Bottles’ mas não teve tanto appeal quanto eu achei que teria, e a Larissa depois de alguns dias sugeriu ‘Black Cold Bottles’, e os quatro concordaram na hora – e comemoramos com cerveja (risos).

– E eu achando que era de Coca-Cola gelada. E quais são as principais influências musicais da banda?

A gente é uma verdadeira salada musical. O Gabriel vem de uma influência funkadelic anos 80/90, o Caio parece um lorde inglês tocando com influência pura do jazz, e talvez as pessoas mais próximas em questão de influência somos eu e Larissa, trazendo conosco aquele rock mais rasgado e guitarrado. Se eu tivesse que resumir a sonoridade que resulta disso, seria essa: tentar imaginar o som que seria se o Interpol tocasse músicas do Red Hot Chili Peppers e vice-versa.

– E vocês estão produzindo um novo trabalho, certo? Me fala mais sobre ele!

Sim, estamos! Já estamos na fase final de produção e logo logo a gente vai começar a soltar as novidades! Nosso disco vai se chamar Percept” e tem um universo enorme por trás da decisão por esse nome. Mas musicalmente falando, esse disco é o registro oficial de todas as músicas que compusemos antes do hiato que tivemos – a gente até chegou a chamar essas novas músicas de ‘bastardas’ porque apesar da gente tocar elas nos nossos shows, elas não tinham nenhuma gravação (risos). Mas esse é um disco que, pra mim, segue uma ordem lógica pro que foi feito no nosso primeiro EP em 2011, o “Neander”.

Black Cold Bottles

– Me fala um pouco sobre o material que vocês produziram antes desse disco.

Em 2011 nós lançamos o “Neander” (que está disponível para audição em todas as plataformas digitais) na intenção de que ele fosse (e é) nossa ‘pré-história’, na intenção de entendermos o que éramos e qual era nosso propósito musical dentro do que formamos. Então, de certa forma, o som que criamos no “Neander” tem uma aura meio sombria, é um som meio espesso, é cru. No “Neander” são 5 músicas (seriam 6, mas uma delas tava incompleta na época e ficou pra esse disco que vamos lançar agora).

– Você falou que tocam músicas que ainda não tinham sido registradas nos shows. Como vocês veem a vida de artista autoral independente? Como é a reação do público a bandas autorais com sons que nunca foram tocados?

A vida de artista autoral independente é uma constante incógnita. Depende de muitos fatores que não estão necessariamente conectados entre si. Pra gostar do som, depende do humor da pessoa, do estilo da banda, do quão bem eles executam o som, de quão agradável é o som que se ouve… Quando a gente entende essas variáveis, a gente tende a ficar muito mais cuidadoso com o som que produzimos, e acho que isso vai ficar muito bem exposto quando o disco for lançado. E nós temos dois estilos de fazer música misturados: as agitadas e as calminhas. Geralmente nas agitadas, as pessoas dançam ou pulam, nas calminhas eles começam a se beijar ou fazer aquela cara de quem tá entrando em transe, é sensacional.

– Mas você acha que existe uma dificuldade em encontrar lugares que apostem em banda autoral?

Infelizmente ainda existe um certo receio das casas de show em receberem bandas autorais, mas eu acredito que hoje em dia nós estejamos passando por uma fase de transição. De pouquinho em pouquinho, nós temos visto isso acontecer, mas ainda é algo muito intrínseco na cultura musical do Brasil. Hoje em dia se valoriza mais o dinheiro do que a arte em si, mas torço eu pra que essa minha visão de transição esteja certa.

– A queda da indústria musical e o crescimento do streaming foi favorável ou ruim para bandas independentes?

Se a gente olha por um prisma mais distante, foi bom, mas também foi ruim. Porque se por um lado, aquele lance de ter que se mostrar aos grandes mercados acabou, hoje você se vê num grande emaranhado de talentos (que as vezes ficam ofuscados por grandes egos), e de uma certa forma tudo foi descentralizado. É algo bom poder ver que todos estão no mesmo patamar de possibilidades, mas a estrutura de como podemos propagar o som ainda é precária.

– Existe a possibilidade de uma nova “cena” rock se erguer como já ocorreu diversas vezes no passado, com movimentos como o punk e o grunge (e até o emo)?

Existe. Talvez por essa descentralização, não surja um único ícone que represente essa nova cena, mas considerando que o mundo está em constante renovação, a possibilidade de uma nova cena surgir é bem grande (e bem animadora, se considerarmos a mesmice musical que temos vivido, se essa nova cena chegar logo, teremos uma explosão de boas bandas surgindo por ai).

– Como você definiria o som da banda?

Se a gente fosse considerar todas as influências que temos no nosso som, seria um nome gigantesco, rs. Mas se tentar sintetizar tudo num único nome/gênero, eu acredito que seria um rock alternativo que transita entre o jazz e funk.

Black Cold Bottles

– E como é o processo criativo de vocês?

Tudo começa quando nos reunimos no estúdio. As melodias surgem pra nós nos momentos mais imprevisíveis, e acabam se tornando em jam sessions intermináveis. Depois que isso acontece, a gente decide qual letra usar, quem vai querer cantar, como vamos desenvolver, e tentamos deixar as possibilidades abertas quando estamos compondo. A única coisa que nós temos certeza quando estamos criando é que o Caio não vai querer cantar de jeito nenhum (risos).

– Quais os próximos passos da Black Cold Bottles?

A curto prazo, nós vamos lançar o “Percept” e temos algumas ideias pros nossos singles e tudo mais. Quando soltarmos o disco, o plano é pisar na rua e botar o som pra tocar em tudo quanto é lugar. Mas a longo prazo, já temos algumas idéias rolando, já temos algumas músicas novas a caminho, já temos uma idéia do que vamos fazer no próximo disco, mas a intenção nossa agora é mostrar nossa nova criança pro mundo, e quem sabe não vamos mostrar ela em outros países também?

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos

A conterrânea Der Baum foi uma das bandas que mais nos chamaram a atenção nos últimos tempos, mas ainda temos pra indicar a nossa banda irmã Molodoys e seu discasso do ano, a competente Tramp Stamp Moose que tá fazendo um disco primoroso, os rapazes da Forest Crows que tão vindo com uma estética nova pro disco que tão criando, a porrada incrível dos Abacates Valvulados, a lisergia do Chá de Vênus, o poder visceral da Color for Shane, os conhecidos da Sky Down, Def, as meninas cariocas da Jane Lane (que eu infelizmente ainda não consegui ver ao vivo)… tem muita indicação boa, a gente tenta sempre trazer todo mundo com a gente quando vamos montar algum esquema legal.