Em sua estreia, Siba avança e canta nos Balés da Tormenta

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No Walkman, por Luis Bortotti

Hoje, vou fugir um pouco do foco da coluna, que é relembrar discos de rock alternativo (ou semelhantes) da década de 80 e 90, para trazer uma análise sobre o primeiro disco solo de um cara que viveu em muito os anos 90.

Siba lançou Avante em janeiro de 2012. Um fato curioso para alguém com uma carreira tão duradoura, experimental e completa como à do cantor pernambucano. Antes de se arriscar no modelo solo, Siba já havia liderado o Mestre Ambrósio, durante o auge do manguebeat nos anos 90, e elevado o folclore pernambucano ao patamar da música pop dos anos 2000, com Siba e a Fuloresta. Entretanto, antes de “Avante”, Siba sofria de um dilema.

No documentário sobre a composição deste disco, “Siba Nos Balés da Tormenta”, ele justifica que o fato dele ter participado de inúmeros projetos acabou criando modelos dele próprio que já o pressionavam demais, de certo modo característico, e que era a hora dele se reencontrar como artista.

Neste trabalho, que no geral resume e nos apresenta o verdadeiro Siba e toda a sua bagagem musical, ele precisava de um instrumento fixo. Não mais apenas a bela voz rimada ou a rabeca de seus tempos mais novos. Para “Avante”, ele assume o posto de guitarrista, instrumento este o primeiro o qual ele passou a praticar, isso com 14 anos de idade.

Em seu redescobrimento como guitarrista, Siba é capaz de nos levar, com o uso de cordas, do Nordeste brasileiro, com a viola nordestina, até as origens musicais modernas da África, com a sua rítmica guitarra. Com um estilo caranguejo de tocar, com apenas dois dedos, ele cria um mangue de melodias e possibilidades sonoras, passando do folclore até ao mais moderno indie rock.

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Adotar o posto de guitarrista foi complicado, ainda mais em um mundo que havia mudado muito. Mudança muito bem sensibilizada na bela “Ariana”, canção sobre os afegãos pós 11 de setembro. E com essas mudanças misturadas com a busca da definição de uma posição artística, Siba afirma que se perdeu nos processos de criação, mas que aos poucos foi tecendo todos os processos e desenvolvendo a obra que viria a ser Avante.

A sua poesia, tanto metricamente como criativamente inspirada nos mestres de maracatu e repentistas, ganhou novos ares e se modernizou. Talvez, com longo e complicado processo de composição (e redescobrimento), sua poesia se apresentou de uma forma muito mais pessoal e que, em alguns momentos, se apresenta ser muito mais dramática, sarcástica e sombria.

Entretanto, ainda continua com uma beleza suprema. Com uma beleza que apenas Siba é capaz de cantar. Ainda mais com canções que narram toda a trajetória de um dos melhores músicos brasileiros, aqui muito bem casada com o trabalho do produtor Fernando Catatau.

Com uma moderna mistura de danças folclóricas, maracatu e ciranda, e rock alternativo, Siba estreia, de maneira solo, com maestria, poetizando os versos que ele aprendeu a compor nos tempos de manguebeat e das danças em Nazaré da Mata com o seu eu próprio. O resultado é um perfeito álbum de mangue rock.

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SIBA – AVANTE | #temqueouvir

01. Preparando o Salto
02. Brisa
03. Ariana
04. Cantando Ciranda na Beira do Mar
05. A Bagaceira
10. Qasida

SIBA – AVANTE | vídeos

SIBA – AVANTE | #ouçaagora!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Lucas Lerina, baixista da Der Baum

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Lucas Lerina, da Der Baum
Lucas Lerina, da Der Baum

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Lucas Lerina, baixista Der Baum que também tem um projeto solo sob o nome Lerina.

Os Cascavelletes“Cão e Cadela”

“Vou começar minha lista bairrista com um petardo musical. Por mais incongruente que isso soe, Os Cascavelletes moldaram meu caráter em vários aspectos. Se não fosse “Sob um Céu de Blues” talvez hoje eu não fosse músico. Uma banda que tinha na sua formação Flávio Basso (Júpiter Maçã), Frank Jorge, Nei van Sória e Alexandre Barea em plena efervescência não deve ser dissertada e sim aproveitada no volume máximo. ‘Com vocês o maior espetáculo da terra, Os Cascavelletes'”

Identidade“DANCE”

Identidade é uma das bandas que eu mais dancei em shows na minha vida. Sem frescura: riffão, baixão, solo sexy, bateria swingando e o vocal deslizando com muito estilo na melodia, e ao mesmo tempo pegadas punk. Uma banda sensacional. Os caras fizeram uma tour pelo Uruguai, tão confirmados no DoSol e provavelmente ano que vem sai o quinto disco, e eu espero que tenha shows em SP”.

Superguidis“Ainda Sem Nome”

“Constantemente me pego pensando e tento entender como uma banda como a Superguidis não estourou e ficou milionária. Uma banda com muito estilo, letras bem sacadas e melodias sensacionais, que simplesmente não vingou (como muita coisa boa no Brasil). Uma banda sem explicação. Eu posso dizer que é uma mistura de grunge com afinações Soniyouthicas, com pitadas de Foo Fighters, em uma panela de pressão quase explodindo. Mas é muito mais que isso. Sou apaixonado mesmo. Mesmo que o Andrio não suporte linhas de baixo que não sejam retas, eu não tenho como ficar bravo, SUPERGUIDIS É FODA! ‘Já dizia um amigo meu besteira é coisa séria e é preciso com ela filosofar!'”

Cartolas“Um Segundo”

“‘Um Segundo’ é uma música do penúltimo disco dos Cartolas, que também continua na ativa e nos deliciando com belas canções. Eles lançaram à pouco tempo atrás o quarto disco da banda chamado “IV”, com “canções que falam de relacionamentos”. Uma banda mais pop/Indie com riffs marcantes, que poderia muito bem estar nos line ups dos Loolapaloozas da vida. Os caras estão em tour pelo Brasil com o novo disco, e fizeram alguns shows em SP e também deram uma volta pelo Uruguai. Ouva-lá”.

Pública“Casa Abandonada”

‘Casa Abandonada’ faz parte do disco que eu considero o melhor disco brasileiro dos anos 00′. “Como Num Filme Sem Um Fim” é uma obra de arte. Eu poderia citar qualquer música desse disco, mas escolhi essa pelo clipe, mas fica a dica pra quem quiser: ouçam esse disco!”

Breaking News: 8 clipes independentes lançados esta semana que você precisa assistir

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Lisbela
Lisbela

Phantom Powers“Through The Evil Way”

O novo clipe do Phantom Powers conta com a atuação de Linda Pavore, Tio Vico e Ray-Z em um vídeo muito bem produzido da faixa “Through The Evil Way”.

Não Há Mais Volta“Falsas Promessas”

A animação toma conta do clipe de “Falsas Promessas”, dirigido por Fernando LambRenato Pocinho. A música critica a política e toda a bagunça que está acontecendo por aí.

Lazywall“Invincible”

A banda do Marrocos ganhou um lindo clipe em homenagem aos clássicos games dos anos 80. A direção do clipe é da própria banda.

Dance Gavin Dance“Young Robot”

Outra animação nos videoclipes da semana. Com belos desenhos, a faixa fará parte do novo disco do Dance Gavin Dance, “Mothership”, a ser lançado no dia 7 de outubro.

Maritime“Roaming Empire”

O novo disco do Maritime“Magnetic Bodies/Maps of Bones”, foi lançado pela Dangerbird Records e a faixa “Roaming Empire” ganhou um belo clipe nesta semana:

Lisbela“Luz”

O quinteto carioca Lisbela lançou esta semana seu primeiro clipe oficial: “Luz”, faixa do disco “Saudade Que Não Vai Embora”, de 2014, e mostra a banda contracenando com uma bailarina em cima de uma temática monocromática, com uma única luz.

Neiva“Death (or Why Won’t You Take Care Of Me If I’ve Just Asked You To)”

“Death (or Why Won’t You Take Care Of Me If I’ve Just Asked You To)” faz parte do EP “MEAT (this is
not what you think it is)”, de 2014. O clipe foi realizado pelo videomaker Capitão Ahab, assinatura do sergipano Vitor Daniel.

Bian“Move On”

O segundo videoclipe de Bian, “Move On”, faz parte do álbum de estreia da cantora, com
previsão de lançamento ainda este ano, pelo selo Gomus Music. O vídeo foi gravado em um estacionamento deserto do Rio. “Mais do que um clipe da causa gay, é uma história de amor,
com duas meninas vivendo a sua sexualidade de maneira empoderada”, explica Bian. “O lyric clipe não conta uma história, quis mostrar apenas duas meninas vivendo sua sexualidade de forma natural, mas também fiz questão de que não fosse algo hipersexualizado, pelo contrário, é lúdico, bonito. Uma história de amor. Nós, lésbicas, temos poucas visibilidade e representatividade, é importante fazer clipes que ajudem a mudar isso”, explica. “A letra fala sobre duas pessoas que se amam, mas que não sabem se vão ficar juntas”. O vídeo foi dirigido pela dupla Neno e Fábio Santos.

O ensurdecedor e dançante som cheio de fuzz do Los Vigilantes, de Porto Rico

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Los Vigilantes

Formada por Javier Garrote (baixo e voz), Pepe Carballido (guitarra e voz), Jota Mundo (guitarra e voz), Rafael Díaz (bateria e voz) e Ricardo Vilaro (o quinto Vigilante!), Los Vigilantes é uma das bandas mais expressivas da cena garage/power pop de Porto Rico. Misturando a energia do punk com melodias dançantes e sons do garage rock dos anos 1960, o quarteto já lançou dois discos: “Al Fin”, pelo selo Chacho Records, do México e o LP homônimo pela Slovenly Recordings (dos EUA), além de vários singles por selos como a Norton Records, também dos EUA.

Em abril deste ano o Los Vigilantes lançou pela Mandinga Records o compacto 7” “Viento, Sereno y el Mar”. O EP contém quatro musicas e mostra a facilidade que a banda tem em construir vocais grudentos, como a faixa título “Viento, Sereno y El Mar” – que nos remete às praias de San Juan e ao verão porto-riquenho. “Wakao Ayako”, a segunda experiência da banda com o idioma japonês, faz uma homenagem a atriz nipônica que leva o nome da música. O EP conta ainda com a faixa “Mejor”, um cover do grupo espanhol Los Brincos, que chamou atenção nos anos 1960 e foi comparado a grupos da invasão britânica que aconteceu na época.

Conversei com Jota sobre a carreira da banda, suas influências, rock em espanhol e muito mais:

– Como a banda começou?

A banda começou em Nova York em 2007, estávamos todos estudando lá no momento. Eu já era amigo do Pepe faz anos em Porto Rico e me mudei para o apartamento de Rafa quando eu cheguei em NY. Cerca de um ano mais tarde, Javi, que também era amigo de Pepe, chegou a NY e começamos a tocar por diversão. Quando começamos a descobrir bandas como Los Monjes, Los Saicos e Los Yaki queríamos fazer algo assim, mas mais moderno. Uma coisa levou à outra e aqui estamos.

– Como surgiu o nome da banda?

Nós gostamos de quadrinhos.

– Quais as suas principais influências musicais?

Nós temos diferentes influências. Javi gosta de um monte de bandass da Movida Madrileña na década de 80 e do punk espanhol. Pepe é mais pop e ele gosta de Madonna, Cher e coisas assim. Rafa gosta de funk e vem de um fundo hardcore punk. Eu gosto de tudo, blues, metal, jazz, punk. Se é bom, é bom. Eu diria que as áreas onde todos nós nos encontramos são rock sul-americano dos anos 60, Beach Boys, Ramones, etc…

– Conte mais sobre o material que vocês já lançaram.

Bem, até agora temos 2 singles e um LP pela Slovenly Records, o “Al Fin LP” que foi lançado em um esforço conjunto pela Chacho e Warevel Socio, ambos de Porto Rico, e o novo EP, pela Mandinga Records do Brasil. Gostamos da ideia de lançar discos por todos países quanto é possível, é tudo uma comunidade rock and roll de qualquer maneira.

– Como você definiria seu som?

Somos uma banda de rock and roll.

– Como é o seu processo de composição?

Todos na banda escrevem. Às vezes temos canções inteiras como “Nunca Sabras”, “Viento, Sereno y El Mar” ou “Un Día Nada Más” e apenas vamos gravar, adicionamos algumas coisas e está feito. Essas foram todas escritas por pessoas diferentes. Outras vezes, alguém tem um riff ou uma melodia, gravamos isso e as letras são escritas mais tarde. Varia.

Los Vigilantes

– Por que vocês acham que canções em espanhol não tem tanta penetração nos ouvidos brasileiros?

Eu não sei dizer. Isso não tem sido a minha experiência no Brasil, ou em qualquer lugar no mundo. Se as pessoas gostam da música, e ela mexe com você, o idioma não importa realmente.

– Como você vê os serviços de streaming e como isso mudou o mundo musical?

Eles são uma ferramenta. Como todas as ferramentas, pode ser bom e ruim. Eu acho que certamente ajudou a distribuir mais música do que jamais foi possível e isso é uma grande coisa. Especialmente para artistas independentes. Mas isso também fez com que o público não apreciasse tanto o conceito de álbum, de tudo como um todo. Além disso, o sistema de pagamento para streaming é terrível.

– Como é ser uma banda independente em 2016?

É libertador, mas é preciso muito trabalho. Você tem total liberdade criativa, o que para qualquer músico não tem preço. Mas isso também significa que você tem que fazer um monte de coisas que bandas grandes não tinham que fazer antes. Você tem que se preocupar com tudo, marcar shows, promoção, arte, tudo está em suas mãos. Pode ser estafante às vezes, mas você se acostuma.

Los Vigilantes

– Quais são os próximos passos da banda?

Estamos planejando uma pequena turnê pela Costa Rica e Colômbia em novembro deste ano. Depois voltaremos para o estúdio para gravar algumas novas faixas. Manter a bola rolando.

– Recomendem bandas e artistas (especialmente independentes!) Que chamaram sua atenção ultimamente.

Re-Animadores, Campo Formio, Fantasmes, La Maquinaria de Tortura, EspaZmos, Fofe y los Fetiches, Juventud Crasa… Estas são apenas algumas das bandas em Porto Rico agora, todos deviam ouvi-los. Há de tudo, do psych ao punk hardcore.

Serapicos chega com letras sarcásticas e ácidas nos 120 minutos de “17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”

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Serapicos
Foto de André Fontes

O primeiro disco da banda Serapicos“17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”, foi escrito e produzido pelo cantor e compositor Gabriel Serapicos e mistura, segundo eles, “letras filosóficas, sarcásticas, niilistas, eróticas, cinematográficas e messiânicas com blues cigano, samba boêmio, jazz swing, rock anos-60 e harmonias de voz”. Além disso, o álbum dos paulistanos foge das obras curtas e EPs que estão em alta, contando com 26 música em aproximadamente 120 minutos de música em português. Gabriel explica: “17 foi o primeiro esboço do disco e é um número primo indivisível. Conforme o processo de gravação avançou, mais músicas surgiram, porém, já estávamos apegados ao nome”. O trabalho foi produzido ao longo de 2 anos, mixado por Zeca Leme e masterizado por Arthur Joly.

Além de Gabriel Serapicos e Victória Vaz nas vozes, o Serapicos é também formado por Pedro Serapicos no baixo (“e aconselhamentos espirituais”), Matheus Souza na bateria e Caio Nazaro nas guitarras. Com influências de nomes esquizos e geniais da música brasileira como Júpiter Maçã, Rogério Skylab e André Abujamra, a banda mostra toda sua força em “Buscopan”, um dos pontos altos do disco, com uma visão sombria e dançante do universo dos jingles farmacêuticos, “Eu Escolhi Esperar”, com uma pegada oitentista, que fala sobre abstinência sexual pré-matrimônio, e “Mulher-Bomba”, um trip-hop com participação de Luiza Pereira, da Inky, na voz principal.

 

Conversei com Gabriel sobre a banda, o disco e suas letras em português, discos longos e o papel das redes sociais na vida de um artista independente nos últimos tempos:

– Como este projeto começou?

O projeto começou com eu gravando minhas músicas num gravador de fita cassete em 2004. Desde então, fiquei meio obcecado por esse lance de compor, escrever letra e gravar. O Pedro Serapicos, então bebê, acompanhou todo esse processo de perto. A experiência de tocar ao vivo veio mais tarde, lançando o primeiro disco, Serapicos is a town. Nesse recrutamento para formar a banda no palco conhecemos o Matheus, mais tarde a Victória e o Caio.

– De onde surgiu o nome Serapicos?

Serapicos é um nome grego de um vilarejo em Portugal. Provavelmente, alguma família grega recém-convertida fugiu de alguma perseguição religiosa para terras portuguesas em tempos medievais. Mas como disse Bruce Willis em “Pulp Fiction”: nomes não significam nada na América.

– Me conte um pouco mais sobre “17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”. De onde surgiu a ideia de criar um disco com tantas faixas em um momento em que o single e o EP são mais valorizados que uma obra extensa?

Esse álbum é uma coleção de canções que escrevi entre o fim de 2013 e 2014. Foi o período que decidi de uma vez mudar as letras do inglês para o português. Escrevi quase todas essas músicas numa leva, embora muitas melodias já habitassem meu inconsciente ou a memória do meu celular há algum tempo. O número de músicas tomou proporções bíblicas durante o processo e resolvi lançar um álbum com 26 músicas mesmo. Não é um disco para ouvir-se numa sentada. É pra ouvir em duas sentadas. Tipo os filmes clássicos como “E O Vento Levou” e “Lawrance das Arábias” que tinham 4, 5 horas e rolava um interlúdio no intervalo. As pessoas saíam para conversar e uma banda tocava no hall. O disco é uma viagem pelos mundos personagens que habitam a minha cabeça, coloridos pelas lindas intervenções musicais da Victória, Pedro, Matheus e Caio. É um álbum cheio de assunto, de referências e provocações.

Serapicos

– Quais as suas principais influências musicais?

Cresci ouvindo bandas de punk rock, como Green Day e The Clash. Aos poucos fui sofisticando meu gosto para canções ouvindo The Beatles e assistindo Noviça Rebelde”. Gosto muito de uma banda chamada The Magnetic Fields, que tem letras fenomenais. Ouvir música clássica e jazz também ampliou muito minha concepção de harmonia e forma musical. Resumindo: Tento me influenciar por tudo que ouço, pode ser a música de um comercial de absorvente ou o hino nacional da Eslováquia, pois existe beleza em tudo, já que o feio também é bonito.

– Qual a sua opinião sobre a cena independente brasileira hoje em dia?

Só consigo falar sobre a cena independente de hoje em dia já que sou bem jovem, digo não sou velho. Tenho 26 anos e isso não é velho. A cena é muito legal, tem muita gente criativa se auto-lançando e é bem interessante acompanhar o desenvolvimento de artistas que você acaba se tornando amigo.

– A internet, as redes sociais e os serviços de streaming são heróis ou vilões para a música independente?

Nem heróis, nem violões. É o que temos para hoje. Tornou-se muito mais fácil lançar-se como artista independente mas a porcentagem de grana paga por um play online é muito menor do que o que era paga pela venda de um CD.

– Porque fazer letras em português é importante?

Acho que sua língua materna sempre vem de um lugar mais primitivo, carnal, intestinal do que uma língua que você desenvolve posteriormente. Falar palavrão numa outra língua não tem o mesmo efeito emocional. E minhas letras tratam de personagens em estados muito confessionais, dizendo coisas muito intimas. As letras soam mais fortes e mais reais em português.

Serapicos

– Quais os próximos passos da Serapicos?

Queremos entrar no Disk MTV. Ainda rola isso? (risos). Vamos promover o álbum, fazer mais shows, lançar várias músicas ao vivo e um ou outro clipe. Já tenho dois outros discos engatilhados.

– Recomendem bandas e artistas independentes que você ouviu nos últimos tempos e chamaram sua atenção.

André Whoong é um ótimo compositor que está lançando um trabalho bem interessante. E Renato Pegasus. Guardem esse nome.

Otto inaugurou a conexão Recife-Espaço Sideral com seu álbum de estreia, “Samba Pra Burro”

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No Walkman, por Luis Bortotti

Otto caminha em direção a câmera por um calçadão de Copacabana dos anos 70 desfocado e em retrocesso. Otto é o único que caminha para frente. E então, temos uma ciranda na praia, cheia de pessoas das mais diversas tribos. A mensagem diz: o Recife é a cidade que vai fazer a cultura do país andar para frente. A nova praia é aqui, o Recife. E olhe ao seu redor o quanto de cultura nós temos para oferecer.

Este foi o cenário musical do país a partir de 1994 com a proliferação do movimento manguebeat. Entretanto, a imagem citada acima é o início do videoclipe de “Bob”, do cantor e percussionista pernambucano Otto, o primeiro do seu álbum de estreia, “Samba Pra Burro”, de 1998.

Um ano se passou da precoce morte de Chico Science e os manguezais do Recife ainda estavam começando a borbulhar. E Otto é um músico que acompanhou desde o início a cena musical do Recife e tudo o que aprendeu e ajudou a criar está presente neste disco.

Fugindo um pouco da sonoridade padrão dos trabalhos por que passou, Nação Zumbi e Mundo Livre S.A., Otto mergulha até a raiz da música eletrônica e cria uma harmônica mistura de folclore e drum’n’bass, criando versões espaciais de maracatu, samba e ciranda.

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O álbum foi muito bem aceito e sua primeira faixa, “Bob” (um dueto com Bebel Gilberto), explodiu comercialmente. Otto agora também era mangue. E também colocaria “TV a Cabo/O Que Dá Lá É Lama” e “Café Preto” nas paradas nacionais e internacionais.

A obra, toda composta com o magnífico trabalho de parceria entre Otto e o produtor Apollo 9, é uma viagem eletrônica por ritmos brasileiros e fases da vida do cantor, passando pelos versos eternizados por Chico Science, em “Bob”, e chegando às origens africanas do Brasil em duas músicas cantadas em francês (Otto morou 2 anos na França), “Low” e “Change tout”, que formam uma incrível lama melódica.

Otto canta o Recife, São Paulo, Paris. Ao mesmo tempo em que toca África, Brasil, Vênus. Com letras que caminham descalças pelos lugares de sua vida, Otto mostra a situação social do país em sua época, através de cenas, fatos e narrações de uma vida simples e cotidiana brasileira que aos poucos ganha injeções das tecnologias dos anos 2000 (TVs a cabo, celulares). E o estilo musical acompanha com perfeição essa temática.

Nota máxima para a estreia de Otto. “Samba pra Burro” é uma obra-prima recente da MPB e conseguiu, com incríveis sentimentos, levar para o espaço sideral a conectividade da cultura do Recife.

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Otto – Samba Pra Burro | #temqueouvir!

01. “Bob”
03. “TV a Cabo/O Que Dá Lá É Lama”
04. “Renault/Peugeot”
07. “Café Preto”
08. “Ciranda de Maluco”
11. “O Celular de Naná”

Otto – Samba Pra Burro | #singles

Otto“Bob”

Otto“TV a Cabo”

Otto – Samba Pra Burro | #ouçaagora!

Breaking News: 9 clipes de artistas independentes lançados nesta semana que você precisa conhecer

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Murilo Sá
Murilo Sá

Murilo Sá & Grande Elenco“Modo Automático”

Clipe de Felipe Milward filmado em São Paulo, a faixa abre o disco “Durango!”, lançado em setembro.

Jonathan Tadeu“La Greppia”

Este vídeo foi produzido com alguns dos artistas integrantes da Geração Perdida, movimento coletivo de algumas bandas em Belo Horizonte, Minas Gerais. Gravado ao vivo no Topo do Mundo.

Truckfighters“Hawkshaw”

Belo clipe de animação da faixa tirada do disco “V”, que será lançado no dia 30 de setembro.

T-Rextasy“Gap Yr Boiz”

Tirada do primeiro disco do T-Rextasy,  “Jurassic Punk”, lançado pela Miscreant RecordsFather Daughter Records.

The Meanies“You Know The Drill”

Mais uma animação! Clipe dirigido e criado por Chris Debonno (Riff Bear Productions).

Weekend Recovery“Focus”

A banda de Kent, nos Estados Unidos, lança o clipe da faixa de seu EP “Rumours”, gravado e produzido por Dan Lucas da Anchor Baby Recording Company. A direção é de Raphael Klatzo.

So Pitted“woe”

“woe” faz parte do disco “neo” e ganhou um clipe com toda a doideira noventista que tem direito.

TV Haze“Laundry Day”

Um clipe que mostra um dia comum dirigido por Chris Debonno (Riff Bear Productions). A faixa faz parte do primeiro álbum do TV Haze:

Nasty Bunch of Bitches“Smack”

A banda de Denver, Colorado, ganhou um belo clipe em P&B dirigido por Lola Marie com muita criatividade e pouco orçamento.

Os Estilhaços trazem toda a força e o fuzz do garage rock sessentista à tona

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Os Estilhaços

Saídos diretamente das garagens da Zona Leste de São Paulo, Os Estilhaços possuem a psicodelia cheia de fuzz do garage rock dos anos 60 correndo nas veias. Formada por Caio Sérgio (ex-Haxixins) (vocal/guitarra), Paulo Nobre (baixo), Alexandre Xéu (ex-Panoramas) (bateria) e Cristina Alves (órgão), a banda atesta em seu soundcloud o poder da sonoridade sessentista registrada com o equipamento analógico e o toque do produtor Jonas Morbach (The Blackneedles/Berlin Estúdio).

Após algum tempo de estrada, o quarteto agora está lapidando as músicas que farão parte de seu primeiro disco. “Os planos são de gravar algumas até o final deste ano, juntar com as outras que já temos gravadas e lançar um LP no próximo ano. Estando com o disco pronto, aí é tentar organizar uma turnê (possivelmente na Europa, onde a cena 60s é mais sólida) para divulgar o álbum”, contam.

Conversei com a banda sobre seu trabalho, a retomada da psicodelia (ou a permanência dela), a internet como meio de apoio a bandas independentes e mais:

– Como a banda começou?

Podemos dizer que a formação da banda se deu em três momentos. O Alexandre Xéu e o Paulo Nobre já se conheciam e inclusive até já haviam tocado juntos em outras bandas anteriormente. Enquanto isso, o Caio Sérgio (que tocou com Os Haxixins) foi convidado pelo Felipe Caponne para tentarem fazer um som, desenvolver algumas ideias. Como os quatro se conheciam, já era todo mundo amigo, nos juntamos e montamos a primeira formação da banda. Como a ideia sempre foi a de ter um órgão agregando na sonoridade, algum tempo depois convidamos a Cristina Alves, que acabou aceitando o convite. Com a saída do Felipe, atualmente permanecemos como quarteto.

– De onde surgiu o nome Os Estilhaços?

A banda chegou a ter alguns outros nomes provisórios antes, mas um dia, tendo em vista que faríamos o primeiro show com a nova formação (que incluía o órgão), era preciso escolher um nome definitivo, que acabou ficando “Os Estilhaços”, por conta da última frase da letra da nossa música “Atemporal” (“Os sons se fazem em estilhaços”). Então foi uma questão de necessidade mesmo (risos)…

– Me falem um pouco mais sobre o material que já lançaram.

Atualmente a banda possui algumas músicas oficialmente gravadas desde 2014 (que disponibilizamos em plataformas como o Soundcloud, etc.), e que sairiam em forma de compacto duplo. Porém, como a gente vem criando coisas novas, mais músicas e a ideia é gravá-las ainda este ano, queremos lançar um LP (mesmo que seja de maneira independente) ano que vem.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Nossas influências são basicamente de bandas 60s de garage como o 13th Floor Elevators, Music Machine, The Seeds, Count Five, e também as nacionais como Os Baobás, Os Beatniks, The Galaxies, etc., Mas isso de modo geral, pois cada integrante tem suas influências particulares. O Alexandre ouviu muito Fuzztones, que é um garage 80s; o Paulo curte umas paradas de mod jazz; Caio conhece bastante de raridades nacionais e a Cris gosta até de uns sons 60s da Grécia, por exemplo.

Os Estilhaços

– A psicodelia está voltando? A música é cíclica, e estamos de volta a um tempo de psicodelia em alta no som?

Na nossa opinião, a psicodelia nunca deixou de existir na verdade e, portanto, não tem muito o porquê de falar em uma volta. Seja com bandas conhecidas ou não, a psicodelia é uma referência que surgiu na década de 60, mas que percorre também as décadas seguintes, de forma mais, ou menos evidente. Talvez no momento ela realmente esteja em alta, já que várias bandas atuais transitam por ela de diversas maneiras. No nosso caso, já é algo intrínseco à proposta de som que fazemos.

– Como vocês avaliariam a cena independente paulistana? As casas de show ajudam a firmar a cena das bandas autorais independentes?

Atualmente, a cena independente paulistana anda muito difícil, especialmente para bandas autorais que fazem um som mais underground. São pouquíssimas as casas que dão oportunidade e, das que dão, a maioria não pensa numa valorização do trabalho da banda. Falta um mínimo de comprometimento, seja em oferecer um equipamento de som decente, pagar um cachê justo (isso quando pagam) e acaba parecendo que os músicos estão ali fazendo um favor. Bandas boas existem muitas, o que tem faltado é espaço, mesmo numa cidade enorme como São Paulo.

– Vejo que vocês usam bastante a internet para divulgar a banda. Acreditam que ela auxilia a vida do artista independente?

Sem dúvida a internet auxilia demais. Sem ela, seria muito mais difícil para as bandas alcançarem o público que se atinge hoje em dia. Já teve podcast na França tocando nosso som, por exemplo, algo praticamente inimaginável se não fosse a internet. Outro exemplo são Os Haxixins, que foram “descobertos” na Europa em tempos de MySpace. Acreditamos que toda ferramenta que possa auxiliar a banda a levar seu trabalho mais longe é muito válida.

Os Estilhaços

– Quais os próximos passos da banda?

Como comentamos antes, estamos em uma fase de criação, trabalhando em músicas novas. Os planos são de gravar algumas até o final deste ano, juntar com as outras que já temos gravadas e lançar um LP no próximo ano. Estando com o disco pronto, aí é tentar organizar uma turnê (possivelmente na Europa, onde a cena 60s é mais sólida) para divulgar o álbum.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Algumas bandas atuais (nem tão novidades assim) que nos chamam a atenção e temos acompanhado são o Mystic Braves, Messer Chups, o próprio Tame Impala, Vintage Trouble… No mais, sempre acompanhamos as bandas independentes do pessoal aqui da zona leste e dos amigos que estão fazendo um trabalho autoral bacana como Os Skywalkers, o Continental Combo, Os Tulipas Negras e mais um monte…

Canções inspiradas pelo mundo incrível das histórias em quadrinhos

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Sinestesia, por Rafael Chiocarello

Quadrinhos colecionáveis possuem versões raras e uma legião de fãs. A Comic Con de San Diego (Califórnia) é uma das feiras mais famosas do mundo. Por aqui temos a versão brasileira e eventos que também dão espaço para a cultura geek (Fest Comix, Bienal de Quadrinhos, Festival Guia de Quadrinhos, Bienal do Livro…), além das livrarias, sebos e eventos especializados de menor escala.

Uma paixão sem limites e os épicos personagem e super heróis estão na linha de frente dos preferidos da galera. Não é por acaso que tamanha obsessão chegasse ao mundo da música. Afinal de contas, as artes sempre se complementam. Hoje conheceremos algumas canções que mergulharam nas páginas das HQ’s mais populares do mundo. Marvel ou DC? Bom, essa treta deixamos para vocês decidirem o lado da força que mais lhe agrada…

butcher-batman
O designer brasileiro Butcher Billy costuma fazer crossovers entre músicas e o universo dos quadrinhos

Batman Nã Nã Nã Nã Nã!

O Rancid pode não ser uma das primeiras bandas que pensaríamos no universo geek, mas em 1994, no lançamento do Let’s Go” – álbum que tem “Radio”, composição feita pelo vocalista Tim com Billie Joe (Green Day) – temos “Sidekick”.

Na letra, Tim Armstrong se auto-intitula Tim Drake e tem o papel de mostrar personagens secundários dos HQ’s. No caso o exemplo de Robin, fiel escudeiro de Batman sempre à margem de colher os louros. Outro citado na letra é Wolverine.

Um dos álbuns mais clássicos do The Jam, In The City” (1977), traz “Batman Theme”. Sim, literalmente o tema da saga em uma versão mod rock revival com pézinho na simplicidade do punk rock 77. Paul Weller dá todo um tom vintage ao clássico tema da saga do morcego.

O The Who, em 1966, também deixou seu registro, porém com uma linha mais  lisérgica e cheia de enfoque na bateria energética. Uma versão com um ar de surf rock e garagem um tanto quanto interessante.

Mas a minha versão favorita do clássico sempre será essa pérola gravada por um baita guitarrista, diga-se de passagem. Em 1989, a lenda Link Wray também quis deixar sua versão instrumental e dançante para o hit mais famoso de Gotham City.

Mas quem levou Batman para as pistas de dança foi Prince, com classe, funk e ousadia como sempre fez. A canção “Batdance” foi feita especialmente para o filme da saga de 1989. As guitarradas são um show a parte, com grooves e solos vibrantes.

Em 2002, Snoop Dogg se aventurou a homenagear o homem morcego. Só que dessa vez ele não deixou o Robin de lado e ao lado de Lady Of Rage Rbx fez uma versão mega original com rimas de tirarem o fôlego.

“No one, can save the day like Batman
Robin, will make you sway like that and
Beat for beat, rhyme for rhyme
Deep in Gotham, fightin crime
No one, can save the day like Batman”

Ainda no mundo do rap, Bow Wow em 2011 fez uma versão hip hop e agressiva para Batman. Com uma versão cheia de escárnio e quebrando toda a áurea celestial que o herói tem, os Garotos Podres vem para tirar a máscara de Bruce Wayne com sua releitura sarcástica de “Batman”.

“Hey seus bat palhaços, quem de vocês
Ainda não se lembra daquele idiota bat programa,
Que passava naquele imbecil bat canal,
Naquele cretino bat horário?

Há! velhos tempos, hein.
Quantas belas vomitadas nós dávamos quando assistíamos toda aquela idiotice,
Por isso agora escrachamos aquele bat retardado
Defensor do sistema, Batman!

Bat era um bom menino
Defendia Gotham City
Enquanto seu amigo Robin
Lhes botava um bat-chifre…”

De tanto fãs de Batman alimentarem que “I Started a Joke” dos Bee Gees ter referências a um dos maiores vilões da história em quadrinhos, as pessoas chegaram a acreditar que se tratava de uma letra homenageando o Coringa, um dos antagonistas mais queridos da história do cinema. Claro que a equipe do Esquadrão Suicida estava ciente de tal “menção” e em um dos 5000 trailers que soltaram antes do filme – o primeiro deles – contava com uma regravação de Becky Hanson.

Spider Man, Spider Man!

dance

O Homem-Aranha é um dos mais carismáticos quadrinhos da Marvel e um dos super heróis mais conhecidos. A lenda de Peter Parker ganha terreno no mundo da música até nos dias mais atuais.

É o caso do Black Lips, que em 2011 chegou com “Spidey’s Curse” no disco Arabia Mountain”, um blues garageiro moderno cheio de referências ao personagem por trás da roupa vermelha.

“Peter Parker’s life is so much darker than the book I read
‘Cause he was defenseless, so defenseless when he was a kid
It’s your body, no one’s body, but your’s anyways
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!
Don’t fill a spider up with dread

Spidey’s got powers, he takes all of the cowards
And he kills them dead
But when he was younger, an elder among him messed him in the head
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!”

Claro que nessa lista o clássico dos clássicos dos sons inspirados em quadrinhos não ia faltar. A versão dos Ramones para o tema de Spider-Man não poderia ficar de fora de maneira alguma, esta que foi gravada quase no fim da carreira da “Happy Family”, em 1995.

Uma das bandas que marcaram o movimento noventista das riot girls, Veruca Salt tem uma canção com referências ao Homem-Aranha, “Spiderman 79”.

“You’re so nice,
you tie me in a web
and cradle me till dawn.
You’re so deadly
that I can see your breath
beneath me when you’re gone.
You’re so windy,
I’d like to pin you down
and tack you to the wall.
Spiderman”

SUPERMAN!!

super-man

Se tem um personagem que é amado e odiado por muita gente é o Superman. Gostando ou não, ele é um dos mais marcantes e perde seu poder com a terrível kryptonita. É não deve ser fácil defender o sua por trás de sua capa.

Uma canção que cita a capacidade de voar do super herói é “Hit The Ground (Superman)” do The Big Pink. A canção está presente no álbum Future This” (2011) e inclusive estrelou a trilha de uma das edições dos jogos FIFA.

“…But if I fall off this cloud
If I fall off, oh superman
Oh Superman
I don’t wanna hit the ground (X3)
Oh Superman”

Outra canção que fala do super herói e marcou a geração viciada em vídeo games de console foi “Superman” dos ska/punkers do Goldfinger. Presente na primeira edição do jogo Tony Hawk’s Pro Skater, a canção fazia qualquer um terminar a fase do jogo se sentindo o verdadeiro Super Man!

“…So here I am
Doing everything I can
Holding on to what I am
Pretending I’m a Superman
I’m trying to keep
The ground on my feet
It seems the world’s
Falling down around me”

Os estranhões mais queridos do rock alternativo, The Flaming Lips, também prestam homenagem ao personagem na melancólica “Waitin’ For Superman” presente no álbum The Soft Bulletin” (1999).

“…Tell everybody
Waitin’ for Superman
That they should try to
Hold on
Best they can
He hasn’t dropped them
Forgot them
Or anything
It’s just too heavy for Superman to lift
Is it gettin’ heavy?
Well, I thought it was already as heavy as can be”

Em 1977, quem cedeu a voz para homenagear o homem voador foi Barba Streisand na bela “Superman”. O vozeirão transformou a odisseia do super herói em uma balada desesperada. A metáfora do herói de plano de fundo para uma paixão ardente.

“Baby I can fly like a bird
When you touch me with your eyes
Flying through the sky
I’ve never felt the same
But I am not a bird and I am not a plane
I’m superman
When you love me it’s easy
I can do almost anything
Watch me turn around, one wing up and one wing down
I never thought I could fall in love for good
I’m superman…”

Os anos 90 nos apresentaram o Spin Doctors e em 1993 eles lançaram “Jimmy Olsen Blues” que tinha como plano de fundo o universo do Homem de Aço.

“Lois Lane please put me in your plan
Yeah, Lois Lane you don’t need no Superman
Come on downtown and stay with me tonight
I got a pocket full of kryptonite
He’s leaping buildings in a single bound
I’m reading Shakespeare in my place downtown
Come on downtown and make love to me”

Existem homenagens interessantes ao azulão pelo Stereophonics, Taylor Swift, Eminem, 3 Doors Down, T. Pain, Alanis Morissete, Hank Williams Jr e até do Matchbox Twenty, mas para fechar as canções que homenageam o super herói eu escolhi o The Kinks. No fim dos anos 70 eles gravaram “(Wish I Could Fly Like) Superman” para o disco Low Budget” (1979).

Quadrinhos e Desenhos

bat

Debbie Harry e o grupo pop Aqua optaram por não darem nomes aos homenageados em fizeram homenagens um pouco mais genéricas. A estrela do Blondie vem com “Comic Books” onde eterniza sua paixão pelo mundo dos quadrinhos e sua adolescência. Já grupo de europop Aqua (sim, aqueles mesmos de “Barbie Girl”) são mais claros quando o assunto são “Cartoon Heroes” (1999).

“Long before I was 12 I would read by myself.
Archie, Josie, super-heroes.
I would read them by myself.
I had the stars on my wall.

14 was a gas for me.
Batman on tv.
I would cheer the super-heroes.
They were all I wanted to be.
I had the stars on my wall.

18 I was guaranteed.
I would lose my teenage dream.
But it’s so funny how I got to look.
Like all the people in my comic books.
Now I’m a star on my wall.

Comic books.”

“…We are the Cartoon Heroes – oh-oh-oh
We are the ones who’re gonna last forever
We came out of a crazy mind – oh-oh-oh
And walked out on a piece of paper

Here comes Spiderman, arachnophobian
Welcome to the toon town party
Here comes Superman, from never-neverland
Welcome to the toon town party

We learned to run at speed of light
And to fall down from any height
It’s true, but just remember that
What we do is what you just can’t do

And all the worlds of craziness
A bunch of stars that’s chasing us
Frame by frame, to the extreme
One by one, we’re makin’ it fun”

Flaaaaaash!

flash

The Flash, o personagem que gostaríamos de ver competindo com Bolt também foi alvo de homenagens no mundo da música. “The Ballad of Barry Allen” (2003) do Jim’s Big Ego narra a trajetória da persona que dá vida ao Flash, Barry Allen.

“….And I’ll be there before you know it
I’ll be gone before you see me
And do you think you can imagine
Anything so lonely
And I know you’d really like me
But I never stick around
Because time keeps dragging on
And on…”

Capitão América

O herói mais patriota da história dos quadrinhos, Capitão América, não ia ficar fora das referências. Na canção do Moe. “Captain America” também tem homenagem ao Superman.

“Captain America said you gotta be like me
Or you’re gonna wind up dead last
At the end of your rope
Flat broke
Down and tired
You sleepy head
Won’t you go to bed
Let me run your life
Lies

Clark Kent ran for president
No one knew about the secrets locked in his head
Friends tried to take his life
Accusations flew
Flew like Kryptonite
Clark still looking good
What you gonna say
To make everything alright
Lies”

O Justiceiro

Outro personagem da Marvel a ganhar notoriedade no universo da música foi O Justiceiro. Quem presta o tributo são os caras do Megadeth em “Holy Wars…The Punisher Due” (1990). E de quebra, para uma canção totalmente politizada, pois denuncia a violência dos conflitos na Irlanda do Norte conhecido como “The Troubles”. Aliás, o próprio U2 tem uma música sobre o assunto, é claro.

Ainda no mundo do metal temos o guitarrista Joe Satriani com sua homenagem ao Surfista Prateado em “Surfing With The Alien”. Ouça e flutue nessa viagem espacial.

Motoqueiro Fantasma

O Motoqueiro Fantasma ganhou uma homenagem que também entrou na trilha de “Taxi Driver”. A canção presente no primeiro álbum dos punks do Suicide (1977) tem uma alta voltagem e vive perigosamente assim como o personagem.

O pesquisador musical Henry Rollins, ex-Black Flag e Rollins Band também regravou uma interessante versão do clássico do Suicide.

Mas vamos fechar com um verdadeiro “achado” das HQ’s. Um rap que adapta Guerras Secretas originais da Marvel. Mas mais do que isso, a faixa possui uma colaboração do mestre Stan “the man” Lee. A faixa do The Last Emperor contém parte 1 e parte 2.

Duo paulistano Dum Brothers promete segundo EP ainda mais “estranho” que sua estreia

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Dum Brothers

De um ensaio frustrado de doom sludge rock que acabou gerando frutos sonoros muito mais amplos, Bruno Agnoletti (bateria e voz) e Raul Zanardo (guitarra e voz) criaram o Dum Brothers, duo paulistano que mistura stoner, hard rock, psicodelia, grunge, rock nacional, fuzz, batidas primais e tudo mais o que vier na telha da dupla. Com um EP recém-lançado (“Dum Brother Pt.1”), um single quase saindo do forno e novos trabalhos já borbulhando em suas mentes (“tem umas com umas pegadas estranhas, meio dance, sei lá”), a banda promete fazer barulho na cena independente da selva de pedra.

Conversei com Bruno e Raul sobre a banda, a vida de artista independente, as “panelinhas” e mais:

– Como a banda começou?

Raul: Inicialmente ia ser uma banda de doom sludge rock pesadão com o Bruno no baixo, mas o ensaio não deu mto certo, aí a gente trocou de posições lá no ensaio e o Bruno tocou bateria e ficou da hora (risos). Depois a gente começou a ensaiar sem baixo mesmo e sem nenhuma pretensão de rótulo ou estilo e tals. Foi ficando bacana e as músicas foram saindo.

– De onde surgiu o nome da banda?

Raul: Nossa, nome de banda é foda achar (risos). A ideia de fazer uma brincadeira com o Doom escrito errado foi do Bruno. Na volta pra casa do primeiro ensaio como duo a gente foi falando uns nomes, aí ele falou do Dum escrito com U e a gente curtiu.

– E vocês repararam que soa como Dumb Brothers, né? ?

Raul: Né! (risos) A gente só viu esse depois. Mas a gente é meio “dumb” mesmo (risos).

– Porque o formato duo é tão popular hoje em dia?

Raul: Acho que pela simplicidade do formato, sei lá. Pelo fato de não haver outros elementos na banda, as musicas ficam mais simples e as bandas tem que se esforçar mais fazer músicas e shows bacanas. Mas não sei se isso as torna mais populares (risos).

– Eu digo mais populares porque hoje em dia o número de duos é BEM maior que antigamente.

Raul: Acho que depois do White Stripes e Black Keys a galera viu que da pra fazer coisa boa só com duas pessoas. A gente optou por ter duas porque tava dando certo e é foda ter muita gente na banda, a logistica é chata demais. Antes eu tinha uma banda com mais 5 caras, era um inferno (risos).

– E vocês estão preparando um novo single.
Bruno:  Fiz uma letra de como a PM vem agindo de forma abusiva e nada arbitrária em abordagens, nas manifestações e tudo mais. Gravamos ao vivo lá no estúdio em que a gente ensaia. Tá bem punk essa música.
– Me falem um pouco mais sobre seu primeiro EP.

Raul: O primeiro EP, “Pt. I”, é o registro das primeiras 5 musicas que a gente fez na segunda metade de 2015. Foi todo feito independente pela gente mesmo.

Bruno: Isso, o conceito do EP era mais pra ter um registro oficial pra galera saber que a gente existe.

Raul: (Risos) “Óia gente, a gente existe e tem música”. (Risos)

Bruno: Isso mesmo! (Risos)

Dum Brothers

– E como foi a criação dessas músicas?

Bruno: A criação é sempre o melhor. A gente nunca sabe o que vai fazer, simplesmente começa a tocar e elas vão saindo. Não tem planejamento.

Raul: É, brincando com riffs no ensaios, cantando qualquer bosta (por isso que tem umas letras engraçadas).

Bruno: É tudo espontâneo.

Raul: Depois da gente brincar e experimentar nas músicas, a gente gravou umas demos e foi praticando elas pra gravar, que é o método que a gente usa até hoje. Isso quando não gravamos ao vivo mesmo, mas esse lance de gravar ao vivo é novo, estamos nos aperfeiçoando ainda. No EP a gente gravou tudo separado.

Bruno: Baterias no estúdio e guitarra e voz na casa do Raul!

– Como vocês veem a cena independente de SP hoje em dia? Como é a vida de independente?

Bruno: Cara, é difícil. A galera da cena aqui de SP é muito desunida, as casas não ajudam muito…

Raul: E quando a galera é unida é panelinha!

Bruno: Sempre assim.

Raul: Aí é foda “entrar”. (Risos)

Bruno: Eu mesmo vivo só da banda, tô sempre duro. (Risos)

Raul: Mas tem muita gente que mostrando e dando espaço pras bandas. O Penha Rock tá sempre chamando a galera e fazendo evento pela Zona Leste.

Dum Brothers

– E vocês acham que tem como essa cena melhorar?

Bruno: Isso tem que começar com as bandas se ajudando.

Raul: A galera tem que se unir e correr atrás e não ficar esperando as coisas cair do céu. (Risos)

Bruno: Fazer boicote nos produtores de cota!

Raul: Nossa, é mesmo!

Bruno: Isso de cota tem que acabar. Isso é um roubo pro artista!

Raul: Esses caras ficam escravizando as bandas.

Bruno: Parar de tocar de graça pras casas…

Raul: De graça acho que tudo bem até, dependendo da casa ou do evento… Mas pagar pra tocar é zoado!

Bruno: Isso tudo enfraquece a cena num todo.

Dum Brothers

– Já estão trabalhando em um novo EP?

Bruno: Totalmente! As músicas ja estão todas prontas.

Raul: E a gente ta fazendo mais! Tem tando demo pra fazer que eu perdi a conta já! (Risos)

Bruno: A gente já ta trabalhando no primeiro álbum da banda.

– Opa, me conta mais sobre eles!

Raul: O EP “Pt. 2” a gente vai tentar lançar no começo do ano que vem. Ja o álbum vamos fazer mais musicas e tentar lançar no final de 2017. O sonho do álbum era pegar um sitio ou chacara e ficar gravando e fazendo música lá. Mas ta no sonho ainda! (Risos)

Bruno: Verdade, ainda não temos o sítio pra isso. Mas o EP vai ter a mesma pegada do primeiro. Aos poucos estamos achando nosso som perfeito!

Raul: A gente já pode dizer que as músicas estão ficando mais pesadas. Mas tem umas com umas pegadas estranhas, meio dance, sei lá.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Raul: Eta pergunta complicada! (Risos)

Bruno: (Risos) A gente toca rock, difícil se rotular. A gente deixa isso pra vocês! (Risos) A gente viaja bastante, desde o doom até o soft rock.

Raul: Hard rock dos anos 70… A gente escuta muita coisa e tudo vai parar no som. Uns grunge. Tem uns metal também. Dá pra falar que a gente é Rock Doom Hard Soft Grunge Metal Alternative (risos).

– E quais bandas e artistas são as suas maiores influências musicais?

Raul: Atualmente acho que no ponto de vista “guitarrístico” tenho muita influencia de Queens of the Stone Age, Muñoz Duo, Kyuss, Rage Against the Machine, Elder

Bruno: As minhas são Lynyrd Skynyrd, QueenEagles, Made In Brazil, Hellacopters, Phil Collins, Elton John, os Mutantes

Raul: É! Hellacopters! (Risos) Se bem que as guitarras deles são bem agudas… Porra, Grand Funk também. Às vezes percebo que tem umas harmonias que a gente faz que tenta lembrar um pouco as do Grand Funk.

Bruno: Tem uns batera que curto tipo Fraklin Paolilo, Rolando Castelo Jr , Don Henley, Phil Collins…

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a atenção de vocês nos últimos tempos.

Bruno: Muddy Brothers!

Raul: Ego Kill Tallent, Huey

Bruno: Water Rats!

Raul: Five Minutes to Go!

Bruno: Picanha de Chernobill!

Raul: Camarones Orquestra Guitarrística (eles tão na ativa faz tempo, mas sempre foram independentes e nunca param de fazer show, são foda!), Muñoz Duo (já falei antes, mas vou falar de novo, porque eles são foda), Far From Alaska (não sei se eles são independentes mais, mas são foda também! Risos)

Bruno: Deck Disc.

Raul: Ah é. Molho Negro lá de Belém do Pará, power trio da hora. Porra, tem a banda OzDois também, eles são foda!